Eliana Alvarenga

CNBB une-se a cinco organizações da sociedade civil e assina pacto pela vida e pelo Brasil

No Dia Mundial da Saúde, celebrado nesta terça-feira, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão Arns, a Academia Brasileira de Ciências, a Associação Brasileira de Imprensa e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência assinaram o Pacto pela Vida e pelo Brasil.

O documento reconhece que o Brasil vive uma grave crise – sanitária, econômica, social e política – e que exige de todos, especialmente de governantes e representantes do povo, o exercício de uma cidadania guiada pelos princípios da solidariedade e da dignidade humana, assentada no diálogo maduro, corresponsável, na busca de soluções conjuntas para o bem comum, particularmente dos mais pobres e vulneráveis.

“O momento que estamos enfrentando clama pela união de toda a sociedade brasileira, para a qual nos dirigimos aqui. O desafio é imenso: a humanidade está sendo colocada à prova. A vida humana está em risco”, diz um trecho.

A pandemia do novo coronavírus que se espalha pelo Brasil exigindo a disciplina do isolamento social é mencionada no texto. As entidades assinantes reiteram, portanto, que deve-se, pois, repudiar discursos que desacreditem a eficácia dessa estratégia, colocando em risco a saúde e sobrevivência do povo brasileiro.

Em contrapartida, no texto, as entidades afirmam que deve-se apoiar e seguir as orientações dos organismos nacionais de saúde, como o Ministério da Saúde, e dos internacionais, a começar pela Organização Mundial de Saúde – OMS. “É hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção por escolhas científicas, políticas e modelos sociais que coloquem o mundo e a nossa sociedade em um tempo, de fato, novo”, diz outro trecho.

Ainda no documento, as entidades afirmam que a sociedade civil espera, e tem o direito de exigir, que o Governo Federal seja promotor desse diálogo, presidindo o processo de grandes e urgentes mudanças em harmonia com os poderes da República, ultrapassando a insensatez das provocações e dos personalismos, para se ater aos princípios e aos valores sacramentados na Constituição de 1988.

As entidades lembram, ainda, que a árdua tarefa de combate à pandemia é dever de todos, com a participação de todos — no caso do Governo Federal, em articulada cooperação com os governos dos Estados e Municípios e em conexão estreita com as instituições.

“A hora é grave e clama por liderança ética, arrojada, humanística, que ecoe um pacto firmado por toda a sociedade, como compromisso e bússola para a superação da crise atual”.

No texto também é ressaltado a importância do Sistema Único de Saúde – SUS. “É necessário e inadiável um aumento significativo do orçamento para o setor: o SUS é o instrumento que temos para garantir acesso universal a ações e serviços para recuperação, proteção e promoção da saúde”.

No documento, as entidades reconhecem que a saúde das pessoas e a capacidade produtiva do país são fundamentais para o bem-estar de todos. Mas propugnam, uma vez mais, a primazia do trabalho sobre o capital, do humano sobre o financeiro, da solidariedade sobre a competição. “É urgente a formação deste Pacto pela Vida e pelo Brasil. Que ele seja abraçado por toda a sociedade brasileira em sua diversidade, sua criatividade e sua potência vital. E que ele fortaleça a nossa democracia, mantendo-nos irredutivelmente unidos. Não deixaremos que nos roubem a esperança de um futuro melhor”.

Confira o Documento na íntegra aqui

Semana Santa: tempo de intensa misericórdia

Estamos vivendo a Semana Santa, chamada de Semana Maior, em que, como Igreja, nos recolhemos em profunda, intensa e fecunda oração, e modo especialíssimo, neste tempo em que, juntos, estamos fazendo a nossa parte, dentro dos limites próprios de cada um.

Deste modo, é oportuno rezamos esta Oração escrita por Santa Faustina Kowalska:

Esta oração muito nos ajuda na compreensão do consiste a misericórdia para um cristão, e o que ela exige, para que seja autêntica e agradável a Deus.

Sejamos misericordiosos como o Pai! E somente seremos, se nos configurarmos decididamente a Jesus, que nos revela a Face misericordiosa do Pai, na plena comunhão com o Espírito Santo, o Amor.

Assim rezando e assim vivendo viveremos a Semana Santa, cada vez mais unidos ao Mistério da Paixão e Morte do Senhor na Cruz, para com Ele também ressuscitarmos.

Oremos:

Ajudai-me, Senhor, para que os meus olhos sejam misericordiosos, de modo que eu jamais suspeite nem julgue as pessoas pela aparência externa, mas perceba a beleza interior dos outros e possa ajudá-los.

Ajudai-me, Senhor, para que os meus ouvidos sejam misericordiosos, de modo que eu esteja atenta às necessidades dos meus irmãos e não me permitais permanecer indiferente diante de suas dores e lágrimas.

Ajudai-me, Senhor, para que a minha língua seja misericordiosa, de modo que eu nunca fale mal dos meus irmãos; que eu tenha para cada um deles uma palavra de conforto e de perdão.

Ajudai-me, Senhor, para que as minhas mãos sejam misericordiosas e transbordantes de boas obras, nem se cansem jamais de fazer o bem aos outros, enquanto, aceite para mim as tarefas mais difíceis e penosas.

Ajudai-me, Senhor, para que sejam misericordiosos também os meus pés, para que levem sem descanso ajuda aos meus irmãos, vencendo a fadiga e o cansaço; o meu repouso esteja no serviço ao próximo.

Ajudai-me, Senhor, para que o meu coração seja misericordioso e se torne sensível a todos os sofrimentos do próximo; ninguém receba uma recusa do meu coração. Que eu conviva sinceramente mesmo com aqueles que abusam de minha bondade. Quanto a mim, me encerro no Coração Misericordiosíssimo de Jesus, silenciando aos outros o quanto tenho que sofrer.

Vós mesmo mandais que eu me exercite em três graus da misericórdia; primeiro: Ato de misericórdia, de qualquer gênero que seja; segundo: Palavra de misericórdia – se não puder com a ação, então com a palavra; terceiro: Oração. Se não puder demonstrar a misericórdia com a ação nem com a palavra, sempre a posso com a oração. A minha oração pode atingir até onde não posso estar fisicamente.

Ó meu Jesus, transformai-me em Vós, porque Vós tudo podeis”. (1)

(1) Oração escrita por Santa Faustina em 1937, e que se encontra em seu Diário (p.163 – Caderno I).

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Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor ( Ano A)

