Michel Hoguinelle

Homilia do Papa na Benção Urbi et Orbi

Momento extraordinário de oração presidido pelo Santo Padre na praça da da Basílica de São Pedro.

Esta tarde, às 18 horas, na praça da Basílica de São Pedro, o Santo Padre Francisco presidiu um momento extraordinário de oração em tempos de pandemia com a Adoração ao Santíssimo Sacramento, que se abriu com a escuta da Palavra de Deus. A imagem do Salus Populi Romani e do Crucifixo de San Marcello foram colocadas perto do portão central da Basílica do Vaticano . O Pontífice afirmou que é “diante do sofrimento que se mede o verdadeiro desenvolvimento dos povos”. Francisco falou ainda da ilusão de pensar “que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente”.  No final da celebração, o Papa transmitiu a bênção “Urbi et Orbi”, com a possibilidade de receber a indulgência plenária.

Publicamos abaixo a homilia que o Santo Padre pronunciou depois de ouvir a Palavra de Deus:

«Ao entardecer…» (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos.

Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro… E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir). Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (4, 38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: «Não te importas de mim». É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De facto, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados.

A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.

Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: «Convertei-vos…». «Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.

O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança.

Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: «Não tenhais medo!» (Mt 14, 27). E nós, juntamente com Pedro, «confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós» (cf. 1 Ped 5, 7).

Texto original: Italiano

Fonte: http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2020/03/27/0188/00417.html#po

Benção Urbi et Orbi

A expressão latina “Urbi et Orbi” significa “à cidade [de Roma] e ao mundo”. Esse é o nome dado à bênção pronunciada pelo Papa, na sacada central da Basílica São Pedro, em três ocasiões.

Todos os anos, o rito é celebrado no dia de Natal e no dia da Páscoa, as maiores festas cristãs. Além dessas datas, a bênção é concedida no dia da eleição de um novo Papa, logo após o resultado do Conclave.

No dia 27 de março de 2020, o Santo Padre, o papa Francisco, dará uma Bênção Urbi et Orbi extraordinária, com a Praça de São Pedro vazia. Essa decisão foi tomada devido à atual pandemia de Covid -19, para permitir que as pessoas que acompanham pelos meios de comunicação possam lucrar a indulgência Plenária.

O Santo Padre dirigirá um momento de oração no átrio da Basílica de São Pedro, às 18h (horário de Roma) e 14h (horário de Brasília), depois de rezar com a Palavra de Deus e Adoração ao Santíssimo Sacramento, o Papa concederá a Bênção Urbi et Orbi extraordinária.

Presidirei um momento de oração no átrio da Basílica de São Pedro, com a Praça vazia. Desde já, convido todos a participarem espiritualmente através dos meios de comunicação. Ouviremos a Palavra de Deus, elevaremos a nossa súplica, adoraremos o Santíssimo Sacramento, com o qual, ao término, darei a Bênção Urbi et Orbi à qual será unida a possibilidade de receber indulgência plenária“, afirmou o Papa.

Assim, o Pontífice também explicou: “Queremos responder à pandemia do vírus com a universalidade da oração, da compaixão, da ternura. Permaneçamos unidos. Façamos com que as pessoas mais sozinhas e em maiores provações sintam a nossa proximidade”. A Urbi et Orbi é uma bênção solene para conceder indulgência plenária, ou seja, o perdão dos pecados.

O Decreto da Penitenciária Apostólica explicita, entre outras, as seguintes condições para que se receba a Indulgência Plenária:

– Para obter a Indulgência plenária, os doentes de coronavírus, os que estão em quarentena, os profissionais de saúde e familiares que se expõem ao risco de contágio para ajudar quem foi afetado pelo Covid-19, também poderão simplesmente recitar o Credo, o Pai-nosso e uma oração a Maria.

– Os outros poderão escolher entre várias opções: visitar o Santíssimo Sacramento ou a adoração eucarística ou ler as Sagradas Escrituras por pelo menos meia hora, ou rezar o Terço, a Via sacra ou o Terço da Divina Misericórdia, pedindo Deus a cessação da epidemia, o alívio para os doentes e a salvação eterna daqueles a quem o Senhor chamou a si.

– A indulgência plenária também pode ser obtida pelos fiéis que, no momento de morte, não tiveram a possibilidade de receber o Sacramento da Unção dos Enfermos e do Viático: neste caso, recomenda-se o uso do crucifixo ou da cruz.

Sobre a Confissão e Perdão Sacramental

Onde “os fiéis se viram na dolorosa impossibilidade de receber a absolvição sacramental, recorda-se que a contrição perfeita, proveniente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, manifestada por um sincero pedido de perdão (aquilo que no momento o penitente é capaz de expressar) e acompanhada pelo votum confessionis, ou seja, pela firme resolução de recorrer, o quanto antes, à confissão sacramental, obtém o perdão dos pecados, até mesmo mortais”, conforme indicado pelo Catecismo da Igreja Católica (n° 1452).

O momento atual vivido por toda a humanidade, ameaçada por uma doença invisível e insidiosa, que há algum tempo entrou com prepotência na vida de todos”, afirma a Penitenciária, “é marcado dia após dia pelo medo angustiado, novas incertezas e sobretudo pelo sofrimento físico e moral generalizado.

