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XI DOMINGO DO TEMPO COMUM

O REINO EM PARÁBOLAS

Os ensinamentos de Jesus eram transmitidos de forma adaptada à compreensão de seus ouvintes. Ele falava por meio de parábolas, partindo de elementos da vida cotidiana. A simplicidade das parábolas escondia uma riqueza de conteúdo, acessível somente a quem estava sintonizado com Jesus. Caso contrário, corria-se o risco de ficar na materialidade das palavras.
O ambiente agrícola da Galiléia oferecia ao Mestre inúmeras possibilidades de montar suas parábolas. A experiência de semeadura e colheita serviu para mostrar como o Reino tem seu ritmo próprio de desenvolver-se, independente da preocupação humana. A sementinha colocada na terra segue seu ciclo natural, até produzir a espiga, sem deixar-se influenciar pela fadiga do agricultor. A palavra do Reino, uma vez plantada no coração humano, desenvolve-se e frutifica, de maneira misteriosa, pouco contando a insistência do pregador. Esse deve ser capaz de confiar e esperar. Os frutos, a seu tempo, virão.
O fato de uma minúscula sementinha de mostarda dar origem a uma árvore considerável serviu para ilustrar o destino do Reino. Embora suas origens sejam extremamente simples, está destinado a crescer e abarcar o mundo. A pequenez é uma etapa necessária. Pretender que o Reino seja grandioso, desde o início, significa atropelar sua dinâmica. O discípulo conhece-lhe, de antemão, o destino.

Oração
Senhor Jesus, dá-me um coração simples para compreender a riqueza de ensinamentos escondida em tuas parábolas.

TEXTOS BÍBLICOS
I Leitura (Ezequiel 17,22-24)
Salmo Responsorial 91/92 – Como é bom agradecermos ao Senhor.
II Leitura (2 Coríntios 5,6-10)
Evangelho (Marcos 4,26-34)

 

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês)

A solidão online

O universo da internet e suas consequências ainda são uma novidade para o mundo e, sobretudo, para a Igreja. Sendo a internet fruto da inteligência humana criada por Deus, ela está também no plano do Criador.
Talvez a internet seja a mais revolucionária das atuais invenções humanas. Os desdobramentos na vida prática e na mentalidade das pessoas são inimagináveis. Provavelmente, quase tudo irá funcionar através dela.
A meu ver, um dos principais efeitos positivos da internet é nos tornar mais humildes. O nosso orgulho intelectual desaparece e ficamos humilhados diante da simples página de busca do Google. Desapareceu a pessoa considerada uma “intelectual-enciclopédia”. Daqui para frente o homem vai ter que começar a pensar profundamente sobre aquelas coisas que o Google não consegue responder. Creio que a internet fará o homem voltar-se para a busca do essencial, cansado da enxurrada de informações úteis e inúteis que, na maioria das vezes, só o leva à curiosidade ou mesmo à perda de tempo. Daí o tempo parecer passar velozmente, a velhice chegar mais rápida, a morte mais próxima; e o ser humano cada vez mais ansioso e deprimido.
Outra virtude da internet é acabar com a hipocrisia dos relacionamentos sociais. A internet está purificando as amizades reais que, de fato, são poucas. Um pesquisador afirmou que nos interessam somente três ou quatro contatos (“amigos”) que estão nas redes sociais. Os contatos on-line são semelhantes às pessoas conhecidas que cruzamos na calçada e fazem de conta que não nos viram.
A internet será cada vez mais um instrumento maravilhoso do ser humano e provocará na Igreja constante conversão pastoral. Contudo, alguns valores como a fé em Deus, a família, o amor, são tão infinitos, que jamais caberão nas pequenas telas digitais. Para a Igreja o mais importante será sempre o ser humano e não os maravilhosos aparelhos com inúmeras utilidades, que são simplesmente instrumentos que devem ajudar a humanidade a ser cada dia melhor. Enfim, estar conectados é uma coisa, mas estar unidos em fraternidade é outra coisa.
Paradoxalmente, alguns pesquisadores estão afirmando que as redes sociais acentuam a depressão nos seus usuários. A falsa sensação de estar conectado mascara o exacerbado individualismo e egoísmo. O problema da ser humano não é a solidão, o problema é o vazio da alma. Muitos confundem solidão com vazio interior. A solidão é inerente à condição humana. Todos temos no profundo da alma uma região que nada, nem ninguém consegue entrar, nem nós mesmos, somente Deus. Experimentamos a solidão, pelo menos em duas ocasiões, na dor profunda (diante da realidade da morte, por exemplo), e quando temos que tomar uma decisão muito importante que somente nós podemos tomá-la.
Quem tem fé sabe que não está jamais sozinho, mas será sempre habitado por uma “Presença”, misteriosa sim, mas, tremendamente real e envolvente. Quem tem fé sente-se envolvido por uma inexplicável presença amorosa e, portanto, não sentirá solidão. Quem não tem fé, mesmo estando rodeado de muitas pessoas, sente-se sozinha e, geralmente, vive cobrando das pessoas ao seu redor mais atenção e mais afeto.
Muitos querem ilusoriamente preencher o vazio da alma com bens materiais: são as pessoas consumistas; os carreiristas e orgulhosos querem se preencher de poder e cargos ondem possam exibir seu Ego inflado; outros buscam o prazer desenfreado do álcool, drogas, sexo; alguns tentam se preencher com coisas mais nobres: matam-se de trabalhar (workaholics = viciados em trabalho!), outros com malucas filosofias, seitas, ideologias.
Enfim, o resultado de tudo isso será mais vazio e mais tristeza na alma. Meu irmão e minha irmã, tudo isso tem solução: basta deixar de ser egoísta e preguiçoso e começar a ajudar e dar mais atenção às pessoas que estão ao seu redor. Assim fazendo, milagrosamente a paz, a alegria e a serenidade vão jorrar de dentro do seu coração. Simples assim. Faça o teste.

