Michel Hoguinelle

“Com Maria, somos Povo de Deus unido, pela Aliança”.

Novena e Festa de Aparecida deste ano, estão em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

Em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), o Santuário Nacional celebra a Novena e Festa da Padroeira do Brasil, de 3 a 12 de outubro, evidenciando o sentido de ser Igreja a partir da ideia de Povo de Deus, aprofundada pelo Concílio Vaticano II. 

Ao comemorar noventa anos da proclamação da Mãe Aparecida como Padroeira do Brasil, o tema da Novena deste ano quer aprofundar a identidade de fé: “Com Maria, somos Povo de Deus unido, pela Aliança”. 

“Aparecida nas águas barrentas do rio Paraíba do Sul, em 1717, a Virgem Negra é a Mãe de ternura e de esperança, que nos ajuda a ser povo da Aliança!”, disse o padre   Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida.

Na presença de Nossa Senhora, “a melhor e a mais perfeita discípula da Palavra”, como ensina dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida (SP), o Santuário Nacional quer renovar a alegria de ser Povo de Deus, aproximando da Bíblia os devotos de Nossa Senhora. A novena e festa de Aparecida estão em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023), que propõem a Palavra de Deus como primeiro “Pilar da Casa”. 

Diferente do ano passado, quando decidiu-se organizar uma festa mais restritiva por causa do agravamento da pandemia e porque ainda não havia vacinas seguras, neste ano estão previstos dois lugares de celebração: o próprio Santuário Nacional e o Centro de Eventos, localizado no pátio da maior Basílica Mariana do Mundo. 

Um convite para redescobrir a Bíblia na Casa de Maria 

Sempre vinculados à figura de Nossa Senhora, os temas de cada dia da novena retratam, entre outros assuntos: Êxodo e a aliança com Deus, Igreja povo de Deus, Mandamentos, Bem-aventuranças, Misericórdia samaritana, São José e igreja doméstica, Meio ambiente, Eucaristia e unidade com o Papa Francisco. 

Com a Bíblia na mão”, como sempre gosta de dizer dom Orlando Brandes, e tendo o Êxodo como referência decisiva, a novena quer percorrer as etapas significativas na história de libertação que Deus ofereceu ao seu povo eleito”. afirma o padre   Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida.. 

Padre Marko Rupnik próximo à obra de revestimento da fachada da Basílica

Desde o ano passado, a novena faz referência à história do Êxodo, porque é com ela que o padre Marko Rupinik está revestindo com mosaicos a primeira fachada do Santuário Nacional. É um projeto de arte, mas é também um projeto pastoral de aproximação aos textos bíblicos. Um dos principais objetivos do projeto “Jornada Bíblica” é que cada devoto de Nossa Senhora conheça sempre mais as Sagradas Escrituras.  

“Vocacionados como Moisés, todos aqueles que amam a Mãe Aparecida devem viver em constante êxodo: sempre em êxodo missionário. Através da história de Moisés, de esperança em esperança, a novena deste ano é um convite para que os fiéis refaçam o caminho do Êxodo, rumo à “Terra sem males”, disse o padre   Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida.

O Santuário Nacional convida a Igreja no Brasil a viver momentos de profunda reflexão, baseados em dois eixos fundamentais: Povo de Deus e Aliança. ”Somos Igreja, fazemos parte da Igreja de Cristo e nos entendemos como povo, como família de Deus. A ideia de Povo de Deus foi aprofundada a partir do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), quando fez da participação uma das palavras-chave da vida da Igreja. A Aliança está associada ao Êxodo e a outros grandes valores da Bíblia. Com a força de Deus e a liderança de Moisés, o povo fez seu encontro de amor com o Pai e esse era o maior propósito de Deus”, disse padre Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida. 

Dia das Crianças e da Padroeira do Brasil 

O dia 12 de outubro é festa da Padroeira do Brasil e também é festa pelo dia das crianças. Há muitos anos o Santuário Nacional, em parceria com o Ministério Público do Trabalho e com o Tribunal Regional do Trabalho, da décima quinta região de Campinas, empenha-se no projeto de erradicação do trabalho infantil. 

“Acreditamos que proteger crianças e adolescentes é o primeiro passo para uma sociedade mais justa e feliz para todos. Lugar de criança é na escola. Nunca no injusto trabalho infantil, que rouba sonhos e esperanças de uma maturidade plena e feliz”, afirma padre Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida. 

Seguindo os protocolos de higiene, segurança e distanciamento social, os fiéis poderão acompanhar a Novena e Festa de Nossa Senhora através da Rede Aparecida de Comunicação. A programação completa está disponível no portal A12.com/padroeira.

“Viva a alegria de ser devoto da Mãe Aparecida e participe da festa de Nossa Senhora! O Santuário Nacional, lugar privilegiado para o encontro com Deus, está de coração e portas abertos para acolher você e sua família. Aceite nosso convite para cantar as Glórias de Maria, como ensinou Santo Afonso. Afinal, no Santuário da Palavra viva de Deus é onde eu quero estar!”, exorta padre Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida. 

 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/novena-e-festa-de-aparecida-deste-ano-estao-em-sintonia-com-as-diretrizes-gerais-da-acao-evangelizadora-da-igreja-no-brasil/

Papa: Sínodo é um evento de graça, estar aberto às surpresas do Espírito

A Palavra de Deus guia o Sínodo, para que não seja uma “convenção” eclesial, um convênio de estudos ou um congresso político, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito Santo. Palavras do Papa ao inaugurar o caminhos sinodal celebrando a missa na Basílica de São Pedro.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

“Encontrar, escutar, discernir”: estes foram os verbos indicados pelo Papa Francisco na sua homilia de abertura do processo sinodal.

O Pontífice presidiu à Santa Missa na Basílica Vaticana, com a participação de leigos, religiosos, sacerdotes, bispos e cardeais que participam deste processo que culminará em Roma, daqui dois anos, com o Sínodo dos Bispos sobre a tema da sinodalidade.

Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Francisco

Francisco se inspirou no Evangelho deste domingo, que apresenta um homem rico que foi ao encontro de Jesus enquanto o Mestre se punha a caminho. “Jesus não tinha pressa, não olhava o relógio para acabar rápido o encontro. Estava sempre a serviço da pessoa que encontrava, para ouvi-la.”

“Deus não habita em lugares assépticos e pacatos, distantes da realidade, mas caminha conosco”, disse o Papa, que então pergunta: “Nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade?”

Peritos na arte do encontro

O Evangelho começa narrando um encontro, ao qual Jesus não fica indiferente. “Também nós, que iniciamos este caminho, somos chamados a tornar-nos peritos na arte do encontro; peritos, não na organização de eventos”, mas “na reserva de um tempo para encontrar o Senhor e favorecer o encontro entre nós”.

Deus muda tudo quando somos capazes de encontros verdadeiros com Ele e entre nós… “sem formalismos nem fingimentos, nem maquiagens”.

Escutar com o coração

Depois do encontro, o passo sucessivo é escutar. E mais uma vez Francisco se dirige à assembleia: “Como estamos quanto à escuta? Como está «o ouvido» do nosso coração? Permitimos que as pessoas se expressem?

“Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros. É descobrir, maravilhados, que o Espírito Santo sopra de modo sempre surpreendente para sugerir percursos e linguagens novos.”

“Não insonorizemos o coração, não nos blindemos nas nossas certezas. Escutemo-nos.”

Discernir para mudar

Por fim, discernir. O encontro e a escuta recíproca, explicou Francisco, não são um fim em si mesmos, deixando as coisas como estão.

Pelo contrário, quando entramos em diálogo, no fim já não somos os mesmos de antes, mudamos, como indica o Evangelho de hoje. Jesus intui que o homem à sua frente é bom, mas quer conduzi-lo para além da simples observância dos preceitos – uma indicação preciosa também para nós:

“O Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, que se faz na adoração, na oração, em contato com a Palavra de Deus.”

A Palavra guia o Sínodo, para que não seja uma “convenção” eclesial, um convênio de estudos ou um congresso político, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito Santo.

