Artigos

“Sonhar a realidade com o Papa Francisco (I) “_ Dom Geovane Luís, bispo auxiliar da Arquidiocese de BH

3084WD-POPE-AMAZON_

Ao abrir o seu coração de Pastor, o Papa Francisco nos revela seus sonhos para a Igreja na Amazônia.

Os quatro sonhos do Papa – Social, Cultural, Ecológico e Eclesial – estão enraizados na realidade da vida, e por isso dizem respeito à Igreja presente no mundo inteiro.

Com o desejo de motivar a leitura da Exortação Pós-Sinodal ‘Querida Amazônia’ na sua íntegra, segue a primeira parte do resumo da Carta Magna sobre a evangelização na Amazônia, escrita pelo Papa e dirigida a todos os homens e mulheres que desejam cuidar da nossa Casa Comum.

A Igreja realizou o Sínodo para a Amazônia no período de 6 a 27 de outubro de 2019. Esse evento foi um percurso de diálogo e discernimento para a Comunidade Eclesial.

Além do Documento “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral” – que recolhe a contribuição dos participantes do Sínodo -, o Papa Francisco partilhou na Exortação Pós-Sinodal os sentimentos que brotaram do seu coração. Nela o Pontífice expressa sua solicitude para com os povos amazônicos – especialmente os últimos e mais pobres – e seu desejo de promover uma ecologia integral. Deste modo, o Papa Francisco revelou os seus sonhos relativos ao grande bioma que abraça nove nações: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa.

Esses sonhos são pedras miliares que poderão nortear a vida da Igreja presente no mundo inteiro.

O primeiro deles tem tonalidade social. Diz o Papa: “Sonho com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida”.

O Papa Francisco convoca a Igreja para que erga sua voz profética e se empenhe em prol dos mais pobres.

Há, na sua compreensão, um duplo clamor que precisa ser ouvido: o clamor da terra e dos pobres. Por isso, não é justo preocupar-se com o bioma e ignorar os povos amazônicos que vivem naquela realidade desafiante.

O desmatamento e a indústria minerária têm provocado um constante movimento migratório dos indígenas; as operações econômicas injustas e criminosas danificam a Amazônia e não respeitam o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação; a corrupção degrada as instituições e coloca em descrédito a política e as organizações sociais.

Além disso, existe a falsa ideologia de que a amazônia é um ‘enorme vazio a ser preenchido, uma riqueza em estado bruto que se deve aprimorar, uma vastidão selvagem que precisa ser domada’.

Neste cenário complexo existem sinais de vida e esperança. Vale ressaltar o senso comunitário dos povos nativos – entre eles não há espaço para o individualismo – e a ação corajosa dos missionários ao lado dos pobres.

O que fazer diante desta realidade tão complexa? Quais atitudes devemos assumir? O Papa nos indica o caminho:

– Indignar-se e pedir perdão aos povos amazônicos.

– Não habituar-se ao mal, nem permitir que nossa consciência social seja anestesiada.

– Construir redes de solidariedade e desenvolvimento em vista da globalização, sem marginalização.

– Promover o diálogo social entre os diferentes povos nativos na busca da comunhão e da luta conjunta pela vida. Neste diálogo os últimos devem ser os principais interlocutores.

– Escutar e reconhecer o ‘outro’ e apreciá-lo como ‘outro’, pois na Amazônia existem culturas portadoras duma mensagem ainda não escutada.

Deste sonho nasce outro não menos necessário e importante: o sonho cultural. Dele falaremos noutra ocasião. Fique atento.

Dom Geovane Luís da Silva
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte

http://arquidiocesebh.org.br/noticias/artigo-sonhar-a-realidade-com-o-papa-francisco-i-dom-geovane-luis-bispo-auxiliar-da-arquidiocese-de-bh/

Momento de implementar a Campanha da Fraternidade nas dioceses

 

                                                                Momento de implementar a CF nas dioceses

            No longo pontificado do papa Pio XII – 1939 a 1958 – a igreja católica no Brasil acompanha a fundação da CNBB, da CRB, a criação da Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (CELAM) – janeiro de 1955 – e o amplo aprimoramento, nas mais diferentes realidades sociais, da Ação Católica Brasileira e do MMM. A empolgação por uma pastoral de conjunto não abranda, mas recebe lucidez com a chegada do papa João XXIII.

