Eliana Alvarenga

Que o nosso coração seja fecundo – Homilia do XV do Tempo Comum do Ano A

“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.

O campo é o mundo. A boa semente são

os que pertencem ao Reino.”

A Liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre a importância e a centralidade da Palavra de Deus na vida daqueles que creem.

A passagem da Primeira Leitura (Is 55,10-11) é um pequeno trecho do “Livro da Consolação”, e retrata a fase final do exílio (anos 550-540 a.C.).

O Povo de Deus encontra-se farto de belas palavras e promessas de libertação, que tardam em se realizar, e com isto a impaciência, a dúvida e o ceticismo enfraquecem a resistência dos exilados.

O Profeta, para evidenciar a eficácia da Palavra de Deus, utiliza o exemplo da chuva e da neve que, vindas do céu, tornam fecunda a terra, multiplicando a vida nos campos.

Uma imagem muito sugestiva, considerando que os judeus exilados na Babilônia devem se lembrar da chuva que cai no norte de Israel e da neve no monte Hermon. A água alimenta o rio Jordão, correndo por todo Israel, e por onde passa gera vida e fecundidade.

A mensagem que se comunica é de que a Palavra de Deus não falha, pois indica sempre caminhos de vida plena, verdadeira, expressa na liberdade e paz sem fim, não necessariamente segundo a lógica do tempo dos homens, dos seus desejos, projetos, interesses e critérios.

É necessário que se aprenda e respeite o ritmo e o tempo de Deus. E também, a eficácia da Palavra divina não dispensa compromissos e indica os caminhos que devem ser percorridos, renovando o ânimo para a intervenção no mundo. A Palavra divina não adormece a ação humana, mas impele para a transformação e renovação do mundo.

Com a passagem da Segunda Leitura (Rm 8,18-23), continuamos a refletir sobre a vida segundo o Espírito, que consiste em deixar-se conduzir pela Palavra de Deus, e isto só é possível quando se acolhe a salvação como dom de Deus, que nos é alcançada por meio de Jesus Cristo, na ação do Espírito, que é derramado sobre todos os que aderem ao Seu Projeto e fazem parte de Sua comunidade.

A vida segundo o espírito consiste também em viver atentamente na escuta da Palavra de Deus, em plena obediência ao Projeto que Ele tem para nós, com renúncia ao egoísmo, aos interesses mesquinhos, ao comodismo, ao orgulho. É um caminho de doação da própria vida a Deus e aos outros.

A vida segundo o Espírito implica em maturidade para viver os sofrimentos, as renúncias, as dificuldades, que nada representam se comparadas com a felicidade sem fim que aqueles que creem encontrarão no fim do caminho.

A vida segundo a carne é, por sua vez, marcada por uma vida onde impera o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência, que conduz ao pecado, à morte, à infelicidade total.

Viver consiste em saber fazer escolhas: viver segundo a carne, ou viver segundo o Espírito. Sendo pelo Espírito, pautar a vida pela Palavra divina e por ela ser conduzido.

Na proclamação do Evangelho (Mt 13,1-23), em que nos apresenta a Parábola do semeador, somos convidados a refletir sobre o modo como acolhemos a Palavra de Deus, e como comunicamos a Boa-Nova do Reino, que jamais pode ser interrompida, e que aos poucos vai revelando seu esplendor e fecundidade, a vida que Deus quer para a humanidade.

Neste capítulo, encontramos sete Parábolas de Jesus: do semeador; do grão de mostarda; do fermento; do trigo e do joio; do tesouro escondido; da pérola valiosa e da rede.

A linguagem em forma de Parábolas mexe com os ouvintes, arma controvérsia, e é um método pedagógico de reflexão em busca da verdade.

O Evangelista Mateus tem como sua preocupação a vida da comunidade, de modo que nas sete Parábolas, e na interpretação das mesmas, apresenta Jesus como o Pastor que exorta, anima, ensina e fortalece a fé dos que creem.

Celebrando mais um domingo do Tempo Comum, sejamos fortalecidos em nosso itinerário de fé, trilhando caminhos, ainda que difíceis e desafiadores, mas sempre iluminados pela Palavra Divina proclamada, acolhida, meditada, partilhada, celebrada e testemunhada.

Que nos empenhemos para que a Palavra caia num chão fértil, que deve ser nosso coração, para que produza os frutos por Deus esperados: justiça, paz, amor, alegria, felicidade…

A Palavra de Deus é eficaz; é preciso que tornemos nosso coração mais fecundo, em séria e atenta escuta e vivência desta Palavra.

Também, que nutridos pela força da Eucaristia, inebriados pelo Vinho Novo, a nós oferecidos no Cálice da Salvação, sejamos cada vez mais comprometidos com a mesa de nossos irmãos no quotidiano, até que sejamos merecedores de ser partícipes do Banquete Eterno, na glória da eternidade. Amém.

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F.de Lacerda

em http://peotacilio.blogspot.com/2020/07/que-o-nosso-coracao-seja-fecundo-xvdtca.html

Formação Catequética (on-line)  em tempos de distanciamento social

No final do ano de 2019, foi feito um projeto de formação e rapidamente teve que ser repensado, devido o caos em que se encontra o mundo em que habitamos.

Muitos não estavam preparados para uma mudança tão rápida. As redes sociais passaram a ser a nossa aliada para expandir o anúncio de Jesus Cristo. “Novos tempos, novas situações!”

A catequese diocesana seguiu firme com o seu propósito, não interrompendo as formações que passaram a ser virtuais desde o final de março, via facebook e whatsapp. Muitos catequistas se reinventaram para que pudessem acompanhar a cada uma.

Estava previsto trabalhar nas áreas o livreto de Dom Otacílio ”Fortaleçamos o pilar da Palavra”, e tomou-se a iniciava de se fazer on-line – via facebook – quando foi decretado o  distanciamento social. E deu certo! A partir daí, com orientação de nosso bispo – Dom Otacílio Ferreira de Lacerda – passou-se ao estudo – via whatsapp –  de Atos dos Apóstolos e as Cartas de Paulo.

Finalizando o livreto, iniciou-se o estudo do livro Catecismo da Igreja Católica, também sob orientação de Dom Otacílio .

O Catecismo é uma exposição da fé da Igreja e da Doutrina Católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. O Catecismo é, sobretudo, um instrumento válido e legítimo da comunhão eclesial e serve como uma norma segura para o ensino da fé do qual todos os batizados são convocados a transmitir às novas gerações.

