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Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce

Com o tema “Bacia do Rio Doce, nossa Casa Comum” e lema “Aos pés do Bom Jesus, cuidar da Mãe Terra, das Águas e da Vida”, a preparação para a 5ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce acontecerá virtualmente com tríduo nos dias 15 a 17 de julho, das 19h às 20h30, e Santa Missa presidida por dom Otacílio Ferreira, no dia 19 de julho, às 10h.

Durante a preparação para a romaria, será celebrado os 5 anos da carta Laudato Si, do papa Francisco, um importante documento em prol de uma ecologia integral e do cuidado com os bens de Deus na nossa Casa Comum.

Acompanhe e participe pelos links:

🔹 Facebook da Cáritas Minas Gerais: https://www.facebook.com/caritasmg/

🔹 Youtube da Cáritas Minas Gerais: https://bit.ly/2NxHApB

🔹 Facebook da Diocese de Guanhães: https://www.facebook.com/DioceseDeGuanhaes/

🔹 Mais informações: https://bit.ly/30ak2Nl

Formação Catequética (on-line)  em tempos de distanciamento social

No final do ano de 2019, foi feito um projeto de formação e rapidamente teve que ser repensado, devido o caos em que se encontra o mundo em que habitamos.

Muitos não estavam preparados para uma mudança tão rápida. As redes sociais passaram a ser a nossa aliada para expandir o anúncio de Jesus Cristo. “Novos tempos, novas situações!”

A catequese diocesana seguiu firme com o seu propósito, não interrompendo as formações que passaram a ser virtuais desde o final de março, via facebook e whatsapp. Muitos catequistas se reinventaram para que pudessem acompanhar a cada uma.

Estava previsto trabalhar nas áreas o livreto de Dom Otacílio ”Fortaleçamos o pilar da Palavra”, e tomou-se a iniciava de se fazer on-line – via facebook – quando foi decretado o  distanciamento social. E deu certo! A partir daí, com orientação de nosso bispo – Dom Otacílio Ferreira de Lacerda – passou-se ao estudo – via whatsapp –  de Atos dos Apóstolos e as Cartas de Paulo.

Finalizando o livreto, iniciou-se o estudo do livro Catecismo da Igreja Católica, também sob orientação de Dom Otacílio .

O Catecismo é uma exposição da fé da Igreja e da Doutrina Católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. O Catecismo é, sobretudo, um instrumento válido e legítimo da comunhão eclesial e serve como uma norma segura para o ensino da fé do qual todos os batizados são convocados a transmitir às novas gerações.

Já foram realizadas três formações on-line – via facebook – com o estudo do CIC (Catecismo da Igreja Católica) que foram provocativas, estimulando a todos a aquisição e estudo do mesmo. Fez-se o estudo provocativo da carta Apostólica Fidei Depositum, prólogo e da primeira seção de A profissão de fé. O estudo das outras partes já estão agendadas.

Para a realização desde projeto, contamos com o auxílio de várias pessoas na transmissão das formações que atenderam prontamente o pedido da comissão diocesana, ajudando a aprofundar o conhecimento da fé.

O Catecismo da Igreja Católica foi dividido em quatro partes, as quais estão ligadas entre si. Na primeira parte, é tratado o mistério cristão, que é o objeto da fé, com a Profissão da Fé. Na segunda parte, é celebrado e comunicado, nos atos litúrgicos, o que professamos com a Celebração do Mistério Cristão. Na terceira parte, está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus no seu agir cristão com a vida em Cristo. Por último, na quarta parte, fundada a nossa oração, cuja expressão privilegiada é o Pai Nosso e constitui o objeto da nossa súplica, do nosso louvor e da nossa intercessão, ou seja, o que de mais precisamos para o seguimento do Senhor: a oração cristã, que deve ser o alimento da nossa vida espiritual.

Devemos estar atentos para que dúvidas superficiais não enfraqueçam nossa fé. Por mais que os questionamentos em nosso coração possam soar ao longe de início, o desconhecido é um obstáculo incômodo no caminho da salvação. Não há mal em questionar. A busca pelo conhecimento, de coração aberto e humilde, aproxima-nos da verdade da fé e, esteja certo, que encontrará resposta. Cremos na Igreja de Jesus Cristo.

“E nosso dever… dedicar-nos, com vontade pronta e sem temor, àquele trabalho que o nosso tempo exige, prosseguindo assim o caminho que a Igreja percorre há vinte séculos.”

Pela Comissão Diocesana ( Eliana alvarenga e Vera Pimenta)

 

 

Clero de Guanhães reflete sobre Media Training

Na manhã do dia 09 de Julho de 2020 o bispo de Guanhães abriu a quarta Reunião do Clero neste ano; sendo a terceira realizada por videoconferência. Na primeira parte foi ocupada para a formação permanente do clero conforme previa o calendário diocesano. Na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores Dabo Vobis (1992), Sua Santidade João Paulo II orienta que “a formação permanente é uma exigência intrínseca ao dom e ao ministério sacramental recebido e revela-se necessária em todos os tempos. Hoje, porém, ela é particularmente urgente, não só pela rápida mudança das condições sociais e culturais dos homens e dos povos, no meio dos quais se exerce o ministério pastoral, mas também por aquela “nova evangelização” que constitui a tarefa essencial e inadiável da Igreja no final do segundo milênio” (n 71).

Esta formação propiciou a cada sacerdote a oportunidade de aprofundar sobre Media Training e se atualizar conforme a proposta da Igreja. O pesquisador e jornalista Moisés Sbardelotto orientou os clérigos a como se portar diante dos meios de comunicação em variados ambientes.

A temática desta formação permanente do clero atende a necessidade do contexto em que estamos e a proposta da carta “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: as novas mídias a serviço da Palavra” do papa emérito Bento XVI no 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2010) que abordou o tema: “Aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas ‘vozes’ que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho.”

Após o estudo Dom Otacilio prosseguiu com a pauta da reunião. Anunciou a V Romaria das Águas e da Terra realizada pelo facebook “Cáritas MG” e pelo canal no youtube “Diocese de Guanhães Pascom”. Esclareceu que houve transferências devido as urgências e em agosto Pe José Martins e Pe Derci encerraram esse ciclo. Por conta do processo de interiorização do Covid-19 não será possível a flexibilização em agosto; tal propagação da doença em nossa região causa alerta por não ter sistemas de saúde com infraestrutura adequada para suportar os reflexos de uma pandemia. Também em agosto os seminaristas retomam a formação em Diamantina.

A próxima reunião será realizada no dia 28 de julho de 2020, com assessoria Dom Vicente de Paula Ferreira C. SsR, bispo auxiliar de Belo Horizonte.

 

Pe Bruno Costa Ribeiro,
assessor da PASCOM Diocesana

233º Jubileu do Bom Jesus do Matosinhos em Conceição do Mato Dentro.

Celebração do jubileu do Bom Jesus de Matosinhos – 2020

Neste  ano de 2020, o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos de Conceição do Mato Dentro foi  diferente para todos, porém, não menos importante que todos os 232 anos anteriores. Em meio à situação sanitária da pandemia do Coronavírus  que o mundo vive, as Celebrações Eucarísticas, a Novena, os  Momentos Marianos foram celebrados de  forma não presencial: os milhares de fiéis e romeiros acompanharam e  rezaram em suas casas as Missas pelas Redes sociais. A Equipe da PASCOM – Pastoral da Comunicação – se desdobrou para transmissão de todos os momentos.  O  tema  foi: “Aos pés do Bom Jesus, defendemos a vida e imploramos a cura”. Pe Eduardo Ribeiro foi o pregador oficial.

No dia 24, dia da natividade de São João Batista e encerramento do 233° Jubileu do Senhor Bom Jesus, às 16h, o Bispo Diocesano Dom Otacilio Ferreira de Lacerda presidiu, emocionadíssimo, a santa Missa sem a presença dos muitos romeiros e fiéis.  Centenas de fiéis de todos os lugares do Brasil e até de outros países participaram da Santa Missa pelas Redes Sociais. Depois da Missa, houve uma Live musical com os Padres Dilton e José Adriano. E, enquanto isso, o pároco e reitor do Santuário, padre João Evangelista e padre Ivani saíram em carro aberto com a imagem de Jesus Crucificado, percorrendo bairros por onde jamais passaram procissões, circulando  a cidade,  implorando a cura para o mundo, para todas as comunidades e familiares que, santamente e devotamente, vivem a cada ano o Santo Jubileu. Um momento histórico na vida dos conceicionenses e romeiros do Bom Jesus. Como em um abraço, numa atitude de busca da cura para toda enfermidade, a cura para essa pandemia que afeta o município e o mundo inteiro.

