Eliana Alvarenga

Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor – Homilia para o XXV Domingo do Tempo Comum do Ano A

Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor!

Com a Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos sobre os pensamentos de Deus, que não são como os pensamentos dos homens, pois segue a lógica da gratuidade e do amor, doação, partilha e serviço, graça sobre todos derramada.

A passagem da primeira Leitura (Is 55,6-9) retrata a volta do Exílio (conhecido como “Livro da Consolação” para os exilados). O Profeta Isaías faz o povo perceber que o tempo do exílio marcado pela angústia e sofrimento também pode se constituir no tempo da abertura, da graça e do amadurecimento.

Voltando terão que retomar o Projeto de Deus, em atitude de conversão e fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos.

Reencontrar com o Senhor implica sempre em abertura, conversão, desejo sincero de mudança e fidelidade.  Conversão é sempre o eterno recomeço e, para tanto, é preciso coragem e confiança. Conversão é por natureza um processo inacabado.

A conversão implica na escuta da Palavra de Deus, acompanhada da reflexão, da oração e da captação da vontade divina, para viver na mais bela, perfeita e desejada sintonia com Ele, na certeza da felicidade.

Jamais ter a pretensão de reduzir Deus aos nossos esquemas, ao contrário, organizar nossa vida segundo os critérios e desígnios divinos, se necessário abrir mão de nossas certezas, eliminando todo preconceitos e autossuficiência. Confiar plenamente na bondade de Deus, trilhar Seu Caminho que conduz a uma história de Salvação e Vida.

Embora alguns séculos nos separem da primeira Leitura, lança luzes para refletirmos sobre a cultura pós-moderna que comete um erro com consequências funestas: o prescindir de Deus. Anuncia-se a morte de Deus, e que Seus valores não permitem ao homem potencializar suas capacidades e ser verdadeiramente feliz. Evidentemente que contestamos tal postura.

A passagem da segunda Leitura (Fl 1,20c-24.27a) leva-nos a refletir sobre a centralidade de Cristo em nossa existência. Impressiona-nos o fato de Paulo escrever da prisão, mas com tinta de coragem, fidelidade. Uma carta por natureza afetuosa. Falando de si, exorta a fidelidade de todos ao Evangelho.

Não escreve de um lugar marcado pela comodidade e suntuosidade. Por isto está escrito em seu túmulo, em Roma: “Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro”.

Nisto consistiu o fundamental para Paulo: compreende a morte, como possibilidade de encontro definitivo com Cristo.

Reflitamos:

– O que significa Cristo para nós?

– Com o que nos consumimos?

– Quais são as causas que abraçamos e pelas quais nos empenhamos?

– O que anunciamos e testemunhamos?

A passagem do Evangelho (Mt 20,1-16a) é um convite de Nosso  Senhor para trabalharmos em Sua Vinha, na construção do Reino. Revela Jesus, com a Parábola, o Amor de Deus pelos últimos, pelos excluídos.

Revela-nos o rosto e o coração de um Deus que ama a todos sem exceção; tão diferente do Deus dos escribas e fariseus, que muitas vezes se assemelha a um “Deus contabilista” que nos recompensa conforme nossas ações, como se tivesse um lápis na mão para fazer as nossas contas e nos dar o pagamento conforme nossos merecimentos.

A prática de Jesus e a Parábola revelam que todos somos filhos amados do Pai, que por amor assegura-nos o essencial para vivermos.

A nós cabe o imitar a Deus amando na gratuidade! Simplesmente, amar na gratuidade, a mais bela lógica da ação divina que a Parábola nos revela.

No trabalho da Vinha, ou seja, na Comunidade há lugar para todos. Alguns iniciaram mais cedo, até mesmo dentro do ventre materno. Outros um pouco mais tarde sentiram o chamado do Senhor. Outros bem mais tarde, já adultos. Outros ainda não responderam, são os últimos que nos fala a Parábola, aos quais Deus também quer revelar Seu amor e contar como servos de Sua Vinha.

Na Igreja, trabalho é o que não falta. Os desafios clamam por respostas. A messe é grande, mas poucos são os trabalhadores. A Palavra de Jesus tem que ecoar no coração de todos: “Ide vós para a minha Vinha!”.

Faltam vocações: há lugares a serem ocupados nos bancos de nossas Igrejas e salas de reuniões; há realidades externas que nos desafiam (universidades, presídios, condomínios, favelas, hospitais, bolsões de miséria e tantos outros lugares…)

As palavras do Papa Emérito Bento XVI, no dia de sua eleição (19/4/2005) são oportunas:

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na Vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes.”

Deus nos paga não pelos nossos méritos.

Deus nos chama não por nossa capacidade, mas

até mesmo por não termos, para nos capacitar.

Como é bom ser Igreja,

como é bom servir como Igreja,

como é bom amar na gratuidade!

 Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/09/como-e-bom-trabalhar-na-vinha-do-senhor.html

Festa da Exaltação da Santa Cruz e Primeiro aniversário da presença de Dom Otacilio F. de Lacerda na Diocese de Guanhães – Dia 14 de setembro de 2020

 

A Celebração, às 19h, na catedral São Miguel em Guanhães, contou com a presença de quase todo o Clero e cristãos leigos das paróquias (30% da capacidade da ocupação da Catedral, mantendo-se o distanciamento e as regras das orientações municipais por causa da pandemia).

 

 

 

A seguir, a homilia proferida por Dom Otacilio:

“Graças a Deus, podemos chegar a muitos lugares e muitos estão celebrando através do Facebook e do Youtube esta Festa da Exaltação da Santa Cruz que, diferente da Sexta-feira santa, agora é celebrada com festa, com júbilo exatamente 40 dias passados da Transfiguração do Senhor  preanunciando o Mistério da morte de Cruz e dando gosto da sua glória  aos discípulos  para que não se escandalizassem diante do fracasso da morte na cruz ).

 A Liturgia da Igreja tem estas belezas. Hoje celebramos a vitória como o povo canta tão piedosamente: ‘Vitória , tu reinarás, ó cruz, tu nos salvarás’. Celebramos a Redenção de todos nós,  por Nosso Senhor no alto da Cruz. Como vimos na Primeira Leitura, já no AT, Deus que não se afasta de nós, falou para Moisés erguer a serpente de bronze para serem curados todos que eram picados por conta da infidelidade.

Mas nós não olhamos mais para a serpente, nós olhamos para o próprio Cristo Jesus no ápice de Seu amor.

Jesus disse a Nicodemos hoje, neste diálogo, que é preciso nascer de novo; e em João, nós escutamos um versículo mais bonito da Sagrada Escritura: ‘Deus nos deu seu filho por amor’.

