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O primeiro Natal e o pão vivo

Em Belém, a 10 km de Jerusalém, no começo de novembro, a cidade inicia as tradicionais decorações para o Natal. Ali, o primeiro Natal da história cristã foi celebrado pela sagrada família de José e Maria, alguns pastores e uns animais sob a luz misteriosa de uma estrela que brilhava nos corações bem-aventurados! O centro da cena era o Menino-Deus feito homem! Deus veio habitar entre nós!

Já faz algum tempo que quando se fala em Natal a primeira ideia que surge na mente é a de festa, comidas e bebidas, troca de presentes, luzes piscando etc. A palavra Natal já não lembra nascimento, num primeiro momento. Para uma pequena minoria, Natal lembra presépio, lembra o Menino Jesus, José e Maria – a Sagrada Família.

Belém, antiga Éfrata (Gn 35,19-20; 48,7; Rt 4,11), é hoje uma cidade muçulmana, cheia de mesquitas. Ali há poucos cristãos. Não há judeus. No mesmo largo da igreja da Natividade há, defronte, uma imensa mesquita que chama insistentemente os fiéis para a oração, o dia inteiro. Parece que o propósito da mesquita é o de abafar as atividades do templo católico.

Localizada na Cisjordânia, em território da Autoridade Palestina, a terra natal de Jesus e do Rei David possuía certamente um pão especial, pois a cidade se chama “Casa do Pão” (tanto em árabe como em hebraico esse é o significado de Belém). O Menino-Messias, o Príncipe da Paz, nasceu ali, e sua Mãe o colocou entre as palhas onde os animais se alimentavam, ou seja, na manjedoura, no cocho. Ele sentiu o hálito quente do jumento e do boi em seu corpinho frágil e santo. E sorriu. E o Seu sorriso iluminou a cidade, iluminou a Judeia inteira; o brilho foi-se espalhando pelo mundo, pelos astros… E brilha até hoje. Quem é da paz percebe e sente esse brilho!

Anunciado pelo Profeta Miqueias (Mq 5, 1), foi na cidade de Belém que o Pão Vivo veio do Céu em forma humana para mudar a história do mundo. Os coros de Anjos cantaram Aleluia três vezes! Os Magos, vindos de pontos geográficos diferentes, viram a Estrela no Céu. Os Pastores também viram. E todos os povos da Terra são chamados a vê-la em seus corações.

Costumamos trocar presentes no Natal, imitando os magos do Oriente, que levaram à manjedoura ouro, incenso e mirra, simbolizando a realeza, a divindade e o martírio do Salvador da humanidade. Mesmo que o Natal tenha se tornado um período de forte comércio, isso não tira a beleza da festa, época de congraçamento, de união familiar, uma ocasião verdadeiramente mágica, que contagia os cristãos do mundo inteiro.

Belém, a Casa do Pão, pode ser hoje sua casa, a nossa casa, a casa da nossa família. O Menino pode nascer dentro dela, fazer aí o seu presépio. Nossos templos, os templos de todas as Igrejas precisam ser verdadeiramente “casas do pão”, onde as pessoas se alimentem e se fortaleçam. Que as Famílias tenham Jesus presente nelas, fazendo delas uma comunidade de vida e de amor! E de partilha de pão!

Feliz Natal! E, desde já, um abençoado 2019 para todos!

Ismar Dias de Matos, professor de Filosofia na PUC Minas
p.ismar@hotmail.com

“Tu vens, eu já escuto os teus sinais! ”

Com a festa de Cristo Rei do Universo, encerra-se o último domingo do ano litúrgico “B”, dedicado a São Marcos. O 1º domingo do advento marca então o início de um novo ano litúrgico, onde acompanharemos, sob a perspectiva do evangelista São Lucas, a vida e a missão de Jesus.

Advento vem do verbo latino advenire que significa “chegar a” algum lugar. Representa, pois, a chegada de alguém. Como toda chegada esperada, o advento tem um toque especial, os sentimentos ficam aflorados. O clima natalino já reina, e com ele, reina também um clima afetuoso. Nossos grupos de reflexão se reunindo nas casas, respirando e aspirando amor, muitas vezes debaixo da chuva, amassando o barro com os pés descalços, como acontece nas comunidades rurais, ou se agrupando por ruas, como nas comunidades urbanas.

Pois bem, alguém está para chegar! A Igreja celebra essa chegada de uma maneira especial na liturgia. Os paramentos roxos são usados, não para indicar a penitência quaresmal, mas para demonstrar que há um clima de espera e, quando o esperado chegar, haverá júbilo. A Igreja, em sua sabedoria, organiza a liturgia de modo a criar esse clima de espera. Não se canta o glória nas Santas Missas, à exceção das solenidades; introduz a coroa do advento, com suas velas coloridas, para indicar algum sentimento eminente proposto pela liturgia da palavra, como a vigilância e a alegria; a sobriedade na ornamentação do presbitério, que indica que a alegria ainda não está completa; e assim por diante.

