Eliana Alvarenga

Sem os jovens, teríamos uma Igreja calada, surda e quieta”

Imagem da internet

Dom Nelson Francelino, bispo de Valença (RJ), foi eleito presidente da Comissão da CNBB para a Juventude para os próximos quatro anos. Como Pastor Referencial para a Juventude, o bispo enviou uma mensagem aos jovens de todo o Brasil.

Leia a mensagem na íntegra:

“Que Igreja seria a nossa sem a juventude? Sem a jovialidade das pessoas e das coisas? Seria uma Igreja calada, surda e quieta! São os jovens que são protagonistas de mudança; são eles que dão o exemplo ao presente através dos seus ideais de ousadia e de futuro. É pelos jovens que qualquer nada vira razão, que todo pouco cresce até ao infinito da existência. A juventude não é a fase das grandes conquistas, é sim a fase das longas caminhadas, de se perder pelo caminho para se reencontrar numa curva qualquer com a certeza do lugar onde se quer chegar. A fé em Deus a faz crer no incrível, ver o invisível e realizar o impossível.

Caríssimos Jovens, quero expressar minha gratidão aos irmãos bispos que me confiaram essa nova função junto à Pastoral juvenil do Brasil, que é marcada pela rica e intensa pluralidade de expressões, que se arrisca por esses longos e vários caminhos de sombras e luzes, visando recriar a esperança, sobretudo, nos locais onde ela existe como uma chama fadada a se apagar. São muitos os desafios do nosso tempo, mas os enfrentaremos com a força rejuvenescedora Pascal da comunhão e do diálogo misericordioso, pensando menos em nós e mais nos jovens machucados.

Assumo a missão nessa Comissão Pastoral Episcopal para a Juventude com a fé em Deus eapostando no protagonismo juvenil para dar prosseguimento a esse caminho que teve a inspiração e origem no início do pontificado do Papa Francisco, sob a presidência de dom Eduardo Pinheiro da Silva; uma boa ampliação na presidência de dom Vilson Basso e, agora, apostando na força do diálogo e da comunhão, pretendo me inspirar no protagonismo das várias expressões juvenis para colocar em prática o Projeto IDE e as indicações pós-sinodais do Papa Francisco para construir pontes e chegar junto aos vários tipos de periferias que marcam esse cenário juvenil.

Eu creio que a juventude é o maior tesouro da Igreja. Ela é classicamente chamada de “a flor da idade” porque é bela, forte, pujante, cheia de vida e desafios. Mas, atualmente, muitos jovens estão sofrendo porque perderam o sentido da vida e porque não lhes foi mostrada a sua beleza conforme a vontade de Deus.

Muitos ainda não sabem o valor que têm, por isso desprezam sua própria existência e a dos outros. Perdidos no tempo e no espaço, debatem-se, muitas vezes, no tenebroso mundo do crime, das drogas, da violência, do sexo sem compromisso e de outras mazelas.

Termino essas minhas primeiras palavras como presidente da comissão parafraseando um texto da música “Alma missionária”, de Ziza Fernandes, quando diz: “Leva-me aonde os jovens necessitem tua palavra
; necessitem de força de viver
. Onde falte a esperança, onde tudo seja triste
 simplesmente por não saber de ti”.

Dom Nelson Francelino
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a juventude

Fonte: Jovens Conectados

http://dioceseprocopense.org.br/posts/detalhe/832

Por que servir mais?

Por que servir mais?

O compromisso de partilhar o dom da vida, dádiva sagrada de Deus, é o horizonte para responder a esta questão: “por que servir mais?”. A medida dessa oferta se alarga, sem limites, para o cristão na incansável missão de contribuir para a edificação de uma sociedade fraterna e solidária. Temos, assim, um longo caminho a percorrer, de diálogos e reflexões, no interno da Igreja, e da Igreja com a sociedade, junto aos irmãos bispos, que me confiaram a missão de presidir a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e com o apoio do povo de Deus.  O exemplo é sempre Jesus Cristo, que entrega sua vida para que todos tenham vida, e não dispensa seus discípulos de se dedicarem a fazer o bem. O grande desafio: o seu seguimento.

O porquê dessa pergunta – “por que servir mais?” – se desdobra, ainda, em outro questionamento: “Para que servir mais?”. As urgências da vida, que é dom, exigem providências, respostas, e as comodidades não podem adiá-las. Indicam que o bem, a verdade, a justiça e o amor não podem esperar o amanhã. É preciso encontrar as respostas logo, se comprometer. Ter a necessária disposição para enfrentar sacrifícios, o que exige abrir mão das vaidades, e coragem para além de todo medo, por saber a dimensão do desafio que se apresenta. É preciso trabalhar para a recomposição dos tecidos esgarçados dos relacionamentos e dos funcionamentos da sociedade, em razão das grandes mudanças e das polarizações, para encontrarmos o caminho do respeito, sobretudo da fidelidade aos valores do evangelho.  E sem as generosidades, sem a presença incondicional e plena, os projetos e as instituições não se sustentam nem se impulsionam. Sobretudo quando a busca é qualificar as condições de servir e de promover a existência de todos, com especial e urgente atenção aos mais pobres, às vítimas das indiferenças e das violências – tudo o que a vida, dom sagrado, exige para “ontem”.

No horizonte dessas urgências, a cultura contemporânea submerge numa avalanche de complexas mudanças, com essa preocupante configuração de polarizações e extremismos. Realidade que mostra a falta de clarividência, gerando até exigências de tratamento criminal para as incivilidades e desrespeitos à sacralidade da vida. Assim, conjugando-se mediocridade e comodidade, arrisca-se a desistir da missão de servir.

Por razão de fé e cidadania, a comodidade e a indiferença não devem prevalecer sobre as necessidades da vida, que não pode perder a sua inteireza. Torna-se urgente servir mais, oferecer o que se pode a mais, incluir sacrifícios, elevando a altos níveis o altruísmo, que não pode faltar no coração de cada pessoa. A vida só alcança a qualidade de dom na medida em que esse dom é vivido como oportunidade de servir e ser operário de uma construção social, política, cultural e religiosa, sobre os alicerces da verdade, justiça e do amor.

Põe-se aqui relevante questão ética no sentido de balizar ações, conceitos, e suas consequências: a responsabilidade de cada indivíduo ante a seriedade de suas posições, escolhas e pronunciamentos, pois a complexidade do momento pode gerar medos e acovardar posturas. Quando se decide por “servir mais” é imprescindível pensar, corajosamente, sobre a oportunidade de se trabalhar por um novo momento civilizatório, considerando a importância de uma ampla reconstrução sócio-cultural-antropológica.

