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Os Vicentinos em nossa paróquia

Logotipo oficial da Sociedade de São Vicente de Paulo (Vicentinos)

Apresentamos nesta página o trabalho de um Movimento de nossa paróquia, que vive com palavras e ações, principalmente o Pilar da Caridade: Os Vicentinos.

A sociedade e os Vicentinos

A Sociedade são Vicente de Paulo, ou seja, os vicentinos atuam em nossa cidade há mais de cem anos. São grupos obrigatoriamente católicos, de origem francesa, nascida com a especial finalidade de assistir aos pobres. Todo vicentino participa das reuniões semanais com atas de cada reunião onde são relatados os trabalhos feitos na semana e marcados novos trabalhos. São pessoas de vida simples quase anônimas na Igreja, pois fazem um trabalho sigiloso e sem ambição de reconhecimento.O ponto alto do trabalho vicentino é a visita ao necessitado ou assistido como é conhecido. São pessoas idosas, doentes e carentes. Após visita, são levantadas possibilidades de ajuda com remédios e/ou alimentos. Não podem declarar apoio a partidos políticos, sendo a SSVP (Sociedade São Vicente de Paulo) regida por regras e organizada por hierarquias que visam a santificação através de seus mestres e senhores, os pobres.É também da responsabilidade dos vicentinos a manutenção das obras unidas a SSVP, que são: creches, hospitais, lar dos idosos (asilos). Temos em nossa cidade o Lar São Vicente de Paulo que é a moradia de pessoas desamparadas que recebem o carinho e dignidade no seu dia a dia. A coordenação das obras unidas funciona com estatutos e regimentos internos aprovados e registrados em cartório. Cumprem obrigatoriamente toda a legislação brasileira e estatuto do idoso, além das regras de procedimento da SSVP. São nove grupos na cidade, além de 2 em Correntinho, 1 em Virginópolis e 2 em Dores de Guanhães. Cada um com seu dia de reunião e o nome de um santo patrono para distinguir uma das outras.É um trabalho desafiador, diante das grandes necessidades que nem sempre são materiais, às vezes espirituais. Temos a certeza de estar cumprindo o Evangelho das bem aventuranças. Estive com fome e me destes de comer, com sede e me destes de beber, doente e fostes me visitar. A messe é grande e os trabalhadores poucos.Estamos de portas abertas para sua visita, venha nos conhecer e partilhar seu tempo, sua alegria e orações com os necessitados. São Vicente de Paulo, a virgem Maria, padroeira da SSVP no Brasil e o beato Antônio Frederico Ozanan nos abençoem e protejam.

Procure-nos!, Nos escritórios paroquiais das paróquias se encontram nossos contatos.

Joélcio Santos de Souza

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023

Esquema explicativo da Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023. (CNBB)

DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2019-2023 – (DGAEs) DOCUMENTO 109 – 57ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil.

EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”. Este é o objetivo geral destas Diretrizes do quadriênio 2019-2023. Na introdução , o Documento diz: Jesus Cristo – o missionário do Pai – veio anunciar a Nova do Reino: “Reino da verdade e da vida, Reino da Santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. (Prefácio da Solenidade de Cristo Rei). Consiste na nossa missão: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Diretrizes: uma das expressões mais significativas de colegialidade e missionariedade da Igreja no Brasil. A comunidade eclesial autêntica é necessariamente missionária e gera novas comunidades. É preciso colocar a missão de Jesus no coração da Igreja. Quatro Pilares contemplam as urgências das Diretrizes anteriores:

– Palavra: Iniciação à vida cristã e animação bíblica;

– Pão: Liturgia e Espiritualidade;

– Caridade: serviço à vida plena;

– Ação Missionária: estado permanente de missão.

O Jornal Partilhando , amigo leitor, em cada edição , trará informações , pistas de ações e também ações concretas já executadas na paróquia São Miguel e Almas . Nesta edição, será contemplado o Pilar da Caridade. Sobre o Pilar da Caridade , o Documento apresenta:

Pilar da Caridade: serviço à vida plena

Eram perseverantes (…) na comunhão fraterna” (At 2,42).

Na fé cristã, a espiritualidade centra-se na capacidade de amar a Deus e ao próximo.

Uma “Igreja pobre para os pobres”: superar ambições, consumismo e insensibilidade diante do sofrimento (como nos lembra o Papa Francisco).

Comunidade cristã deve promover a cultura da vida: enfrentar a questão da violência em suas diversas faces; falta de moradia digna; as condições que levam e mantêm populações em situação de rua e encarcerada; a complexa realidade das migrações humanas; o abandono e a exploração das crianças e dos idosos; a falta de perspectiva para juventude e a crise familiar; o complexo mundo do trabalho, da educação, da saúde, do transporte; as provocações do ambiente acadêmico universitário, da ciência e da tecnologia; as problemáticas que envolvem os meios de comunicação social e as novas mídias e as questões sobre a ecologia integral (DGAE n.109.111).