Como dito, o advento é este tempo de espera daquele que vem. Mas quem está para chegar? É aquele que vê o sofrimento do seu povo e desce para libertá-lo, aquele que ouve os clamores, que é próximo do seu povo (Cf Gn. 3). Sim, só um Deus apaixonado é capaz de descer. Aliás, todos os verbos empregados demonstram este amor incondicional: descer, ouvir, libertar. Então, quem vem ao nosso encontro é o Deus amoroso que decide salvar seu povo da morte eterna.

O advento é, portanto, a memoração de tal evento: a encarnação do verbo que vem para nos salvar de nossa condição, e que está para chegar brevemente, no natal. É por isso que neste período se afloram mais os nossos bons sentimentos; é o Príncipe da Paz quem está chegando, ele traz consigo a harmonia, a união, a concórdia, a fraternidade, o amor.

A cada domingo vão se meditando figuras importantes: Isaías, o profeta que anunciou o nascimento do descendente de Davi, vindo de uma Virgem (cf Is 7,14); João Batista, o precursor de Jesus, aquele responsável por “aplainar os caminhos do Senhor” (cf Lc 3); a Virgem Maria, como a Serva fiel, que com o seu “sim” trouxe ao mundo a salvação; bem como a figura de Jesus, o enviado de Deus.
Poderíamos dizer que o advento é, ao mesmo tempo, uma recordação da ação salvífica do Pai ao enviar seu Unigênito, como também nos introduz no mistério escatológico: o Senhor voltará glorioso novamente. Por isso, é também um momento para rever nossa vida, um convite para organizarmos nossos corações, pois Ele virá e deve nos encontrar vigilantes.

Encerramos também, com a festa de Cristo Rei, o ano do laicato, tempo frutuoso para rever o lugar do leigo na missão evangelizadora de nossas comunidades, bem como chamá-los à responsabilidade. Contudo, os leigos somos chamados a vivermos esse constante advento em nossa vida, nos preparando sempre para acolher aquele que vem, sobretudo no outro que necessita de nossa ajuda material e espiritual, e que virá glorioso novamente.

Preparemos a manjedoura dos nossos corações, abramos nossa vida à conversão, estejamos vigilantes, juntos com a Virgem Maria, nossa Mãe celeste, para aguardar pressurosos pela vinda do Rei de nossa vida, Cristo Jesus. Como canta o grande Alceu Valença: “Tu vens, Tu vens, eu já escuto os teus sinais”. Alegrai-vos, Ele está para chegar! Feliz e Santo advento para todos, espalhados nos rincões de nossa Diocese de Guanhães!

Álisson Sandro, seminarista estudante de filosofia

Democracia: Conquista do povo brasileiro

As eleições presidenciais esse ano foram marcadas por um processo cercado de falsas acusações, as famosas fake news, e de debates acalorados em redes sociais cada um defendendo seu candidato e seu posicionamento ideológico frente aos seus adversários. Natural tudo isso, afinal de contas vivemos uma Democracia… Opa! Mas, espera aí! A Democracia também foi muito discutida nesse processo, principalmente os riscos de um retrocesso democrático no Brasil diante da possibilidade da eleição de um ou outro candidato. Diante disso, faço uma questão para o leitor: Será que a nossa Democracia está em risco?

Como sabem, sou Historiador e muito interessado pela História Política do Brasil e vamos tentar, nas linhas abaixo, trazer alguns elementos para esta discussão tão polêmica. Primeiramente temos que nos esvaziar das paixões políticas e buscar analisar nosso contexto com o maior equilíbrio possível, afinal de contas, temos um governo eleito democraticamente e não nos cabe ficar estendendo as discussões eleitoreiras e que pouco interessam ao povo.

Primeiramente, olhando para a História do Brasil e comparando com nosso contexto atual ficamos mais tranquilos, pois nos dois outros momentos em nossa História que experimentamos governos ditatoriais, a ascensão daqueles se deu por vias não democráticas, que foram: “o Golpe do Estado Novo” (1937) e o “Golpe Militar” (1964), o que não se confirma com o momento do Brasil, pois tivemos um presidente eleito com votação expressiva e pela via mais democrática possível, o voto popular. Presidente que, mesmo antes de assumir, se compromete a respeitar a lei máxima do país, a Constituição.