Assim como fez com o homem rico do Evangelho, Jesus chama a Igreja a libertar-nos daquilo que é mundano e também dos fechamentos e dos modelos pastorais repetitivos, para interrogar-se a direção para onde Ele quer conduzir.

“Queridos irmãos e irmãs, bom caminho em conjunto! Sejamos peregrinos enamorados do Evangelho, abertos às surpresas do Espírito Santo. Não percamos as ocasiões de graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com a alegria de saber que, enquanto procuramos o Senhor, é Ele quem primeiro vem ao nosso encontro com o seu amor.”

Fonte:  https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2021-10/papa-francisco-missa-abertura-processo-sinodal.html


Missa de abertura dos trabalhos do Sínodo 2023, onde o Papa Francisco inaugura um processo inédito de consulta, com iniciativas a nível global

Segue na íntegra a homilia do Santo Padre.

Um homem rico foi ao encontro de Jesus, «quando [Este] Se punha a caminho» (Mc 10, 17). Os Evangelhos apresentam-nos muitas vezes Jesus «a caminho», fazendo-Se companheiro do homem no seu caminho e ouvindo os interrogativos que habitam e inquietam o seu coração. Assim se revela que Deus não habita em lugares asséticos, em lugares pacatos, distantes da realidade, mas caminha conosco e vem encontrar-nos onde estamos, nas estradas por vezes acidentadas da vida. E hoje, ao abrir este percurso sinodal, comecemos todos (Papa, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, irmãs e irmãos leigos) por nos interrogar: nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade? Estamos prontos para a aventura do caminho ou, temerosos face ao desconhecido, preferimos refugiar-nos nas desculpas «não adianta» ou «sempre se fez assim»?

Fazer Sínodo significa caminhar pela mesma estrada, caminhar em conjunto. Fixemos Jesus, que na estrada primeiro encontra o homem rico, depois escuta as suas perguntas e, por fim, ajuda-o a discernir o que fazer para ter a vida eterna. Encontrar, escutar, discernir: três verbos do Sínodo, nos quais me quero deter.

  1. Encontrar. O Evangelho começa, narrando um encontro. Um homem vai ao encontro de Jesus e ajoelha-se diante d’Ele, colocando-Lhe uma pergunta decisiva: «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?» (Mc 10, 17). Uma questão tão importante exige atenção, tempo, disponibilidade para encontrar o outro e deixar-se interpelar pela sua inquietação. De fato, o Senhor não fica indiferente, nem Se mostra aborrecido ou incomodado; pelo contrário, detém-Se com ele. Está disponível para o encontro. Nada O deixa indiferente, tudo O apaixona. Fixar os rostos, cruzar os olhares, partilhar a história de cada um: tal é a proximidade de Jesus. Ele sabe que um encontro pode mudar a vida. E o Evangelho está constelado de encontros com Cristo que reanimam e curam. Jesus não tinha pressa, não olhava o relógio para terminar depressa o encontro. Estava sempre ao serviço da pessoa que encontrava, para a escutar.

Também nós, que iniciamos este caminho, somos chamados a tornar-nos peritos na arte do encontro; peritos, não na organização de eventos ou na proposta duma reflexão teórica sobre os problemas, mas, antes de mais nada, na reserva dum tempo para encontrar o Senhor e favorecer o encontro entre nós: um tempo para dar espaço à oração, à adoração – uma oração que tanto transcuramos: adorar, dar espaço à adoração –, àquilo que o Espírito quer dizer à Igreja; para fixar-se no rosto e na palavra do outro, encontrar-nos face a face, deixar-se tocar pelas perguntas das irmãs e dos irmãos, ajudar-nos a fim de que a diversidade de carismas, vocações e ministérios nos enriqueça. Como sabemos, cada encontro exige abertura, coragem, disponibilidade para se deixar interpelar pelo rosto e a história do outro. Enquanto às vezes preferimos refugiar-nos em relações formais ou usar máscaras de ocasião – o espírito clerical e de corte: são mais Senhor Abade que padre –, o encontro muda-nos e muitas vezes sugere-nos novos caminhos que não pensávamos percorrer. Hoje, depois do Ângelus, receberei um bom grupo de pessoas sem eira nem beira; juntam-se simplesmente, porque há um grupo de pessoas que as vão escutar, unicamente ouvi-las. E, partindo da escuta, conseguiram começar a caminhar. A escuta. Com frequência é assim precisamente que Deus nos indica os caminhos a seguir, fazendo-nos sair dos nossos hábitos cansados. Muda tudo, quando somos capazes de encontros verdadeiros com Ele e entre nós… sem formalismos, nem fingimentos, nem maquilhagem.

  1. 2. Segundo verbo: escutar. Um verdadeiro encontro só pode nascer da escuta. De facto, Jesus coloca-Se à escuta da pergunta daquele homem e da sua inquietação religiosa e existencial. Não dá uma resposta de rotina, não oferece uma solução pré-fabricada, nem finge responder com amabilidade apenas para Se livrar dele e prosseguir o seu caminho. Simplesmente o escuta. Escuta-o todo o tempo que for preciso, sem pressa. E – a coisa mais importante – Jesus não tem medo de o escutar com o coração; não Se contenta de o fazer apenas com os ouvidos. Com efeito, a sua resposta não se limita a retorquir à pergunta, mas permite ao homem rico contar a sua história, falar livremente de si mesmo. Cristo lembra-lhe os mandamentos, e ele começa a falar da sua infância, a partilhar o seu percurso religioso, o modo como se esforçou por procurar a Deus. Quando ouvimos com o coração, o outro sente-se acolhido, não julgado, livre para contar a sua vivência e o próprio caminho espiritual.

Interroguemo-nos, com sinceridade, neste itinerário sinodal: Como estamos quanto à escuta? Como está «o ouvido» do nosso coração? Permitimos que as pessoas se expressem, caminhem na fé mesmo se têm percursos de vida difíceis, contribuam para a vida da comunidade sem ser estorvadas, rejeitadas ou julgadas? Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros. É descobrir, maravilhados, que o Espírito Santo sopra de modo sempre surpreendente para sugerir percursos e linguagens novos. Aprender a ouvir-nos uns aos outros – bispos, padres, religiosos e leigos; todos, todos os batizados – é um exercício lento, talvez cansativo, evitando respostas artificiais e superficiais, respostas pronto-a-vestir… essas não! O Espírito pede para nos colocarmos à escuta das perguntas, preocupações, esperanças de cada Igreja, de cada povo e nação; e também à escuta do mundo, dos desafios e das mudanças que o mesmo nos coloca. Não insonorizemos o coração, não nos blindemos nas nossas certezas. Muitas vezes as certezas fecham-nos em nós mesmos. Escutemo-nos.

  1. 3. Por fim, discernir. O encontro e a escuta recíproca não são um fim em si mesmos, deixando as coisas como estão. Pelo contrário, quando entramos em diálogo, pomo-nos em questão, pomo-nos a caminho e, no fim, já não somos os mesmos de antes, mudamos. Assim no-lo mostra o Evangelho de hoje. Jesus intui que o homem à sua frente é bom, religioso e pratica os mandamentos, mas quer conduzi-lo para além da simples observância dos preceitos. No diálogo, ajuda-o a discernir. Propõe-lhe olhar dentro de si próprio, à luz do amor com que Ele mesmo – ao fixá-lo – o ama (cf. Mc 10, 21), e, nesta luz, discernir a que é que está verdadeiramente apegado o seu coração; para depois descobrir que o seu bem não passa por aumentar o número de atos religiosos, mas, ao invés, esvaziar-se de si mesmo: vender aquilo que preenche o seu coração, para dar espaço a Deus.

Trata-se duma indicação preciosa também para nós. O Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, de discernimento eclesial, que se faz na adoração, na oração, em contacto com a Palavra de Deus. E a segunda Leitura de hoje diz-nos precisamente que a Palavra de Deus «é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes; penetra até à divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração» (Heb 4, 12). A Palavra abre-nos ao discernimento e ilumina-o. Guia o Sínodo, para que não seja uma «convenção» eclesial, um convénio de estudos ou um congresso político, para que não seja um parlamento, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito. Nestes dias, Jesus chama-nos – como fez com o homem rico do Evangelho – a esvaziar-nos, a libertar-nos daquilo que é mundano e também dos nossos fechamentos e dos nossos modelos pastorais repetitivos, a interrogar-nos sobre aquilo que Deus nos quer dizer neste tempo e sobre a direção para onde Ele nos quer conduzir.

