Michel Hoguinelle

Santa Dulce dos Pobres – a primeira santa Brasileira

A Praça São Pedro se encheu do verde e amarelo das bandeiras e das camisetas do Brasil. Milhares de brasileiros vieram à cerimônia de canonização da primeira santa nascida no Brasil, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, conhecida como Irmã Dulce, na manhã deste domingo, dia 13 de outubro, no Vaticano.

Havia pessoas de todas as partes do país, mas os baianos eram maioria. As amigas Sílvia e Vera se sentem privilegiadas por terem convivido com a nova santa brasileira em Salvador. Logo que se formou, a farmacêutica Sílvia da Silva foi ao hospital de Irmã Dulce para oferecer seu trabalho voluntário. Foi recebida com muito carinho pela religiosa. “Eu não tenho palavras para definir Irmã Dulce. Ela era doce com todo mundo, delicada e, ao mesmo tempo, muito segura do que queria. Apesar da estatura pequena, era uma pessoa grande, enorme. Uma verdadeira santa”, afirmou Sílvia.

Para a contadora Vera de Andrade, que recebia as visitas de Irmã Dulce no colégio em que estudava, o que mais a marcou foi ver que a santa não aceitava que pessoas morassem na rua. “Ela não deixava nenhum mendigo na rua. Saia por Salvador recolhendo os mais necessitados e os levando para tomar banho, comer e para tratar suas doenças. Era uma referência para todos nós”, explica Vera.

O soteropolitano Edilson dos Santos veio com a esposa, Mônica, para reverenciar “a mãe de todos os baianos”, como ele costuma chamar. “O que me chama atenção é o fato de que Irmã Dulce, além de ajudar os mais necessitados com suas obras de caridade, sempre estava pronta para oferecer uma palavra de conforto para todo mundo”.

Para a família Interlando, que veio de Mato Grosso, os brasileiros estavam precisando de uma santa comum a biografia tão rica.

“Os brasileiros necessitam deste exemplo de fé, de humanidade. Nós passamos por momentos muito difíceis no mundo e a história de Irmã Dulce nos mostra que com fé nós podermos fazer a diferença”, afirmou a advogada Rafaela Interlanda.

Todos esses depoimentos trazem algumas explicações de porque o Brasil está em festa com a canonização de Irmã Dulce. Sua vida doada ao próximo começou muito cedo, aos 13 anos, quando ela transformou a casa dos pais num lar de acolhida e atendimento a mendigos e doentes. A casa ficou conhecida como “A portaria de São Francisco”, devido à quantidade de carentes que se aglomeravam a sua porta.

Hoje, o hospital criado pela santa em Salvador abriga um dos maiores complexos de saúde brasileiro com 100% dos atendimentos pelo SUS. São cerca de 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano.

A Cerimônia

O Evangelho de hoje não poderia ser mais adequado à celebração de canonização da Irmã Dulce. A passagem sobre a cura dos leprosos por Jesus Cristo (Lc 17,11-19) nos remete à preocupação da santa brasileira com a saúde dos mais necessitados e à fé que ela tinha na cura física e espiritual dos assistidos.

Na homilia, o Papa Francisco afirmou que todos nós necessitamos de cura, como aqueles leprosos: “Precisamos de ser curados da pouca confiança em nós mesmos, na vida, no futuro; curados de muitos medos, dos vícios de que somos escravos; de tantos fechamentos, dependências e apegos ao jogo, ao dinheiro, à televisão, ao celular, à opinião dos outros. O Senhor liberta e cura o coração, se O invocarmos, se lhe dissermos ‘Senhor, eu creio que me podeis curar. Curai-me dos meus fechamentos, livrai-me do mal e do medo, Jesus’”.

O Papa destacou as três atitudes do leproso que agradeceu a Jesus pela cura: “o Evangelho de hoje nos mostra o caminho da fé. Neste percurso de fé, vemos três etapas, que é invocar, caminhar e agradecer. Hoje agradecemos ao Senhor pelos novos Santos, que caminham na fé e agora invocamos como intercessores”.

Além de Irmã Dulce, outras quatro pessoas foram declaradas hoje santos da Igreja Católica: João Henrique Newman, Josefina Vannini, Maria Teresa Chiramel Mankidiyan e Margarida Bays.