Quero chamar sua atenção para o versículo 16 que fala deste amor de Deus manifestado no ápice da cruz da morte de Jesus. É preciso que o Filho do Homem seja levantado, não mais a serpente no deserto, para que todos que n’Ele crerem tenham a vida eterna (versículo 15 do cap. 3.)

Ouvimos um dos versículos mais belos da Bíblia João 3, 16.

Costumam dizer que, às vezes, os católicos não guardam muito versículo bíblico, mas este é preciso: ‘Pois Deus amou tanto o mundo que deu Seu Filho Unigênito para que não morra todo que Nele crer, mas tenha a vida eterna’.

Enfatizei este ‘tanto’ propositalmente: Deus não nos ama pela metade, nem mais ou menos, Ele nos ama tanto, tanto que nem o Filho poupou. Abraão não precisou sacrificar Isaac, mas Deus não poupou seu próprio Filho. Tamanho amor de Deus por nós, contemplado no AT e vivenciado, testemunhado por Jesus na Nova Aliança.

Como estamos vendo neste mês da Bíblia, no livro do Deuteronômio, que é a história do amor de Deus por nós.

Celebrar a Festa da Santa Cruz é uma oportunidade de celebrar  o imenso amor de Deus por nós, mas ao mesmo tempo oportunidade para renovar no meu coração e no coração de todos o mesmo amor para com Deus .

Celebrar o imenso amor de Deus e a nossa resposta mais sincera,  mais profunda, mais comprometida de amor a Deus.

Celebrar a Festa da Exaltação da Cruz, como disse Paulo, para que nos gloriemos na cruz de Nosso Senhor,  para que vivamos a loucura da cruz , a cura da cruz. 

Ser discípulo de Jesus é viver a loucura da cruz, escândalo para os judeus, loucura para os gregos ( Primeira Carta de Paulo aos Coríntios); ‘ E todos devemos nos gloriar na Cruz de Nosso Senhor Jesus’ ( Gálatas 6,14).

 Se há algo que nós devemos gloriar sempre é da cruz de Nosso Senhor. Ele é razão do nosso viver e do nosso existir.

Celebremos a Festa da Exaltação da Nossa Cruz, predispondo-nos a carregar com fidelidade a nossa cruz… sem reclamar, sem lamentar. É muito importante celebrarmos agradecendo a Deus os momentos difíceis que passamos; sobretudo, neste tempo de pandemia, a cruz pesou em nossos ombros, mas nós renovamos nossas forças na cruz de Nosso Senhor.

Como bispo, exorto aos sacerdotes que aqui estão e que não puderam, inclusive, estar presencialmente à Missa da Renovação do Sacramento da Ordem, faça no seu coração hoje –  ainda que não esteja previsto no Ritual da Missa de hoje -, renova no seu coração agora, padre, o seu sim a Jesus, aquele dia de sua ordenação, aquelas sagradas promessas que você fez, mas acima de tudo, como bispo, eu exorto: ame a nossa Igreja,  de modo especial esta Igreja particular de Guanhães deem o melhor de vocês, como vocês já o fazem, mas ainda é pouco.

Eu, como bispo, em um ano me doei, mas eu não tenho dúvida de que poderia ser mais. E eu quero renovar aqui o compromisso de amar mais ainda esta Diocese.

Ame mais ainda,  você, padre, a sua paróquia;  ame mais ainda os cristãos leigos de sua paróquia; ame os diversos Conselhos que estão se solidificando.

Entregue sua vida por amor, carregando com paciência, humildade, confiança e perseverança a sua cruz.

Evidentemente,  que esta renovação eu estendo aos cristãos leigos que não puderam  celebrar a Vigília Pascal para a renovação das promessas batismais…

Queridos cristãos leigos, também vocês, nos silêncio de seu coração, diga sim: eu quero carregar minha cruz com fidelidade, quero amar mais a minha Diocese e ainda mais a minha Paróquia, me doar mais ainda na Pastoral  para a qual fui chamado ou  participar ainda mais e intensamente das Missas, quando possível, seja presencial, seja  pelos meios de comunicação.

Ah, amados irmãos, amadas irmãs! Trago dois pensamentos de dois santos da Igreja para nossa Missa de hoje. Meditando, me preparando, pensando em cada um de vocês, eu falei: o que eu levo de especial, de presente para o povo de Deus, neste meu primeiro ano, nesta Diocese?

Eu quero que fiquem gravadas aquelas preciosas palavras de Santo André de Creta – bispo do Século VIII, que nós rezamos hoje na Liturgia das Horas –  apenas um trecho sobre a maravilha da cruz de Nosso Senhor. Toda vez que eu leio este trecho, eu me emociono. Ali, nós temos uma cruz. Fixe seu olhar nela:

‘Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado; se não houvesse a cruz, a vida não seria cravada ao lenho com cravos; se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado, as fontes da imortalidade, o sangue e a água que lavam o mundo; não teria sido rasgado o documento do pecado; não teríamos sido declarados livres; não teríamos provado da árvore da vida; não teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno. Preciosa também é a cruz, porque ela é  Paixão e Vitória de Deus;  paixão pela morte voluntária nesta mesma paixão e vitória porque o diabo é ferido e com Ele a morte é vencida. Arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou comum à salvação de todo mundo’.  

Belíssimo texto de Santo André de Creta que mereceria ser mais conhecido e rezado por nossas comunidades, mas eu não ficaria feliz se nesta noite eu não trouxesse a palavra de uma mulher, de uma doutora da Igreja. 

Como esta mulher é importante na minha vida!  Como eu amo esta santa!  Como as mulheres nos dizem coisas preciosas! E o papa Francisco tem ressaltado de modo muito especial o protagonismo feminino. Estou falando daquelas mulheres sábias que Deus coloca  em nossas comunidades, sem as quais , pobres de nós, padres, frente às nossas paróquias… Esta mulher se chama: Santa Tereza de Jesus, Santa Tereza de Ávila, século XVI, está lá nos Santos caminhos da perfeição! Livro que, como bispo, eu recomendo a todos os padres, porque o padre  que não cultiva a espiritualidade se cansa mais fácil e para no meio do caminho, como todo cristão. E Santa Tereza é extraordinária! Ela fala agora, 2020, 14 de setembro!

‘Estou convencida de que a medida da capacidade de levar a cruz, grande ou pequena, é a do amor.  Cumpra-se em mim, Senhor, Vossa vontade de todos os modos e maneiras que Vós, Senhor meu, quiserdes;  se me quiserdes enviar sofrimentos, dai-me forças  para suportá-los e venham sem perseguições, enfermidades, desonras e mínguas, aqui estou; não afastarei o rosto ao meu Pai, nem há motivos para virar as costas. Não quero que haja falha da minha parte, depois que o vosso Filho, em meu nome, deu esta minha vontade, oferecendo a vontade de todos os homens’. 