No segundo ponto do debate, vale ressaltar que a Democracia e seus valores no Brasil tratam-se de uma construção histórica da sociedade brasileira que passam por diversas lutas, por direitos constitucionais na defesa da dignidade humana, pela representatividade das minorias, pelo sufrágio universal, por fortalecimento de instituições, entre outras. E vale ressaltar que tudo isso são conquistas e não benesses de um ou outro governo. E não vejo por parte da sociedade disposição em ceder naquilo que foi conquistado ao longo da nossa História. Esperamos sim, um governo que se preocupe com a superação da crise econômica que assola nosso povo, a violência e as drogas que atingem os jovens, que nos ofereça uma educação e saúde de melhor qualidade e que honre o dinheiro público afastando a corrupção dos órgãos governamentais.

Por parte da sociedade, cabe uma vigilância forte e sistemática e que não permitamos que nossos governantes avancem sobre nossos direitos. Não deixemos nunca calarem a nossa voz, muito menos, do nosso próximo. Continuaremos a cumprir com o nosso papel e defender sempre o direito universal do homem e do cidadão em ser livre para pensar e falar. Garantindo a máxima iluminista “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la”.

Flávio Puff, professor no IF

 

 

Cristo Rei: Fiéis são chamados a reconhecer o reinado de Deus sobre todos os povos

No calendário litúrgico, no último domingo de novembro, este ano dia 25, é celebrada a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, comumente conhecida como a Festa de Cristo Rei. O presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, dom Armando Bucciol explica que a origem da Festa coloca-se no tempo de Pio XI, no ano de 1925. À época, dom Armando afirma que a Europa estava passando por um período “difícil”, em meio ao crescimento do Nazismo e do Fascismo em boa parte dos países.

Neste contexto, onde cada vez mais os ditadores queriam mandar no povo, dom Armando salienta que o papa Pio XI institui a Festa de Cristo Rei, por meio da Encíclica Quas Primas. “O papa com o intuito profundo afirmou que não são os grandes da Terra que dominam, não são eles que dirigem os povos, é Jesus Cristo”, afirmou o bispo. Originalmente, a Festa foi estabelecida para o último domingo de outubro, antes da Festa de Todos os Santos. No ano de 1926, quando foi celebrada pela primeira vez, esse domingo caiu para o dia 31 de outubro.

No entanto, foi o papa Paulo VI que deu à festa seu atual título completo, o de Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, transferindo a data para o último domingo do ano litúrgico. Segundo dom Armando, do ponto de vista litúrgico, espiritual e eclesial foi uma boa intuição ter colocado a festa como conclusão do ano litúrgico e síntese de uma caminhada.

As origens do reconhecimento do reinado de Cristo podem ser encontradas no próprio evangelho. Em um importante diálogo com Pilatos, durante seu juízo, dom Armando salienta que Cristo afirma o seu reinado. “Pilatos o pergunta se ele é rei, e então Cristo responde que é, e por isso tinha vindo ao mundo, para dar testemunho da verdade”, diz dom Armando.

Dom Armando salienta também o fato de que nos três anos do ciclo de leituras que a liturgia hoje tem, destaca-se um cristo que é rei, morrendo na cruz. “Portanto, o Cristo Rei é um rei que doou a sua vida por amor, é um Deus que se faz humano e que, sim, nós o honramos como rei, mas não à maneira dos dominadores, dos grandes da Terra”, completou o bispo.

Ainda de acordo com dom Armando, a Festa em si não é para exaltar um Deus poderoso, mas um Cristo cujo poder é o de um Cristo que lava os pés de seus discípulos e que diz: “Como eu fiz, faça vocês!”. “Podemos acrescentar que a maneira de Cristo reinar é uma contestação não só na sociedade, mas na Igreja. O poder é serviço, você é grande quanto mais se abaixa para servir por amor, e com amor”, finaliza dom Armando.

Fonte: http://www.cnbb.org.br/cristo-rei-fieis-sao-chamados-a-reconhecer-o-reinado-de-deus-sobre-todos-os-povos/

Advento – o que cantar?

Sempre que se vai mudar o tempo litúrgico eu imagino, e quero imaginar, que os senhores e senhoras ministros de música litúrgica, que cantam nas missas, ja estão inteirados das informações sobre aquele determinado tempo que a Igreja vai viver, para que se preparem adequadamente e cantem a liturgia, e não na liturgia. Estamos nos aproximando do tempo do Advento e o que o ministro de música deve saber sobre este tempo, como deve se preparar para vivê-lo bem?

Para responder a esta pergunta, comecemos com o recordar que a liturgia é uma ação ritual que nos permite celebrar na fé a Aliança que Deus estabeleceu com seu povo. Esta ação litúrgica, expressão sensível do mistério de Deus e do Seu amor por todos os homens, toma forma através de gestos ligados à nossa vida de homens e mulheres de hoje. Alguns gestos “profanos”, entre os quais o ato de cantar, são então colocados à parte. Estes se tornam sagrados, porque, no quadro ritual da liturgia, exprimem mais que si mesmo: permitem dizer a profundidade das implicações da celebração litúrgica. Estes gestos se tornam a expressão sensível da fé cristã. Por meio destes, temos acesso a Deus.

