Michel Hoguinelle

Somos luzes! Eu sou luz! Você é luz!

A compreensão exata do ser quem somos poderia levar o mundo a outro patamar de existência. Fazemos aquilo do que acreditamos ser capazes e o mundo nada mais é que um reflexo do cremos ser capazes de fazer.

Todos os que conseguiram qualquer vitória, de qualquer tamanho, o fizeram primeiro em suas mentes, acreditando. Sonhar não concretiza objetivos, mas acreditar, sim. Quem sonha espera, quem acredita des-espera e faz. Traça metas, elenca tarefas.

Que aconteceria – conosco e com o mundo inteiro! – se todos decidíssemos acreditar nas palavras de Jesus?:
“Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.

Se acreditamos em algumas palavras de Jesus, como a de que somos filhos de Deus (Jo 1, 12-13); a de que comemos seu corpo quando partimos o pão na Eucaristia (Mt 26, 26) e tantas outras informações bíblicas, porque não acreditamos que, de fato, nós somos luz? Somos oriundos da luz e como poderia provir da luz algo que não fosse luz? Somos filhos do amor? Como poderia ter origem no amor algo que não fosse amor?

É preciso parar de fugir daquilo que essencialmente somos e passar a aceitar esse dom maior que é o de sermos muito melhores do aparentamos ser. É preciso deixar que os raios maravilhosos da amorosidade brotem de nossos poros e façam bem a todos. Deixemos gotas de delicadeza, gentileza e bondade escorrem por nossa pele.
Somos luzes! Eu sou luz! Você é luz! Ilumine! Iluminemos! Iluminemos todos os mundos possíveis – a família, o trabalho, a escola, a política, o esporte…TODOS! – para que o mundo em que vivemos também seja iluminado.

Abraço de bom dia. Viaja comigo nessa viagem no dia da assunção de Nossa Senhora. Maria foi assumida por Deus, mas antes ela mesma assumiu ser divina. Aceite ser divino você também.

Lafaiete Marques Ciara

A vigilância e a espera ativa

(Homilia 19º DTCC)

A vigilância e a espera ativa

Com a Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum (Ano C), refletimos sobre a vigilância, a pobreza e a busca da verdadeira sabedoria para vivermos a vocação, como discípulos missionários do Senhor.

A primeira Leitura (Sb 18,6-9) retrata o primeiro século, e o autor tem a preocupação da manutenção da firmeza e pureza da fé judaica. A comunidade deve ser vigilante, discernindo entre os valores efêmeros e os valores duradouros.

Se a comunidade viver a fidelidade a Javé, terá assegurada a liberdade e a paz. Inevitavelmente o alcance da felicidade passa pelo caminho da fidelidade aos propósitos de Deus, e se faz necessária uma busca atenta. Vigiar, portanto, é “fazer exatamente o que Deus quer de cada um de nós”.

Na segunda Leitura (Hb 11,1-2;8-19), o autor dirigindo-se à comunidade, marcada pelo cansaço, tédio, desinteresse e perda da generosidade inicial, apresenta Abraão e Sara como modelos de fé para todo aquele que crê, independentemente de época.

É preciso aprofundar a vocação e não ceder ao desalento, ao retrocesso, à acomodação. A Carta é um estímulo, uma revitalização da experiência de fé. É preciso manter vivos os aspectos básicos da vida cristã: a fé e a  perseverança.

Caminhar com fé, não obstante a nossa finitude, nossas limitações, nossos momentos difíceis, nosso pecado. Viver a fé apontando para a vida plena que Deus prometeu para quem com Ele caminha e vai ao Seu encontro. Ao mesmo tempo em que com Ele caminhamos, vamos ao Seu encontro como peregrinos.

Nem tanta euforia sem fundamento, tão pouco o desânimo total, será a vida daquele que a fé professa.

Na passagem do Evangelho (Lc 12,32-48), Jesus alerta aos discípulos sobre a necessária vigilância, acolhendo os dons de Deus, para que sejam solícitos em responder aos Seus apelos, empenhando-se decididamente na construção do Reino.

É preciso estar sempre vigilante a espera da vinda do Senhor. Comprometer-se com a construção do Seu Reino deve se constituir no nosso verdadeiro tesouro.

Viver na pobreza, que não é sinônimo de miséria. A pobreza consiste no despojamento para que nos tornemos disponíveis e acolhedores do dom de Deus, para nos colocarmos solidariamente em favor daqueles que nada têm.

As três Parábolas nos convidam à vigilância, porque é incerta a hora em que o Senhor virá. E enquanto isto a melhor atitude é nos colocarmos a serviço da comunidade.

Evidentemente, quanto maior a confiança depositada, maior será a responsabilidade diante de Deus e a cobrança que Ele nos fará.

Não nos é permitido distração, mas constante vigilância ativa. Ser cristão as vinte e quatro horas do dia.

Questionemo-nos:

–  De que modo vivemos a vigilância?

–  O que Abraão e Sara têm a nos ensinar para vivermos a fé hoje?

–  Qual é o nosso tesouro?

–  Quais são os valores que motivam a nossa vida?

–  Somos capazes de arriscar tudo pelo Reino de Deus?

–  Como exercemos, na Igreja, os ministérios e serviços que nos são confiados?

–  Como testemunhamos a Sabedoria Divina para que sejamos, de fato, luz do mundo?

Concluindo, rezemos para que sejamos enriquecidos pela Sabedoria Divina, e de modo especial, por todos pais e mães para que eduquem os filhos e filhas na fé, como seus primeiros catequistas. Não lhes faltem ousadia, confiança, compromisso, solidariedade, fé, esperança e caridade.

Que nossos pais, e todos nós não tenhamos medo, como pequeninos do rebanho do Senhor, pois o caminho a ser trilhado é desafiador, mas não podemos desistir. Somente assim irradiaremos a única Luz da fé que penetra e transforma toda realidade, como nos exortou o Papa Francisco em sua Encíclica “Lumen Fidei”.

+ Dom Otacilio Ferreira de Lacerda – Bispo eleito de Guanhães.

Carta do Papa Francisco aos Presbíteros

Meus queridos irmãos!

Estamos a comemorar cento e sessenta anos da morte do Santo Cura d’Ars, que Pio XI propôs como patrono de todos os párocos do mundo.Quero, na sua memória litúrgica, dirigir esta Carta não só aos párocos, mas a todos vós, irmãos presbíteros, que sem fazer alarde «deixais tudo» para vos empenhar na vida quotidiana das vossas comunidades; a vós que, como o Cura d’Ars, labutais na «trincheira», aguentais o peso do dia e do calor (cf. Mt 20, 12) e, sujeitos a uma infinidade de situações, as enfrentais diariamente e sem vos dar ares de importância para que o povo de Deus seja cuidado e acompanhado. Dirijo-me a cada um de vós que tantas vezes, de forma impercetível e sacrificada, no cansaço ou na fadiga, na doença ou na desolação, assumis a missão como um serviço a Deus e ao seu povo e, mesmo com todas as dificuldades do caminho, escreveis as páginas mais belas da vida sacerdotal.

Há algum tempo, manifestava aos bispos italianos a preocupação de que, em várias regiões, os nossos sacerdotes se sentem achincalhados e «culpabilizados» por causa de crimes que não cometeram; dizia-lhes que eles precisam de encontrar no seu bispo a figura do irmão mais velho e o pai que os encoraje nestes tempos difíceis, os estimule e apoie no caminho.

Como irmão mais velho e pai, também eu quero estar perto, em primeiro lugar para vos agradecer em nome do santo Povo fiel de Deus tudo o que ele recebe de vós e, por minha vez, encorajar-vos a relembrar as palavras que o Senhor pronunciou com tanta ternura no dia da nossa Ordenação e que constituem a fonte da nossa alegria: «Já não vos chamo servos, (…) a vós chamei-vos amigos» (Jo 15, 15).

TRIBULAÇÃO

«Vi a opressão do meu povo» (Ex 3, 7)

Nos últimos tempos, pudemos ouvir mais claramente o clamor – muitas vezes silencioso e silenciado – de irmãos nossos, vítimas de abusos de poder, de consciência e sexuais por parte de ministros ordenados. Sem dúvida, é um período de sofrimento na vida das vítimas, que padeceram diferentes formas de abuso, e também para as suas famílias e para todo o Povo de Deus.

Como sabeis, estamos firmemente empenhados na atuação das reformas necessárias para promover, a partir da raiz, uma cultura baseada no cuidado pastoral, de tal forma que a cultura do abuso não consiga encontrar espaço para desenvolver-se e, menos ainda, perpetuar-se. Não é tarefa fácil nem de curto prazo; requer o empenho de todos. Se, no passado, a omissão pôde transformar-se numa forma de resposta, hoje queremos que a conversão, a transparência, a sinceridade e a solidariedade com as vítimas se tornem na nossa maneira de fazer a história e nos ajudem a estar mais atentos a todos os sofrimentos humanos.

E esta tribulação não deixa indiferentes os presbíteros. Pude constatá-lo nas várias visitas pastorais, tanto na minha diocese como noutras onde tive oportunidade de encontrar e falar pessoalmente com os sacerdotes. Muitos deles manifestaram a própria indignação pelo que aconteceu e também uma espécie de impotência, já que, além do «desgaste pela entrega, experimentaram o dano que provoca a suspeita e a contestação, que pode ter insinuado – em alguns ou muitos – a dúvida, o medo e a difidência». São numerosas as cartas de sacerdotes que partilham este sentimento. Por outro lado, consola encontrar pastores que, ao constatar e conhecer o sofrimento das vítimas e do Povo de Deus, se mobilizam, procuram palavras e percursos de esperança.