Urge, pois, a configuração de um novo momento. Este é possível! Requer coerência e destemor, ancorados na fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, numa vida com força testemunhal e irretocável credibilidade, avançando na direção do bem e da verdade. Presidir a CNBB é uma missão especial, pois somos bispos, chamados por Jesus Cristo, para ajudar a humanidade a se abrir ao amor de Deus. Nosso compromisso é servir sempre mais. Vale relembrar as palavras de São Martinho de Tours: se precisam de mim, não recuso trabalho.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Ok, Google, estamos seguros?

Durante toda a nossa vida ouvimos relatos e teorias de conspirações, uma mais inacreditável que a outra. Várias obras da literatura trazem histórias de espionagem com aparelhagens ultramodernas, acessórios e vestimentas que se transformam nos mais criativos utilitários tecnológicos para capturar sons e imagens secretamente… Mas, e se as teorias e ficções fossem reais?

No dia 7 de março de 2017, o grupo ciberativista Wikileaks divulgou uma enorme quantidade de dados confidenciais da CIA, Agência Central de Inteligência norte-americana, expondo práticas de espionagem e hacking cometidas pela Agência.

Segundo os dados vazados, a CIA utilizava códigos maliciosos para interceptar informações ciberneticamente, ativando microfones e câmeras embutidos em dispositivos (celulares, tablets, notebooks, etc.) com sistemas iOS, Android e Windows. Houveram casos de captação de áudio até em smartvs.

Os documentos expostos ainda mostravam como a Inteligência dos EUA extraia informações de smartphones e conseguia controlar remotamente veículos e equipamentos médicos. Parece roteiro de algum filme. A Agência acusou o funcionário Joshua Schulte, 29 anos, de fornecer programas da CIA para os ativistas, o que comprova a veracidade dos dados. Se o relato parece fantasioso, caro leitor, “dê um Google”. É assim que a turma hiperconectada diz ao aconselhar que se faça uma pesquisa na internet sobre algum assunto.

A Google é a segunda empresa mais valiosa do mundo. O que ela tem a oferecer? Literalmente, informações! Os resultados das buscas são informações, mas a gigante das pesquisas sabe muito mais do que imaginamos. Ela adquiriu o “finado” Orkut (site de relacionamentos interpessoais – rede social) quando o serviço estava no auge, além de oferecer outros serviços “gratuitos”, em troca das informações dos usuários.

Como se não bastasse, a empresa desenvolveu o Android (e está desenvolvendo o seu sucessor – Fuchsia), sistema operacional para controlar smartphones e outros dispositivos equipados com microfones, câmeras, GPS, etc… e para utilizar tais recursos é necessário fazer um cadastro, fornecendo voluntariamente várias informações pessoais.

A Apple, atualmente a empresa mais valiosa do mundo, além de fabricar tais dispositivos, fornece os sistemas operacionais desenvolvidos pela própria empresa.

Facebook esteve, por muito tempo, entre as mais valiosas do mundo. Juntas, Facebook, Apple e Google, sabem exatamente quem somos, onde moramos, do que gostamos, os lugares onde frequentamos, quem são nossos amigos, e muito mais, e nenhum deles pode proteger, de maneira eficaz, a privacidade do usuário (até a CIA hackeou dispositivos).

É assustador pensar que um grupo de pessoas de má fé possa desenvolver códigos tão maliciosos quanto ou até mais do que os norte-americanos criaram, para roubar dados bancários, localizar facilmente possíveis vítimas de sequestro, eliminar desafetos e… melhor parar por aqui!

Em um mundo onde é (quase) impossível viver sem tecnologias, precisamos retomar o controle das nossas informações pessoais. Precisamos de leis específicas (talvez, um regimento global) e fiscalização severa. Mas, enquanto essa alternativa (de alguma forma) não se concretize, cabe ao usuário ler todos os termos e condições e recusá-los se não estiver de acordo. Também cabe ao usuário não clicar em links com títulos que aguçam a curiosidade, nem permitir que jogos, testes e serviços acessem informações da sua conta além do necessário. Em outras palavras: quando a esmola é demais, o santo não clica!

