Bruno Costa Ribeiro

Menos insulto e mais oração pelos governantes, pede Papa

O Papa Francisco pediu na manhã de segunda-feira – 16/09 – durante missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, que os fiéis rezem pelos governantes e pelos políticos, para que levem adiante com dignidade suas vocações. A celebração eucarística foi a primeira no local depois da pausa de verão.

Refletindo sobre a Primeira Carta de São Paulo apóstolo a Timóteo, o Pontífice observou a necessidade de todo o povo rezar por um “pedido universal”. Sobre as orações, o Santo Padre pediu que fossem feitas “sem cólera e sem polêmicas”. “Pedidos, súplicas, orações e agradecimentos para todos os homens e ao mesmo tempo pelos reis e por todos os que estão no poder”, completou.

Segundo Francisco, Paulo evidencia que o ambiente de uma pessoa que crê é a oração, a oração de intercessão. “Que todos rezemos por todos, para que possamos levar uma vida calma e tranquila, digna e dedicada a Deus”, rogou. Para o Papa, é necessária a oração para que isso seja possível. O Pontífice explicou tratar-se da oração pelos governantes, pelos políticos, pelas pessoas que são responsáveis de levar adiante uma instituição política, um país, uma província.
Os políticos, afirmou o Santo Padre, recebem “adulações por parte de seus favoritos ou insultos”. De acordo com Francisco há políticos, mas também padres e bispos que são insultados. Para o Pontífice, “alguns merecem”, mas a prática se tornou “um hábito” de “acúmulo de insultos e de palavrões, de depreciações”. Ainda assim, o Papa frisou que quem está no governo “tem a responsabilidade de conduzir o país”. Sobre o povo, questionou: “E nós, os deixamos sós, sem pedir a Deus que os abençoe?”. Respondeu: “Tenho certeza que não se reza pelos governantes, ao contrário: poderia parecer que a oração aos governantes seja ‘insultar-lhes’”.

Por fim, o Santo Padre recordou como os italianos passaram recentemente por uma “crise de governo”. “Quem de nós rezou pelos governantes? Quem de nós rezou pelos parlamentares? Para que possam ir de acordo e levar adiante a pátria? Parece que o espírito patriótico não chega à oração; mas sim às desqualificações, ao ódio, às brigas, e termina assim. Portanto, quero que em todos os lugares as pessoas rezem, levantando as mãos puras para o céu, sem raiva e sem polêmicas. É preciso discutir e esta é a função de um parlamento. Discutir, mas não destruir o outro. Aliás, é preciso rezar pelo outro, por aquele que tem uma opinião diferente da minha”, exortou.

Diante dos que pensam que aquele político é “muito comunista” ou “corrupto”, o Papa, citou a passagem do Evangelho de Lucas na qual o apóstolo não pede para que a política seja discutida, mas pede orações. Aos que dizem que “a política é suja”, o Pontífice afirmou que Paulo VI a considerava “a mais alta forma de caridade”:

“Pode ser suja assim como qualquer outra profissão, qualquer uma… Somos nós que sujamos uma coisa, mas não é a coisa em si que é suja. Acredito que devemos nos converter e rezar pelos políticos de todas as cores, todos eles! Rezar pelos governantes. É isso que Paulo nos pede. (…) Os governantes são responsáveis pela vida de um país. É bom pensar que, se o povo reza pelos governantes, os governantes também serão capazes de rezar pelo povo, como o centurião que reza pelo seu servo”, concluiu.

Da redação, com vaticannews.va

15 razões porque sou dizimista

1. Sou dizimista porque o dízimo é uma lei do Senhor. “Porás à parte o dízimo de todo fruto de tuas semeaduras, de tudo o que o teu campo produzir cada ano.” (Deut 14,22).

2. Sou dizimista porque o dízimo é santo e pertence a Deus. “Todos os dízimos da terra, tomados das sementes do solo ou dos frutos das árvores, são propriedade do Senhor: é uma coisa consagrada ao Senhor. Se alguém quiser resgatar alguma coisa de seus dízimos, ajuntará uma quinta parte.” (Lev 27,30-32).

3. Sou dizimista porque tudo vem das mãos de Deus “Quem sou eu, e quem é meu povo, para que possamos fazer-vos voluntariamente estas oferendas? Tudo vem de vós e não oferecemos senão o que temos recebido de vossa mão.” (I Cron 29,14

4. Sou dizimista porque tudo pertence a Deus. “A prata e ouro me pertencem – oráculo do Senhor dos exércitos.” (Ag 2,8)

5. Sou dizimista porque o dízimo é o segredo para estar em paz com Deus. “Honra ao Senhor com teus haveres, e com as primícias de todas as tuas colheitas: então, teus celeiros se abarrotarão de trigo, e teus lagares transbordarão de vinho.” (Prov 3,9-10)

6. Sou dizimista porque dízimo torna participante da casa de Deus. “Comerás na presença do Senhor, teu seu nome, o dízimo de teu trigo, de teu vinho e de teu óleo, bem como os primogênitos de teu rebanho grande e miúdo, para que aprendas a temer o Senhor, teu Deus, para sempre.” (Deut 14,23)