Manuela Castro – Cidade do Vaticano

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Entenda como será a canonização de Irmã Dulce

No Dia 13 de outubro, a religiosa baiana, Maria Rita Lopes Pontes, Irmã Dulce, será canonizada pelo Papa Francisco durante uma missa aberta, no Vaticano. Por suas virtudes e bons exemplos, a Igreja entende que Irmã Dulce, assim como outras pessoas canonizadas, estão mais próximas de Deus e podem “interceder” pelos que ainda estão na Terra.

Por isso, os católicos rezam para um santo, pedem ajuda e milagres. Além disso, a Igreja permite que essas pessoas sejam consideradas “modelos” de vida e, portanto, podem ser admiradas com devoção.Essa tradição existe desde os primeiros cristãos, que consideravam santos principalmente os mártires.
No início, os santos eram reconhecidos principalmente por aclamação popular. No primeiro milênio, eram os bispos locais que declaravam a santidade da pessoa. Eles simplesmente “assinavam embaixo” e reconheciam essa boa fama.

Com o tempo, percebeu-se que era preciso mais rigor na análise, com testemunhos e estudos. E foi no século 12 que as decisões se concentraram nas mãos do Papa. Mais tarde, criaram-se escritórios no Vaticano só para analisar as propostas de canonização.

Hoje, quem faz isso é a Congregação para a Causa dos Santos. Esse escritório estuda a vida dos “candidatos” e os apresenta ao Papa, que, por sua vez, os reconhece. A missa de canonização resume todo esse processo em um único rito.

Conforme explica o Arcebispo de São Salvador da Bahia, Dom Murilo Krieger, depois que a vida dos santos é estudada e os milagres por sua intercessão são constatados, “eles estão em condições de serem declarados santos”.

“O Papa vai declarar que eles são santos e autoriza o culto a eles. É normal que, nesse momento, os presentes, à medida em que o nome do santo que os levou a Roma for citado, aclamarão a notícia com grande entusiasmo.” – Dom Murilo Krieger, Arcebispo de São Salvador

A missa começa com o canto inicial e, logo depois, o Papa abre a celebração. Em seguida, há um canto de “invocação do Espírito Santo”. A ideia é pedir a Deus que o ajude a tomar uma decisão acertada.

O cardeal prefeito da Congregação para a Causa dos Santos – hoje o italiano Dom Angelo Becciu – “apresenta” ao Papa os novos santos. Ele lê uma pequena biografia de cada um. Desta vez, com a Irmã Dulce, serão canonizados também o teólogo e cardeal John Henry Newmann, um dos principais intelectuais cristãos do século 19; outras duas religiosas, Giuseppina Vannini e Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e uma catequista, chamada Margherita Bays.

Depois vem uma “ladainha”, que é um canto longo, no qual a Igreja invoca a intercessão de todos os outros santos. Os nomes de muitos santos são mencionados nessa ladainha. Mais uma vez, a ideia é pedir que todos eles ajudem o Papa a tomar a decisão mais certa.Finalmente vem a “fórmula da canonização”. Depois que o Papa lê esse texto em latim, eles já são considerados Santos.

Esta é a fórmula que pode ser usada: “Em honra da Santíssima Trindade, pela exaltação da fé católica e para incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, depois de refletir por muito tempo, ter invocado a ajuda divina e ouvido a opinião de muitos Irmãos no Episcopado [bispos], declaramos e definimos Santos os beatos [aqui entram os nomes dos novos santos] e os inscrevemos no registro dos santos, estabelecendo que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os santos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Em seguida, há um canto de comemoração para celebrar a canonização e agradecer a Deus.
O cardeal prefeito agradece ao Papa pela decisão e pede que ele redija uma “carta apostólica”, documento que formaliza a canonização.

A partir desse ponto, a missa continua normalmente, como uma missa comum de domingo: com leituras da Bíblia, a pregação do Papa (ou “homilia”), consagração do pão e do vinho, e a comunhão.

É comum, no Vaticano, que logo após a missa o Papa reze a tradicional oração do Ângelus, ou oração do meio-dia. É uma oração a Maria, mãe de Jesus, que ele reza todos os domingos na Praça de São Pedro. Nesse momento, ele pode comentar alguma situação política ou humanitária do mundo.

Imagens dos novos santos ficam expostas na Praça de São Pedro desde o início da missa – diferentemente da “beatificação”, quando a imagem ou foto oficial é revelada só durante a missa. Os beatos são pessoas de boa reputação que podem ser honradas localmente, mas ainda não por toda a Igreja. Com a canonização, eles passam a ser chamados “santos” e celebrados no mundo inteiro.

Fonte: Arquidiocese de Vitória – ES.

Anjos que não vejo e anjos que vejo!