Contemplar o Cristo sofredor na pessoa dos pobres é compromisso com todos os que sofrem: pessoas com crise de sentido, depressão, pânico, transtornos de personalidade e até o suicídio (DGAE n. 110).

Superação da xenofobia e tráfico humano (DGAE n.112).

Preocupação com povos indígenas, quilombolas e pescadores, nômades (DGAE n.113).

Podem-se ler no Documento alguns encaminhamentos práticos:

Pilar da Caridade: a serviço da vida

– Fundamentação na Palavra de Deus e na Doutrina Social da Igreja;

– defesa da vida desde a fecundação até o seu fim natural;

– promover a solidariedade com os sofredores nas cidades (Bom Samaritano);

– priorizar as ações com as famílias e com os jovens;

– aguçar a atenção às inúmeras e novas formas de sofrimento e exclusão, nem sempre acolhidas pela ação caritativa e sociotransformadora até então desenvolvida;

– ousar ainda mais e transformar o acolhimento e a fraternidade da vida de comunidade, em apoio à resiliência e encontro de novos rumos para a vida;

– integrar o contato com a Palavra de Deus levando à solidariedade com os que sofrem, nos quais encontramos a presença do Senhor;

– desenvolver grupos de apoio às vítimas da violência (de todas as formas);

– encorajar o laicato a continuar o empenho apostólico inspirado na DSI, na transformação da realidade, com engajamento consciente em todas as realidades temporais: política partidária, pastorais sociais, mundo da educação, conselhos de direitos, elaboração e acompanhamento de políticas públicas, o cuidado da natureza e todo o planeta (nossa Casa Comum);

– continuar apoiando a organização do conselho do laicato nos níveis nacional, regional e local;

– contribuir para o resgate do espaço público da cidade como ágora e foro: lugar do encontro, convivência, deliberação e inclusão dos “não citadino” ou “resíduos urbanos”, garantindo para todos o direito de ser cidade;

– cuidado com a Casa Comum – implantar a Pastoral da Ecologia – novo modo de estar e viver no mundo;

– apoiar e incentivar as pastorais da mobilidade humana;

– assumir a promoção da paz como prioridade;

– ser voz dos que clamam por vida digna (Terra, Trabalho e Teto);

– firmar e fortalecer as iniciativas de diálogo ecumênico e inter-religioso, a partir da identidade cristã, para a defesa dos direitos humanos e promoção da cultura da paz.

Para enriquecer um pouco mais sobre “ a caridade”, Dom Otacilio nos fala sobre “A verdadeira caridade”

Para aprofundarmos sobre a prática da caridade, sejamos enriquecidos pelo Tratado escrito pelo Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno (séc. VI):

A Lei de Deus, da qual se fala neste lugar, deve entender-se que é a caridade, pela qual podemos sempre ler em nosso interior quais são os preceitos de vida que temos que praticar.

A respeito desta Lei, diz Aquele que é a própria verdade: Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros. A respeito dela diz São Paulo: Amar é cumprir toda a Lei. E também: Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a Lei de Cristo.

O que melhor define a Lei de Cristo é a caridade, e esta caridade a praticamos de verdade quando toleramos por amor as cargas dos irmãos.

Porém, esta Lei abrange muitos aspectos, porque a caridade zelosa e solícita inclui os atos de todas as virtudes. O que começa somente por dois preceitos se estende a inumeráveis facetas.

Esta multiplicidade de aspectos da Lei é enumerada adequadamente por Paulo, quando diz: O amor é paciente, afável; não tem inveja; não é presunçoso nem é vaidoso; não é ambicioso nem egoísta; não se irrita, não guarda rancor; não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

O amor é paciente, porque tolera com serenidade os males que lhe são infligidos. É afável, porque devolve generosamente o bem pelo mal. Não tem inveja, porque, ao não desejar nada deste mundo, ignora o que é a inveja pelos êxitos terrenos. Não é presunçoso, porque deseja ansiosamente o prêmio da retribuição espiritual, e por isto não se vangloria dos bens exteriores. Nem é vaidoso, porque tem por único objetivo o amor de Deus e do próximo, e por isto ignora tudo o que se afasta do reto caminho. Não é ambicioso, porque, dedicado com ardor ao seu proveito interior, não sente desejo algum das coisas alheias e exteriores. Nem é egoísta, porque considera como alheias todas as coisas que possui aqui de modo transitório, já que só reconhece como próprio aquilo que perdurará juntamente com ele. Não se irrita, porque, ainda que sofra injúrias, não se deixa levar por desejos de vingança, pois espera um prêmio muito superior aos seus sofrimentos. Não guarda rancor, porque sua alma está livre de toda maquinação doentia. Não se alegra com a injustiça, porque, desejoso unicamente do amor para com todos, não se alegra nem da ruína de seus próprios adversários. Alegra-se com a verdade, porque, amando aos outros como a si mesmo, ao observar nos outros a retidão, alegra-se como se fosse de seu próprio progresso. Vemos, portanto, como esta Lei de Deus abrange muitos aspectos.” (1)

O Tratado do Papa São Gregório em muito nos ajuda à compreensão do Mandamento dos inseparáveis amores, o amor a Deus e ao próximo.

