Eliana Alvarenga

Ser cristão no 3º milênio – Dom Dom Walmor

Impacta sempre, e muito, a fugacidade do tempo. Nada tem força para deter a voracidade do tempo, que passa inexoravelmente. Só o horizonte da eternidade, para aqueles que têm a fé no Filho de Deus – Salvador e Redentor da humanidade – consola e é certeza da vitória definitiva sobre a fugacidade do tempo. As abordagens filosóficas e antropológicas sobre o tempo carregam riquezas preciosas, lições que, aprendidas, qualificam o existencial humano e dá ao tempo que passa sentido consistente. Desenham o horizonte de uma vida marcada para o desabrochamento que a eterniza

Buscar uma qualificada razão para viver é dinâmica intrínseca da condição humana, com incidência não apenas no cotidiano de indivíduos, mas em toda a sociedade. Neste momento em que se completam duas décadas deste terceiro milênio, exercício indispensável é uma avaliação pessoal capaz de identificar quais mudanças são necessárias à própria vida. Com os instantes que transcorrem, marcados por incontáveis e impactantes avanços tecnológicos, torna-se urgente conceber equivalentes progressos humanísticos e espirituais, tão necessários a este tempo.

A realidade se sobrepõe a qualquer argumento ao demonstrar que os importantes avanços tecnológicos e cibernéticos são insuficientes para garantir qualidade de vida a todos. A base para a evolução da humanidade alicerça-se em pilares humanísticos e espirituais, que devem fazer frente a diferentes ideologias – linhas de pensamento que deterioram valores éticos e morais, resultando em graves prejuízos para todos. A perda desses valores gera intolerância, permissividade, desrespeito e desfiguração de identidades – de indivíduos e instituições – produzindo diferentes formas de violência.

É preciso buscar o que está faltando para reverter as dinâmicas que deterioram a vida humana, pois as duas primeiras décadas deste terceiro milênio ainda não ofereceram sinais de melhoras dos males que marcaram o século XX. Os processos educativos formais, até mesmo nos grandes centros acadêmicos e científicos, não estão dando conta de promover ampla qualificação humanística, com incidências transformadoras na realidade. Há, pois, nesse campo, insubstituível meta, que deve ser assumida por todos: promover e reconhecer a preciosidade da vida humana, razão pela qual o Verbo de Deus se fez carne e veio morar entre nós, para salvar a humanidade.

Todos têm responsabilidade nessa missão de promover os princípios éticos e morais. De modo especial, é tarefa dos cristãos superar disputas entre si, com ou sem razões confessionais, no sentido de oferecer ao mundo uma fonte inesgotável de valores humanísticos: a Palavra de Deus, que tem força para combater o relativismo defendido por ideologias, com a troca de certos princípios por uma liberdade ilusória. Ouvir e acolher o Evangelho produz frutos e qualifica a interioridade humana. Buscá-lo é atitude essencial para fazer da terceira década deste milênio bem mais do que simplesmente um tempo promissor.

Na escuta do Evangelho, vale dedicar-se de modo especial ao Sermão da Montanha, com a sua força transformadora. Quem busca essa Palavra coloca-se diante de Deus, em atitude de escuta que faz reverberar o sentido de fraternidade solidária, a partir da consciência de que todos são filhos de Deus. Ouvir a Palavra causa impacto, é uma experiência que permite aprender misticamente a imprescindível lição que vem do coração de Deus. “Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. O cristão tem, pois, uma grande contribuição a oferecer nesta corrida contra o tempo: partilhar os valores do Evangelho neste terceiro milênio.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Regional Leste II promove curso do IRPAC e formação de novos coordenadores paroquiais

A Comissão para Animação Bíblico-Catequética do regional Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) da CNBB em parceria com a PUC Minas e o Instituto Regional de Pastoral Catequética (IRPAC) promovem entre os dias 06 a 18 de janeiro uma especialização em Catequética. O curso de regime intensivo terá a participação de 110 alunos e será realizado na Casa de Retiros São José (Av. Itaú, 475, Dom Bosco – Belo Horizonte, MG).

Neste ano, a pós-graduação não abriu turma para adesão de novos alunos, então serão ministradas as disciplinas que correspondem ao segundo, terceiro e quarto módulos.

De acordo com a coordenadora da Comissão de Catequese do Regional Leste 2, Lucimara Trevizan, o objetivo principal do curso é qualificar o trabalho das coordenações diocesanas de catequese. “Os alunos vão poder refletir sobre a prática catequética à luz das orientações da Igreja e dentre outros aspectos conhecer as novas perspectivas e linguagens, sobretudo na cultura urbana e digital”, esclarece. As aulas serão de segunda-feira a sábado das 8h às 17h30. No período noturno haverá uma programação específica com oficinas, palestras, debates e cine-fórum. Cada módulo do curso terá conteúdos específicos da grade da PUC Minas.

Formação de novos coordenadores

Durante os dias 08 e 13 de janeiro, o IRPAC também realizará um curso para formação de Novos Coordenadores Paroquiais de Catequese, promovido à pedidos dos coordenadores diocesanos de catequese de Minas Gerais e Espírito Santo. Serão 45 coordenadores de 19 dioceses irão participar do curso.

Lucimara explica que normalmente leva-se um ano para preparar novos coordenadores de catequese. “A ideia é oferecer uma formação intensiva e aprofundada com duração de 42 horas/aula”, completa. “Com o curso será possível oferecer orientações concretas para o processo de iniciação à vida cristã nas comunidades e paróquias e propor uma catequese mais vivencial e criativa”, finaliza a coordenadora da Comissão de Catequese do regional Leste2.

A quantidade de alunos será: – Módulo II – 30 ,  Módulo III – 31, Módulo IV – 36, Formação com novos coordenadores paroquiais de Catequese – 45 alunos (19 dioceses representadas).

Segue abaixo, a Programação completa. Este módulo Módulo IV é a primeira turma a concluir o curso na nova grade de conteúdos.

O Módulo IV haverá 2 dias com Moisés Sbardeloto (Catequese na era digital), pesquisador sobre evangelização e internet.

MÓDULO II – Tema: Perseverança, paciência e mansidão

Abertura: Dia 06/01- 19h30                                            Monitores:  Conceição e Gustavo 

Dias Disciplinas Professores Noite
 

07 – S

 

 

Catequese e Iniciação à Vida Cristã

Rodrigo Ladeira Celebração Eucarística

(Módulo III)

Encaminhamentos/ 4ª SBC

 

08 – T

 

Catequese e Iniciação à Vida Cristã

Rodrigo Ladeira Debate sobre artigos lidos ao longo do ano
 

09- Q

 

Catequese narrativa

 

Ir. Zuleica Silvano A arte de comunicar

(oficina)

 

10 –Q

 

Catequese narrativa

Ir. Zuleica Silvano  

Contação de Histórias

(oficina)

 

11 – S

Catequese e Liturgia  

Pe. Vanildo de Paiva

 

E o Verbo se fez rede

Moisés Sbardeloto

 

12 – S

Catequese e Liturgia  

Pe. Vanildo de Paiva

 

Celebração Eucarística

(Módulo II)

Confraternização

 

13 -D

 

Dia Livre Dia Livre Cine Fórum
 

14- S

Catequese e Liturgia  

Pe. Vanildo de Paiva

O Cenário atual – CF/2019
15 – T  

Catequese e Iniciação à Vida Cristã

Marlene Maria Silva Noite livre
16 – Q Fé e Seguimento  

Edward Neves M.B.Guimarães

 