Sem negar nem ignorar o dano causado por alguns dos nossos irmãos, seria injusto não reconhecer que tantos sacerdotes, de maneira constante e íntegra, oferecem tudo o que são e têm pelo bem dos outros (cf. 2 Cor 12, 15) e vivem uma paternidade espiritual capaz de chorar com os que choram; há inúmeros padres que fazem da sua vida uma obra de misericórdia em regiões ou situações frequentemente inóspitas, remotas ou abandonadas, mesmo a risco da própria vida. Reconheço e agradeço o vosso exemplo corajoso e constante que, em momentos de turbulência, vergonha e sofrimento, nos mostra que vós continuais a entregar-vos com alegria pelo Evangelho.

Estou convencido de que, na medida em que formos fiéis à vontade de Deus, os tempos da purificação eclesial que estamos a viver nos tornarão mais alegres e simples e, num futuro não muito distante, serão muito fecundos. «Não desanimemos! O Senhor está a purificar a sua Esposa e, a todos, nos está convertendo a Ele. Permite-nos experimentar a prova, para compreendermos que, sem Ele, somos pó. Está-nos a salvar da hipocrisia e da espiritualidade das aparências. Está a soprar o seu Espírito, para restaurar a beleza da sua Esposa surpreendida em flagrante adultério. Hoje far-nos-á bem ler o capítulo 16 de Ezequiel. Aquela é a história da Igreja. Aquela – poderá dizer cada um de nós – é a minha história. E no final, através da tua vergonha, continuarás a ser um pastor. O nosso arrependimento humilde, que permanece em silêncio, em lágrimas perante a monstruosidade do pecado e a insondável grandeza do perdão de Deus, é o início renovado da nossa santidade».

GRATIDÃO

«Não cesso de dar graças a Deus por vós» (Ef 1, 16)

Mais do que uma escolha nossa, a vocação é resposta a uma chamada gratuita do Senhor. É bom voltar uma vez e outra àquelas passagens evangélicas, onde vemos Jesus orar, escolher e chamar «para estarem com Ele e para os enviar a pregar» (Mc 3,14; cf. Lc 6, 12-13).

Gostaria de lembrar aqui um grande mestre de vida sacerdotal do meu país natal, o padre Lúcio Gera, que, dirigindo-se a um grupo de sacerdotes em tempos de muitas provações na América Latina, lhes dizia: «Sempre, mas sobretudo nas provações, devemos voltar àqueles momentos luminosos em que experimentamos a chamada do Senhor para consagrar toda a nossa vida ao seu serviço». A isto, apraz-me chamar-lhe «a memória deuteronómica da vocação», que nos permite retornar «àquele ponto incandescente em que a graça de Deus me tocou no início do caminho e com aquela centelha posso acender o fogo para o dia de hoje, para cada dia, e levar calor e luz aos meus irmãos e às minhas irmãs. Daquela centelha, acende-se uma alegria humilde, uma alegria que não ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria boa e serena».

Um dia pronunciamos um «sim» que nasceu e cresceu no seio duma comunidade cristã pela mão daqueles santos «ao pé da porta» quenos mostraram, com fé simples, como valia a pena dar tudo pelo Senhor e o seu Reino. Um «sim», cujo alcance teve e terá uma transcendência insuspeitada, não conseguindo muitas vezes imaginar todo o bem que foi e é capaz de gerar. Como é belo ver um padre idoso rodeado e visitado por aqueles pequeninos – hoje adultos – que ele batizou em seus inícios e que vêm, com gratidão, apresentar-lhe a família! Então descobrimos que fomos ungidos para ungir, e a unção de Deus nunca dececiona e faz-me dizer com o Apóstolo: «Não cesso de dar graças a Deus por vós» (Ef 1, 16) e por todo o bem que fizestes.

Em momentos de dificuldade, fragilidade, bem como de fraqueza e manifestação dos nossos limites, quando a pior de todas as tentações é ficar a ruminar a desolação, fragmentando o olhar, o juízo e o coração, nesses momentos é importante – atrever-me-ia a dizer crucial – não só não perder a memória agradecida da passagem do Senhor pela nossa vida, a memória do seu olhar misericordioso que nos convidou a apostar n’Ele e no seu Povo, mas também animar-se a pô-la em prática e, com o salmista, poder compor o nosso próprio cântico de louvor porque «é eterna a sua misericórdia» (Sal 136/135).

A gratidão é sempre uma «arma poderosa». Só se formos capazes de contemplar e agradecer concretamente todos os gestos de amor, generosidade, solidariedade e confiança, bem como de perdão, paciência, suportação e compaixão com que fomos tratados, é que deixaremos o Espírito obsequiar-nos com aquele ar puro capaz de renovar (e não empachar) a nossa vida e missão. Deixemos que a constatação de tanto bem recebido faça, à semelhança de Pedro na manhã da «pesca milagrosa», despertar em nós a capacidade de deslumbramento e gratidão que nos leve a dizer: «Afasta-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador» (Lc5, 8) e, mais uma vez, ouçamos da boca do Senhor a sua chamada: «Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens» (Lc5, 10); porque «é eterna a sua misericórdia».

Irmãos, obrigado pela vossa fidelidade aos compromissos assumidos. Numa sociedade e numa cultura que transformou o «gasoso» em valor, é verdadeiramente significativa a existência de pessoas que apostem e procurem assumir compromissos que exigem toda a vida. Substancialmente, estamos a dizer que continuamos a acreditar em Deus que nunca quebrou a sua aliança, mesmo quando nós a quebramos vezes sem conta. Isto convida-nos a celebrar a fidelidade de Deus que, apesar dos nossos limites e pecados, não deixa de confiar, crer e apostar em nós, e convida-nos a fazer o mesmo. Cientes de trazer um tesouro em vasos de barro (cf. 2 Cor4, 7), sabemos que o Senhor Se manifesta vencedor na fraqueza (cf. 2 Cor 12, 9), não deixa de nos sustentar e chamar, dando-nos cem por um (cf. Mc 10, 29-30), porque «é eterna a sua misericórdia».

Obrigado pela alegria com que soubestes entregar a vossa vida, mostrando um coração que, ao longo dos anos, lutou e luta para não se tornar mesquinho e amargo, mas ao invés deixar-se ampliar, diariamente, pelo amor de Deus e do seu povo; um coração que o tempo, como sucede com o bom vinho, não azedou, mas dotou-o duma qualidade sempre mais requintada; porque «é eterna a sua misericórdia».

Obrigado por procurardes reforçar os vínculos de fraternidade e amizade no presbitério e com o vosso bispo, apoiando-vos mutuamente, cuidando de quem está doente, procurando aquele que se isola, encorajando e aprendendo a sabedoria do idoso, partilhando os bens, sabendo rir e chorar juntos… Como são necessários estes espaços! E inclusivamente sendo constantes e perseverantes quando tivestes de assumir alguma missão áspera ou levar algum irmão a assumir as suas responsabilidades; porque «é eterna a sua misericórdia».

Obrigado pelo testemunho de perseverança e suportação (hypomoné) na dedicação pastoral, que frequentemente, movidos pela ousadia (parresía) do pastor,nos leva a lutar com o Senhor na oração, como Moisés naquela corajosa e até arriscada intercessão pelo povo (cf. Nm 14, 13-19; Ex 32, 30-32; Dt 9, 18-21); porque «é eterna a sua misericórdia».

Obrigado por celebrar diariamente a Eucaristia e apascentar com misericórdia no sacramento da Reconciliação, sem rigorismos nem laxismos, ocupando-se das pessoas e acompanhando-as no caminho da conversão à vida nova que o Senhor nos dá a todos. Sabemos que, através dos degraus da misericórdia, podemos descer até ao ponto mais baixo da nossa condição humana – fragilidade e pecados incluídos – e subir até ao ponto mais alto da perfeição divina: «Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso».E assim ser «capazes de aquecer o coração das pessoas, caminhar com elas na noite, saber dialogar e inclusive adentrar-se na sua noite e obscuridade sem se perder»;porque «é eterna a sua misericórdia».

Obrigado por ungir e anunciar a todos, com ardor, «em tempo propício e fora dele» (2 Tm 4, 2), o Evangelho de Jesus Cristo, sondando o coração da própria comunidade «para identificar onde está vivo e ardente o desejo de Deus e também onde é que este diálogo de amor foi sufocado ou não pôde dar fruto»;porque «é eterna a sua misericórdia».

Obrigado pelas vezes em que, deixando-vos entranhadamente comover, acolhestes os caídos, curastes as feridas, dando calor aos seus corações, mostrando ternura e compaixão como o samaritano da parábola (cf. Lc 10, 25-37). Nada é mais urgente do que isto: proximidade, vizinhança, abeirar-se da carne do irmão que sofre. Quanto bem faz o exemplo dum sacerdote que não evita, mas se aproxima das feridas dos seus irmãos!É reflexo do coração do pastor que aprendeu o gosto espiritual de se sentir um só com o seu povo;que não se esquece que saiu dele e que, só no seu serviço, encontrará e poderá desenvolver a sua identidade mais pura e plena, que lhe faz cultivar um estilo de vida austero e simples, sem aceitar privilégios que não têm o sabor do Evangelho; porque «é eterna a sua misericórdia».

Demos graças também pela santidade do Povo fiel de Deus, que somos convidados a apascentar e através do qual também o Senhor nos apascenta e cuida de nós com o dom de poder contemplar este povo «nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante».Agradeçamos por cada um deles e deixemo-nos ajudar e estimular pelo seu testemunho; porque «é eterna a sua misericórdia».