7. Sou dizimista porque meu salário não será pago em bolsa furada. “Semeais muito e recolheis pouco; comeis e não vos saciais; bebeis e não chegais a apagar a vossa sede; vestis, mas não vos aqueceis; e o operário guarda o seu salário em saco roto!” (Ag 1,6)

8. Sou dizimista porque é errado não entregar o dízimo. “Pode o homem enganar o seu Deus? Por que procurais enganar-me? E ainda perguntais: Em que vos temos enganado? No pagamento dos dízimos e nas ofertas. Fostes atingidos pela maldição, e vós, nação inteira, procurais enganar-me.” (Mal 3,8-9)

9. Sou dizimista porque amo a obra de Deus. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura…” (Mc 16,15)

10. Sou dizimista porque quero ser abençoado “… dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também.” (Lc 6,38)

11. Sou dizimista porque Jesus ensinou sobre o valor do dízimo. “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante.” (Mt 23,23)

12. Sou dizimista porque não sou avarento. “Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições.” (ITm 6,10)

13. Sou dizimista porque meu tesouro está nos céus “Não ajunteis pra vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céus, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.” (Mt 6,19-21)

14. Sou dizimista porque minha descendência não irá mendigar pão. “Fui jovem e já sou velho, mas jamais vi o junto abandonado, nem seus filhos a mendigar o pão.” (Sl 36,25)

15. Sou dizimista porque terei que prestar contas dos bens de Deus colocados em minhas mãos. “Ele chamou o administrador e lhe disse: que é que ouço dizer de ti? Presta conta da tua administração, pois já não poderás administrar meus bens.” (Lc 16,2)

SEJA FIEL NO ATO DE DAR!
A FIDELIDADE É O TERMÔMETRO DO GRAU DE MATURIDADE DA VIDA ESPIRITUAL.

E por quê? Ela é um reflexo da própria fidelidade de Deus. O ponto fundamental da fidelidade divina é o Seu amor infinito por cada um dos Seus filhos, entre eles você. Tudo quanto Ele declarou ser sua intenção fazer, jamais deixou de se cumprir. “Vossa verdade dura de geração em geração, tão estável como a terra que criastes” (Sl 119,90). Mesmo diante das infidelidades do Seu povo, manteve firme a Aliança selada primeiro no Sinai, e depois, confirmada no Calvário no Sangue precioso de Jesus Cristo.

Uma das áreas mais difíceis de praticar a fidelidade, é a financeira. Não basta compreender o valor do dízimo e das ofertas, também é necessário exercitá-lo e ser fiel por toda a vida, em todas as circunstâncias. Os bens colocados em suas mãos pertencem a Deus, daí: “o que se exige dos administradores é que sejam fiéis.” (1Cor 4,2)

ideeanunciai.wordpress.com,
enviado por Diácono Edmilson Candido

Cônego Lafayette é homenageado com monumento em São Sebastião do Maranhão (MG)

Um monumento, conforme sabemos, é de grande importância para nos fazer lembrar e refletir sobre um fato ocorrido ou o que aquilo representa; serve para marcar uma época ou um acontecimento cultural, social, político entre outros.

Para o povo de São Sebastião do Maranhão, o monumento em honra ao Cônego Lafayette trará alegres recordações e possibilitará tornar ainda mais conhecido, pelas próximas gerações, a dedicação pastoral do homenageado que percorria longas distâncias montado num animal para atender o povo de Deus nesta cidade, vindo de Santa Maria do Suaçuí.

A inauguração e bênção do monumento realizaram-se na “festa do Cônego” – 58° aniversário de falecimento do Servo de Deus Cônego Lafayette da Costa Coelho – em 21 de setembro de 2019, após a missa das 15 horas, e é fruto da parceria feita entre a Paróquia com sua equipe e a Prefeitura.

O monumento é uma escultura feita pelo artista plástico Arcanjo Rany, natural de Ponte Nova (MG) e morador da Serra do Cipó, e tem esculturas como o Juquinha da Serra do Cipó, Onça pintada na Praça de Angra dos Reis, outra obra na Praça da OAB em BH, Nossa Senhora do Patrocínio em Virginópolis, Mula da Serra da Bocaina em SP, Cônego Lafayette em São José da Safira, busto de Cônego Bento Ribeiro Costa em Dom Joaquim entre outras obras. Arcanjo é autodidata, desde os 12 anos, talento herdado de seus avós.

Em janeiro, na festa do padroeiro, será inaugurada outra escultura, dessa vez em honra a São Sebastião. Terá um total de 15 metros de altura no alto do morro e poderá ser vista de vários pontos da cidade. Será um Mirante.

Tal iniciativa faz parte das comemorações do 75º ano de criação da paróquia na cidade de São Sebastião do Maranhão, 70º ano de emancipação municipal.