Dom Frei Rubens Sevilha, OCD
Bispo Diocesano de Bauru

Fonte: http://www.bispadobauru.org.br/dom-rubens-a-solidao-on-line_pb_257

O MUNDO DA POLÍTICA

O MUNDO DA POLÍTICA

“Deixemo-nos tocar pelo que nos ensina o Papa Francisco sobre os leigos e a política: ‘Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente a sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo’”. Ele afirma que “A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”. (Papa Francisco, citado pelo Documento 105 da CNBB, n 258)

Política! Política? Eleitores de três cidades mineiras, cujo prefeito fora cassado, compareceram às urnas para a eleição de seu novo administrador: Guanhães, Ipatinga e Pocrane. Dados mostraram a insatisfação do eleitor quanto ao atual sistema político: em Guanhães e Ipatinga, a abstenção chegou à casa dos 32%; em Pocrane, 24% dos eleitores não compareceram. Votos em branco e nulos atingiram um número não pequeno: Ipatinga, cerca de 23%; Guanhães, 12%; Pocrane, 6,6%.

Alguns candidatos atribuem o resultado ao pouco tempo para campanha, como também ao momento histórico em que a classe de caminhoneiros reivindicava direitos, deixando o país completamente parado, entretanto é notório que o povo está cansado de tantos desmandos, falcatruas e tudo mais. Queremos mudança da sociedade e do mundo, mas não queremos mudar em nós?

Quem “teve paciência” de acompanhar a campanha dos quatro candidatos ao cargo de prefeito de Guanhães, certamente entendeu que todos eles anseiam (presente) “por uma Guanhães melhor”. Dóris Campos Coelho, a Dorinha da Farmácia, e o vice Célio Augusto da Silva, foram eleitos com 40,54% dos votos válidos. Como cristãos – católicos ou evangélicos – , seguidores dos ensinamentos de Jesus Cristo, não seria esta a hora de unir forças para o verdadeiro exercício da democracia?

Padre José Carlos Pereira (2018) sugere que “muitas vezes continuamos com nossos pensamentos tacanhos e com preconceitos absurdos; continuamos com posturas medíocres e com um olhar cada vez mais míope da realidade. Se continuarmos assim, não haverá mudança para melhor, mas para pior”.

Para que haja mudança no mundo, “seja você a mudança que quer ver no mundo”, comece pelas pequenas coisas – em sua casa, em sua cidade -, mas exerça os seus direitos, cumpra seus deveres. Se temos fé e acreditamos que as coisas vão melhorar, ela melhorarão; o contrário também é verdadeiro. O processo de mudança não é algo mágico; exige atenção, vigilância e tomada de decisão/ação. É fácil? Não! Mas é possível e vale a pena!

Outras eleições vêm aí! Por meio da tecnologia, em um clique, sabemos de todo o histórico da vida das pessoas; temos acesso aos dados dos políticos que legislam em causa própria e lesam o país e seu povo. Que a escolha seja consciente e não pautada em interesses pessoais. Que tenhamos sentimento cristão na hora da escolha daqueles que nos representam (?) e joguemos ao fogo o “joio”, separando-o do “trigo”.

“Rezo ao Senhor, para que nos conceda mais políticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres”. (Papa Francisco, EG,n.205). Assim como o Papa Francisco, rezemos por todos e para todos. Que sejamos o Sal da Terra, a Luz no Mundo e fermento na massa, que é o grande povo de Deus.