ARDOR

«Tenham ânimo nos seus corações» (Col 2, 2)

Um segundo grande desejo meu, inspirando-me nas palavras de São Paulo, é fazer-vos companhia na renovação do nosso ardor sacerdotal, fruto sobretudo da ação do Espírito Santo em nossas vidas. Perante experiências dolorosas, todos nós precisamos de conforto e encorajamento. A missão a que fomos chamados não comporta ser imunes ao sofrimento, à dor e até à incompreensão; pelo contrário, pede-nos para os enfrentar e assumir a fim de deixar que o Senhor os transforme e nos configure mais a Ele. «No fundo, a falta dum reconhecimento sincero, pesaroso e orante dos nossos limites é que impede a graça de atuar melhor em nós, pois não lhe deixa espaço para provocar aquele bem possível que se integra num caminho sincero e real de crescimento».

Um bom «teste» para saber como está o nosso coração de pastor é perguntar-se como enfrentamos a dor. Muitas vezes pode acontecer de comportar-se como o levita ou o sacerdote da parábola que passam do lado oposto e ignoram o homem que jaz por terra (cf. Lc 10, 31-32). Outros aproximam-se de forma errada, ou seja, intelectualizam o caso refugiando-se em frases comuns tais como «a vida é assim», «não se pode fazer nada», dando lugar ao fatalismo e ao desalento; ou aproximam-se com um leque de preferências seletivas cujo único resultado é isolamento e exclusão. «À semelhança do profeta Jonas, sempre permanece latente em nós a tentação de fugir para um lugar seguro, que pode ter muitos nomes: individualismo, espiritualismo, confinamento em mundos pequenos», os quais, longe de fazer com que as nossas entranhas se comovam, acabam por nos afastar das feridas próprias, das dos outros e, consequentemente, das feridas de Jesus.

Nesta mesma linha, quero assinalar outra postura subtil e perigosa que, como gostava de dizer Bernanos, é «o mais precioso dos elixires do demónio» e a mais nociva para quem deseja servir o Senhor, porque semeia desânimo, orfandade e leva ao desespero. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou connosco mesmos, podemos cair na tentação de nos apegarmos a uma tristeza adocicada que os padres do Oriente chamavam de acédia. O cardeal Tomás Spidlik dizia: «Se nos assalta a tristeza pelo que a vida é, pela companhia dos outros, porque estamos sozinhos (…), então é porque temos falta de fé na Providência de Deus e na sua obra (…). A tristeza paralisa o ardor de continuar com o trabalho e com a oração, torna-nos antipáticos aqueles que vivem ao nosso lado. (…) Os monges, que dedicam uma longa descrição a este vício, chamam-no o pior inimigo da vida espiritual».

Conhecemos esta tristeza que leva à habituação e pouco a pouco faz-nos ver como natural o mal e a injustiça, sussurrando tenuemente «sempre se fez assim». Tristeza, que torna estéril todas as tentativas de transformação e conversão, espalhando ressentimento e aversão. «Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado» e para a qual fomos chamados. Irmãos, quando esta tristeza adocicada ameaça tomar conta da nossa vida ou da nossa comunidade, sem nos assustar nem preocupar mas com determinação, peçamos e façamos pedir ao Espírito que «venha despertar-nos, dar-nos um abanão na nossa sonolência, libertar-nos da inércia. Desafiemos a habituação, abramos bem os olhos, os ouvidos e sobretudo o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado».

Deixai que vo-lo repita: todos precisamos do conforto e da força de Deus e dos irmãos em tempos difíceis. A todos nós, são de proveito estas sentidas palavras de São Paulo às suas comunidades: «Peço-vos que não desanimeis com as tribulações» (Ef 3,13); «tenham ânimo nos seus corações» (Col 2, 2). Assim, poderemos cumprir a missão que o Senhor nos dá cada manhã: transmitir uma boa nova, «uma grande alegria, que o será para todo o povo» (Lc 2,10). Mas, atenção! Não como teoria, como conhecimento intelectual ou moral do que deveria ser, mas como homens que, no meio da tribulação, foram transformados e transfigurados pelo Senhor e, como Job, chegam a exclamar: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora veem-Te os meus próprios olhos» (42, 5). Sem esta experiência fundadora, todos os nossos esforços nos levarão pelo caminho da frustração e do desencanto.

Ao longo da nossa vida, pudemos contemplar como, «com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria». Embora existam diferentes etapas nesta vivência, sabemos que Deus, independentemente das nossas fragilidades e pecados, sempre «nos permite levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria». Esta alegria não nasce dos nossos esforços voluntariosos ou intelectualistas, mas da confiança de saber que continuam eficazes as palavras de Jesus a Pedro: no momento em que fores joeirado, não te esqueças de que «Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça» (Lc22, 32). O Senhor é o primeiro a rezar e lutar por ti e por mim. E convida-nos a entrar plenamente na sua oração. Pode até haver momentos em que tenhamos de mergulhar na «oração do Getsémani, a mais humana e mais dramática das orações de Jesus (…). Há súplica, tristeza, angústia, quase um desnorteamento (Mc 14, 33-42)».

Sabemos que não é fácil permanecer diante do Senhor, deixando que o seu olhar percorra a nossa vida, cure o nosso coração ferido e lave os nossos pés impregnados pela mundanidade que se lhes aderiu ao longo do caminho e nos impede de caminhar. Na oração, experimentamos aquela nossa bendita precariedade que nos lembra que somos discípulos carecidos do auxílio do Senhor e nos liberta da tendência prometeuca «de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas».

Irmãos, Jesus – melhor do que ninguém – conhece os nossos esforços e resultados, bem como os fracassos e desvios. É o primeiro a dizer-nos: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para o vosso espírito» (Mt 11, 28-29).

Numa oração como esta, sabemos que nunca estamos sozinhos. A oração do pastor é uma oração habitada tanto pelo Espírito «que clama: “Abbá! – Pai!”» (Gal 4, 6) como pelo povo que lhe foi confiado. A nossa missão e identidade compreendem-se a partir desta dupla ligação.

A oração do pastor nutre-se e encarna-se no coração do Povo de Deus. Traz as marcas das feridas e alegrias do seu povo, apresentando-as em oração silenciosa ao Senhor para que as unja com o dom do Espírito Santo. É a esperança do pastor que confia e luta para que o Senhor cure a nossa fragilidade, tanto a pessoal como a das nossas comunidades. Mas não percamos de vista que é precisamente na oração do Povo de Deus que o coração do pastor se encarna e encontra o seu lugar. Isto preserva-nos a todos de procurar ou querer respostas fáceis, rápidas e pré-fabricadas, permitindo ao Senhor ser Ele – e não as nossas receitas e prioridades – a mostrar-nos um caminho de esperança. Não percamos de vista que, nos momentos mais difíceis da comunidade primitiva (como se lê no livro dos Atos dos Apóstolos), a oração tornou-se a verdadeira protagonista.

Irmãos, reconheçamos a nossa fragilidade, sim; mas deixemos que Jesus a transforme e nos projete sempre de novo para a missão. Não percamos a alegria de nos sentir «ovelhas», de saber que Ele é o nosso Senhor e Pastor.

Para manter o coração animado, é necessário não negligenciar estas duas ligações constitutivas da nossa identidade: com Jesus e com o nosso povo. A primeira ligação: sempre que nos desligamos de Jesus ou negligenciamos a nossa relação com Ele, pouco a pouco a nossa dedicação vai-se estiolando e as nossas lâmpadas ficam sem o azeite capaz de iluminar a vida (cf. Mt 25, 1-13): «Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em Mim. (…) Quem permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem Mim, nada podeis fazer» (Jo 15, 4-5). Neste sentido, gostaria de vos encorajar a que não negligenciásseis o acompanhamento espiritual, tendo um irmão com quem falar, confrontar-se, debater e discernir, com plena confiança e transparência, a propósito do próprio caminho; um irmão sábio, com quem fazer a experiência de se saber discípulo. Procurai-o, encontrai-o e gozai a alegria de vos deixardes cuidar, acompanhar e aconselhar. É uma ajuda insubstituível para poder viver o ministério, fazendo a vontade do Pai (cf. Heb 10, 9) e deixar o coração palpitar com «os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus» (Flp 2, 5). Fazem-nos bem estas palavras de Qohélet: «É melhor dois do que um só (…). Se caírem, um ergue o seu companheiro. Mas ai do solitário que cai: não tem outro para o levantar» (4, 9-10).

Quanto à outra ligação constitutiva, robustecei e nutri o vínculo com o vosso povo. Não vos isoleis do vosso povo nem dos presbitérios ou das comunidades. E menos ainda… encerrar-vos em grupos fechados e elitistas. Isto, no fim, asfixia e envenena o espírito. Um ministro ardoroso é um ministro sempre em saída; e «estar em saída» leva-nos a caminhar «por vezes à frente, por vezes no meio e outras atrás: à frente, para guiar a comunidade; no meio, para melhor a compreender, animar e sustentar; atrás, para a manter unida, a fim de que ninguém se atrase demais, (…) e também por outro motivo, ou seja, porque o povo tem intuito! Tem intuito para encontrar novas sendas para o caminho, tem o sensus fidei (cf. LG 12). Poderá existir algo de mais bonito? O próprio Jesus é modelo desta opção evangelizadora, que nos introduz no coração do povo. Faz-nos bem vê-Lo perto de todos. A entrega de Jesus na cruz é apenas o ponto culminante deste estilo evangelizador que marcou toda a sua existência.