                              “Contemplemos e fiquemos abismados diante da mais bela História do Amor de Deus por nós:
Jesus Cristo, 0 Filho Amado do Pai.”
Com a Santa Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciamos a Semana Santa, que culminará na Ressurreição do Senhor.
A Liturgia (Ano A) nos convida a contemplar a ação de Deus que vem ao encontro da humanidade, por meio de Jesus Cristo, que Se fez o Servo da humanidade, em doação total de Sua vida por amor, não fugindo do horizonte da Cruz sempre presente em Sua missão.
Na passagem da primeira Leitura (Is 50,4-7), é nos apresentado o terceiro Cântico de Javé, e a figura do Servo sofredor, que a fé cristã identifica perfeitamente com a pessoa de Jesus Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte:
“A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na Ressurreição que gera vida nova” (1)
O Servo sofredor escuta, sofre, resiste e confia na intervenção de Deus que jamais abandona aqueles a quem chama. O Profeta tem convicção de que não está só, e que a força de Deus é sempre mais forte que a dor, o sofrimento e a perseguição, e que jamais ficará decepcionado.
Reflitamos:
– Temos coragem de fazer da nossa vida uma total entrega ao Projeto de Deus, no compromisso de libertação de tudo que seja sinal de morte e opressão?
– De que modo vivemos a vocação profética que Deus nos concedeu pela graça do Batismo?
– Temos confiança na força de Deus, como o Servo sofredor que é o próprio Senhor?
O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda Leitura (Fl 2, 6-11), apresenta-nos o exemplo de Jesus Cristo que viveu obediência, fidelidade e amor total ao Pai por amor à humanidade.
Embora a comunidade de Filipos, gozando de afeto especial do Apóstolo, seja entusiasta, generosa e comprometida, é exortada a aprofundar sua prática de desprendimento com maior humildade e simplicidade, como pode acontecer com toda comunidade que adere ao Senhor.
Paulo nos apresenta, portanto, numa breve e densa passagem, a missão de Jesus:
“Em traços precisos, o hino define o ‘despojamento’ (‘Kenosis’)  de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a Sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o Ser e o Amor do Pai.
Não deixou de ser Deus, mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse ‘abaixamento’ assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma Morte infamante – a Morte de Cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do Amor radical, da entrega total da vida” (2).
Em consequência disto, Deus o fez “Kyrios” (Senhor), para reinar sobre toda a terra e sobre toda a humanidade.
A comunidade dos seguidores de Jesus haverá de fazer sempre este mesmo caminho de despojamento, amor, doação e fidelidade total a Deus, para alcançar a glória da eternidade.

A passagem do Evangelho (Mt 26, 14-27,66) nos apresenta a Paixão de Nosso Senhor Jesus.

Com Mateus, o primeiro Evangelista, contemplamos a Paixão de Jesus: uma vida feita dom e serviço, culminando na morte de Cruz, em que revela o Amor de Deus que nada guarda para Si, que Se faz um dom total, para que sejamos redimidos.

A mensagem central: a morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino, que provocou tensões, resistências, pelos que detinham o poder religioso, econômico, político e social do Seu tempo.
A Morte de Jesus é o culminar de Sua vida: “é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com Sangue), daquilo que Jesus pregou com Palavras e com gestos: o Amor, o dom total, o serviço” (3)
Na narrativa de Mateus tem algumas particularidades em relação aos outros Evangelistas: a iniquidade do processo e a inocência de Jesus; o sonho da mulher de Pilatos, sugerindo que não foi o império romano, mas sim o próprio judaísmo que rejeitou Jesus e Sua Proposta do Reino; a descrição dos fatos que acompanharam a Sua Morte (o véu do Templo que se rasga em duas partes, de alto a baixo; o tremor da terra e o fender das rochas; a abertura dos túmulos e muitos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; o episódio da guarda do sepulcro, com o objetivo de confirmar que o corpo não foi roubado, mas Ele foi Ressuscitado).
Que as celebrações da Semana Santa, ricas em espiritualidade, repletas de ritos significativos, renovem nosso apaixonamento por Jesus, assim como Ele foi um apaixonado de Deus Pai, com a força e presença do Espírito, em todos os momentos.
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Meditai sobre a Paixão do Senhor

“Meditai sobre a Paixão do Senhor,

Aumentai a caridade em vossos corações,

Consolidai a vossa fé, Renovai a vossa esperança.

Entrai em íntima comunhão com o Senhor!”

Ao celebrar o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciaremos a Semana Santa, e sejamos enriquecidos pelo Sermão do Bispo Santo André de Creta (séc. VI): “Vinde, subamos juntos ao monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo, que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e Santa Paixão, a fim de realizar o Mistério de nossa salvação.

Caminha o Senhor livremente para Jerusalém, Ele que desceu do céu por nossa causa – prostrados que estávamos por terra – para elevar-nos consigo bem acima de toda autoridade, poder, potência e soberania ou qualquer título que se possa mencionar (Ef 1,21), como diz a Escritura.

O Senhor vem, mas não rodeado de pompa, como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, e ninguém ouvirá Sua voz (Mt 12,19; cf. Is 42,2). Pelo contrário, será manso e humilde, e Se apresentará com vestes pobres e aparência modesta.

Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a Sua Paixão e imitemos os que foram ao Seu encontro. Não para estendermos à Sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a Seus pés, com humildade e retidão de espírito, a fim de recebermos o Verbo de Deus que Se aproxima, e acolhermos Aquele Deus que lugar algum pode conter.

Alegra-Se Jesus Cristo, porque deste modo nos mostra a Sua mansidão e humildade, e Se eleva, por assim dizer, sobre o ocaso (cf. Sl 67,5) de nossa infinita pequenez; Ele veio ao nosso encontro e conviveu conosco, tornando-Se um de nós, para nos elevar e nos reconduzir a Si.

Diz um Salmo que Ele subiu pelo mais alto dos céus ao Oriente (cf. Sl 67,34), isto é, para a excelsa glória da Sua divindade, como primícias e antecipação da nossa condição futura; mas nem por isso abandonou o gênero humano, porque o ama e quer elevar consigo a nossa natureza, erguendo-a do mais baixo da terra, de glória em glória, até torná-la participante da Sua sublime divindade.

Portanto, em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo.

Revestidos de Sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele próprio, – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a Seus pés como mantos estendidos.

Éramos antes como escarlate por causa dos nossos pecados, mas purificados pelo Batismo da salvação, nos tornamos brancos como a lã. Por conseguinte, não ofereçamos mais ramos e palmas ao vencedor da morte, porém o prêmio da Sua vitória.

Agitando nossos ramos espirituais, O aclamemos todos os dias, juntamente com as crianças, dizendo estas Santas Palavras: “Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel”.

Ele desceu do céu e veio ao nosso encontro: um Deus que Se faz Homem, assume a nossa condição, faz-Se um de nós, igual a nós, menos no pecado, para exatamente destruí-lo e nos redimir como criaturas novas.

Não conhecendo o pecado, numa perfeitíssima oferenda agradável ao Pai, sacrifica-Se por Amor à humanidade, ensinando e vivendo o caminho do Amor e fidelidade, doação e entrega em favor do próximo. Fez-Se grão de trigo caído por terra para germinar e produzir frutos abundantes de vida, alegria e paz.

É este Jesus que acolhemos como Salvador; Aquele que entrou em Jerusalém aclamado por todos, com ramos deitados para que sobre eles passasse.

Não fiquemos insensíveis ao convite do Bispo, em seu Sermão.
Prostremo-nos diante do Senhor, e a Ele demos toda honra, glória, poder e louvor:
“… em vez de mantos ou ramos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo. Revestidos de Sua graça, ou melhor, revestidos d’Ele próprio, – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a Seus pés como mantos estendidos”

Sejam os ramos sejam a expressão de que somente n’Ele e com Ele encontramos vida, somente diante d’Ele nossos joelhos se dobrem, e ternamente nossa língua proclame que Jesus é o Senhor.

Será a grande Semana em que a Igreja nos convida ao recolhimento, ao silêncio e a Oração, a frutuosa meditação da Paixão do Senhor, para que aumente em nós a caridade, consolidando a fé e renovando a esperança.

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                                        Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

Ao celebramos hoje o Domingo de Ramos e a Paixão e Morte do Senhor, silenciemo-nos diante da Cruz e retomemos esta rica e oportuna citação, que nos convida a contemplar um Deus que, por Amor, Se fragilizou.

É a mais espantosa e incrível História de Amor: como não nos abismarmos ao contemplá-la, e como não renovar, no mais profundo de nós, os Sagrados compromissos de fidelidade no seguimento deste Jesus, com renúncias necessárias, e a cruz quotidiana carregando, com a firme convicção de que ela assumida, com coragem, nos levará a contemplar, um dia, a face deste Deus de Amor?

