A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Sejamos instrumentos nas mãos de Deus (Homilia do 3º Domingo do Ano A)

No 3º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o Projeto de Salvação e de Vida plena que Deus tem a oferecer à humanidade em todo o tempo.
Na passagem da primeira Leitura (Is 8, 23b – 9,3 ), encontramos o anúncio, pelo Profeta Isaías, de que a luz de Deus brilhará por cima das montanhas da Galileia, eliminando toda a injustiça, sofrimento e desespero. É um anúncio que comunica confiança, esperança e alegria.
O povo está oprimido pelos inimigos, mas o Profeta exorta à total confiança e fidelidade em Deus.
O Profeta fala de uma promessa, descortinando os sinais de liberdade no horizonte. Deus cumprirá esta promessa.
O Apóstolo Paulo na segunda Leitura (1 Cor 1,10-13.17), convida-nos a reassumir os compromissos batismais, tendo em Jesus a verdadeira centralidade de nossa vida de fé, superando toda e qualquer forma de divisão, grupos dentro da comunidade, tudo fazendo para a promoção da concórdia e da unidade:
“A lembrança do seu Batismo deve levar os Coríntios a compreender que eles são de Cristo e somente de Cristo. A unidade da Igreja apoia-se na pessoa de Cristo e na Sua ação salvífica na Cruz.
Este reconhecimento requer de todos os crentes unanimidade de pensamento e de ação (cf. v. 10). A unidade apoia-se na confissão de fé em Cristo: sem esta base, a unidade da comunidade dos crentes fica comprometida nos seus fundamentos. Unidade, no entanto, não significa nivelamento do pensamento e uniformidade de opinião”. (1)
A vida cristã consiste em um encontro pessoal com Jesus Cristo, e em crer que somente n’Ele e com Ele e d’Ele nos vem a Salvação. Tendo Jesus como centro, evitaremos tantos perigos que machucam e fragilizam a comunidade cristã.
A comunidade deve ficar sempre atenta a um dos maiores perigos, as divisões. Portanto, deve empenhar-se para viver como família, e todos devemos ter consciência de que somos simples instrumentos nas mãos de Deus.
A nossa adesão deve ser incondicional a Jesus, o único e verdadeiro Mestre. Ninguém é imprescindível, insubstituível e inamovível.
Deve ser banido da comunidade toda forma de culto da personalidade. Nela não há espaço para incensados ou endeusados. Adoração e incenso devem ser somente para Deus.
Se trabalhamos numa Pastoral, vamos à Missa, fazemos um serviço na Igreja ou fora dela, o façamos em nome do Senhor Jesus e para o Senhor Jesus.
Tudo o que fizermos não seja por alguém, tão pouco por causa de um padre, pois se assim o fizermos, há o perigo de estabelecermos um ponto final e abandono na primeira dificuldade encontrada.
Reflitamos:
– Qual a centralidade de Jesus em minha vida?
– Como nossa comunidade enfrenta e supera o perigo das divisões?

– O que faço para que a concórdia, unidade, comunhão seja um fato, – um testemunho da presença de jesus presente na comunidade?
Na passagem do Evangelho (Mt 4,12-23), vemos que Jesus é a plena realização desta promessa de Salvação para todos os povos.
Sobre a ação de Jesus, a luz começa a brilhar na Galileia, da periferia para o centro. Jesus propõe a Boa Nova e começa a formar o Seu grupo de Apóstolos para que sejam enviados nesta alegre missão do anúncio da chegada do  Reino.
O anúncio da Salvação parte de uma região periférica, geralmente desprezada pelo paganismo, expressão da universalidade da Salvação de Deus para todos os povos.
O Evangelista Mateus, antes dos milagres, descreve o chamamento dos primeiros discípulos: Pedro e André, Tiago e João. Estes acolheram o chamamento e responderam com toda prontidão, sem hesitação, antes mesmo de compreenderem o real significado em termos de humilhação e grandeza, provação e alegria, Cruz e Ressurreição…
Há três ideias fundamentais nesta passagem em que somos chamados a contemplar o anúncio de Jesus e abismarmos nesta incrível história de Amor de Deus por nós: a salvação é universal;  a conversão é uma exigência indispensável (metanoia); o chamado para o seguimento, para o discipulado, é iniciativa divina e a resposta é livre e pessoal.
De fato, o Senhor chama a cada um de nós pelo nome, como chamou os primeiros discípulos e espera a nossa resposta. É preciso que deixemos em  segundo plano os afetos, as seguranças, os valores que consideramos para colocar a vontade e o Projeto de Deus acima de tudo e de todos.
No entanto, para que isto aconteça, é necessária a conversão, que nos possibilita maior liberdade e fidelidade na resposta que um dia demos ao Senhor.
Reflitamos:
 Quando foi o nosso encontro pessoal com Jesus?
–  Como este encontro tem determinado a nossa vida pessoal?
– Como discípulos missionários de Jesus irradiamos a Sua luz e alegria?
– Por que muitos cristãos não são alegres mesmo professando a fé em Jesus que é a divina fonte de alegria? Talvez por que o anúncio da alegria do Evangelho não tenha ainda descido na profundidade do coração?
Oremos:
“Ó Deus, que fundastes a vossa Igreja sobre a fé dos Apóstolos, fazei que as nossas comunidades, Iluminadas pela Vossa Palavra e unidas no vínculo do Vosso Amor, se tornem sinal da Salvação e de esperança para todos os que nas trevas desejam a luz. Amém!” (2)
(1)        Lecionário Comentado – Editora Paulus – p.108
(2)     Idem – p.111

FORTALEÇAMOS O PILAR DA PALAVRA DE DEUS

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (2019-2023), Documento nº. 107 da Conferência Nacional do Brasil  (CNBB), nos apresentam como Objetivo Geral:

“EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”

Utiliza-se a imagem da Casa para falar da Igreja e de sua missão – “A Casa é a imagem do que as Diretrizes chamam de comunidades eclesiais missionárias”, pois na casa de entra e sai, e é por excelência lugar do acolhimento  e do envio, de modo que “Comunidades que não geram missionários são tristes expressões da esterilidade de quem perdeu seu rumo na vivência do Evangelho”.

