Michel Hoguinelle

Novena de Natal; experiência da alegre espera do Salvador

As Novenas de Natal são uma bela experiência de pastoral popular no Brasil. Bem em sintonia com o tempo litúrgico do Advento, elas estimulam a conversão aos caminhos do Senhor, despertam para a espera vigilante e dispõem a acolher com alegria o Deus que veio, que vem continuamente e que ainda virá, conforme Jesus prometeu.

A Novena de Natal é um tempo especial dentro de outro tempo especial, como é o Advento. Todos os dias são marcados pela espera gozosa do nascimento de Nosso Senhor Jesus. Nos nove dias, a Igreja nos exorta a nos centrarmos mais no Senhor, olhando as atitudes de Maria e de José para aprendermos, com Ele, como se vive de acordo com a vontade do Pai.

Organize-se e reze a novena com seu grupo de novena ou com sua família, e viva essa experiência da alegre espera pelo Salvador.  Esse ano temos a alegria de estarmos unidos à Arquidiocese de Diamantina, que nos brindou com uma linda novena, cujo tema é: “Chamados à santidade, celebrando um santo Natal”.

Nós nos tornamos santos vivendo as bem-aventuranças, o caminho principal porque “contra a corrente” em relação à direção do mundo. O chamado à santidade é para todos, porque a Igreja sempre ensinou que é um chamado universal e possível a qualquer um, como demonstrado pelos muitos santos. A vida de santidade está assim intimamente ligada à vida de misericórdia, “a chave para o céu”. Portanto, santo é aquele que sabe comover-se e mover-se para ajudar os miseráveis e curar as misérias. Quem esquiva-se das “elucubrações” de velhas heresias sempre atuais e quem, entre outras coisas, em um mundo “acelerado” e agressivo “é capaz de viver com alegria e senso de humor.” Não é um “tratado”, mas um convite que a Igreja nos faz.

Que estes dias de preparação para o nascimento do Filho de Deus nos ajudem a preparar também nosso coração para que Ele nasça em cada um de nós e nos torne cada dia mais próximos à santidade tão desejada e não impossível.

 

Pela PASCOM DIOCESANA

Michel  Hoguinele

Falecimento do Pe. Elberth, da Arquidiocese de Diamantina

Nota de Falecimento – Padre Elberth Antônio Fernandes Tolentino
Plenamente confiantes na ressurreição em Cristo o arcebispo, Dom Darci José Nicioli e o clero da Arquidiocese de Diamantina se solidarizam com os familiares e amigos do padre Elberth Antônio Fernandes Tolentino , que faleceu no sábado, 01 de dezembro, em Diamantina (MG). O velório será realizado neste domingo, 02 de dezembro, na Basílica Sagrado coração de Jesus, em Diamantina. Missa de corpo presente, às 15h, presidida por Dom Darci, na Basílica, logo em seguida ocorrerá o sepultamento.

 

“Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá.” (João 11, 25-26)

Em entrevista, dom Manoel João Francisco fala sobre o significado e o sentido do tempo litúrgico

A Igreja através de sua experiência milenar encontrou maneiras de preparar suas festas principais. Por isto instituiu o Advento, como tempo propício de preparação, que antecede o Natal do Senhor. A palavra “Adventus”, do latim, era usada por ocasião da vinda de Jesus Cristo.

A liturgia da Igreja fala, durante o Advento, na preparação de duas vindas do Senhor: a primeira, acontecida com o nascimento de Jesus, em Belém, que é tornada presente no Natal. A segunda, celebrada como expectativa da vinda de Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Por ocasião deste tempo litúrgico, que este ano tem início no dia 02 de dezembro, o portal da CNBB entrevistou o bispo de Cornélio Procópio, no Paraná, dom Manoel João Francisco, que também é membro da Comissão Episcopal de Texto Litúrgicos da CNBB, a Cetel. Ele falou sobre o significado e sentido do tempo litúrgico, assim como sobre a cor litúrgica desse tempo.  Confira, abaixo, a entrevista na íntegra:

Dom Manoel, qual é o significado e o sentido litúrgico do Advento?

Advento como diz a palavra significa a vinda do Senhor ou também chegada do Senhor. O Advento nos lembra a memória da primeira vinda de Cristo na Terra e com isso nos preparamos para o Natal, mas também o Advento nos faz lembrar a segunda vinda. Fazendo memória da primeira vinda, nós nos preparamos para a segunda vinda do Senhor no final dos tempos, porque quando ele voltou para junto do Pai, ele prometeu que haveria de voltar e não nos disse nem o dia, nem a hora, mas que iria voltar; então nós precisamos estar preparados para essa segunda vinda, aliás as leituras e as orações desse período, principalmente as primeiras semanas do Advento colocam-nos nesse clima de vigilância, de oração, de expectativa da segunda vinda.

Também entre a primeira vinda, da qual nós temos memória e a segunda vinda para a qual nós nos preparamos existe várias vindas do Senhor, são vindas misteriosas, sacramentais. O Senhor se torna presente ou vem para nós através da sua Palavra, através de todos os sacramentos, especialmente da Eucaristia, através da pessoa dos irmãos e irmãs, de modo especial na pessoa dos necessitados, empobrecidos, excluídos, e nós só nos preparamos adequadamente para a segunda vinda na medida em que nós acolhamos o Senhor que vem nessas vindas misteriosas, nessas vindas sacramentais no nosso estar, na nossa vida presente, então esse é o sentido do advento: fazer memória da primeira vinda, nos preparar para a segunda vinda acolhendo o Senhor que vem agora de diversas formas.