O que me toca primeiramente são as primeiras palavras: a medida da capacidade de levar a cruz grande ou pequena é do amor. Esta (aludindo a cruz peitoral) é fácil de se levar, é até muito bonita, mas aquela cruz que não se vê, leve ou melhor, aquela cruz que não se vê, grande ou pequena, é a do amor. Quem ama não reclama.

Padre, recentemente, ouvimos sobre o suicídio de um padre;  os números apresentam 2017 e 2018 quase 20 padres se suicidaram. Querido Padre, não viva sozinho, não queira carregar sua cruz  na solidão, mas na comunhão,  junto com seus colegas padres, compartilhando, abrindo o coração.  Não se tranquem!  Não se isolem porque senão o peso da cruz se torna insuportável. Isto vale também para os fiéis leigos e leigas.

Quando nos isolamos, a cruz se torna insuportável, juntos ela fica mais leve, mais suportável e se lembrem sempre: se a cruz estiver pesada, vier sofrimento, não blasfemem, não reclamem, não desanimem, não desistam.

Como disse Santa Tereza:  peça forças, para suportar. Glorifico a Deus pelo ano que passou. Graças a Deus, nos momentos que a cruz pesou sobre meu ombro de bispo, não me faltou uma Igreja orante, na Comunhão, no trabalho.

Sozinho eu não dou conta, mas com a Igreja, com todos, a cruz ficou bem mais suportável e olhemos para a frente: temos Conselhos a solidificar, Estatutos a aprovar, muito a melhorar, muito, com certeza, formações e tantas outras coisas, mas nada vai dar certo se o amor não crescer em nosso coração.

Muito, muito temos pela frente. Escrevi apenas o primeiro capítulo com vocês. Continuemos a escrever uma bonita e memorável história de amor. 

É preciso evangelizar, fortalecer os Pilares da Evangelização. Que venha a Assembleia Diocesana no Tempo de Deus, para que o Pilar da Palavra, para que o Pilar do Pão da Eucaristia, para que o Pilar da Caridade, para que o Pilar da Ação Missionário não fiquem só no Documento azul da CNBB, mas que esteja no coração de cada um, no sangue que corre em nossas veias.

Palavra, Pão, Caridade e Missão! Eis a razão da nossa caminhada, as luzes que nos iluminam em meio a esta escuridão.

A pandemia está aí e nos desafiou. Vamos devagarzinho e vencendo para dias melhores, juntos, sempre juntos e jamais sozinhos, carregando solidariamente a cruz de cada dia que aponta para o alto, para o Pai e para baixo,  desceu à mansão dos mortos, que aponta a horizontalidade, o Espírito Santo que conduz a história: Pai, Filho e o Espírito Santo.

Quando você fizer o sinal da cruz, na próxima vez, lembre-se: Pai Nosso que estais no céu, lembre-se do despojamento da ‘kenosis’, do movimento ‘kenótico’ de Jesus, desceu à mansão dos mortos, mas não se esqueça de que é o Espírito Santo que conduz a história e que conduz a Igreja! Amém! Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!”

Ao final da Celebração, Pe José Geraldo proferiu uma mensagem a Dom Otacilio:

Dom Otacilio, em nome da Pastoral Presbiteral e com alegria, que queremos homenageá-lo e rendermos graças ao nosso bom Deus, pelo um ano do seu Ministério em nossa Diocese de Guanhães.

Há mais de um ano rezávamos pedindo a Deus que nos ajudasse a continuar a nossa história rumo a novos horizontes.

Aos poucos, com o seu jeito , o senhor vem nos cativando. Homem de fé, com profunda espiritualidade; faz poemas com os momentos difíceis da vida. Este é o nosso pastor!

Conte conosco, seus colaboradores na missão em que foi confiada nesta Igreja particular que necessita muito do senhor e do zelo de pastor.

Que Maria Santíssima, Mãe das Vocações e São Miguel Arcanjo intercedam junto ao Deus Pai copiosas bênçãos  sobre o seu Ministério! Parabéns!

Dom Otacilio encerrou dizendo : 

Agradeço as palavras carinhosas de Pe José Geraldo e quero retribuir virtualmente, abraçando quem está em casa e quero que cada  padre se sinta abraçado, que pelo protocolo não podemos fazê-lo, mas o desejo do abraço é mais forte  que o próprio abraço!

Padres, fiéis cristãos leigos e leigas, religiosas, seminaristas ; todo povo de Deus presente ou em suas casas, na Diocese ou em outros lugares sintam-se abraçados e, carreguemos as nossas cruzes! Se vierem os sofrimentos, peçamos coragem e forças! Sigamos em frente!

     

Revisão: Mariza Pimenta 

Fotos: Eliana Alvarenga.

AÇÃO DA IGREJA NA ESCOLA PÚBLICA: “PARA EDUCAR UMA CRIANÇA É NECESSÁRIA UMA ALDEIA INTEIRA”

Entre os dias 11 e 12 de setembro ocorreu o XX Encontro Nacional da Pastoral da Educação. O evento foi realizado on-line, com transmissão pelo YouTube, devido à pandemia causada pelo novo coronavírus. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação, promoveu com educadores de todo o país um debate sobre a ação da Igreja na escola pública.

Neste tempo de pandemia, milhares de estudantes enfrentam dificuldades para realizar os estudos na educação básica. Muitos Estados construíram estratégias, a partir do ensino remoto, para garantir que os índices de evasão não se intensifiquem e o direito à aprendizagem não seja negado aos estudantes brasileiros. Mas isso não é suficiente. A pandemia acentuou as desigualdades educacionais no país. Há alunos que avistaram o percurso educativo sendo interrompido por falta de recursos educacionais e tecnológicos que viabilizem o acesso ao conhecimento escolar.

O Anuário Brasileiro da Educação Básica aponta que, desde 2012, o número de jovens que concluem o Ensino Médio tem crescido, mas o país ainda não atingiu a meta de 85% prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Em 2019, 71,1% dos jovens estavam matriculados na última etapa da educação básica. Mas as desigualdades relativas à raça/cor, renda e localidade os empurram para fora das unidades de ensino antes de concluírem os estudos. Os dados confirmam que 674,8 mil estão fora da escola. A realidade mostra que a pandemia fez esse número crescer de forma linear.

Como a Igreja pode se fazer presente nesse cenário? Há muitos cristãos leigos presentes na escola pública. Muitos profissionais da educação atuam, inclusive, na ação pastoral católica. Iniciar um diálogo com os educadores sobre o cotidiano escolar já seria um passo importante; ouvir as dificuldades enfrentadas pelos estudantes para concluírem a educação básica, o passo seguinte. Assim, outras questões apareceriam no contexto da vida eclesial e da comunidade escolar. O XX Encontro Nacional da Pastoral da Educação reacende o debate sobre o valor da escola pública e a luta por uma educação de qualidade social.

