Eliana Alvarenga

O Reino de Deus germina silenciosamente- Homilia 11° Domingo do Tempo Comum Ano B

O Reino de Deus germina silenciosamente

No 11º Domingo do Tempo Comum (Ano B), a Liturgia da Palavra nos convida a renovar a alegria de trabalhar pelo Reino de Deus, fiéis à Aliança que Ele faz conosco, da qual jamais se esquece.

A passagem da primeira Leitura (Ez 17,22-24) retrata o tempo do exílio, e o Profeta procura manter acesa a chama da esperança do povo pela fidelidade de Deus e Sua Aliança. É preciso afastar todo medo e pessimismo.

O Profeta tem a árdua missão de destruir as falsas esperanças, denunciar as infidelidades, levando o povo a confiar plenamente em Javé, pois somente com Ele construirá uma nova história.

Aparentemente nosso trabalho parece ser insignificante, desprezível, mas não o é aos olhos de Deus que tem sempre um Projeto de Vida para a humanidade.

Deus chama quem bem quer para a construção deste Projeto, o que não necessariamente corresponde à lógica dos homens. Tudo pode cair, tudo pode falhar, mas somente Deus não falha. Deus ama Seu povo e quer salvá-lo.

É preciso corresponder à vontade amorosa de Deus com nossa humilde disponibilidade e acolhida dos Seus apelos e desafios.

Na passagem da segunda Leitura (2Cor 5,6-10), o Apóstolo Paulo anuncia que somos  peregrinos no tempo,  vocacionados para a eternidade, à vida definitiva.

Não podemos nos curvar diante da cultura do provisório, do que é fácil e efêmero, mas caminhar com passos firmes para a eternidade, procurar o que é duradouro e nos assegure a vida definitiva.

Pela vida e palavras dos Apóstolos vemos que não é fácil seguir e servir o Senhor. A grandeza da missão comporta riscos, mas tem compensações sem medida.

Na passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 4,26-34) encontramos duas Parábolas de Jesus sobre o Reino de Deus.

A Parábola é uma forma de linguagem que Jesus Se utiliza, acessível, viva, questionadora, concreta, desafiadora, evocadora e pedagógica, para semear a Palavra no coração e na mente dos Seus ouvintes. Fala coisas tão belas e profundas a partir de coisas simples do quotidiano.

Elas criam controvérsias, diálogo, questionamentos, num primeiro momento, depois se tornam provocadoras para novas atitudes e compromissos, mexendo com seus ouvintes.

Finalmente levam o ouvinte a tirar as consequências para a vida, pois ajuda a pensar e rever as atitudes, a própria vida, o compromisso com Jesus e o Reino.

“A primeira Parábola (da semente) afirma que o Reino de Deus é algo que uma vez semeado no coração da pessoa, germina e cresce por si só: tem uma força intrínseca (vv. 26-29). A segunda (do grão de mostarda) diz que o Reino de Deus é pequeno e aparentemente insignificante, mas crescerá até se tornar muito grande (vv. 30-32)” – Leccionário Comentado pp.518.

A grande mensagem destas duas Parábolas é que o Reino de Deus é uma iniciativa divina, e para que ele aconteça a comunidade precisa manter a serenidade, a confiança e a paciência. Importa lançar a Semente da Palavra do Reino no coração da humanidade.

A Parábola da semente tem sua mensagem própria: a nós cabe lançar a semente. Assim acontece o Reino, inaugurado e realizado na atitude da necessária paciência evangélica.

Deus não falha e no Seu tempo dará os frutos esperados, de modo que podemos afirmar categoricamente que o tempo d’Ele não é o nosso.

A Parábola da semente de mostarda, que se torna uma grande árvore, revela quão grande e belo é o Reino, que se inicia com pequenos gestos, daquilo que é aparentemente insignificante e desprezível.

Nos fatos aparentemente irrelevantes, na simplicidade e no transcorrer normal de cada dia, na insignificância e limites dos meios de que dispomos na evangelização, esconde-se o dinamismo divino que atua na história oferecendo e possibilitando à humanidade caminhos novos de vida plena e salvação.

“Jesus não é um homem de sucesso, de ibope. Ele lança uma sementinha, nada mais. E de repente, a sementinha brota. O que parecia nada, torna-se fecundo, árvore frondosa”, como nos fala o Pe. Joan Konings (SJ).

Digamos sempre: “Como é bom trabalhar na construção do Reino como Igreja que somos!”

Tenhamos a paciência evangélica para continuarmos com alegria, como Igreja, lançando sementes no coração da humanidade, para que possam florir na alegre presença do Reino que já está em nosso meio com a Pessoa e a Palavra de Jesus, que vemos e acolhemos em cada Eucaristia, quando a Palavra é proclamada, acolhida e vivida, e o Pão é comungado e o quotidiano Eucaristizado!

Urge que Palavra de Deus caia em nosso coração, germine, floresça e frutifique, na confiança, esperança, humildade e paciência, como a mais bela expressão de uma frutuosa relação de amor com Deus.

Concluo:

Venha, Senhor, o Vosso Reino, rezamos.

Venha, Senhor, o Vosso Reino, anunciamos.

Venha, Senhor, o Vosso Reino, testemunhamos.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Iluminados pela “Verbum Domini”, alegria Pascal transbordante

Vivendo o Tempo Comum, sejamos cada vez mais fortalecidos pela Palavra, que é fonte divina de nossa conversão, como discípulos missionários do Senhor, e assim, sejamos iluminados pela “Verbum Domini”, do Papa Emérito Bento XVI (2010).