Qual é a cor litúrgica desse tempo?

A cor é o roxo porque no Advento nós ficamos nessa expectativa e nos preparando para a segunda vinda que pede penitência e o roxo é sinal de penitência, mas uma penitência alegre, uma alegre expectativa digamos assim… E no terceiro domingo do Advento essa alegria se manisfesta de uma forma um pouco mais clara, e por isso que no terceiro domingo do Advento também é possível usar o paramento de cor rosa.

O Advento é um tempo penitencial?

É penitencial porque pede um pouco de penitência, sem dúvida, ao nos prepararmos. Pede conversão! A vida cristã inteira pede conversão e de uma forma toda especial durante a Quaresma, que é a preparação para a Páscoa, mas também no Advento esse pedido de conversão manifestado e por isso mesmo ele é penitencial, mas não tão penitencial quanto a Quaresma.

Fonte: CNBB/Disponível em: http://www.cnbb.org.br/em-entrevista-dom-manoel-joao-francisco-fala-sobre-o-significado-e-o-sentido-do-tempo-liturgico/

 

Cristo Rei: Fiéis são chamados a reconhecer o reinado de Deus sobre todos os povos

No calendário litúrgico, no último domingo de novembro, este ano dia 25, é celebrada a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, comumente conhecida como a Festa de Cristo Rei. O presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, dom Armando Bucciol explica que a origem da Festa coloca-se no tempo de Pio XI, no ano de 1925. À época, dom Armando afirma que a Europa estava passando por um período “difícil”, em meio ao crescimento do Nazismo e do Fascismo em boa parte dos países.

Neste contexto, onde cada vez mais os ditadores queriam mandar no povo, dom Armando salienta que o papa Pio XI institui a Festa de Cristo Rei, por meio da Encíclica Quas Primas. “O papa com o intuito profundo afirmou que não são os grandes da Terra que dominam, não são eles que dirigem os povos, é Jesus Cristo”, afirmou o bispo. Originalmente, a Festa foi estabelecida para o último domingo de outubro, antes da Festa de Todos os Santos. No ano de 1926, quando foi celebrada pela primeira vez, esse domingo caiu para o dia 31 de outubro.

No entanto, foi o papa Paulo VI que deu à festa seu atual título completo, o de Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, transferindo a data para o último domingo do ano litúrgico. Segundo dom Armando, do ponto de vista litúrgico, espiritual e eclesial foi uma boa intuição ter colocado a festa como conclusão do ano litúrgico e síntese de uma caminhada.

As origens do reconhecimento do reinado de Cristo podem ser encontradas no próprio evangelho. Em um importante diálogo com Pilatos, durante seu juízo, dom Armando salienta que Cristo afirma o seu reinado. “Pilatos o pergunta se ele é rei, e então Cristo responde que é, e por isso tinha vindo ao mundo, para dar testemunho da verdade”, diz dom Armando.

Dom Armando salienta também o fato de que nos três anos do ciclo de leituras que a liturgia hoje tem, destaca-se um cristo que é rei, morrendo na cruz. “Portanto, o Cristo Rei é um rei que doou a sua vida por amor, é um Deus que se faz humano e que, sim, nós o honramos como rei, mas não à maneira dos dominadores, dos grandes da Terra”, completou o bispo.

Ainda de acordo com dom Armando, a Festa em si não é para exaltar um Deus poderoso, mas um Cristo cujo poder é o de um Cristo que lava os pés de seus discípulos e que diz: “Como eu fiz, faça vocês!”. “Podemos acrescentar que a maneira de Cristo reinar é uma contestação não só na sociedade, mas na Igreja. O poder é serviço, você é grande quanto mais se abaixa para servir por amor, e com amor”, finaliza dom Armando.

Fonte: http://www.cnbb.org.br/cristo-rei-fieis-sao-chamados-a-reconhecer-o-reinado-de-deus-sobre-todos-os-povos/

Festa da Imaculada Conceição em Conceição do Mato Dentro

A Diocese de Guanhães e Paróquia Nossa Senhora da Conceição, estão prestes a reabrirem as portas de um de seus maiores tesouros culturais. Fechada há 12 anos pra restauro, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição,com mais de 300 anos, será reaberta em dezembro desse ano. A programação precede da novena à Padroeira da cidade e da paróquia que se estende de 29 de novembro à 08 de dezembro, auge da festa. É uma alegria pra todos os paroquianos e ao mesmo tempo pra toda a diocese, pelo restauro dessa importante igreja cultural.

Regional Leste II manifesta apoio ao Papa Francisco

Amado Papa Francisco,

Reunidos em Assembleia Pastoral do Regional Leste II da CNBB, os Arcebispos, Bispos, Presbíteros e Cristãos Leigos e Leigas, representantes das 32 (Arqui)Dioceses dos Estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, desejamos manifestar à Vossa Santidade viva comunhão fraterna e amor filial, de maneira especial neste momento em que nos reunimos para refletir sobre o tema “Uma Igreja em Saída frente aos desafios e esperanças do mundo urbano”. À luz da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja, almejamos dar passos sempre renovados e corajosos na ação evangelizadora de nossa sociedade, em tempos de mudança de época, percorrendo caminhos de santificação, como Vossa Santidade nos convidou na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate.