Já foram realizadas três formações on-line – via facebook – com o estudo do CIC (Catecismo da Igreja Católica) que foram provocativas, estimulando a todos a aquisição e estudo do mesmo. Fez-se o estudo provocativo da carta Apostólica Fidei Depositum, prólogo e da primeira seção de A profissão de fé. O estudo das outras partes já estão agendadas.

Para a realização desde projeto, contamos com o auxílio de várias pessoas na transmissão das formações que atenderam prontamente o pedido da comissão diocesana, ajudando a aprofundar o conhecimento da fé.

O Catecismo da Igreja Católica foi dividido em quatro partes, as quais estão ligadas entre si. Na primeira parte, é tratado o mistério cristão, que é o objeto da fé, com a Profissão da Fé. Na segunda parte, é celebrado e comunicado, nos atos litúrgicos, o que professamos com a Celebração do Mistério Cristão. Na terceira parte, está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus no seu agir cristão com a vida em Cristo. Por último, na quarta parte, fundada a nossa oração, cuja expressão privilegiada é o Pai Nosso e constitui o objeto da nossa súplica, do nosso louvor e da nossa intercessão, ou seja, o que de mais precisamos para o seguimento do Senhor: a oração cristã, que deve ser o alimento da nossa vida espiritual.

Devemos estar atentos para que dúvidas superficiais não enfraqueçam nossa fé. Por mais que os questionamentos em nosso coração possam soar ao longe de início, o desconhecido é um obstáculo incômodo no caminho da salvação. Não há mal em questionar. A busca pelo conhecimento, de coração aberto e humilde, aproxima-nos da verdade da fé e, esteja certo, que encontrará resposta. Cremos na Igreja de Jesus Cristo.

“E nosso dever… dedicar-nos, com vontade pronta e sem temor, àquele trabalho que o nosso tempo exige, prosseguindo assim o caminho que a Igreja percorre há vinte séculos.”

Pela Comissão Diocesana ( Eliana alvarenga e Vera Pimenta)

 

 

Como é maravilhoso ser Presbítero!

O que a Palavra de Deus nos diz e a Igreja nos ensina, sobre o ser Presbítero?
O Presbítero é:
Homem antes de tudo, sem perda de sua humanidade, com todas as limitações, vicissitudes, imperfeições… Por Deus deixando-se ser moldado. Arauto, portador da Mensagem de todas as Mensagens, a Boa-Nova do Evangelho…
Homem de horizontes largos, que carrega em si, não a saudade do paraíso, mas o desejo e o compromisso de sua realização, no incansável e auspicioso anúncio do Reino.
Homem da Palavra e de palavra que acolhe e anuncia a Palavra Sagrada, tornando-a crível, porque mantém a palavra dada. Apaixonado, incondicionalmente, por Jesus e pela vida, exigência fundamental para ser feliz em seu ministério.
Ele prima pela coerência: o homem do Altar é o mesmo do cotidiano, vivenciando a dimensão Pascal em tudo e com todos, em constantes passagens do provisório para o eterno e da morte para a vida;
Homem do Mistério e de tantos Mistérios, sem ser misterioso.
Homem da Eucaristia  celebrada, acreditada, vivida e prolongada em todas as dimensões de sua vida; conjugando em todos os tempos, o verbo Eucaristizar; por isto Servo, em constante atitude de lava-pés. Por sua vida e presença junto à comunidade, torna Deus visível, possibilitando a visibilidade e a tocabilidade divina no Pão e Vinho Consagrados.
Homem da Oração e da intimidade com Deus. Oração que envolve todo o seu ser,  impregna todo o seu existir, aprofundando e enraizando a amizade divina.
Homem discípulo, que trás em si a ternura divina e a fraternidade humana; eterno aprendiz do Mandamento Maior do Amor confiado por Nosso Senhor.
Homem da provação e da tribulação, acompanhadas da confiança divina inabalável. Relativizador das riquezas que passam, abraça, sem medo, as que não passam, não se deixando levar pela onda consumista.
Celibatário e casto, de amizades múltiplas, mas de coração indiviso, totalmente a Deus consagrado. Homem do perdão vivenciado e testemunhado nas pegadas do Mestre.
Evidentemente, nenhum Presbítero chegou à perfeição de tudo que se disse, mas se os bons propósitos forem plantados no coração, regado com a oração, frutos saborosos hão de frutificar.
Todo Presbítero carrega consigo a imperfeição, e cabe a  Comunidade ajudá-lo, em diálogo franco, aberto e sincero para a superação da mesma. Nisto consiste a mais bela e perfeita comunhão do Pastor com o Rebanho, numa mútua relação.
Não basta querer Ser Presbítero, mas é precisamos que vivamos intensamente o ser do Presbítero, para que Presbítero íntegro e santo sejamos, em plenitude; nunca sem a Oração, o apoio, o carinho e a colaboração sincera, verdadeira, transparente  de uma Comunidade orante!
Elevemos orações por todos os Presbíteros da Igreja para que vivam a graça do Sacramento da Ordem recebido e possam repetir estas palavras que disse na conclusão da reflexão:
“A cada ano que passa amo mais a minha Igreja. A cada ano que passa amo mais ainda ser Padre”.

PS: Escrito anos passados, no exercício do Ministério Presbiteral.

Humildade e pequenez diante de Deus – Homilia – 14º Domingo do Tempo Comum

                                                                Humildade e pequenez diante de Deus

“Eu Te louvo, ó Pai…”

No 14º Domingo do Tempo Comum (ano A), a Liturgia nos apresentará, como mensagem central, um Deus que Se revela na simplicidade, humildade, pobreza e pequenez, que veio ao encontro da humanidade na pessoa de Jesus Cristo, anunciado pelos Profetas e esperado pelo Povo de Deus.

Paradoxalmente, Deus não Se revela no orgulho e na prepotência, como nos fala a primeira Leitura (Zc 9,9-10), vem como um Rei pobre, com humildade e simplicidade.

A passagem encontra-se no “Deutero-Zacarias”, a segunda parte do Livro, também conhecida como “Segundo Zacarias”, e retrata o período pós-exílio, e anuncia a intervenção e salvação de Deus, a glória futura da Salvação, com forte aceno messiânico: um Messias virá, será Rei, Pastor e o Servo do Senhor.

Um Rei humilde e pacífico virá com força para destruir a guerra e seus instrumentos de morte, e este será o próprio Jesus. Repito: Deus sempre Se revela na humildade, pobreza e simplicidade: a fé cristã reconhece em Jesus a personagem profetizada por Zacarias (Mt 21,1-9).