“Celebrar a Paixão e Morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil…

Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou Sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar.

Desse Amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco ‘até ao fim dos tempos’: esta é a mais espantosa História de Amor que é possível contar; ela é a Boa Notícia que enche de alegria o coração dos crentes…

Contemplar a Cruz, onde se manifesta o Amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade…

Significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias. Significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens. Significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor…

Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da Ressurreição” (1)

Celebrando e meditando a Paixão de Cristo, sejamos fortalecidos na solidariedade e compaixão com  sofrimento de tantos irmãos e irmãs que vivem em situações que clamam por vida e dignidade.

Paixão de Cristo e Paixão do mundo são indissociáveis!

Assim como cremos
que o caminho da Cruz é inevitavelmente,
o caminho que nos conduz à glória,
quando, através de nosso agir,
nos tornamos viva expressão
e sinal do Amor de Deus
por toda a humanidade.
Amém.

(1) www.dehonianos.org.br

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                                    Acreditar, contemplar, imitar” a Paixão do Senhor! 

Com a Liturgia do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciamos a Semana Santa, em que celebramos o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Sejamos iluminados pelas palavras do Papa São Leão Magno (séc. V):
“Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

De fato a glória de Deus manifesta-Se incompreensivelmente através do insucesso, do fracasso. É o grande paradoxo que mantém e desperta a esperança no carregar de nossas cruzes quotidianas, nas várias formas de manifestação da morte.

Na Semana Santa somos convidados, pela Igreja e como Igreja, a vivenciar estes três verbos: acreditar, contemplar e imitar a Paixão de Nosso Senhor, para que na madrugada do Domingo, quando ainda for escuro, Sua Ressurreição possamos contemplar e ao mundo anunciar e testemunhar. Será o nosso grande Aleluia, guardado ao longo de toda a Quaresma.

Devemos vivê-la com prolongado tempo de recolhimento, de Oração, participando dos Mistérios e riqueza Litúrgica que a Igreja nos oferece, e assim teremos nossas forças renovadas, porque é próprio do Amor de Deus vir em socorro de nossas fraquezas, limitações, misérias, com a expressão máxima de Sua Misericórdia, Jesus Cristo.

Nossa aparente humilhação, dificuldades, serão configuradas ao Cristo Servo Sofredor, e assim, corajosamente carregando o peso de nossa cruz, trilharemos para o caminho da glória.

Nossos sinais de morte cederão aos sinais da Páscoa. A vida venceu a morte, o amor sempre fala mais forte. Esta é a Páscoa quotidiana que nos move, impulsiona, faz com que na vida de fé jamais recuemos, mas avancemos para o horizonte do inédito de Deus, e o melhor de Deus venhamos a alcançar.

É a Grande Semana para renovarmos aquilo que acreditamos, que nos faz comprometidos e apaixonados por Jesus e pelo Seu Reino. Crer na força da Palavra proclamada, lida, meditada, vivida para que nossa vida seja, enfim, transformada. Crer no Santo Sacramento da Eucaristia, que é força em nossa silenciosa e corajosa travessia no mar da vida, sem jamais submergir no mar das dificuldades, mas antes mergulhados no mar infinito de Deus que é Sua bondade, ternura, amor e misericórdia.

É a Grande Semana para em silêncio frutuoso e orante contemplarmos o imensurável Amor de Deus, cujas dimensões são impossíveis de serem abarcadas por nossas categorias do pensamento. Contemplarmos Cristo, mais que num crucifixo, nos crucificados da história: doentes, desanimados, famintos, despossuídos das condições dignas de existência, nos que estão bem ao nosso lado (Mt 25).

É a Grande Semana para imitarmos Jesus Cristo e o Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte. Caminhar com Ele, seguir Seus passos, morrer com Ele e Ressuscitar com Ele. Imitar Jesus, tendo d’Ele os mesmos pensamentos e sentimentos (Fl 2): Amar, perdoar, viver, sonhar, sorrir, partilhar, alegria, a vida por amor doar, serviço, humildade, paciência e tudo quanto mais possa ser dito, cujas palavras são insuficientes para bem expressar.

Acreditemos, contemplemos e imitemos o Senhor. Amém.

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Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

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Comunidade: lugar do encontro com Deus

 

Na passagem do Evangelho (Jo 2, 13-22), ao realizar a purificação do templo, Jesus anuncia que Ele mesmo é o lugar do verdadeiro encontro com Deus.

Jesus é a verdadeira presença de Deus no meio da humanidade, o Verbo que Se fez Carne.

E, ao afirmar que pode destruir o templo e o edificar em três dias, preanuncia a Sua morte e Ressurreição, que será esta, por sua vez a garantia de que Jesus veio de Deus, e que Sua atuação tem o selo de garantia de Deus.

O evangelista João situa o fato de a purificação acontecer nos dias que antecedem à Festa da Páscoa, momento em que grande multidão afluía para Jerusalém. Note-se que Jerusalém teria aproximadamente 55.000 habitantes, e nestes dias chegava a receber 125.000 peregrinos, com o sacrifício de 18.000 cordeiros na celebração pascal.

Evidentemente, o templo era lugar de grande comércio e muitos viviam dele; e aqui o sinal profético da sua purificação feita por Jesus.

O gesto de Jesus deve ser entendido neste contexto, como a comunicação de novos tempos messiânicos.

Jesus não propõe a reforma do templo, mas a abolição do culto porque era algo nefasto, ou seja, em nome de Deus o culto criava exploração, miséria, injustiça, em vez de favorecer uma sincera e frutuosa relação com Deus.

Jesus é, de fato, o novo Templo, isto é fundamental como mensagem. Ele Se faz companheiro de caminhada e aponta os caminhos de salvação.

A salvação não fica restrita às mãos dos sacerdotes do templo. Ele é Aquele que vem ao mundo comunicar a Salvação à humanidade, em sinal de total e incondicional Amor a Deus, dando Sua vida em sacrifício para a nossa redenção.

Não há mais necessidade daquele templo e seus sacrifícios. Com Ele, Jesus, a humanidade pode alcançar vida, alegria, paz, salvação sem submeter à lógica sacrificial do templo, que havia se tornado casa de comércio, covil de ladrões.

Os cristãos, tendo aderido ao Senhor e a Sua Mensagem, tendo comido a Sua Carne, bebido do Seu Sangue, precisam se identificar com Ele.

Os cristãos são, portanto, pedras vivas desse novo Templo no qual Deus Se manifesta ao mundo e vem ao encontro da humanidade oferecendo vida e Salvação.

Cabe aos cristãos revelar ao mundo o rosto bondoso, misericordioso e terno de Deus, pelo que creem e pelo que vivem, sem dissociação, sem distanciamentos e incoerência, pois todo aquele que vive e crê no Senhor, terá a vida eterna, e já experimenta no tempo presente felicidade plena.

Urge que nossos cultos sejam agradáveis a Deus, com implicações em nossa vida, sobretudo a Eucaristia que celebramos.

Da mesma forma, precisamos viver a Palavra que proclamamos e ouvimos, a fim de que nossos cultos não sejam solenes e ricos de conteúdos vivenciais, sem maiores compromissos com a vida, ou seja, com o Reino de Deus.

Sendo assim, quando acorremos ao Templo para celebrar, haveremos de fazê-lo de modo ativo, consciente e piedoso de modo que molda o nosso viver.