Expressamos à Vossa Santidade nossa plena solidariedade nesta ocasião em que provações e desafios atingem sua digna Pessoa e a Igreja de Cristo. Estamos convencidos que tal situação, embora dolorosa, faz parte do ministério dos verdadeiros e autênticos apóstolos, como já nos havia prevenido o Senhor, quando disse: “Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 10-11).

O próprio São Paulo, por sua vez, depois de enfrentar tantas expressões de verdadeiro e continuado martírio em sua missão, pôde dizer aos Romanos: “Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada? Em tudo isso somos mais que vencedores, graças Àquele que nos amou” (Rom 8, 35-37).

Queremos afirmar que temos acolhido fraternalmente seus pedidos de oração por toda a Igreja, incluindo a divulgação do Rosário, com as orações do Sub Tuum Praesidium e de São Miguel Arcanjo, certos de que Deus, com seu poder e sua misericórdia, afugentará a ação do maligno contra a Igreja e seus legítimos ministros.

Felicitamos Vossa Santidade pelo feliz pastoreio que vem realizando, como Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, Vigário de Cristo na Terra, sinal e garantidor da unidade eclesial. Agradecemos pelas Encíclicas, Exortações Apostólicas e tantos outros textos, inclusive suas breves e sábias homilias da Casa Santa Marta, bem como pelo Ano da Misericórdia, o recente Sínodo sobre a Juventude, o Sínodo da Amazônia, o Mês Missionário Extraordinário e tantas outras iniciativas que têm enriquecido imensamente seu Pontificado. Tudo isso ficará registrado nos anais da história eclesiástica deste período marcado por cruzes, mas também por tantos sinais de ressurreição e vitória.

Suplicamos à Virgem Maria, Mãe da Igreja, que interceda continuamente em favor de Vossa Santidade e do Povo de Deus em Marcha sob seus cuidados na busca permanente do Reino definitivo.

Em nome dos irmãos reunidos em Assembleia, assina a presidência.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo Metropolitano de Uberaba (MG) e Presidente do Regional Leste 2 da CNBB

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias
Bispo Diocesano de Colatina (ES) e Vice-Presidente do Regional Leste 2 da CNBB

Dom José Carlos de Souza Campos
Bispo Diocesano de Divinópolis (MG) e
Secretário do Regional Leste 2 da CNBB

II Dia Mundial dos Pobres

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O II DIA MUNDIAL DOS POBRES

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
(18 DE NOVEMBRO DE 2018)

«Este pobre clama e o Senhor o escuta»

1. «Este pobre clama e o Senhor o escuta» (Sal 34, 7). Façamos também nossas estas palavras do Salmista, quando nos vemos confrontados com as mais variadas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs, que nos habituamos a designar com o termo genérico de «pobres». O autor de tais palavras não é alheio a esta condição; antes pelo contrário, experimenta diretamente a pobreza e, todavia, transforma-a num cântico de louvor e agradecimento ao Senhor. Hoje, este Salmo permite-nos também a nós, rodeados por tantas formas de pobreza, compreender quem são os verdadeiros pobres para os quais somos chamados a dirigir o olhar a fim de escutar o seu clamor e reconhecer as suas necessidades.

Nele se diz, antes de mais nada, que o Senhor escuta os pobres que clamam por Ele e é bom para quantos, de coração dilacerado pela tristeza, a solidão e a exclusão, n’Ele procuram refúgio. Escuta todos os que são espezinhados na sua dignidade e, apesar disso, têm a força de levantar o olhar para o Alto a fim de receber luz e conforto. Escuta os que se veem perseguidos em nome duma falsa justiça, oprimidos por políticas indignas deste nome e intimidados pela violência; e contudo sabem que têm em Deus o seu Salvador. O primeiro elemento que sobressai nesta oração é o sentimento de abandono e confiança num Pai que escuta e acolhe. Sintonizados com estas palavras, podemos compreender mais profundamente aquilo que Jesus proclamou com a bem-aventurança «felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3).

Entretanto devido ao caráter único desta experiência, sob muitos aspetos imerecida e impossível de se expressar plenamente, sente-se o desejo de a comunicar a outros, a começar pelos que são – como o Salmista – pobres, rejeitados e marginalizados. De facto, ninguém se pode sentir excluído do amor do Pai, sobretudo num mundo onde frequentemente se eleva a riqueza ao nível de primeiro objetivo e faz com que as pessoas se fechem em si mesmas.

2. O Salmo carateriza a atitude do pobre e a sua relação com Deus, por meio de três verbos. O primeiro: «clamar». A condição de pobreza não se esgota numa palavra, mas torna-se um brado que atravessa os céus e chega a Deus. Que exprime o brado dos pobres senão o seu sofrimento e solidão, a sua desilusão e esperança? Podemos interrogar-nos: como é possível que este brado, que sobe à presença de Deus, não consiga chegar aos nossos ouvidos e nos deixe indiferentes e impassíveis? Num Dia como este, somos chamados a fazer um sério exame de consciência para compreender se somos verdadeiramente capazes de escutar os pobres.