Mariza C. Pimenta Dupim – professora.

Os santos mais populares de junho

Os santos mais populares de junho


Em junho, aqui no Brasil, celebramos vários santos, mas destacaremos apenas quatro deles, os mais populares: Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa, celebrado dia 13/06; São João Batista, primo de Jesus, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, que possui duas celebrações na Igreja: dia de seu batismo, celebrado dia 24/06, e dia de seu martírio, celebrado em 29/08: “O maior dos nascidos de mulher” (Lc 7, 28), segundo o próprio Jesus. E, por último, num dia só destacamos São Pedro, primeiro papa, e São Paulo, apóstolo dos gentios, celebrados no dia 29/06, data do martírio deles.

Santo Antônio

Podemos invocar o mesmo santo como Santo Antônio de Lisboa ou Santo Antônio de Pádua, se consideramos a cidade onde ele nasceu (em 1195), ou morreu (em 1221), respectivamente. Recebeu no batismo o nome de Fernando de Bulhões. Vocacionado à missão religiosa, ingressou na Ordem dos Agostinianos. Estudou profundamente as Sagradas Escrituras e a Patrística. Era professor de Bíblia e orador de grande fama. Passou a se chamar Antônio quando entrou para a Ordem dos Frades Menores, ainda no tempo do santo fundador, São Francisco. De saúde frágil, morreu cedo, após intensa vida de pregador e de dedicação aos pobres, o que fez dele um dos santos mais populares da Igreja.

Considerado como o “Santo casamenteiro”, Santo Antônio é parte integrante do catolicismo popular brasileiro. Muitas moças, no imenso desejo de se casar, colocam a imagem do santo de cabeça para baixo, dentro de uma vasilha – incômoda posição – e dizem que só vão desvirá-lo quando conseguirem um marido ou noivo. Sua imagem é dada de presente àqueles que se casam ou a alguém que se pretende ver casado. Vejamos, aqui, alguns versos populares cantados ao santo no interior do nordeste brasileiro:

Para casar:

“Santo Antônio, me case já,
Enquanto sou moça e viva,
Porque milho plantado tarde
Não dá palha nem espiga”.

Depois de casada:
“Santo Antônio pequenino,
Amansador de burro bravo,
Vem amansar minha sogra,
Que é levada do diabo”.

Santo Antônio viveu apenas 36 anos, depois de fazer muito bem aos pobres, e também depois de haver exercido importantes cargos em sua ordem religiosa.

 

São João Batista

Esse pregador judeu, do início do século I, é mencionado pelos quatro evangelistas, e considerado o “precursor do Messias”. Pode ser considerado o santo mais popular de junho, e de seu nome é que provém o adjetivo “juninas” para as festas do mês, quando se celebravam as novenas, festas e fogueiras “joaninas”. Suas festas, no norte e nordeste de Minas, e subindo-se para o nordeste e norte do Brasil, só se equiparam às festas natalinas.
O nome “João”, que em hebraico significa “Deus é propício”, era e ainda é um nome muito comum. Ele foi apelidado de “Batista” porque batizou muitos judeus no rio Jordão, incluindo o próprio Jesus, e pregava a penitência e a conversão para uma vida mais justa e mais conforme às leis de Deus. Os cristãos usaram o batismo joanino e deram a ele um novo significado, para que marcasse a entrada da pessoa na nova religião iniciada pelo Messias, Jesus de Nazaré.

João Batista levava vida austera, de intensas penitências. Segundo Mateus (3,4), ele trajava vestes de pele de camelo, um cinto de couro, e alimentava-se de gafanhotos – uma espécie de fruto adocicado, também chamado de Pão-de-são-joão ou figueira do Egito – e mel silvestre.
João também possuía discípulos, como Jesus, e os ensinou a orar (Lc 11,1). Como relata o capítulo 11 de Mateus, quando João Batista foi preso, ele enviou dois de seus discípulos até Jesus para que se certificassem de que Jesus era mesmo o Messias. Com essa certeza, o Batista poderia morrer tranquilo, sabendo que estava no mundo aquele a quem anunciara.

São Pedro

Os evangelhos nos dizem que São Pedro era de Betsaida, na Galileia. Era pescador e formava dupla de pesca com seu irmão André, que se tornou também apóstolo de Jesus. Seu primeiro nome era Simão, nome muito comum entre os judeus: Shimon; Shimon bar Jonas (Simão, filho de Jonas ou de João).

Simão, ou Simão Pedro, é citado 182 vezes no Segundo Testamento da Bíblia. Só os evangelistas o citam 113 vezes: Mateus: 24; Marcos: 23; Lucas: 27, e João: 39 vezes. Ele é um personagem espontâneo, de iniciativas rápidas, pensamento ligeiro, por isso toma a iniciativa de muitas respostas que Jesus faz aos Doze.