Ainda mais, nos ajuda à compreensão do que consiste a verdadeira caridade, que o Apóstolo Paulo tão bem expressou em sua Carta (1 Cor 13).

No seguimento de Jesus Cristo, como discípulos missionários d’Ele, somos eternos aprendizes destes Mandamentos, para que cresçamos na prática esforçada da caridade, e assim seremos atuantes na fé e firmes na esperança, nas mais diversas realidades e âmbitos da existência.

  1. Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.238-239

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Bispo Diocesano de Guanhães/MG

 

Compadecer-se do outro

Imagem ilustrativa de um texto no site oficial da Diocese de São Carlos/SP.

Estamos vivenciando mais uma campanha da fraternidade que tem como tema “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e como lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Se puxarmos pela nossa memória, vamos perceber que o tema VIDA já esteve presente em outras campanhas: Onde está teu irmão? (1974); Para que todos tenham vida |(1984); Escolhe, pois, a vida (2008). Então, podemos perceber que a questão é sempre a vida, mesmo que não seja especificamente.

Depois de várias campanhas que abordaram, direta ou indiretamente, o tema da vida, deveríamos ficar impactados, uma vez que ela ainda permanece agredida, ameaçada e destruída. A CF interpela-nos nesta quaresma, questionando-nos nas dimensões pessoal, socioambiental e sociocultural. Estamos vivendo a época da indiferença como diz o nosso papa Francisco. Precisamos sempre assumir a defesa e a promoção da vida.

É preciso um olhar mais atento. Não estamos nos dando conta de que estamos alheios ao sofrimento do outro, incapazes de compadecer-se do outro. Estamos vivenciando uma época de mudança em que o indiferentismo impera. A CF retoma o tema Vida para nos alertar de que está se criando em nosso mundo, sob diferentes formas, uma cultura de morte. Os outros, as outras já não são vistos como irmãos. Quase não se tem um olhar cristão para o próximo.

Mas quem é o meu próximo? Há um clamor para uma conversão sincera. Redirecionar o nosso olhar e identificar o irmão ou irmã que sofre, estabelecer pontes, comprometer-se e compadecer-se dele ou dela.

Quem é o meu próximo? Não existe um próximo. Você é que se aproxima. Torna-se próximo. Ou seja, próximo não é apenas alguém com quem temos algum vínculo. O que conta não é a lei, mas a compaixão.

Sermos capazes de sentir compaixão: essa é a chave. Se, diante de uma pessoa necessitada, você não sente compaixão, seu coração não se comove, alguma coisa está errada” (Papa Francisco).

Na parábola do bom samaritano podemos perceber que dois transeuntes oriundos do templo, o sacerdote, responsável pelos sacrifícios e o levita, responsável pela animação da liturgia, retornam de Jerusalém após concluírem seus turnos de trabalho e agem com indiferença diante daquele que jaz sofrendo à beira da estrada. Não se descreve o motivo da indiferença. Poderia ser por motivos culturais, religiosos ou simplesmente por não desejarem interromper a viagem, não mudarem seus planos, não terem seu trajeto e horário prejudicados por esse acontecimento. De qualquer forma, é dito que viram o homem e se distanciaram dele.

Um samaritano que passava, ao ver o homem, sentiu compaixão. Essa compaixão nasceu do seu modo diferente de perceber aquela realidade. Essa compaixão o levou a se aproximar do homem, gastar tempo, modificar parcialmente sua viagem, tudo para não ser indiferente com aquele que sofria diante dele. Os cuidados práticos descritos na parábola são emergenciais: desinfeta as feridas com vinho e alivia a dor com o óleo, costume daquele tempo; transporta o homem até a hospedaria e paga as despesas de sua estada.

A postura inesperada do samaritano contém o centro do ensinamento de Jesus: o próximo não é apenas alguém com quem possuímos vínculo, mas aquele de quem nos aproximamos. É todo aquele que sofre diante de nós. Não é a lei que estabelece a prioridade, mas a compaixão que impulsiona a fazer pelo outro aquilo que é possível, rompendo, dessa forma, com a indiferença.

É preciso ter coragem para romper com a barreira da indiferença. E neste mundo no qual estamos inseridos, encontramos pelo caminho duas bacias com água: de um lado, a bacia de Pilatos, símbolo da indiferença e da omissão; do outro lado, a bacia utilizada por Jesus no lava-pés, sinal do terno cuidado, do compromisso, do serviço humilde e gratuito. Qual das duas bacias temos utilizado?