Tem, portanto, dois eixos inspiradores: comunidade e missão, e esta casa tem quatro pilares:

– Palavra

– Pão

– Caridade

– Ação Missionária.

Aprofundemos sobre o primeiro pilar: a Palavra de Deus, pois é sempre  oportuno refletir sua importância e centralidade em nosso viver, pensar e agir.

A Palavra de Deus por excelência possui a força e a eficácia de Deus, pois, permanentemente, nos interpela, provoca, consola, cria comunhão e salva, das mais diversas maneiras, e em todos os momentos.

Como discípulos missionários do Senhor, assistidos pelo Seu Espírito, temos uma missão libertadora, inauguradora de um novo tempo, de uma nova realidade: o Tempo da Graça, o Ano da Graça instaurado sempre e para sempre!

A missão de Jesus é também a missão da Igreja que somos. Ungida pelo Espírito Santo, ela se alimenta da Palavra e da Eucaristia, encarnando a Palavra no mundo.

Jesus age atualizando a Palavra de Deus, que fora anunciada desde o tempo dos profetas. Ele é a Palavra que estava e está junto de Deus (Jo 1,1).

Como Igreja-comunidade, corpo formado por diversos membros, dons e carismas, diferentes ministérios, estamos empenhados em prol da vida, a serviço do Reino.

Somos mais que ouvintes e proclamadores da Palavra de Deus, somos testemunhas. E neste sentido, afirmou o Bispo Santo Inácio (séc. I):

“Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois, só um é o Mestre que disse e tudo foi feito; mas também, tudo quanto Ele fez em silêncio é digno do Pai. Quem possui a Palavra de Jesus pode, em verdade, ouvir o Seu silêncio a fim de ser perfeito, agir como fala e ser conhecido quando silencia. Ao Senhor nada se esconde, até nossos segredos mais íntimos que lhe estão próximos. Façamos, então, todas as coisas, em Sua presença, visto que somos os Seus templos…”.

Urge que nos questionemos quanto à forma com que acolhemos a Palavra de Deus, e o que ela provoca em nós; de modo que não esvaziemos sua eficácia, apenas ouvindo e não a colocando em prática.

Urge que, como Igreja missionária, uma Igreja em saída, levemos a Boa-Nova da Palavra de Deus a quem precisa, pois há inúmeras realidades que precisam ser restauradas e iluminadas neste mundo, que muitas vezes mergulha em trevas.

Renovemos a coragem na busca de respostas mais ousadas e criativas, para amadurecermos na fidelidade à Palavra que é o próprio Jesus. Pois, quanto maior nossa união, maior a eficácia e verdade de nossa evangelização!

Convocados insistentemente pela Palavra Divina, nos preparemos para sua acolhida, escuta e vivência; de modo que, mais do que aclamar com palmas, acompanhemos com pequenos grandiosos gestos de amor, em permanente atitude de conversão e amadurecimento espiritual.

Fortalecendo o pilar da Palavra divina, supliquemos a Deus para que Sua Palavra faça em nós um frutuoso itinerário: vinda de Deus, acolhida no coração, vivida nas vicissitudes quotidianas, nos capacite para a entrada nos céus, quando contemplaremos a face de Deus, o convívio com o Verbo, na comunhão e no amor do Espírito.

                              Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/fortalecamos-o-pilar-da-palavra-de-deus.html?m=0

 

Apresentar e testemunhar Jesus, a luz das Nações ( Homilia para o 2º Domingo do Tempo Comum-ano A)

Apresentar e testemunhar Jesus, a Luz das Nações

“Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser.

Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica.”

A Liturgia do 2º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos apresenta: Is 49,3.5-6; Sl 39, 2.4.7-10-11ab; 1 Cor 1,1-3; Jo 1,29-34.

Na primeira Leitura, uma passagem do Antigo Testamento, o Profeta Isaías anuncia a ação divina, que fará do Servo Sofredor a luz das nações, para que seja a Salvação de Deus oferecida a toda a humanidade. Trata-se do segundo cântico do Servo Sofredor.

A Tradição cristã viu sempre nesta página o anúncio profético do Messias, que veio ao mundo como luz e Salvação para a Humanidade.

O Salmo traz um refrão que deve iluminar toda a nossa vida, sobretudo nossa prática pastoral como discípulos missionários do Senhor – “Eu disse: ‘Eis que venho, Senhor, com prazer faço a Vossa vontade!’”.

Servir a Deus com alegria, exultação, sinceridade, doação… Sem reclamar, sem sentir-se obrigado a qualquer coisa. Impulsionados pelo amor, quando algo fazemos, o prazer e a alegria são mais que alcançados, notados e partilhados.