Música, Mística e Poesia

Tom de Minas

17 – Q Fé e Seguimento Edward Neves M.B.Guimarães

 

Celebração Eucarística

(Módulo IV)

18 – S  

Catequese e Iniciação à Vida Cristã (experiências)

 

Marlene Maria Silva Término às 12h

MÓDULO III –  Tema: Alegria e sentido de humor

            Abertura: Dia 06/01- 19h30                            Monitores:  Pe. Lucio e Pe.Marlone 

Dias Disciplinas Professores Noite
 

07 – S

 

 

Catequese na Igreja Particular

 

Marlene Maria Silva

 

Celebração abertura

Módulo III

Encaminhamentos/ 4ª SBC

 

08 – T

 

Metodologia da Pesquisa Científica

 

Lucimara Trevizan

 

Oficina Bíblica

 

9- Q

 

Dimensão Eclesial da Catequese

 

Pe. Jean Poul Hansen

 

 

Oficina de Cinema

 

10 – Q

 

 

Dimensão Eclesial da Catequese

 

 

Pe. Jean Poul Hansen

 

 

A arte de comunicar

 

11 – S

 

Metodologia da Pesquisa Científica

 

Lucimara Trevizan

E o Verbo se fez rede

Moisés Sbardeloto

 

12 – S

 

Catequese na Igreja Particular

 

 

Marlene Maria Silva

Celebração Eucarística

Módulo II

 

13 – D

 

 

Dia livre

 

Dia Livre

Cine-Fórum
 

14- S

 

Catequese e Pluralismo cultural e religioso

 

Edward Neves M. B. Guimarães

O Cenário atual – CF/2019
15 – T  

Catequese e Pluralismo cultural e religioso

 

Edward Neves M. B. Guimarães

Catequese e novas mídias

(oficina)

16 – Q  

 

Catequese e educação dos afetos

 

 

Pe. Geraldo de Mori sj

 

Música, Mística e Poesia

Tom de Minas

 

17 – Q

 

 

Catequese e educação dos afetos

 

 

 

Pe. Geraldo de Mori sj

Celebração Eucarística

Módulo IV

 

18 – S

 

Catequese e educação dos afetos

 

 

 

Pe. Geraldo de Mori sj

 

Término às 12h

Tema: Ousadia e ardor-  Abertura: Dia 06/01- 19h30              Monitora:  Ana Angélica

Dias Disciplinas Professores Noite
 

07 – S

 

 

Catequese e itinerário espiritual

 

Pe. Luiz Eustáquio Santos Nogueira

 

Celebração abertura

(Módulo III)

Encaminhamentos/ 4ª SBC

 

08 – T

 

Catequese e itinerário espiritual

 

Pe. Luiz Eustáquio Santos Nogueira

 

Apresentação de trabalhos

 

9- Q

 

Formação de catequistas

 

Lucimara Trevizan

 

Apresentação de trabalhos

10 – Q  

Catequese com adultos

 

Vanildo de Paiva

 

Oficina de Cinema

 

11 – S  

A catequese na era digital

 

Moisés Sbardeloto

 

E o Verbo se fez rede

Moisés Sbardeloto

 

12 – S  

A catequese na era digital

 

Moisés Sbardeloto

Celebração Eucarística

(Módulo II)

 

13 – D

 

 

Dia livre

 

Dia livre

Cine-Fórum
14- S  

Formação de catequistas

 

Lucimara Trevizan

O Cenário atual – CF/2019
15 – T  

Planejamento e projetos catequéticos

 

Leo Marcelo Plantes Machado

Catequese com pessoa com deficiência
 

16 – Q

 

Planejamento e projetos catequéticos

 

Leo Marcelo Plantes Machado

Música, Mística e Poesia

Tom de Minas

 

17 – Q

 

Catequese com jovens

 

Gustavo Ribeiro

Celebração Eucarística

(Módulo IV)

18 – S  

Catequese com jovens (crisma)

 

Lucimara Trevizan

 

Término às 12h

  Formação com novos coordenadores paroquiais de catequese

    Abertura: Dia 08/01- 19h30                                                 Monitora: Fatinha e Pe. Marlone                                   

Dias Disciplinas Professores Noite
 

9- Q

 

Catequese e Iniciação à Vida Cristã

 

 

Marlene Maria Silva

 

Oficina de Contação de Histórias

 

10 – Q  

Bíblia e Catequese: indicações metodológicas

 

 

Assunção Rocha

 

Oficina “Catequese e Liturgia”

Pe. Vanildo de Paiva

11 – S  

Organizar e planejar a catequese

 

 

Marlene Maria Silva

 

E o Verbo se fez rede

Moisés Sbardeloto

12 – S  

O caminho iniciático com crianças, jovens e adultos

 

Lucimara Trevizan

 

Celebração Eucarística

 

13 – D  

Catequese na era digital

 

 

Carla Regina Miranda

Encerramento às 12h

 Conteúdos das disciplinas:

 Catequese e Iniciação à vida Cristã (8 horas/aula)

O que é iniciar alguém na fé cristã (não nascemos cristãos, tornamo-nos cristãos). A metodologia do processo catecumenal. Elementos de uma catequese de inspiração catecumenal. A centralidade da Palavra e do querigma (anúncio de Jesus Cristo).

Organizar e planejar a catequese (8 horas/aula)

Organização da catequese. O perfil da coordenação de catequese; liderança compartilhada. Planejamento como ato de fé. Passos do planejamento catequético; como elaborar projetos catequéticos. Mística e missão da coordenação de catequese: animar, cuidar e conduzir a mudança.

O caminho iniciático com crianças, jovens e adultos  (8 horas/aula)

A vivência da fé da criança, jovens e adultos e a iniciação à vida cristã. Orientações para o conteúdo da catequese conforme as idades e situações. 

A Bíblia na catequese (8 horas/aula)

A questão metodológica e a criatividade no uso do texto bíblico na catequese.

A catequese na era digital (4 horas/aula)

A Catequese e a geração NET – Desafios da catequese na era digital – Catequese e redes sociais – O uso de novas mídias no processo catequético.

 Que Deus   ilumine os cursistas, professores e Comissão nesta importante missão na Formação Catequética no Regional Leste 2. 

 

 

Ortodoxia e ortopatia

 

A sociedade contemporânea, já tão ferida por graves descompassos, não pode confundir visíveis situações patológicas com o bem. No conjunto dessas situações, estão aqueles que se acham defensores da “verdade absoluta” e, por isso mesmo, distanciam-se da Verdade, que é Deus Misericordioso. Assim se configuram os radicalismos e as polarizações, o ataque a pessoas e a instituições, os grupos que se acham no direito de tirar a vida do outro em nome daquilo em que acreditam. Mentes doentias, que necessitam recuperar a sanidade, a inteireza moral e afetiva.

O surgimento de dinâmicas messiânicas perigosas, agrupamentos que se percebem como “donos da verdade” e com o direito de julgar os outros em nome da fé, mesmo sem a mínima competência, revela uma urgência: investimentos humanísticos e espirituais para que todos se compreendam como irmãos uns dos outros, filhos e filhas de Deus. Essa compreensão é necessária para que cada pessoa faça a diferença, agindo a partir de valores ético-morais coerentes com o Evangelho de Jesus Cristo.  A sociedade não pode permanecer indiferente diante de um progressivo e generalizado adoecimento que está corroendo a condição humana.