É pecado de omissão se todos nós, sem exceção, não nos colocarmos diante do apelo da conversão que a Palavra de Deus faz, pois ela é imperativo para todos, ordenados ou não.

Nosso anúncio, sobretudo como presbíteros, seria sem ressonância alguma se antes não nos puséssemos, à escuta atenta do que o Senhor nos diz, sem ignorar as Escrituras, pois ignoraríamos o próprio Cristo, como bem disse São Jerônimo e São João Paulo II – “A Palavra de Deus é indispensável para formar o coração de um bom pastor, Ministro da Palavra” – VD 78.

Quanto aos fiéis cristãos leigos e leigas, afirma “Compete, sobretudo, aos fiéis leigos formados na escola do Evangelho intervir diretamente na ação social e política. Por isso o Sínodo recomenda uma adequada educação segundo os princípios da Doutrina Social da Igreja” – VD 100.

Urge que entendamos a conversão, não como um ponto de chegada em si, mas como um caminho permanente a ser percorrido.

Assim como pedimos o pão de cada dia na oração que o Senhor nos ensinou, podemos intuir que a graça da conversão também é suplicada quotidianamente, para que melhor correspondamos à vontade de Deus.

Para que possamos avançar neste santo e inadiável propósito, assim nos diz o Papa, que somente quem se coloca primeiro à escuta da Palavra é que pode depois tornar-se seu anunciador, e não se trata de qualquer anúncio, como ele mesmo nos diz:

“Não se trata de anunciar uma palavra anestesiante, mas desinstaladora, que chama à conversão, que torna acessível o encontro com Ele, através do qual floresce a humanidade nova” – VD 93.

Com isto, torna-se o aprofundamento de nossa familiaridade com a Palavra de Deus “ … O nosso relacionamento pessoal e comunitário com Deus depende do incremento da nossa familiaridade com a Palavra de Deus” – VD 124.

Deste modo, a Igreja será incansável neste anúncio –  “A Igreja, segura da fidelidade do seu Senhor, não se cansa de anunciar a boa nova do Evangelho e convida todos os cristãos a redescobrirem o fascínio de seguir Cristo.” – VD 96.

Imprescindível se faz a participação na Eucaristia, pois  “A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério Eucarístico” – VD 55.

Apresenta-nos Maria, como modelo de escuta crente da Palavra Divina que muito pode nos ajudar na conversão e vivência da Palavra Divina: “No nosso tempo, é preciso que os fiéis sejam ajudados a descobrir melhor a ligação entre Maria de Nazaré e a escuta crente da Palavra Divina” – VD 27.

Tenhamos a Palavra de Deus como centro de nossa espiritualidade, pois ela é fonte da Evangelização, inseparavelmente da Eucaristia que celebramos.

Jamais nos acomodemos no Seu conhecimento, acolhimento e vivência. Palavra de Deus não apenas para ser conhecida, mas acolhida, encarnada e vivida, como sementes que se plantam para florescer já no tempo presente, reconstruindo o Paraíso, não como estéril saudosismo, mas como compromissos intransferíveis.

Vivamo-La, dando razão de nossa esperança ao mundo; artífices da caridade porque crentes na força e eficácia da Palavra (Hb 4,12).

Que a conversão seja para nós o eterno começo na abertura e acolhida da Palavra, tendo como anseio mais profunda a glória da eternidade.

Por ora, como peregrinos longe do Senhor e com Ele mais perto de nós, do que nós a nós mesmos caminhemos sem hesitação para meta: “Convertei-vos e crede no Evangelho…”, e ainda: “Convertei-vos porque o Reino de Deus está perto…”. 

Caminhemos com Ele, vivo e glorioso em nosso meio: “…Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não está aqui; ressuscitou…” (Lc 24,5-6).  Aleluia! 

 

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em:

http://peotacilio.blogspot.com/2020/04/iluminados-pela-verbum-domini.html

O desafio da Evangelização na rede – Dom Otacilio F. de Lacerda

Retomando a citação do Papa Emérito Bento XVI em que ele ressalta a missão da Igreja que é chamada a “… descobrir, também na cultura digital, símbolos e metamorfoses significativas para as pessoas, que possam ser uma ajuda para falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo.”, faço uma breve reflexão.

Tenho experimentado a força deste espaço… Quanto bem tem levado a muitas pessoas, conhecidas ou não (esta é uma das múltiplas faces da cultura digital, que nos desafia e nos aproxima).

Evidentemente, tanto aqui como no contato pessoal, com pequenos grupos ou grande número de pessoas em Assembleias, a Palavra é a mesma a ser anunciada e deve ser feito sempre com o mesmo amor.

A cultura digital tem seu fascínio, seu encanto, mas não dispensa o contato pessoal. Impressionante a intuição e a coragem do Papa na busca da compreensão da cultura digital, mais ainda a motivação para que não nos furtemos dela, não sejamos omissos. Haveremos de ser criativos e usar os meios lícitos e pertinentes para comunicar a Boa Nova do Evangelho, sem jamais o trair.

Quais símbolos e metamorfoses significativas haveremos de descobrir e utilizar para que cada letra, cada palavra, cada texto postado ou quaisquer outros trabalhos maiores realizados favoreçam a conversão e a transformação das pessoas, como alegre sinal do Reino a ser anunciado e construído?

Como ajudar, através da cultura digital, a realização do homem contemporâneo sem jamais se distanciar da verdade de Jesus Cristo, da Igreja e do homem?

