A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

“Olhando para o céu, suspirou e disse:

 “Effatha!”, que quer dizer “abre-te!”

No 23º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a acolher a Palavra que nos apresenta Jesus, Aquele que, em comunhão com o Pai, cura, liberta, toca-nos com Seu ser e Sua Palavra.

Mais uma vez contemplamos o querer de Deus: a vida e a felicidade da humanidade.

A passagem da primeira Leitura do Livro do Profeta Isaías (Is 35,4-7a), retrata a fase final do exílio do Povo de Deus na Babilônia , é clara a intenção do Profeta de consolar os exilados, desanimados, frustrados e mergulhados no desespero, com a confiança indispensável na ação e força de Deus.

É missão do Profeta recuperar a esperança sem desanimar, mesmo quando há tudo para recomeçar.

O Profeta assegura que Deus não se esqueceu de Seu povo, e somente com Ele começará uma nova história. Deus realizará um novo êxodo, solene, grandioso e pleno de vida.

Transformando situações de desespero em confiança e alegria; situações de imobilismo dão espaço para a luta, o engajamento, o comprometimento.

Ontem como hoje, é preciso entregar-se e comprometer-se com Deus. No contexto de pós-modernidade em que vivemos se contrapõem dois olhares: o olhar de fé e esperança e o olhar de desespero.

Reflitamos:

– Estamos sendo Profetas da esperança, da experiência amorosa de Deus?

Com a passagem da segunda Leitura (Tg 2,1-5), aprendamos a acolher os mais necessitados, com quem Deus Se identifica, superando toda forma de exclusão.

A comunidade não pode perder os autênticos valores cristãos, evitando toda e qualquer forma de discriminação, multiplicando ações concretas e fortalecendo o compromisso social e comunitário. É viva a comunidade quando vive uma fé operativa.

Como toda comunidade, as tentações do poder, ter e ser devem ser enfrentadas, fortalecendo o compromisso com os empobrecidos, os preferidos de Deus, que biblicamente são os frágeis, pacíficos, simples, humildes, disponíveis, despojados e possuem ânsia de libertação.

O acolhimento dos pobres exige o despir-se do orgulho e da autossuficiência acolhendo com humildade, simplicidade e fidelidade os dons de Deus.

Reflitamos:

– Como é a acolhida dos pobres em nossas comunidades?

– Há acepção de pessoas em nossas comunidades?

– Nossa comunidade dá testemunho de amor, bondade, misericórdia e tolerância para com os irmãos?

– O que fazemos para a superação da discriminação e marginalização?

Na passagem do Evangelho (Mc 7,31-37),  Jesus com Sua Palavra e ação cura, liberta e integra a pessoa na vida da comunidade.

Contemplamos a Salvação de Deus que se destina a todos os povos. A pessoa do surdo, que falava com dificuldade, representa aquele que estava à margem da salvação no mundo judaico.

A cura deste é uma catequese sobre a missão de Jesus que faz nascer em nós o Homem novo.

O Encontro com Jesus transforma a vida da pessoa que O acolhe. Abre os ouvidos à Palavra, abre os lábios para o anúncio. Cura de toda “surdez” que possamos conceber.

Encontrar-se com o Senhor implica em acolher, acreditar, converter, anunciar e testemunhar a Sua Palavra de Vida Eterna.

O Encontro com Cristo tira-nos da mediocridade e nos desperta para o compromisso, empenho e testemunho. Saímos de nosso isolamento empobrecedor, estabelecemos laços íntimos e fortes com Deus e fraternos com todos os nossos irmãos e irmãs.

A Evangelização será autêntica quando a Igreja sentir-se tocada pela Palavra de Jesus, e d’Ele se tornar fiel comunicadora.

A Igreja é comunicadora do grande “Efathá” do Senhor, ou seja, tem a missão de levar cada pessoa a sair do seu comodismo, fechamento e egoísmo, abrindo os olhos, ouvidos, boca, coração e todo o ser aos desígnios divinos.

Acolhendo com fé a Palavra de Deus nossos olhos se abrirão e na planície do deserto do desespero, das provações, nascerá, com certeza, a fina flor da esperança no coração da humanidade.

Em cada Eucaristia que celebramos, Jesus vem ao nosso encontro, nos toca com Sua Palavra e Sua Presença. Cada Eucaristia é uma passagem do Cristo Ressuscitado que nos toca e nos cura.

Urge Profetas curados pela Palavra do Senhor e fortalecidos pelo Seu Pão, Seu Corpo e Sangue, a Eucaristia, para que, em tempo de desolação e desânimo, comuniquem a aurora de Deus.

Após o sol poente, cremos que há a escuridão da noite e que ao amanhecer a esperança se renovará.

Entre o sol poente e o sol nascente, entre o sol nascente e o sol poente, é o tempo contínuo, ininterrupto da acolhida e vivência da Palavra do Senhor, para que, como criaturas novas, construamos relações de amor, fraternidade, bondade.

Reflitamos:

– De que modo se dá o nosso encontro amoroso e libertador com Jesus?

– De qual surdez precisamos ser curados?

– Como temos levado a cura de Jesus ao outro?

– Somos comunicadores de Sua Palavra?

