Eliana Alvarenga

Reunião na Área São Miguel

Resumo dos assuntos tratados na reunião da Área São Miguel  que aconteceu no dia nove de março.

Após a oração inicial,  padre Salomão fez a acolhida e apresentação das paróquias. Distribuiu-se  a folha com o resumo do projeto de Ação Pastoral  Diocesano,  cujo eixo é Missão. Foi discutido sobre como trabalhar, seguindo o cronograma, este tema nas paróquias,  durante este período de divulgação.  Foi observado que diversos grupos já existem nas paróquias, mas nem todos têm a consciência missionária. A evangelização em primeiro eixo é necessário e importante na vida de cada um e é vocação  de todos. Pelo Batismo,  todos deverão ser  profundamente missionários e profetas na sociedade e sem a consciência desta verdade, a missão não será autêntica. Constatou-se também que o prazo está curto  para que as ações propostas sejam executadas.

Gestos concretos para motivação:

– Fortalecimento  dos diversos  grupos já existentes, direcionando para Pastoral de Conjunto;

– Trabalhar  intensamente a espiritualidade missionária;

– Reorganizar os conselhos comunitários  de Pastoral (CPC) e Conselhos paroquiais (CPPs) com dimensão evangelizadora;

– Dia 13 de abril de 2019, dia  da próxima reunião de área,  cada paróquia vai reunir-se com seus agentes de pastoral para falar sobre o Projeto de Missão.

                                                                                 Madalena Santos

Comissão Episcopal de Pastoral do Regional Leste 2 se encontra para reunião em Belo Horizonte

A presidência do Regional Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) e os Bispos referenciais da Comissão Episcopal de Pastoral (CEP) se reuniram na manhã desta terça-feira, 26 de fevereiro, no Palácio Episcopal, em Belo Horizonte (MG), para a primeira reunião da CEP do ano de 2019. O evento contou com a presença do governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema.

Zema esteve presente na reunião para falar, principalmente, sobre as questões ecológicas e a mineração. O governador aproveitou o momento para informar que sancionou, na segunda-feira (25), o Projeto de Lei 3.676/16, estabelecendo regras mais rígidas para a atividade de mineração no Estado. “Em três anos, nenhuma barragem construída a montante existirá mais em Minas Gerais, acredito que colocamos um ponto final nesse tipo de fato que não pode mais acontecer, afirmou Zema”

A reunião contou com a presença do presidente do Regional Leste 2 e arcebispo metropolitano de Uberaba, Dom Paulo Mendes Peixoto e o secretário e bispo diocesano de Divinópolis, Dom José Carlos de Souza Campos. Representando as Comissões Episcopais, os Bispos referenciais, Dom José Aristeu Vieira (Ministérios Ordenados e Vida Consagrada), Dom José Lanza Neto (Ação Missionária e Cooperação Interclesial), Dom Gil Antônio Moreira (Comunicação e Cultura), Dom José Eudes Campos do Nascimento (Laicato), Dom José Luiz Majella Delgado (Liturgia), Dom Edson José Oriolo dos Santos (Vida e Família), Dom Marco Aurélio Gubiotti e Dom Aloísio Jorge Pena Vitral (Ação Social Transformadora). Participou ainda da reunião o secretário-executivo do Regional Leste 2, Pe. Roberto Marcelino de Oliveira.

Os demais assuntos da pauta foram as questões administrativas e operacionais do Secretariado Regional e o planejamento das próximas assembleias Regionais.

Do site da CNBB Regional Leste 2.

Reuniões nas Áreas pastorais : São João e São Miguel

Na manhã do sábado, 23, lideranças e padres das duas áreas pastorais da Diocese: Área São João –Área 1”  e Área São Miguel -“Área 4” estiveram reunidos para o encontro mensal.

A Área 1 é  composta por São João Evangelista, Paulistas, Peçanha/Cantagalo, São Pedro do Suaçuí, São José do Jacuri, Coluna/ Frei Lagonegro, São Sebastião do Maranhão, Água Boa e Santa Maria do Suaçuí/ José Raydan. Padre João Carlos de Souza é o responsável ela.

A Área 4 é composta por  Guanhães (São Miguel e N Sra Aparecida), Rio Vermelho, Materlândia, Sabinópolis, Senhora do Porto, Dores de Guanhães/ Carmésia e Ferros e é coordenada pelo padre Salomão. 

Os padres e alguns leigos da Área São João estiveram reunidos em Água Boa.

…Os representantes das paróquias pertencentes à área realizaram uma manhã de estudos e planejamento das atividades. O estudo da temática Campanha da Fraternidade(CF) 2019 foi desenvolvido pelo padre José Martins que provocou muitas reflexões no grupo sobre as políticas públicas, suas finalidades e como a igreja precisa defendê-las, em especial aos menos favorecidos e sem voz na sociedade. Os participantes diante das reflexões propuseram as seguintes ações: participar ativamente das reuniões da Câmara Municipal de vereadores, conselhos, sindicatos e outras entidades; aproveitar o tempo quaresmal e as celebrações para promover a defesa das políticas públicas; envolver a juventude no debate e defesa dessas politicas; defender a previdência social para os menos favorecidos e lutar contra propostas de reforma que mantenham privilégios de classes economicamente favorecidas e penalize os trabalhadores; resgatar o Movimento Fé e Política nas paróquias; Construir Murais com a relação das políticas públicas dentre outras ações e estratégias. Padre Dilton, apresentou as propostas e orientações para a vivência do Plano Diocesano de Pastoral que definiu como prioridade o eixo: MISSÃO. Um material está sendo elaborado pela comissão diocesana que subsidiará o trabalho dos missionários nas comunidades. Padre João Carlos, coordenador da área fez comunicações pertinentes ao grupo e apresentou o calendário para 2019.” 

Cronograma de reuniões
23/03- Santa Maria do Suaçuí.
06/04 – São Sebastião do Maranhão.
25/05 – São José do Jacuri.
27/07 – Coluna.
24/08 – São Pedro do Suaçuí.
24/09 – Peçanha.
26/10 – São João Evangelista.
23/ 11 Paulistas.

 ( Alessandro Gomes)

           

A reunião da Área São Miguel aconteceu em Guanhães, no salão da Catedral. O encontro foi assessorado por três facilitadores do MOBON – Movimento da Boa Nova de Dom Cavati/ MG: Paulo Hott, Ivan José de Amorim e Cristiano de Souza ( de Manhuaçu) .  ” A Política Pública é um espaço de participação para a busca e a garantia dos direitos. É preciso que esse espaço seja ocupado por pessoas honestas, sérias que agem a favor do bem comum, que busquem a justiça e o direito”  ” Como tem sido o nosso agir, de “povo de igreja” nas Políticas públicas? Está parecido com o agir de Jesus Cristo ou de Pilatos? Temos fiscalizado as ações governamentais, ou apenas reclamamos de longe? Se fiscalizamos, também fazemos a nossa parte?  Qual a nossa ação concreta pessoal e comunitária nesta CF 2019? E depois da Campanha? Precismos de ter os olhos na Bíblia e os pés fincados no chão, na poeira, na lama…Política Pública é a luta pelo bem comum!

 

 

 

Política, a arte do diálogo

A boa política é uma “forma eminente de caridade”, ensina o Papa Francisco.  É o caminho fundamental para se construir a cidadania, realizar obras. Uma verdade que precisa tocar o coração de todos, sobretudo dos que se candidatam e são escolhidos pelo povo para o exercício do poder. Mesmo que muitos interesses estejam envolvidos nas discussões políticas, é dever de quem representa o povo permanecer firme na defesa de seus representados, sem se deixar seduzir pelos objetivos de grupos com ambições pouco nobres. A política exige respeito a referências inegociáveis, ancoradas na liberdade e no compromisso com o bem comum. Nesse sentido, a meta de quem exerce o poder deve ser promover a dignidade humana, em profundo respeito à justiça.

A verdadeira política é arte que se vale do diálogo para encontrar as soluções mais adequadas ao bem comum, a partir da argumentação, de compreensões lúcidas sobre a realidade. Oportuno lembrar que a arte tem força para elevar a compreensão humana a novos patamares. Por isso mesmo, o exercício da política, enquanto arte, deve contribuir para que a sociedade avance  rumo a novas conquistas civilizatórias. O interesse tem que ser o bem comum. É isso o que se espera dos representantes eleitos pelo povo. E que não percam a clareza de que o parlamento, em nível federal, estadual ou municipal, é a casa do povo, onde seus representantes estão reunidos, para servi-lo. Assim, a configuração de “bancadas”, para a defesa de interesses muito particulares de alguns segmentos, não raramente contrários ao bem, à justiça e à verdade, é algo incompatível com a boa política.

O exercício do poder exige qualificado debate sobre os diferentes anseios dos diversos segmentos da sociedade, processo indispensável para a construção de entendimentos acertados. É fundamental dialogar no contexto político, com a imprescindível capacidade para reconhecer os clamores do cidadão comum, particularmente dos mais pobres. Compreende-se que ser parlamentar é tornar-se porta-voz, principalmente, dos que sofrem. Na contramão desse sentido, o exercício da representação é de duvidosa qualidade e incapaz de promover melhorias, pois, quando a política é exercida de modo equivocado, contribui para que as riquezas sejam dilapidadas a partir de crimes ambientais e humanitários, em vez de convertidas em benefícios para a vida no planeta. Seja meta dos que ocupam cargos nas instâncias do poder a promoção do desenvolvimento integral, com respeito à natureza, aos valores culturais e religiosos, dentre tantos outros.

