A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado (Homilia Solenidade de Pentecostes)

“Assim como o Pai Me enviou, também

Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo”

Com a Solenidade de Pentecostes, celebraremos o nascimento da Igreja e acolhida do Espírito Santo para acompanhá-la, conduzi-la e assisti-la em sua missão.

O Espírito Santo é o Dom dado por Deus a todos que creem, comunicando vida, renovação, transformação, possibilitando o nascimento do Homem Novo e a formação da Comunidade Eclesial – a Igreja.

Com sua presença a Igreja testemunha a vida e a vitória do Ressuscitado, nisto consiste a missão da comunidade: assim o realizar com a presença e ação do Espírito Santo, que é a fonte de todos os dons, que devem ser postos a serviço de todos e não para benefício pessoal, como nos asseguram as Leituras proclamadas: At 2,1-11; Sl 103; 1 Cor 12, 3-b-7.12-13; Jo 20,19-23.

Lucas, na primeira Leitura, nos apresenta a comunidade que nasce do Ressuscitado, que é assistida pelo Espírito e chamada a testemunhar a todos os povos o Projeto Libertador do Pai.

A Festa de Pentecostes que antes era uma festa agrícola (colheita da cevada e do trigo), a colheita dos primeiros frutos, ganhou novo sentido, tornou-se a festa histórica da celebração da Aliança, da acolhida do dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. Mas, o mais belo e verdadeiro sentido que nos leva a celebrar é a acolhida do Espírito Santo, como já mencionamos.

A primeira Leitura ainda nos permite contemplar o grande Pentecostes cinquenta dias após a Páscoa. O Espírito é apresentado em forma de língua de fogo, que consiste na linguagem do amor. Verdadeiramente a língua do Espírito é o amor que torna possível a comunhão universal.

Caberá à comunidade construir a anti-Babel, a humanidade nova, que pauta a existência pela ação do Espírito que reside no coração de todos como lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.

Reflitamos:

– Somos uma comunidade do Ressuscitado?

– Nossa comunidade é marcada por relações de amor e partilha?

– Empenhamo-nos em aprender a língua do Espírito, a linguagem do Amor?

– Qual é o espaço do Espírito Santo em nossas comunidades?

– Temos sido renovados pelo Espírito, orientando e animando nossa vida por Sua ação e manifestação?

– Somos uma comunidade que vive a unidade na diversidade, com liberdade e respeito?

Na segunda Leitura da Carta de Paulo aos Coríntios, o Apóstolo nos fala de uma uma comunidade viva, fervorosa, mas com partidos, divisões e rivalidades entre os seus membros, e até mesmo certa hierarquia de categoria de cristãos.

Também aponta à importância da diversidade dos carismas. Porém, um só é o Senhor, um só é o Espírito do qual todos os dons procedem.

Insiste na unidade da comunidade como um corpo, onde todos têm sua importância, sua participação, cientes de que é a ação do Espírito que dá vida ao corpo de Cristo, fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é fonte da verdadeira unidade.

Afasta-se com isto toda possibilidade de prepotência e autoritarismo dentro da Igreja.

“O dom do Espírito habilita o crente batizado a colocar as suas qualidades e aptidões ao serviço do crescimento e da vitalidade da Igreja.

Ninguém é inútil e estéril na Igreja quando se deixa guiar pelo Espírito de Deus que atua para o bem de todos.

O único obstáculo à ação vivificadora do Espírito é a tendência a considerar os seus dons como um direito de propriedade e não um compromisso ao serviço e à partilha recíproca” (1)

Reflitamos:

– Verdadeiramente, o Espírito Santo é o grande Protagonista da ação evangelizadora da Igreja?

– Colocamos com alegria os dons que possuímos a serviço do bem da comunidade e não a serviço próprio?

O Evangelista João nos apresenta a manifestação do Ressuscitado e a Sua presença que enriquece a Igreja reunida com o dom da paz, da alegria e do Espírito Santo para gerar relações de perdão que cria a humanidade nova.

Mais uma vez voltamos à mensagem fundamental: a comunidade deve romper os medos, as incertezas, as inseguranças, pois o Ressuscitado entra, mesmo que as portas estejam fechadas. Nada pode impedir Sua ação, coloca-se no centro, pois somente Ele deve ser o centro de nossa vida e de nossa comunidade.

E ainda mais: não adoramos um Deus em que as Chagas Dolorosas tiveram a última palavra, mas adoramos ao Deus das Chagas Vitoriosas do Ressuscitado. A vida venceu a morte, e n’Ele e com Ele somos mais que vencedores.

Ó maravilha indescritível saber que podemos contar com a ação e o sopro do Espírito Santo!

Ó maravilha incontida saber que podemos contar com a força e a defesa do Espírito Santo em nossa missão evangelizadora!

Ó maravilha inesgotável do sopro rejuvenescedor do Espírito Santo; que não permite o envelhecimento e a perda da vitalidade da Igreja por Cristo fundada, e por amor continuamente na Eucaristia alimentada!

Ó maravilha imerecida de continuar a missão do Ressuscitado com a força do Espírito; de sermos Suas autênticas testemunhas.

Ó maravilha poder participar dos Mistérios sagrados da Igreja, que aos poucos se nos revelam como maravilhoso Mistério incandescente; Mistério da presença da Chama viva de Amor revelada pelo Espírito Santo de Deus: não vimos Jesus Ressuscitado, não O tocamos, mas n’Ele cremos, Sua Palavra anunciamos, em Sua Vida e presença em nosso meio acreditamos, a força e a vida nova do Espírito continuamente experimentamos.

Ó maravilha a Solenidade de Pentecostes que celebramos!

Ó alegria transbordante que vemos jorrar em nossos corações!

Alegremo-nos e exultemos no Senhor Ressuscitado que nos comunica o Seu Espírito para maior fidelidade ao Projeto de vida e de Amor do Pai.

(1) Lecionário comentado – Tempo da Páscoa – pág. 660.

 Dom Otacilio F. Lacerda

Síntese da mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais

No dia 24 de maio de 2020, na Festa da Ascensão do Senhor, como de praxe, celebramos também o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais, e fomos agraciados com a mensagem do Papa Francisco, que tem como inspiração bíblica a passagem do Livro do Êxodo “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2), e tendo como título “A vida se faz ‘história’”.

O Papa nos convida a valorizar as histórias boas, as que edificam e não aquelas que destroem; aquelas que ajudam a reencontrar a as raízes e a força para prosseguirmos juntos.

Na primeira parte, fala-nos da necessidade de tecermos histórias: o homem é um ente narrador, e desde pequenos, temos fome de histórias, assim como de alimento (romance, fábula, filme, canção, uma simples notícia).

Como um ente narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com as tramas dos seus dias.

No entanto, alerta para o fato que, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja o mal.

Na segunda, parte fala-nos das histórias que nem sempre são boas, portanto há o necessário cuidado.

Assim, já encontramos nas primeiras páginas do Livro de Gênesis – “Se comeres, tornar-te-ás como Deus” (cf. Gn 3, 4); e ainda – “Se possuíres…, tornar-te-ás…, conseguirás…”.

Hoje é o que se chama de “storytelling” – histórias para fins instrumentais; que por vezes nos narcotizam, convencendo-nos de que, para ser felizes, precisamos continuamente de ter, possuir, consumir.

Tornam-nos desejosos de bisbilhotices e envolvidos em intrigas, fomentadores de violência, falsidade e ódio.

Em nada contribuem para a solidificação dos laços sociais e o tecido cultural, pois se produzem histórias devastadoras e provocatórias, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência.

No entanto, estas histórias utilizadas para proveito próprio ou ao serviço do poder têm vida curta. Ao contrário, uma história boa é capaz de transpor os confins do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece atual, porque nutre a vida.

Chama-nos a atenção para outro conceito (o deepfake): numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais, precisamos de sapiência para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas.

É preciso coragem para rejeitar as histórias falsas e depravadas, e valorizar as histórias boas; bem como precisamos de paciência e discernimento para descobrir histórias que nos ajudem a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; que tragam à luz a verdade daquilo que somos, mesmo na heroicidade oculta do dia a dia.

Na terceira parte, fala-nos da História das histórias: a Sagrada Escritura, e nela, encontramos tantas vicissitudes, povos, pessoas…

Ela nos revela um Deus que é simultaneamente criador e narrador, como vemos desde as primeiras páginas e perpassando todos os demais Livros da Sagrada Escritura:

“A Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro, está Jesus: a sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo homem e, ao mesmo tempo, a história de amor do homem por Deus.

Assim, o homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais significativos desta História de histórias: os episódios capazes de comunicar o sentido daquilo que aconteceu”.

Destaca o Livro do Êxodo, em que se fundamenta a mensagem:

“Para que possas contar e fixar na memória do teu filho e do filho do teu filho (…) os meus sinais que Eu realizei no meio deles. E vós conhecereis que Eu sou o Senhor”» (Ex 10, 2).

Fundamental foi a experiência do Êxodo, pois nos ensinou que o conhecimento de Deus se transmite sobretudo contando, de geração em geração, como Ele continua a tornar-Se presente – “O Deus da vida comunica-Se, narrando a vida”.

Fundamental são os Evangelhos (narrações) que nos apresentam Jesus, que falava de Deus, não com discursos abstratos, mas com as parábolas, breves narrativas tiradas da vida de todos os dias.

Deste modo, a vida faz-se história e depois, para o ouvinte, a história faz-se vida, de tal forma que a narração entra na vida de quem a escuta e a transforma.

Na quarta parte, fala-nos de “uma história que se renova”:

A história de Cristo não é um patrimônio do passado; é a nossa história, sempre atual. Mostra-nos que Deus tomou a peito o homem, a nossa carne, a nossa história, a ponto de Se fazer homem, carne e história.

Sendo assim, não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas, e cada  história humana tem uma dignidade incancelável, e por isto, a humanidade merece narrações que estejam à sua altura, àquela altura vertiginosa e fascinante a que Jesus a elevou.

Citando Paulo – “Vós «sois uma carta de Cristo, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os vossos corações” (2 Cor 3, 3), recorda-nos que o Espírito santo, o amor de Deus escreve em nós.

Urge reler as histórias de tantas pessoas que deixaram belos exemplos e que nos inspiram, como apêndices do Evangelho: as Confissões de Agostinho, o Relato do Peregrino de Inácio, a História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus, os Noivos prometidos (Promessi sposi) de Alexandre Manzoni, os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoevskij… e inumeráveis outras histórias.

“Cada um de nós conhece várias histórias que perfumam de Evangelho: testemunham o Amor que transforma a vida. Estas histórias pedem para ser partilhadas, contadas, feitas viver em todos os tempos, com todas as linguagens, por todos os meios”.

Na parte final, fala-nos da “história que nos renova”:

Juntamente com a Sagrada Escritura, o conhecimento das histórias dos Santos e outros  textos que souberam ler a alma do homem e trazer à luz a sua beleza, e contar com o Espírito Santo para narrar a Deus nossa história, sob seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros:

“A Ele podemos narrar as histórias que vivemos, levar as pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor o tecido da vida, cosendo as rupturas e os rasgões. Quanto nós, todos, precisamos disso!”

