Michel Hoguinelle

Oração para repelir as tempestades

O Missal Romano oferece Orações para várias necessidades, e retomo uma delas.

Oremos:

Ó Deus, a quem todos os elementos obedecem, aplacai as tempestades, para que o temor, inspirado pelo vosso poder, se transforme em louvor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Celebrei a Missa há pouco pedindo a Deus por Belo Horizonte-MG, uma vez que os noticiários estão alertando para a forte chuva que cairá hoje.

Bem sabemos dos graves problemas que enfrentam as cidades no que se refere à infraestrutura, conservação do córregos e rios, ausência de políticas públicas que previnam e evitem possíveis calamidades.

Sejam acompanhadas de nossas orações compromissos de todas as pessoas de boa vontade de criar melhores condições em nossas cidades, mais investimentos, preservação e melhor interação com o meio ambiente.

Neste momento, o que podemos fazer é intensificar nossas orações a Deus, sem jamais eximir de nossas responsabilidades, que desde o princípio da criação por Ele a nós foram confiadas, como lemos nas primeiras páginas do Livro do Gênesis, na Sagrada Escritura.

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Bispo Diocesano de Guanhães

Mensagem do Papa Francisco, para 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais

 “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). A vida faz-se história”.

Desejo dedicar a Mensagem deste ano ao Tema de narração, pois, para não perdermos, acho que precisamos respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não como que destruam; histórias que ajudaram a reencontrar as raízes e a força de Prosseguirmos juntos. Na confusão das vozes e mensagens que rodeiam, temos necessidade de narração humana, que nos falam dos mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que aprenda a olhar para o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele ou entrançado dos fios pelos quais estamos ligados ou outros.

  1. Tecer histórias

O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como temos comida. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção ou notícia simples, influenciam nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos o que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. Como narrativas marcam-nos, plasmam como nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos.

O homem não é apenas o único que precisa de vestuário para cobrir a própria vulnerabilidade (cf. Gn 3, 21), mas também o único que precisa de narrar-se a si mesmo, «revestir-se» de histórias para guardar a própria vida. Não tecemos apenas roupas, mas também histórias: de fato, serviços da capacidade humana de «tecer» para tecidos , para textos . As histórias de todos os tempos têm um «rasgo» comum: uma estrutura estimada «heróis» – mesmo dia-a-dia – que, para encalçar um sonho, enfrenta situações difíceis, combate ou mau movimento por uma força que vem corajosa , a força do amor. Mergulhando nas histórias, podemos voltar a encontrar razões heróicas para enfrentar os desafios da vida.

O homem é um narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com como tramas dos seus dias. Mas, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja ou mal.

 

  1. Nem todas as histórias são boas

«Se come, se torna como Deus» (cf. Gn 3, 4): esta tentativa de serpente introduzida, um enredo da história, um nó difícil de desfazer. “Se possuíres …, tornar-te-ás …, sussirás …”: sussurra ainda hoje a quem se utiliza do chamado storytellingpara fins instrumentais. Quantas histórias nos narcotizam, nos convencemos de que, para ser feliz, precisamos continuamente de ter, usar e consumir. Quase não nos damos conta com quantos ávidos nos tornamos de bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumida. Freqüentemente, nas «lágrimas» de comunicação, em vez de narrações construtivas, que sólidos ou laços sociais e tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocativas, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. Quando a informação não é verificada, os discursos repetidos, banais e falsamente persuasivos, percorridos com proclamações de ódio, estão separados, não são tecer a história humana, mas despojar o homem da sua dignidade.

Mas, enquanto as histórias usadas para fornecer próprio ou ao serviço de vida útil curta, uma história boa é capaz de transportar os limites do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece atual, porque alimenta a vida.

Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (ou deepfake ), as necessidades de sapata para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas. Necessidades de coragem para rejeitar como falsas e depravadas. Precisamos de paciência e discernimento para descobrir histórias que nos ajudam a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade do quilo que somos, a mesma heroicidade oculta do dia a dia.

 

  1. História das histórias

Na Sagrada Escritura, é uma História de histórias . Quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta! Desde o início, a exposição-nos um Deus que é simultaneamente criadora e narradora: de fato, pronunciada em sua Palavra e como coisas existem (cf. Gn 1). Deus, através deste narrador, chama a vida como coisas e, sem apogeu, cria o homem e a mulher como seus interlocutores livres, geradores de história relacionados com Ele. Temos um Salmo criatura que acena se contar para o Criador: «Você modela como entradas do meu ser e teceste-me no seio da minha mãe. Dou-Te graças por me teres feito uma maravilha estupenda (…). Quando meus ossos estavam em formados, e eu, em segredo, me desenvolvia, recamadonas profundezas do chão, nada disso Você era oculto “( Sl 139/138, 13-15). Não é perfeito, mas é necessário ser constantemente “tecidos” e “recamados”. A vida foi-nos dada como convite para continuar tecer a “maravilha estupenda” que somos.

Nesse sentido, na Bíblia é uma grande história de amor entre Deus e uma humanidade. No center, está Jesus: em sua história ele aproveita a perição ou amor de Deus pelo homem e, no final dos tempos, uma história de amor do homem por Deus. Assim, ou homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais gravados desta história : os ouvidos podem comunicar o sentido do que aconteceu.

O título desta Mensagem é tirado do livro do Êxodo, narrativa bíblica fundamental que faz com que Deus intervenha na história do seu povo. Com efeito, quando os filhos de Israel, escravizados, clamam por Ele, Deus ouve e recorda-Se: «Deus recordou-Se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacob. Deus viu os filhos de Israel e registrou-os “( Ex 2, 24-25). A memória de Deus brota a liberação do opressão, que verifica através de sinais e produtos. Aqui o Senhor dos Moisés ou o sentido de todos estes sinais: « Para que possas contar e fixar na memória o teu filho e o teu filho (…) os meus sinais que eu percebo no meio deles. E você sabe que eu sou o Senhor “( Ex10, 2). A experiência do Êxodo ensina que o conhecimento de Deus se transmite principalmente contando, de geração em geração, enquanto Ele continua a retornar – Se presente. O Deus da vida se comunica – se, narrando a vida.

O próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstratos, mas com parábolas, narrações narrativas tiradas da vida de todos os dias. Aqui a vida faz história e depois, para o ouvinte, uma história causa vida: essa narração entra na vida de quem escuta e transforma.

Também os Evangelhos – não por acaso – são narrações. Enquanto informações sobre Jesus, «números de desempenho» [1] na imagem de Jesus, configuradas em Ele: o Evangelho pede ao leitor que participe da mesma fé para compartilhar a mesma vida. O Evangelho de João diz que Narrador por excelência – ou Verbo, a Palavra – fez-se narração: «O Filho unigénito, que é Deus e não é pai do pai, foi Ele quem O contou » (1, 18) . Use ou termo «relatado», porque ou original exeghésato tanto se pode traduzir «revelado» como «relatado». Deus criou-Se disponível com a nossa humanidade, dando-lhe uma nova maneira de tecer como nossas histórias.