É preocupante o desvario verificado nos mais variados segmentos sociais, institucionais e, também, no contexto religioso. Situações que merecem ser conhecidas em suas complexidades, a partir da contribuição de diferentes campos do saber – antropologia, filosofia, sociologia, teologia e tantos outros. Avaliações a partir de referências à ortodoxia e à ortopatia são caminho promissor para conhecer e mudar essa realidade. O conjunto de sentimentos e paixões (pathos) é elemento fundante e determinante da condição humana – saudável ou doentia. Tem uma fortíssima influência na dimensão racional. Pode gerar, assim, desvios de conduta e doenças, a partir tanto da dinâmica da rigidez quanto do laxismo.

O conceito de ortodoxia, diferentemente do que pensa o senso comum, não serve apenas para denotar posturas enrijecidas. Define a desafiadora interpretação correta de uma verdade, como crença ou dogma. O funcionamento correto da capacidade humana de conhecer a realidade é fundamental para qualificar as relações interpessoais e também para o desenvolvimento de instituições, em estreita fidelidade à sua natureza e missão. A ortodoxia requer processos cognitivos que naveguem nas águas do sentido da verdade, sem manipulações ou adaptações que se tornem, consequentemente, negação de valores e princípios. Mas essa fidelidade não pode significar “estreitar a verdade” a partir de mentalidades e posturas. Eis, pois, a importância do que se define por ortopatia:  o cultivo correto de sentimentos, de modo coerente com a espiritualidade, a transcendência e a fé.

Uma permanente urgência é investir em ortodoxia e ortopatia, para evitar confusões, os enrijecimentos que levam pessoas a fazerem justiça com as próprias mãos, resultado de descompassos afetivos e cognitivos. Esses desajustes adoecem pessoas e a própria sociedade. São obstáculos para ações solidárias e impedem que cada pessoa se reconheça como filho de Deus, o Pai de todos. Não há mudança social sem investimentos no desenvolvimento humano-afetivo. As contribuições da política são indispensáveis, as indicações sociais têm seu lugar e o horizonte cultural influencia determinantemente esse desenvolvimento. Mas há algo que é fundamental: a experiência espiritual – que não pode ser confundida com fanatismo ou mera religiosidade. Trata-se da experiência mística de buscar Deus, que ilumina a condição humana.

Para a fé cristã, a qualificada espiritualidade é a experiência do encontro pessoal com Jesus, sentido forte do tempo do Advento, preparação para o Natal. Um antídoto para a ortodoxia que vira rigidez e instrumento de condenações e demonização dos outros, algo incompatível com a requerida ortopatia. Só a autêntica espiritualidade pode livrar a contemporaneidade dos fundamentalismos e polarizações, dos novos totalitarismos e ódios devastadores. Somente a vivência de uma qualificada mística, coerente com o Evangelho, pode evitar que a ortodoxia seja instrumento para criar divisões, substituindo a ortopatia por graves delinquências. Sejam todos coerentes com os ensinamentos de Cristo, que vem ao encontro da humanidade, como seu Salvador e Redentor, para vivenciarem a espiritualidade de modo autêntico e fecundo.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Gente boa… é Natal!

“Deus fez-se pequeno para nos tornar grandes; quis ser envolvido em paninhos para nos livrar das cadeias da morte; desceu à terra a fim de que pudéssemos subir ao Céu!”

(Sto. Ambrósio)

No calendário da historia humana escrevemos o dia do nascimento de Deus: É Natal! Sim, o Natal é o aniversário de Deus na história. Proclamamos que Ele foi concebido por obra e graça do Espírito Santo, gerado não criado. Na carne é filho de Maria e de José, da descendência real de David. Quanta ousadia ao proclamarmos que Deus é gente como nós!

Deus foi ousado por primeiro e anunciou pela voz do profeta: “Um menino nasceu para nós! Ele recebeu o poder em seus ombros e será chamado: Conselheiro maravilhoso, Deus forte, Pai sempiterno, Príncipe da paz”(Is 9,6) Assim, em Jesus, o eterno faz-se carne, o transcendente desce a terra, o grandioso apequena-se, o infinito encontra abrigo no seio de uma mulher. Divino e humano, tempo e eternidade se encontram… E Deus veio habitar no meio de nós!

E essa ousadia continua! A novidade que Deus traz é questão de vida ou morte para o mundo! O nascimento de Jesus promove o fim de todas as tristezas, ansiedades e angústias. Pede que se superem as adversidades, as lutas fraticidas, tudo quanto possa colocar em risco a vida, motivando nosso agir na construção de um mundo melhor.

Deus nunca desiste de nós! A Encarnação de Jesus é cumprimento da sua promessa de salvação. E agora, qual será a nossa resposta? Naquilo que nos corresponde, precisamos assumir a atitude disponível de José e de Maria, acolher o Deus que vem e partilha-Lo como bem maior que deve ser dado à luz. Toda vez que Jesus é acolhido, por palavras e atitudes, o Natal se renova.

Façamos acontecer o Natal, aqui e agora! O Brasil vive um novo tempo com o novo governo que terá início no dia 01 de janeiro. O voto foi dado na confiança e, agora, os eleitos precisam ser monitorados para que sejam cumpridas as promessas feitas. E não vejo maneira melhor de nos afirmarmos cristãos, aqueles e aquelas que têm Jesus como o Senhor de suas vidas, senão sendo corresponsáveis na construção do Reino de Deus. Ou seja, concretizando relações novas baseadas na justiça, no amor, na fraternidade, no comprometimento sincero com a organização da “casa comum”, a nossa Pátria.

A sinfonia do Natal desafina se for festa de alguns privilegiados, pois o Menino-Deus nasce para todos e nos traz a Paz!

Nesse sentido, a paz virá verdadeiramente com o fim da pobreza extrema em todas as suas formas: o acesso à assistência médica, à educação e à energia para todos, à água e ao esgoto tratados, à melhoria das estradas; a redução das desigualdades e um desenvolvimento econômico inclusivo; a promoção do emprego estável e do trabalho digno; consumos e produções sustentáveis; a salvaguarda dos ecossistemas… Só assim caminharemos de fato rumo a sociedades justas e, consequentemente, mais pacíficas.

Queira a paz! Promova a paz! Viva a paz!

Santo Natal e próspero Ano Novo, repletos das bênçãos de Deus,

para você e sua família!

São os votos de Dom Darci José , Arcebispo de Diamantina e Administrador Apostólico de Guanhães e de todos os sacerdotes!

 

Festa de Nossa Senhora da Conceição – 315 anos da chegada da Imagem e reabertura da Igreja Matriz em Conceição do Mato Dentro

Nos dias 29 de novembro a 08 de dezembro de 2018, os fiéis da paróquia Nossa Senhora da Conceição em Conceição do Mato Dentro/MG com alegria e fervor acompanharam   a programação da Festa de Nossa Senhora da Conceição – 315 anos da chegada da Imagem e reinauguração da Igreja Matriz.

Dos dias 29/11 a 07/12 aconteceu a Santa Missa, no Santuário e após a Novena preparatória.

Na manhã do sábado, 8 de dezembro,  iniciou-se pela manhã com repiques de sinos, queima de fogos e toque da banda de Música, café comunitário, Momento Mariano com Coroação de Nossa Senhora, Solene Procissão saindo do Santuário, Solene Entrega das chaves da Igreja Matriz, Abertura da Igreja Matriz , Celebração da Dedicação da Igreja.