Está na hora de iniciar uma conversação sobre a valorização dos professores, violência na escola, ausência da família no processo educativo, a precariedade das estruturas físicas escolares, os cortes de verbas na educação, a estagnação das metas do PNE, a reforma do Ensino Médio etc. Ver a Igreja tomando uma iniciativa assim é um sinal muito positivo. E é o Papa Francisco quem, ao convocar nações, igrejas, religiões, governos, desperta a Igreja para compreender a educação como um bem comum e um direito universal.

Luís Carlos Pinto

Professor de educação básica

Amados e perdoados para amar e perdoar – XXIV Domingo do Tempo Comum do Ano A

A Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A), trata do tema do perdão.
Contemplamos a Face de Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida. Feitos à Sua imagem, somos convidados a amar na mesma medida, sobretudo na vivência do perdão.

A lógica do Amor de Deus muitas vezes nos questiona, desestabiliza, pois é totalmente contrária à lógica humana, por vezes movida pelo rancor, ressentimento.

À luz da primeira leitura do Livro do Eclesiástico (Eclo 27,33-28,9), aprendemos a arte de viver bem e sermos felizes, contemplando a Sabedoria Divina que está acima de toda e qualquer sabedoria; revendo nossas posturas e atitudes.

A comunidade cristã, segundo a Carta de Paulo aos Romanos, há de ser o espaço do aprendizado e da vivência desta lógica do amor – a comunidade tem que ser o lugar do amor, superando quaisquer atitudes de intolerância, incompreensão, despeito pela diversidade e uniformidade pela fé.

A passagem do Evangelho (Mt 18,21-35) traz uma verdadeira catequese sobre a Misericórdia de Deus: o Perdão Divino é ilimitado e universal  e se contrapõe a mesquinhez humana.A provisoriedade da vida e a morte nos fazem repensar e rever nossos conceitos, sentimentos e ressentimentos. A vida é breve, por que guardar rancores e ódio? A consequência é dor, sofrimento, estresse…

urge que a comunidade aprenda a perdoar as ofensas e viver a compaixão. Uma vez experimentado o Perdão Divino devemos expressá-lo mutuamente no perdão humano.

Superar a lógica do olho por olho, dente por dente e eliminar quaisquer posturas de vinganças, rancor e ódio. É preciso ter um coração não endurecido, não violento e não agressivo.

Perdão que não é jamais sinônimo de conivência e pacto com a mediocridade. Perdão é ir ao encontro do outro possibilitando reconciliação, novas atitudes, novos caminhos.

Perdão dado e recebido é sinal de uma vida nova, relacionamento novo, pacto de alegria, reencontro, superação, crescimento, amadurecimento.

Perdão jamais poderá ser entendido também como a permissão e persistência contumaz no pecado. Perdão exige esforço e empenho de mudança, sem o que esvaziaremos uma das palavras mais bela do cristianismo.

O amor na prática do perdão é nosso mais belo distintitivo. Quantas vezes da Divina Fonte do Amor e Perdão, Jesus, ecoaram Palavras de misericórdia, perdão!

Em Sua missão e até na Sua consumação no alto da Cruz – “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem…” e ao ladrão arrependido –“ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Perdão não é também sinônimo de passividade, alienação, conformismo, covardia e indiferença. Perdoar é estar sempre disposto a ir ao encontro daquele que nos ofendeu, estendendo a mão, abrindo o coração, recomeçando o diálogo, abrindo janelas (se não conseguir de imediato as portas), darmos, enfim, nova oportunidade…

É preciso recordar e dar conteúdo ao que rezamos no Pai Nosso – “Perdoai-nos, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…”

Perdoados sempre por Deus devemos ter a mesma atitude para com o outro, do contrário seremos instrumentos da prática dos “dois pesos e duas medidas”.

Devemos carregar as marcas de quem perdoa: compreensão, misericórdia, acolhimento, amor, o desejo de ver o outro melhor.

Santo Agostinho, pensando no pecado de Judas Iscariotes, assim escreveu: “Se ele tivesse orado em nome de Cristo teria pedido perdão, se tivesse pedido perdão teria esperança, se tivesse esperança teria esperado na misericórdia e não teria se enforcado desesperadamente”.

São Máximo de Turim nos fala também da maravilha do perdão e o que podemos esperar do Amor de Deus: “se o ladrão obteve a graça do paraíso, por que o cristão não há de obter o perdão?”.

Reine na comunidade o amor, o respeito pelo outro, a aceitação das diferenças, a partilha e o perdão. Nela precisa haver o discernimento, para que não nos percamos em discussões de coisas secundárias esquecendo o que é essencial:

Discutimos se se deve receber a comunhão na mão ou na boca, se se deve ou não ajoelhar à consagração, se determinado cântico é litúrgico ou não, se os Padres devem ou não casar, se a procissão do santo padroeiro da paróquia deve fazer este ou aquele percurso… e, algures durante a discussão, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos à volta do mesmo Senhor. É preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide.”

Finalizando, perdão é eterno recomeço e aprendizado, se nos faltarem palavras e coragem de pedir perdão e de perdoar coloquemo-nos prolongadamente e silenciosamente diante do Coração trespassado do Senhor, a Divina Fonte de Misericórdia. Contemplemos Seu Coração terno, pleno de Amor e perdão, mansidão, doçura, ternura e bondade…

Quanto mais soubermos amar e perdoar, mais felizes o seremos. Podemos perdoar porque antes fomos amados e perdoados.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em http://peotacilio.blogspot.com/2020/09/amados-e-perdoados-para-amar-e-perdoar.html

” A caridade é a plenitude da Lei” – Homilia -XXIII Domingo do Tempo Comum Ano A

“A caridade é a plenitude da Lei”

“O amor não faz nenhum mal contra o próximo.

Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.” (Rm 13,10)

Com a Liturgia do 23º Domingo do Tempo comum (Ano A), refletimos sobre a nossa responsabilidade para com nosso próximo.

É inadmissível ao discípulo missionário do Senhor ficar indiferente de tudo que possa ameaçar a vida e felicidade do outro, de modo que é preciso viver a corresponsabilidade.

Na passagem da primeira Leitura (Ez 33,7-9), o Profeta Ezequiel é apresentado como uma sentinela, colocado por Deus, sempre atento ao Projeto Divino, alertando a comunidade para os perigos que a cerca.

