Eliana Alvarenga

A eficácia da Palavra Divina em nossa vida – Homilia – 3º Domingo do Tempo Comum Ano C.


A Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a refletir sobre a centralidade da Palavra de Deus e sua importância em nossa vida, para que não sejamos apenas ouvintes, mas alegres e convictos proclamadores e testemunhas.
A passagem da primeira Leitura (Ne 8,2-4a.5-6.8-10) nos apresenta uma verdadeira celebração da Palavra de Deus e sua eficácia. Primeiro fala da importância, depois sobre os preparativos necessários, de sua centralidade, sua proclamação e, por fim, a resposta de conversão ao apelo que ela traz ao povo.
Na passagem da segunda Leitura (1Cor 12,12-30), o Apóstolo Paulo compara a comunidade a um corpo, onde todos os membros são importantes para que a missão evangelizadora aconteça.
Com a passagem do Evangelho (Lc 1,1-4; 4,14-21), aprofundamos sobre a missão de Jesus, uma missão divina, libertadora, inauguradora de um novo tempo, de uma nova realidade.
Com Ele, o Ano da graça é instaurado, a alegria, a paz, a vida em plenitude nos é alcançada por Sua presença e ação em nosso meio, pois Ele age sendo a própria presença da Palavra de Deus com a unção do Espírito Santo.
A missão de Jesus é a missão da Igreja, que ungida pelo Espírito Santo, alimenta-se e encarna a Palavra de Deus na vida.
Reflitamos:
– Quais as realidades que nos desafiam?
– De que modo comunicamos a Boa-Nova de Jesus?
– Sentimo-nos como um corpo em comunhão de carismas, diferentes ministérios empenhados em prol da vida e na edificação da comunidade?
– Quanto mais formos unidos, maior será a eficácia da Evangelização. Sendo assim, como vivemos a solidariedade, a responsabilidade e a coparticipação em nossa comunidade?
– Como acolhemos a Palavra de Deus?
– O que ela provoca em cada um de nós?
– Ela nos alegra, ilumina, alimenta?
– Esvaziamos a eficácia da Palavra de Deus, apenas ouvindo sem colocá-la em prática?
– Cremos que o anúncio não é apenas para o outro que está ao nosso lado?
Renovemos nossas motivações, para que sejamos autênticos discípulos missionários do Senhor, seguindo-O, decidida e apaixonadamente, pois somente Ele tem palavras de vida eterna, como bem disse o Apóstolo Pedro  (cf Jo 6,51-58).
Oremos:
“Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o Vosso Amor, para que possamos, em nome do Vosso Filho, frutificar em boas obras. Por N. S. J. C. Amém.”

Somente o Senhor pode nos dar o Vinho Novo – Homilia – II Domingo do Tempo Comum- Ano C

Somente o Senhor pode nos dar o Vinho Novo

Com a Liturgia do 2º Domingo do Tempo Comum (ano C), aprofundamos nossa reflexão sobre a Aliança de amor de Deus para com a humanidade: Deus é sempre fiel, pronto para nos amar e nos assegurar a alegria, a festa, a felicidade plena, o “vinho novo”.

Na primeira Leitura, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 62,1-5), que nos apresenta o amor inquebrável e eterno de Deus, que renova e transforma o povo, simbolizado, aqui, na relação de esposo e esposa.

O período é de pós-exílio, e os poucos habitantes da cidade vivem em condições de extrema pobreza, trazendo à memória a humilhação passada, destruição, na espera da restauração do Templo, acompanhados do sonho de uma nova Jerusalém, com vida, alegria e paz.

O profeta nos apresenta o amor de Deus pelo seu Povo, um amor que nada consegue quebrar ou destruir: nem o próprio afastamento d’Ele, ou nosso egoísmo, recusas. Espera-nos de forma gratuita, convidando-nos ao reencontro, a refazer nossa relação de amor, a fim de gerar vida nova, alegria, festa e felicidade.

Reflitamos:

– Somos sinais vivos de Deus, com o Seu amor transparecido em nossos gestos?

– Nossas famílias são um reflexo do amor de Deus?

– Nossas comunidades anunciam ao mundo, de forma concreta, o amor que Deus tem pela humanidade?

Na segunda Leitura, ouvimos a passagem da primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1 Cor 12,4-11), que nos apresenta a comunidade enriquecida dos carismas, de modo que os dons devem ser colocados a serviço de todos, com toda a humildade e simplicidade, e não para uso exclusivo de alguns, em benefício próprio.

A comunidade, assim vivendo, manifesta o amor Trinitário, que a une ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Na passagem do Evangelho (Jo 2,1-11), conhecida como as “Bodas de Caná”, num contexto de casamento, acontece o primeiro “sinal”, que nos apresenta a Pessoa de Jesus e o Seu Projeto de vida: apresentar à humanidade o Pai que a ama, e, com Seu amor, convoca a todos para a alegria e a felicidade plenas, prefigurados na água transformada em vinho novo, de melhor qualidade.

O sinal em que Jesus transforma a água em vinho novo, não é uma “mágica”, mas a manifestação do Seu poder em transformar nossa realidade humana pelo amor/confiança em Sua Palavra.

Há um rico simbolismo na passagem:

– vinho: símbolo do amor (relação esposo x esposa);

– seis talhas – a imperfeição, a incompletude;

– talha de pedra – lembra as tábuas da Lei do Sinai e os corações de pedra de que falava o profeta Ezequiel (Ez 36,26);

– a purificação – evoca o amor de Deus que renova o Seu Povo;

– talhas vazias – não proximidade com Deus: de nada adianta todo aparato, se não houver proximidade de Deus, ficamos vazios.

Se em Deus confiarmos e fizermos o que Ele nos diz, jamais teremos um coração de pedra, e jamais seremos como “talhas vazias”; ao contrário, seremos como “talhas” preenchidas do melhor vinho do amor, bondade, ternura, perdão…

Seremos eternos partícipes de uma festa que nunca se acaba, e os carismas colocados a serviço serão sua máxima expressão, pois os carismas e dons que recebemos são para serem colocados a serviço da comunidade.