Envolvidos pelo amor de Deus escrevemos nossa história, não como mero figurante no palco do mundo, porque a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança:

“Mesmo quando narramos o mal, podemos aprender a deixar o espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e dar-lhe espaço”.

Convida-nos a confiar a uma Mulher, que teceu a humanidade de Deus no seio, e o fez conjuntamente tudo o que Lhe acontecia: ela soube guardar e meditar tudo em seu coração (cf. Lc 2, 19).

Maria pode nos ajudar a “desatar os nós da vida com a força suave do amor”, e a ela eleva esta oração:

“Ó Maria, mulher e mãe, Vós tecestes no seio a Palavra divina, Vós narrastes com a vossa vida as magníficas obras de Deus.

Ouvi as nossas histórias, guardai-as no vosso coração e fazei vossas também as histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer o fio bom que guia a história.

Olhai o cúmulo de nós em que se emaranhou a nossa vida, paralisando a nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados.

Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspirai-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indicai-nos o caminho para as percorrermos juntos”.

Para ler a mensagem na integra, acesse:

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20200124_messaggio-comunicazioni-sociali.html

Postado por Dom Otacilio F. de Lacerda em:

http://peotacilio.blogspot.com/2020/05/sintese-da-mensagem-para-o-54-dia.html

Missão: graça divina, resposta nossa (Homilia – Ascensão do Senhor – Ano A)

Missão: graça divina, resposta nossa
 “Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”
A Solenidade da Ascensão aponta para o fim último de todos nós, a comunhão com Deus, o Céu (ano A).
A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.
Antes é preciso assumir com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados decididamente no Projeto de Salvação Divina, superando a passividade alienante indo para o meio do mundo, como sal, luz e fermento.
Nada falta à Igreja, portadora da plenitude de Cristo, para cumprir esta missão, portanto renovemos a alegria de crermos que, após um caminho percorrido com amor e doação, desabrocharemos na eternidade, pela comunhão com Deus, assim como foi a vida de Jesus Cristo.
Exultemos de alegria por sermos continuadores da missão que Ele realizou, e a nós confiou, enviando-nos do Pai o Espírito Santo de Deus, o Paráclito, fato que celebraremos com a Festa de Pentecostes.
Urge levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus.
A primeira Leitura (At 1,1-11) retrata uma comunidade que vive num contexto de crise, desilusão e frustração. O tempo vai passando e não vê realizar o Projeto Salvador. Quando será enfim realizado?
Jesus depois de ter apresentado ao mundo o Projeto do Reino, entrou na comunhão plena e definitiva do Pai, e este é também o destino daqueles que percorrem o mesmo caminho. Fica com isto, afastada toda possibilidade de passividade alienante, imobilismo estéril.
São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, escreve em tons de catequese sólida, substancial, pois a comunidade vivia um contexto de crise (anos 80), e se fazia necessário manter-se firme no testemunho do Ressuscitado, sem jamais vacilar na fé, esmorecer na esperança e tão pouco esfriar na caridade.
Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização que é o Espírito Santo e conta com a participação e ação dos Apóstolos na construção do Reino que exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.
Ele nos apresenta a Ascensão quarenta dias depois da Ressurreição: quarenta é um número simbólico, define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir com fidelidade e coragem as lições do Mestre.
A descrição da elevação de Jesus ao céu, assim como a nuvem, os discípulos a olhar para o céu, os homens vestidos de branco têm uma mensagem própria: os discípulos, animados pelo Espírito, devem continuar no mundo a história e obra de Jesus, aguardando a Sua segunda vinda definitiva e gloriosa.
A comunidade não pode ficar “olhando para o alto e de braços cruzados”, precisa seguir o caminho que é o próprio Jesus, com olhar para o futuro, renovando quotidianamente os compromissos com o Projeto de Salvação que Deus tem para a humanidade.
Deste modo, a Ressurreição e a Ascensão de Jesus, nos garantem uma vida vivida na fidelidade ao Projeto do Pai: “Uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo ‘caminho’ de Jesus subirá, com Ele, à vida plena”. (1)
Os sinais e palavras tem mensagens próprias:
– A elevação aos céus – trata-se do culminar de uma vida;
– A nuvem – sempre um sinal teofânico (manifestação de Deus);
– Olhar para o céu – acena para a segunda vinda de Cristo, que não devemos esperar de braços cruzados;
– Dois homens vestidos de branco – anunciam o mundo de Deus.
Reflitamos:
– Tenho sido fiel à missão que o Senhor me confiou?
– O que gero com o meu testemunho nos diversos âmbitos em que vivo?
– Quais são meus compromissos solidários na transformação do mundo?
– Fico a olhar para o céu ou me comprometo com a transformação em todos os níveis?
A segunda Leitura (Ef 1,17-23) nos apresenta a síntese da teologia paulina.
O Apóstolo Paulo fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo.
Trata-se de uma mensagem de confiança e esperança, em que a comunidade é exortada a pôr-se a caminho, numa comunhão sólida, formando um só Corpo, que é a Igreja, cuja cabeça é o próprio Cristo.
A comunidade cristã é um corpo – “o corpo de Cristo” – formado por muitos membros, e que Paulo já havia dito em outras Cartas, mas agora escreve da prisão, e faz parte das “cartas do cativeiro”
Cristo sendo cabeça e a comunidade um corpo, juntos forma-se uma comunidade indissolúvel, da qual Cristo está no centro, e nada falta a Igreja para levar a diante a missão por Ele confiada:
“Dizer que a Igreja é a ‘plenitude’ (‘pleeroma’) de Cristo significa dizer que nela reside a ‘plenitude’, a ‘totalidade’ de Cristo.
Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse ‘corpo’ onde reside que Cristo continua todos os dias a realizar o Seu Projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse ‘corpo’, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo ‘seja tudo em todos’ (vers. 23)”. (2)
A Igreja é, portanto, a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo, em quem Cristo está presente neste Corpo, Ele enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que Ele “seja tudo em todos” (Ef 1, 23).
A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus garantem a nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho superando as dificuldades.
Na passagem do Evangelho (Mt 28,16-20),  encontramos a descrição do encontro final de Jesus com Seus discípulos no monte da Galileia.
Além de reconhecer Jesus como Senhor, a comunidade recebe d’Ele a missão de continuar o Seu Projeto de Libertação da humanidade, no testemunho do Reino por Ele inaugurado.
Jesus voltando para o Pai, e ficando para sempre no meio dos Seus discípulos, confia a eles a continuidade da missão.
Deste modo, com a Ascensão, podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início a nossa missão, sentando-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.
O Evangelista Mateus, por três momentos significativos, nos fala da montanha:
– A tentação de se atirar do alto monte (Mt 4,8);
– No Monte Tabor, com a Transfiguração (Mt 17,1)
– E finalmente na Sua Ascensão. No Antigo Testamento, de modo especial, monte é sempre o lugar onde Deus se revela às pessoas (Moisés, Elias etc.).
E ainda mais, foi na Galileia que Jesus viveu quase toda a Sua vida; foi onde começou a anunciar o Evangelho do Reino (Mt 4,12-22). É também lá que se recomeça a missão. Onde tudo começou, foi onde tudo recomeçou…
Viver a Boa-Nova anunciada, em confronto com o mundo, pode gerar desilusão, sofrimento e frustração. Mas é exatamente aqui que o discípulo deve dar razão da esperança que possui, testemunho de n’Aquele em quem confia, Jesus, com a força e ação do Espírito Santo Paráclito, o Defensor, o Espírito da Verdade que estará conosco até o fim dos tempos.
Esta certeza alimenta a nossa coragem para que testemunhemos o que acreditamos e professamos; o que nos move e nos direciona rumo ao encontro definitivo com Deus, na mais perfeita e plena comunhão de amor, empenhados, por ora, na construção do Reino de amor, vida, alegria, luz e paz.
Portanto, Celebrar a Ascensão de Jesus é:
– Tomar consciência da missão que foi confiada aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do “Reino” na vida dos homens;
– Tomar consciência também de que, como Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, somos a presença libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens;
– tomar consciência do quanto Deus em nós confia;
– Rever como procuramos testemunhar o Reino de Deus em todos os âmbitos da vida;
– Assumir a missão que Jesus confiou aos discípulos, uma missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas, não podem ser obstáculos para a presença de Sua Proposta libertadora no mundo;
– é a Festa do Envio, da continuidade da missão que Jesus nos confia –“Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”;
– é a urgência de não ficarmos apenas admirando, mas nos colocarmos constantemente a caminho, com renovados compromissos com o Projeto da Salvação;
– é viver o Batismo, inseridos na mais perfeita comunidade de comunhão e amor, a comunidade Trinitária: Pai, filho e Espírito Santo.
Reflitamos:
– Tenho consciência da universalidade da missão?
– Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?
– A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração… Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho esta certeza em meu coração?
– No seguimento de Jesus não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão a nós confiada?
– Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
– Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.
– Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?
– Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?
– Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?
Concluindo, Celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor é afirmar uma bela verdade de nossa fé, pois a Ascensão do Senhor liga-se necessariamente à Sua Encarnação, e comunica o seu significado autêntico: O Filho de Deus tornou-Se como nós para nos tornar como Ele.
Celebraremos esta presença na Festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo nos for derramado, como dom de Amor do Pai, para continuarmos, fiéis na Missão do Cristo, na mais profunda e frutuosa vivência do Amor e da Vida Trinitária.
Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus.
Dom Otacilio F de Lacerda
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                                                            Ascender para acender
Na Festa da Ascensão do Senhor aos céus (ano A), temos na proclamação da Palavra de Deus: At 1,1 -11; Sl 46; Ef 4,1-13; Mt 28, 16-20.
Tendo Jesus passado pela morte de Cruz, com seu corpo cuidadosamente colocado no túmulo e guardado por soldados; tendo Ele descido à mansão dos mortos para libertar os que jaziam cativos, cremos que Ele foi por Deus Ressuscitado, glorificado, exaltado ao mais alto dos céus, onde Se encontra à direita de Deus para julgar os vivos e os mortos.
Elevado aos céus, exaltado, glorificado por Deus, sobrelevado, agora no supremo e eterno Trono Glorioso, teve que suportar, por amor extremo por nós, o trono indesejável da Cruz.
Cremos que Jesus ascendeu aos céus para acender no coração dos que haveriam de anunciá-Lo por toda parte, até o fim do mundo e dos tempos, o fogo que jamais se apaga, o Fogo do Amor, o Fogo do Espírito, enviado no dia de Pentecostes.
Jesus ascendeu para acender… Muito mais que parônimos (palavras parecidas), trazem em si algo que nos leva, irremediavelmente à contemplação da ação daqueles humildes homens e mulheres que deram d’Ele corajoso testemunho, até mesmo através do martírio, para que o mundo O conhecesse, assim como a Sua mensagem, com toda a autoridade que possuía, à Igreja confiada.
Assim aconteceu na Ascensão do Senhor: Jesus, concluindo Sua missão terrena, confiou aos discípulos a continuidade desta, com alegria, coragem, empenho, ardor, zelo, proclamando Sua Boa Nova aos quatro ventos, impulsionados pelo Sopro Divino do Espírito, que nos acompanha por todo o tempo.
Assim, com a Ascensão do Senhor e o acender do Fogo do Espírito no coração daqueles que n’Ele creem, novos fastos da história seriam escritos, ora por um martírio silencioso, na doação, solicitude para com os pobres, compromisso com a Boa-Nova do Reino, ora por um martírio culminado na sua expressão máxima, com o sangue derramado.
De fato, se encontramos páginas da História da Igreja, em que se possam reconhecer erros cometidos, inegavelmente, muito maior o número das páginas em que ela, a Igreja/Corpo, se coloca em total e incondicional fidelidade ao Senhor, que é a sua Cabeça.
Ascendeu para acender:
– e inflamar o coração dos discípulos, a fim de que suportem toda petulância, maldade de algozes, fúria dos que se sentiram incomodados com a mensagem de vida e de paz;
– a luminosidade da alma dos seus seguidores, de modo que a incandescência de alma torna mais iluminado o mundo. Afinal, Ele nos disse que somos a luz do mundo;
– a chama que aquece corações com gestos multiplicados de amor, ternura, perdão, acolhida, compreensão;
– e jamais os discípulos missionários se tornarem tépidos no testemunho da fé, e na vivência da Doutrina, porque se mornos, Deus nos vomitará (Ap 3, 15-16)
Sendo aceso o Fogo do Espírito em cada um de nós, sejamos mais zelosos, empenhados na missão, por Jesus, a nós confiada, ardentes em desejos mais santos e sinceros, para que estabeleçamos relações mais humanas e fraternas.
Ígneos do Espírito sejamos, e tão somente assim, daremos razão de nossa esperança, e nossa fé será solidificada, como expressão do encontro com Alguém que mudou a nossa vida para sempre: Jesus Cristo, que Reina com o Pai na mais perfeita comunhão de amor, com o Santo Espírito, e que, com sua Ascensão, nos introduziu também nesta glória, como tão bem é expressa na Oração do Dia, na Festa da Ascensão do Senhor:
“Ó Deus todo-poderoso, a Ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças,
pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!” (1)
Finalizo com esta Oração, para que inflame ainda mais nossa alma, confiando e correspondendo ao Amor de Deus:
“Contigo esteja o Senhor…
O Senhor esteja diante de ti, para te mostrar o reto caminho. 
O Senhor esteja ao teu lado, para te dar o braço e apoiar-te. 
O Senhor esteja atrás de ti, para te guardar das ciladas do mau.