Necessitamos da escuta silenciosa para reconhecer a sua voz. Se nós falarmos demasiado, não conseguiremos escutá-los a eles. Muitas vezes, temo que tantas iniciativas, apesar de meritórias e necessárias, visem mais comprazer-nos a nós mesmos do que acolher verdadeiramente o clamor do pobre. Se assim for, na hora em que os pobres fazem ouvir o seu brado, a reação não é coerente, não é capaz de sintonizar com a condição deles. Vive-se tão encurralado numa cultura do indivíduo obrigado a olhar-se ao espelho e a cuidar exageradamente de si mesmo, que se considera suficiente um gesto de altruísmo para ficar satisfeito, sem se comprometer diretamente.

3. Um segundo verbo é «responder». O Salmista diz que o Senhor não só escuta o clamor do pobre, mas também responde. A sua resposta – como atesta toda a história da salvação – é uma intervenção cheia de amor na condição do pobre. Foi assim, quando Abraão expressara a Deus o seu desejo de possuir uma descendência, apesar de ele e a esposa Sara, já idosos, não terem filhos (cf.Gn 15, 1-6). O mesmo aconteceu quando Moisés, do fogo duma sarça que ardia sem se consumir, recebeu a revelação do nome divino e a missão de fazer sair o povo do Egito (cf. Ex 3, 1-15). E esta resposta confirmou-se ao longo de todo o caminho do povo pelo deserto: tanto quando sentia os apertos da fome e da sede (cf. Ex 16, 1-16; 17, 1-7), como quando caía na miséria pior, ou seja, na infidelidade à aliança e na idolatria (cf. Ex 32, 1-14).

A resposta de Deus ao pobre é sempre uma intervenção salvadora para cuidar das feridas da alma e do corpo, repor a justiça e ajudar a retomar a vida com dignidade. A resposta de Deus é também um apelo para que toda a pessoa que acredita n’Ele possa, dentro dos limites humanos, fazer o mesmo. O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta, dirigida pela Igreja inteira dispersa por todo o mundo, aos pobres de todo o género e de todo o lugar a fim de não pensarem que o seu clamor caíra em saco roto. Provavelmente, é como uma gota de água no deserto da pobreza; e contudo pode ser um sinal de solidariedade para quantos passam necessidade a fim de sentirem a presença ativa dum irmão ou duma irmã. Não é de um ato de delegação que os pobres precisam, mas do envolvimento pessoal de quantos escutam o seu brado. A solicitude dos crentes não pode limitar-se a uma forma de assistência – embora necessária e providencial num primeiro momento –, mas requer aquela «atenção amiga» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 199) que aprecia o outro como pessoa e procura o seu bem.

4. O terceiro verbo é «libertar». O pobre da Bíblia vive com a certeza de que Deus intervém em seu favor para lhe devolver dignidade. A pobreza não é procurada, mas criada pelo egoísmo, a soberba, a avidez e a injustiça: males tão antigos como o homem, mas sempre pecados são, acabando enredados neles tantos inocentes com dramáticas consequências sociais. A ação libertadora do Senhor é um ato de salvação em prol de quantos Lhe manifestaram a sua aflição e angústia. As amarras da pobreza são quebradas pelo poder da intervenção de Deus. Muitos Salmos narram e celebram esta história da salvação, que se verifica na vida pessoal do pobre: «Ele não desprezou nem desdenhou a aflição do pobre, nem desviou dele a sua face; mas ouviu-o, quando Lhe pediu socorro» (Sal 22, 25). Poder contemplar a face de Deus é sinal da sua amizade, da sua proximidade, da sua salvação. «Viste a minha miséria e conheceste a angústia da minha alma; (…) deste aos meus pés um caminho espaçoso» (Sal 31, 8b.9). Dar ao pobre um «caminho espaçoso» equivale a libertá-lo da «armadilha do caçador» (cf. Sal 91, 3), a tirá-lo da armadilha montada no seu caminho, para poder caminhar sem impedimentos e olhar serenamente a vida. A salvação de Deus toma a forma duma mão estendida ao pobre, que oferece acolhimento, protege e permite sentir a amizade de que necessita. É a partir desta proximidade concreta e palpável que tem início um genuíno percurso de libertação: «Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo» (Evangelii gaudium, 187).

5. Não cessa de comover-me o caso – referido pelo evangelista Marcos (cf. 10, 46-52) – de Bartimeu, na pessoa de quem vejo identificados tantos pobres. O cego Bartimeu era um mendigo, que «estava sentado à beira do caminho» (10, 46); tendo ouvido dizer que ia a passar Jesus, «começou a gritar» e a invocar o «Filho de David» para que tivesse piedade dele (cf. 10, 47). «Muitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais» (10, 48). O Filho de Deus escutou o seu brado e «perguntou-lhe: “Que queres que te faça?” “Mestre, que eu veja!” – respondeu o cego» (10, 51). Esta página do Evangelho torna visível aquilo que o Salmo anunciava como promessa. Bartimeu é um pobre que se encontra desprovido de capacidades fundamentais, como o ver e o poder trabalhar. Também hoje não faltam percursos que levam a formas de precariedade. A falta de meios basilares de subsistência, a marginalização quando já não se está na plenitude das próprias forças laborais, as diversas formas de escravidão social, apesar dos progressos realizados pela humanidade… Como Bartimeu, quantos pobres há hoje à beira da estrada e procuram um significado para a sua condição! Quantos se interrogam acerca dos motivos por que chegaram ao fundo deste abismo e sobre o modo como sair dele! Esperam que alguém se aproxime deles, dizendo: «Coragem, levanta-te que Ele chama-te» (10, 49).