 A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Diamantina e administrador apostólico da Diocese de Guanhães, Dom Darci Nicioli e concelebrada por Pe João Evangelista, pároco dessa paróquia e alguns padres da Diocese de Guanhães.

A igreja, que estava fechada desde 2005, foi totalmente restaurada, resgatando as características da sua construção, que levou quase 100 anos para ser concluída.

As festividades foram encerradas com a Santa Missa de Nossa Senhora da Conceição às 19h na Igreja Matriz.

Mais fotos em https://www.facebook.com/DioceseDeGuanhaes/?ref=settings

 

Encontro Diocesano de Catequese assessorado por Pe Vanildo de Paiva em Guanhães

Conforme cronograma de atividades da Catequese Diocesana, aconteceu na sexta-feira, dia 26 de 18 às 21h e no sábado, 27 de outubro de 8 às 17h , em Guanhães, o encontro cujo tema foi Iniciação à Vida Cristã com inspiração catecumenal e foi assessorado por Pe Vanildo de Paiva, sacerdote da Arquidiocese de Pouso Alegre – MG, onde coordena a Comissão Arquidiocesana para a Liturgia. É mestre em Psicologia e assessor para formação de lideranças, sobretudo nas áreas de catequese e liturgia. Escreveu livros publicados pela Paulus Editora, entre os quais se destaca “Catequese e Liturgia: duas faces do mesmo Mistério”. É professor do IRPAC – Curso de Especialização em Catequética, do Regional leste II. Participaram do encontro, coordenadores de catequese, coordenadores de outras pastorais e movimentos da diocese e alguns padres.

Pe Vanildo iniciou dizendo que já era um bom caminho ver pessoas de lugares e pastorais diferentes reunidos, pois é esperança de que já há indícios de que já se tem noção que a Iniciação à Vida Cristã  representa uma urgência em nossa Igreja, e é de responsabilidade de todos. Prosseguindo, fez um breve resumo  do conteúdo do Documento 107: No capítulo 1- Jesus e a Samaritana. Todos nós, sem exceção, somos carentes da Água viva. Somente em Jesus Cristo podemos encontrar as respostas para as nossas inquietações. São muitas as nossas aflições, mas existem outros mais aflitos do que nós, que estão com suas “ânforas” completamente vazias tornando-se a Iniciação Cristã urgente. O capítulo 2 nos convida a ver e a aprender com a história e com a nossa realidade, a perceber as luzes e as sombras dos nossos dias e o confronto com a postura de Jesus. Não devemos olhar a vida da varanda, mas entrarmos  nela.

 O capítulo 3 nos leva a discernir como Igreja. Catecumenato o que é? Para quê? Uma olhada nos primeiros séculos, como funcionava e trazer para os tempos de hoje. O Capítulo IV propõe caminhos que é a partir da experiência do  encontro verdadeiro com Jesus.  Ele lembrou o número 287 do Documento de Aparecida sobre a IVC: Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo para um verdadeiro seguimento ou não estamos cumprindo a nossa missão evangelizadora. Há muita preocupação com a catequese. Fazer catequese não é comunicar uma teoria. O evangelizador comunica uma experiência com as crianças e não deve ser conteudista.  A prioridade da catequese é com os adultos. Jesus abençoava as crianças e catequizava os adultos e às vezes a Igreja tem feito o contrário.

No tempo de Jesus, Ele  olhou , suspirou e disse: Coitados! São ovelhas sem pastor. Sem pastor, as ovelhas ficam sem rumo, não têm perspectiva de vida. Diante disto Jesus escolheu os doze e os enviou, porém antes de ser missionário, é preciso ser discípulo, aprofundar a fé para que chegue ao coração e vire prática. Temos que nos sensibilizar com situações como as da África, mas temos que ver e sentir o drama das tantas ovelhas sem pastor do nosso lado. Por isto a IVC é urgente. Ser uma  Igreja em saída! Ir até as periferias existenciais. Quem são eles? Os drogados, os depressivos que estão com seus vasos secos, vazios… A igreja entende como tempo de germinação. Igreja começa com um grupo pequeno. Estamos de novo na mesma situação. Um mundão ao nosso redor. O bom pastor agora, deixa uma e vai atrás das noventa e nove perdidas porque há muitas pessoas envernizadas no evangelho; a boa Nova não chegou ao coração.

Somente quem faz o encontro verdadeiro com  Jesus , abastece sua ânfora com a água viva , passa a ser seguidor, discípulo e depois missionário, pois para ser missionário precisa ser discípulo primeiramente. Não se pode ficar na teoria, tem que ir para o coração para se tornar prática. Precisamos buscar o exemplo de nosso papa Francisco com a sua catequese tão inspiradora e com sua prática, seguir seu exemplo, uma igreja acolhedora em saída, com leveza e agilidade. Estamos vivendo em um mundo líquido. Tudo é provisório! Precisamos fazer dos desafios, oportunidades, daí a urgência de um sólido projeto de iniciação para gerar não cristianistas, mas cristãos autênticos, verdadeiros e comprometidos através da união das pastorais para assumir a tarefa iniciática.

Outras reflexões foram realizadas com o grupo: Iniciação hoje e os elementos de uma catequese de iniciação cristã com inspiração catecumenal e pistas para um projeto da IVC  (paroquial e diocesano). Pe  Vanildo levou o grupo a pensar que só seremos credíveis ao mundo , quando sairmos de nossos templos para as periferias existenciais de nossos tempos, anunciando com nossa vida a mensagem salvífica que assimilamos e que nos faz homens e mulheres novos. Fazer com arte o que se propõe a fazer.

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PARÓQUIA SÃO MIGUEL E ALMAS DA DIOCESE DE GUANHÃES- MG CELEBRA SEU PADROEIRO REZANDO E REFLETINDO TEMAS SOBRE O ANO NACIONAL DO LAICATO

De 21 a 29 de setembro, quando fazemos memória ao anjo São Miguel, os cristãos leigos, durante os nove dias rezaram em louvor ao padroeiro e também puderam  refletir sobre o tema do   Ano Nacional do Laicato, através dos textos escritos e organizados para todos os dias, pelo pároco padre Hermes Firmiano Pedro. A Novena envolveu os cristãos leigos e leigas de todas as pastorais e movimentos da paróquia.

O objetivo foi “apoiar e incentivar a vida e a ação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade”, conforme propõe o Documento 105 da CNBB: Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz no Mundo (Mt 5,13-14) para 2017-2018, que “retoma e aprofunda a participação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade”.

Discutiu-se a programação em reuniões com o pároco, com a equipe que realiza as atividades da festa e com representantes das pastorais e movimentos. Concluíram que a participação efetiva da família seria um dos objetivos para os dias da novena. Sendo assim, envolvendo os catequizandos, envolveria toda a família. E deu certo! Catequistas, mães e pais se empenharam e “fizeram bonito”! Belas apresentações e homenagens! Muita catequese! É disso que estamos precisando!

A celebração eucarística em todos os dias da novena e as apresentações preparadas pelos catequistas encorajaram os cristãos a participar também da quermesse.

Novidade para este ano foram as transmissões ao vivo pela internet. Agentes da PASCOM SÃO MIGUEL e PASCOM DIOCESANA se empenham, semeando a Boa Nova de Jesus mundo a fora, interagindo com irmãos e irmãs que estão em outras cidades, em outros países.