O Senhor esteja debaixo de ti, para te segurar, quando caíres. 
O Senhor esteja em ti, para te consolar, quando estiveres triste.
O Senhor esteja ao teu redor, para te defender, quando te atacarem.

O Senhor esteja sobre ti, para te abençoar. 
Que o bom Deus te abençoe”
 (2)
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Dom Otacilio F de Lacerda

Jesus prometeu e cumpriu: enviou-nos um Defensor (Homilia VI Domingo do Tempo Pascal)DTPA)

 “O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de

receber, porque não O vê nem O conhece”

No 6º Domingo da Páscoa (ano A), a Liturgia nos convida a contemplar a proximidade e paternidade de Deus, que não nos deixa órfãos.

A presença divina é sempre discreta, mas de eficácia tranquilizadora na história da Igreja. O que Jesus disse aos discípulos, num contexto de despedida, tornou-se uma verdade para sempre – “Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós” (Jo 14,18).

Na passagem da primeira Leitura (At 8,5-8.14-17), vemos a ação da comunidade cristã testemunhando a Boa Nova de Jesus, numa presença libertadora e salvadora da vida humana.

A mensagem é explícita: O Espírito Santo somente se manifestará e atuará se a comunidade se propuser a viver uma fé integrada, numa família de irmãos que se reúnem em comunhão com o Pai e o Filho:

Para que uma comunidade se constitua como Igreja, não basta uma aceitação superficial da Palavra, nem manifestações humanas (por muito impressionantes que sejam).

Ao mesmo tempo, é preciso que qualquer comunidade cristã tenha consciência de que não é uma célula autônoma, mas que é convidada a viver a sua fé integrada na Igreja universal, em comunhão com a Igreja universal.

Toda a comunidade que quer fazer parte da família de Jesus deve, portanto, acolher a autoridade e buscar o reconhecimento dos pastores da Igreja universal. Só então se manifestará nela o Espírito, a vida de Deus” (1)

A passagem da segunda Leitura (1Pd 3,15-18) é uma exortação para que a comunidade permaneça confiante, apesar das hostilidades e dificuldades encontradas. É ocasião favorável para o testemunho sereno da fé, num autêntico amor, até mesmo pelos seus perseguidores, assim como o próprio Cristo, que fez da Sua vida um dom de Amor a todos:

“Os cristãos devem, também, estar sempre dispostos a apresentar as razões da sua fé e da sua esperança – isto é, a dar testemunho daquilo em que acreditam (vers. 15b).

No entanto, devem fazê-lo sem agressividade, com delicadeza, com modéstia, com respeito, com boa consciência, mostrando o seu amor por todos, mesmo pelos seus perseguidores.

Dessa forma, os perseguidores ficarão desarmados e sem argumentos; e todos perceberão mais facilmente de que lado está a verdade e a justiça (vers. 16).

Os cristãos devem, ainda, em qualquer circunstância – mesmo diante do ódio e da hostilidade dos perseguidores – preferir fazer o bem do que fazer o mal (vers. 17)”. (2)

A comunidade dos que creem em Deus deve pautar a vida pela lógica de Jesus e não pela lógica do mundo, fazendo a doação da vida, por amor, alcançando assim, a glória da Ressurreição. Deve manter viva a confiança, a alegria, a fidelidade, a esperança…

No Evangelho (Jo 14,15-21), numa ceia de despedida, Jesus assegura aos discípulos, inquietos e assustados com Sua eminente partida para junto do Pai, a vinda do Paráclito.

Sua missão será conduzir a comunidade em direção à verdade, à comunhão cada vez mais profunda, íntima e intensa com Ele. Tão somente assim a comunidade se tornará a morada de Deus no mundo, no fiel testemunho da Salvação oferecida por Deus à humanidade.

Vivendo o Mandamento do Amor, permanecerão com Ele, e junto do Pai enviará o Defensor, o Paráclito:

“Se me amais, guardareis os meus Mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece” (Jo 14,  15.17a).

Após a missão de Jesus, caberá ao Paráclito assistir a comunidade que dará continuidade a esta:

Enquanto esteve com os discípulos, Jesus ensinou-os, protegeu-os, defendeu-os; mas, a partir de agora, será o Espírito que ensinará e cuidará da comunidade de Jesus.

O Espírito desempenhará, neste contexto, um duplo papel: em termos internos, conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, ajudando os discípulos a interpretar esses ensinamentos à luz dos novos desafios; por outro, dará segurança aos discípulos, guiá-los-á e defendê-los-á quando eles tiverem de enfrentar a oposição e a hostilidade do mundo.

Em qualquer dos casos, o Espírito conduzirá essa comunidade em marcha pela história, ao encontro da verdade, da liberdade plena, da vida definitiva”. (3)

Renovemos a alegria de continuar a missão de Jesus, contando com a força e presença do Paráclito, do Espírito Santo, que conduz, ilumina, orienta, fortalece a Igreja, como tão bem vamos celebrar, em breve, na Festa de Pentecostes.

Também hoje a Evangelização coloca à nossa frente desafios, provações, inquietações. Não podemos estacionar, menos ainda recuar no testemunho da fé. Dar razão da esperança é preciso, pois Deus habita em nós e na Sua Igreja.

A razão de nossa esperança passa necessariamente pela qualidade do testemunho do nosso amor, que torna válida, frutuosa a nossa fé, fecundando o mundo novo, como instrumento da realização do Reino por Jesus inaugurado.

(1) (2) (3) www.Dehonianos.org/portal

Dom Otacilio F. Lacerda


       

A travessia é possível!
Temos o Sopro do Espírito

Retomo um trecho  do “Tratado sobre a Trindade” (séc IV), do Bispo Santo Hilário,  cuja memória celebramos, com toda a Igreja, no dia 13 de janeiro.

“… Apesar de ser esta a única manifestação da minha vontade, é preciso suplicar o auxílio de Vossa misericórdia. Desfraldando as velas da nossa fé e do nosso testemunho, vinde enchê-las com o Sopro do Vosso Espírito, e orientai-nos no caminho da pregação que iniciamos. Pois não nos faltará Aquele que prometeu: Pedi e vos será dado. Procurai e achareis.  Batei e a porta vos será aberta (Mt 7,7).”

Primeiramente, ressalto a sua súplica, o auxílio da misericórdia divina. O que seria de nossa miséria humana sem a misericórdia divina. Cada vez mais a humanidade precisa reconhecer sua condição de criatura diante do Criador que é fonte de bondade, ternura e misericórdia. Um mundo que prescinda de Deus e de Sua misericórdia mergulha num abismo absurdo de escuridão e da falta de sentido para a vida.

– Por que muitos se afastam da felicidade?

Inevitavelmente, o afastamento de Deus é a perda da própria felicidade, do sentido mais profundo do existir que dEle procede e para Ele retorna.

Por isto no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12) Ele nos apresentou o Projeto da autentica felicidade, que não coincide com a felicidade que o mundo oferece. E, diz textualmente que se permanecermos nEle teremos a felicidade plena (Jo 15).

Dando um passo em suas palavras – “desfraldando as velas de nossa fé e testemunho”. Usando uma metáfora, a vida é como um barco em permanente travessia. Viver movidos pela fé que não dispensa o testemunho, aliás, para que  tenhamos sua autenticidade que sejam apresentadas as obras, o testemunho, a coerência, os fatos. A esterilidade da fé é diretamente proporcional à ausência do testemunho.

É tempo de darmos testemunho de nossa fé, que aliada às outras duas virtudes (esperança e caridade) serão imperativos de uma vida marcada por um salutar testemunho de santidade e santificação.

Santificamo-nos quando santificamos o outro, bem como nos santificamos quando o outro e seus apelos e clamores não ficam sem nossa resposta solidária (fome de: pão, amor, alegria, paz, respeito, dignidade).

Bem diferente do senso comum de santidade que muitas vezes se confunde no distanciamento do mundo, e deste modo acontece lamentavelmente a omissão de compromissos inadiáveis com o próximo, no qual consiste a verdadeira adoração a Deus.

A súplica necessária vem em seguida: “vinde encher com o Sopro do Teu Espírito” as velas da fé e do testemunho.

– O que seria de nossa fé e testemunho sem o Sopro do Espírito?

– Quantas vezes nos sentimos cansados nesta longa travessia e o Sopro do Espírito preenche todo o nosso ser?

E, assim, de súplica em súplica, o Sopro do Espírito enche a vela de nossa fé nos levando bem mais longe, até que um dia alcancemos a margem da eternidade.

É por causa do Sopro do Espírito que a vela de nosso testemunho segue levantada, garantindo travessia segura, não obstante os desafios quotidianos, inquietações, provações.

É por causa deste mesmo Sopro que damos testemunho de nossa fé com coragem e mansidão, cultivando, no mais profundo de nosso ser, a certeza de que nunca estamos sós.

É por causa deste mesmo Sopro que não recuamos, não submergimos nos mares das dificuldades inerentes à condição humana.