Reflitamos:

– Sentimos a presença de Deus em nossas comunidades, verdadeiros Templos de Deus?

– Sentimos a presença de Deus em cada homem e mulher, como templos de Deus?

– Há o Templo e os templos, nos quais Deus também fez Sua morada. Como cuidamos do Templo do Senhor, e também como cuidamos dos templos do Senhor?

– O que fazemos para que cada pessoa, lugar da presença de Deus, também tenha vida plena e feliz?

Que o Tempo da quaresma renove em nós a alegria de ser Igreja, amando e nos colocando a serviço dela, no compromisso com a vida e com o Reino, não esgotando nossa fé na prática de cultos e ritos, mas em sinceros e multiplicados gestos de amor, comunhão, fraternidade e solidariedade, e tão somente assim, nossos cultos serão agradáveis a Deus.

Nunca é demais dizer: há sempre um longo a caminho de conversão a percorrer, para que nossas comunidades correspondam à missão que lhes foi confiada. Vivamos, portanto, este Tempo, como tempo de graça e reconciliação e maior fidelidade aos desígnios de Deus.

    http://peotacilio.blogspot.com/2020/04/comunidade-lugar-do-encontro-com-deus.html?m=1                                           Fonte: www.Dehonianos.org/portal

Blog de Dom Otacilio – peotacilio.blogspot.com- completa doze anos

 

Muita gratidão a Deus e ao senhor, Dom Otacilio, por nos oferecer esta preciosidade, que completa no dia 31 de março  12 anos de evangelização.

Nossa singela homenagem  através do acróstico:

Parabéns, Dom Otacílio

emoção sentimos por prestarmos esta singela homenagem pelos doze anos do blog. Jovem ainda, mas quantas reflexões, quantas

Orações … Verdadeiros momentos de espiritualidade, para que

Tenhamos mais maturidade na fé ,

Ao nosso alcance. Que Deus conserve sempre este

Carinho e zelo do Senhor, Dom Otacilio, para com suas ovelhas e o

Ilumine sempre!

Leveza, serenidade, paz e

Inspiração. É o que se

Ouve de seus fiéis seguidores!

. (ponto)

Beijos para Deus por ter nos concedido mais este

Lindo recurso de Evangelização!

Obrigado(a) !

Gratidão é o

Sentimento que temos

Por podermos , a Palavra anunciar através do seu

blOg. Nosso mais sincero carinho ao senhor por nos oferecer a cada dia

Tempo de espiritualidade e de bênçãos

(. ponto) com muitos abraços virtuais para o senhor.

E viva o blog peotacilio.blogspot.com!
Pascom / Diocese de Guanhães
31 /03/20

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Pelos Seus Poderosos feitos
Em todo lugar seja louvado

O Senhor da Criação. Ao som da
Trombeta, no seu poderoso firmamento;
Ao som da lira, da harpa, flautas, com
Címbalos sonoros, com címbalos ressonantes, com
Instrumentos de cordas.
Louvem-no com tamborins e com danças, louvem-no conforme a
Imensidão da sua grandeza! Tudo o que tem vida celebre
O Senhor da Criação! Aleluia!

Como os 12 discípulos, por 12 tribos, por todo canto do mundo, sigamos louvando e anunciando mais motivos para louvar!

Evandro Alvarenga

Itinerário Quaresmal percorrido, Alegria Pascal transbordante!

É oportuno refletirmos sobre o Itinerário Quaresmal que assumimos e percorremos (Ano A).
Empenhamo-nos na prática do jejum, da esmola e da oração, multiplicando esforços para a necessária e permanente conversão, renovando a graça do Batismo um dia recebido.

1º Domingo – Com Jesus no Deserto, aprendemos a fidelidade incondicional ao Pai, vencendo as tentações satânicas do ter, ser e poder (egoísmo, sucesso e domínio).

2º Domingo – Contemplamos o Filho Amado, que se Transfigurou no alto da Montanha, e todos fomos convidados a ouvi-lo e testemunhá-lo na planície, carregando com coragem e fidelidade nossa cruz quotidiana.

A cruz somente pode ser suportada se soubermos imergir diante da presença do Senhor, acolhendo Sua Palavra, no silêncio orante, para ouvir o que Ele tem a nos dizer. Imergir diante de Sua presença, mergulhar em Sua misericórdia para emergir vidas que clamam na planície à beira do caminho – os empobrecidos, desfigurados…

3º Domingo – Redescobrimos com a Samaritana que a sede de amor, vida e paz somente pode ser saciada na Fonte das Delícias Divinas, Jesus.

Somente N’Ele e com Ele, por Sua Palavra e pelo Pão, que é o Seu corpo, somos saciados e nutridos, para que renovemos compromissos com as múltiplas e incontáveis sedes da humanidade de vida e eternidade.

4º Domingo – Como o cego de nascença fomos curados de toda cegueira e, mais do que nunca, nossos olhos se abriram porque fomos agraciados com o colírio da fé que nos permite enxergar caminhos  inauguradores do Reino. Curados por Deus, somos iluminados e iluminadores de um  mundo que sem Ele seria condenado à escuridão, ao enregelamento insuportável, fazendo-nos ciganos pelo mundo sem rumo e sem sentido.

5º Domingo – Quando Lázaro, por seu amigo Jesus, foi ressuscitado, professamos nossa fé n’Aquele que tem poder sobre a vida e a morte, porque Jesus é o Senhor, é a Ressurreição e a Vida.

Ele é homem e Deus que quer vida para todos, tirando-nos das sepulturas tristes e sombrias da morte, quando com olhos amabilíssimos chorou e o Seu amigo ressuscitou.

Com a Ressurreição do Senhor, vida nova se inaugurará.

Ele fará novas todas as coisas.

Percorrido o Itinerário Quaresmal, será Páscoa,

o Sol Divino nos iluminará!

Então, exultantes, voltaremos a cantar o Aleluia Pascal! 

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Os amigos do Senhor não morrem sempre ( 5º Domingo do 5º Domingo da Quaresma (Ano A)

A Liturgia do 5º Domingo da Quaresma (ano A) nos convida a refletir sobre a ressurreição de Lázaro, contemplando a ação e o poder de Jesus Cristo sobre tudo, inclusive sobre a própria morte.

Somente Deus pode nos dar uma vida que ultrapasse a vida biológica: a vida eterna, que vence a morte pela Ressurreição de Jesus Cristo.

Com este sinal, renovamos e professamos nossa fé em Cristo, que é Ressurreição para a nossa vida: “Eu sou a Ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá” (Jo 11,25).

A primeira Leitura é uma passagem do Livro do Profeta Ezequiel. Em um contexto de dor, sofrimento, lágrimas, luto, Ezequiel, o Profeta da esperança, enfrenta o exílio, a deportação, a desolação, com o desafio de plantar a esperança no coração de quem em nada mais cria, nada mais esperava (Ez 37,12-14).

Os “ossos ressequidos”, que voltarão a ter vida, mencionados ao longo capítulo, sinalizam que ainda há esperança:

“Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel” (Ez 37, 12). E ainda: “Porei em vós o meu espírito, para que vivais e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que Eu, o Senhor, digo e faço – oráculo do Senhor” (Ez 37, 14).

Reflitamos:

– De que modo sou um sinal de esperança, assim como foi o Profeta Ezequiel?

– Quais são as realidades de morte que clamam pela ação profética, como Igreja que somos?

Com a segunda Leitura (Rm 8,8-11), o Apóstolo Paulo reacende, também em nós, a esperança e vida eterna, pois o Espírito de Deus tudo vivifica:

“Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que habita em vós.” (Rm 8,11). De fato, Deus tem um Projeto de salvação e vida plena para todos.