E conclui: “Nunca, como neste tempo a Igreja experimenta a força da comunhão dos santos, eleva votos e orações ao seu Senhor Crucificado e Ressuscitado, em particular o Sacrifício da Santa Missa, celebrado diariamente, mesmo sem o povo, pelos sacerdotes” e como boa mãe, “a Igreja implora ao Senhor para que a humanidade se liberte desse flagelo, invocando a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Misericórdia e Saúde dos Enfermos, e de seu Esposo São José, sob cuja proteção a Igreja sempre caminha no mundo”.

O Rito da Benção

O rito é pronunciado em latim, língua oficial da Igreja. A tradução para o português é esta:

Papa: Que os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, dos quais no poder e julgamento confiamos, intercedam por nós até o Senhor.

Todos.: Amém.

Papa: Que por meio das orações e dos méritos da Santíssima Virgem Maria, de São Miguel Arcanjo, de São João Batista, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e de todos os santos, o Deus onipotente mostre compaixão à vós, e quando perdoados todos os vossos pecados, Jesus Cristo vos conduza à vida eterna.

Todos.: Amém.

Papa: Que o Senhor Todo Poderoso e misericordioso vos conceda indulgência, absolvição, e remissão de todos os vossos pecados, espaço para um verdadeiro e frutuoso arrependimento, mesmo o coração arrependendo-se sempre, e a benção da vida, a graça, a consolação do Espírito Santo e perseverança final nas boas obras.

Todos.: Amém.

Papa: E que a bênção de Deus Todo Poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça sempre.

Todos.: Amém.

Autor: Padre Pedro Cunha – Sacerdote da diocese de Lorena (SP),  fundador das Aldeias de Vida, professor universitário e reitor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Santa Cabeça.

Transmissões das celebrações Eucarísticas na Paróquia e Catedral São Miguel

CELEBRAÇÕES DURANTE A SEMANA E FINAIS DE SEMANA!

Considerando a realidade da pandemia do Covid-19 em todo o Brasil, e que todos somos convocados a dedicar maior atenção às medidas de prevenção da doença.

Considerando o importante papel dos Presbíteros, Religiosas, Seminaristas, Cristãos Leigos e Leigas de nossas comunidades e todos os homens e mulheres de boa vontade, informamos que a partir do decreto de suspensão da das celebrações com a presença do povo, expedido pelo sr bispo Dom Otacilio Ferreira de Lacerda, datado de 20 de março de 2020, com validade indeterminada, teremos a santa missa todos os dias na Paróquia São Miguel, bem como a Catedral São Miguel,  com transmissão ao vivo, nos seguintes horários e canais de comunicação:

De segunda à sexta – às 20h
Aos sábados – às 18h
Aos domingos – às 10h
Sintonia das ondas  da Rádio Vida Nova FM – 91,5 MHz, ou pela internete https://vidanovafm.com.br/
Fanpage da Páróquia São Miguel em Guanhães/MG: https://www.facebook.com/paroquiasaomiguelguanhaes/
Fanpage da Diocese de Guanhães/MG: https://www.facebook.com/DioceseDeGuanhaes/ 

“No entanto, onde não é possível, a transmissão da Celebração Eucarística, acompanhar as Missas transmitidas pelos canais de TV e Rádio conforme orientações do site diocesano. Todas as Missas celebradas neste tempo sejam, prioritariamente, na intenção do Povo, pelos doentes e profissionais da saúde”. (Parágrafo 9 e 10 do Decreto de Dom Otacilio). 

(Leia aqui o decreto na íntegra: Decreto)

Decreto do Bispo Diocesano

MITRA DIOCESANA DE GUANHÃES

DECRETO

Eu, Dom Otacílio Ferreira de Lacerda, por Mercê de Deus e da Santa Sé apostólica, Bispo Diocesano de Guanhães.

Considerando a realidade da pandemia do novo Coronavírus em todo o Brasil, e que todos somos convocados a dedicar maior atenção às medidas de prevenção da doença.

Considerando os pronunciamentos do Ministério da Saúde e das autoridades sanitárias sobre a realidade da pandemia.

Considerando a importância dos Presbíteros, Diáconos, Religiosos (as), Seminaristas, Lideranças leigas, fiéis católicos, homens e mulheres de boa vontade.

Considerando que “O Bispo Diocesano, sempre que julgar que isso possa concorrer para o bem espiritual dos fiéis, pode dispensá-los das leis disciplinares, universais ou particulares, dadas pela suprema autoridade da Igreja para o seu território ou para os seus súditos” (Cân.87, o mesmo do prescrito no Cân. 1247).

Considerando o Decreto da Penitenciaria Apostólica de 19 de março de 2020 sobre concessão de indulgência plenária aos fiéis, por ocasião da pandemia do Covid – 19 (Coronavírus).

Tendo ouvido o Colégio dos Consultores da Diocese de Guanhães,

Decretamos:

1. As orientações dadas em 16 de março pp. são substituídas por estas, válidas por tempo indeterminado.

2. Estão suspensas as atividades paroquiais que promovam a aglomeração de fiéis, tais como: MISSAS, Celebrações, festas, procissões, via-sacras, terços, novenas, batismos, matrimônios, seminários, encontros, assembleias, mutirão de confissões etc., nas comunidades urbanas e rurais.

