A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Presbítero: Homem da Palavra e de palavra

O sopro do Concílio nos desafiou a assumir as alegrias e tristezas, angústias e esperanças da humanidade, como Igreja de Cristo. Tudo o que há de humano, toca a vida da Igreja, consequentemente, o Ministério Presbiteral.

Deste modo, as comunidades esperam do presbítero uma palavra, não uma palavra qualquer, paliativa, provisória, mas uma palavra divina, inspiradora e fonte para a busca de novos horizontes, no embate quotidiano.

A cada instante, as mais diversas situações vividas pelo Povo de Deus pedem uma palavra. Diante de um nascimento, a gratidão a Deus pelo dom da vida; no processo educativo das crianças, compartilhamos a missão dos pais; na ausência da saúde, a palavra de bênção e encorajamento; na hora da agonia, uma palavra de carinho e esperança; quando tudo parece escuridão, uma palavra que se faz uma centelha de luz; na insegurança que nos acompanha, uma palavra de confiança d’Aquele que jamais nos decepciona: “provai e vede como o Senhor é bom, feliz quem n’Ele encontra o seu refúgio” (Sl 34,9); nas questões emergentes uma palavra ética, que assegure a sacralidade da vida; na hora derradeira, na hora da morte, a palavra que aponta à eternidade; à glória da Ressurreição.

Os presbíteros são por excelência ministros de um Deus vivo e Ressuscitado, que quer vida plena para todos, desde o tempo presente, culminando na luz da eternidade, manifestação da plenitude do Amor de Deus. O presbítero é testemunha de que o céu é possível, e começa agora, aqui, e completa-se na Jerusalém Celeste.

Lembremos sempre as palavras pronunciadas pelo bispo, no dia da Ordenação Diaconal, quando entrega ao candidato o Livro dos Santos Evangelhos e diz: “Recebe o Evangelho de Cristo do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”.

Desde então, e para sempre, o presbítero se torna o homem da Palavra e há de ser sempre um homem de palavra!

 Dom Otacilio F. de Lacerda.

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Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice!

Todos os dias são dias de missão, e a Igreja que vive no tempo é missionária, por sua natureza, tendo sua origem no Espírito Santo, o grande protagonista da Evangelização, na realização do Plano de Deus, sendo sal e luz de um mundo novo.

Viver a missão de cada dia é fortalecer a relação entre culto e vida: a vida celebra-se, o culto vive-se.

Cada tempo nos apresenta desafios e espaços próprios; segredos a serem descortinados; fronteiras a serem alcançadas; horizontes a serem ampliados.

Santo Agostinho, refletindo sobre a vida dos mártires, fala-nos do Cálice do Senhor: Cálice da paixão, amargo e salutar.

Dele bebeu Jesus, para que todos também dele pudéssemos beber, sem medo.

Beber do Cálice é, ao mesmo tempo, assumir a cruz, carregando-a em todos os momentos da vida.

Cruz que é Paixão e Vitória: Paixão porque nos desafia à entrega da vida, voluntariamente, em favor da vida plena; Vitória porque o diabo foi ferido, o mal e a morte foram vencidos.

Missão, Cálice e Cruz, Palavra de Deus e testemunho quotidiano são inseparáveis: “É preciso viver missionariamente”, como expressou uma Religiosa em um encontro.

A Missão vivida na família, no trabalho, economia, política, cultura, escolas e universidades, novos espaços dos meios de comunicação, na rua, no lazer e em todo e qualquer lugar.

A Missão pode ser uma saída para terras distantes e, ao mesmo tempo, a encarnação da Palavra, fermento e luz no mais profundo de nós mesmos.

Cada coração é campo próprio da missão, como chão da acolhida da Palavra de Deus. Missão lá distante, aqui e em todo o lugar…

Culto agradável a Deus deve repercutir no dia a dia, em gestos de amor e solidariedade: essência da Missão, por uma vida mais salutar, ainda que passe pela cruz…

Missão é a perfeita comunhão do Cálice da Vida para a Missão, da Missão para o Cálice.

PS: Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,35-45)

Dom Otacilio F. de Lacerda

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Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza – Homilia para o XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B.

No 28º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a refletir sobre o essencial e o efêmero em nossa vida; quais são as nossas verdadeiras riquezas, quais são as escolhas que fazemos. É preciso aprender a renunciar a certos valores perecíveis, a fim de adquirir os valores da vida verdadeira e eterna.