Joel Fernandes –
Tecnólogo em Sistemas Para Internet

Dom Darci comenta Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações


Dom Darci José Nicioli, arcebispo de Diamantina (MG) e administardor apostólico da Diocese de Guanhães, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, em vista da preparação das comunidades para celebrar o Dia Mundial das Comunicações no próximo 2 de junho de 2019, faz uma análise dos principais pontos da Mensagem enviada pelo Papa Francisco para a ocasião. Ele insiste ainda que cada comunidade tenha algum tipo de iniciativa para renovar o compromisso de todos com uma comunicação que possa demonstrar o compromisso da fé em Jesus Cristo e em seu Evangelho. Ele chama atenção para o modo como o Papa usa expressões de fácil entendimento na Mensagem.
Esta já é a 53ª Jornada Mundial das Comunicações. Para o senhor, qual tem sido a eficácia dessa celebração na vida das comunidades do Brasil?
A primeira coisa que precisamos recordar é que a dedicação, na Igreja, de um dia por ano para a realidade das comunicações no mundo é uma determinação do Concílio Vaticano II. Ela está expressa naquele maravilhoso fruto da reflexão conciliar simbolizado pelo decreto Inter Mirifica, publicado em 4 de dezembro de 1966. Um texto que merece uma releitura aprofundada em nossos dias. Esse documento traz em seu número 18: “Para que se revigore o apostolado da Igreja em relação com os meios de comunicação social, deve celebrar-se em cada ano em todas as dioceses do mundo, a juízo do Bispo, um dia em que os fiéis sejam doutrinados a respeito das suas obrigações nesta matéria, convidados a orar por esta causa e a dar uma esmola para este fim, a qual ser destinada a sustentar e a fomentar, segundo as necessidades do orbe católico, as instituições e as iniciativas promovidas pela Igreja nesta matéria”.
Entendemos, a partir da palavra do Concílio, que o Dia Mundial para as Comunicações tem essa tríplice tarefa: reflexão sobre a importância da comunicação e da atitude moral dos cristãos diante dessa realidade, oração pela causa, isto é, pelas pessoas que operam nesse meio, pelas empresas, pelas entidades, pela pastoral dedicada à comunicação e, certamente, para que as comunidades possam dar uma ajuda concreta e financeira para a manutenção desse trabalho. Eu penso, que no Brasil, temos que crescer nessas três dimensões. Temos muito ainda o que fazer, com criatividade e responsabilidade, tanto nas iniciativas de reflexão, quanto na oração como também na mobilização das comunidades para dar um suporte financeiro aos trabalhos desta natureza presentes nas paróquias e dioceses.
A CNBB tem feito bastante nesse sentido porque criou e mantém uma comissão de bispos para se dedicar a esse trabalho e a preparação para o Dia Mundial das Comunicações tem sido um dos projetos desenvolvido, todos os anos, por essa comissão. Houve um período em que se preparava um material impresso com livretos enviados para as dioceses e, mais recentemente, obedecendo as indicações da Encíclica Laudato Sì no sentido de evitar a multiplicação de impressos, e reconhecendo o poder das publicações digitais, temos preparado um roteiro com chaves de leitura da Mensagem do Papa e uma série de sugestões para a inserção do tema nas celebrações das comunidades. Eu imagino que o próximo mês de maio, que antecede o mês do Dia Mundial, seja bem propício para a o acolhimento dessas sugestões.
A mensagem do Papa Francisco para este ano tem a ver com as redes sociais. O que o senhor tem visto como desafio para os católicos no uso dessas redes e como a palavra do Papa pode ajudar no enfrentamento dessas questões?
Vamos por partes. Primeiro: rede social é, na verdade, aquela expressão do encontro de pessoas com propósitos comuns. Uma família e seus agregados formam uma rede social. Um grupo de amigos da escola forma uma rede social. Uma comunidade de igreja é uma bela rede social e assim por diante. Nessas redes, a comunicação costuma ser mais harmoniosa, contém mais valores de respeito e de tolerância, mesmo que também elas enfrentem riscos de dificuldades representadas pela malquerença, pela fofoca e por outras expressões do pecado. Hoje em dia, nos deparamos com as redes sociais digitais. E aí começam vários problemas para os quais o Papa oferece uma luz na reflexão na Mensagem deste ano. Diferente das redes sociais básicas, nessas redes digitais encontramos, de forma substancial e perigosa, correntes de ódio, destruição de reputações, manipulações políticas e outros grandes males que povoam as sociedades do nosso tempo e encontraram nessas redes um lugar de fácil ação.
Papa Francisco lembra que “Desde quando se tornou possível dispor da internet, a Igreja tem sempre procurado que o seu uso sirva o encontro das pessoas e a solidariedade entre todos”. Esse princípio se aplica ao modo como a Igreja se posiciona diante das redes sociais digitais, isto é, é preciso que todos nós usemos essas redes para promover o encontro das pessoas e que elas sejam, para nós, instrumentos eficazes para complementar a promoção de uma vida mais solidária entre os membros das redes sociais básicas, quer dizer, das famílias, das comunidades, da sociedade. Todo texto da Mensagem deste ano, portanto, serve a esse propósito do Papa Francisco, ou seja, o de “convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão”.
Notamos facilmente na leitura da Mensagem que o Papa faz uma ligação do que se faz hoje em redes digitais com a questão humana fundamental, a experiência de “ser-em-relação”. Esta é, na verdade, o centro da nossa experiência humana e cristã. Todo dia, somos convidados a crescer no entendimento de quem somos verdadeiramente e como esse nosso ser se abre para a relação com os outros e com o mundo, segundo a orientação de Deus. A comunicação é um veículo importante que transporta esse nosso desejo de realização pessoal e comunitária, a partir da experiência de fé que nos une no amor de Jesus Cristo e nos protege da solidão do egoísmo. Compreendemos assim, que a Mensagem sobre redes é uma mensagem sobre comunidades, sobre a vivência da fé.
Um dos temas da Mensagem é apresentação das metáforas da rede e da comunidade. O que a palavra do Papa nos chama atenção em particular nessa reflexão?
Nós precisamos reconhecer que o Papa Francisco é um comunicador excepcional. Os recursos que ele usa em suas declarações tem um poder muito grande que nos ajuda na compreensão rápida do que ele quer nos dizer. Eu sinto que uma simples leitura da Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações já seria suficiente para o entendimento. Aliás, temos insistido, nas reuniões da Comissão na CNBB, para não multiplicarmos textos de mensagens sobre a Mensagem, o que poderia ser uma desatenção ao que o Papa nos diz, com toda clareza. A nós cabe uma tarefa muito especial: repercutir o que o Papa expressa na Mensagem. Levar a campo, repetir, aprofundar os aspectos que ele menciona no texto.
O Papa usa as metáforas para nos chamar a atenção e não nos confundirmos a respeito do que é uma coisa e do que é a outra. Ainda que as redes tenham se inserido muito na vida das comunidades, elas têm sido usadas para desinformar, distorcer com propósitos bem definidos por empresas e grupos políticos. Isso sem falar que a própria tecnologia digital tem sido um instrumento muito perigoso que pode resultar na formação de pensamento único, o que empobrece as relações humanas. Veja bem o que o tal algoritmo, por exemplo, tem feito com as redes sociais digitais. Se você manifesta algum interesse em certos temas ou produtos, daí em diante, a própria programação dos conteúdos de sua time line nas redes é bombardeada com ofertas e comentários naquela única direção. Dizem até que a internet passou a saber qual é a nossa intenção. E isso é muito grave, merece uma atenção especial.
“Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo”, adverte o Papa Francisco. E aí a metáfora da rede sem um centro norteador de sentido, como ocorre na comunidade pode ser um risco profundo para todos nós que nos comunicamos a partir de nossa fé. E tem mais, a frequência às redes sociais digitais pode promover o isolamento social e não um caminho para o fortalecimento das comunidades. Por isso o Papa lembra: “Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamentação legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma”.
O título da Mensagem, “somos membros uns dos outros”, retirado da Carta aos Efésios, teria um significado particular nessa Mensagem do Papa? Qual poderia ser?
São Paulo é conhecido nos primórdios da vida da Igreja como o “Apóstolo dos gentios”, isto é, aquele que leva o Evangelho de Jesus ao resto do mundo que não fazia parte do universo do judaísmo. Poderíamos dizer, hoje, que esse título dado a ele representa que o Apóstolo tem uma comunicação aberta, acolhedora, inclusiva e não apenas uma comunicação eficiente para os iniciados na vida de fé. A expressão escolhida pelo Papa se encontra num contexto interessante porque São Paulo, no capítulo 4 da Carta aos Efésios, escrevendo da prisão, pede aos cristãos que levem uma vida digna da vocação à qual foram chamados. Ele faz uma série de exortações nesse sentido e, entre elas, pede que sejamos vítimas da mentira, mas verdadeiros uns com os outros, porque “somos membros uns dos outros”.
O tema da mentira, aliás, foi tratado pelo Papa na Mensagem do ano passado. Ele falou das Fake News e do jornalismo de Paz. A reflexão deste ano está em perfeita harmonia com aquilo que aprofundamos em 2018. Eu destacaria também o fato do Papa nos trazer a ideia de que formamos apenas um corpo. Todo o meu trabalho na Comissão para a Comunicação da CNBB, nesses últimos quatro anos, foi realizado com essa bandeira: “somos um único corpo evangelizador”. Essa é uma metáfora poderosa e eficiente porque representa o que verdadeiramente somos na tarefa de evangelizar. Cada um com suas estratégias e funções específicas, mas todos com o mesmo propósito de levar ao coração das pessoas o amor de Cristo.
Outro destaque que eu faria está presente na seguinte expressão do Papa Francisco: “nós, cristãos, somos chamados a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes. De fato, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro e corresponder-lhe”. A vivência profunda da fé já é o caminho para uma comunicação eficaz. Desejo que isso seja lembrado por todos aqueles que postam conteúdos em redes sociais digitais. Que lembrem-se de seus compromisso com a fé que sempre incentivam a busca e a promoção da comunhão, da tolerância, do amor e da paz.
Precisamos ir do “Curti” ao “Amém”?
Gostei imensamente dessa adoção que o Papa faz na Mensagem deste ano de um termo muito conhecido dos frequentadores de redes sociais digitais: o “curti”, aportuguesado do “like” original. Quando alguém faz um clique sobre o “curti”, na verdade e guardando as devidas proporções, corresponde ao fato de que essa pessoa faz um ato de fé. É como se ela dissesse que acredita, que crê naquilo que acabou de ver ou de ler. E se é um ato de fé, é um ato de grande responsabilidade e compromisso. É uma adesão pessoal àquele conteúdo apresentado. Sair do “curti” para ir ao “amém”, ao meu ver é um caminho muito exigente porque o “amém” é uma declaração poderosa de como gostaríamos que as coisas acontecessem. Acho que essa palavra deve nos ajudar a ter maior consciência a respeito do que reforçamos nos conteúdos postados na internet.
As cinco conclusões do Papa sobre o uso das redes em nossas comunidades devem merecer toda a nossa atenção. Primeira: “A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro”. Segunda: “Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão”. Terceira: “Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso”. Quarta: “Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso”. E a última: “Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso”.
E, claro, ir do “curti” ao “amém”, conforme o Papa Francisco nos ensina: “Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos ‘like’, mas na verdade, no ‘amém’ com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros”.

