A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

“Vós sois meus amigos” Homilia do VI Domingo da Páscoa – dom Otacilio F. de Lacerda

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 15,12-17), em que Jesus nos dá o Mandamento do amor: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12).
Em seguida também diz: “Ninguém tem amor maior do que Aquele que dá Sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando” (Jo 15,14).
Sobre a amizade divina que tanto precisamos, somos remetidos ao Tratado escrito pelo Bispo Santo Irineu, (séc. II), contra as heresias.
“Nosso Senhor, o Verbo de Deus, que primeiro atraiu os homens para serem servos de Deus, libertou em seguida os que lhe estavam submissos, como Ele próprio disse a Seus discípulos: ‘Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor, Eu vos chamo amigos, porque Vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai (Jo 15,15′).
A amizade de Deus concede a imortalidade aos que a obtêm. No princípio, Deus formou Adão, não porque tivesse necessidade do homem, mas para ter alguém que pudesse receber os Seus benefícios.
De fato, não só antes de Adão, mas antes da criação, o Verbo glorificava Seu Pai, permanecendo n’Ele, e era também glorificado pelo Pai, como Ele mesmo declara:
Pai, glorifica-me com a glória que Eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5).
Não foi também por necessitar do nosso serviço que Deus nos mandou segui-Lo, mas para dar-nos a salvação. Pois, seguir o Salvador é participar da salvação, e seguir a Luz é receber a luz.
Quando os homens estão na luz, não são eles que a iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela. Nada lhes proporcionam, mas dela recebem o benefício e a iluminação.
Do mesmo modo, o serviço que prestamos a Deus nada acrescenta a Deus, porque Ele não precisa do serviço dos homens. Mas aos que O seguem e servem, Deus concede a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna.
Ele dá Seus benefícios aos que O servem precisamente porque O servem e aos que O seguem precisamente porque O seguem; mas não recebe deles nenhum benefício, porque é rico, perfeito e de nada precisa.
Se Deus requer o serviço dos homens é porque, sendo bom e misericordioso, deseja conceder os Seus dons aos que perseveram no Seu serviço.
Com efeito, Deus de nada precisa, mas o homem é que precisa da comunhão com Deus.
É esta, pois, a glória do homem: perseverar e permanecer no serviço de Deus. Por esse motivo dizia o Senhor a Seus discípulos:
‘Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolh’ (Jo 15,16), dando assim a entender que não eram eles que O glorificavam seguindo-O, mas, por terem seguido o Filho de Deus, eram por Ele glorificados.
 
E disse ainda: Quero que estejam comigo onde Eu estiver, para que eles contemplem a minha glória (Jo 17,24)”.
É sempre tempo de aprofundarmos nossa amizade com Deus e solidificarmos nossas amizades humanas, a fim de que sejam mais autênticas, mais conforme o Seu desejo; de modo que a autenticidade e profundidade de nossa amizade com Deus marcará também nossas amizades humanas.
Reflitamos:
– Qual a profundidade de nossa amizade com Deus?

– Correspondemos à amizade que Deus quer estabelecer sempre conosco?

– Como são nossas amizades humanas, nossos relacionamentos com o próximo, sobretudo na comunidade que participamos?
– Quais são as amizades que nos revelam e nos aproximam de Deus?
Oremos:
Ó Deus, Vós que sois tão bom e amável, ajudai-nos, a corresponder ao Vosso imenso Amor, adorando-Vos de todo o coração, vivendo o Novo Mandamento do Amor a nós dado por Vosso Filho, contando com a ação e presença do Santo Espírito, a fim de viver convosco uma amizade sólida, fecunda e sincera, de modo que fortaleçamos os laços de amizade e fraternidade com nosso próximo, construindo uma cultura de vida e de paz. Amém.
PS: Fonte: Liturgia das Horas – Vol. II – pp. 63-65.

Precisamos da Seiva do Amor do Senhor! Homilia – 5º Domingo do Tempo Pascal

“Eu sou a Videira e vós sois os ramos”

A Liturgia do 5º Domingo da Páscoa (Ano B) é um convite à reflexão sobre a união com Cristo, que deve ser intensa para que possamos ter vida plena e os frutos por Deus esperados produzirmos.

É o “Domingo da Verdadeira Videira” que é o próprio Cristo Jesus, como nos fala o Evangelho de São João (Jo 15, 1-8).

Com a passagem da primeira Leitura (At 9,26-31), refletimos sobre como deve ser a comunidade: lugar da partilha, da mesma fé, que percorre o caminho do amor fraterno. Somente assim ela se coloca num constante processo de amadurecimento, realizando sua vocação.

Retrata a conversão de Paulo e a sua relação com a comunidade. O Apóstolo teve que enfrentar a desconfiança da comunidade, bem como ela teve coragem de correr o risco como fonte de enriquecimento. Para ambos foi desafio à comunhão a ser construída.

O conjunto da Leitura nos apresenta o cristianismo como um encontro pessoal com Jesus, que se torna visível na experiência da comunhão com os irmãos. É impossível o encontro com Jesus e a vida fora da comunidade, da comunhão com os irmãos.

O encontro e o acreditar em Jesus implicam em adesão à Sua Palavra, ao Seu Projeto, à Sua proposta de Amor, que implica em amar até o fim, até as últimas consequências. Um amor total, incondicional e para sempre!

A fé é necessariamente uma experiência a ser fortalecida, numa vida comunitária marcada fragilidade.

Evidentemente, o autêntico cristianismo vivido implica na superação dos conflitos que possam surgir, com a certeza de que se pode contar com o Espírito Santo que conduz a Igreja.

Esta Leitura possibilita uma “radiografia” de nossas comunidades.

Reflitamos:

– Somos uma comunidade fechada ou aberta ao outro?

– Somos uma comunidade acolhedora?

– Vivemos a comunhão fraterna?

– Vivemos a solidariedade entre todos?

– De que modo ajudamos a comunidade a ser mais fiel ao que Deus espera? Apenas criticamos ou fazemos algo concreto para que seja um melhor instrumento do Reino?

– Somos como Paulo, Barnabé e os primeiros seguidores de Jesus, entusiasmados pela causa do Evangelho?

– Amamos Jesus e Sua Igreja inseparavelmente, apesar da imperfeição e limites inerentes da comunidade?

– Percebemos a ação do Espírito Santo dirigindo a Igreja?