Não é tarefa fácil exercer a boa política. Por isso, ante às complexidades e exigências, muitos se afastam dessa responsabilidade. Os estreitamentos ideológicos, por exemplo, também agravam a aversão ao universo político. Mas essas distorções só podem ser corrigidas a partir da arte de dialogar. Assim é que se vencem barreiras e se constroem entendimentos, criando novos marcos regulatórios capazes de revisar legislações inadequadas, que atendem somente a interesses pouco nobres, fontes de crimes ambientais e humanitários.

A política como arte do diálogo é capaz de elevar o exercício da cidadania, reconhecendo que o bem coletivo é a meta central a ser buscada por todos. Dialogar é dinâmica que promove correções, possibilitando aos representantes do povo atuar, cada vez mais, de modo coerente com os anseios de seus representados. Estejam todos abertos ao diálogo, sem medos, preconceitos, para que ocorram os intercâmbios necessários de ideias. Particularmente, os políticos possam ouvir instituições que mereçam respeito, por terem credibilidade e, assim, desenvolver trabalhos comprovadamente importantes para a população, especialmente para os mais pobres.

Fazer com que a política se torne, cada vez mais, a arte do diálogo, exige dos representantes do povo disposição para o exercício da humildade e da generosidade. Abertura para a escuta, sem se apegar a interesses egoístas e cartoriais. Que os políticos renovem a disposição para dialogar, evitando descompassos e, assim, permaneçam firmes na busca pelo bem de todos.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

ASSEMBLEIA ANUAL COMIRE LESTE II

Aconteceu entre os dias 15 a 17 de fevereiro, em Belo Horizonte-MG, na casa das Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora, a Assembleia Anual do COMIRE (Conselho Missionário do Regional Leste 2) da CNBB, cujo tema “Batizados e Enviados: A Igreja de Cristo em Missão”, refletindo e preparando para o Mês Missionário Extraordinário, proposto pelo papa Francisco a ser realizado em outubro de 2019.

Este encontro contou com representantes de várias dioceses e arquidioceses do Estado de Minas Gerais e Espírito Santo dentre leigos, religiosos e religiosas, seminaristas e padres. Fez-se presente Dom José Lanza Neto, da diocese de Guaxupé-MG e bispo referencial para Ação Missionária, e padre José Geraldo de Melo, da diocese de Itabira-Coronel Fabriciano e coordenador do COMIRE Leste 2.

Destacou-se uma avaliação de como estão sendo realizados os trabalhos missionários nas dioceses e arquidioceses, sobretudo na articulação do COMIDI, IAM, JM, COMISES, COMIPA, dentre outros.  Refletiu-se sobre os preparativos para a realização do Mês Missionário Extraordinário. Pe. Patrik, da diocese de Luz-MG, provocou-nos a uma reflexão: “Luzes para motivar a continuidade” sobre como viver o pós- Mês Missionário Extraordinário.

Encerrou-se a Assembleia com a Celebração de Envio onde todos os participantes ouviram a Palavra de Deus e renovaram seus compromissos batismais. Representou a diocese de Guanhães o seminarista Guilherme. Um agradecimento especial à acolhida das irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora e a toda a equipe organizadora deste evento.

 

RELATÓRIO DA REUNIÃO ECUMÊNICA E INTER-RELIGIOSA EM BRUMADINHO (MG), EM 8/2/19 – SÍNTESE Original de Werbert Cirilo Gonçalves – CNLB Leste II

Conduzidos pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC -, tendo como pauta central a articulação de uma rede de auxílio às pessoas e famílias brumadinhenses, reuniram-se, na noite de 8 de fevereiro de 2019, na paróquia São Sebastião, em Brumadinho(MG), lideranças religiosas – Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e Pastoral Universitária PUC Minas, Comissão Pastoral da Terra, Pastoral da Criança e do Menor, Pastoral  da Juventude (PJ Leste II), Pastoral dos Pescadores, Grupo de Trabalho Mineração da CNBB e Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM Brasil), Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e Causa Indígena (CNBB – Leste II), Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB – Leste II), Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI), Comunidades Eclesiais de Base(CEBs), Movimento Shalon da Arquidiocese de Mariana, Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil, Ação Social da Arquidiocese de Belo Horizonte, padres, bispos, diáconos, leigos e leigas cristãs -, voluntários, instituições envolvidas no apoio às vítimas e representantes dos atingidos pela lama da barragem de rejeitos da Mineradora Vale S.A.

Panorama

Analisou-se a situação dos atingidos com o rompimento da barragem de contenção de resíduos de mineração da Vale S.A. ocorrido em 25 de janeiro de 2019, crime humano e ambiental que vitimou pessoas, animais e flora – sobretudo no Córrego do Feijão – , contaminou rios, comprometendo a vida de milhares de pessoas – física e psicologicamente -, em meio a denúncias de irregularidades na documentação, críticas à insegurança do modelo de contenção à montante, descaso na atenção aos atingidos e familiares, a falha no salvamento de animais, suspeitas de ​lobbying ou articulação política de acordo com os interesses da empresa.

Ressaltou-se que economia da cidade é dependente, em sua maioria, da mineração (60%) e também do turismo. A cidade goza, em sua divisa com Mário Campos, de uma das mais importantes fontes de água mineral do mundo explorada pela empresa Hidrobrás (Água Ingá); também possui belas montanhas e natureza exuberante; um parque estadual onde há frequentes práticas de esportes radicais; circuito turístico e conjuntos paisagísticos; sem contar o Instituto Inhotim, considerado o maior acervo de arte contemporânea do Brasil e o maior museu a céu aberto do mundo. Tudo isso, favorece a economia e o turismo do município e da região que no momento estão fragilizados.

Reflexão do Grupo

O fato de a base econômica de Brumadinho depender da mineração, como em outras cidades brasileiras, leva a população a, de modo geral, não enxergar como negativo o uso do minério de ferro, matéria prima da fabricação de peças de carros, trens e navios; instrumentos cirúrgicos e maquinário da medicina; prédios, casas e ponte; celulares e computadores; ferramentas, utensílios, eletrodomésticos etc. Todavia, todos condenam as formas e sistemas de exploração perversos que objetivam a exclusividade do lucro sobre as vidas humanas e animais, bem como sobre o meio ambiente, nossa casa comum.

É urgente exigir modelos de exploração de minério mais humanizados e ecológicos, que saibam fazer uso mais consciente da terra e que se preocupem com a garantia dos direitos humanos; reconhecemos que a matriz econômica do absolutismo do lucro sobre a vida não mudará facilmente e o jogo de um capitalismo vil continuará a produzir vítimas fatais e exclusões sociais.  Entendemos que os sistemas perversos de mineração envolvem interesses econômicos de grupos fortes, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Trata-se de uma estrutura criminosa, covardemente arquitetada, porém bem organizada e lucrativa. Tudo gira em torno do lucro e envolve diversas estruturas, tais como a política. De acordo com o jornal O Tempo​, “em 2014, último ano em que empresas privadas puderam realizar doações para campanhas políticas, mineradoras despejaram recursos nas campanhas de 102 deputados federais e estaduais eleitos pelo Estado, o que representa 78,4% do total dos que conseguiram vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais”. Ainda que os financiamentos privados de campanhas tenham terminado, há ainda denúncias de corrupção ou esforço de políticos, vinculados às empresas mineradoras, que favorecem licenciamentos ambientais e que votam leis e projetos de acordo com interesses desses grandes grupos econômicos não apenas em mineração, mas também em empreendimentos diversificados.

Sabendo-se que muitos municípios mineiros dependem economicamente das mineradoras, é preciso buscar o desenvolvimento de nossas cidades sem entrarmos – nos corrompermos – no jogo do capital, buscar o desenvolvimento humano sem sua autodestruição. Muitas prefeituras (e governos) acabam cedendo aos interesses de algumas minerações, possuidoras de modelos irresponsáveis de exploração, por causa do “medo” de inviabilizar o crescimento ou manutenção das políticas; ou seja, sob o risco de não receber mais o dinheiro de repasse destas empresas: um sistema difícil de ser transformado.

Discutiu-se sobre outras formas de financiamento: restauração de igrejas e monumentos históricos. É comum a participação de empresas como a Vale em parceria com órgãos do Governo para a produção de restauro, inclusive em processos que demandam altos valores de “investimento”. Isso não é caridade; o dinheiro “investido em projetos” não se compara aos lucros. De acordo com o SITE DO SENADO, “atualmente, as grandes mineradoras que exploram os recursos naturais brasileiros, são isentas de vários impostos. Toda essa isenção faz com que os cofres públicos deixem de arrecadar grandes quantias em dinheiro. Desta forma, os benefícios para a população brasileira gerados pela extração mineral, são completamente desproporcionais aos lucros das empresas mineradoras”.

Do mesmo modo, o fato ocorre em outros países; inclusive, há relatos de que algumas Igrejas Cristãs de Tradição Protestante na Europa têm ações em empresas de mineração e recebem grandes investimentos. Em encontros de ONGs e outros Organismo que debatem o tema das minerações naqueles continentes, já foram informados que houve pedido de alguns grupos de empresários ao Vaticano para que crie um selo que sinalize empresas que estão preocupadas com o cuidado com o meio ambiente; o que ajudaria a justificar a exploração mineradora. Na contramão desse pedido, o Papa Francisco tem denunciado os interesses perversos do mercado e reafirmando os pressupostos apresentados na ​Laudato Si, “​uma encíclica, na qual o pontífice critica o consumismo, o desenvolvimento irresponsável e faz um apelo à mudança e à unificação global das ações para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas” (IHU – Unisinos).

É urgente que nos preocupemos com a casa comum e com o bem-comum. E se é grande o número daqueles que são religiosos no Brasil e no mundo, como diz o teólogo Hans Kung, “a paz depende da religião”. Esta é uma grande tarefa da qual todos nós não podemos nos livrar: denunciar com profetismo todas as formas de forças contrárias à vida.