Uma comunidade madura na fé celebra sempre a Nova e Eterna Aliança do amor de Deus derramado por nós, do Seu lado trespassado pela Cruz, de onde jorrou Água e Sangue, prefigurando nosso Batismo e a Eucaristia, nosso Nascimento e nosso Alimento, em doação total de sua vida por amor à humanidade, por todos nós, quando éramos pecadores e não merecedores de tamanho amor:

“A Morte e Ressurreição de Cristo dão início a uma nova comunidade dos homens com Deus. Celebrar a Eucaristia quer dizer ‘renovar’ um gesto que constitui esta comunidade em Povo de Deus, sua Igreja.

O vinho, sangue de Cristo, é o sinal de seu amor indefectível pela Igreja, vinho que antecipa a festa da nossa assembleia que se plenificará nas núpcias eternas” .(1)

A melhor maneira de corresponder ao amor de Deus é colocar-nos a serviço, a partir dos carismas que cada um recebeu. Deste modo, nunca acabará o Vinho Novo, que Jesus veio trazer e pode a todo instante nos oferecer.

Reflitamos:

– O que nossos olhos e lábios revelam na relação com Deus?

– revelamos a alegria que brota de um coração cheio de amor, ou o medo e a tristeza que brotam de uma religião de pesadelo, de leis e de medo?

– Como vivemos as palavras que Maria nos disse naquele primeiro sinal – “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5)?

O primeiro sinal realizado por Jesus, levou muitos a crerem n’Ele  em Sua Pessoa e Projeto.

Jesus “toma a nossa vida, com as nossas alegrias, os nossos amores, as nossas conquistas humanas, importantes, mas tantas vezes efêmeras, com os nossos tédios, os nossos dias sem gosto e sem cor, os nossos fracassos e mesmo os nossos pecados, também eles ordinários.

E aí, Ele ‘trabalha-nos’ pelo Seu amor, no segredo para fazer brotar em nós a vida que tem o sabor do vinho do Reino. Isto, Ele cumpre-O em particular cada vez que participamos na Eucaristia. Façamos do ‘tempo ordinário’ o tempo do acolhimento do trabalho em nós do vinhateiro divino!” (2)

(1)         Missal Dominical – Editora Paulus – pp.1092-1093

Citação (2) e fonte de pesquisa da Homilia: www.dehonianos.org

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/somente-o-senhor-pode-nos-dar-o-vinho_19.html

Batizar-se e se tornar discípulo do Filho amado (Batismo Ano C)

Batizar-se e se tornar discípulo do Filho amado

“Tu és o meu Filho amado,

em Ti ponho o meu benquerer” (Lc 3,22)

Com a Liturgia da Festa do Batismo do Senhor (ano C), refletimos sobre a revelação de Jesus Cristo, o Filho Amado de Deus que veio ao mundo para salvar a humanidade, vivendo a nossa condição humana, igual a nós, exceto no pecado, assumindo nossa fragilidade e humanidade, para que, assim, nos libertasse do egoísmo e do próprio pecado, concedendo-nos vida em plenitude.

Temos, também, a graça de refletir e renovar os compromissos batismais, para que sejamos, verdadeiramente, sacerdotes, profetas e reis.

O Batismo do Senhor é apresentado de diferentes modos pelos Evangelistas São Marcos e São Lucas, que apenas fazem menção ao Batismo; São Mateus narra o Batismo de Jesus com mais pormenores, e São João, por sua vez, o evoca na ocasião em que Jesus chama os primeiros discípulos.

Cada um apresenta de modo próprio, mas são unânimes em reconhecer que, no momento do Batismo, Jesus é testemunha de uma manifestação divina, e assim é designado como “Filho muito Amado” enviado pelo Pai.

Esta teofania é o começo do Evangelho, uma vez que Jesus é investido solenemente na Sua Missão, pelo Pai e pelo Espírito Santo: Jesus tendo Se manifestado aos homens na realidade de nossa natureza, exteriormente semelhante a nós, para que sejamos renovados interiormente pela graça do Batismo, e, por Sua infinita misericórdia, através do perdão de nossos pecados.

Poderíamos falar de uma “ordenação messiânica”, ou seja, “Ele é Aquele que os Profetas, especialmente Isaías, anunciaram como o Servo que Deus constituiu como Aliança de um povo, Luz das nações, ‘o Soberano das nações’, ‘o Pastor que apascenta Seu rebanho’ e reúne as ovelhas dispersas.

Quem acredita n’Ele torna-se ‘filho de Deus, porque n’Ele ‘apareceu a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens’. Consequentemente, não se pode separar o Batismo de Jesus do Batismo recebido pelos seus discípulos” (1).

A primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7), trata-se de uma pequena passagem do “Livro da Consolação”, nome dado convencionalmente pelos biblistas, e refletimos sobre o primeiro Cântico do Servo Sofredor, que se refere a um excepcional enviado de Deus: manso e humilde de coração, infinitamente misericordioso com todos, com força interior invencível, e é constituído Luz das nações e Aliança de Deus com o Seu Povo.

Retrata a fase final do Exílio, um período muito difícil vivido pelo Povo de Deus, e o Profeta anuncia a reconstrução de Jerusalém, uma cidade que a guerra reduziu às cinzas, mas Deus, na Sua infinita bondade, vai fazer voltar a reinar a alegria e a paz sem fim.

Na figura do Servo mencionado pelo Profeta, vemos um instrumento através do qual Deus age no mundo para comunicar a salvação à humanidade:

“É alguém que Deus escolheu entre muitos, a quem chamou e a quem confiou uma missão – trazer a justiça, propor a todas as nações uma nova ordem social da qual desaparecerão as trevas que alienam e impedem de caminhar e oferecer a todos os homens a liberdade e a paz… O Servo contará com a ajuda do Espírito de Deus, que lhe dará a força de assumir a missão e de concretizá-la” (2).

Este Messias pacífico “estabelecerá a justiça sobre a Terra”, por isto os cristãos viram prefigurados neste Cântico a própria Pessoa de Jesus Cristo, o ungido do Senhor, o “Filho Amado de Deus”, como ouviremos no Evangelho, em Ti ponho o meu benquerer” (Lc 3,22).