É por causa deste vital Sopro do Espírito que acordamos e fazemos de cada aurora a esperança de que um novo mundo há de acontecer. Cremos no novo céu, impelidos pelo Sopro do Espírito. Cremos que com o Sopro do Espírito nossa barca, apesar das agitações, seguirá até o seu porto final.

É por causa desta presença que não perdemos a consciência de onde viemos, por onde nos movemos e somos e para onde rumamos.

A vida é uma longa travessia que somente alcançará o seu êxito se não prescindirmos do Sopro do Espírito.

É preciso ter fé, é preciso testemunhar,

mas sempre com o Sopro do Divino Espírito.

Supliquemos e Ele nos será concedido! Amém!

P Dom Otacilio F. Lacerda

                                   

Jesus, o Caminho que nos conduz ao Pai – Quinto Domingo da Páscoa (Ano A)

      Sejamos cristãos alegres, corajosos, convictos a caminho do céu, vivendo  no tempo presente a nossa fé em Jesus Cristo, que nos conduz ao Pai, com a força, presença e ação do Seu Espírito.

No 5º Domingo da Páscoa (ano A), a Liturgia nos convida a refletir sobre a missão da Igreja, que nasce de Jesus na fidelidade ao Pai, é vivificada com a presença e ação do Espírito Santo, continuando o caminho que é o próprio Jesus: Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6).

Na passagem da primeira Leitura (At 6,1-7), Lucas nos fala do testemunho da Igreja de Jerusalém nos apresentando alguns aspectos que dão identidade a ela: uma comunidade santa, embora formada por pecadores, num contínuo processo de conversão, procurando viver a fidelidade apesar das falhas e dificuldades.

Possui uma organização hierárquica com a responsabilidade de conduzir e orientar a direção da comunidade, favorecendo o diálogo e a participação consciente, ativa e frutuosa.

Uma comunidade de servidores que colocam em comum os dons de Deus recebidos.

Finalmente, uma comunidade criada, animada e dinamizada pelo Espírito Santo, para que dê testemunho de Jesus Cristo Ressuscitado.

Na passagem da segunda Leitura (1 Pd 2,4-9), nos é apresentado o fundamento, a Pedra  Angular, a Pedra principal da Igreja que é Jesus Cristo, no qual os cristãos são pedras vivas.

Como Igreja se constitui um povo sacerdotal, com a missão de viver uma obediência incondicional aos planos do Pai, no amor aos irmãos, e nisto consiste o verdadeiro culto agradável a Deus.

Deste modo, a Igreja precisa crescer na fé para alcançar a Salvação, vencendo todas as dificuldades, hostilidades, incompreensões e perseguições, consciente de sua missão no testemunho do Ressuscitado, com a força vivificante do Espírito Santo, infundida no coração dos discípulos.

Como comunidade da Nova Aliança, a Igreja precisa oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus e, como Povo de Sacerdotes, ofertar uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom da vida aos irmãos, com amor total e incondicional, superando todo medo em total fidelidade e confiança em Deus.

A comunidade não pode se contentar com um “verniz” cristão que a torne indiferente a todos os problemas que cercam a vida humana.

Sendo Cristo o fundamento da Igreja, e o amor o distintivo dos cristãos, a missão da Igreja será colocar-se em todos os âmbitos, profeticamente, como instrumento da vida plena e definitiva.

Na passagem do Evangelho (Jo 14,1-12), a comunidade continua a missão de Jesus, no anúncio e testemunho do Evangelho, como homens novos, com vida em plenitude, porque integrados à Família Trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo.

A passagem retrata um contexto de despedida de Jesus, e com isto Ele quer deixar no coração dos discípulos uma palavra de confiança e esperança, para que não se desviem e nem abandonem a caminhada com Ele iniciada: Ele vai para o Pai e garante a todos que O seguirem o mesmo destino, ou seja, a glória da eternidade.

A comunidade, acolhendo o Espírito que Ele enviará do Pai, viverá na obediência e fidelidade a Deus, em total entrega de amor e serviço ao outro.

No entanto, para fazer parte de Sua família é preciso que os discípulos vivam esta total obediência a Deus, trilhando o Caminho que é o próprio Jesus que ama até o fim, porque de fato, cristãos são os que se põem a caminho. Não se pode viver uma fé instalada, acomodada, e tão pouco conceber possíveis recuos, pois “a fé começa pelos pés”.

Sejamos cristãos alegres, corajosos, convictos a caminho do céu, vivendo no tempo presente a nossa fé em Jesus Cristo, que nos conduz ao Pai, com a força, presença e ação do Seu Espírito.

Celebrando mais um Domingo neste Itinerário Pascal, renovemos em nosso coração, o Amor de Deus infundido em nós pela ação do Espírito, para continuarmos com os pés firmes neste Bom Caminho que nos conduz aos céus, à comunhão plena e eterna de Amor: Céu.

 Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/05/vossa-palavra-ilumina-nossos-passos.html

 

A fraqueza do rebanho e a fortaleza do Pastor – Homilia do IV Domingo de Páscoa (Ano A)

No IV Domingo da Páscoa (Ano A), o Dia do Bom Pastor, que é o próprio Jesus e também Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

A Liturgia nos apresenta, na primeira Leitura, uma passagem dos Atos dos Apóstolos (At 2, 14a.36-41), um discurso catequético sobre a atitude correta para que se acolha a proposta de Salvação que Deus nos faz, por meio de Jesus Cristo.

Professar a fé em Cristo, o Bom Pastor, requer conversão, para que se viva o Batismo como vida nova: adesão, seguimento, acolhida do Espírito Santo para deixar recriar, vivificar e se transformar por esta  presença divina em nós.

A conversão (metanoia) é consequência de ter sentido “pontadas no coração”, a aflição e o remorso por ter feito algo contrário à justiça.

A “metanoia” implica na atitude que conduz ao arrependimento. É o primeiro passo para a mudança de vida:

“É a atitude de quem reconhece a verdade das acusações que lhe são imputadas, de quem admite os seus erros e limitações e de quem está verdadeiramente disposto a reequacionar a vida, a corrigir os esquemas errados que têm orientado, até aí, a sua existência […]

Significa a mudança radical da mente, dos comportamentos, dos valores, de forma a que o coração do crente se volte de novo para Deus […]

É a renúncia ao egoísmo e a autossuficiência, e o aceitar a proposta de Salvação que Deus faz através de Jesus. Implica o acolher Jesus como o Salvador e segui-Lo, no caminho do amor, da entrega, do dom da vida.” (1)

Por isto, dirigem a pergunta a Pedro e aos outros Apóstolos: “O que havemos de fazer, irmãos?” (At 2,37).

Ao que Pedro responde – “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2, 38).

Receber o Batismo implica no desejo de conversão, desejo de receber o Espírito Santo: optando por Cristo, acolhendo-O no coração, de modo que a vida daquele que crê ganha um dinamismo divino, e a cada instante é recriado, vivificado e transformado.

Deus, que deseja nossa mudança, acredita no bom propósito de nossa conversão. É preciso tomar consciência dos caminhos errados que possam ter sido trilhados, da ausência de sentido em certas opções que se tenha feito…

A “metanoia” nos pede atitude corajosa, porque é mais fácil viver comodamente instalados, na autossuficiência, do que com humildade reconhecer os erros, “dar o braço a torcer”.

A “metanoia” exige a eliminação dos preconceitos mais diversos, de esquemas mentais; admissão das falhas, limites e incoerências que marcam a condição humana.  E trata-se de um processo ininterrupto.

Na passagem da segunda Leitura (1 Pd 2, 20b-25), Pedro  nos diz como deve agir aquele que segue o Bom Pastor, respondendo à injustiça com o amor, ao mal com o bem.

O contexto vivido pela comunidade na década de 80 era de perseguição, dificuldades, hostilidade por parte daqueles que defendiam a ordem romana:

“O autor da carta conhece perfeitamente a situação de debilidade em que estas comunidades estão e prevê que, num futuro próximo, o ambiente se vá tornar menos favorável ainda.

Recorda, pois, aos destinatários da carta, o exemplo de Cristo, que sofreu e morreu, antes de chegar à Ressurreição. É um convite à esperança: apesar dos sofrimentos que têm de suportar, os crentes estão destinados a triunfar com Cristo; por isso, devem viver com alegria e coragem o seu compromisso batismal.” (2)

Jesus é o modelo para os que creem, conduz e guarda a todos que n’Ele confiam. O cristão segue e testemunha a fidelidade a este Jesus que sofreu sem culpa e que suportou os sofrimentos com Amor, rejeitando absolutamente o recurso da violência, com total mansidão, porque tão somente o amor gera a vida nova e transforma o mundo:

‘Ele sofreu (v. 21) sem ter feito mal nenhum (v. 22); maltratado pelos inimigos, não respondeu com agressão e vingança (v. 23); pelo dom da Sua vida, eliminou o pecado que afastava os homens de Deus e uns dos outros (vs. 24); por isso, Ele é o Pastor que conduz e guarda os crentes (v. 25)’” (3)

A passagem do Evangelho nos diz que Jesus é o Bom Pastor que conduz a humanidade às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota vida em plenitude (Jo 10,1-10).

A imagem do Bom Pastor, que nos remete ao Livro do Profeta Ezequiel (Ez 34), é a mensagem catequética de que a promessa de Deus se cumpriu em Jesus Cristo. O Bom Pastor, esperado e prometido por Deus, agora presente no meio da humanidade.

Esta presença é recusada pelas autoridades de Seu tempo (cf. c. 9), quando Jesus cura o cego de nascença.

As autoridades religiosas não somente preferiram continuar nas trevas da autossuficiência, como também impediram o Povo que lhes foi confiado de descobrir a luz libertadora que Jesus tinha para oferecer:

“Jesus não usa meias Palavras: os dirigentes judeus são ladrões e bandidos (cf. Jo 10,1), que se servem das suas prerrogativas para explorar o povo (ladrões) e usam a violência para o manter sob a sua escravidão (bandidos).

Aproximam-se do Povo de Deus de forma abusiva e ilegítima, porque Deus não lhes confiou essa missão (“não entram pela porta”): foram eles que a usurparam. O seu objetivo não é o bem das “ovelhas”, mas o seu próprio interesse”. (4)

Diferentemente, Jesus estabelece com as pessoas uma relação pessoal de Amor e proximidade. Suas ovelhas reconhecem a Sua voz e O seguem, porque encontram segurança, liberdade e vida definitiva.

Jesus não somente caminha diante das ovelhas, mas Se fez o próprio Caminho (Jo 14, 6).

Estabelece uma relação de respeito à dignidade de cada um, à sua individualidade. Relaciona-Se de forma humana, tolerante, amorosa e que também deve ser vivida pelo Seu rebanho, no cumprimento do Mandamento do Amor a Deus e ao próximo, de tal modo que se possa dizer: “tal Cristo, tal Pastor…”, numa coerência entre o crer, pregar e viver.

O rebanho reconhece a Sua voz e não se deixa seduzir pelo “canto da sereia”.

Jesus também diz que Ele é a “Porta”, e quem por ela entrar será salvo. Passar por esta “Porta” é encontrar a liberdade desejada e a vida em plenitude, numa total e incondicional adesão a Ele e seguimento até o fim, acolhendo e vivendo a Sua proposta, numa vida marcada pela doação, entrega e serviço por amor.