Na passagem da primeira Leitura (Sb 7,7-11), o Livro mais recente do Antigo Testamento tem uma mensagem clara: apresentando o jovem Salomão como modelo de homem sábio, nos mostra que a verdadeira sabedoria é mais valiosa que ouro, riqueza, saúde, e consiste em acolher as propostas de Deus com humildade e disponibilidade.

Há nesta passagem um ensinamento fundamental: somente Deus garante a verdadeira sabedoria e a verdadeira felicidade. A sabedoria consiste em escolher as coisas certas; tomar as corretas decisões para o alcance do êxito, da felicidade. É preciso ter ouvidos e coração abertos à sabedoria de Deus que é dom para todos.

A sabedoria é dom de Deus e garante o alcance da liberdade diante de todos os bens.

A passagem da segunda Leitura (Hb 4,12-13) nos exorta: é preciso acolher a sabedoria de Deus, revelada em Jesus Cristo, como nossa maior e mais valiosa riqueza, pois a vida de quem crê é marcada pelo sacrifício de louvor e entrega de amor.

 

Num contexto de monotonia e mediocridade, o autor tem a preocupação de levar a comunidade a viver uma fé comprometida, coerente, empenhada com a construção do Reino, numa acolhida frutuosa da Palavra de Deus. É preciso retomar, reavivar o entusiasmo inicial.

A Palavra de Deus quando acolhida com sinceridade transforma sentimentos, pensamentos e orienta nossos valores, opções e atitudes. Ela é força decisiva, dá conteúdo salutar à história e comunica a vida e a Salvação, portanto é preciso confrontar sempre a nossa vida diante das exigências da Palavra de Deus.

Ela questiona, transforma, indica os caminhos para a realização da vontade de Deus, para que possamos alcançar a vida eterna, dando passos em patamares sucessivos:

– Viver de acordo com as propostas de Deus – é preciso disponibilidade e abertura para escutar a Deus e por Ele ser desafiado;

– Integrar-se à comunidade do Reino que toca o coração de todos para a abertura à Comunidade do Reino;

– Viver as exigências de quem se coloca a serviço do Reino, não centrando sua vida nos bens que passam; viver a partilha e solidariedade; seguir Jesus Cristo no caminho de amor e entrega.

A passagem do Evangelho (Mc 10,17-30) tem como mensagem: escutar, acolher e viver a proposta de Jesus, numa autêntica resposta de amor marcada por uma vida de doação, partilha, solidariedade, entrega, fidelidade, para além de toda perseguição e incompreensão.

A opção por Jesus não nos empobrece, muito pelo contrário, nos enriquece e nos garante a verdadeira felicidade a caminho da eternidade. O Caminho do Reino é exigente e garante a vida eterna.

A opção de seguir Jesus tem seu preço, mas tem também seus ganhos/recompensas: uma vida plena e feliz e por fim a eternidade.

A vida eterna é, portanto, dom de Deus e compromisso nosso, e ela começa já, numa vida marcada, inevitavelmente, pelo amor, doação e serviço.

Ser cristão não é ser um pobre coitado condenado a passar ao lado da vida e da felicidade, mas é, sobretudo, ser alguém que renunciou a certas propostas falíveis, passageiras, parciais de felicidade, encontrando em Jesus e na Boa Nova do Reino a sua grande riqueza.

Deste modo, a Palavra de Deus é para nós fonte inesgotável de sabedoria e vida, sobretudo quando somos transformados por Ela.

Reflitamos:

– Com nossa vida e testemunho, provocamos o encantamento por Jesus diante daqueles com quem convivemos?
– Como correspondemos à proposta amorosa que Jesus conosco renova em cada Eucaristia?

– O que nos impede de viver a sabedoria de Deus, assumindo com coragem o Projeto Divino?
– Há algo que ainda nos escraviza e nos torna autossuficientes diante da proposta de Jesus?

– De que modo acolho a sabedoria divina e de que modo oriento minha existência por ela?

– Quais são os valores efêmeros e eternos de minha vida?

– Qual é a hierarquia de valores em minha vida?

– Qual é a eficácia da Palavra de Deus em minha vida?

Oremos:

Senhor, que tão amados por Vós,

Saibamos corresponder ao Vosso Amor.

Dai-nos a liberdade de coração para segui-Lo,

Ouvindo e acolhendo Vossa Palavra.

Libertai-nos de nossas aparentes riquezas,

para que Vós sejais nossa mais bela e imensurável riqueza,

que não se corrói, que não se estraga, que não se rouba,

que nos garante a felicidade no tempo presente

e a glória da imortalidade. Amém!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2019/10/somente-deus-nos-concede-verdadeira.html

 

Somos um povo peregrino e evangelizador .