Agradecimentos a Dom Marcello Romano, a Dom Darci José Niciole, ao padre Hermes e aos padres que conosco celebraram a Festa do Padroeiro da paróquia e da Diocese de Guanhães.

Nossa missão laical não termina aqui; a celebração da Solenidade de Cristo Rei em 2018 será um marco importante na vida dos cristãos leigos e leigas.

Que são Miguel interceda a Jesus por nós para que sejamos “Sal da Terra e Luz do Mundo”, colocando a “mão na massa”, agindo  “até que tudo esteja fermentado” (Mt, 13-33).

           

Resumo do texto refletido pelos fiéis durante a Novena do Padroeiro São Miguel Arcanjo

ORAÇÃO INICIAL PARA TODOS OS DIAS

  1. São Miguel, príncipe da justiça e da paz, ajudai-nos a testemunhar o Projeto de Deus para a humanidade, ensinando-nos a viver a radicalidade dos valores do Reino de Deus, chamando todos à decisão do seguimento e a assumirem as exigências da Missão.

T: Que a nossa comunidade seja a casa dos iniciados na fé. Comunidade evangelizada para tornar-se comunidade evangelizadora. Que possamos investir na formação das famílias, adultos, adolescentes, jovens, crianças e demais lideranças de nossas comunidades.

D: Senhor, dai-nos a graça de aceitar o chamado para sairmos do comodismo, a coragem para caminhar rumo a uma verdadeira conversão pastoral.

T: São Miguel, alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados para levar a todos o Evangelho da vida que vence a morte. Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga. Maria, Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amém.

No 1º dia “COM SÃO MIGUEL, SENDO SAL E LUZ NO MUNDO”

Esclarecimento sobre o Ano do Laicato

A Igreja no Brasil iniciou no dia 26 de Novembro de 2017, que irá até o dia 25 de Novembro de 2018, o Ano do Laicato. Tem como tema: “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino”. E como Lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”. O Ano Nacional do Laicato tem objetivo de valorizar a presença e organização dos Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na sociedade, aprofundando sua identidade e missão, espiritualidade e vocação, estimulando o testemunho de Jesus Cristo e seu reino na sociedade. O tema principal é o PROTAGONISMO do LEIGO. O termo “protagonista”, muito utilizado no teatro, quer dizer “aquele que tem um papel especial”.

A comunidade foi convidada a refletir Mt, 5.

O Ano do Laicato nos empolga e fomenta em nós uma feliz e agradável expectativa, para juntos escutarmos o que diz o Espírito Santo aos nossos corações e assumirmos a ação transformadora na Igreja e no mundo. A obra é de Deus e de todos nós”.

2º dia “COM SÃO MIGUEL, SER SAL E LUZ DO EVANGELHO NA SOCIEDADE”

Os leigos, por meio da oração e meditação da Palavra de Deus, de olhos abertos para a realidade onde vivem, são chamados a transformar as injustiças em relações de paz e amor. São convidados a refletir e valorizar sua vocação laical, sua participação na vida e missão da Igreja e sua presença cristã na sociedade.

Os leigos e leigas são os “apóstolos de Cristo” nas múltiplas realidades deste mundo e têm a missão de levar a todo lugar o fermento, o sal e a luz do Evangelho. Essa missão é grande e desafiadora!

3º dia “COM SÃO MIGUEL, ASSUMIR A IDENTIDADE ECLESIAL DE SER SAL E LUZ”

Em diversos Documentos, o Magistério da Igreja explicitou e ampliou o pensamento oficial a respeito dos leigos e leigas na vida e na missão da Igreja. O Ano Nacional do Laicato deve ser uma boa ocasião para a maior valorização dos leigos e leigas na Igreja, conforme a teologia do Concílio Vaticano II.

 Faz-se necessário ir além de certa ideia, segundo a qual a Igreja seria uma organização do clero, sendo os leigos apenas beneficiários do serviço ou do poder do clero.  

A Igreja é feita de batizados/as, de igual dignidade como filhos e filhas de Deus, agraciados pela misericórdia de Deus e pela graça da Redenção, participantes do mesmo patrimônio da fé e esperança, herdeiros das mesmas promessas de Deus. Há, sim, na Igreja, serviços e missões diversas, segundo os dons que Deus distribui para a vida da mesma Igreja e para o exercício da sua missão.

“Aos leigos compete, por vocação própria, buscar o Reino de Deus, ocupando-se das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, no meio de todas e cada uma das atividades e profissões, e nas circunstâncias da vida familiar e social, as quais como que tecem a sua existência.” (Concílio Vaticano II).

4º dia “COM SÃO MIGUEL, SER SAL E LUZ EM UMA IGREJA EM SAÍDA”

A proposta do Papa Francisco para um futuro imediato é uma Igreja em saída e um laicato em saída. “Precisamos de leigos bem formados, animados pela fé cristã, que sujem suas mãos e não tenham medo de errar, mas que prossigam adiante. Precisamos de leigos com visão do futuro e não fechados nas pequenezas da vida, mas experientes e com novas visões apostólicas”.

Estar em saída implica deixar a zona de conforto e partir em busca do Reino de Deus que se possibilita no outro, sobretudo, no irmão necessitado de alimento, dignidade e de Deus.

É um necessário resgate da graça batismal em sua tripla missão: profética, real e sacerdotal. Significa uma relação de maior maturidade e autonomia dos batizados não ordenados frente ao desafio de fermentar o Reino de Deus numa sociedade que despreza a vida, tanto humana como do conjunto da Natureza, em função do dinheiro e do lucro.

O fiel que exerce algum tipo de serviço engajado nas pastorais e ministérios, que estende a sua fé ao encontro dos mais necessitados, sem dúvida, encarna o Evangelho em todas as dimensões de sua vida.

5º dia “COM SÃO MIGUEL, INSPIRADOS A SER SAL E LUZ”

“O fiel leigo, na sua própria vida cristã e em sua atuação na Igreja, não é um mero auxiliar do bispo ou do padre. O batismo lhe dá direito e, portanto, também o dever de realizar em sua existência a ação sacerdotal de Cristo. Em qualquer estado ou condição de vida, cada pessoa na sociedade, independentemente da sua raça e cultura, tem o lugar que lhe é devido e é chamada ‘a exercer a missão que Deus confiou na Igreja’”.

Assim, o leigo faz e complementa a ação do sacerdote; ele não ministra os sacramentos, não o substitui, mas prepara os irmãos para isso.

Uma vez que o trabalho do leigo cresce hoje na Igreja, assim também a sua formação precisa ser cada vez mais esmerada. Ele não pode ensinar o que quer, mas o que a Igreja ensina. Para ser firme no cumprimento de sua missão de batizado e missionário, o leigo precisa ter uma vida espiritual sadia. 

Mais do que nunca, a Igreja precisa dos leigos no campo de batalha do mundo, pois, hoje, ela é magoada, ofendida, perseguida e tida por muitos como a culpada de todos os males. É hora de saber quem é verdadeiramente cristão, quem ama a Deus de verdade, a Jesus Cristo e a Sua Igreja.

O papel do leigo não é ficar o dia todo na igreja, mas ser fermento nos ambientes em que vive; nesses campos de vida e de atuação, ser “sal da vida e luz do mundo”. 