Por isto manifesto mais uma vez meu anseio que o leitor não apenas visite este blog- http://peotacilio.blogspot.com – mas faça dele um momento forte de oração revitalizando-se no essencial de Deus que é o Amor, e assim amar como Ele ama.

O mundo será mais belo se aprendermos a amar como Deus nos ama, sem nenhum acréscimo e nenhuma complicação. Amar na medida do Amor de Deus, se é que podemos falar em medida…

Ter Sal em nós é preciso para dar ao mundo novo sabor. Ser Luz nas mais diversas situações obscuras, nas “cavernas sombrias e escuras” da existência. Não podemos esconder a luz sob a mesa, tão pouco deixar o sal perder seu sabor, há muito Ele nos advertiu.

Anunciar a Boa Nova do Evangelho é preciso, sobre os telhados, como já anunciara o Senhor.

Quais os esforços que realizamos para a compreensão da cultura digital?

De que modo ela com seus símbolos e recursos beirando o infinito podem ajudar a tornar homens e mulheres mais felizes?

Como tornar na cultura digital o Evangelho verdadeiramente uma Boa Nova para homem e mulher contemporâneos?

Alguns princípios não podemos perder de vista, que são acima de tudo pautados no Evangelho e dentre os quais destacamos: amor, verdade, justiça, liberdade, fraternidade, comunhão, respeito, solidariedade, paz, felicidade…

Que a cultura digital não contratestemunhe a própria cultura, que consiste em criar laços de comunhão, no respeito às diferenças, promovendo a realização da pessoa consigo mesma, com o outro e com Deus.

Há um imenso mar a ser descoberto. E, assim é o mar: quanto mais profundo for o mergulho, mais belos e encantadores serão seus mistérios.

PS: Citação extraída da mensagem intitulada “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”, do 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2011)

http://peotacilio.blogspot.com/2020/06/o-desafio-da-evangelizacao-na-rede.html

 

A Amizade Divina e a felicidade desejada – Homilia- 10º Domingo do Tempo Comum -Ano B.

A Amizade Divina e a felicidade desejada
A Liturgia do décimo Domingo do Tempo Comum (ano B) nos convida a refletir sobre o Projeto de Deus oferecido à humanidade e a liberdade de nossa resposta. Podemos optar pelo bem ou pelo mal, pela pertença ou não de Sua família; tendo como critério para a pertença a realização da Sua vontade.
A passagem da primeira leitura (Gn 3,9-15) retrata a criação de uma forma essencialmente catequética, a partir dos nossos primeiros pais (Adão e Eva), nos oferece a oportunidade de  refletir sobre o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos os caminhos do egoísmo, do orgulho e da autossuficiência.

Inevitavelmente quando vivemos à margem de Deus trilhamos caminhos amargos de sofrimento, destruição, infelicidade e morte.

O mal no mundo não tem origem em Deus, mas resulta de nossas escolhas erradas, do mau uso de nossa liberdade, de modo que é impossível o encontro da felicidade quando se prescinde de Deus, da Sua amizade, do Seu bem querer para todos nós: a felicidade plena e eterna.
Prescindir de Deus leva a duas consequências extremamente negativas: a hostilidade para com o outro e a inimizade com toda a criação.
Sem uma relação profunda e sincera com Deus, nos desencontramos e nos perdemos em relação a nós mesmos, em relação ao outro e ao mundo que nos cerca. Numa palavra, sem Deus não há felicidade possível.
Sem a amizade divina, somos imersos num lamaçal de mediocridade e infelicidade; na areia movediça do orgulho, do vazio, da inutilidade, da depressão, da vida sem sentido.
Sem a amizade divina, o encontro sofrível com a escuridão eterna. Rejeitar o Amor de Deus é fechar a porta para a felicidade e a eternidade.
Na passagem da segunda Leitura (2Cor 4,13-5,1), com o Apóstolo Paulo, aprendemos que viver somente tem sentido na perspectiva da Ressurreição, numa vida cristã coerente, agindo como verdadeiros discípulos missionários do Senhor.
O Apóstolo ainda nos assegura que a fé no Ressuscitado, crer em Sua presença, contando com a força e a vida do Espírito, na fidelidade a Deus que nos criou e nos ama, nossa esperança é sustentada e nossa caridade animada, na provisoriedade e brevidade de nossa existência.
Com a passagem do Evangelho (Mc 3,20-35), contemplamos a ação de Jesus em favor da vida, com aceitação de uns, rejeição e incompreensão de outros.
A cena se passa numa casa: há os que ficam do lado de fora e os que estão dentro. Há sempre aqueles que são arredios, os que ficam à porta, são os que chamamos de “católicos não praticantes”. Há aqueles que fazem parte da família de Deus, porque compreenderam a lógica desta pertença, que consiste em fazer a Sua vontade em qualquer tempo e em qualquer lugar.
Com a passagem do Evangelho, refletimos sobre a liberdade que Deus nos concede,  fazer a melhor escolha, ou seja, tudo fazer para pertencer à família de Deus, crendo na Vida Trinitária, inseridos e comprometidos com esta Comunhão Maior, promovendo e fortalecendo as outras tantas comunhões necessárias, na família, no mundo e em todo lugar.
Somente no fazer a vontade de Deus nossa felicidade se realiza. Somente neste “fazer” é que seremos autênticas testemunhas do Ressuscitado e viveremos a relação de nossos pais no Paraíso, não mais como saudade de algo que se perdeu, mas como algo que pode ser reconquistado, vivido e no céu eternizado.
Nunca voltar ao paraíso pela saudade, mas tê-lo na mente e no coração, para que nos alavanque para águas mais profundas. Jardins belos e férteis, Deus nos tem preparado, pois foi para isto que, pelo Filho, nos criou.
Somente quem entra no movimento do Espírito, o Movimento do Amor, redescobre que o Paraíso existe e é possível; de modo que, usando a liberdade que Deus nos deu, façamos nossas escolhas, saibamos a vontade de Deus realizar.
http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/a-amizade-divina-e-felicidade-desejada.html

Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade! – Corpus Christi

Aprofundemos sobre o inesgotável Mistério da Eucaristia, à luz das Obras do Presbítero Santo Tomás de Aquino (Séc. XIII).