Não encontramos nenhum gosto saboroso naquilo que não fazemos por amor e com prazer, sobretudo quando se refere à vontade divina, que pode exigir de nós algo mais: renúncia, sacrifício.

A passagem da segunda Leitura é a introdução da Carta que Paulo dirige à comunidade de Corinto, convidando todos a trilhar o caminho de santidade e a viver a única vocação que Deus tem para nós: sermos santos.

Finaliza a Carta com uma preciosa saudação que devemos trocar mutuamente, sobretudo quando estivermos esmorecidos, não enxergando a mão e a intervenção amorosa de Deus, que nos concede toda graça e toda paz: “A graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco”.

Na passagem do Evangelho, vemos a presença de João que nos apresenta Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo.

João batizou Jesus, não porque este fosse pecador, mas para santificar a água na qual todos seríamos batizados. João viu e dá  testemunho sobre Jesus:  Ele,  João, viu, no dia do Batismo, descer do céu sobre Jesus o Espírito como uma pomba. É Jesus, batizado por João, o Messias esperado, o enviado de Deus para com o Batismo no Espírito comunicar Luz e salvação para toda a humanidade.

Oportuna a citação do Lecionário Comentado: “Hoje a Palavra de Deus qualifica João como o ‘apresentador do Messias.

Estamos habituados a assistir às entrevistas na televisão, em que o apresentador se serve de personagens famosas para ganhar audiência: os outros são para ele um pretexto para aumentar sua popularidade.

João, não! Não se serve de Jesus para aumentar a sua fama, ao invés convida os seus discípulos a seguirem Jesus” (p. 62).

A propósito, João dirá em outra passagem: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

Iniciando o ano, somos todos convidados a renovar a alegria da graça do Batismo e também sermos no mundo sinal da Luz que é o Cristo Senhor.

É nossa missão sermos também apresentadores do Senhor, com o anúncio do Evangelho em todos os espaços e por todos os meios.

Mas não basta apresentar Jesus, falar de Jesus. É preciso que nossa vida corresponda ao que anunciamos, ou seja, é necessário o testemunho permanente e incansável, até que um dia possamos contemplar a face d’Aquele que nos foi apresentado, e também ao mundo apresentamos, na glória da eternidade.

Finalizo com as palavras de Santo Inácio de Antioquia (século I):

Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois só um é o Mestre que disse e tudo foi feito, mas também, tudo quanto Ele fez em silêncio é digno do Pai”.

Peçamos a Deus a graça de continuarmos apresentando o Senhor ao mundo, sempre acompanhado do necessário testemunho, em constante atitude de amor, diálogo, comunhão e serviço.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/apresentar-e-testemunhar-jesus-luz-das.html?m=0

 

 

Ser batizado é ouvir a voz do Filho Amado

 

O Batismo do Senhor é apresentado de diferentes modos: os Evangelhos de São Marcos e São Lucas apenas fazem menção ao Batismo; São Mateus narra o Batismo de Jesus com mais pormenores, e São João, por sua vez, o evoca na ocasião em que Jesus chama os primeiros discípulos.

Cada um apresenta de modo próprio, mas são unânimes em reconhecer que, no momento do Batismo, Jesus é testemunha de uma manifestação divina, e assim é designado como “Filho muito Amado” enviado pelo Pai.

Esta teofania é o começo do Evangelho, uma vez que Jesus é investido solenemente na Sua Missão, pelo Pai e pelo Espírito Santo: Jesus tendo Se manifestado aos homens na realidade de nossa natureza, exteriormente semelhante a nós, para que sejamos renovados interiormente pela graça do Batismo, e, por Sua infinita misericórdia, através do perdão de nossos pecados.

Poderíamos falar de uma “ordenação messiânica”, ou seja, “Ele é Aquele que os Profetas, especialmente Isaías, anunciaram como o Servo que Deus constituiu como Aliança de um povo, Luz das nações, ‘o Soberano das nações’, ‘o Pastor que apascenta Seu rebanho’ e reúne as ovelhas dispersas.

Quem acredita n’Ele torna-se ‘filho de Deus, porque n’Ele ‘apareceu a graça de Deus que traz a salvação para todos os homens’. Consequentemente, não se pode separar o Batismo de Jesus do Batismo recebido pelos seus discípulos” (1).

Por isto, a Liturgia da Festa do Batismo do Senhor nos apresenta, na primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7), o primeiro Cântico do Servo Sofredor, que se refere a um excepcional enviado de Deus: manso e humilde de coração, infinitamente misericordioso com todos, com força interior invencível, e é constituído Luz das nações e Aliança de Deus com o Seu Povo.

Este Messias pacífico “estabelecerá a justiça sobre a Terra”, por isto os cristãos viram prefigurados neste Cântico a própria pessoa de Jesus Cristo, o ungido do Senhor, o “Filho Amado de Deus”, como ouviremos no Evangelho (Mt 3,13-17).

Quanto ao fato de ser batizado por João, evidentemente que o Filho Amado do Pai não tinha necessidade de sujeitar-Se a um rito de purificação; no entanto, Jesus procurou o Batismo e João O batizou, ouvindo as Palavras de Jesus – “Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça” (Mt 3, 14-15).

Recebendo o Batismo de João, Jesus Se fez solidário com os pecadores mostrando, assim, o caminho para a realização da vontade de Deus, que Ele cumprirá plenamente, e todos os que n’Ele forem batizados, o mesmo haverão de fazer.

Providencial retomar o Prefácio da Missa do Batismo do Senhor:

“Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o Mistério do novo Batismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o Vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo Vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a Boa-Nova aos pobres…”.

