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        Políticas públicas: fazer acontecer

   

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            A Campanha da fraternidade 2019 nos convida a aprofundar a temática da dignidade humana. Ela nos traz alguns questionamentos: O que são políticas públicas? Como são construídas? Que contribuição podemos dar, à luz do Evangelho, para que esse processo se realize?

O tema bíblico escolhido foi tirado do livro do Profeta Isaías: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is1, 27). “Direito” designa a ordem justa da sociedade. “Justiça” é a obrigação moral do direito em favor dos mais necessitados.

As Políticas públicas afetam a todos os cidadãos, de todas as escolaridades, independente de sexo, raça, religião ou nível social. O bem-estar da sociedade está relacionado a ações bem desenvolvidas e à sua execução em áreas como saúde, educação, meio ambiente, habitação, assistência social, lazer, transporte e segurança, ou seja, deve-se contemplar a qualidade de vida como um todo.

Portanto, políticas públicas são conjuntos de programas, ações e decisões tomadas pelos governos (nacionais, estaduais ou municipais)  que visam assegurar determinado direito de cidadania para todos.  Ou seja, correspondem a direitos assegurados na Constituição.

Um programa da prefeitura que esteja beneficiando seu bairro, por exemplo, é uma política pública.

A Campanha da Fraternidade 2019 é um convite para que todos participem da elaboração de políticas públicas que visam à construção de uma sociedade baseada no direito e na justiça, livre de qualquer desigualdade. O que podemos fazer? Como vamos fazer? O que a lei nos garante?

Será isso uma utopia? Isso não vai dar em nada, não adianta lutar. Isso é muito difícil…

No Evangelho de Lucas, capítulo 9,51 diz que Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém. Ele sabia muito bem o que lhe aconteceria naquela cidade, a cruz o esperava. Mas ele não teve medo.

Em Jerusalém também Jesus ressuscitou! Jesus venceu as maldades e as contradições de Jerusalém. O poder matou-O, mas a morte não teve a última palavra.

Só foi possível fazer experiência da Ressurreição por causa dessa decisão de “ir a Jerusalém”. Para viver como “ressuscitados” é necessário sempre ter clareza da “nossa Jerusalém”.

Chico Buarque foi cantando: “apesar de você, amanhã há de ser outro dia… Inda pago pra ver, o jardim florescer, qual você não queria…”.

Projota, na música Samurai, canta: “Quando cortaram os meus braços eu chutei,/ Quando cortaram minhas pernas eu dei cabeçada,/Quando cortaram minha cabeça, eu mordi na jugular e não soltei por nada, não soltei por nada!/Quando cortaram os meus braços eu chutei,/Quando cortaram minhas pernas eu lutei… como Samurai!”

A maior resposta é resistir com criatividade, organização e esperança – sem perder a ternura e o a(fe)to. Quando “largamos mão de tudo”, estamos fazendo aquilo que os piores da história querem.

                                                                            Pe. Hermes F. Pedro

 

Maria, mãe intercessora, modelo de mulher apostólica, discípula e missionária

O primeiro milagre realizado por Jesus, a transformação da água em vinho em Caná da Galileia, aceito pela Igreja católica, marca o início da vida pública de Jesus e destaca a preocupação de Maria com o bem-estar das pessoas e a autoridade da mãe sobre seu filho já adulto.

Maria, sentindo-se tocada pelo constrangimento a que os noivos foram submetidos devido à falta de vinho na festa do casamento, pede a Jesus para interferir e ajudar a resolver a situação. Primeiramente, ele vacila: “Ainda não é chegada a minha hora…” Ela insiste  e Ele a atende.  Segundo Dom Filippo Santoro, “Maria educou Cristo a ter essa ternura, esse coração aberto diante da necessidade do outro, especialmente dos pobres”.  “Ao fazer o Senhor se comover com o infortúnio do casal nas bodas, ela acelerou um processo”.

Maria intercessora traz presente nesse fato o amparo, cuidado e proteção diante da necessidade do outro, tornando-a modelo e exemplo para todos nós, discípulos missionários do Reino. Assim como Maria, na Visitação à sua prima Santa Isabel, deveremos levar conforto, solidariedade, consolação e práticas promovedoras do bem-estar de todos. Como Maria “caminheira”, Mãe da solidariedade, devemos saber ler e celebrar no Magnificat o que Deus faz em favor dos pobres e oprimidos, conclamando uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Na CF-2019, a Igreja busca estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade, e, como Maria, assumirmos o nosso protagonismo no serviço ao Reino, lutando por políticas públicas que resgatem a cidadania e façam valer os direitos sociais. Que nós, aprendizes na Escola de Maria, possamos ser de fato luz do mundo, sal da Terra, fermento transformador do mundo, sinais de esperança, justiça e solidariedade.