A passagem da segunda Leitura (1Jo 3,18-24) nos apresenta a realidade do ser cristão, aquele que acredita em Jesus Cristo e ama uns aos outros como Ele nos amou. O amor ao próximo é critério para afirmarmos se conhecemos ou não a Deus, para afirmarmos a realização ou não da Sua vontade pela palavra e pelas obras.

Quando deixamos que o amor conduza a nossa vida, estamos no caminho da verdade. Coração aberto ao amor se traduz em serviço e partilha, na mais bela comunhão com Deus.

Somente o amor autêntico vivido nos liberta de todas as dúvidas e inquietações, nos dá a serenidade necessária e a certeza de que estamos no caminho certo da felicidade e vida eterna.

Com a passagem do Evangelho (Jo 15,1-8),encontra-se no contexto de despedida de Jesus, e refletimos sobre a adesão a Jesus que se torna a fonte de frutos saborosos por Deus esperados.

Com a Parábola da Videira, exorta que os discípulos permaneçam com Ele. Está próxima a Sua partida, entrega, Paixão e Morte. Mas também próxima está a Sua Ressurreição e presença para sempre no meio deles.

O Evangelho de João nos apresenta a comunidade da Nova Aliança com o distintivo do amor e serviço.

Notamos a insistência do Evangelista no verbo “permanecer” – oito vezes. Permanecer com Jesus implica em adesão, solidez na fé, estabilidade, constância, continuidade, frutos abundantes. Permanecer é adesão e renovação constantes.

Permanecer é ficar com Ele, viver Seu Mandamento de Amor, é confrontar a cada instante nossa vida com a Sua Vida. Sem Jesus a comunidade viveria uma esterilidade indesejável.

É preciso, como cristão, viver de, com, para e como Jesus Cristo. Podas serão inevitáveis para que mais frutos sejam produzidos, mas somente o ramo unido a Jesus produzirá os frutos saborosos.

Ao discípulo fica a possibilidade do discernimento.

Reflitamos:

– A quem queremos aderir nossa vida?

– Com quem queremos ser configurados, enxertados?

Haverá sempre a possibilidade de enxertar-se em outras “árvores”, mas o resultado é o óbvio: insatisfação, frustração, egoísmo, morte e autossuficiência…

A Parábola fala de ramos que se não unidos à videira, morrerão, secarão, serão queimados. Isto ocorre quando seduções indesejáveis norteiam nossa vida: dinheiro, êxito a qualquer preço, moda, poder, aplausos, orgulho, amor próprio excludente, a inversão de valores que deem sentido a vida.

Fala também das podas necessárias para novos frutos. São as provações do quotidiano, a cruz a ser carregada com renúncias, sacrifícios, abertura ao outro, humildade, simplicidade, perdão, superação…

Urge fazer nossa revisão de vida; renovemos nossa adesão ao Senhor, e ao Seu Evangelho e nosso amor e pertença a Igreja que nasceu de Seu lado, do Seu Coração trespassado.

Que todos nós, membros ativos da comunidade, vejamos quais são as podas necessárias que precisamos ter coragem de suportar, para que os frutos saborosos de Deus possamos produzir, para que todos tenhamos vida e vida plena.

Que sejamos saciados com a Seiva do Amor que emana abundantemente em cada Eucaristia celebrada, em cada Palavra proclamada, ouvida, acolhida e na vida encarnada.

Não podemos viver sem Jesus, portanto, não podemos viver sem o Seu Amor.

Concluímos com este canto:

“Meu Senhor despojou-Se de Si, sendo Deus

Se fez homem, Se entregou e morreu numa Cruz. […]

Eu Te amo, sou louco de amor por Ti, meu Jesus

Tu és minha paz, minha luz, meu Rei e meu Bom Pastor

Eu Te amo, sou louco de amor por Ti, meu Jesus

Tu és minha paz, minha luz, meu Deus, meu Senhor. […]”

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/05/preciso-da-seiva-do-amor-do-senhor-vdtpb.html

A voz do Bom Pastor – Homilia – 4º Domingo da Páscoa

“Eu sou o Bom Pastor. Conheço as minhas ovelhas,

e elas me conhecem,  assim como o Pai me conhece

e Eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas.”

(Jo 10, 14-15)

Com a Liturgia do 4º Domingo da Páscoa (ano B), celebramos o dia do Bom Pastor, que é Jesus Cristo, como vemos evocado pelo Profeta Ezequiel (Ez 34).

Na passagem da primeira Leitura (At 4, 8-12), os discípulos são testemunhas do Ressuscitado, com o selo do Espírito Santo, que garante o êxito no aparente fracasso da Cruz por Jesus proposto, de modo que nada pode calar nem parar a missão da Igreja, porque o Espírito Santo está com ela, e é Ele quem anima nessa missão e dá coragem para o enfrentamento das oposições pelas forças de opressão que recusam esta Proposta.

É missão da Igreja comunicar ao mundo a Salvação que vem somente de Jesus, cabe aos discípulos levar esta Proposta libertadora a todos.

Jesus é a pedra base deste Projeto de vida nova e plena, e os discípulos são testemunhas desta salvação que Ele vem nos oferecer.

Há muito que ser feito ainda para que a Boa-Nova do Reino seja anunciada e vejamos sinais de uma nova realidade, porque ainda vemos genocídios, atos bárbaros de terrorismo, guerras religiosas, o avassalador capitalismo selvagem e suas vítimas multiplicadas.

Assim como foi com Pedro, hoje a Igreja precisa ter um anúncio corajoso e coerente, acompanhado do testemunho, confiante na presença do Espírito de Jesus Ressuscitado, e assim, nos momentos de crise, desânimo ou frustração, tomar consciência desta presença amorosa, que renova a nossa esperança para o necessário testemunho da fé n’Ele.

Com a passagem da segunda Leitura (1 Jo 3,1-2), refletimos sobre nossa filiação divina e a exigência, portanto, de viver conforme esta filiação: uma vida cristã autêntica, marcada pela vivência dos Mandamentos divinos, em esforço contínuo na procura da perfeita coerência entre o que se crê e o que se vive.

Refletimos sobre a bondade, a ternura e a misericórdia e o amor que Deus tem para conosco, e a possibilidade de alcançarmos a vida eterna, contemplando a face de Deus: para alcançar a meta da vida definitiva, é preciso escutar o chamamento de Deus, acolhendo o dom que Ele nos oferece, e vivendo de acordo com a vida nova proposta.