“O Profeta é um homem do seu tempo, mergulhado na realidade e nos desafios da sociedade em que está integrado; conhece o mundo e é capaz de ler, numa perspectiva crítica, os problemas, os dramas e as infidelidades dos seus contemporâneos.” (1)

O Profeta recebe de Deus o mandato da missão, e torna-se um sinal vivo do Amor de Deus pelo Seu povo:

“Deus que o chama, que o envia em missão, que lhe dá a coragem de testemunhar, que apoia nos momentos de crise, de desilusão e de solidão… O Profeta/sentinela é a prova de que Deus, cada dia, continua a oferecer ao Seu Povo caminhos de salvação e vida. O Profeta/sentinela demonstra sem margem para dúvidas, que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.” (2)

Reflitamos:

– Como vivemos a missão profética que recebemos no dia de nosso Batismo?

– Qual o tempo que dedicamos para o encontro com Deus na Oração, para falar com Ele, ouvir e meditar a Sua Palavra?

– Quais são as situações do mundo em que vivemos, que, à luz da fé, exige que vivamos a missão profética?

Na segunda Leitura (Rm 13,8-10), o Apóstolo Paulo nos exorta a colocar no centro da vida cristã o Mandamento do Amor, uma dívida que jamais será plenamente saldada.

É preciso orientar a vida pelo Mandamento do Amor, porque cristianismo sem amor se torna uma mentira, e como cristãos jamais podemos deixar de amar nossos irmãos.

Em nossa experiência cristã somente o amor é essencial, e as demais coisas são secundárias.

O amor está no centro de toda a nossa experiência religiosa. No Mandamento do Amor, resume-se toda a Lei e todos os preceitos. Os diversos Mandamentos não passam, aliás, de especificações da exigência do amor. A ideia de que toda a Lei se resume no amor não é uma ‘invenção’ de Paulo, mas é uma constante na tradição bíblica (Mt 22,34-40).” (3)

A comunidade tem sempre à frente um desafio: multiplicar as marcas do amor, diminuindo, ou melhor ainda, eliminando toda marca de insensibilidade, egoísmo, confronto, ciúme, inveja, opressão, indiferença, ódio.

Esta dívida do amor nos pede sempre algo novo para com o próximo:

“Podemos, todos os dias, realizar gestos de partilha, de serviço, de acolhimento, de reconciliação, de perdão… mas é preciso, neste campo, ir sempre mais além.

Há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher; há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer; há sempre mais um sorriso que podemos partilhar; há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Sobretudo, é preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca está concluída.” (4)

Na passagem do Evangelho (Mt 18,15-20), Jesus nos ensina que o caminho para a correção fraterna não passa pela humilhação ou condenação de quem tenha falhado.

É imperativo o diálogo fraterno, leal, amigo, precedido e acompanhado da vivência do Mandamento do Amor, que é nosso distintivo como discípulos do Senhor.

Toda comunidade tem suas tensões e problemas de convivência, e Jesus nos apresenta os caminhos que precisamos percorrer para a superação dos mesmos.

Sejamos Profetas/sentinelas do Reino, envolvidos e acolhidos pela Misericórdia divina, vivenciando-a concretamente em gestos de acolhida e perdão, para que nossas comunidades sejam mais fraternas e credíveis da presença do Senhor Ressuscitado.

Aprendamos o caminho que Jesus nos propõe: ser misericordioso como Deus é misericordioso, buscando nossa perfeição e santificação e também de nosso irmão e irmã. E para tanto, a vivência do Mandamento do Amor é a máxima expressão de nossa fé no Senhor, e de nosso compromisso como discípulos missionários do Reino que Ele inaugurou.

O caminho é longo! Iluminados pela Palavra divina e revigorados pelo Pão da Eucaristia, continuemos passo a passo, sem jamais desistir.

(1) (2) (3) (4) – cf. www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Retorno às Missas com participação presencial parcial – Paróquia São Miguel e Almas/ Guanhães

Devido à pandemia chamada Covid-19 causada pelo vírus Corona Vírus e pelas orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde), recomendou-se o distanciamento social, com fechamento de escolas, mercados, cancelamentos de eventos, estímulo ao teletrabalho, evitando-se aglomerações de pessoas. Assim sendo, A CNBB  recomendou às Comunidades paroquiais e diocesanas fecharem suas portas para as celebrações, reuniões , encontros de formação. Na Diocese de Guanhães, após Comunicado do sr bispo Dom Otacilio Ferreira de Lacerda, todas as atividades que promoviam agrupamentos de pessoas foram suspensas. Reuniões, encontros de formação , orações, reflexões e Missas passaram a ser realizadas com número mínimo de pessoas e transmitidas ao vivo por emissoras de Rádios locais , Whatsapp, Messenger, Facebook e outros.  Na Catedral São Miguel , missas celebradas diariamente e transmitidas em tempo real desde o dia 20 de março/2020, presididas por Dom Otacilio; por  Pe Hermes , pároco da paróquia São Miguel e Almas e por Pe Adão Soares Sousa , pároco das paróquias Nossa Senhora Aparecida- Pito/ Guanhães e Nossa Senhora do Porto.

A partir de 30 de agosto de 2020, seguindo as decisões das autoridades municipais e as orientações do Decreto Municipal, retornaram-se as Missas com participação presencial parcial dos fiéis (30% da capacidade da Catedral), com oferta de mais horários de celebrações durante a semana; três aos domingos e uma aos sábados.

Na dia 29/08 dia que antecedeu o retorno Dom Otacilio escreveu e publicou em seu blog o seguinte texto

Depois de um longo tempo…

“As comunidades eram perseverantes na Doutrina dos Apóstolos,

na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração”

(At 2, 42-45).

Amanhã, retomaremos às Missas com participação presencial parcial, observando as  necessárias restrições e limitações que o momento exige, no cuidado de si e do outro.

Protocolos a serem observados se somarão às rubricas necessárias, que garantam a beleza da celebração, e também a graça de  estarmos juntos e podermos celebrar.

Não verei o sorriso e a pureza do olhar das crianças, bem como  muitos rostos com suas marcas, rugas e cabelos prateados, sinal de uma vida na graça e no temor de Deus vivido.

Não veremos todos os bancos tomados, como é praxe acontecer, mas com certeza, se considerarmos que outros tantos conosco de casa participando, não há bancos que a todos possamos acolher.

Não nos saudaremos, tão pouco nos abraçaremos, mas a alegria do reencontro falará mais alto, porque há muito não nos víamos ao redor das Mesas Salutares da Palavra e da Eucaristia.

Amanhã, veremos o brilho no olhar, e que antes parecia impossível e distante, agora, aos poucos, começa a se tornar uma doce e sonhada e tão desejada realidade.

É uma etapa a ser vivida, acolhida com amor, prudência e paciência, e que esperamos, num breve tempo transcorrido, podermos nos reencontrar, e todos juntos, na alegria e fé celebrar.