A Igreja celebra, no dia 02 de outubro, a Memória dos Anjos de Guarda (Ex 23,21-23; Salmo 91; Mt 18,1-5.10).

São Anjos e Arcanjos que não vemos; que nos trouxeram e nos trazem sempre alegres notícias. Como pedagogos e mestres, nos acompanham e nos defendem. Por isto toda reverência, gratidão e confiança.

Há Anjos que não vemos, mas cremos! Nossos pais deles nos falaram desde o ventre materno. Sentimos sua presença; sua amável e indispensável companhia, pois quis Deus que de nós fossem intrépidos defensores.

Na Bíblia, incontáveis passagens sobre eles encontramos, quer no Antigo, quer no Novo Testamento.

Mas, há também anjos que vemos. Anjos com nome e sobrenome, endereço…

– Anjos que fazem parte de nossa história.

– Anjos que vejo são mães que educam, acalentam e a semente do Verbo plantam no coração de seus filhos.

– Anjos que vejo são pais (também mães) que acordam de madrugada, ao trabalho acorrem (quando empregados), na busca do pão de cada dia, que a fome dos seus filhos sacia. Para além de todo cansaço, distâncias, congestionamentos, estresses, tensões… Bem, a lista é interminável…

Anjos que nas comunidades espalhadas pelo campo e cidade evangelizam:

– Anjos que cantam, louvam e dançam;

– Anjos que cuidam das crianças para que nutridas sejam;

– Anjos que anunciam em tantos grupos de catequese;

– Anjos que nas Liturgias escrevem roteiros, criam, proclamam;

– Anjos que enfermos visitam, suas feridas tocam, lavam, curam, simplesmente por amor;

– Anjos que trabalham na prevenção, que acreditam na força e alegria da sobriedade, fruto da liberdade;

– Anjos que cestas enchem e partilham; que saciarão clementes barrigas vazias;

– Anjos que promovem festas; incentivam e cuidam do dízimo para que a Igreja evangelize;

– Anjos que acolhem, consolam; esperança plantam; sorrisos nos lábios colhem;

– Anjos que da vida cuidam, lutam contra a violação da vida, desde sua concepção até seu declínio natural – imortal teimosia e profecia;

Anjos…

Quantos anjos que vejo nos rostos de nossa Igreja! Talvez não tão “belos e televisivos”, mas sem eles, o mundo seria indiscutivelmente mais feio, gélido, sem brilho, vazio…

– Anjos que promovem a paz, que fazem da política o gesto sublime de caridade, exercício do poder que gera o bem comum.

– Anjos que comunicam boas novas à humanidade; reencantam a vida; refazem sonhos; revigoram esperanças…

O mundo precisa de anjos:

– Anjos sem asas para voar, mas com asas no coração, para que o amor alce voos mais altos.

– Anjos visíveis em ternas feições humanas que encantados e enamorados pela vida, por Cristo apaixonados, nos assegurem que vale a pena lutar, viver, sonhar, dias melhores buscar, paraíso construir.

– Anjos com rostos inocentes de crianças; com brilho imortal, pois por Deus plantado.

– Anjos com rosto da beleza da juventude, que nos desafiam com sua garra e inquietude.

– Anjos com rostos enrugados, cabelos agrisalhados, experiências adquiridas;

Anjos: anjos humanos, humanos anjos. Que não pairem nas nuvens, mas que conosco caminhem.

Comigo há sempre anjos que não vejo e anjos que vejo!

Mas, serei eu anjo na vida de alguém? É bom ter anjos! Mas, também é preciso que sejamos anjos na vida de alguém.

Dom Otacilio F. Lacerda
http://peotacilio.blogspot.com
Acesse pelo Google: Dom Otacilio YouTube

“É SETEMBRO, É AMARELO!”

CONVERSANDO SOBRE DEPRESSÃO

O que é
“Muita gente uma vez ou outra na vida se sente deprimida ou triste. É uma reação natural à perda, aos desafios da vida e à baixa autoestima. Mas, às vezes, o sentimento de tristeza se torna intenso, dura longos períodos e retira a pessoa da vida normal. É o mais comum dos transtornos mentais, mas é uma doença tratável. “
O texto a seguir é uma entrevista com uma jovem acometida pela doença.

Depressão significa falta de fé em Deus?

– Não. Depressão é um distúrbio mental e que pode ocorrer mesmo em pessoas de muita fé. A depressão nos deixa desesperançosos e sem ânimo; e a fé é movimento.

– Você já teve depressão?