Curados pela Palavra do Senhor, possibilitemos como discípulos missionários, que outros também alcancem esta graça, pois a cura e a libertação, a felicidade e vida plena, pois nisto consiste o querer de Deus para todos nós.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Como Igreja que somos, precisamos testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade, virtudes divinas que nos movem, sobretudo diante dos desafios da realidade em que nos encontramos.

Deste modo, abertos aos desafios da realidade em que a Igreja encontra-se inserida, urge testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade, virtudes divinas que nos movem.

Vivendo em comunidade, a nossa fé deve ser sempre iluminada pelo exemplo das primeiras comunidades fundadas pelos apóstolos: “As comunidades eram perseverantes na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração” (At 2, 42-45).

Para tanto, todo o itinerário do discípulo, desde o chamado, deve ser  sempre vivido na comunhão com o Mestre, que se desdobra, necessariamente, na comunhão com os outros, de modo que a dimensão comunitária é fundamental na Igreja, pois se inspira na própria Santíssima Trindade, a perfeita comunidade de amor.

Sem comunidade, não há como viver autenticamente a experiência cristã, e a Paróquia tem o grande desafio de ser este espaço, como nos afirmou a Conferência de Aparecida (2007): “Entre as comunidades eclesiais, nas quais vivem e se formam os discípulos e missionários de Jesus Cristo, sobressaem as Paróquias. São células vivas da Igreja e o lugar privilegiado no qual a maioria dos fiéis tem uma experiência concreta de Cristo e a comunhão eclesial. São chamadas a ser casas e escolas de comunhão”.

A Conferência manifesta o desejo de uma valente ação renovadora das Paróquias, a fim de que sejam “espaços da iniciação cristã, da educação e celebração da fé, abertas à diversidade de carismas, serviços e ministérios, organizadas de modo comunitário e responsável, integradoras de movimentos de apostolado já existentes, atentas à diversidade cultural de seus habitantes.” (n. 170).

Não podemos nos acomodar, pois grande é o desafio da evangelização, a fim de que a Palavra do Senhor seja a todos os povos anunciada, e tenhamos Paróquias em contínuo processo de conversão, e comunidades que sejam verdadeiras escolas da comunhão e de amor à vida, construindo laços fraternos e eternos, iluminados pela Palavra, nutridos pela Eucaristia.

Num tempo marcado por incertezas e tantos desafios, como alegres e convictos discípulos missionários, devemos empregar todo esforço e recursos na necessária conversão das estruturas de nossas paróquias, para que, como espaço privilegiado da presença e do encontro com o Senhor, elas se coloquem a serviço da vida plena e definitiva.

É preciso que continuemos o aprofundamento sobre as estruturas das Paróquias, e a necessária conversão, a fim de que nossas comunidades sejam, verdadeiramente, casas do Pão da Palavra, do Pão da Eucaristia e do Pão da Caridade, uma Igreja discípula, profética, missionária e misericordiosa, e como nos falou o Papa Francisco – “uma Igreja em saída”, presença nos mais diversos espaços, sobretudo nas periferias existenciais.

Dom Otacilio F. de Lacerda.

Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom Otacilio F. de Lacerda.

Com a Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano B), aprofundamos como deve ser uma verdadeira religião que agrade a Deus, que pressupõe o contínuo esforço de conversão para que tenhamos pureza de coração, pois como o próprio Senhor disse “somente os puros de coração verão a Deus” (Mt 5,8).

Na passagem da primeira Leitura (Dt 4,1-2.6-8), Moisés acentua o compromisso do Povo com a Palavra de Deus e Sua Aliança, numa sincera acolhida e vivência de Sua Lei.

A Lei Divina deve ser vivida como expressão de gratidão a Deus; ainda mais porque ela é garantia de felicidade e liberdade, para concretizar os sonhos e esperanças do Povo Eleito e amado por Deus. Não se pode adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais.

Não se pode adaptar, amenizar, suprimir e nada acrescentar à Palavra de Deus.

Alguns perigos que nos acompanham:

– o esvaziamento da radicalidade da Palavra;

– cortar (omitir) seus aspectos mais questionadores;

– fazermos ou dizermos coisas que não procedem de Deus;

– de cair num ativismo em que sacrificamos o tempo do silêncio orante diante de Deus, na acolhida de Sua Palavra;

– esvaziamento de seu conteúdo por causa do cansaço, da perda do sentido e consequente falta de espiritualidade e intimidade com a Palavra de Deus.

Na passagem da segunda Leitura, Carta de São Tiago, (Tg 1,17-18.21-22.27), refletimos sobre a inseparável relação  entre fé e obras.

A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva). E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É necessária a superação da frieza, do legalismo e do ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes da mesma, não nos enganando a nós mesmos.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plena.

A passagem do Evangelho (Mc 7, 1-8.14–15.21-23) nos convida à pureza de coração.

O discípulo de Jesus não pode tão apenas “parecer” é preciso “ser” sinal vivo da presença de Deus.

Não basta parecer justo, tem que ser justo; não basta parecer piedoso, tem que ser piedoso; não basta parecer verdadeiro, tem que ser verdadeiro…

Mais que uma “carapaça exterior” é preciso de uma “coluna vertebral interior”. 