  1. Uma história que se renova

A história de Cristo não é um patrimônio do passado; é uma nossa história, sempre atual. Mostra que Deus levou no peito ou no homem, na nossa carne, na nossa história, no ponto de fazer homem, na carne e na história. E diz-nos também que não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas. Depois que Deus Se fez história, toda a história humana é, de certa forma, história divina. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, uma humanidade merece narra aqueles que estão à sua altura, aquelas que são estonteantes e fascinantes para quem Jesus está acima.

Vós «é uma carta de Cristo – São Paulo aos Coríntios -, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com ou Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os corações vermelhos “( 2 Cor 3, 3). O Espírito Santo, o amor de Deus, escreve em nós. E, saindo de nós, fixe em nós ou bem, recorda-no-lo. De fato, re-cordar significa levar ao coração, “escrever” no coração. Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo que mais esquecida, que parece escrita nas linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra prima, retornando-se como um índice de Evangelho. Assim como Confissões de Agostinho, ou Relato de Peregrino de Inácio, em História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus,Promoções prometidas ( posições promissoras ) de Alexandre Manzoni, ou irmãos Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoiévskij … e inúmeras outras histórias, que têm representação admirável ou encontro entre liberdade de Deus e homem. Cada um de nós conhece várias histórias sobre o evangelho: testemunham ou Amor que transforma a vida. Estas histórias pedem para ser compartilhadas, contadas, feitas viver em todos os tempos, com todas as linguagens, por todos os meios.

  1. Uma história que nos renova

Em cada grande história, insira em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos uma Escritura, como histórias de Santos e outros textos que sabem ler uma alma de um homem e trazer uma luz de sua beleza, ou o Espírito Santo fica livre para escrever nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando executar a memória do amor que nos criou e salvar, quando aparecer o amor nas nossas histórias diárias, quando aparecermos a tristeza como traços dos nossos dias, nesse momento estamos mudando a página. Já não ficamos associados a lamentos e tristezas, vinculados a uma memória doente que aprisiona o coração, mas abrimos para outros, abrimos para a própria visão do Narrador. Nunca é inútil narrar a Deus a nossa história: ainda que permaneça inalterada em crônicas de fatos, mudam o sentido e perspetiva. Narrarmo-nos ao Senhor não entra no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros. A Ele pode narrar como histórias que vivemos, levar como pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor ou tecido da vida, cosendo como ruturas e os rasgões. Quanto nós, todos, precisamos disso!

Com o olhar do Narrador – o único que tem o ponto de vista final -, aproxima-se depois dos protagonistas, dos nossos irmãos e irmãs, atores relacionados à história de hoje. Sim, porque ninguém está simplesmente aparecendo no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Mesmo quando narramos ou mal, podemos aprender a deixar ou espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e o espaço.

Por isso, não se trata de seguir como lógicas de contar histórias , nem fazer ou fazer publicidade, mas fazer memórias do quilo que somos os olhos de Deus, testemunhar aquilo que o Espírito lê nos olhos, revelar um cad que sua história contém maravilhas estupendas. Para fazer o acompanhamento, confiamos em uma Mulher que criou a humanidade de Deus no seio e – diz o Evangelho – fez tudo de forma conjunta para os acontecimentos. De fato, em Virgem Maria tudo guardou, meditando – ou no seu coração (cf. Lc 2, 19 ). Peçamos-A ajuda a Ela, que soube desatar os nós da vida com força suave do amor:

Ó Maria, mulher e mãe, Vós não se refere à Palavra divina, Vós narra com uma vida vossa como obras magníficas de Deus. Ouvir como nossas histórias, guardai-como vosso coração e faz vossas também como histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer ou fio bom que guia a história. Olhai ou tumulo de nós em que semaranhou nossa vida, paralisando nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspira-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indica-nos ou caminho para como percorrermos juntos.

Roma, em São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales,

24 de janeiro de 2020.

FRANCISCUS, PP

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[1] Cf. Bento XVI, Carta enc. Spe salvi (30 / XI / 2007), 2: «A mensagem cristã não era tão” informativa “, mas” performativa “. Isso significa que o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que pode saber, mas uma comunicação que gera fatos e muda a vida ».

[00107-PO.01] [Texto original: italiano]

 

Convite para Ordenação Presbiteral

“Porque está escrito: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec.” (Hebreus 7,17);

A Diocese de Guanhães e os diáconos André, Daniel e Edmilson, convidam os diocesanos, fiéis e amigos, para Celebração Eucarística, na qual serão ordenados presbíteros.

A solene celebração será no dia 21 de fevereiro, às 19h, na Sé Catedral de São Miguel, em Guanhães.

Venham participar conosco!
Sua presença será motivo de grande alegria para todos nós.

 

 

 

Conheça os futuros padres de nossa diocese:

 

– O Diác. André Luiz Eleutério Lomba, nasceu em Rio Vermelho (MG), no dia 21/12/1987

Teve sua formação acadêmica de Licenciatura em Filosofia pelo Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga/MG, e pela Faculdade Católica de Anápolis/GO (2013). Bacharelou-se em Teologia pelo Seminário Diocesano de Caratinga e pelo Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA) de Belo Horizonte/MG (2016). Especializou-se em Catequética pelo Instituto Regional de Pastoral Catequética (IRPAC) e pela PUC Minas (2014-2017). No momento atual, de sua etapa formativa, vive o estágio diaconal na Paróquia São José, em Paulistas/ MG.

Dentre os estudos já mencionados, o diácono André, desempenhou várias funções na diocese; coordenador da Escola de Teologia para Leigos, membro da equipe de assessoria dos Roteiros (cartilhas/novena de natal/grupos de reflexão), e outros.

No dia 09 de fevereiro de 2018, recebeu a ordenação diaconal, pela Oração da Igreja e imposição das mãos do bispo diocesano na época, dom Jeremias Antônio de Jesus.

 

– O Diác. Daniel Bueno Borges, nasceu em São José dos Campos/SP, em 22 de junho de 1983.

Teve sua formação acadêmica de Licenciatura em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano. Formado em música, pela Faculdade de música (ULM) -São Paulo – SP, e realizou seus estudos de Teologia pela Faculdade Católica de São José dos Campos -SP.

Especializou-se no curso Técnico em restauro e conservador de imagens policromadas pela Faculdade SENAI Félix Guisard, (UNITAU) -Taubaté/SP e (FUNDJAC) Fundação Dom Jose Antônio do Couto Museu de arte sacra de Taubaté-SP.

Foi acolhido na Diocese de Guanhães pelo bispo dom Jeremias, e incardinou-se na mesma.

No atual momento, está desempenhando o estágio diaconal na Paróquia Sant’Ana, em Água Boa/ MG. E vem desempenhando outras funções, a nível diocesano, como membro da equipe de assessoria da Pastoral Litúrgica, Apostolado da Oração e Legião de Maria.

No dia 09 de fevereiro de 2018, recebeu a ordenação diaconal, pela Oração da Igreja e imposição das mãos do bispo diocesano na época, dom Jeremias Antônio de Jesus.

 

– O Diác.  Edmilson Henrique Cândido, nasceu na cidade de Monsenhor Paulo/ MG, no dia 26 de setembro de 1974.

Teve sua formação acadêmica, formando no Magistério na E. E. Presidente Kennedy; realizou seus estudos de Filosofia no Instituto São José de Três Corações; e sua formação em Teologia no ISTA (Instituto São Tomás de Aquino) em Belo Horizonte.