Eliana Maria de Alvarenga Guimarães

“Competir ou Cooperar”.

A análise da realidade nunca é totalmente imparcial. Somos condicionados por muitos fatores. Herdeiros da tradição cartesiana e do racionalismo, evoluímos muito no domínio do conhecimento para o avanço da ciência, da técnica, da robótica e da informática. Hoje já se prospecta a geração 4.0. Muitas pesquisas têm revelado significativos dados que possibilitam maior qualidade de vida e domínio sobre constantes ameaças que abalam a vida e o planeta. É preciso, contudo, ser crítico sobre o modo de pensar que muitos têm quando abstraem os valores subjetivos, as relações interpessoais e menosprezam as dimensões do transcendente, priorizando somente o que é empírico e verificável por métodos que descartam outras dimensões humanas como a arte, a música, a religião, a sensibilidade e a espiritualidade.

A sociedade contemporânea, em acelerado processo de mudança, está dispersa e desprovida de referenciais. Há um vácuo racional e ontológico fundamental. O individualismo é um princípio que decorre da racionalidade moderna. Ele gera uma moral que individualiza o direito e dá caráter de tensão às relações sociais: “o seu direito termina onde começa o meu”. O limite do direito individual é a presença do outro indivíduo e não a convivência social. Cresce o clima de tensão, concretizado na criminalidade e na violência urbana. A insegurança social parece ser uma característica “natural” da sociedade moderna. Na verdade é a busca desordenada pela sobrevivência diante de uma ética individualizante e competitiva. O ser humano se animaliza: reage com o instinto de defesa diante do ataque violento.

Na tentativa de estabelecer os fundamentos da nova concepção sobre a vida, há de se buscar novos conceitos. A subsistência da vida humana na Terra não se deve à competição, mas sim à cooperação. O ser humano depende dessa atitude comunitária para superar a fragmentação da realidade da forma como é concebida atualmente.

Todos os seres criados são solidários entre si porque se originaram da mesma matéria primordial. Todos são criados por Deus para que cresçam na harmoniosa multiplicidade do universo. A pessoa, nesse contexto, tem uma cidadania universal, cósmica, que se realizará cada vez mais que se mover livremente em direção ao próprio projeto do Criador para todo o cosmos.  O humano é o único ser para o qual a vida é uma tarefa, porque ela não se reduz ao dado somático-psíquico. Ele tem uma existência inacabada, não só do ponto de vista biológico, mas também espiritual e, principalmente, enquanto unidade pessoal.

+ Dom Leomar Brustolim – Bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre/RS.

Ser cristão no 3º milênio – Dom Dom Walmor

Impacta sempre, e muito, a fugacidade do tempo. Nada tem força para deter a voracidade do tempo, que passa inexoravelmente. Só o horizonte da eternidade, para aqueles que têm a fé no Filho de Deus – Salvador e Redentor da humanidade – consola e é certeza da vitória definitiva sobre a fugacidade do tempo. As abordagens filosóficas e antropológicas sobre o tempo carregam riquezas preciosas, lições que, aprendidas, qualificam o existencial humano e dá ao tempo que passa sentido consistente. Desenham o horizonte de uma vida marcada para o desabrochamento que a eterniza

Buscar uma qualificada razão para viver é dinâmica intrínseca da condição humana, com incidência não apenas no cotidiano de indivíduos, mas em toda a sociedade. Neste momento em que se completam duas décadas deste terceiro milênio, exercício indispensável é uma avaliação pessoal capaz de identificar quais mudanças são necessárias à própria vida. Com os instantes que transcorrem, marcados por incontáveis e impactantes avanços tecnológicos, torna-se urgente conceber equivalentes progressos humanísticos e espirituais, tão necessários a este tempo.

A realidade se sobrepõe a qualquer argumento ao demonstrar que os importantes avanços tecnológicos e cibernéticos são insuficientes para garantir qualidade de vida a todos. A base para a evolução da humanidade alicerça-se em pilares humanísticos e espirituais, que devem fazer frente a diferentes ideologias – linhas de pensamento que deterioram valores éticos e morais, resultando em graves prejuízos para todos. A perda desses valores gera intolerância, permissividade, desrespeito e desfiguração de identidades – de indivíduos e instituições – produzindo diferentes formas de violência.

É preciso buscar o que está faltando para reverter as dinâmicas que deterioram a vida humana, pois as duas primeiras décadas deste terceiro milênio ainda não ofereceram sinais de melhoras dos males que marcaram o século XX. Os processos educativos formais, até mesmo nos grandes centros acadêmicos e científicos, não estão dando conta de promover ampla qualificação humanística, com incidências transformadoras na realidade. Há, pois, nesse campo, insubstituível meta, que deve ser assumida por todos: promover e reconhecer a preciosidade da vida humana, razão pela qual o Verbo de Deus se fez carne e veio morar entre nós, para salvar a humanidade.