O nosso olhar (ver) não pode ser a do político, do economista, do sociólogo, do repórter, do funcionário do IBGE, mas deve ser um olhar de discípulos missionários!

A fé leva necessariamente à ação, à fraternidade e à caridade.

Ver… Sentir compaixão… Aproximar-se… Cuidar…
O segredo está no olhar, na forma de olhar, em compadecer-se do outro.

Vera Pimenta

Ver, sentir e cuidar

Mosaico: O Bom Samaritano do Pe. Marko Ivan Rupnik.

“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Ver, sentir, cuidar: três verbos que vêm do coração.

Em umas das páginas mais lindas que São Paulo escreveu (Coríntios 12, 13,1-8)sobre a caridade=amor, ele não falou uma vez sequer que a caridade é querer que o outro nos queira. E para nós é sempre isso: eu amo porque eu quero ser amado. Sou amado para amar.

Ele diz que a caridade é benigna; na caridade não tem inveja, a caridade perdoa, tudo suporta. Suporta até o não-amor. O que os nossos amores não suportam, a caridade suporta. Tudo crê, tudo pode, tudo espera.

Segundo o texto de Lucas 10,2-37, na passagem do “Bom Samaritano” que inspira a Campanha da Fraternidade 2020, o levita e o sacerdote estavam “sem tempo” para ajudar aquele homem caído na beira da estrada.

É verdade, corremos o dia inteiro. Tempo, tempo, tempo… O deus-relógio manda em nós e, escravizados, a ele obedecemos. Também nós somos “levitas e sacerdotes” sem tempo. Aquele idoso esperando no corredor do hospital não é normal. Aquele jovem que se tirou a vida não é normal. Não pode ser normal. Mas, na correria, nosso olhar não vê mais nada, senão o relógio.

E a vida passa. O tempo passa. O vazio permanece. O relógio pode ser muito importante, mas ele não preenche algo que diz respeito a “outro tempo”. É o tempo do bem-querer.

Há caídos e machucados que estão precisando de ajuda. E há “samaritanos” morando e querendo viver dentro de nós. Precisamos deixá-los vencer nossos relógios.

Outras passagens bíblicas (Marcos, 6,31-34 – 8,1-9; Mateus 14,13-2115,32-29; Lucas, 9,10-17; João 6,1-13) nos contam que, ao final da tarde, os discípulos pediram que Jesus mandasse embora a multidão. Não tinham comida, apenas cinco pães e dois peixes.

Jesus afirmou que não mandaria ninguém embora, que era para repartir o que tinham ali. Todos, sentados na grama, comeram e ficaram felizes. Jesus sabia que o maior milagre de todos é saber partilhar. Ele viu, sentiu compaixão e cuidou.

O detalhe interessante é que o Evangelho de Mateus inicia dizendo que eles estavam no deserto. Depois Jesus os mandou acomodar na “grama” (cfMt 14,18). Como assim grama no deserto? Pois é. Há atitudes que transformam a secura em flor. Que transformam a terra em grama. Quando fazemos uma boa experiência de Deus, tudo pode se transformar.

Fico pensando e rezando quantas realidades secas que precisamos transformar em grama boa de sentar e conviver.

Falo de um pedido de desculpas que devemos para uma pessoa. Falo de uma capacidade de não repetir besteiras que ouvimos e começamos a divulgar. Por exemplo, as criticas que pessoas de dentro da própria “Igreja” vêm fazendo ao Papa Francisco. Falta consciência crítica, falta leitura, falta aprofundamento de tanta coisa. Parece que isso significa transformar o deserto em grama verde.

O milagre está em nossas mãos. Compaixão é  a capacidade de colocar-se no lugar do outro e sentir com ele sua própria dor. Tocar o outro é devolver-lhe  a certeza de que pertence à nossa humanidade. Há muitos desertos esperando alguém plantar grama. Ver, sentir compaixão e cuidar…

Pe Hermes Firmiano Pedro

Pároco da Paróquia São Miguel e Almas e Cura da Catedral São Miguel

“Sonhar a realidade com o Papa Francisco (I) “_ Dom Geovane Luís, bispo auxiliar da Arquidiocese de BH

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Ao abrir o seu coração de Pastor, o Papa Francisco nos revela seus sonhos para a Igreja na Amazônia.

Os quatro sonhos do Papa – Social, Cultural, Ecológico e Eclesial – estão enraizados na realidade da vida, e por isso dizem respeito à Igreja presente no mundo inteiro.

Com o desejo de motivar a leitura da Exortação Pós-Sinodal ‘Querida Amazônia’ na sua íntegra, segue a primeira parte do resumo da Carta Magna sobre a evangelização na Amazônia, escrita pelo Papa e dirigida a todos os homens e mulheres que desejam cuidar da nossa Casa Comum.

A Igreja realizou o Sínodo para a Amazônia no período de 6 a 27 de outubro de 2019. Esse evento foi um percurso de diálogo e discernimento para a Comunidade Eclesial.