Queridos irmãos e irmãs, bom caminho em conjunto! Sejamos peregrinos enamorados do Evangelho, abertos às surpresas do Espírito Santo. Não percamos as ocasiões de graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com a alegria de saber que, enquanto procuramos o Senhor, é Ele quem primeiro vem ao nosso encontro com o seu amor.

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Fonte: https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2021/10/10/0652/01385.html#port

Títulos de Nossa Senhora em nossa Diocese, e uma compreensão da pessoa de Maria

A vinculação de Maria com o mistério de Cristo leva a teologia a explicitar cada vez mais o importante papel da Virgem Mãe na história da Salvação. Ensina São Luís Grignion de Montfort que Deus quis servir-Se de Maria na Encarnação como o mais perfeito meio para o Verbo vir até nós e operar a Redenção. Esta vinculação de Maria com todo o mistério de Cristo – o mistério de seu ser e de sua missão – levou a teologia a explicitar cada vez mais a persuasão de que a Virgem Mãe ocupa um lugar importantíssimo na história da Salvação. E por esta razão a Igreja A coloca numa posição de superioridade com relação a todos os Santos, prestando-Lhe o culto de hiperdulia. Em inteira consonância com o ensinamento dos Papas e dos Doutores, cantam os fiéis na Espanha e na Hispano-América um hino muito antigo, nascido da piedade popular, cujo estribilho diz: “Maior que Vós, só Deus, só Deus…

Nesse artigo abaixo, relembramos a pessoa de Maria como grande colaboradora com o mistério da salvação e pelo fato de várias paróquias de nossa diocese celebrar Nossa Senhora nesse mês de agosto, tendo referencia maior, o dogma da Assunção celebrado no dia 15. segue os inúmeros títulos celebrados em nossa diocese: Nossa Senhora da Pena (Rio Vermelho), Nossa Senhora Mãe dos Homens (Materlândia), Nossa Senhora do Rosário (Sabinópolis), Nossa Senhora do Patrocínio (Virginópolis), Nossa Senhora do Amparo (Braúnas), Santa Maria Eterna (Santa Maria do Suaçuí) Nossa Senhora do Pilar (Morro do Pilar), Nossa Senhora do Porto (Senhora do Porto) e Nossa Senhora da “Glória ou Assunção” (Divinolândia de Minas).  Nessa oportunidade de celebrar Maria, transpomos abaixo esse belo artigo do Frei Jonas, na Revista Pastoral.

Boa leitura!

 

Maria de Nazaré: aspectos bíblicos, eclesiais e devocionais

Introdução

São incontáveis as vozes que diariamente dizem “Ave, Maria!”. Saudando a Mãe de Jesus, cada uma delas traz presentes as Sagradas Escrituras, por meio das palavras do anjo (cf. Lc 1,28) e de Isabel (cf. Lc 1,42), como também traz o senso eclesial do papel materno-messiânico de Maria e um pedido pela sua contínua intercessão pelo povo de Deus em peregrinação. Tudo isso numa singela oração, uma das primeiras que aprendemos, a qual, não obstante sua simplicidade, apresenta a Virgem Maria em seus aspectos mais fundamentais.

Esses aspectos fundamentais, que nos dão a conhecer a Mãe de Jesus, devem estar bem unidos uns aos outros. Parece desnecessário dizer isso, mas existe o perigo de que “um falso exagero, como também de [uma] demasiada pequenez de espírito” (LG 67) venham a dividir a Virgem em “três Marias”, ou seja, a Maria encontrada nos evangelhos, a que encontramos nas definições dogmáticas e nas elaborações teológicas e, por último, a Maria venerada pela piedade popular (BALIC, 1973, p. 174).

Tal divisão é insustentável quando tomamos o texto que é a base de nossa mariologia contemporânea, o Capítulo VIII da Lumen Gentium, intitulado “A Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”. Nesse texto do magistério da Igreja, não encontramos uma divisão da pessoa de Maria, mas uma progressão no conhecimento de sua pessoa e missão, partindo da “economia da salvação” presente nas Escrituras, passando pelas questões mariológicas relevantes ao nosso tempo e concluindo com as orientações sobre o culto mariano e a contemplação de Maria como um sinal de esperança e de consolação.

Na trilha metodológica da Lumen Gentium, queremos apresentar nossa reflexão mariana, destacando alguns aspectos bíblicos da fisionomia de Maria, para depois vermos como se harmonizam com os dogmas relacionados a ela e, por último, como todo esse conjunto “deságua num rio de afeto” à Virgem traduzido pela piedade popular.

  1. Aspectos bíblicos

É comum escutarmos que as Sagradas Escrituras falam pouco de Maria. De fato, quantitativamente falam muito pouco e, no pouco que falam, não nos trazem detalhes sobre sua pessoa, como aparência, costumes cotidianos e datas significativas. Contudo, nesse pouco que nos é transmitido, encontramos excepcional densidade que relaciona a Mãe de Jesus com a história da salvação, pensada, sobretudo, a partir da encarnação – Páscoa – Pentecostes (VALENTINI, 2007, p. 21). Assim, “Maria, que entrou intimamente na história da salvação, de certo modo reúne em si e reflete as maiores exigências da fé […]” (LG 65).

Por ela reunir em si e refletir as exigências da fé é que lançamos o olhar ao Antigo Testamento não procurando a pessoa Maria de Nazaré, mas os contornos de sua espiritualidade, que é a espiritualidade do povo de Deus, vivida, sobretudo, na história das mães de Israel e de outras corajosas mulheres que não hesitaram em pôr a própria vida em risco por causa da Aliança que Deus fez com seu povo e que deve ser mantida. Nesse sentido, falamos de prefigurações marianas do Antigo Testamento: imagens retiradas desse conjunto textual que servem para compreendermos a espiritualidade de Maria de Nazaré enquanto Filha de Sião e enquanto a Nova Jerusalém em atitude de acolhimento ao seu Messias libertador.

Mas por que os textos bíblicos não se dedicaram a falar mais de Maria, deixando essas poucas informações, na maioria encontradas nos chamados “Evangelhos da Infância”, ou seja, nos dois primeiros capítulos de Mateus e Lucas? Não podemos nos esquecer de que as primeiras comunidades tiveram um desafio muito grande: explicar como Aquele que morreu da forma mais humilhante é o Senhor da glória. Isso constitui um objeto prioritário na explicitação de sua fé, de modo que a figura de Maria está a serviço dessa proclamação do Crucificado como o Senhor vivo e presente na comunidade e na história.

Nesse sentido, Maria é a imagem do povo de Deus que professa Jesus como o Messias, o ungido de Deus Pai com a força do Espírito Santo. Enquanto imagem do povo em atitude de abertura/acolhimento, ela aponta para um mistério maior que sua vida: “a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). Maria é a testemunha privilegiada de que essa Palavra se fez carne, pois se fez verdadeiramente humano em seu ventre. Ela é chave privilegiada de contemplação da humanidade de Jesus, garantindo-nos que ele nasceu, entrou em nossa história, se fez um de nós, com exceção do pecado.

À luz desse testemunho messiânico de Maria no Novo Testamento, gostaríamos de destacar brevemente três dimensões: Maria concebe Jesus na força do Espírito Santo, sua condição de mulher pobre em Nazaré e sua fé no Deus de Israel.

O Novo Testamento reconhece em Jesus o Messias, o Cristo de Deus Pai, pois ele é, por excelência, o ungido de Deus Pai com o Espírito Santo. Sendo assim, sua entrada na história da humanidade, como humano, é evento pneumatológico. É na força do Espírito Santo que Maria concebe Jesus. Essa afirmação está em consonância com todos os evangelhos que apresentam Jesus como Aquele que está “cheio do Espírito Santo”. É curioso observar que aquele que foi concebido pelo Espírito Santo também ressuscita no poder do Espírito Santo. Desse modo, Maria é apresentada como a terra virginal do paraíso que, sob a sombra do Altíssimo, concebe um novo mundo, uma nova criação em Jesus, seu filho.