Ao celebrarmos o Dia do Bom Pastor, renovemos a alegria de pertencermos ao rebanho do Senhor, com maior solicitude e fidelidade à Sua Voz para que nos empenhemos no caminho da santidade a serviço no mundo e na Igreja.

Oremos:

“Deus eterno e Todo-Poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Por N. S. J. C. Amém”.

(1) (2) (3) (4) www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/05/a-fraqueza-do-rebanho-e-fortaleza-do.html

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“Que havemos de fazer, irmãos?”
A Liturgia do 4º Domingo da Páscoa (ano A) nos apresenta, na primeira Leitura, uma passagem dos Atos dos Apóstolos (At 2, 14a.36-41).
Trata-se de um discurso catequético sobre a atitude correta, para que se acolha a proposta de Salvação que Deus nos faz, por meio de Jesus Cristo.
Professar a fé em Cristo, o Bom Pastor, requer conversão, para que se viva o Batismo como vida nova: adesão, seguimento, acolhida do Espírito Santo para deixar recriar, vivificar e se transformar por esta  presença divina em nós.
A conversão (metanoia) é consequência de se ter sentido “pontadas no coração”; aflição e remorso por se ter feito algo contrário à justiça.
Implica na atitude que conduz ao arrependimento. É o primeiro passo para a mudança de vida, pois nos pede atitude corajosa, pois é mais fácil viver comodamente instalados, na autossuficiência, do que, com humildade, reconhecer os erros, “dar o braço a torcer”.
A “metanoia” exige a eliminação dos preconceitos mais diversos, de esquemas mentais, admissão das falhas, limites e incoerências, que marcam a condição humana.  Trata-se de um processo ininterrupto:
“É a atitude de quem reconhece a verdade das acusações que lhe são imputadas, de quem admite os seus erros e limitações e de quem está verdadeiramente disposto a reequacionar a vida, a corrigir os esquemas errados que têm orientado, até aí, a sua existência […]
Significa a mudança radical da mente, dos comportamentos, dos valores, de forma a que o coração do crente se volte de novo para Deus […]
É a renúncia ao egoísmo e a autossuficiência, e o aceitar a proposta de Salvação que Deus faz através de Jesus. Implica o acolher Jesus como o Salvador e segui-Lo, no caminho do amor, da entrega, do dom da vida.” (1)
Por isto, dirigem a pergunta a Pedro e aos outros Apóstolos: “O que havemos de fazer, irmãos?” (At 2,37).
Ao que Pedro responde – “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2, 38).
Receber o Batismo implica no desejo de conversão, desejo de receber o Espírito Santo, optando por Cristo, acolhendo-O no coração, de modo que a vida daquele que crê ganha um dinamismo divino, e a cada instante é recriado, vivificado e transformado.
Deus, que deseja nossa mudança, acredita no bom propósito de nossa conversão. É preciso tomar consciência dos caminhos errados que possamos ter sido trilhados, da ausência de sentido em certas opções que tenhamos feito.
O caminho, portanto, se dá nos passos que o cristão deve trilhar, para que tenha uma identidade mais verdadeira: conversão, Batismo, perdão dos pecados, Espírito Santo, agregação aos Apóstolos, para ser Igreja e participar da missão do anúncio e testemunho da Boa-Nova do Ressuscitado.

                                                      O rosto do Deus Pastor

Contemplemos o rosto do Deus Pastor:

O caminho da vida é longo e repleto de insídias, assemelha-se, por vezes a um’ vale escuro’. Eis então que aparece um outro rosto de Deus, mais frequente e familiar aos homens do Antigo Testamento e da Bíblia, profundamente abrangente também para nós hoje:  é o rosto do Deus Pastor.

O Senhor guia-nos, assiste-nos no fatigante caminho da vida, conduz-nos para verdes prados, para águas refrescantes, reza o salmista/orante (Sl 23), exprimindo a sua firme confiança na atuação de Javé em seu favor”. (1)

Insídias, armadilhas, ciladas, ou dito de outra forma, nós a serem desatados, caminhos obscuros a serem percorridos, em meio às incertezas e inquietações próprias do existir, fazem parte do enredo da vida de cada um.

É no viver este enredo, no desfazer dos nós, enfrentando situações adversas e aparentemente intransponíveis que, com a graça de Deus e com o Amor do Deus Pastor, não sucumbimos nem entregamos os pontos.

Deus Bom Pastor nos ilumina com Sua Palavra, a Sagrada Escritura, e nos sacia e nos revigora com o Corpo e Sangue presentes na Eucaristia, real presença de Deus que Se faz Verdadeira Comida e Verdadeira Bebida.

Como é bom saber que Deus nos conduz para águas tranquilas, verdes pastagens, como tão bem expressou o Salmista, e com ele rezamos.

Da mesma fora, que a luz de Deus irradia mais forte, quanto mais escuro for o vale por que passamos.

Bem se diz que, no auge da noite, começa a brilhar a luz de um novo dia.

Que a Luz de Deus continue iluminando nossos caminhos, e continuemos experimentando a força da Palavra divina, que nos liberta de todas as amarras, ciladas e insídias.

Rezemos o Salmo 91, que nos coloca em total confiança em Deus, que jamais nos desampara, jamais deixa de voltar Seu Rosto de Amor para nós, porque estamos para sempre em Seu Coração.

É próprio do Amor de Deus carregar-nos em Seu Coração, Fornalha ardente de Amor.

Que seja próprio também a cada um de nós sentir e corresponder a este amor, testemunhando ao mundo a força inovadora deste amor, revelando a verdadeira face de Deus Pastor, um Deus de Amor.

(1) Lecionário Comentado p. 772.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/05/o-rosto-do-deus-pastor.html


                                                      Comprometidos com o Bom Pastor

Somente n’Ele está a nossa Salvação!

A fé e a razão no coração e na

mente das “ovelhas” do Bom Pastor…

O Missal Dominical nos propõe, para o Domingo do Bom Pastor, uma reflexão, que tem como título e fio condutor: “Somente no nome de Jesus Cristo está a nossa Salvação”,.

“O mediador único da Salvação é Jesus de Nazaré. Todos os outros títulos só servem para qualificar o Nome de Jesus, “Deus salva”. Deus salva a humanidade no homem Jesus, em quem Se encontram a total disponibilidade e fidelidade da criatura com a “benevolência” e o Amor do Criador e Pai.

A pessoa (o nome) do Homem-Deus, perfeito acabamento da salvação, traz em Si o apelo à plenitude de vida e de amor que todo homem deseja, e a resposta, isto é, o cumprimento. […]

A exigência da “Salvação” se faz sentir hoje com urgência em toda a nossa civilização. Depois dos otimismos exuberantes do século passado, que viam na ciência, então em seus primeiros passos, uma promessa de Salvação para todos os males do homem, nossos contemporâneos se tornaram mais cautelosos. 

A ciência como, aliás, todas as realidades humanas, revelaram sua face ambígua. Ainda hoje existem os que esperam a salvação da ciência, da economia, da técnica, da projeção estatística e da “futurologia”. Mas seu número é cada vez mais escasso, seu otimismo cada vez mais condicionado.

Todos os humanismos ateus insistem unicamente no homem e em seu esforço por obter a salvação. Mas sua atitude termina em dois estados de espírito: a presunção ou o desespero. 

A presunção de Prometeu, que escala os céus e desafia os deuses, arrebatando-lhes o fogo sagrado. O desespero de Sísifo, que considera inútil sua longa fadiga, vão seu esforço. E então se esgota num cinismo cético e pessimista, renunciando à esperança.  […]

O cristão sabe que só há Salvação em Cristo. Ele é o único Salvador. Em nenhum outro e em nada mais há Salvação: nem na ciência nem na técnica, na economia ou na arte. Somente em Cristo.  E não é uma Salvação parcial, puramente “espiritual”. Atinge o homem em sua, globalidade, liberta-o e o salva interiormente para que se possa libertar e salvar também em todas as outras dimensões de seu ser, individual e social.

Salvação do homem todo. Salvação de todos os homens. Salvação que tem sua garantia de êxito na Páscoa do Senhor. O Vaticano II diz que os sacerdotes, para iniciar o povo na vivência do Mistério Pascal de Cristo, devem aprender a procurá-lo na meditação fiel da Palavra de Deus, na participação ativa dos Mistérios da Igreja, no bispo e especialmente nos pobres, pequeninos, enfermos, pecadores e incrédulos”

Mais uma vez aparece a clara relação que deve existir entre a fé e a razão. Uma não pode prescindir da outra.

Jamais a Igreja negou a contribuição das ciências para responder os apelos, desafios, limites da condição humana; para superação de obstáculos, que roubam a beleza e a dignidade da vida.

Nada enriquecedor para o desenvolvimento da História, que Deus começou a escrever desde o Éden até a Jerusalém Celeste, que tanto desejamos, o ignorar da ciência.

Do mesmo modo, nada enriquecedor será a idolatria à ciência, do saber, prescindindo do Absoluto, do Princípio e Fim da História e da Humanidade:  Jesus Cristo. Ele é, de fato, a nossa Salvação; somente em Seu Nome está a nossa Salvação.

Nisto consiste contemplarmos Jesus Cristo como o Bom Pastor, que dá a vida pelo Seu rebanho. O Bom Pastor não Se alegra com um rebanho sem vida.

Não tenho dúvida de que, como discípulos do Bom Pastor, devemos desenvolver todo saber técnico, científico, para tornar a vida mais bela, mais conforme os desígnios divinos.

Cada vez mais olhar para o Paraíso, não com olhares nostálgicos, mas com olhar de esperança e compromisso de um novo tempo, de um novo céu e nova terra: “Não tenhamos saudades do Paraíso, mas compromissos múltiplos e incansáveis com ele”.

Não sejamos discípulos de Prometeu, não mergulhemos no desespero “prometeico”, que nos condenaria à presunção. Não temos porque escalar os céus e desafiar a Deus, roubando-lhe o “fogo”.

Somos criaturas, Ele o Criador. A nós cabe, com Ele e por Ele, fazer mais bela a vida, como co-criadores, prolongando a Obra da Criação que foi iniciada, mas jamais concluída.

Está em nossas mãos recriar o mundo ou destruí-lo. Amar a vida, desde sua concepção até seu declínio, ou violá-la, maculá-la, fragilizá-la, vilipendiá-la.  Estão em nossas mãos, mente e coração, o livre arbítrio e o sadio uso da razão.

Não sejamos discípulos de Sísifo, não mergulhemos no desespero “sísifico”, vendo o trabalho como algo enfadonho, como se nada do que é feito trouxesse resposta aos anseios humanos; seria a própria morte da esperança, uma vida sem horizontes e sem sentido.

Que neste Tempo Pascal, sob a luz e ação do Espírito, fonte da Divina Sabedoria, tenhamos sede do saber, mas tenhamos também a sede de uma fé mais concreta, sólida, edificante, frutuosa.

Razão e fé, em sábia e sadia relação, nos farão mais Pascais, mais autênticas testemunhas do Cristo Ressuscitado, pois somente n’Ele a nossa Salvação.