Todos têm responsabilidade nessa missão de promover os princípios éticos e morais. De modo especial, é tarefa dos cristãos superar disputas entre si, com ou sem razões confessionais, no sentido de oferecer ao mundo uma fonte inesgotável de valores humanísticos: a Palavra de Deus, que tem força para combater o relativismo defendido por ideologias, com a troca de certos princípios por uma liberdade ilusória. Ouvir e acolher o Evangelho produz frutos e qualifica a interioridade humana. Buscá-lo é atitude essencial para fazer da terceira década deste milênio bem mais do que simplesmente um tempo promissor.

Na escuta do Evangelho, vale dedicar-se de modo especial ao Sermão da Montanha, com a sua força transformadora. Quem busca essa Palavra coloca-se diante de Deus, em atitude de escuta que faz reverberar o sentido de fraternidade solidária, a partir da consciência de que todos são filhos de Deus. Ouvir a Palavra causa impacto, é uma experiência que permite aprender misticamente a imprescindível lição que vem do coração de Deus. “Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. O cristão tem, pois, uma grande contribuição a oferecer nesta corrida contra o tempo: partilhar os valores do Evangelho neste terceiro milênio.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Epifania é abrir caminhos

“…voltaram para sua terra por outro caminho” (Mt 2,12)

“Por que é que os homens se deslocam em vez de ficarem quietos”? Esta pergunta do escritor Bruce Chatwin nos reconduz ao centro do mistério do próprio ser humano. Somos seres de travessia. As viagens nunca são apenas exteriores. Não é simplesmente no espaço geográfico que o ser humano viaja. Isso significaria não perceber toda sua a profundidade; deslocar-se implica uma mudança de posição, uma ampliação do olhar, uma abertura ao novo, uma adaptação a realidades e linguagens diferentes, uma expansão da sensibilidade, um confronto, um diálogo tenso ou deslumbrado…, que deixam necessariamente impressões muito profundas.

A experiência da viagem é a experiência de fronteira e do horizonte aberto, de que o ser humano precisa para ser ele mesmo. Nesse sentido, a viagem é uma etapa fundamental da descoberta e da construção de sua própria identidade e do conhecimento do mundo que o cerca. É a sua consciência que perambula, descobre cada detalhe do mundo e olha tudo de novo como da primeira vez. A viagem é uma espécie de propulsor desse olhar novo. Por isso, é capaz de introduzir na sua vida elementos sempre inéditos que o incitam a uma mudança contínua. Nada mais anti-humano que uma vida estabilizada em posições fechadas, ideias atrofiadas, visões limitadas pelo medo do diferente…

Mais do que viajantes, aos poucos vamos nos descobrindo peregrinos. Quando fazemos uma peregrinação, muitas vezes nos interrogamos onde é que ela termina, porque uma das coisas que experimentamos é que, à medida que caminhamos, a realidade torna-se sempre mais aberta e nós nos enriquecemos muito mais. A peregrinação não tem propriamente um fim: tem uma extraordinária finalidade. No caso dos Magos é o encontro com o “Rei de Israel”.

Na noite de Natal, Jesus se manifestou aos pastores, homens pobres e humildes, que foram os primeiros a se deslocarem para levar um pouco de calor à fria gruta de Belém. Agora são os Magos que chegam de terras longínquas, também eles atraídos misteriosamente por essa Criança. Os pastores e os Magos são muito distintos entre si; mas uma coisa tem em comum: o céu.

Os pastores de Belém foram correndo para ver o menino Jesus não porque fossem particularmente devotos, mas porque velavam de noite e, levantando os olhos ao céu, viram um sinal e escutaram uma mensagem. Assim também os Magos: investigavam os céus, viram uma nova estrela, interpretaram o sinal e se puseram a caminho. Os pastores e os Magos nos ensinam que para encontrar Jesus é necessário saber levantar o olhar para o céu, não fixar-nos em nós mesmos, ter o coração e a mente abertos ao horizonte de Deus, que sempre nos surpreende, saber acolher suas mensagens e responder com prontidão e generosidade.

O termo “magos” tem uma considerável gama de significados; mas, certamente, em Mateus são sábios cuja sabedoria religiosa e filosófica os põe em caminho; é a sabedoria que leva a Cristo. Somente homens de uma certa inquietude interior, homens de esperança, em busca da verdadeira estrela da salvação, seriam capazes de colocar-se em caminho e percorrer a longa distância entre Oriente e Belém.