Ele, Jesus, veio realizar esta missão, e os Seus discípulos darão continuidade a esta, não por iniciativa pessoal, mas certos de que a vocação profética é dom de Deus, e não uma iniciativa humana. É Deus quem escolhe, chama, capacita e envia para a missão e nos comunica o Seu  Espírito que nos fortalece, anima, ilumina…

A passagem da segunda Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38); a parte inicial do Querigma, em que nos é apresentado Jesus, Aquele que “passou pelo mundo fazendo o bem”, trazendo a libertação aos oprimidos, curando todos os que se encontravam oprimidos pelo demônio e através de Seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade e de amor, podemos ver o Projeto libertador de Deus se realizando.

Na segunda parte, nos fala da Salvação que se destina a todos os povos da terra, com o Batismo de Cornélio, pois se trata do primeiro pagão admitido ao cristianismo por um dos Doze Apóstolos, revelando, assim, que Deus não faz acepção de pessoas, de modo que não há como disseminar discriminações por qualquer motivo.

Comprometidos com Jesus e com Sua missão, desde o nosso Batismo, também somos chamados o mesmo fazer, como discípulos missionários Seus.

Na passagem do Evangelho (Lc 3,15-16.21-22)temos a realização da promessa profética, e Jesus é apresentado como o Filho de Deus, o Servo de Javé, enviado pelo Pai, sobre o qual repousa o Espírito Santo, com uma missão muito concreta a ser realizada.

Temos o encontro de Jesus com João Batista, às margens do rio Jordão, e Jesus recebe o Batismo de João (de purificação, arrependimento e perdão dos pecados), não porque necessitasse do mesmo, mas para revelar a Sua missão específica e a Sua verdadeira identidade: Jesus é o Messias anunciado pelos Profetas que Deus enviou para libertar o Seu Povo, comunicando vida plena e definitiva.

Jesus, ao receber o Batismo de João, Se solidarizou com o homem limitado e pecador, assumindo a sua condição e colocando-Se ao seu lado para sair desta situação. E neste sentido, Jesus cumpriu plenamente o Projeto do Pai.

O Que Deus espera de nós é que correspondamos ao Seu Amor, acolhendo e assumindo a Salvação que Jesus veio trazer, e este compromisso tem início com o nosso Batismo.

Inaugura-se um novo tempo para nós, para caminharmos com Jesus “que vai seguir, com toda a liberdade, o caminho de Jerusalém e nós iremos acompanhar, ao longo Ano Litúrgico, os Seus ensinamentos e redescobrir os sinais que Ele realiza.”

Deste modo, o Batismo de Jesus revela o início de Sua missão, e o nosso Batismo é a continuidade desta missão.

Vivamos o Batismo seguindo os passos de Jesus, vivendo em comunhão entre nós, tendo d’Ele mesmos sentimentos, como disse Paulo (Fl 2,5), vivendo na humildade, despojamento e obediência incondicional a Deus, com a força do Espírito.

Retomemos o Prefácio da Missa do Batismo do Senhor:

“Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o Mistério do novo Batismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o Vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo Vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a Boa-Nova aos pobres…”.

Oremos:

“Deus eterno e onipotente, que proclamastes solenemente Cristo como Vosso Amado Filho quando era batizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos Vossos filhos adotivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém

(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial – p. 224

(2) www.Dehonianos.org/portal

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos – Homilia

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos

Celebramos com toda a Igreja, a Solenidade da Epifania do Senhor, que é a manifestação (revelação) de Jesus como a Luz e Salvação de todos os povos: Deus não limitou o Seu Amor apenas àqueles que pertenciam ao povo judaico, mas ilumina todos os povos da terra.

Na passagem da primeira Leitura (Is 60,1-6), ouvimos o anúncio da chegada da luz salvadora de Javé, que não somente trará alegria para Jerusalém como atrairá para esta cidade de Deus, todos os povos do mundo todo.

O contexto da primeira Leitura é de retorno do Exílio, logo, contexto de desolação, sofrimento e o desafio de reconstrução da história. Jerusalém será restaurada com o regresso de muitos, e todos os povos convergirão para ela, inundando-a de riquezas, com louvores e cantos.

O Profeta é portador da mensagem que revela a fidelidade incondicional de Deus que jamais abandona e desiste do Seu povo, e está sempre pronto para oferecer salvação e vida plena e feliz.

Como comunidade que professa a fé no Senhor, também precisamos ser sinal de esperança no mundo, não permitindo que desavenças, conflitos, falta de amor e rivalidades ofusquem e enfraqueçam a nossa missão.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6), o Apóstolo Paulo nos apresenta o Projeto Salvador de Deus, que abrange toda a humanidade, reunindo todos os povos, judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos.

Trata-se de uma síntese catequética Paulina sobre o Mistério do Projeto Salvador de Deus, que se destina a todos os povos. De fato, em Jesus, a Salvação chegará a todos os povos.

É um grande desafio que a comunidade se torne mais fraterna, onde o amor seja vivido, superando toda e qualquer forma de distinção de raça, cor, status social.

Deste modo, as diferenças existentes são legítimas e são complemento da riqueza comum e jamais motivo para manifestação de indiferença e afastamento mútuo.

Na passagem do Evangelho (Mt 2,1-12), vemos a realização desta promessa na pessoa de Jesus, contemplada e testemunhada pela presença dos magos que vêm a Belém para adorá-Lo e oferecer os seus presentes (ouro/realeza, incenso/divindade e mirra/humanidade).

Os magos são astrólogos mesopotâmicos, aqui representando os povos estrangeiros, segundo a catequese do Evangelista Mateus.

A atitude destes se contrapõe literalmente à atitude de Herodes. Os magos adoram, e sentem uma grande alegria e O reconhecem como Seu Senhor; Herodes, por sua vez, e Jerusalém “ficam perturbados” diante na notícia do nascimento de Jesus e planejam a Sua morte. Os sacerdotes e escribas são indiferentes, pois não foram ao encontro do Messias que eles bem conheciam pelas Escrituras.