Amanhã… (Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em seu blog:   ( http://peotacilio.blogspot.com no dia 29/08/2020)

 

 

 

Paróquia Nossa Senhora da Glória acolhe Pe Derci

BENDITO É AQUELE QUE VEM EM NOME DO SENHOR!
Hoje nossa comunidade se rejubila em receber o nosso novo Pastor, ao mesmo tempo em que presta o agradecimento ao Rev. Pe José Martins, pelo seu zelo apostólico e pastoral para com essa porção do povo de Deus, da Diocese de Guanhães, presente em Divinolândia de Minas.
Querido D. Otacilio, nós, da Paróquia Nossa Senhora da Glória, elevamos louvores ao Bom Deus pela vida do senhor e de nosso novo Pastor, que será a extensão da sua presença em nosso meio.
Excelentíssimo Pai, nossa comunidade de fé foi erigida com a dignidade de Paróquia no dia 28 de março de 1891, pelo bispo de Diamantina/MG, D. João Antônio dos Santos, no pontificado de Leão XIII. Percebe-se que temos uma longa história, construída de sorrisos e de tristezas, mas com o percurso traçado com a ternura do Bom Jesus. Ele é quem sempre tem-nos assistido com Bons Pastores no decorrer da caminhada evangelizadora dessa paróquia centenária. Grande Pai, temos a consciência das limitações de cada sacerdote da nossa diocese, que é tão nova, mas tão rica em carismas. Somos-lhe gratos, Dom Otacílio, por olhar para essa porção do povo de Deus com carinho, e nos ter enviado um pastor para assistir o rebanho do Divino.
Ao Reverendíssimo Padre Derci, queremos em primeiro lugar destacar o sentido etimológico da palavra PADRE. Essa palavra deriva do latim que significa Pater, que é o mesmo que Pai quando se traduz para o português. Reverendo, “esse é o dia em que o Senhor fez para nós,” e estamos alegres, jubilosos e esperançosos com sua chegada.
“Padre Sorriso”, sua posse é no dia memorável do Martírio de João Batista, que preparou o caminho para a chegada do Messias e testemunhou o amor de Deus com fervor. A primeira leitura extraída do livro do Profeta Jeremias (Jr 1,17-19) vem nos dizer que Deus está conosco e que ele protege o seu eleito na missão. Como som de uma citara, podemos imaginar o toque suave da melodia do salmista no (Sl 70) que, em suas estrofes, nos diz que Deus é o seu apoio. Também nós queremos dizer, querido Padre, que Deus será seu apoio em toda sua caminhada. A liturgia desse 22° Domingo do tempo comum, sobretudo a primeira leitura, vem dar continuidade à leitura do profeta Jeremias, em que ele deixou-se seduzir por Deus. Assim, por meio de seu apostolado, queremos em cada Missa nos sentir seduzidos por Deus, ver Jesus na Eucaristia, ver Jesus no seu testemunho. Amado Padre, nossa comunidade de fé também tem suas feridas e anseia por seu acolhimento e carinho, por seu olhar de pastor que cuida de suas ovelhas e se compadece delas .
Por conseguinte, nossas pastorais e movimentos, bem como toda comunidade, deseja trilhar uma caminhada espiritual com seus ensinamentos os quais nos ajudem a sentir procurados pela sede de Jesus, que não é uma sede de água, mas, maior: sede de alcançar as nossas sedes, de entrar em contato com nossas feridas humanas e paroquiais. Sendo assim, se faz pertinente lembrar da carta de são Tiago, que destaca que a fé sem obras é uma fé morta, tal como nossa fome não é só de pão, nossa sede não é só de água. A sede, querida Padre, é a roda do oleiro onde Deus nos molda, é o interior das mãos amorosas de Deus buscando esperançosamente formas novas para dizer a vida; é a pele de Deus tocando o vaso que somos. Amado sacerdote, constatar com a nossa sede não é uma operação fácil, mas sem ela a vida espiritual perde aderência à nossa realidade, por isso precisamos de sua ajuda.
Obrigado pelo seu sim, padre Derci! Nossa paróquia te acolhe com amor e entusiasmo. Fazemos votos que o senhor seja muito feliz entre nós, pois a pessoa do padre no altar é a pessoa do próprio Cristo, que se reveste do Cristo para nos dar o Cristo.

Seminarista Anderson Alves
2° Ano da Configuração (Teologia)

Sejamos fortalecidos no carregar da Cruz! Homilia do XXII Domingo Tempo Comum Ano A

A Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano A) traz um convite que a muitos assusta e desaponta: “A loucura da Cruz”. No entanto, se quisermos ser discípulos do Senhor não há outro caminho, senão o caminho da Cruz.

Somos, portanto, convidados a rever o grande sinal que nos identifica, o Sinal da Cruz, que tantas vezes fazemos, e por vezes sem pensar no que o gesto implica: carregar a Cruz com fé, coragem e fidelidade como ponte necessária para a eternidade. Sem Cruz não há como conceber e alcançar a eternidade.

Mais uma vez nos deparamos com a necessária decisão: a lógica do mundo – dominação, poder, sucesso – ou a lógica de Deus – o caminho do amor, doação, fidelidade e Cruz, que é o amor até as últimas consequências.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 20,7-9), temos as “confissões de Jeremias”. A sua vocação vivida enfrentando sofrimentos, solidão, maledicência, perseguição, cárcere, e também acusado de traição. Sofrimentos suportados por que coração seduzido e inflamado pelo Amor divino.  Ao realizar a vocação profética é chamado de “profeta da desgraça”.

Jeremias sentiu os apelos irresistíveis da Palavra, impulsionando à ousadia e confiança, num contexto social e político extremamente difícil. Ele por tudo que viveu e pelo compromisso com Deus assumido foi o “grito de um coração humano dolorido”, apenas curado pela Caridade Divina.

O profeta não é profeta por livre escolha, mas por desígnios divinos. Cada tempo precisa de profetas, de Jeremias que se apaixonem pela Palavra de Deus e Seu Projeto de vida, justiça e paz para todos. Cada tempo urge a necessidade de profetas que encontrem na Palavra Divina um fogo devorador. Somente assim viveremos intensamente nosso Batismo.

O testemunho de Jeremias questiona nossa coragem, fidelidade, ousadia, no trilhar do caminho profético:

– Teremos nós mesma sedução e coragem?

– Nossa “boca” é a boca que proclama sem medo o Projeto Divino?

Se amamos apaixonadamente a Palavra de Deus, sem dúvida.

O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura (Rm 12,1-2), séculos mais tarde, outra grande história de um coração extremamente apaixonado e seduzido por Deus, exorta-nos a assumir atitudes coerentes com a fé que professamos, tornando nossa vida um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando ao mundo que vivemos, mas configurando-nos com o Senhor e Seu Evangelho, oferecendo a vida inteiramente a Deus.