Deste modo, o batizado deve ser coerente em suas atitudes, para realizar as obras de Deus e viver segundo o Espírito, plenamente aberto aos desígnios divinos, na obediência e adesão a Jesus Cristo; na acolhida da graça; na acolhida do Espírito Santo, que comunica vida nova plena e definitiva. Todo o batizado é alguém que escolheu identificar-se com Cristo.

A mensagem é um convite a viver segundo o Espírito, numa vida pautada pelos valores da caridade, da alegria, da paz, da fidelidade e da temperança. É preciso abandonar as obras da carne (autossuficiência, ciúmes, ódio, ambição, inveja, libertinagem), como vemos também na Carta aos Gálatas.

Reflitamos:

– Vivemos segundo as obras da carne ou do Espírito?

– Abrimo-nos à ação do Espírito que nos renova e vivifica?

Na passagem do Evangelho (Jo 11,1-45), com a ressurreição de Lázaro, amigo do Senhor, vemos que Jesus tem poder sobre a vida e a morte, e a ressurreição do amigo é o grande sinal deste poder.

A compaixão de Jesus para com Lázaro, ressuscitando-o, revela-nos, também, que ser amigo de Jesus, é aderir à Sua proposta, numa vida de entrega e obediência ao Pai, como Ele assim o fez:

Ser amigo de Jesus é saber que Ele é Ressurreição e a vida e que dá aos Seus a vida plena, em todos os momentos. Ele não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus; apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Par aos ‘amigos’ de Jesus – para aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos – não há morte… Podemos chorar a saudade pela partida de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este mundo, ele encontrou a vida plena, na glória de Deus” (1).

Há uma questão fundamental que se sobressai neste Domingo: “não há morte para os ‘amigos’ de Jesus – isto é, para aqueles que acolhem a sua proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos. Os ‘amigos’ de Jesus experimentam a morte física; mas essa morte não é destruição e aniquilação: é, apenas, a passagem para a vida definitiva. Mesmo que estejam privados da vida biológica, não estão mortos: encontram a vida plena junta de Deus.” (2)

Além da morte de alguém muito querido e da própria morte, como expressão máxima de dor, muitas vezes, em nossa existência, passamos por situações de desespero em que tudo parece ruir, a vida parece perder todo o seu sentido.

Pode ser o enfraquecimento de laços familiares; a indesejável e sofrível traição de um amigo ou de alguém que tenhamos em alta estima; a perda de um emprego; a solidão devoradora, que se prolonga com as horas; a falta de perspectivas e objetivos; o vazio da alma; o desencanto com o outro; e outras inúmeras situações com “matizes sepulcrais”.

Quando parece não haver mais esperança, Deus lança a mais preciosa semente da vida e tudo então se renova, floresce, frutifica.

Em Deus e com Deus, há esperança de que as coisas novas virão: a morte cederá lugar à vida, a violência à paz, a dor ao prazer, o luto à Ressurreição, o sacrifício, acompanhado de eternos louvores, à eternidade!

É preciso sair do sepulcro e avançar, dando um decidido passo ao encontro da Vida Plena, que somente Jesus pode nos oferecer.

É n’Ele que esta promessa se cumpre, é n’Ele que somos arrancados das sepulturas da vida e da sepultura da morte; é no Seu Espírito Santo, derramado sobre nós, que o Pai nos vivifica. Jesus nos devolve o sentido derradeiro de nossa existência.

Não podemos sucumbir, curvar-nos diante da morte e, muito menos, nos fecharmos num sepulcro, sem futuro e sem esperança.

Bem sabemos que vivemos num mundo que procura desesperadamente a vida, a felicidade…

Urge neste tempo favorável de conversão e salvação, renovar nossos compromissos com a construção do Reino, amando e servindo a Jesus, Senhor da vida e da morte, a fim de que Ele reine em nosso coração e em todo o Universo.

Da mesma forma, que sementes de justiça e paz sejam lançadas, para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.

Numa época como a nossa, em que se tem sede de um sentido para a existência, Jesus Se nos apresenta como a própria Vida, como a Ressurreição, como Aquele que tem coração, rosto, voz e Amor sem fim!

Entreguemo-nos ao Espírito que habita em nós, para nos comprometermos com a plenitude de vida, que somente Deus pode nos alcançar.

Reflitamos:

– Como é a nossa amizade com o Senhor?

– Quais são os sinais de morte que clamam por vida, e nos desafiam aos compromissos concretos de solidariedade em sua transformação?

– Cremos em Jesus, Ressurreição e Vida, n’Ele vivendo e crendo, com a esperança da promessa da vida eterna?

A vida tem sentido quando não perdemos a esperança, cultivamos a fé, com gestos multiplicados de caridade, e cada passo deve ser dado com plena confiança em Deus, que jamais nos abandona e jamais nos decepciona.

Nem a vida nem a morte podem nos separar de Deus e dos Seus planos para nós, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?” (Rm 8, 35)

(1) Citação extraída do site: http://www.dehonianos.org/portal/default.asp

(2) Idem

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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                                                                           “Vem para fora!”

Ontem, o túmulo de Lázaro, a presença de Marta, Maria, e outros, no Evangelho mencionado (Jo 11,1-45).

Hoje, percorro a cidade, meditando na Palavra do Senhor, diante dos túmulos edificados por mãos humanas, onde por vezes, também posso me encontrar como Lázaro, morto há quatro dias e já cheirando mal, por ataduras e sudário envolvido.

Sua Palavra encontrando, ainda que pequena fresta nas entranhas de minha alma, traz a certeza da libertação tão desejada, porque somente o Senhor tem Palavra de vida eterna, e pode nos fazer as necessárias passagens e, a maior delas, da morte para a vida.

“Lázaro, vem para fora!” Lázaro sou eu e quantos anseiam encontrar a luz do Senhor, que ilumina nossas noites escuras, tornando-as claras como a luz do dia.

Lázaro somos nós, e quantos desejam que a pedra do túmulo seja removida, para novos ares, novas possibilidades.

E assim, continua o Senhor dirigindo-nos Sua Palavra de vida eterna e irrevogável:

“Lázaro, vem para fora!”, diz a cada um de nós:

Vem para fora dos teus pecados capitais!

Vem para fora de tua soberba!

Vem para fora de tua avareza!

Vem para fora de tua luxúria!

Vem para fora de tua ira!

Vem para fora de tua gula!

Vem para fora de tua inveja!

Vem para fora de tua preguiça!

Vem para fora de teu egoísmo!

Vem para fora de teu desespero!

Vem para fora de tua indiferença!

Vem para fora da tua falta de esperança!

Vem para fora da tua ausência de solidariedade!

Vem para fora do exílio da compaixão em teu coração!

Vem para fora da cumplicidade com o mal!

Vem para fora da conivência com atitudes que tornam a vida um pesadelo!

Vem para fora de tuas dependências, que te roubam a sobriedade e a paz!

Vem para fora da injustiça, cometida ou compactuada, pequenas ou grandes!

Vem para fora do teu eu sepulcral e adentre o meu coração dilatado pela lança na Cruz, para que nele coubesses e reencontrasses o amor, o perdão, a ternura e quanto mais precisasses para ser feliz.

Vem para fora do teu eu de miséria, adentre o meu coração de misericórdia, tome meu leve fardo e meu suave jugo, porque sou manso e humilde de coração.

Toma tua cruz e, com a renúncia necessária, liberta-te de todas as amarras, que te impeçam de ser livre e feliz, pois, na Cruz morrendo, foi para a liberdade que Eu te libertei.