Na passagem do Evangelho (Jo 10,11-18), temos a apresentação de Jesus como o Bom Pastor, num contexto de polêmica entre Jesus e alguns líderes judaicos (principalmente os fariseus):

“Jesus denuncia a forma como esses líderes tratam o povo: eles estão apenas interessados em proteger os seus interesses pessoais e usam o povo em benefício próprios: são, pois ‘ladrões e salteadores’ (Jo 10,1.8.10) que se apossam de algo que não lhes pertence e roubam ao seu povo qualquer possibilidade de vida e de libertação”. (1)

Jesus, ao contrário dos líderes de Seu tempo, é um Pastor diferente e único: ama e entrega Sua vida por amor ao rebanho, generosamente.

As ovelhas somos nós, que experimentamos este amor destinado a todos universalmente e incondicionalmente. Este amor nos faz semelhante a Deus, pois, quando amamos, nos assemelhamos a Deus, porque Deus é amor.

Jesus, o Bom Pastor, conhece a cada um de nós, conhece e nos chama pelo nome. Conhece nossos medos, angústias e frustrações. Cuida de cada um de nós com admirável e indizível amor.

Jesus é o Bom Pastor do rebanho porque  “Ele não está apenas interessado em cumprir o contrato, mas em fazer com que as ovelhas tenham vida e se sintam felizes. A Sua prioridade é o bem das ovelhas que lhe foram confiadas. Por isso, Ele arrisca tudo em benefício do rebanho e está até, disposto a dar a própria vida por essas ovelhas que ama. N’Ele as ovelhas podem confiar, pois sabem que Ele não defende interesses pessoais, mas os interesses de Seu rebanho” (2).

Nosso Pastor por excelência é Jesus Cristo, mas precisamos ter cuidado com outros “pastores”, que nos arrastam e condicionam nossas escolhas.

Reflitamos:

– O que nos conduz e condiciona as nossas opções?

– Jesus Cristo é de fato o nosso Bom Pastor?

– conhecemos e somos atentos à voz do Bom Pastor?

A Liturgia do Bom Pastor é propícia para rezarmos a Jesus, o Bom Pastor, para que nos envie pastores segundo o Seu coração; que sejam Seus imitadores, em absoluta e incondicional fidelidade, com mesmos pensamentos e sentimentos.

Rezemos pelo Papa e por todos aqueles que conduzem a Igreja, para que, conduzidos pelo Espírito, sejam para o rebanho a Voz do Bom Pastor, e também para que o rebanho não se perca por falta de pastores, ouvindo Sua Voz e procurando viver no zelo e fidelidade ao Senhor:

“A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para sua messe (Lc 10, 2).

Renovemos a alegria de pertencermos ao rebanho do Senhor, pois Ele nos conduz aos verdes prados e água cristalina, pois Deus nos ama e quer sempre o melhor para nós. Entretanto, Ele também quer o melhor de nós, pois nos ofereceu, por amor, o que de melhor possuía: Seu próprio Filho, que do Pai nos enviou o Espírito, para que órfãos e abandonados não ficássemos, e amados nos sintamos e para sempre o sejamos.

Atentos ao apelo do Papa, construamos uma Igreja em saída, ao encontro das ovelhas feridas e distantes, que ainda não tiveram a graça de ouvir a Palavra do Bom Pastor e de Sua Igreja:

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só Pastor.” (Jo 10, 16)

Que a Voz do Bom Pastor, a Voz do Amado, penetre nossos ouvidos e alcance as entranhas de nosso coração, para que jamais nos afastemos de Seu rebanho.