Refletir esta passagem leva o Povo de Deus a perceber que em situações de desencanto, frustração e privação da liberdade, precisa redescobrir o Deus que vem ao seu encontro e restaura a esperança com uma nova lógica (desarmado, pacífico e humilde), em vez da lógica humana (força, guerra, morte, destruição).

Na segunda Leitura (Rm 8,9.11-13), o Apóstolo Paulo nos fala da vida segundo o Espírito, que consiste na acolhida e vivência das Propostas que Deus nos faz, que nos garante a vida nova e eterna;  de modo que viver na carne significa viver instalado no orgulho, egoísmo e autossuficiência que gera morte. É a antítese explícita que nos acompanha: viver segundo a carne ou segundo o Espírito.

O Apóstolo nos apresenta o Projeto de Salvação de Deus, que nos vem por meio de Jesus e atua pelo Espírito Santo, de modo que os discípulos têm que viver como Jesus e assim alcançarão a Ressurreição. Somente o seguimento de Jesus nos garante a vida plena e definitiva. É preciso consumir a vida por causas maiores e, sobretudo, pela causa do Reino, vivendo do jeito de Jesus, seguindo com fidelidade Sua Palavra e trilhando Seus passos.

É preciso que o discípulo se abra à ação renovadora e libertadora do Espírito recebida no dia do Batismo.

Na proclamação do Evangelho (Mt  11,25-30), Jesus louva ao Pai pela Proposta de Salvação que Ele fez à humanidade, mas acolhida apenas pelo pobres e pequenos, que em sua pobreza e simplicidade, sempre disponíveis à novidade libertadora por Deus oferecida.

A Proposta de Jesus encontra acolhida entre os pobres e os marginalizados, os desiludidos com a religião oficial, que os discriminava e os oprimia, como jugo insuportável, porque pesado e desumanizante, pelas leis, entre outras coisas.

“É o que experimentamos em virtude do Batismo que faz de nós homens novos, porque infunde em nós o Espírito que é verdade, vida e força de Deus. É este o ‘jugo suave’ de que fala Jesus (Mt 11,29-30).

O jugo da lei colocado aos ombros dos homens, para submetê-los em vez de libertá-los, não é só aquele de que Jesus acusa os fariseus (os fardos – Mt 23,4), mas é também a proposta cristã quando, em vez de ser mensagem de libertação para quem anda oprimido e humilhado pelo peso do pecado e da morte, se transforma numa quantidade de preceitos e de normas que se devem respeitar perante um Deus juiz severo”. ( 1)

A passagem pode ser divida em três partes:

– O louvor a Deus por ter escondido o conhecimento aos pretensamente sábios e entendidos (vv. 25-26);

– A explicação do que foi escondido e a quem foi revelado (v. 27);

– O convite final: “Vinde a mim…”

Jesus oferece a libertação da escravidão da Lei, propondo a vida nova marcada pelo Mandamento do Amor a Deus e ao próximo. Somente um coração aberto a Deus e às Suas propostas pode garantir a vida em plenitude, assim como nos falou o Apóstolo Paulo – “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Com Jesus temos, portanto, uma reviravolta de valores, em que a força, poder e riqueza cedem lugar para a vida marcada pela simplicidade, doação, humildade, partilha.

É preciso rever nossos julgamentos e comportamentos, ou seja, é preciso que sejamos pobres, simples, humildes, colocando nossa fragilidade nas mãos de Deus, contando com Sua Palavra e força que nos vem do Espírito.

Assim, viveremos na planície do quotidiano o Sermão da Montanha que Jesus proclamou: “Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos céus…” (Mt 5,1-12).

Vivendo assim, estaremos dentro da lógica de Deus que oferece Salvação a todos. Que sejamos pobres em espírito para acolher esta Proposta, renovando concretos compromissos de solidariedade e amor para com os pequeninos, os preferidos de Deus:

“… o verdadeiro conhecimento do Pai, do Deus que é Amor, não pode acontecer senão mediante Jesus, ‘o Caminho’ que nos leva ao Pai”. (2)

Revendo nossas opções, viveremos a opção de Deus pelos pobres, humildes e oprimidos, tornando evidente que a Palavra da salvação é um insistente convite para que percorramos o caminho da humildade verdadeira, do Messias crucificado, ainda hoje “escândalo e loucura” para muitos, como falou o Apóstolo Paulo (1 Cor 1,23).

Oremos:

“Ó Deus, que Vos revelais aos pequeninos e concedeis aos mansos a herança do vosso Reino, tornai-nos pobres, livres e felizes, à imitação de Cristo, Vosso Filho, para levarmos com Ele o suave jugo da Cruz e anunciarmos aos homens a alegria que vem de Vós”. Amém. (3).

(1) (2) Lecionário Comentado – p. 660.

(3) Idem p. 661.

 Dom Otacilio F. Lacerda

233º Jubileu do Bom Jesus do Matosinhos em Conceição do Mato Dentro.

Celebração do jubileu do Bom Jesus de Matosinhos – 2020

Neste  ano de 2020, o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos de Conceição do Mato Dentro foi  diferente para todos, porém, não menos importante que todos os 232 anos anteriores. Em meio à situação sanitária da pandemia do Coronavírus  que o mundo vive, as Celebrações Eucarísticas, a Novena, os  Momentos Marianos foram celebrados de  forma não presencial: os milhares de fiéis e romeiros acompanharam e  rezaram em suas casas as Missas pelas Redes sociais. A Equipe da PASCOM – Pastoral da Comunicação – se desdobrou para transmissão de todos os momentos.  O  tema  foi: “Aos pés do Bom Jesus, defendemos a vida e imploramos a cura”. Pe Eduardo Ribeiro foi o pregador oficial.

No dia 24, dia da natividade de São João Batista e encerramento do 233° Jubileu do Senhor Bom Jesus, às 16h, o Bispo Diocesano Dom Otacilio Ferreira de Lacerda presidiu, emocionadíssimo, a santa Missa sem a presença dos muitos romeiros e fiéis.  Centenas de fiéis de todos os lugares do Brasil e até de outros países participaram da Santa Missa pelas Redes Sociais. Depois da Missa, houve uma Live musical com os Padres Dilton e José Adriano. E, enquanto isso, o pároco e reitor do Santuário, padre João Evangelista e padre Ivani saíram em carro aberto com a imagem de Jesus Crucificado, percorrendo bairros por onde jamais passaram procissões, circulando  a cidade,  implorando a cura para o mundo, para todas as comunidades e familiares que, santamente e devotamente, vivem a cada ano o Santo Jubileu. Um momento histórico na vida dos conceicionenses e romeiros do Bom Jesus. Como em um abraço, numa atitude de busca da cura para toda enfermidade, a cura para essa pandemia que afeta o município e o mundo inteiro.