Às 20 h, Dom Marcello Romano presidiu a  Bênção do Santíssimo, Bênção Papal e indulgência plenária.

Senhor Bom Jesus, tem misericórdia de nós, que o Senhor nos dê a cura e nos livre do flagelo da Covid.

Amém!

Eliana Maria de Alvarenga Guimarães
(Membro da Pascom São Miguel e Nossa Sra Aparecida/ Guanhães-MG)

Revisora Mariza Pimenta Dupim
Especialista em Revisão de Textos
(33) 9 9127-0579 wpp
(33) 9 8811-3633
(33) 3421-2420

                                                     A história do Jubileu

Diz a antiga lenda, que a primeira imagem esculpida de Cristo crucificado, teria sido feita por José de Arimatéia, aquele que pediu a Pilatos para tirar o corpo do senhor da Cruz.

Quando os mouros invadiram a Terra Santa, os cavaleiros cristãos que iam lutar nas cruzadas para evitar que a imagem de Cristo crucificado caísse nas mãos dos árabes, seguidores de Maomé teriam levado a imagem para a Europa. Entretanto nas costas de Portugal, o navio que transportava a imagem, espatifando-se contra um rochedo, naufragou.

A imagem desapareceu em meio às ondas. Tempos depois, foi encontrado numa praia de Portugal um braço que se disse da imagem de Cristo, pois trazia na palma da mão a perfuração dum cravo. Este braço foi devotamente recolhido e guardado na igreja da cidade de Matosinhos, região do Pôrto, em Portugal, começando ali a devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

O encontro da imagem

Certo dia de 1734, o negro escravo Antonio Angola, pertencente ao senhor Manuel Santiago, embrenhou-se por um capão à dentro à procura de lenha para os serviços da senzala. Mas o que encontrou foi uma imagem de madeira do crucificado. A notícia correu rápida por toda a redondeza. Manuel Amorim Coelho, benzeu a imagem e a colocou na Matriz, provisoriamente.

Na região de Conceição existiam muitos portugueses oriundos do Pôrto e saudosos do seu Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, erguido há séculos às margens do no Douro. Um deles, José Corrêa Pôrto, vítima de uma doença conhecida com o nome de “zamparina”, prometeu construir no alto do morro, no meio do capão, uma capelinha para abrigar a imagem do Crucificado, encontrada pelo escravo. Sendo atendido em sua prece, começou a logo a construção da primitiva igreja, que não chegou a ver concluída, pois falecera tempos depois, vítima de outra enfermidade.

Certa vez, assolou a região terrível seca, verdadeiro flagelo quase transformando tudo num deserto de misérias. Foi quando, então se lembraram da imagem do Bom Jesus. Trouxeram-na morro abaixo, em procissão, em meio súplicas e orações. Quando estavam subindo a rua Direita, em direção à Matriz, o tempo começou a fechar, o céu escureceu e não tardaram relâmpagos e trovoadas. Durante 15 dias choveu forte, descendo água em grossos pingos, parecendo que o céu ia desabar. O povo se atirava na chuva, gritava, pulava e dançava, dando graças ao Senhor Bom Jesus, todos acorriam à igrejinha no alto da colina, buscando solução para os seus mais variados problemas, a ninguém deixando o Senhor Bom Jesus sem resposta.

 

(https://santuariodobomjesus.com.br/o-jubileu/)

 

Depoimentos :

“MOMENTO HISTÓRICO: Imagem do Senhor Bom Jesus do Matosinho em Conceição do Mato Dentro é retirada do Altar-Mor, após 101 anos para curar o mundo do mal. A última vez que a imagem saíra do altar fora em setembro de 1919, após 150 anos de sua entronização. Na época, os clamores da fé eram para livrar o mundo da gripe espanhola. 233 anos de história de Jubileu. Oremos nesse instante em que o Senhor Bom Jesus está nas ruas de CMD, em uma corrente de paz e oração, durante o bicentenário jubileu que se encerra hoje, 24/06/2020.

Adalberto Andrade Mateus _ Iepha/MG

“A passagem foi rápida, mas o momento sublime e humilde. Ele desceu e veio ao nosso encontro já que não pudemos ir até lá. Obrigada, meu doce amigo Bom Jesus, por ter deixado Sua Casa para estar conosco. Eu te amo, eu te adoro, és meu Pai, meu amigo, meu melhor confidente! Olha por este povo que tanto te ama, perdoe as nossas faltas e nos dê a honra de louvar-vos, de voltarmos para o Teu Santuário!” (24/06/2020)

Glaucia Utsch magalhães Ferreira

“A Palavra chama Gratidão.
As manifestações de carinho dedicada a cada Equipe não são para nós, mas para vocês fiéis e devotos do Bom Jesus. Vocês, com o seus clamores, fizeram com que o Bom Jesus saísse do nosso Santuário para chegar até as suas casas. A cada rua que passava, Ele estava passando em sua porta. Por isso pedimos, coloque a Cruz como gesto de amor e devoção ao Senhor Bom Jesus. Ele nos ama e sempre vai amar. Entregou a Sua vida para salvar a Humanidade. Por isso digo a vocês: “Aos pés do Bom Jesus, defendemos a vida e imploramos a cura.”
Obrigada amigos e companheiros de perto ou de longe. Abraços.”

Equipe do Santuário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição.
Continuem ligados às nossas Redes Sociais. (25/06/2020)

 

GALERIA:

 

 

 

Fotos de Selma Aguiar, Thaís Mariano e Fábio Henrique.

Palavra do Presidente da CNBB, no lançamento do Novo Diretório para a Catequese

A iniciação cristã é um ouro no caminho evangelizador e missionário de nossa Igreja. É um ouro que tem a centralidade da Palavra santa de Deus e a doutrina da nossa Fé; ouro que precisa ser bem cuidado para um novo tempo no nosso caminho. Somos agradecidos e estamos comprometidos com o dom de receber o Diretório para a Catequese.

Queremos assim, abrir nossos corações, para um Documento Pontifício que nos aponta caminhos que fecunda nosso comprometimento para a catequese de Iniciação à Vida Cristã. É um Novo Diretório para toda a nossa Igreja que nos compromete de modo especial, aqui no Brasil, com o caminho fecundo e bonito da catequese, com tantos testemunhos, historicamente incalculáveis na sua força e na sua importância. É o Papa Francisco nos convidando a ser cada vez mais, com a força da catequese, uma Igreja em saída. É o que nós, nas nossas Diretrizes Gerais  da Ação Evangelizadora acentuamos a força e a importância da catequese na ação evangelizadora de nossa Igreja.  Tudo isso de maneira sinodal, participativa, envolvendo a todos, contando com muitos e com o empenho qualificado de cada um de nós.

Eu quero dizer ao seu coração: ensinar os caminhos da fé cristã católica, ajudar cada pessoa a seguir Jesus mudando hábitos, modos de pensar e agir, são dons preciosos dos catequistas a serviço da Igreja e do mundo.

Essa capacidade de orientar na fé crianças, jovens e adultos deve ser continuamente aprimorada, pois, o coração humano permanentemente se transforma e precisa de transformações. Recebe influências das mudanças de cada época, enfrenta desafios próprios nos diferentes momentos da história.

A catequese, pois, renovar-se continuamente, é o seu segredo.  Por isso estamos felizes, abertos a esta renovação. Renovada, a catequese consegue compartilhar lições que são sempre atuais, valores que não mudam e tem força para transformar o mundo, tornando-o mais justo, solidário e fraterno. Essas lições e valores têm como fonte os ensinamentos de Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor.

Ser catequista é, pois, oferecer ao próximo que é irmão e irmã, os fundamentos para a vivência plena e autêntica da fé. Trata-se de tarefa desafiadora, pois, abraçar o Evangelho exige a coragem de fazer da própria vida uma oferta à humanidade, indo ao encontro de todos, em todos os lugares, com coragem, com alegria missionária.

O catequista deve ajudar cada pessoa a compreender que esse caminho leva a genuína felicidade, pois permite descobrir o verdadeiro sentido da vida. Esse sentido não está em patrimônios, posses, privilégios, mas na adoção de um jeito de ser, inspirado em Jesus Cristo, na condição honrosa e alegre de sermos discípulos e discípulas d’Ele, nosso Mestre, filhos e filhas de Deus nosso Pai.

O Novo Diretório para a Catequese, o documento Pontifício, oferece importante contribuição aos que ensinam os primeiros passos da vida cristã. Ensina os primeiros passos e os fortalece na autenticidade do testemunho. As indicações do Documento são valiosas para formar crianças, adolescentes, jovens e adultos, fazendo-os também evangelizadores.