            Em novembro de 1958, após encontro com os bispos do CELAM, João XXIII solicita a realização de um Plano de Emergência, no desejo de fortalecer paróquias como centros de evangelização, formar o clero como co-responsáveis na ação pastoral e estreitar laços entre leigos e a hierarquia atuando de modo coeso nas esferas das decisões políticas e econômicas. No rastro da elaboração do Plano de Emergência, ficou uma pastoral mais coesa no esforço de comunhão e participação.

            As novas concepções no modo de compreender a igreja e sua missão no mundo, as atuações dos leigos e leigas, a centralidade da bíblia no ato de pensar a teologia, organizar as pastorais publicadas durante o Concilio Vaticano II, sustentarão os primeiros temas da Campanha da Fraternidade. Nessa primeira fase: é chegada a hora de não medir esforços para implementar a CF em todas as dioceses brasileiras.

            Durante os anos de 1964 a 1972 todos os lemas foram pautados no desejo de divulgar as decisões e orientações conciliares: Lembre-se: você também é Igreja (1964), Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor (1965), Somos responsáveis uns pelos outros (1966), Somos todos iguais, somos todos irmãos (1967), Crer com as mãos (1968), Para o outro, o próximo é você (1969), ser cristão é participar (1970) e Reconciliar (1971).

Pe. Antonio C. Frizzo

 Dioc. de Guarulhos – CNBB-Sul I


Chega o momento da profecia

                A II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, realizada na cidade de Medellín, Colômbia, nos meses de agosto-setembro de 1968, trouxe ao centro da reflexão pastoral o conhecimento da cruel desigualdade social em um continente fortemente cristão. O catolicismo latino não foi mais o mesmo, depois de Medellín. De posse dos grandes eixos teológicos-pastorais oriundos do Concílio Vaticano II (1962-1965), a conferência de Medellín possibilitou uma ocasião de discernir e definir opções a partir do lado em que sopra o Espírito. Por ser de origem divina, a opção não poderia ser outra. A igreja opta pelos pobres, com os pobres e contra a pobreza.

            Por outro lado, a ascensão dos regimes totalitários na América Latina e, no Brasil, o golpe militar de 31 de março de 1964 marcam profundamente a vida eclesial. O recrudescimento da ditadura vem com a promulgação do Ato Institucional AI-5 de 13 de dezembro de 1968. Congresso fechado, intervenção militar, prisões arbitrarias, instituição da tortura e suspensão de todos os direitos constitucionais demonstram a “longa noite escura” vivida pelos brasileiros. As inserções em várias frentes da realidade brasileira, trabalhos de base pelo fim do analfabetismo, reforma agrária, experiências no combate a pobreza coordenadas pela Cáritas Brasileira e por líderes da Ação Católica Brasileira tornam-se alvos a serem destruídos pelo regime.

            A Campanha da Fraternidade levará um certo tempo para tomar posição diante das atrocidades cometidas pelo regime ditatorial. Em 1974, com o lema “Onde está teu irmão”, a vida é refletida nas mais diversas circunstâncias: a vida do enfermo, a vida do operário, a vida do idoso a vida das pessoas violentadas e injustiçadas. “Repartir do Pão” foi o lema de 1975. O uso da metodologia ver-julgar-agir, herança dos círculos da Ação Católica, acontece pela primeira vez em 1978, com o lema “Trabalho e justiça para todos”.

Pe. Antonio C. Frizzo

 Dioc. de Guarulhos – CNBB-Sul I

A Mulher na Igreja

Neste mês em que é comemorado o dia Internacional da Mulher não poderia deixar de falar um pouco do protagonismo das mulheres, cristãs leigas, na igreja. Como diz o Papa Francisco’’ A mulher que tem a capacidade de harmonizar, transformar realidades cruéis em realidades humanas dignas’’.

O Doc. 105 da CNBB, n 275 d – “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade” diz: Reconhecer a dignidade da mulher e sua indispensável contribuição na Igreja e na Sociedade, ampliando sua presença, especialmente , na formação e os espaços decisórios. Quanto pois à participação na missão apostólica da Igreja, não há dúvida de que, por força do Batismo e do Crisma, a mulher- como o homem- torna-se participante no tríplice múnos de Jesus Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei’.

Assim sendo, precisamos então, reconhecer, valorizar e compartilhar , nossa missão na Igreja, como também na sociedade, ocupando os espaços a nós de direito, solidárias umas às outras, sermos umas pelas outras , em todas as situações. Nossa responsabilidade é igual, o que muda são os espaços que ocupamos( escola, família, politica, igreja….)