A relação de Maria com o Espírito Santo apresenta uma singularidade toda nova, contudo essa realidade não a retira da história concreta de seu tempo. A mãe do Messias, marcada pelo Espírito Santo, é uma jovenzinha da cidade de Nazaré. Lembrar a cidade de Nazaré não é mera curiosidade quanto ao lugar de origem de Maria, mas informação que acentua a opção preferencial de Deus pelos pobres, pois essa cidade, que nem sequer existia no mapa de seu tempo, era marcada profundamente pela pobreza. Tanto que, ao levarem Jesus ao templo, Maria e José oferecem um par de pombinhos (cf. Lc 2,24), o sacrifício oferecido pelos pobres segundo o livro do Levítico (cf. Lv 12,8).

Também Maria foi uma mulher de fé (cf. Lc 2,45). Acreditou na palavra de Deus expressa na tradição de Israel, na palavra do anjo, acreditou em seu Filho e, mesmo depois de sua morte e ressurreição, está reunida, na comunhão da Igreja nascente, em oração. E na condição de mulher de fé, fez de toda a sua vida uma oração inserida no seu cotidiano de mãe e esposa, de mãe de um jovem perseguido e morto na forma humilhante da cruz, de uma seguidora do próprio Filho à espera do Espírito Santo.

Poderíamos elencar outros elementos que o Novo Testamento tem para nos oferecer, contudo esse breve elenco de elementos nos remete ao que queremos destacar dos textos neotestamentários: em Maria não há dicotomia entre fé e vida, entre o Espírito de Deus e a história da humanidade; entre sua profunda comunhão com Deus em sua intimidade e a profunda comunhão com Deus na fraternidade do movimento de Jesus. Maria é a mulher toda de Deus na história concreta da humanidade.

  1. Aspectos eclesiais

A Igreja conservou essa discreta singularidade de Maria, encontrada no Novo Testamento, de diferentes modos, desde pinturas até o culto mariano. Contudo, o lugar em que mais se concentra a percepção eclesial dessa singularidade são os dogmas relacionados a Maria.

São quatro os dogmas que se relacionam com sua pessoa, a saber: maternidade divina, virgindade perpétua, imaculada conceição e assunção ao céu. Todos eles estão intimamente ligados pela profissão de fé em Jesus como o Filho de Deus. Vejamos o primeiro dogma.

Em 431, o Concílio de Éfeso se ocupou em esclarecer a forma como a humanidade e a divindade de Jesus se relacionam em sua pessoa. Compreende-se que Jesus é todo humano e todo divino, sem que primeiro fosse humano e depois a divindade pousasse sobre sua humanidade como que num templo. Logo, podemos dizer que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus “segundo a carne” assumida pelo Verbo.

Mas como Maria viveu essa real maternidade? Existe uma singularidade nela? Essa singularidade é a virgindade perpétua de Maria, que, num sentido mais profundo da afirmação, nos diz que Maria viveu totalmente consagrada ao projeto de Deus Pai, em nada incorrendo em qualquer forma de idolatria; ela é uma criatura totalmente de Deus. Sendo toda de Deus, sua vida é de total abertura à ação do Espírito Santo, e por essa acolhida ao Paráclito é que professamos, com o Credo Niceno-Constantinopolitano, que o Verbo “se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria”. Sua virgindade corporal e espiritual (ausência de qualquer idolatria) foi consagrada com a maternidade do Verbo; logo, sua virgindade não é algo periférico ou instrumental, mas uma dimensão visceral do seu ser, de modo que o Concílio de Constantinopla II, em 553, irá nos dizer, em conformidade com o que a grande Igreja já dizia, que a Mãe de Jesus é a “sempre-virgem (aei-parhenos) Maria”.

Quando falamos de virgindade, é sempre muito importante deixar claro que a virgindade é um dom de Deus e uma resposta humana que implica uma atitude de abertura amorosa e liberdade psicológica, pois do contrário seria endurecimento de coração e algum tipo de patologia.

Maria é a maior e melhor expressão da virgindade, porque esta é vivida na fecundidade do Espírito Santo. Desse modo, sua virgindade está a serviço da ação do Espírito, que nos atesta a dupla origem de Jesus: a divina, na condição de “Verbo do Pai” (Jo 1,18), e a humana, pois nos referimos a alguém “nascido de mulher” (Gl 4,4). A maternidade virginal de Maria é radical consagração a Deus Pai, na história da salvação centrada em Jesus Cristo, a serviço e na força do Espírito Santo.

Ao dizermos que Maria é radicalmente consagrada a Deus, podemos incorrer em grave erro: não reconhecer a iniciativa de Deus em direção a ela. Criação, salvação e santificação são sempre uma ação de Deus em direção à humanidade, um transbordamento de seu amor que atinge todo o universo, numa clara manifestação da sua bondade e gratuidade. Toda a criação está marcada pela graça desde os primórdios. Logo, a graça é anterior ao pecado. E como expressão do primado da graça de Deus é que a Igreja afirma, com o dogma da Imaculada Conceição de Maria, proclamado por Pio IX em 1854, que, em virtude da encarnação do Verbo, Maria foi preservada do pecado original, ou seja, “foi redimida de modo mais sublime” (LG 53), para acolher no seu seio o Filho de Deus e para testemunhar a redenção universal de todos os fiéis, recebendo por graça a “redenção preventiva”. Podemos dizer, então, que a Imaculada Conceição “é o triunfo unicamente da graça de Deus: sola gratia” (LAURENTIN, 2016, p. 173).

Mas tal triunfo se encerra com a morte de Maria? Qual foi o destino último daquela que nos trouxe o Salvador? Uma das primeiras vozes na Igreja a se perguntar sobre o fim da vida terrena de Maria foi o bispo de Salamina, santo Epifânio, numa carta do ano de 377 (LAURENTIN, 2016, p. 76 e 90). A partir dessa pergunta inicial, a Igreja foi tomando maior consciência de que Maria foi a primeira pessoa a ser assumida pelo poder da ressurreição de Cristo (cf. Fl 3,10) e de um modo singular, sendo totalmente assumida por Deus, em toda a sua realidade de pessoa, ou seja, assumida por Deus em “corpo e alma”. Com isso, Maria não fica separada da vida concreta de nossa história, mas se torna nossa companheira na caminhada como um sinal de esperança em Deus. É o que o documento de Puebla nos diz: “Maria, por sua livre cooperação na nova aliança de Cristo, é junto a Ele protagonista da história. Por esta comunhão e participação, a Virgem Imaculada vive agora imersa no mistério da Trindade, louvando a glória de Deus e intercedendo pelos homens” (CNBB, n. 293).

Assim, em 1950, Pio XII proclama que “a imaculada [Mãe de Deus], sempre virgem Maria, completado o curso da vida terrestre, foi assumida em corpo e alma na glória celeste” (DENZINGER; HÜNERMANN, n. 3.903).

Resumindo a questão dos dogmas relacionados a Maria, é mister evidenciar que os dogmas da Maternidade Divina e da Virgindade Perpétua relacionam-se diretamente com a pessoa de Jesus e sua missão messiânico-soteriológica; logo, são dogmas cristológicos e, num segundo momento, marianos. Já os dogmas proclamados por Pio IX e Pio XII são mais específicos em seus enunciados sobre a pessoa, o papel e o destino de Maria, mas não deixam de falar sobre algo que é comum a todos nós, pois todos, pelo batismo, somos resgatados pela graça original e nos é dada a condição de filhos e filhas de Deus, destinados à salvação na glória celeste (PERRELLA, 2003, p. 56). Neste sentido é que falamos que o dogma da Imaculada Conceição é um dogma mariano e soteriológico e que o dogma da Assunção de Maria é mariano e escatológico.