3. Todos os fiéis ficam desobrigados do preceito religioso de participar das Missas e Celebrações.

4. Permanecerão em comunhão e unidos à comunidade de fé a partir das Celebrações transmitidas pelos Meios de Comunicação Social.

5. Estão suspensos encontros catequéticos por tempo indeterminado.

6. Todos devemos seguir as recomendações do Ministério da Saúde e as orientações oficiais exaradas pelas autoridades civis competentes.

7. Importante redobrar cautela para não compartilhar notícias falsas (fake news). A mentira, além de prejudicar o enfrentamento da doença, gera pânico, agravando a situação. Nesse sentido, oportuno é checar cada informação recebida, pesquisando em outras referências.

Prevalecem as orientações para os momentos celebrativos:

1ª – Não dar as mãos na oração do Pai Nosso.

2ª – Omitir o abraço da paz.

3ª – Distribuir a Comunhão na mão.

8. Todos os fiéis ficam desobrigados do preceito religioso de participar das Missas e Celebrações. Permanecerão em comunhão e unidos à comunidade de fé a partir das Celebrações transmitidas pelos Meios de Comunicação Social.

9. As Missas sejam celebradas todos os dias na paróquia, utilizando o formulário de “Missa celebrada sem o povo” com a participação mínima dos ministérios. No entanto, onde possível, seja transmitida a Celebração Eucarística através dos Meios de Comunicação ao alcance da Paróquia. Na impossibilidade de transmissão local, acompanhar as Missas transmitidas pelos canais de TV e Rádio conforme orientações do site diocesano.

10. Os fiéis sejam orientados sobre a dispensa da Comunhão, da Missa dominical e dos dias de preceito (CDC 1247). Todas as Missas celebradas neste tempo sejam, prioritariamente, na intenção do Povo, pelos doentes e profissionais da saúde.

11. A Comunhão Eucarística seja possibilitada para quem a procurar, desde que não haja aglomeração.

12. Fica suspensa a Comunhão aos doentes nas casas e nos hospitais.

13. O Sacramento do Batismo seja ministrado somente “in periculum mortis” (em perigo de morte), e todas as Crismas estão suspensas por tempo indeterminado.

14. As Celebrações do Matrimônio agendadas sejam desaconselhadas e, excepcionalmente, podem ser acolhidas com restrição formal de até 20 participantes. Não sejam feitos novos agendamentos por tempo indeterminado.

15. A Unção dos Enfermos não deve ser celebrada comunitariamente e, caso solicitado, somente “in extremis” (em casos extremos).

16. O Pároco, ou Administrador Paroquial, estabeleça horário de atendimento cotidiano do Povo para a Reconciliação, mantendo o devido protocolo da distância de 2 metros. Os fiéis sejam orientados à conversão, à contrição e adiar a confissão sacramental oportunamente.

17. As Celebrações das Exéquias sejam celebradas somente com os familiares mais próximos, sem aglomeração de fiéis. As Missas de 7º dia sejam celebradas também com o Ritual Litúrgico “Missa celebrada sem o povo”, destacando a intenção do fiel defunto.

18. Os serviços da Cúria e dos Escritórios Paroquiais continuam normalmente desde que cumpram as exigências de prevenção do Ministério e Secretaria da Saúde, dando prioridade ao atendimento via internet ou telefone.

19. Na Cúria, Paróquias, Escritórios Paroquiais, Comunidades Rurais e em outros ambientes eclesiais, redobrar os cuidados com a limpeza e facilitar para que os fiéis tenham acesso a álcool em gel, detergente ou sabonete para a devida higienização

20. As Igrejas principais permaneçam abertas, bem ventiladas e acolhedoras, com o Crucifixo exposto em lugar de destaque, motivando a todos a se conformarem aos sofrimentos de Cristo, renovando a viva esperança dos que creem.

21. Missa do Crisma ( Missa da Unidade): Em princípio celebraremos somente com o Clero no dia e hora já marcados. Em caso de agravamento poderá ter restrição da participação do Clero.

22. Sobre a Semana Santa e o Tríduo Pascal: celebraremos a Semana Santa e Tríduo Pascal seguindo as orientações do item número 09 (nove) deste decreto.

22.1. Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor: Utiliza-se a segunda forma do Missal Romano e incentivando as pessoas a celebrarem em família com os seus ramos.

22.2. Missa da Ceia do Senhor: Não se realiza o lava-pés e nem Vigília Eucarística.

22.3. Sexta-Feira da Paixão do Senhor: Celebrar a Paixão e Morte do Senhor omitindo o rito do beijo da cruz.

22.4 Vigília Pascal: Seja celebrada com a Solenidade própria conforme orientação do Missal optando pela fórmula simples. Sugerimos que, na medida do possível, cada membro da família tenha uma vela em mãos para a renovação das promessas batismais.

  1. 22.5 Domingo de Páscoa: Será celebrado conforme exigências acima expostas.

    23. Os nossos seminaristas retornarão, temporariamente, para as suas casas, continuando os estudos via internet. Orientamos para que os Párocos ou Administradores os acolham, ajudem e orientem, na medida do possível.

    24. Não podemos descuidar do Dízimo e das Ofertas, para a continuidade da missão pastoral e da caridade fraterna aos mais necessitados.