Que sejamos corajosos para comunicar a verdade. Por trás de um jornalismo não isento aos interesses e, por vezes, sensacionalista há uma narrativa de que o ocorrido em Brumadinho e, anteriormente, em Mariana trata-se de um acidente. É necessário reconhecer que foi um “crime” contra a vida e o meio ambiente. Do mesmo modo, é preciso dar nomes: um crime cometido pela Vale S.A.

A nossa narrativa, bem fundamentada, precisa chegar a todos os cristãos e pessoas de boa vontade no Brasil e no mundo. Caso contrário, as consciências não saberão a verdade, o que provocará alienação, esquecimento, encobrimento das faltas, impunidade e o abandono das vítimas à própria sorte diante daqueles que compõem o jogo de interesse do mercado.

A história da mineração tem as suas raízes no século XVII, ainda na época do Brasil colônia, a partir das expedições dos bandeirantes com as chamadas “entradas e bandeiras”, início  marcado pela ânsia de encontrar metais como o cobre, a prata, o ouro e as pedras preciosas no interior do país. Naqueles tempos a mineração já fazia as suas primeiras vítimas, não apenas os povos escravizados, mas também, transformou em inimigos os nossos povos originários que eram enfrentados, mortos e expulsos dos seus territórios.

Em Minas Gerais, a história não foi diferente. Basta ir a uma cidade histórica para conhecer a sua relação com as minerações. Diamantina, Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Sabará, Nova Lima, Rio Acima, Raposos, Barão de Cocais, Caeté, Itabira, Varginha, Araxá, Brumadinho, Itabirito, São Gonçalo do Rio Abaixo e muitas outras cidades carregam as marcas das minerações, desde templos sagrados ornados com os metais até as lendas e causos. Do mesmo modo, muitos são os casos de mortes em meio a isso tudo.

Outro caso recente é o crime humano e ambiental ocorrido com o desmoronamento da barragem de Fundão (da Samarco – Vale S.A) em Mariana; ocasião em que morreram 19 pessoas. A lama destruiu pessoas e a comunidade de Bento Rodrigues. Aliás, o Movimento de Atingidos por Barragens nos mostram que as mortes continuam acontecendo depois das tragédias devido a depressões, doenças, descaso dos poderes políticos e tantos outros problemas decorrentes de único episódio. Além dos sonhos destruídos, a lama de rejeitos também deixa para trás sonhos destruídos, viúvas, órfãos etc.

É verdade que o tempo traz conforto, ajuda a cicatrizar feridas, mas também pode gerar alienação. Com o passar dos anos, a comoção nacional vai dando lugar ao esquecimento. No caso de Bento Rodrigues, há relatos de “uma virada de papel”, as vítimas passam a ser “inimigas da cidade”; pessoas disseram aos desabrigados que os processos judiciais e indenizações que eles cobravam da Samarco estariam impedindo a empresa de retomar as suas atividades de exploração, o que estava gerando desemprego e dificuldades financeiras para as famílias, a falta de insumos para hospitais e atraso para o desenvolvimento da cidade de Mariana. Falta-nos compaixão… Por isso, a nossa narrativa não pode morrer, ela precisa permanecer porque é a história do povo atingido que luta com o restante de suas forças para reconstruir a vida.

Reflexão teológica

 

Como pessoas religiosas, é importante nos perguntarmos: que tipo de teologia nos cabe aqui? Deus nos abandonou? Onde encontrar consolo? O que, como cristãos, podemos fazer? Como ajudar o povo a se organizar?

Partindo da última pergunta, os relatos dos atingidos nos mostram que não há como exigir do povo de Brumadinho uma organização para a luta neste momento, por isso toda ajuda é importante. Os brumadinhenses estão agora enterrando os seus mortos e, enlutados, buscam consolo. Todos sabem que a tragédia não é a vontade de um deus perverso que determinou ser a hora derradeira de aqueles morrerem. Como já dissemos: trata-se de um crime. E, sendo assim, o crime da Vale é ainda um pecado tão grave que interrompeu o projeto de vida e a missão a que cada pessoa fora vocacionada por Deus.

Com isso, a nossa teologia deve contribuir não para nos alienar senão para sermos profetas denunciando as formas de egoísmo humano e avareza que absolutiza o lucro, idolatra e serve ao deus dinheiro. A nossa teologia precisa ser viva! Que saiba silenciar para mergulhar no Mistério divino que a todos abarca e que mora no fundo da alma nos dando força para seguir e encontrar sentido, mesmo em meio a tanto sofrimento e a tanta lama de rejeitos e de corrupção.  A nossa espiritualidade tem como fundamento um Cristo que passou pela cruz e ressuscitou para nos mostrar que a morte jamais vence o amor. A mística do amor se faz com oração e atitude, pois a oração sozinha não muda o mundo. Porém, a oração muda pessoas que podem, sim, transformar o mundo. Por isso, oremos para transformar as pessoas do mundo e transformar o mundo num ambiente mais humanizado.

 

Ações

 

É hora de dar a nossa contribuição a partir de uma mística inter-religiosa e ecumênica realizada ou organizada com a participação e protagonismo da comunidade brumadinhense, bem como com o devido contato com as redes de articulação existentes, sobretudo com a Igreja Católica, o CAPES, o grupo “Eu luto, Brumadinho vive” e as políticas públicas do município.

A partir de demandas apresentadas pelos atingidos e pelos religiosos que têm acompanhado a situação de perto, será importante o trabalho pastoral com as famílias após o fim das buscas pelos desaparecidos; exigir dos governos compromisso em defesa da vida e um modelo de mineração que se preocupe com o ser humano e com o meio ambiente, uma ecologia integral que valorize a todos, a cultura etc. Precisamos também mobilizar as pessoas a se organizarem e se manifestarem contra o modelo vigente de exploração que mata e produz excluídos. Lembramos que um dos caminhos para essa manifestação é o “grito dos excluídos” e a divulgação do que for acontecendo com os atingidos em Brumadinho e populações ribeirinhas para não cair no esquecimento e dar voz aos pequenos. É preciso que os debates em torno destas pautas adentrem as comunidades religiosas, as universidades e os nossos espaços familiares. Além de contribuir com as divulgações dos fatos, importante também divulgar as campanhas de doações, pois as necessidades se alteram; é necessário estarmos atentos. No tempo presente, há demanda de fraldas geriátricas e infantis, bem como de material escolar dado o início do ano letivo.

 

Tarefas

 

. Reunião com deputados: ​ quarta-feira, dia 13 de fevereiro, reunião convocada e articulada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, com a participação de deputados mineiros e outras autoridades do Estado. A pauta central: os assuntos relacionados às minerações, bem como exigir de cada representante do povo a luta em defesa de modelo de mineração mais preocupada com o meio ambiente e com a dignidade da vida.

 

. Fórum Permanente por Brumadinho: ​Apresentou-se e foi aprovada, a proposta de criação do “Fórum Ecumênico e Inter-religioso de Vigilância à Mineração” (FEIVIM) que se reunirá uma vez em cada mês (no dia 25 – o mesmo do rompimento da barragem). Cada entidade e organismo presente foi convidado a enviar representantes para as reuniões mensais do Fórum.

 

. Comissão do FEIVIM: Criou-se uma comissão para coordenar o Fórum Ecumênico por Brumadinho, sendo o CONIC o órgão articulador tendo como componentes alguns nomes das entidades presentes.

 

. Reunião do Fórum: Dia 25 de fevereiro haverá outra reunião em Brumadinho com as organizações convidadas.

 

. Carta-Manifesto: ​Nos próximos dias, a comissão do Fórum Ecumênico por Brumadinho apresentará uma carta-manifesto sobre o ocorrido e os impactos causados.

 

. Vigília de Oração: Nos​ dias 23 e 24 de fevereiro, cada comunidade religiosa é convidada a se reunir em oração pelos familiares e vítimas da lama da barragem de rejeitos da Vale. Se possível, as comunidade poderão ler, em determinado momento, os nomes daqueles que morreram.

 

. Celebração Ecumênica: No dia 25 de fevereiro, mesmo dia da tragédia do Vale do Paraopeba, haverá uma celebração ecumênica com as famílias do acampamento Pátria Livre (população ribeirinha que usava o rio Paraopeba para irrigação).

 

. Divulgação por parte das organizações cristãs: Os​ grupos religiosos foram convidados a divulgar todas as formas de comunicados relacionados aos grupos de apoio às vítimas da Vale, com objetivo de dar voz aos afetados. Aqueles que possuem contato com grupos religiosos e de defesas de direitos estrangeiros, podem ajudar repassando informações com o objetivo de alcançar e sensibilizar também a comunidade internacional.

 

. Release para a imprensa: Utilizar dos meios de comunicação religiosos ou não para divulgar as narrativas da comunidade e pessoas afetadas, inclusive dos órgãos de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

 

. Doações: Quando solicitados, ajudar a divulgar as campanhas em favor das vítimas. Importante destacar que há muitas doações de água e alimento. Do mesmo modo, não há mais espaço para o recebimento dessas doações em Brumadinho. Todavia, têm surgido demandas específicas em momentos diferentes, tais como material escolar. Há pontos de entrega de doações em Belo Horizonte.