A atitude dos magos é profundamente questionadora para nós: viram a estrela e deixaram tudo; arriscaram tudo e vieram à procura de Jesus, em atitude de desinstalação total.

Eles vieram do oriente, onde se levanta o sol, e uma estrela iluminou a noite deles para sempre, porque se prostraram diante do verdadeiro Sol nascente que jamais Se põe: Jesus Cristo.

Os magos representam todas as pessoas do mundo todo que vão ao encontro de Cristo e que se prostram diante d’Ele:“… para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e sob a terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Fl 2, 10-11).

Esta é a imagem da Igreja, uma família de irmãos e irmãs, constituída de pessoas de todas as nações e raças, em adesão incondicional ao Senhor.

É preciso com os magos aprender, e o mesmo fazer.

É esta a grande e inesgotável riqueza da Solenidade da Epifania que celebramos: Jesus Se revela a nós como Salvador de todos os povos; é a estrela que guia e ilumina nossos caminhos.

Jesus vem realizar o Projeto de Salvação, que se destina a todos os povos: unidade com as diferenças e não a uniformidade.

Como os magos, é preciso que nos desinstalemos de nossas acomodações, seguranças; é preciso que nos coloquemos ao encontro da Luz. Jamais servir os “Herodes” que cruzarão em nossos caminhos; tão pouco sermos indiferentes ao melhor que Deus tem a nos oferecer.

Aprender com eles a ser como peregrinos na fé, atentos aos sinais de Deus e prontidão para seguir com generosidade e coragem; perseverantes, não obstante as dificuldades; fiéis à bondade de Deus contra toda maldade que possa surgir no caminho.

Ir ao encontro da Luz, o presente de Deus para a humanidade, Jesus, e também oferecer nosso presente, ou seja, o melhor de nós para Ele, jamais de mãos e coração vazios.

É preciso buscar novos caminhos para anunciá-Lo e testemunhá-Lo. Quantas vezes a estrela se manifesta a nós e optamos pela escuridão, luzes que se apagam tão rapidamente!

Reflitamos:

– Somos capazes de nos desinstalar e ir ao encontro do Senhor para adorá-Lo, anunciá-Lo e testemunhá-Lo, como convictos e alegres discípulos missionários Seus?

– Tanto se fala sobre uma “Igreja em saída” para anunciar o Evangelho. Neste sentido, o que os magos nos ensinam?

Somente Deus possui brilho incessante, porque o Amor é a Luz que resplandece eternamente no coração de quem busca e encontra, e que encontrando ainda falta tudo para encontrá-Lo, porque Deus é para nós um Mistério inesgotável de Amor.

A Solenidade da Epifania nos propicia um novo olhar para o ano que inicia: novos olhares, novos projetos, novos caminhos…

O ano está apenas começando.

 Solenidade de Maria, Mãe de Deus – Homilia

“Maria, a totalmente santa, toda consagrada

ao amor de Deus e ao amor dos homens.”

No dia 1º de janeiro, iniciaremos um Novo Ano, celebrando a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e o dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa São Paulo VI em 1968.

Contemplamos a figura de Maria que, com o sim dado ao Projeto de Deus, oferece ao mundo, Jesus, o Salvador da humanidade:

“A Solenidade da Mãe de Deus, no coração das celebrações do Natal, é um renovado momento de graça oferecido a todos nós para nos ajudar a aprofundar a contemplação do Mistério da Encarnação, para nos dizer uma vez mais que o Filho de Deus veio verdadeiramente na nossa carne humana, no tempo, através do corpo de uma mulher: Maria, a totalmente santa, toda consagrada ao amor de Deus e ao amor dos homens.” (1)

Na passagem da primeira Leitura (Nm 6,22-27), ouvimos a Bênção Sacerdotal, que nos revela a presença de Deus que caminha sempre conosco e nos derrama Sua bênção, comunicando vida em plenitude, uma comunicação de vida real e eficaz, agraciando àquele que foi abençoado com vigor, força, êxito, felicidade, prosperidade.

Com a bênção, Javé, além de conceder vida e proteção, faz brilhar Sua face, revela um rosto sorridente e favorável, concedendo a necessária graça, olhando-nos com benevolência e nos concedendo a paz, que consiste na plenitude dos bens e na felicidade plena.

Tudo recebemos de Deus: vida, saúde, força, amor e incontáveis sinais de Sua bondade, entretanto, é evidente que a bênção não é sinônimo de mágica, pois a bênção de Deus, derramada sobre nós continuamente, precisa ser acolhida com amor e gratidão e depois transformada concretamente em gestos de amor e paz. É preciso que nosso coração se abra à ação divina, para que esta nos atinja e nos transforme totalmente.

Na segunda Leitura (Gl 4,  4-7), mais uma vez, contemplamos o amor de Deus, que vem ao nosso encontro nascido de uma “mulher”, Maria, e por meio deste Filho nos tornamos livres e amados e podemos nos dirigir a Deus chamando de “abbá” (“papai”), consequentemente, filhos de Deus.

E fazendo esta experiência de filhos amados de Deus, a comunidade é vocacionada a criar e fortalecer os laços fraternos, sem marginalização ou exclusão, ou escravidão, como tão bem acenou o Papa Francisco em sua Mensagem para o dia Mundial da paz (2015): – “Já não escravos, mas irmãos”.

Na passagem do Evangelho (Lc 2,16-21), refletimos sobre a alegria e felicidade daqueles que acolhem o Menino Deus, que veio fazer morada entre nós e em nós, realizando assim o desígnio libertador de Deus no meio da humanidade.

Trata-se de um texto profundamente catequético, sem pretensões de “noticiário jornalístico”; tem o intuito de comunicar uma Boa-Nova e uma nova atitude:

– Jesus veio trazer a libertação. Qual é a nossa resposta?

Os pastores (pobres e marginalizados de todos os tempos) vão apressadamente ver o Menino, expressando o desejo de liberdade e a disponibilidade de coração; glorificam a Deus e dão testemunho do Menino.