PASCOM de São Sebastião do Maranhão (MG)

 

A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo

Antes do Concílio Vaticano II a Bíblia era tida como tão sagrada a ponto de ser inacessível, hoje está nas mãos da grande maioria dos cristãos; isto graças a constituição “Dei Verbum” que estimulou e tornou possível esta realidade. No entanto para aqueles que tentam lê-la sem nenhuma orientação, a confusão é certa. O resultado é uma “leitura ao pé da letra”, com consequências desastrosas, visto que a Palavra de Deus está contida na Sagrada Escritura mas revestida da cultura semita (cultura judaica).

É preciso, ainda, considerar os estilos literários, com suas distintas chaves de interpretação, pois “A verdade é apresentada e expressa de maneiras bem diferentes nos textos de um modo ou outro históricos, ou proféticos, ou poéticos, bem como em outras modalidades de expressão. Ora, é preciso que o intérprete pesquise o sentido que, em determinadas circunstâncias, o hagiógrafo, conforme a situação de seu tempo e sua cultura, quis exprimir e exprimiu por meio de gêneros literários então em uso” (DV 12).

A Bíblia é, portanto, veículo da Palavra de Deus. No entanto os textos bíblicos são frutos das suas respectivas épocas, histórias e contextos sociais e econômicos. Precisam ser interpretados a fim de que se tenha condição necessária para uma boa interpretação da mensagem. Seja qual for nosso conhecimento da Escritura somos sempre questionados pelo texto. Do contrário caímos no fundamentalismo.

A leitura fundamentalista parte do princípio de que a Bíblia, sendo Palavra de Deus inspirada é isenta de erro, deve ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes. Ela se opõe à utilização de qualquer método para a interpretação da Escritura. Esse tipo de leitura faz com que a Bíblia deixe de ser “veículo” da Palavra de Deus e passa a ser instrumento supersticioso.

Ao buscarmos a palavra de Deus na Bíblia precisamos entender que “A Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo Espírito com que foi escrita” (DV,12); ou seja: o mesmo Espírito que inspirou os livros santos deve iluminar os que, docilmente e com espírito de fé, se dedicam a interpretá-los. A interpretação deve ser feita a partir da fé e não contra a fé. E assim fazer a experiência do profeta que diz: “Quando encontrei tuas palavras, alimentei-me; elas se tornaram para mim uma delícia e a alegria do coração” (Jr 15,16).

Uma das formas mais apropriadas para se ter contato com a Palavra de Deus é a prática da Lectio Divina. Essa “leitura orante da Bíblia” foi exortada pelos Padres da Igreja e tem sido cultivada através dos séculos no coração da vida monástica. Atualmente se redescobriu, com grande entusiasmo entre os leigos, fruto do movimento bíblico e do Concilio Vaticano II. A partir da exortação apostólica Dei Verbum (n 25) reconheceu vivamente esta prática e, desde então, os documentos da Igreja não tem deixado de recomendá-lo.

A Lectio Divina é, basicamente, o exercício dum coração disposto ao encontro com Deus através da Sagrada Escritura. É um exercício de leitura, mas é também uma oração. Seus frutos não vêm tanto pelo acúmulo de saber sobre a Bíblia, mas da audição da voz de Jesus que, depois da sua morte e ressurreição, se realiza, se dá de forma semelhante a dos discípulos de Emaús: “E, então, abriu suas inteligências para que compreendessem as Escrituras”( Lc. 24, 45).

Este método de leitura da Sagrada Escritura realiza-se através de passos bem definidos, que podem se expressar didaticamente não só para compreendê-los melhor, mas também para praticá-los e ensiná-los. Foi o monge Guigo, em aproximadamente 1150, quem propôs estes quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação. Percebemos, assim, a Lectio Divina como uma escada, onde cada etapa do processo é um degrau.

O papa emérito Bento 16, na Verbum Domini, nos propõe: Começa com a leitura (lectio) do texto, que suscita a interrogação sobre um autêntico conhecimento do seu conteúdo: o que diz o texto bíblico em si? Sem este momento, corre-se o risco que o texto se torne somente um pretexto para nunca ultrapassar os nossos pensamentos. Segue-se depois a meditação (meditatio), durante a qual nos perguntamos: que nos diz o texto bíblico? Aqui cada um, pessoalmente mas também como realidade comunitária, deve deixar-se sensibilizar e pôr em questão, porque não se trata de considerar palavras pronunciadas no passado, mas no presente. Sucessivamente chega-se ao momento da oração (oratio), que supõe a pergunta: que dizemos ao Senhor, em resposta à sua Palavra? A oração enquanto pedido, intercessão, ação de graças e louvor é o primeiro modo como a Palavra nos transforma. Finalmente, a lectio divina conclui-se com a contemplação (contemplatio), durante a qual assumimos como dom de Deus o seu próprio olhar, ao julgar a realidade, e interrogamo-nos: qual é a conversão da mente, do coração e da vida que o Senhor nos pede? – Para Bento 16 a Lectio Divina tem suas consequências – Há que recordar ainda que a lectio divina não está concluída, na sua dinâmica, enquanto não chegar à ação (actio), que impele a existência do fiel a doar-se aos outros na caridade (VD, 87).