Concluamos com a Oração da Coleta da Missa do Batismo do Senhor:

“Deus eterno e onipotente, que proclamastes solenemente Cristo como Vosso Amado Filho quando era batizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos Vossos filhos adotivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém”

(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial – p. 224

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/ser-batizado-e-ouvir-voz-do-filho-amado_9.html?m=0

A Evangelização nos desafia: É tempo de sermos epifânicos!

 

A Evangelização nos desafia:

É tempo de sermos epifânicos!

Há de brilhar e brilhou…

Uma estrela há dois milênios,

Que conduziu os magos no oriente,

Anunciando ao mundo

O mais belo presente.

Há de brilhar e brilhou…

Anunciando que Deus em nosso meio Se fez presente,

Recebendo a adoração dos pagãos e de toda gente;

Que nos conduziu ao Deus Menino,

Mudando plenamente nosso destino.

Presenteado com incenso, mirra e ouro,

Porque é, do mundo, o mais belo tesouro.

Levou-nos Àquele que é Homem, Rei e Deus,

Vivendo na pobreza entre os Seus

E que os sábios, por novo caminho,

Conduziram a um novo horizonte.

A morte do inocente que era tão certa,

Evitada quando nova estrada se fez aberta.

Por caminhos de Herodes não mais hão de voltar;

Alternativas para a humanidade nunca hão de faltar,

Não só para conduzir a Jesus,

Mas, para que O anunciemos como Luz.

Anunciando que o Salvador de todos os povos Se Encarnou

E o coração de todos de Amor plenificou.

Realeza, Divindade, Humanidade revela-nos a frágil criança,

Mas, não tão frágil que possa fragilizar nossa esperança!

Há de brilhar e brilhou…

Não mais a estrela do oriente,

Mas, a própria Luz que é Jesus – Deus presente –

Aquele que maior brilho nenhuma estrela poderá conter,

Pois sem Ele nada haveria de ser.

Ele é a Estrela a nos conduzir

Ao bem, amor e verdade e o mundo seduzir,

Com as mais belas palavras que se possa ouvir.

Ele veio, vem e virá: Aquele que há de sempre vir.

Ele é a estrela a nos iluminar,

Para nos reeducar na arte de amar.

Estrela maior a nos acalentar

Nas veredas da alegria, beleza e novos caminhos reinventar.

Estrela que na família o brilho há de resplandecer,

Para novos relacionamentos aprender a tecer.

Que nela cresça a harmonia, o diálogo, a compreensão e o carinho.

Aprendamos com Aquele que Se fez Verdade, Vida e Caminho.

Há de brilhar e brilhou…

Estrela presente em toda comunidade,

Para que a verdade, justiça, amor e liberdade,

Sejam solidificados como os mais belos pilares,

Quer da Igreja, quer de nossos lares.

Estrela desejada por toda humanidade,

Que nos educa para a acolhida, convivência e cooperação,

Hospitalidade, tolerância, princípios fundamentais da evangelização.

Estrela que no mais profundo de nós brilha!

Cantos e hinos não podem expressar tão grandes maravilhas!

Brilho que não se pode ocultar,

Pois é celebrado e renovado no mais singelo Altar.

Há de brilhar e brilhou…

Estrela que habita sim no mais singelo Altar.

Ó! Tão belo e grande Hóspede que não nos pode faltar.

No altar do coração humano veio inaugurar

Um mundo mais sadio, menos insano.

Há de brilhar e brilhou…

A mais bela das estrelas: Jesus, que o mundo redimiu!

Para todos de boa vontade a porta do céu novamente se abriu.

A vida, uma grande Epifania há de ser,

Para quem a Onipresença divina perceber;

A Onipotência divina testemunhar

Com a Onisciência divina que há de nos acompanhar!

Epifania! Nada mais será como antes!

As trevas cederam à Luz,

Iluminaram-se vidas e caminhos.

Contemplemos Deus no Deus Menino!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/a-evangelizacao-nos-desafia-e-tempo-de.html?m=0

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos ( Homilia da Epifania do Senhor)

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos

Celebraremos com toda a Igreja, a Solenidade da Epifania do Senhor, que é a manifestação (revelação) de Jesus como a Luz e Salvação de todos os povos: Deus não limitou o Seu Amor apenas àqueles que pertenciam ao povo judaico, mas ilumina todos os povos da terra.

Na passagem da primeira Leitura (Is 60,1-6), ouvimos o anúncio da chegada da luz salvadora de Javé, que não somente trará alegria para Jerusalém como atrairá para esta cidade de Deus, todos os povos do mundo todo.

O contexto da primeira Leitura é de retorno do Exílio, logo, contexto de desolação, sofrimento e o desafio de reconstrução da história. Jerusalém será restaurada com o regresso de muitos, e todos os povos convergirão para ela, inundando-a de riquezas, com louvores e cantos.

O Profeta é portador da mensagem que revela a fidelidade incondicional de Deus que jamais abandona e desiste do Seu povo, e está sempre pronto para oferecer salvação e vida plena e feliz.

Como comunidade que professa a fé no Senhor, também precisamos ser sinal de esperança no mundo, não permitindo que desavenças, conflitos, falta de amor e rivalidades ofusquem e enfraqueçam a nossa missão.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6), o Apóstolo Paulo nos apresenta o Projeto Salvador de Deus, que abrange toda a humanidade, reunindo todos os povos, judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos.