Nós , mulheres, portanto, queremos ser lembradas, respeitadas amadas pelo nosso protagonismo todos os dias ; não ser violentada, usada, desrespeitada em nossa dignidade humana. Queremos construir juntos a sociedade do bem viver, da esperança .Sejamos as profetisas da esperança, como um dia disse Dom Helder Câmara : ‘’Deixa-me acender cem vezes, mil vezes, um milhão de vezes a esperança, que ventos perversos e fortes teimam em apagar. Que grande e bela a profissão de acendedor de esperança,”. Parabéns a todas as mulheres , leigas na Igreja.

Maria Madalena dos Santos Pires
Articulação CNLB/ Guanhães

Do clamor do povo, nasce a Campanha da Fraternidade – Pe Antônio C. Frizzo

A Campanha da Fraternidade na Igreja do Brasil

  A Campanha da Fraternidade, organizada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), segue como uma oportunidade ímpar de debater e buscar soluções para os problemas estruturais da nossa sociedade. De sua criação, em 1964, quando no calor dos debates teológicos e pastorais, acontecia o Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, a igreja retoma consciência de ser povo de Deus em marcha na história. Reassume sua missão humanizadora. Busca não somente dialogar com mulheres e homens inseridos em suas histórias, mas assume suas alegrias, tristezas e esperanças. Enfim, uma igreja no mundo. Uma igreja que se fez povo, para seu povo.

Fomos com o padre Eugênio visitar o açude público Pataxó… Lá chegando pelas 10 horas, vimos um formigueiro humano de cassacos carregando barro em caminhões e em costas de jumentos. Uma turma nos reconheceu… Um deles, parecendo ser o líder, foi dizendo: “Seu vigário, tire nós dessa escravidão, pelo amor de Deus”.

O emocionante relato do padre Expedito Sobral de Medeiros é considerado o marco inicial para a criação da Campanha da Fraternidade. Com o apoio da Juventude Agrária Católica (JAC), em 1958, cada militante da JAC doou um dia de salário aos flagelados, como gesto de solidariedade, ocorrido na Semana Santa, daquele ano. A seca, provocada por anos sem chuva, castigava o povo do sertão. Iniciativas na esfera social foram criadas no desejo de expandir pelo Nordeste ações caritativas no desejo de diminuir tantos sofrimentos.

Lembre-se: Você também é igreja foi o lema da primeira Campanha da Fraternidade, 1964, realizada durante as contagiantes conclusões de renovação eclesial expostas pelos primeiros documentos aprovados pelo Concílio Vaticano II (1962-1965).

Pe. Antonio C. Frizzo

 Dioc. de Guarulhos – CNBB-Sul I


                                                                   Por uma democracia que integre a todos

            Com base nos estudos realizados por padres e teólogos – Gervásio F. de Queiroga, José A. Vanzellla, Luiz C. Dias e Anésio Ferla -, a terceira fase da Campanha da Fraternidade, que se iniciou no ano 1985 e seguirá pelo ano de 2020, traz ao cenário eclesial as graves situações existenciais do povo brasileiro. Oportuno destacar os temas sociais expostos nessa etapa.

            No ano de 1985, a CF apresenta a sofrida situação da fome no país. O lema Pão para quem tem fome motivou nossas comunidades a assumirem suas responsabilidades diante do “tormento da fome e miséria no mundo e no Brasil”, alertou, na ocasião, o papa João Paulo II, em sua mensagem de abertura à quaresma. “A Quaresma, a Páscoa e a Eucaristia lembram-nos que, se alguém, possuindo bens deste mundo, vê o seu irmão necessitado e lhe fecha o coração, como permanecerá nele o amor de Deus? Por isso, exortam a dizer ‘não’ ao comodismo e ‘sim’ ao amor”, alerta o papa naquele ano.

            Nas esteiras dos movimentos políticos e sociais que exigiram uma nova Constituição Federal, após o fim do regime militar (1964-1985), as reivindicações populares, não só ecoaram como pautaram significativamente os temas abordados em diferentes Campanhas. Buscava-se perceber, analisar e implementar políticas públicas que apontassem pistas pela superação da desigualdade, da violência e fortalecimento das instituições democráticas.

            Oportuno realçar: fraternidade e o negro (1988), mulher e sua dignidade (1990), sistema de encarceramento (1997) e direitos das pessoas idosas (2003). Outros temas foram reeditados em diferentes ocasiões sociais: Amazônia e meio ambiente, realidade do mundo do trabalho, superação da violência, tráfico humano, saúde para todos, migrações, moradia e povos indígenas.