(1) (2) www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

A comunidade do Ressuscitado – Homilia – 2º Domingo da Páscoa Ano B

Com a Liturgia do 2º Domingo da Páscoa (ano B), também chamado de “Domingo da Misericórdia”, à luz da Palavra de Deus, refletimos sobre o papel da comunidade cristã como o lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo Ressuscitado: na Palavra proclamada, no pão partilhado, no amor vivido e no corajoso testemunho dado.
A comunidade de homens novos, que nasce da Cruz e da Ressurreição de Jesus, a Igreja, continuará a missão do Senhor: comunicar a vida nova que brota de Sua Ressurreição.
Na primeira leitura, ouvimos a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 4,32-35), na qual encontramos um retrato da comunidade no início da Igreja, na fidelidade da missão confiada pelo Ressuscitado.
A comunidade é marcada, portanto, pela diversidade, unidade e caridade, tendo como centro o próprio Jesus Cristo Ressuscitado.
A comunidade é formada por diversas pessoas, mas tem uma só fé e vive num só coração e numa só alma, assim manifestado em gestos concretos de partilha.
Deve, portanto, superar todo tipo de egoísmo, autossuficiência, fechamento em si mesma, para que possa dar testemunho da vida e presença do Ressuscitado.
A segunda leitura é uma passagem da Carta de São João (1Jo 5,1-6), em que exorta a comunidade que crê a amar a Deus e aderir totalmente a Jesus Cristo, para ser realmente uma família de Deus.
A comunidade deve ficar atenta, para não se desviar pelos profetas da mentira, a fim de que tenham autenticidade na vida cristã.
Deste modo, a comunidade formada pelos verdadeiros crentes, é aquela que ama a Deus e ama a Jesus Cristo, que nasceu de Deus; cumpre os seus mandamentos e vive nesta dinâmica de amor, a fim de derrotar toda forma de egoísmo, ódio e injustiça, que marcam a dinâmica do mundo.
Nisto consiste a vida nova que ela deve viver, crendo no Ressuscitado:
“Esta vida nova que permite aos crentes vencer o mundo é oferecida através de Jesus Cristo. A vida nova que Jesus veio oferecer chega aos homens pela ‘água’ (Batismo – isto é, pela adesão a Cristo e à Sua proposta) e pelo seu ‘sangue’ (alusão à vida de Jesus, feita dom na cruz por amor). O Espírito Santo atesta a validade e a verdade dessa proposta trazida por Jesus Cristo, por mandato de Deus Pai.
Quando o homem responde positivamente ao desafio que Deus lhe faz (Batismo) oferece a sua vida como um dom de amor para os irmãos (a exemplo de Cristo) e cumpre os mandamentos de Deus, vence o mundo, torna-se filho de Deus e membro da família de Deus” (1).
Na passagem do Evangelho (Jo 20,19-31), Jesus Se manifesta, vivo e Ressuscitado, e Se apresenta como o centro da comunidade cristã, comunicando: a paz  (plenitude de bens) e o Espírito, para que os Apóstolos continuem a Sua missão.
A mensagem explicita a centralidade de Cristo na comunidade e esta, por sua vez, é a testemunha credível da vida do Ressuscitado no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o Pão de Jesus partilhado e os compromissos com a justiça e a vida nova.
O Ressuscitado, rompendo as portas fechadas, onde os Apóstolos se encontravam por medo dos judeus, disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Nada mais pode impedir a ação do Ressuscitado.
É o primeiro dia da semana, é o tempo da nova criação alcançada pelo Ressuscitado, por isto guardamos o Domingo como o Dia do Senhor, para adorá-Lo e encontrá-Lo, de modo especial na comunidade: Cristo presente na comunidade de modo especialíssimo na Palavra e na Eucaristia.
Na primeira parte, Jesus saúda com o “shalom”: harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, plenitude dos dons à comunidade, de modo que a ela nada falta, pois o Ressuscitado Se faz presente.
E a comunidade será portadora desta Boa-Nova, empenhada na tríplice harmonia dos seres humanos com o Criador, com a própria criatura e com o cosmos.
Os Apóstolos são instrumentos da paz, da vida nova, da comunhão a ser vivida com Deus e com o próximo: shalom!
Quando reaprende a amar, a comunidade capacita-se para a missão de paz, e então se torna sal da terra, luz do mundo e fermento na massa.
A não vivência ou a recusa do amor impede que a paz aconteça… Paz que nos é dada como dom divino, compromisso humano inadiável.
Acolhendo o “sopro da misericórdia divina”, a comunidade não terá o que temer, porque não é enviada sozinha, mas com a força e a vida nova que nos vem do Santo Espírito – “E Jesus soprou sobre eles e disse-lhes: recebei o Espírito Santo”.
A segunda parte, é o itinerário feito por Tomé, ausente na primeira vez em que Jesus apareceu aos Apóstolos, e depois, quando presente, fez a grande profissão de fé: ”Meu Senhor e meu Deus”.
Tomé é proclamado bem-aventurado porque viu e tocou as Chagas gloriosas do Ressuscitado, e Jesus nos diz que felizes são aqueles que creram sem nunca terem visto, nem tocado.
Tomé toca exatamente onde nascemos e nos nutrimos: no coração transpassado de Jesus, do qual jorrou Água e Sangue: Batismo e Eucaristia.
Esta é uma mensagem essencialmente catequética, que nos convida a renovar hoje e sempre a nossa fé: somos felizes porque cremos sem nunca termos visto nem tocado.
A experiência vivida por Tomé não foi exclusiva das primeiras testemunhas do Ressuscitado, e pode ser vivida por todos os cristãos de todos os tempos. Hoje, somos convidados a fazer esta mesma experiência.
Reflitamos:
– Creio na presença de Jesus Ressuscitado na vida da Igreja?
– Sinto a presença e ação do Ressuscitado em minha vida?
– Jesus Ressuscitado possui centralidade em minha vida?
– Jesus Ressuscitado ocupa o lugar central em minha comunidade?
– Como vivo a missão, por Ele, a mim confiada?
– Tenho acolhido o sopro do Espírito na missão vivida?
– O que tenho feito para que a paz, mais que sonho e desejo, se torne realidade?
– O Domingo é, de fato, para mim o Dia do Senhor, do encontro com o Ressuscitado, para escutá-Lo na comunidade, reconhecê-Lo e comungá-Lo quando Ele Se dá no Pão partilhado, na Eucaristia?
– Como tenho prolongado, em minha vida quotidiana, a ação e vida do Ressuscitado, a Eucaristia celebrada?
Urge que a fé na Ressurreição do Senhor faça transbordar de alegria nosso coração.
Oremos:
“Ó Pai, que no Dia do Senhor reunis o Vosso Povo para celebrar
Aquele que é o Primeiro e o Último, o Vivente que venceu a morte,
Dai-nos a força do Vosso Espírito, para que, quebrados os vínculos do mal, Vos tributemos o livre serviço da nossa obediência e do nosso amor, para reinarmos com Cristo na glória eterna.
Amém. Aleluia!”
“A paz esteja convosco!”
 Ninguém pode impedir a ação do Ressuscitado!
Alegremo-nos! Aleluia!
(1) www.dehonianos.org/portal

O Cristo Ressuscitado caminha conosco! Aleluia!