A verdadeira religião não vive de aparências, e exige de cada crente uma sólida e forte estrutura para suportar o peso da cruz, a coragem do testemunho, a coerência de vida, o esforço contínuo de conversão, a solidariedade constante, caminho que não tem volta e tem apenas um destino: o céu.

Os mestres da Lei e os fariseus tinham aproximadamente 613 preceitos a cumprir (365 proibições e 248 prescrições). O povo simples, por não os conhecer, nem os praticar, era considerado impuro, e este será um tema de grande polêmica entre Jesus e os fariseus em vários momentos.

Para Jesus importa a pureza interior, a pureza do coração que é a sede de todos os sentimentos, desejos, pensamentos, projetos e decisões.

Jesus afirma: o que torna o homem impuro é o que sai de seu coração (apresenta uma longa lista) e não o que entra pela sua boca.

É do coração humano puro que nasce uma autêntica religião, a religião do coração, da intimidade profunda com Deus.

As Leis da Igreja não têm fins em si mesmas, mas garantem a nossa comunhão com Deus e com o próximo, na concretização do Reino.

É preciso dar mais tempo à Palavra de Deus, em frutuosa Oração e reflexão, que fará brotar novas atitudes e compromissos com Deus e o Seu Projeto para a Humanidade.

É tempo de cultivar maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus para que produzamos os frutos por Deus esperados.

PS: Fonte de pesquisa – www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em https://peotacilio.blogspot.com/2020/08/nossa-pratica-religiosa-agrada-deus.html

“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“A quem iremos, Senhor?”

Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre nossas opções, sobre o discernimento que devemos fazer entre os valores passageiros e os valores eternos.

A passagem  primeira Leitura do Livro de Josué (Js 24,1-2a.15-17.18b), por volta do século XII a. C, retrata sua fase final.

É uma catequese sobre o poder de Javé a serviço do povo. Este precisa aceitar os dons divinos e corresponder com fidelidade à Aliança com Deus e aos Mandamentos, de modo que o Povo de Deus não pode ser seduzido por outros deuses.

Renovar sempre os compromissos com Javé é certeza de vida e liberdade. Somente em Deus e com Ele se pode encontrar a vida em plenitude.

Jamais prescindir de Deus é a grande mensagem desta passagem para a História da Humanidade em todo o tempo.

Preciosa é a afirmação de Josué na escolha: “Nem que todos Te abandonem, eu e minha família, não abandonaremos”. Josué é o modelo de líder: vive o que fala, assume e testemunha…

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda leitura, Carta aos Efésios (Ef 5,21-32), fala das consequências daquele que faz sua adesão a Cristo, e apresenta a família como espaço do aprendizado dos valores do Reino: partilha, amor, união.

O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Uma relação de amor, doação, serviço e edificação do outro. Paulo estabelece um belíssimo paralelo: o amor dos esposos comparado com a relação do Amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo.

A vida conjugal, “ser uma só carne”, é o empenho quotidiano de viver neste amor e fidelidade, na partilha de toda a vida, com suas dores e alegrias, angústias e esperanças.

Viver o Batismo implica sempre em viver como Homens novos, e a família se torna o espaço privilegiado, e primeiro de aprendizado das normas e valores do Reino.

Na passagem do Evangelho (Jo 6,60-69), vemos a contraposição de duas lógicas: a humana e a divina.

Há uma lógica do poder, ambição e glória, e há a lógica da ação do Espírito que é caminho do amor e do dom da vida.

A preocupação do Evangelista é assegurar que o caminho da fidelidade é árduo, mas garante a vida plena. O contexto era de perseguição, afastamento, recusas, esmorecimentos, fragilização da fé.

A opção por Jesus é radical e exigente, deve ser feita com toda a liberdade, abrindo-se à ação do Pai com a força e luz do Espírito.

A comunidade deve amadurecer, pois não está livre de ver desertores. A proposta de Jesus é clara: ou se aceita, ou se rejeita. Há somente um caminho: amor, serviço, partilha e entrega da própria vida.

A resposta de Pedro deve ser sempre a nossa resposta na tomada de decisão diante do Senhor: “só Tu tens Palavras de vida eterna”.

O discípulo de Jesus não sabe o que é uma “vida morna”. Serve-se a Deus ou ao diabo; a Deus ou ao dinheiro.

Não se pode atenuar, amenizar, fragilizar a proposta de Jesus. Não existe uma visão “light” do cristianismo.

A opção por Ele deve ser sempre revisada, renovada. Não há lugar para preguiça, acomodação e instalação.

Não se pode suavizar as propostas de Jesus, nem desvirtuar o Evangelho para agradar o mundo, as pessoas, para que não haja perda de adeptos. Evangelho é a Boa Nova que não pode ser traída para agradar uns e outros.

Cristão, portanto é quem aceita o seguimento de Jesus Cristo e não impõe condições, mas aceita, acolhe e se empenha, na vigilância e na Oração, a viver esta Boa Nova até o fim, no bom combate da fé até que mereça a glória nos céus receber.

Participar da Missa, ouvir a Palavra e receber a Eucaristia são atitudes que devem marcar toda a nossa existência, e assim, aderirmos a Jesus Ressuscitado com todas as fibras do nosso ser.