Atento aos desafios deste tempo novo, o Diretório para a Catequese aponta um itinerário, que, se acolhido, permitirá uma formação cristã que fortaleça ainda mais a Igreja na sua missão de estar sempre em saída ao encontro dos que estão nas periferias geográficas e existenciais.

Convido a você, a se dedicar ao Novo Diretório para a Catequese, preparando-se continuamente para uma adequada formação para este tempo de aceleradas mudanças. Com a força, a centralidade e a luz da Palavra de Deus, um novo caminho, um novo tempo.

Permaneçamos unidos na missão de ajudar cada pessoas a iniciar o caminho da vida cristã, a seguir com fidelidade esse itinerário que leva a uma vida plena, a uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

Permaneçamos firmes e missionariamente empenhados nesta tarefa tão importante e essencial, cuidando para que cada pessoa, criança, adolescente, jovem e adulto, cada pessoa, cresça neste caminho da iniciação à vida cristã. Que nós possamos ser vigorosos, discípulos e discípulas de Cristo Jesus.

Amada Mãe Maria nos inspire, sobretudo a guardar no coração tudo o que ouvirmos, para transformar em compromisso e em testemunho. Proteja-nos, amada Mãe Maria, que também acompanhou o crescimento d’Ele, o Filho amado, Cristo Jesus, em estatura, graça e sabedoria.

Fonte: Diocese de Erexim

 

 

Clero de Guanhães realiza reunião on-line (videoconferência)

Neste tempo de distanciamento social, algumas práticas ganham resignificado e ainda mais importância pois, preserva do isolamento. Sendo assim o clero da diocese de Guanhães realizou na manhã de terça-feira, dia 23 de Junho, a primeira reunião online (videoconferência) devido a pandemia de Covid -19. O bispo, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda, e mais 25 padres de diversas paróquias trataram de questões relacionadas a readequação de algumas datas na agenda para o segundo semestre.

Após a oração, no início da reunião, Dom Otacilio fez uma reflexão da “carta do Papa Francisco aos presbíteros por ocasião dos cento e sessenta anos da morte do Cura d’Ars”. Entre outros aspectos enfatizou sobre o que a carta diz a respeito de “reforçar os vínculos de fraternidade e amizade no presbitério e com o vosso bispo, apoiando-vos mutuamente”.

E exortou sobre a importância da amizade entre os padres “amigo de padre é outro padre” e usou as palavras do papa para encorajar os padres “a que não negligenciásseis o acompanhamento espiritual, tendo um irmão com quem falar, confrontar-se, debater e discernir, com plena confiança e transparência, a propósito do próprio caminho; um irmão sábio, com quem fazer a experiência de se saber discípulo.”

Após abertura feita pelo bispo sucedeu um momento de partilha sobre o dia de oração pelo clero vivido de modo solene com o tríduo preparatório rezado na catedral e transmitido por variados meios, com a live no youtube da diocese e encerrado no programa de rádio Hora da Família. Continuemos nossa prece pelo clero.

Padre Eduardo (Coluna) manifestou estar muito preocupado com o descaso da população, sem levar a sério as orientações de combate a pandemia. O bispo lembrou que não é momento pra flexibilizar pois o interior de Minas Gerais está sendo afetado agora pelo vírus. E afirmou “quero pedir perdão por ter exagerado mas não por que fui omisso”.

Dom Otacilio lembrou que os padres são muito cobrados neste contexto de pandemia. No entanto esse momento exige muita serenidade de cada um de nós. É por isso que são feitos “orientações diocesana” ao invés de “decretos” pois leva em conta o clamor pastoral de cada paróquia. Padre Dilton (Santa Maria do Suaçuí), coordenador de pastoral, pediu que haja unidade no seguimento das orientações e pediu que evitássemos o isolamento, justificado pelo distanciamento social, assunto abordado pelo papa na mensagem usada pelo bispo para abrir os assuntos desta reunião.

Padre Salomão (Rio Vermelho), representante dos presbíteros, fala sobre a formação permanente do clero lembrando os temas. Dom Otacilio propõe que a próxima formação aborde sobre “mídias sociais e a pessoa do padre” e que seja por vídeo conferência, desse modo não ficamos esperando a pandemia passar e seguimos com nossa formação permanente marcada para 9 de julho, das 9h às 10:30h. Padre Bruno (São Sebastião do Maranhão) ficou responsável por convidar o assessor. O “planejamento pastoral” também foi um assunto apontado para tal formação.

O padre José Martins (Divinolândia de Minas) registra a ação efetiva da igreja presente no comitê municipal de enfrentamento e prevenção à Covid-19. “Somos formadores de opinião e devemos conscientizar o povo sob a responsabilidade em proteger a vida uns dos outros.

Dom Otacilio propõe que quinzenalmente seja feito o encontro do clero por videoconferência. E se despediu dizendo que “embora não possamos nos encontrar presencialmente, hoje nos encontramos e nos fizemos próximos. Acredito que as próximas serão melhores ainda. Nada dispensará o presencial! Estamos todos no caminho do aprendizado: não há mestres, há discípulos e aprendizes. O caminho é longo e vamos caminhar e venceremos. Deus vos abençoe leve alegria e esperança para este POVO TÃO SOFRIDO”.

Padre Bruno Costa Ribeiro,
pela PASCOM Diocesana

“Agosto – possível flexibilização”, diz Dom Otacilio

No dia em que se registra no Brasil a 1ª semana com queda de mortes por Coronavírus (16/06) – fenômeno que foi possível uma vez que 13 estados conseguiram diminuir a quantidade de óbitos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) – o bispo de Guanhães anuncia que em agosto poderá dar início a flexibilização. Sendo assim a participação dos fiéis permanecem “não-presencial” até o final de julho.

Quanto a comunhão aos fiéis: continua “não sendo recomendado” no entanto, fica “sob responsabilidade” do padre sobre o que fazer visto que não foi proibida a distribuição da comunhão eucarística aos fiéis nas paróquias. Sobre a Eucaristia recolhida das capelas nas comunidades: a orientação é que “podem ser consumidas aos poucos (com toda reverência e disposição)”. Cada padre saberá a melhor forma para consumir. Apesar de parecer pejorativa a expressão “consumir” significa que a hóstia deve ser “comida” ou “dissolvida” em água para depois ser enterrada.

Depois de aproximadamente 80 dias em que os fiéis católicos vem realizando a comunhão espiritual ao participar da celebração em suas casas, a paróquia de São Sebastião do Maranhão iniciou a distribuição da Eucaristia aos fiéis no dia de Corpus Christi (11/06). Esta é uma forma de se “consumir” a Eucaristia guardada na igreja matriz e oferecer conforto espiritual ao povo de Deus naquela paróquia.

A partir de então, em todos os domingos, às 9h da manhã, haverá missa com transmissão (pela rede social da paróquia e rádio) e comunhão eucarística ao final na porta da igreja – com a condição de ter participado da missa em qualquer lugar antes de ir comungar usando a máscara – até o meio dia (12h).

Aliás, Um estudo recente da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, afirma que o uso de máscaras é eficaz para reduzir taxa de transmissão. Sendo assim, os lockdowns sozinhos não serão suficientes para impedir futuras ondas de contágio, a não ser que isso seja combinado com o uso massivo de máscaras para retardar a propagação da doença.

Desde o dia 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde decretou a Pandemia do novo Coronavírus, a humanidade iniciava uma caminhada que até o presente momento não tem clareza sobre o seu fim e o seu significado. Neste contexto de “reivindicação” da Eucaristia em tempos de pandemia no Brasil, o Papa afirmou durante a Missa da Solenidade de Corpus Christi, que “o Senhor sabe que o mal e os pecados não são a nossa identidade; são doenças, infecções. E Ele vem curá-las com a Eucaristia, que contém os anticorpos para a nossa memória doente de negativismo”. O conteúdo desta homilia pode ser lido no site da diocese de Guanhães.

Padre Bruno Costa Ribeiro,
assessor da PASCOM da Diocese de Guanhães

“Não podemos viver sem a Eucaristia”, afirma o papa.

Neste domingo, 14 de junho, Solenidade de Corpus Christi na Itália e em outros países, o Papa afirmou durante a Missa que “não podemos passar sem a Eucaristia, é o memorial de Deus”.

O Papa, em sua homilia pronunciada durante a Missa celebrada na Basílica de São Pedro do Vaticano, ressaltou que “o Senhor sabe que o mal e os pecados não são a nossa identidade; são doenças, infecções. E Ele vem curá-las com a Eucaristia, que contém os anticorpos para a nossa memória doente de negativismo”.