Pedro, colocado por Jesus como a grande referência do grupo apostólico, compartilha com Saulo de Tarso, o convertido apóstolo Paulo, o centro do livro dos “Atos dos Apóstolos”. Muitas pessoas pensam que esse livro fala de todos os apóstolos de Jesus, mas fala dos grandes esteios da fé, que são Pedro e Paulo. Os outros apóstolos são quase detalhe no livro.

Segundo a tradição cristã, Pedro morreu em Roma, onde foi crucificado, por volta do ano 67 da era cristã. A seu pedido, por se julgar indigno de morrer como seu Mestre e Senhor, foi crucificado de cabeça para baixo.
São Pedro é considerado pela Igreja como o primeiro papa, do qual o papa Francisco é o 266º sucessor.

São Paulo

Nascido na cidade de Tarso, Saulo foi um fervoroso judeu. Recebeu esmerada educação do grande rabino Gamaliel, como nos conta o próprio Saulo, convertido em Paulo (Atos 22,3). Sua conversão se dá quando se dirige a Damasco, capital da Síria, para capturar e prender cristãos. Para isso possuía autorização escrita do sinédrio de Jerusalém. Mas no caminho Jesus lhe aparece, e a história de Saulo passa a ter outro sentido.
São dele várias cartas do Segundo Testamento bíblico. Praticamente, a doutrina presente em seus escritos dá um fortíssimo embasamento à fé cristã, e muito da teologia católica tem nos ensinamentos de Paulo sua estruturação.
Pedro e Paulo representam a figura do Papa: o primeiro representa a Igreja institucional e hierárquica, e necessária; o segundo representa o carisma, a evangelização dos gentios, daqueles que ainda não fazem parte do rebanho. Eles são as duas faces de uma mesma Igreja, cujo corpo é misteriosamente o do próprio Jesus.

 

Ismar Dias de Matos, professor de Filosofia e Cultura Religiosa na PUC Minas
p.ismar@pucminas.br

Lições, Brasil – Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte

 Os acontecimentos da vida, que é uma escola, são lições. Por isso, é muito comum ouvir o dito popular “vivendo e aprendendo”. As lições são muitas e o desafio maior é aprendê-las. Só as aprende quem se coloca no lugar de aprendiz. Há quem se arvora em mestre dos outros e perde a capacidade para aprender, pois acredita que já sabe de tudo. Aprende mais quem está disposto a escutar. A incompetência para o aprendizado atinge seu patamar avassalador quando incide no tecido cultural da sociedade, revelando um fenômeno: muitos se julgam na condição de ensinar, e acreditam que não precisam mais aprender.

Consequentemente, há o travamento das dinâmicas que promovem as evoluções na compreensão. Falta lucidez para a solução dos problemas e a sociedade permanece ameaçada pelos extremismos. Nesse contexto, convive-se ainda com desmandos e corrupção. Falta vergonha aos que se permitem usufruir de privilégios, que alimentam exclusões e discriminações. Eis a névoa que confunde as feições e paira sobre a sociedade brasileira, obscurecendo a verdade e tornando a mentira a protagonista da história. Tudo vale para defender interesses particulares, até mesmo ações inconsequentes.

Não deveria ser assim, pois a sociedade brasileira, em seus mais de cinco séculos de história, já deveria ter assimilado muitas lições. Mas a incapacidade para aprender pode explicar o desenvolvimento pífio do país. Se as lições da história fossem aprendidas, a classe política brasileira poderia, agora, ajudar o Brasil a sair do caos dos desencontros e aproveitar melhor as oportunidades deste tempo, valendo-se das  riquezas ambientais e culturais da nação. Ao invés disso, vê-se um pavoroso “bate-cabeça” entre os que ocupam os lugares de lideranças sem serem líderes. A consequência é a disseminação de um jeito de ser que contamina também os espaços políticos. A demagogia torna-se a tônica principal, contracenando com a desconfiança e os ataques mútuos.

Os posicionamentos polarizados, quando se transformam em hostilidades, ferem visceralmente o andamento da vida do povo, enfraquecem as indispensáveis alianças, obscurecem os diálogos e instalam o caos. Há uma completa perda do sentido de limite. A insistência nos equívocos e as miopias que impedem enxergar as soluções agravam os problemas e multiplicam os pesos sobre os ombros de todos. Assim, o cidadão se distancia das lições que o possibilitariam ajudar na construção de um país melhor. Passa-se a enxergar apenas a própria causa, a considerar como único e intocável o discurso que se defende. O resultado é a gravíssima perda da sensibilidade para se abrir a uma inadiável dinâmica de conversão, capaz de inspirar atitudes com força de mudanças.