Além do Documento “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral” – que recolhe a contribuição dos participantes do Sínodo -, o Papa Francisco partilhou na Exortação Pós-Sinodal os sentimentos que brotaram do seu coração. Nela o Pontífice expressa sua solicitude para com os povos amazônicos – especialmente os últimos e mais pobres – e seu desejo de promover uma ecologia integral. Deste modo, o Papa Francisco revelou os seus sonhos relativos ao grande bioma que abraça nove nações: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa.

Esses sonhos são pedras miliares que poderão nortear a vida da Igreja presente no mundo inteiro.

O primeiro deles tem tonalidade social. Diz o Papa: “Sonho com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida”.

O Papa Francisco convoca a Igreja para que erga sua voz profética e se empenhe em prol dos mais pobres.

Há, na sua compreensão, um duplo clamor que precisa ser ouvido: o clamor da terra e dos pobres. Por isso, não é justo preocupar-se com o bioma e ignorar os povos amazônicos que vivem naquela realidade desafiante.

O desmatamento e a indústria minerária têm provocado um constante movimento migratório dos indígenas; as operações econômicas injustas e criminosas danificam a Amazônia e não respeitam o direito dos povos nativos ao território e sua demarcação; a corrupção degrada as instituições e coloca em descrédito a política e as organizações sociais.

Além disso, existe a falsa ideologia de que a amazônia é um ‘enorme vazio a ser preenchido, uma riqueza em estado bruto que se deve aprimorar, uma vastidão selvagem que precisa ser domada’.

Neste cenário complexo existem sinais de vida e esperança. Vale ressaltar o senso comunitário dos povos nativos – entre eles não há espaço para o individualismo – e a ação corajosa dos missionários ao lado dos pobres.

O que fazer diante desta realidade tão complexa? Quais atitudes devemos assumir? O Papa nos indica o caminho:

– Indignar-se e pedir perdão aos povos amazônicos.

– Não habituar-se ao mal, nem permitir que nossa consciência social seja anestesiada.

– Construir redes de solidariedade e desenvolvimento em vista da globalização, sem marginalização.

– Promover o diálogo social entre os diferentes povos nativos na busca da comunhão e da luta conjunta pela vida. Neste diálogo os últimos devem ser os principais interlocutores.

– Escutar e reconhecer o ‘outro’ e apreciá-lo como ‘outro’, pois na Amazônia existem culturas portadoras duma mensagem ainda não escutada.

Deste sonho nasce outro não menos necessário e importante: o sonho cultural. Dele falaremos noutra ocasião. Fique atento.

Dom Geovane Luís da Silva
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte

http://arquidiocesebh.org.br/noticias/artigo-sonhar-a-realidade-com-o-papa-francisco-i-dom-geovane-luis-bispo-auxiliar-da-arquidiocese-de-bh/

Momento de implementar a Campanha da Fraternidade nas dioceses

 

                                                                Momento de implementar a CF nas dioceses

            No longo pontificado do papa Pio XII – 1939 a 1958 – a igreja católica no Brasil acompanha a fundação da CNBB, da CRB, a criação da Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (CELAM) – janeiro de 1955 – e o amplo aprimoramento, nas mais diferentes realidades sociais, da Ação Católica Brasileira e do MMM. A empolgação por uma pastoral de conjunto não abranda, mas recebe lucidez com a chegada do papa João XXIII.

            Em novembro de 1958, após encontro com os bispos do CELAM, João XXIII solicita a realização de um Plano de Emergência, no desejo de fortalecer paróquias como centros de evangelização, formar o clero como co-responsáveis na ação pastoral e estreitar laços entre leigos e a hierarquia atuando de modo coeso nas esferas das decisões políticas e econômicas. No rastro da elaboração do Plano de Emergência, ficou uma pastoral mais coesa no esforço de comunhão e participação.

            As novas concepções no modo de compreender a igreja e sua missão no mundo, as atuações dos leigos e leigas, a centralidade da bíblia no ato de pensar a teologia, organizar as pastorais publicadas durante o Concilio Vaticano II, sustentarão os primeiros temas da Campanha da Fraternidade. Nessa primeira fase: é chegada a hora de não medir esforços para implementar a CF em todas as dioceses brasileiras.

            Durante os anos de 1964 a 1972 todos os lemas foram pautados no desejo de divulgar as decisões e orientações conciliares: Lembre-se: você também é Igreja (1964), Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor (1965), Somos responsáveis uns pelos outros (1966), Somos todos iguais, somos todos irmãos (1967), Crer com as mãos (1968), Para o outro, o próximo é você (1969), ser cristão é participar (1970) e Reconciliar (1971).