“O unigênito Filho de Deus, querendo fazer-nos participantes da Sua Divindade, assumiu nossa natureza, para que, feito homem, dos homens fizesse deuses.

Assim, tudo quanto assumiu da nossa natureza humana, empregou-o para nossa salvação. Seu corpo, por exemplo, e o ofereceu a Deus Pai como sacrifício no Altar da Cruz, para nossa reconciliação; Seu sangue, Ele o derramou ao mesmo tempo como preço do nosso resgate e purificação de todos os nossos pecados.

Mas, a fim de que permanecesse para sempre entre nós o memorial de tão imenso benefício, Ele deixou aos fiéis, sob as aparências do pão e do vinho, o Seu Corpo como Alimento e o Seu Sangue como Bebida.

Ó precioso e admirável Banquete, Fonte de salvação e repleto de toda suavidade!

Que há de mais precioso que este Banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que Se nos dá em Alimento.

Poderia haver algo de mais admirável que este Sacramento? De fato, nenhum outro Sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.

É oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, para que aproveite a todos o que foi instituído para a salvação de todos.

Ninguém seria capaz de expressar a suavidade deste Sacramento; nele se pode saborear a doçura espiritual em sua própria fonte; e torna-se presente a memória daquele imenso e inefável Amor que Cristo demonstrou para conosco em Sua Paixão.

Enfim, para que a imensidade deste amor ficasse mais profundamente gravada nos corações dos fiéis, Cristo instituiu este Sacramento durante a última Ceia, quando, ao celebrar a Páscoa com Seus discípulos, estava prestes a passar deste mundo para o Pai.

A Eucaristia é o memorial perene da Sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres que Cristo realizou. É ainda singular conforto que Ele deixou para os que se entristecem com Sua ausência”. (1)

                                                                                                 Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade!

Como não mergulhar na profundidade desta afirmação:

“De fato, nenhum outro Sacramento é mais salutar do que este;
nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes
e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais”?

Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade,

no qual nossos pecados são destruídos,

nova criatura nos tornamos,

porque pelo Sangue purificados e redimidos!

Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade,
no qual crescem as virtudes que nos assemelham mais ainda

Àquele que nos criou, Àquele que nos salvou,

Àquele que nos santificou: Trindade Santíssima!

Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade,
no qual nossa alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais.
Nada nos falta porque na Eucaristia temos o Todo e o Tudo,

por isto fonte e ápice de nossa vida.

Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade…

Quem a Deus no coração contempla nada lhe falta:

É plenamente feliz, saciado, divinizado!

Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade!

Exclamemos incansavelmente!

Amém!

(1) Lit. das Horas – Vol.III – pág. 550-551.

Momento Mariano

A Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Pito – Guanhães/ MG realizou um Momento Mariano, na noite do  dia 26 de maio , pela plataforma do Google meet .

Pe Adão Soares conduziu o encontro e as famílias, em seus lares, rezaram,  refletiram, cantaram e homenageraram Nossa Senhora através de uma singela coroação  à imagem de Nossa Senhora Aparecida, emocionando a todos os particpantes.

Foi um momento orante  e de também de muita alegria pelo encontro  , mesmo que de forma virtual.

Abaixo o roteiro utilizado e algumas imagens :

                                                                                                                Momento Mariano
“Devoção a Maria, compromisso com a vida digna, plena e feliz.” “Sua misericórdia se estende de geração em geração, a todos os que o temem”

Dirigente ( o padre) : Saudação aos participantes; Invocação à Trindade Santa; Vídeo – Oração ao Divino Espírito Santo- Canal de Dom Otacilio .
Nesta noite, queremos render nossos louvores a Maria e refletirmos as riquíssimas homenagens a Nossa Senhora, escritas por nosso Bispo diocesano,
Dom Otacilio Ferreira de Lacerda. Rezemos com fervor, este rico Momento Mariano, em nossas Igrejas Domésticas.

“O mês de maio é especialmente dedicado à Maria, Mãe de Jesus, porque ela está sentada no mais alto cume das virtudes, repleta do oceano dos carismas
divinos, do abismo das graças, como nos ensina a Igreja. Voltemos o nosso olhar para Maria, e nos reportemos ao canto do “Magnificat” (Lc 1,39-56), que nos
ajuda a reler os fatos e a história, comunicando os necessários raios de luz do Espírito Santo, sobretudo nos momentos difíceis por que passamos, em todos
os âmbitos (político, econômico, social, cultural).”

Canto : Magnificat.

Leitor 1: “Maria, cheia do Espírito Santo, em visita à sua prima Isabel, foi a primeira comunicadora de palavras de fé e esperança: – “doravante todas as
gerações me chamarão de bendita…”. É o cântico da esperança dos pobres e humildes. Em Maria, “a comunicação e a misericórdia fazem o verdadeiro e
fecundo encontro”, tema que o Papa Francisco nos propôs em sua Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações (2016).