O Apóstolo insiste que o culto que Deus espera de nós é uma vida vivida no amor, no serviço, na doação em entrega total a Deus e aos irmãos.

Com a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 16,21-27) somos desafiados a trilhar o caminho da Cruz, o caminho da entrega incondicional a Deus e do dom da vida colocada, por amor, a serviço, à luz das intervenções e inquietações do Apóstolo Pedro dirigidas ao Divino Mestre, Jesus.

O discípulo de Jesus não deve buscar o sofrimento pelo sofrimento, porém se eles vierem, desde que não sejam sofrimentos sem causa, o seguidor de Jesus sabe que este não pode prescindir da Cruz, sabe que está sujeito a perseguições, sofrimentos, incompreensões. Mas jamais será um sofredor sem causa. Sua causa é a paixão pelo Reino, que o faz irremovível.

O discípulo de Jesus sabe que “Quem busca um Cristo sem Cruz, acabará encontrando uma Cruz sem Cristo”; assim também, sabe que se quiser descomplicar seu existir terá que fazer da sua vida uma doação ao outro. Tudo se torna menos difícil quando nos colocamos no caminho do amor, da fidelidade, doação e serviço ao outro.

Nossa cruz torna-se suportável, seu peso mais leve, porque Ele mesmo já dissera – “Vós que estais cansados, vinde a mim porque meu fardo é leve e meu jugo é suave” (Mt 11,28-30).

Finalizando, Jeremias, Paulo, Pedro e outros tantos, muito nos ensinaram no caminhar da fé.

Reflitamos:

– O que nos ensinam no caminhar da fé?

– O que precisamos rever em nossa vida, pensamentos, palavras e ações para que melhor correspondamos aos desígnios de Deus?

– O que fazer para que nossa vida seja um culto agradável ao Senhor?

– Como estamos carregando nossa Cruz de cada dia?

– Quais as renúncias necessárias?

O discípulo de Jesus tem que renunciar a si mesmo, oferecer sua vida por amor,  colocando-se à serviço do Reino; discernindo, entre as coisas, os bens que passam que devem ser utilizados, e os bens eternos que devem para sempre ser abraçados.

O discípulo sabe que, como disse o Bispo Santo Tomás de Aquino, “O menor bem da graça é superior a todo bem do Universo”.

 Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/08/sejamos-fortalecidos-no-carregar-da.html

O Senhor nos envia em missão – Homilia do XXI Domigo do Tempo Comum do Ano A

O Senhor nos envia em missão

Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre dois temas fundamentais da vida cristã: Cristo e a Igreja, a partir da pergunta de Jesus: “Quem sou Eu para vós?”.

A passagem da primeira Leitura do Profeta Isaías (Is 22,19-23), apresenta-nos um  episódio doméstico da vida do palácio é retratado pelo Profeta Isaías.

O Profeta, homem culto, decidido, enérgico, embora participando das decisões relativas à condução do reino, fala com autoridade aos altos funcionários do palácio e reis; mas sem apoiar as classes altas, de modo que os seus maiores ataques são dirigidos aos grupos dominantes, autoridades, juízes, latifundiários, políticos, mulheres da classe alta que vivem num luxo escandaloso.

O episódio refere-se a Shebna, que será substituído de suas funções de administrador do palácio e substituído por Elyaquim, exatamente porque o primeiro talhou para si um sepulcro, no alto, e cavou para si, na rocha, um mausoléu (Is 22,16). Gastou dinheiro do povo em futilidades num momento difícil.

Elyaquim recebe as chaves do palácio. Importante ressaltar o simbolismo das chaves, porque como mordomo do palácio, entre outras atividades, administrava os bens do soberano, fixava a abertura e o fechamento das portas e definia quais os visitantes a introduzir junto do soberano.

Podemos fazer aqui um paralelo com as chaves confiadas a Pedro por Jesus, na passagem do Evangelho, como veremos.

Pedro tem a autoridade, e com isto deve ser um pai para aqueles sobre quem se tem responsabilidade e promover o bem de todos, com solicitude, amor e justiça.

Oportuno para refletirmos sobre o exercício do poder que se traduz num serviço à comunidade, com solicitude, bondade, compreensão, tolerância e misericórdia. Jamais se pode colocar os interesses próprios acima dos interesses do bem comum.

O serviço da autoridade não é uma questão de poder, mas de amor: impensável o exercício de cargos de responsabilidade, e na vida da comunidade, ministérios e serviços se não for decididamente guiado pelo amor.

Esta é a lógica que deve nortear o poder civil, assim como nos âmbitos da comunidade que professa a fé no Senhor Jesus.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 11,33-36), o Apóstolo Paulo eleva a Deus um hino de louvor, exaltação do desígnio salvador de Deus, que possui toda riqueza, sabedoria e ciência (v.33).

Como o Apóstolo, fiquemos abismados diante deste Deus e nos entreguemos com toda confiança em Suas mãos, acolhendo humildemente Sua Palavra e seguindo, com simplicidade e amor, o caminho que Ele nos propõe.

Mergulhar na infinita grandeza de Deus, abismados na contemplação de Seu Mistério, precedido pela reflexão e reconhecimento de Sua riqueza, sabedoria e ciência, nos possibilitará ver Deus, não como um concorrente, mas como um Pai cheio de amor; e, assim, afastar de nós toda autossuficiência e orgulho, e corresponder com gratidão aos tantos dons com os quais nos enriquece.

Na passagem do Evangelho (Mt 16,13-20), podemos falar em duas partes: a primeira mais cristológica: Jesus é o Filho de Deus; e a segunda mais eclesiológica: sobre a missão confiada por Jesus a Pedro, a missão da Igreja.

Jesus interrogando sobre a Sua identidade não quer medir a Sua quota de popularidade; ao contrário, é para tornar as coisas mais claras para os discípulos, para uma consciente adesão; e, assim, confirmá-los na missão, confiando a Pedro em primeiro plano, esta missão de conduzi-los, por isto lhe são entregues as chaves do Reino para ligar e desligar.

Este é o real simbolismo da entrega das chaves, mencionado na reflexão da primeira Leitura: Jesus nomeia Pedro para administrador e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar Suas palavras, bem como de adaptar os ensinamentos às novas necessidades e situações, e de acolher ou não novos membros na comunidade.

Também nós somos interpelados por Jesus: “Quem sou Eu para vós?”.

A resposta deve contemplar a realidade: alguém que é mais do que um homem, um ídolo, um revolucionário, uma pessoa de sabedoria incomum…

A nossa resposta tem que ser a de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”.