Aprendamos com Josué e sua família, com o Apóstolo Paulo, o Apóstolo Pedro, como bem nos ilumina a Palavra proclamada.

Alimentar e testemunhar a fé é preciso, como também é preciso discernir e ser fiel até o fim.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

A missão e o Alimento indispensável – Homilia 19º Domingo Comum – Ano B

A Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum (ano B), continuamos a refletir sobre um tema de extrema importância: Jesus é o Pão da vida plena e definitiva.

Somos convidados a deixar de lado o orgulho e a autossuficiência e acolher, com alegria e gratidão, os dons divinos.

Na passagem da primeira Leitura (1Rs 19,4-8), contemplamos a solicitude de Deus para com Seus Profetas.

Refletimos sobre a vocação de Elias, que trava grande batalha contra Baal (ídolo) em total fidelidade a Javé (o Deus vivo e verdadeiro). Elias, um grande Profeta e defensor da fidelidade a Javé.

A passagem nos fala da perseguição por ele sofrida, após vencer Baal e os seus 400 profetas. Como todo Profeta, Elias é frágil, finito e experimenta a solicitude de Deus. Ele fica abatido, deprimido, solitário e incompreendido; procura reencontrar forças para continuar sua missão.

A experiência de Elias pode ser a nossa experiência: fragilidade, debilidade, desilusão e decepção.

Elias é o testemunho vivo de que somente de Deus pode vir a força de que tanto precisamos.

Deus não nos dispensa de sacrifícios, mas indica o caminho a seguir e nos dá força na caminhada. Como Elias, precisamos de momentos de revigoramento espiritual para o bom combate da fé. É preciso refazer-se, continuamente, para êxito alcançar na missão de cada dia.

Questionemo-nos sobre o que nos alimenta e nos sustenta na caminhada de fé. E que, a exemplo do Profeta, tão somente em Deus coloquemos nossa confiança e esperança.

Na passagem do Evangelho (Jo 6,41-51), Jesus é nos apresentando como o Pão que sacia. Isto implica em adesão a Ele e às Suas propostas.

Acreditar, aderir, aceitar a proposta e a Pessoa de Jesus, como homem novo, como vemos na passagem da segunda Leitura (Ef 4,30-5,2).

Crer em Jesus e aderir à Sua proposta são atitudes inseparáveis. Somente assim alcançaremos a verdadeira felicidade, discernindo entre o transitório e o eterno.

Se procurarmos a Deus, encontraremos o Pão de Eternidade, Pão da Verdadeira felicidade. Se d’Ele saciados, não precisaremos de muitas coisas para sermos felizes.

Refletimos, portanto, sobre a bondade, a ternura e o Amor de Deus para com Seu povo. Ele alimenta, revigora e realiza os anseios mais profundos de todos nós.

Deus espera que tenhamos abertura, disponibilidade, acolhimento, e nos oferece o que tem de melhor: Jesus, Seu Filho, o Pão da Vida que alimenta.

Quando O recebemos na Eucaristia, inseparavelmente de Sua Palavra e Projeto, e nos empenhamos em vivê-La, somos verdadeiramente criaturas novas, homens novos, vivemos a graça do Batismo.

Para além das dificuldades da missão, Deus nos alimenta e nos sustenta. Não estamos sós, nem tão pouco famintos e condenados à inanição espiritual.

Deus nos chama para a Missão e nos sacia com o Pão que veio do Céu. Isto acontece em cada Banquete Eucarístico que participamos.

É preciso renovar sempre nossas forças, pois somente nutridos pela Palavra e inebriados pelo Sangue do Senhor, partícipes do Seu Cálice Sagrado, é que continuaremos, passo a passo, rumo à eternidade, em renovados compromissos com o Reino por Ele inaugurado.

Homens novos, morada do Espírito que somos, exige que eliminemos atitudes de azedume, irritação, cólera, insulto, maledicência e toda espécie de maldade. É preciso que multipliquemos atitudes próprias de quem se configura a Cristo, imitando Sua perfeição, bondade e Amor.

Partícipes da Mesa Sagrada, alimentemo-nos d’Aquele que Se dá sobre ela: Jesus.
Reflitamos:

– Jesus dá-se na Palavra e na Eucaristia, de que mais precisamos?

– Recebendo-O no Pão da Palavra e no Pão da Eucaristia (Corpo e Sangue do Senhor), o que melhor poderia Deus nos oferecer?

– Caminhando com Ele, para Ele, crendo e aderindo à Sua Palavra e Projeto, d’Ele se alimentando em cada Eucaristia, do que mais precisamos?

Não estamos sós. Jesus vem sempre ao nosso encontro, quer na Palavra, quer no Seu Corpo e Sangue, verdadeira Comida, verdadeira Bebida.

Temos fome e sede de Deus – XVIII Domingo do Tempo Comum

Com a Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre o Jesus, o Pão da Vida, e, de modo especial, a ação de Deus que nos dá a vida eterna e definitiva.

Na passagem da primeira Leitura (Ex 16,2-4.12-15), o Povo de Deus caminha pelo deserto, e é convidado à superação da mentalidade estreita e egoísta e abertura para uma nova mentalidade e novos valores.