Foi acolhido na Diocese de Guanhães pelo bispo dom Jeremias, e incardinou-se na mesma.

No atual momento, está desempenhando o Estágio diaconal na Paróquia Nossa Senhora da Pena, em Rio Vermelho/ MG. E vem desempenhando, a nível diocesano, a função de assessor da Pastoral do Dízimo

No dia 09 de fevereiro de 2018, recebeu a ordenação diaconal, pela Oração da Igreja e imposição das mãos do bispo diocesano na época, dom Jeremias Antônio de Jesus.

Igreja celebrará pela primeira vez o “Domingo da Palavra de Deus”.

Isto acontecerá no próximo dia 26 de janeiro de 2020.

O Papa Francisco, atendendo a inúmeras solicitações chegadas de todo o mundo, instituiu, com a Carta Apostólica Aperuit illis, o Domingo da Palavra de Deus a ser celebrado todos os anos no 3º Domingo do Tempo Comum, para celebrar, refletir e divulgar a Palavra de Deus (Aperuit illis, 3).

A carta Aperuit illis foi assinada pelo Papa Francisco no dia 30 de setembro de 2019, memória de São Jerônimo, dia em que se começou a celebrar 1600º aniversário de morte do doutor das Escrituras. Foi ele quem afirmou: “Desconhecer as Escrituras é desconhecer Cristo”.

Ademais, os evangelhos deste domingo, nos três ciclos litúrgicos (A, B e C), relatam o início do ministério público daquele que ao mesmo tempo é o mediador e mensagem, Jesus, o Verbo feito carne (cf. Jo 1,4).

O Santo Padre já havia manifestado no fim do Ano Santo da Misericórdia o seu desejo de que “a Palavra de Deus seja cada vez mais conhecida, celebrada e difundida” (Misericordia et misera, 7). Nesta mesma Carta Apostólica, com a qua encerrou o Jubileu Extraordinário, Francisco desejava que “toda a comunidade, em um domingo do ano litúrgico, pudesse renovar o empenho pela difusão, pelo conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura, um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a inexaurível riqueza que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo” (Misericordia et misera, 7).

Cabe, portanto, a cada realidade local encontrar formas adequadas e eficazes para viver, da melhor forma possível, esse domingo, fazendo “crescer no povo de Deus uma religiosa e assídua familiaridade com as Sagradas Escrituras, tal como ensinava o autor sagrado já nos tempos antigos: ‘Esta palavra está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a praticares’ (Dt 30,14)” (Aperuit illis, 15).

Algumas pistas são oferecidas pelo Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização às quais somamos iniciativas próprias da nossa realidade:

– valorizar o lugar da Palavra na celebração litúrgica;

– familiarizar-se com os livros da Palavra na liturgia: o lecionário e o evangeliário;

– acolher a Palavra (evangeliário) na procissão de entrada, trazida por um diácono ou leitor e depositada sobre o altar até a sua proclamação ou deposta num pequeno trono que sublinhe a sua centralidade, como foi feito no Concílio Vaticano II;

– valorizar a proclamação da Palavra e capacitar os seus proclamadores;

– cantar o salmo, essa deveria ser a regra;

– nas celebrações presididas pelo bispo, valorizar a bênção com o evangeliário, dada depois da proclamação do Evangelho e acolhida num silencio orante, acompanhado pelo sinal da cruz;

– expressar veneração à Palavra após a sua proclamação, expondo o evangeliário à veneração dos fiéis, que pode ser expressa por um beijo, um toque, uma inclinação, um canto ou mesmo um aplauso;

– entregar ritualmente a Bíblia aos fiéis que não a possuem, estimulando-os a ler, a escutar nela a Palavra de Deus e a transmiti-la, ou ainda aos catequistas que neste ano exercerão este ministério da Palavra;

– promover um tempo de oração com a Leitura Orante da Bíblia;

– incentivar a escuta e a entronização da Bíblia nas famílias;

– realizar gincanas bíblicas com os coroinhas, acólitos e crianças, adolescentes e jovens da catequese e dos grupos de jovens;

– divulgar o projeto Lectionautas Brasil de leitura orante na web (www.lectionautas.com.br) e promover a capacitação de jovens lectionautas na comunidade/paróquia;

– convidar as comunidades cristãs separadas para partilhar uma celebração da Palavra;

– promover a leitura contínua do evangelho durante um período de tempo na Igreja ou na praça, com bons leitores, locutores locais, pessoas de renome etc;

– encontrar os grupos de círculo bíblico para motivação missionária, a partir da importância do encontro ao redor da Palavra;

– por fim, começar iniciativas que envolvam a Palavra de Deus e possam se prolongar ao longo do ano e da vida da comunidade. 

Nesta linha de proximidade prática da Palavra de Deus, vale a pena lembrar que com a Carta Apostólica Misericordia et misera, o Papa Francisco instituiu também o Dia mundial dos pobres, celebrado no 33º Domingo do Tempo Comum, domingo anterior à Solenidade de Cristo, Rei do universo. Este ano, o Dia mundial dos pobres ocorrerá no domingo, 15 de novembro, sendo precedido por uma Jornada mundial dos pobres, que ocorre na semana precedente.

 

Por, Pe. Jean Poul Hansen – Coordenador Diocesano de Pastoral da Diocese de Campanha/MG.

Solenidade de Maria, Mãe de Deus (Homilia do Papa)

Santa Missa na Solenidade de Maria, Mãe de Deus e 53° Dia Mundial da Paz, 1/1/2020

 

Às 10 horas desta manhã, na Basílica Vaticana, o Santo Padre Francis presidiu a celebração da Missa da Solenidade de Maria Mãe de Deus de Natal na oitava e a comemoração do 53° Dia Mundial da Paz sobre o tema da Paz como um caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica . Publicamos abaixo a homilia que o Papa Francisco fez durante a celebração eucarística, após a proclamação do Evangelho:

Homilia do Santo Padre 

“Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher” ( Gl 4: 4). Nascido de uma mulher: foi assim que Jesus veio. Ele não apareceu no mundo adulto, mas, como o Evangelho nos disse, ele foi “concebido no ventre” ( Lc 2:21): ali ele fez nossa humanidade sua, dia após dia, mês após mês. No ventre de uma mulher, Deus e a humanidade se uniram para nunca mais deixar um ao outro: mesmo agora, no céu, Jesus vive na carne que tomou no ventre da mãe. Em Deus existe a nossa carne humana!

No primeiro dia do ano, celebramos este casamento entre Deus e o homem, inaugurado no ventre de uma mulher. Em Deus, nossa humanidade será para sempre e Maria sempre será a Mãe de Deus. Ela é mulher e mãe, este é o essencial. Dela, mulher, a salvação surgiu e, portanto, não há salvação sem a mulher. Ali Deus se juntou a nós e, se queremos nos unir a ele, seguimos o mesmo caminho: para Maria, mulher e mãe. Então, vamos começar o ano com o sinal de Nossa Senhora, uma mulher que teceu a humanidade de Deus. Se queremos tecer os enredos de nossos dias de humanidade, devemos recomeçar a partir da mulher.