Ele alertou sobre o perigo de esquecer a ação salvadora de Deus na humanidade. Explicou que “a memória não é uma coisa privada, mas o caminho que nos une a Deus e aos outros. Por isso, na Bíblia, a lembrança do Senhor deve ser transmitida de geração em geração, contada de pai para filho”.

De fato, “foi-nos dada a Sagrada Escritura para vencermos o esquecimento de Deus”. Mas há um problema, assinalou o Pontífice: “E se a corrente de transmissão das recordações se interromper? Depois, como se pode lembrar aquilo que só ouvimos, mas sem o ter experimentado? Deus sabe como isso é difícil, sabe como é frágil a nossa memória e realizou, em nosso favor, uma coisa inaudita: deixou-nos um memorial”.

Por isso, “não nos deixou apenas palavras, porque é fácil esquecer o que se ouve. Não nos deixou só a Escritura, porque é fácil esquecer o que se lê. Não nos deixou apenas sinais, porque se pode esquecer também o que se vê”.

“Em vez disso, deu-nos um Alimento, e é difícil esquecer um sabor. Deixou-nos um Pão em que está Ele, vivo e verdadeiro, com todo o sabor do seu amor. Ao recebê-Lo, podemos dizer: ‘É o Senhor! Ele lembra-Se de mim’”.

Esse é o sentido das palavras de Jesus na Última Ceia: “Fazei isto em memória de Mim”. “Fazei. A Eucaristia não é simples lembrança; é um fato: é a Páscoa do Senhor, que ressuscita para nós”.

“A Eucaristia traz-nos o amor fiel do Pai, que cura a nossa orfandade. Dá-nos o amor de Jesus, que transformou um sepulcro, de ponto de chegada, em ponto de partida e da mesma maneira pode inverter as nossas vidas. Infunde-nos o amor do Espírito Santo, que consola, porque nunca nos deixa sozinhos e cura as feridas”.

Com a Eucaristia “o Senhor cura esta memória negativa, que sempre faz vir ao de cima as coisas mal feitas e deixa-nos na cabeça a triste ideia de que não servimos para nada, que só cometemos erros, que nos fizeram errados”.

“Jesus vem dizer-nos que não é assim. Ele é feliz quando está na nossa intimidade e, sempre que O recebemos, lembra-nos que somos preciosos: somos os convidados esperados para o seu banquete, os comensais que Ele deseja”.

O Papa Francisco encerrou sua homilia convidando-nos a continuar celebrando “o Memorial que cura a nossa memória, a Missa. É o tesouro que deve ocupar o primeiro lugar na Igreja e na vida”.

Fonte: ocnoticias.com.br

 

Mensagem do Papa às Pontifícias Obras Missionárias

 

O Papa Francisco divulgou, uma Mensagem às Pontifícias Obras Missionárias. No texto, Francisco recorda que o “delineamento mais íntimo” da missão da Igreja é “o de ser obra do Espírito Santo, e não consequência das nossas reflexões e intenções”.

Mensagem do Papa Francisco às Pontifícias Obras Missionárias. 

«Estavam todos reunidos, quando Lhe perguntaram: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?” Respondeu-lhes: “Não vos compete saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade. Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo”. Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem subtraiu-O a seus olhos» (At 1, 6-9).

«O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles, partindo, foram pregar por toda a parte; o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam» (Mc 16, 19-20).

«Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-Se deles e elevava-Se ao Céu. E eles, depois de se terem prostrado diante d’Ele, voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo a bendizer a Deus» (Lc 24, 50-53).

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Neste ano, havia decidido participar na vossa Assembleia Geral anual, prevista para 21 de maio, uma quinta-feira e festa da Ascensão do Senhor. Mas, depois, a Assembleia foi cancelada por causa da pandemia que nos afeta a todos. Quero, porém, enviar a todos vós esta Mensagem para de algum modo dar a conhecer as coisas que tinha no coração para vos dizer. Esta festa cristã, em tempos inimagináveis como os que estamos a viver, parece-me ainda mais fecunda em sugestões para o caminho e a missão de cada um de nós e de toda a Igreja.

Celebramos a Ascensão como uma festa e, todavia, comemora a despedida de Jesus dos seus discípulos e deste mundo. O Senhor eleva-Se até ao Céu (a Liturgia oriental descreve a maravilha dos anjos ao verem um homem que sobe, com a sua carne, para a direita do Pai). Quanto aos discípulos, apesar de O terem visto ressuscitado, parecem não ter ainda entendido o que aconteceu, mesmo agora que Cristo está prestes a subir ao Céu; está para dar início à realização do seu Reino, e eles ainda se perdem atrás das suas conjeturas. Perguntam-Lhe se é agora que vai restaurar o Reino de Israel (cf. At 1, 6). Contudo, quando Cristo os deixa, em vez de ficar tristes, voltam para Jerusalém – como escreve Lucas (cf. 24, 52) – «com grande alegria». Isto seria estranho, se algo não tivesse acontecido pelo meio. Efetivamente, Jesus já lhes prometeu a força do Espírito Santo, que descerá sobre eles no Pentecostes. Este é o milagre que muda a situação. E tornam-se mais seguros, quando confiam tudo ao Senhor. Estão cheios de alegria. E a alegria neles é a plenitude da consolação, a plenitude da presença do Senhor.

Tendo presente aquilo que Paulo escreve aos Gálatas, sabemos que a plenitude da alegria dos Apóstolos não é efeito de emoções que deleitam e os fazem rejubilar; mas trata-se duma alegria transbordante que só se pode experimentar como fruto e dom do Espírito (cf. Gal 5, 22). Receber a alegria do Espírito é uma graça; e é a única força que podemos ter para pregar o Evangelho, confessar a fé no Senhor. Fé é testemunhar a alegria que nos dá o Senhor. Alegria assim, uma pessoa não a pode conseguir só por si mesma.

Antes de partir, Jesus disse aos seus discípulos que havia de lhes mandar o Espírito, o Consolador. E de igual modo deixou entregue ao Espírito também a obra apostólica da Igreja ao longo da história até ao seu retorno. O mistério da Ascensão, juntamente com a efusão do Espírito no Pentecostes, imprime e transmite para sempre à missão da Igreja o seu delineamento mais íntimo: o de ser obra do Espírito Santo, e não consequência das nossas reflexões e intenções. Este é o traço que pode tornar fecunda a missão e preservá-la de qualquer suposta autossuficiência, da tentação de tomar como refém a carne de Cristo – elevado ao Céu – para os seus projetos clericais de poder.

Quando não se vê nem reconhece a obra atual e eficaz do Espírito Santo na missão da Igreja, isso quer dizer que as próprias palavras da missão – incluindo as mais exatas, as mais pensadas – se tornaram como que «discursos de sabedoria humana», usadas para dar glória a si mesmo ou encobrir e mascarar os próprios desertos interiores.

A alegria do Evangelho

A salvação é o encontro com Jesus, que nos ama e perdoa, enviando-nos o Espírito que nos consola e defende. A salvação não é consequência das nossas iniciativas missionárias, nem dos nossos discursos sobre a encarnação do Verbo. A salvação só pode vir para cada um mediante o olhar do encontro com Ele, que nos chama. Por isso, o mistério da predileção tem início e só pode começar num ímpeto de gratidão, de alegria: a alegria do Evangelho, a «grande alegria» daquelas pobres mulheres que, ao amanhecer do domingo de Páscoa, tinham ido ao sepulcro de Cristo e acharam-no vazio, mas depois foram as primeiras a encontrar Jesus ressuscitado e correram a dizê-lo aos outros (cf. Mt 28, 8-10). Só assim, apesar de escolhidos e prediletos, poderemos testemunhar ao mundo inteiro, com as nossas vidas, a glória de Cristo ressuscitado.

Em qualquer situação humana, as testemunhas atestam o que foi feito por outra pessoa. Só neste sentido é que podemos ser testemunhas de Cristo e do seu Espírito. Depois da Ascensão, como aparece narrado na conclusão do Evangelho de Marcos, os apóstolos e os discípulos «foram pregar por toda a parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando a Palavra com os sinais que a acompanhavam» (16, 20). Cristo, com o seu Espírito, dá testemunho de Si próprio através das obras que realiza em nós e connosco. Já explicava Santo Agostinho que a Igreja não suplicaria ao Senhor que a fé fosse concedida àqueles que não conhecem a Cristo, se não acreditasse que é o próprio Deus a revirar e atrair para Si mesmo a vontade dos homens. A Igreja não levaria os seus filhos a rezarem ao Senhor para perseverar na fé em Cristo, se não acreditasse que é precisamente o Senhor que detém na sua mão os nossos corações. De facto, se a Igreja mandasse pedir a Cristo estas coisas, mas pensando que ela mesma as poderia dar, isso significava que todas as suas orações não eram autênticas, mas fórmulas vazias, «modos de falar», conveniências ditadas pelo conformismo eclesiástico (cf. O dom da perseverança. A Próspero e Hilário, 23, 63).