Irmãos, o sofrimento de tantas vítimas, o sofrimento do Povo de Deus e nosso também, não pode ser em vão. É o próprio Jesus que carrega todo este peso na sua cruz e nos convida a renovar a nossa missão de estar perto dos que sofrem, de estar sem vergonha perto das misérias humanas e – por que não? – vivê-las como se fossem próprias para as tornar eucaristia. O nosso tempo, marcado por velhas e novas feridas, precisa que sejamos artesãos de relação e comunhão, abertos, confiados e esperançosos da novidade que o Reino de Deus quer suscitar hoje; um Reino de pecadores perdoados, convidados a testemunhar a compaixão sempre viva e ativa do Senhor; «porque é eterna a sua misericórdia».

LOUVOR

«A minha alma glorifica o Senhor» (Lc 1, 46)

É impossível falar de gratidão e encorajamento sem contemplar Maria. Ela, mulher do coração trespassado (cf. Lc 2, 35), ensina-nos o louvor capaz de abrir o olhar para o futuro e devolver a esperança ao presente. Toda a sua vida ficou condensada no seu cântico de louvor (cf. Lc 1, 46-55), que somos convidados, também nós, a entoar como promessa de plenitude.

Sempre que vou a um santuário mariano, gosto de «ganhar tempo» contemplando e deixando-me contemplar pela Mãe, pedindo a confiança da criança, do pobre e da pessoa simples que sabe que ali está a sua Mãe e pode mendigar um lugar no seu regaço. E enquanto A contemplo, apraz-me ouvir mais uma vez como o índio João Diego: «Que tens, meu filho, o mais pequenino? O que é que entristece o teu coração? Porventura não estou aqui Eu, que tenho a honra de ser tua mãe?»

Contemplar Maria é voltar «a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes».

Se alguma vez o olhar começar a insensibilizar-se ou sentirmos que a força sedutora da apatia ou da desolação quer criar raízes e apoderar-se do coração; se o gosto de nos sentirmos parte viva e integrante do Povo de Deus começa a incomodar-nos dando-nos conta de ser impelidos para uma atitude elitista, não tenhamos medo de contemplar Maria e entoar o seu cântico de louvor.

Se alguma vez nos sentirmos tentados a isolar-nos e fechar-nos em nós mesmos e nos nossos projetos protegendo-nos dos caminhos sempre poeirentos da história, ou se o lamento, a queixa, a crítica ou a ironia tomam conta das nossas ações sem querer lutar, esperar e amar, olhemos para Maria a fim de que limpe os nossos olhos de toda a «palheira» que nos possa impedir de estarmos atentos e despertos para contemplar e celebrar a Cristo que vive no meio do seu Povo. E se virmos que não conseguimos caminhar direito, que nos custa manter os propósitos de conversão, digamos-Lhe como A suplicava, quase com cumplicidade, aquele grande pároco – poeta também – da minha diocese anterior: «Esta tarde, Senhora, a promessa é sincera. Mas, pelo sim e pelo não, não Te esqueças de deixar a chave por fora».Ela «é a amiga sempre solícita para que não falte o vinho na nossa vida. É Aquela que tem o coração trespassado pela espada, que compreende todas as penas. Como Mãe de todos, é sinal de esperança para os povos que sofrem as dores do parto até que germine a justiça (…). Como uma verdadeira mãe, caminha connosco, luta connosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus».

Irmãos, mais uma vez vos digo que «não cesso de dar graças a Deus por vós» (Ef 1, 16), pela vossa dedicação e missão, com a certeza de que «Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expetativas: a morte, o pecado, o medo, a mundanidade. A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a “pedra viva” (cf. 1 Ped 2, 4): Jesus ressuscitado. Como Igreja, estamos fundados sobre Ele e, mesmo quando desfalecemos, mesmo quando somos tentados a julgar tudo a partir dos nossos fracassos, Ele vem fazer novas todas as coisas».

Deixemos que seja a gratidão a suscitar o louvor e nos encoraje mais uma vez na missão de ungir os nossos irmãos na esperança; nos encoraje a ser homens que testemunhem com a sua vida a compaixão e misericórdia que só Jesus nos pode dar.

Que o Senhor Jesus vos abençoe e a Virgem Santíssima vos guarde. E peço-vos, por favor, que não vos esqueçais de rezar por mim.

Fraternamente,

Papa Francisco 

Roma, em São João de Latrão, na Memória litúrgica do Santo Cura d’Ares,
4 de agosto de 2019.

 

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[1] Cf. Carta ap. Anno iubilari (23 de abril de 1929): AAS 21 (1929), 312-313.

[2] Cf. Discurso à Conferência Episcopal Italiana, 20 de maio de 2019. A paternidade espiritual que impele o Bispo a não deixar órfãos os seus presbíteros, pode-se «tocar» não apenas na capacidade de manter as portas abertas para todos os seus padres, mas também em ir procurá-los para cuidar deles e acompanhá-los.

[3] Cf. São João XXIII, Carta enc. Sacerdotii nostri primordia, no I centenário do pio trânsito do Santo Cura d’Ars (1 de agosto de 1959): AAS 51 (1959), 548.

[4] Cf. Carta ao Povo de Deus (20 de agosto de 2018).

[5] Encontro com os sacerdotes, religiosos e religiosas, consagrados e seminaristasSantiago do Chile, 16 de janeiro de 2018.

[6] Cf. Carta ao Povo de Deus que peregrina no Chile, 31 de maio de 2018.

[7] Encontro com o clero de Roma, 7 de março de 2019.

[8] Homilia na Vigília Pascal, 19 de abril de 2014.

[9] Exort. ap. Gaudete et exsultate, 7.

[10] Cf. J. M. Bergoglio, Cartas da tribulação, Milão 2019, p. 18.

[11] Cf. Discurso aos párocos de Roma, 6 de março de 2014.

[12] Retiro por ocasião do Jubileu dos Sacerdotes: Primeira Meditação, 2 de junho de 2016.

[13] A. Spadaro, «Entrevista a Papa Francisco», La Civiltà Cattolica, n. 3918 (19 de setembro de 2013), p. 462.

[14] Exort. ap. Evangelii gaudium, 137.

[15] Cf. Discurso aos párocos de Roma, 6 de março de 2014.

[16] Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 268.

[17] Exort. ap. Gaudete et exsultate, 7.

[18] Cf. Carta ap. Misericordia et misera, 13.

[19] Exort. ap. Gaudete et exsultate, 50.

[20] Ibid,, 134.

[21] Cf. J. M. Bergoglio, Reflexões em esperança, Cidade do Vaticano 2013, p. 14.

[22] Diário dum pároco de aldeia, Paris 1974, 135; cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 83.

[23] Cf. Barsanufio, Epistolário, in: V. Cutro – M. T. Szwemin, Necessidade de paternidade, Varsóvia 2018, p. 124.

[24] A arte de purificar o coração, Roma 1999, p. 47.

[25] Exort. ap. Evangelii gaudium, 2.

[26] Exort. ap. Gaudete et exsultate, 137.

[27] Exort. ap. Evangelii gaudium, 1.

[28] Ibid., 3.

[29] J. M. Bergoglio, Reflexões em esperança, Cidade do Vaticano 2013, p. 26.

[30] Exort. ap. Evangelii gaudium, 94.

[31] Encontro com o clero, pessoas de vida consagrada e membros de conselhos pastorais, Assis, 4 de outubro de 2013.

[32] Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 268-270.

[33] J. G. Lamadrid, Nican Mopohua, ed. Jus, pp. 107.108; 119.

[34] Exort. ap. Evangelii gaudium, 288.

[35] Cf. A. L. Calori, Aula Fúlgida, Buenos Aires 1946.

[36] Exort. ap. Evangelii gaudium, 286.

[37] Homilia na Vigília Pascal, 20 de abril de 2019.

Falecimento de Pe. Itamar José Pereira

A Diocese de Araçuaí comunica com pesar o falecimento do padre Itamar José Pereira.Exerceu seu ministério por muitos anos na  Diocese de Guanhães, nas paróquias Nossa Senhora Aparecida, em Córregos e por último na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Conceição do Mato Dentro. Padre Itamar, se destacava pela sua humildade e simplicidade, homem de sorriso fácil e de palavras amorosas, sua memória será recordada por todos com muito carinho. Ele nasceu em 26 de junho de 1928, em uma família de sete irmãos. Em 1948, se mudou para Diamantina para se tornar padre. Em dezembro de 1959, concluiu o Seminário e retornou para Teófilo Otoni. Começou como padre em janeiro de 1960, em Araçuaí. Durante 15 anos atuou também como vigário. Foi o responsável na Igreja pelas cidades de Rubim, Jacinto e Salto da Divisa. Também esteve em Medina, Berilo, novamente em Araçuaí, Francisco Badaró, Chapada do Norte, Minas Novas, Turmalina e Veredinha.

Depois de 12 anos e meio em Conceição do Mato Dentro,  ele manifestou o desejo de retornar à sua diocese de origem, Araçuaí, fato que aconteceu em 2018, em missa de envio, presidida pelo Administrador Apostólico, Dom Darci José Nicioli, na catedral São Miguel, em Guanhães, e deixou o município em 6 de agosto de 2018,  para  mudar-se  para Araçuaí.