 

 

Encontro Diocesano de Catequese

Nos dias 08 e 09 de fevereiro de 2019, realizou-se no salão da Catedral, em Guanhães, o 1º encontro de coordenadores diocesanos de catequese do ano de 2019. O início foi na sexta feira, à noite, com as duas equipes: Comissão e  Coordenação Diocesana. A oração inicial foi inspirada no texto bíblico de Lc 8, 22-25 refletindo sobre  a  abertura e despojamento de ir ao encontro do outro  e vivendo com ele as   dores e alegrias que ele sente. Navegar é preciso… Com ousadia, ardor.  Na sequência dos trabalhos, as coordenadoras  que concluíram o curso  de Especialização em Catequese do IRPAC – Módulo IV – no mês de janeiro , apresentaram uma síntese das aulas  que foram estudados sendo: I- Catequese e itinerário espiritual; II- A importância da formação de catequistas; III – Catequese com adultos; IV- Catequese na era digital; V- Planejamentos e projetos catequéticos; VII- Catequese com jovens Foi ressaltada a importância dos temas estudados como requisitos para uma catequese  que atenda aos anseios e orientações da Igreja no nosso  Regional Leste II .Também  as coordenadoras que foram para o  Novo Curso de coordenadores do IRPAC apresentaram um resumo dos temas  estudados.

No dia 09 /02 (sábado), o encontro contou também com a participação da equipe diocesana (coordenadores das paróquias) que ocorreu também no salão da catedral de 8 às 17horas. Após o café da manhã, a tesoureira da comissão, apresentou a prestação de contas financeira da catequese. Em seguida outro membro, também da comissão, desenvolveu o Bibliodrama com aprofundamento do texto de Mc 7,31-37, motivando os presentes a uma reflexão onde   todos puderam  vivenciar uma espiritualidade de revigoramento e forças  para a caminhada  pastoral nas paróquias.

Após o almoço, no retorno, tivemos a alegre e simpática visita de Dom Marcelo  Romano que passava por Guanhães , e, carinhosamente nos  agraciou com suas  palavras de conforto e encorajamento; disse ele :”O Espirito Santo cuida da Igreja  através do cuidado com cada um de nós. Perseverem no caminho, o Espirito nos inspira e motiva”. Após a pausa para ouvir as palavras de Dom Marcelo, os trabalhos foram retomados : informações sobre as diretrizes catequéticas da diocese de Guanhães  que  se encontram em processo de construção. Foram dados  outros encaminhamentos  e orientações práticas , entrega de material , divisão de grupos para  formulação de encontros catequéticos  a serem  utilizados com os catequizandos  para todas as idades. De forma geral os trabalhos foram muito enriquecedores com partilhas de experiências e fortalecimento na caminhada para o ano de 2019.

Madalena Santos Pires

( Membro da Coordenação Diocesana de catequese)

O ESPÍRITO SANTO E A POLÍTICA – Diego de Lima Dias

 

 

O ESPÍRITO SANTO E A POLÍTICA

Aurea Marin Burocchi*
Belo Horizonte, MG
Diego de Lima Dias**
Santos Dumont, MG

Introdução

Esta reflexão surge num momento particular da história do país. Estamos vivendo em meio a polarizações de grupos políticos e ideológicos que estão carreando emoções e manifestações que estão dividindo grupos – familiares, de amigos, de trabalho e até eclesiais. Fenômeno preocupante e inédito na sociedade brasileira que, aparentemente, é acolhedora de posições diferenciadas.1

Embora o mito da sociedade brasileira miscigenada, pacífica e não racista possa ser uma ingenuidade que muitas vezes se mostra inválido e hipócrita, certamente o surgimento de conflitos aparentemente insolúveis, tendo por pano de fundo partidos políticos, não eram esperados pela maioria da população. Nem o era o cenário de corrupção que envolve políticos, cifras astronômicas e grandes empresas públicas e privadas; isto mostra a que nossos representantes eleitos pelo povo se dedicam no cumprimento dos seus mandatos.

Se as religiões, de modo geral, e também o Cristianismo pregam a tolerância, a abertura ao outro, o diálogo, o respeito, o que justifica o posicionamento de também “cristãos” em posturas tão opostas2 e em atividades tão condenáveis? A honestidade foi banida da face da terra? O diálogo foi excluído das relações interpessoais? O respeito por posições e opiniões diferentes não encontra mais lugar? Se inexistem abertura ao outro e respeito pelo seu ser diferente, como falar de amor e comunidade? Se não há compromisso ético, como falar de bem-comum e, portanto, de política?

Mais que buscar causas da atual situação ou acusar este ou aquele grupo, nossa proposta é refletir sobre a relação entre o Espírito Santo e a vida política. Qual a ação do Espírito nos homens? Quem é o ser político tomado pelo Espírito?

As indagações, as revoltas e a capacidade de tornar a teologia mais próxima da vida foram os principais combustíveis deste insight. Trazer a teologia para a vida e fazê-la com amor foi a pauta recorrente desta reflexão, afinal, como já disse Bruno Forte:

A teologia não é um aristocrático amor pela sabedoria reservado a poucos adeptos ao trabalho, ela é muito mais “a sabedoria do amor”: o esforço de levar à palavra o vivido pela caridade. A teologia cristã deve dizer o amor; e porque o Amor se disse a nós na vida de Jesus de Nazaré, Senhor e Cristo, a teologia cristã deve narrar o amor, narrando o mistérioda Páscoa, o evento pascal (Burocchi, 2008).

1. O Espírito Santo e a política

Relacionar a política com o Espírito Santo não foi fácil, pois as bibliografias disponíveis de Pneumatologia, além de serem limitadas, não fazem menção direta a este assunto. Desistir da empreitada não foi opção.

Afinal, parar não é obra do Espírito! Serviram de inspiração e fundamentação os textos bíblicos, filosóficos e teológicos.

1.1 Existe relação entre o Espírito Santo e a vida política?

É de fundamental importância compreender como o Espírito age na vida prática dos seres humanos e como, na atual conjuntura, se torna mais que necessário não dissociá-los. Atualmente há uma grande rejeição popular em relação à política. Isso decorre da pseudocompreensão do significado desta, que é fundamental para a vida humana. Há uma tendência geral de associar apenas o político eleito com política. Os escândalos de corrupção também colaboram para intensificar a aversão pelo tema.

Com o avanço das interações sociais pela internet, aparece uma grande massa que se propõe a discutir o assunto conforme seus interesses pessoais, muitas vezes de forma muito superficial e alienante, além de profundamente indisposta a contribuir efetivamente para a realização do bem comum. Sua filosofia é “deixa a vida me levar, vida levaeu”.3 Na vida cotidiana, é este, geralmente, o grupo que mais paga o preço pelas escolhas da maioria que abraçou o discurso de uma minoria gananciosa e corrupta.

Somam-se a este um grupo perigoso aqueles que, na época de eleições, vestem camisas, chapéus, bandeiras partidárias e compram ideias sem ao menos questioná-las. Estes ficam em evidência só em épocas eleitorais, pensando que sua participação política se restringe a eleger o nome mais afim, normalmente imposto pelas empresas que fabricam dados fictícios em pesquisas manipuladas. Infelizmente, eles não se dão conta de que participam do grupo daqueles sobre os quais pesam os preços da cesta básica, da conta de luz, do aluguel, dos remédios e de uma vida limitada pelo salário mínimo. O envolvimento deles é momentâneo e manipulado por uma estratégia de marketing coletivo. Este grupo tem como lema: “eu adoro a minha televisão. Ela me conta as coisas como elas são. Se as coisas vão mal, é só mudar de canal”.4

Há também o grupo dos “conscientes do mal”, que se ufanam por terem do seu lado a “desgraça dos inconscientes”, que favorecem e legitimam com seus votos ou seu silêncio a permanência da hegemonia corrupta. São os que “comem o caviar enquanto uns só ouviram falar”.5

Há, enfim, um grupo de pessoas conscientes, dispostas a lutar, discutir e reivindicar ideais coletivos de justiça, saúde, educação e ações de transformação do espaço público, provando que a política está viva em suas vidas. Estes são como “mosca na sopa”,6 pois vivem atrapalhando, com seu zumbido e impertinência, os que querem tomar a sopa sem dividir.

1.2 Mas o que é política?

A palavra vem do termo grego pólis, que significa cidade. Na pólis grega, destacavam-se dois pontos: a acrópole, local mais alto onde eram construídos o templo e o ponto estratégico de defesa; e a ágora, praça principal onde aconteciam a interação, o comércio e onde os cidadãos tinham a possibilidade de debater os assuntos da cidade e resolver os problemas legais. Assim, política significa a administração da vida da cidade, trata dos assuntos relativos a todos os cidadãos, é expressão da participação e responsabilidade daqueles que são destinados à atuação pública. Para os gregos, é vocação de todo cidadão a) vida pública, ou seja, fazer política é a forma de garantir direitos, discutir os deveres, executar as leis e defender a vida.

Aristóteles, filósofo grego do século IV a.C., compreendia a política como forma de alcançar a felicidade. Ele definia o homem como zoon politikon (animal político), ou seja, um ser por excelência relacional, que traz na sua essência a necessidade de interagir para viver e executar duas virtudes indissociáveis que são a base para a vida do cidadão: a justiça e a amizade. O termo amizade (philia) deve ser entendido no sentido mais amplo da palavra, como a concordância entre as pessoas da qual resulta o companheirismo. Daí a importância da educação na formação ética dos indivíduos, porque os prepara para viver em comunidade.
Se a cidade é a associação dos iguais, a justiça é o que garante o princípio da igualdade. Justiça, para Aristóteles, é dar a cada qual o que lhe é devido, ou seja, quem precisa de mais deve receber mais, e quem carece de menos, menos. Isso é fazer justiça entre desiguais, pois só assim é possível garantir equidade. Logo, a cidade deve impedir a má distribuição das riquezas e das oportunidades e punir quem se comporta com injustiça.

Pode-se concluir que no conceito de política não cabe a corrupção. Infelizmente, não compreender isso tem levado os políticos a dedicarem-se aos próprios interesses e o povo a identificar política com a corrupção.