Urge que a Palavra de Deus continue a arder em nosso coração, que não sejamos lentos de inteligência para compreensão dos Mistérios de Deus, e que nossos olhos se abram, em cada Banquete Eucarístico, para ver a proximidade do outro, a proximidade do Reino.

Façamos também de cada Encontro Eucarístico, um encontro com o Senhor. Que Sua Palavra e em Sua Presença, Viva e verdadeira, na Eucaristia, nos façam mais eucarísticos. E, assim, sigamos “eucaristizando” o mundo, na mais bela e perfeita Comunhão das Mesas: da Palavra, da Eucaristia e do cotidiano. Aleluia!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/05/comprometidos-com-o-bom-pastor.html


 

Faça arder nosso coração, abra nossos olhos, Senhor! – Homilia para o 3º Domingo de Páscoa

Que a Boa Nova da Ressurreição de Jesus
seja nossa força na missão: A Ressurreição
de Jesus se descobre caminhando.
A Liturgia do 3º Domingo da Páscoa (Ano A) nos convida a descobrir Cristo vivo, que Se manifesta caminhando com os discípulos, assim como caminha com a humanidade.
Com Sua Palavra, medo, mágoas, tristezas, desânimo são superados, dando lugar à coragem, ao perdão, à alegria, à esperança.
Assim como Sua voz fez arder o coração dos discípulos de Emaús, enquanto lhes falava das Escrituras, também o nosso em cada Eucaristia que participamos e a Palavra de Deus ouvimos.
Do mesmo modo, nossos olhos se abrem ao partir e repartir o Pão, Corpo e Sangue do Senhor, como também o fez com os discípulos, ficando com eles naquele entardecer inesquecível, assim faz conosco em cada Banquete Eucarístico que participamos.
Na passagem da primeira Leitura (At 2,14.22-33) refletimos sobre a identidade da comunidade que testemunha o Ressuscitado: a prática de um amor que se faz dom a Deus e aos irmãos.
É preciso que a comunidade se prepare para dar testemunho de Jesus, em Jerusalém e até os confins do mundo. Encontramos na Leitura o primeiro anúncio de Jesus feito por Pedro (“kerigma”) aos habitantes da cidade, e a quantos ali se encontravam.
“Este discurso, colocado na boca de Pedro, não é a reprodução histórica exata de um discurso feito por Pedro junto do cenáculo, no dia da Festa de Pentecostes; mas é um discurso construído pelo autor dos Atos, que reproduz, em parte, a pregação que a primitiva comunidade cristã fazia sobre Jesus” (1)
A mensagem do texto é explícita: Deus Ressuscitou Jesus, não permitiu que Ele fosse derrotado pela morte. De fato, uma vida consumida a serviço do Plano do Pai, em favor da vida da humanidade, conduz, necessariamente, à Ressurreição, à exaltação, à Vida em Plenitude.
Com isto, somos reanimados quando “… nos sentimos desiludidos, decepcionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa dinâmica de serviço, de entrega, de amor.
Uma vida que se faz dom nunca é um fracasso; uma vida vivida de forma egoísta e autossuficiente, à margem de Deus e dos outros, é que é fracassada, pois não conduz à vida em plenitude”. (2)
De modo que temos que fazer nossa escolha: ou testemunhar o Cristo Ressuscitado ou ceder à proposta do mundo, com valores contrários aos que Jesus apresenta e pelos quais morreu e o Pai O Ressuscitou.
Na passagem da segunda Leitura (1 Pd 1,17-21) refletimos sobre a vida nova que nos vem do Cristo Ressuscitado, que nos comunica a grandeza do Amor de Deus.
É uma forte exortação de confiança, de esperança, de amor e solidariedade, com matizes de alegria, coragem, coerência e fidelidade à opção cristã feita pela comunidade:
“O cristão é, pois, convidado a contemplar o plano de salvação que Deus quer concretizar em favor do homem e que leva Jesus (o Filho de Deus) a morrer na Cruz.
Constatando a grandeza do Amor de Deus e a Sua vontade salvífica, o homem aceita renascer para uma vida nova e santa (mesmo no meio das dificuldades e perseguições). Dessa forma, nascerá um Povo novo, consagrado ao serviço de Deus” (3)
A comunidade tem diante de si um horizonte tenebroso, com massacres, torturas e sofrimentos indizíveis. Fortes hostilidades são enfrentadas pela comunidade, mas ela precisa manter-se fiel a Jesus Cristo Ressuscitado. Olhar para Cristo que passou também pela experiência da Paixão e da Cruz, até alcançar a glória da Ressurreição.
A contemplação do Amor de Deus testemunhada por Jesus Cristo leva a comunidade a uma nova conduta, marcada pela obediência e total fidelidade superando a lógica do egoísmo, amor próprio, e vivendo no amor, entrega e doação, para alcançar a vida em plenitude.
Na passagem do Evangelho (Lc 24, 13-35) contemplamos a presença de Cristo Vivo, Ressuscitado e Vitorioso, que caminha com a comunidade. Enche o coração dos discípulos de esperança, fazendo o mesmo arder, e Se dá a reconhecer na partilha do Pão.
Deus não intervém de forma espetacular, mas no caminhar, no comunicar Sua Palavra e no simples gesto do Partir do Pão (simples e com tons Eucarísticos).
A passagem é uma página verdadeiramente catequética, e não uma reportagem jornalística. O Evangelista quis levar a comunidade à acolhida da Palavra do Ressuscitado, para retomar o caminho com ardor missionário, nutridos pela presença do Ressuscitado, encontrada no Pão Eucarístico, na Ceia piedosa, consciente, ativa e frutuosamente celebrada, como a Igreja nos ensina ao longo dos tempos.
É preciso passar do contexto do fracasso, do desencanto, da frustração para uma nova postura: alegres e corajosos discípulos missionários que encontram e sentem a presença do Ressuscitado caminhando. A fé não permite que haja recuos, desistência da Novidade do Reino por Jesus inaugurado.
O Evangelista dirige sua mensagem à comunidade dos que creem e caminham; pelas dificuldades, desanimados e sem rumo, para que não deixem morrer os sonhos que parecem diluir e desmoronar, diante da realidade monótona, ou hostil, com suas provações e adversidades.
Quando se sente a presença de Jesus, que Se faz companheiro, que caminha junto, que conhece nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, sentimos que não estamos sós, que Alguém, ainda que não vejamos, conosco caminha, e esta presença se dá desde que Ele nos comunicou, com o Seu Divino Sopro, o Espírito, e nos enviou como Suas testemunhas: ”Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15).
É preciso sempre pôr-se a caminho, com a convicção de que Jesus caminha conosco, ao nosso lado, para que superemos crises, fracassos, desalentos, desânimos.
Reflitamos:
– Qual o lugar da Palavra de Deus em nossa vida?
– Arde nosso coração quando lemos, proclamamos, refletimos, pregamos a Palavra de Deus, sobretudo nas Missas que participamos?
– Nossos olhos se abrem na Partilha do Pão e reconhecemos a presença do Ressuscitado?
– Repetimos este gesto de amor e partilha, com nossos irmãos, no quotidiano?
– Voltar para Emaús e desistir ou voltar para “Jerusalém” e, com coragem, proclamar a Boa Nova da Ressurreição?
– Em nossas Missas, sentimos o que aconteceu com os discípulos de Emaús: arde nosso coração e se abrem nossos olhos?
– Cléofas e outro caminhavam de volta, desanimados, tristes, derrotados. Também já nos sentimos assim na caminhada da comunidade?
Concluindo, vemos que a história dos discípulos de Emaús é a nossa história de cada dia:
“Os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado… os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza… os nossos velhos sonhos vividos com decepção… o nosso caminho, talvez, afastando-se do Ressuscitado…
N’Ele, durante este tempo, ajustemos o Seu passo ao nosso para caminhar junto de nós no caminho da vida.  Há urgência em abrir os nossos olhos para reconhecer a Sua Presença e a Sua ação no coração do mundo e para levar a Boa Notícia: Deus Ressuscitou Jesus! Eis a nossa fé! (4)
Que ao celebrar o 3º Domingo da Páscoa, renovemos a alegria de caminhar com Jesus, renovemos também a alegria de ser discípulo missionário, cujo coração arde pelo fogo da Palavra proclamada, acolhida, crida e vivida; cujos olhos se abrem e reconhecem Jesus no partir do Pão, um gesto tão simples, tão belo, tão divino, que há de se repetir em outros tantos gestos de amor e partilha no quotidiano a fim de que todos tenhamos vida plena, abundante.
De fato, a Boa-Nova da Ressurreição de Jesus é a grande a Verdade, que nos encoraja e nos fortalece, e isto se dá quando nos pomos a caminho com Ele.
Em cada Eucaristia que participamos, Deus nos fala ao coração e nos abre os olhos, para que O reconheçamos, e, tão somente deste modo, o  desalento, o desânimo, a frustração, o fracasso e a derrota cedem lugar à fidelidade, à esperança, à coragem, aos sonhos, à alegria.
Tudo isto é possível quando o Amor de Deus é derramado em nossos corações, por meio do Cristo Ressuscitado e da presença do Seu Espírito. Aleluia!
(1) (2) (3) (4) www.Dehonianos.org/portal

O Senhor nos comunicou o Seu Espírito _ Segundo Domingo de Páscoa

 

“… Como o Pai me enviou, também eu vos envio. E,

depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse:

Recebei o Espírito Santo.” (Jo 20, 21-22)

Uma reflexão à luz do Evangelho proclamado no segundo Domingo da Páscoa

(Jo 20,19-31), a fim de que acolhermos com alegria e fecundidade o envio do Espírito Santo para nos animar e nos conduzir na ação evangelizadora:

Com o Espírito Santo, renovamos nossa fidelidade a Jesus, que morreu na Cruz para fazer morrer o pecado e o mal, porque a luta entre o bem e o mal continua na terra e no coração de cada um de nós, e os ‘desejos da carne’ e ‘os desejos do espírito’ ainda não acabaram de lutar.

Com o Espírito Santo, neste combate que não dá tréguas,  combatemos como homens livres e bem armados, porque o Defensor, pelo Senhor prometido, o Advogado, o Paráclito nos protege da sedução dos desejos que conduzem à morte.

Com o Espírito Santo, como as primeiras comunidades, somos uma comunidade de discípulos missionários, que persevera assiduamente  na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração, num só coração e numa só alma; de modo que podem exclamar ao nos vir:  “Vejam como eles se amam”.

Com o Espírito Santo, somos curados, iluminados, fortalecidos, consolados, guiados, para sermos uma Igreja serva e servidora, sinal da Salvação para o mundo, participando da construção do Reino, para que todos tenham uma vida plena e feliz.

Com o Espírito Santo, testemunhamos o Senhor Jesus que está glorificado junto ao Pai; e como discípulos missionários, podemos compreender e viver Seus ensinamentos, transmitidos pelos Apóstolos e guardados fielmente pela Sua Igreja.

Com o Espírito Santo, somos impelidos, como Igreja, a sair dos muros do medo, e anunciar, com alegria e coragem, ao mundo inteiro, a Boa-Nova do Reino, com a necessária abertura do coração e do espírito à Escritura Sagrada, cuja luz nos orienta nas situações mais díspares e até inéditas.