É preciso dizer não à resignação, ao comodismo, à instalação e à mediocridade, rumo à liberdade e à vida nova.

De nada adiantam murmurações infundadas, que são expressão de endurecimento do coração, acompanhadas da ingratidão que não reconhece a intervenção divina em favor de vida e da liberdade.

O Povo precisa abrir-se para reconhecer a solicitude, o cuidado e Amor de Deus, para que seja um povo, adulto, consciente, confiante, responsável e mais santo.

Há uma mensagem a ser acolhida: Deus caminha conosco pelo deserto da vida, conhece nossos limites e necessidades e nos conduz à terra da liberdade e da vida verdadeira.

É preciso que confiemos em Deus, a rocha segura, (no Novo Testamento é o próprio Cristo – Mt 7), que comamos pão de cada dia que Ele nos oferece, numa entrega confiante e serena, certos de Sua presença em nossas crises e dramas, e somente n’Ele encontraremos segurança e respostas.

A passagem da segunda Leitura é um texto parenético (pregação), que o Apóstolo Paulo nos apresenta na Carta aos Efésios (Ef 4,17.20-24).

O Apóstolo nos assegura que o encontro com Cristo leva a uma mudança radical diante de Deus, de si mesmo, do próximo e do mundo.

Fazer morrer o homem velho (debilidade, mediocridade, futilidade) e viver como homem novo (verdade, justiça, misericórdia, bondade, humildade, alegria, simplicidade e santidade), de modo que, homem novo é um processo inacabado, a cada minuto tudo começa novamente…

Evidentemente que não se trata de uma adesão intelectual, mas vivencial:

“Só se dá uma mudança verdadeira quando esta é fruto de um encontro decisivo, capaz de questionar a maneira de ser de uma pessoa, levando a uma reflexão e a uma análise de todos os seus valores de referência. A fé cristã consiste substancialmente num encontro assim, ou seja, na descoberta d’Aquele que tomou opções radicais e as levou a termo à custa do próprio Sangue”. (1)

E ainda podemos citar estas iluminadoras palavras sobre o verdadeiro cristianismo:

“O Cristianismo não propõe um conjunto de verdades que devem ser aceitas, nem uma moral mais exigente que se deve praticar sem discutir. Pelo contrário, é um convite à solidariedade com Aquele que soube amar com uma força tal que envolve muitos outros na Sua caminhada”. (2)

Com a passagem do Evangelho (Jo 6,24-35), vemos que acolher Jesus e Sua Pessoa, comer do Pão da Vida que Ele mesmo é e nos oferece, é a adesão incondicional à Sua pessoa e propostas, no mais profundo de nosso coração, certos de que somente Deus pode saciar nossa fome de transcendência, de amor, de felicidade, de justiça, de esperança, e tudo mais que for bom e necessário para a existência humana.

Para o discípulo missionário é uma lição de amor a ser aprendida: viver a vida como dom na partilha, na doação.

Acolher a proposta de Jesus leva inevitavelmente à multiplicação de gestos simples em favor da vida.

Adesão à Sua pessoa e proposta, acreditar na mesma acolhendo Sua Palavra, e vivê-la com todo empenho e ardor.

Não podemos seguir o Senhor “iludidos”, mas com profunda e frutuosa convicção, superando quaisquer equívocos, do contrário não se persevera e não se vive o que Ele nos propõe e tão pouco alcançamos a felicidade, e ainda nos distanciamos do fim último que ansiamos: a eternidade.

Reflitamos:

– Deus vem ao nosso encontro todos os dias. Nós acolhemos este encontro?

– Corremos avidamente e decididamente para este encontro?

–  Sentimos a presença de Deus que sempre caminha com seu Povo?

–  Qual a verdade da nossa adesão a Jesus, Sua Pessoa, Sua Palavra e Seu Projeto?

– Vivemos como Homens Novos assumindo tudo aquilo que lhe é próprio?

–  Temos procurado na Mesa da Palavra e na Mesa da Eucaristia o Pão necessário para nossa vida?

– Alimentados por Cristo, Pão da Vida, Pão de eternidade, quais são os  nossos compromissos com aqueles que são privados do pão do quotidiano?

A adesão incondicional ao Senhor nos faz

Homens Novos, com nova mentalidade e atitudes.

Nisto consiste a exigência da Vida Nova em Cristo

desde o dia de nosso Batismo.

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – pág. 35.

(2) Idem – pág. 37

A insustentabilidade dos horizontes fragmentários

Qual é o lugar que concedemos a Deus na nossa vida? Na cultura contemporânea está presente um indubitável processo de marginalização da fé. Deus parece não ter muito a dizer acerca das últimas esperanças, sob re projetos decisivos.

Talvez porque, fechados em horizontes fragmentários, renunciamos a estabelecer metas de grande fôlego. Eis que a realidade religiosa é reduzida a um mero adorno, a objeto de dissertação

pseudo-intelectual, a mera curiosidade…”

Os dias passam velozmente ou as atividades nos envolvem plenamente?

Quando damos conta, foi-se o dia, a semana, o mês e mais um ano.