Se não se reconhece que a fé é um dom de Deus, as próprias orações que a Igreja Lhe dirige não teriam sentido. Através delas, não se manifestaria qualquer paixão sincera pela felicidade e a salvação dos outros, daqueles que não reconhecem Cristo ressuscitado, mesmo que transcorra o tempo a organizar a conversão do mundo ao cristianismo.

É o Espírito Santo que acende e guarda a fé nos corações: o reconhecimento deste dado muda tudo. Efetivamente, é o Espírito que inflama e anima a missão, imprimindo-lhe feições «genéticas», acentuações e andamentos singulares que tornam o anúncio do Evangelho e a confissão da fé cristã uma coisa diferente de qualquer proselitismo político ou cultural, psicológico ou religioso.

Recordei muitos destes traços distintivos da missão, na Exortação apostólica Evangelii gaudium. Retomo alguns.

Atração. O mistério da Redenção entrou e continua a operar no mundo através duma atração, que pode conquistar o coração dos homens e mulheres, porque é, e se manifesta, mais atraente do que as seduções que fazem apelo ao egoísmo, consequência do pecado. «Ninguém pode vir a Mim se o Pai que Me enviou o não atrair», diz Jesus no Evangelho de João (6, 44). A Igreja sempre reafirmou que segue-se Jesus e anuncia-se o seu Evangelho pela força da atração exercida pelo próprio Cristo e pelo seu Espírito. O Papa Bento XVI afirmou que a Igreja cresce no mundo, não por proselitismo, mas por atração (cf. Homilia na Missa de abertura da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, Aparecida, 13/V/2007). Santo Agostinho dizia que Cristo revela-Se a nós atraindo-nos. E, para dar uma imagem desta atração, citava o poeta Virgílio segundo o qual cada um é atraído por aquilo que lhe agrada. Jesus não só convence a nossa vontade, mas atrai o nosso prazer (Comentário sobre o Evangelho de João, 26, 4). Quando uma pessoa segue feliz Jesus, porque se sente atraída por Ele, os outros dão-se conta disso; e podem maravilhar-se. A alegria que transparece nas pessoas que são atraídas por Cristo e pelo seu Espírito é o que pode tornar fecunda qualquer iniciativa missionária.

Gratidão e gratuidade. A alegria de anunciar o Evangelho sempre brilha no horizonte duma memória agradecida. Os dois primeiros discípulos nunca esqueceram o momento em que Jesus lhes tocou o coração: «Eram as quatro da tarde» (Jo 1, 39). A história da Igreja resplandece, quando nela se manifesta a gratidão pela iniciativa gratuita de Deus, porque «foi Ele mesmo que nos amou» primeiro (1 Jo 4, 10), porque «só Deus [é] que faz crescer» (1 Cor 3, 7). A predileção amorosa do Senhor surpreende-nos e gera maravilha; esta, por sua natureza, não pode ser possuída nem imposta por nós. Não é possível «maravilhar-se à força». Só assim pode florir o milagre da gratuidade, do dom gratuito de si mesmo. O próprio ardor missionário nunca se pode obter em consequência dum raciocínio ou dum cálculo. Colocar-se «em estado de missão» é um reflexo da gratidão. Trata-se da resposta duma pessoa que, por gratidão, se torna dócil ao Espírito e, consequentemente, é livre. Se não nos apercebermos da predileção do Senhor, que nos torna agradecidos, até o conhecimento da verdade e o próprio conhecimento de Deus, ostentados como uma possessão alcançável com as próprias forças, se tornariam de facto «letra [que] mata» (2 Cor 3, 6), como demonstraram primeiramente São Paulo e Santo Agostinho. Só na liberdade da gratidão é que se conhece verdadeiramente o Senhor. Por isso, não vale nada e sobretudo não é apropriado insistir na apresentação da missão e do anúncio do Evangelho como se fossem um dever vinculante, uma espécie de «obrigação contratual» dos batizados.

Humildade. Se a verdade e a fé, se a felicidade e a salvação não são nossa possessão nem uma meta alcançada pelos nossos méritos, o Evangelho de Cristo só pode ser anunciado com humildade. Jamais se pode pensar em servir a missão da Igreja cultivando a arrogância, seja como indivíduos seja através dos organismos, com a altivez de quem distorce até o dom dos Sacramentos e as palavras mais autênticas da fé cristã como se fossem um espólio que ganhamos. Não se pode ser humilde por boa educação, nem por desejar aparecer cativante; uma pessoa é humilde, se seguir Cristo, que disse aos seus: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). Santo Agostinho interroga-se por que motivo Jesus, depois da Ressurreição, Se fez ver apenas aos seus discípulos, e não àqueles que O crucificaram; responde ele que Jesus não queria dar a impressão de «desafiar de alguma maneira os seus assassinos. Efetivamente, para Ele, era mais importante ensinar a humildade aos amigos do que lançar a verdade à cara dos inimigos» (Discurso 284, 6).

Facilitar, não complicar. Outra caraterística do trabalho missionário autêntico é a que alude à paciência de Jesus, que, nas próprias narrações do Evangelho, acompanhava sempre com misericórdia os passos de crescimento das pessoas. Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode fazer o coração de Deus mais feliz do que os largos passos de quem avança na vida sem grandes dificuldades. Um coração missionário reconhece a condição real em que se encontram as pessoas reais, com as suas limitações, pecados, fragilidades, e faz-se «fraco com os fracos» (1 Cor 9, 22). «Sair» em missão para alcançar as periferias humanas não significa vagar sem direção nem sentido, como vendedores impacientes que se lamentam porque a gente é demasiado rude e primitiva para se interessar pela sua mercadoria. Umas vezes, trata-se de abrandar o passo, para acompanhar quem ficou na beira da estrada; outras vezes, é preciso imitar o pai da parábola do filho pródigo, que deixa as portas abertas e perscruta, diariamente, o horizonte enquanto espera o regresso do filho (cf. Lc 15, 20). A Igreja não é uma alfândega e quem participa de algum modo na missão da Igreja é chamado a não acrescentar pesos inúteis às vidas já afadigadas das pessoas, a não impor percursos sofisticados e trabalhosos de formação para usufruir daquilo que o Senhor concede com facilidade. Não se coloquem obstáculos ao desejo de Jesus, que reza por cada um de nós e quer curar a todos, salvar a todos.

Aproximação à vida real. Jesus encontrou os seus primeiros discípulos nas margens do lago da Galileia, quando estavam ocupados no seu trabalho. Não os encontrou num congresso, num seminário de preparação nem no Templo. O anúncio de salvação de Jesus alcança as pessoas sempre onde estão e como estão, nas suas vidas reais. A normalidade da vida comum, tomando parte nas necessidades, esperanças e problemas de todos, é o lugar e a condição onde quem reconheceu o amor de Cristo e recebeu o dom do Espírito Santo pode dar razão da sua fé, esperança e caridade àqueles que lha pedirem; caminhando juntamente com os outros, ao lado de todos. Sobretudo neste tempo em que vivemos, não se trata de inventar percursos de preparação «reservados», criar mundos paralelos, criar bolhas mediáticas onde fazer ressoar os próprios slogans, as próprias declarações de intentos, reduzidas a pacatos «nominalismos declaratórios». A título de exemplo, como já tenho recordado outras vezes, na Igreja continua a haver quem apregoe o slogan «é a hora dos leigos», mas o relógio parece ter parado…

O «sensus fidei» do povo de Deus. No mundo, há um povo que possui uma espécie de «olfato» que pressente o Espírito Santo e a sua ação. É o povo de Deus, chamado e querido a Jesus, o qual, por sua vez, continua a procurá-Lo e sempre recorre a Ele nas aflições da vida. O povo de Deus suplica o dom do seu Espírito: confia a espera por Este às palavras simples das orações, e nunca se acomoda na presunção da sua autossuficiência. O santo povo de Deus é reunido e ungido pelo Senhor; e, em virtude desta unção, torna-se infalível «in credendo», como ensina a Tradição da Igreja. A ação do Espírito Santo dota o povo fiel com um «instinto» da fé – o sensus fidei –, que o ajuda a não se enganar nas coisas de Deus que crê, embora não conheça raciocínios e fórmulas teológicas para definir os dons que experimenta. O mistério do povo peregrino, que, na sua espiritualidade popular, caminha rumo aos santuários e se consagra a Jesus, a Maria e aos Santos, bebe e adere de forma conatural à iniciativa livre e gratuita de Deus, sem precisar de seguir planos de mobilização pastoral.