Padre Itamar era uma pessoa muito alegre, carismática e sempre muito disposto. Aos  79 anos, fez a pé o Caminho de Santiago da Compostela (Espanha e França). Foram 32 dias de viagem. Em Conceição do Mato Dentro fez durante anos o caminho a pé de 24 km entre Córregos e o Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, na época do Jubileu.
Como curiosidade, Padre Itamar foi o primeiro padre a ser ordenado por dom José Maria Pires, quando ainda era bispo da diocese de Araçuaí,  tinha 91 anos, e 60 anos de ordenação sacerdotal.
Padre Itamar recentemente, estava debilitado; ontem foi  foi levado ao hospital, e veio a falecer às 24h 44m deste dia 04/08 .
Nosso agradecimento e carinho a esse exemplar  sacerdote, que muito nos ensinou com seu exemplo de humildade e amor ao serviço ministerial.  Obrigado padre Itamar pelo testemunho e pelo ministério em nosso meio.
Nota da diocese de Araçuaí:

Araçuaí, 04 de Agosto de 2019.
NOTA DE FALECIMENTO

Hoje, dia de São João Maria Vianey, padroeiro dos Sacerdotes, comunicamos, com profundo pesar, o falecimento do Revmo. Padre Itamar, conhecido pela sua dedicação em Manifestar o Reino de Deus, incansavelmente.

Quem desejar prestar condolências, pode comparecer ao velório realizado no Catedral Santuário de São José, à partir das 08h.

Serão celebradas Missas de Corpo Presente, na Catedral:

09h, presidida pelo Reitor da Catedral Santuário – Padre José Paulino.

19h, presidida por nosso Bispo Diocesano – Dom Marcello Romano.

O sepultamento será feito no dia 05/08, em sua cidade natal: Teófilo Otoni.

Requiescat in pace

Padre Carlos Magno Santana da Costa

Chanceler  do bispado de Araçuaí

“Buscai as coisas do alto” – (Homilia do 18º Domingo do Tempo Comum – Ano C)

A Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a refletir sobre nossa atitude frente aos bens deste mundo. Não podemos fazer deles deuses, a tal ponto de determinar nossa vida. É preciso usar as coisas que passam e abraçar as que não passam, as coisas do alto, as coisas celestiais e não as terrenas.

A passagem da primeira Leitura nos apresenta uma passagem do Livro do Eclesiastes (1,2; 2,21-23) que, por seu caráter sapiencial, nos faz pensar, rever nossa conduta, questionando nossas falsas seguranças e saberes:

“Não é um Livro onde se vão procurar respostas, mas onde se denuncia o fracasso da sabedoria tradicional e onde ecoa o grito de angústia de uma humanidade ferida e perdida, que não compreende a razão de viver”. (1)

A mensagem é explícita: somente Deus dá sentido à nossa existência. A vida somente pelos bens materiais conduz à falência, quem vive por si e para si não encontra saída e sentido para sua vida. É preciso o humilde reconhecimento de nossa impotência diante da onipotência divina, que se manifesta como misericórdia, amor, bondade, alegria, vida e paz.

Não podemos colocar a nossa esperança em coisas falíveis e passageiras: “A nossa caminhada nesta terra está, na verdade, cheia de limitações, de desilusões, de imperfeições; mas nós sabemos que esta vida caminha para a sua realização plena, para a vida eterna: só aí encontraremos o sentido pleno do nosso ser e da nossa existência”. (2)

A passagem da segunda Leitura é mais uma passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-5.9-11) que nos convida, como homens novos pelo Batismo, a abandonar os falsos deuses, identificando-nos com Cristo que nos basta para a nossa Salvação.

A comunhão vivida entre nós com o Cristo Ressuscitado exige que tenhamos esta identificação, como o próprio Paulo dirá em outra passagem aos Gálatas – “eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim “(Gl 2, 20) e aos Filipenses –“Tenhamos em nós os mesmos sentimentos e pensamentos de Cristo Jesus “ (Fl 2,10). E nisto consiste buscar as coisas do alto, as coisas celestiais.

Vivendo o Batismo, renascemos a cada dia como homem novo, e assim verão Cristo em nós. O batizado revela a face de Cristo para o mundo, por seus pensamentos, palavras e ação.

A passagem do Evangelho (Lc 12,13-21) nos apresenta a “Parábola do rico insensato”, cuja mensagem é essencial para nossa vida: o perigo de uma vida voltada apenas para os bens materiais.

Jesus não é contra a riqueza, e tão pouco contra o progresso e o crescimento do nível de vida. O perigo é torna-se rico para si mesmo tão apenas, deixando-se aprisionar pelo dinheiro. A vida de uma pessoa e o seu valor real não são medidos por suas riquezas.

A lógica do Reino é diferente da lógica do mundo – é preciso usar as coisas e não ser usado por elas. O acúmulo de bens sempre pode levar ao esquecimento do outro, inclusive de Deus, da família, dos irmãos da comunidade…

A ambição e o egoísmo esvaziam o coração humano do essencial e, deste modo, é preenchido daquilo que não lhe dá sentido, incorrendo num consumismo com consequências empobrecedoras, tornando-nos escravos da lógica do lucro que escraviza e não nos faz verdadeiramente felizes.

A ânsia da ascensão social pode conduzir ao declínio, ao esvaziamento, ao desmoronamento da vida pessoal e da própria família, de todos com os quais se convive.

Em nome do acumular cada vez mais, quantas famílias são sacrificadas e privadas do mínimo essencial para sua dignidade e felicidade! É o perigo da deificação da riqueza, tornar os bens como deuses (aqui a idolatria encontra campo fértil). É preciso tomar cuidado com os falsos deuses não deixando que o acessório, o transitório nos distraia e nos afaste do fundamental para a nossa vida.

Concluindo, é preciso que nos libertemos deste desejo de acumulação que nos torna cegos e indiferentes às necessidades do outro, e abramos horizontes na perspectiva da partilha e da solidariedade, do desapego e da liberdade diante das coisas terrenas, pautando a nossa vida pelos valores eternos que jamais passam.

Reflitamos:

– Quais são as nossas falsas e verdadeiras riquezas?

– De quais devemos nos esvaziar?

– De que modo avaliamos a nossa vida, ou seja, atrás do que corremos, nos consumimos?

– De que modo trabalhamos sem a perda do sentido da vida?

– O que nos preenche e nos dá alegria?

Concluo citando mais uma vez Santa Teresa D’Avila e Santa Teresa dos Andes, respectivamente:

“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança; quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta.”

“Só Deus nos basta para sermos felizes. Apalpo a cada instante o que é ser toda de Deus e parece-me que, se agora me fosse necessário passar pelo fogo para consagrar-me a Ele, não titubearia em fazê-lo, pois todos os sacrifícios desaparecem diante da felicidade de possuir a Deus só”.

(1) cf. www.dehonianos.org.br

(2) Idem.

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda – Bispo eleito para a Diocese de Guanhães

FORMAÇÃO PRESBITERAL E A BUSCA DA FELICIDADE

FORMAÇÃO PRESBITERAL E A BUSCA DA FELICIDADE

Encontrei a Felicidade e ela me encontrou: quando eu andava na escuridão. A VERDADE me amou para que eu pudesse amá-la e entender os seus mistérios. Tal VERDADE me conduz à felicidade e me move em meio às diversidades situacionais. (Anderson Alves).

Na caminhada de formação presbiteral deparamo-nos com várias pessoas e também, com diferentes ideologias. A partir do mandato de Jesus: “Ide!”, somos convidados a uma meditação que provocará em nós uma revisão de vida. Desta reflexão, brota a necessidade de seguir sempre, de palmilhar os tortuosos caminhos, de anunciar sempre, de bradar aos quatro cantos a Boa Nova de Cristo Jesus Nosso Senhor. Para que este ato missionário surta efeitos, dê bons frutos, é imprescindível que estejamos de acordo com os desígnios de Deus, que é princípio e autor da Felicidade.

Sendo assim, a Igreja nos orienta através do novo documento para a formação presbiteral Ratio Fundamentalis, que o seminarista deve ser formado nas seguintes dimensões: Humana, Intelectual, Espiritual e Pastoral. A formação presbiteral se distingue duas fases: Inicial e Permanente. A Fase inicial está articulada em quatro etapas: Propedêutico, Filosofia, Teologia e Pastoral.

Na etapa inicial da formação os estudos filosóficos e teológicos não são os únicos a serem avaliados no caminho já percorrido pelo vocacionado ao ministério ordenado. Pois, cada etapa contribui para o crescimento vocacional. O período formativo é um tempo de prova, amadurecimento e sobretudo de discernimento, para assim conseguir chegar ao ministério ordenado de maneira convicta e feliz.

Já a formação permanente é um longo caminho em que o presbítero vai se configurando a Cristo Jesus: acolher os pequeninos, dispensar os sacramentos, acolher e escutar a todos, zelar pela vida espiritual da porção do povo de Deus à ele confiado. A partir dessa configuração o presbítero é convidado a se entregar cotidianamente e ajustar o seu ser inteiramente ao ser do Bom Mestre de Nazaré que é Cabeça, Pastor, Servo e Esposo da Santa Igreja.

Na conversão de Santo Agostinho, modelo para todo presbítero, percebe-se que a perseverança e a inquietação sempre fizeram parte do seu percurso vocacional. Em nossa caminhada de discernimento não é diferente, buscamos sempre a felicidade e a realização pessoal, que nos provoca inquietações. Porém, esse inquietar-se não deve se restringir apenas ao tempo de Seminário, ao tempo de formação, deve se estender por todo o tempo, por toda a vida. A ordenação, imposição das mãos do Bispo, não é como um passe de mágica que transforma e apaga no neo-sacerdote as fraquezas, as dúvidas, as incertezas, os vícios, ela confere sim poder que homem nenhum tem sobre a terra, parafraseando Santo Ambrósio “a dignidade do padre sobreleva à dos reis como o ouro ao chumbo.” É preciso que o presbítero esteja sempre com o coração ardendo de amor por Cristo Jesus, nossa Felicidade. Para alcançar a Felicidade e a realização pessoal é necessário curvarmos, num ato de humilhação, sempre nos voltarmos para Deus, suplicar seu patrocínio, suplicar sua graça, implorar pelo seu perdão e é imprescindível, que diariamente o padre se digne a dar o seu SIM a Deus.