Retira o sudário, que oculta a minha face, para que resplandeça no mundo a face misericordiosa do Pai; meu rosto vivo, glorioso e Ressuscitado; contemplado em cada pessoa, que deves amar e servir, na mais bela expressão do autêntico amor, com meu Espírito.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

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                                                                       E Jesus chorou”

Ao ver Marta, e os que com ela estavam, chorando a morte de Lázaro, Jesus estremeceu interiormente e ficou profundamente comovido (Jo 11, 34).

E Jesus chorou” (Jo 11,35) a morte do amigo Lázaro, e alguns disseram – “Vede como Ele o amava”. Quão profunda e intensa dor estampou em Seu rosto!

Mas também ouviu: “Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?” (Jo 11, 37).

Jesus ficou mais uma vez interiormente comovido (Jo 11, 38) diante da caverna fechada por uma pedra, onde jazia o corpo do amigo.

Este momento nos revela que Jesus, em Sua humanidade, viveu plenamente na história e nos afetos da comunidade, e cremos que assim como participou da atroz e autêntica condição humana, também Ele Ressuscitou, e todo aquele que n’Ele crer e viver, não morrerá para sempre (Jo 11,26).

Vivendo este Tempo Quaresmal, tempo de intensa e profunda oração, contemplemos e, como que, ouçamos o choro de Jesus diante de tantos “Lázaros” em seus túmulos.

Mas Jesus tem a Palavra: “Lázaro, vem para fora” (Jo 11,43).

Contemplemos a comoção interior do Senhor e seu choro:

A perturbação momentânea por Ele sentida…

Seu choro é expressão de humanidade com dor cortante;

Indignação diante do mal que parece reinar sobre nossa humana condição.

Seu choro não é de desespero, mas de participação na dor humana,

Pois tudo que nos diz respeito e nos fere, não é indiferente a Ele,

Que é verdadeiramente homem, verdadeiramente Deus.

Jesus chorou, porque amou verdadeiramente a todos.

Chorou, porque é próprio da condição humana comover-se e chorar.

Ele experimentou o sofrimento interior, o doloroso aperto do coração,

O vazio angustiante da mente, quando invadida pela morte de quem se ama.

A lágrima que corre na face do Senhor, e intensa é a

Sua dor, comoção e compaixão diante da morte do amigo.

Mesma morte bem perto de nós ou mesmo dentro de nós,

Que nos ameaça em suas múltiplas expressões:

Divisões profundas, marginalizações de tantos nomes,

Desesperos por motivos diferenciados,

Corrupção e pulverização de direitos adquiridos.

A violência contra a existência humana, em sua dignidade e sacralidade,

Bem como a violência contra a casa comum em que habitamos: a terra.

Mas como, diante da morte de Lázaro, Jesus pôde remover a pedra do túmulo,

Desatar-lhe as ligaduras, devolver-lhe a vida, também cremos em Sua Eterna Palavra,

Que tem poder e nos cumula de esperança,

A miséria de nossa condição mortal, pela Sua infinita misericórdia,

Será redimida por Sua Morte e Ressurreição,

E seremos revitalizados pelo Seu Espírito, que nos revivifica e nos renova.

O choro de Jesus é um não à cultura da morte e do ódio que nos cerca,

Que vidas de inocentes e empobrecidos vorazmente devora,

Para que, decididamente, participemos da cultura da vida e do amor,

Onde cada entardecer, será como que sementes plantadas,

Para um novo tempo, um novo e desejado amanhecer.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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                                       Cristo, Ressurreição para nossa vida…

A Liturgia do 5º Domingo do Tempo Quaresmal (ano A) é um canto, uma poesia, um hino em favor da vida! A morte não pode ter a última palavra.

A Ressurreição é Jesus em pessoa: “Eu sou a Ressurreição e a Vida! Quem crê em mim, mesmo que esteja morto, viverá!” É ele quem vem nos buscar, é na força d’Ele que seremos erguidos da morte, é n’Ele que nossa vida é salva do absurdo, do nada, do vazio: “quem vive e crê em mim, não morrerá para sempre!”, como Ele próprio diz no Evangelho.

Não podemos desistir dos empenhos múltiplos em favor da vida. É precioso aos nossos ouvidos e coração o que disse Santo Agostinho sobre o choro de Jesus quando da morte de seu amigo Lázaro: “Cristo chorou: chore também o homem sobre si mesmo. Por que chorou Cristo senão para ensinar o homem a chorar?”

Esta semana choramos, e haveremos de chorar ainda, não somente pelos nossos pecados, para que voltemos à vida da graça pela conversão e pelo arrependimento. Não podemos e nem temos o direito de desprezar as lágrimas do Senhor que chora por nós, pecadores.

Acolhamos as calorosas e carinhosas palavras de São Josemaria Escrivá: “Jesus é teu amigo. – Amigo – Com coração de carne, como o teu. – Com olhos de olhar amabilíssimo, que choraram por Lázaro… E tanto como a Lázaro, quer-te a ti”.

Como Discípulos Missionários do Ressuscitado, crentes que somos, ardorosos e alegres arautos da esperança, porque pessoas de fé que se concretiza na caridade vivenciada de diversas formas e em todos os lugares, ajudemos os muitos Lázaros que estão no sepulcro esperando por quem grite: “Lázaro, vem para fora!”.

Um filho de Deus, um cristão que não deseje evangelizar, “já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí…” (Jo 11,39), está na tumba em estado cadavérico. Não sejamos “coveiros” entristecidos, mas alegres Arautos da Ressurreição!

Acolhamos com coragem estes questionamentos:

“Concretamente, nesses últimos dias: a quantas pessoas vamos fazer a proposta de que tenham uma vida cristã comprometida? A quantos dos nossos amigos convidaremos a fazer uma boa confissão?

A quantos companheiros de profissão insistiremos para que participem conosco de algum meio de formação cristã? Por quantos familiares estamos fazendo penitência para que durante essas celebrações quaresmais e de Semana Santa tenham um encontro com Deus?

Eu quero números. Não podemos conformar-nos com aquele ditado que reza assim: “o importante é a qualidade, não a quantidade”. Eu protesto!

A quantidade também é importante! A Igreja Católica não é uma espécie de oligarquia, de gente selecionada porque seria o melhor da society, de gente chique e inteligente que forma um gueto de iluminados. Não! Na Casa de Deus cabem todos.” (Pe. Françoá).

Assim também nos enriquece o Missal Dominical:

“Enxertados em Cristo pelo Batismo, vencemos nossa morte na Sua morte; ressuscitamos no Cristo Ressuscitado. É a vitória de cada homem batizado sobre a morte.

É a vitória de toda a história sobre a morte, história que na perspectiva cristã, não caminha para o caos final, mas para a ressurreição final. É a vitória da criatura sobre a morte; ela escapa à condenação na perspectiva dos céus novos e terra nova.

Essa perspectiva dá à vida tranquilidade, serenidade interior, paz profunda, confiança e esperança. Em Cristo não há uma parcela de vida, por menor que seja, que não se destine à Ressurreição”.

Também retomemos parte do Prefácio da Missa do 5º Domingo, da Ressurreição de Lázaro que não somente resume o sentido do fato, mas irradia luzes para nossa existência, em que o sepulcro não tem a última palavra, mas a glória eterna, o céu:

“Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro; Deus e Senhor da Vida, o tirou do túmulo; hoje estende a toda a humanidade a Sua misericórdia e com os Seus Sacramentos nos faz passar da morte à Vida”

O choro de Jesus acompanhado de Sua compaixão, ação misericordiosa, e Sua promessa de imortalidade para quem n’Ele crê são âncoras que nos dão segurança nesta, por vezes, triste, perigosa, misteriosa, dolorida travessia até a outra margem – a eternidade. Amém!