O que fizemos ou deixamos de fazer corroem nossa mente e coração:

A visita que não foi feita, a atenção que não se deu, a promessa que não se cumpriu, a meta pela qual não se aplicou como deveria….

O contato adiado, bloqueado, congelado para quando o tempo se multiplicar.

Mas o tempo não se multiplica, é sempre o mesmo tempo. O que com ele fazemos?

Às vezes não dando conta dos horizontes fragmentários e sua insustentabilidade, com projetos para um dia, planos para agora, sem mesmo a mínima projeção.

Vive-se para o tempo chamado momento, com a perda da linha da história, logo esvaziamento.

Mas bem diferente é o que Deus de nós espera:

Que tenhamos metas, sonhos, projetos, perspectivas.

Confiança, perseverança, entrega, empenho, determinação, concretização…

Horizontes fragmentários hão de ceder lugar a horizontes mais plenos e completos.

Contemplemos a próxima existência individual (eternidade), social (um mundo novo possível) e cósmica (planeta e a ética do cuidado).

 

Cessem os horizontes fragmentários!

Inauguremos horizontes mais universais.

Rompamos todo egoísmo, derrubemos eventuais máscaras,

Redescubramos em cada ser a divina presença.

Há perspectivas. Ainda há sonhos. Ainda há quem não ceda e multiplique pesadelos.

Há quem olhe para o mundo com olhar de poeta e coração de profeta. Sem medo e com ousadia; sem deserções e malévolas covardias…

É o tempo por Deus dado. É o tempo por nós a ser vivido e preenchido, dando a cada segundo um quê de beleza e sentido.

Não haverá fragmentários horizontes para quem do Verbo se nutre no Pão da Eucaristia, porque iluminado por uma indispensável Palavra que transforma trevas na mais bela luz do dia.

Há saídas, há perspectivas…

Não nos entreguemos,

Irmanemo-nos.

Erradiquemos todos os ruídos que destroem o silêncio da alma.

Não apenas tenhamos saudades do Éden (o que de nada adiantaria),

É preciso redescobri-lo, construí-lo, enquanto ainda é dia…

É preciso pensar global e agir local.

À luz da fé que professo: pensar globalmente sob a inspiração do Espírito, na fidelidade ao Deus Único que nos criou e por tanto em nós confiar, prolongadores da ação do Verbo, agir localmente, em pequenos e grandes compromissos inauguradores de novos horizontes não mais fragmentários, mas que abrace a tudo e a todos.

Dom Otascilio F de Lacerda.

Eucaristia: O milagre do amor e da partilha XVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

Com a Liturgia do 17º Domingo do Tempo Comum (ano B), contemplamos a ação de Deus: é próprio do Seu Amor vir sempre ao nosso encontro saciando nossa fome de amor, liberdade, justiça, vida, esperança e paz.

A Liturgia da Palavra é um grito profético: não tem sentido a morte pela fome. Infelizmente, a fome no mundo não depende da falta de alimentos, mas é resultado do egoísmo, do acúmulo, por parte de poucos, das riquezas que Deus colocou à disposição de todos.

A fome não é um problema criado por Deus, mas por nós. Se as lições divinas aprendermos, de fome de pão material e espiritual ninguém nunca mais morrerá.

Temos a graça de refletir quais são nossas “fomes” e como procuramos saciá-las, sem jamais perder o sentido da mais preciosa fome que possamos ter, como acima mencionamos, e somente com Jesus, Pão da Vida e da Eternidade, é que ela será plenamente saciada.

Com a passagem da primeira Leitura (2Rs 4,42-44), refletimos sobre o gesto de acolhida, amor e partilha, feito pela viúva, que acolhendo a pessoa do profeta, acolhe o próprio Deus.

A passagem bíblica tem como cenário um período bastante conturbado da História do Povo de Deus. Um contexto de infidelidade e injustiça; a oposição da idolatria (Baal) e a adoração ao Deus vivo e verdadeiro (Javé).

Elizeu fazia parte de uma comunidade de filhos de Profetas, que viviam pobremente como seguidores incondicionais de Javé. Tem como missão apontar Deus, que verdadeiramente sacia a fome da humanidade, não promovendo espetáculos, mas nos pequenos gestos de partilha, doação e solidariedade, e quer contar conosco para ir ao encontro dos irmãos mais necessitados, oferecendo a vida em abundância.

Contemplamos o grande paradoxo: a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas geram vida em abundância. Passa-se do egoísmo à partilha, da partilha à sobra.

Esta experiência vivida inspirará os autores dos Evangelhos para falar da multiplicação dos pães.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 4,1-6), o Apóstolo Paulo nos apresenta a figura do Homem Novo que abandona todo egoísmo, orgulho e autossuficiência para cultivar atitudes de humildade, mansidão e paciência.

A passagem é a “Carta do cativeiro”, uma sólida catequese paulina, uma síntese de seu pensamento, e com ela refletimos sobre quais devem ser os compromissos a serem vividos com Cristo, para que sejamos, de fato, criaturas novas: união, humildade, mansidão, paciência, unidade (dom de Deus e empenho humano) que se fundamenta na comunhão da Trindade Santa. A comunidade deve estar sempre vigilante, superando manifestações de rivalidade, inveja, ódio, divergência, divisões e ciúmes. Qual comunidade está isenta destes males que a desfigura?