Chama a atenção a prontidão da resposta dos Magos. Com simplicidade expressam como no preciso mo-mento em que perceberam a indicação do céu, imediatamente reagiram e a seguiram. A estrela que os guiava era uma estrela nova, superior, peregrina, que despertava assombro e atraía àqueles que a contemplavam. Os caminhos deste novo astro, orientam à salvação divina para toda a humanidade.

A experiência dos Magos nos exorta a não nos contentar com a mediocridade, a não permanecer adormecidos e estáticos, mas a buscar o sentido das coisas, a perscrutar com paixão o grande mistério da vida. Eles nos ensinam a não nos escandalizar frente à pequenez e à pobreza, mas a reconhecer a majestade na humildade e sabermos ajoelhar diante dela. O deslocamento dos Magos ajuda a nos deixar guiar pela estrela do Evangelho para encontrar Aquele que é Luz, e despertar a luz que nos habita. Assim, poderemos levar aos outros um raio de sua luz e compartilhar com eles a alegria do caminho.

Os Magos vêm do Oriente e caminham para a luz. Estão orientados. Oriente significa onde nasce o sol, a luz. A desorientação é a perda do sentido, do caminho, é viver na escuridão. A verdadeira luz está mais presente na gruta despojada que nos palácios e templos de Jerusalém.

Epifania, portanto, é abrir caminhos; Epifania é buscar e caminhar para a luz.

Mateus termina seu relato notando que, uma vez que os magos se encontraram com o Menino Jesus, “regressaram por outro caminho”. E não mudam de caminho para evitar Herodes, mas porque encontraram o Caminho: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Deus, a Luz, não está presente nos caminhos e pretensões de Herodes (e existem muitos Herodes e faraós soltos pela história), mas naquele que é frágil e está deitado em um presépio.

Como os Magos, levantemos e voltemos à casa por outro caminho!

Quem se encontra com Jesus voltará à sua casa, ao seu trabalho, às suas ocupações, mas já não será o mesmo. Voltará de outra maneira, por outro caminho, com um coração dilatado e um espírito renovado. Quem se encontra com a Criança de Belém, dá-se conta de que os caminhos de Herodes, do poder, do prestígio, da riqueza, são caminhos que levam à morte. E Epifania é o caminho da vida, da acolhida e do encontro. O itinerário espiritual, portanto, pode ser descrito como uma viagem da cabeça ao coração; é uma viagem longa, difícil, mas apaixonante.

Por diferentes motivos, também hoje vivemos uma grande mobilidade; precisamos ser espertos em mover-nos entre o diferente, o que nos confunde, o mistério, o que nos questiona… Sempre caminhando. Esta é a atitude daquele que segue um Deus sempre maior, sempre surpreendente, que está sempre mais além de onde estamos. Então, que sigamos, sempre adiante… mas façamos isso juntos, sem deixar ninguém fora!

Este e o dinamismo que deve perpassar nossa vida: da instalação ao crescimento, da acomodação ao deslocamento contínuo. Partimos da realidade de que a tendência natural é amparar-nos nas “zonas de conforto”; elas nos dão mais segurança; é mais cômodo; requer menos energias.

A inércia leva a viver o ordinário, o repetitivo; custa-nos admitir e saborear o excepcional, o extraordinário; muitas vezes nos movemos em meio a um certo ceticismo vital, sem paixão pela vida e pela missão. Mas o caminho da fé nos leva de assombro em assombro, de graça em graça, de alegria em alegria.

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos” (Fernando Pessoa).

Texto bíblico: Mt 2,1-12

Na oração: Esse “outro caminho” é o caminho que deve direcionar para Deus nossa vida.

O que importa é pôr-se a caminho nas pegadas dos Magos, fazer escolhas e recusar desvios.

– Há alguma “estrela” abrindo horizontes para você?

– O que há de “herodiano” em sua realidade e em seu mundo interior? quais são as causas, as manifestações e os efeitos das suas inseguranças, do fixismo em torno do próprio eu, dos seus medos?

– conserve-se em movimento interior, sempre; nada de roteiros rígidos que sufocam o Espírito, matam a criatividade, prendem à rotina e empobrecem o dinamismo de uma vida em transformação.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

Maria: Mãe de Deus

Pela fé, Maria aderiu ao plano de Deus e aceitou ser a Mãe do Verbo Encarnado. Tornou-se, na verdade, a Mãe de Deus.

Desde os primeiros séculos da Igreja, esta verdade foi bem aceita, pois, por ocasião de sua visita a Isabel, esta, cheia do Espírito Santo exclamou: “Como me é dado que venha a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 43).

Houve muita objeção quanto a tal assertiva, mas no Concílio de Éfeso foi proclamada solenemente a Maternidade divina de Maria, e, sendo confirmada nos Concílios de Calcedônia e Constantinopla, quando das discussões acerca das duas naturezas de Cristo e sua única pessoa.