A Bíblia é um livro complexo porque composto de vários textos contraditórios e uma leitura que não seja sistemática e crítica poderá levar o leitor a uma visão passiva da vida. Para compreender bem um texto é preciso compreender o mundo do autor. Esse trabalho se chama exegese. Doutro modo caímos no fundamentalismo. Sendo assim é necessário buscar as fontes, retornar, compreendendo e superando ideologias até chegar à verdadeira intenção exercendo uma leitura espiritual da Bíblia iluminando a própria realidade.

Conforme o apóstolo Paulo “A letra mata, o Espírito dá vida” (2 Cor 3,6). “Por isso é necessário prover também a uma preparação adequada dos sacerdotes e dos leigos, para poderem instruir o Povo de Deus na genuína abordagem das Escrituras”(VD 73). De modo que cultivem a oração e a meditação da Palavra de Deus e desenvolvam uma espiritualidade centrada na Palavra e encontrem nela motivações para vivência da fé. E assim superem o alerta de São Jerônimo: “a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”. A Escritura é antes de tudo Palavra de Deus. Mas não uma palavra aprisionada no passado, mas sim palavra viva que se dirige ao homem de hoje.

Pe Bruno Costa Ribeiro,
na Folha Diocesana, n 219, Setembro de 2014

Missões em Conceição do Mato Dentro/MG

E Deus viu que tudo era bom

“Vai todo mundo para o inferno”. Foi o desabafo de uma mãe diante da injustiça cometida a seu filho. Essa é uma, dentre tantas outras frases ouvidas pelos missionários da paróquia Nossa Senhora da Conceição durante o trabalho missionário ali realizado.

Tornou-se experiência concreta a canção que diz: “ninguém pode tocar a cruz do bom Jesus sem a seus pés deixar um pouco do que é seu e sem trazer pra si um pouco desta cruz” (Ir. Miria T. Kolling). Foi essa certeza que norteou as Santas Missões realizadas em Conceição do Mato dentro. A paróquia acolheu seminaristas e vocacionados para as visitas missionárias cujo tema e lema foi o mesmo proposto para o mês missionário extraordinário promulgado pelo papa Francisco para outubro deste ano; Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo.

Prevista a chegada dos seminaristas e vocacionados até sexta, dia 26 de Julho, na cidade mineira, as visitas foram realizadas com a participação fervorosa dos leigos e estendeu-se até quinta, início do mês de Agosto. Também, durante a semana houve momentos de espiritualidade com os jovens e com as famílias. Por analogia aos seis dias da criação e acrescido ao sétimo do descanso de Deus, tal qual se encontra literalmente no livro de gênesis, foram sete dias de missão cujo coroamento deu-se num breve repouso. E Deus viu que tudo era bom.

A canção da Irmã Miria expressa bem o que foram estes dias. Não podemos estar aos pés do Bom Jesus sem que nos sintamos interpelados ao deixar um pouco do que é nosso, levar conosco, também, um pouco do que é de Deus. De fato, carregamos um pouco daquilo que é de Deus quando nos identificamos com cada irmão e irmã visitados. Na certeza de que onde sofre um dos nossos também sofremos com ele e não se pode também deixar de se alegrar quando algum desses se regozija em Cristo Jesus.

À luz dessa canção pode-se dizer: não nos é dado o direito de bater numa porta se não há disposição de largar um pouco de si, nem tampouco, de acolher consigo um pouco do que é de outrem. É justamente nesta relação de experiências que se tornam leves os fardos daqueles a quem o Senhor diz: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11, 28). As Santas missões foram, neste sentido, a oportunidade de irmanarmos ainda mais em Jesus através de tantos irmãos, católicos ou não que numa só voz elevaram ao Pai ação de graças por tão preciosos dons concedidos a todos quantos se abriram à ação do Santo Espírito nestes dias.

Do ponto de vista eclesial, torna-se momento propício para uma reflexão da atuação da Igreja na sociedade como um todo. Bem como de reconhecer e propor soluções aos principais desafios da evangelização no mundo atual. Urge a presença de uma Igreja mais próxima e sensível às dores de nossos irmãos. Para tanto, é necessário que nos mobilizemos numa profunda conversão pastoral para continuarmos a ser uma igreja em saída – como nos pede o Santo Padre. Aceitemos o desafio e nos comprometamos a tomar como nossas as palavras de Cristo dirigidas a seus discípulos: “pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9, 38). Que Nossa Senhora da Conceição interceda a Cristo para que surjam em nossas comunidades pessoas dispostas a levar com entusiasmo a boa nova de Cristo a tantos corações. Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós!

Gabriel Ferreira Oliveira,
seminarista

 

VI Congresso Estadual da IAM reúne participantes de nove dioceses

 

A cidade de Piranga sediou – nos dias – 26 a 28/07 – o VI Congresso Estadual da Infância e Adolescência Missionária (IAM) . Crianças, adolescentes e assessores das dioceses de Almenara, Campanha, Caratinga, Guanhães, Itabira-Coronel Fabriciano, Januária, Paracatu e da Arquidiocese de Belo Horizonte estiveram presentes. Da Arquidiocese de Mariana, dez cidades foram representadas. Ao todo, 190 pessoas participaram.