Nascido de mulher. O renascimento da humanidade começou com a mulher. As mulheres são fontes de vida. No entanto, são continuamente ofendidos, espancados, violados, induzidos a se prostituir e a suprimir a vida que carregam em seu ventre. Qualquer violência infligida às mulheres é uma profanação de Deus, nascida de uma mulher. A salvação para a humanidade veio do corpo de uma mulher: pela maneira como tratamos o corpo da mulher, entendemos nosso nível de humanidade. Quantas vezes o corpo da mulher é sacrificado nos altares profanos da publicidade, renda, pornografia, explorados como uma superfície a ser usada. Deve ser libertado do consumismo, deve ser respeitado e honrado; é a carne mais nobre do mundo, concebeu e deu à luz o amor que nos salvou! Hoje, a maternidade também é humilhada, porque o único crescimento que nos interessa é o crescimento econômico. Tem mães

Nascido de mulher . De acordo com a história da Bíblia, a mulher atinge o clímax da criação, como o resumo de toda a criação. De fato, ela encarna o objetivo da própria criação: a geração e a custódia da vida, a comunhão com tudo, cuidando de tudo. É o que Nossa Senhora faz no evangelho hoje. “Maria – diz o texto – guardava todas essas coisas, meditando nelas em seu coração” (v. 19). Ele guardava tudo: a alegria pelo nascimento de Jesus e a tristeza pela hospitalidade negada em Belém; o amor de José e o espanto dos pastores; promessas e incertezas para o futuro. Tudo tomou conta do coração e em seu coração tudo pôs em prática, até a adversidade. Porque em seu coração ele organizou tudo com amor e confiou tudo a Deus.

No Evangelho, essa ação de Maria volta uma segunda vez: no fim da vida oculta de Jesus, é dito que “sua mãe guardava todas essas coisas em seu coração” (v. 51). Essa repetição nos faz entender que guardar no coração não é um gesto agradável que Nossa Senhora fazia de vez em quando, mas seu hábito. É apropriado que as mulheres levem a vida ao coração. A mulher mostra que o significado de viver não é continuar produzindo coisas, mas levar as coisas que estão aí para o coração. Somente quem olha com o coração vê bem, porque sabe “ver por dentro”: a pessoa além de seus erros, o irmão além de suas fragilidades, a esperança nas dificuldades; vê Deus em tudo.

Quando começamos o novo ano, nos perguntamos: “Posso olhar com meu coração? Posso olhar para as pessoas com meu coração? Preocupo-me com as pessoas com quem vivo ou as destruo com conversa fiada? E acima de tudo, tenho o Senhor no coração? Ou outros valores, outros interesses, minha promoção, riquezas, poder? “. Somente se a vida é perto do nosso coração sabemos prendercene cuidadose superar a indiferença que nos rodeia. Pedimos esta graça: viver o ano com o desejo de levar os outros a sério, de cuidar dos outros. E se queremos um mundo melhor, que é uma casa de paz e não um pátio de guerra, temos a dignidade de toda mulher no coração. O príncipe da paz nasceu da mulher. A mulher é doadora e mediadora da paz e deve estar totalmente associada aos processos de tomada de decisão. Porque quando as mulheres podem transmitir seus dons, o mundo se vê mais unido e mais pacífico. Portanto, uma conquista para as mulheres é uma conquista para toda a humanidade.

Nascido de mulher . Assim que Jesus nasceu, ele se refletiu nos olhos de uma mulher, no rosto de sua mãe. Dela ele recebeu as primeiras carícias, com ela trocou os primeiros sorrisos. Com ela, ele inaugurou a revolução da ternura. A Igreja, olhando para o bebê Jesus, é chamada a continuar. De fato, ela também, como Maria, é uma mulher e uma mãe, a Igreja é uma mulher e uma mãe, e na Madonna ela encontra seus traços distintivos. Ela a vê imaculada e se sente chamada a dizer “não” ao pecado e ao mundanismo. Ela a vê, frutuosa, e se sente chamada a anunciar o Senhor, a gerá-lo em vidas. Ela a vê, mãe, e se sente chamada a acolher todos os homens como um filho.

Ao se aproximar de Maria, a Igreja se encontra, redescobre seu centro, redescobre sua unidade. Em vez disso, o inimigo da natureza humana, o diabo, tenta dividi-lo, colocando diferenças, ideologias, pensamentos partidários e partidos em primeiro plano. Mas não entendemos a Igreja se olharmos para ela a partir de estruturas, a partir de programas e tendências, de ideologias, da funcionalidade: compreenderemos algo, mas não o coração da Igreja. Porque a Igreja tem um coração de mãe. E nós, filhos hoje, invocamos a Mãe de Deus, que nos une como povo crente. Ó Mãe, gera esperança em nós, traz unidade para nós. Mulher de salvação, confiamos a você este ano, guarde em seu coração. Nós te aclamamos: Santa Mãe de Deus Todos juntos, três vezes, nós aclamamos a Senhora, de pé, Nossa Senhora Santa Mãe de Deus: [com a assembléia] Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus!

[00001-IT.02] [Texto original: italiano]

[B0001-XX.02]

Mensagem e Benção Urbi et Orbi

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

NATAL 2019

Balcão central da Basílica Vaticana
Quarta-feira, 25 de dezembro de 2019.

 

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9,1).

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Nesta noite, do ventre da mãe Igreja, nasceu de novo o Filho de Deus feito homem. O seu nome é Jesus, que significa Deus salva. O Pai, Amor eterno e infinito, enviou-O ao mundo, não para condenar o mundo, mas para o salvar (cf. Jo 3, 17). O Pai no-Lo deu, com imensa misericórdia; deu-O para todos; deu-O para sempre. E Ele nasceu como uma chamazinha acesa na escuridão e no frio da noite.

Aquele Menino, nascido da Virgem Maria, é a Palavra de Deus que Se fez carne; a Palavra que guiou o coração e os passos de Abraão rumo à terra prometida, e continua a atrair aqueles que confiam nas promessas de Deus; a Palavra que guiou os judeus no caminho desde a escravidão à liberdade, e continua a chamar os escravos de todos os tempos, incluindo os de hoje, para sairem das suas prisões. É Palavra mais luminosa do que o sol, encarnada num pequenino filho de homem, Jesus, luz do mundo.

Por isso, o profeta exclama: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9,1). É verdade que há trevas nos corações humanos, mas é maior a luz de Cristo; há trevas nas relações pessoais, familiares, sociais, mas é maior a luz de Cristo; há trevas nos conflitos económicos, geopolíticos e ecológicos, mas é maior a luz de Cristo.

Que Jesus Cristo seja luz para tantas crianças que padecem a guerra e os conflitos no Médio Oriente e em vários países do mundo; seja conforto para o amado povo sírio, ainda sem o fim à vista das hostilidades que dilaceraram o país nesta década; sacuda as consciências dos homens de boa vontade; inspire hoje os governantes e a comunidade internacional, para encontrar soluções que garantam a segurança e a convivência pacífica dos povos da Região e ponham termo aos seus sofrimentos indescritíveis; seja sustentáculo para o povo libanês, para poder sair da crise atual e redescobrir a sua vocação de ser mensagem de liberdade e coexistência harmoniosa para todos.

Que o Senhor Jesus seja luz para a Terra Santa, onde Ele nasceu, Salvador do homem, e onde continua a expectativa de tantos que, apesar de cansados mas sem se perder de ânimo, aguardam dias de paz, segurança e prosperidade; seja consolação para o Iraque, atravessado por tensões sociais, e para o Iémen, provado por uma grave crise humanitária.