Pe. Antonio C. Frizzo

 Dioc. de Guarulhos – CNBB-Sul I


Chega o momento da profecia

                A II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, realizada na cidade de Medellín, Colômbia, nos meses de agosto-setembro de 1968, trouxe ao centro da reflexão pastoral o conhecimento da cruel desigualdade social em um continente fortemente cristão. O catolicismo latino não foi mais o mesmo, depois de Medellín. De posse dos grandes eixos teológicos-pastorais oriundos do Concílio Vaticano II (1962-1965), a conferência de Medellín possibilitou uma ocasião de discernir e definir opções a partir do lado em que sopra o Espírito. Por ser de origem divina, a opção não poderia ser outra. A igreja opta pelos pobres, com os pobres e contra a pobreza.

            Por outro lado, a ascensão dos regimes totalitários na América Latina e, no Brasil, o golpe militar de 31 de março de 1964 marcam profundamente a vida eclesial. O recrudescimento da ditadura vem com a promulgação do Ato Institucional AI-5 de 13 de dezembro de 1968. Congresso fechado, intervenção militar, prisões arbitrarias, instituição da tortura e suspensão de todos os direitos constitucionais demonstram a “longa noite escura” vivida pelos brasileiros. As inserções em várias frentes da realidade brasileira, trabalhos de base pelo fim do analfabetismo, reforma agrária, experiências no combate a pobreza coordenadas pela Cáritas Brasileira e por líderes da Ação Católica Brasileira tornam-se alvos a serem destruídos pelo regime.

            A Campanha da Fraternidade levará um certo tempo para tomar posição diante das atrocidades cometidas pelo regime ditatorial. Em 1974, com o lema “Onde está teu irmão”, a vida é refletida nas mais diversas circunstâncias: a vida do enfermo, a vida do operário, a vida do idoso a vida das pessoas violentadas e injustiçadas. “Repartir do Pão” foi o lema de 1975. O uso da metodologia ver-julgar-agir, herança dos círculos da Ação Católica, acontece pela primeira vez em 1978, com o lema “Trabalho e justiça para todos”.

Pe. Antonio C. Frizzo

 Dioc. de Guarulhos – CNBB-Sul I

A Mulher na Igreja

Neste mês em que é comemorado o dia Internacional da Mulher não poderia deixar de falar um pouco do protagonismo das mulheres, cristãs leigas, na igreja. Como diz o Papa Francisco’’ A mulher que tem a capacidade de harmonizar, transformar realidades cruéis em realidades humanas dignas’’.

O Doc. 105 da CNBB, n 275 d – “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade” diz: Reconhecer a dignidade da mulher e sua indispensável contribuição na Igreja e na Sociedade, ampliando sua presença, especialmente , na formação e os espaços decisórios. Quanto pois à participação na missão apostólica da Igreja, não há dúvida de que, por força do Batismo e do Crisma, a mulher- como o homem- torna-se participante no tríplice múnos de Jesus Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei’.

Assim sendo, precisamos então, reconhecer, valorizar e compartilhar , nossa missão na Igreja, como também na sociedade, ocupando os espaços a nós de direito, solidárias umas às outras, sermos umas pelas outras , em todas as situações. Nossa responsabilidade é igual, o que muda são os espaços que ocupamos( escola, família, politica, igreja….)

Nós , mulheres, portanto, queremos ser lembradas, respeitadas amadas pelo nosso protagonismo todos os dias ; não ser violentada, usada, desrespeitada em nossa dignidade humana. Queremos construir juntos a sociedade do bem viver, da esperança .Sejamos as profetisas da esperança, como um dia disse Dom Helder Câmara : ‘’Deixa-me acender cem vezes, mil vezes, um milhão de vezes a esperança, que ventos perversos e fortes teimam em apagar. Que grande e bela a profissão de acendedor de esperança,”. Parabéns a todas as mulheres , leigas na Igreja.

Maria Madalena dos Santos Pires
Articulação CNLB/ Guanhães

Do clamor do povo, nasce a Campanha da Fraternidade – Pe Antônio C. Frizzo

A Campanha da Fraternidade na Igreja do Brasil

  A Campanha da Fraternidade, organizada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), segue como uma oportunidade ímpar de debater e buscar soluções para os problemas estruturais da nossa sociedade. De sua criação, em 1964, quando no calor dos debates teológicos e pastorais, acontecia o Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, a igreja retoma consciência de ser povo de Deus em marcha na história. Reassume sua missão humanizadora. Busca não somente dialogar com mulheres e homens inseridos em suas histórias, mas assume suas alegrias, tristezas e esperanças. Enfim, uma igreja no mundo. Uma igreja que se fez povo, para seu povo.

Fomos com o padre Eugênio visitar o açude público Pataxó… Lá chegando pelas 10 horas, vimos um formigueiro humano de cassacos carregando barro em caminhões e em costas de jumentos. Uma turma nos reconheceu… Um deles, parecendo ser o líder, foi dizendo: “Seu vigário, tire nós dessa escravidão, pelo amor de Deus”.