Fonte: http://www.cnbb.org.br

XXVI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO LAICATO DO BRASIL – CNLB

A Arquidiocese de Uberaba acolheu nos dias 03 a 05 de maio de 2019 a 26ª Assembleia Geral e Ordinária do Conselho Nacional de Leigos do Brasil – CNLB-LESTE II-MG/ES

O Encontro foi a assessorado por padre Alfredo J. Gonçalves, sacerdote scalabriano,  cujo lema foi :“Vós sereis minhas testemunhas”  e tema: “O agir dos Cristãos Leigos e Leigas, do Vaticano  II ao Papa Francisco”. Padre Alfredo, na análise de conjuntura, desenvolveu reflexões cujas janelas nos permitiram visualizar um contexto sócio-econômico-político de “crise” tanto mundial como local e/ou pessoais onde a individualidade é predominante, o que nos coloca em encruzilhadas de onde somos chamados a posicionarmos  diante de muitas  alternativas colocadas. Não deixemos a crise nos estagnar. Voltemos às origens do Evangelho e lá bebamos da Fonte da Água Pura, como os primeiros cristãos que, sacudidos pelo Espírito Santo,  romperam o saudosismo de um projeto, aparentemente morto, abriram  as portas fechadas e saíram  revigorados. Crises nos interpelam a recriarmos, reinventarmos novos  caminhos.

Conforme a pauta do encontro/assembleia – além dos momentos de formação e oração -, elegeram-se os delegados e delegadas ao VII Encontro Nacional do Laicato do Brasil, a realizar-se em Cuiabá, de 20 a 23 de junho, como também a prestação de contas do ano de 2018.

Além dos cristãos leigos e leigas das dioceses das arqui (dioceses) de Belo Horizonte, Cachoeiro do Itapemirim, Campanha, Caratinga, Colatina, Coronel Fabriciano/Itabira, Diamantina, Divinópolis, Guanhães, Leopoldina, Mariana, Montes Claros, Pouso Alegre, São Mateus, Teófilo Otoni, Uberaba e Uberlândia, participaram do encontro o Monsenhor Célio Pereira de Lima – coordenador de pastorais da arquidiocese de Uberaba – e padre Patrício Geraldo Fialho, da Diocese de Caratinga. Leci C. Nascimento, presidente do CNLB LESTE II, conduziu os trabalhos, assessoria dos membros da presidência do Regional e preparado pelos cristãos da diocese de Uberaba, totalizando cerca de 70 pessoas. Da Diocese de Guanhães, participaram Mariza Pimenta e Maria Madalena Pires, da equipe de criação do Conselho Diocesano de Leigos.

Maria Madalena Pires e Mariza Pimenta – Diocese de Guanhães.

“VÓS SEREIS MINHAS TESTEMUNHAS” (At 1,8)

“O agir dos Cristãos Leigos e Leigas, do Concílio Vaticano II ao Papa Francisco” foi o ponto de partida para a reflexão no ENCONTRO DO LAICATO  EM SUA XXVI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL – CNLB LESTE II – MINAS E ESPÍRITO SANTO, realizada em Uberaba (MG), de 3 a 5 de maio de 2019, no Centro de Pastoral João Paulo II, Arquidiocese de Uberaba.

Com a participação de Cristãos Leigos e Leigas das arqui(dioceses) de Belo Horizonte, Cachoeiro do Itapemirim, Campanha, Caratinga, Colatina, Coronel Fabriciano/Itabira, Diamantina, Divinópolis, Guanhães, Leopoldina, Mariana, Montes Claros, Pouso Alegre, São Mateus, Teófilo Otoni, Uberaba e Uberlândia, como também do padre Patrício Fialho– da diocese de Caratinga – e Monsenhor Célio Pereira de Lima – Coordenador de Pastorais da Arquidiocese de Uberlândia -, padre Alfredo J. Gonçalves, sacerdote scalabrino, assessorou o encontro fazendo uma análise de conjuntura.