Que o Menino pequerrucho de Belém seja esperança para todo o continente americano, onde várias nações estão a atravessar um período de convulsões sociais e políticas; revigore o querido povo venezuelano, longamente provado por tensões políticas e sociais, e não lhe deixe faltar a ajuda de que precisa; abençoe os esforços de quantos se empenham em favorecer a justiça e a reconciliação e trabalham para superar as várias crises e as inúmeras formas de pobreza que ofendem a dignidade de cada pessoa.

Que o Redentor do mundo seja luz para a querida Ucrânia, que aspira por soluções concretas para uma paz duradoura.

Que o Senhor recém-nascido seja luz para os povos da África, onde perduram situações sociais e políticas que, frequentemente, obrigam as pessoas a emigrar, privando-as duma casa e duma família; haja paz para a população que vive nas regiões orientais da República Democrática do Congo, martirizada por conflitos persistentes; seja conforto para quantos padecem por causa das violências, calamidades naturais ou emergências sanitárias; dê consolação a todos os perseguidos por causa da sua fé religiosa, especialmente os missionários e os fiéis sequestrados, e para quantos são vítimas de ataques de grupos extremistas, sobretudo no Burkina Faso, Mali, Níger e Nigéria.

Que o Filho de Deus, descido do Céu à terra, seja defesa e amparo para todos aqueles que, por causa destas e outras injustiças, devem emigrar na esperança duma vida segura. É a injustiça que os obriga a atravessar desertos e mares, transformados em cemitérios; é a injustiça que os obriga a suportar abusos indescritíveis, escravidões de todo o género e torturas em campos de detenção desumanos; é a injustiça que os repele de lugares onde poderiam ter a esperança duma vida digna e lhes faz encontrar muros de indiferença.

Que o Emmanuel seja luz para toda a humanidade ferida. Enterneça o nosso coração frequentemente endurecido e egoísta e nos torne instrumentos do seu amor. Através dos nossos pobres rostos, dê o seu sorriso às crianças de todo o mundo: às crianças abandonadas e a quantas sofreram violências. Através das nossas frágeis mãos, vista os pobres que não têm nada para se cobrir, dê o pão aos famintos, cuide dos enfermos. Pela nossa frágil companhia, esteja próximo das pessoas idosas e de quantas vivem sozinhas, dos migrantes e dos marginalizados. Neste dia de festa, dê a todos a sua ternura e ilumine as trevas deste mundo.

Queridos irmãos e irmãs!

Renovo os meus votos dum Natal feliz para todos vós que, vindos dos quatro cantos da Terra, vos encontrais nesta Praça [de São Pedro] e para quantos nos acompanham pela rádio, televisão e restantes meios de comunicação. Obrigado pela vossa presença, neste dia de alegria.

Todos somos chamados a dar esperança ao mundo anunciando, por palavras e sobretudo com o testemunho da nossa vida, que nasceu Jesus, nossa paz.

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço de Natal! Até à vista.

Nota de Falecimento

A Diocese de Guanhães  comunica o falecimento da Sra. Maria Soares dos Santos, mãe de Padre Adão Soares de Souza, ocorrido na tarde de 16 de dezembro em Belo Horizonte.

Nossa diocese se solidariza com  Pe. Adão e seus familiares. Nossas orações e preces sejam acompanhadas pela esperança da ressurreição. Que o Senhor, em sua infinita bondade e misericórdia, conceda à Sra. Maria Soares dos Santos  o descanso e a luz eterna.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Michel Araújo – Pascom Diocesana.

O sepultamento será às 16h em Santa Maria do Suaçuí e a Missa de corpo presente será às 15h presidida por Dom Otacilio F de Lacerda.

Dom Otacilio comenta a carta do papa Francisco sobre o presépio.

 

O significado e o valor do presépio. 

No dia 01 de dezembro de 2019, o Papa Francisco nos agraciou com a Carta Apostólica “Admirabile signum”, sobre o significado e o valor do presépio.

Ele inicia ressaltando a importância do presépio na vida do povo, na religiosidade popular, e a necessidade de redescobrir e revitalizar o sentido do presépio na espiritualidade cristã.

O presépio é como um Evangelho vivo, que transvaza das páginas da Sagrada Escritura, e sua origem deve-se a São Francisco de Assis.

 “Ao entrar neste mundo, o Filho de Deus encontra lugar onde os animais vão comer. A palha torna-se a primeira enxerga para Aquele que Se há de revelar como ‘o pão vivo, o que desceu do céu’ (Jo 6, 51).

Uma simbologia, que já Santo Agostinho, a par doutros Padres da Igreja, tinha entrevisto quando escreveu: ‘Deitado numa manjedoura, torna-Se nosso alimento’. Na realidade, o Presépio inclui vários mistérios da vida de Jesus, fazendo-os aparecer familiares à nossa vida diária”.

O presépio nos comove, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-Se até à nossa pequenez:

“O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida. Em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel, que está sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho, que nos perdoa e levanta do pecado”.

Daqui decorre a importância de armar o presépio em nossas casas, pois nos ajuda a reviver a história sucedida em Belém, e nos convida a ir à fonte que são os Evangelhos, que nos permitem conhecer e meditar aquele Acontecimento.

A representação no Presépio:

– ajuda a imaginar as várias cenas;

– estimula os afetos;

– convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais.

Desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a “sentir’, a “tocar’ a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na Sua Encarnação: – “tornando-se assim, implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados (cf. Mt 25, 31-46)”.

Em alguns parágrafos, o Papa apresenta vários sinais do Presépio, como o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite; as montanhas, os riachos, as ovelhas, os pastores, Maria, José, o Menino Jesus, os reis magos e o simbolismo dos três presentes (o ouro honra a realeza de Jesus; o incenso, a sua divindade; a mirra, a sua humanidade sagrada que experimentará a morte e a sepultura).

O Presépio tem uma mensagem clara: “não podemos deixar-nos iludir pela riqueza e por tantas propostas efêmeras de felicidade…”.

Deste modo, nascendo no Presépio “o próprio Deus dá início à única verdadeira revolução que dá esperança e dignidade aos deserdados, aos marginalizados: a revolução do amor, a revolução da ternura. Do Presépio, com meiga força, Jesus proclama o apelo à partilha com os últimos como estrada para um mundo mais humano e fraterno, onde ninguém seja excluído e marginalizado”.

Quanto à figura do Menino Jesus, Deus assim Se nos apresenta, para fazer-Se acolher nos nossos braços:

“Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o Seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do Seu amor, que se manifesta num sorriso e nas Suas mãos estendidas para quem quer que seja”.

O Presépio nos revela o modo de agir de Deus, que quase cria vertigens, pois parece impossível que Ele renuncie à Sua glória para Se fazer homem como nós, afirma o Papa:

“Que surpresa ver Deus adotar os nossos próprios comportamentos: dorme, mama ao peito da mãe, chora e brinca, como todas as crianças.

Como sempre, Deus gera perplexidade, é imprevisível, aparece continuamente fora dos nossos esquemas. Assim o Presépio, ao mesmo tempo que nos mostra Deus tal como entrou no mundo, desafia-nos a imaginar a nossa vida inserida na de Deus; convida a tornar-nos seus discípulos, se quisermos alcançar o sentido último da vida”.