Trata-se de uma síntese catequética Paulina sobre o Mistério do Projeto Salvador de Deus, que se destina a todos os povos. De fato, em Jesus, a Salvação chegará a todos os povos.

É um grande desafio que a comunidade se torne mais fraterna, onde o amor seja vivido, superando toda e qualquer forma de distinção de raça, cor, status social.

Deste modo, as diferenças existentes são legítimas e são complemento da riqueza comum e jamais motivo para manifestação de indiferença e afastamento mútuo.

Na passagem do Evangelho (Mt 2,1-12), vemos a realização desta promessa na pessoa de Jesus, contemplada e testemunhada pela presença dos magos que vêm a Belém para adorá-Lo e oferecer os seus presentes (ouro/realeza, incenso/divindade e mirra/humanidade).

Os magos são astrólogos mesopotâmicos, aqui representando os povos estrangeiros, segundo a catequese do Evangelista Mateus.

A atitude destes se contrapõe literalmente à atitude de Herodes. Os magos adoram, e sentem uma grande alegria e O reconhecem como Seu Senhor; Herodes, por sua vez, e Jerusalém “ficam perturbados” diante na notícia do nascimento de Jesus e planejam a Sua morte. Os sacerdotes e escribas são indiferentes, pois não foram ao encontro do Messias que eles bem conheciam pelas Escrituras.

A atitude dos magos é profundamente questionadora para nós: viram a estrela e deixaram tudo; arriscaram tudo e vieram à procura de Jesus, em atitude de desinstalação total.

Eles vieram do oriente, onde se levanta o sol, e uma estrela iluminou a noite deles para sempre, porque se prostraram diante do verdadeiro Sol nascente que jamais Se põe: Jesus Cristo.

Os magos representam todas as pessoas do mundo todo que vão ao encontro de Cristo e que se prostram diante d’Ele:“… para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e sob da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Fl 2, 10-11).

Esta é a imagem da Igreja, uma família de irmãos e irmãs, constituída de pessoas de todas as nações e raças, em adesão incondicional ao Senhor.

É preciso com os magos aprender, e o mesmo fazer.

É esta a grande e inesgotável riqueza da Solenidade da Epifania que celebramos: Jesus Se revela a nós como Salvador de todos os povos; é a estrela que guia e ilumina nossos caminhos.

Jesus vem realizar o Projeto de Salvação, que se destina a todos os povos: unidade com as diferenças e não a uniformidade.

Como os magos, é preciso que nos desinstalemos de nossas acomodações, seguranças; é preciso que nos coloquemos ao encontro da Luz. Jamais servir os “Herodes” que cruzarão em nossos caminhos; tão pouco sermos indiferentes ao melhor que Deus tem a nos oferecer.

Aprender com eles a ser como peregrinos na fé, atentos aos sinais de Deus e prontidão para seguir com generosidade e coragem; perseverantes, não obstante as dificuldades; fiéis à bondade de Deus contra toda maldade que possa surgir no caminho.

Ir ao encontro da Luz, o presente de Deus para a humanidade, Jesus, e também oferecer nosso presente, ou seja, o melhor de nós para Ele, jamais de mãos e coração vazios.

É preciso buscar novos caminhos para anunciá-Lo e testemunhá-Lo. Quantas vezes a estrela se manifesta a nós e optamos pela escuridão, luzes que se apagam tão rapidamente?

Reflitamos:

– Somos capazes de nos desinstalar e ir ao encontro do Senhor para adorá-Lo, anunciá-Lo e testemunhá-Lo, como convictos e alegres discípulos missionários Seus?

– Tanto se fala sobre uma “Igreja em saída” para anunciar o Evangelho. Neste sentido, o que os magos nos ensinam?

Somente Deus possui brilho incessante, porque o Amor é a Luz que resplandece eternamente no coração de quem busca e encontra, e que encontrando ainda falta tudo para encontrá-Lo, porque Deus é para nós um Mistério inesgotável de Amor.

A Solenidade da Epifania nos propicia um novo olhar para o ano que inicia: novos olhares, novos projetos, novos caminhos…
O ano está apenas começando.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

https://peotacilio.blogspot.com/2020/01/epifania-jesus-e-o-salvador-de-todos-os.html?m=0

Deus seja louvado!

Olhando para o ano que está terminando,
faltando apenas dois dias, vi que:

Amo o que faço!

Creio no que faço;

No bem que semeio;

Na luz que espalho;

Nas flores que entrego;

Nas dores dos espinhos que suporto.

Não quero dar coroa para ninguém,

Tampouco quero ser uma cruz a ser carregada,

Mas quero a minha cruz carregar,

Com renúncias necessárias

Para seguimento crível.

No mínimo corresponder ao Amor incrível:

O Amor de Deus pela humanidade,

O Amor de Deus por mim.

Olho para o ano que começará 
e renovo meu compromisso 
de a Deus amar e servir.

Se à tarde veio o sofrimento,

As dores, as lágrimas e o pranto, minhas forças absorver,

Vejo a alegria florescer mais que subitamente no amanhecer:

A Alegria Pascal que reluz em cada amanhecer.

Por tudo isto, Deus seja louvado!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/deus-seja-louvado.html?m=0

Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Celebrar a Festa da Sagrada Família (ano A), é para todos nós, uma ocasião favorável para refletirmos sobre o papel fundamental que tem a família no Plano de Salvação que Deus nos propõe.