Leitor 2: Maria, cheia do Espírito Santo, em visita à sua prima Isabel, foi a primeira comunicadora de palavras de fé e esperança: – “doravante todas as
gerações me chamarão de bendita…”. É o cântico da esperança dos pobres e humildes. Em Maria, “a comunicação e a misericórdia fazem o verdadeiro e
fecundo encontro…”

Dois leitores ( casal): Juntos : Envolvidos pela misericórdia divina, que é eterna, ela nos ensina a viver a fé:
Mulher “Eis a serva do Senhor” – o segredo da fé sem falha, em perfeita conformidade à vontade divina; a dar a razão de nossa esperança:

Homem: – “Nada é impossível a Deus” na incondicional confiança em Deus em tudo e em todos os momentos, favoráveis ou adversos; e assim seremos instrumentos da caridade .

Mulher: “Maria pôs-se a caminho apressadamente” – a caridade e a disponibilidade missionária para servir e comunicar o Amor e a presença de Deus.
Os dois: Maria nos ensina, portanto, a nos deixar envolver pela misericórdia divina, e assim, não vacilaremos na fé, nem esmoreceremos na esperança e tão pouco esfriaremos na caridade (Papa Leão Magno – séc. V).

Dirigente( padre) : No dia 25 de abril de 2020, fomos agraciados com uma Carta do Papa Francisco dirigida a todos os fiéis, com vistas ao mês de maio, em que o
povo de Deus manifesta de forma particular e intensa o seu amor à Virgem Maria. Considerando as restrições da pandemia, fomos levados a valorizar a família, inclusive do ponto de vista espiritual, e retomar a reza do Terço em casa… Também nos motivou a recitação individual, e também de diversos modos, de acordo com as variadas situações, seguindo bons esquemas que podem ser encontrados na internet. Ele enriqueceu-nos com duas orações a Nossa Senhora que poderão ser rezadas no final do Terço…Convidou-nos, por fim, a contemplar o rosto de Cristo, juntamente com o Coração de Maria, nossa Mãe, tornando-nos, ainda mais unidos como família espiritual, fortalecidos para superação desta provação que vivemos; e podemos fazer mutuamente pelosque mais sofrem.

Uma família: Primeira Oração a Maria:
“Ó Maria, Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho como um sinal de salvação e de esperança. Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos, que permanecestes, junto da Cruz, associada ao sofrimento de Jesus, mantendo firme a vossa fé.
Vós, Salvação do Povo Romano, sabeis do que precisamos e temos a certeza de que no-lo providenciareis para que, como em Caná da Galileia, possa voltar a
alegria e a festa depois desta provação. Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor, a conformar-nos com a vontade do Pai e a fazer aquilo que nos disser Jesus, que assumiu sobre Si as nossas enfermidades e carregou as nossas dores para nos levar, através da Cruz, à alegria da Ressurreição. Amém.
À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova, mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa
e bendita”.

Outra família: Segunda Oração a Maria “«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus». Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que
oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.
Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quemvive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.

Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que estadura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz.  Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe queconforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.
Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida
para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde.
Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim deencontrarem as soluções justas para vencer este vírus.
Assisti os Responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e econômicas com clarividência e espírito desolidariedade. Maria Santíssima, tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promoverestudos adequados para prevenir catástrofes do gênero no futuro.
Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.
Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão omnipotente para nos
libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal. Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.
Amém”.

 Dom Otacilio F. de Lacerda – Carta do Papa Francisco à nossas comunidades.

Canto : Maria Nazaré.
Observação: (Enquanto se canta – Uma família em destaque . Adultos e crianças coroam Nossa Senhora : Flores, terço, manto e coroa)

Bênção final: Canto : Dai-nos a bênção…
Despedida.

 

Ordenação Presbiteral do Diácono Guilherme Soares Lage

Guilherme Soares Lage, nascido em Ferros /MG, é filho do Sr Alberto Soares de Brito e de Dona Maria Aparecida Pereira Lage Soares; irmão de Adhemar Soares Lage.

Foi ordenado presbítero para a Igreja Particular de Guanhães no dia 22 de maio de 2021, às 16h, na Catedral São Miguel, após uma caminhada de 11 anos, tendo ingressado na Comunidade Vocacional em 2010.

Guilherme foi o quarto diácono ordenado por Dom Otacilio F. de Lacerda nesta diocese.

Estiveram presentes:  Dom Marcello Romano, bispo emérito da Diocese de Araçuaí, os padres: Daniel Jorge Lima Pires da  Diocese de Araçuaí,   Pe Leonardo Augusto Lucas Pinto da Diocese de Caratinga, Diácono Luciano da Diocese de Itabira, Diácono Giovani Pontel Gonçalves da arquidiocese de Belo Horizonte, quase todo o Clero  Diocesano de Guanhães e um número reduzido de fiéis, seguindo as orientações por causa da pandemia do Coronavírus.

Em sua homilia, Dom Otacilio disse da nossa alegria imensa, pois nos 35 anos da ação  evangelizadora da Diocese de Guanhães, do Ano de São José e do Ano da  Família, recebemos mais um  presente maravilhoso, a ordenação presbiteral do Guilherme; mais um presbítero para a nossa Igreja particular  que é uma verdadeira bênção para todos nós.

Continuando, ele falou que  ouvindo a Palavra de Deus proclamada, escolhida pelo candidato, trata-se de uma belíssima leitura que retrata o lema do seu presbiterado  “Para louvor e glória de sua Graça.” (Ef 1, 6).  Seu Ministério presbiteral deverá ser iluminado por este lema, levando-o a ser um comunicador da graça e da paz divinas,  assim como todos os padres, pois, ser padre é ser um instrumento, um comunicador dessa graça; o povo de Deus espera que o padre assim o seja.