Tomemos novamente como exemplo Santo Agostinho, que nos desperta na caminhada vocacional com seu exemplo de vida, principalmente na etapa inicial de nossa formação, que exige de nós disciplina para crescermos na fortaleza, no ânimo e nas virtudes humanas, para assim atingirmos uma sólida maturidade e sermos felizes na vocação ao ministério ordenado.

Ao direcionar nossa atenção para a essência humana, nos deparamos com uma infindável carência, uma busca constante, uma infelicidade profunda, pois o homem só confia em si próprio, a sua esperança está depositada sobre si mesmo. O homem retirou Deus de sua vida e se colocou no lugar d’Ele. O homem é seu próprio deus. O antropocentrismo impera!

Sendo assim, o processo de conversão é de máxima importância. Pois somente no inclinar-se para Deus conseguiremos a realização completa, pelo qual não tem outro caminho que o ser humano possa encontrar a satisfação de suas aspirações mais profundas. Deus não se impõe, Ele deixa os homens livres para que vá ao Seu encontro. Se deixando encontrar por aqueles que o procuram de coração sincero. Em Santo Agostinho, Deus é o princípio de tudo, e em nossa caminhada vocacional também temos que ter Deus como princípio norteador. Em Confissões, exterioriza isso muito bem:

“Eu nada seria, meu Deus, nada seria em absoluto se não estivesses em mim; talvez seria melhor dizer que eu não existiria de modo algum se não estivesse em ti, de quem, por quem e em quem existem todas as coisas? Assim é, Senhor, assim é. Como, pois, posso chamar-te se já estou em ti, ou de onde hás de vir a mim, ou a que parte do céu ou da terra me hei de recolher, para que ali venha a mim o meu Deus, ele que disse: Eu encho o céu e a terra? (AGOSTINHO Hipona” (1996, p.282) .

Desta forma, a caminhada vocacional é um chamado, um chamado diário, um sim renovado a cada momento, nas pequenas circunstâncias da vida, em meio às turbulências da época. É neste mundo contemporâneo, marcado pelas instabilidades, que somos chamados e desafiados a mergulhar profundamente na contemplação da pessoa de Jesus Cristo, pastor e guia do povo de Deus.

Devemos, pois, voltar os nossos olhos, voltar a nossa vida, depositar a nossa fé e a nossa confiança no “Bom Mestre de Nazaré”, exteriorizar essa paixão cumprindo o Seu mandato de estar sempre em saída, sem moradia fixa, sempre disposto a sair na direção daqueles que mais precisam. Assim, Ruben Alves recorda: “O segredo é não correr atrás das borboletas. É cuidar do jardim para que elas venham até você”. No entanto, a realização vocacional é uma busca contínua, é um cuidar do interior, é cuidar deste jardim, é ser sujeito de sua formação. Sabendo que mesmo tendo ramos embaraçosos, a Felicidade plena e a realização encontram-se na identificação do Infinito – Deus. Pois o ser humano é um ser finito e encontra, em Deus, a Verdadeira Felicidade.

REFERÊNCIAS 
AGOSTINHO, Santo. Soliquoquios; A Vida Feliz. 1ª edição, São Paulo: Paulus, 1998- Coleção Patrística.
AGOSTINHO, Santo. Confissões: 24ª edição, Tradução: J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina, editora: Vozes, Petrópolis, 2009.
BROWN, Peter. Santo Agostinho: uma biografia. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Record, 2005.
PESSANHA, J. A. M. Vida e obra. In: AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1996. Coleção Os Pensadores.
Disponivel,em:<http://www.clerus.va/…/O%20Dom%20da%20Voca%C3%A7ao%20Presbi…>Acessado em: 02 de Agosto. 2018.

Anderson Alves

Seminarista da Diocese de Guanhães

Curso de Teologia

Palavras do Papa na Oração do Ângelus

Às 12 horas de hoje, o Santo Padre Francisco apareceu na janela do estudo no Palácio Apostólico Vaticano para recitar o Ângelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Estas são as palavras do Papa ao introduzir a oração mariana:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Na página do Evangelho de hoje (veja Lc 11,1-13), São Lucas narra as circunstâncias em que Jesus ensina o “Pai Nosso”. Eles, os discípulos, já sabem orar, recitando as fórmulas da tradição judaica, mas também desejam poder viver a mesma “qualidade” da oração de Jesus, porque podem ver que a oração é uma dimensão essencial na vida de seu Mestre. cada uma de suas ações importantes é caracterizada por longas paradas de oração. Além disso, permanecem fascinados porque vêem que Ele não reza como os outros mestres da época, mas sua oração é um vínculo íntimo com o Pai, tanto que desejam participar desses momentos de união com Deus, para saborear plenamente sua doçura.
Assim, um dia, eles esperam que Jesus conclua a oração, em um lugar isolado, e então eles perguntam: “Senhor, ensina-nos a orar” (v.1). Respondendo à questão explícita dos discípulos, Jesus não dá uma definição abstrata de oração, nem ensina uma técnica eficaz para orar e “conseguir” alguma coisa. Em vez disso, ele convida seus seguidores a experimentar a oração, colocando-os diretamente em comunicação com o Pai, despertando neles o anseio por um relacionamento pessoal com Deus, com o Pai. Aqui está a novidade da oração cristã! É o diálogo entre pessoas que se amam, um diálogo baseado na confiança, apoiado pela escuta e aberto à solidariedade. É um diálogo do Filho com o Pai, um diálogo entre as crianças e o Pai. Esta é a oração cristã.
Por isso, ele lhes dá a oração do “Pai Nosso”, talvez o presente mais precioso que nos foi deixado pelo divino Mestre em sua missão terrena. Depois de nos revelar o seu mistério de Filho e irmão, com essa oração, Jesus nos faz penetrar na paternidade de Deus; Quero enfatizar isso: quando Jesus nos ensina, o Pai Nosso nos faz entrar na paternidade de Deus e nos mostra o caminho para entrar em um diálogo de oração e direto com Ele, através do caminho da confiança filial. E um diálogo entre o pai e seu filho, do filho com o pai. O que pedimos no “Pai Nosso” já é feito para todos nós no Filho Unigênito: a santificação do Nome, o advento do Reino, o dom do pão, o perdão e a libertação do mal. Quando perguntamos, abrimos a mão para receber.Receba os dons que o Pai nos mostrou no Filho. A oração que o Senhor nos ensinou é a síntese de toda oração, e sempre a dirigimos ao Pai em comunhão com os irmãos. Às vezes acontece que na oração há distrações, mas muitas vezes sentimos o desejo de parar na primeira palavra: “Pai” e sentir essa paternidade no coração.
Então Jesus diz a parábola do amigo importuno e Jesus diz: “devemos insistir na oração”. Lembro-me do que as crianças fazem quando têm três, três e meio anos de idade: elas começam a pedir coisas que não entendem. Na minha terra é chamado “a idade dos porquês”, acredito que aqui também é o mesmo. As crianças começam a olhar para o pai e dizer: “Pai, por quê? Pai, por quê? Eles pedem explicações. Temos cuidado: quando o pai começa a explicar por quê, eles chegam com outra pergunta sem escutar toda a explicação. O que acontece? Acontece que as crianças se sentem inseguras sobre muitas coisas que começam a entender no meio do caminho. Eles só querem atrair o olhar do pai para eles e para isso: “Por que, por que, por quê?” Nós, no Pai Nosso, se pararmos na primeira palavra, faremos o mesmo de quando éramos crianças, atraia o olhar do pai para nós. Dizendo “Pai, Pai”, e também dizendo: “Por quê?” E Ele vai olhar para nós.
Pedimos a Maria, uma mulher em oração, que nos ajude a rezar ao Pai-Nosso unido a Jesus para viver o Evangelho, guiado pelo Espírito Santo.

Depois do Angelus

Caros irmãos e irmãs
Aprendi com tristeza a notícia do dramático naufrágio que ocorreu nos últimos dias nas águas do Mediterrâneo, onde dezenas de migrantes, incluindo mulheres e crianças, perderam a vida. Renovo um apelo sincero para que a comunidade internacional aja pronta e decididamente, evitando a repetição de tragédias similares e garantindo a segurança e a dignidade de todos. Convido você a orar comigo pelas vítimas e suas famílias. E também para perguntar com o coração: “Pai, por quê?” [ Minuto de silêncio segue ]
Saúdo todos vós, romanos e peregrinos da Itália e de várias partes do mundo: famílias, grupos paroquiais, associações.
Em particular, saúdo as Irmãs de Santa Isabel de diferentes países, o grupo AVART Organización Internacional de Arte y Cultura Mexicana de Puebla (México) e os jovens da paróquia Santa Rita da Cascia de Turim. Eu vejo uma bandeira uruguaia mas não vejo a companheira! Bem-vindo! Saúdo também os muitos polacos que vejo aqui com as bandeiras e também o grupo dos espanhóis.
Desejo a todos um bom domingo e, por favor, não esqueçam de orar por mim. Bom almoço e adeus!