Duas conferências marcaram o encontro. “Sinais da presença de Deus nas Culturas” foi a primeira, feita pelo assessor do Conselho Missionário Arquidiocesano, padre João Paulo da Silva. “De forma divertida, mas com muita profundidade, ele explicou o que são sinais, o que é cultura e como identificar a presença de Deus nas culturas, na comunidade. Disse também que o encontro de culturas é enriquecedor e que respeitar as culturas é respeitar a si mesmo”, relata a coordenadora arquidiocesana da IAM, Iva Fernandes.

O professor Rodolfo José Lourenço abordou o tema “Meios de comunicação – instrumentos de evangelização”, na segunda conferência do congresso. Segundo Iva, ele reforçou a importância da leitura da bíblia para o diálogo com Deus. “Quanto mais a lemos, mais aumenta nossa proximidade com Ele. Disse também que as redes sociais podem nos aproximar uns dos outros, quando divulgamos conteúdos que mostram nossa alegria de estarmos com nossa família ou com nossos amigos. Mas podem nos dividir quando deixamos de dar atenção a quem está ao nosso lado ou quando curtimos e compartilhamos notícias que causam discórdia ou mancham a imagem de alguém”, conta.

O encontro foi encerrado com o “Bate-latas”. Munidos de latas confeccionadas por eles mesmos, as crianças e adolescentes saíram da Matriz em direção a escola sede do evento, fazendo barulho. “Foi muito legal, pois serviu para mostrar às outras pessoas a alegria de ser IAM”, comenta Lays Mendes, da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano.

Sebastian Soares, da mesma diocese, concorda. “Foi muito legal e vou ensinar à minha irmã Mariah tudo que aprendi, inclusive as musiquinhas… E o mais importante foi levar Deus às crianças. Quero participar de novo”.

Para o seminarista João Luiz da Silva, o Congresso pode ser definido como renovação missionária. “A excelente organização do evento proporcionou aos participantes o entrosamento, além da fraternidade que ficou muito visível entre as crianças, adolescentes e assessores. Com certeza iremos colher muitos frutos deste congresso”, afirma. Além dele, participaram do evento o seminarista Fabiano Matos e os padres Sérgio Tomaz e Adelson Clemente, assessor arquidiocesano da IAM.

No sábado (27), o arcebispo de Mariana, Dom Airton José dos Santos, presidiu a celebração da manhã. O pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, de Piranga, padre Reginaldo Coelho, o Vigário, padre Fabiano Alves de Assis, padre Rodrigo Artur Medeiros da Silva e padre Sérgio Tomaz concelebraram.

Exortando as crianças e adolescentes a refletirem sobre o que querem fazer no futuro, Dom Airton reforçou que a missão é dever de todo batizado. “Vocês começaram o caminho desde pequenos. Quem sabe um dia vão ser missionários de um modo mais forte. É preciso começar a pensar o que vocês vão ser quando crescer. Pode ser padre, freira, missionário lá do outro lado do mundo. Nós somos missionários onde estamos, na família, na escola, mas podemos colocar a nossa vida a serviço de Deus também. Pode ser que Deus chame você um dia pra isso” disse.

A Diocese de Guanhães diz: Obrigado, Dom Darci!

Em 31 de julho de 2018, celebrando a memória de Santo Inácio de Loiola, presbítero, Dom Darci José Nicioli, CSsR, iniciou os trabalhos pastorais como administrador Apostólico na sede vacante de nossa diocese. E por isso nós o agradecemos por este ano em que se fez “presente” e “presença” da igreja nesta porção do Povo de Deus.

Um ano se passou, quanta coisa bonita aconteceu. Agradecemos a Deus por esse tempo e pela presença de dom Darci em nosso meio, nos ajudando e guiando-nos como pastor e pai.

Recordando seu lema episcopal, “Que tua luz brilhe”, quantas luzes se acenderam e ganharam energia pra continuar brilhando em nossa caminhada diocesana, durante esse ano.

Que Deus nos permita a aprender de seu exemplo, como nos motiva o Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial das Missões deste ano: A Igreja está em missão no mundo: a fé em Jesus Cristo dá-nos a justa dimensão de todas as coisas, fazendo-nos ver o mundo com os olhos e o coração de Deus…

Isso é a verdadeira luz, a qual precisamos. Obrigado, dom Darci.

 

SIGNUM TUUM LUCEAT!
(Que a tua luz Brilhe!)

Dom Darci, quando o senhor chegou à nossa diocese, por diversas circunstâncias caminhávamos meio que andando na penumbra de nós mesmos e, de fato, o senhor foi uma grande “lanterna” que, ao utilizar a luz do Cristo, nos trouxe à claridade.

A luz, às vezes dói. Que o diga Saulo que, ao encontrar-se com a Luz, ficara três dias dolorido e cego (At 9,9), mas a luz também nos lança a uma perspectiva nova, pois o mesmo Saulo se tornara Paulo (At 13,9) para ser o Evangelizador sob a luz do Cristo.