Pe. Antonio C. Frizzo

 Guarulhos, SP – CNBB-Sul I

 

Apresentação do Senhor: missal prevê bênção e procissão das velas no início da missa

Neste domingo, 2 de fevereiro, a Igreja celebra a festa litúrgica da Apresentação do Senhor. Também conhecida como Festa das luzes, tem em seu início a bênção e a procissão das velas que, segundo o Missal Romano, pode ser realizada de duas formas. Este rito inicial é popularmente conhecido como a “candelária”. Também neste dia se faz presente a devoção popular a Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz.

Nesse domingo todas as nossas celebrações iniciam com essa indicação do Missal Romano: a procissão com as velas, onde o sacerdote, a assembleia e o povo com as velas acesas recordam aquele dia em que Maria e José levaram a verdadeira luz, daí se fala tanto de luz nessa Festa da Apresentação do Senhor, porque Maria e José seguem a tradição do seu povo e vão justamente apresentar Jesus no templo”, explica o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Leonardo José Pinheiro.

A festa da Apresentação do Senhor ocorre quarenta dias após o Natal e é a ocasião, como ensina o Missal, quando Simeão e a profetisa Ana impulsionados pelo Espírito Santo também foram ao templo e “reconheceram o seu Senhor naquela criança e o anunciaram com júbilo”.

“Jesus é reconhecido por Simeão e pela profetisa Ana como a Luz que deve iluminar todas as nações, portanto, e trazendo presente a devoção popular de Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Luz, porque ela carrega a luz no colo, apresentando no templo”, situa padre Leonardo.

As orientações para esta celebração, bem como os passos da procissão e da bênção, estão no Missal Romano (p. 547 ss), no Diretório de Liturgia (p. 54-55) e no subsídio litúrgico “Igreja em Oração” (p. 28 ss).

Devoção a Nossa Senhora

Neste dia 2 de fevereiro, a diocese de Guarabira (PB) celebra a padroeira diocesana, Nossa Senhora da Luz. Alguns catedrais celebram o título de Nossa Senhora da Candelária, em Corumbá; Nossa Senhora da Luz, Guarabira e Luz; e Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava.

Resgate histórico

Em conformidade com a Lei de Moisés (cf. Ex 13, 1-2.11-16; Lv 12, 1-8), quarenta dias após o nascimento de Jesus, “Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresenta-lo ao Senhor” (Lc 2, 22).

Essa festa da apresentação teve origem no oriente e era celebrada no dia 15 de fevereiro, quarenta dias após o nascimento de Jesus, celebrado em 6 de janeiro. No século VI a festa se estendeu ao ocidente e passou a ser celebrada no dia 2 de fevereiro, quarenta dias após o natal, celebrado no ocidente em 25 de dezembro. Inicialmente, em Roma, a Apresentação foi unida a uma festa de caráter mais penitencial. No século X, na Gália, essa festa foi organizada com uma solene bênção das velas e procissão, que ficou conhecida popularmente como a “candelária”.

Fonte: subsídio Igreja em Oração

GESTAÇÃO SACERDOTAL, por Seminarista Gabriel

“Tempo de amadurecimento, de escuta e aprofundamento de nosso
chamado vocacional que não foi isento de algumas dificuldades”

Em fase conclusiva da etapa de formação sacerdotal, qual seja, o discipulado, ainda resta-nos muitas inquietações e, não raras vezes, emergem do próprio nome do curso: o que é filosofia?

O seminário é o ventre da Igreja cuja missão é gerar sacerdotes segundo o coração de Deus. Assim como uma mãe aguarda nove meses para gerar um filho, a Igreja também é uma gestante de vocações. Nesse sentido, Alisson Sandro Anacleto e eu, nos colocamos em estado permanente de oração durante esses quatro anos de gestação sacerdotal.

Principiamos nossa caminhada a partir dos encontros vocacionais promovidos pela Diocese de Guanhães e, em seguida ingressamos no Seminário Propedêutico São José, em Ubaporanga-Mg, mais precisamente, aos 31 de Janeiro de 2016. Terminada a etapa querigmática, iniciamos, no ano seguinte, o discipulado – período que compreende o estudo de filosofia – no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga-Mg, dando continuidade, até então, no Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina-Mg.