  1. Aspectos devocionais

Só houve um desenvolvimento dogmático em torno da Mãe de Jesus porque, primeiramente, compreender o papel de Maria na história da salvação é uma forma de compreender Jesus como o Messias e o Filho de Deus. Mas também porque, no coração da Igreja, se foi desenvolvendo um verdadeiro amor para com a Mãe de Jesus, amor que se traduziu em expressões de devoção.

Tal devoção mariana e popular ganhou grande impulso, sobretudo, depois do Concílio de Éfeso, mas já antes temos elementos importantíssimos dessa relação de devoção à Mãe de Jesus. É o que inferimos quando deparamos com o afresco da Virgem e o Menino Jesus, pintado nas catacumbas de Priscila, em Roma, de aproximadamente 150 d.C. Ou ainda com a oração Sub tuum praesidium (“Sob a vossa proteção”), datada do final do século III ou início do século IV.

Nesses simples exemplos elencados, temos dois elementos característicos de toda piedade mariana do primeiro milênio da Igreja: a imagem de Maria sempre unida a seu Filho e a sua intercessão na Igreja.

Ambos parecem ser de uma obviedade muito grande, mas merecem ser destacados a par de expressões piedosas pouco salutares que encontramos nos dias de hoje. No primeiro milênio do cristianismo, Maria era sempre representada com Jesus, com raras e pontuais exceções. Pensar Maria sempre unida a seu Filho é entendê-la no seu papel materno-messiânico, encontrado nos evangelhos e na proclamação de Maria como Theotokos (431). Ela é toda relativa a Jesus, mostrando-o como o “caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Tal compreensão contrasta com afirmações surgidas a partir da Idade Média segundo as quais Maria seria como que uma segunda instância de salvação, em que a Mãe bondosa bloqueia a ira do Filho enquanto juiz terrível. Ou como alguém que mereça os mesmos louvores (não adoração) dirigidos a seu Filho, recebendo um culto todo paralelo à liturgia, muitas vezes mesclado de superstições.

O segundo tema que destacamos é a intercessão de Maria. Ela, voltada a Deus Pai, com o Filho e no Espírito Santo, apresenta-se como o ícone da Igreja em oração. Mergulhada no mistério de Deus, na comunhão dos santos, permanece unida a toda a Igreja de Jesus pelo laço da oração e do afeto.

A intercessão de Maria desperta em nós o impulso de repensar algumas questões que o cenário teológico atual retoma com renovado interesse. Por exemplo, o papel do Espírito Santo na oração, pois é ele quem une todos nós na oração, em diferentes tempos e lugares. Sendo ele o laço de amor que une Deus e a humanidade, podemos dizer que é com sua mediação que todos nós rezamos, pois sem o Espírito Santo nossa oração seria um gemido calado no peito, e não um lançar-se no mistério de Deus, vinculado à fraternidade eclesial. É porque Maria está unida ao Espírito Santo que ela recebe nossos pedidos de oração e reza conosco.

Pensar o Espírito Santo como Aquele que nos une a Deus e entre nós em fraternidade ajuda-nos a corrigir a excessiva ênfase dada a Maria que obscureceu o lugar, o papel e a pessoa do Espírito Santo na Igreja ocidental. Nas palavras de René Laurentin: “Foi dito muitas vezes que Maria é toda relativa a Cristo. Não foi dito o suficiente que é toda relativa ao Espírito Santo” (LAURENTIN, 2016, p. 186).

Tal destaque dado a esses dois elementos da piedade mariana do primeiro milênio não implica o desprezo a toda expressão devocional que surgiu a partir do segundo milênio. Lembremos expressões piedosas que constituíram verdadeiras “escolas de santidade”, como a oração e devoção do rosário.

A questão é que não podemos pensar uma piedade mariana desvinculada da Tradição da Igreja e das orientações recebidas do Concílio Vaticano II, orientações essas retomadas com muita propriedade e sabedoria pela Marialis Cultus, de Paulo VI. Hoje, não se pode desconsiderar, numa autêntica piedade mariana, a dimensão bíblica, assim como sua relação com a liturgia e com a sensibilidade ecumênica, à qual todos devemos estar atentos.

Outro desafio da piedade mariana é libertar Maria de imagens machistas, coloniais e triunfalistas. Recuperar sua compreensão como mulher e como irmã de todos nós, o que em nada diminui sua virgindade e maternidade eclesial.

Conclusão

O pontificado do papa Francisco nos traz grandes e necessários desafios, sobretudo o de “uma Igreja em saída”. Perguntando pela contribuição da mariologia para esse plano eclesial, deparamos com um urgente desafio: construir uma “mariologia em saída”. Felizmente, alguns significativos passos já estão sendo dados, os quais merecem todo o esforço da comunidade eclesial. Vejamos os “mais urgentes”.

Uma mariologia ecumênica: já não é possível pensar que Maria pertence apenas aos católicos latinos e ortodoxos. Ela é de toda a Igreja de Jesus. Celebrando os 500 anos da Reforma, percebemos que um passo que precisa ser mais bem trabalhado é a mariologia. Ainda estamos longe de alcançar um consenso mariológico, sobretudo em relação aos dois últimos dogmas de 1854 e 1950, mas podemos alcançar a harmonia na busca de formas comuns de expressar o mistério da encarnação, valorizando a singularidade daquela que mais profundamente o experimentou.

Uma mariologia latino-americana: merece destaque nesse empenho o trabalho de Ivone Gebara e Maria Clara L. Bingemer, com o livro Maria, mãe de Deus e mãe dos pobres. Contudo, precisamos de novas pesquisas. A figura de Maria como conquistadora, nos moldes europeus e colonialistas, ainda é muito presente, não permitindo que a força libertadora que ela traz consigo alcance com maior vigor os pobres, as mulheres e todas as vítimas da opressão em nosso chão. É preciso que em nossas Igrejas permitamos que a Virgem do Magnificat erga seus braços e cante a libertação que começou em Jesus e deve continuar como um processo sociotransformador pautado no evangelho.

Uma mariologia das bem-aventuranças: essa expressão mariológica toma como base o Evangelho de Mateus (5,1-10), percebendo Maria como uma mulher pobre no espírito, que chora, mansa, que tem fome e sede de justiça, misericordiosa, pura de coração, promotora da paz e perseguida, sempre na perspectiva do Reino de Deus. Muitas vezes nos esquecemos que Maria viveu também na perspectiva do Reino de Deus inaugurado em Jesus, o que a deixou à sombra de seus privilégios. Os privilégios de Maria se pautam na sua inegável singularidade na história da salvação, mas não a desligam dessa história, pois ela é nossa companheira de viagem na luta por um mundo mais justo para todas as pessoas.

Que cada “ave, Maria”, emergindo de um coração sincero, brote nos lábios como um desejo de seguir Jesus como ela o seguiu, de se abrir à grandeza suave do Espírito Santo como ela se abriu, de modo que o Pai receba o louvor e a ação de graças de seu povo santo e sacerdotal.

Bibliografia

BALIC, Carlo. La Chiesa e Maria Santissima. In: VAN LIERDE, Pietro Canisio G. et al. Lo Spirito Santo e Maria Santissima. Città del Vaticano: Tipografia Poliglotta Vaticana, 1973.

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB). Puebla: a evangelização
no presente e no futuro da América Latina. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1979.

DENZINGER, H; HÜNERMANN, P. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: Paulinas/Loyola, 2007.

DOCUMENTOS do Concílio Vaticano II (1962-1965). São Paulo: Paulus, 1997.

GEBARA, Ivone; BINGEMER, Maria Clara L. Maria, mãe de Deus e mãe dos pobres: um ensaio a partir da mulher e da América Latina. Petrópolis: Vozes, 1987.

LAURENTIN, René. Breve trattato sulla Vergine Maria. Cinisello Balsamo: San Paolo, 2016.

PAULO VI. Marialis Cultus. São Paulo: Paulinas, 1974.

PERRELLA, Salvatore M. Maria Vergine e Madre: la verginità feconda di Maria tra fede, storia e teologia. Cinisello Balsamo: San Paolo, 2003.