Por isso, não é difícil escutar: “odeio política!!!”

1.3 Criando políticos

Partindo da concepção de política e dos ideais aristotélicos acima mencionados e analisando a história humana, não é difícil constatar que vários povos e diferentes culturas em diferentes épocas buscaram e buscam a efetivação da verdadeira política. Esse tema está atrelado à história dos homens, aparece nas diversas manifestações artísticas, nas melhores obras da literatura clássica, medieval, moderna e contemporânea. Aparece também com grande destaque nas religiões, inclusive na judaico-cristã.

A própria Bíblia, como registro da experiência religiosa de um povo, nos textos tanto do Antigo como do Novo Testamento, está toda permeada de narrativas políticas. Inclusive, é nas experiências de organização, participação, discussão, lutas, busca por direitos e deveres que o povo vai, paulatinamente, identificando a presença, a força e a imagem de seu Deus. Tal constatação é possível ser feita do primeiro ao último livro. Se a Bíblia fala da relação de um povo com seu Deus e a política trata das relações humanas, seria impossível falar de Deus sem tratar das interações sociais.

No Gênesis, o relato da criação do mundo e dos seres humanos apresenta a imagem de Deus em profunda relação com suas criaturas. O autor sagrado evidencia que Deus cria seres relacionais (Gn 1,28), não deseja que o homem esteja só (Gn 2,18), por isso, cria um ser semelhante para estar em relação com ele (Gn 2,20-24). Ao homem Deus concede o sopro de vida, 7,רוַּה tornando-o um ser vivente (Gn 2,7), que tem a força para dominar, multiplicar, habitar e cuidar da terra e de todos os seres criados. Ao dar vida aos homens e mulheres, Deus, que se revela como relação, cuidado e organização, torna o ser humano um ser político e convida-o a participar da obra de criação constante da vida, do mundo e da história. O homem é chamado a ser com o mundo aquilo que Deus Trindade8 é: relação, união, amor, comunidade.

O primeiro presente que Deus dá ao homem é a vida, por meio da ruah, entendida no Antigo Testamento “como vento, sopro do ar, é a força viva do homem, princípio da vida-respiração, sede de conhecimento e dos sentimentos, força de vida de Deus, pela qual ele age e faz agir’’ (Congar, 2005, p. 17). Deus cria o homem para a vida em comunidade e aparece na Sagrada Escritura sempre atuando a favor do seu povo. Esse Deus que quer se relacionar não abandona os seus quando o ser humano não corresponde ao seu desígnio e o equilíbrio, a liberdade e a unidade são rompidos. Se pelo sopro de vida faz viver, a ruah também faz desaparecer “os que cultivam a injustiça” (Rivas, 2001, p. 14).

O mesmo sopro (Espírito) de vida dispensado ao homem na criação várias vezes aparece nos clamores dos oprimidos e desfavorecidos. Os salmos são expressões desse clamor por justiça e liberdade (Sl 2; 18; 21; 45; 72; 101; 110). Os juízes e os profetas são apresentados como aqueles que são despertados pelo Espírito para promover o direito e denunciar as iniquidades a que são submetidos os pobres. Há a consciência de que o rei deveria governar o povo com equidade (Sl 72,1); o rei davídico deveria ser um modelo de justiça para com os humilhados (2Sm 8,15), como foram Davi e Josias (Jr 22,15ss).

O Antigo Testamento apresenta um Deus que atua na história do povo eleito e não se identifica com nenhum tipo de política de exclusão e marginalização, um Deus que promete enviar o Messias para restabelecer no mundo o direito e a justiça (Is 7) (cf. CODINA, 1997). Os textos do Antigo Testamento anunciam que “irá chegar um novo dia, um novo céu, uma nova terra, um novo mar… E neste dia os oprimidos, numa só voz, a liberdade irão cantar”.9

2. A vida do Messias político

No Novo Testamento, Deus continua presente na vida de seu povo. Agora encarnado em uma realidade histórica (Mt 1,1ss), pela ação do Espírito Santo (Mt 1,18; Lc 1,35), aquele que gera a vida (Gn 2,7), o Pai, se dá na vida do Filho que, por sua vez, nos dá a conhecer o Pai: “O meio histórico central da revelação cristã é Jesus de Nazaré” (Haight, 2004, p. 91).

2.1 Jesus, um modelo para o político

Como um ser humano que convive com pessoas e constrói relacionamentos, Jesus, do seu nascimento até a hora de sua morte e ressurreição, potencializou todas as relações que viveu, pode-se dizer, num certo sentido, a vida política,10 e assim revelou o Pai. O Filho de Deus foi contra todo tipo de injustiça, indiferença e miséria que não geram vida, mas escravidão (At 10,34-38). Ele se identificou com os pobres (Mt,25), dirigindo-lhes sua mensagem (Lc 4,18). Esteve do lado dos que lutavam por saúde (Mt 8,16; Lc 8,43-47), tocou-os e os curou.

Reuniu um grupo de amigos, valorizando as amizades (Jo 11,4). Identificou e denunciou as contradições das autoridades (Mc 12, 38-44; Lc 11,37-39). Com todos, viveu a partilha (Mc 6,41). Acusou e recusou todo legalismo que gerava excluídos (Lc 13,10-17) e propôs novos preceitos de vida (Mc 12,30-31), colocando o ser humano e suas necessidades como parâmetros para novos relacionamentos, uma sociedade sadia.

Por tudo isso, pode-se dizer que “Jesus estava implicado nas questões políticas do seu tempo” (Rohden, 2001, p. 38). Ele se preocupava com o bem-estar do povo e dedicou o seu ministério ao anúncio da Boa Nova do Reino de Deus, reino de paz e justiça, onde todos têm suas necessidades básicas satisfeitas, gozam de liberdade e convivem com os irmãos na comunhão de vida e do pão. Legalismo, ritualismo, despotismo e qualquer forma de opressão não têm lugar no Reino que ele proclama ter chegado (Lc 17,21).

Nisso tudo Jesus comunicou o Pai. Sua vida foi doação constante de si à sua comunidade. Nas relações cotidianas, Ele comunicou o amor do Pai de modo concreto aos homens (Jo 15,12; Jo 13,12), ou seja, Jesus foi o modelo do homem político cheio do Espírito Santo. Viver a radicalidade do Amor foi a sua política. E, até a hora de sua morte, Ele viveu intensamente, revelando o Pai que quer que estejamos em comunhão consigo e deseja incluir-nos no seu projeto de amor.

Morrendo, Jesus entregou o seu Espírito como legado aos seus seguidores e herdeiros (Jo 19,30). Pode-se dizer que toda ação de Jesus é também ação do Espírito (1Cor 12,3), no sentido que ele está cheio do Espírito Santo e uma vez que o sentido de sua vida foi gerar vida. E, cumprindo sua promessa, quando chegou o tempo, o Paráclito se manifestou para que todos aqueles que aderissem à sua palavra pudessem agir pelo mesmo Espírito, como nos relata o autor de Atos:

1.Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2.De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. 3.Apareceulhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4.Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos […].

42.Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações. 44.Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. 45.Vendiam as suas propriedades e os seus bens e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. 46.Unidos de coração, frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, 47.louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação (At 2,1-4.42.44-47).

Aquele sopro de vida, aqui compreendido como Espírito que deu vida e ânimo às criaturas, imagem e semelhança do seu Criador, suscitou profetas, reis e sábios, que estava presente quando o Pai ressuscitou Jesus, está hoje suscitando homens e mulheres que promovem a vida, a liberdade e a justiça. Se o Espírito é aquele que transforma, muda, impulsiona e gera a novidade, torna-se de fundamental importância percebê-lo também na política. Mas, como identificar os sinais do Espírito na atual vida política?

2.2 A “política” da Trindade é a relação 

É preciso, primeiramente, afirmar mais uma vez que política não é corrupção. A primeira gera comunhão, organização, cuidado, a segunda gera sempre maldição, exclusão e negação da vida. A política é boa, expressa a eficiência do poder público e das leis em prol do ser. A corrupção gera sempre burocracia desnecessária e lentidão na execução de tudo que deveria transmitir o amor e o interesse de uma comunidade de pessoas em prol do bem comum. Uma sempre gera comunhão, a outra sempre expressa “o grito de um povo que sofre e pede justiça, liberdade e respeito aos direitos mais fundamentais do homem e dos povos” (Puebla, n. 87).

Depois, é necessário observar o movimento do Espírito. Deus-Trino na sua infinita bondade quer em todas as suas obras e movimentos revelar-Se.

Aprouve a Deus, na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cf. Ef 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cf. Ef 2,18; 2Pd 1,4) (DV, 2).

Em diferentes momentos da história, a iniciativa é sempre dele de se comunicar a nós. Conhecemos o mundo do Pai e do Filho pela ação do Espírito que nos abre o acesso a Deus.

O espírito (ruah) é, já no Antigo Testamento, princípio de vida, que franqueia o acesso ao novo e faz a unidade do processo vital vindo, como vem, do Deus vivo (cf. Gn 1,2; Sl 33,6 e 104,29s, Sb 1,7; 7,22-8,1). Ao Espírito se liga a inspiração dos profetas, que suscitam futuro na história de Israel e chamam constantemente o povo à fidelidade à aliança (cf., por exemplo, Nm 11,25; 24,2; 27,18; 1Sm 10,6; 19,24; Is 61,1; Ez 2,2; 3,24; Zc 7,12: cf. 1Pd 1,11 e 2Pd 1,21). O tempo messiânico é esperado como tempo da efusão do Espírito, portadora do futuro escatológico e da vida nova com o Deus vivo (cf., por exemplo, Is 11,2; 32,15ss; 42,1; Ez 11,19; 18,31; 37, 27; 37,1-14; Gl 3,1s etc.), assim como o tempo do exílio é, por contraste, marcado pela ausência do Espírito, tempo em que o futuro parece fechado e Israel desagregado (cf., por exemplo, a meditação sobre a história de Israel em Is 63,7-64,11, em particular 63,10). O mesmo Espírito é denominado “Espírito de Santidade” (Sl 51,13; Sb 9,17), expressão vertida pelos Setenta por “Espírito Santo” (Cf. Dn 5,12; 6,3; Sb 1,5; 7,22) com um adjetivo que se refere à mais íntima característica do Deus vivo (cf. Os 11,9; Sl 99,3 etc.) (Forte, 1987, p. 112-113).