É por essa perspectiva nova que queremos agradecer-lhe: o senhor nos proporcionou, no momento em que caminhávamos às apalpadelas, aquilo que precisávamos para recobrar nossas forças e voltar a caminhar com passos firmes; foi o nosso Ananias (At 9,17), a injeção de ânimo (de luz) de que precisávamos.

Nossos três dias, na verdade, foram um ano, mas a vontade que temos agora é a mesma do apóstolo dos gentios: sermos discípulos missionários para que também sejamos apóstolos do Senhor, enviados a testemunhar o reino de Deus.

A presença do senhor foi muito importante, porque redescobrimos que também somos lançadores de luz. É essa a missão do padre: lançar a luz do ressuscitado e de sua Igreja por toda parte.

Nossa palavra é de gratidão! Em nome do Clero de nossa diocese, queremos dizer muito obrigado! Que o senhor continue sendo um instrumento de Deus para que a luz do Cristo continue a brilhar.

Pe. Salomão Rafael
Representante dos presbíteros da Diocese de Guanhães

 

Querido Dom Darci!

Permita-me dirigir ao Senhor desta forma, pois neste pouco mais de 1 ano nos conduzindo e conduzindo essa Igreja Diocesana de Guanhães, o senhor foi se tornando cada vez mais querido pelo nosso clero e posso afirmar que por todo o povo da Diocese de Guanhães.

O senhor chegou e, com seu dinamismo e de um jeito “eletrizante”, foi logo fazendo propostas e nos encorajando a todos a descruzarmos os braços e nos empenharmos na evangelização.

Sua disponibilidade e desejo de atender a todas as paróquias fizeram com que o senhor fosse estabelecendo laços de amizade com todos os padres e com os paroquianos de cada paróquia visitada.

Hoje, em nome da Associação Presbiteral Monsenhor Nogueira (ASPREMONO), da qual sou o atual presidente, quero dizer-lhe: Um muito obrigado teria significação muito restrita para referenciar o todo que o senhor representou e representa para nós e para nossa Diocese nesse curto período à frente desta Igreja Particular de Guanhães.

Esperamos tê-lo sempre que possível nos visitando, pois a sua presença foi e será para todos nós motivo de muita alegria!

De coração, receba o nosso abraço de gratidão!

Pe. Dilton Maria Pinto
Pela ASPREMONO

 

Nossa gratidão, Dom Darci!

Dom Darci, a sua presença em nossa Diocese neste período de vacância atualizou a presença confortante e consoladora de Jesus Bom Pastor em nosso meio.

Todos nós, catequistas, coordenadores e o padre assessor da catequese, somos profundamente agradecidos pelo seu zelo e presteza em realizar o sacramento da Crisma e visitas pastorais a todas as paróquias. A forma com que o senhor conduziu as visitas foi marcante: o seu carinho com as crianças, a atenção com os jovens, o cuidado com as famílias, o afeto com os idosos, as palavras paternas e encorajadoras com os agentes de pastoral e, principalmente, com os catequistas, que se sentiram completamente encantados e motivados a continuarem firmes na missão.

A alegria e a gratidão das pessoas por poderem ver de perto o arcebispo que foi ao encontro delas no lugar onde elas vivem; por poderem escutar seus ensinamentos e falar diretamente com ele foi algo maravilhoso de se ver e acompanhar.

Em nome da Pastoral Catequética da Diocese e do padre Osmar, agradeço de coração pela sua presença forte e significativa que nos confirmou na fé, nos orientou no caminho do bem e infundiu em nós pensamentos e gestos de esperança, convidando-nos ao seguimento fiel de Jesus na sua Igreja.

Que Deus o cumule de bênçãos e graças, e o recompense pelo bem semeado entre nós, dando-lhe a oportunidade de descobrir novas maneiras de amar e servir no exercício da missão episcopal.

Nossa diocese será sempre a sua casa e sua grande família eclesial. Obrigada por tudo!

Eliana Maria de Alvarenga Guimarães,
da Comissão Diocesana de Catequese

Editorial: “Media Training” para padres e bispos

Em todos os momentos e lugares, uma liderança é – e tem que se conscientizar de que é – comunicadora. Isto por que a “comunicação pertence à essência da Igreja” conforme explica o extinto Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais no Documento “Igreja e Internet”, de 2002. Desde o cristianismo primitivo o presbítero é o líder de uma comunidade local. Nos dias de hoje ele não é a única liderança mas continua sendo um referencial.

Os avanços tecnológicos e chegada da internet, o surgimento das redes sociais digitais e a mescla das mídias tradicionais (TV, rádio e jornal) com as mídias de massa transformaram tudo o que se entendia por comunicação. Tendo em vista as recorrentes transformações, sobretudo no “mundo virtual”, uma das novidades do 11º MUTICOM foi o “Media Training” para padres e bispos, um treinamento orientando a lidar com a imprensa. O pesquisador e jornalista Moisés Sbardelotto orientou clérigos a como se portar diante dos meios de comunicação em variados ambientes.