Dom Otacilio falou que acredita  que, em um primeiro momento – graças aos pais –  Guilherme foi descobrindo e aprofundando o dom da fé que plantaram em seu coração. A semente que caiu num terreno fértil e ele crê que, com o incentivo e o testemunho dos pais o levou ao discernimento de que além de viver a  graça do Batismo,  Deus quer algo mais dele: consagrar-se a serviço do povo, como  um presbítero da Igreja.  Que seja sempre por Deus abençoado por meio do Santo Espírito para que viva o ministério marcado por vivência da graça do  Ministério em atitudes permanentes de santidade e uma conduta irrepreensível para exalar na comunidade o odor de Cristo, cuidando muito bem das ovelhas.

Ao final de sua homilia, Dom Otacilio o aconselhou a ser um padre do “Ide” e não do “Vinde”!

E, quando vierem as dificuldades, lembrar-se sempre da Palavra de Deus por ele  escolhida.

Ao final da Celebração, Pe Guilherme fez os agradecimentos a Deus, a seus pais, a  todos  que contribuíram para  sua caminhada vocacional, aos presentes, a todos os envolvidos para a realização e transmissão da Santa Missa e aos médicos que cuidaram dele quando encontrou-se com a saúde frágil.

Foi uma bonita e “memorável” Celebração!

Que Deus abençoe ricamente os caminhos  do Pe Guilherme.  Que  Santa Rita de Cassia interceda junto a Jesus, trazendo toda proteção e bênçãos para ele .

Que seus caminhos sejam sempre conduzidos pelo Espírito Santo!

                                                                                                 Texto : Eliana Maria de Alvarenga Guimarães

                                                                                                             Revisão : Vera Pimenta

                                                                                                           Fotos : Eliana Alvarenga e Evandro Moura

                                                      Pascom São Miguel  da Paróquia São Miguel e Almas – Guanhães MG.

 

 

Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado -Homilia.

“Assim como o Pai Me enviou, também

Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo”

Com a Solenidade de Pentecostes, celebramos o nascimento da Igreja e acolhida do Espírito Santo para acompanhá-la, conduzi-la e assisti-la em sua missão.

O Espírito Santo é o Dom dado por Deus a todos que creem, comunicando vida, renovação, transformação, possibilitando o nascimento do Homem Novo e a formação da Comunidade Eclesial – a Igreja.

Com a Sua presença a Igreja testemunha a vida e a vitória do Ressuscitado, nisto consiste a missão da comunidade: realizar com a presença e ação do Espírito Santo, que é a fonte de todos os dons, colocando-os a serviço de todos e não para benefício pessoal.

Lucas, na passagem da primeira Leitura (At 2,1-11), nos apresenta a comunidade que nasce do Ressuscitado, que é assistida pelo Espírito Santo e chamada a testemunhar a todos os povos o Projeto Libertador do Pai.

A Festa de Pentecostes que antes era uma festa agrícola (colheita da cevada e do trigo), a colheita dos primeiros frutos, ganhou novo sentido, tornou-se a festa histórica da celebração da Aliança, da acolhida do dom da Lei no Sinai e a Constituição do Povo de Deus. Mas, o mais belo e verdadeiro sentido é a celebração da acolhida do Espírito Santo.

Contemplemos o grande Pentecostes cinquenta dias após a Páscoa. O Espírito é apresentado em forma de língua de fogo, que consiste na linguagem do amor. Verdadeiramente a linguagem do Espírito é o amor que torna possível a comunhão universal.

Caberá à comunidade construir a anti-Babel, a humanidade nova, que pauta a existência pela ação do Espírito Santo que reside no coração de todos como Lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.

Reflitamos:

– Somos uma comunidade do Ressuscitado?

– Nossa comunidade é marcada por relações de amor e partilha?

– Empenhamo-nos em aprender a língua do Espírito, a linguagem do Amor?

– Qual é o espaço do Espírito Santo em nossas comunidades?

– Temos sido renovados pelo Espírito, orientando e animando nossa vida por Sua ação e manifestação?

– Somos uma comunidade que vive a unidade na diversidade, com liberdade e respeito?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 12, 3-b-7.12-13), o Apóstolo nos fala de uma comunidade viva, fervorosa, mas com partidos, divisões e rivalidades entre os seus membros, e até mesmo certa hierarquia de categoria de cristãos.

Também aponta à importância da diversidade dos carismas. Porém, um só é o Senhor, um só é o Espírito do qual todos os dons procedem.

Insiste na unidade da comunidade como um corpo, onde todos têm sua importância, sua participação, cientes de que é a ação do Espírito que dá vida ao Corpo de Cristo, fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é fonte da verdadeira unidade.

Afasta-se com isto toda possibilidade de prepotência e autoritarismo dentro da Igreja:

“O dom do Espírito habilita o crente batizado a colocar as suas qualidades e aptidões ao serviço do crescimento e da vitalidade da Igreja.

Ninguém é inútil e estéril na Igreja quando se deixa guiar pelo Espírito de Deus que atua para o bem de todos.

O único obstáculo à ação vivificadora do Espírito é a tendência a considerar os seus dons como um direito de propriedade e não um compromisso ao serviço e à partilha recíproca”. (1)

Reflitamos:

– Verdadeiramente, o Espírito Santo é o grande Protagonista da ação evangelizadora da Igreja?

– Colocamos com alegria os dons que possuímos a serviço do bem da comunidade e não a serviço próprio?