Segundo Forte, o Espírito tem duas funções: abre o mundo de Deus ao mundo dos homens e unifica o dividido. O Espírito que esteve presente na criação habitou o Verbo encarnado e conduziu sua missão. Conforme Burocchi:

Os testemunhos das primeiras comunidades fixados nos escritos do Novo Testamento apresentam o Espírito como integrante da Trindade, principalmente nos eventos que marcam sua missão: concepção virginal de Maria, batismo de Jesus, nas obras que Jesus de Nazaré vai realizando por onde passa, na sua jornada terrena e, especialmente, na sua Paixão, Morte na Cruz e Ressurreição (Burocchi, 2008, p. 173).

O Espírito Santo “age em toda a vida e obra de Jesus”, abrindo “o mundo de Deus ao mundo dos homens e a história humana à história Trinitária, e ao mesmo tempo o que une os dois mundos e constitui a unidade dos homens no amor do Pai e do Filho” (Forte, 1987, p. 113-114). Este Espírito que é amor, vinculum caritatis entre o Pai e o Filho, protagoniza a “unidade dos crentes no espaço e no tempo, à imagem da unidade Trinitária” (Forte, 1987, p. 133). O mesmo Espírito Santo une também o passado e o presente, atualizando os eventos salvíficos, ao fazer memória do mistério vivido e celebrado. E, ainda, no espaço ele une os crentes entre si, como princípio de unidade da Igreja, por isso, ele é Espírito de comunhão, pois realiza a unidade de todo o Corpo de Cristo.

Na história do Espírito, o Espírito revela-se a nós na história, desde o princípio, como a ruah, princípio de vida, inspiração, vínculo, unidade, atualização e comunhão. Uma vez que é o Espírito que nos abre ao conhecimento do Pai e do Filho e, assim, nos permite adentrar no interior da relação entre Amante e Amado, é ele quem nos dá acesso à “política” trinitária, à relação por excelência.

O homem, imagem do Deus Triuno, reflete a imagem do seu Criador que é relação. Ou seja, o homem está profundamente marcado pela necessidade da relação, não é uma solidão incomunicável da substância individual – o ser em si – mas é, como a Trindade, pessoa-relação, um ser “com” os outros, aberto à comunhão no amor: “originariamente, no mais profundo do seu ser criatural, marcado pelo sinal do eterno Amado, o homem precisa do outro! No realizar-se dessa constitutiva chamada à ‘companhia da vida’, o homem revela em si a presença do Espírito Santo” (Forte, 1987, p. 172).

A Trindade é, em si mesma, relação. O Pai quis comunicar-se com a humanidade desde a criação e consumou sua união com o mundo na entrega gratuita do Filho, imagem perfeita do Pai, que se encarnou na história, sofreu a paixão, morreu e ressuscitou. Em tudo isso o Espírito esteve presente. Este Espírito que pairou sobre as águas primordiais, que falou pelos sábios e profetas e que pela sua força o Pai ressuscitou Jesus e animou os discípulos, infundindo-lhes a coragem para assumir e testemunhar o Ressuscitado continua atuando no mundo em todas as relações que sinalizam o Amor.

Como ensina Leonardo Boff no livro A Santíssima Trindade é a melhor comunidade, “Deus não é solidão. É comunhão de três pessoas divinas. Portanto, a Primeira e a Última realidade é relação é extravasamento de si mesmo, é vida e amor” (p. 13). O Deus Triuno é relação de amor na sua intimidade e relaciona-se com o mundo, amando os viventes, estabelecendo o arquétipo da perfeita política. E por que quis Deus revelar-se relacional-político? Para que o ser humano se humanize! Bem já ensinou MURAD:

A revelação de Deus não é dirigida à pessoa para que esta saiba mais, mas para que seja de outra maneira, que atue melhor e viva em um nível mais humano. A verdade da revelação transforma a existência humana. E a fé nesta revelação, longe de desviar a mente daquilo que seria temporal e efêmero em favor do pretenso necessário e eterno, “orienta a mente para soluções plenamente humanas” diante dos problemas históricos. (GS 11) Quem acolhe a revelação cristã tem uma indispensável tarefa: traduzi-la numa verdade transformadora da história para que o processo comunicativo, iniciado por Deus, chegue à sua plenitude (Murad, 1994, p. 19).

3. Testemunhas da “política” trinitária pela força do Espírito 

O Paráclito continuamente suscita formas de “não somente auscultar, mas discernir os sinais dos tempos” (GS 4; 11; e 44), talvez por isso a política seja o modo mais ecumênico de se falar da presença do Espírito no mundo. Em “tempos líquidos’’, segundo Zigmunt Bauman,11 quando as relações se tornam cada vez mais vazias e os sentimentos estimulam a satisfação do prazer imediato, é urgente que os homens e as mulheres reaprendam a viver e a relacionar-se uns com os outros. E, por ser “templo do Espírito” (1Cor 6,19), é papel do cristão testemunhar a força deste, pois é ele que dá vida às relações cotidianas, onde deve brilhar a ética do: amar uns aos outros sem nenhum tipo de exclusão ou condição, assim como a Trindade nos ensina. O cristão é responsável também pelo universo: ele se relaciona com toda a criação através das suas decisões pessoais, das escolhas coletivas e da política que faz.

Através dos documentos que compõem a Doutrina Social da Igreja, esta se empenha por, progressivamente, refletir a respeito das relações humanas, por isso, é recorrente sua preocupação com a vida política em vista da promoção da dignidade humana. Em 1891, o Papa Leão XIII inaugurou uma nova fase do comprometimento da Igreja com a vida social, com a encíclica Rerum Novarum. Após esta, Pio XI em 1931, publicou a Quadragesimo Anno, reafirmando a preocupação eclesial com o ser humano e, na sequência, outros papas também o fizeram. João XXIII publicou, em 1961, a Mater et Magistra; Paulo VI, a encíclica Populorum Progressio, em 1967, e a carta apostólica Octagesima Adveniens; em 1971; João Paulo II publicou três encíclicas sociais: Labores Exercens (1981), Sollicitudo Rei Socialis (1987) e, finalmente Centesimus Annus em 1991. Na mesma tradição, Bento XVI publicou a Caritas in Veritate, em 2009; e, por fim, Francisco brindou a comunidade cristã e não cristã em 2015, na Solenidade de Pentecostes, com a encíclica Laudato Si’.

Vários outros documentos reservam partes significativas para o tema da política. O documento do Concílio Vaticano II, que trata sobre a Igreja no mundo de hoje, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, reserva o capítulo IV todo para a política e afirma:

Natureza e fim da comunidade política. Os indivíduos, as famílias e os diferentes grupos que constituem a sociedade civil têm consciência da própria insuficiência para realizar uma vida plenamente humana e percebem a necessidade duma comunidade mais ampla, no seio da qual todos conjuguem diariamente as próprias forças para cada vez melhor promoverem o bem comum. E por esta razão constituem, segundo diversas formas, a comunidade política. A comunidade política existe, portanto, em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado e dele deriva o seu direito natural e próprio. Quanto ao bem comum, ele compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição (GS, n. 74).

Por sua vez, em 2004, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, fruto do trabalho do Pontifício Conselho Justiça e Paz, o tema política ganhou todo o Capítulo VIII: Comunidade Política. Aqui fica muito evidente que a Igreja, fruto do Espírito, se interessa pela vida, pelo mundo e pela política.

No Brasil, os textos e temas das Campanhas da Fraternidade12 provocam a reflexão e a tomada de consciência sobre situações específicas de exclusão e de pecados contra a vida, a justiça, a dignidade humana, o meio ambiente. O homem, criatura de Deus, destinado a atuar na organização política da criação, aparece como primeiro responsável na tarefa de cuidar da casa comum. Daí o apelo das campanhas, anualmente, para mobilizar o maior número possível de pessoas, cristãs e não cristãs, em torno dos temas sociais e políticos. Só assim a Igreja, sinal visível do Espírito que atua no mundo, vai colaborando na transformação das realidades de injustiça, opressão e morte.

3.1 A constante conversão-atualização: dom do Espírito Santo

O ser humano, ungido pelo Espírito, não compactua com nenhum tipo de corrupção, alienação e má política. Ele se posiciona e age, pessoal e comunitariamente, nos assuntos que tocam a vida comum, de forma concreta:

É plenamente conforme com a natureza do homem que se encontrem estruturas jurídico-políticas, nas quais todos os cidadãos tenham a possibilidade efetiva de participar livre e ativamente, dum modo cada vez mais perfeito e sem qualquer discriminação, tanto no estabelecimento das bases jurídicas da comunidade política, como na gestão da coisa pública e na determinação do campo e fim das várias instituições e na escolha dos governantes. Todos os cidadãos se lembrem, portanto, do direito e simultaneamente do dever que têm de fazer uso do seu voto livre em vista da promoção do bem comum. A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal cargo, em serviço dos homens (GS, n. 75).