– Sim. Estou em tratamento atualmente. A depressão pode ser média, leve ou grave. Já estive em estado grave. Hoje me mantenho em tratamento para não chegar a esse ponto novamente.
Só o tratamento ajuda?
– O tratamento tem de ser completo. Físico, mental, emocional e espiritual.
– O que você tem feito para conviver com essa doença?
– Respeito meus limites, tento fazer atividades mesmo sem vontade, falo a respeito com outras pessoas, encorajando-as a partir da minha experiência e tento brincar com a situação.
A depressão tem um motivo ou uma causa?
– Pode ter ou não. Há pessoas que se deprimem por um fator externo; outras, pela forma como elas têm de pensar e ver a vida, mas pode acontecer com qualquer pessoa.
Quando a pessoa descobre que está com depressão?
– Algumas pessoas nem descobrem. Acham que estão numa fase chata ou ruim e que vai passar. Geralmente pessoas próximas é que conseguem perceber. Eu descobri com ajuda de profissionais. Não tinha consciência da doença.
A pessoa, sem ajuda profissional, consegue se curar?
Não acho. A depressão é um distúrbio. A pessoa pode se esforçar e ficar bem por um tempo, mas curar-se, não acho.
E o que a família pode fazer nesse caso?
Apoiar, falar palavras de ânimo, fazer-se presente mesmo que em silêncio, ajudar a pessoa doente a se sentir amada.
– No Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas.

Há alguma forma de evitar a doença? 
– Sim. Enxergando depressão como um distúrbio da mente, encorajando as pessoas a procurar ajuda profissional; não descrever psicólogo e psiquiatra como médicos de doido.
– A pergunta “Como vai você” pode ajudar uma pessoa a falar sobre a depressão?
– Depende da forma como for realizada e se a pessoa aguarda a resposta. No automático, não rola (risos). “Como vai você?” somente como uma forma de cumprimentar, não. Mas como aproximação e interesse verdadeiro de ajudar, sim.
Do que a pessoa com depressão não precisa?
Ouvir que é falta de Deus, que a vida dela é linda, que vai passar, pra ela não dar importância.
Obs.: A pessoa com quem conversei sobre esse tema enche minha vida de graça, beleza, delicadeza e esperança.

Luís Carlos Pinto
Professor de Educação Básica

Rezar pelos governantes

Na celebração de 16 de setembro, a mensagem do Papa centralizou-se na Primeira Carta de São Paulo a Timóteo, encorajando-nos a rezar a Deus também pelos governantes para que “possam levar adiante com dignidade sua vocação”. Ele exorta a “todo o povo de Deus” a rezar “pelos reis e por todos que estão no poder” para que tenham “uma vida calma e tranquila, digna e tranquila dedicada a Deus”. O Pontífice ressaltou a importância da oração, como evidencia Paulo em sua carta a Timóteo; que rezemos pelos governantes, pelos políticos, pelas pessoas envolvidas na política. Papa Francisco reforçou a necessidade de se rezar também por aqueles que têm opinião diferente da nossa, mesmo que não mereçam. Ele recordou a “crise de governo” pela qual os italianos passaram e questionou:
“Quem de nós rezou pelos governantes? Quem de nós rezou pelos parlamentares? Para que possam ir de acordo e levar adiante a pátria? Parece que o espírito patriótico não chega à oração; mas sim às desqualificações, ao ódio, às brigas, e termina assim. Portanto, quero que em todos os lugares as pessoas rezem, levantando as mãos puras para o céu, sem raiva e sem polêmicas”. Francisco “não pede para ‘discutir sobre política’, mas para rezar”, pois, segundo Paulo VI, a política é “a mais alta forma de caridade”. Disse que “pode ser suja assim como qualquer outra profissão, qualquer uma… Somos nós que sujamos uma coisa, mas não é a coisa em si que é suja. Acredito que devemos nos converter e rezar pelos políticos de todas as cores, todos eles! Rezar pelos governantes. É isso que Paulo nos pede”. Ele concluiu: “É bom pensar que, se o povo reza pelos governantes, os governantes também serão capazes de rezar pelo povo, como esse centurião que reza pelo seu servo”.

Por Mariza Pimenta.

Leia mais em: www.vaticannews.va.