    25. Vivemos um  tempo de privação, provação, vigilância, oração e prevenção; ao mesmo tempo, favorável para crescermos na partilha e fraternidade, fortalecidos nas virtudes divinas da fé, esperança e caridade.

Convocamos a Igreja viva da Diocese de Guanhães ao testemunho, a ser como um “hospital de campanha”, homens e mulheres de fé capazes de “ver, sentir compaixão e cuidar” (Lc 10,33-34).

 

Dado e passado na Cúria Diocesana, no dia 20 de março de 2020, com a proteção do Arcanjo Miguel, Padroeiro de nossa Diocese, e com intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, junto ao Pai de Misericórdia, para que tenhamos vida digna nesta terra com saúde e paz, e vida plena no céu.

A todos, com o Coração de Pastor, preocupado com o bem e a vida de todos, concedo a bênção do Deus Todo Poderoso.

Protocolo: 001/2020

+ DOM OTACILIO FERREIRA DE LACERDA

BISPO DA DIOCESE DE GUANHÃES – MG

Leia o Decreto em PDF, nos links abaixo:

Decreto pág. 1 Decreto pág. 2 Decreto pág. 3 Decreto pág. 4

25 anos sem Dom Felippe

Imagem de São João Paulo II e Dom Felippe, extraída da Wikipedia (enciclopédia livre).

25 ANOS SEM DOM FELIPPE

Há vinte e cinco anos “por aqui passou um homem de Deus”. Sim , com imensa saudade lembro aqui de nosso saudoso primeiro bispo, Dom Antônio Felippe da Cunha, que faleceu no dia 5 de março de 1995. Um pastor zeloso que se preocupava com a evangelização e a missão. Tinha uma grande dedicação aos trabalhos pastorais; os grupos de reflexão eram a “ menina dos olhos dele”.

Sofreu bastante, pois era um ser humano, um bispo que tinha uma visão das coisas, do mundo, muito além de sua época. Não me esqueço dele nos bairros de Guanhães, fazendo missões, reunindo a comunidade; tive a oportunidade de participar de quando ele fez no Pito, celebrava debaixo da casa da tia Maria Nunes.

Fazia questão de marcar presença nos encontros diocesanos, sempre que possível, com muita alegria. Muito cavalheiro; era sempre dos últimos da fila para o almoço.

Se hoje, vivo ele fosse ainda, estaria vibrando com nosso papa Francisco. O jeito de ser e de agir do Francisco me lembra muito dom Felippe, quem o conheceu sabe muito bem do que estou falando.

Hoje, junto do Pai, continua amando nossa diocese e intercedendo por ela…Tanto é que coincidência ou providência, na mesma semana que ficamos sabendo que teríamos os restos mortais dele aqui, para fazermos um memorial, foi anunciado que teríamos novo bispo – Dom Otacílio-, que 25 anos depois, com seu jeito próprio, vem nos cativando e nos lembrando muito o jeito de dom Felippe.

Deus seja louvado! Obrigada, Senhor, por ter nos dado a chance de tê-lo conhecido e com ele convivido.

Edelveis Cássia de Alvarenga Pereira

O Tempo Quaresmal

Imagem extraída do Google.

Estamos vivenciando um tempo litúrgico muito importante na igreja, o tempo da Quaresma. O mesmo iniciou-se com a Quarta-feira de Cinzas e se estenderá até a Quinta-feira Santa exclusivamente; e é comumente conhecido como o período de 40 dias que precede – e nos prepara para a celebração central de nossa fé – a Páscoa. É um tempo com características próprias, sobretudo na liturgia, que nos convida ao recolhimento pessoal e comunitário, e na escuta da Palavra, que nos remete fortemente à conversão e reconciliação com Deus e com os irmãos. É um tempo de graça cujo convite é uma profunda preparação do coração e proximidade a Deus que nos chama à santidade, com ênfase na proposta clássica que a vida eclesial nos sugere: a oração, o jejum e a esmola.

Com origem na antiguidade, a palavra “quaresma” no latim era apenas um simples adjetivo. E se encontrava no início de uma marcante frase: “Quadragésima die Christus pro nobistradétur”, que se traduz: “Daqui a 40 dias, no quadragésimo dia, Cristo será entregue por nós”, para a nossa salvação. E a partir da frase em questão, o adjetivo passou a denominar um período do ano litúrgico. E nesse teor, por volta do ano 350 d.C., a Igreja decidiu aumentar o tempo de preparação para a Páscoa, que era apenas de três dias, e hoje esse período permaneceu como o Tríduo Sagrado da Semana Santa: Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa (Paixão) e Sábado Santo. A preparação para a Páscoa passou, então, a ter 40 dias. Isso aconteceu porque os cristãos perceberam que três dias eram insuficientes para que se pudesse preparar adequadamente tão importante evento. De modo geral, podemos compreender que a Quaresma é a simples abreviação de quadragésima e, portanto, a palavra utilizada para designar esse período de 40 dias no qual nós, católicos, realizamos a preparação para a Páscoa, a mais importante festa do calendário litúrgico cristão, que tem como auge a Ressurreição de Jesus, centralidade da nossa fé.