A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como pode-se deduzir da própria palavra advento que origina-se do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória. Por isso, não se canta no Advento o “Glória”, mas diferentemente do tempo da Quaresma se pode cantar o Aleluia.

Toda a liturgia do Advento é apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do cristão: a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza. Somente na vivência profunda destes elementos, o nascimento de Cristo terá um sentido profundo em nossa vida e não uma simples lembrança histórica. A esperança da Igreja, portanto a nossa esperança, é a mesma de Israel , mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade , fixa-se com esperança mais segura no cumprimento final, a vinda gloriosa do Senhor:

“Maranatha: vem, Senhor Jesus!”. É o grito e o suspiro de toda a Igreja e de cada um de nós, em seu peregrinar terreno ao encontro definitivo do Senhor. O mistério de Deus é o mais importante. E mais: cantem e toquem músicas que “batem” realmente com a ação litúrgica que se realiza e com o momento (e época) da celebração. Não é qualquer música, só porque é “bonita”… Como diz o Concílio, tem que ser música que esteja “intimamente ligada com a ação que se realiza”. E ainda, dentro do princípio de que a música deve estar intimamente ligada à ação litúrgica, quando termina a ação, cessa também a música.

Sugestões de Cânticos Litúrgicos: 

Sendo assim, como forma de preparação litúrgico-musical, apresentamos aqui, para o tempo do advento, que se inicia em breve, algumas sugestões de cânticos para auxiliar na espiritualidade e vivência desse tempo rico de significados,  e expectativa da espera de Cristo.

Clique e baixe a pasta com as sugestões:

Cânticos para o Advento

 

Advento – Espiritualidade e liturgia

A Igreja celebra a ação de Cristo através das ações litúrgicas envolvidas no cotidiano das pessoas. Essas ações se desenvolvem dentro dos tempos litúrgicos, que por sua vez fazem parte do Ano Litúrgico.

O Ano litúrgico é composto dos seguintes tempos: Advento, Natal, Tempo Comum (primeira e segunda parte), Quaresma, Páscoa. Dentro destes períodos celebramos ainda a figura da Virgem Maria e dos Santos e Santas.

O Advento é o primeiro tempo. Ele abre as portas deste belo itinerário litúrgico o qual somos convidados a percorrer. Vem do Latim Adventus, que significa Chegada, Vinda, Aquele que há de vir.

Somos envolvidos por uma grande expectativa pela vinda de Jesus. Um casal que espera a vinda de um filho sabe muito bem o que significa isto. A notícia, a alegria, os preparativos até que o Tempo se completa.

Na experiência de nossa fé, envolvidos por estes sentimentos celebramos a vinda de “Jesus Cristo no tempo e na história dos homens para trazer-lhes a salvação”.

A espera pela vinda de Jesus, desperta em nós a busca por atitudes espirituais. Não se trata de um tempo em que somos bombardeados pela sociedade que desperta o desejo pelo consumismo. É preciso alimentar a fé, perseverar na oração, preparar o coração com o sacramento da Penitência (confissão sacramental).

Alguns elementos sensíveis da liturgia aparecem em nossas comunidades como força que comunicam essa proximidade de Deus, entre os principais se destaca a coroa do Advento, constituída de quatro velas, reforçam a importância de uma comunidade que caminha na vigilância, com o desejo de conversão, na esperança e com alegria ao encontro da grande Luz, que é Jesus Cristo.

“O tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”

O Tempo do Advento envolve-se também de duas características: “sendo um tempo de preparação para as Solenidades do Natal, em que comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.

O Tempo do Advento envolve-se também de duas características: “sendo um tempo de preparação para as Solenidades do Natal, em que comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.

O Advento deste ano, abre-nos o ciclo litúrgico C, no qual, acompanharemos de modo particular os escritos do evangelista Lucas. Temos ainda duas celebrações Marianas importantes, Solenidade da Imaculada Conceição, em 8 de Dezembro e a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América Latina, no dia 12.  Destaca-se ainda o terceiro domingo, como o Domingo da Alegria, (do latim Gaudete). Nesta ocasião permite-se o uso de paramentos Róseo.

Por se tratar de um tempo de expectativa, não podemos antecipar a alegria do Natal, assim, neste período, os instrumentos musicais devem ser tocados com moderação, omite-se o Hino de Louvor (Glória), bem como a ornamentação do altar, evitando assim a ostentação.

As três figuras bíblicas do Advento

Na perspectiva bíblica, os textos proclamados nas celebrações deste Tempo apresentam-nos algumas personagens que trazem em si o sentido desta expectativa, são eles: Isaías, João Batista e a Virgem Maria.