[Texto original: italiano]

Homilia do 17º Domingo do Tempo Comum – Dom Otacilio

(Homilia 17º Domingo Tempo Comum – Ano C)

LITURGIA DA PALAVRA

I Leitura: Gênesis 18, 20-32
Salmo: 137/138
II Leitura: Colossenses 2,12-14
Evangelho: Lucas 11,1-13

“Mestre, ensina-nos a rezar”

A Liturgia da Palavra do 17º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida à reflexão sobre o tema da Oração sincera, pura, dialogal, confiante e frutuosa, que nos coloca numa relação filial para com Deus e de irmãos entre nós.

A primeira Leitura (Gn 18,20-32) nos apresenta Abraão como alguém que sabe fazer da Oração um verdadeiro diálogo com Deus. Colocando-se diante d’Ele com ousadia e confiança, apresentando suas inquietações, dúvidas, anseios, procurando captar Sua vontade para a humanidade.

A passagem é uma catequese sobre o peso que o justo e o pecador têm diante de Deus; revela-nos a misericórdia divina que é maior do que a vontade de castigar. A vontade que Deus tem de salvar é infinitamente maior do que a vontade de perder: Deus está sempre pronto a nos salvar. É preciso que nos abramos à Sua vontade.

Abraão nos ensina que é possível dialogar com Deus numa forma familiar, confiante, insistente e ousada. Revela-nos um Deus que veio ao encontro da humanidade, entrou em sua tenda, sentou-se à sua mesa, criando vínculos de comunhão, e ainda mais, realizando os sonhos daquele que O acolhe.

Com o pai da fé, aprendemos que Deus é alguém com quem se pode dialogar, com amor e sem temor; com uma Oração que brota de um coração humilde, reverente, respeitoso, confiante, ousado e cheio de esperança.

Abraão não repete palavras vazias e gravadas, sem ressonância na própria vida, mas estabelece com Deus um diálogo espontâneo e sincero.

A segunda Leitura, embora não se relacione diretamente ao tema, nos apresenta Jesus Cristo e Sua centralidade na vida de quem crê. Por Ele podemos dirigir ao Pai a nossa Oração, em comunhão com o Espírito Santo, e seremos ouvidos.

Jesus, no Evangelho (Lc 11,1-13), também nos ensina a rezar, de modo que a Oração daquele que crê deve ser um diálogo confiante, como uma criança em relação ao pai.

Para Jesus a Oração é o espaço do encontro pessoal e íntimo com o Pai e o momento fundamental para o discernimento de Sua Vontade, de Seu Projeto a ser realizado.

A caminho de Jerusalém, nos ensina a força e a importância da Oração na vida dos Seus seguidores, assim como foi fundamental em todos os grandes momentos decisivos do próprio Jesus, como tão bem nos apresenta o Evangelista Lucas na Eleição dos Doze (Lc 6,12); antes do primeiro anúncio da Paixão (Lc 9,18); na Transfiguração (Lc 9,28-29); após o regresso dos discípulos da missão (Lc 10,21); na última Ceia (Lc 22,32); no Getsemani (Lc 22,40-46); na Cruz (Lc  23, 34-46).

Jesus nos ensina a Oração do Pai Nosso e nos coloca em atitude de diálogo com o Pai, como filhos, e ao mesmo tempo nos põe no caminho da realização do Seu Plano, na construção de um mundo novo, numa comunhão fraterna a ser construída quotidianamente.

Quanto ao conteúdo:

“Santificado seja o Vosso nome” – que Deus Se manifeste como Salvador aos olhos de todos, através de nossa conduta, marcada pela justiça, bondade e santidade;

“Venha o Vosso Reino” – que o mundo novo proposto por Jesus se torne uma realidade na vida da humanidade – Reino de amor, verdade, justiça e liberdade…

“O pão de cada dia” – Deus nos concede o essencial para vivermos. Oferece o pão material, mas acima de tudo o Pão espiritual. Com Deus nada nos falta. Ele nos dá o próprio Filho, o Pão da Vida que sacia a fome e a sede da humanidade: amor, alegria, perdão, comunhão, fraternidade…

“Perdão dos pecados” – sem a experiência da misericórdia divina, somos incapazes de perdoar e pedir perdão. Acolhidos pela misericórdia e por ela perdoados, para também acolher e perdoar o irmão que pecou contra nós.

“Não nos deixeis cair em tentação” – que nosso coração não seja seduzido por felicidades ilusórias e transitórias, mas que pautemos a nossa vida na busca da felicidade duradoura, eterna, a fim de que tenhamos vida plena e feliz.

A Oração do Pai Nosso, em síntese, pode ser assim apresentada:

Que Deus seja reconhecido como Deus: um Pai misericordioso e nos trata como filhos;

É um Projeto de Amor que Deus tem para a humanidade;

Três pedidos fundamentais: pão para viver; perdão para amar e liberdade para ficar de pé e pôr-se sempre a caminho.

Pode parecer estranha a afirmação, mas na Escola de Jesus aprendemos a rezar verdadeiramente, em forma e conteúdo. A Oração que Jesus ensina transforma a vida de quem a reza e põe em prática.

Não podemos repetir a Sua Oração, sem saborearmos Palavra por Palavra de seu conteúdo vital e irradiador de alegria e luz, que plenifica com a Sua vida e a Sua graça, porque feita sob a ação e presença do Espírito, dirigida confiantemente ao Pai.

Uma Oração verdadeira precisa ser essencialmente Trinitária, nos inserindo nesta comunhão intensa e profunda de Amor.

Com isto, a Oração é, em sua exata medida, um diálogo intenso, profundo com a Trindade Santa, que nos envolve pela presença e ternura divinas.

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Bispo eleito da Diocese de Guanhães

Recepção do Bispo Diocesano em sua Catedral.

Trata-se da tomada de posse canônica da Diocese. O bispo não se apropria de uma Diocese, mas ela lhe é confiada. Trata-se mais de uma investidura numa função. O bispo é chamado e enviado a servir a uma porção do povo de Deus, que é a Diocese. Existe, antes, um envio. Como Jesus Cristo enviou os apóstolos para o mundo inteiro, ainda hoje na Igreja homens escolhidos por Cristo são enviados para exercer o ministério messiânico por todo o mundo. No caso dos bispos, em nome de Cristo eles são chamados e enviados pela Igreja na pessoa do Sucessor de Pedro, o Papa.

Normalmente, o novo bispo de uma diocese toma posse ou é investido em sua função no próprio rito da ordenação. Acontece assim quando ele é ordenado bispo na sua igreja catedral. Isso vem expresso, sobretudo, pela (Bula), ou Leitura da Carta Apostólica de sua eleição pelo Papa, o gesto de assentar-se na cátedra da catedral, onde é conduzido pelo bispo ordenante, logo após o rito sacramental da ordenação, e pela presidência da Eucaristia após sua ordenação episcopal.

É diverso o modo de proceder da Igreja, quando o novo bispo vem transferido de outra Diocese, no caso de Dom Otacilio Ferreira de Lacerda,  que foi ordenado bispo em outra igreja, e vem de outra diocese, onde estava como auxiliar, e será recepcionado na Cátedra da Diocese de Guanhães.

O rito de tomada de posse, que marca o início do exercício do múnus pastoral na sua Diocese, se chama Recepção do bispo em sua igreja catedral. Igreja catedral, porque nesta igreja está a sede, a cátedra, a cadeira de presidência, de onde o bispo exerce seu Tríplice Ministério Pastoral: ensinar, governar e santificar.

Esta recepção se realiza no contexto de uma Missa Estacional, isto é, presidida pelo bispo em sua nova catedral. Hoje em dia, já não se chama Missa Pontifical, mas Missa Estacional, isto é, uma Celebração Eucarística festiva presidida pelo bispo. O Cerimonial dos Bispos qualifica assim a Missa Estacional: “A manifestação mais importante da Igreja local dá-se quando o Bispo, na qualidade de sumo sacerdote do seu rebanho, celebra a Eucaristia, mormente na igreja catedral, rodeado do seu presbitério e ministros, com a plena e ativa participação de todo o povo santo de Deus. Esta Missa, chamada “estacional”, manifesta não somente a unidade da Igreja local, mas também a diversidade dos ministérios ao redor do Bispo e da sagrada Eucaristia. Para ela, portanto, se convoque o maior número possível de fiéis, nela concelebrem os presbíteros com o Bispo, desempenhem os diáconos o seu ministério, exerçam os acólitos e leitores as suas funções” (n. 119).

Queremos lembrar os elementos próprios dessa celebração, procurando o seu sentido sagrado. Eis os elementos:

1) O bispo é recebido à porta da igreja catedral pela primeira dignidade do cabido, (Vigário Geral) ou, não havendo esses, pelo pároco ou reitor da mesma igreja, que apresenta o crucifixo ao bispoa beijar;  e a seguir, o aspersório da água benta, com o qual o Bispo se asperge a si mesmo e aos presentes (próximos de si).

2) O bispo é conduzido à capela do Santíssimo Sacramento, que O adora, de joelhos, por alguns momentos.

3) Todos se paramentam na sacristia e tem início a Missa estacional. Feita a reverência ao altar, o Bispo dirige-se para a cátedra. Terminado o canto de entrada, saúda o povo, senta-se e recebe a mitra.

4) Um dos diáconos ou um dos presbíteros concelebrantes apresenta a Carta Apostólica ao Colégio dos Consultores na presença do Chanceler da Cúria, que exara a respectiva ata. A seguir, do ambão (mesa da Palavra), lê ao povo a referida Bula ou Carta Apostólica, na falta desta, o Decreto, provido do senhor Núncio Apostólico, autorizando a tomada de posse.

5) Feito isto, se for costume, a primeira dignidade do cabido, ou não havendo cabido, o pároco ou reitor da igreja dirige uma saudação ao Bispo. Em seguida, de acordo com os costumes locais, o cabido e pelo menos parte do clero, e alguns fiéis, e se for oportuno, a autoridade civil porventura presente, aproximam-se do seu bispo, para lhe manifestarem obediência e respeito.