Às 20 h, Dom Marcello Romano presidiu a  Bênção do Santíssimo, Bênção Papal e indulgência plenária.

Senhor Bom Jesus, tem misericórdia de nós, que o Senhor nos dê a cura e nos livre do flagelo da Covid.

Amém!

Eliana Maria de Alvarenga Guimarães
(Membro da Pascom São Miguel e Nossa Sra Aparecida/ Guanhães-MG)

Revisora Mariza Pimenta Dupim
Especialista em Revisão de Textos
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                                                     A história do Jubileu

Diz a antiga lenda, que a primeira imagem esculpida de Cristo crucificado, teria sido feita por José de Arimatéia, aquele que pediu a Pilatos para tirar o corpo do senhor da Cruz.

Quando os mouros invadiram a Terra Santa, os cavaleiros cristãos que iam lutar nas cruzadas para evitar que a imagem de Cristo crucificado caísse nas mãos dos árabes, seguidores de Maomé teriam levado a imagem para a Europa. Entretanto nas costas de Portugal, o navio que transportava a imagem, espatifando-se contra um rochedo, naufragou.

A imagem desapareceu em meio às ondas. Tempos depois, foi encontrado numa praia de Portugal um braço que se disse da imagem de Cristo, pois trazia na palma da mão a perfuração dum cravo. Este braço foi devotamente recolhido e guardado na igreja da cidade de Matosinhos, região do Pôrto, em Portugal, começando ali a devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

O encontro da imagem

Certo dia de 1734, o negro escravo Antonio Angola, pertencente ao senhor Manuel Santiago, embrenhou-se por um capão à dentro à procura de lenha para os serviços da senzala. Mas o que encontrou foi uma imagem de madeira do crucificado. A notícia correu rápida por toda a redondeza. Manuel Amorim Coelho, benzeu a imagem e a colocou na Matriz, provisoriamente.

Na região de Conceição existiam muitos portugueses oriundos do Pôrto e saudosos do seu Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, erguido há séculos às margens do no Douro. Um deles, José Corrêa Pôrto, vítima de uma doença conhecida com o nome de “zamparina”, prometeu construir no alto do morro, no meio do capão, uma capelinha para abrigar a imagem do Crucificado, encontrada pelo escravo. Sendo atendido em sua prece, começou a logo a construção da primitiva igreja, que não chegou a ver concluída, pois falecera tempos depois, vítima de outra enfermidade.

Certa vez, assolou a região terrível seca, verdadeiro flagelo quase transformando tudo num deserto de misérias. Foi quando, então se lembraram da imagem do Bom Jesus. Trouxeram-na morro abaixo, em procissão, em meio súplicas e orações. Quando estavam subindo a rua Direita, em direção à Matriz, o tempo começou a fechar, o céu escureceu e não tardaram relâmpagos e trovoadas. Durante 15 dias choveu forte, descendo água em grossos pingos, parecendo que o céu ia desabar. O povo se atirava na chuva, gritava, pulava e dançava, dando graças ao Senhor Bom Jesus, todos acorriam à igrejinha no alto da colina, buscando solução para os seus mais variados problemas, a ninguém deixando o Senhor Bom Jesus sem resposta.

 

(https://santuariodobomjesus.com.br/o-jubileu/)

 

Depoimentos :

“MOMENTO HISTÓRICO: Imagem do Senhor Bom Jesus do Matosinho em Conceição do Mato Dentro é retirada do Altar-Mor, após 101 anos para curar o mundo do mal. A última vez que a imagem saíra do altar fora em setembro de 1919, após 150 anos de sua entronização. Na época, os clamores da fé eram para livrar o mundo da gripe espanhola. 233 anos de história de Jubileu. Oremos nesse instante em que o Senhor Bom Jesus está nas ruas de CMD, em uma corrente de paz e oração, durante o bicentenário jubileu que se encerra hoje, 24/06/2020.

Adalberto Andrade Mateus _ Iepha/MG

“A passagem foi rápida, mas o momento sublime e humilde. Ele desceu e veio ao nosso encontro já que não pudemos ir até lá. Obrigada, meu doce amigo Bom Jesus, por ter deixado Sua Casa para estar conosco. Eu te amo, eu te adoro, és meu Pai, meu amigo, meu melhor confidente! Olha por este povo que tanto te ama, perdoe as nossas faltas e nos dê a honra de louvar-vos, de voltarmos para o Teu Santuário!” (24/06/2020)

Glaucia Utsch magalhães Ferreira

“A Palavra chama Gratidão.
As manifestações de carinho dedicada a cada Equipe não são para nós, mas para vocês fiéis e devotos do Bom Jesus. Vocês, com o seus clamores, fizeram com que o Bom Jesus saísse do nosso Santuário para chegar até as suas casas. A cada rua que passava, Ele estava passando em sua porta. Por isso pedimos, coloque a Cruz como gesto de amor e devoção ao Senhor Bom Jesus. Ele nos ama e sempre vai amar. Entregou a Sua vida para salvar a Humanidade. Por isso digo a vocês: “Aos pés do Bom Jesus, defendemos a vida e imploramos a cura.”
Obrigada amigos e companheiros de perto ou de longe. Abraços.”

Equipe do Santuário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição.
Continuem ligados às nossas Redes Sociais. (25/06/2020)

 

GALERIA:

 

 

 

Fotos de Selma Aguiar, Thaís Mariano e Fábio Henrique.

Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu (Homilia)

Pedro e Paulo, Apóstolos tão exemplares, exemplos de fidelidade e testemunho de Jesus Vivo e Ressuscitado.

O primeiro com Jesus conviveu, e por Ele foi chamado. Do Divino Mestre, recebeu todos os ensinamentos, bem como lhe foram confiadas as chaves do Reino dos Céus para ligar e desligar, para conduzir o rebanho do Senhor.

Por isto, assim como negara três vezes na morte do Redentor, por três vezes teve que responder a inquietante interrogação de Nosso Senhor: “Pedro tu me amas mais do que estes?”. Ontem Pedro, hoje o Papa Francisco é aquele que continua a missão do Senhor.