Ressalte-se também a atitude de Maria, que “conservava todas estas Palavras, meditando-as no seu coração”, comunicando uma atitude de quem é capaz de abismar-se, encantar-se com a ação do Deus libertador; tem a sensibilidade para entender os sinais de Deus e a sabedoria da fé para compreendê-los à luz do Plano de Deus.

Tanto a atitude meditativa e contemplativa de Maria, como a atitude missionária dos pastores, devem ser atitudes que marquem a vida daquele que se torna discípulo missionário do Senhor: meditação, contemplação, missão, que deve ser realizada com alegria, como alegres mensageiros do Verbo que Se fez Carne e habitou entre nós.

“Fortalecidos com esta certeza de fé, somos impelidos, como os pastores do Evangelho, a anunciar aos irmãos a alegre Notícia de que Deus fez homem para tornar o homem participante da vida divina. O Salvador – nascido de uma mulher, como nós – assumiu a nossa humanidade para nos dar a Sua glória. Somos filhos no Filho bendito, que é também a nossa paz.” (2)

Finalizando, contemplemos a ação de Deus que agiu em nosso favor neste ano que termina, e peçamos Sua bênção e proteção para mais um ano, com a certeza de que também podemos contar com a presença e a ternura de nossa Mãe, Maria, Mãe de Deus e nossa em todos os momentos.

Feliz Ano Novo!

(1) Lecionário Comentado pp.293/294

(2) Idem p.294

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/a-solenidade-de-maria-mae-de-deus.html

A sagrada missão da família (Homilia Sagrada Família – ano C)

A sagrada missão da família

Celebrar a Festa da Sagrada Família (ano C) é ocasião favorável, para refletirmos sobre o papel fundamental que tem a família no Plano de Salvação que Deus nos propõe.

A família é uma pequena Igreja e deve ter algumas características já encontradas nas famílias descritas em trechos do Antigo Testamento: paz, abundância de bens materiais, concórdia e a descendência numerosa, como sinais da bênção do Senhor.

Assim vemos na passagem da primeira Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a): a obediência e o amor eram imprescindíveis no cumprimento da Lei; sinal e garantia de bênção e prosperidade para os filhos, mas também um modo de honrar a Deus nos pais, como encontramos no Livro do Êxodo (Ex 20,12) – “Honra teu pai e tua mãe”.

Os pais são instrumentos de Deus e fonte de vida, e como recompensa da prática deste Mandamento, os filhos obtêm o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

“Com razão se diz hoje que a família é o primeiro lugar da evangelização, provavelmente o mais decisivo.

Com efeito, é na família que a criança, mesmo muito pequenina, respira ao vivo a fé ou a indiferença.

Por aquilo que vê e vive, ela adverte se em sua casa – e na vida – há lugar para Deus ou não.

Nota se a vida se projeta pensando só em si mesmos, ou também nos outros.

Tudo isto para dizer que normalmente o modo de viver encontra as suas raízes na família.”  (1)

Na passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,12-21), o Apóstolo, depois de apresentar Jesus Cristo como Aquele que nos faz homens e mulheres renovados, porque ocupa lugar proeminente na criação e redenção da humanidade, exorta sobre o novo modo de relacionamento na família, onde os esposos e os filhos cristãos vivem a vida familiar como se já vivessem na família do Pai Celeste.

Revestidos do “Homem novo”, as relações são marcadas pela misericórdia, bondade, humildade, doação, serviço, compreensão, respeito pelo outro, partilha, mansidão, paciência e perdão.

Com a passagem do Evangelho (Lc 2,41-52), refletimos sobre a Sagrada Família, a fim que sejamos fortalecidos na multiplicação de esforços pela santificação de nossas famílias.

A fim de aprofundarmos sobre a missão da família retomemos a Exortação – “A Missão da família cristã no mundo de hoje”:

“… Os esposos são, portanto, para a Igreja o chamamento permanente daquilo que aconteceu sobre a Cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação da qual o Sacramento os faz participar.

Deste acontecimento de salvação, o matrimônio como cada Sacramento, é memorial, atualização e profecia:

«Enquanto memorial, o Sacramento dá-lhes a graça e o dever de recordar as grandes obras de Deus e de as testemunhar aos filhos;

enquanto atualização, dá-lhes a graça e o dever de realizar no presente, um para com o outro e para com os filhos, as exigências de um amor que perdoa e que redime;

enquanto profecia, dá-lhes a graça e o dever de viver e de testemunhar a esperança do futuro encontro com Cristo…»” .(2)

Enquanto memorial, o Sacramento do Matrimônio dá a graça e o dever aos pais de transmitirem a fé aos filhos, como primeiros catequistas que são.

Iniciá-los na caminhada de fé, buscando na Igreja os Sacramentos próprios. Tornar viva a memória da História da Salvação no coração dos filhos, de modo que seja perpetuada pelos filhos dos filhos, numa Catequese Permanente, da qual os pais também se inserem.

A família precisa ter no seu centro a Sagrada Escritura, e para ajudar a vivê-la, é preciso que tenha, conheça, aprofunde o Catecismo da Igreja Católica.

Enquanto atualização, tem a graça e o dever de ensinar e viver:
– O Mandamento do Amor a Deus e ao próximo;

– A supremacia da Eucaristia na mais bela comunhão das Mesas (da Palavra, da Eucaristia e do quotidiano);

– os mesmos sentimentos e pensamentos de Cristo Jesus, numa configuração total ao Senhor;

– as virtudes da Sagrada Família: acolhida, relacionamento, amor, doação, perdão, solidariedade, obediência e fidelidade ao Projeto Divino.

Enquanto profecia, a graça e o dever de serem testemunhas vivas de um mundo novo possível, que se consuma na eternidade, fazendo da família uma espécie de Igreja doméstica, em grande comunhão com a Igreja do Senhor.

Também empenhar-se para que a família seja uma experiência antecipada do céu, não obstante todas as dificuldades que possa viver.
Bem se sabe que não há família perfeita ou sem problemas, porém vencendo as dificuldades e construindo relações sólidas de amor mútuo, é uma sinalização do céu que começa no tempo presente.