 

Tempo de amadurecimento, de escuta e aprofundamento de nosso chamado vocacional que não foi isento de algumas dificuldades; seja a saudade da família, as muitas incompreensões do cenário da Igreja, os relacionamentos conflitivos, o anseio de uma verdadeira mudança interior, as cobranças e provas, enfim, tudo contemplado e assimilado aos olhos da fé, como Maria que “guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2, 19). Não tenho dúvidas que as orações feitas e as recebidas dos fiéis, foram e são, o sustento que nos apoiam mediante aos desafios oriundos da própria caminhada vocacional.

Por outro lado, tem-se momentos marcantes vividos com intensidade: as confraternizações, as ordenações sacerdotais, as conquistas individuais, as amizades feitas, o aprendizado adquirido e tantas outras experiências que de muito servem para nutrir esta centelha do amor de Deus.

Além disso, a capacidade reflexiva adquirida pela dimensão intelectual, no tocante à filosofia, foi de suma importância para a compreensão de si e a do mundo que nos circunda. A tecla mais usada durante esse período é a que corresponde ao sinal de interrogação (?); expressa bem o que é filosofia.

Etimologicamente o termo traduz-se por amor à sabedoria. O Filósofo Aristóteles já dizia que por natureza tendemos ao saber. E, um pouco antes, Sócrates afirmava veementemente que uma vida irrefletida não merece ser vivida. Santo Agostinho afirmava que o intento de sua pesquisa filosófico-teológica era conhecer a si e a Deus. Thomas Hobbes e Rousseau divergiam no tocante à natureza humana; objetivavam saber quem somos e a influência, para bem ou para mal, dos aparatos sociais criados. Immanuel Kant refletia acerca de perguntas básicas: o que posso saber? O que devo fazer? E o que me é permitido esperar?

Toda filosofia se baseia numa certa inquietação existencial humana e na busca de uma resposta para aquietar o espírito. Disso compreendemos que o crucial não seja tanto saber o que foi pensado por muitos filósofos; isso é indispensável! Mas pensar filosoficamente acerca das principais questões a que é submetida a sociedade contemporânea. Não ter medo de fazer e se fazer perguntas é um bom começo do filosofar.

É nesse sentido que podemos afirmar que o próprio conteúdo do curso é de suma importância para também, contribuir na formação sacerdotal. Concomitantemente, é uma bagagem teórica fundamental para tratar de temáticas tão abstratas com as quais lida a teologia. Resta-nos diante desse processo formativo, permitirmo-nos ser gestados para assim sermos filhos sacerdotais cuja maneira de ser seja expressão de nosso parentesco a Deus Pai em cujo Filho, nos configuramos no horizonte da cruz, para, com a força do Espírito, exercer com fidelidade a missão para qual nos preparamos.

 

Gabriel Ferreira Oliveira,
seminarista

Ele está pra chegar!

A figura de Maria se faz presente em nossa vida e na vida da igreja. Liturgicamente falando, no tempo do advento e do Natal, ela se torna um personagem que provoca em nós muitas reflexões: Escuta, abertura ao novo, esperança, serviço, saída ao encontro do outro, ser luz na vida de alguém e dar a luz a alguém, acolhimento à Palavra de Deus; “nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens’’; (Jo 1,4). Advento e Natal, tempo com características especiais, levam-nos a revermos nosso compromisso com a vida em todas as circunstâncias. É sim um tempo de esperança durante o qual recordamos as promessas de Deus a respeito da nossa salvação. Deus é fiel e o que Ele promete é cumprido; mas também tempo de revisão: como está sendo meu compromisso com o Deus fiel, o Deus da vida?

Maria, essa figura sensível e forte, dentro da sua simplicidade agiu concretamente ao dizer sim ao Plano de Deus. Tenhamos em mente, não uma jovem que magicamente aparece grávida, mas uma jovem atenta aos apelos do seu tempo, do seu povo, da sua gente. Que não mediu circunstâncias nem quais seriam as dificuldades futuras; disse sim à vida com todas as suas consequências. Na sua presteza, Maria nos ensina o grande segredo do serviço; escuta à Palavra, atenção aos fatos, à realidade e atitude de saída ao encontro do outro. Ser portador de Jesus é estar atento a todos esses fatos. Se queremos ser “cristãos”, somos chamados a trazer para realidade à nossa volta sinais de esperança, de atenção, de escuta dos apelos que clamam por vida tanto humana quanto ecológica. Viver o Natal é estar em harmonia com toda natureza, assim nos ensinou Francisco de Assis quando montou o primeiro presépio e nele incluiu os elementos da natureza e os animais.