Sem os aprendizados necessários, contenta-se apenas com o conforto institucional do lugar ocupado e seus privilégios – a incapacidade para se colocar no lugar do outro, a quem se deveria servir e ajudar. Para mudar essa postura, devem-se habilitar os olhos para enxergar além dos próprios interesses e comodidades. Admitir que o exercício qualificado da cidadania não pode conviver com os conchavos, os privilégios e a busca por vantagens  a partir da corrupção.

A sociedade brasileira clama precisada de um novo ciclo de aprendizagens das muitas lições que estão inseridas em sua história. As instituições e segmentos da sociedade carecem de gestos corajosos para aprender, por meio do diálogo, a cuidar do bem comum a todo custo. A transformação do país, para conseguir sair dos limites perigosos a que chegou, exige de todos um gesto de conversão, bem concreto. É preciso modificar funcionamentos para recuperar a credibilidade perdida, importante para o urgente processo de mudança: um tempo novo para o aprendizado das lições, Brasil!

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Mundo ético ferido

Os tempos de crise sempre estiveram presentes na história da humanidade, apresentando-se de formas diferentes, trazendo questionamentos e discussões para encontrar o “bem” da humanidade.
O “ethos” está infuso em cada ser humano, direciona na busca da felicidade, felicidade que podemos chamar de realização ou busca do “bom”. O ser humano tem este movimento dentro de si, onde o seu interior busca, de forma natural, sua realização. Isso pode ser melhor entendido, a partir de uma experiência ética consciente.
Vemos hoje no Brasil um problema ético que é fruto de uma mudança muito brusca no modo de viver.

O ethos rural e urbano

O “ethos” do homem rural, da sociedade agrária e de uma sociedade mais fraterna, foi bruscamente invadido pelo “ethos” do homem moderno e suas máquinas. Isto deveria ter acontecido através de um processo gradativo, o que não aconteceu surgindo o dualismo ético na sociedade que diminuiu a solidariedade. O “ethos” rural foi forçado a corresponder ao “ethos” moderno, onde os que detinham poder, financeiro detinham o poder do plano ético ou moral.

Eu sou o Brasil ético

Onde falta “o ethos”, há espaço para corrupção, e a forte presença do famoso “jeitinho brasileiro” leva a fraqueza do viver comunitário, a deformação e fragmentação da consciência. Tudo isto se espalha como uma doença, onde a sociedade é afetada durante a história e o sintoma mais forte aparece naquilo que o homem mais tem de precioso sua consciência.
Essa consciência tem de conviver com um pluralismo, fruto de uma crise ética, onde um dos agravantes é o enfraquecimento da dimensão comunitária que, contribui para a geração de consciências consumistas e incertas e que, sofrem por viverem uma busca incessante do “bom” em meio a pseudo-realidades do mesmo.

Educar e instruir para o Éthos

Um novo caminho é necessário, partindo da experiência ética ou moral do indivíduo onde ele se questiona sobre o verdadeiro “bem” e “mal”, buscar a verdade dentro desta experiência gera uma consciência moral que permite que o indivíduo se descobrisse como responsável por um viver ético e não apenas, mais um cumpridor de regras e assim podendo finalmente viver a realidade que está inserido e desse modo, encontrar o “Bem”.

Matheus Rodrigues
Seminarista redentorista
Seminário São Geraldo, Sorocaba (SP)

Fonte: CNBB. Ética: Pessoa e sociedade, 1. Ed., Brasília-DF, Documentos da CNBB, maio 1993.

Origem da Solenidade de Corpus Christi, adoração e roteiro para oração

Adoração Eucarística: origem da Solenidade de Corpus Christi e roteiro para oração

Celebrada amanhã, quinta-feira, 31 de maio, a Solenidade de Corpus Christi é também conhecida como a Festa da Eucaristia. Neste dia, é celebrada a presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. Após a Páscoa e Pentecostes, a presença de Jesus na terra continua de forma “misteriosa e no confronto com as realidades do cotidiano”, como reflete o arcebispo de Uberaba, dom Paulo Mendes Peixoto.

“A Eucaristia dá corpo e sentido para a comunidade cristã. Faz acontecer a Igreja que, por sua vez, é gerada por ela. Eucaristia e Igreja formam uma unidade e uma solidez na evangelização da sociedade. Não existe Igreja sem Eucaristia e nem Eucaristia sem Igreja”, ensina o arcebispo.