Padre Alfredinho, como é carinhosamente chamado, ressaltou a importância da participação dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na Vida Política:

. Em tempos de crise, é preciso retornar à Boa Nova de Jesus, aos critérios do Evangelho, para vencer os desafios; alguns setores da Igreja estão indo na contramão dos ensinamentos do Mestre;

. O problema não é ser contra a Política, mas ser contra a maneira de fazer política; o cristão leigo é aquele que, a partir do Evangelho de Jesus, vai “fermentar a massa da Sociedade”;  imitar é a pior forma de seguir, é uma forma de trair;

. O Reino de Deus tem suas raízes na “não fronteira”; o “não lugar” é o melhor lugar para lançar as sementes do “novo lugar”, o Reino de Deus;

. A Cruz tem que nos levar à encruzilhada, às periferias da Sociedade; é preciso ouvir o pobre; muita gente fala em ir às fontes, mas que sejam as fontes da Verdade (prática) de Jesus (das primeiras comunidades aos apóstolos que saíram para anunciar a Ressurreição).

. É preciso avançar nas formas de Ser Igreja; que sejamos a Igreja Viva de Jesus, testemunhando seus ensinamentos em todos os lugares.

(Os vídeos das palestras do padre Alfredinho estão na página do CNLB LESTE II; acessem, saibam mais).

Cristã leiga, de Montes Claros, Leninha – Deputada Estadual em Minas Gerais – também participou do evento e partilhou seu testemunho de atuação na Igreja e na Política, seus desafios numa sociedade capitalista onde o pobre não tem vez e nem voz. Recordando que “A Política é a forma mais perfeita da caridade”. (Papa Pio XI).

Tendo em vista que o leigo é aquele que, a partir do Evangelho, vai “fermentar a massa da Sociedade”, “Ser Sal da Terra e Luz do Mundo” e “Vós sereis minhas testemunhas” At 1,8, é que os trabalhos do ENCONTRO DO LAICATO DO LESTE II e XXVI ASSEMBLEIA DO CNLB foram conduzidos pela presidente do Regional Leste II, Lecy C. Nascimento. Além dos momentos de formação e reflexão, de acordo a pauta, fez-se a prestação de contas de 2018 e  Eleição de 10 delegados para participarem da ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA do 7º ENCONTRO NACIONAL, a realizar-se em Cuiabá, de 20 a 23 de junho.

 A todo momento “Deus chama a gente pra um momento novo de caminhar junto com seu povo. É hora de transformar o que não dá mais…”

Agradecimentos a todos, que se “puseram a caminho” e contribuíram para mais um ENCONTRO DE IRMÃOS E IRMÃS; que acreditam que “nosso agir, na Igreja e na Sociedade, irradia vida e esperança para toda a humanidade”. “Não deixemos que nos roubem a esperança”.(Papa Francisco). Ações concretas, sinais de esperança, nos animam e fortalecem na caminhada com Jesus de Nazaré. “É preciso colocar as lamparinas em lugares mais altos para que iluminem melhor”.(Mt 5,15).

Mariza Pimenta – Equipe de Comunicação do CNLB-Leste II.

06/o5/2019

TRABALHO E TRABALHADOR

A compreensão da vida e do ser humano a partir de qualificada perspectiva antropológica deve iluminar a compreensão do verdadeiro sentido do trabalho e da genuína atribuição do trabalhador. Esse entendimento deve passar longe da ganância alimentada pela idolatria do dinheiro, com suas forças perversas, e da lógica da indiferença, que caracteriza a chamada economia de mercado. Compreender o correto sentido do trabalho e do trabalhador exige enxergar para além dos números. Quando somente as estatísticas e os balanços são considerados, há o risco de se ignorar a indicação do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium – Alegria do Evangelho: não à economia de exclusão, não à nova idolatria do dinheiro, não ao dinheiro que governa em vez de servir e não à desigualdade social que gera violência.

Sem adequada leitura da realidade, deixando-se envolver somente pelo valor do dinheiro, a sociedade continuará a sofrer com a exclusão social e com a corrupção endêmica. O ideal é o exercício da cidadania a partir do respeito incondicional à vida, reconhecendo a sua sacralidade, em todas as suas etapas, da fecundação ao declínio, com a morte natural. E nesse caminho, deve-se retomar o dever sagrado do ser humano, que vem dos primórdios: cultivar a terra, promover o desenvolvimento integral e sustentável.

A narração bíblica da criação do homem e da mulher, à imagem e semelhança de Deus, traz importantes lições sobre a verdadeira missão do ser humano. Deus, o criador, atribui ao homem e à mulher a responsabilidade de proteger e se dedicar ao mundo – o mundo de Deus – sob o horizonte insubstituível do amor. Assim, todos devem viver como irmãos e irmãs uns dos outros. Eis a base para a igualdade social, para a compreensão de que as diferenças, quando bem articuladas, são riquezas, capazes de se desdobrar em desenvolvimento integral e sustentável. E o trabalho integra, nesse contexto, a condição originária do ser humano. Jamais pode ser considerado punição ou maldição.

O sentido do trabalho passa a ser desvirtuado quando a humanidade sucumbe-se à tentação de alcançar domínio absoluto sobre todas as coisas, sem respeitar a vontade do Criador. Consequentemente, idolatrias de todo tipo são alimentadas, especialmente a que supervaloriza o dinheiro. A partir desse momento, começa a exploração das pessoas – uma perversidade, completo desrespeito à sagrada dignidade da vida. Abre-se também o caminho que leva ao tratamento predatório do meio ambiente, sob o véu de um falso desenvolvimento. E a ganância sem limites submete todos ao caos, inclusive os que detêm a riqueza e o poder.

É preciso retomar o significado do trabalho, inspirando-se nos ensinamentos de Jesus, operário por excelência, em amorosa obediência ao desígnio de seu Pai. Trabalha em favor de cada pessoa e, ao mesmo tempo, ensina que não se pode aceitar a escravização. Ao refletir sobre a Palavra de Deus, particularmente as narrativas sobre a vida de Jesus, compreende-se o valor do trabalho e do descanso. O repouso, essencial para recuperar a inteireza física, emocional e espiritual, é dom precioso que permite enxergar o sentido do próprio trabalho. E trabalhar é poder experimentar a alegria de contribuir, com dons e aptidões, na construção de um tempo novo, pautado na justiça e na paz, colaborando com a obra do Criador.

Percebe-se, assim, que o trabalho deve ser caminho para cada pessoa exercer a sua vocação e se realizar. É preciso, pois, compreender-se como servidor – estar a serviço da vida de todos. Vale superar o comportamento mesquinho de apenas buscar o atendimento a interesses meramente particulares e experimentar a alegria de ver, na felicidade e realização do outro, que é irmão, o fruto do próprio trabalho. Em uma sociedade em que milhões sofrem sem trabalho, claro desrespeito à dignidade humana, permanece diante de todos, o desafio: para além de números e interesses financeiros, conquistar a fecunda e qualificada compreensão a respeito do trabalho e do trabalhador.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Carta convite da PJ da Diocese de Guanhães

 

Guanhães, 02 de Maio de 2019.