Que, ao prepararmos nosso presépio, tenhamos em mente uma ecologia integral, onde tudo e todos estejam voltados para Ele, com Ele e por Ele, o grande presente esperado e celebrado por toda a humanidade. E que não faltem em nossa lista de presentes, intensa caridade e solidariedade para com os pobres, doentes e todos que sofrem. Que eles se sintam presenteados e lembrados por Deus por meio de nossa fraternidade; assim criamos um clima para o Natal; Com Maria e José caminhemos rumo a Belém, nossa casa do Pão, da fraternidade universal.

Feliz Natal a todos e um 2020 repleto de fraternidade!

Maria Madalena dos Santos Pires
Equipe de articulação CNLB/ Guanhães

Editorial: Jesus, que foi menino!

A poetisa mineira, Adélia Prado, assim descreve o natal: “Que noite bonita é esta em que a vida fica mansa, em que tudo vira festa e o mundo inteiro descansa? Esta é uma noite encantada, nunca assim aconteceu, os galos todos saudando: o Menino Jesus Nasceu!

A realidade é que aquele doce e pobre menino ali representado num berço de palhas ficou adulto, disse verdades que sacudiram a História e o resultado disso todos nós sabemos. Não existe mais o Menino Jesus. Por isso falemos, não do “Menino Jesus”, mas do “Jesus que foi menino”.

Ele veio e voltará! É por isso que a liturgia faz muita referência ao “fim dos tempos”, ocasião em que o messias voltará e por isso devemos estar atentos, despertados como o galo na aurora.
Aliás, a tradicional “missa do galo” – que se celebra à meia-noite entre os dias 24 e 25 de dezembro – aguça nossa curiosidade: afinal o que tem a ver o Galo com o nascimento de Jesus? Numa rápida pesquisa encontraremos que foi instituída pelo Papa São Telésforo no ano 143.

O galo é aquele que anuncia um novo dia; daí, a meu ver, o sentido da missa do galo simboliza o nascer do sol – solis invictus – e de um novo dia, que é o próprio Jesus Cristo. Sendo assim, o galo representa o testemunho cristão, preparado para a vinda do Senhor, para quando o senhor voltar, pois ainda ele chegue durante a alta noite ou ao raiar do dia, “bem-aventurados os servos que o senhor encontrar preparados” (Lc 12,37).

A missa do galo nos fala da virtude da vigilância, ou seja, daquela disposição constante e firme para permanecermos acordados à espera de Nosso Senhor, que há de voltar a esta terra e deseja encontrar nossos corações preparados para a sua gloriosa vinda.

Vale aqui a exortação de Paulo aos celebrantes do Natal: “desperta, tu que dormes, e Cristo te iluminará” (Ef 5,14); acordando-nos, assim, deste “sono” espiritual, Cristo nos chama à verdadeira vigilância.

Mas atenção para não cairmos nas armadilhas das mazelas do consumismo que o natal pagão nos envolve: é o natal dos muitos presentes, das comilanças, da bebedeira, da árvore de natal repleta de presentes e neste país tropical – em pleno verão – alguém estará usando roupa de papai Noel.

Conforme padre Zezinho, “tudo seria bem melhor se o natal não fosse um dia” e o espírito fraterno caridoso que paira no ar nessa época do ano perdurasse todos os dias do ano. Graças ao bom Deus, essa é uma realidade que, em variadas paróquias de nossa diocese, vem acontecendo: alimentação, moradia, entre outros, são oferecidos a quem tem necessidade também durante todo o ano.

Desejo a você uma boa leitura, Feliz Natal e um abençoado ano Novo. Seguiremos juntos, formando e informando o povo de Deus com essa forma de comunicação que se tornou um órgão oficial que, a partir de 1997, publica os atos oficiais e a vida diocesana.

Pe Bruno Costa Ribeiro,
no Editorial da Folha Diocesana, Dez/2019
Foto do presépio na Matriz de São Sebastião do Maranhão/MG

Devemos devolver o Dízimo do Décimo Terceiro Salário?

Alguns dizem que a arrecadação da Igreja se mantém a mesma, ainda que a maioria receba mais. E em janeiro e fevereiro, a arrecadação até cai, pois é uma época de muitos gastos. A Bíblia nos orienta: “trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o senhor”. Malaquias 3,10. Estamos em Outubro, mas já tem muita gente fazendo planos e contando com o tão sonhado décimo terceiro. Para algumas pessoas, a primeira parcela começa a ser depositada em novembro… Então fica este questionamento: Devemos devolver o Dízimo do Décimo Terceiro Salário?