Predileção pelos humildes e os pobres. Todo o ardor missionário, se for guiado pelo Espírito Santo, mostra uma predileção pelos pobres e os humildes como sinal e reflexo da preferência que o Senhor tem por eles. As pessoas diretamente envolvidas em iniciativas e estruturas missionárias da Igreja nunca deveriam justificar a sua falta de atenção aos pobres com a desculpa – muito usada em certos círculos eclesiásticos – de ter que concentrar as suas energias em tarefas prioritárias para a missão. A preferência pelos pobres não é uma opção facultativa para a Igreja.

As dinâmicas e abordagens anteriormente descritas fazem parte da missão da Igreja, animada pelo Espírito Santo. Habitualmente é reconhecida e afirmada, nas declarações e discursos eclesiásticos, a necessidade do Espírito Santo como fonte da missão da Igreja. Mas sucede também que tal reconhecimento se reduza a uma espécie de «homenagem formal» à Santíssima Trindade, uma fórmula introdutória convencional para intervenções teológicas e planos pastorais. Na Igreja, há muitas situações em que o primado da graça permanece apenas como um postulado teórico, uma fórmula abstrata. Acontece que muitas iniciativas e organismos ligados à Igreja, em vez de deixar transparecer a atividade do Espírito Santo, acabam por dar testemunho apenas da sua autorreferencialidade. Muitos sistemas eclesiásticos, em todos os níveis, parecem absorvidos pela obsessão de se promover a si mesmos e às suas iniciativas; como se isto fosse o objetivo e o horizonte da sua missão.

Até aqui limitei-me a tomar e repropor critérios e ideias sobre a missão da Igreja, que expusera de forma mais desenvolvida na Exortação apostólica Evangelii gaudium. Fi-lo por acreditar que seria útil e fecundo – e inadiável – também para as Pontifícias Obras Missionárias (POM) confrontar-se com tais critérios e sugestões, neste trecho do seu caminho.

As POM e o tempo presente.

Talentos a desenvolver, tentações e doenças a evitar

Que perspetivas se abrem para o presente e o futuro das POM? Que lastro se arrisca a sobrecarregar-lhes o caminho?

Na fisionomia, eu diria na identidade, das Pontifícias Obras Missionárias, aparecem certos traços distintivos – alguns, por assim dizer, genéticos, outros adquiridos ao longo do seu percurso histórico – que muitas vezes são transcurados ou vistos como um dado adquirido. Ora, são precisamente tais traços que podem salvaguardar e tornar preciosa, sobretudo no tempo presente, a contribuição desta «rede» para a missão universal a que é chamada toda a Igreja.

– As Obras Missionárias nasceram, espontaneamente, do ardor missionário manifestado pela fé dos batizados. Há e permanece uma consonância íntima, uma familiaridade entre as Obras Missionárias e o sensus fidei infalível in credendo do povo fiel de Deus.

– As Obras Missionárias, desde o início, avançaram sobre dois «trilhos», ou melhor, ao longo de duas margens que seguem sempre paralelas e, no seu caráter elementar, sempre se apresentaram familiares ao coração do povo de Deus: a oração e a caridade, sob a forma da esmola, que «livra da morte e limpa de todo o pecado» (Tob 12, 9), a «caridade intensa» que «cobre a multidão dos pecados» (1 Ped 4, 8). Os fundadores das Obras Missionárias, a começar por Pauline Jaricot, não inventaram as orações nem as obras às quais confiaram os seus anseios a propósito do anúncio do Evangelho, mas limitaram-se a extraí-las do tesouro inexaurível dos gestos mais familiares e habituais que tem o povo de Deus no seu caminho ao longo da história.

– As Obras Missionárias, surgidas de maneira gratuita na trama vital do povo de Deus, pela sua configuração simples e concreta foram reconhecidas e tão estimadas pela Igreja de Roma e seus Bispos, que estes, no século passado, pediram para poder adotá-las como instrumento peculiar do serviço por eles prestado à Igreja universal. Este caminho levou a atribuir a tais Obras a designação de «Pontifícias». Desde então sobressai, na fisionomia das POM, a sua caraterística de instrumentos de serviço às Igrejas particulares apoiando-as na obra de anúncio do Evangelho. Seguindo o mesmo caminho, as Pontifícias Obras Missionárias ofereceram-se docilmente como instrumentos de serviço à Igreja, no seio do ministério universal realizado pelo Papa e pela Igreja de Roma, que «preside na caridade». Assim, pelo seu próprio percurso e sem entrar em complexas disputas teológicas, as POM refutaram os argumentos de quem, mesmo em ambientes eclesiásticos, contrapõe de maneira imprópria carisma e instituição, lendo sempre as relações entre as duas realidades através duma equivocada «dialética dos princípios». Efetivamente, na Igreja, os próprios elementos estruturais permanentes – tais como os Sacramentos, o sacerdócio e a sucessão apostólica – não estão à disposição da Igreja como um objeto de posse adquirida, mas devem ser continuamente recriados pelo Espírito Santo (cf. Card. J. Ratzinger, Os movimentos eclesiais e a sua colocação teológica. Intervenção no Congresso mundial dos movimentos eclesiais, Roma, 27-29/V/1998).

– As Obras Missionárias, desde a sua difusão inicial, estruturaram-se como uma rede capilar espalhada no seio do povo de Deus, plenamente ancorada e efetivamente «imanente» à rede das instituições e realidades da vida eclesial pré-existentes, como as dioceses, as paróquias, as comunidades religiosas. A vocação peculiar das pessoas envolvidas nas Obras Missionárias nunca foi vivida e sentida como um caminho alternativo, uma pertença «externa» relativamente às formas comuns da vida das Igrejas particulares. A solicitação no sentido de rezar e angariar recursos para a missão sempre foi feita como um serviço à comunhão eclesial.

– As Obras Missionárias, tornando-se com o decorrer do tempo uma rede espalhada por todos os Continentes, refletem pela sua própria configuração a variedade de acentos, condições, problemas e dons que conotam a vida da Igreja nos diferentes lugares do mundo. Uma pluralidade que pode proteger contra assimilações ideológicas e unilateralismos culturais. Nesta linha é possível experimentar, também através das POM, o mistério da universalidade da Igreja: enquanto a obra incessante do Espírito Santo cria a harmonia entre as diferentes vozes, o Bispo de Roma, com o seu serviço de caridade exercido inclusivamente através das Pontifícias Obras Missionárias, salvaguarda a unidade na fé.

Todas as caraterísticas descritas até agora podem ajudar as Pontifícias Obras Missionárias a subtraírem-se às armadilhas e patologias que pairam sobre o caminho delas e de tantas outras instituições eclesiais. Assinalo algumas delas.

Armadilhas a evitar

Autorreferencialidade. Sem pretender negar as boas intenções dos indivíduos, organizações e entidades eclesiais, às vezes acabam fechadas em si mesmas, dedicando energias e atenção sobretudo à sua autopromoção e à celebração em das suas iniciativas. Outras parecem dominadas pela obsessão de redefinir continuamente a sua relevância e os seus espaços dentro da Igreja, com a justificação de quererem relançar o melhor possível a sua missão. Desta maneira, como disse uma vez o então Cardeal Joseph Ratzinger, alimenta-se a ideia enganadora de que uma pessoa seria tanto mais cristã quanto mais estivesse empenhada em estruturas intraeclesiais, quando na realidade quase todos os batizados vivem a fé, a esperança e a caridade na sua vida normal, sem nunca aparecer em comissões eclesiais nem se ocupar dos últimos desenvolvimentos de política eclesiástica (cf. Uma companhia sempre em reforma, Conferência no Encontro de Rimini, 01/IX/1990).

Ânsia de comando. Sucede às vezes que instituições e organismos surgidos para ajudar as comunidades eclesiais, pondo ao serviço destas os dons que neles suscitou o Espírito Santo, pretendam com o passar do tempo exercer supremacias e funções de controle sobre as comunidades que deveriam servir. Este comportamento é quase sempre acompanhado pela presunção de exercer o papel de «depositários», distribuidores de licenças de legitimidade a respeito dos outros. Efetivamente, nestes casos, comportam-se como se a Igreja fosse um produto das nossas análises, dos nossos programas, acordos e decisões.