Segundo Sbardelotto, o visual, a impostação de voz, a ética nas palavras a serem usadas, a objetividade no conteúdo apresentado e as respostas convincentes sobre temas polêmicos ou complexos, tudo é levado em conta. E por isso mesmo os “padres e bispos precisam saber como lidar com este mundo da comunicação diante da mídia, especialmente com uma postura ética, representando bem a Igreja, com respeito aos valores do Evangelho”. O clero precisa entender o seu papel como liderança no ambiente midiático.

Outros pontos que devem ser observados diante da mídia, a saber: que imagem estão transmitindo, qual conteúdo publicado em redes sociais pessoais, ele fala como um representante oficial da Igreja para o público que o conhece? “O clero deve ter consciência de sua imagem e de como estão construindo sua presença na mídia para que não seja uma presença negativa, nem dúbia ou que possa gerar dúvidas entre aqueles que o seguem. Enfim, precisam ter consciência de que são figuras públicas”, disse o pesquisador e jornalista.

Sobre essa postura diante da mídia o Jornalista Gerson Camarotti, em sua fala, comentou a indispensável presença do papa Francisco na mídia com o objetivo de esclarecer a sociedade, tratando a mídia com aliada amiga mostrando a igreja para sociedade, promovendo o diálogo.

Apesar do contesto de crise nas instituições, segundo uma pesquisa de opinião realizada em fevereiro pela 143ª Pesquisa CNT/MDA, a Igreja segue perene entre as que estão no topo da pesquisas – a cada ano que é realizada – entre as que têm a maior confiança da população brasileira. O brasileiro confia nas lideranças religiosas, daí a necessidade em orientar bispos, padres e diáconos sobre como se portar diante dos meios de comunicação de massa ao conceder, por exemplo, entrevista e responder perguntas a um veículo de comunicação, seja ele rádio, TV ou jornal. É fundamental estar preparado para responder e acolher as demandas e atender a imprensa quando solicitado e assim contribuir com a Igreja.

Padre Bruno Costa Ribeiro,
diretor

Alargar horizontes

Todo processo educativo há de ter a meta de se conquistar oportunidades que alarguem os horizontes. Paga-se preço muito alto pelas estreitezas que emolduram experiências, vivência de valores e a desafiadora competência de discernimento e escolhas que podem alavancar avanços, impor retrocessos, ou mesmo a estagnação. Essa é uma questão que afeta o pai de família e o governante, o juiz e o cidadão, o político e o eleitor. Atinge a vida cotidiana e os círculos de convivência, não menos as práticas religiosas e os compromissos nas molduras ideológicas de diferentes matizes. Compreende-se, facilmente, o quanto a educação básica e inicial – da mesma forma a educação permanente -, influencia de modo determinante o processo civilizatório de qualquer grupo social, religioso, político e cultural.

Em questão está a estrutura da compreensão. Os contextos da compreensão no interior de todo processo educativo, seja aquele formal, da escola, seja aquele interno da vida familiar e também no âmbito da religiosidade, com sua força própria de imprimir dinâmicas de entendimento, são o segredo daquilo que se pode alcançar da indispensável lucidez no tratamento de temas, nos processos decisórios e nas relações estabelecidas.

Pode-se, então, constatar que práticas e dinâmicas religiosas equivocadas, ao contrário de proporcionar a conquista de amplitudes, alargar o horizonte de compreensão dos seus integrantes, podem provocar a desconexão em relação ao atendimento de demandas, ao exercício próprio de sua função. Incide de forma pífia na realidade circunstante, por desconhecimento de linguagens e também por obsoleta capacidade de dialogar e interagir com um mundo profundamente em transformação.

Não é diferente o efeito no mundo da política. Os balizamentos estreitos de concepções ideológicas, por si mesmas, impedem o alargamento de horizontes. As limitações que configuram as leituras da realidade, e as propostas pouco criativas ante os problemas, sem contar a mesquinhez no que diz respeito ao bem comum, resultam na mediocridade de escolhas legislativas e nas atuações executivas atabalhoadas. Atitudes sem força para proporcionar novos rumos civilizatórios retardam as necessárias mudanças na vida de uma sociedade e impedem a clareza na compreensão necessária para a obtenção de novas respostas, exigidas com urgência.

Esse problema atinge a vida comum dos cidadãos. Formata práticas que estreitam balizamentos e não permitem marcos civilizatórios adequados, compatíveis com o momento atual, plural, complexo, com muitas e diferentes linguagens. Não se obtém bons frutos com a produção de tantos equívocos, usos inadequados dos cargos ocupados, vaidades e convicções de se estar certo – uma incoerência com os resultados sempre aquém do esperado e exigido.