 O profeta Isaías – representa o povo da promessa, Israel

  • A Igreja, novo povo de Deus, une-se ao povo eleito na “expectação”.
    ● Isaías convoca o novo povo de Deus a colocar-se em atitude de espera e de preparação para o Reino messiânico.

João Batista – 2º domingo

  • É o profeta que faz a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.
    ● Anuncia a vinda do Messias e o mostra presente entre os homens.
    ● É o que batiza o Messias e o que testemunha a justiça e a verdade.
    ● Ele próprio é o testemunho de conversão e penitência.
    ● Convoca à conversão para receberem o Messias e para se preparar ao juízo final.

A Virgem Maria, Nossa Senhora da Expectação – 4º dom.

  • Maria já está grávida do Salvador. Ele já está presente, já se manifesta em Maria e por Maria, mas não totalmente.
    ● Ele ainda precisa nascer, ainda precisa de um “lugar”.
    ● Jesus deseja nascer em cada coração humano. Deseja que cada pessoa se torne “mãe” do Senhor.
    ● Torna-se “mãe”, a exemplo de Maria, quem acolhe sua palavra e a põe em prática (S. Francisco).

A Coroa de Advento

 Desde a sua origem a Coroa de Advento possui um sentido especificamente religioso e cristão: anunciar a chegada do Natal sobretudo às crianças, preparar-se para a celebração do Santo Natal, suscitar a oração em comum, mostrar que Jesus Cristo é a verdadeira luz, o Deus da Vida que nasce para a vida do mundo. O lugar mais natural para o seu uso é família.

Além da coroa como tal com as velas, é uso antigo pendurar uma coroa (guirlanda), neste caso sem velas, na porta da casa. Em geral laços vermelhos substituem as velas indicando os quatro pontos cardeais. Entrou também nas igrejas em formas e lugares diferentes, em geral junto ao ambão. Cada domingo do Advento se acende uma vela. Hoje está presente em escolas, hotéis, casas de comércio, nas ruas e nas praças. Tornou-se mesmo enfeite natalino. Já não se pode pensar em tempo de Advento sem a coroa com suas quatro velas.

Simbolismo da Coroa de Advento 

Pelo fato de se tratar de uma linguagem simbólica, a Coroa de Advento e seus elementos podem ser interpretados de diversas formas. Desde a sua origem ela possui um forte apelo de compromisso social, de promoção das pessoas pobres e marginalizadas. Trata-se de acolher e cuidar da vida onde quer que ela esteja ameaçada. Podemos dizer que a Coroa de Advento constitui um hino à natureza que se renova, à luz que vence as trevas, um hino a Cristo, a verdadeira luz, que vem para vencer as trevas do mal e da morte. É, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.

A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos.

O Círculo

A coroa tem a forma de círculo, símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história. O círculo indica o sol no seu ciclo anual, sua plenitude sem jamais se esgotar, gerando a vida. Para os cristãos este sol é símbolo de Cristo.

Desde a Antiguidade, a coroa é símbolo de vitória e do prêmio pela vitória. Lembremos a coroa de louros, a coroa de ramos de oliveira, com a qual são coroados os atletas vitoriosos nos jogos olímpicos.

Os ramos verdes

Os ramos verdes que enfeitam o círculo constumam ser de abeto ou de pinus, de ciprestes. É símbolo nórdico. Não perdem as folhas no inverno. É, pois, sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte.

Para nós no Brasil este elemento é um tanto artificial e, por isso, problemático, menos significativo, visto que celebramos o Natal no início do verão e com isso não vivenciamos esta mudança da renovação da natureza. Por isso, a tendência de se substituir o verde por outros elementos ornamentais do círculo: frutos da terra, sementes, flores, raízes, nozes, espigas de trigo.

Para ornar a coroa usam-se também laços de fitas vermelhas ou rosas, símbolo do amor de Jesus Cristo que se torna homem, símbolo da sua vitória sobre a morte através da sua entrega por amor.

Deste modo, nas guirlandas penduradas nas portas das casas, os laços ocupam o lugar das velas.

Lembram os pontos cardeais, a cruz de Cristo, que irradia a luz da salvação ao mundo inteiro.

As velas

As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento, as quatro fases da História da Salvação preparando a vinda do Salvador, os quatro pontos cardeais, a Cruz de Cristo, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas. O ato de acender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas.Originariamente, a velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento.

O roxo, para indicar a penitência, a conversão a Deus e o rosa como sinal de alegria pelo próximo nascimento de Jesus, usada no 3º domingo do Advento, chamado de Domingo “Gaudete” (Alegrai-vos).

Existem diferentes tradições sobre os significados das velas. Uma bastante difundida:

  • a primeira vela é do profeta;
  • a segunda vela é de Belém;
  • a terceira vela é dos pastores;
  • a quarta vela é dos anjos.