6º dia “COM SÃO MIGUEL, VOCAÇÃO DE SER SAL E LUZ”

Qual é, então, a vocação do leigo na Igreja? O que ele está chamado a fazer? Entender por que se faz essa pergunta atualmente já é um bom caminho andado na direção da resposta que buscamos. Parece existir na Igreja uma noção errada de que os clérigos (bispos, padres e diáconos) são os “mais importantes e os protagonistas” da Igreja.

Por sua realidade de batizados, todos os leigos não apenas estão na Igreja, mas são Igreja, são parte do corpo que tem Cristo por cabeça.

O leigo é chamado a ser discípulo missionário, participante da missão da Igreja de anunciar o Evangelho. E para isso ele precisa experimentar renovadamente que o seu encontro com Jesus é verdadeiro, a fim de anunciá-lo em primeira pessoa. Os leigos têm como vocação própria procurar o Reino de Deus exercendo funções na realidade onde vivem. Cristo os chama a ser “sal da terra e luz do mundo”. 

O leigo não desempenha uma atividade específica, ele pode atuar no mundo da política, da educação, dos meios de comunicação, da economia, da cultura, das ciências, das artes, entre outros. Sua tarefa é transformar tudo isso conforme o projeto de Jesus Cristo, auxiliando na construção do Reino de Deus e criando fraternidade. 

O Papa Francisco disse que a política anda suja porque os cristãos se afastaram dela. E pede para que dela participem. Além de ser esta presença ativa no mundo, o Espírito Santo distribui entre os leigos dons e carismas para servirem por meio dos ministérios.

“COM SÃO MIGUEL E MARIA, ACEITAR O CHAMADO DE SER LUZ E SAL”

Perseverando junto aos apóstolos à espera do Espírito, Maria cooperou com o nascimento da Igreja missionária, imprimindo-lhe um selo mariano e maternal, que identifica profundamente a Igreja de Cristo (DAp, n. 267). A reflexão sobre o perfil mariano da Igreja abre muitos horizontes e oferece luzes para maior e melhor compreensão do ser e da missão dos leigos e leigas no seio do povo de Deus. 

 Em Maria, mulher leiga, santa, Mãe de Deus, os fiéis leigos e leigas encontram razões teológicas para a compreensão de sua identidade e dignidade no povo de Deus. (DOC 105)  

Ao olhar a vocação de Maria, modelo de todas as vocações, recordamos os vários ministérios na Igreja e a presença dos leigos e leigas que são sujeitos ativos na Igreja e no mundo. Como Igreja, os leigos e leigas estão em saída para a missão.

Como Maria, o leigo e a leiga são os cristãos maduros na fé, que se dispõem a seguir Jesus com todas as consequências dessa escolha. São a força mais importante com a qual Deus conta para dar continuidade à missão de Jesus.

 Todos os batizados são evangelizadores. São chamados por Deus para testemunhar sua fé no seu ambiente específico: na família, na comunidade e na sociedade. São muitas as maneiras de testemunhar a sua fé nas estruturas da sociedade. 

Os cristãos leigos vivem o seguimento de Jesus Cristo no seu dia a dia e, como Maria, vivem a alegria deste chamado; sonham e promovem,  pela vocação assumida, a construção de um outro mundo possível.

8º dia “COM SÃO MIGUEL, ASSUMIR O PROTAGONOSMO DE SER SAL E LUZ”

Um dos documentos mais recentes da Igreja no Brasil (Doc. 105 da CNBB) vem enfatizar que os leigos e leigas são verdadeiros sujeitos eclesiais, corresponsáveis pela Nova Evangelização. Ser sujeito eclesial significa ser maduro na fé, testemunhar amor à Igreja, servir aos irmãos e irmãs, permanecer no seguimento de Jesus na escuta obediente à inspiração do Espírito Santo e ter coragem, criatividade e ousadia para dar testemunho de Cristo.

Para ser sujeito é necessário sentir-se povo de Deus, comunidade de irmãos na diversidade dos dons e ministérios. É oferecer o que tem de melhor: salgar e iluminar.

 O cristão leigo é verdadeiro sujeito eclesial mediante sua dignidade de batizado, vivendo fielmente sua condição de filho de Deus na fé, aberto ao diálogo, à colaboração e à corresponsabilidade com os pastores. Como sujeito eclesial, assume seus direitos e deveres na Igreja, sem cair no fechamento ou na indiferença.

 Ser sujeito eclesial significa ser maduro na fé, testemunhar amor à Igreja, servir aos irmãos e irmãs, permanecer no seguimento de Jesus, na escuta obediente à inspiração do Espírito Santo e ter coragem, criatividade e ousadia para dar testemunho de Cristo. 

“Nem o sal, nem a luz, nem a Igreja e nenhum cristão vive para si mesmo. Sua missão é sair de si, iluminar, se doar, dar sabor e se dissolver. Os cristãos leigos e leigas, na Igreja e na sociedade, devem ter olhares luminosos e corações sábios para gerar luz, sabedoria e sabor, como Jesus Cisto e seu Evangelho.” (Doc. 105)

Não haverá protagonismo se o leigo não assumir o Batismo, não desengavetar todos os tesouros que já possui pelos Sacramentos. Não existe protagonismo na comodidade. Não existe protagonismo com achismos. E também não há protagonismo somente de uma boa vontade.

9º dia “COM SÃO MIGUEL, SER SAL E LUZ: DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS” 

“Os fiéis leigos, precisamente por serem membros da Igreja, têm por vocação e por missão anunciar o Evangelho: para essa obra foram habilitados e nela empenhados pelos sacramentos da iniciação cristã e pelos dons do Espírito Santo.” (São João Paulo II)

Deixar este protagonismo engavetado é o mesmo que receber um grande tesouro e enterrá-lo. Enterrá-lo com o medo do mundo ou com a comodidade dos que não querem compromisso. 

Sem dúvida, a ordem de Jesus: « Ide e pregai o Evangelho » conserva sempre a sua validade e está cheia de uma urgência que não passa. Todavia, a situação atual, não só do mundo, mas também de tantas partes da Igreja, exige absolutamente que se preste uma obediência mais pronta e generosa à Palavra de Cristo.

Todo o discípulo é chamado em primeira pessoa; nenhum discípulo pode eximir-se a dar a sua própria resposta. 

Hoje a Igreja deseja viver uma profunda renovação missionária; há uma forma de pregação que nos compete a todos como tarefa diária: é cada um levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, tanto aos mais íntimos como aos desconhecidos.

Ser discípulo significa ter a disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus; e isto sucede espontaneamente em qualquer lugar: na rua, na praça, no trabalho e na família. 

A comunidade teve oportunidade de participar de celebração presidida por Dom Marcello Romano – filho da Diocese de Guanhães -, bispo da Diocese de Araçuaí – MG. Também Dom Darci José Nicioli, Arcebispo de Diamantina, Administrador Apostólico da Diocese de Guanhães celebrou um dia da novena.

Nas celebrações, os ministros ordenados manifestaram alegria e gratidão pela presença e atuação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, enfrentando muitos desafios na busca da transformação da realidade em que vive o país, construindo uma nova sociedade.

Posso dizer que foi um momento muito importante na vida de todos os leigos e leigas da paróquia São Miguel, de Guanhães.

Que “Maria, mãe da Igreja, cheia de fé e de graça, totalmente consagrada ao Senhor, exemplo de mulher solícita e laboriosa”, acompanhe-nos em cada dia de nossa vida. Que tenhamos a coragem de testemunhar os ensinamentos do Mestre Jesus onde estivermos, sendo “Sal da Terra e Luz do Mundo” até que “tudo esteja fermentado”, assumindo o nosso compromisso de ser fermento na massa nas comunidades em que vivemos.