“Nós vimos o Senhor” (Jo 20,25)

Na Exortação Evangelii Gaudium, o Papa afirma que “A Evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição hierárquica; é antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. Trata-se certamente de um mistério que mergulha as raízes na Trindade, mas tem a sua concretização histórica num povo peregrino e evangelizador, que sempre transcende toda a necessária expressão institucional” (EG 111).

Podemos e devemos usar, portanto, os meios possíveis, contribuindo na ação evangelizadora da Igreja, anunciando o Cristo Ressuscitado, Aquele que foi visto pelos apóstolos, e que continua se revelando à sua Igreja, para que esta O anuncie e O testemunhe até os confins da terra (Jo 19-28; Mt 28, 16-29; Mc 16, 9-20), e como Igreja, na alegria de servir, construamos um mundo mais humano, justo e fraterno.

A própria Igreja, pois a Igreja que não se evangeliza não evangeliza, nos advertia o Papa Paulo VI, em sua Exortação Evangelii Nuntiandi: “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma” (n.15).

Evangelizando a família, santuário da vida, espécie de Igreja doméstica, espaço privilegiado para se formar e educar para a beleza da vida, plantando no coração dos filhos, sementes da verdade, do amor, da justiça, da liberdade e da fraternidade.

Presença evangelizadora no bairro, e além de suas fronteiras, porque a Palavra de Deus não pode ser aprisionada e confinada a espaços geográficos, templos e tempo.

Evangelizando no vasto e complicado mundo da política, da mídia, da cultura, da economia e da saúde, despertando a consciência da cidadania, não nos omitindo na missão ser luz onde for preciso e para quem precisar, anunciando a Palavra que abrasa o coração.

Evangelizando e conscientizando para que cuidemos e preservemos nossa casa comum, o planeta em que habitamos, com a necessária conversão e nova consciência planetária, preocupados com a sustentabilidade, que nos propicia viver melhor, e assegura o futuro para aqueles que virão depois de nós.

Peregrinemos e evangelizemos, incansavelmente, sempre atentos aos acontecimentos e aos sinais que Deus vai manifestando ao longo da história, testemunhas das maravilhas que o Espírito que age e faz acontecer a evangelização.

Urge que mais pessoas participem desta peregrinação e evangelização, pois não fica indiferente nesta missão, quem se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus, como tão bem expressou o Papa Francisco também na “Evangelii Gaudium”:

“Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos ‘discípulos’ e missionários’, mas sempre que somos ‘discípulos missionários” (n.120).

 Dom Otacilio F. de Lacerda .

O Sacramento do Matrimônio no Plano de Deus – Homilia do XXVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

 

No 27º Domingo do Tempo Comum (Ano B), refletimos sobre a aliança matrimonial que, no Projeto de Deus, consiste na formação de uma comunidade de amor, estável e indissolúvel, que seja reflexo do próprio Amor de Deus.

A passagem da primeira Leitura (Gn 2,18-24) fala da união do homem e mulher pelo vínculo do matrimônio, formando uma só carne. Uma comunhão de amor indissolúvel; um amor que é mais forte do que qualquer outro vínculo, de modo que uma vida compartilhada é caminho para a felicidade a ser alcançada.

O texto é antes uma catequese sobre a origem da vida. A criação de Deus somente se completa com a criação da mulher.

O sono profundo revela que a criação é um “segredo de Deus” e a mulher goza de igualdade, complementaridade em relação ao homem (não há qualquer possibilidade de uma relação de dominação e dominado, de escravidão, prepotência, egoísmo, machismo…).

O que deve ser buscado é a unidade a que estão destinados, vivendo em comunhão um com o outro.

Portanto, somos vocacionados para o amor. A solidão (mesmo acompanhada de todos os bens) é caminho da infelicidade, da incompletude. O sentido da existência é a realização humana no amor, porque obra do Amor de Deus.

A passagem da segunda Leitura (Hb 2,9-11) nos fala da “qualidade do Amor de Deus” – uma doação até às últimas consequências. Assim também o casal cristão deve amar, na doação total e eterna, sem limites.

O autor escreve às comunidades que vivem uma realidade de desânimo, enfrentamento de dificuldades, perseguições, hostilidades.

Exorta a que não cedam às doutrinas não coerentes com a fé. Apresenta a superioridade de Jesus Encarnado, Morto e Ressuscitado que revela o incrível Amor de Deus pela humanidade, de que modo elas podem superar o medo paralisante da morte.