A Bíblia Sagrada afirma não só que Maria é Mãe de Jesus, como ainda que o Filho concebido em suas entranhas é mesmo Filho de Deus, o Verbo eternamente gerado pelo Pai, e Deus como Ele. “Eis que engravidarás e darás à luz um filho, e lhe darás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado filho do Altíssimo” (Lc 1, 31-32). “No início era o Verbo, e o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus… (…) E o verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória; glória essa que, Filho único cheio de graça e de verdade, ele tem da parte do Pai” (Jo 1, 1. 14).

A maternidade divina de Maria é o fundamento de todos os seus privilégios. Mãe que o foi sem deixar de se virgem. Deus preparou Maria para esse fim.

A vida terrestre de Maria se desenvolve à sombra da fé que nada enxerga, que não compreende, mas confia nos desígnios impenetráveis de Deus. Reside ai a verdadeira grandeza de Maria: Vida de fé.

Maria pode e deve ser chamada Mãe de Deus, haja vista que Cristo é Deus. Isso está presente em toda a Bíblia. Maria está presente do Gênesis ao Apocalipse.

Podemos e devemos chamar a Virgem Maria de “Mãe de Deus” porque o objeto-termo de toda maternidade é a pessoa. Não se diz que a mãe é mãe da natureza do filho, mas da sua pessoa, e, a pessoa em Cristo, é a segunda na Santíssima Trindade, o Filho de Deus. Deus escolheu Maria desde a eternidade e não podemos menosprezar essa escolha.

Maria é Mãe de Deus, pois Jesus é verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus (CIC 484-507). Maria teve em seu ventre o Homem e Deus e não há como separar o corpo do espírito. Ela não deu à luz um monte de ossos, mas um corpo com carne e espírito, deu à luz o Filho de Deus: Jesus.

Jesus Cristo, o Filho de Maria, é Deus e homem verdadeiro e, embora seja Deus e homem, não são dois, mas um só Cristo. Emanuel, Deus-conosco, possui duas naturezas, a divina e a humana, unidas em uma só pessoa: Jesus Cristo Nosso Senhor. Sendo verdadeira Mãe de Jesus Maria, com toda justiça deve ser chamada “Mãe de Deus”, porque não se separa a natureza humana da natureza divina na pessoa de Cristo.

Ao fazer-se homem, nada perdeu da divindade e, sendo Deus assumiu em sua integridade a natureza humana. Para mostrar que era homem, quis nascer de uma mulher; mas para assinalar que era Deus, quis nascer de uma Virgem.

Diác. Daniel Bueno Borges

É tempo de limpeza espiritual. É Natal.

O Nascimento de Jesus, chamado também de Natividade, é uma referência aos relatos do nascimento de Jesus presentes principalmente nos evangelhos de Lucas e Mateus, mas também em alguns textos apócrifos.

Os evangelhos canônicos de Lucas e Mateus contam que Jesus nasceu em Belém, na província romana da Judeia de uma mãe ainda virgem. No relato do Evangelho de Lucas, José e Maria viajaram de Nazaré para Belém para comparecer a um censo e Jesus nasceu durante a viagem numa simples manjedoura. Anjos o proclamaram salvador de todas as pessoas e pastores vieram adorá-lo. No relato de Mateus, astrônomos seguiram uma estrela até Belém para levar presentes a Jesus, nascido o “rei dos judeus”. O rei Herodes ordenou em seguida o massacre de todos os garotos com menos de dois anos da cidade, mas a família de Jesus conseguiu escapar para o Egito e, depois que Herodes morreu, voltou para Nazar

Muitos acadêmicos defendem que as duas narrativas são não-históricas e contraditórias. Outros estudiosos cristãos defendem o contrário, ou seja, que não há contradição alguma e destacam as similaridades entre os relatos. Finalmente, há os que entendem que a discussão sobre a historicidade dos evangelhos é secundária, argumentando que eles foram escritos como documentos teológicos e não como cronologias históricas.

A principal celebração religiosa entre os membros da Igreja Católica e de diversos outros grupos cristãos é o serviço religioso da Véspera de Natal ou o da manhã do Dia de Natal. Durante os quarenta dias que levam ao Natal, a Igreja Ortodoxa pratica o Jejum da Natividade, enquanto que a maioria das congregações cristãs (incluindo a Igreja Católica, a Comunhão Anglicana, muitas igrejas protestantes e os batistas) iniciam a observância da temporada litúrgica do Advento quatro domingos antes do Natal — para todos, o período é de limpeza e renovação espiritual para a celebração do nascimento de Jesus.

