Joel Fernandes

Padre Vanildo de Paiva: estar com os Papas é um ato de fé

ESTAR COM OS PAPAS: UM ATO DE FÉ

Não me proponho aqui discutir o dogma da infalibilidade papal, proclamado em 1870 pelo Concílio Vaticano I, nem tampouco avaliar os 264 papas que sucederam ao apóstolo Pedro, escolhido pelo próprio Cristo como primus inter pares, isto é, o primeiro entre os discípulos, com a missão de conduzir a sua Igreja e confirmar na fé os irmãos que, doravante, se uniriam aos demais (cf. Lc 22,32). Lugar de juiz pertence a Deus! No entanto, não é difícil perceber, mesmo numa releitura rápida da história da Igreja que, não obstante a Igreja seja assistida pelo Espírito Santo e nenhum mal possa contra ela (cf. Mt 16,18), o lado humano de seus líderes (e de todo o povo!), vez ou outra, coloca obstáculos à ação de Deus.

Conviver com a vulnerabilidade dos papas sempre foi um desafio para os cristãos e o mundo, o que não significa que não possam ser infalíveis quando se pronunciam ex cathedra ou em comunhão com os demais bispos a respeito da fé e da moral cristã católica (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 891). Faz parte da humildade de um chefe supremo da Igreja reconhecer seus limites e saber que precisa do discernimento do Alto até mais que do que os fiéis, pela grandeza de suas incumbências. É como disse o papa emérito Bento XVI, em julho de 2005, por ocasião do lançamento de seu livro Jesus de Nazaré: “O papa não é um oráculo, é [somente] infalível em situações raríssimas”.

Ou mesmo nosso querido papa Francisco, quando um jornalista o questionou o porquê de ele falar muito sobre os pobres, mas relativamente pouco sobre a classe média: “Você está certo. É um erro meu não pensar nisso”, e “você está me falando sobre algo que preciso fazer. Preciso ir mais fundo nisso”. Não é à toa que ele sempre pede ao povo que reze por ele!

O que desejo, no entanto, é chamar a atenção para outro aspecto, talvez mais relevante que os debates sobre privilégios papais: a importância de caminharmos como Igreja e com a Igreja, o que inclui estar com nossos papas. A Igreja, antes de ser uma instituição humana, é um mistério de fé. Nascida do lado aberto do divino Esposo pendente na cruz (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 766), ela permanece no mundo até a sua vinda definitiva como sinal e instrumento a serviço da salvação da humanidade. “Creio a Igreja santa”: é a maneira que o Símbolo dos Apóstolos encontrou para dizer que, mais do que nas obras da instituição, cremos no mistério da Igreja como dom do Alto e assistida pelo Espírito (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 750). Essa Igreja não se reduz à sua hierarquia, mas é a comunidade dos iniciados na fé cristã, Povo de Deus chamado a testemunhar os valores do Evangelho e conduzido por aqueles pastores colocados à sua frente pelo próprio Jesus, o Pastor dos pastores.

A caminhada do Povo de Deus nunca foi feita sem sobressaltos. E mais uma vez recorremos à história para recordar o quanto já titubeamos nessa trajetória bimilenar. Assim será até o fim, pois o caminho ainda não é o horizonte nem o mar ainda é o ancoradouro. O Reino definitivo inaugurado pelo Senhor supera em muito a própria Igreja, mas conta com ela para sua chegada a cada coração humano e ao cerne de cada cultura e sociedade, para que ali comece, no passageiro, o que se anuncia como definitivo para além da história. Querer uma Igreja perfeita é perder a noção de que ela é ponte e não porto!

Nesta nossa trajetória, quis o Senhor que tivéssemos à nossa frente as figuras dos papas como sinais a apontar a direção e garantia da unidade do povo em marcha. Como uma só família irmanada no amor do Cristo, um pai (papa) nos é dado como testemunha de fé e memória do Evangelho. Suas palavras e ensinamentos – e, sobretudo, o seu modo de vida! – sempre atentos às demandas de cada época, são para nós indicações preciosas de como viver, no hoje da vida, a Palavra divina que dá a vida e liberta todo ser humano. Estar com os papas, portanto, é estar com a própria Igreja de Jesus Cristo, na tentativa de fidelidade ao seu projeto. É ter diante de nós a autoridade legitimamente constituída, querida por Jesus, a quem devotamos o obséquio do nosso respeito e a sinceridade de nosso amor.