VALENTINI, Alberto. Maria secondo le Scritture: Figlia di Sion e Madre del Signore.
Bologna: EDB, 2007.

Jonas Nogueira da Costa, OFM(Ordem dos Frades Menos)

Frade franciscano, pertence à Ordem dos Frades Menores. Doutorando em Teologia Sistemática (ênfase em Mariologia) pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje). Professor no Instituto Santo Tomás de Aquino (Ista), em Belo Horizonte-MG, e no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga-MG. E-mail: nogueira905@gmail.com

Fonte: http://www.vidapastoral.com.br/edicao/maria-de-nazare-aspectos-biblicos-eclesiais-e-devocionais/

IGREJA NO BRASIL CELEBRA A SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA DE 8 A 14 DE AGOSTO

Portal Vida e Família

 

A Semana Nacional da Família começou oficialmente para os fiéis brasileiros. O início ocorreu neste sábado (7) em uma live organizada pela Comissão Episcopal para a Vida e a Família, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com o tema “A Alegria do Amor na Família”, as celebrações seguem até o próximo sábado (14). A abertura contou com a participação do arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor de Oliveira, que exaltou o papel da família na evangelização.

“A família é prioridade no caminho missionário e na vida da Igreja”, destacou o arcebispo. “Lá aprendemos que é bom servir e experimentamos a alegria de poder fazer o bem ao próximo. Esses aprendizados, que são permanentes quando bem vividos nos ambiente familiar, repercutem na vida em sociedade. A família tem uma nobre missão: ser o lugar onde primeiro se experimenta essa verdade cristã. A vida ganha sentido quando se torna oferta”, completou dom Walmor.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O presidente da CNBB também ressaltou que o núcleo familiar é o local onde se dá os primeiros passos no exercício do altruísmo e da partilha, tão necessários para os tempos atuais.  “Alegramo-nos com a felicidade do outro experimentando a rica lição da palavra de Deus que é lema deste encontro: Dá e recebe e alegra a ti mesmo”, lembrou . “A família é a primeira escola do amor, instituição em que cada pessoa aprende que a vida deve se tornar uma oferta pelo bem do próximo”, reforçou.

 

É um tempo favorável!

Para o bispo da Diocese de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, dom Ricardo Hoepers, a celebração da Semana Nacional da Família é um momento para levar a palavra de Deus a tantas pessoas que não conhecem a Cristo de forma mais profunda.

Dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande e presidente da Comissão Vida e Família | reprodução Youtube

“É um tempo favorável, um tempo de graça! Vivamos com alegria, com entusiasmo e intensidade essa semana. Desejamos que todas as dioceses possam se mobilizar e levar essa mensagem do Evangelho da alegria aos corações de cada família, de cada lar”, convocou o bispo durante a live.  “Que todos nós possamos nos congregar unidos na promoção, na defesa, no cuidado com as nossas famílias e com a vida”, apontou dom Ricardo.

 

Iniciativas por todo o Brasil

Exemplos de ações que serão realizadas entre este domingo (8) e o próximo sábado (14) em todo o país foram apresentadas durante o encontro on-line. Coordenadores regionais da Pastoral Familiar, padres e animadores partilharam as ações programadas e convidaram os fiéis para participar.

“Desejamos que todos os protocolos de saúde sejam seguidos e respeitados. Mas também motivamos vocês a buscarem viver profundamente essa semana, seja na família, no grupo ou movimento, na pastoral e em todo ambiente que for possível”, destacou Luiz e Khátia Stolf, casal coordenador nacional da Pastoral Familiar.

Luiz e Káthia Stolf, casal coordenador nacional da Pastoral Familiar | reprodução Youtube

Durante o evento on-line, foram recordados também os 25 anos do subsídio Hora da Família. A live foi concluída com um momento de adoração conduzido pelo bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e referencial da Pastoral Familiar no Regional Leste 1 da CNBB, dom Antônio Augusto Dias Duarte, e pelo casal coordenador do Setor Pós-Matrimonial, Ronaldo e Tatiana de Melo.

Assista:

 

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Para postar as atividades nas paróquias e dioceses nas redes sociais utilize a hashtag #SemanaNacionaldaFamília. Isso ajuda a fazer com que as publicações sejam vistas por mais pessoas, testemunhando a alegria de celebrar o amor na família.

 

 

Semana Nacional da Família

Neste ano, a Semana Nacional da Família – que ocorre sempre durante o mês vocacional, em agosto – tem a proposta de testemunhar a “A alegria do amor na família”, em sintonia com a vivência do Ano Família Amoris Laetitia, convocado pelo Papa Francisco.

 

Por André Luiz Gomes/Portal Vida e Família

MÊS DE AGOSTO É DEDICADO À ORAÇÃO, REFLEXÃO E ATIVIDADES NAS COMUNIDADES SOBRE O TEMA DAS VOCAÇÕES

O mês de agosto, conforme costume da Igreja, é dedicado à oração, reflexão e atividades nas comunidades sobre o tema das vocações. A cada semana do mês lembra-se uma vocação: na primeira a vocação para o ministério ordenado (diáconos, padres e bispos), na segunda semana para a vida em família, na terceira semana coloca-se em destaque a vocação para a vida consagrada, e na quarta semana contempla-se a vocação para os ministérios e serviços na comunidade, em especial o catequista.

“O amor é o pressuposto básico de toda e qualquer vocação. É dele que decorre a entrega de uma vida a serviço de Deus e do próximo. Estamos conscientes de que a nossa grande vocação é o retorno à casa do Pai, para o feliz convívio eterno com Deus, a fonte de todas as vocações. Mas tal retorno exige uma resposta de amor no dia-a-dia de nosso viver, que se realiza mediante uma vocação específica”. afirma dom Francisco Carlos Bach, bispo de Joinville (SC).

Nesta segunda semana de agosto, de 8 a 14, que é dedicada a vida em família, a Igreja propõe a reflexão acerca da importância da família no cotidiano das pessoas. Durante a Semana Nacional da Família, por exemplo, iniciativa proposta pela Pastoral Familiar, busca-se refletir, entre outros temas, sobre a mansidão e o amor familiar como vocação e caminho para santidade.

“Somos convidados a fazer a contemplação da Santíssima Trindade, a contemplação do Deus que é amor, que é família, e que criou as famílias humanas naturalmente vocacionadas para as fazer comungar nesse mistério de amor” (Trecho do Hora da Família).

Para também celebrar esta segunda semana do mês vocacional, o “Hora Vocacional“, elaborado pela Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, traz um roteiro de leitura orante, com o tema relacionado a vocação específica da família. O subsídio está a venda no site da Editora da CNBB.

O subsídio “Hora Vocacional” deseja inspirar-nos na verdade de que “Cristo nos salva e nos envia”, por meio de celebrações e reflexões importantes para a animação do mês vocacional, celebrado em agosto.

Formações

Como forma de proporcionar um encontro de formação, reflexão e interação vocacional que se inspira no tema do mês vocacional 2021, que é “Cristo nos salva e nos envia”, a revista Rogate de Animação Vocacional  em parceria com o Serviço de Animação Vocacional/Pastoral Vocacional, o Instituto de Pastoral Vocacional (IPV) e outros organismos da Igreja realizam a Hora Vocacional.

O evento acontece de forma on-line no mês de agosto. A experiência da realização de encontros on-line, por meio de uma plataforma de interação gratuita, é considerada positiva.

“Se não é possível o contato pessoal, por outro lado o encontro virtual permite a participação de pessoas de todas as regiões do Brasil e até mesmo de outros países, de forma segura. De certo modo, estamos buscando odres novos para vinho novo vocacional, em tempos de forte aceleração das tecnologias de presença on-line”.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/o-mes-de-agosto-conforme-costume-da-igreja-e-dedicado-a-oracao-reflexao-e-atividades-nas-comunidades-sobre-o-tema-das-vocacoes/

Seminaristas se preparam para o Ministério Ordenado

Quatro seminaristas do Curso de Teologia da Diocese de Guanhães, deram mais um passo importante no caminho formativo rumo ao sacerdócio.