Reflitamos:

– De que modo nossa família vive o Sacramento do Matrimônio, enquanto memorial, atualização e profecia?
– Como santificamos e solidificamos nossas famílias em sua sagrada missão?

Oremos:

“Ó Deus, que nos deixastes um modelo perfeito de vida familiar,
vivida na fé e na obediência à Vossa vontade na Sagrada Família,
damo-vos graças pela nossa família.
Concedei-nos a força para permanecermos unidos no amor,
na generosidade e na alegria de vivermos juntos.

Ajudai-nos na nossa missão de transmitir a fé
que recebemos de nossos pais.

Abri o coração dos nossos filhos
para que cresça neles a semente da fé
que receberam no Batismo.

Fortalecei a fé dos nossos jovens,
para que cresçam no conhecimento de Jesus.

Aumentai o amor e a fidelidade em todos os casais,
especialmente naqueles que atravessam sofrimentos
ou dificuldades.

Derramai a Vossa graça e a Vossa Bênção
sobre todas as famílias do mundo.

Unidos a José e a Maria,
nós Vo-lo pedimos por Jesus Cristo
Vosso Filho, Nosso Senhor. Amém” (3)

Fontes de pesquisa:
Missal Dominical, pp.100-101 e  www.dehonianos.org/portal

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – Volume Advento Natal – 2011 – p.255
(2) Exortação a Missão da família cristã no mundo de hoje – Papa São João Paulo II – 1981 –  parágrafo n.13
(3) Oração do V Encontro Internacional das Famílias, Valência, julho de 2006 – citada no Leccionário Comentado – pág. 262 – Advento/Natal.

“O Verbo Se fez Carne”- Homilia – Missa do Natal do Senhor. Ano C

 

Na Missa do Dia de Natal, celebramos o Mistério da Encarnação numa atitude de serena alegria e de ação de graças por tão maravilhoso acontecimento:

– O Filho eterno do Pai fez-Se homem;

– O Verbo que tudo criou fez-Se carne da nossa carne;

– Aquele que habitava nos Céus pôs a Sua morada no meio de nós;

– A “verdadeira luz” que veio ao mundo, deu a conhecer a Deus “a quem nunca O tinha visto”.

Na passagem da primeira Leitura, proclamamos o oráculo do Profeta Isaías (Is 52, 7-10). Um oráculo em forma de poema, com um lirismo surpreendente:

“Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a Boa Nova, que proclama a Salvação…” (Is 52.7).

Somos convidados a contemplar a Pessoa do recém-nascido reclinado numa manjedoura, e assim contemplamos a imensurável humildade de um Deus, cuja força se manifesta na fraqueza.

Na passagem da segunda Leitura, ouvimos o início da Epístola aos Hebreus (Hb 1,1-6). Deus, ao contrário dos ídolos mudos, falou conosco e por muito tempo, de modo especial pelos Profetas.

“Nestes tempos, que são os últimos”, enviou a Sua própria Palavra, “imagem do Seu ser divino”, do Seu desígnio, da Sua vontade. Ele mesmo Se faz Palavra e vem ao nosso encontro. Ele, Palavra viva e eficaz (Hb 4,12)

Na proclamação do Evangelho de São João, ouvimos os primeiros versículos (Jo 1,1-18). Com extrema beleza e estilo próprio, o Evangelista, ao mesmo tempo, sóbrio e solene, nos apresenta a Encarnação de Jesus através de um grande hino litúrgico, como que a abertura de uma “Sinfonia do Novo Mundo”.

Enuncia os temas que, logo a seguir, se desenvolverão em múltiplas variações com contrapontos sutis, de modo que o realismo da Encarnação do Filho de Deus constitui o centro desta vigorosa introdução do Evangelho.

A Palavra feita Carne é a revelação do Pai, do Seu amor. Receber, acolher e crer nesta Palavra é ter a vida eterna, como afirma nos capítulos posteriores.

Verdadeiramente assim cremos: Deus, movido por amor, desce misericordiosamente ao nosso encontro, porque havíamos caído miseravelmente, conforme nos falou o Bispo Santo Agostinho.

Agora que celebramos o Mistério desta Presença em nosso meio, urge que sejamos alegres mensageiros do Verbo, num mundo marcado por vezes por realidades sombrias, tristes e de morte.

A Encarnação do Verbo é, ao mesmo tempo, a nossa elevação, porque Ele Se faz hóspede de nossa alma e nos envia para sermos, no mundo, sinal de Sua presença, como alegres discípulos da misericórdia divina, dando razão de nossa esperança, no corajoso testemunho de nossa fé, inflamados pelo fogo do Seu indizível Amor.

Enfim, contemplar a Encarnação e ver a glória de Deus, é viver de modo a favorecer que vejam e sintam a presença de Deus em nós e em todas as pessoas.

PS: Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Ed Paulus – Lisboa – pp.178-180

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda – http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/o-verbo-se-fez-carne.html

A mais bela Notícia: “Nasceu nosso Salvador!” – Homilia – Vigília do Natal – Ano C

A Liturgia da Noite de Natal nos apresenta o Nascimento de uma criança em Belém na escuridão e nudez de um estábulo: Jesus.

Quem ficaria sabendo, não fossem os Anjos anunciarem o Nascimento de Jesus a alguns pastores que por ali andavam com os seus rebanhos?

Refletimos a revelação do sentido profundo e o extraordinário alcance deste nascimento escondido: “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz”; “Hoje nasceu um Salvador para nós” e ouvimos o alegre anúncio dos Anjos – “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama!”.

Na primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 9,1-6) traz uma mensagem de alegria no meio das trevas de um povo deportado: o Nascimento de um Menino com títulos ilustres; promessa de um futuro de paz, de justiça e direito para todos.

As maravilhas realizadas pelo Senhor do Universo com todas as virtudes dos heróis de Israel, tem a Sabedoria de Salomão; a coragem de Davi; a piedade de Moisés e dos Patriarcas. Ele é o verdadeiro Emanuel.

Na segunda Leitura, a Carta de Paulo a Tito (Tt 2,11-14), é a revelação de um Deus que mostra a Sua graça a todos, oferecendo a Salvação que conduz as nossas vidas à felicidade verdadeira.