Outra tradição vê nas quatro velas as grandes fases da História da Salvação até a chegada de Cristo. Assim:

  • a primeira é a vela do perdão concedido a Adão e Eva, que de mortais se tornarão seres viventes em Deus;
  • a segunda é a vela da fé dos patriarcas que creem na promessa da Terra Prometida;
  • a terceira é a vela da alegria de Davi pela sua descendência;
  • a quarta é a vela do ensinamento dos profetas que anunciam a justiça e a paz.

Nesta perspectiva podemos ver nas quatro velas as vindas ou visitas de Deus na história, preparando sua visita ou vinda definitiva no seu Filho Encarnado, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo:

  • o tempo da criação: de Adão e Eva até Noé;
  • o tempo dos patriarcas;
  • o tempo dos reis;
  • o tempo dos profetas.
Referencias
– Artigo do Padre Kleber Rodrigues da Silva  – Membro da Comissão de Liturgia do Regional Sul 1 – CNBB
– BECKHÄUSER, Frei Alberto, Coroa de Advento – história, simbolismo e celebrações, Vozes, 2006.

 

Solenidade de Todos os Santos

A festa de Todos os Santos comemorada no dia 01 de novembro e que precede o dia dos fiéis defuntos (Dia de Finados) 2 de Novembro, é celebrada pela Igreja no Brasil sempre no domingo seguinte, este ano dia 4. Essa mudança se deu após a reforma do Concílio Vaticano II, se convencionou que algumas solenidades que caem durante a semana na sua data civil, seriam celebradas no domingo subsequente.

 “É o caso de outras solenidades, como da Imaculada Conceição, a festa de São Pedro e São Paulo, etc. Porque são festas de importância mundial, para a Igreja universal, para todas as culturas”, explica o arcebispo de Londrina (PR) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geremias Steinmetz.

Essa celebração, que surgiu na Antioquia, no século IV, com a solenidade de todos os mártires, foi instituída para celebrar de uma só vez todos os santos. O sentido desta solenidade, introduzida em Roma no século sexto, está explicitado na oração da Missão de Todos os Santos: “Numa só festa, celebramos os méritos de todos os Santos e Santas”.

Para dom Geremias, esse conceito de santidade é amplo no sentido de que santos não são somente aqueles que são canonizados mas há uma multidão de santos junto de Deus que não são canonizados. “São todos os homens e mulheres que viveram santamente, foram discípulos de Jesus Cristo e agradaram a Deus, esta é a santidade”, destaca.

Além disso, a solenidade é o momento em que a Igreja recorda que os cristãos são chamados a santidade, como apresenta o papa Francisco na Exortação Apostólica Gaudete et Exultate (Alegrai-vos e exultai).

Segundo dom Geremias, o papa tenta apresentar neste documento justamente que a santidade nos nossos tempos passa em primeiro lugar pelo discipulado de Jesus Cristo, ou seja, um seguimento sério do Evangelho de Jesus Cristo em todas as suas dimensões, no testemunho de vida, vivência da Palavra de Deus.

Para o bispo, a santidade não é uma questão mística simplesmente, mas é uma questão vivencial do Evangelho. É esse o grande apelo que também se faz no ano do laicato.

“O leigo que é chamado a ser a Igreja no coração do mundo, e o mundo no coração da Igreja, ou ser sal da Terra, luz do mundo. Ou ainda mais, o cristão que hoje deve ser aquele que está ligado como está o ramo ligado à videira, ele está ligado à pessoa de Jesus Cristo, pelo batismo, fonte da santidade. Uma experiência intransferível de Jesus Cristo que você mesmo tem que fazer para poder ser santo. Esta é a grande mensagem que se tenta apresentar nesse dia”, ressalta.

Fonte:  http://www.cnbb.org.br/festa-de-todos-os-santos-celebra-a-memoria-de-homens-e-mulheres-que-viveram-santamente-foram-discipulos-de-jesus-cristo-e-agradaram-a-deus/

 

MÊS DE NOVEMBRO, TEMPO DE CONSCIENTIZAÇÃO DO DÍZIMO NA DIOCESE DE GUANHÃES!