Histórico

A festa de Corpus Christi foi instituída oficialmente pelo papa Urbano IV, com a publicação da bula Transiturus de hoc mundo, em 8 de setembro de 1264, com a celebração marcada para a quinta-feira após a solenidade da Santíssima Trindade.

A origem da festa remete à devoção eucarística iniciada na França e na Bélgica, antes do século XII. Ligada à piedade do povo cristão, a solenidade também é lembrada pela influência das visões da monja agostiniana belga Juliana de Cornillon, as quais mostravam o anseio de Cristo para que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Tais visões foram consideradas decisivas para a decisão do papa, em 1264.

Mas foi somente 50 anos depois da morte de Urbano IV que a Solenidade ganhou caráter universal definitivo. A partir do século XIV, no papado de Clemente V, foram instituídas as Constituições do Corpus Júris, e 1313, as quais tornara a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. No mesmo documento, ficou estabelecido o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas, o que foi fortalecido pelo Concílio de Trento (1545-1563), como ação de graças pelo dom Eucarístico e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

O Concílio Vaticano II vinculou a celebração ao mistério pascal de Jesus Cristo, dando novo significado à festividade. E, em 1983, o novo Código de Direito Canônico manteve a obrigação de se manifestar “o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia” e “onde for possível, haja procissão pelas vias públicas”, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

Procissão

A procissão com o Santíssimo Sacramento pelas ruas é marcada por rito solene e pelos cânticos. A orientação da Igreja é que aconteça após a celebração eucarística, na qual se consagra a hóstia que será levada em procissão, que também pode acontecer após uma adoração pública e prologada depois da missa.

Durante o percurso, de acordo com o costume, podem ser concedidas bênçãos eucarísticas em estações.

Roteiro para adoração

O doutor em Teologia pelo Pontifício Ateneu Santo Anselmo e professor titular do Instituto Teológico Franciscano, frei José Ariovaldo da Silva, que contribui nas reflexões sobre Liturgia no âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), certa vez preparou uma sugestão para momento de adoração eucarística.

Ele baseou-se na proposta do Guia Litúrgico-Pastoral da CNBB, em 2011. O frade franciscano explica que não existe um roteiro definido, mas destaca a expressão comunitária da fé. Assim, é proposto o roteiro “que pode bem ajudar no momento de adoração, pessoal ou comunitária, que supõe uma atitude de escuta e momentos de silêncio”.

Os seis passos:

1- Estando diante do Corpo do Senhor, primeiro tome consciência do seu próprio corpo: procure escutar a respiração, os sentimentos, suas emoções. Faça silêncio, prestando atenção na respiração. Faça isso por alguns minutos.

2 – Ao olhar o Pão consagrado, lembre-se das palavras do Senhor: “Isto é o meu Corpo que será entregue por vós…” e renove a própria entrega com Jesus, que se oferece na missa e prolonga sua presença sacrificante na forma do Pão que é para ser dado e consumido.

3 – Lembre-se das atitudes de Jesus que o levaram à morte… Acolha em sua vida a salvação e deixe que o desejo de amar, como Jesus, ganhe espaço no coração.
Sinta-se em comunhão com o Corpo eclesial. Recorde as pessoas amigas, ou alguém com quem tem dificuldade de conviver; lembre as coisas boas que está vivendo e também os motivos de preocupação e de sofrimento próprio ou de outros(as); traga presente a santidade e as fraquezas da Igreja. Também as pessoas que sofrem, as que estão nos presídios, nos hospitais, no abandono…

4 – Coloque tudo no coração do Pai, como fez Jesus até no último momento de sua vida, quando estava na cruz.
Tome um texto da liturgia do dia: pode ser o evangelho, ou a leitura, ou o salmo, ou ainda a oração eucarística (desde o prefácio), ou as orações iniciais e de pós-comunhão.

5 – Leia, prestando atenção (leitura orante). Cada palavra da leitura é importante, vale a pena reler, meditando. Se uma palavra ou frase chamou a atenção, repita-a para si mesmo(a), e faça dela a própria oração. Se ao ler o texto se lembrar de outro texto bíblico, ou litúrgico, dar atenção a isso; repita-o no coração…

6 – Agradeça a Deus por tudo que se tem recebido de sua bondade. Dê graças por toda a criação, por todo o bem realizado no universo. Dirija a Deus salmos, cânticos e refrãos bíblicos. Se for em grupo, pode-se cantar ou recitar juntos. Pode ser o próprio salmo do dia ou outro.
Termine rezando a oração que Jesus mesmo ensinou.

 

*Dom Paulo Mendes Peixoto é o Arecebispo Metropolitano de Uberaba e Presidente do Regional Leste II da CNBB.