O emocionante relato do padre Expedito Sobral de Medeiros é considerado o marco inicial para a criação da Campanha da Fraternidade. Com o apoio da Juventude Agrária Católica (JAC), em 1958, cada militante da JAC doou um dia de salário aos flagelados, como gesto de solidariedade, ocorrido na Semana Santa, daquele ano. A seca, provocada por anos sem chuva, castigava o povo do sertão. Iniciativas na esfera social foram criadas no desejo de expandir pelo Nordeste ações caritativas no desejo de diminuir tantos sofrimentos.

Lembre-se: Você também é igreja foi o lema da primeira Campanha da Fraternidade, 1964, realizada durante as contagiantes conclusões de renovação eclesial expostas pelos primeiros documentos aprovados pelo Concílio Vaticano II (1962-1965).

Pe. Antonio C. Frizzo

 Dioc. de Guarulhos – CNBB-Sul I


                                                                   Por uma democracia que integre a todos

            Com base nos estudos realizados por padres e teólogos – Gervásio F. de Queiroga, José A. Vanzellla, Luiz C. Dias e Anésio Ferla -, a terceira fase da Campanha da Fraternidade, que se iniciou no ano 1985 e seguirá pelo ano de 2020, traz ao cenário eclesial as graves situações existenciais do povo brasileiro. Oportuno destacar os temas sociais expostos nessa etapa.

            No ano de 1985, a CF apresenta a sofrida situação da fome no país. O lema Pão para quem tem fome motivou nossas comunidades a assumirem suas responsabilidades diante do “tormento da fome e miséria no mundo e no Brasil”, alertou, na ocasião, o papa João Paulo II, em sua mensagem de abertura à quaresma. “A Quaresma, a Páscoa e a Eucaristia lembram-nos que, se alguém, possuindo bens deste mundo, vê o seu irmão necessitado e lhe fecha o coração, como permanecerá nele o amor de Deus? Por isso, exortam a dizer ‘não’ ao comodismo e ‘sim’ ao amor”, alerta o papa naquele ano.

            Nas esteiras dos movimentos políticos e sociais que exigiram uma nova Constituição Federal, após o fim do regime militar (1964-1985), as reivindicações populares, não só ecoaram como pautaram significativamente os temas abordados em diferentes Campanhas. Buscava-se perceber, analisar e implementar políticas públicas que apontassem pistas pela superação da desigualdade, da violência e fortalecimento das instituições democráticas.

            Oportuno realçar: fraternidade e o negro (1988), mulher e sua dignidade (1990), sistema de encarceramento (1997) e direitos das pessoas idosas (2003). Outros temas foram reeditados em diferentes ocasiões sociais: Amazônia e meio ambiente, realidade do mundo do trabalho, superação da violência, tráfico humano, saúde para todos, migrações, moradia e povos indígenas.

Pe. Antonio C. Frizzo

 Guarulhos, SP – CNBB-Sul I

 

Apresentação do Senhor: missal prevê bênção e procissão das velas no início da missa

Neste domingo, 2 de fevereiro, a Igreja celebra a festa litúrgica da Apresentação do Senhor. Também conhecida como Festa das luzes, tem em seu início a bênção e a procissão das velas que, segundo o Missal Romano, pode ser realizada de duas formas. Este rito inicial é popularmente conhecido como a “candelária”. Também neste dia se faz presente a devoção popular a Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz.

Nesse domingo todas as nossas celebrações iniciam com essa indicação do Missal Romano: a procissão com as velas, onde o sacerdote, a assembleia e o povo com as velas acesas recordam aquele dia em que Maria e José levaram a verdadeira luz, daí se fala tanto de luz nessa Festa da Apresentação do Senhor, porque Maria e José seguem a tradição do seu povo e vão justamente apresentar Jesus no templo”, explica o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Leonardo José Pinheiro.

A festa da Apresentação do Senhor ocorre quarenta dias após o Natal e é a ocasião, como ensina o Missal, quando Simeão e a profetisa Ana impulsionados pelo Espírito Santo também foram ao templo e “reconheceram o seu Senhor naquela criança e o anunciaram com júbilo”.

“Jesus é reconhecido por Simeão e pela profetisa Ana como a Luz que deve iluminar todas as nações, portanto, e trazendo presente a devoção popular de Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Luz, porque ela carrega a luz no colo, apresentando no templo”, situa padre Leonardo.

As orientações para esta celebração, bem como os passos da procissão e da bênção, estão no Missal Romano (p. 547 ss), no Diretório de Liturgia (p. 54-55) e no subsídio litúrgico “Igreja em Oração” (p. 28 ss).

Devoção a Nossa Senhora

Neste dia 2 de fevereiro, a diocese de Guarabira (PB) celebra a padroeira diocesana, Nossa Senhora da Luz. Alguns catedrais celebram o título de Nossa Senhora da Candelária, em Corumbá; Nossa Senhora da Luz, Guarabira e Luz; e Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava.