O Ano Litúrgico (ano B), começa com a quarta-feira de cinzas, e com ela o início do itinerário quaresmal, e fomos convidados à prática dos exercícios quaresmais (oração, jejum e esmola), um tempo de graça e reconciliação com Deus e com os irmãos.
No primeiro Domingo da Quaresma, fomos com Jesus ao deserto, e com Ele aprender e revigorar nossas forças para vencermos as tentações fundamentais da existência humana (ter, ser e poder – acúmulo, privilégios e dominação, respectivamente): aprendemos que nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus; que somente Deus pode ser adorado.
No segundo Domingo, subimos com Jesus ao Monte Tabor, e com Pedro, João e Tiago, vimos a manifestação antecipada de Sua glória, diante das testemunhas credíveis (Moisés e Elias), pois Jesus é o pleno cumprimento da Lei e dos Profetas, nestes dois mencionados. Deu esta graça da contemplação de Sua glória, para afastar o escândalo do iminente e aparente fracasso da cruz. Não há Glória sem o mistério da Paixão, morte e Cruz.
No terceiro Domingo, refletimos sobre a ação de Jesus na purificação do templo, e Se apresentando como o verdadeiro Templo, que haveria de ser destruído e reconstruído em três, prefigurando assim o Mistério de Sua Paixão e Morte e Ressurreição.
No quarto Domingo refletimos sobre a fidelidade de Deus à Sua Aliança com o Povo de Deus, e  a expressão máxima de Seu Amor enviando o Seu Filho para que o mundos seja salvo por Ele, pois Deus amou tanto o mundo e não poupou Seu próprio Filho, Jesus.
No último Domingo da Quaresma, refletimos sobre a hora da proximidade da Paixão e Morte do Senhor, a hora de Sua glorificação, quando nos fala do grão de trigo que deve morrer para não ser apenas um grão, mas produzir muitos frutos.
Iniciando a Semana Santa, no Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, acolhemos Jesus em Jerusalém, com cantos, alegria, exultação. Acolhemos o Filho de Davi que veio inaugurar um novo Reino, mas de forma diferente: um rei pobre, despojado de tudo. Com ramos e cantos O acolhemos depositando n’Ele toda a nossa confiança, nossa entrega e fidelidade.
Com a Quinta-feira Santa, pela manhã, celebra-se, de modo especial neste dia, a Missa dos Santos Óleos (batismo, enfermo, crisma), com a renovação das promessas do Ministério Presbiteral diante do Bispo (em alguns lugares pode ser feita em outro dia, atendendo as necessidades e realidades de cada Diocese).
Neste mesmo dia, à noite, com iniciamos com a Santa Missa, o Tríduo Pascal. Celebramos na Missa a instituição da Eucaristia, o Novo Mandamento do Amor que o Senhor nos deu e o rito do lava-pés, aquele gesto que o Senhor fez naquela última ceia, como sinal de humildade, doação e serviço, que todos somos chamados a viver no dia-a-dia.
Na Sexta-Feira Santa, celebramos, às quinze horas, Sua Paixão e Morte: ouvindo a Palavra proclamada, adorando a Cruz e nos alimentando com a Eucaristia, consagrada na Missa da noite anterior, pois neste dia não celebramos a mesma.
É profundo recolhimento acompanhado de oração, jejum e penitência. Também temos encenações, Sermões, teatros que representam a Paixão do Senhor.
No dia seguinte, o Sábado Santo, em que não celebramos nenhum Sacramento, pois estamos esperando o anoitecer para celebrar a Vigília Pascal, a mãe de todas as vígilias, a antiquíssima vigília, como bem nos falou Santo Agostinho. Nesta Vigília temos a Bênção do fogo novo, o acender do Círio Pascal, sinal do Cristo Ressuscitado, a “Luz do Mundo”; a proclamação da Páscoa seguida da riqueza da proclamação da Palavra de Deus (7 leituras, Salmos respectivos, uma epístola e o Evangelho); a renovação batismal e a Liturgia Eucarística.
Quem desta Vigília participa, sente a escuridão ser invadida pela luz, a tristeza da morte do Senhor sendo superada com a alegria de Sua Ressurreição, alegria que transborda no coração e transparece no olhar de todos.
Ao amanhecer, temos o Domingo de Páscoa, e no Evangelho da manhã, vemos Maria Madalena indo ao túmulo e não encontrando o corpo de Jesus, mas a pedra retirada do túmulo. Sai correndo ao encontro dos discípulos e comunica o que viu. Em seguida Pedro e o discípulo que Jesus amava vão também ao túmulo e confirmam que Jesus está vivo – “De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos” (Jo 20,90).
Com a riqueza da Palavra deste dia, podemos sintetizar em sete verbos a serem conjugados e vividos: amar, correr, ver, acreditar, anunciar, testemunhar e buscar.
Quem ama corre ao encontro do Senhor; vê os sinais de Sua presença e Ressurreição, acredita piamente; e como discípulo missionário, anuncia e testemunha Sua Palavra, a Boa-Nova do Reino, buscando as coisas do alto, onde Deus habita, os valores sagrados do Reino, que devem orientar e iluminar nossa vida, para que tenhamos, agora, vida plena e feliz, e, um dia, a glória da eternidade.
Na Missa do entardecer deste mesmo dia, pode ser proclamado a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35), sobre a caminhada de Jesus com os discípulos de Emaús: Jesus caminha com os discípulos que retornavam derrotados para Emaús, explica-lhes as Escrituras, fazendo arder seus corações. Atendendo ao pedido de ambos, pois já entardecia, fica com eles, parte o Pão com eles, e enfim é reconhecido como a presença Viva do Ressuscitado: corações que ardem, olhos que se abrem! Assim se dá em cada Eucaristia que celebramos.
No segundo Domingo da Páscoa celebraremos o “Domingo da Misericórdia”, em que Jesus se manifesta Ressuscitado, entrando pelas portas fechadas, por medo dos judeus; coloca-se no centro da comunidade reunida e lhes comunica a paz; confia continuidade da missão a esta, e também temos a profissão de fé que Tomé faz ao ver e tocar as chagas gloriosas do Ressuscitado (Jo 20,19-31).
Trata-se apenas do início. É preciso continuar o itinerário Pascal,  contemplando as maravilhas que o Senhor fez e faz em nosso favor.
Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Domingo de Ramos: Jesus elevado na Cruz para nos elevar – Homilia – Dom Otacilio F. de Lacerda

“Meu  Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”  (Mc 15,34)

No Domingo de Ramos (ano B), refletimos sobre o Amor de Deus que, na pessoa de Jesus, desceu ao nosso encontro assumindo a nossa condição humana, como servo doando a vida, na Cruz morrendo para destruir toda expressão de egoísmo e pecado.

Morrendo na Cruz, Jesus nos ensina a lição mais suprema: a doação da vida por amor puro e verdadeiro, como grão de trigo que morre para não ficar só. Elevado na Cruz para nos elevar.

A Cruz pode ter a aparência de fracasso, mas tem sabor de vitória. A morte e a Ressurreição de Jesus é a revelação do Filho de Deus, amado e não abandonado, que assume até o fim o Projeto de Vida e Salvação para toda a humanidade, em obediência e fidelidade ao Pai, por amor de Deus, com a força e presença do Espírito Santo.

Morrendo na Cruz, Jesus redime o mundo, numa atitude de confiança em Deus que jamais nos decepciona. É este o caminho que nos é proposto contemplando e imitando na vida a Paixão de Cristo: jamais fugir, mas aceitar a Sua Proposta.

Na primeira Leitura, ouvimos o Profeta Isaías, que nos apresenta o terceiro Cântico do Servo de Javé (Is 50,4-7). Este Profeta é o homem da Palavra, através do qual Deus fala e tem uma Proposta de redenção a todos que buscam salvação e libertação.

Para o êxito de sua missão, é totalmente modelado por Deus e não coloca nenhuma resistência ao Seu chamado para o anúncio de Sua Palavra.

O servo, em sua missão, assume com serenidade e confiança todo sofrimento, sem jamais desistir da missão por Deus confiada. A Paixão que tem pela Palavra se sobrepõe ao sofrimento, porque ele sabe em quem confia.

Mais tarde, os cristãos verão a própria Pessoa de Jesus nesta figura, porque como Servo fiel passa pela morte e alcança a glorificação; de modo que Sua morte na Cruz não é fracasso, pois, com a Sua Ressurreição, vence a morte e Se torna fonte de vida nova.

Também nós somos chamados a viver a mesma vocação profética: vida doada, oferecida, sacrificada. Às vezes, num aparente fracasso, mas com a certeza da vitória.

Somos a Palavra viva de Deus para o mundo, quando acompanhada de gestos, com salutar e corajoso testemunho da fé.