Assim, o problema da compreensão, como questão filosófica e existencial, se põe de maneira contundente. Requer muitos e urgentes investimentos sob pena de prejuízos irreversíveis ou da imposição de relevantes atrasos. Quanto maior é o problema da compreensão que incide sobre o alargamento ou o estreitamento dos horizontes, mais se observa o crescimento do autoritarismo, dos acirramentos ideológicos, de convicções ilusórias a respeito do próprio valor e das propostas medíocres, sem força de mudança. As instituições e segmentos – religiosos, educacionais, políticos, culturais – pagam um alto preço e passam a intensificar, como processo de colisão suicida, os cenários descompassados que se multiplicam. Importante é ter presente, também, que alargar horizontes não é simples questão conceitual, pois a ignorância é fator devastador em todo processo de compreensão. Alicerçados em profunda e ajustada impostação conceitual, há de se considerar a força determinante da esfera psicoafetiva existencial na mundividência do indivíduo e sua forte incidência na conduta e nas escolhas.

Alargar horizontes é um desafio a todo segmento social, envolvendo seus pares, como necessidade prioritária, em meio a uma complexa linguagem contemporânea, articulando valores e princípios inegociáveis por serem estes os alicerces sem os quais tudo desmorona ou impede de se chegar onde é preciso. Não é raro encontrar indivíduos e grupos que, por falta de compreensão adequada, banalizam processos. Entendem que determinado modo civilizatório é o melhor apenas porque corresponde à comodidade desejada, e sequer consideram a importância de valores inegociáveis. Também, não é raro encontrar quem pense estar inovando enquanto desmonta e destrói, com narrativas religiosas, culturais, existenciais e políticas. Constata-se, assim, a dimensão e o alcance que representa o desafio de sempre alargar horizontes.

Nesse sentido, encontram-se as dinâmicas da economia que também devem ser consideradas na desafiadora busca por uma sociedade justa e solidária: urgência como contraposição e superação das vergonhosas desigualdades. Paga-se muito, em todos os níveis e segmentos, pelas consequências da compreensão tacanha, que encurrala decisões e escolhas, sob a égide ilusória de que se está inovando. Na realidade, o que ocorre é um desmonte que conduzirá, adiante, ao verdadeiro caos. Urgente é investir, em diferentes modos e como compromisso de todo processo educativo, do formal ao praticado na convivialidade, na tarefa individual e comunitária, de alargar horizontes, para evitar a perpetuação de discursos que pecam por falta de coerência, de compreensão ou pelo marasmo da ausência de lucidez.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Em tempos de redes sociais, como manter uma amizade real?

Sou um jovem, entre milhares, que está continuamente conectado e usufrui das redes sociais para se relacionar, interagir, reencontrar pessoas, trocar experiências. O Papa Francisco nos mostra que “emails, mensagens de texto, redes sociais podem ser formas de comunicação totalmente humanas. A internet pode ser usada para construir uma sociedade saudável e aberta” (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Comunicação Social).

Sim, é possível fazer e estreitar amizades por meio das redes sociais, contudo, sem fecharmos os olhos para os riscos, por isso, a prudência e a cautela sempre precisam estar presentes. Já me aproximei, estabeleci relacionamentos de amizade, fortaleci aquelas que já existiam, mas não posso negar que, mesmo com todos esses benefícios, a presença física continua sendo indispensável. Porque mesmo que as novas tecnologias nos aproximem a ponto de termos a sensação de quase tocarmos fisicamente, o contato direto, onde podemos olhar nos olhos, e não por uma tela, devemos abraçar, ter a presença física, primordial para que os laços de amizade se fortaleçam e se estreitem.
Corremos o risco de viver uma certa “substituição”, tentando suprir virtualmente aquilo que é indispensável fisicamente, pois somos seres com necessidade de contato, de relação e comunhão profunda.

A questão está em entendermos que os “meios” são “meios” e não fim, o objetivo final. Se temos, hoje, esses meios propícios e eficazes, que colaboram para que nossas relações de amizade cresçam, é desperdício não fazermos uso deles. Ao mesmo tempo, não podemos cair no extremo de achar que as redes sociais são suficientes para construirmos uma amizade verdadeira, pois esta sempre vai precisar ser cultivada e regada e, para isso, é preciso ir além dos cliques, visitar e estar. Que tal, pelos cliques, combinar um bom encontro com aquele amigo que, há tempo, você não vê?

Certo dia, impressionei-me ao perceber que estava me sentindo um tanto perdido, sem jeito, quando tive contato com alguns amigos que, há tempos, não estavam juntos presencialmente. É como se eu tivesse desaprendido de estar presente fisicamente. Achei estranho, fiquei incomodado com isso; então, comecei a retomar o estar com o outro, isto é, estar inteiro, até fazendo o exercício de deixar o smartphone de lado e olhar nos olhos, perguntar, escutar, falar… Gestos tão comuns, mas dos quais precisei redescobrir a riqueza e o valor.

O conceito da verdadeira e duradoura amizade não pode se perder! Amigos a gente não conquista somente baseado em cliques, aceitação de amizade no perfil, em seguimento, curtidas e compartilhamentos. Os stories me ajudam a contar minhas histórias, mas meus amigos esperam que eu as conte pessoal e presencialmente. Fazendo esses ajustes, tomando esses cuidados, preservando o essencial, penso que as redes sociais se tornam mais eficazes na arte de fazer e cultivar amizades.

* Tiago Marcon, CN

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