O segundo não conviveu com o Senhor, mas teve aquele encontro com o Ressuscitado que reorientou todo seu existir. Não propriamente uma conversão, porque ele era zeloso no cumprimento da Lei Divina, mas aquela experiência a caminho de Damasco transformou todos seus planos e projetos, tornando-o Doutor das Nações, o grande missionário evangelizador em suas impressionantes viagens missionárias.

Retomando a Liturgia da Palavra do Domingo – At 2,1-11; Sl 33; 2Tm 4,6-8.17-18; Mt 16,13-19 – apresento alguns pontos que são imprescindíveis para bem celebrarmos esta riquíssima e inesgotável Solenidade:

A passagem da primeira Leitura, falando do Apóstolo Pedro, dá-nos a certeza de que Deus cuida daqueles que chamou, ama e envia. Também contemplamos uma comunidade solidária e solícita na oração; unida na alegria e na dor; na perseguição e na vitória. Como é necessária a Oração da comunidade em favor daqueles que dela cuidam.

É impressionante contemplarmos o caminho feito por Pedro, que em muito se assemelha ao d’Aquele pelo qual teve o coração seduzido: Jesus.

Os discípulos de Jesus devem testemunhar com sinceridade e coragem os valores que acreditam, contra todas as dificuldades, incompreensões, perseguições, calúnias.

Bem disse o Senhor – “Bem aventurados sois vós quando vos injuriarem, caluniarem, perseguirem e disserem todo nome por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus”, e ainda: “Não temais pequeno rebanho do meu Pai…”

Numa palavra, o trecho proclamado é muito mais que uma descrição histórica, é uma catequese de como Deus cuida de Sua Igreja, de modo que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, como bem foi dito no Evangelho pelo Senhor. É como um selo da autenticidade da missão dos Discípulos Missionários do Senhor.

A passagem da segunda Leitura, como que um Testamento de Paulo, um discurso final, uma avaliação de todo seu apostolado, é uma luz que se acende para encorajamento da comunidade e que será muito propício para o reavivamento de seu ardor evangelizador e ânimo pastoral.

Paulo se apresenta como um “atleta” de Cristo, empenhado no bom combate da fé, suportando o martírio; ora silencioso, ora extremado, culminado em sua morte pela espada.

Paulo apresenta um lamento desiludido de um homem cansado, como é próprio da condição humana. Mas tem algo mais: sabe em quem confiou, sabe que Deus jamais o desamparou. Entenda-se lamento desiludido, não como decepção, mas como a extrema confiança da missão que abraçou e do empenho que dedicou.

Assim pode acontecer conosco, podemos até nos decepcionarmos nos espaços internos da Igreja ou fora dela, mas jamais com Deus. E por isto jamais desistir da missão. Se há algo que nos entristeça, há muitíssimo mais que nos alegra. Mistério da Cruz, Mistério Pascal que deve ser vivido com toda fé, esperança e caridade.

Mesmo no cárcere, escrevendo a Timóteo, Paulo encontra palavras de ânimo, de exortação… Acolhamos estas palavras, sobretudo nos momentos difíceis que possamos passar, na obscuridade dos fatos, nos quais Deus mais do que nunca Se revela com todo Seu esplendor, com todo Seu amor.

Paulo também é claríssimo testemunho de que quem confia no Senhor nunca se sente só, jamais se sente desamparado. Ele mesmo disse aos Filipenses (4,13) –“Tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Na passagem do Evangelho, temos a interrogação de Jesus sobre a Sua identidade. Não se trata de conferir índice de ibope, mas a compreensão da Sua verdadeira identidade para que configure Seus discípulos a Ele.

Que saibam a quem segue, e a quem vão testemunhar. Respostas superficiais e inconsequentes não agradam o Coração do Senhor. Pedro pela revelação divina dá a verdadeira resposta “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo…”

Como já mencionei, a Pedro são confiadas as chaves. Não para ser guardião nas portas dos céus, mas para conduzir, organizar, orientar o rebanho do Senhor a Ele confiado. Esta é a sua missão. Esta é a missão de nosso Papa, a quem não devemos poupar Orações.

Reflitamos:

– Qual é o lugar que Jesus ocupa em nossa existência?

– O que o Apóstolo Pedro tem a nos ensinar?

– O que o Apóstolo Paulo também tem a nos ensinar?

– Por que estamos na Igreja?

– Somos uma comunidade estruturada para amar e servir, como comunidade do Ressuscitado?

– Temos consciência da dimensão profética e missionária da Igreja?

– De que modo procuramos entender e rezar pela missão de nosso Papa

Empenhemos mais intensamente e apaixonadamente no bom combate da fé. Tendo o coração por Ele mais que seduzido, empenhemo-nos em alcançar a merecida Coroa da Glória, para os justos reservada.

Cremos que as duas colunas alcançaram. Como pedras vivas da Igreja pelo Batismo, desejemos e façamos por também merecer e alcançar.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em:

http://peotacilio.blogspot.com/2020/06/pedro-e-paulo-o-amor-de-cristo-os.html

” O Dia em que a Terra parou” . Bela reflexão de Pe Dilton

Ano de 2020 cumpre-se a “profecia” de um dos maiores compositores do século XX, Raul Seixas que, no Ano de 1977, lança para o mundo musical a letra e música “ O Dia em que Terra Parou”(gravadora Warner Music Brasil – dezembro de 1977) que nos leva a uma reflexão tão triste neste século 21.

Neste momento em que o mundo vive os seus medos no enfrentamento a uma Pandemia que já ceifou inúmeras vidas, comecei a pensar na seriedade em que todos, sem distinção, devemos nos colocar como vigilantes uns dos outros e de nós mesmos, para que, em nossas famílias e entre os nossos amigos, não venhamos a sofrer com perdas irreparáveis como, infelizmente, já tem acontecido com tantos, mundo afora.

A Terra Parou”. Mas os nossos sonhos não. A terra parou, os nossos ideais não. A terra parou, a esperança não! Pois esta nos aponta para uma Luz que não se esgota, que nos faz levantar e retomar a nossa caminhada terrena.