Tudo que recebemos é graça de Deus, inclusive o Décimo Terceiro… Dízimo não é sistema jurídico, não se baseia no processo de como o Trabalhador o recebe. Há em Gênesis 28,20-22; Malaquias 3, 5-12; 2 Coríntios 9,6-12 são exemplos que nos ajudam a entender sobre a generosidade da entrega de tudo quanto recebemos.

Por que Deus disse “fazei prova de mim”? Todo o Livro de Malaquias tem como pano de fundo a infidelidade do Povo de Israel a Deus. Desde as lideranças religiosas até o povo comum havia muita infidelidade e isso é combatido por Deus. No Livro do Profeta Malaquias (Ml 3,6-12) há uma reprovação de Deus quanto à infidelidade do povo no Dízimo e Ofertas, revelando um povo egoísta e que não estava observando com retidão as Leis de Deus.

Deste modo, Deus usa ali palavras duras, chamando o povo de ladrões (Malaquias 3,8). Deus deixa claro que a atitude do povo trazia sobre si as maldições descritas na aliança (Malaquias 3,9). Essa é a parte da repreensão que chamamos de “negativa”.

Na parte “positiva” da repreensão, Deus diz: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança” (Malaquias 3,10). Logo de início, a ordem “trazei todos os dízimos” relembra o povo de sua obrigação dentro da Aliança feita com Deus. Essa obrigação de obedecer não era uma obrigação unilateral, ou seja, onde as pessoas tinham que obedecer e não recebiam nada em troca. Antes, existia também um compromisso do próprio Deus em abençoar o povo se ele fosse obediente.

Fazei prova de mim é um incentivo à obediência. Deus continua e manda o povo: “fazei prova de mim”. Muitos entendem de forma errada esse trecho. Deus não está aqui dando poder ao homem de aplicar provações ao próprio Deus. O que Deus está fazendo aqui é chamando o Seu povo a desafiar, a testar a Sua fidelidade.

Em outras palavras, Deus está dizendo algo como “experimentem ser obedientes e verão como derramo grandiosas bênçãos sobre suas vidas”. Deus não precisa provar a Sua fidelidade, pois n’Ele habita toda a justiça, mas aqui Ele dá essa abertura para que as pessoas, cegas pela desobediência, viessem a obedecer e verificassem a grandeza das bênçãos do Pai sendo derramadas em suas vidas.

Geralmente a palavra provação é usada na Bíblia relacionada a Deus aplicando testes na vida das pessoas com objetivos de abençoá-las. Mas aqui em Malaquias, Deus diz “fazei prova de mim”, ou seja, Ele inverte o que estamos acostumados e nos dá a abertura de fazermos um “teste” com Ele, ou seja, o teste de sermos obedientes e verificarmos as bênçãos sem medida que serão derramadas. A expressão usada é “abrir as janelas dos céus e derramar bênçãos sem medida”. Se o povo fosse obediente, seria enriquecido com bênçãos imagináveis vindas diretamente das mãos do próprio Deus!

Concluindo, não há dúvida de que também devemos devolver o Dízimo do Décimo Terceiro ou de qualquer outra forma de renda que proceda de nosso trabalho, pois tudo é graça de Deus.

Sendo assim, é importante que cada dizimista reflita em seu coração, diante de Deus, sobre a graça de devolver o Dízimo do Décimo Terceiro, até porque no final do ano é que nossas Comunidades Paroquias e Diocese mais têm gastos, ou seja,“Investimentos Dobrados”, como: Décimo Terceiro dos Funcionários, Seguro dos Veículos e Planejamentos para todo o Ano.

Que São Miguel e Nossa Senhora Aparecida intercedam por você e sua Família, derramando Bênçãos Copiosas dos Céus. Juntos, somos mais!

Pastoral Diocesana do Dízimo e Partilha

Diác. Edmilson Henrique Cândido
Assessor Diocesano da Pastoral do Dízimo e Partilha

Cristãos leigos e leigas, sujeitos na igreja e na sociedade

“Vivemos o Ano Nacional do Laicato em 2018, mas ele não se encerrou em 25 de novembro; estende-se como um compromisso de toda a Igreja para ‘melhor apoiar e incentivar a vida e a ação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade’”.(CNBB 105, n.275)

Celebraremos no próximo dia 24 de novembro a Solenidade de Cristo Rei , dia do Cristão Leigo e Leiga, momento de renovarmos nosso compromisso com a Igreja da qual recebemos o Batismo e, por ele , tornamo-nos , com Cristo, sacerdote , profeta e rei. A celebração do dia do Cristão Leigo e Leiga quer nos aproximar, nos comprometer, nos enriquecer na fé e na esperança, para juntos construirmos relações fraternas que visualizam os sinais do Reino de Deus entre nós.