6)Missa prossegue como de costume e na homilia, após o Evangelho, o Bispo dirige pela primeira vez a palavra ao seu povo.

Uma palavra sobre cada um dos elementos apontados. Na acolhida temos o beijo à cruz, a água benta e a vista de adoração ao Santíssimo. Comemora-se aqui o múnus pastoral do bispo na Diocese.

A cruz: O bispo tem como missão viver e anunciar o Evangelho, o mistério pascal, simbolizado pela cruz do Senhor.

água benta: Lembra e renova o batismo. O bispo tem a missão de anunciar o Evangelho, fazer discípulos de Cristo todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto Jesus lhes mandou (cf. Mt 28,19-20).

A adoração do Santíssimo: A Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja. Toda ação pastoral deve levar à celebração e à vida eucarística.

Ocupação da cátedra: A cátedra simboliza a Igreja particular confiada ao zelo pastoral do novo bispo. É na catedral que ele alimenta sua fé. Desta sede ele parte como bom pastor para apascentar as suas ovelhas, em sua missão profética, sacerdotal e real, conduzindo o seu povo pela pregação do Evangelho, pela presidência do culto (santificando) e como guia do povo de Deus profético, sacerdotal e real.

A Bula ou Carta Apostólica e a saudação: O novo bispo não vem em nome próprio, mas em nome de Cristo. Ele foi eleito e enviado a esta Igreja particular com uma missão. Por isso, o Povo de Deus da Igreja particular o acolhe, lhe presta obediência e se dispõe a colaborar com o seu ministério pastoral.

homilia: Na homilia, após o Evangelho, o Bispo dirige pela primeira vez a palavra ao seu povo. À luz da Palavra de Deus, cria-se o primeiro vínculo de fé e de caridade entre o Bispo, os padres, os diáconos, o seminaristas, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos da Diocese, agrupados nas comunidades paroquiais. Os fiéis recolherão os motivos de preces e da grande Ação de graças que se seguem, e vão sentir-se enviados para anunciar e estender o Reino de Deus pela palavra, pela colaboração na ação pastoral e, sobretudo, pelo testemunho de vida cristã.

Se o arcebispo metropolitano introduzir o bispo em sua igreja catedral, como será o caso; (Dom Darci José, Arcebispo Metropolitano de Diamantina, é quem dará posse, ao novo bispo).

O rito é um pouco alterado e seguirá a seguinte ordem: “Se o próprio Metropolita introduzir o Bispo em sua igreja catedral, à porta da igreja, ele apresenta o Bispo à primeira dignidade do cabido e preside à procissão de entrada. Saúda o povo na cátedra e manda que sejam apresentadas e lidas as Letras Apostólicas. Terminada sua leitura e após a aclamação do povo, o Metropolita convida o Bispo a sentar-se na cátedra.

Depois o Bispo se levanta e canta-se: Glória a Deus nas alturas, segundo as rubricas” (Cerimonial dos Bispos, n. 1145).

Vivida assim, a celebração da Recepção do Bispo em sua igreja catedral será uma grande graça para a Comunidade diocesana. Compreende-se melhor o mistério da Igreja, com seus variados ministérios e funções. Consolida-se a unidade na diversidade da Igreja, compreendida pelo Concílio Vaticano II como “o povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (LG 4).

Pe. Frei Alberto Beckhäuser, OFM

 

* (Texto cedido gentilmente pelo autor, no período de transição na Diocese de Caratinga, em 2011, com adaptações). 

 

Angelus com Papa Francisco – 15º Domingo Comum

Às 12 horas de hoje, XV Domingo do Tempo Comum, o Santo Padre Francisco apareceu na janela do estudo no Palácio Apostólico Vaticano para recitar o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Estas são as palavras do Papa ao introduzir a oração mariana

Antes do Ângelus

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje o Evangelho apresenta a famosa parábola do “bom samaritano” (ver Lc10,25-37). Perguntado por um advogado sobre o que é necessário para herdar a vida eterna, Jesus convida-o a encontrar a resposta nas Escrituras e diz: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o a tua força e com toda a tua mente, e o teu próximo como a ti mesmo “(v. 27). Havia, no entanto, diferentes interpretações de quem deveria ser entendido como “vizinho”. De fato, o homem ainda pergunta: “E quem é meu próximo?” (V. 29). Neste ponto, Jesus responde com a parábola, esta linda parábola: Convido todos vocês a levarem o Evangelho hoje, Evangelho de Lucas, capítulo dez, versículo 25. É uma das mais belas parábolas do Evangelho. E esta parábola tornou-se paradigmática da vida cristã. Tornou-se o modelo de como um cristão deve agir. Graças ao evangelista Luca,

O protagonista do conto é um samaritano, que conhece um homem roubado e espancado por bandidos ao longo do caminho e cuida dele. Sabemos que os judeus tratavam os samaritanos com desprezo, considerando-os estrangeiros para o povo escolhido. Portanto, não é coincidência que Jesus tenha escolhido um samaritano como um personagem positivo na parábola. Desta forma, ele quer superar o preconceito, mostrando que mesmo um estrangeiro, mesmo aquele que não conhece o verdadeiro Deus e não freqüenta seu templo, é capaz de se comportar de acordo com sua vontade, sentindo compaixão por seu irmão necessitado e ajudando-o por todos os meios. à sua disposição.

Por essa mesma estrada, antes do Samaritano tinha passado um sacerdote e um levita, isto é, pessoas dedicado à adoração de Deus. Mas, vendo o pobre homem para o chão, eles continuaram sem parar, provavelmente não será contaminado com o sangue dele. Eles colocaram um governo humano diante deles – não se contaminando com sangue – ligados ao grande mandamento de Deus, que antes de tudo quer misericórdia.

Jesus, portanto, propõe o samaritano como modelo, precisamente aquele que não tinha fé! Também pensamos em tantas pessoas que conhecemos, talvez agnósticas, que fazem o bem. Jesus escolheu como modelo alguém que não era homem de fé. E este homem, amando seu irmão como ele mesmo, mostra que ama a Deus de todo o coração e com toda a sua força – o Deus que ele não conhecia!  , e exprime ao mesmo tempo verdadeira religiosidade e plena humanidade.

Depois de dizer isso tão bonito parábola, Jesus fala novamente para o advogado que lhe perguntou: “Quem é o meu próximo?”, E diz-lhe: “Qual desses você acha que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos bandidos? “(v. 36). Desta forma, inverte a questão de seu interlocutor e também a lógica de todos nós. Faz-nos compreender que não somos nós que, de acordo com os nossos critérios, definimos quem é o próximo e quem não é, mas quem precisa ser capaz de reconhecer quem é o próximo, ou seja, “ quem teve compaixão dele“(V. 37). Ser capaz de ter compaixão: esta é a chave. Essa é a nossa chave. Se você não sente piedade diante de uma pessoa necessitada, se seu coração não está comovido, então algo está errado. Tenha cuidado, tenha cuidado. Não nos deixamos levar pela insensibilidade egoísta. A capacidade de compaixão tornou-se a pedra de toque do cristão, na verdade, do ensinamento de Jesus: o próprio Jesus é a compaixão do Pai para conosco. Se você descer a rua e ver um morador de rua deitado lá e passar sem olhar para ele ou pensar: “Mas, efeito do vinho. Ele é um bêbado “, perguntou não se o homem está bêbado, pergunte se oSeu coração não endureceu, se seu coração não se tornou gelo. Esta conclusão indica que a misericórdia para com uma vida humana em necessidade é a verdadeira face do amor. É assim que alguém se torna um verdadeiro discípulo de Jesus e o rosto do Pai se manifesta: “Sê misericordioso, como o teu Pai é misericordioso” ( Lc 6,36). E Deus, nosso Pai, é misericordioso, porque tem compaixão; ele é capaz de ter essa compaixão, de se aproximar de nossa dor, nosso pecado, nossos vícios, nossas misérias.

Que a Virgem Maria nos ajude a compreender e sobretudo a viver cada vez mais o vínculo inseparável que existe entre o amor a Deus nosso Pai e o amor concreto e generoso pelos nossos irmãos, e nos dar a graça de ter compaixão e crescer na compaixão.

[01218-IT.02] Texto original em Italiano

Depois do Ângelus

Caros irmãos e irmãs

mais uma vez desejo expressar minha proximidade ao amado povo venezuelano, particularmente tentado pela crise contínua. Oramos ao Senhor para inspirar e esclarecer as partes envolvidas, para que possam chegar a um acordo o mais rápido possível que ponha um fim ao sofrimento do povo para o bem do país e de toda a região.

Saúdo cordialmente todos vós, romanos e peregrinos da Itália e de várias partes do mundo: famílias, grupos paroquiais, associações.

Em particular, saúdo os jovens da diocese de Pamplona y Tudela, os do curso de formadores promovidos pelo “Regnum Christi”, as Irmãs da Sagrada Família de Nazaré, que celebram o Capítulo Geral, e os meninos da Confirmação de Bolonha (Bérgamo).

Eu envio uma saudação cordial aos fiéis poloneses, a você [indica os fiéis na praça] e àqueles que participam da anual Rádio Maria Peregrinação ao Santuário de Czestochowa. Saudamos todos os poloneses errantes.

E desejo a todos um bom domingo e, por favor, não se esqueça de orar por mim. Bom almoço e adeus!

[01219-IT.02] [Texto original: italiano]

Fonte: Santa Sé http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2019/07/14/0590/01218.html

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