Essa noite eu tive um sonho de sonhador

Foi mesmo um sonho? Uma visão? Um comunicado de um Ser superior que quis fazer uso desse gênio da música para despertar a humanidade para uma atenção maior à destruição do Planeta, da Casa Comum. Destruição que, naquele ano, já apontava um caminho sem volta frente à ganância, à arrogância, ao egoísmo, à exploração dos poderosos sobre os mais pobres? Foi mesmo um sonho ou um pesadelo da triste realidade que vive a humanidade com os mesmos medos, com buscas de respostas que a levam a vaguear sem saber aonde chegar?

Maluco que sou, eu sonhei

Maluco? Penso que não. Eu diria que um pensador capaz de revelar seus sonhos, de transformá-los em letra e música que levem crianças, jovens, adultos e anciãos a refletirem sobre a realidade de suas vidas.

Com o dia em que a Terra parou
Com o dia em que a Terra parou

Então chegou o dia, ou melhor: os dias, os meses, mas que não se complete um ano esta “profecia”: A TERRA REALMENTE PAROU. Que tão logo volte a se movimentar!

Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa

Assim se faz necessário. Decidiram que ninguém sairá de suas casas. Mas como? E o direito de ir e vir garantido pela Carta Magna desse País, a Constituição Federal? Se sou maior de idade, dono do “meu nariz”, responsável pelos meus atos, como não vou sair de casa? E quando se trata de grandes potências econômicas, bélicas, que têm os maiores e melhores cientistas, os maiores esquemas de seguranças do Planeta, como vão lidar com essa exigência do isolamento social? Como não sair de casa?

Como que se fosse combinado em todo o planeta

Não foi combinado em todo o planeta! Apareceu um novo coranavírus, que causa a doença COVID-19, que chegou pra dizer: “Vocês não me veem, não sabem quem eu sou, onde estou, mas sabem que, em contato comigo, já não terei o trabalho de contaminar outras cinco vítimas, dez… ou seja, vocês farão isso por mim se não ficarem em casa”.

Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém

Há dias, meses que o confinamento ou isolamento social está sendo a melhor arma para enfrentarmos esse ser invisível que amedronta a toda a humanidade.

O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não ‘tava lá’

De fato, o empregado não saiu pra trabalhar! Mas ele sabe que se sair e se contaminar, a sua chance de ter um tratamento digno é quase impossível, porque em muitas cidades nem Hospital tem e onde tem, pode lhe faltar o respirador mecânico e tantos outros procedimentos de saúde que podem salvar sua vida.. “O Patrão também não estava lá”…
Curiosamente eu, acompanhando os telejornais e outros meios de comunicação, vi que muitos patrões queriam que os seus empregados fossem trabalhar, mesmo ele, o patrão, não estando lá.” A ECONOMIA NÃO PODE PARAR…” A justificativa é plausível? o fato é que muitos desses empregados e patrões que saíram e não entenderam que a terra parou, pararam para sempre pois o “invisível” veio para igualar a todos.

Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não ‘tava lá’

As necessidades básicas à sobrevivência não esperam! É preciso alimentação, remédios…Daí as padarias, super e hiper mercados, postos de combustíveis, farmácias e drogarias mantêm atendimento aos seus clientes. Muitas vezes não vai a dona de casa comprar o pão, pois, por ser de mais idade, é mais vulnerável à contaminação, deve ir, então, um filho ou aproveita a boa vontade de um vizinho e evita aglomeração. Requisitos básicos são necessários: higienizar bem as mãos com água e sabão e uso constante de álcool em gel; Máscaras são imprescindíveis, mesmo com possibilidade de repressão ao não uso pelas autoridades constituídas. Mas, e o padeiro? Ele está lá! Como disse “alguns estão se sacrificando para preservar a vida a outros.”

E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não ‘tava lá’
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar

O guarda não sai para prender, mas sai como que numa força-tarefa para colaborar na orientação e na assistência aos agentes de saúde no sentido de ajudar a todos na prevenção da Covid-19 que, para alguns, não passa de uma “gripezinha”, mas que ceifa vidas e mais vidas a cada dia. O ladrão, às vezes, até sai, mas também ele, muitas vezes vítima de um sistema discriminador e marginalizador perambula por aí, pois “a terra parou” e ele não se deu conta de que o vírus não faz discriminação.

No dia em que a Terra parou, eh eh
No dia em que a Terra parou, oh oh oh
No dia em que a Terra parou, oh oh
No dia em que a Terra parou

Realmente parou e continua parada! O que faço com os meus bens? E as pessoas que mais amo…não posso nem visitar? O que farei, já que não posso aumentar o meu patrimônio? De forma positiva e muito curiosa foi a terra parar e despertar em nós o sentimento de solidariedade. Ajudamos com cestas básicas, com produtos de limpeza e com outras coisas básicas para a sobrevivência de uma família…

“A terra parou”. E já não é hora de ela se movimentar novamente? A vida das pessoas já está segura para que a terra se movimente ou é preciso esperar mais um pouco? Se a preocupação primeira for a VIDA que se espere mais um pouco.

E nas Igrejas nem um sino a badalar
Pois sabiam que os fiéis também não ‘tavam lá’
E os fiéis não saíram pra rezar
Pois sabiam que o padre também não ‘tava lá’

Sabe-se que os sinos sempre foram um convite à oração, como também servem de cronômetro para os moradores de uma cidade, indicam até aquele que irá presidir uma celebração Litúrgica (Missa).

Expressam com os seus sons alegrias e até momentos tristes. E porque a terra parou os fiéis não vão à Igreja para rezar. Mas aí é que surge a oportunidade de retomarmos as pequenas comunidades cristãs já desejadas no início do cristianismo, como nos relata o Livro dos Atos dos Apóstolos “onde ali se constituía a Igreja Doméstica”.

Os fiéis não saem para rezar pois também os padres estão impedidos de estarem lá. A terra parou para todos, em pleno século 21. Ainda bem que as tecnologias, através dos meios de comunicação social, sobretudo a internet, oportunizam aos padres chegarem a essas pequenas comunidades cristãs, Igrejas Domésticas, alimentam a fé e a espiritualidade do povo cristão.

E o aluno não saiu para estudar
Pois sabia o professor também não ‘tava lá’
E o professor não saiu pra lecionar
Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar

O transporte parou, as instituições de ensino pararam… como expor centenas de milhares de alunos, professores, colaboradores da educação a um mal invisível e que ainda não se sabe como combatê-lo? No isolamento social, permanece o aluno, o professor…toda a comunidade escolar! Sempre há muito o que ensinar! E tanto conhecimento apenas aguarda e será histórico, porque quando a terra voltar a se movimentar trará a todos uma nova lição de vida. Esperamos, sobretudo, que o valor à vida seja a maior lição, o compromisso de todos os que sobreviverem a essa pandemia da Covid-19.