“Muitos são os espaços para nossa atuação evangélica de cristãos leigos e leigas e é nesses espaços que vamos continuar dando ‘corda no relógio’, como nos lembra o Papa Francisco na Carta ao Cardeal Ouelet em 2016: ‘ é a hora dos leigos , mas parece que o relógio parou’. ‘Não podemos deixar o relógio parar. Este é o nosso desafio! Continuar com o que retomamos com o ano do laicato, para que os cristãos leigos e leigas assumam sua missão nas realidades do mundo, onde só eles e elas são capazes de ser ‘Igreja no coração do mundo’ como verdadeiro sujeito’.(Marilza J.L. Shuina)”.

Com esse propósito, nossa Diocese de Guanhães, em 2019, caminhou no sentido de se organizar como Igreja comprometida com uma sociedade renovada, articulando-se junto ao CNLB -Regional Leste II para em comunhão fraterna, crescermos como “Igreja em saída” a serviço do Reino. Esse é o nosso sonho. E como já disse o poeta “sonho que se sonha só é pura ilusão; sonho que se sonha junto é sinal de realização”. Que Maria, a Rainha da Evangelização, caminhe conosco!

Maria Madalena dos Santos Pires,
Comissão de articulação do CNLB na diocese de Guanhães

A Palavra do Pastor
Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor – Homilia para o XXV Domingo do Tempo Comum do Ano A

Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor – Homilia para o XXV Domingo do Tempo Comum do Ano A

Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor! Com a Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos...
Read More
Amados e perdoados para amar e perdoar – XXIV Domingo do Tempo Comum do Ano A

Amados e perdoados para amar e perdoar – XXIV Domingo do Tempo Comum do Ano A

A Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A), trata do tema do perdão. Contemplamos a Face de Deus...
Read More
”  A caridade é a plenitude da Lei” – Homilia -XXIII  Domingo do Tempo Comum Ano A

” A caridade é a plenitude da Lei” – Homilia -XXIII Domingo do Tempo Comum Ano A

“A caridade é a plenitude da Lei” “O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é...
Read More
Sejamos fortalecidos no carregar da Cruz! Homilia do XXII Domingo Tempo Comum Ano A

Sejamos fortalecidos no carregar da Cruz! Homilia do XXII Domingo Tempo Comum Ano A

A Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano A) traz um convite que a muitos assusta e desaponta: “A...
Read More
O Senhor nos envia em missão – Homilia do XXI Domigo do Tempo Comum do Ano A

O Senhor nos envia em missão – Homilia do XXI Domigo do Tempo Comum do Ano A

O Senhor nos envia em missão Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre dois...
Read More
Maria nos ensina o caminho para o céu – Homilia Dominical – Assunção de Nossa Senhora

Maria nos ensina o caminho para o céu – Homilia Dominical – Assunção de Nossa Senhora

  Celebramos no dia 15 de agosto, a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria, um dos dogmas da Igreja,...
Read More
Não tenhamos medo! “Ele está no meio de nós” . XIX Domingo do Tempo Comum do Ano A

Não tenhamos medo! “Ele está no meio de nós” . XIX Domingo do Tempo Comum do Ano A

Não tenhamos medo! “Ele está no meio de nós” A Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum (ano A) leva-nos...
Read More
O Senhor e o milagre do amor

O Senhor e o milagre do amor

  A Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum (ano A) nos convida a refletir sobre a grandiosidade do amor...
Read More
O Reino de Deus é a nossa maior riqueza – Homilia para o XVII Domingo do Tempo Comum do Ano A

O Reino de Deus é a nossa maior riqueza – Homilia para o XVII Domingo do Tempo Comum do Ano A

  Com a Liturgia da Palavra do 17º Domingo do Tempo Comum (ano A) refletiremos à luz das Parábolas da...
Read More
Deus é paciente, misericordioso e espera a nossa conversão – Homilia para o XVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

Deus é paciente, misericordioso e espera a nossa conversão – Homilia para o XVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

A Liturgia da Palavra do 16º Domingo do Tempo Comum – (ano A) nos leva a refletir, à luz das...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto:

Arquivo