Mais uma vez, voltamos a refletir sobre os muros a serem destruídos dentro de nossas famílias, comunidades e mundo, e quais são as pontes de unidade e de paz a serem edificadas.

Com a passagem do Evangelho (Jo 6,1-5), refletimos sobre a lógica do Reino, que se funda na partilha, em oposição à lógica do mundo, que é o egoísmo.

É o grande convite à generosidade e à partilha. Evidentemente que o sinal feito por Jesus tem matizes da Eucaristia que instituirá pouco mais tarde.

Aprendemos, em cada Ceia Eucarística celebrada, que o pão é insuficiente, quando cada um procurar saciar somente a sua fome, mas se multiplicará sem medida, abundantemente, quando todos estiverem dispostos a colaborar, a fim de que ninguém fique privado do que lhe é próprio.

Deste modo, o Evangelista apresenta a ação libertadora de Jesus como o novo Moisés. Jesus é o Pão que sacia a sede de vida da humanidade. Não mais a travessia do Mar Vermelho, mas agora a grande travessia, a Páscoa da Libertação.

Deus realizou a Antiga Aliança com Moisés, e agora, Jesus no Monte é o Sinal e o realizador da Nova e Eterna Aliança.

Lá, Moises recebe a Palavra, os Mandamentos; aqui, Ele é a própria Palavra, não apenas o Mandamento do Amor, mas a própria fonte e expressão máxima do Amor: Jesus.

Jesus revela a face de Deus, e nos convida a não fugirmos da responsabilidade. Revela o rosto de Deus, um rosto de bondade que é atento às necessidades do povo. Jesus é o próprio Deus que Se revestiu de nossa humanidade e vem ao nosso encontro para nos revelar o Amor Trinitário.

A comunidade de Seus seguidores é chamada sempre ao abandono dos velhos esquemas, e a abrir-se sempre ao novo: amor e partilha.

Não podemos jamais nos omitir diante dos clamores dos empobrecidos. É preciso construir uma sociedade nova, não mais a sociedade da carência, mas a sociedade da saciedade, onde ninguém é privado do essencial para viver.

Em Jesus, o povo vê Aquele que vai ajudar a superar a miséria e a escravidão. Somente n’Ele há esperança de um novo tempo.

Na multiplicação dos pães, no Evangelho proclamado, cinco pães e dois peixes, igual a sete, que significa totalidade.

Temos tudo para saciar a fome da multidão, nada nos falta.   A sobra recolhida e guardada, sem desperdício, implica que a missão é inacabada e será sempre necessária uma nova partilha.

Questionemo-nos:

–  Cremos no milagre do amor e da partilha?

–  Quais são os peixes e pães que temos para partilhar, para que o milagre da multiplicação de Deus aconteça?

–  Nossas Eucaristias celebradas têm levado a compromissos irrenunciáveis com a fome dos empobrecidos?

– Temos procurado Jesus, no Pão da Palavra e da Eucaristia, para saciar a nossa fome?

– Vivemos como criaturas novas, na humildade, bondade, paciência?

– Cremos na divina providência ou nos inquietamos por qualquer coisa?

– O que é preciso para que haja menos inquietação, mais confiança e compromissos solidários com o mundo novo?

Concluindo, ninguém pode dizer que nada tem para oferecer. Sempre temos algo que podemos dar ao outro para fazê-lo melhor: amor, amizade, tempo, atenção, sorriso.

Quando nos colocamos nas mãos de Deus com toda a confiança, abrimos nosso coração e mãos, oferecemos o que de melhor temos, e Deus, na sua infinita onipotência e bondade, faz o milagre acontecer.
Não nos ocorra de ficarmos esperando que Deus tudo faça. Partilhemos nossos pães e peixes e teremos muitíssimo mais a oferecer.
Quem a Deus ama e confia, confiando se entrega, se entregando recebe, e recebe, imensuravelmente, já nesta vida e na vida eterna.
Oremos:

“Deus, Nosso Pai, que quisestes simbolizar no Pão abundante a Salvação que colocais à disposição de todos os seres humanos, fazei que possamos recebê-Lo nesta Celebração comendo juntos, em unidade de mente e coração, o Corpo do Vosso Filho.

Só assim poderemos partilhar o que nos dais, contribuindo para que ninguém fique privado do alimento necessário. Amém!”.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda à

“Confirma a caridade para consolidar a unidade”

“Confirma a caridade para consolidar a unidade”

Reflitamos à luz deste parágrafo do Sermão sobre os pastores, escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc. V), em que retrata o diálogo de Jesus com Pedro, antes de lhe confiar o rebanho a ser apascentado, como vemos na passagem do Evangelho de João (Jo 21,15-17):

“Querendo, pois entregar as ovelhas, mas não como se confiasse a outro, que lhe diz antes? Pedro, tu me amas? Respondeu ele: Eu te amo. De novo: Tu me amas? E respondeu: Amo. Pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu: Amo. Confirma a caridade para consolidar a unidade. É ele, portanto, que apascenta; Um só neles e eles no Único”.

Confirmar a caridade para consolidar a unidade, eis a missão de Pedro e seus sucessores, bem como de todo Bispo frente ao seu rebanho.