Na teologia cristã, o nascimento é a encarnação de Jesus como segundo Adão, a realização da vontade de Deus com o objetivo de desfazer o dano provocado pela queda do primeiro Adão. As representações artísticas da Natividade têm sido um grande tema para os artistas cristãos desde o século IV. A partir do século XIII, o presépio enfatiza a humildade de Jesus e promove uma imagem mais terna de Jesus, um importante ponto de inflexão em relação às mais antigas imagens do Jesus “Senhor e Mestre”, o que acabou por influenciar o ministério pastoral do cristianismo.

As informações acima são encontradas na Wikipédia sobre o nascimento de Jesus.

A poetisa mineira, Adélia Prado, assim descreve o natal:

“Que noite bonita é esta
Em que a vida fica mansa,
Em que tudo vira festa
E o mundo inteiro descansa?
Esta é uma noite encantada,
Nunca assim aconteceu,
Os galos todos saudando:
O Menino Jesus Nasceu!

Natal é um período de limpeza espiritual, de renovação da fé e da esperança. Eis o “RECADO DA ESPERANÇA”

Nas provações que te surjam
Ergue a fonte e segue em frente,
Aceita, firme e contente,
O caminho tal qual é…
De pensamento tranquilo,
Não pares. Segue e não temas,
Sem crises e sem problemas
Ninguém sabe se tem fé.

Contratempo, desencanto,
Infortúnio, prejuízo,
Tribulações de improviso,
Dificuldade no lar…
Tudo isso se resume
Na escola que nos ensina
A entender a Lei Divina
Que nos impele a marchar.

Esquece os males do mundo,
Mesmo os mais rudes e amargos
Abraça os próprios encargos
Por íntimos cirineus;
Onde estiveres, relembra
Que o mérito vem da prova,
Que o sofrimento renova
E a dor é bênção de Deus. (Maria Dolores)

Feliz Natal, renova-te a fé, a esperança e recomeça a viver um novo tempo.

Regina Coele Barroso Queiroz Santos-Sabinópolis – butibarroso@yahoo.com.br.

foto: presépio da Catedral de Guanhães

Natal: uma experiência de teimosa esperança na busca de vida nova

A cada início de ano litúrgico, nós cristãos somos chamamos a viver o tempo do Advento como singular oportunidade de conversão: fazermos profunda avaliação de nosso jeito de caminhar, tanto no nível pessoal quanto coletivo. Isso ajuda na preparação para bem celebrarmos o Natal enquanto fonte de renovação da esperança e de fé para avançarmos na busca e conquista de vida nova na Igreja e na sociedade.

Assim, geralmente motivados pela novena do Natal, somos interpelados a abrir as portas de nossos corações e de nossas casas a Deus e aos companheiros e companheiras de caminhada (Ap 3, 20). Somente abertos ao amor gratuito de Deus, que vem ao nosso encontro, podemos assumir o dinamismo de amar uns aos outros, na vida em comunidade de fé e no compromisso de participar da construção de uma sociedade justa e fraterna.

Ao contemplarmos o mistério da proximidade amorosa de Deus no presépio, nos damos conta do modo como Jesus veio ao nosso encontro: Deus, movido por amor, se esvaziou de seu poder divino, se abaixou até nós, assumindo a nossa vida e tornando-se em tudo igual a nós (Cf. Fl 2, 7; Hb 4, 15). Acontece que, ao entrar em nossa história, viveu o contexto de profunda exclusão social. Esta triste realidade de marginalização acontece igualmente na vida dos mais pobres e vulneráveis de nosso tempo. A chegada do menino Jesus não encontrou espaço de generosa acolhida entre nós. Não houve solidariedade fraterna e lugar digno para receber a família de Nazaré: a mãe Maria, no estágio final de gravidez, e o pai José, peregrinos fora de sua pátria (Cf. Lc 2, 1-8). Percebemos imediatamente que quando não cuidamos da cultura da hospitalidade, da solidariedade fraterna e da sensibilidade humanitária para bem acolher o outro em suas necessidades, significa que ainda não entendemos o projeto salvífico de Deus revelado na vida de Jesus de Nazaré: somos todos filhos e filhas do Amor de Deus e, portanto, irmãos e irmãs vocacionados ao amor fraterno. Recebemos o dom da vida e estamos aqui para aprendermos a amar. Nossa origem coincide com o nosso destino: nascemos do Amor de Deus, no Amor divino existimos e para este Amor voltaremos.

Desse modo, a celebração do Natal revela e expressa, de modo muito singular, a beleza e o sentido maior da vida cristã vivida em comunidades de fé e partilha de vida: somos convidados a cuidar das relações humanas para que todos experimentem, na acolhida fraterna, a gratuidade do amor de Deus.

Desejamos a você, a sua família e a sua comunidade um abençoado Natal: que cuidem das relações humanas, amando uns aos outros, para que todos, por meio delas, experimentem-se amados por Deus. Deus viveu, em Jesus, a trágica experiência da exclusão social, mas para que ninguém, entre nós, seja excluído de nosso amor fraterno, da proteção da justiça e da mesa da cidadania. Temos que pensar nos meios concretos que garantem a dignidade humana de cada filho ou e filha de Deus.