A família é uma pequena Igreja, e nela devem estar presentes algumas características já encontradas nas famílias descritas em trechos do Antigo Testamento, sobre as quais se modelam as nossas famílias patriarcais: paz, abundância de bens materiais, concórdia e a descendência numerosa, como sinais da bênção do Senhor.

É o que vemos na passagem da Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a). A obediência e o amor eram imprescindíveis no cumprimento da Lei, de modo que esta obediência era sinal e garantia de bênção e prosperidade para os filhos, mas também um modo de honrar a Deus nos pais, como encontramos no Livro do Êxodo (20,12) – “honra teu pai e tua mãe”.

Os pais são instrumentos de Deus e fonte de vida, e como recompensa do “honrar pai e mãe”, os filhos obtêm o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

“Com razão se diz hoje que a família é o primeiro lugar da evangelização, provavelmente o mais decisivo.

Com efeito, é na família que a criança, mesmo muito pequenina, respira ao vivo a fé ou a indiferença.

Por aquilo que vê e vive, ela adverte se em sua casa – e na vida – há lugar para Deus ou não.

Nota se a vida se projeta pensando só em si mesmos, ou também nos outros.

Tudo isto para dizer que normalmente o modo de viver encontra as suas raízes na família.”  (1)

Na passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,12-21), o Apóstolo, depois de apresentar Jesus Cristo como Aquele que nos faz homens e mulheres renovados, porque ocupa lugar proeminente na criação e na redenção da humanidade, exorta sobre o novo modo de relacionamento na família, onde os esposos e aos filhos cristãos vivem a vida familiar como se já vivessem na família do Pai celeste.

Revestidos do “Homem novo”, as relações são marcadas pela misericórdia, bondade, humildade, doação, serviço, compreensão, respeito pelo outro, partilha, mansidão, paciência e perdão.

Quanto à passagem do Evangelho  de Mateus (Mt 2,13-15.19-23), retrata a fuga da Sagrada Família para o Egito,  conforme a mensagem do Anjo do Senhor – “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito”.

Vemos quão inserida se encontra a Sagrada Família na tragédia e dificuldades humanas. Dentre elas a condição de refugiados, fugindo de terrível ameaça de morte contra o Menino Jesus por Rei Herodes.

Vemos que a Sagrada Família viveu uma realidade de muitas outras famílias, de modo que o Filho de Deus, o recém-nascido vem partilhar o destino de toda a humanidade, com seus dramas e vicissitudes.

Afirma o Lecionário Comentado:

“O amor de Deus salva os homens, mas não os subtrai à história do homem, e nem sequer à história de violência. Deus acompanha-os e ajuda-os nas dificuldades. Assim fez com Jesus, não O subtraiu à morte, mas acompanhou-O na morte.” (2)

Sagrada Família, única e irrepetível, por sua composição e pela importância na história da Salvação da Humanidade, e é para todo o sempre, o mais perfeito modelo para nossas famílias.

Hoje, mais do que nunca, nossas famílias precisam ter a Sagrada Família como modelo no enfrentamento de tantos ventos contrários que teimam em destruí-la, desmoroná-la.

A família, como uma espécie de Igreja Doméstica, inspirada na Sagrada Família, vivendo a dimensão da memória, atualização e sacrifício da História da Salvação, será espaço para:

– enraizamento e solidificação da fé;

– aprendizado do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo;

– acolhida e amadurecimento nos princípios sagrados da beleza e sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural;

– aprendizado de criação e fortalecimento de laços fraternos de amor e solidariedade;

– aprendizado de coragem e fidelidade incondicional em Deus, não obstante as provações e dificuldades que se fizerem presentes.

Oremos:

“Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar às alegrias da vossa casa. Por N.S.J.C. Amem.” (3)

PS: Fontes de pesquisa: Missal Dominical, pp.100-101; www.dehonianos.org/portal

(1) Lecionário Comentado p.255

(2) Idem p. 249

(3) Oração do dia da Missa da Sagrada Família

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Na Liturgia da Palavra na Festa da Sagrada Família (ano A), refletimos sobre aquele momento inesquecível em que por três vezes há menção da comunicação do anjo a José. Permita-me citar para que possas continuar a reflexão:

A primeira comunicação é quando o Anjo diz em sonho a José: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe foge para o Egito” (Mt 2,13).

No Egito o anjo continua acompanhando e comunicando a José os desígnios divinos: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel: pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos” (Mt 2,20).

E por último: “… depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré” (Mt 2,22-23).

Como o próprio Missal Dominical afirma: “Nem tudo é idílio, paz e serenidade na família: ela passa pelos sofrimentos e dificuldades do exílio e da perseguição; pelas crises do trabalho, da separação, da emigração, do afastamento dos pais… como em todas as outras, há alegrias e sofrimentos, desde o nascimento até a infância e a idade adulta; ela amadurece através dos acontecimentos alegres e tristes para cada um de seus membros… Maria e José não se calam, não apresentam objeções sobre a opção de Jesus; inconsciente e intuitivamente percebem que é uma escolha que os exclui (ou parece excluí-los) da vida de seu único filho, uma opção semeada das lágrimas e sangue, mas a aceitam, porque essa é a vontade de Deus”.