Nossos olhos fixos na cena no Presépio, leva-nos a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador:

“Cada um de nós torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor; e fá-lo com ações concretas de misericórdia… O que conta, é que fale à nossa vida. Por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre”.

Finaliza acenando para o Presépio, que faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé e que nos educa para:

– contemplar Jesus, sentir o amor de Deus por nós;

– sentir e acreditar que Deus está conosco e nós estamos com Ele, todos os filhos e irmãos graças àquele Menino Filho de Deus e da Virgem Maria;

– sentir que nisto se encontra a felicidade.

Conclui com um convite, para que, na escola de São Francisco, abramos o coração a esta graça simples, deixando que, do encanto, nasça uma prece humilde: o nosso ‘obrigado’ a Deus, que tudo quis partilhar conosco para nunca nos deixar sozinhos”.

Se desejar, acesse e leia na integra:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco-lettera-ap_20191201_admirabile-signum.html

“ADMIRABILE SIGNUM” – (Sinal Admirável)

CARTA APOSTÓLICA

ADMIRABILE SIGNUM

DO SANTO PADRE
FRANCISCO
SOBRE O SIGNIFICADO E VALOR DO PRESÉPIO

  1. O SINAL ADMIRÁVEL do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele. Com esta Carta, quero apoiar a tradição bonita das nossas famílias prepararem o Presépio, nos dias que antecedem o Natal, e também o costume de o armarem nos lugares de trabalho, nas escolas, nos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, nas praças… Trata-se verdadeiramente dum exercício de imaginação criativa, que recorre aos mais variados materiais para produzir, em miniatura, obras-primas de beleza. Aprende-se em criança, quando o pai e a mãe, juntamente com os avós, transmitem este gracioso costume, que encerra uma rica espiritualidade popular. Almejo que esta prática nunca desapareça; mais, espero que a mesma, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir e revitalizar.
  2. A origem do Presépio fica-se a dever, antes de mais nada, a alguns pormenores do nascimento de Jesus em Belém, referidos no Evangelho. O evangelista Lucas limita-se a dizer que, tendo-se completado os dias de Maria dar à luz, «teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria» (2, 7). Jesus é colocado numa manjedoura, que, em latim, se diz praesepium, donde vem a nossa palavra presépio. Ao entrar neste mundo, o Filho de Deus encontra lugar onde os animais vão comer. A palha torna-se a primeira enxerga para Aquele que Se há de revelar como «o pão vivo, o que desceu do céu» (Jo6, 51). Uma simbologia, que já Santo Agostinho, a par doutros Padres da Igreja, tinha entrevisto quando escreveu: «Deitado numa manjedoura, torna-Se nosso alimento».[1]Na realidade, o Presépio inclui vários mistérios da vida de Jesus, fazendo-os aparecer familiares à nossa vida diária. Passemos agora à origem do Presépio, tal como nós o entendemos. A mente leva-nos a Gréccio, na Valada de Rieti; aqui se deteve São Francisco, provavelmente quando vinha de Roma onde recebera, do Papa Honório III, a aprovação da sua Regra em 29 de novembro de 1223. Aquelas grutas, depois da sua viagem à Terra Santa, faziam-lhe lembrar de modo particular a paisagem de Belém. E é possível que, em Roma, o «Poverello» de Assis tenha ficado encantado com os mosaicos, na Basílica de Santa Maria Maior, que representam a natividade de Jesus e se encontram perto do lugar onde, segundo uma antiga tradição, se conservam precisamente as tábuas da manjedoura. As Fontes Franciscanasnarram, de forma detalhada, o que aconteceu em Gréccio. Quinze dias antes do Natal, Francisco chamou João, um homem daquela terra, para lhe pedir que o ajudasse a concretizar um desejo: «Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incómodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha duma manjedoura, entre o boi e o burro».[2]Mal acabara de o ouvir, o fiel amigo foi preparar, no lugar designado, tudo o que era necessário segundo o desejo do Santo. No dia 25 de dezembro, chegaram a Gréccio muitos frades, vindos de vários lados, e também homens e mulheres das casas da região, trazendo flores e tochas para iluminar aquela noite santa. Francisco, ao chegar, encontrou a manjedoura com palha, o boi e o burro. À vista da representação do Natal, as pessoas lá reunidas manifestaram uma alegria indescritível, como nunca tinham sentido antes. Depois o sacerdote celebrou solenemente a Eucaristia sobre a manjedoura, mostrando também deste modo a ligação que existe entre a Encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Em Gréccio, naquela ocasião, não havia figuras; o Presépio foi formado e vivido pelos que estavam presentes.[3] Assim nasce a nossa tradição: todos à volta da gruta e repletos de alegria, sem qualquer distância entre o acontecimento que se realiza e as pessoas que participam no mistério. O primeiro biógrafo de São Francisco, Tomás de Celano, lembra que naquela noite, à simples e comovente representação se veio juntar o dom duma visão maravilhosa: um dos presentes viu que jazia na manjedoura o próprio Menino Jesus. Daquele Presépio do Natal de 1223, «todos voltaram para suas casas cheios de inefável alegria»[4].
  3. Com a simplicidade daquele sinal, São Francisco realizou uma grande obra de evangelização. O seu ensinamento penetrou no coração dos cristãos, permanecendo até aos nossos dias como uma forma genuína de repropor, com simplicidade, a beleza da nossa fé. Aliás, o próprio lugar onde se realizou o primeiro Presépio sugere e suscita estes sentimentos. Gréccio torna-se um refúgio para a alma que se esconde na rocha, deixando-se envolver pelo silêncio. Por que motivo suscita o Presépio tanto enlevo e nos comove? Antes de mais nada, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-Se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida. Em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel, que está sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho, que nos perdoa e levanta do pecado. Armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém. Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte, que nos permite conhecer e meditar aquele Acontecimento; mas, a sua representação no Presépio ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos, convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais. De modo particular, desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados (cf. Mt25, 31-46).
  4. Gostava agora de repassar os vários sinais do Presépio para apreendermos o significado que encerram. Em primeiro lugar, representamos o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite. Fazemo-lo não apenas para ser fiéis às narrações do Evangelho, mas também pelo significado que possui. Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-Se presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? Donde venho? Por que nasci neste tempo? Por que amo? Por que sofro? Por que hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus Se fez homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos atravessam as trevas do sofrimento (cf. Lc1, 79). Merecem também uma referência as paisagens que fazem parte do Presépio; muitas vezes aparecem representadas as ruínas de casas e palácios antigos que, nalguns casos, substituem a gruta de Belém tornando-se a habitação da Sagrada Família. Parece que estas ruínas se inspiram na Legenda Áurea, do dominicano Jacopo de Varazze (século XIII), onde se refere a crença pagã segundo a qual o templo da Paz, em Roma, iria desabar quando desse à luz uma Virgem. Aquelas ruínas são sinal visível sobretudo da humanidade decaída, de tudo aquilo que cai em ruína, que se corrompe e definha. Este cenário diz que Jesus é a novidade no meio dum mundo velho, e veio para curar e reconstruir, para reconduzir a nossa vida e o mundo ao seu esplendor originário.