A Celebração desta manifestação divina faz com que voltemos o  olhar para um futuro de felicidade sem limites, pois este Nascimento reorienta o curso da História e o sentido de nossas vidas, de modo que viveremos com equilíbrio, justiça e piedade renunciando a todo o mal.

A passagem do Evangelho de Lucas (Lc 2,1-14) nos apresenta o Nascimento de Jesus, nosso Salvador, em tempo e realidade concretos. Jesus encarna-Se na História da Humanidade.

Diferentemente de João, o Precursor, que nasceu na casa de seus pais, rodeado dos seus vizinhos, Jesus veio à luz num curral. Maria e José estavam de viagem por causa do recenseamento ordenado pelo Imperador. Eles viveram um contratempo que acontece de modo geral aos pobres.

O conhecimento d’Aquele Nascimento somente foi possível pela ação do Anjo do Senhor, e de  algumas pessoas a quem a sociedade dava pouco valor, os pastores (desprezíveis e odiados pela profissão exercida – cuidar de animais e ocupar terras de terceiros).

Somente por eles o mundo tomou conhecimento do humilde Nascimento de um Salvador.

Quem poderia imaginar que assim o fosse, pois se sabia que Deus Se manifestava na fraqueza; mas, ninguém suspeitaria que o próprio Filho de Deus Se fizesse um bebê “deitado numa manjedoura!”, na humildade, pobreza e pequenez: o Altíssimo na estatura de uma criança; o Onipotente na fragilidade de uma criança; o Senhor do Universo contemplado num sorriso ou choro, expressão da sua condição humana.

Celebrando o Nascimento do Salvador, que a alegria anunciada pelos Anjos e experimentada pelos pastores seja também a nossa.

Cristo nascendo e renascendo a cada momento de nossa vida, é a Misericórdia Divina que vem ao nosso encontro, e assim nos comunicando o que tanto desejamos: amor, alegria, vida, luz e paz…

Natal: O Verbo se fez Misericórdia e habitou entre nós, e nós vimos a Sua Glória. Nossa miséria foi assumida para ser redimida.

É Natal, uma luz brilhou e há de brilhar sempre mais forte para iluminar os caminhos sombrios da História, assim o cremos, quando a Eucaristia celebramos:

“A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho”, como tão bem expressou o Papa São João Paulo II em sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia.

A celebração do Natal renova-nos no sagrado compromisso de comunicar a Divina Luz a quantos precisarem… Mas como iluminar sem que antes nos deixemos por Ele sermos iluminados?

Iluminados pela Divina Luz, sejamos luz no mundo.

PS: – Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – p.170-173 – Paulus – Lisboa; Missal Dominical – p. 87-90

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/a-mais-bela-noticia-nasceu-nosso.html

Ele está chegando… Alegremo-nos! 4º Domingo do Advento – Ano C

A Liturgia do 4º Domingo do Advento (Ano C) em preparação do Natal do Senhor, convida-nos a refletir sobre o Projeto de Salvação e a fonte da verdadeira felicidade, com abertura do coração à ação do Espírito Santo, acorrendo ao encontro d’Aquele que vem nos comunicar vida, alegria e Salvação de Deus, o próprio Jesus, o Emanuel, o Deus conosco.

A divina fonte da felicidade veio ao mundo através de frágeis instrumentos nas mãos de Deus, como a Palavra nos revela.

A passagem da primeira Leitura (Mq 5,1-4a) nos fala da missão do Profeta Miqueias, que exerceu seu ministério em Judá, nos séculos VIII/VII a. C.

Este Profeta vindo do meio campesino era conhecedor dos problemas dos pequenos agricultores, vítimas de latifundiários sem escrúpulos.

O Livro Sagrado retrata a grave situação em que vive o Povo de Deus, marcada pelo pecado social, infidelidade, sofrimento, frustração, desânimo.

Mas, também vem acompanhada da promessa messiânica, a vinda d’Aquele que vai restaurar a paz, a justiça e a vida abundante do Povo de Deus, numa palavra, felicidade plena.

Reflitamos:

– Quais são as realidades que retratam o sofrimento do povo hoje?

– O que pode e precisa ser transformado?

– Qual a nossa atitude: medo e conformismo ou coragem e profecia como o Profeta Miqueias?

– Percebemos a presença de Deus sempre preocupado conosco, e que nos indica a fonte da verdadeira felicidade: Jesus?

A passagem da segunda Leitura (Hb 10,5-10), escrita pouco antes do ano 70 por um autor anônimo, destina-se a uma comunidade constituída em sua maioria por cristãos vindos do judaísmo.

A marca desta comunidade, que tem fundação de maior tempo, é a perda do entusiasmo inicial, dando lugar a uma fé morna, sem compromissos com o próximo, e as dificuldades fazem provocam o desânimo, cansaço e o desvio da verdadeira doutrina.

O autor escreve para que esta retome a fé, reacenda o compromisso, num contínuo sacrifício de louvor, tendo o sacerdócio de Cristo como paradigma de toda a comunidade.

Jesus, que Se encarnou e Se entregou e foi fiel ao Projeto de Deus totalmente, é quem deve ser seguido, amado, adorado e imitado. Estas tem que ser as mesmas atitudes daqueles que O seguem.

Afinal, com Jesus inaugurou-se o Reino de amor e paz, e somos participantes desta construção, vivendo como Ele na obediência, fidelidade e disponibilidade, sendo como Ele o foi um sacrifício agradável ao Pai, vivendo um sim total e incondicional a Deus.

É preciso, portanto, despojar-se da acomodação, desesperança, apatia, indiferença e desânimo.

A passagem do Evangelho (Lc 1,39-47) faz parte do chamado “Evangelho da Infância de Jesus”. É uma “homologese” (gênero literário especial que não pretende ser um relato fidedigno sobre acontecimentos, mas antes uma catequese destinada a proclamar as realidades salvíficas que a fé prega sobre Jesus: que Ele é o Messias, o Filho de Deus, o Deus conosco). Em resumo é uma catequese sobre Jesus.