Mariza da Consolação Pimenta Dupim – Equipe de articulação para criação do Conselho Diocesano dos Leigos da Diocese de Guanhães – MG

e-mail : mariza-pimenta@hotmail.com

Festa do 57º aniversário de falecimento do servo de Deus Lafayette da Costa Coelho, uma vivência de fé!

No mês de setembro, Santa Maria do Suaçuí ( MG) vive seus maiores momentos de manifestação religiosa; recebe peregrinos de diversos lugares que vêm prestar suas homenagens ao Servo de Deus – já considerado santo por muitos – e agradecer as inúmeras graças recebidas por sua intercessão.
A partir do dia 12 de setembro, inicia-se a Novena. Acontecem as caminhadas da fé, em que os fiéis levam o estandarte do servo de Deus e, em orações, saem, a cada dia, de uma comunidade local e seguem em direção ao Santuário São Miguel, onde são celebradas missas e novena . Um imenso palco é montado e vários padres da diocese de Guanhães e de outras dioceses, pastorais, ministros da Eucaristia e uma grande equipe de voluntários se unem para que os dez dias de festividades sejam marcantes para todos .Todo o evento é conduzido pelo padre Dilton Maria Pinto, vice-postulador da causa de beatificação do Servo de Deus e administrador paroquial da paróquia de Santa Maria Eterna, e que dedica-se intensamente a toda a organização, acolhida aos visitantes e animação desta grande festa religiosa.
Durante as celebrações, acontecem os relatos de milagres que são momentos de intensa emoção. O memorial e sala dos milagres que ficam no prédio ao lado ficam abertos para visitações. Há, também, o museu; casa onde morou o servo de Deus aberta ao público.
No Santuário São Miguel estão depositados os restos mortais do Servo de Deus Lafayette da Costa Coelho. Nasceu em Serro MG, em 1886, e foi ordenado Sacerdote em Diamantina (MG),em 1917. Exerceu o ministério Sacerdotal em Santa Maria do Suaçuí (MG) durante 44 anos .Faleceu em 21 de setembro de 1961. E, por esse motivo, esta data é o ápice das comemorações.
No dia 16 de setembro , o Arcebispo de Diamantina e administrador apostólico da Diocese de Guanhães , Dom Darci José Nicioli, veio à paróquia, celebrou uma missa e reafirmou a importância de todos abraçarem a causa de beatificação e trabalharem em sintonia, porque o Servo de Deus é mesmo um homem santo. Também no dia 16, chegou à cidade para as festividades, o bispo de Araçuaí, Dom Marcelo Romano,que presidiu todas as celebrações até o dia 21 de setembro.
À meia-noite do dia 20, o Santíssimo Sacramento foi exposto e fiéis estiveram em orações durante toda a noite. Todos os peregrinos foram recebidos por equipes de acolhida e com um farto café, doado pela comunidade, e servido, gratuitamente, a todos .
A partir das 5h30 do dia 21, missas foram celebradas em frente ao Santuário e também na igreja matriz. Participaram da comemoração cerca de 25.000 pessoas. Devotos do país inteiro e de diversos países através de rádios e redes sociais acompanharam, também, as festividades.
O Servo de Deus foi um homem que cativou o povo com sua fé e exemplo de humildade. Seu carisma pastoral era, principalmente, a bênção da saúde.
O processo para beatificação do Servo de Deus Lafayette da Costa Coelho continua tramitando em Roma na fase “Positio(livro de documentação necessária para a continuação do processo).
    Maria Gorete Barreiros

         

 

 

Mensagem do Papa Francisco aos participantes do II Congresso Internacional de Catequese em 22/09/2018

Caríssimos e caríssimas catequistas, bom dia!

Desejei muito compartilhar pessoalmente com vocês este momento importante em que se encontram reunidos para refletir sobre a segunda parte do Catecismo da Igreja Católica, que trata de conteúdos importantes e básicos para a Igreja e para cada cristão, a vida sacramental, a ação litúrgica e seu impacto sobre a catequese. Mons. Fisichella me informou que vocês são muitos, cerca de 1.500 catequistas e que vieram de 48 países diferentes, em muitos casos acompanhados de vossos bispos, que saúdo cordialmente. Obrigado pela presença! Obrigado pelo entusiasmo com que vivem o “ser” catequistas na Igreja e para a Igreja.

Lembro com prazer o primeiro encontro que tive com vocês no Ano da Fé, em 2013, e como lhes pedi para “ser catequistas, não trabalhar como catequistas”. Isto não! Eu trabalho como catequista porque gosto de ensinar. Mas, se você não é catequista, não vale a pena! Não será fecundo, não será fecunda! Catequista é uma vocação: ser catequista, esta é a vocação, não trabalhar como catequista. Prestem atenção! Não disse apresentar-se como catequistas, mas sê-lo, porque envolve a vida. Leva-se ao encontro com Jesus com as palavras, com a vida, com o testemunho”.

Hoje me encontro em Vilnius, para a viagem apostólica nos Países Bálticos, que foi programado há tempos. Aproveito destes instrumentos eficazes da tecnologia para estar com vocês e dirigir-lhes alguns pensamentos que considero importantes, a fim de que a vocação para ser catequistas assuma cada vez mais uma forma de serviço, realizado na comunidade cristã, e que precisa ser reconhecido como um verdadeiro e genuíno ministério da Igreja, do qual temos especial necessidade.

Penso sempre o catequista como aquele que se colocou a serviço da Palavra de Deus, que cotidianamente se alimenta dela para poder comunicá-la aos outros com eficácia e credibilidade. O catequista sabe que esta Palavra é «viva» (Hb 4,12) porque é a regra da fé da Igreja (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Dei Verbum, 21; Lumen gentium, 15). O catequista, consequentemente, não pode se esquecer, sobretudo, hoje, num contexto de indiferença religiosa, que a sua palavra é sempre um primeiro anúncio. Pensem bem nisso: neste mundo, nesta área de tanta indiferença, a palavra de vocês será sempre um primeiro anúncio, que chega a tocar o coração e a mente de tantas pessoas que esperam encontrar Cristo. Mesmo que não saibam, mas estão à espera. E quando digo primeiro anúncio, não o entendo somente em sentido temporal. Certamente, isto é importante, mas não é sempre assim. Primeiro anúncio equivale a ressaltar que Jesus Cristo morto e ressuscitado por amor ao Pai, dá o seu perdão a todos sem distinção de pessoas, se apenas abrirem seu coração para se deixarem converter! Muitas vezes não percebemos a força da graça que, até mesmo por meio de nossas palavras, toca em profundidade os nossos interlocutores e os plasma para permitir-lhes descobrir o amor de Deus. O catequista não é um professor que dá uma aula. A catequese não é uma aula; a catequese é a comunicação de uma experiência e o testemunho de uma fé que abrasa os corações, porque desperta o desejo de encontrar Cristo. Este anúncio feito de vários modos e com diferentes linguagens é sempre o “primeiro” que o catequista é chamado a realizar!