Reflitamos:

– Como vivemos nossa vocação profética?

– Confiamos e nos entregamos radicalmente ao Projeto de Deus?

– Como nos configuramos a figura do Servo Sofredor, que é o próprio Jesus?

Na passagem da segunda Leitura (Fl 2,6-11), o Apóstolo Paulo nos apresenta Jesus, exemplo de obediência incondicional ao Pai, na entrega da própria vida por amor de Deus.

O Apóstolo exorta a comunidade a fazer seu amadurecimento, embora seja uma comunidade entusiasta, generosa e comprometida, ainda precisa aprender o desprendimento, a humildade e a simplicidade, tendo de Jesus os mesmos pensamentos e sentimentos.

Como discípulos de Jesus, viver o despojamento (“kenosis”), por isto nos apresenta este belíssimo hino, em que Jesus Se esvazia de Sua condição divina, fazendo-Se servo, obediente, e na Cruz morrendo, mas exaltado por Deus, para que toda língua proclame que Ele é o Senhor, e que diante d’Ele todo joelho se dobre.

Jesus é verdadeiramente o “Kyrios”, o Senhor de nossa vida, por Sua condição divina, e uma vida marcada pelo serviço, amor radical e entrega total.

Reflitamos:

– O que nossa comunidade tem que melhorar para melhor testemunhar o Senhor presente em sua vida, em seu meio?

– Como vivemos o desprendimento, o despojamento em favor do Reino, como Jesus assim o fez?

– Como viver a lógica do Evangelho de Nosso Senhor (humildade, serviço, doação, amor) hoje?

Na passagem do Evangelho de Marcos (Mc 14,1-15,47), o Evangelista anuncia a Pessoa de Jesus, o Messias e o Filho de Deus que, morrendo na Cruz, revela o Amor total de Deus por nós, e com isto renovamos a certeza de que não trilhamos um caminho de perdedores e fracassados.

Sua morte foi consequência de Sua vida, Seu anúncio e testemunho: o desejo de Deus de um mundo novo com vida, justiça, amor e paz. Mas este Projeto entrou em choque com as autoridades que O condenaram à morte.

O Evangelista nos apresenta a serenidade, simplicidade e confiança de Jesus na realização deste Projeto.

Jesus é o homem que Se solidariza com a humanidade, que acompanha seus sofrimentos, experimentando seus dramas, fragilidades.

Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturados pelos soldados, Jesus percorre o Seu caminho de morte na solidão, no abandono e  na indiferença de todos.

Porém, na Cruz morrendo, aparece o Homem Novo, que marcou com Sangue o que falou, pregou, ensinou e testemunhou. Quem suportaria tudo isto por nós?

Celebremos a Semana Santa envolvidos pelo Amor de Deus, que nos leva à contemplação e renovação de nossa fidelidade ao Senhor: com Ele caminhar, morrer, para com Ele também  Ressuscitar.

Tudo isto já podemos experimentar ao celebrar a Sua Paixão, Morte e Ressurreição nesta Semana Maior do Amor de Deus pela humanidade.

Reflitamos:

– Como estamos trilhando o caminho da Paixão e Morte do Senhor?

– Em que consiste para nós o caminho da Cruz?

– Cremos que a Cruz de nosso Senhor tem aparência de derrota, mas sabor de vitória?

– Como permanecemos fiéis ao Senhor no carregar da Cruz, no morrer com Ele, para também com Ele ressuscitarmos?

Semana Santa, semana de retiro para todos nós. Tempo de silêncio, de recolhimento, de reflexão, de mergulho no indizível Amor de Deus por nós, revelado e vivido por Jesus. 

É tempo do silêncio fecundo que nos levará ao acolhimento do Mistério, o maior de todos os Mistérios, o Mistério do Amor de Deus por nós, desde sempre e para sempre.

PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

“Deus merece que sejamos melhores” – Homilia – Quarto Domingo do Tempo Quaresmal – Dom Otacilio – Ferreira de Lacerda

A Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (Ano B) é conhecida como Domingo “Laetare”, ou seja, Domingo da alegria, devido à proximidade da Páscoa, e tem como antífona inicial assim nos convida: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Is 66, 10s).

Na passagem da primeira Leitura (2Cr 36,14-16.19-23), contemplamos o Amor de Deus narrado pelo autor do Segundo Livro das Crônicas.

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história.

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 2,4-10), o Apóstolo Paulo nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom.

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores.

Nas mãos de Deus somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

Na passagem do Evangelho (Jo 3,14-21), O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho Único para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16).

A vontade de Deus é que todos sejam salvos. Que, sobretudo neste Tempo Quaresmal, abandonemos as obras das trevas e multipliquemos as obras de luz, pois somos filhos da luz, do dia, como nos diz o Apóstolo Paulo (1Ts 5,5).

Não mais a serpente erguida no deserto, mas o próprio Senhor erguido na Cruz para nos reerguer, porque caídos pelo pecado estávamos.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

– Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?

– De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

– Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e bem possamos celebrar a alegria da Páscoa?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade…”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

“Deus merece que sejamos melhores!”  

PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/03/deus-merece-que-sejamos-melhores.html

A cidade, seus clamores e a missão Presbiteral – Dom Otacilio F. de Lacerda

As grandes cidades enfrentam os inúmeros problemas de nosso tempo, principalmente porque vivemos em mudança de época, muito mais do que uma época de mudanças.

Diante disto, uma questão fundamental: qual a missão do presbítero na cidade, bem como das comunidades que lhes são confiadas?

Não é uma resposta simples de ser dada, porém não podemos ceder à falta de coragem de buscar e de nos abrirmos ao Espírito para novas e necessárias respostas.

Na realidade, por vezes, árida e sórdida da cidade é missão do Presbítero primeiramente construir comunidades verdadeiramente eucarísticas, que se nutram do Pão da Palavra e da Eucaristia, o que consequentemente possibilitará que ele e todos façam uma profunda experiência de comunhão e amizade com o Senhor, em intimidade e apaixonamento visível pela Palavra que anuncia e denuncia, pelos exemplos, sinais no mundo de vitalidade e profecia.

O encontro com o Senhor não é apenas o conhecimento d’Ele e de Suas ideias, mas a configuração da vida a Ele e ao conteúdo de Seu ensinamento e vivência, alcançando a maturidade paulina:

“Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20), e ainda: “Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo.” (Fl 2,5).