E VOCÊ? …
Hoje acordei, por um momento confuso, chateado, perdido… então, inesperadamente, comecei a me lembrar de um sonho que tive, onde visualizava algumas passagens vividas por mim e que na oportunidade as relato a seguir. Na verdade, eu fazia era um exame de consciência.Estou próximo a com

pletar 53 anos. Nasci, cresci e sempre vivi nesta “terrinha” querida, cidade linda e maravilhosa para se viver. Um dia após meu nascimento, eu já estava sendo batizado, em 18 de abril de 1966. Aqui fiz minha primeira comunhão, crisma, participei de grupos de jovens, na época. Anos depois me casei, tive dois filhos, também batizados e um já fez inclusive a primeira Eucaristia, tudo na Igreja Matriz. Mas, meu exame de consciência dizia que ainda faltavam muitas coisas. Sempre procurei ser um bom cristão, no entanto, faltava algo. Daí, neste breve relato, lembrei-me de que eu nunca havia procurado a secretaria paroquial para saber quanto eu deveria contribuir por todos estes “serviços oferecidos”, desde o meu batizado, até o casamento. E o círculo continua, batizados dos meu filhos, catequese, crisma de sobrinhos até… Sempre encontrei a Matriz de portas abertas (que alguém se encarregou de abri-la), sempre limpa (que alguém limpou), os lustres, arandelas acesas (alguém estava pagando as contas de energia). Ah, a filmagem e as fotografias do meu casamento, meu sogro pagou; os ornamentos da Matriz como castiçais, mesas, bancos, livros, microfones, anjos da guarda, leitores etc.; tudo de graça, sequer fui à secretaria ou procurei o padre para agradecer; mas a festa do casamento e salão de festas! Ah, isso meu sogro pagou e não foi barato!

Como uma paróquia sobrevive e de forma dinâmica ofertando tudo isto? Lembro-me do Informativo Paroquial, onde certo texto dizia o que é oferta, doação e esmola: são ajudas esporádicas que a paróquia recebe para custear estas despesas que, aliás, são muitas. E descobri outra coisa: para a paróquia se manter, todos os padres têm um apelido em comum, “pidão”. Então levantei-me de meu sonho e comecei a redigi-lo, ou o que me lembrava dele. Esse apelido dado aos nossos sacerdotes é simplesmente horrível. Afinal de contas, sou ou não cristão?

Volto ao início de meu relato. Se moro ou estou morando nesta, tenho a obrigação de cuidar da minha Paróquia, que abrange, desde a moradia de meus pastores até a Casa de Nosso Pai. Entendo que essa deveria ser a obrigação do verdadeiro cristão. Por isso, hoje, com muito orgulho de uma Conversão Dizimal de uma forma imensamente feliz, digo que EU E MINHA ESPOSA SOMOS DIZIMISTAS.

Que sejam você e sua família também dizimistas.

 

Assina: Um Claudiense
Pastoral do Dízimo de Guanhães
Enviado por Diácono Edmilson Candido

Aprendei de mim e ide…

O missionário é convidado a nutrir uma espiritualidade que surge do coração do próprio Deus. Para tanto, seria edificante partir de uma espiritualidade de baixo, pé no chão (DUFNER; GRÜN, 2014), isto é, quanto mais se percebe as próprias fraquezas e incompreensões, confessando-as, mais perto da graça de Deus o discípulo de Jesus estará, pois assim se torna forte para enfrentar as exigências do reino que não são poucas.

Uma das consequências do mandato missionário de Jesus é particularmente a renúncia de si para acolher aqueles que serão evangelizados. É preciso falar, mas também aprender e encarnar as palavras do divino mestre nas atitudes cotidianas, pois mais do que palavras o mundo carece de testemunho.

Na escola de Jesus, os apóstolos tinham os momentos de catequese particular, mas também coletiva, pois o mestre quis lhes revelar não grandes, mas pequenas e edificantes situações da vida cotidiana. Ao povo, “anunciava-lhes a Palavra por meio de muitas parábolas […], conforme podiam entender; e nada lhes falava a não ser em parábolas. A seus discípulos, porém, explicava tudo em particular” (Mc 4, 33-34). O seguidor de Jesus Cristo deve partir concretamente da realidade, claro! Sem deixar de fazer seus momentos de entrega pessoal e também coletiva, pois o ardor missionário é sustentado pela oração.

Oração esta que nasce da intimidade com o Senhor, pois um missionário se sustenta da eucaristia e da entrega a outrem. Jesus não é um mestre que apenas expõe o conteúdo, mas ensina na prática o que é preciso para se chegar ao outro que também é convidado a ser missionário. Quem anuncia o reino deve entender que nem sempre as coisas irão fluir bem, pois a vinha é grande e, consequentemente o trabalho tende a aumentar cada vez que os batizados não assumem seu dever missionário.Durante a ca

minhada será preciso confessar que não se aprendeu o bastante e que é necessário recomeçar de baixo. Pedro é um dos exemplos desse processo quando entra para a escola do evangelho. Confessou amar o senhor, mas preso a si mesmo não fez a experiência de descer à sua própria miséria humana. Só pela graça de Deus ele confessa o amor a Jesus (Jo 21, 15-18), amor este que implica renuncia de si e entrega verdadeira ao reino. Assim, “também em suas fraquezas, Pedro é representante do discipulado” (KASPER, 2008, p. 39).