Na passagem do Evangelho (Jo 20,19-23), o Evangelista nos apresenta a manifestação do Ressuscitado e a Sua presença que enriquece a Igreja reunida com o dom da paz, da alegria e do Espírito Santo para gerar relações de perdão que cria a humanidade nova.

Deste modo, a comunidade deve romper os medos, as incertezas, as inseguranças, pois o Ressuscitado entra, mesmo que as portas estejam fechadas. Nada pode impedir a Sua ação, coloca-se no centro, pois somente Ele deve ser o centro de nossa vida e de nossa comunidade.

E ainda mais: não adoramos um Deus em que as Chagas Dolorosas tiveram a última palavra, mas adoramos ao Deus das Chagas Vitoriosas do Ressuscitado. A vida venceu a morte, e n’Ele e com Ele somos mais que vencedores (Rm 8,37-39).

Contemplemos as maravilhas de Deus, que são inesgotáveis e indizíveis:

– podemos contar com a ação e o sopro do Espírito Santo, com Sua força e defesa em nossa missão evangelizadora;

– a presença do sopro rejuvenescedor do Espírito Santo, que não permite o envelhecimento e a perda da vitalidade da Igreja por Cristo fundada, e por amor, continuamente, na Eucaristia alimentada;

– confia-nos a continuidade da graça da missão do Ressuscitado, com a força do Espírito, como Suas autênticas testemunhas;

– a graça de participarmos dos Mistérios Sagrados da Igreja, que aos poucos se nos revelam como maravilhoso Mistério incandescente; Mistério da presença da Chama viva de Amor revelada pelo Espírito Santo de Deus.

Embora não tenhamos visto Jesus Ressuscitado, nem O tenhamos tocado, n’Ele cremos, Sua Palavra anunciamos, em Sua Vida e presença em nosso meio acreditamos, a força e a vida nova do Espírito continuamente experimentamos e testemunhamos.

Celebremos, exultantes, a Solenidade de Pentecostes, de modo que a alegria divina transbordará em nosso coração, e nosso coração será inflamado do Seu Amor;

Alegremo-nos e exultemos no Senhor Ressuscitado, que nos comunica o Seu Espírito para maior fidelidade ao Projeto de vida e de Amor do Pai.

(1) Lecionário comentado – Tempo da Páscoa – p.660.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Missa da Unidade

A Missa da Unidade  é uma missa realizada na Quinta-feira Santa na catedral de cada diocese. Em decorrência da pandemia, houve a necessidade de adiamento, remarcando para a data de 15 de maio do presente ano, momento oportuno em que ainda se celebra a Páscoa.

Esta celebração consiste em dois pontos fundamentais: a Renovação das Promessas Sacerdotais por parte dos sacerdotes diante do Bispo onde todo o clero se reúne em ação de graças a Deus pela instituição do ministério sacerdotal na Igreja e, nela, renovam os seus votos. E, também, durante esta celebração, se abençoou o óleo dos catecúmenos, dos enfermos e se consagrou o óleo do Santo Crisma.

Daí o fato de a celebração ser também chamada de ‘Missa dos Santos Óleos’ que após abençoados foram encaminhados para cada paróquia desta Diocese de Guanhães, expressando uma forte comunhão eclesial, de participação intensa das comunidades e de valorização dos sacramentos da vida da Igreja. O óleo, símbolo do Espírito Santo, é usado na prática dos sacramentos dos fiéis.

Celebrou-se os 35 anos de caminhada da nossa Diocese de Guanhães uma vez que estava reunida uma assembleia diocesana. Foi uma presença expressiva de cristãos leigos e muitos outros presentes espiritualmente e virtualmente pelas redes sociais. Dom Otacílio manifestou sua alegria do encontro presencial com obediência a todos os protocolos da vigilância sanitária. Alertou, mais uma vez, que todos devem se cuidar porque já se foram 19 padres para a glória de Deus da regional na qual pertencemos.

Em sua homilia, Dom Otacilio fez-nos um convite em ser para um mundo um sinal de esperança, sinal de solidariedade neste contexto de pandemia e que é missão de todos os presbíteros viverem como sinal de esperança, animadores de suas comunidades para que ninguém se entregue e nem se dê por vencido. Esta pandemia revelou-nos a fragilidade humana, o descuidado humano e o descuidado com a casa comum.

Desarticulou muitos movimentos. Em contra partida, revelou-nos muitas coisas boas. E dentre elas o protagonismo da Igreja de Guanhães que foi fundamental e decisivo para a vigilância sanitária que , segundo o Cura, muito contribuiu para com a nossa sociedade na obediência aos decretos da vigilância sanitária.

Alertou que o papa Francisco muito tem nos ajudado nesta travessia, no entanto muitas coisas estão aquém das forças e das limitações do bispo e do clero. Toda a comunidade terá que compreender que não se pode esmorecer e desanimar. Somos instrumentos de reconstrução. É preciso se ocupar com coisas boas, ser criativo, ser solidário, fazer sacrifícios, ter discernimento e prudência.

É tempo de reconstruir, é tempo de redescobrir caminhos nas pastorais.
Ao se direcionar aos padres, nosso bispo Dom Otacilio disse que todos precisam ser instrumento de reconstrução, ser criativo, se ocupar com coisas santas. O povo não pode perecer por falta de pastores e que o padre é feliz quando não vive sozinho. Como bispo tem a missão de fortalecer a fraternidade presbiteral, a vivência da caridade presbiteral.