Assim, a comunidade pode enfrentar a injustiça, a opressão, as forças do mal que oprime a humanidade: quem viver como Jesus não fica prisioneiro da morte, mas tem em si a semente da vida verdadeira e eterna. Deve acolher e viver com alegria e fidelidade as propostas de Deus nos passos de Jesus, com a força do Espírito: amar, partilhar, servir, perdoar…

Na passagem do Evangelho (Mc 10, 2-16), diante da questão do divórcio, Jesus reafirma a indissolubilidade do matrimônio desde o princípio da criação.

A concessão ao divórcio deve-se à mediocridade humana, pelo matrimônio homem e mulher formam uma só carne, comunhão total, amor eterno.

Jesus coloca o matrimônio no patamar mais alto do amor: amor estável, duradouro e indissolúvel.

Acolher a Boa Nova do matrimônio na construção do Reino é testemunhar ao mundo a indissolubilidade deste Sacramento, passando pelo amor-doação, com entrega, renúncias e sacrifícios.

O casal deve contemplar no Amor de Cristo a fonte inspiradora e inovadora do matrimônio, que tem propriedades essenciais e irrenunciáveis: amor, liberdade, fidelidade, indissolubilidade, fecundidade.

O matrimônio cristão, dentro do Plano Divino, sinaliza para o mundo o Amor de Deus pelo Povo, o Amor de Cristo pela Igreja. O casal cristão, pelo amor vivido, viabiliza o movimento do Amor de Deus que é desde sempre e eterno.

É preciso que se edifique a família em bases sólidas, para que se evite o fracasso do amor. Com simplicidade e confiança, devem amadurecer num processo constante, fortalecendo os vínculos do amor, de modo que o Sacramento do matrimônio segue na contramão da sociedade, apresentando ao mundo a marca da indissolubilidade e indestrutibilidade da Aliança abençoada por Deus.

Evidentemente, a Igreja não deixa de reconhecer e acolher com misericórdia os casais que vivem em segunda união. Em nenhuma circunstância as pessoas divorciadas devem ser marginalizadas da vida da comunidade cristã. Esta deve em todos os instantes acolher, integrar, compreender, ajudar aqueles a quem as circunstâncias da vida impediram de viver o projeto ideal de Deus.

Entretanto, não se trata de renunciar, revogar o ideal que Deus propõe, antes é o testemunho da bondade e misericórdia de Deus para com todos que, por diversas razões não puderam realizar o ideal que um dia diante de Deus, do altar e de toda a comunidade, se comprometeram a viver.

Os Documentos da Igreja, sobretudo do Papa São João Paulo II, exortam ao acolhimento com misericórdia e envolvimento dos mesmos, em atividades de caridade para com o próximo.

Evidentemente que o acompanhamento de um Sacerdote é mais do que recomendável neste assunto (aqui, não é possível um amplo desenvolvimento).

Como vimos, o Sacramento do matrimônio é um dos sinais do Amor de Deus. Que em cada Eucaristia celebrada as forças sejam renovadas para sua solidificação e santificação.

Anunciemos e testemunhemos ao mundo o valor sagrado e irrevogável do Sacramento do matrimônio, para que tenhamos famílias sólidas e felizes, sem nunca esquecermos:

“Como Jesus não abandonou nem a Humanidade, nem a Igreja quando O pregavam na Cruz, assim cada Matrimônio contraído ‘no Senhor’ conserva a indissolubilidade da união entre Cristo e a Igreja, mesmo quando a Cruz está presente”  (1)

O casal cristão experimenta nas provações, dificuldades, ventos contrários, a presença e a ajuda de Cristo que dá força, conforto e esperança.

“Quem se reveste deste Espírito nos dias felizes, poderá continuar a viver desta mesma esperança nas horas difíceis da prova. E isto como a ‘criança’ que nos braços da mãe se sente segura, porque sabe acolher na transparência e na proximidade tudo o que lhe reserva a vida, certa do amor materno que a envolve” (2)

Que todos que desejam um dia contrair esta aliança indissolúvel de amor reflitam na beleza do sagrado compromisso, para serem mais um sinal do Amor eterno e indissolúvel de Deus pela humanidade.