No dia em que a Terra parou, oh oh oh oh
No dia em que a Terra parou, oh oh oh
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou
O como parou…

O comandante não saiu para o quartel
Pois sabia que o soldado também não ‘tava lá
E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não ‘tava lá
E o paciente não saiu pra se tratar
Pois sabia que o doutor também não ‘tava lá
E o doutor não saiu pra medicar
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar

“A Terra parou!” Não tem comandante e nem comandado. A guerra é uma só: Lutar pela vida. Então nos descobrimos de fato como iguais. O “invisível” pegou o comandante, pegou o comandado, pegou o médico, pegou o paciente, pegou o padre, pegou o fiel, pegou o professor, pegou o aluno, pegou o rico e pegou o pobre, pegou o negro e pegou o branco…

Essa guerra é de todos! Mas “o que é o homem para dele vos lembrardes? (Salmo 8, 5). “A Terra parou”…, Raul Seixas, mas não vamos ficar aqui “…Com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar…” como você nos falou em sua canção “Ouro de Tolo”.

Vamos, sim, continuar lutando por um mundo mais igual, mais fraterno, menos desumano e sem mediocridade. Vamos lutar contra todo poder opressor e a favor da vida, pois somente com esse propósito é que a humanidade fará com que a terra volte a se movimentar dando às pessoas a oportunidade de serem melhores umas com as outras, de cuidarem do Planeta, da Casa Comum, enfim, de respeitarem a VIDA como dom de Deus. Se assim não o fosse o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo, não teria dito: “Eu vim para que todos tenham VIDA e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

No dia em que a Terra parou oh yeah
No dia em que a Terra parou, foi tudo
No dia em que a Terra parou, oh oh oh
No dia em que a Terra parou
Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, acordei
No dia em que a Terra parou, oh yeah
No dia em que a Terra parou, ohh
No dia em que a Terra parou, eu acordei
No dia em que a Terra parou, acordei
No dia em que a Terra parou, justamente
No dia em que a Terra parou (eu não sonhei acordado)
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou, oh yeah
No dia em que a terra parou

PAROU. MAS VAI VOLTAR AO SEU MOVIMENTO!
EU CREIO!
É QUESTÃO DE TEMPO…
Pe. Dilton Maria Pinto
Administrador Paroquial – Santa Maria do Suaçuí /MG.
18/06/2020

” Não tenhais medo”. Homilia do 12º Domingo do Tempo Comum ( Ano A)

 

“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo,

mas não podem matar a alma!”

A Liturgia do 12º Domingo do Tempo Comum (ano A) nos convida a refletir sobre a solicitude e o Amor de Deus para com aqueles que Ele chama e envia em missão, uma vez que a perseguição está sempre presente no horizonte dos discípulos de Jesus.

A passagem da primeira Leitura (Jr 20, 10-13) nos mostra que Jeremias, como tantos outros Profetas, sofreu o abandono dos amigos, o sofrimento, a solidão e a perseguição, por isto é um paradigma do Profeta sofredor, que merece ser lembrado para nos inspirar e fortalecer na caminhada de fé e no testemunho da vocação profética.

O Profeta Jeremias faz forte apelo à conversão e a fidelidade a Javé e à Aliança, num período, da história do Povo de Deus, marcado por desgraças, infidelidade e injustiça social.

Por sua veemência e fidelidade, Jeremias é chamado de o “amargo Profeta da desgraça” e é acusado de traidor. Sua missão tem um alto preço pago: o abandono e a solidão. Ele é tratado como objeto de desprezo e de irrisão e tido como um maldito, porque não é aceita e compreendida sua mensagem em nome de Javé.

Encontramos no Livro desabafos seus, expressando desilusão, amargura, queixas, confissões e frustração, mas mantém-se fiel, porque estava verdadeiramente apaixonado pela Palavra de Deus.

Apesar do abandono experimentado, até dos amigos mais íntimos, eleva hino de louvor, que expressa confiança em Deus, para além de todo sofrimento e perseguição.

Bem sabemos que o caminho do Profeta é marcado pelo risco da incompreensão e da solidão, e precisamos de coragem para trilhar este caminho, com a certeza e confiança de que Deus jamais nos abandona.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 5,12-15), o Apóstolo fala da vida, que se coloca sempre diante de uma decisão: ou viver no egoísmo e autossuficiência que gera a morte; ou pôr-se decidida e corajosamente numa caminhada de fidelidade ao Projeto de Deus que gera vida nova. É preciso centralizar nossa fé em Cristo, e em Sua Palavra, enraizando a nossa vida.

Como discípulos missionários, cremos que a Salvação vem pela fé em Jesus Cristo e se destina a todos, indistintamente. Somente a fidelidade a Jesus é garantia de vida nova e vida plena, fazendo da nossa vida um dom, uma doação feita por amor à causa do Reino de Deus.

Na passagem do Evangelho (Mt 10,26-33), o tema da inevitabilidade da perseguição na vida dos discípulos é explícito, assim como vimos na primeira Leitura.

O Evangelista exorta à superação do desânimo e frustração decorrentes das perseguições.

Apresenta como que um “manual do missionário cristão”, que consiste no “discurso da missão” – “Para mostrar que a atividade missionária é um imperativo da vida cristã. Mateus apresenta a missão dos discípulos como a continuação da obra libertadora de Jesus.

Define também os conteúdos do anúncio e as atitudes fundamentais que os missionários devem assumir, enquanto testemunhas do Reino” (1)

Três vezes aparece a expressão “Não temais”, assegurando a presença, ajuda e proteção divina para superação do medo que impeça a proclamação da Boa Nova; o medo da morte física; e neste medo se pode experimentar a solicitude de Deus, um cuidado que desconhece limites.

A mensagem é que a vida em plenitude é para quem enfrentar o medo, na fidelidade, até o fim. O medo não pode nos deixar acomodados.

A ternura, a bondade e a solicitude divina são imprescindíveis, pois fortalecem na missão. É preciso se entregar confiadamente nas mãos de Deus:

“Jesus encoraja os Seus discípulos a alargar o horizonte da vida e a avaliar os riscos vividos por Sua causa, no contexto mais amplo da vida com Deus, da vida eterna.

O cristão é chamado a viver na confiança de que o Pai não o abandona nas mãos dos perseguidores (v.28), que a sua vida, a sua salvação custou o Sangue do Filho e tem por isso, aos Seus olhos, um valor imenso (vv. 29-31).