Ele é o esperado, que traz vida para o tempo presente e todo tempo; e mais que isto, para a eternidade.

Somos convidados, na renovação de nossa fé, a fortalecer nossa pertença à Igreja, revigorando a dimensão profética e missionária de nossa fé, sem desânimos, fraquezas e esmorecimentos.

Como discípulos missionários do Senhor, abismados pelo Amor de Deus, a quem glorificamos e tributamos toda honra, glória, poder e louvor, porque possui toda ciência, riqueza, poder, sabedoria, continuar o caminho que iniciamos no dia de nosso Batismo.

Bem falou o então Papa Bento XVI sobre este convite de renovação do encontro pessoal com Jesus Cristo, quando tomamos a decisão de nos deixar encontrar por Ele, de procurá-Lo dia a dia sem cessar:

−“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”  (cf. n. 7 da EG).

Mais que uma resposta, renovação e adesão e fortalecimento para a missão de discípulos missionários, para que construamos uma Paróquia com um rosto novo, em contínua conversão, para que seja comunidade de comunidades, em que se sacia do Pão da Palavra, da Eucaristia e da Caridade.

“No nosso mundo, onde tudo aparece sempre provisório e discutível, uma caminhada de fé, sólida precisa de uma referência clara. Por isso, o serviço de Pedro e dos seus sucessores é preciso e deve ser acolhido como uma dádiva.” (1)

Oremos:

Pai Santo, fonte de sabedoria,

no testemunho humilde do Apóstolo Pedro

Colocastes o fundamento da nossa fé.

Concedei a todos os homens e mulheres, a luz do Vosso Espírito,

Para que, reconhecendo em Jesus de Nazaré,

O Filho do Deus vivo, se tornem pedras vivas

Para a edificação da Vossa Igreja. Por N.S.J.C.Amém.

PS: Fonte de pesquisa – www.Dehonianos.org/portal

(1) Lecionário Comentado – p. 183

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/08/o-senhor-nos-envia-em-missao-xxitdca.html

Maria nos ensina o caminho para o céu – Homilia Dominical – Assunção de Nossa Senhora

 

Celebramos no dia 15 de agosto, a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria, um dos dogmas da Igreja, decretado por PIO XII em 1950, e a fim de que toda a Igreja celebre, esta é transferida para o Domingo próximo.

No Magnificat, temos a certeza de nossa vitória também: disponibilidade, serviço, confiança, alegria, esperança, humildade, sonhos e compromissos com o Reino renovados.

Na passagem da primeira Leitura (Ap 11,19; 12,1.3-6a.10ab), contemplamos Maria como imagem da Igreja, que  tem a missão de, mesmo na dor, no Mistério Pascal, gerar um mundo novo.

Por isto Maria participa da vitória de Cristo sobre todo o mal e sobre a própria morte.

Maria assunta é a figura da Igreja, tanto a celestial, como a que caminha gerando a luz de Cristo para o mundo, prefigurando a vitória final com Cristo, por Ele e n’Ele.

O Dragão mencionado é o símbolo do mal, do poder do mundo, e a mulher representa o Povo de Deus, a Assembleia reunida para a Eucaristia. Há a anteposição de Cristo a Satanás.

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 15, 20-26.28), Jesus é o novo Adão e Maria é a nova Eva, sinal de esperança para toda a humanidade.

Reconhecemos o lugar eminente  da Mãe de Deus no grande movimento da Ressurreição do Senhor.

Na passagem do Evangelho (Lc 1,39-56), contemplamos Maria cheia do Espírito Santo, Ela que é a primeira comunicadora de palavras de fé e esperança – “doravante todas as gerações me chamarão de bendita…”. É o cântico da esperança dos pobres e humildes…

Maria proclama que Deus cumpriu uma tríplice derrubada de situações humanas falsas, restaurando a humanidade na salvação:

No campo religioso, a derrubada da autossuficiência humana, da soberba; no campo político, a derrubada dos poderosos e a exaltação dos humildes; no campo social, a despedida dos ricos e a promoção da verdadeira partilha, solidariedade e fraternidade.

Aprendamos com Maria os caminhos da Oração, pois ela guardava e meditava tudo em seu coração: os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, tantos outros momentos citados no Evangelho e, sobretudo, o Mistério da Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

É preciso que ponhamos os nossos passos nos passos de Maria, e com ela também digamos a Deus que tudo seja feito em nós segundo a Sua Palavra.

Se na visitação Maria leva Jesus ao mundo, na sua dormição/Assunção, é Jesus quem a leva junto de Si e a contempla com a coroa da glória.

A meditação do Magnificat nos ensina a rezar por Maria, com Maria e como Maria. A autêntica devoção Mariana nos leva a Jesus, porque ela foi levada por Ele. Deste modo, se levarmos a Boa-Nova de Jesus ao mundo, também por Ele seremos levados à glória dos céus.

É sempre oportuno e enriquecedor refletir sobre os “três segredos” da felicidade que Maria nos revela, e o quanto ela é a perfeita realização das virtudes teologais:

FÉ: – “Eis a serva do Senhor” – o segredo da fé sem falha, em perfeita conformidade à vontade divina;

ESPERANÇA – “Nada é impossível a Deus” – incondicional confiança em Deus em tudo e em todos os momentos, favoráveis ou adversos;

CARIDADE – “Maria pôs-se a caminho apressadamente” – a caridade e a disponibilidade missionária para servir e comunicar o Amor e a presença de Deus.

Maria continua sendo a figura exemplar para todo o cristão porque vive em plenitude uma vida normal.

A sua vida simples, marcada pela generosidade, no silêncio, são ensinamentos para que vivamos a fé em nossos ambientes, “fazendo extraordinariamente bem aquelas coisas ordinárias de nossa vida”.

Concluo com uma profissão de fé:

Cremos que Maria foi acolhida na glória celeste por Jesus Ressuscitado, que está sentado à direita do Pai, e sobre a cabeça de Sua mãe coloca a coroa de doze estrelas.

Cremos que, com a Assunção de Maria, se dá o nascimento para a plenitude da vida, associada à Ressurreição de Jesus. 

Cremos que Deus quis que Jesus tivesse Sua Mãe junto de Si para ficar bem perto de nós, numa grande comunhão e desejável proximidade.

Cremos que, no coração de Maria, as coisas do Céu encontraram pleno espaço. Sendo assim, como no céu não ter e não encontrar espaço para sua totalidade: corpo e alma?

Cremos que Maria no céu é glorificada, e esta também deve ser a nossa meta. Imitemos suas virtudes para adorarmos em Espírito e Verdade o seu Filho, fazendo tudo o que Ele nos disser.

“Ave Maria, cheia de graça…”

 Dom Otacilio F.de Lacerda

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