PS: Fontes de pesquisa: Missal Dominical, Mensagem do Papa para a Quaresma de 2011, site: www.presbiteros.com.br.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

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                                                       “Lázaro, vem para fora!”

No 5º Domingo da Quaresma (ano A), refletimos sobre a ressurreição de Lázaro.

Como Igreja,  somos convidados a renovar sagrados compromissos com a vida, transformando as realidades de morte, que fazem parte de nossa história em todos os seus âmbitos.

Oportuno retomar a Mensagem Quaresmal 2010, escrita pelo então Papa Bento, em que ele retrata, com breves e densas palavras, o que neste Domingo:

“Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos postos diante do último mistério da nossa existência: “’u sou a ressurreição e a vida… Crês tu isto?’ (Jo 11, 25-26).

Para a comunidade cristã é o momento de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de Nazaré:  ‘Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo’ (v. 27).

A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele.

A fé na ressurreição dos mortos a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência”.

O Missal Dominical também nos enriquece na reflexão e aprofundamento sobre a graça que recebemos através do nosso Batismo, de sagrados compromissos com a promoção de vida:

“Com este domingo conclui-se um ciclo batismal denso de ensinamentos: Cristo, água para nossa sede – Cristo, luz para nossas trevas – Cristo, ressurreição para nossa vida.

Hoje, a ciência e a pesquisa do homem estão totalmente voltadas para a defesa da vida, revigoramento da vida: os progressos da medicina e da cirurgia, as técnicas de transplante e dos corações artificiais, as curas pelo rejuvenescimento dos tecidos, o prolongamento da vida humana em escala cada vez mais elevada, a diminuição da mortalidade infantil.

No entanto, é exatamente nesta sociedade que surgem fermentos de morte e dissolução; permanecemos indiferentes perante o morticínio de tantas populações; queremos o aborto livre, o direito à eutanásia; o direito ao suicídio; transformamos as festas em tragédias. Como entender esses contrassensos? A morte, a grande e irresistível inimiga do homem, só é vencida por Cristo. E o cristianismo não é um mistério de tristeza e morte, mas de vida, alegria, certeza, esperança.

Enxertados em Cristo pelo Batismo, vencemos nossa morte na Sua morte; ressuscitamos no Cristo Ressuscitado. É a vitória de cada homem batizado sobre a morte.

É a vitória de toda a história sobre a morte, história que, na perspectiva cristã, não caminha para o caos final, mas para a Ressurreição final.

É a vitória da criatura sobre a morte; ela escapa à condenação na perspectiva dos céus novos e terra nova. Essa perspec­tiva dá à vida tranquilidade, serenidade interior, paz profunda, confian­ça e esperança.

Em Cristo não há uma parcela de vida, por menor que seja que não se destine à Ressurreição.”(1)

As citações acima nos levam à contemplação do Mistério da Paixão e Morte do Senhor, que alcança o momento ápice com a Sua Ressurreição, e nesta a Ressurreição e vida para aquele que n’Ele viver e crer.

A ressurreição de Lázaro renova uma esperança em nosso coração: com Deus, a morte nunca tem a derradeira palavra e para Deus nada é impossível. Assim professamos ao rezar a nossa fé:

Creio em Deus Pai…

(1) Missal Dominical – p.177

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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                                  Páscoa: Romper as amarras e colocar-se a caminho!

Vivemos momentos desafiadores, e torna-se imperativo nossa maior e melhor devoção que agrada a Deus: o serviço e compromisso com os pobres, com os “Lázaros que já cheiram mal, pois estão enterrados há quatro dias” (Jo 11,39).

A Palavra de Jesus é nossa força, resistência e luta de nossas comunidades é a certeza de nossa Páscoa! Ontem, hoje e sempre Ele nos ordena: “Lázaro vem para fora… desatai-o, deixai-o caminhar!” (Jo 11, 43-44).

Grande é a sepultura do mundo que desafia nossa fé, esperança e amor. A cada Páscoa que celebramos nossas comunidades querem sair da situação triste que estão enfrentando.

Celebrar a Páscoa é sair de nossas sepulturas; desatar nossas amarras, para que possamos caminhar como povo livre, terno, fraterno, sem tráfico de pessoas, de órgãos humanos, com a preservação e defesa da beleza e da dignidade da vida que não é mercadoria, fonte de lucro, como nos lembra a Campanha da Fraternidade deste ano, que nos interpela em nosso compromisso com o Cristo Ressuscitado.

Mais do que nunca, nossa Igreja e toda sociedade estão desafiadas a buscar caminhos novos. Que a profecia de Ezequiel se cumpra em nosso meio. ”Porei em vós o meu Espírito para que vivais e vos colocarei em vossa terra, onde sabereis que eu, o Senhor, digo e faço – Oráculo do Senhor” (Ez 37,14).

Renovando a fé na força e vida nova que a Ressurreição de Jesus traz para todos nós, teremos certeza de que não estamos órfãos, como nos disse Santo Agostinho:

Jesus ora por nós como nosso sacerdote, em nós como nossa cabeça e recebe nossas orações porque é Deus”.

Quem souber fazer mais terna esta vida, entenderá o que Jesus disse:

Eu sou a Ressurreição e a Vida… Quem viver e crer em mim não morrerá, mas viverá para sempre” (Jo 11, 26).

Creio na vida que brota de uma fé Pascal, passando da morte para a vida. Quando a Páscoa celebrarmos na noite da Vigília Pascal, exultaremos de alegria e diremos: “A vida venceu a morte. Aleluia!”

Por ora, é preciso continuar nosso Itinerário Quaresmal até que chegue o dia em que possamos desejar mutuamente: Feliz Páscoa!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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No vale escuro da vida, a Luz do Senhor Reluzir
Senhor, vivendo intensamente este Tempo Quaresmal,

Tempo favorável de conversão e reconciliação,

Abro meu coração, com plena disposição,

Para acolher Tua Palavra de Vida Eterna.

Mais que acolher, renovo meu compromisso de fé,

Na fidelidade ao Pai de Amor, como Tu nos ensinaste,

Com a força do Teu Espírito que nos assiste,

Presença que sentimos em todos os momentos.

Viver Tua Palavra em comunhão com os irmãos,

E a vida pautar pelos valores do Teu Evangelho,

E, Tão somente assim, viver uma união mais íntima e profunda,

No mergulho do Amor Trinitário em que vives.

Configurado a Ti, completando em minha carne

O que falta à Tua Paixão, por amor à Tua Igreja,

Da qual Tu és a Cabeça, e nós, o Corpo

Edificado com pedras vivas e escolhidas

Afastai qualquer possibilidade de Ti renegar,

Através dos pensamentos, palavras, ações ou omissões.

E orientado por Ti, jamais tenha um coração vacilante,

Porque por Ti carregado no Coração manso e humilde.

Também inebriado pelo Sangue por nós oferecido

No Cálice Sagrado do Banquete da Eucaristia,

Renove em mim a graça de Te amar, seguir,

E a Tua luz divina, no vale escuro da vida, reluzir.

Fonte inspiradora: Jo 11, 31-42

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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A verdadeira comunicação

 

Com Maria, aprendamos que a comunicação verdadeira

somente se alcança quando se promove o bem comum  e se fortalece os vínculos da paz.