Com frequência, infelizmente, verifica-se o contrário: as vozes que se ouvem são de repreensão e convite a estar calados e a sofrer. São vozes desafinadas, muitas vezes regidas por uma fobia para com os pobres, considerados como pessoas não apenas indigentes, mas também portadoras de insegurança, instabilidade, extravio dos costumes da vida diária e, consequentemente, pessoas que devem ser repelidas e mantidas ao longe. Tende-se a criar distância entre nós e eles, não nos dando conta de que, assim, acabamos distantes do Senhor Jesus, que não os afasta mas chama-os a Si e consola-os. Como soam apropriadas a este caso as palavras do profeta relativas ao estilo de vida do crente: «libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus» (Is 58, 6-7). Este modo de agir faz com que o pecado seja perdoado (cf. 1 Ped 4, 8), a justiça percorra a sua estrada e, quando formos nós a clamar pelo Senhor, Ele nos responda dizendo: Aqui estou! (cf. Is 58, 9).

6. Os primeiros habilitados a reconhecer a presença de Deus e a dar testemunho da sua proximidade à própria vida são os pobres. Deus permanece fiel à sua promessa e, mesmo na escuridão da noite, não deixa faltar o calor do seu amor e da sua consolação. Contudo, para superar a opressiva condição de pobreza, é necessário aperceber-se da presença de irmãos e irmãs que se ocupem deles e que, abrindo a porta do coração e da vida, lhes façam sentir benvindos como amigos e familiares. Somente deste modo podemos descobrir «a força salvífica das suas vidas» e «colocá-los no centro do caminho da Igreja» (Evangelii gaudium, 198).

Neste Dia Mundial, somos convidados a tornar concretas as palavras do Salmo: «Os pobres comerão e serão saciados» (Sal 22, 27). Sabemos que no templo de Jerusalém, depois do rito do sacrifício, tinha lugar o banquete. Esta foi uma experiência que, no ano passado, enriqueceu a celebração do primeiro Dia Mundial dos Pobres, em muitas dioceses. Muitos encontraram o calor duma casa, a alegria duma refeição festiva e a solidariedade de quantos quiseram compartilhar a mesa de forma simples e fraterna. Gostaria que, também neste ano e para o futuro, este Dia fosse celebrado sob o signo da alegria pela reencontrada capacidade de estar juntos. Rezar juntos em comunidade e compartilhar a refeição no dia de domingo é uma experiência que nos leva de volta à primitiva comunidade cristã, que o evangelista Lucas descreve em toda a sua originalidade e simplicidade: «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações. (…) Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 42.44-45).

7. Inúmeras são as iniciativas que a comunidade cristã empreende para dar um sinal de proximidade e alívio às muitas formas de pobreza que estão diante dos nossos olhos. Muitas vezes, a colaboração com outras realidades, que se movem impelidas não pela fé mas pela solidariedade humana, consegue prestar uma ajuda que, sozinhos, não poderíamos realizar. O facto de reconhecer que, no mundo imenso da pobreza, a nossa própria intervenção é limitada, frágil e insuficiente leva a estender as mãos aos outros, para que a mútua colaboração possa alcançar o objetivo de maneira mais eficaz. Somos movidos pela fé e pelo imperativo da caridade, mas sabemos reconhecer outras formas de ajuda e solidariedade que se propõem, em parte, os mesmos objetivos; desde que não transcuremos aquilo que nos é próprio, ou seja, conduzir todos a Deus e à santidade. Uma resposta adequada e plenamente evangélica, que podemos realizar, é o diálogo entre as diversas experiências e a humildade de prestar a nossa colaboração, sem qualquer espécie de protagonismo.

À vista dos pobres, não se perca tempo a lutar pela primazia da intervenção, mas reconheçamos humildemente que é o Espírito quem suscita gestos que sejam sinal da resposta e da proximidade de Deus. Quando encontramos o modo para nos aproximar dos pobres, saibamos que a primazia compete a Ele que abriu os nossos olhos e o nosso coração à conversão. Não é de protagonismo que os pobres têm necessidade, mas de amor que sabe esconder-se e esquecer o bem realizado. Os verdadeiros protagonistas são o Senhor e os pobres. Quem se coloca ao serviço é instrumento nas mãos de Deus, para fazer reconhecer a sua presença e a sua salvação. Recorda-o São Paulo quando escreve aos cristãos de Corinto, que competiam entre eles a propósito dos carismas procurando os mais prestigiosos: «Não pode o olho dizer à mão: “Não tenho necessidade de ti”; nem tão pouco a cabeça dizer aos pés: “Não tenho necessidade de vós”» (1 Cor 12, 21). Depois, o Apóstolo faz uma consideração importante, observando que os membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários (cf. 12, 22) e, «aqueles que parecem ser os menos honrosos do corpo, a esses rodeamos de maior honra e, aqueles que são menos decentes, nós os tratamos com mais decoro; os que são decentes, não têm necessidade disso» (12, 23-24). Ao mesmo tempo que dá um ensinamento fundamental sobre os carismas, Paulo educa também a comunidade para a conduta evangélica com os seus membros mais fracos e necessitados. Longe dos discípulos de Cristo sentimentos de desprezo e de pietismo para com eles; antes, são chamados a honrá-los, a dar-lhes a precedência, convictos de que eles são uma presença real de Jesus no meio de nós. «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