Com o Espírito Santo, que em nós faz morada, renovamos nossa fidelidade ao Pai Misericordioso, que tanto nos ama, como sinais e testemunhas de Jesus Cristo, o Amado Filho, realizando a promessa e o penhor de participação na Sua Ressurreição, sem medo, covardia ou omissão.

Com o Espírito Santo, que nos abre as portas da misericórdia divina e reúne os crentes numa comunidade de pecadores perdoados e amados, somos mais entrelaçados pelos laços da fraternidade, formando e fortalecendo uma paróquia, comunidade de comunidades.

Com o Espírito Santo, Fonte inesgotável de juventude, realiza-se a comunicação de múltiplos carismas para o bem e benefício da Igreja e de todo o mundo, pois o Espírito sopra onde quer e renova todas as coisas: com a Morte e Ressurreição do Senhor, as coisas antigas passaram.

Com o Espírito Santo, continuamos a árdua e permanente Missão, pelo Senhor a nós confiada, construindo o Seu corpo na unidade, anunciando o Evangelho a toda a terra, pela força da pregação e do testemunho, a serviço da vida plena para todos.

Com o Espírito Santo, revigoramos nossas forças em cada Eucaristia, como um grande Pentecostes, fazendo Memória da Missão do Espírito Santo revelada por Jesus, precisamente, “quando chegou a hora de passar deste mundo para o Pai.”

Com o Espírito Santo, prometido por Deus há muito tempo, mergulhamos na amplitude do Mistério celebrado na Solenidade de Pentecostes, somos iluminados e aquecidos, pelo fogo do amor que consumiu e transformou repentinamente o coração dos Apóstolos; e impelidos e assistidos na divina missão.

Com o Espírito Santo, que jamais nos deixou órfãos, como prometera o Senhor, renovamos, hoje e sempre, a alegria de sermos discípulos missionários do Reino de Deus. Amém. Aleluia! Aleluia!

PS: Fonte inspiradora: Missal Quotidiano Dominical e Ferial – pp. 859 e 865

 Dom Otacilio F. Lacerda


                                                 Enriquecidos pelos dons do Ressuscitado

Sejamos enriquecidos pelo Sermão de São Basílio de Selêucia (séc. V), que nos apresenta a indescritível benignidade de Cristo, que cumulou a Sua igreja de inumeráveis dons.

“Aquela inefável benignidade de Cristo para conosco cumulou a Sua Igreja de inumeráveis dons. Cristo, magnífico em Sua sabedoria e poderoso em Suas obras, resgatou-nos da antiga cegueira da lei e isentou a nossa natureza do protocolo que nos condenava com suas cláusulas.

Na cruz, triunfou sobre a serpente, origem de todos os males. Abateu o aguilhão da temível morte e renovou com a água, não com o fogo, aos que se encontravam extenuados pela antiguidade do pecado. Abriu as portas da Ressurreição.

Aos que estavam excluídos da cidadania de Israel, os converteu em cidadãos e familiares dos santos. Aos que eram alheios às promessas da aliança, confiou-lhes os mistérios celestiais. Aos que careciam de esperança, concedeu-lhes a torrente do Espírito, como dom de salvação.

Aos ímpios e sem Deus deste mundo, os converteu em templos da Trindade. Aos que em outro tempo estavam longe devido à conduta e não pelo lugar, pela mentalidade e não pela distância, pela religião e não pela região, os acolheu mediante o salutífero lenho, abraçando aos dignos de desprezo. (…)

Quando você tiver saído do erro, Ele te redimirá e terá compaixão de ti. Na realidade, na Cruz alcançou o triunfo sobre os pecados de todos nós, sepultou nas místicas águas do Batismo nossas vestes de injustiça e precipitou na profundeza do mar todos os nossos pecados.

Pensa na fonte do santo Batismo e proclama a graça, pois o Batismo é a suma de todos os bens, a expiação do mundo, a instauração da natureza, uma correção acelerada, uma medicina sempre disponível, uma esponja que limpa as consciências, um vestido que não envelhece com o tempo, entranhas que concebem virginalmente, um sepulcro que devolve a vida aos sepultados, uma caverna que engole os pecados, um elemento que é o mausoléu do diabo, é selo e baluarte dos selados, fonte que extingue a Geena, convite para a mesa do Senhor, graças dos mistérios antigos e novos vislumbrada já em Moisés, glória pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

No segundo domingo da Páscoa, celebrando “O Domingo da Misericórdia”, retomar este Sermão nos leva a contemplar quão infinita é a misericórdia divina e quão imenso é Seu amor para conosco.

Contemplemos o Ressuscitado glorioso, que se revela e nos da a graça de sentir Sua presença, comunicando-nos a Paz e o Seu Espírito, enviando-nos em missão.

Contemplemos o Seu amor por nós, o Mistério de Sua Paixão Morte e Ressurreição, e as graças que nos foram concedidas como tão bem expressou São Basílio de Selêucia.

Contemplar e viver a graça do Batismo, a graça que nos foi alcançada pela Morte e Ressurreição do Senhor, como templos do Espírito Santo, para viver a filiação divina.

Contemplar, viver e testemunhar a graça do Batismo, sendo sal da terra e luz do mundo; sacerdotes, profetas e reis…

Contemplar, viver, testemunhar e celebrar no altar do Senhor a graça de sermos discípulos missionários Seus, numa Igreja que não se fecha em suas portas, mas rompe as pedras e põe-se corajosamente em saída, como nos exorta permanentemente o Papa Francisco.

(1) Lecionário Patrístico Dominical  – Dom Otacilio F. de Lacerda


“Ajudai-me, Senhor!
No 2º Domingo da Páscoa, celebramos o “Domingo da Misericórdia”, instituído pelo Papa São João Paulo II, em 30 de abril de 2000, por ocasião da canonização de Santa Faustina Kowalska.
Sejamos enriquecidos por esta Oração, que ela escreveu em 1937, e que se encontra em seu Diário (p.163 – Caderno I).
Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.
Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.
Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.
Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras, nem se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto, aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.
Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço; o meu repouso esteja no serviço ao próximo.
Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade. Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenho que sofrer.
Vós mesmo mandais que eu me exercite em três graus da misericórdia; primeiro: Ato de misericórdia, de qualquer gênero que seja; segundo: Palavra de misericórdia – se não puder com a ação, então com a palavra; terceiro: Oração. Se não puder demonstrar a misericórdia com a ação nem com a palavra, sempre a posso com a oração. A minha oração pode atingir até onde não posso estar fisicamente.

Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis”.
Esta oração muito nos ajuda na compreensão do que seja a misericórdia para um cristão, e o que ela exige, para que seja autêntica e agradável a Deus.
Sejamos também atentos ao convite que o Papa Francisco nos fez no Ano da Misericórdia, que teve como Lema: “Misericordiosos como o Pai”, o que somente seremos se nos configurarmos decididamente a Jesus, que nos revela a Face misericordiosa do Pai, na plena comunhão com o Espírito Santo, o Amor.

 Dom Otacilio F. Lacerda

“A fé que se torna missão” (Homilia do Segundo Domingo de Páscoa)

A fé que se torna missão”

Com a Liturgia do 2º Domingo da Páscoa (ano A), também chamado de “Domingo da Misericórdia”, à luz da Palavra de Deus, refletimos sobre o papel da comunidade cristã como lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo Ressuscitado: na Palavra proclamada, no pão partilhado, no amor vivido e no corajoso testemunho dado.

A comunidade de homens novos, que nasce da Cruz e da Ressurreição de Jesus, a Igreja, continuará a missão do Senhor: comunicar a vida nova que brota de Sua Ressurreição.

Na primeira leitura (At 2, 42-47), Lucas retrata os primeiros passos da comunidade cristã, assídua nos Ensinamentos dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Partilha do Pão e na Oração – quatro pilares básicos de uma autêntica comunidade, para que ela seja viva e frutuosa, na doação e serviço em favor dos irmãos, anunciando ao mundo a Salvação que Jesus veio trazer.

Nesta passagem, é como se Lucas nos oferecesse um “Raio-X” de nossas comunidades, percebendo sua estrutura, o que precisa ser reforçado, para que este retrato da comunidade não seja apenas saudosismo, mas um desafiador projeto a ser realizado, numa autêntica evangelização, no anúncio da Boa-Nova aos pobres, em empenho sincero de sua libertação, fazendo acontecer o urgente Ano da Graça do Senhor, como nos exorta o Evangelista Lucas (Lc 4, 16-21).

A comunidade precisa perseverar e cuidar destes pilares:

Ensinamentos dos Apóstolos:

Formação bíblica, teológica, doutrinal, Documentos da Igreja, Escola de Ministérios, subsídios diversos disponíveis, livros dos grupos de reflexão, plano de pastoral, e tantos outros meios pelos quais hoje podemos favorecer a formação doutrinal, aprofundamento da Palavra de Deus.

Comunhão Fraterna:

É muito mais que um abraço, um canto de paz na Missa ou culto dominical, é a solidariedade concreta com os empobrecidos, através de diversas Pastorais e Serviços dentro e fora das comunidades, como tão bem nos é proposto nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil – CNBB (2015-2019).

Eucaristia ou Fração do Pão:

A Celebração Dominical na qual Deus Se faz nosso Alimento e nos fortalece pela Sua Palavra. Quando celebramos nossa vida, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, em busca de novos horizontes para que o Reino de Deus aconteça.

A Eucaristia é, verdadeiramente, o ponto alto e a fonte de toda a nossa vida. A Eucaristia edifica a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia, como nos falou o Papa São João Paulo II.

Oração:

Individual, familiar e comunitária. Trinta minutos, ao menos por dia, como nos exortou um grande Bispo da Igreja do Brasil (D. Pedro Casaldáliga).

A Oração muito mais do que uma reza sistemática, rotineira, é um diálogo profundo com o Eterno que habita em cada um de nós. É colocar-se no colo de Deus, ser beijado e acariciado pelo mesmo e, se preciso, levar um “puxão de orelha” para nossa orientação… A Oração é diálogo no aparente silêncio de Deus.

Reflitamos:

– Como vivenciamos as dimensões acima apresentadas?

– Eucaristia celebrada e na vida prolongada. Como relacionamos a Eucaristia que celebramos com o nosso quotidiano?

A segunda leitura é uma passagem da Carta de São Pedro (1Pd 1,3-9), dirigida aos cristãos das cinco províncias romanas da Ásia menor.

A Carta tem como objetivo ajudar a manter firme a fé, esperança e a caridade. É preciso viver na solidariedade, alegria, coerência e fidelidade à adesão feita ao Cristo Ressuscitado: identificarmo-nos com Jesus, Aquele a quem amamos, sem O termos visto, pois Ele é o Cristo, que por amor se entregou ao Pai em favor de todos nós. Se assim também o fizermos, chegaremos, com Ele, à Ressurreição.

É preciso nas contrariedades manter a esperança, confiando no amor de Deus, que nos envolve e nos impulsiona, para que jamais recuemos no testemunho da fé, no revigoramento da caridade, nas virtudes divinas, que nos movem permanentemente.

Na passagem do Evangelho (Jo 20,19-31), Jesus Se manifesta vivo e ressuscitado, e Se apresenta como o centro da comunidade cristã, comunicando:  a paz  (plenitude de bens) e o Espírito, para que os Apóstolos continuem a Sua missão.