Elitismo. Várias vezes se apodera daqueles que fazem parte de organismos e realidades organizadas na Igreja um sentimento elitista, a ideia tácita de pertencer a uma aristocracia. Uma classe superior de especialistas que procura ampliar os seus espaços em cumplicidade ou em concorrência com outras elites eclesiásticas, e prepara os seus membros segundo os sistemas e as lógicas mundanas da militância ou da competência técnico-profissional, sempre com a intenção principal de promover as suas prerrogativas oligárquicas.

Isolamento do povo. Nalgumas realidades ligadas à Igreja, a tentação elitista é às vezes acompanhada por um sentimento de superioridade e impaciência face à multidão dos batizados, ao povo de Deus, que talvez frequente as paróquias e os santuários, mas não se compõe de «ativistas» ocupados em organizações católicas. Nestes casos, o próprio povo de Deus é visto como uma massa inerte, que precisa incessantemente de ser reanimada e mobilizada através duma «tomada de consciência» que se deve estimular por meio de argumentações, apelos, ensinamentos. Comportam-se como se a certeza da fé fosse consequência de um discurso persuasivo ou de métodos de preparação.

Abstração. Organismos e realidades ligadas à Igreja, quando se tornam autorreferenciais, perdem o contacto com a realidade e adoecem de abstração. Multiplicam-se inúteis locais de elaboração estratégica, para produzir projetos e diretrizes que servem apenas como instrumentos de autopromoção de quem os inventa. Tomam-se os problemas e seccionam-se em laboratórios intelectuais, onde tudo acaba domesticado e envernizado segundo as chaves ideológicas de preferência; onde tudo, fora do contexto real, pode ser cristalizado num simulacro, incluindo as referências à fé ou os apelos verbais a Jesus e ao Espírito Santo.

Funcionalismo. As organizações autorreferenciais e elitistas, mesmo na Igreja, acabam frequentemente por apostar tudo na imitação dos modelos mundanos de eficiência, como os impostos por uma competição económica e social exacerbada. A opção do funcionalismo garante a ilusão de «resolver os problemas» com equilíbrio, ter as coisas sob controle, aumentar a sua relevância, melhorar a administração ordinária do que existe. Mas, como já vos disse no encontro que tivemos em 2016, uma Igreja que tem medo de se abandonar à graça de Cristo e aposta na eficiência do sistema, já está morta, mesmo que as estruturas e programas a favor dos clérigos e leigos «auto-ocupados» possam ainda durar séculos.

Conselhos para o caminho

Perscrutando o presente e o futuro e procurando também no percurso das POM os recursos para superar as armadilhas do caminho e continuar para diante, permito-me dar algumas sugestões para ajudar o vosso discernimento. Tendo vós empreendido um percurso de reavaliação das próprias POM, que quereis que seja inspirado nas indicações do Papa, proponho à vossa atenção critérios e ideias gerais, sem entrar em detalhes, até porque os diferentes contextos poderão exigir adaptações e variações.

1) Na medida das vossas possibilidades e sem vos perderdes em demasiadas conjeturas, salvaguardai ou redescobri a inserção das POM no seio do povo de Deus, a sua imanência na trama da vida real em que nasceram. Será útil uma «imersão» mais intensa na vida real das pessoas, tal como é. Quando se segue a Jesus, faz bem a todos sair do ambiente fechado das próprias problemáticas internas. Convém mergulhar nas circunstâncias e condições concretas, inclusive procurando ou tentando reintegrar a capilaridade da ação e dos contactos das POM no seu entrelaçamento com a rede eclesial (dioceses, paróquias, comunidades, grupos). Se se privilegiar a própria imanência no povo de Deus, com as suas luzes e dificuldades, consegue-se também fugir melhor da armadilha da abstração. Mais do que formular e multiplicar propostas, é preciso dar respostas a perguntas e exigências reais. Talvez seja a partir duma luta corpo a corpo com a vida em ato, e não dos cenáculos fechados ou das análises teóricas sobre as próprias dinâmicas internas, que poderão chegar as intuições úteis para mudar e melhorar os procedimentos operacionais, adaptando-os aos variados contextos e às diferentes circunstâncias.

2) Sugiro proceder de modo que o sistema essencial das POM permaneça ligado às práticas da oração e da coleta de recursos para a missão, um sistema válido e estimado precisamente pela sua natureza elementar e concreta. Expressa a afinidade das POM com a fé do povo de Deus. Com toda a flexibilidade e as necessárias adaptações, convém que não seja esquecido nem distorcido este traçado elementar das POM: orações ao Senhor, para que Ele abra os corações ao Evangelho, e súplicas a todos, para que sustentem também de forma concreta a obra missionária. Há nisto uma simplicidade e um concretismo que todos podem apreciar no momento atual, pois, mesmo nas circunstâncias ditadas pelo flagelo da pandemia, se sente por todo o lado o desejo de encontrar e permanecer próximo de tudo o que é simplesmente Igreja. Procurai também novas estradas, novas formas para o vosso serviço, mas, para o conseguir, não adianta complicar o que é simples.

3) As POM são e devem comportar-se como um instrumento de serviço à missão nas Igrejas particulares, tendo por horizonte a missão da Igreja que sempre abraça o mundo inteiro. Está nisto a sua contribuição, sempre valiosa, para o anúncio do Evangelho. Todos somos chamados a guardar por amor e gratidão, mesmo com as nossas obras, os germes de vida teologal que o Espírito de Cristo faz desabrochar e crescer onde Ele quer, mesmo nos desertos. Por favor, na oração, a primeira coisa a pedir ao Senhor é que nos torne a todos mais prontos a captar os sinais do seu agir para depois os indicar ao mundo inteiro. Só isto pode ser útil: pedir que em nós, no íntimo do nosso coração, a invocação do Espírito Santo não se reduza a um postulado estéril e redundante das nossas reuniões e homilias; pelo contrário, não adianta fazer conjeturas e teorizar a propósito de super-estrategas ou «centrais dirigentes» da missão, a quem delegar, como a presumidos e enfatuados «guardiões» da dimensão missionária da Igreja, a tarefa de despertar o espírito missionário ou conceder licenças para missionar os outros. Se, nalgumas situações, definha o ardor pela missão, é sinal de que está a desfalecer a fé. E, neste caso, a pretensão de reanimar a chama que se apaga com estratégias e discursos, acaba por enfraquecê-la ainda mais, fazendo apenas avançar o deserto.

4) Por sua natureza, o serviço prestado pelas POM coloca os seus executores em contacto com inúmeras realidades, situações e eventos que fazem parte do grande fluxo da vida da Igreja, em todos os Continentes. Neste fluxo, pode-se embater não só em muitos gravames e escleroses que acompanham a vida eclesial, mas também nos dons gratuitos de cura e consolação que o Espírito Santo semeia na vida diária daquela que poderia chamar-se a «classe média da santidade». E podeis alegrar-vos e exultar, saboreando os encontros que vos acontecem, graças ao trabalho das POM, e deixando-vos maravilhar por eles. Penso nas narrações que ouvi de tantos milagres sucedidos com as crianças, que encontraram Jesus talvez através das iniciativas propostas pela Infância Missionária. Por isso, nunca deixeis que o vosso trabalho acabe «esterilizado» numa dimensão exclusivamente burocrático-profissional. Não pode haver burocratas nem funcionários da missão. E a vossa gratidão pode tornar-se, por sua vez, um dom e um testemunho para todos. Para conforto de todos, podeis, com os meios de que dispondes e sem artificialismos, referir os casos de pessoas e comunidades que pudestes encontrar mais facilmente do que outras, por resplandecer gratuitamente nelas o milagre da fé, da esperança e da caridade.

5) A gratidão à vista dos prodígios operados pelo Senhor entre os seus prediletos – os pobres e os pequeninos a quem Ele revela as coisas ocultas aos sábios (cf. Mt 11, 25-26) – pode tornar mais fácil, também para vós, subtrair-vos às armadilhas das retiradas autorreferenciais e sair de vós mesmos, seguindo a Jesus. A ideia duma atividade missionária autorreferencial, que passa o tempo a contemplar e autoincensar-se pelas suas iniciativas, seria em si mesma um absurdo. Não gasteis demasiado tempo nem recursos a «olhar para vós mesmos», a elaborar planos autocentrados nos mecanismos internos, na funcionalidade e capacidades do seu organigrama. Olhai para fora, não vos olheis ao espelho. Quebrai todos os espelhos de casa. Os critérios a seguir, mesmo na realização dos programas, tenham em vista aliviar, tornar mais flexíveis estruturas e procedimentos, em vez de sobrecarregar com outros elementos do sistema a rede das POM. Por exemplo, cada diretor nacional, durante o seu mandato, esforce-se por identificar as figuras de um possível sucessor, tendo como único critério não assinalar pessoas do seu círculo de amigos ou companheiros de «agregação» eclesiástica, mas pessoas que lhe parecem ter mais ardor missionário do que ele próprio.