Celebrar o Natal é assumir um compromisso concreto: acolher o amor de Deus que, em Jesus, vem ao nosso encontro e amarmos uns aos outros, cuidando para que cada pessoa, na Igreja e na sociedade, tenham vida e vida em abundância (Cf. Jo 10, 10).

Cultivar, no cotidiano, as seguintes posturas inspiradas em Jesus de Nazaré, o mestre a quem procuro seguir:
1. Nutrir-se da intimidade amorosa e luminosa de Deus, como único Absoluto;
2. Assumir como critério central de discernimento a justiça do Reino e a defesa da dignidade da vida;
3. Denunciar profeticamente toda forma de injustiça e exclusão social, agindo com compaixão, solicitude, firmeza e generosidade;
4. Participar da luta pela cidadania junto com os movimentos populares, ao lado dos/as excluídos/as e de mãos dadas com os mais pobres;
5. Colocar o coração e a inteligência a serviço da dignidade de cada pessoa, mas em primeiro lugar por quem dela está excluído;
6. Discernir e conquistar liberdade diante de tudo o que impede o “amar e servir” e a serenidade da consciência ética;
7. Testemunhar, com alegria, a liberdade do Evangelho.

Por Edward Guimarães

 

Edward Guimarães é leigo, catequista de adultos e membro do Conselho Arquidiocesano de Pastoral, na Arquidiocese de Belo Horizonte. É o atual secretário executivo do Observatório de Evangelização PUC Minas e é professor de teologia do Instituto Regional de Pastoral Catequética – IRPAC da CNBB Leste 2.

 

Ortodoxia e ortopatia

 

A sociedade contemporânea, já tão ferida por graves descompassos, não pode confundir visíveis situações patológicas com o bem. No conjunto dessas situações, estão aqueles que se acham defensores da “verdade absoluta” e, por isso mesmo, distanciam-se da Verdade, que é Deus Misericordioso. Assim se configuram os radicalismos e as polarizações, o ataque a pessoas e a instituições, os grupos que se acham no direito de tirar a vida do outro em nome daquilo em que acreditam. Mentes doentias, que necessitam recuperar a sanidade, a inteireza moral e afetiva.

O surgimento de dinâmicas messiânicas perigosas, agrupamentos que se percebem como “donos da verdade” e com o direito de julgar os outros em nome da fé, mesmo sem a mínima competência, revela uma urgência: investimentos humanísticos e espirituais para que todos se compreendam como irmãos uns dos outros, filhos e filhas de Deus. Essa compreensão é necessária para que cada pessoa faça a diferença, agindo a partir de valores ético-morais coerentes com o Evangelho de Jesus Cristo.  A sociedade não pode permanecer indiferente diante de um progressivo e generalizado adoecimento que está corroendo a condição humana.

É preocupante o desvario verificado nos mais variados segmentos sociais, institucionais e, também, no contexto religioso. Situações que merecem ser conhecidas em suas complexidades, a partir da contribuição de diferentes campos do saber – antropologia, filosofia, sociologia, teologia e tantos outros. Avaliações a partir de referências à ortodoxia e à ortopatia são caminho promissor para conhecer e mudar essa realidade. O conjunto de sentimentos e paixões (pathos) é elemento fundante e determinante da condição humana – saudável ou doentia. Tem uma fortíssima influência na dimensão racional. Pode gerar, assim, desvios de conduta e doenças, a partir tanto da dinâmica da rigidez quanto do laxismo.

O conceito de ortodoxia, diferentemente do que pensa o senso comum, não serve apenas para denotar posturas enrijecidas. Define a desafiadora interpretação correta de uma verdade, como crença ou dogma. O funcionamento correto da capacidade humana de conhecer a realidade é fundamental para qualificar as relações interpessoais e também para o desenvolvimento de instituições, em estreita fidelidade à sua natureza e missão. A ortodoxia requer processos cognitivos que naveguem nas águas do sentido da verdade, sem manipulações ou adaptações que se tornem, consequentemente, negação de valores e princípios. Mas essa fidelidade não pode significar “estreitar a verdade” a partir de mentalidades e posturas. Eis, pois, a importância do que se define por ortopatia:  o cultivo correto de sentimentos, de modo coerente com a espiritualidade, a transcendência e a fé.