“O Deus que entregou o próprio Filho à morte por amor dos homens não pode querer o sofrimento humano!” (Forte, 1987, p. 176). Nesse sentido, pode-se dizer que pecar contra o Espírito é fomentar a indiferença política, é negar a participação dos mais pobres no que é justo, é ver a desigualdade acontecer e não agir, enfim, o pecado é isolar-se. Quem está repleto da unção do Espírito Santo não demoniza o mundo, mas atua nele, provocando verdadeiras transformações. Deus colocou no homem o sopro da vida para que ele, junto com os demais, fosse livre e feliz, afinal, a maior característica da Ruah é a liberdade.

Papa Francisco exorta, na Encíclica Laudato Si’, sobre a importância da política como princípio pelo qual os homens redescobrem que precisam uns dos outros, que todos têm responsabilidades para com os outros e o mundo, e que vale a pena ser bons e honestos.

Vivemos já muito tempo na degradação moral, baldando-nos à ética, à bondade, à fé, à honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Tal destruição de todo o fundamento da vida social acaba por colocar-nos uns contra os outros na defesa dos próprios interesses, provoca o despertar de novas formas de violência e crueldade e impede o desenvolvimento duma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente (LS, n. 229).

Pelas palavras do Pontífice, o amor civil e político acontece todas as vezes que não se perde a oportunidade duma palavra gentil, dum sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade, assim como uma ecologia integral é feita de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado mútuo, é também civil e político, manifestando-se em todas as ações que procuram construir um mundo melhor. O amor à sociedade e o compromisso pelo bem comum são uma forma eminente de caridade, que toca não só as relações entre os indivíduos, mas também “as macrorrelações como relacionamentos sociais, econômicos, políticos”. Por isso, a Igreja propôs ao mundo o ideal duma “civilização do amor”. O amor social é a chave para um desenvolvimento autêntico: “Para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa, é necessário revalorizar o amor na vida social – nos planos político, económico, cultural – fazendo dele a norma constante e suprema do agir”. Neste contexto, juntamente com a importância dos pequenos gestos diários, o amor social impele-nos a pensar em grandes estratégias que detenham eficazmente a degradação ambiental e incentivem uma cultura do cuidado que permeie toda a sociedade (LS, n. 231).

Papa Francisco ensina que, quando alguém reconhece a vocação de Deus para intervir juntamente com os outros nestas dinâmicas sociais, deve lembrar-se que isto faz parte da sua espiritualidade, é exercício da caridade e, deste modo, ele pode amadurecer e se santificar. Nessa lógica, não é difícil reconhecer a importância da política e como é possível vivê-la desde as microrrelações até as macro. Viver a política e lutar pela sua efetiva realização entre os homes e mulheres é viver a missão que nasce em Pentecostes: anunciar o Ressuscitado.

3.2 Unidade: dom do Espírito na diversidade

Bem adverte Forte (Cf. 1987, p. 176) que toda opressão do homem pelo homem deturpa a imagem divina da qual é portador e ignora o seu Criador, pois a vocação humana é viver relações de reciprocidade na liberdade, que sejam relações justas para todos.

Trabalhar para a humanização do mundo é trabalhar para Deus, é desenvolver todo o homem em cada homem, isto é, em todos a imagem divina impressa desde a origem. Longe de ser “ópio dos povos” e “sedução dos espíritos”, o Deus que criou o homem no Espírito do amor e da liberdade é o Deus libertador, que ama na liberdade e liberta no amor, sustentando o empenho de quem quer que trabalhe pela liberdade, fazendo- o com amor… (Forte, 1987, p. 176).

Cabe à Igreja, sinal sacramental do Amor de Deus no mundo, ajudar todo o povo de Deus, Templo vivo do Espírito, a encontrar meios de discernir os sinais dos tempos, não demonizar a política e não se acovardar diante das injustiças causadas pela corrupção. Ela deve ser presença no mundo dos excluídos, pois para ter credibilidade é necessário dar testemunho da vida em Cristo.

Considerações finais

Em tempos “líquidos”, é mais que oportuna uma reflexão teológica “sólida”, com significados práticos e que correspondam aos sinais dos tempos. Grandes pensadores já advertiram sobre os problemas da reflexão filosófico-teológica que não geram sentido, tornando-se inúteis. Por isso, relacionar a vida e as relações que nela se constroem ao desígnio de Deus significa dizer que o Espírito atua no mundo potencializando a ação política.

Sobre a política, ficou evidente a compreensão de que ela é o meio pelo qual o homem tem a possibilidade de relacionar-se com os demais, lutar por seus direitos, conhecer os seus deveres, promover a justiça e construir laços afetivos. Se Deus deu aos homens o Sopro-Espírito de vida, fazendo com que eles interagissem com o mundo e com seus semelhantes, Deus mesmo quis fazer de sua criatura um ser político.

Ao tornar o ser humano cheio do Espírito de Vida, Deus lhe delegou o direito de cuidar, multiplicar, conviver, celebrar e lutar por uma terra cada vez melhor, não aceitando a miséria, a injustiça e a falta de compromisso político. Assim, Ele sempre esteve junto dos mais pobres e abandonados e hoje continua, pela força do Paráclito, atuando na boa política sempre a favor da vida, da liberdade e da justiça.

Endereço dos Autores:
Aurea Marin Burocchi
Rua Frei Luiz de Souza, 933/202
Bairro João Pinheiro
30530-310 Belo Horizonte – MG/BRASIL
E-mail: <aureamarin@gmail.com>

Diego de Lima Dias
Rua José Salvador,199, casa 1.
Bairro São Sebastião
36.240-000 Santos Dumont – MG/BRASIL
E-mail: <difilosofia@gmail.com>

Citações:

* Professora do ISTA e da PUC Minas. Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Teologia Sistemática na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), de Belo Horizonte.
** Graduado em Filosofia, acadêmico do curso de Bacharelado em Teologia no Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA). Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Funcionário público.

1. Basta considerar as famílias onde convivem membros de diferentes confissões religiosas. Nessas famílias têm aparecido divergências e conflitos políticos – não religiosos! –, que estão levando à desconfiança e a rupturas de relacionamentos familiares. Certamente, também temos presentes os fenômenos de intolerância religiosa que têm levado a agressões de templos e pessoas. A CNBB, reunida em Aparecida no mês de abril, enviou uma Mensagem da 56ª Assembleia Geral da CNBB ao povo brasileiro sobre as eleições: “Neste ano eleitoral, o Brasil vive um momento complexo, alimentado por uma aguda crise que abala fortemente suas estruturas democráticas e compromete a construção do bem comum, razão da verdadeira política”.
2. Podemos mencionar também as posturas radicais de grupos católicos ditos “conservadores”, que se manifestam contrários à grande maioria da própria Igreja católica e seus dirigentes.
3. Deixa a vida me levar, de autoria de Serginho Meriti e Eri do Cais. Interpretada por Zeca Pagodinho que a lançou em 2002.
4. Música: Eu adoro minha televisão. Compositores: Dinho Ouro Preto, Alvin L. Faz parte do décimo primeiro álbum da banda Capital Inicial.
5. Alusão feita à música Caviar. Composição: Trio Calafrio (Luiz Grande, Barbeirinho do Jacarezinho e Mauro Diniz). Interpretada por Zeca Pagodinho.
6. Mosca na sopa, do cantor e compositor Raul Seixas, lançada em 1973. Nesta canção, o músico indica que há um vínculo estabelecido entre a mosca e a sopa por uma relação de oposição, ou seja, um é contrário ao outro. O autor utiliza esses dois elementos para representar os cidadãos brasileiros (mosca) que incomoda e perturba os governantes (sopa) e que se opõem ao regime com os movimentos pela democracia, lutas, marchas em objeção à política de interesses. PAULA, F.F. de; SÁ, L.S.B.C. Análise da Canção “Mosca na Sopa”, p. 209-216.
7. Segundo o professor Luis Heriberto Rivas, desde as primeiras noções sobre o Espírito de Deus até a revelação da Trindade, são muitas as imagens e as manifestações do Espírito Santo nos livros do Antigo e do Novo Testamento. No grego, a palavra utilizada é πνεῦμα = pneuma, no hebraico, = רוַּה ruah, e no latim, spiritus = espírito. Tais palavras são identificadas muitas vezes por “vento”, “alento”, “sopro”, “respiro”, “fôlego”, “brisa”… A compreensão de que o Espírito Santo é uma pessoa divina será alcançada somente com os escritos do Novo Testamento, mediante a reflexão da Igreja e do seu Magistério. (cf. RIVAS, L.H. O Espírito Santo, p. 9-15).
8. Vale, desde já, esclarecer que as referências feitas à Sagrada Escritura e à Trindade são interpretações pós-pascais, ou seja, é uma reflexão teológica feita a partir do evento Páscoa–Pentecostes.
9. Música Axé. Composição: Vera Lúcia Nascimento.
10. Embora, na realidade, teólogos e exegetas prefiram, acertadamente, utilizar a designação de “vida pública” para se evitar confusões com “poder político”, coisa que Jesus evitou a todo custo. Utilizamos aqui a terminologia “política” no sentido proposto no início deste artigo.
11. Sociólogo, nascido na Polônia em 1925, falecido em 2017, em várias de suas obras Bauman usa a palavra “líquido” como metáfora para designar “incerteza em relação ao futuro, fragilidade da posição social e insegurança existencial” (BAUMAN, 2004, p. 132), instabilidade do mercado de trabalho, inconsistência dos compromissos e das parcerias. Na “líquida, consumista e individualizada sociedade moderna” (Idem, p. 87), existe grande dificuldade de manterem os vínculos afetivos, sociais e familiares, constata.
12. A Campanha da Fraternidade teve início em 1962 e segue, todos os anos, com temas pertinentes.