A mensagem explicita a centralidade de Cristo na comunidade e esta, por sua vez, é a testemunha credível da vida do Ressuscitado no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o Pão de Jesus partilhado e os compromissos com a justiça e a vida nova.

O Ressuscitado, rompendo as portas fechadas, onde os Apóstolos se encontram por medo dos judeus, disse-lhes: “A paz esteja convosco”. Nada mais pode impedir a ação do Ressuscitado.

É o primeiro dia da semana, é o tempo da nova criação alcançada pelo Ressuscitado, por isto guardamos o Domingo como o Dia do Senhor, para adorá-Lo e encontrá-Lo, de modo especial na comunidade: Cristo presente na comunidade de modo especialíssimo na Palavra e na Eucaristia.

Na primeira parte, Jesus saúda com o “shalom”: harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, plenitude dos dons à comunidade, de modo que a ela nada falta, pois o Ressuscitado Se faz presente.

E a comunidade será portadora desta Boa-Nova, empenhada na tríplice harmonia dos seres humanos com o Criador, com a própria criatura e com o cosmos.

Os Apóstolos são instrumentos da paz, da vida nova, da comunhão a ser vivida com Deus e com o próximo: shalom!

Quando reaprende a amar, a comunidade capacita-se para a missão de paz, e então se torna sal da terra, luz do mundo e fermento na massa.

A não vivência ou a recusa do amor impede que a paz aconteça… Paz que nos é dada como dom divino, compromisso humano inadiável.

Acolhendo o “sopro da misericórdia divina”, a comunidade não terá o que temer, porque não é enviada sozinha, mas com a força e a vida nova que nos vem do Santo Espírito – “E Jesus soprou sobre eles e disse-lhes: recebei o Espírito Santo”

A segunda parte, é o itinerário feito por Tomé, ausente na primeira vez em que Jesus apareceu aos Apóstolos, e depois, quando presente, faz a grande profissão de fé: ”Meu Senhor e meu Deus”.

Tomé é proclamado bem-aventurado porque viu e tocou as Chagas gloriosas do Ressuscitado, e Jesus nos diz que felizes são aqueles que creram sem nunca terem visto, nem tocado (Jo, 20-29).

Tomé toca exatamente onde nascemos e nos nutrimos: no coração de Jesus, do qual jorrou Água e Sangue: Batismo e Eucaristia.

Esta é uma mensagem essencialmente catequética, que nos convida a renovar hoje e sempre a nossa fé: somos felizes porque cremos sem nunca termos visto nem tocado.

A experiência vivida por Tomé não foi exclusiva das primeiras testemunhas do Ressuscitado, e pode ser vivida por todos os cristãos de todos os tempos. Hoje, somos convidados a fazer esta mesma experiência.

Reflitamos:

– Creio na presença de Jesus Ressuscitado na vida da Igreja?

– Sinto a presença e ação do Ressuscitado em minha vida?

– Jesus Ressuscitado possui centralidade em minha vida?

– Jesus Ressuscitado ocupa o lugar central em minha comunidade?

– Como vivo a missão, por Ele, a mim confiada?

– Tenho acolhido o sopro do Espírito na missão vivida?

– O que tenho feito para que a paz, mais que sonho e desejo, se torne realidade?

– O Domingo é, de fato, para mim o Dia do Senhor, do encontro com o Ressuscitado, para escutá-Lo na comunidade, reconhecê-Lo e comungá-Lo quando Ele Se dá no Pão partilhado, na Eucaristia?

– Como tenho prolongado, em minha vida quotidiana, a ação e vida do Ressuscitado, a Eucaristia celebrada?

Urge que a fé na Ressurreição do Senhor, faça transbordar de alegria nosso coração.

Oremos:

“Ó Pai, que no Dia do Senhor reunis o Vosso Povo para celebrar

Aquele que é o Primeiro e o Último, o Vivente que venceu a morte,

Dai-nos a força do Vosso Espírito, para que, quebrados os vínculos do mal, Vos tributemos o livre serviço da nossa obediência e do nosso amor, para reinarmos com Cristo na glória eterna.

Amém. Aleluia!”

“A paz esteja convosco”

Ninguém pode impedir a ação do Ressuscitado!

Alegremo-nos! Aleluia!

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

 Dom Otacilio F. Lacerda


                                                           Quando o Coração de Jesus foi trespassado
Acolhamos o Sermão de São Pedro Crisólogo, Bispo (Séc. V), sobre a misericórdia de Deus, que alcançamos por meio do Coração trespassado de Jesus.
“Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos (Rm 12,1). Paulo exorta, ou melhor, é Deus que por intermédio de Paulo nos exorta, pois deseja ser mais amado que temido. Deus exorta-nos, porque quer ser mais Pai do que Senhor. Deus exorta-nos, pela Sua misericórdia, para não ter de nos castigar com o Seu rigor. Ouve como o Senhor exorta:
Vede, vede em mim o vosso corpo, os vossos membros, o vosso coração, os vossos ossos, o vosso sangue. E se temeis o que é de Deus, por que não amais o que também é vosso? Se fugis do Senhor, por que não recorreis ao Pai?
Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos causados por vós. Não tenhais medo. Esta Cruz não me feriu a mim, mas feriu a morte. Estes cravos não me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós. Estas Chagas não me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em meu Coração.
O meu Corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata os espaços do Coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate.
Vinde, pois, convertei-vos e pelo menos assim experimentareis a bondade do Pai, que paga os males com o bem, as injúrias com amor, tão grandes Chagas com tamanha caridade.
Ouçamos, porém, a insistência do Apóstolo: Eu vos exorto a vos oferecerdes em sacrifício vivo (Rm 12,1). Pedindo deste modo, o Apóstolo ergueu todos os seres humanos à dignidade sacerdotal: a vos oferecerdes em sacrifício vivo.
Ó inaudito mistério do sacerdócio cristão, em que o ser humano é para si mesmo vítima e sacerdote! O ser humano não precisa ir buscar fora de si a vítima que deve oferecer a Deus; traz consigo e em si o que irá sacrificar a Deus.
Permanecem intactos tanto a vítima como o sacerdote; a vítima é imolada, mas continua viva, e o sacerdote que oferece o sacrifício não pode matar a vítima. Admirável sacrifício em que o corpo é oferecido sem imolação e o sangue sem derramamento! Pela misericórdia de Deus eu vos exorto a vos oferecerdes em sacrifício vivo.
Irmãos, este sacrifício é imagem do sacrifício de Cristo que, para dar a vida ao mundo, imolou o Seu corpo, permanecendo vivo; na verdade, Ele fez de Seu corpo um sacrifício vivo, porque tendo morrido, continua vivo. Num sacrifício como este, a morte teve a sua parte, mas a vítima permanece; a vítima vive, enquanto a morte é castigada.
Por isso, os mártires nascem com a morte, no fim da vida é que começam a vivê-la; com a sua imolação revivem e brilham agora nos céus os que na terra eram tidos como mortos.
Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício  vivo, santo. É o que também cantava o Profeta: Tu não quiseste nem vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo (cf. Sl 39,7; Hb 10,5).
Ó homem, sê tu sacrifício e sacerdote de Deus; não percas aquilo que te foi dado pelo poder do Senhor. Reveste-te com a túnica da santidade, cinge-te com o cíngulo da castidade; seja Cristo o véu de proteção da tua cabeça; que a cruz permaneça em tua fronte como defesa.
Grava em teu peito o sinal da divina ciência; eleva continuamente a tua oração como perfume de incenso; empunha a espada do Espírito; faze de teu coração um altar. E assim, com toda confiança, oferece teu corpo como vítima a Deus.
Deus não quer a morte, mas a fé; Ele não tem sede do teu sangue, mas do teu sacrifício; não se aplaca com a morte violenta, mas com a vontade generosa”.
Que morte redentora! Que incrível História de Amor! Incapaz de nossos pensamentos conter, pois ultrapassa as medidas e capacidades humanas, bem como todas as categorias filosóficas, antropológicas etc.
Um Sermão que marca profundamente nossa espiritualidade e nos desafia ao Amor de Deus corresponder com mais intensidade. Deus espera tão apenas esta continua e decidida resposta de amor! Não há outro modo de melhor acompanhar nossos cantos e hinos de louvor!
Num mundo marcado pela crueldade e, da vida, violação,
Ó Mistério de Amor foi jorrado, quando a lança atravessou-lhe o Coração!
Como não extasiar-se diante deste Amor sem medida?
Amor que por Amor nos amou, para que todos tivéssemos vida!
Viver é nada mais nada menos do que ao Amor de Deus corresponder,
Vida nova, vida plena, tão somente assim, haveremos de ter.
Viver é nada mais nada menos do que ao Amor de Deus se abrir,
Vida nova, vida plena, tão somente assim, com alegria amar e servir!
Quando o Coração de Jesus foi trespassado,
Tudo foi redimido, tudo foi renovado,
Em Seu coração fomos mergulhados.
Amém!

“Caminha conosco, Senhor”

 

Na Liturgia das Horas, encontramos esta oração nas Vésperas da Segunda-feira da Quarta Semana, que nos remete ao Evangelho de Lucas (Lc 24, 13-35).

Esta oração, podemos repeti-la em cada entardecer, certos de que a noite cai lentamente, cedendo lugar ao anoitecer; com o sol poente cedendo lugar à lua, em suas fases naturais:

“Ficai conosco, Senhor Jesus, porque a tarde cai e, sendo nosso companheiro na estrada, aquecei-nos os corações e reanimai nossa esperança, para Vos reconhecermos com os irmãos nas Escrituras e no partir do Pão. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo”.

Supliquemos sempre que o Senhor fique conosco, sobretudo para com Ele solidificarmos nossa amizade e intimidade, de modo especialíssimo em cada Ceia da Eucaristia que participamos.

Supliquemos que Ele fique conosco, em todos os momentos, favoráveis ou adversos, obscuros ou luminosos, opacos ou radiantes de luz, na alegria ou na tristeza, na angústia ou na esperança…

Supliquemos que Ele ficando conosco fortaleça nossa fé, reanime nossa esperança e inflame nossos corações na mais pura e desejável caridade para com nosso próximo, como discípulos missionários Seus, e tão somente assim seremos reconhecidos e identificados.

Ele ficará conosco, sem dúvida, pois é nosso “companheiro na estrada”, companheiro de viagem, ainda que passemos por vales tenebrosos e montanhas de dificuldades; desertos áridos da existência, vencendo as tentações (ter, poder e ser), como Ele venceu, pois com Ele, mais que vencedores somos.

Caminhando com o Senhor, ainda que tenhamos o coração endurecido e sejamos tardios para entender o Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição; Sua Palavra nos ilumine e faça arder nosso coração.

Partícipes da Mesa do Senhor, na partilha do Pão da Eucaristia, reconheçamos Sua real presença, como os discípulos reconheceram quando Ele o Pão partiu, e seus olhos se abriram.

A Ele nos dirigimos confiantes, sabemos que Ele vive e Reina com o Pai, na comunhão com o Espírito Santo, a mais perfeita comunhão de amor.
Amém. Aleluia!

Dom Otacilio F. Lacerda http://peotacilio.blogspot.com/2020/04/caminha-conosco-senhor.html

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