Se desejamos seguir a Cristo de perto não podemos escolher uma vida fácil e tranquila. Devemos escolher uma vida exigente, mas cheia de alegria.

                                                                                                                          (Papa Francisco)

Queridos Padres e Jovens Líderes da Diocese de Guanhães, a Pastoral da Juventude da Diocese de Guanhães convida Jovens Líderes e assíduos na caminhada de evangelização da juventude para participarem do Encontro de Formação Permanente da Pastoral da Juventude. 

O encontro acontecerá dia 11 de Maio de 2019, em Guanhães, na Catedral.

ORIENTAÇÕES PARA O NOSSO ENCONTRO DA PJ            

 –Cada paróquia deverá enviar no MÍNIMO 02 jovens (Preferencialmente líderes da PJ ou movimento jovem da paróquia)

-O valor da inscrição do encontro será de R$ 25,00 por pessoa.

-O encontro se iniciará com o café às 08:30  e término às 17:00 horas.

-Aos participantes levar: bíblia, caderno para anotações.

-A confirmação de nomes para a reunião no email:ivandersoncdl@hotmail.com ou (33) 98857-2228 / (33) 99937-9878.

 

Ivanderson Chander – (Pão)                                                            Padre Salomão Rafael

Coordenador Diocesano                                                                     Assessor Diocesano                                                           

Homilia de Dom Leonardo, bispo emérito de Paracatu durante a Missa em ação de graças pelos 33 anos de instalação da diocese

                                                                    1° DE MAIO EM GUANHÃES

Para homilia desse 1° de maio, trago três considerações. 1º – afigura do operário José, carpinteiro, esposo da Virgem Maria, pai adotivo de Jesus. 2º – Sendo abertura de mês mariano, nosso olhar se volta espontaneamente para a Virgem Maria. 3º Comemoramos os 33 anos de instalação desta Diocese e posse de seu 1° bispo, o saudoso e tão querido Dom Antônio Felippe da Cunha.

Ao retornar à cidade onde  tinha sido criado, Jesus causa o maior espanto e admiração por sua profunda sabedoria. Convidado a falar na sinagoga de Nazaré, toma um texto de Isaías que fala de sua identidade e de sua missão. Admirados os ouvintes se perguntam: Não é ele o filho do carpinteiro? Onde ele aprendeu tudo isso? (13:55). Não é Ele Filho do carpinteiro! Jesus entra em nossa história, está entre nós, nascido de Maria pelo poder de Deus, mas com a presença de José, pai adotivo, de pleno direito. José cuida do filho e Ihe  ensina seu trabalho. Jesus então vira operário e com seu exemplo santifica, dá dignidade e importância ao trabalho! Contemplemos, pois, Jesus que nasce e vive em uma  famíia e aprende com José o ofício de carpinteiro,  na modesta carpintaria em Nazaré, dividindo com ele seus compromissos, esforços, satisfação e as dificuldades do dia a dia. O Gênesis nos diz que Deus criou o homem e a mulher dando-lhes a missão de encher a terra e sujeitá-la, isto é, cultivá-la, protegê-la, cuidar dela com o seu trabalho, mas não destrui-la (Gen.1, 28 2 15). O trabalho faz parte do plano de amor de Deus. Somos chamados a cultivar e cuidar de todos os bens da criação, participando do ato criativo de Deus. O trabalho é fundamental para a dignidade de uma pessoa Disse o Papa Francisco: o trabalho nos unge de dignidade, nos plenifica de dignidade, de certa forma nos toma semelhantes a Deus, que trabalhou, trabalha e age sempre ( s7), dá a capacidade de nos manter nossa família, contribuir para crescimento da nação, O trabalho é um dever e um direito de todos. Trabalho não é maldição! Muito ao contrário: maldição é a falta de emprego. Vivemos uma tragédia: o desemprego. Triste e revoltante situação de nosso imenso e rico pais. É de causar revolta a realidade de treze milhões de brasileiros desempregados. No entanto, não há que perder a esperança. Vale aqui uma séria acusação contra outra dolorosa  situação, infelizmente ainda muito comum entre nós: o trabalho escravo. Quanta gente no mundo é vitima desse tipo de escravidão. É justo que a classe operária se junte em protestos e denúncias contra tamanha perversidade e busque, de forma ordenada mas firme, solução para seus problemas. Enfim, o trabalho pode ser penoso, mas nos faz crescer em experiência e purifica nossa vida, é e será sempre um importante direito, conforme a Declaração dos Direitos Humanos de 1948, sacramentada pelos membros das Nações Unidas. Daí resulta a grave obrigação social dos governantes de assegurar trabalho para todos, o que infelizmente está longe de acontecer. Nossa celebração lembra que, na visão cristã, trabalho não é somente ter um emprego para ganhar dinheiro, mas o trabalho é a atividade do ser humano que o faz sentir-se vivo, sentir-se útil e realizado, vivendo a dignidade de todo filho ou filha de Deus. Maio, mês de Maria. Desde o início da evangelização do Brasil, Nossa Senhora teve e tem uma grande presença na formação e na vivência crista do nosso povo. Como é bom reconhecer que a nossa cultura tem raiz cristă e mariana. Basta observar quantas dioceses, paróquias, cidades, vilas, bairros, serras, rios, colégios, empresas, pessoas trazem o nome da Mãe do Céu, sob os mais diferentes títulos com os quais é invocada no Brasil e no mundo, para perceber o quanto o nosso povo, venera e ama a Virgem Maria. Cultivamos especial manifestação de piedade, amor e confiança para com a Virgem Maria, seguindo a recomendação do Concilio Vaticano Il: todos os fiéis cristãos ofereçam insistentes súplicas à Mãe de Deus e Mãe de todos nós, para que Ela, que com suas preces assistiu o nascimento da igreja, também agora, exaltada no céu, na Comunhão de todos os Santos, interceda por nós junto a seu divino Filho, agora, sim, mas sobretudo na hora de nossa morte. E recomenda seja dado grande valor às práticas e aos exercícios de piedade muito comuns em todo o nosso pais, no correr do ano inteiro, mas especialmente neste mês de maio, com os quais veneramos a Santa Mãe de Deus, por exemplo, a reza diária do Terço em família, as Novenas em honra e louvor a Maria, as Coroações de Nossa Senhora, prática muito divulgada em nosso estado. Por tudo isso pedimos que Nossa Senhora abençoe todos os lares do Brasil, para que sejam uma pequena igreja doméstica, onde se vive o amor, a fé, a união e a paz. Que Nossa Senhora tenha sob  sua poderosa intercessão nossa querida Diocese de Guanhães. A propósito, esta amada Diocese está completando trinta e três anos de existência. Com forte emoção e alegria, recordo a grandiosa cerimônia de sua instalação e posse do 1° bispo diocesano, Dom Antônio Felipe da Cunha, na manhã de 1º de maio de 1986. Constituída de paróquias desmembradas da Arquidiocese de Diamantina e das Dioceses de Itabira e Governador Valadares, foi sob o olhar e a proteção da Mãe de Deus e do operário S. José que a Diocese, como criança que começa a andar, deu seus primeiros passos, bem firmes e decididos, sob o zelo, a piedade e o cajado do tão querido Dom Felippe, projetando-se logo no cenário religioso e pastoral do Regional Leste II da CNBB. Pena é que, não muito tempo depois, inesperadamente, fomos colhidos pela triste noticia do falecimento de Dom Felipe, vitima de enfarto fulminante. Sucedeu-lhe Dom Emanuel Messias que, por sua vez, não permaneceu muito tempo aqui, transferido que foi para a Diocese de Caratinga. Veio Dom Jeremias que no ano passado, por razões pessoais, entregou ao Papa sua renúncia ao governo da Diocese. Agora, em meio à perplexidade e tristeza que tomaram conta de todos, aguardamos ansiosos e cheios de expectativa a nomeação do próximo Bispo. Pelas conversas ao pé do ouvido ouve-se dizer que sua nomeação está para sair a qualquer momento. Estou aqui a pedido pessoal do sr. Arcebispo de Diamantina, Dom Darci José Nicioli, DD. Administrador Apostólico da Diocese. Teve início hoje, pela manhã em Aparecida, a Assembleia Geral Ordinária da CNBB, razão por que Dom Darci não pôde comparecer e me pediu para representá-lo nesta cerimônia. Muito honrado, embora consciente de minha insignificância e incapacidade de uma melhor representação, uno-me a todos vocês, irmãos e irmãs, para louvar e agradecer a Deus pelos 33 anos da Diocese de Guanhães, e pedir a Deus que, o mais breve possível, mande-nos um bispo que, antes de tudo mais, seja um amigo, pai e pastor desta amada Diocese, para a glória de Deus, para o bem e a felicidade de todos Vocês. Diocese de Guanhães: sê o que és! Igreja Particular, vivendo o dinamismo da comunhão e missão. Em torno do bispo que está para ser nomeado e em perfeita comunhão com ele, floresçam as paróquias e as comunidades cristãs como células vivas e pujantes de vida eclesial na busca de uma caminhada conjunta, mantendo sua fisionomia própria. O espírito de comunhão e participação seja o grande ideal e a luz inspiradora de sua ação pastoral. Que o novo pastor a ser nomeado realize o sonho do Papa Francisco: fazer da Diocese uma lgreja em saída e que ele próprio, a exemplo de Jesus Bom Pastor, conheça de perto a vida, a cultura, os problemas de suas ovelhas e, sob a ação do Espírito Santo, promova com vigor a evangelização de sua gente, concorra para a promoção humana e a enculturação da fé. Concluindo, permitam-me um esclarecimento. Por diversos motivos que não preciso referir aqui, prendo-me a três dioceses:  à arquidiocese de Diamantina, em razão de origem e nascimento. À diocese de Paracatu, da qual fui o pastor diocesano por 26 anos e meio. E a esta amada diocese de Guanhães, particularmente a esta cidade que me acolheu, me concedeu o título de cidadão honorário, o que me permite dizer e saudá-los assim: prezados conterrâneos guanhanenses. Amo esta terra! Sinto-me orgulhoso de me considerar guanhanense. Asseguro-lhes minhas orações, porque peço sinceramente a Deus que abençoe a Diocese, abençoe todo o nosso bom povo católico, abençoe a todos vocês, queridos irmãos e irmãs!