As celebrações aconteceram na sexta-feira (25/06), às 19h, e no sábado (26/06) às 9h em missa presidida pelo bispo diocesano Dom Otacilio Ferreira de Lacerda, na Sé Catedral São Miguel Arcanjo.

Dos quatro seminaristas que atualmente cursam a Teologia, um foi admitido e os outros três instituídos no Ministério de Leitor, de acordo com o período da formação. Quem faz a acolhida e instituição é sempre o bispo diocesano, primeiro responsável pela formação dos seminaristas e futuro ordenante dos mesmos.

Admissão

O seminarista Anderson Alves Rocha, natural de Divinolândia de Minas/MG, foi admitido como candidato às Ordens Sacras. O rito formaliza oficialmente que o seminarista foi aceito pela Igreja como candidato para o ministério presbiteral. Isso equivale dizer que o mesmo passa para um momento muito mais sério de sua formação e terá ainda mais a obrigação de configurar o seu coração ao Coração de Cristo, pastor supremo.

Leitorato

os seminaristas Filipe Ferreira Coelho, natural de Guanhães/MG, Thiago Dione Vileforte, natural de São Sebastião do Maranhão/MG, e Vinicius Lucas Pereira Brandão, natural de Paulistas/MG, receberam o Ministério de Leitor e se tornaram leitores oficiais das Sagradas Escrituras na liturgia, recebendo assim a função de anunciar e ensinar as Escrituras, pela pregação, vida e oração. Aqueles que já foram admitidos como candidatos às Ordens Sacras irão com esse ministério, além de tornarem-se leitores instituídos da Palavra na assembleia orante, deverão crescer no contato cotidiano com a Palavra, para que sempre mais anunciem e vivam a Boa Notícia de Jesus Cristo.

 

A Celebração

A Celebração aconteceu de forma serena, alegre e expressiva. Houve a participação de alguns padres da nossa diocese, formadores do Seminário Provincial do Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina/MG, familiares e amigos de nossos formandos. Na homilia, Dom Otacilio ressaltou a importância de cada passo na caminhada em preparação ao sacerdócio, e enfatizou: “esse momento é pequeno e simples, mas é gigante e muito significativo para a vida de vocês e para a caminhada. Desse pequeno passo, depende todos os outros.”

Que Deus em sua bondade, abençoe a estes jovens que se dedicam ao Reino na oferta generosa de suas vidas, em favor dos irmãos. Rezemos por eles, pelos seus formadores, pela nossa diocese e pelas vocações. Que são Miguel, nosso patrono, interceda a Deus por todos nós.

Texto: Michel Araújo  Pascom Diocesana

Fotos : Pascom São Miguel de Guanhães.

Mais fotos em: https://www.facebook.com/DioceseDeGuanhaes/photos/?ref=page_internal

Retiro On-line de Presbíteros do Regional Leste II

 

Para auxiliar e aprofundar a caminhada de fé dos sacerdotes no atual e desafiador período de pandemia, o Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – através da Comissão Episcopal para a Comunicação e Cultura, com o apoio da Arquidiocese de Juiz de Fora (MG) – promoverá, de 02 a 06 de agosto, o Retiro On-line de Presbíteros.

O evento será conduzido pelo Cardeal José Tolentino de Mendonça, que abordará o tema “A vida e a espiritualidade do presbítero em tempos de pandemia e pós-pandemia”. A programação do retiro contará com meditações e reflexões propostas pelo Cardeal, missas diárias e orações em conjunto.

 

As vagas são limitadas e a participação é aberta aos padres de todo o Brasil. Os interessados, ou aqueles que forem indicados pelos (Arce)Bispos de cada Igreja Particular, devem realizar inscrição. Para isso, é recomendado que leia atentamente todas as orientações abaixo:
Investimento:

R$ 100,00 (Cem reais) até o dia 30 de junho;

R$ 150,00 (Cento e cinquenta reais) até 14 de julho;

R$ 180,00 (Cento e oitenta reais) para inscrições realizadas de 15 a 28 de julho;

O pagamento será realizado por meio de boleto bancário e cartão de crédito. O boleto terá vencimento em 1 (um) dia útil após o envio;

O boleto é disponibilizado pelo sistema da CiaTicket, parceira do Regional neste evento; 

Será concedido 10% de desconto para cada (Arqui)Diocese que inscrever acima de 50 presbíteros;

Em caso de desistência, o participante poderá solicitar o reembolso de 70% do valor pago da inscrição. A solicitação de devolução do valor pago poderá ser feita pelo e-mail contabilidade@cnbbleste2.org.br.

Recibos:

O recibo do pagamento da taxa de inscrição é enviado automaticamente para o participante no endereço de e-mail e whatsapp informado logo após a compensação bancária. Aqueles que desejarem o recibo em nome de Pessoa Jurídica, Entidades e Instituições deverão informar o CNPJ e razão social no momento da realização da inscrição.
Informações:

– Todos receberão da CiaTicket um e-mail e uma mensagem no WhatsApp com a confirmação de inscrição para o evento.

– A inscrição será confirmada somente mediante a autorização da operadora de cartão de crédito ou pagamento do boleto até a data do vencimento. Caso contrário, ela será automaticamente cancelada, sendo necessário solicitar uma segunda via do boleto para pagamento.

– Posteriormente será divulgado um guia do participante com informações de acesso à plataforma, emissão de certificados e programação do evento para que a participação seja facilitada e a mais proveitosa possível.

Outras informações:

Pe. Roberto Marcelino de Oliveira
Secretário Executivo
Telefone de contato: (31)98799-0157 clique aqui para falar por WhatsApp
Endereço de e-mail: secgeral@cnbbleste2.org.br

Ângelus com o Papa Francisco

 

PAPA FRANCESCO

ANGELUS

Praça de São Pedro,
domingo, 13 de junho de 2021


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

As parábolas que a Liturgia hoje nos apresenta – duas parábolas – inspiram-se precisamente na vida quotidiana e revelam o olhar atento de Jesus, que observa a realidade e, através de pequenas imagens quotidianas, abre janelas sobre o mistério de Deus e sobre a vida humana. Jesus falava de maneira fácil de entender, falava com imagens da realidade, do cotidiano. Assim, ele nos ensina que mesmo as coisas do cotidiano, aquelas que às vezes parecem iguais e que continuamos com distração ou cansaço, são habitadas pela presença oculta de Deus, ou seja, têm um significado. Por isso, também nós precisamos de olhos atentos, para “buscar e encontrar Deus em todas as coisas”.

Hoje Jesus compara o Reino de Deus, ou seja, sua presença que habita o coração das coisas e do mundo, ao grão de mostarda, ou seja, ao menor grão que existe: é muito pequeno. No entanto, jogado ao solo, ele cresce para se tornar a maior árvore ( cf.Mk4,31-32). Deus também, às vezes, o alarido do mundo, junto com as tantas atividades que povoam nossos dias, nos impedem de parar para ver como o Senhor conduz a história. E, no entanto – assegura o Evangelho – Deus opera como uma pequena semente boa, que brota silenciosa e lentamente. E, aos poucos, torna-se uma árvore luxuriante, que dá vida e refrigério a todos. Até mesmo a semente de nossas boas obras pode parecer pequena; no entanto, tudo o que é bom pertence a Deus e, portanto, humilde e lentamente dá frutos. O bom – lembremo-nos – sempre cresce humildemente, de forma oculta, muitas vezes invisível.

Queridos irmãos e irmãs, com esta parábola, Jesus quer inspirar confiança em nós. Em muitas situações da vida, de fato, pode acontecer de ficar desanimado, porque vemos a fraqueza do bem comparada com a aparente força do mal. E podemos nos deixar paralisar pela desconfiança quando vemos que estamos comprometidos, mas os resultados não vêm e as coisas parecem nunca mudar. O Evangelho nos pede um novo olhar sobre nós mesmos e sobre a realidade; pede olhos maiores, que saibam ver além, especialmente além das aparências, para descobrir a presença de Deus que, como amor humilde, está sempre presente no terreno da nossa vida e no da história. Esta é a nossa confiança, é o que nos dá forças para seguirmos cada dia com paciência, semeando o bem que dará fruto. Quão importante é essa atitude também para sairmos bem da pandemia! Cultive a confiança de estar nas mãos de Deus e ao mesmo tempo comprometa-nos todos a reconstruir e recomeçar, com paciência e constância.