     

(1) (2) Leccionário Comentado pág. 493.                                            

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em http://peotacilio.blogspot.com/2020/10/o-sacramento-do-matrimonio-no-plano-de.html

Graça e perseverança na missão

 “Tende entre vós o mesmo sentimento

que existe em Cristo Jesus” (Fl 2,5)

Retomo as iluminadoras palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”:

A verdadeira fé no Filho de Deus feito carne é inseparável do dom de si mesmo, da pertença à comunidade, do serviço, da reconciliação, com a carne dos outros. Na Sua encarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura…” E ainda: “Precisamente nesta época, inclusive onde são ‘um pequenino rebanho’ (Lc 12,32), os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16). São chamados a testemunhar, de forma sempre nova uma pertença evangelizadora. Não deixemos que nos roubem a comunidade”

Portanto, é sempre tempo de olhar para frente e ver de que modo podemos contribuir, corajosa e decididamente, nesta “revolução da ternura” e sermos, de fato, uma comunidade sal da terra e luz do mundo, jamais permitindo que nos roubem a comunidade e a alegria de pertencer a esta.

É tempo de reavivar a chama da vocação batismal, que em nós foi acesa, para fazer brilhar a luz de Deus, com nossa ação evangelizadora, na mais bela expressão da ternura de Deus, que acolhe, ama e perdoa e recria a vida plena e feliz para todos.

É tempo de sermos uma Igreja missionária, autêntica casa da iniciação da vida cristã, na qual podemos celebrar nossa fé, formados e conduzidos pela Palavra Sagrada, resplandecendo a luz divina nos acontecimentos do quotidiano, mais conforme os desígnios de Deus.

É tempo de sermos uma Paróquia, comunidade de comunidades, onde se vive a proximidade, a comunhão, a fraternidade; uma Paróquia que não se fecha em si mesma, aberta aos horizontes maiores, que nos interpelam e nos desafiam, em evangélica expressão de solidariedade e missionariedade cristã.

Urge que todos nos empenhemos no anúncio e testemunho da Boa-Nova do Evangelho, expressando, assim, um verdadeiro amor inseparável à Igreja e a Jesus Cristo. Quanto mais nos sentirmos amados e envolvidos pelo amor divino, mas vivo e fervoroso será o nosso sim na missão que nos for confiada.

Oportunas são as palavras do Apóstolo Paulo: “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fl 2,5), pois se os divinos sentimentos do Senhor tivermos, continuaremos firmes n’Ele (Fl 4,1), com Ele e para Ele, do qual nos vem toda força e graça necessária no bom combate da fé (Fl 4,13; 2 Tm 4,6-7), edificando uma comunidade essencialmente evangelizadora, cumprindo assim a sua missão como pequenino rebanho do Senhor.

Dom otacilio F. de Lacerda – peotacilio.blogspot.com.br.

Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

“Olhando para o céu, suspirou e disse:

 “Effatha!”, que quer dizer “abre-te!”

No 23º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a acolher a Palavra que nos apresenta Jesus, Aquele que, em comunhão com o Pai, cura, liberta, toca-nos com Seu ser e Sua Palavra.

Mais uma vez contemplamos o querer de Deus: a vida e a felicidade da humanidade.

A passagem da primeira Leitura do Livro do Profeta Isaías (Is 35,4-7a), retrata a fase final do exílio do Povo de Deus na Babilônia , é clara a intenção do Profeta de consolar os exilados, desanimados, frustrados e mergulhados no desespero, com a confiança indispensável na ação e força de Deus.

É missão do Profeta recuperar a esperança sem desanimar, mesmo quando há tudo para recomeçar.

O Profeta assegura que Deus não se esqueceu de Seu povo, e somente com Ele começará uma nova história. Deus realizará um novo êxodo, solene, grandioso e pleno de vida.

Transformando situações de desespero em confiança e alegria; situações de imobilismo dão espaço para a luta, o engajamento, o comprometimento.

Ontem como hoje, é preciso entregar-se e comprometer-se com Deus. No contexto de pós-modernidade em que vivemos se contrapõem dois olhares: o olhar de fé e esperança e o olhar de desespero.

Reflitamos:

– Estamos sendo Profetas da esperança, da experiência amorosa de Deus?

Com a passagem da segunda Leitura (Tg 2,1-5), aprendamos a acolher os mais necessitados, com quem Deus Se identifica, superando toda forma de exclusão.

A comunidade não pode perder os autênticos valores cristãos, evitando toda e qualquer forma de discriminação, multiplicando ações concretas e fortalecendo o compromisso social e comunitário. É viva a comunidade quando vive uma fé operativa.

Como toda comunidade, as tentações do poder, ter e ser devem ser enfrentadas, fortalecendo o compromisso com os empobrecidos, os preferidos de Deus, que biblicamente são os frágeis, pacíficos, simples, humildes, disponíveis, despojados e possuem ânsia de libertação.

O acolhimento dos pobres exige o despir-se do orgulho e da autossuficiência acolhendo com humildade, simplicidade e fidelidade os dons de Deus.