O número 40 é bastante significativo dentro das Sagradas Escrituras. O dilúvio teve a duração de 40 dias e 40 noites e foi a preparação para uma nova humanidade, purificada pelas águas. Por 40 anos, o povo hebreu caminhou pelo deserto rumo à terra prometida, atravessando o Mar Vermelho. Antes do perdão de Deus, os ninivitas fizeram penitência por 40 dias. Elias caminhou 40 dias e 40 noites para chegar à montanha de Deus. Jesus jejuou durante 40 dias e 40 noites. Os povos antigos atribuíam ao número 40 diversos significados. E para nós, hoje, a intensa preparação para a Páscoa. É um dos quatro tempos do ano litúrgico e para a igreja é refletido com intensidade em cada um dos detalhes de cada momento celebrativo. Quanto mais sentido e vivência dermos ao tempo, mais frutuosamente poderemos experimentar toda a riqueza espiritual por ele oferecido. É tempo de vivermos as renúncias interiores e exteriores. Nesse contexto exterior, entendemos a renúncia para mim em prol do outro, no aspecto social; a partilha, a caridade etc. Até porque a penitência quaresmal deve ser também externa e sócia. É tempo de reeducarmos em vários aspectos de nossa vida; a pedagogia da Quaresma, escolhida pela liturgia própria do tempo, serve para nos educar na fé e na resposta à nossa caminhada cristã diante de Deus e dos irmãos.

É tempo de vivência do grande êxodo (penitência). E isso percebemos claramente nas características presentes na liturgia da Palavra e na oração; algo que nos convida a viver algumas práticas próprias desse rico tempo: retiros espirituais, via sacra, confissão, adoração ao Santíssimo, celebrações penitenciais, meditação do Rosário, leitura orante e piedosa da Bíblia, e guardando os dias de jejum e abstinência: (Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa)

Amados, é o tempo favorável da conversão. Conversão com (Eu), com o irmão (Próximo) e com (Deus). Vivamos intensamente a quaresma, no amor caridoso que nos move e nos purifica, para assim, celebrarmos com grande júbilo, a Páscoa do Senhor.

Michel Hoguinele

Fontes:

– Diretório da Liturgia/2020 – CNBB e Instrução Geral do Missal Romano- (IGMR, nº 308 f)

– DIGITAL, ACI. 2015. Disponível em: <https://www.acidigital.com/fiestas/quaresma/quaresma.htm>. Acesso em: 15 fev. 2020.

Missal – Cotidiano e Dominical – Ed Paulus, 1995.

Os Vicentinos em nossa paróquia

Logotipo oficial da Sociedade de São Vicente de Paulo (Vicentinos)

Apresentamos nesta página o trabalho de um Movimento de nossa paróquia, que vive com palavras e ações, principalmente o Pilar da Caridade: Os Vicentinos.

A sociedade e os Vicentinos

A Sociedade são Vicente de Paulo, ou seja, os vicentinos atuam em nossa cidade há mais de cem anos. São grupos obrigatoriamente católicos, de origem francesa, nascida com a especial finalidade de assistir aos pobres. Todo vicentino participa das reuniões semanais com atas de cada reunião onde são relatados os trabalhos feitos na semana e marcados novos trabalhos. São pessoas de vida simples quase anônimas na Igreja, pois fazem um trabalho sigiloso e sem ambição de reconhecimento.O ponto alto do trabalho vicentino é a visita ao necessitado ou assistido como é conhecido. São pessoas idosas, doentes e carentes. Após visita, são levantadas possibilidades de ajuda com remédios e/ou alimentos. Não podem declarar apoio a partidos políticos, sendo a SSVP (Sociedade São Vicente de Paulo) regida por regras e organizada por hierarquias que visam a santificação através de seus mestres e senhores, os pobres.É também da responsabilidade dos vicentinos a manutenção das obras unidas a SSVP, que são: creches, hospitais, lar dos idosos (asilos). Temos em nossa cidade o Lar São Vicente de Paulo que é a moradia de pessoas desamparadas que recebem o carinho e dignidade no seu dia a dia. A coordenação das obras unidas funciona com estatutos e regimentos internos aprovados e registrados em cartório. Cumprem obrigatoriamente toda a legislação brasileira e estatuto do idoso, além das regras de procedimento da SSVP. São nove grupos na cidade, além de 2 em Correntinho, 1 em Virginópolis e 2 em Dores de Guanhães. Cada um com seu dia de reunião e o nome de um santo patrono para distinguir uma das outras.É um trabalho desafiador, diante das grandes necessidades que nem sempre são materiais, às vezes espirituais. Temos a certeza de estar cumprindo o Evangelho das bem aventuranças. Estive com fome e me destes de comer, com sede e me destes de beber, doente e fostes me visitar. A messe é grande e os trabalhadores poucos.Estamos de portas abertas para sua visita, venha nos conhecer e partilhar seu tempo, sua alegria e orações com os necessitados. São Vicente de Paulo, a virgem Maria, padroeira da SSVP no Brasil e o beato Antônio Frederico Ozanan nos abençoem e protejam.

Procure-nos!, Nos escritórios paroquiais das paróquias se encontram nossos contatos.

Joélcio Santos de Souza

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023

Esquema explicativo da Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023. (CNBB)

DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2019-2023 – (DGAEs) DOCUMENTO 109 – 57ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil.

EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”. Este é o objetivo geral destas Diretrizes do quadriênio 2019-2023. Na introdução , o Documento diz: Jesus Cristo – o missionário do Pai – veio anunciar a Nova do Reino: “Reino da verdade e da vida, Reino da Santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. (Prefácio da Solenidade de Cristo Rei). Consiste na nossa missão: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Diretrizes: uma das expressões mais significativas de colegialidade e missionariedade da Igreja no Brasil. A comunidade eclesial autêntica é necessariamente missionária e gera novas comunidades. É preciso colocar a missão de Jesus no coração da Igreja. Quatro Pilares contemplam as urgências das Diretrizes anteriores:

– Palavra: Iniciação à vida cristã e animação bíblica;

– Pão: Liturgia e Espiritualidade;

– Caridade: serviço à vida plena;

– Ação Missionária: estado permanente de missão.

O Jornal Partilhando , amigo leitor, em cada edição , trará informações , pistas de ações e também ações concretas já executadas na paróquia São Miguel e Almas . Nesta edição, será contemplado o Pilar da Caridade. Sobre o Pilar da Caridade , o Documento apresenta:

Pilar da Caridade: serviço à vida plena

Eram perseverantes (…) na comunhão fraterna” (At 2,42).

Na fé cristã, a espiritualidade centra-se na capacidade de amar a Deus e ao próximo.

Uma “Igreja pobre para os pobres”: superar ambições, consumismo e insensibilidade diante do sofrimento (como nos lembra o Papa Francisco).

Comunidade cristã deve promover a cultura da vida: enfrentar a questão da violência em suas diversas faces; falta de moradia digna; as condições que levam e mantêm populações em situação de rua e encarcerada; a complexa realidade das migrações humanas; o abandono e a exploração das crianças e dos idosos; a falta de perspectiva para juventude e a crise familiar; o complexo mundo do trabalho, da educação, da saúde, do transporte; as provocações do ambiente acadêmico universitário, da ciência e da tecnologia; as problemáticas que envolvem os meios de comunicação social e as novas mídias e as questões sobre a ecologia integral (DGAE n.109.111).

Contemplar o Cristo sofredor na pessoa dos pobres é compromisso com todos os que sofrem: pessoas com crise de sentido, depressão, pânico, transtornos de personalidade e até o suicídio (DGAE n. 110).

Superação da xenofobia e tráfico humano (DGAE n.112).

Preocupação com povos indígenas, quilombolas e pescadores, nômades (DGAE n.113).

Podem-se ler no Documento alguns encaminhamentos práticos:

Pilar da Caridade: a serviço da vida

– Fundamentação na Palavra de Deus e na Doutrina Social da Igreja;

– defesa da vida desde a fecundação até o seu fim natural;

– promover a solidariedade com os sofredores nas cidades (Bom Samaritano);

– priorizar as ações com as famílias e com os jovens;

– aguçar a atenção às inúmeras e novas formas de sofrimento e exclusão, nem sempre acolhidas pela ação caritativa e sociotransformadora até então desenvolvida;

– ousar ainda mais e transformar o acolhimento e a fraternidade da vida de comunidade, em apoio à resiliência e encontro de novos rumos para a vida;

– integrar o contato com a Palavra de Deus levando à solidariedade com os que sofrem, nos quais encontramos a presença do Senhor;

– desenvolver grupos de apoio às vítimas da violência (de todas as formas);

– encorajar o laicato a continuar o empenho apostólico inspirado na DSI, na transformação da realidade, com engajamento consciente em todas as realidades temporais: política partidária, pastorais sociais, mundo da educação, conselhos de direitos, elaboração e acompanhamento de políticas públicas, o cuidado da natureza e todo o planeta (nossa Casa Comum);

– continuar apoiando a organização do conselho do laicato nos níveis nacional, regional e local;

– contribuir para o resgate do espaço público da cidade como ágora e foro: lugar do encontro, convivência, deliberação e inclusão dos “não citadino” ou “resíduos urbanos”, garantindo para todos o direito de ser cidade;

– cuidado com a Casa Comum – implantar a Pastoral da Ecologia – novo modo de estar e viver no mundo;

– apoiar e incentivar as pastorais da mobilidade humana;

– assumir a promoção da paz como prioridade;

– ser voz dos que clamam por vida digna (Terra, Trabalho e Teto);

– firmar e fortalecer as iniciativas de diálogo ecumênico e inter-religioso, a partir da identidade cristã, para a defesa dos direitos humanos e promoção da cultura da paz.

Para enriquecer um pouco mais sobre “ a caridade”, Dom Otacilio nos fala sobre “A verdadeira caridade”

Para aprofundarmos sobre a prática da caridade, sejamos enriquecidos pelo Tratado escrito pelo Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno (séc. VI):

A Lei de Deus, da qual se fala neste lugar, deve entender-se que é a caridade, pela qual podemos sempre ler em nosso interior quais são os preceitos de vida que temos que praticar.

A respeito desta Lei, diz Aquele que é a própria verdade: Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros. A respeito dela diz São Paulo: Amar é cumprir toda a Lei. E também: Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a Lei de Cristo.

O que melhor define a Lei de Cristo é a caridade, e esta caridade a praticamos de verdade quando toleramos por amor as cargas dos irmãos.