8. Por isto se compreende quão distante esteja o nosso modo de viver do modo de viver do mundo, que louva, segue e imita aqueles que têm poder e riqueza, enquanto marginaliza os pobres considerando-os um descarte e uma vergonha. As palavras do Apóstolo são um convite a dar plenitude evangélica à solidariedade com os membros mais fracos e menos dotados do corpo de Cristo: «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26). Na mesma linha, nos exorta ele na Carta aos Romanos: «Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros; não vos preocupeis com as grandezas, mas entregai-vos ao que é humilde» (12, 15-16). Esta é a vocação do discípulo de Cristo; o ideal para o qual se deve tender constantemente é assimilar cada vez mais em nós «os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus» (Flp 2, 5).

9. Uma palavra de esperança torna-se o epílogo natural para onde nos encaminha a fé. Muitas vezes, são precisamente os pobres que põem em crise a nossa indiferença, filha duma visão da vida, demasiado imanente e ligada ao presente. O clamor do pobre é também um brado de esperança com que manifesta a certeza de ser libertado; esperança fundada no amor de Deus, que não abandona quem a Ele se entrega (cf. Rm 8, 31-39). Santa Teresa de Ávila deixara escrito no seu Caminho de Perfeição: «A pobreza é um bem que encerra em si todos os bens do mundo; assegura-nos um grande domínio; quero dizer que nos torna senhores de todos os bens terrenos, uma vez que nos leva a desprezá-los» (2, 5). Na medida em que somos capazes de discernir o verdadeiro bem é que nos tornamos ricos diante de Deus e sábios diante de nós mesmos e dos outros. É mesmo assim: na medida em que se consegue dar à riqueza o seu justo e verdadeiro significado, cresce-se em humanidade e torna-se capaz de partilha.

10. Convido os irmãos bispos, os sacerdotes e de modo particular os diáconos, a quem foram impostas as mãos para o serviço dos pobres (cf. At 6, 1-7), juntamente com as pessoas consagradas e tantos leigos e leigas que, nas paróquias, associações e movimentos, tornam palpável a resposta da Igreja ao clamor dos pobres, a viver este Dia Mundial como um momento privilegiado de nova evangelização. Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair em saco roto esta oportunidade de graça. Neste dia, sintamo-nos todos devedores para com eles, a fim de que, estendendo reciprocamente as mãos uns para os outros, se realize o encontro salvífico que sustenta a fé, torna concreta a caridade e habilita a esperança a prosseguir segura no caminho rumo ao Senhor que vem.

Vaticano, na Memória litúrgica de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2018.

Francisco

Advento – o que cantar?

Sempre que se vai mudar o tempo litúrgico eu imagino, e quero imaginar, que os senhores e senhoras ministros de música litúrgica, que cantam nas missas, ja estão inteirados das informações sobre aquele determinado tempo que a Igreja vai viver, para que se preparem adequadamente e cantem a liturgia, e não na liturgia. Estamos nos aproximando do tempo do Advento e o que o ministro de música deve saber sobre este tempo, como deve se preparar para vivê-lo bem?

Para responder a esta pergunta, comecemos com o recordar que a liturgia é uma ação ritual que nos permite celebrar na fé a Aliança que Deus estabeleceu com seu povo. Esta ação litúrgica, expressão sensível do mistério de Deus e do Seu amor por todos os homens, toma forma através de gestos ligados à nossa vida de homens e mulheres de hoje. Alguns gestos “profanos”, entre os quais o ato de cantar, são então colocados à parte. Estes se tornam sagrados, porque, no quadro ritual da liturgia, exprimem mais que si mesmo: permitem dizer a profundidade das implicações da celebração litúrgica. Estes gestos se tornam a expressão sensível da fé cristã. Por meio destes, temos acesso a Deus.

A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como pode-se deduzir da própria palavra advento que origina-se do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória. Por isso, não se canta no Advento o “Glória”, mas diferentemente do tempo da Quaresma se pode cantar o Aleluia.

Toda a liturgia do Advento é apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do cristão: a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza. Somente na vivência profunda destes elementos, o nascimento de Cristo terá um sentido profundo em nossa vida e não uma simples lembrança histórica. A esperança da Igreja, portanto a nossa esperança, é a mesma de Israel , mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade , fixa-se com esperança mais segura no cumprimento final, a vinda gloriosa do Senhor:

“Maranatha: vem, Senhor Jesus!”. É o grito e o suspiro de toda a Igreja e de cada um de nós, em seu peregrinar terreno ao encontro definitivo do Senhor. O mistério de Deus é o mais importante. E mais: cantem e toquem músicas que “batem” realmente com a ação litúrgica que se realiza e com o momento (e época) da celebração. Não é qualquer música, só porque é “bonita”… Como diz o Concílio, tem que ser música que esteja “intimamente ligada com a ação que se realiza”. E ainda, dentro do princípio de que a música deve estar intimamente ligada à ação litúrgica, quando termina a ação, cessa também a música.