Reflitamos:

– Como é a acolhida dos pobres em nossas comunidades?

– Há acepção de pessoas em nossas comunidades?

– Nossa comunidade dá testemunho de amor, bondade, misericórdia e tolerância para com os irmãos?

– O que fazemos para a superação da discriminação e marginalização?

Na passagem do Evangelho (Mc 7,31-37),  Jesus com Sua Palavra e ação cura, liberta e integra a pessoa na vida da comunidade.

Contemplamos a Salvação de Deus que se destina a todos os povos. A pessoa do surdo, que falava com dificuldade, representa aquele que estava à margem da salvação no mundo judaico.

A cura deste é uma catequese sobre a missão de Jesus que faz nascer em nós o Homem novo.

O Encontro com Jesus transforma a vida da pessoa que O acolhe. Abre os ouvidos à Palavra, abre os lábios para o anúncio. Cura de toda “surdez” que possamos conceber.

Encontrar-se com o Senhor implica em acolher, acreditar, converter, anunciar e testemunhar a Sua Palavra de Vida Eterna.

O Encontro com Cristo tira-nos da mediocridade e nos desperta para o compromisso, empenho e testemunho. Saímos de nosso isolamento empobrecedor, estabelecemos laços íntimos e fortes com Deus e fraternos com todos os nossos irmãos e irmãs.

A Evangelização será autêntica quando a Igreja sentir-se tocada pela Palavra de Jesus, e d’Ele se tornar fiel comunicadora.

A Igreja é comunicadora do grande “Efathá” do Senhor, ou seja, tem a missão de levar cada pessoa a sair do seu comodismo, fechamento e egoísmo, abrindo os olhos, ouvidos, boca, coração e todo o ser aos desígnios divinos.

Acolhendo com fé a Palavra de Deus nossos olhos se abrirão e na planície do deserto do desespero, das provações, nascerá, com certeza, a fina flor da esperança no coração da humanidade.

Em cada Eucaristia que celebramos, Jesus vem ao nosso encontro, nos toca com Sua Palavra e Sua Presença. Cada Eucaristia é uma passagem do Cristo Ressuscitado que nos toca e nos cura.

Urge Profetas curados pela Palavra do Senhor e fortalecidos pelo Seu Pão, Seu Corpo e Sangue, a Eucaristia, para que, em tempo de desolação e desânimo, comuniquem a aurora de Deus.

Após o sol poente, cremos que há a escuridão da noite e que ao amanhecer a esperança se renovará.

Entre o sol poente e o sol nascente, entre o sol nascente e o sol poente, é o tempo contínuo, ininterrupto da acolhida e vivência da Palavra do Senhor, para que, como criaturas novas, construamos relações de amor, fraternidade, bondade.

Reflitamos:

– De que modo se dá o nosso encontro amoroso e libertador com Jesus?

– De qual surdez precisamos ser curados?

– Como temos levado a cura de Jesus ao outro?

– Somos comunicadores de Sua Palavra?

Curados pela Palavra do Senhor, possibilitemos como discípulos missionários, que outros também alcancem esta graça, pois a cura e a libertação, a felicidade e vida plena, pois nisto consiste o querer de Deus para todos nós.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Como Igreja que somos, precisamos testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade, virtudes divinas que nos movem, sobretudo diante dos desafios da realidade em que nos encontramos.

Deste modo, abertos aos desafios da realidade em que a Igreja encontra-se inserida, urge testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade, virtudes divinas que nos movem.

Vivendo em comunidade, a nossa fé deve ser sempre iluminada pelo exemplo das primeiras comunidades fundadas pelos apóstolos: “As comunidades eram perseverantes na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração” (At 2, 42-45).

Para tanto, todo o itinerário do discípulo, desde o chamado, deve ser  sempre vivido na comunhão com o Mestre, que se desdobra, necessariamente, na comunhão com os outros, de modo que a dimensão comunitária é fundamental na Igreja, pois se inspira na própria Santíssima Trindade, a perfeita comunidade de amor.

Sem comunidade, não há como viver autenticamente a experiência cristã, e a Paróquia tem o grande desafio de ser este espaço, como nos afirmou a Conferência de Aparecida (2007): “Entre as comunidades eclesiais, nas quais vivem e se formam os discípulos e missionários de Jesus Cristo, sobressaem as Paróquias. São células vivas da Igreja e o lugar privilegiado no qual a maioria dos fiéis tem uma experiência concreta de Cristo e a comunhão eclesial. São chamadas a ser casas e escolas de comunhão”.