Um tema muito valioso, desde o princípio da humanidade: a comunicação de Deus com a humanidade e a comunicação entre nós.

Para tal, não podemos prescindir da ajuda daquela que é a Padroeira da Comunicação: Nossa Senhora, pois não houve na história quem melhor soubesse dialogar com Deus, aberta à Voz do Espírito, para acolher no ventre a Palavra, Jesus.

Deus, ao criar o mundo, quis estabelecer um diálogo com a criatura humana, obra de Suas mãos, Sua imagem e semelhança, mas o pecado de nossos pais foi o rompimento deste desejo divino.

Desde então, Deus jamais se cansou de nos procurar para reestabelecer a comunhão, concedendo-nos o Seu perdão, propiciando a reconciliação e o fortalecimento de um vínculo de amizade conosco. Amizade por Deus querida, para nós mais que imprescindível.

Enviando Seu Filho ao mundo, encarnando-Se, fazendo-Se Palavra, Deus veio pessoalmente estabelecer conosco relações de amor e bondade.

As linhas da História da Humanidade nunca mais poderão ser escritas sem presença e ação do Santo Espírito que nos foi enviado pelo Pai, em nome de Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado, como Ele mesmo o prometera.

Eis a missão da Igreja, anunciar a Boa Notícia de Jesus até o fim do mundo, até o fim dos tempos:

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15). Isto somente se torna possível porque “No dia de Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo, a Igreja é manifestada ao mundo. O dom do Espírito inaugura um tempo novo da ‘dispensação do Mistério’: o tempo da Igreja, durante o qual Cristo manifesta, torna presente e comunica Sua obra de Salvação pela Liturgia de Sua Igreja, ‘até que Ele venha’ 1Cor 11,26)” (CIC 1076).

Nunca tivemos tantas possibilidades de nos comunicarmos como neste tempo. A pós-modernidade multiplicou estes meios de forma impressionante, mas ainda não conseguimos utilizá-los para favorecer uma comunicação edificante, semeando apenas valores que construam uma nova sociedade, no respeito às culturas, às diferenças, à intimidade e liberdade, como nos fala o Catecismo da Igreja Católica (CIC 2492) e o Papa, em sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações.

É preciso usar todos os meios de comunicação social para informar, favorecer o desenvolvimento dos povos, superar os distanciamentos sociais, promover o bem comum, fundados nos valores da verdade, liberdade, justiça e solidariedade, repeito e caridade; critérios que devem ser normativos no uso destes meios, que devem estar disponíveis a todos.

Neste sentido, enfatizo meu compromisso deste espaço ser um instrumento de Evangelização, no anseio de que cada reflexão seja como que uma pedra no grande edifício espiritual da comunicação, uma obra inacabada e incansável.

Que sejamos sempre flexíveis para correções, aprimoramentos, para que o Evangelho de Nosso Senhor Jesus seja anunciado com melhor qualidade, propiciando renovação de pensamentos e atitudes, e levando todos ao compromisso de um mundo mais justo e fraterno, e simultaneamente, e não pela ordem, uma Igreja mais viva e servidora do Reino.

Que Nossa Senhora da Comunicação, aquela que teve a mente e o coração abertos à ação do Espírito e se tornou a perfeita comunicadora do Pai, nos ajude neste desafio de sermos instrumentos para resplandecer a luminosidade da Palavra de Jesus, assim como ela fez incansavelmente, sobretudo naquela inesquecível visita à sua prima Isabel, quando ali se estabeleceu um dos mais belos diálogos e manifestação do Espírito, num clima radiante de alegria, doação, amor e serviço, ecoando num dos mais belos cantos da Sagrada Escritura: o Magnificat.

Com Maria, aprendamos que a comunicação verdadeira somente se alcança quando se promove o bem comum e se fortalece os vínculos da paz, e o diálogo com Aquele que é a Fonte de nossa vida, introduzindo-nos na mais perfeita comunhão de amor, a comunhão da Santíssima Trindade.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

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Ufa! Foi por um vírus…

 

Rápido, forte e letal, é assim que o coronavírus (covid-19) tem se apresentado desde que encontrou morada e aconchego no ser humano frágil.

Sua intromissão fez com que os governantes tomassem medidas como, por exemplo, a quarentena para os infectados e o isolamento social. Medidas tão fortes que as ruas ficaram vazias, os trabalhos cotidianos foram adaptados, passando a funcionar em casa.  Os religiosos se reinventaram no mundo virtual, preservando assim, o contato do fiel com o divino e as famílias passam a se sentir e a se cuidar mais intensamente. Vale sonhar com “um lar onde os pais ainda se amam” como canta Padre Zezinho.

O coronavírus causou e está causando no ser humano, a começar da China, nos últimos meses e agora em outros países dentre eles, o Brasil, um grande alerta, digno de reflexão, de análise do hoje e de um olhar audacioso no futuro. Hoje, a ciência tenta dialogar com o vírus, mas ele segue indiferente aos recursos existentes.  Nesse sentido, vale considerar que a partir disso o ser humano percebe o quão delicada e breve é sua vida. Ele não é um ser isolado que se basta, mas faz parte de um todo, de um grande corpo cujos membros são muitos. Mais vale agora acatar as orientações da Organização Mundial da Saúde, pois o tempo está passando e vidas sendo ceifadas. Mais vale agora a compreensão, o cuidado e a oração, pois nesta casa comum, como lembra o Papa Francisco, somos todos irmãos.

Como lição, o Mundo se recorde que todas as nações formam uma só família e que se alguma delas se exclui de estender-se à outra, estará contribuindo com a dizimação de boa parte dos membros dessa mesma família. Oxalá poder exclamar amanhã: Ufa! foi por um vírus. Sim! Por causa dele as ruas tomaram nova forma e os trabalhos se modificaram. As religiões se redescobriram e as famílias puderam se amar ainda mais. Vale o questionamento, após a pandemia, como refletir a humanidade?

Que o ser humano aprenda com este momento de confronto mundial em que a solidariedade e a união batem à porta e pedem hospedagem para que num isolamento voluntário, todos juntos, contenhamos o avanço do coronavírus, preservando também as equipes de saúde. Do contrário, será uma inesquecível tragédia.

Filipe Ferreira Coelho

23 de março de 2020.

Quando nos abrimos ao Espírito…

Ah, a vida! A beleza da vida está em suas surpresas, nas repentinas decisões a serem tomadas, e na Sabedoria que nunca nos desampara.

A Sabedoria Divina vem quase imperceptivelmente ao nosso encontro, mesmo que não a supliquemos pela exiguidade do tempo para escuta, reflexão, elaboração de proposta… Ela vem como resposta da alma, do coração…

Quem não viveu semelhante experiência?

Um dia, uma proposição… Se de Deus foi inspiração,
confesso que não sei, verdadeiramente não sei;
Sei apenas que foi acolhida plenamente,
E, a Deus, elevo meu agradecimento alegremente.

Se a Deus agradeço, logo é d’Ele a inspiração!
Vejo na paradoxalidade da minha ignorância,
De Deus a presença e indispensável assistência
Que para o bem da Igreja, concede luz e ciência.

Abrir-se ao Espírito, em Sua atenta escuta,
Nos faz, com Ele, mais profundamente sintonizados
E com indiscutível certeza, mais que fortalecidos,
Em todo momento, amados e assistidos!

Quando nos abrimos ao Espírito,

Delícias infinitas, d’Ele, acolhemos,

E com muito maior acerto, insisto,

As surpresas da vida saborearemos!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/03/quando-nos-abrimos-ao-espirito.html?m=0

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