Isso significa que há sempre um retorno aos ensinamentos do mestre, pois os seres humanos podem recomeçar sempre. O missionário não é pronto, mas vai se aperfeiçoando ao perfil do mestre. Quando se adere ao projeto dele, nada fica como estava, porém tudo se transforma a partir da sincera adesão e prática do que se experimenta: as incoerências são denunciadas e levam à autentica vivência da fé. A consciência, núcleo secretíssimo e sacrário do homem, segundo o Catecismo Católico (p. 480, art 6º, n.1776) passa a ser decisiva nos atos dos filhos de Deus, impondo-lhes fazer o bem e evitar o mal (CIC, p. 480, art 6º, n. 1777) em diversas situações da vida humana.

Portanto, Jesus chama a cada um de forma verdadeira e pelo nome. Ao aderir a este projeto, a pessoa se transforma, mas não está isenta das situações cotidianas sendo boas ou más. Ser discípulo é reconhecer que deseja estar na graça divina, mas que também é fraco e necessita da misericórdia do Pai para se reerguer após uma queda. Jesus ensina em particular a cada discípulo, pois sabe que deles será cobrado ainda mais. A oração é essencial à vida do discípulo, pois só nela podem surgir vocações sinceras e despojadas que confessem quando preciso suas fraquezas e o desejo de retornar à fonte. Ademais, Pedro é um dos exemplos de acolhida da proposta, de fraqueza diante das exigências cotidianas e de retorno à fonte central que é Jesus.

Que neste mês missionário flua em cada cristão o desejo de acolher cada vez mais a proposta do reino sem deixar de ser humano, confessando suas fraquezas, retornando à fonte e se comprometendo com o Evangelho da Alegria.

Filipe Ferreira Coelho, 1º ano de Teologia.
Diocese de Guanhães.

Professores e professoras: o estresse adquirido em sala de aula

Sabemos a importância do professor na vida de cada um de nós, reconhecemos as “marcas” que podem deixar em nossa vida. Sabemos que seu trabalho não para na sala de aula, mas mesmo assim, vemos o quanto são desvalorizados em sua missão em diversos aspectos.

Vivemos um momento em que muitos valores estão invertidos, onde a formação humana e a educação básica são vistas como “obrigação” da escola e não como um dever familiar. E essa falta de parceria escola/família tem prejudicado nossos professores em sala de aula, pois em muitos momentos precisam parar a aula, a explicação, para solucionar situações de conflitos relacionados à falta de educação, de interesse dos alunos, e até mesmo, algum tipo de atrito físico ou verbal. E quando solicitada a presença dos pais, esses apontam como um dever do professor mediar esses conflitos, sem incomodá-los, e ainda tiram de seus filhos a responsabilidade diante da falta de respeito com a autoridade do professor.

Diante dessa realidade, o desgaste físico e mental é inevitável no dia a dia dos professores que, aos poucos, acabam adoecendo, somatizando e, consequentemente, se afastando da sala de aula.

O estresse e o desgaste emocional passam a prejudicar o desempenho e o envolvimento do professor nas suas tarefas diárias e, com isso, pouco a pouco a qualidade do ensino vai sendo prejudicada e a cobrança sobre a capacidade do professor é posta à prova.

Contudo, nós, enquanto sociedade, precisamos valorizar nossos mestres e ensinar nossas crianças a respeitar o professor, porque ele não é apenas transmissor de conteúdo, mas formador referência para o senso crítico, o respeito mútuo e o desejo de fazer a diferença na sociedade.

O mesmo deve acontecer com os gestores, que precisam caminhar junto com seus professores e fazer com que se sintam fortes o bastante para enfrentar esses desafios e seguros de sua atuação, sendo valorizados, mesmo que tenham recursos limitados para desenvolver sua função.

Não existe motivo isolado para que os professores se estressem com a dinâmica de uma sala de aula, mas sim, uma somatória de situações que fazem com que eles se sintam incapazes, indiferentes, desmotivados, cansados, entre outros sentimentos que talvez seja muito difícil para eles descreverem.

Porém, o que não podemos esquecer é que a educação se constrói com amor, companheirismo, dedicação e, principalmente, valorização. Assim como o aluno precisa de reconhecimento para avançar no processo de ensino e aprendizagem, o professor precisa de motivação para não desistir nunca de sua bela vocação: transmitir conhecimento e formar cidadãos conscientes do seu papel na sociedade.

 

* Aline Tayná de Carvalho Barbosa Rodrigues é Licenciada e Graduada em Psicologia Pós Graduada em Psicopedagogia e Psicomotricidade. Atua como Psicóloga Escolar no Instituto Canção Nova, com crianças do Ensino Fundamental I

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