O joio da desconfiança também pode criar raízes na Igreja, especialmente quando testemunhamos a crise da fé e o fracasso de vários projetos e iniciativas. Mas nunca esqueçamos que os resultados da semeadura não dependem das nossas capacidades: dependem da ação de Deus, cabe a nós semear e semear com amor, com compromisso e com paciência. Mas a força da semente é divina. Jesus o explica na outra parábola de hoje: o lavrador lança a semente e depois não percebe como dá fruto, porque é a própria semente que cresce espontaneamente, de dia, de noite, quando menos espera (cf. 26- 29). Com Deus, mesmo nos solos mais secos, sempre há esperança de novos brotos.

Maria Santíssima, a humilde serva do Senhor, nos ensine a ver a grandeza de Deus que opera nas pequenas coisas e a vencer a tentação do desânimo. Vamos confiar nele todos os dias!


Depois do Ângelus

Queridos irmãos e irmãs!

Estou particularmente próximo da população da região de Tigray, na Etiópia, que foi atingida por uma grave crise humanitária que expõe os mais pobres à fome. Hoje existe fome, existe fome ali. Rezemos juntos pelo fim imediato da violência, para que a alimentação e a saúde sejam garantidas para todos e para que a harmonia social seja restabelecida o mais breve possível. A este respeito, agradeço a todos aqueles que trabalham para aliviar o sofrimento do povo. Rezemos a Nossa Senhora por essas intenções. Ave Maria…

O Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil foi comemorado ontem. Não é possível fechar os olhos à exploração das crianças, privadas do direito de brincar, estudar e sonhar. Segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho, hoje existem mais de 150 milhões de crianças exploradas para trabalhar: uma tragédia! 150 milhões: mais ou menos como todos os habitantes da Espanha, junto com a França e com a Itália. Isso acontece hoje! Tantas crianças que sofrem com isso: exploradas para o trabalho infantil. Vamos todos juntos renovar o esforço para eliminar esta escravidão de nossos tempos.

Esta tarde terá lugar em Augusta, Sicília, a cerimónia de boas-vindas ao naufrágio do navio naufragado a 18 de abril de 2015. Que este símbolo de tantas tragédias no Mar Mediterrâneo continue a apelar à consciência de todos e a encorajar o crescimento de um mais solidário humanidade, que derruba o muro da indiferença. Vamos pensar: o Mediterrâneo se tornou o maior cemitério da Europa.

Amanhã é o Dia Mundial do Doador de Sangue. Agradeço de coração aos voluntários e encorajo-os a continuar o seu trabalho, testemunhando os valores da generosidade e da gratuidade. Muito obrigado, obrigado!

E saúdo cordialmente todos vós de Roma, da Itália e de outros países; em particular, os peregrinos que vieram de bicicleta de Sedigliano e Bra, os fiéis de Forlì e os de Cagliari.

Desejo a todos um feliz domingo. E, por favor, não se esqueça de orar por mim. Bom almoço e adeus!

Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/it/angelus/2021/documents/papa-francesco_angelus_20210613.html

Admissão às Ordens Sacras

Com imensa alegria que a Diocese de Guanhães (MG), no dia 25 de junho 2021, às 19h, na Sé Catedral São Miguel, renderá graças a Deus por mais um passo dado rumo ao ministério ordenado do Seminarista Anderson Alves da Rocha que está no 3ª ano de Teologia e realizará a Admissão às Ordens Sacras.
A Igreja orienta que, para o seminarista receber a admissão às Ordens Sacras, precisa ter alcançado suficiente desenvolvimento dos traços de personalidade que o caracterizem como um homem público na Igreja e membro da hierarquia, habilitando-o a agir em nome de Deus, de Jesus Cristo e da Igreja. Conforme traz o Ritual das Ordenações, atingido suficiente amadurecimento, realiza-se o Rito de Admissão, mediante o qual, o seminarista “se apresenta diante da Igreja para ser admitido entre os candidatos às Ordens Sacras”, isto é, “manifesta publicamente seu propósito de consagrar-se ao serviço de Deus e da humanidade”, dispondo-se a preparar-se devidamente para a recepção das Sagradas Ordens (cf. CNBB 93, n. 192-194 e c. 1034).
Rogamos à Santo Antônio, insigne Pregador do Evangelho e a proteção do Glorioso São Miguel, padroeiro de nossa Diocese, as bênçãos sobre esse Seminarista que segue firme no itinerário de discernimento vocacional!

SEMANA BÍBLICA NACIONAL, DE 7 A 10 DE JUNHO, MARCARÁ O INÍCIO DA CELEBRAÇÃO DO JUBILEU DE OURO DO MÊS DA BÍBLIA

A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, nos dias 7 a 10 de junho, a Semana Bíblica Nacional. O evento, em modalidade virtual, marca o início da celebração do jubileu de ouro do Mês da Bíblia.

Padre Jânison de Sá, assessor da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, explica que a proposta da Semana Bíblica é a de ser formativa e, ao mesmo tempo celebrativa, pelo fato de a Igreja no Brasil estar comemorando os 50 anos do Mês da Bíblia em 2021. “Um marco muito importante na história da Igreja no Brasil, onde os círculos bíblicos se espalharam em todas as comunidades do nosso imenso país”, afirma o padre.

Vale lembrar que, para esse jubileu do “Mês da Bíblia”, em 2021, o tema escolhido é a Carta de São Paulo aos Gálatas e o lema é “todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d), extraído do “hino batismal”, descrito em Gl 3,26-28, quando Paulo afirma que todos são filhos e filhas de Deus.  O tema e o lema estão em sintonia com o evangelho do Domingo da Palavra de Deus, que é extraído de Mc 1,14-20, quando Jesus inicia a sua missão, após a prisão de João Batista.

Padre Jânison salienta que, em sintonia com o Mês da Bíblia, a Semana Bíblica fará em sua abertura uma memória desses 50 anos “tão importantes para as novas gerações, para que se possa conhecer essa caminhada de animação bíblica, dos círculos bíblicos, de grupos de reflexão em todas as comunidades do país”.

Programação

Irmã Izabel Patuzzo, assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, explica que na abertura da Semana Bíblica, no dia 7, haverá uma mesa redonda com a participação de dom José Antônio Peruzzo, presidente da Comissão; dom Jacinto Bergmann; a irmã Zuleica Silvano (Paulina); o imrão José Nery (Lassalista) e o padre Jânison de Sá Santos.

Na segunda noite, dia 8, será apresentado o tema do Mês da Bíblia para o ano de 2021, com o autor do texto-base, o professor Joel Antônio Ferreira.

O tema do dia 9 será a missão de Paulo Apóstolo com a participação da irmã Aíla Pinheiro, da Congregação Nova Jerusalém, e o  padre Benedito Antônio Bueno de Almeida (Paulino).

O tema do último dia, 10, será a importância dos círculos bíblicos no Mês da Bíblia na perspectiva da Carta aos Gálatas, com a participação do professor Cláudio Vianney Malzoni; Mariana Aparecida Venâncio e o padre  João Batista Maroni.

A Semana Bíblica poderá ser acompanhada pelas redes socias da CNBB (@cnbbnacional); Edições CNBB (cnbbedicoes) e no canal da Catequese do Brasil (catequesedobrasil).

 

50 anos do Mês da Bíblia

Por ocasião dos 50 anos do Mês da Bíblia, a ser celebrado no mês de setembro, a Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou um selo especial para a comemoração. O tema deste ano é a Carta de São Paulo Apóstolo aos Gálatas e o lema: “pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d).
Fonte: (CNBB)
https://www.cnbb.org.br/semana-biblica-nacional-de-7-a-10-de-junho-marcara-o-inicio-da-celebracao-do-jubileu-de-ouro-do-mes-da-biblia/
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