Que sejam unidos, promovam a união, não caminhem sozinhos porque é ir de encontro ao abismo. Não se isolem. Frisou que fez questão da presença dos padres Elair e Mário como incentivo, exemplo para os neos sacerdotes, principalmente o diácono Guilherme que irá ser ordenado no próximo sábado. Pediu a todos que renovem a alegria de serem padres. Um padre feliz é a certeza de uma comunidade feliz.

Construam pontes e derrubem os muros como nos pediu a CF2021. Promovam a paz, a união, a fraternidade! A comunidade é o rosto do padre que influencia com o seu jeito de ser e de falar. Cada um reflete o rosto da sua comunidade. Sejam animados, sejam entusiasmados, sejam apaixonados por Jesus.

Tenham um coração indiviso, que nada os seduza no ministério! Que Deus os livre da rotina do ministério, que tenham a vibração ministerial, como Paulo a Timóteo; que não deixem apagar a chama do primeiro amor e para isto é preciso contar com a oração do povo de Deus para os nossos padres que podem ser frágeis, pecadores, limitados, mas com o desejo de santidade no coração.

Que tenham a necessária oração, os sacramentos bem vividos e celebrados.
Vivamos este tempo como tempo de cuidar: cuidar da própria vida, da existência humana, cuidar do nosso planeta e da nossa casa comum.
Parabéns, padre! Renove a sua alegria de ser padre sempre! Deus o fez padre para cuidar da paróquia que lhe foi confiada.

Texto de Vera Pimenta

Fotos de Eliana Alvarenga

 

Ascensão: Jesus caminha conosco! Homilia – Solenidade da Ascensão do Senhor

 “Foi elevado ao Céu e sentou-Se

à direita de Deus” (Mc 16,19)

A Solenidade da Ascensão aponta para o fim último de todos nós, a comunhão com Deus, o Céu.

As Leituras proclamadas nos convidam à superação da passividade alienante. É preciso ir para o meio do mundo, como sal, luz e fermento. Levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus.

Deste modo, é preciso assumir com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados decididamente no Projeto de Salvação Divina.

À Igreja portadora da plenitude de Cristo nada falta para cumprir esta missão.A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “Anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.

A passagem da primeira Leitura (At 1,1-11) retrata uma comunidade que vive num contexto de crise, desilusão e frustração. O tempo vai passando e não vê realizar o Projeto Salvador. Quando será enfim realizado?

São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, escreve em tons de catequese sólida, substancial, para que a comunidade não vacile na fé, não esmoreça na esperança e nem esfrie na caridade.

A construção do Reino exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.

Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização que é o Espírito Santo e conta com a participação e ação dos Apóstolos.

Ele apresenta a Ascensão quarenta dias depois da Ressurreição. Quarenta é um número simbólico, define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir com fidelidade e coragem as lições do Mestre.

Os sinais e palavras nos revelam mensagens maravilhosas:

– A elevação aos céus – trata-se do culminar de uma vida;

– A nuvem – sempre um sinal teofânico (manifestação de Deus);

– Olhar para o céu – acena para a segunda vinda de Cristo, que não devemos esperar de braços cruzados;

– Dois homens vestidos de branco – anunciam o mundo de Deus.

A Festa da Ascensão é, portanto, a urgência de não ficar apenas admirando, mas nos colocarmos constantemente a caminho, com renovados compromissos com o Projeto da Salvação.

Reflitamos:

– Tenho sido fiel à missão que o Senhor me confiou?

– O que gero com o meu testemunho nos diversos âmbitos em que vivo?

– Quais são meus compromissos solidários na transformação do mundo?

– Fico a olhar para o céu ou me comprometo com a transformação em todos os níveis?

A passagem da segunda Leitura (Ef 1,17-23) é uma Carta em que encontramos a síntese da teologia paulina. Paulo fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Nisto consiste o “pleroma”, ou seja, na Igreja reside a plenitude, a totalidade de Cristo.

A Igreja é a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo. Estando Cristo presente neste Corpo, Ele enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que Ele “seja tudo em todos” (Ef 1, 23).

A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho superando as dificuldades.

Neste sentido, entendemos a conclusão do Evangelho proclamado (Mc 16,15-20). Possivelmente um acréscimo posterior à redação, escrito com o intuito de afastar todo medo da comunidade, para ajudá-la a superar a sua acomodação, instalação, afastando também toda perspectiva de recuo, desistência na árdua e maravilhosa missão do anúncio da Boa Nova.

Jesus voltando para o Pai, e ficando para sempre no meio dos Seus discípulos, confia a eles a continuidade da missão.

Deste modo, com a Ascensão podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início a nossa missão.

Ele sentou-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.

Que a Solenidade da Ascensão seja a nossa tomada de consciência do quanto Deus em nós confia.

Reflitamos:

– Tenho consciência da universalidade da missão?

– Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?

– A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração… Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho viva esta certeza em meu coração?

– No seguimento de Jesus não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão confiada?

– Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?

– Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.

– Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?

– Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?

– Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?

Celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor é afirmar uma bela verdade de nossa fé: A Ascensão do Senhor liga-se, necessariamente, à Sua Encarnação, e comunica o seu significado autêntico: O Filho de Deus tornou-Se como nós para nos tornar como Ele.

Mais claramente celebraremos esta presença na Festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo nos for derramado, como dom de Amor do Pai, para continuarmos, fiéis na Missão do Cristo, na mais profunda e frutuosa vivência do Amor e da Vida Trinitária.

Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus com a presença e ação do Espírito Santo.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/05/ascensao-jesus-caminha-conosco.html

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