Amém!

Aniversário da Diocese de Guanhães

Celebramos 33 anos da Diocese de Guanhães e esta data nos faz pensar em três pilares:

  1. Tempo de lembrar o passado.

Na bíblia, temos o Salmo 78(77) que nos diz: “o que nós ouvimos, o que aprendemos, o que nossos pais nos contaram, não ocultaremos aos filhos; mas vamos contar à geração seguinte as glórias do Senhor, o seu poder e os prodígios que operou… para porem em Deus sua confiança, não esquecerem as obras de Deus” (vv. 3-4.7).  Como é importante conservar a memória da presença amorosa de Deus nessa caminhada viva, dessa porção do povo de Deus, que há 33 anos era designada pelo São João Paulo II, a traçar uma nova estrutura missionária, a caminhar com nossos próprios! Na história da nossa Diocese, como não se lembrar do seu primeiro Bispo, Dom Antônio Felippe da Cunha, SDN, considerado por muitos como homem santo e simples que marcou a trajetória da nova Diocese! E os demais Bispos que por aqui passaram, dom Emanuel, sempre a “Serviço da Misericórdia”,  dom Jeremias, que de longe, veio para “Fazer a Vontade de Deus” em tempo de dúvidas e incertezas de fé, e também, muitas crises em todo o cenário social. Quantos presbíteros, religiosos e religiosas, leigos e leigas, agentes de pastoral… que deram o melhor de suas vidas para a edificação do Reino nesta Igreja Diocesana! Portanto, o aniversário de nossa Diocese deve ser tempo para reavivar a presença de Deus em nossa história, tempo para celebrar as maravilhas que o Senhor realizou ao longo desses 33 anos de nossa caminhada, tempo, também  de pedir perdão pelas nossas infidelidades e por nem sempre termos correspondido aos apelos de Deus e do ser cristão! Esta é a primeira atitude que, acredito eu, surge espontaneamente do fundo do coração de cada um e cada uma; talvez expressando melhor,  uma grande ação de graças ao Senhor da História pela nossa história!