6) Quanto à angariação de recursos para ajudar a missão, por ocasião dos nossos encontros anteriores, já chamei a atenção para o risco de transformar as POM numa ONG inteiramente dedicada à busca e atribuição dos fundos. Isso depende mais do coração com que se fazem as coisas, do que das coisas que se fazem. Na recolha de fundos, certamente pode ser aconselhável e até oportuno recorrer criativamente a metodologias atualizadas para se obter financiamentos da parte de potenciais e beneméritos doadores. Mas quando, nalgumas áreas, a coleta de doações falha, devido também ao declínio da memória cristã, então pode vir a tentação de resolvermos nós o problema «encobrindo» a realidade e apostando nalgum sistema de angariação mais eficaz, que vai à procura dos grandes doadores. Ao contrário, o sofrimento pela perda da fé e também pela diminuição dos recursos não se deve descartar, mas colocar nas mãos do Senhor. Em todo o caso, é bom que o pedido de ofertas para as missões continue a ser feito prioritariamente a toda a multidão dos batizados, inclusive apostando de maneira nova na coleta para as missões que se realiza nas igrejas de todos os países, em outubro, por ocasião do Dia Mundial das Missões. A Igreja sempre continuou a avançar graças também ao óbolo da viúva, à contribuição daquela série inumerável de pessoas que se sentem curadas e consoladas por Jesus e, consequentemente, pelo transbordar da sua gratidão, dão o que têm.

7) Quanto ao uso das doações recebidas, avaliai sempre com apropriado sensus Ecclesiae a distribuição dos fundos para apoio de estruturas e projetos que realizam de variados modos a missão apostólica e o anúncio do Evangelho nas diferentes partes do mundo. Tenha-se sempre em conta reais necessidades primárias das comunidades e, ao mesmo tempo, evitem-se formas de assistencialismo que, em vez de oferecer instrumentos ao ardor missionário, acabam por entibiar os corações e alimentar na própria Igreja fenómenos de clientelismo parasitário. Com a vossa contribuição, procurai dar respostas concretas a exigências objetivas, sem desperdiçar recursos em iniciativas caraterizadas pela abstração, autorreferência ou produzidas pelo narcisismo clerical de alguém. Não cedais a complexos de inferioridade nem tentações de emulação com organizações super-funcionais que arrecadam fundos para causas justas e depois uma boa percentagem dos mesmos é utilizada para financiar o sistema e fazer publicidade da própria marca. Mesmo isso torna-se às vezes uma estrada para cuidar primeiro dos próprios interesses, embora mostrando que se está a trabalhar em benefício dos pobres e necessitados.

8) A propósito dos pobres, também vós não vos esqueçais deles. Esta foi a recomendação que os apóstolos Pedro, João e Tiago deram, no Concílio de Jerusalém, a Paulo, Barnabé e Tito que lá se tinham deslocado para debater a sua missão entre os incircuncisos: «Só nos disseram que nos devíamos lembrar dos pobres» (Gal 2, 10). Na sequência de tal recomendação, Paulo organizou as coletas a favor dos irmãos da Igreja de Jerusalém (cf. 1 Cor 16, 1). Desde o início, a predileção pelos pobres e os pequeninos faz parte da missão de anunciar o Evangelho. As obras de caridade espiritual e corporal em seu favor manifestam uma «preferência divina» que interpela a vida de fé de todos os cristãos, chamados a ter os mesmos sentimentos de Jesus (cf. Flp 2, 5).

9) As POM, com a sua rede espalhada por todo o mundo, refletem a rica variedade do «povo de mil rostos» reunido pela graça de Cristo, com o seu ardor missionário; um ardor, que não é sempre intenso e vigoroso da mesma maneira em toda parte. Entretanto, ao partilhar a mesma urgência de confessar Cristo morto e ressuscitado, expressa-se com acentuações diferentes, adaptando-se aos vários contextos. A revelação do Evangelho não se identifica com nenhuma cultura e, no encontro com novas culturas que ainda não receberam a pregação cristã, é preciso não impor uma determinada forma cultural juntamente com a proposta do Evangelho. Hoje, no próprio trabalho das POM, convém não levar bagagens pesadas; é melhor cingir aos traços essenciais da fé o seu perfil diferenciado e o seu referimento comum. Também pode ofuscar a universalidade da fé cristã a pretensão de estandardizar a forma do anúncio, apostando tudo talvez sobre estereótipos e slogans que estão na moda em certos círculos de determinados países cultural ou politicamente dominantes. A propósito, a própria relação especial que une as POM ao Papa e à Igreja de Roma constitui um recurso e um sustentáculo de liberdade, que a todos ajuda a subtrair-se de modas passageiras, da restrição a escolas de pensamento unilaterais ou de homologações culturais de cunho neocolonialista: fenómenos que, infelizmente, se registam também em contextos eclesiásticos.

10) As POM não são, na Igreja, uma entidade fechada em si mesma, suspensa no vazio. Entre as suas especificidades, que sempre se devem cultivar e renovar, está o vínculo especial que as une ao Bispo da Igreja de Roma, que preside na caridade. É belo e reconfortante reconhecer que este vínculo se manifesta num trabalho realizado com alegria, sem procurar aplausos nem avançar reivindicações. Uma obra que, precisamente na sua gratuidade, se entrelaça com o serviço do Papa, servo dos servos de Deus. Peço-vos que o caráter distintivo da vossa proximidade ao Bispo de Roma seja precisamente este: a partilha do amor à Igreja, reflexo do amor a Cristo, vivido e traduzido no silêncio, sem enfatuar-se nem assinalar «os próprios territórios»; com um trabalho diário que beba na caridade e no seu mistério de gratuidade; com uma atividade que apoia inúmeras pessoas, interiormente gratas mas que talvez não saibam sequer a quem agradecer, pois nem conhecem pelo nome as POM. O mistério da caridade na Igreja, realiza-se assim. Continuemos a caminhar juntos, felizes de avançar por entre provações, graças aos dons e consolações do Senhor. Entretanto reconheçamos com alegria que somos todos – a começar por mim – servos inúteis.

Conclusão

Ide com entusiasmo: no caminho que vos espera, há tanto a fazer. Se houver mudanças a experimentar nos procedimentos, é bom que as mesmas procurem aliviar, e não aumentar o peso; visem ganhar flexibilidade operacional, e não produzir sistemas rígidos adicionais e sempre ameaçados de introversão. Tende presente, por um lado, que uma centralização excessiva, em vez de ajudar, pode complicar a dinâmica missionária e, por outro, que uma articulação puramente nacional das iniciativas põe em risco a própria fisionomia da rede das POM, bem como o intercâmbio de dons entre as Igrejas e comunidades locais, vivido como fruto e sinal tangível da caridade entre os irmãos, na comunhão com o Bispo de Roma.

Em todo o caso, rezai sempre para que toda a consideração relativa à estrutura operacional das POM seja iluminada pela única coisa necessária: um pouco de verdadeiro amor à Igreja, como reflexo do amor a Cristo. O vosso é um serviço prestado ao ardor apostólico, isto é, a um ímpeto de vida teologal que só o Espírito Santo pode operar no povo de Deus. Procurai fazer bem o vosso trabalho «como se tudo dependesse de vós, sabendo que, na realidade, tudo depende de Deus» (Santo Inácio de Loyola). Como vos disse anteriormente, durante um dos nossos encontros, tende a prontidão de Maria. Quando foi ter com Isabel, Maria não o fez por interesse próprio: foi como serva do Senhor Jesus, que levava no seio. De Si mesma, nada disse; apenas levou o Filho e louvou a Deus. Não era Ela a protagonista. Fora como a serva d’Aquele que é também o único protagonista da missão. Mas não perdeu tempo, foi apressadamente trabalhar para ajudar a sua parenta. Ela ensina-nos esta prontidão, a pressa da fidelidade e da adoração.

Nossa Senhora guarde a vós e às Pontifícias Obras Missionárias e vos abençoe o seu Filho, o Senhor nosso Jesus Cristo. Ele, antes de subir ao Céu, prometeu estar sempre connosco… até ao fim dos tempos.

Dado em Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Ascensão do Senhor, 21 de maio de 2020.

Francisco, Papa

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