  5. Uma grande emoção se deveria apoderar de nós, ao colocarmos no Presépio as montanhas, os riachos, as ovelhas e os pastores! Pois assim lembramos, como preanunciaram os profetas, que toda a criação participa na festa da vinda do Messias. Os anjos e a estrela-cometa são o sinal de que também nós somos chamados a pôr-nos a caminho para ir até à gruta adorar o Senhor. «Vamos a Belém ver o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer» (Lc2, 15): assim falam os pastores, depois do anúncio que os anjos lhes fizeram. É um ensinamento muito belo, que nos é dado na simplicidade da descrição. Ao contrário de tanta gente ocupada a fazer muitas outras coisas, os pastores tornam-se as primeiras testemunhas do essencial, isto é, da salvação que nos é oferecida. São os mais humildes e os mais pobres que sabem acolher o acontecimento da Encarnação. A Deus, que vem ao nosso encontro no Menino Jesus, os pastores respondem, pondo-se a caminho rumo a Ele, para um encontro de amor e de grata admiração. É precisamente este encontro entre Deus e os seus filhos, graças a Jesus, que dá vida à nossa religião e constitui a sua beleza singular, que transparece de modo particular no Presépio.
  6. Nos nossos Presépios, costumamos colocar muitas figuras simbólicas. Em primeiro lugar, as de mendigos e pessoas que não conhecem outra abundância a não ser a do coração. Também estas figuras estão próximas do Menino Jesus de pleno direito, sem que ninguém possa expulsá-las ou afastá-las dum berço de tal modo improvisado que os pobres, ao seu redor, não destoam absolutamente. Antes, os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós. No Presépio, os pobres e os simples lembram-nos que Deus Se faz homem para aqueles que mais sentem a necessidade do seu amor e pedem a sua proximidade. Jesus, «manso e humilde de coração» (Mt11, 29), nasceu pobre, levou uma vida simples, para nos ensinar a identificar e a viver do essencial. Do Presépio surge, clara, a mensagem de que não podemos deixar-nos iludir pela riqueza e por tantas propostas efémeras de felicidade. Como pano de fundo, aparece o palácio de Herodes, fechado, surdo ao jubiloso anúncio. Nascendo no Presépio, o próprio Deus dá início à única verdadeira revolução que dá esperança e dignidade aos deserdados, aos marginalizados: a revolução do amor, a revolução da ternura. Do Presépio, com meiga força, Jesus proclama o apelo à partilha com os últimos como estrada para um mundo mais humano e fraterno, onde ninguém seja excluído e marginalizado. Muitas vezes, as crianças (mas os adultos também!) gostam de acrescentar, no Presépio, outras figuras que parecem não ter qualquer relação com as narrações do Evangelho. Contudo esta imaginação pretende expressar que, neste mundo novo inaugurado por Jesus, há espaço para tudo o que é humano e para toda a criatura. Do pastor ao ferreiro, do padeiro aos músicos, das mulheres com a bilha de água ao ombro às crianças que brincam… tudo isso representa a santidade do dia a dia, a alegria de realizar de modo extraordinário as coisas de todos os dias, quando Jesus partilha connosco a sua vida divina.
  7. A pouco e pouco, o Presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. A sua figura faz pensar no grande mistério que envolveu esta jovem, quando Deus bateu à porta do seu coração imaculado. Ao anúncio do anjo que Lhe pedia para Se tornar a mãe de Deus, Maria responde com obediência plena e total. As suas palavras – «eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc1, 38) – são, para todos nós, o testemunho do modo como abandonar-se, na fé, à vontade de Deus. Com aquele «sim», Maria tornava-Se mãe do Filho de Deus, sem perder – antes, graças a Ele, consagrando – a sua virgindade. N’Ela, vemos a Mãe de Deus que não guarda o seu Filho só para Si mesma, mas pede a todos que obedeçam à palavra d’Ele e a ponham em prática (cf. Jo2, 5). Ao lado de Maria, em atitude de quem protege o Menino e sua mãe, está São José. Geralmente, é representado com o bordão na mão e, por vezes, também segurando um lampião. São José desempenha um papel muito importante na vida de Jesus e Maria. É o guardião que nunca se cansa de proteger a sua família. Quando Deus o avisar da ameaça de Herodes, não hesitará a pôr-se em viagem emigrando para o Egito (cf. Mt 2, 13-15). E depois, passado o perigo, reconduzirá a família para Nazaré, onde será o primeiro educador de Jesus, na sua infância e adolescência. José trazia no coração o grande mistério que envolvia Maria, sua esposa, e Jesus; homem justo que era, sempre se entregou à vontade de Deus e pô-la em prática.
  8. O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos lá, no Natal, a figura do Menino Jesus. Assim Se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fraqueza e fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e nas suas mãos estendidas para quem quer que seja. O nascimento duma criança suscita alegria e encanto, porque nos coloca perante o grande mistério da vida. Quando vemos brilhar os olhos dos jovens esposos diante do seu filho recém-nascido, compreendemos os sentimentos de Maria e José que, olhando o Menino Jesus, entreviam a presença de Deus na sua vida. «De facto, a vida manifestou-se» (1 Jo1, 2): assim o apóstolo João resume o mistério da Encarnação. O Presépio faz-nos ver, faz-nos tocar este acontecimento único e extraordinário que mudou o curso da história e a partir do qual também se contam os anos, antes e depois do nascimento de Cristo. O modo de agir de Deus quase cria vertigens, pois parece impossível que Ele renuncie à sua glória para Se fazer homem como nós. Que surpresa ver Deus adotar os nossos próprios comportamentos: dorme, mama ao peito da mãe, chora e brinca, como todas as crianças. Como sempre, Deus gera perplexidade, é imprevisível, aparece continuamente fora dos nossos esquemas. Assim o Presépio, ao mesmo tempo que nos mostra Deus tal como entrou no mundo, desafia-nos a imaginar a nossa vida inserida na de Deus; convida a tornar-nos seus discípulos, se quisermos alcançar o sentido último da vida.
  9. Quando se aproxima a festa da Epifania, colocam-se no Presépio as três figuras dos Reis Magos. Tendo observado a estrela, aqueles sábios e ricos senhores do Oriente puseram-se a caminho rumo a Belém para conhecer Jesus e oferecer-Lhe de presente ouro, incenso e mirra. Estes presentes têm também um significado alegórico: o ouro honra a realeza de Jesus; o incenso, a sua divindade; a mirra, a sua humanidade sagrada que experimentará a morte e a sepultura. Ao fixarmos esta cena no Presépio, somos chamados a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador. Cada um de nós torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor; e fá-lo com ações concretas de misericórdia. Os Magos ensinam que se pode partir de muito longe para chegar a Cristo: são homens ricos, estrangeiros sábios, sedentos de infinito, que saem para uma viagem longa e perigosa e que os leva até Belém (cf. Mt2, 1-12). À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-Lo. Diante d’Ele compreendem que Deus, tal como regula com soberana sabedoria o curso dos astros, assim também guia o curso da história, derrubando os poderosos e exaltando os humildes. E de certeza, quando regressaram ao seu país, falaram deste encontro surpreendente com o Messias, inaugurando a viagem do Evangelho entre os gentios.
  10. Diante do Presépio, a mente corre de bom grado aos tempos em que se era criança e se esperava, com impaciência, o tempo para começar a construí-lo. Estas recordações induzem-nos a tomar consciência sempre de novo do grande dom que nos foi feito, transmitindo-nos a fé; e ao mesmo tempo, fazem-nos sentir o dever e a alegria de comunicar a mesma experiência aos filhos e netos. Não é importante a forma como se arma o Presépio; pode ser sempre igual ou modificá-la cada ano. O que conta, é que fale à nossa vida. Por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre. Queridos irmãos e irmãs, o Presépio faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé. A partir da infância e, depois, em cada idade da vida, educa-nos para contemplar Jesus, sentir o amor de Deus por nós, sentir e acreditar que Deus está connosco e nós estamos com Ele, todos filhos e irmãos graças àquele Menino Filho de Deus e da Virgem Maria. E educa para sentir que nisto está a felicidade. Na escola de São Francisco, abramos o coração a esta graça simples, deixemos que do encanto nasça uma prece humilde: o nosso «obrigado» a Deus, que tudo quis partilhar connosco para nunca nos deixar sozinhos.