Santíssima Trindade: mistério central da fé e da vida cristã

“Celebrar a Santíssima Trindade representa para a Igreja celebrar a fonte de onde ela emana”, diz o bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Carlos Cipollini.

Esse mistério central da fé cristã é ressaltado no concílio Vaticano II: a Igreja brota da Trindade. Outra definição bem didática foi escrita pelo bispo teólogo de Ilhéus (BA), já falecido, dom Valfredo Tepe, “o Pai projeta a Igreja, Jesus a funda e o Espírito Santo a administra”.

Neste domingo, 27 de maio, a Igreja celebra a solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três pessoas e um só Deus verdadeiro. Esta celebração convida os cristãos a rezar e a agradecer o convite que Jesus faz para voltar com ele ressuscitado, para sua pátria: a Trindade.

“Esta celebração nos convida a celebrar a criação que é obra da Trindade, celebrar a humanidade vocacionada à fraternidade e solidariedade: um só é vosso Pai! E eu e o Pai somos um”, destaca dom Cipollini.

Ainda segundo o bispo, de junto do Pai Jesus ressuscitado envia o Espírito Santo que nos santifica e nos torna santificadores deste mundo. “Espírito de Verdade e amor derramado em nossos corações para compreendermos que Jesus é o enviado do Pai e crermos nele, ouvindo e vivendo o que ele nos ensinou”.

O mistério da Trindade que não pode ser entendido porque é um mistério está nas origens da fé viva da Igreja, principalmente através do Batismo. “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13; cf. 1Cor 12,4-6; Ef 4,4-6) já pronunciavam os Apóstolos.

Santo Agostinho dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade, 15,26,47).

“Trazemos para nossa vida o mistério da Trindade quando conhecemos Jesus que nos revela este mistério e é o caminho para adentrarmos nele. Quando brota em nós a paixão para a unidade e o amor vividos na busca continua da Verdade que se revela em Jesus, aí então o Mistério da Trindade se torna realidade para nós”.

Dom Cipollini ressalta que é preciso aprender a viver a unidade na diversidade unidos pelo amor. “Viver a Trindade é a partir da fé abater tudo o que divide e construir pontes que integram”.

Fonte: CNBB

Pentecostes: O nascimento da Igreja Missionária

Cinquenta dias após celebrarmos a Ressurreição de Jesus, somos convidados a rezar a Solenidade de Pentecostes. Na liturgia, com a celebração de Pentecostes , se encerra o tempo pascal e retomamos o tempo comum, tempo de rezar a vida pública de Jesus e a nossa missão como seus discípulos.

Antes de receberem o Espírito Santo , a força do alto, os discípulos não passavam de um grupo paralisado pelo medo. Ser discípulo apenas para assistir o que Jesus fazia, era uma atitude muito cômoda. Após a Ascensão  os discípulos ficaram meio que perdidos, pois não sabiam o que fazer e nem como fazer e se perguntavam? Quem irá agora anunciar o Reino? Quem irá evangelizar os pobres? Quem irá acolher os pecadores? Quem irá consolar os tristes? Quem irá partilhar o pão? Quem irá cuidar dos doentes e abandonados? Enquanto Jesus estava com eles, era Jesus quem realizava estes gestos de amor.

Por isso, Pentecostes marca o nascimento da Igreja missionária, quando os discípulos vão compreendendo que agora são eles que devem continuar os gestos de amor de Jesus neste mundo. Agora são os lábios dos discípulos que tem que anunciar o Reino. São as mãos dos discípulos que tem que partilhar o pão. E é o coração do discípulo, que se revestiu do amor de Cristo, que irá continuar oferecendo amor para manter a esperança de vida.

O Espirito Santo é o dom que o Pai nos concede para que sejamos capazes de guardar a Palavra do seu Filho em nossa vida. O Espírito fez os discípulos recordarem que Cristo havia colocado o Evangelho em seus corações e que, por amor a Cristo, os discípulos guardaram sua palavra: “Quem me ama guardará minha palavra”. Sabendo que a Palavra do Cristo permanece no coração de quem Nele acredita, os discípulos, na força do Espírito, amor que nos move porque nos reveste de esperança, foram levar o Evangelho até os confins da terra.

Sendo assim, em Pentecostes nasce a Igreja missionária, a Igreja que se descobre em constante saída, como tão bem tem falado o Papa  Francisco . Uma Igreja que vai às periferias do mundo porque o Espírito nos impulsiona para levar a Palavra de Jesus aonde não existe mais sinal de esperança. Onde a vida é desrespeitada e ferida, é lá que o Evangelho, que é palavra capaz de salvar, deve ser proclamado.