O que é o Ano Litúrgico, e o Ano Civil

 

CONVERSANDO SOBRE LITURGIA
Artigo I

O Ano Civil nos traz uma ideia de círculo, ou podemos até dizer, que ele é circular e cíclico, ou seja, repete-se constantemente em suas datas. Vai marcando a história da humanidade, sua evolução e progresso; lutas, fracassos e conquistas. E dentro dessa história circular, o ser humano vai se preenchendo, e se desgastando, geração após geração.
Querendo ou não, o tempo civil é inexorável, faz avançar a história à custa do envelhecimento e do desgaste, e encomenda o fim dos seres humanos, cuja maioria passa por ele no anonimato.
O Ano Litúrgico não se identifica com o Ano Civil nem a ele se submete. Corre paralelamente a ele ao determinar todas as celebrações litúrgicas, mas não coincide com suas datas. Tem um sentido diverso e um ritmo próprio, como se o Ano Civil servisse apenas de pista para o Ano Litúrgico.
De fato, o Ano Litúrgico é uma intervenção de Deus dentro da história humana. Relembra tudo o que Deus já realizou por nós, pela salvação, e atualiza essas ações de Deus em favor de cada geração. Mais do que construir uma história própria, o Ano Litúrgico marca o tempo próprio de Deus dentro da história da humanidade, sempre em busca do ser humano para salvá-lo da destruição inevitável que o tempo civil lhe causa. Por isso, a melhor imagem para entender o Ano Litúrgico não é o círculo repetitivo, mas a espiral ascendente que jamais repete o mesmo círculo.
Uma espiral salvífica que parte do Alfa da criação e vai girando para o alto em direção ao Ômega da nova criação em Cristo Ressuscitado. Assim, Deus nos salva dentro de nossa história e nos salva da nossa história, daquilo que ela traz de degeneração e morte.
O Ano Litúrgico é essa espiral ascendente de salvação que liberta o ser humano de seu destino fatídico e o leva em direção à comunhão com a vida divina e eterna. Por isso, cada Ano Litúrgico, mesmo celebrando as mesmas datas, atualiza uma nova intervenção da graça redentora da Santíssima Trindade em favor do seu povo caminhante.
O início do Ano Litúrgico não é o 1º de janeiro, mas no 1º Domingo do Advento, que nunca cai na mesma data do Ano Civil. O Ano Litúrgico se encerra na Festa de Cristo Rei, 34º Domingo do Tempo Comum, anterior ao Primeiro Domingo do Advento.
Nas próximas edições: estrutura do Ano Litúrgico e como é desenvolvido em seu percurso.

Michel Hoguinele
hoguinelle@hotmail.com

“Sal, luz e fermento”. A tarefa dos leigos na missão da Igreja


Quando se fala da missão da Igreja, corre-se o risco de pensar que se trata dos que falam do altar. Muitos de nós conhecemos a palavra missão, associando-a a uma pessoa (muitas vezes um padre de batina) que vinha às nossas comunidades para pregar sermões. Será mesmo essa a tarefa deixada por Cristo aos seus discípulos? Ao longo dos anos nossa Mãe Igreja vem nos educando na fé e fazendo-nos descobrir que essa tarefa ou missão tem de ser realizada por todos os que constituem a Igreja, comunidade eclesial.
Aos leigos, corresponde uma parcela concreta dessa missão. O Concílio Vaticano II já nos deu algumas orientações precisas. Os fiéis correntes – lê-se na Constituição Lumen Gentium – “são chamados por Deus para contribuir, como fermento, para a santificação do mundo, no exercício das suas tarefas, guiados pelo espírito evangélico, e assim manifestam Cristo aos que com eles convivem, principalmente com o testemunho de sua vida e com o fulgor de sua fé, esperança e caridade”. E mais adiante: “Os leigos estão particularmente chamados a tornar presente e operante a Igreja nos lugares e condições onde ela não pode ser sal da terra senão através deles”. Quer dizer que, em um hospital, a Igreja não está presente só pelo capelão: também atua por meio dos fiéis que, como médicos e enfermeiros, procuram prestar bom serviço profissional e esmerada atenção humana aos doentes. Em um bairro, a igreja será sempre um ponto de referência indispensável, mas o único modo de chegar aos que não a frequentam, será por meio de outras famílias.
É lá, em todos os setores da sociedade, que nós, cristãos leigos e leigas, somos chamados a ser esta presença que toca nos corações, que leva algo novo e provoca mudança e que transforma. É a missão de todos os cristãos leigos e leigas ser sal, agindo em pequenas quantidades, mas dando o sabor necessário; luz que traz a esperança de um novo caminho possível e fermento que penetra e provoca a abertura ao novo, que se deixa ser transformado. A missão, portanto, não é uma atividade a mais da Igreja, constitui a própria essência da Igreja, de todos os batizados vivenciando a ordem do Mestre: “Ide por todo o mundo e levai a Boa Nova a toda criatura”.
Portanto, nossa missão é levar a mensagem de Cristo a todas as realidades terrenas – família, trabalho , atividades socia – e, com a ajuda da graça divina, convertê-las em oportunidade de encontro com Deus e com os Homens. Sejamos esses elementos fundamentais, levando sabor, esperança e transformação.