Fixemo-nos por alguns instantes contemplando a Sagrada Família, lá no Egito, distante dos seus, em terra estranha, tudo tão diferente. Longe de suas raízes, como tantos hoje…

E, certamente não veremos nem ouviremos lamentações, posturas incrédulas e nem revolta contra Deus… Nem blasfêmias se elevaram contra Deus por tamanho infortúnio, por tamanha responsabilidade, por imensurável peso carregado sobre os ombros. Que peso tem aquela criança além dos quilos próprios de toda criança…

É impensável e impossível que José tenha dito, como talvez alguns de nós diríamos: “Por que estou nesta enroscada, se esta criança nem é minha?”, “Não basta tanta gozação, ironia que suportei dos amigos… (que amigos?)”, “que fria, que roubada eu entrei…”. “Ah se pudesse voltar atrás, não teria assumido esta missão”. “Não devia ter ouvido o anjo na primeira vez, devia ter ouvido meus instintos e ter abandonado Maria em segredo…”.

Da mesma forma, é impensável e impossível, sequer um momento, Maria ter percebido tais expressões borbulhando na mente e fervendo no coração de José. Jamais Maria teria assim pensado ou tão pouco dito: “deveria ter dito não ao anjo”, “Deus deveria ter escolhido outra…”, “Se não tivesse aceitado a ação do Espírito, se não tivesse acreditado nesta possibilidade, hoje estaria junto de meus pais, sem nenhum medo no coração, não teria ouvido tanta coisa como ouvi dos meus amigos e familiares…”

Na sua mente e coração apenas uma certeza: “O Senhor fez em mim maravilhas…”. No seu coração a “Cantora Divina” que entraria, alguns anos depois, nos céus, apenas cantava e se reencantava com o Magnificat…

Sabia que o seu sim dado, não inconsequentemente, mas dado com toda coragem, jamais poderia deixar de encontrar resposta de Deus, pois é próprio do Amor de Deus se fazer presente, não somente na hora que chama, mas em todos os momentos do envio, da missão.  É próprio do amor se manifestar ininterruptamente para que o êxito da missão do amado chegue a pleno termo…

Ah, quantas lições esta Santa Família, Sacra Família, Sagrada Família, Santíssima Família… Que ainda não expressei a grandiosidade desta Família.

Mais uma vez minha pobreza lexical é incapaz de exprimir as coisas divinas. Cada vez mais aprendo que o amor de Deus e as coisas divinas são mais do que inexprimíveis em palavras, mas contempladas no coração, como no coração daqueles da Sagrada Família…

Urge que nossas famílias aprendam mais esta lição para que sejam um reflexo desta, que é por todo o sempre a Família de todas as famílias, porque nela o Verbo encontrou aceitação, acolhida, espaço, proteção, cuidado, carinho, ternura, palavras de sabedoria, aprendizados primeiros que toda criança deve ter…

Aquela criança ali carregada, como já fora carregada no ventre, que um dia em forma de homem, coração pela lança trespassado, sem vida, na espera da Ressurreição também em seus braços receberá, e na Mesa do Altar, estremecida, extasiada, emocionada, ouvirá, quando os Apóstolos disserem – “Isto é meu Corpo dado por vós… Tomai todos e bebei, este é o Cálice do meu Sangue…”

Os primeiros choros consolados, as primeiras dores aliviadas, as primeiras feridas curadas, as primeiras gotas de sangue caídas, contempladas, os primeiros sorrisos partilhados, os primeiros sonhos plantados, e um dia, na Mesa da Eucaristia, eternizados em alegre e confiante certeza de que o Reino de Amor, Verdade, Justiça e Paz foi inaugurado.

Maria e José nos ensinem as mais belas lições do silêncio orante, contemplativo, do relacionamento familiar edificante e estruturante, do trabalho árduo e participativo na obra da criação divina…

Que tenhamos ouvidos e coração de José e de Maria, para acolher o Menino Deus, o Verbo, com mesmo amor, carinho, paixão e ternura…

Que tenhamos coragem de ouvir o Anjo de Deus que nos interpela, incansavelmente, no amor e na defesa da vida…

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/ah-se-nossas-familias-escutassem-o-anjo.html?m=0

O silêncio dos inocentes

O silêncio dos inocentes…

“Levante-se, pegue a Criança e a Sua mãe

e fuja para o Egito. Fiquem lá até eu avisar, pois

Herodes está procurando a Criança para matá-La.” (Mt 2, 14)

Celebramos no dia 28 de dezembro a Festa dos Santos Inocentes, Mártires do Senhor, como nos retrata a passagem do Evangelho (Mt 2, 13-18).

Há um Sermão do Bispo São Quodvultdeus (Séc. V) que é para ser lido, refletido, multiplicado, rezado e, no coração, compromissos multiplicados com a vida dos inocentes…

“Nasceu o grande Rei, como um menino pequeno. Os Magos são atraídos de longes terras; vêm para adorar Aquele que ainda está no presépio, mas já reina no Céu e na terra. 

Quando os Magos anunciam que nasceu o Rei, Herodes perturba-se e, para não perder o reino, decide matar o recém-nascido; e, no entanto, se tivesse acreditado n’Ele, poderia reinar tranquilo na terra e para sempre na outra vida.

Que temes, Herodes, ao ouvir dizer que nasceu o Rei? Ele não veio para te destronar, mas para vencer o demônio. Tu, porém, não o compreendes; e por isso te perturbas e te enfureces, e, para que não escape aquele único Menino que buscas, te convertes em cruel assassino de tantas crianças.

Nem as lágrimas das mães nem o lamento dos pais pela morte de seus filhos, nem os gritos e gemidos das crianças te comovem. Matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração; julgas que, se conseguires o teu propósito, poderás viver muito tempo, quando precisamente queres matar a própria Vida.