A Conferência manifesta o desejo de uma valente ação renovadora das Paróquias, a fim de que sejam “espaços da iniciação cristã, da educação e celebração da fé, abertas à diversidade de carismas, serviços e ministérios, organizadas de modo comunitário e responsável, integradoras de movimentos de apostolado já existentes, atentas à diversidade cultural de seus habitantes.” (n. 170).

Não podemos nos acomodar, pois grande é o desafio da evangelização, a fim de que a Palavra do Senhor seja a todos os povos anunciada, e tenhamos Paróquias em contínuo processo de conversão, e comunidades que sejam verdadeiras escolas da comunhão e de amor à vida, construindo laços fraternos e eternos, iluminados pela Palavra, nutridos pela Eucaristia.

Num tempo marcado por incertezas e tantos desafios, como alegres e convictos discípulos missionários, devemos empregar todo esforço e recursos na necessária conversão das estruturas de nossas paróquias, para que, como espaço privilegiado da presença e do encontro com o Senhor, elas se coloquem a serviço da vida plena e definitiva.

É preciso que continuemos o aprofundamento sobre as estruturas das Paróquias, e a necessária conversão, a fim de que nossas comunidades sejam, verdadeiramente, casas do Pão da Palavra, do Pão da Eucaristia e do Pão da Caridade, uma Igreja discípula, profética, missionária e misericordiosa, e como nos falou o Papa Francisco – “uma Igreja em saída”, presença nos mais diversos espaços, sobretudo nas periferias existenciais.

Dom Otacilio F. de Lacerda.

Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom Otacilio F. de Lacerda.

Com a Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano B), aprofundamos como deve ser uma verdadeira religião que agrade a Deus, que pressupõe o contínuo esforço de conversão para que tenhamos pureza de coração, pois como o próprio Senhor disse “somente os puros de coração verão a Deus” (Mt 5,8).

Na passagem da primeira Leitura (Dt 4,1-2.6-8), Moisés acentua o compromisso do Povo com a Palavra de Deus e Sua Aliança, numa sincera acolhida e vivência de Sua Lei.

A Lei Divina deve ser vivida como expressão de gratidão a Deus; ainda mais porque ela é garantia de felicidade e liberdade, para concretizar os sonhos e esperanças do Povo Eleito e amado por Deus. Não se pode adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais.

Não se pode adaptar, amenizar, suprimir e nada acrescentar à Palavra de Deus.

Alguns perigos que nos acompanham:

– o esvaziamento da radicalidade da Palavra;

– cortar (omitir) seus aspectos mais questionadores;

– fazermos ou dizermos coisas que não procedem de Deus;

– de cair num ativismo em que sacrificamos o tempo do silêncio orante diante de Deus, na acolhida de Sua Palavra;

– esvaziamento de seu conteúdo por causa do cansaço, da perda do sentido e consequente falta de espiritualidade e intimidade com a Palavra de Deus.

Na passagem da segunda Leitura, Carta de São Tiago, (Tg 1,17-18.21-22.27), refletimos sobre a inseparável relação  entre fé e obras.

A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva). E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É necessária a superação da frieza, do legalismo e do ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes da mesma, não nos enganando a nós mesmos.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plena.

A passagem do Evangelho (Mc 7, 1-8.14–15.21-23) nos convida à pureza de coração.

O discípulo de Jesus não pode tão apenas “parecer” é preciso “ser” sinal vivo da presença de Deus.

Não basta parecer justo, tem que ser justo; não basta parecer piedoso, tem que ser piedoso; não basta parecer verdadeiro, tem que ser verdadeiro…

Mais que uma “carapaça exterior” é preciso de uma “coluna vertebral interior”. 

A verdadeira religião não vive de aparências, e exige de cada crente uma sólida e forte estrutura para suportar o peso da cruz, a coragem do testemunho, a coerência de vida, o esforço contínuo de conversão, a solidariedade constante, caminho que não tem volta e tem apenas um destino: o céu.

Os mestres da Lei e os fariseus tinham aproximadamente 613 preceitos a cumprir (365 proibições e 248 prescrições). O povo simples, por não os conhecer, nem os praticar, era considerado impuro, e este será um tema de grande polêmica entre Jesus e os fariseus em vários momentos.

Para Jesus importa a pureza interior, a pureza do coração que é a sede de todos os sentimentos, desejos, pensamentos, projetos e decisões.

Jesus afirma: o que torna o homem impuro é o que sai de seu coração (apresenta uma longa lista) e não o que entra pela sua boca.

É do coração humano puro que nasce uma autêntica religião, a religião do coração, da intimidade profunda com Deus.