Nesta pequena passagem, três mensagens fundamentais:

– Jesus vem ao encontro da humanidade para redimi-la;

– Sua presença, fruto da ação do Espírito, provoca estremecimento incontrolável de alegria no coração dos que esperam a concretização das promessas divinas: alegria, vida, paz e felicidade;

– Vem ao encontro através da fragilidade e simplicidade dos pobres, que se constituem instrumentos de Deus para a realização da salvação e libertação da humanidade.

É necessário estremecer de alegria, porque somos portadores do Verbo que Se fez e Se faz Carne em nosso coração. Belém é aqui e agora, que acolhe o Salvador para se tornar uma alegre notícia de vida para os empobrecidos.

A luz brilhará nas trevas para os corações que temem a Deus!

Nascerá o Salvador no coração dos que amam e que anseiam pela paz e vida plena.

Acolher e anunciar a proposta de Jesus é o verdadeiro sentido do Natal que vamos celebrar. Demos mais um passo…

Ainda é tempo! Que o pouco tempo que nos separa da Noite do Natal seja marcado pelo silêncio, revisão e preparação do que ainda for preciso.

Ainda é tempo! Mais do que árvores de Natal, amigos secretos, pisca-pisca, ceias fartas, é preciso que nosso coração esteja totalmente limpo, aberto para a acolhida do Verbo que Se fez e Se faz carne sempre, para ficar conosco em qualquer circunstância.

É próprio de quem ama não se separar daquele que se ama. Sendo assim, Deus não Se separa de nós porque nos ama, ainda que não O amemos bastante.

Reflitamos:

– Qual a boa Nova que anunciamos aos pobres?

– Nosso modo de viver revela que nos preparamos para acolher o Verbo que quer fazer morada em nosso coração?

– Quais foram os esforços de conversão, mudança radical de pensamentos, atitudes em nossa vida em todos os seus âmbitos?

– Procuramos o Sacramento da Penitência para nos reconciliar com Deus e com os irmãos e irmãs, experimentando a alegria da misericórdia e do perdão divinos?

– Urge um cristianismo mais alegre e contagiante, experimentado e testemunhado na fragilidade de Maria, de Isabel e de tantos outros. Deste modo, somos instrumentos da mensagem de alegria ou instrumentos fúnebres do Evangelho?

Que o Natal seja a Festa de maior intensificação e correspondência ao Amor indizível, infinito, incompreensível de Deus.

Ainda é tempo…

A alegria cristã do Natal é fruto da conversão – 3° Domingo do Advento do Ano C

A alegria cristã do Natal é fruto da conversão

“Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4, 4)

O 3º Domingo do Advento é chamado de “Domingo Gaudete”, ou seja, Domingo da Alegria, pois está próxima a chegada do Senhor, cujo Natal vamos celebrar.

A Liturgia da Palavra (ano C) é um convite à preparação mais frutuosa, ativa e piedosa, para que esta alegria seja transbordante na Noite Feliz do Nascimento do Redentor da Humanidade.

Alegria que será fruto de nosso empenho de conversão profunda e sincera, como aparece explicitamente na Palavra proclamada.

A passagem da primeira Leitura (Sf 3,14-18a) retrata a realidade do século VII a. C, em que o povo vivia num contexto de pecado (adivinhação, magia, injustiças, idolatria, materialismo, relaxamento religioso, infidelidade), e o Profeta Sofonias faz um convite para que este volte a Javé vivendo na graça (fidelidade, esperança, alcançando a felicidade, vida em plenitude e salvação).

A passagem da segunda Leitura (Fl 4,4-7) foi escrita quando Paulo estava na prisão, e este fez suas recomendações à comunidade, para que vivesse na alegria, que se traduz numa prática de bondade, Oração e confiança em Deus.

Viver a alegria pela certeza de que a libertação que o Senhor prometeu está para chegar, agindo com mansidão e tolerância para com o próximo, acompanhada da confiança em Deus, numa abertura de diálogo apresentando a Ele as dores, dificuldades, tropeços, sem jamais perder a esperança, pois é próprio do Amor de Deus vir sempre ao nosso encontro.

Deus que nos ama, jamais nos abandona e esta é uma certeza que deve encher o coração dos discípulos de alegria.

Reflitamos:

– É Jesus, de fato, o fundamento de nossa alegria?

– Renovamos no Senhor, em Sua Palavra e na Eucaristia a verdadeira alegria?

Na passagem do Evangelho (Lc 3,10-18), uma grande pergunta foi feita a João Batista (e que se torna nossa): o que devemos fazer para preparar a chegada do Senhor?

A primeira grande atitude é a conversão, para corresponder melhor ao Amor de Deus, deixando de lado todo medo que cria bloqueios, pessimismos, angústias e sofrimentos.

O amor vivido nos faz crescer e nos introduz cada vez mais na vida nova que o Batismo propicia.

João apresenta três atitudes:

– Passar do egoísmo à partilha e à solidariedade.

– Passar da prática da injustiça à prática da justiça, vivendo uma vida na graça;

– Passar da violência à paz.

Estas atitudes, assumidas e aprofundadas no quotidiano, nos permitirão sentir a verdadeira alegria do Natal que Deus quer nos oferecer.

Alegria vivida acompanhada da prática da bondade, confiança, Oração e comunhão com Deus.

Nossa alegria será diretamente proporcional ao amor que possamos viver. Amor que o Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V) assim descreveu:

O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste diante do impossível, não desanima diante das dificuldades”.

Estamos nos aproximando do Natal. Não percamos tempo em questões fúteis e enganadoras. Ponhamo-nos mais do que nunca numa atitude de abertura e conversão, para que a verdadeira alegria seja sentida por todos nós no Natal, pois celebraremos o Nascimento da Fonte Divina da Alegria, do amor, da bondade, da ternura, da mansidão, da solidariedade: Jesus.

Temos sempre algo a mudar em nossa vida. Se quisermos sentir alegria cristã do Natal a conversão é uma necessidade que se nos impõe.

 

Ainda é tempo e sempre será tempo de sincera conversão para um Santo Natal.

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