Sugestões de Cânticos Litúrgicos: 

Sendo assim, como forma de preparação litúrgico-musical, apresentamos aqui, para o tempo do advento, que se inicia em breve, algumas sugestões de cânticos para auxiliar na espiritualidade e vivência desse tempo rico de significados,  e expectativa da espera de Cristo.

Clique e baixe a pasta com as sugestões:

Cânticos para o Advento

 

Advento – Espiritualidade e liturgia

A Igreja celebra a ação de Cristo através das ações litúrgicas envolvidas no cotidiano das pessoas. Essas ações se desenvolvem dentro dos tempos litúrgicos, que por sua vez fazem parte do Ano Litúrgico.

O Ano litúrgico é composto dos seguintes tempos: Advento, Natal, Tempo Comum (primeira e segunda parte), Quaresma, Páscoa. Dentro destes períodos celebramos ainda a figura da Virgem Maria e dos Santos e Santas.

O Advento é o primeiro tempo. Ele abre as portas deste belo itinerário litúrgico o qual somos convidados a percorrer. Vem do Latim Adventus, que significa Chegada, Vinda, Aquele que há de vir.

Somos envolvidos por uma grande expectativa pela vinda de Jesus. Um casal que espera a vinda de um filho sabe muito bem o que significa isto. A notícia, a alegria, os preparativos até que o Tempo se completa.

Na experiência de nossa fé, envolvidos por estes sentimentos celebramos a vinda de “Jesus Cristo no tempo e na história dos homens para trazer-lhes a salvação”.

A espera pela vinda de Jesus, desperta em nós a busca por atitudes espirituais. Não se trata de um tempo em que somos bombardeados pela sociedade que desperta o desejo pelo consumismo. É preciso alimentar a fé, perseverar na oração, preparar o coração com o sacramento da Penitência (confissão sacramental).

Alguns elementos sensíveis da liturgia aparecem em nossas comunidades como força que comunicam essa proximidade de Deus, entre os principais se destaca a coroa do Advento, constituída de quatro velas, reforçam a importância de uma comunidade que caminha na vigilância, com o desejo de conversão, na esperança e com alegria ao encontro da grande Luz, que é Jesus Cristo.

“O tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”

O Tempo do Advento envolve-se também de duas características: “sendo um tempo de preparação para as Solenidades do Natal, em que comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.

O Tempo do Advento envolve-se também de duas características: “sendo um tempo de preparação para as Solenidades do Natal, em que comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.

O Advento deste ano, abre-nos o ciclo litúrgico C, no qual, acompanharemos de modo particular os escritos do evangelista Lucas. Temos ainda duas celebrações Marianas importantes, Solenidade da Imaculada Conceição, em 8 de Dezembro e a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América Latina, no dia 12.  Destaca-se ainda o terceiro domingo, como o Domingo da Alegria, (do latim Gaudete). Nesta ocasião permite-se o uso de paramentos Róseo.

Por se tratar de um tempo de expectativa, não podemos antecipar a alegria do Natal, assim, neste período, os instrumentos musicais devem ser tocados com moderação, omite-se o Hino de Louvor (Glória), bem como a ornamentação do altar, evitando assim a ostentação.

As três figuras bíblicas do Advento

Na perspectiva bíblica, os textos proclamados nas celebrações deste Tempo apresentam-nos algumas personagens que trazem em si o sentido desta expectativa, são eles: Isaías, João Batista e a Virgem Maria.

 O profeta Isaías – representa o povo da promessa, Israel

  • A Igreja, novo povo de Deus, une-se ao povo eleito na “expectação”.
    ● Isaías convoca o novo povo de Deus a colocar-se em atitude de espera e de preparação para o Reino messiânico.

João Batista – 2º domingo

  • É o profeta que faz a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.
    ● Anuncia a vinda do Messias e o mostra presente entre os homens.
    ● É o que batiza o Messias e o que testemunha a justiça e a verdade.
    ● Ele próprio é o testemunho de conversão e penitência.
    ● Convoca à conversão para receberem o Messias e para se preparar ao juízo final.

A Virgem Maria, Nossa Senhora da Expectação – 4º dom.

  • Maria já está grávida do Salvador. Ele já está presente, já se manifesta em Maria e por Maria, mas não totalmente.
    ● Ele ainda precisa nascer, ainda precisa de um “lugar”.
    ● Jesus deseja nascer em cada coração humano. Deseja que cada pessoa se torne “mãe” do Senhor.
    ● Torna-se “mãe”, a exemplo de Maria, quem acolhe sua palavra e a põe em prática (S. Francisco).

A Coroa de Advento

 Desde a sua origem a Coroa de Advento possui um sentido especificamente religioso e cristão: anunciar a chegada do Natal sobretudo às crianças, preparar-se para a celebração do Santo Natal, suscitar a oração em comum, mostrar que Jesus Cristo é a verdadeira luz, o Deus da Vida que nasce para a vida do mundo. O lugar mais natural para o seu uso é família.

Além da coroa como tal com as velas, é uso antigo pendurar uma coroa (guirlanda), neste caso sem velas, na porta da casa. Em geral laços vermelhos substituem as velas indicando os quatro pontos cardeais. Entrou também nas igrejas em formas e lugares diferentes, em geral junto ao ambão. Cada domingo do Advento se acende uma vela. Hoje está presente em escolas, hotéis, casas de comércio, nas ruas e nas praças. Tornou-se mesmo enfeite natalino. Já não se pode pensar em tempo de Advento sem a coroa com suas quatro velas.