As Leis da Igreja não têm fins em si mesmas, mas garantem a nossa comunhão com Deus e com o próximo, na concretização do Reino.

É preciso dar mais tempo à Palavra de Deus, em frutuosa Oração e reflexão, que fará brotar novas atitudes e compromissos com Deus e o Seu Projeto para a Humanidade.

É tempo de cultivar maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus para que produzamos os frutos por Deus esperados.

PS: Fonte de pesquisa – www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em https://peotacilio.blogspot.com/2020/08/nossa-pratica-religiosa-agrada-deus.html

“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“A quem iremos, Senhor?”

Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre nossas opções, sobre o discernimento que devemos fazer entre os valores passageiros e os valores eternos.

A passagem  primeira Leitura do Livro de Josué (Js 24,1-2a.15-17.18b), por volta do século XII a. C, retrata sua fase final.

É uma catequese sobre o poder de Javé a serviço do povo. Este precisa aceitar os dons divinos e corresponder com fidelidade à Aliança com Deus e aos Mandamentos, de modo que o Povo de Deus não pode ser seduzido por outros deuses.

Renovar sempre os compromissos com Javé é certeza de vida e liberdade. Somente em Deus e com Ele se pode encontrar a vida em plenitude.

Jamais prescindir de Deus é a grande mensagem desta passagem para a História da Humanidade em todo o tempo.

Preciosa é a afirmação de Josué na escolha: “Nem que todos Te abandonem, eu e minha família, não abandonaremos”. Josué é o modelo de líder: vive o que fala, assume e testemunha…

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda leitura, Carta aos Efésios (Ef 5,21-32), fala das consequências daquele que faz sua adesão a Cristo, e apresenta a família como espaço do aprendizado dos valores do Reino: partilha, amor, união.

O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Uma relação de amor, doação, serviço e edificação do outro. Paulo estabelece um belíssimo paralelo: o amor dos esposos comparado com a relação do Amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo.

A vida conjugal, “ser uma só carne”, é o empenho quotidiano de viver neste amor e fidelidade, na partilha de toda a vida, com suas dores e alegrias, angústias e esperanças.

Viver o Batismo implica sempre em viver como Homens novos, e a família se torna o espaço privilegiado, e primeiro de aprendizado das normas e valores do Reino.

Na passagem do Evangelho (Jo 6,60-69), vemos a contraposição de duas lógicas: a humana e a divina.

Há uma lógica do poder, ambição e glória, e há a lógica da ação do Espírito que é caminho do amor e do dom da vida.

A preocupação do Evangelista é assegurar que o caminho da fidelidade é árduo, mas garante a vida plena. O contexto era de perseguição, afastamento, recusas, esmorecimentos, fragilização da fé.

A opção por Jesus é radical e exigente, deve ser feita com toda a liberdade, abrindo-se à ação do Pai com a força e luz do Espírito.

A comunidade deve amadurecer, pois não está livre de ver desertores. A proposta de Jesus é clara: ou se aceita, ou se rejeita. Há somente um caminho: amor, serviço, partilha e entrega da própria vida.

A resposta de Pedro deve ser sempre a nossa resposta na tomada de decisão diante do Senhor: “só Tu tens Palavras de vida eterna”.

O discípulo de Jesus não sabe o que é uma “vida morna”. Serve-se a Deus ou ao diabo; a Deus ou ao dinheiro.

Não se pode atenuar, amenizar, fragilizar a proposta de Jesus. Não existe uma visão “light” do cristianismo.

A opção por Ele deve ser sempre revisada, renovada. Não há lugar para preguiça, acomodação e instalação.

Não se pode suavizar as propostas de Jesus, nem desvirtuar o Evangelho para agradar o mundo, as pessoas, para que não haja perda de adeptos. Evangelho é a Boa Nova que não pode ser traída para agradar uns e outros.

Cristão, portanto é quem aceita o seguimento de Jesus Cristo e não impõe condições, mas aceita, acolhe e se empenha, na vigilância e na Oração, a viver esta Boa Nova até o fim, no bom combate da fé até que mereça a glória nos céus receber.

Participar da Missa, ouvir a Palavra e receber a Eucaristia são atitudes que devem marcar toda a nossa existência, e assim, aderirmos a Jesus Ressuscitado com todas as fibras do nosso ser.

Aprendamos com Josué e sua família, com o Apóstolo Paulo, o Apóstolo Pedro, como bem nos ilumina a Palavra proclamada.

Alimentar e testemunhar a fé é preciso, como também é preciso discernir e ser fiel até o fim.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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