A fidelidade e a confiança no Senhor serão recompensadas por aquele ‘reconhecimento’ que já se manifestou na Ressurreição de Cristo” (2).

No testemunho da fé, é possível a perseguição, portanto é necessária a confiança. Anunciar e testemunhar a Boa Nova é não deixar que o medo nos paralise, pois o medo nos impede de ser autênticos discípulos missionários:

“O cristão não é chamado a procurar o martírio como prova da sua fé, mas a viver constantemente a vida com os olhos fixos no Alto, isto é, a alargar aquele horizonte que hoje, mais do que nunca, tende a fechar-se no círculo dos benefícios desfrutáveis, aqui e agora.” (3)

Também nós precisamos ouvir a todo instante – “Não tenhais medo”. É preciso que a Palavra de Jesus ressoe em nossos ouvidos e fique entranhada no mais profundo de nosso coração:

“Impressiona a história de tantos mártires cristãos, antigos e atuais, que escolheram o caminho da coerência e da fidelidade ao Senhor a custo da própria vida.

É com eles que nos encontramos na Comunhão dos Santos, vivida, sobretudo, na Celebração Eucarística; uma companhia que a comunidade dos crentes gosta de ter ao seu redor, mesmo com as pinturas, os afrescos, os mosaicos que adornam as nossas Igrejas (hoje reduzidas muitas vezes a belas obras que se admiram em igrejas-museu) expressões artísticas surgidas para tornar humanamente visível o que vivemos na fé.” (4)

Antes de concluirmos com a expressiva Oração do Dia, da Missa, que muito bem expressa a realidade humana, marcada pela fragilidade, portanto, necessitada da força e intervenção divina, é preciso que como cristãos levantemos o olhar para a vida a que Cristo nos chama, ou seja, “viver a força de contestação profética que viveu Jeremias, que Jesus levou perante as autoridades judaicas e romanos e conduziu os Apóstolos ao martírio.

É na relação íntima e comunitária que vivemos com  Deus, no desejo de sermos reconhecidos por Ele que se reforça a adesão a Cristo e ao seu Evangelho, com a esperança libertadora de vivermos confiando no Pai.” (5)

“Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de Vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém.”

(1) www.Dehonianos.org/portal

(2) (3) (4) Lecionário Comentado p. 560.

(5) Idem p. 561.

 Dom Otacilio F. de Lacerda

Fidelidade à missão que o Senhor nos confia – Homilia para o XI Domingo do Tempo Comum do Ano A

 

Com a Liturgia do 11º Domingo do tempo Comum (ano A), somos convidados a refletir sobre a missão que Deus nos confia, sendo no mundo instrumentos de Sua compaixão e misericórdia.

Somos chamados e enviados por Deus para que sejamos sinais vivos do Seu amor e testemunhas de Sua bondade, em gestos contínuos de amor, partilha e solidariedade.

Na passagem da primeira Leitura – Livro do Êxodo (Ex 19, 2-6a), o autor nos apresenta o Deus da Aliança, e como Ele estabelece laços de comunhão e familiaridade.

Uma Aliança com pretérito, presente e futuro, como vemos na passagem, de modo que a eleição como Povo de Deus não é um privilégio, mas uma missão profética para ser sinal do Deus vivo.

Somente quando o povo se põe em conquista da liberdade, se torna, de fato, sinal de Deus, vivendo com Ele a Aliança.

Como Povo de Deus, é preciso reconhecer a Sua presença na Sua aparente ausência. É preciso ouvir sua voz, guardar a Aliança e pôr-se a caminho, em total fidelidade a Ele, como que “embarcando na aventura da Aliança”.

Reflitamos:

– Sou sinal do amor vivo de Deus e Sua bondade?

– Como correspondo à Aliança de Amor de Deus conosco?

– Percebo a presença de Deus em minha vida, na vida da comunidade?

Na passagem da segunda Leitura, o Apóstolo Paulo nos apresenta a missão da comunidade: testemunhar o amor eterno de Deus pela humanidade, um amor inquebrantável, inqualificável, incrível, ilógico, inexplicável, gratuito e absolutamente único, e nada e ninguém poderá vencê-Lo, derrotá-Lo ou eliminá-Lo (Rm 5, 6-11).

Também insiste que a salvação é dom do amor de Deus e não uma conquista do homem e da mulher. Para ele, a História da Salvação é uma incrível história de amor.

Reflitamos:

– Sinto a presença e o amor de Deus em minha vida?

– Como comunidade somos sinais deste amor de Deus?

– Que precisamos fazer para corresponder ao amor de Deus?

– Salvação é dom divino e resposta nossa. Como respondemos a este dom divino?

Na passagem do Evangelho, encontramos o “discurso da missão”, acompanhado de uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio dos doze discípulos (Povo de Deus) para anunciar a chegada do Reino de Deus (Mt 9, 36-10,8).

O texto foi escrito num contexto de grandes dificuldades para o anúncio do Evangelho, e com isto a desorientação e a perturbação enfrentadas. Por isto, o Evangelista apresenta como que um “manual do missionário cristão”, enraizando sua missão em Jesus Cristo.

A iniciativa do chamado é do próprio Jesus. E o número “doze” é simbólico, lembrando as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus, e com isto representa a totalidade do novo Povo de Deus.

A missão confiada aos discípulos é a de lutar contra tudo que destrua (pecado) a vida e a felicidade das pessoas, física ou espiritualmente.

O envio é acompanhado de Instruções: a salvação se destina a todos os povos, e deve ser realizada na gratuidade e na confiança plena em Deus, de modo que a missão dos discípulos é a própria missão de Jesus.

Reflitamos:

– Tenho vivido com fidelidade a Missão que o Senhor me confiou?

– Como Igreja temos realizado com zelo a missão pelo Senhor confiada?

– Realizo com confiança e gratuidade a missão confiada pelo Senhor?

– O que me impede para ser sinal da compaixão e solidariedade divina no mundo?

– Há consistência e audácia no testemunho de nossa fé?

A messe é grande e os operários são poucos. Peçamos que o Senhor envie operários para a messe, mas antes, coloquemo-nos com alegria e generosidade nesta missão. Façamos nossa parte com zelo, amor e alegria, pois assim exige a evangelização. Não há “desemprego no campo missionário”.

Fonte inspiradora:  www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda  em seu blog

http://peotacilio.blogspot.com/

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