Uma permanente urgência é investir em ortodoxia e ortopatia, para evitar confusões, os enrijecimentos que levam pessoas a fazerem justiça com as próprias mãos, resultado de descompassos afetivos e cognitivos. Esses desajustes adoecem pessoas e a própria sociedade. São obstáculos para ações solidárias e impedem que cada pessoa se reconheça como filho de Deus, o Pai de todos. Não há mudança social sem investimentos no desenvolvimento humano-afetivo. As contribuições da política são indispensáveis, as indicações sociais têm seu lugar e o horizonte cultural influencia determinantemente esse desenvolvimento. Mas há algo que é fundamental: a experiência espiritual – que não pode ser confundida com fanatismo ou mera religiosidade. Trata-se da experiência mística de buscar Deus, que ilumina a condição humana.

Para a fé cristã, a qualificada espiritualidade é a experiência do encontro pessoal com Jesus, sentido forte do tempo do Advento, preparação para o Natal. Um antídoto para a ortodoxia que vira rigidez e instrumento de condenações e demonização dos outros, algo incompatível com a requerida ortopatia. Só a autêntica espiritualidade pode livrar a contemporaneidade dos fundamentalismos e polarizações, dos novos totalitarismos e ódios devastadores. Somente a vivência de uma qualificada mística, coerente com o Evangelho, pode evitar que a ortodoxia seja instrumento para criar divisões, substituindo a ortopatia por graves delinquências. Sejam todos coerentes com os ensinamentos de Cristo, que vem ao encontro da humanidade, como seu Salvador e Redentor, para vivenciarem a espiritualidade de modo autêntico e fecundo.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

O primeiro Natal e o pão vivo

Em Belém, a 10 km de Jerusalém, no começo de novembro, a cidade inicia as tradicionais decorações para o Natal. Ali, o primeiro Natal da história cristã foi celebrado pela sagrada família de José e Maria, alguns pastores e uns animais sob a luz misteriosa de uma estrela que brilhava nos corações bem-aventurados! O centro da cena era o Menino-Deus feito homem! Deus veio habitar entre nós!

Já faz algum tempo que quando se fala em Natal a primeira ideia que surge na mente é a de festa, comidas e bebidas, troca de presentes, luzes piscando etc. A palavra Natal já não lembra nascimento, num primeiro momento. Para uma pequena minoria, Natal lembra presépio, lembra o Menino Jesus, José e Maria – a Sagrada Família.

Belém, antiga Éfrata (Gn 35,19-20; 48,7; Rt 4,11), é hoje uma cidade muçulmana, cheia de mesquitas. Ali há poucos cristãos. Não há judeus. No mesmo largo da igreja da Natividade há, defronte, uma imensa mesquita que chama insistentemente os fiéis para a oração, o dia inteiro. Parece que o propósito da mesquita é o de abafar as atividades do templo católico.

Localizada na Cisjordânia, em território da Autoridade Palestina, a terra natal de Jesus e do Rei David possuía certamente um pão especial, pois a cidade se chama “Casa do Pão” (tanto em árabe como em hebraico esse é o significado de Belém). O Menino-Messias, o Príncipe da Paz, nasceu ali, e sua Mãe o colocou entre as palhas onde os animais se alimentavam, ou seja, na manjedoura, no cocho. Ele sentiu o hálito quente do jumento e do boi em seu corpinho frágil e santo. E sorriu. E o Seu sorriso iluminou a cidade, iluminou a Judeia inteira; o brilho foi-se espalhando pelo mundo, pelos astros… E brilha até hoje. Quem é da paz percebe e sente esse brilho!

Anunciado pelo Profeta Miqueias (Mq 5, 1), foi na cidade de Belém que o Pão Vivo veio do Céu em forma humana para mudar a história do mundo. Os coros de Anjos cantaram Aleluia três vezes! Os Magos, vindos de pontos geográficos diferentes, viram a Estrela no Céu. Os Pastores também viram. E todos os povos da Terra são chamados a vê-la em seus corações.

Costumamos trocar presentes no Natal, imitando os magos do Oriente, que levaram à manjedoura ouro, incenso e mirra, simbolizando a realeza, a divindade e o martírio do Salvador da humanidade. Mesmo que o Natal tenha se tornado um período de forte comércio, isso não tira a beleza da festa, época de congraçamento, de união familiar, uma ocasião verdadeiramente mágica, que contagia os cristãos do mundo inteiro.

Belém, a Casa do Pão, pode ser hoje sua casa, a nossa casa, a casa da nossa família. O Menino pode nascer dentro dela, fazer aí o seu presépio. Nossos templos, os templos de todas as Igrejas precisam ser verdadeiramente “casas do pão”, onde as pessoas se alimentem e se fortaleçam. Que as Famílias tenham Jesus presente nelas, fazendo delas uma comunidade de vida e de amor! E de partilha de pão!

Feliz Natal! E, desde já, um abençoado 2019 para todos!

Ismar Dias de Matos, professor de Filosofia na PUC Minas
p.ismar@hotmail.com

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