Dado em Gréccio, no Santuário do Presépio, a 1 de dezembro de 2019, sétimo do meu pontificado.

+Franciscus

 

[1] Santo Agostinho, Sermão 189, 4.

[2] Tomás de Celano, Vita Prima, 85: Fontes Franciscanas, 468.

[3] Cf. ibid., 85: o. c., 469.

[4] Ibid., 86: o. c., 470.

 

Vigilância ativa e perseverança na fé Homilia – (Homilia 33ºDTCC)

Vigilância ativa e perseverança na fé

 “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21,19)

Na proximidade do final do Ano Litúrgico, a Liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a refletir sobre o sentido da História da Salvação e para onde Deus nos conduz: um mundo marcado pela felicidade plena e vida definitiva.

É preciso renascer em nós a esperança, para que dela brote a coragem para o enfrentamento das dificuldades, provações próprias na construção do Reino de Deus.

A primeira Leitura (Mal 4,1-2) retrata o período pós-exílio, uma realidade marcada pelo desânimo, apatia e falta de confiança. O Profeta Malaquias (“o meu mensageiro”) convoca o Povo de Deus à conversão e à reforma da vida cultual, pois vivendo a fidelidade aos Mandamentos da Lei Divina reencontrará a vida e a felicidade.

Seu anúncio sobre o Dia do Senhor é uma mensagem de confiança e esperança. Virá o Sol da Justiça. Este Sol é o próprio Jesus que brilha no mundo e insere a humanidade na dinâmica de um mundo novo, que consiste na dinâmica do Reino.

Numa situação difícil vivida pelo povo, é preciso viver a espera vigilante e ativa, reconhecendo a presença de Deus que intervém e comunica Sua força e poder. É preciso fortalecer a esperança, vencendo todo medo que paralisa.

A segunda Leitura (2 Ts  3,7-12) nos fala da vida futura e definitiva, que deve ser esperada sem preguiça e comodismo. A comunidade não pode cruzar os braços, tão pouco “viver nas nuvens”, assim como não pode perder tempo com futilidades, e nada de útil fazer.

É forte a mensagem dirigida à comunidade: não há lugar para parasitas que vivam à custa dos demais, o que se caracterizaria em consumidores.

Há uma exortação à responsabilização de todos, porque o Reino de Deus começa aqui e agora e a todos compromete. Não é a evasão do mundo:

“…Jesus de Nazaré não traz uma plenitude totalmente pronta. Não em uma intervenção mágica que desresponsabiliza o homem. É verdade que chegou a plenitude prometida, mas espera ser completada. É um dom, mas simultaneamente uma conquista”. (1)

A passagem do Evangelho (Lc 21, 5-19) retrata a aproximação do final da caminhada de Jesus para Jerusalém. E no Templo de Jerusalém que realiza o Seu último discurso público acerca do cumprimento da Sua vida e da História inteira.

Na fidelidade ao Senhor, a Igreja, na realização de sua missão, também poderá sofrer dificuldades e perseguições, mas precisa manter-se confiante e perseverante.

Podemos falar em três tempos:

 O tempo da presença de Jesus e Sua missão, seguido da destruição do Templo alguns anos mais tarde;

 O tempo da missão da Igreja;
– O tempo da vinda do Filho do Homem.

Enquanto aguardamos a segunda vinda do Senhor, Ele nos alerta para que não nos deixemos enganar por falsos pregadores (21,8); haverá catástrofes, terremotos, fome, epidemias (21,10-11), mas ainda não será o fim do mundo; assim como as perseguições serão inevitáveis para os que n’Ele crerem (21,12).

Por causa do Nome do Senhor Jesus, Seus discípulos serão levados aos tribunais e às “sinagogas”, na presença de reis e lançados nas prisões. Mas contarão sempre com a força de Deus para enfrentar os adversários e as dificuldades.

“Quem segue a Cristo poderá encontrar dificuldades, mesmo no seio da própria família; aderir a Jesus, de fato, muitas vezes comporta uma ruptura com as próprias tradições, e conflitos com o ambiente de onde se provém, a ponto de incorrer na denúncia dos próprios familiares (21,16-17). (2)

Nesta vigilância ativa e no testemunho dado é que a comunidade vivificará a fé, reencontrará a intimidade com Jesus, superará todo medo e alcançará a vida eterna plena e feliz: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (21,19).

“A coragem de resistir sob a pressão do mundo (mesmo para nós hoje) é condição importante para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, dispostos a segui-Lo até a Cruz. É aí que Cristo reina! Assim nos preparamos para a Solenidade de Cristo Rei” .(3)

Considerando que “Toda a Igreja é missionária, em virtude da mesma caridade com que Deus enviou Seu Filho para a Salvação de todos os homens. E única é sua missão, a de se fazer próxima de todos os homens e todos os povos, para se tornar sinal universal e instrumento eficaz da paz de Cristo (RdC 8)” (4), ao término de mais um Ano Litúrgico, é tempo de avaliarmos e projetarmos uma nova caminhada.

Reflitamos:

 Qual foi o testemunho de fé que demos ao longo desta caminhada litúrgica?

 Tenho permanecido firme na fé, ou tenho vacilado em alguns momentos?

 Diante das dificuldades que marcam a vida de cada um e da história, qual confiança tenho em Deus para enfrentá-las?

 Qual esperança cultivo no coração?

 Como estou preparando a segunda vinda do Senhor?

 Quais os reais compromissos com o Reino que multiplico como expressão de uma vigilância ativa?

 Como tenho consumido o tempo na espera do Senhor que vem?

Oremos renovando nosso compromisso diante de Deus para que permaneçamos firmes na fé, e um dia alcancemos a vida eterna:

“Ó Deus, princípio e fim de todas as coisas,

Que reunis a Humanidade no Templo vivo do Vosso Filho,

Fazei que através dos acontecimentos,

Alegres e tristes deste mundo,

Mantenhamos firme a esperança do Vosso Reino,

Com a certeza de que, na paciência,

possuiremos a vida. Amém.”  (5)

+Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Bispo Diocesano de Guanhães 

 

(1) – Missal Dominical – pp. 1295-1296.

(2) (3) – Lecionário Comentado – p. 807.
(4) – Missal Dominical – p. 1296.
(5) – Lecionário Comentado – p. 809.

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