Porém, esta Lei abrange muitos aspectos, porque a caridade zelosa e solícita inclui os atos de todas as virtudes. O que começa somente por dois preceitos se estende a inumeráveis facetas.

Esta multiplicidade de aspectos da Lei é enumerada adequadamente por Paulo, quando diz: O amor é paciente, afável; não tem inveja; não é presunçoso nem é vaidoso; não é ambicioso nem egoísta; não se irrita, não guarda rancor; não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

O amor é paciente, porque tolera com serenidade os males que lhe são infligidos. É afável, porque devolve generosamente o bem pelo mal. Não tem inveja, porque, ao não desejar nada deste mundo, ignora o que é a inveja pelos êxitos terrenos. Não é presunçoso, porque deseja ansiosamente o prêmio da retribuição espiritual, e por isto não se vangloria dos bens exteriores. Nem é vaidoso, porque tem por único objetivo o amor de Deus e do próximo, e por isto ignora tudo o que se afasta do reto caminho. Não é ambicioso, porque, dedicado com ardor ao seu proveito interior, não sente desejo algum das coisas alheias e exteriores. Nem é egoísta, porque considera como alheias todas as coisas que possui aqui de modo transitório, já que só reconhece como próprio aquilo que perdurará juntamente com ele. Não se irrita, porque, ainda que sofra injúrias, não se deixa levar por desejos de vingança, pois espera um prêmio muito superior aos seus sofrimentos. Não guarda rancor, porque sua alma está livre de toda maquinação doentia. Não se alegra com a injustiça, porque, desejoso unicamente do amor para com todos, não se alegra nem da ruína de seus próprios adversários. Alegra-se com a verdade, porque, amando aos outros como a si mesmo, ao observar nos outros a retidão, alegra-se como se fosse de seu próprio progresso. Vemos, portanto, como esta Lei de Deus abrange muitos aspectos.” (1)

O Tratado do Papa São Gregório em muito nos ajuda à compreensão do Mandamento dos inseparáveis amores, o amor a Deus e ao próximo.

Ainda mais, nos ajuda à compreensão do que consiste a verdadeira caridade, que o Apóstolo Paulo tão bem expressou em sua Carta (1 Cor 13).

No seguimento de Jesus Cristo, como discípulos missionários d’Ele, somos eternos aprendizes destes Mandamentos, para que cresçamos na prática esforçada da caridade, e assim seremos atuantes na fé e firmes na esperança, nas mais diversas realidades e âmbitos da existência.

  1. Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.238-239

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Bispo Diocesano de Guanhães/MG

 

Compadecer-se do outro

Imagem ilustrativa de um texto no site oficial da Diocese de São Carlos/SP.

Estamos vivenciando mais uma campanha da fraternidade que tem como tema “Fraternidade e vida: dom e compromisso” e como lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Se puxarmos pela nossa memória, vamos perceber que o tema VIDA já esteve presente em outras campanhas: Onde está teu irmão? (1974); Para que todos tenham vida |(1984); Escolhe, pois, a vida (2008). Então, podemos perceber que a questão é sempre a vida, mesmo que não seja especificamente.

Depois de várias campanhas que abordaram, direta ou indiretamente, o tema da vida, deveríamos ficar impactados, uma vez que ela ainda permanece agredida, ameaçada e destruída. A CF interpela-nos nesta quaresma, questionando-nos nas dimensões pessoal, socioambiental e sociocultural. Estamos vivendo a época da indiferença como diz o nosso papa Francisco. Precisamos sempre assumir a defesa e a promoção da vida.

É preciso um olhar mais atento. Não estamos nos dando conta de que estamos alheios ao sofrimento do outro, incapazes de compadecer-se do outro. Estamos vivenciando uma época de mudança em que o indiferentismo impera. A CF retoma o tema Vida para nos alertar de que está se criando em nosso mundo, sob diferentes formas, uma cultura de morte. Os outros, as outras já não são vistos como irmãos. Quase não se tem um olhar cristão para o próximo.

Mas quem é o meu próximo? Há um clamor para uma conversão sincera. Redirecionar o nosso olhar e identificar o irmão ou irmã que sofre, estabelecer pontes, comprometer-se e compadecer-se dele ou dela.

Quem é o meu próximo? Não existe um próximo. Você é que se aproxima. Torna-se próximo. Ou seja, próximo não é apenas alguém com quem temos algum vínculo. O que conta não é a lei, mas a compaixão.

Sermos capazes de sentir compaixão: essa é a chave. Se, diante de uma pessoa necessitada, você não sente compaixão, seu coração não se comove, alguma coisa está errada” (Papa Francisco).

Na parábola do bom samaritano podemos perceber que dois transeuntes oriundos do templo, o sacerdote, responsável pelos sacrifícios e o levita, responsável pela animação da liturgia, retornam de Jerusalém após concluírem seus turnos de trabalho e agem com indiferença diante daquele que jaz sofrendo à beira da estrada. Não se descreve o motivo da indiferença. Poderia ser por motivos culturais, religiosos ou simplesmente por não desejarem interromper a viagem, não mudarem seus planos, não terem seu trajeto e horário prejudicados por esse acontecimento. De qualquer forma, é dito que viram o homem e se distanciaram dele.