Rezemos para que todos os Bispos tenham êxito nesta missão, não medindo esforços, para que toda a Igreja a ele confiada faça progressos maiores ainda na prática do Mandamento do amor a Deus e ao próximo, edificando e solidificando a unidade, em comunhão plena e fecunda no Senhor.

Conduzamo-nos, como Igreja pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para os anos 2019-2023 (Documento n.109 da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que orienta e firma nossos passos:

“EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”.

Esta acolhida fecunda, iluminando nossas avaliações e planos de Pastoral, muito ajudará, para que confirmemos a caridade e consolidemos a unidade do rebanho, e com isto fortaleçamos os pilares da evangelização: pilar da Palavra, do Pão, da Caridade e da ação Missionária.

Dom Otacilio F. de Lacerda.

A incomparável Compaixão Divina – Homilia – 16º Domingo do Tempo Comum ( Ano B)

Com a Liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre o Amor e a solicitude de Deus para com o Seu rebanho, verdadeiramente, uma compaixão incomparável.

Deus mesmo é quem promete ser o próprio Pastor, conforme a primeira Leitura do Livro do Profeta Jeremias (Jr 23,1 -6).

O Profeta Jeremias é a voz incompreendida que clama pela conversão e fidelidade do Povo a Deus e ao Seu Divino Projeto Libertador. Por isto é considerado o “Profeta da desgraça”.

Ele denuncia a ação dispersiva dos pastores do seu tempo, e anuncia a pertença do Povo a Deus. Fala da intervenção divina através da repatriação dos exilados (a volta do exílio); a escolha de pastores exemplares e a vinda do Messias.

Já não mais ficarão perdidos e abandonados ao sabor dos ventos e dos mares, dos interesses inescrupulosos de seus pastores, de suas autoridades.

Com Jeremias, aprendemos a confiar em Deus mantendo, nas adversidades, a alegria, a serenidade, a esperança e a paz, e, de modo muito especial, a não usar o povo que nos foi confiado em benefício próprio.

Reflitamos:

– Como acolhemos e vivemos a proposta de Jesus no cuidado daqueles que nos foram confiados, dentro e fora da Igreja?

Na passagem da segunda Leitura (Ef 2,13-18), refletimos sobre a   missão dos discípulos, que são, por sua vez, continuadores da Missão do Senhor, unidos por amor, sem barreiras e divisões, porque estas foram superadas pela vida e missão do Senhor Jesus.

Da prisão, o Apóstolo Paulo escreve aos Efésios, e sua “Carta Circular” é enviada a várias Igrejas da Ásia Menor, através de Tíquico, o portador, por volta dos anos 58/60.

A Carta tem como tema central o que Paulo chama de Mistério do Projeto Divino para o Seu povo, desde a eternidade e o papel de Jesus Cristo neste Projeto: romper os muros que nos separam, formando um só povo.

Responder à proposta de Jesus é passar a integrar a comunidade dos santos, como homens novos, acolhendo e comunicando a salvação que se destina a todos.

É preciso edificar comunidades que se abram à proposta de Deus, deixando-se transformar por Sua proposta de Amor. Ser, de fato, uma comunidade de irmãos e irmãs que se amam, quebrando as barreiras, vivendo na unidade e na fraternidade universal.

Reflitamos:

– Quais são os muros a serem destruídos dentro e fora da comunidade?

– Quais são as pontes que devemos construir para solidificar a unidade e a fraternidade universal?

– Nossa comunidade deixa-se transformar pela proposta amorosa de Deus?

Na passagem do Evangelho (Mc 6,30-34), refletimos sobre o regresso dos discípulos que foram enviados em missão, entusiasmados pelos resultados, mas cansados, naturalmente.

Jesus compreende e os convida ao recolhimento, a gozar da intimidade com Ele, recuperando as forças, para não caírem num ativismo que esvazia a vida de sentido e dinamismo.

É preciso estar sempre refeito e disposto para colocar-se com alegria a serviço do rebanho sofrido do Senhor, e nisto consiste a essência de toda atividade pastoral. De modo que podemos dizer: “tal Cristo, tal cristão”.

Reflitamos:

– Vivemos num ativismo descontrolado?

– Nossas atividades não são, por vezes, de funcionários eficientes tão apenas?

– Nossas atividades são revigoradas por uma genuína espiritualidade?

– Qual o perigo da fadiga, cansaço, desânimo, diante dos muitos desafios e das respostas que devemos dar diante do povo?

– Diante do rebanho, temos a humanidade e a sensibilidade de Jesus?

– Nosso coração e consciência doem diante dos clamores que brotam da vida do povo simples de nossas comunidades?

– O que procuramos fazer em resposta a estes clamores?

Nisto consiste o eterno ciclo na vida do discípulo missionário do Senhor por força de seu Batismo: envio, missão, cansaço, descanso, renovação, continuidade.

Começar e recomeçar sempre, sem desânimo, revigorados no Banquete da Palavra e da Eucaristia, a serviço do Reino, até que alcancemos a glória da eternidade, e então brilharemos com os  justos no Reino do Pai, conforme o Senhor nos assegurou.

A Palavra do Pastor
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