O papa Francisco é o autêntico sucessor de Pedro, como o foram os outros papas. Seu agir, profundamente enraizado nos Evangelhos é, para nós, memória do agir de Jesus Cristo e apelo contínuo à conversão. Seu olhar misericordioso e atento às dores das minorias e aos clamores dos mais pobres e sofredores é a resposta de Deus a uma humanidade marcada pela dor e pela carência de afetos que curam. Suas palavras simples e profundas chegam muito depressa aos corações daqueles aos quais ninguém quer dirigir a voz. Mas seu profetismo também ecoa em nossas consciências adormecidas e mal acostumadas à indiferença pelo ser humano e pela casa comum da criação. Sua denúncia da idolatria – a mesma feita por Jesus – incomoda a todos nós, especialmente àqueles que há muito se renderam ao capital e a seu séquito de ídolos que ferem a dignidade humana. Por isso, ele é perseguido, do mesmo modo que Jesus o foi até à morte escandalosa na cruz, punição definitiva aos rebeldes e agitadores sociais.

Infelizmente, até mesmo católicos acusam-no de “esquerdista”, “comunista”, “progressista” e tantos outros chavões descontextualizados e vorazmente repetidos, os quais, no fundo, encobrem a única e mesma verdade: a vergonha que seus opositores sentem por não darem conta de amar como ele ama, isto é, de amar como Jesus amou! O escândalo que Francisco provoca não é primeiramente contra a ortodoxia (correta doutrina) da Igreja, mas por apresentar uma ortopráxis (correta ação) profundamente evangélica, coisa há muito esquecida pelos que querem defender a “cátedra de Moisés” contra a insurreição do amor que clama que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” (Mc 2,27). Então ele é um santo? Certamente está a caminho, como deveríamos também estar! Ele não erra? Igualmente a seus predecessores e a todos nós, tem suas falhas, das quais não se abstém de reconhecer e de se retratar.

No entanto, Francisco é nosso papa! Gostando ou não gostando do seu estilo, devemos-lhe respeito e amor filial. Ele não tem errado. Mas, se ele errar, erraremos com ele; isso sempre fez parte da história da nossa Igreja, santa e pecadora. E o Espírito sempre mostrou o caminho da restauração! São João Paulo II ou Bento XVI nunca erraram? Obviamente que sim! E estávamos com eles, compreendendo que a fé exige também caminhar na penumbra muitas vezes, como devemos estar com o papa Francisco. Ou será que a nossa presunção de sabermos mais do que o papa (e de quase cem por cento dos bispos católicos do mundo que estão com ele) nos levará à vaidade de nos acharmos os donos da verdade? Afinal, acreditamos ou não que a Igreja é conduzida pelo Espírito Santo, que “sopra onde quer” (Jo 3,8)?

Pe. Vanildo de Paiva

Nota SOBRE A NOMEAÇÃO DO BISPO DE GUANHÃES

Caríssimos Irmãos e Irmãs, Sacerdotes, Seminaristas, Autoridades Civis e Militares, todo o Povo de Deus, lhes dou a grande notícia: Deus ouviu nossa oração e o Papa Francisco nomeou, hoje, Dom Otacílio Ferreira de Lacerda, como o 4º Bispo titular da Diocese de Guanhães.

Dom Otacílio é mineiro da cidade de Palma, tem 58 anos de idade. Ainda adolescente, transferiu-se com a família para o Estado de São Paulo. Ordenou-se sacerdote na Diocese de Guarulhos, servindo aquela Igreja em várias e importantes missões, dentro e fora da Diocese. Ali foi eleito Bispo da Santa Igreja Católica, no ano de 2016.

Até o dia de hoje, exercia o ministério episcopal como Bispo Auxiliar de Belo Horizonte.