Madalena Santos Pires
(Da Equipe de Articulação do CNLB/ CDL- Guanhães)

Santa Teresinha – a Santa Padroeira das Missões a Santa das coisas do amor!


No dia 01 de outubro, mês Missionário, celebra-se Santa Terezinha do Menino Jesus, a santa carmelita, mesmo com sua vida contemplativa, tornou-se a Padroeira das Missões.
Teresa viveu 24 anos. Pouco! Muito! Aliás, muitíssimo! Talvez uma das maiores histórias de intimidade com Deus. Sua fé cresceu à medida que descobriu o Amor. Minutos antes de morrer, dia 30 de setembro de 1897, Teresinha disse: “Meu Deus, eu vos amo”. Foi o Amor que a recebeu na eternidade. Sem amor não existe missão.
Teresinha é referência missionária. Não andou muito. Não foi pra lá e pra cá. Quase nada, mas saiu. Saiu dela. Amou. O amor é sempre missionário porque não é egoísta. O amor rompe muros, barreiras, discursos violentos. O amor invejoso não é amor. O amor individualista não é amor. É mentira. É farsa. É máscara. O amor só é amor quando olha para fora.
Teresinha foi buscando uma fé madura. Um seguimento verdadeiro a Jesus. Escreveu. Fez das provações uma escola. Das provocações, uma pedagogia. Da vida, missão.
A jovem Teresa faz lembrar aquilo que o querido Papa Francisco nos pede: “Ser uma Igreja em saída”: sair! Sair para tudo que é lugar, mesmo dentro da própria casa. Sair, experimentar, desejar, provar; o louco desejo missionário que mora no nosso coração. Enquanto existir ardor missionário, o Amor de Teresa continuará vivo, sobrevivente, esplêndido.

Pe. Hermes F. Pedro

Pároco da Paróquia São Miguel e Almas 

É missão das Paróquias resplandecer a luz divina

“Eles eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”
(At 2,42)

Em sintonia com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil (DGAE 2019-2023), documento 109 da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -, apresento algumas motivações que me parecem indispensáveis para nossas paróquias, de modo especial às duas presentes em nossa cidade: São Miguel e Almas e Nossa Senhora Aparecida.
Seguindo o exemplo das primeiras comunidades, que “eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42), como discípulos missionários do Senhor, devem cuidar, com todo o carinho e empenho, com o máximo de todos os recursos possíveis, da formação dos agentes de pastoral, tendo como conteúdo fundamental a Palavra de Deus, os Ensinamentos da Tradição da Igreja, e a Doutrina Social da Igreja (DSI).
Quanto à comunhão fraterna, formar comunidades que criem e fortaleçam os vínculos dos relacionamentos, vivendo de modo profundo e intenso a caridade, que confere à comunidade a verdadeira identidade como seguidores de Jesus Cristo, como eram reconhecidas as primeiras comunidades, na expressão de Tertuliano (séc. II): – “Vede como eles se amam”.
Deste modo, precisam ter todo o cuidado com a Sagrada Liturgia e a celebração dos Sacramentos, a fim de que expressem a beleza e o esplendor do Mistério celebrado, de acordo com as sábias orientações da Igreja.
Finalmente, devem ser espaços de aprofundamento de uma Catequese Permanente, em que não faltem momentos fecundos e enriquecedores de uma espiritualidade verdadeiramente comprometida com a dignidade e a vida, sobretudo dos empobrecidos, nos quais reconhecemos a pessoa de Jesus Cristo.
Tendo estes quatro pilares bem cuidados, muito contribuirão as Paróquias para a Pastoral de Conjunto de toda a Diocese, e todos devemos dar o melhor de nós.
Com Maria, mãe da Igreja, sigamos em frente, firmando nossos passos nesta caminhada evangelizadora, contando com a ação e presença do protagonista da Evangelização, que anima, ilumina, fortalece e conduz a Igreja: o Espírito Santo de Deus.

Dom Otacilio F. Lacerda
Bispo de Guanhães

Papa Francisco institui Domingo da Palavra de Deus

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