Um samaritano que passava, ao ver o homem, sentiu compaixão. Essa compaixão nasceu do seu modo diferente de perceber aquela realidade. Essa compaixão o levou a se aproximar do homem, gastar tempo, modificar parcialmente sua viagem, tudo para não ser indiferente com aquele que sofria diante dele. Os cuidados práticos descritos na parábola são emergenciais: desinfeta as feridas com vinho e alivia a dor com o óleo, costume daquele tempo; transporta o homem até a hospedaria e paga as despesas de sua estada.

A postura inesperada do samaritano contém o centro do ensinamento de Jesus: o próximo não é apenas alguém com quem possuímos vínculo, mas aquele de quem nos aproximamos. É todo aquele que sofre diante de nós. Não é a lei que estabelece a prioridade, mas a compaixão que impulsiona a fazer pelo outro aquilo que é possível, rompendo, dessa forma, com a indiferença.

É preciso ter coragem para romper com a barreira da indiferença. E neste mundo no qual estamos inseridos, encontramos pelo caminho duas bacias com água: de um lado, a bacia de Pilatos, símbolo da indiferença e da omissão; do outro lado, a bacia utilizada por Jesus no lava-pés, sinal do terno cuidado, do compromisso, do serviço humilde e gratuito. Qual das duas bacias temos utilizado?

O nosso olhar (ver) não pode ser a do político, do economista, do sociólogo, do repórter, do funcionário do IBGE, mas deve ser um olhar de discípulos missionários!

A fé leva necessariamente à ação, à fraternidade e à caridade.

Ver… Sentir compaixão… Aproximar-se… Cuidar…
O segredo está no olhar, na forma de olhar, em compadecer-se do outro.

Vera Pimenta

Ver, sentir e cuidar

Mosaico: O Bom Samaritano do Pe. Marko Ivan Rupnik.

“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Ver, sentir, cuidar: três verbos que vêm do coração.

Em umas das páginas mais lindas que São Paulo escreveu (Coríntios 12, 13,1-8)sobre a caridade=amor, ele não falou uma vez sequer que a caridade é querer que o outro nos queira. E para nós é sempre isso: eu amo porque eu quero ser amado. Sou amado para amar.

Ele diz que a caridade é benigna; na caridade não tem inveja, a caridade perdoa, tudo suporta. Suporta até o não-amor. O que os nossos amores não suportam, a caridade suporta. Tudo crê, tudo pode, tudo espera.

Segundo o texto de Lucas 10,2-37, na passagem do “Bom Samaritano” que inspira a Campanha da Fraternidade 2020, o levita e o sacerdote estavam “sem tempo” para ajudar aquele homem caído na beira da estrada.

É verdade, corremos o dia inteiro. Tempo, tempo, tempo… O deus-relógio manda em nós e, escravizados, a ele obedecemos. Também nós somos “levitas e sacerdotes” sem tempo. Aquele idoso esperando no corredor do hospital não é normal. Aquele jovem que se tirou a vida não é normal. Não pode ser normal. Mas, na correria, nosso olhar não vê mais nada, senão o relógio.

E a vida passa. O tempo passa. O vazio permanece. O relógio pode ser muito importante, mas ele não preenche algo que diz respeito a “outro tempo”. É o tempo do bem-querer.

Há caídos e machucados que estão precisando de ajuda. E há “samaritanos” morando e querendo viver dentro de nós. Precisamos deixá-los vencer nossos relógios.

Outras passagens bíblicas (Marcos, 6,31-34 – 8,1-9; Mateus 14,13-2115,32-29; Lucas, 9,10-17; João 6,1-13) nos contam que, ao final da tarde, os discípulos pediram que Jesus mandasse embora a multidão. Não tinham comida, apenas cinco pães e dois peixes.

Jesus afirmou que não mandaria ninguém embora, que era para repartir o que tinham ali. Todos, sentados na grama, comeram e ficaram felizes. Jesus sabia que o maior milagre de todos é saber partilhar. Ele viu, sentiu compaixão e cuidou.

O detalhe interessante é que o Evangelho de Mateus inicia dizendo que eles estavam no deserto. Depois Jesus os mandou acomodar na “grama” (cfMt 14,18). Como assim grama no deserto? Pois é. Há atitudes que transformam a secura em flor. Que transformam a terra em grama. Quando fazemos uma boa experiência de Deus, tudo pode se transformar.

Fico pensando e rezando quantas realidades secas que precisamos transformar em grama boa de sentar e conviver.

Falo de um pedido de desculpas que devemos para uma pessoa. Falo de uma capacidade de não repetir besteiras que ouvimos e começamos a divulgar. Por exemplo, as criticas que pessoas de dentro da própria “Igreja” vêm fazendo ao Papa Francisco. Falta consciência crítica, falta leitura, falta aprofundamento de tanta coisa. Parece que isso significa transformar o deserto em grama verde.

O milagre está em nossas mãos. Compaixão é  a capacidade de colocar-se no lugar do outro e sentir com ele sua própria dor. Tocar o outro é devolver-lhe  a certeza de que pertence à nossa humanidade. Há muitos desertos esperando alguém plantar grama. Ver, sentir compaixão e cuidar…

Pe Hermes Firmiano Pedro

Pároco da Paróquia São Miguel e Almas e Cura da Catedral São Miguel

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