Aquele que é a fonte da graça, que é pequeno e grande ao mesmo tempo, e que jaz no presépio, aterroriza o teu trono; por meio de ti, e sem que tu o saibas, realiza os Seus desígnios e liberta as almas do cativeiro do demônio. Recebeu como filhos adotivos os filhos dos que eram seus inimigos. 

As crianças, sem o saberem, morrem por Cristo; os pais choram os mártires que morrem. Àqueles que ainda não podiam falar, Cristo os faz Suas dignas testemunhas. Eis como reina Aquele que veio para reinar. Eis como já começa a conceder a liberdade Aquele que veio para libertar, e a dar a salvação Aquele que veio para salvar.

Mas tu, Herodes, ignorando tudo isto, perturbas-te e enfureces-te; e enquanto te enfureces contra aquele Menino, já estás a prestar-Lhe, sem o saberes, a tua homenagem. 

Maravilhoso dom da graça! Que méritos tinham aquelas crianças para obterem tal triunfo? Ainda não falam e já confessam a Cristo. Ainda não podem mover os seus membros para travar batalha e já alcançam a palma da vitória”.

Como o próprio Bispo diz “Ainda não falam e já proclamam Cristo”, referindo-se ao infanticídio, ao crudelíssimo morticínio das crianças e de inocentes, por causa de uma criança que abalou as estruturas empoeiradas ou mais ainda: apodrecidas, de um poder que não promove a vida, mas teme diante da Fonte Genuína da Vida: Jesus!

Impossível não pensarmos no que, de modo igual ou disfarçado, os “Herodes” de hoje continuam fazendo com as crianças inocentes.

Este Sermão toca profundamente nosso coração, quer pela forma com que descreve a insanidade herodiana, quer como nos exorta à acolhida e defesa da vida, da concepção ao seu declínio natural!

Vejamos de que modo “Herodes”, hoje, continua tramando e matando inocentes aos milhões, com mentalidade e prática abortista.

Não podemos deixar que este tema fique reduzido a um tempo remoto, passado. Enquanto dormimos, a morte dos inocentes é planejada, acordos são firmados, atos “herodianos” teimam em se multiplicar:

– em extremos e abomináveis atos de pedofilia, ou de manipulação consumista das crianças como objeto e fonte de lucro.

– nas deploráveis agressões ocultadas e silenciadas nas famílias, onde sabemos muitas crianças são vítimas da violência doméstica.

– maculando a beleza e a inocência das crianças, com músicas, programas, modas etc., que em nada colaboram para que vivam um momento tão belo da vida.

– quando privamos milhões de crianças do pão, da moradia, do lazer, da cultura, da vida, da alegria…

O silêncio dos inocentes ou o silenciamento imperdoável dos inocentes?

Silêncio ou silenciados, seus clamores bradam aos céus e não permitem que nos omitamos e nada façamos.

Acolher o Verbo é por se a caminho no amor e na defesa da vida, sobretudo dos pequeninos, como Ele Se fez um dia, e com os quais Se identificou para sempre:

“Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18,3).

E ainda: “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos céus” (Mt 19,14).

Não mais Herodes e seus discípulos!

Fale o silêncio dos inocentes!

Falemos pelos inocentes!

Falemos com os inocentes…

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda    http://peotacilio.blogspot.com/?m=1

A Palavra do Pastor
Sejamos instrumentos nas mãos de Deus (Homilia do 3º Domingo do Ano A)

Sejamos instrumentos nas mãos de Deus (Homilia do 3º Domingo do Ano A)

No 3º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o Projeto de Salvação e de Vida plena que Deus...
Read More
FORTALEÇAMOS O PILAR DA PALAVRA DE DEUS

FORTALEÇAMOS O PILAR DA PALAVRA DE DEUS

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (2019-2023), Documento nº. 107 da Conferência Nacional do Brasil  (CNBB), nos apresentam...
Read More
Apresentar e testemunhar Jesus, a luz das Nações ( Homilia para o 2º Domingo do Tempo Comum-ano A)

Apresentar e testemunhar Jesus, a luz das Nações ( Homilia para o 2º Domingo do Tempo Comum-ano A)

Apresentar e testemunhar Jesus, a Luz das Nações “Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa...
Read More
Ser batizado é ouvir a voz do Filho Amado

Ser batizado é ouvir a voz do Filho Amado

  O Batismo do Senhor é apresentado de diferentes modos: os Evangelhos de São Marcos e São Lucas apenas fazem...
Read More
A Evangelização nos desafia: É tempo de sermos epifânicos!

A Evangelização nos desafia: É tempo de sermos epifânicos!

  A Evangelização nos desafia: É tempo de sermos epifânicos! Há de brilhar e brilhou… Uma estrela há dois milênios,...
Read More
Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos ( Homilia da Epifania do Senhor)

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos ( Homilia da Epifania do Senhor)

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos Celebraremos com toda a Igreja, a Solenidade da Epifania do Senhor,...
Read More

Deus seja louvado! Olhando para o ano que está terminando, faltando apenas dois dias, vi que: Amo o que faço! Creio...
Read More
Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem Celebrar a Festa da Sagrada Família (ano A), é para todos nós, uma...
Read More
Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor... Na Liturgia da Palavra na Festa da Sagrada Família (ano A),...
Read More
O silêncio dos inocentes

O silêncio dos inocentes

O silêncio dos inocentes... “Levante-se, pegue a Criança e a Sua mãe e fuja para o Egito. Fiquem lá até...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto:

Arquivo