Simbolismo da Coroa de Advento 

Pelo fato de se tratar de uma linguagem simbólica, a Coroa de Advento e seus elementos podem ser interpretados de diversas formas. Desde a sua origem ela possui um forte apelo de compromisso social, de promoção das pessoas pobres e marginalizadas. Trata-se de acolher e cuidar da vida onde quer que ela esteja ameaçada. Podemos dizer que a Coroa de Advento constitui um hino à natureza que se renova, à luz que vence as trevas, um hino a Cristo, a verdadeira luz, que vem para vencer as trevas do mal e da morte. É, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.

A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos.

O Círculo

A coroa tem a forma de círculo, símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história. O círculo indica o sol no seu ciclo anual, sua plenitude sem jamais se esgotar, gerando a vida. Para os cristãos este sol é símbolo de Cristo.

Desde a Antiguidade, a coroa é símbolo de vitória e do prêmio pela vitória. Lembremos a coroa de louros, a coroa de ramos de oliveira, com a qual são coroados os atletas vitoriosos nos jogos olímpicos.

Os ramos verdes

Os ramos verdes que enfeitam o círculo constumam ser de abeto ou de pinus, de ciprestes. É símbolo nórdico. Não perdem as folhas no inverno. É, pois, sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte.

Para nós no Brasil este elemento é um tanto artificial e, por isso, problemático, menos significativo, visto que celebramos o Natal no início do verão e com isso não vivenciamos esta mudança da renovação da natureza. Por isso, a tendência de se substituir o verde por outros elementos ornamentais do círculo: frutos da terra, sementes, flores, raízes, nozes, espigas de trigo.

Para ornar a coroa usam-se também laços de fitas vermelhas ou rosas, símbolo do amor de Jesus Cristo que se torna homem, símbolo da sua vitória sobre a morte através da sua entrega por amor.

Deste modo, nas guirlandas penduradas nas portas das casas, os laços ocupam o lugar das velas.

Lembram os pontos cardeais, a cruz de Cristo, que irradia a luz da salvação ao mundo inteiro.

As velas

As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento, as quatro fases da História da Salvação preparando a vinda do Salvador, os quatro pontos cardeais, a Cruz de Cristo, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas. O ato de acender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas.Originariamente, a velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento.

O roxo, para indicar a penitência, a conversão a Deus e o rosa como sinal de alegria pelo próximo nascimento de Jesus, usada no 3º domingo do Advento, chamado de Domingo “Gaudete” (Alegrai-vos).

Existem diferentes tradições sobre os significados das velas. Uma bastante difundida:

  • a primeira vela é do profeta;
  • a segunda vela é de Belém;
  • a terceira vela é dos pastores;
  • a quarta vela é dos anjos.

Outra tradição vê nas quatro velas as grandes fases da História da Salvação até a chegada de Cristo. Assim:

  • a primeira é a vela do perdão concedido a Adão e Eva, que de mortais se tornarão seres viventes em Deus;
  • a segunda é a vela da fé dos patriarcas que creem na promessa da Terra Prometida;
  • a terceira é a vela da alegria de Davi pela sua descendência;
  • a quarta é a vela do ensinamento dos profetas que anunciam a justiça e a paz.

Nesta perspectiva podemos ver nas quatro velas as vindas ou visitas de Deus na história, preparando sua visita ou vinda definitiva no seu Filho Encarnado, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo:

  • o tempo da criação: de Adão e Eva até Noé;
  • o tempo dos patriarcas;
  • o tempo dos reis;
  • o tempo dos profetas.
Referencias
– Artigo do Padre Kleber Rodrigues da Silva  – Membro da Comissão de Liturgia do Regional Sul 1 – CNBB
– BECKHÄUSER, Frei Alberto, Coroa de Advento – história, simbolismo e celebrações, Vozes, 2006.

 

Paróquia de Materlândia, convida para o congresso: “Alinhados com o Reino dos Céus”.

A Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Materlândia promove a 1° conferência “Alinhados com o Reino dos Céus”, a realizar- se dia 25 de novembro de 2018, das 8h às 19h.
Trata-se de um evento que promete levar os participantes,  a níveis mais profundos de experiência com Cristo, e a partir da mesma,  alinhar o caminho dos jovens ao caminho do Reino.
O evento busca proporcionar momentos de edificação e contro com Deus;  (ORAÇÃO ESPONTÂNEA, LOUVOR, PREGAÇÃO DA PALAVRA).
Serão momentos,  onde os participantes confirmarão o Amor de Deus; inabalável e incansável a nós. Nossa vida será preenchida pela presença e manifestação de Deus.
Presença confirmada de: Adilson Nogueira (RCC Guanhães), Ministério de Louvor, Elton Pimentel (Comunidade Deus Existe), Pe. José Adriano e Ministério Dança e Artes (IEMP Materlândia). 
Se prepare para esse agir de Deus, para ser alinhado ao Reino dos Céus. Faça a sua parte, compareça, participe, envolva-se!
Para participar é preciso fazer sua inscrição na secretaria paroquial, com investimento de 10,00.
Informações:  
(33) 34271159 ou (33) 9 9925277

 

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