Por favor, na comunicação da fé, não caiam na tentação de desvirtuar a ordem com a qual a Igreja desde sempre anunciou e apresentou o kerigma, e que encontra guarida na estrutura do próprio Catecismo. Não se pode, por exemplo, antepor a lei, mesmo aquela moral, ao anúncio tangível do amor e da misericórdia de Deus. Não podemos esquecer as palavras de Jesus: “Não vim para condenar, mas para perdoar…” (cf. Jo 3,17; 12,47). Do mesmo modo, não se pode presumir impor uma verdade da fé, prescindindo do chamado à liberdade que esta comporta. Quem faz a experiência do encontro como Senhor encontra-se sempre como a samaritana que tem o desejo de beber uma água que não se exaure, mas ao mesmo tempo corre depressa aos habitantes do povoado para fazê-los vir até Jesus (cf. Jo 4,1-30). E’ necessário que o catequista compreenda, portanto, o grande desafio que se apresenta de educar à fé, em primeiro lugar, os que têm uma identidade cristã fraca e, por isso, têm necessidade de proximidade, de acolhida, de paciência e de amizade. Somente assim a catequese se torna promoção da vida cristã, sustento na formação global dos crentes e incentivo a serem discípulos missionários..

Uma catequese, que pretende ser fecunda e em harmonia com o conjunto da vida cristã, encontra na liturgia e nos sacramentos a sua linfa vital. A iniciação cristã exige que nas nossas comunidades se realize sempre mais um itinerário catequético que ajude a experimentar o encontro com o Senhor, o crescimento no seu conhecimento e o amor pelo seu seguimento. A mistagogia oferece oportunidades muito significativas para realizar este itinerário com coragem e decisão, favorecendo a saída de uma fase estéril da catequese, que muitas vezes afasta sobretudo os nossos jovens, porque não encontram o frescor da proposta cristã e a incidência na vida deles. O mistério que a Igreja celebra encontra a sua expressão mais bela e coerente na liturgia. Não nos esqueçamos de, com a nossa catequese, levar a acolher a contemporaneidade de Cristo. Na vida sacramental, de fato, que encontra seu cume na santa Eucaristia, Cristo se faz contemporâneo da sua Igreja: acompanha-a nos acontecimentos da sua história e jamais se afasta da sua Esposa. É ele que se faz vizinho e próximo de quantos o recebem no seu Corpo e no seu Sangue, e os torna instrumento de perdão, testemunhas da caridade para os que sofrem e participantes ativos no criar a solidariedade entre os homens e os povos. Como seria útil para a Igreja se nossas catequeses fossem marcadas em fazer acolher e viver a presença de Cristo que age e realiza a nossa salvação, permitindo-nos experimentar, desde agora, a beleza da vida de comunhão com o mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo!

Faço votos para que vivam estes dias com intensidade, para levar depois para vossas comunidades a riqueza do quanto viveram neste encontro internacional. Acompanho-os com minha bênção e, por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Obrigado.

Papa Francisco

Mensagem aos participantes do II Congresso Internacional de Catequese

Roma, 22 de setembro de 2018.

(Tradução: Marlene Maria Silva)

Observação:  Da Revista Virtual Catequese Hoje.https://catequesehoje.org.br/raizes/catequista/1568-mensagem-do-papa-francisco-aos-participantes-do-ii-congresso-internacional-de-catequese

Amado Papa Francisco

“Sem nada ter, tudo pode ser e cantar feliz”, eis a expressão de São João da Cruz que bem define a exemplar caminhada do Papa Francisco, na missão de promover a universalidade da Igreja. A partir de sua rica experiência de vida consagrada e pastoral, de sua proximidade e das palavras sempre pertinentes, o Papa Francisco nutre no coração da humanidade sinais de esperança. Assim, unem-se ao Papa multidões do mundo inteiro – clérigos, autoridades governamentais, formadores de opinião, líderes, membros de diferentes confissões religiosas, cidadãos de diferentes lugares. Todas essas vozes, a partir do pontificado de Francisco, formam um coro que canta a alegria de enxergar, no horizonte, uma “Igreja em saída”, que vai ao encontro de todos, superando molduras antiquadas para deixar brilhar a força da tradição – capaz de levar à interioridade de cada pessoa a luz do Evangelho de Jesus Cristo.

Importante reconhecer: valorizar a tradição não significa limitar-se ao apego cego a tudo o que é antigo, pois Deus, pela ação do Espírito Santo, gera sempre renovação. Zelar pela tradição da Igreja Católica é reconhecer a sua irrenunciável missão de fazer chegar a todos a luz incandescente do Evangelho. E o Papa Francisco ergue a tocha com essa luz, exercendo, com coragem e simplicidade, o seu ministério. A luminosidade do Evangelho incide sob seu rosto e permite, a cada pessoa, reconhecê-lo como sucessor do apóstolo Pedro. Por isso, o seu pontificado gera conversão, possibilitando que muitas pessoas assumam seus próprios pecados e fragilidades.

O Evangelho de Jesus Cristo, o diálogo com Deus, faz brotar no coração humano a sabedoria que permite compreender: não importam roupagens, títulos ou posições hierárquicas que, muitas vezes, garantem certas benesses e honrarias. O fundamental é cultivar uma autêntica vida cristã, um jeito de ser que é bem distante de qualquer tipo de postura egoísta. Na história bimilenar da Igreja Católica, admiráveis homens e mulheres, cristãos leigos e leigas, gente simples, mas também nomes reconhecidos – papas, bispos, padres, religiosos -, em diferentes lugares e culturas, nos mais variados momentos da história da humanidade, foram exemplares por serem autênticos cristãos. Hoje, o olhar volta-se para os que corajosamente se dedicam às frentes missionárias, chamados a testemunharem a fé no mundo contemporâneo. Liderando essa multidão de discípulos e discípulas de Cristo, está o amado Papa Francisco, que faz a cada pessoa um convite corajoso: aproximar-se mais da luz do Evangelho.

Acolher esse convite é a única possibilidade para a superação das muitas sombras, também na Igreja, em razão dos estreitamentos humanos e dos desafios do mundo atual. Há certas dinâmicas contemporâneas que estão na contramão do Evangelho. A lista é extensa, mas é importante, neste momento, dedicar atenção especial a um desses males: o moralismo perverso de certos indivíduos que, motivados por interesses pessoais e pouco evangélicos, sentem-se no direito de atacar outras pessoas. Esses indivíduos, quando criticam, não buscam promover correção ou conversão, pois são movidos pela mágoa. Em vez disso, não raramente, atacam para encobrir seus próprios limites. Adotam, pois, a estratégia de tentar destruir outras pessoas, distanciando-se da luz do Evangelho, que escancara escuridões. Quem busca seguir Jesus, nas muitas situações do cotidiano, pode gerar certo incômodo para os que, veladamente, arquitetam manobras e ilegalidades.

Para a Igreja, seguir Cristo não é opção, mas razão de existir, tarefa que se exerce dedicando-se ao mundo. É o que pede o amado Papa Francisco: uma Igreja cada vez mais servidora, muitas vezes ferida por debruçar-se, misericordiosamente, nas diferentes vicissitudes da vida humana. E o coro de vozes que se une ao Papa Francisco é muito grande. Deve crescer ainda mais, para que ninguém fique de fora. As vozes desse coro, unindo corações em um coração só, revelam que multidões cultivam a disposição corajosa de se deixar iluminar pelo Evangelho – a Tradição que é a herança intocável da Igreja. Permaneça, assim, viva a esperança de se construir um novo tempo, a partir do caminho indicado pelo amado Papa Francisco.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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