Em decorrência desta espiritualidade eucarística, o Presbítero ajudará a comunidade no processo de santificação e de solidificação da família, a fim de que esta seja como uma escola dos valores cristãos, dos valores humanos e universais, e nela se formem excelentes cristãos e também excelentes cidadãos.

Colocando-se solidariamente ao lado dos mais empobrecidos, em alegre acolhida do outro, em constante processo de conversão pessoal, comunitária e social, o presbítero não deve se restringir aos espaços internos da comunidade, pois a evangelização desconhece limites e fronteiras.

Neste sentido, não pode ele se omitir no anúncio do Verbo nos diversos meios de comunicação social, rádio TV, jornal, Internet, enfim, nos novos areópagos…

Numa cidade, muitas vezes marcada pelo sofrimento, com famintos, dependentes químicos, moradores de rua, prostituição infantil, vítimas do tráfico e da violência, falta de condição digna de moradia… Diante de tantos rostos empalidecidos, com rugas precoces pelo sofrimento, o Presbítero deve ser aquele que com a comunidade, em frutuosa pastoral de conjunto e em comunhão com toda a Igreja, faz resplandecer o rosto de Cristo.

O Presbítero deve contribuir para que a comunidade, uma vez saciada a sede pela água cristalina da Palavra, nutrida pelo Pão Eucarístico e inebriada pelo Vinho Novo da Eucaristia, viva a nova e eterna aliança sendo um “oásis no deserto da cidade”, não como refúgio do bom combate da fé (2Tm 4), mas como lugar de revigoramento, favorecendo atitudes de serviço, anúncio, diálogo e testemunho de que o Reino de Deus se encontra em nosso meio.

Sem a pretensão de esgotar as respostas, vejo o presbítero na cidade como aquele que realiza a missão pelo amor que é Cristo Jesus.

E, na estreita relação de amor com Ele, tornará a Igreja mais crível e um novo mundo, mais do que desejável, possível. Um mundo marcado pela verdade e abundância de vida, porque fundado em relações de amor e justiça que faz brotar a paz.

É missão do Presbítero não permitir que a sordidez da cidade devore o rebanho, colocando nossa vida totalmente a serviço dele, tornando mais bela a cidade, até que um dia possamos entrar na Cidade Celestial.

Uma religião agradável ao Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Tempo Comum – Ano B

Com o 3º Domingo da Quaresma (ano B), damos mais um passo no Itinerário rumo à Páscoa do Senhor. Podemos dizer que é o Domingo da purificação do Templo por Jesus.

A passagem da primeira Leitura (Ex 20,1-17) nos apresenta o Decálogo, que são como “balizas” para a nossa vida, nossa conduta e atitudes em relação a Deus e ao próximo. Como “sinais de trânsito”, assegura o percurso para a liberdade e vida verdadeira.

A Aliança do Povo com Deus implica em obrigações fundamentais diante d’Ele, e elas são sintetizadas nos Dez Mandamentos. Javé tem que ser a referência e o valor absoluto na vida do Povo de Deus para que não volte à velha escravidão e opressão da qual o Senhor os libertou, pois Deus quer ser adorado por um Povo livre e feliz.

A maior parte dos Mandamentos, de outro lado, assegura relações comunitárias e fraternas, sem egoísmo e cobiça.

Sendo o Senhor dono do templo, deveria receber toda adoração, e não se poderia adorar os ídolos que O substituiria e levaria o Povo de Deus, inevitavelmente, para nova escravidão marcada pelo egoísmo, autossuficiência, injustiça, comodismo, paixões, cobiça e exploração.

Curvar-se-ia diante de outros “deuses”: dinheiro, poder, afetos humanos, realização profissional, reconhecimento social, interesses egoístas, valores da moda e ideologias que se contrapõem a Lei do Senhor.

Reflitamos:

 –   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?

 –   Quais os que merecem maior atenção em nossa vida?

 –   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?

 –   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?

 –   Como é a nossa relação com Deus?

 –   Como é nossa relação com nosso próximo?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 1,22-25), refletimos sobre a lógica da Cruz de Nosso Senhor que é o dom da própria vida.

O Apóstolo Paulo se dirige a uma comunidade viva e fervorosa, mas com o eminente perigo de viver uma moral dissoluta, contrária ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus.

Insiste para que a Comunidade cresça na fidelidade e no testemunho do Ressuscitado vivendo a “loucura da Cruz”, pois nela se manifesta o Poder Salvador de Deus, sobretudo porque o caminho do cristão é a adesão ao Cristo Crucificado e Ressuscitado: O Cristo do Amor e do dom da Vida.

Reflitamos:

 –   A quem amamos e seguimos?

 –   A quem pregamos, e como testemunhamos?

–   Para nós o que significa “viver a loucura da Cruz”?

 –   Amamos até às últimas consequências, como Jesus o fez por nós?

Na passagem do Evangelho (Jo 2,13-25), Jesus Se apresenta e é o Novo Templo de Deus, oferecendo-nos uma nova proposta de vida e uma nova forma de conceber a presença e a relação com Deus.

O templo, no tempo de Jesus, era o lugar dos sacrifícios, da purificação, do comércio. Quarenta e seis anos foram necessários para a sua construção.

Nele se praticava um culto nefasto, com práticas de exploração, fomentando a injustiça e a miséria do povo. No templo se sacrificavam cerca de 18.000 cordeiros, e os habitantes, que eram por volta de 55.000, triplicavam nas grandes festas.

No templo está o Verdadeiro Templo, o Novo Templo de Deus, que o Senhor assegura que pode ser destruído e reconstruído em três dias, Ele próprio Jesus é o Messias esperado. Com Ele, temos a abolição do culto que não aproxima as pessoas entre si e com Deus.

A reconstrução do templo em três dias anuncia a Morte e Ressurreição de Jesus: Sua atuação tem o selo de Deus, a garantia de que Ele é o Messias e o Redentor esperado. Com a purificação do templo, Deus passa a ser encontrado no outro, no qual Ele fez morada e Se identificou.

Aceitar Jesus é aceitar Sua Pessoa e Sua proposta. Cristãos, portanto, são aqueles que aderiram ao Senhor, comeram Sua Carne, beberam Seu Sangue e se identificaram com Ele para sempre.

Deste modo, a Igreja se torna a casa de Deus, onde temos que encontrar e viver a Proposta de Salvação e libertação para todos. Nossos cultos, sacrifícios celebrados, devem reverter em vida para todos, como alegre sinal do Reino.

Quando comungamos, Jesus nos enche com a Sua presença e nos tornamos presença d’Ele junto aos nossos irmãos.