Referências

Axé. [S.l.], 2014. Conteúdo do Youtube. Interpretação: Banda Pj e Raiz. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=j3Po-JR3t5A>. Acesso em: 23 set. 2017.
BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.
Bíblia Sagrada: Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 1990.
BOFF, L. A Santíssima Trindade é a melhor comunidade. São Paulo: Vozes, 1988.
BUROCCHI, A.M. Uma proposta de sentido para o homem de hoje na teologia trinitária de Bruno Forte. Belo Horizonte, 2008. Dissertação de Mestrado. FAJE (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia), sob a orientação do Prof. Ulpiano V. Moro. Belo Horizonte.
CELAM. A evangelização no presente e no futuro da América Latina: conclusões – Puebla. São Paulo: Loyola, 1979.
CNBB. Mensagem da 56ª Assembleia Geral da CNBB ao povo brasileiro sobre as eleições. Aparecida, 19 abr. 2018.
CODINA, V. Creio no Espírito Santo: pneumatologia narrativa. São Paulo: Paulinas, 1997.
CONCÍLIO VATICANO II. Gaudium et Spes. Petrópolis: Vozes, 1966.
CONGAR, Y. Revelação e experiência do Espírito. São Paulo: Paulinas, 2005.
Deixa a vida me levar. Direção: Universal Music. São Paulo, 2010. Conteúdo do Youtube (3:37 min.). Interpretação: Zeca Pagodinho. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=oTREAvZbmME>. Acesso em: 01 out. 2017.
Eu adoro a minha televisão. [S.l.], 2014. Conteúdo do Youtube. Interpretação: Capital Inicial. Disponível em <https://www.youtube.com/ watch?v=tqufdxfK7Ww>. Acesso em: 23 set. 2017.
FORTE, B. A Trindade como história: ensaio sobre o Deus cristão. São Paulo: Paulinas, 1987.
HAIGHT, R. Dinâmica da teologia. São Paulo: Paulinas, 2004.
LIBANIO, J.B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Loyola, 2001
_______. Teologia da revelação a partir da modernidade. São Paulo: Loyola, 2005.
MURAD, A. Este cristianismo inquieto. São Paulo: Loyola, 1994.
PAULA, F.F. de; SÁ, L.S.B. de C. Análise da canção “Mosca na Sopa” pela semântica de Pottier. Mimesis, Bauru, v. 36, n. 2, p. 209-216, 2015.
RIVAS, L.H. O Espírito Santo nas sagradas escrituras. São Paulo: Paulinas, 2001.
ROHDEN, C.C.S. A reflexão teológica como obra do amor. 2001. Tese de Doutorado em cumprimento parcial das exigências do Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Teologia, Escola Superior de Teologia para obtenção do grau de Doutor em Teologia. São Leopoldo.

 

 

 

Manhã de reflexão sobre a CF-2019

Na terça-feira, 05 de fevereiro aconteceu no salão da Catedral, de 9 às 13h, um encontro para estudo e orientações  sobre o tema da Campanha da Fraternidade de 2019, assessorado por dois professores:  Diego, natural de Juiz de Fora e João Batista Miguel, natural de Monte Santo de Minas .Os dois além de professores são leigos engajados em questões sociais. Os participantes foram: Dom Darci, administrador apostólico ,todos os padres da Diocese e leigos das paróquias. ” Deus nos colocou num belo jardim” e temos que ser os jardineiros que  cuidam dele!

A igreja nos propõe olhar para a realidade, à luz da Palavra de Deus e mudar radicalmente a realidade desse jardim onde Deus nos colocou e que anda descuidado e maltratado.

 

Professor Diego de Lima
FORMAÇÃO ACADÊMICA
❖ Graduação em Filosofia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA.
❖ Bacharelado em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA.
❖ Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional pelo Centro Universitário Internacional
❖ Especialização em Teologia
❖ Especialização em Ciências da Religião
RESUMO DAS QUALIFICAÇÕES
• Professor aprovado e nomeado em concurso de Filosofia/SEE 2012
• Aprovado em concurso para o cargo de professor de Filosofia 2015
• Aprovado em concurso para o cargo de professor de Filosofia 2018
• Professor aprovado em concurso SEE/MG -2018 Processo de Certificação Ocupacional de Diretor de Escola
• Aluno do curso de Hegel UFMG
RECENTES PARTICIPAÇÕES
• Participante e pesquisador 31° Congresso Internacional da SOTER – SOCIEDADE DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS DA RELIGIÃO. FT 7 :: Questões cristológico-pneumatológicas em parceria com a professora PhD Áurea Marin Burocchi com o tema: Reflexões acerca do Espírito Santo e a Política em um momento de crise. 2018
• Contraponto – A pólis: privilégio e ônus. Conferencista: Diego de Lima Dias e Prof. Dr. Rodrigo Coppe. PUC Minas 2018
• Membro titular parecerista na Secretaria Estadual de Cultura. 2016-2018
Diego de Lima Dias
Resumo: Graduado em Filosofia, bacharel em Teologia e Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Especialização em Teologia e Especialização em Ciências da Religião. Experiência em ministrar aulas, cursos e oficinas. Professor de Filosofia, autorizado em Sociologia, História e Língua Portuguesa. Experiência em Formação Humana e Cristã/Ensino Religioso.

Professor João Batista Miguel
Natural de Monte Santo de Minas- MG
– Professor;
– Pesquisador;
– Graduado em Filosofia pelo Instituto Santo Tomas de Aquino (BH-MG);
– Especialista em Ciência Política pela PUC-Rio/CNBB, com foco em Formação Política para Cristãos;
– Formado em Coaching pelo Instituto Brasileiro de Coaching;
– Consultor, Conferencista e Palestrante com ênfase em desenvolvimento de equipes;
– Mestrando em Direito pela UFMG;
– Tem trabalhos realizados em Universidades de Barcelona, Chile, Cuba e Estados Unidos
Foi frade Agostiniano;
– Vereador na cidade de Guaranésia;
– Diretor Municipal de Esportes, Lazer, Cultura e Turismo de Monte Santo de Minas;
– Assessor da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais;
– Superintendente de Ação Cultural do Estado de Minas Gerais;
– Secretário de Estado Adjunto de Cultura de Minas Gerais;
– Membro dos seguintes conselhos de Estado:
Conselho Estadual de Políticas Culturais;
Conselho Estadual de Patrimônio;
Conselho Estadual de Igualdade Racial;
Conselho Estadual do Programa de Desenvolvimento do Áudio Visual Mineiro – PRODAM;
Conselho Curador da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte;
Conselho da Rede Minas de Televisão;
Conselho Nacional de Políticas Culturais;

 

CF 2019: “Fraternidade e Políticas Públicas”

A Campanha da Fraternidade – 2019, com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”, tem o objetivo de “estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade” (texto-base). E assim estimular nos cristãos uma participação e uma responsabilização na discussão, elaboração e execução de políticas públicas.

Mas, o que são as políticas públicas? São ações desenvolvidas pelos governos para garantir os direitos da sociedade, previstos na Constituição Federal e na legislação em geral. Elas expressam o interesse pelo bem comum, pela inserção social, pela oportunidade de direitos e deveres de toda pessoa. Assim, as políticas públicas nas diversas áreas: saúde, educação, emprego, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte, enfim, devem proporcionar benefícios para a população.

Democraticamente, as políticas públicas devem acontecer em etapas. Inicia-se com a identificação dos problemas, cabendo ao governo e à sociedade organizada em estabelecerem as prioridades, analisarem e escolherem medidas que possam solucionar ou amenizar os problemas, concluindo com a análise técnica e política. A participação da sociedade se dá pelos conselhos de direito, pelas conferências, pelas audiências públicas e outros eventos democráticos, que podem ser solicitados pelos governos ou pela própria sociedade.

Quanto é importante a participação da sociedade organizada nas políticas públicas, porque são as pessoas que vivem os problemas e as dificuldades no dia a dia, e são capazes de apontar soluções. É lamentável perceber quando os governos enfraquecem a democracia, e é mais lamentável quando há falta de interesse da própria sociedade. Que a Campanha da Fraternidade de 2019 nos incentive a participação democrática na política.

Para que ações práticas aconteçam entende-se que há a necessidade de romper o preconceito comum de que a política é coisa suja e de nos conscientizarmos de que ela é essencial para a transformação da sociedade. É necessário lembrar que políticas públicas é o cuidado que o Estado e as diversas instâncias de governo devem ter em relação ao cidadão em todas as dimensões. Por isso a insistência em fazer perceber a importância das políticas públicas e a nossa responsabilidade na discussão e elaboração das mesmas.

Os cristãos, individualmente e em grupos, podem estimular a participação dos membros da comunidade nas instâncias colegiadas de controle social das políticas públicas (conselhos de saúde, educação, entre outros), fiscalizar para onde vai o recurso público, acompanha de perto como as leis são elaboradas em municípios e nos estados, etc. Cobrar dos gestores públicos maior qualidade na oferta das políticas públicas.

Como nos lembra Papa Francisco: “Envolver-se na política é uma obrigação para os cristãos. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum. (…) Trabalhar pelo bem comum é um dever cristão. (Papa Francisco, 07 de junho de 2013).

Se há o desencanto, é por meio da participação e do testemunho coerente de uma atuação voltada para o cuidado de todas as pessoas, especialmente das mais necessitadas, que revitalizaremos o verdadeiro sentido da política: servir ao bem comum, como propõe a Doutrina Social da Igreja. Visibilizarmos a vida do Reino de Deus!

 

Pe. Bruno Costa Ribeiro,
no editorial de Março 2019 da Folha Diocesana

Curta Nossa Fanpage:

Empresas que possibilitam este projeto:

Arquivo