  1. Tempo de se comprometer com o presente.

Deus tem sempre algo novo a nos falar; ele nos desafia a descobrirmos algo novo, a  descortinar novos horizontes, e os mesmos, a serem conquistados. “Ele está sempre à porta, batendo, esperando que possamos ouvi-lo, e abrir a porta, para que possa deixá-lo entrar no nosso coração”, e assim sermos mais íntimos do Seu coração.  (cf. Ap 3,20). É bonito e gostoso sentirmos saudade do passado, mas não podemos ficar parados, fixos no que se foi, no que não mais voltará.  Por isso, queridos, o aniversário da nossa Diocese pode ser momento de privilégio, para e preencher-nos da graça de Deus, e assim,  retomarmos o fervor dos primeiros tempos, recomeçar com renovado ardor e empenho a obra maravilhosa e apaixonante da evangelização. Estamos caminhando à luz da V Assembleia Diocesana de Pastoral, que tem como objetivo, nessa igreja particular, o mesmo de toda a Igreja no Brasil: “Evangelizar a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo. Essa é a base para que sejamos todos protagonistas dos novos tempos, dando nosso compromisso às exigências do Espírito do Senhor a nós.

  1. Tempo de esperança em relação ao futuro.

Como será o futuro da nossa Diocese? De uma coisa estamos certos: “A esperança não nos  decepciona” (Rm 5,5). Cremos firmemente que o Deus que sempre esteve presente conosco ao longo desses 33 anos acredito e tenho fé que Ele  haverá de estar também conosco a cada momento do futuro. Ele nos assegura: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20b). Que esse júbilo de nossa querida Igreja Diocesana, que celebraremos, hoje, seja também tempo de sonhos, esperança, reflexões e projeções  de  que o Evangelho de Jesus Cristo se torne mais vida em nossa história ao longo de todos os tempos!  E Que o Arcanjo Miguel, a quem essa igreja é confiada aos cuidados de proteção, e Maria , nossa Mãe Aparecida e padroeira, dedicamos, com fé e ternura, todas as atividades de nossa caminhada. Ela que esteve no momento de dificuldade daqueles pescadores, e tantos outros e outras que passaram ou passam por dificuldades, confiante e silenciosa, seguindo os passos firmes, nos acompanhe em nossa caminhada ao longo destes novos tempos, a fim de que, por sua intercessão maternal, nosso Deus nos fortaleça na gratidão em relação ao passado, no compromisso para com o momento presente e na firme esperança em relação ao futuro. E assim, caminharemos na travessia do deserto da vida, “neste mundo dilacerado por crises, desavenças, brilhando cada vez mais como sinal profético de unidade e de paz”, assim seremos eco e esplendor do grande Amor de Deus por nós.

Michel Hoguinele F. Aráujo

Pela Pascom Diocesana

Encontro Diocesano de coordenadores de catequese

 “O cuidado com a Espiritualidade do Catequista se faz prioridade. É a Espiritualidade que mantém acesa a chama do Amor-Encontro com Deus e da Missão do Catequista.”

Pe. Adroaldo Palaoro sj, nos diz: “É a espiritualidade que reacende desejos e sonhos, que desperta energias em direção ao algo “mais”; é a espiritualidade que faz descobrir, escondida no cotidiano, a presença amorosa do Deus Pai-Mãe que nos envolve; é a espiritualidade que projeta a vida a cada instante, abre espaço à ação do Espírito, nos faz ser criativos e ousados em tudo o que fazemos e dá sentido e inspiração a cada ação humana, por mais simples que seja; é a espiritualidade que nos desperta e nos faz descobrir que nossa vida cotidiana guarda segredos, novidades, surpresas… que podem dar novo sentido e brilho à vida.

Sabendo-se que sem o cultivo da Espiritualidade, a catequese não caminha  bem, o Regional Leste 2 propõe que sejam elaborados projetos de formação seguindo níveis, assim sendo, a coordenação  diocesana  elabora projetos de formação e espiritualidade anualmente, de acordo com as necessidades.

Intitulado com “Navegar é preciso” iniciou-se o projeto em outubro de 2017 através de um encontro assessorado por  Pe Jean Poul  Hansen da Diocese de Campanha/MG, seguindo-se com  o estudo do livro O Processo de Formação da Identidade Cristã de Padre Vanildo de Paiva da Arquidiocese de Pouso Alegre, nas áreas catequéticas e nas paróquias, e, que também assessorou, em outubro de 2018, um encontro para formação e espiritualidade do grupo. Em 06 de abril, este projeto foi concluído, através de um encontro assessorado por  Pe Bruno Costa Ribeiro, que gentilmente atendeu ao convite da equipe da Comissão Diocesana, no qual conduziu as reflexões fazendo memória dos dez capítulos do livro. Intercalando às reflexões de Pe Bruno, a equipe da Comissão usou de elementos do Bibliodrama e Sociodrama, promovendo  o “Encontro com a Palavra” de todos os textos bíblicos, usados pelos autores no livro em estudo.

Após o encontro recebemos alguns depoimentos:

Um dia inteiro de espiritualidade e formação! Só me resta render graças a Deus por esta oportunidade de crescimento e de fortalecimento. É emocionante ver a dedicação das pessoas para com as coisas de Deus. Dá pra entender direitinho como é que os discípulos amedrontados e acuados após a morte de Jesus, encheram-se de coragem e se colocaram a caminho, divulgando a Boa Nova, dispostos a doarem as próprias vidas. Dá pra sentir a coragem deles, especialmente quando nos aproximamos de pessoas como vocês! Obrigada de coração por ser parte do nosso reavivamento, por nos ajudar a retirar as vendas dos olhos e a enxergar a luz, por responderem sempre com firmeza às perguntas de Jesus, por cuidarem tão bem das ovelhas que Ele lhes confiou e por nos lembrar de cuidar das nossas, por nos mostrar o que é “serviço” servindo! Quanto carinho, quanto cuidado, quanta organização, quanta leveza e quanta profundidade! Obrigada de coração! Que Deus nos abençoe e que possamos levar esse exemplo para as nossas comunidades.

                                                                      Rosilene Silva Ávila ( Sabinópolis)

“A avaliação é muito boa do encontro. A equipe diocesana cuidou dos detalhes. Tanto símbolos, roupas e uma maestria perfeita. Vocês agiram como contra regra de TV montando e desmontando o cenário. Eliana, como juíza brava cronometrando tudo e muito legal. E o padre Bruno com intervenções ricas e provocadoras. Dia de espiritualidade e de refazer conceitos. Parabéns a todos envolvidos”

                                                                    Alessandro Gomes (São Pedro)

Achei o encontro excelente. Pe Bruno é show. Que simpatia!!! Primeira vez que o vi falar, na verdade o conheço pouco. Os detalhes das apresentações foram ímpares… Louvado seja Deus!  Muito bom!

                                                       Madalena Santos Pires( Taquaral / Guanhães).

Eliana Maria de Alvarenga Guimarães (Da equipe de Comissão da Catequese Diocesana)

 

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