Resgate histórico

Em conformidade com a Lei de Moisés (cf. Ex 13, 1-2.11-16; Lv 12, 1-8), quarenta dias após o nascimento de Jesus, “Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresenta-lo ao Senhor” (Lc 2, 22).

Essa festa da apresentação teve origem no oriente e era celebrada no dia 15 de fevereiro, quarenta dias após o nascimento de Jesus, celebrado em 6 de janeiro. No século VI a festa se estendeu ao ocidente e passou a ser celebrada no dia 2 de fevereiro, quarenta dias após o natal, celebrado no ocidente em 25 de dezembro. Inicialmente, em Roma, a Apresentação foi unida a uma festa de caráter mais penitencial. No século X, na Gália, essa festa foi organizada com uma solene bênção das velas e procissão, que ficou conhecida popularmente como a “candelária”.

Fonte: subsídio Igreja em Oração

GESTAÇÃO SACERDOTAL, por Seminarista Gabriel

“Tempo de amadurecimento, de escuta e aprofundamento de nosso
chamado vocacional que não foi isento de algumas dificuldades”

Em fase conclusiva da etapa de formação sacerdotal, qual seja, o discipulado, ainda resta-nos muitas inquietações e, não raras vezes, emergem do próprio nome do curso: o que é filosofia?

O seminário é o ventre da Igreja cuja missão é gerar sacerdotes segundo o coração de Deus. Assim como uma mãe aguarda nove meses para gerar um filho, a Igreja também é uma gestante de vocações. Nesse sentido, Alisson Sandro Anacleto e eu, nos colocamos em estado permanente de oração durante esses quatro anos de gestação sacerdotal.

Principiamos nossa caminhada a partir dos encontros vocacionais promovidos pela Diocese de Guanhães e, em seguida ingressamos no Seminário Propedêutico São José, em Ubaporanga-Mg, mais precisamente, aos 31 de Janeiro de 2016. Terminada a etapa querigmática, iniciamos, no ano seguinte, o discipulado – período que compreende o estudo de filosofia – no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga-Mg, dando continuidade, até então, no Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina-Mg.

 

Tempo de amadurecimento, de escuta e aprofundamento de nosso chamado vocacional que não foi isento de algumas dificuldades; seja a saudade da família, as muitas incompreensões do cenário da Igreja, os relacionamentos conflitivos, o anseio de uma verdadeira mudança interior, as cobranças e provas, enfim, tudo contemplado e assimilado aos olhos da fé, como Maria que “guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2, 19). Não tenho dúvidas que as orações feitas e as recebidas dos fiéis, foram e são, o sustento que nos apoiam mediante aos desafios oriundos da própria caminhada vocacional.

Por outro lado, tem-se momentos marcantes vividos com intensidade: as confraternizações, as ordenações sacerdotais, as conquistas individuais, as amizades feitas, o aprendizado adquirido e tantas outras experiências que de muito servem para nutrir esta centelha do amor de Deus.

Além disso, a capacidade reflexiva adquirida pela dimensão intelectual, no tocante à filosofia, foi de suma importância para a compreensão de si e a do mundo que nos circunda. A tecla mais usada durante esse período é a que corresponde ao sinal de interrogação (?); expressa bem o que é filosofia.

Etimologicamente o termo traduz-se por amor à sabedoria. O Filósofo Aristóteles já dizia que por natureza tendemos ao saber. E, um pouco antes, Sócrates afirmava veementemente que uma vida irrefletida não merece ser vivida. Santo Agostinho afirmava que o intento de sua pesquisa filosófico-teológica era conhecer a si e a Deus. Thomas Hobbes e Rousseau divergiam no tocante à natureza humana; objetivavam saber quem somos e a influência, para bem ou para mal, dos aparatos sociais criados. Immanuel Kant refletia acerca de perguntas básicas: o que posso saber? O que devo fazer? E o que me é permitido esperar?

Toda filosofia se baseia numa certa inquietação existencial humana e na busca de uma resposta para aquietar o espírito. Disso compreendemos que o crucial não seja tanto saber o que foi pensado por muitos filósofos; isso é indispensável! Mas pensar filosoficamente acerca das principais questões a que é submetida a sociedade contemporânea. Não ter medo de fazer e se fazer perguntas é um bom começo do filosofar.

É nesse sentido que podemos afirmar que o próprio conteúdo do curso é de suma importância para também, contribuir na formação sacerdotal. Concomitantemente, é uma bagagem teórica fundamental para tratar de temáticas tão abstratas com as quais lida a teologia. Resta-nos diante desse processo formativo, permitirmo-nos ser gestados para assim sermos filhos sacerdotais cuja maneira de ser seja expressão de nosso parentesco a Deus Pai em cujo Filho, nos configuramos no horizonte da cruz, para, com a força do Espírito, exercer com fidelidade a missão para qual nos preparamos.

 

Gabriel Ferreira Oliveira,
seminarista

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