Reflitamos:

 –   De que modo nossa Comunidade torna presente a Boa Nova de Jesus no mundo?

 –   Qual a relação que existe entre o que celebramos e o que vivemos?

 –  Percebemos a presença de Jesus em nosso próximo?

 –  Ajudamos a edificar a Igreja, que somos membros, ou apenas cobramos e nada fazemos?

–   Ajudamos a Igreja a ser sinal do Cristo Ressuscitado no mundo?

–   Quais os compromissos que se renovam ao participarmos do Banquete da Eucaristia?

Oremos:

“Ó Deus, tendo recebido o penhor do Vosso Mistério Celeste, e saciados na terra com o Pão do Céu, nós Vos pedimos a graça de manifestar em nossa vida o que o Sacramento realizou em nós. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém”.

PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

A Glória é precedida pela Cruz – Homilia – Segundo Domingo do Tempo Quaresmal – Ano B

O segundo Domingo da Quaresma (ano B), identificado como “O Domingo da Transfiguração do Senhor”, é um convite a escutarmos a voz do Filho Amado, e maior obediência à vontade de Deus, na Força do Espírito.

A passagem da primeira Leitura (Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18), fala-nos de Abraão e do sacrifício de seu filho Isaac.

O autor Sagrado nos revela um Deus que ama com Amor intenso e eterno; que revigora nossa serenidade e esperança; um Deus que não quer sacrifícios de vidas humanas, mas que todos tenham vida e vida plena.

Muitas vezes, as provações acontecem em nossa vida; e são elas ocasião para testemunharmos nossa fidelidade e revelarmos o que se passa no mais profundo de nosso coração.

Assim nos fez aprender Abraão, que não pouparia seu filho único, amado e herdeiro. Parecia que Deus iria destruir os próprios sonhos que ajudou a criar, no entanto, não é esta a mensagem, pois se Deus algo nos tira, é para nos dar algo ainda melhor.

A prontidão da resposta de Abraão revela um homem que entrega, confia, obedece…

Sua obediência foi fonte de Bênção para todas as nações, e da mesma forma, será pelo nosso sim às coisas divinas, fazendo-nos  instrumentos da Bênção Divina para o outro.

Abraão nos ensina a confiar além da incompreensão. Com isto, é possível questionar qual a atitude que temos diante dos Mistérios de Deus em nossa vida.

Além da compreensão de tudo que somos incapazes, é preciso antes confiar e entregar-se, como Abraão, nas mãos da Divina Providência, que tudo sabe e tudo pode.

Tudo isto leva ao questionamento de nossa vida cristã, nossa fidelidade aos desígnios de Deus., de modo que a sua atitude nos convida rever nossas prioridades: fazer de Deus o valor máximo, a prioridade fundamental de nossa vida.

Não podemos servir a “deusinhos” e aos ídolos sedutores de tantos nomes, mas tão somente ao Deus Vivo e Verdadeiro, o Deus bíblico revelado por Jesus.

Deste modo, as qualidades de Abraão nos ajudam no Itinerário Quaresmal, na busca e prática da conversão necessária, para que possamos celebrar uma frutuosa e alegre Páscoa do Senhor.

Com ele, aprendemos a crer, contra toda falta de humana esperança, e também que a obediência a Deus não é sinônimo de escravidão, mas garantia de vida, prosperidade, felicidade e realização.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,31b-34), é fortalecida a nossa espiritualidade cristã, que consiste em percorrer o caminho do amor a Deus e aos irmãos: enfrentar os sofrimentos, fazer as renúncias necessárias, suportar as incompreensões e perseguições e, sobretudo, não perder a esperança no triunfo final.

O discípulo de Jesus sabe que sua esperança não é uma ilusão, pois se relaciona com um Deus que ama a todos com Amor intenso, imenso e eterno, e por isto, mantém a serenidade, a confiança e a esperança, marcando assim, todo o seu existir.

Na aparente orfandade, ouve no mais íntimo de si mesmo: “Não tenhais medo”, pois o Amor de Deus veio ao nosso encontro por meio de Jesus, que por nós viveu um Amor, profundo, radical e total: um Amor vitorioso que passou pela Cruz para ser vencedor.

Com a passagem do Evangelho (Mc 9,2-10),  refletimos sobre o Projeto Messiânico, que se realizará pela Cruz: com renúncias, o carregar da cruz no seguimento, escuta e obediência.

Poderiam indagar os próprios discípulos: “Vale a pena seguir alguém que nos oferece a morte na Cruz?”

O Evangelista, retratando a Transfiguração, nos assegura que sim, pois ela é um sinal antecipado da vitória, do triunfo glorioso da Ressurreição.

Assim compreendido, a Transfiguração no Monte é uma teofania – uma manifestação da força e onipotência divina que venceu a morte: não ficará morto para sempre o Filho Amado que nos amando, amou-nos até o fim.

Contemplemos algumas imagens que nos oferecem interessantes paralelos entre o Antigo e o Novo Testamento:

– O rosto transfigurado e as vestes brancas de Jesus lembram o resplendor de Moisés ao descer do Sinai, após o encontro com Deus em que receber as Tábuas da Lei;

– A nuvem na Bíblia sempre representa uma forma de falar da presença de Deus;

– Moisés e Elias, a Lei e a Profecia que se realizam;

– O temor mencionado revela a Onipotência Divina;

– As tendas lembram um novo Êxodo – passagem da escravidão à liberdade;

– Jesus é o novo Moisés, com Ele uma Nova e Eterna Aliança;

– A roupa branca também sinaliza a Ressurreição: a Cruz não terá e não será a palavra final.

O discípulo missionário do Senhor jamais poderá deixar se entorpecer por certo tipo de “anestesia espiritual”, que nos torna indiferentes diante dos outros.

No caminho de fidelidade a Jesus, não podemos esmorecer, fracassar, fugir ou abandonar a cruz que Ele nos ofereceu para ser carregada quotidianamente com renúncias necessárias.

Dando mais um passo em nosso itinerário quaresmal, ao ouvir a Palavra proclamada, seja acolhida no alto da montanha e na planície vivida.

Seja purificado o olhar de nossa fé, para que vejamos, além da transitoriedade da dor e do sofrimento, os sinais maravilhosos da Glória Celeste, e assim poderemos no final deste itinerário quaresmal, celebrar o transbordamento da alegria Pascal, a Ressurreição do Senhor.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda : http://peotacilio.blogspot.com/2020/03/a-gloria-e-precedida-pela-cruz.html

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