O Espírito Santo derramado sobre os nossos corações, como dom do Pai e do Filho, nos capacita para falar a linguagem do amor, caminho indispensável para a unidade tão desejada por Jesus para sua Igreja: “Que todos sejam um!”. A linguagem do amor nos fortalece para superarmos as divisões e crescemos no testemunho de Cristo por uma profunda vida de fraternidade. “Nisto reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”.

O Espírito Santo é o defensor que Jesus nos enviou para sermos suas testemunhas, mesmo quando situações adversas e perseguições querem destruir nossa fé. O Espírito é força que liberta a vida. É força que transforma todas as realidades, porque ele nos capacita para viver o amor que renova a face da terra.

Fonte: a12.com

Fim dos extremismos

A civilização está dominada por extremismos de todo tipo, que se manifestam em contextos diversos – do universo religioso ao mundo da política, da cultura às pessoas. Os extremismos revelam que a sociedade sofre com sério desequilíbrio. Isso exige todo o empenho analítico de especialistas para que sejam alcançadas indispensáveis práticas educativas, capazes de qualificar as relações sociais e humanitárias.  Afinal, não se pode justificar o radicalismo com o argumento de fidelidade a algo ou alguém, perdendo, assim, a competência de enxergar para além do “próprio quadrado”.

Causas nobres, enraizadas em princípios com profunda significação, têm se transformado em dinâmicas perigosas, radicais, que comprometem a paz e a solidariedade fraterna. Quando se radicaliza as posturas, o outro que não partilha as mesmas convicções, vira adversário, verdadeiro inimigo a ser combatido. Uma situação que faz surgir o terrorismo, a violência de todo tipo, a indiferença, a busca por ideologias políticas que já perderam o sentido e as disputas mesquinhas. Em segundo plano fica a solidariedade, particularmente para com os pobres – ganhando força uma dinâmica que retarda avanços humanitários, mesmo com tantos recursos tecnológicos disponíveis.

Os extremismos, portanto, precisam ser cada vez mais compreendidos e tratados a partir de estudos filosóficos, sociais e antropológicos, com a colaboração de outros campos do saber. Todos devem “abrir os olhos” e reconhecer a gravidade desse fenômeno, urgentemente, pois os radicalismos, quando ignorados, tornam-se mais difíceis de serem combatidos. Por isso mesmo, são necessários investimentos, não somente em estudos e pesquisas, mas especialmente na partilha do conhecimento, para ajudar a tecer nova consciência social.

Os radicalismos agravam os problemas de segurança pública, acentuam o desrespeito à integridade de cada pessoa na sua dignidade, contribuem para a expansão da miséria e da exclusão, que geram, entre outras consequências, as migrações de povos. Os extremismos são um fenômeno de alcance global, mas que deve ser compreendido também a partir de suas manifestações nas situações cotidianas, na conduta de indivíduos. Assim é possível tecer novas dinâmicas capazes de transformar as atitudes do dia a dia que, atualmente, inviabilizam uma sociedade justa e solidária. Dos amplos e profundos estudos às transformações na postura de cidadãos, eis o desafiador caminho para vencer os extremismos. Isso porque a velocidade na disseminação das informações, com a profusão de conteúdos diversos, a partir das redes digitais e meios de comunicação, contribui para que a humanidade desaprenda a enxergar sentido nas coisas.

A sociedade contemporânea produz gente “antenada”, em busca das informações, com facilidade para lidar com tecnologias e, no entanto, ao mesmo tempo, indivíduos pouco habilidosos quando avaliados a partir das perspectivas humana e espiritual. E os que não dominam essas habilidades, correm sempre o risco de considerarem muito importante fazer de tudo para proteger o que é pouco significativo.

Além de tornar-se normal sacrificar o mais importante para preservar o que é secundário, há uma incapacidade na compreensão do outro. Percebe-se um enrijecimento que atrapalha a consideração de diferentes perspectivas, o entendimento mais amplo da história. Ao mesmo tempo, tudo é submetido a julgamentos a partir de critérios subjetivos altamente prejudiciais. Sem conseguir ir além das próprias convicções e vontades, indivíduos se fecham para situações que poderiam ajudá-lo a evoluir, inclusive contribuir para a sua abertura ao exercício da generosidade e da gratidão.  Também por isso, a sociedade, saturada de extremismos, não consegue estabelecer dinâmicas de reconciliação.

Urge a reconquista de equilíbrios, o que inclui a recuperação do autêntico sentido das diferentes causas e das práticas religiosas. A vitória sobre os fanatismos envolve superar a convicção de que o próprio ponto de vista é a bandeira única da humanidade. Eis um passo fundamental para superar os extremismos e garantir mais fraternidadeàs relações sociais.                                                                                                  

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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