Caríssimo Dom Otacílio, saiba que o senhor foi muito esperado e já é amado por todos nós! A Província Eclesiástica de Diamantina, neste Centro Norte das Gerais, os Irmãos Bispos de Araçuaí, Dom Marcelo; Almenara, Dom Cabral; Teófilo Ottoni, Dom Messias e eu, unidos ao Clero e a todo o Povo de Deus da Diocese de Guanhães, o acolhemos afetuosamente. Seja bem-vindo!

Anunciamos, também, que a posse do novo Bispo será na manhã de sábado, dia 14 de setembro, às 09h30, na Catedral da Diocese de Guanhães.

Bendito aquele que vem em nome do Senhor!

Diamantina, 19 de junho de 2019.

+ Darci José Nicioli, CSsR

Arcebispo Metropolitano de Diamantina

Administrador Apostólico de Guanhães

Aniversariantes do mês de março 

Felicidades! 

Março  Clero diocesano   
02  Pe. Wanderlei Rodrigues dos Santos  Nascimento  
04  Pe. José Martins da Rocha  Ordenação 
11  Pe. Cyriac Chaco Vadakkan  Ordenação 
11  Pe. Josemar Inácio da Rocha  Nascimento  
15  Dom José Maria Pires  Nascimento  
29  Pe. João Carlos de Sousa  Ordenação 

 

Março  Seminarista   
02  Guilherme Soares Lage  Nascimento  

 

Aniversariantes mês de fevereiro

 

  CLERO  
03 Dom Darci José Nicioli, CSsR Ordenação Episcopal
04 Dom Emanuel Messias de Oliveira – 2º bispo diocesano Ordenação Presbiteral
04 Pe. Derci da Silva Nascimento
07 Pe. Bruno Costa Ribeiro Nascimento
24 Pe. Luiz Maurício Silva Nascimento
     
     
  SEMINARISTA  
06 Erlon Matheus Mendes Santos Nascimento 1999

 

  RELIGIOSA  
28 Ir. Juvência Gonçalves Pereira Ir. Néia (Clarissa Franciscana C.M.D.) Profissão Religiosa

 

  FUNCIONÁRIOS  
01 Mágno Rodrigues Barroso – sacristão em Virginópolis Nascimento
06 Tatiane de Aquino – secretária em Braúnas Nascimento
08 Valéria Gomes Cardoso Costa – sacristã em São João Evangelista Nascimento
11 Adriana do Patrocínio de Araújo – secretária em  Virginópolis Nascimento
11 Joel Fernandes – Rádio Vida Nova FM Nascimento
12 Terezinha Rosa da Silva – cozinheira em Senhora do Porto Nascimento
13 Maria do Carmo e Silva Soares – cozinheira em Conc. M. Dentro Nascimento
14 Ângela Maria – cozinheira em Materlândia Nascimento
23 Gilda Aparecid Viana – secretária em Rio Vermelho Nascimento
25 Maria Aparecida Rosa Rodrigues – zeladora em Cantagalo Nascimento

 

Aniversariantes do mês de Dezembro

LISTA ANIVERSARIANTES DEZEMBRO

Dezembro Clero

04 Pe. Alípio José de Souza Nascimento / Ordenação 1963

08 Pe. Itamar José Pereira Ordenação

10 Pe. João Evangelista dos Santos Ordenação

10 Pe. José de Brito Filho Ordenação

10 Dom Jeremias Antônio de Jesus Ordenação Presbiteral

11 Pe. Amarildo Dias da Silva Nascimento

12 Pe. Luiz Maurício Silva Ord. Diaconal e Presbiteral

13 Pe. Ismar Dias de Matos Nascimento

17 Dom Marcello Romano Ordenação Presbiteral

21 Diácono André Luiz Eleotério da Lomba Nascimento

Dezembro Consagradas/Religiosas

03 Irmã Neusa Alves dos Santos (Clarissa Franciscana – C.M.D.) Nascimento

03 Irmã Maria Inês de Almeida (Clarissa Franciscana – C.M.D.) Nascimento

08 Maria Raquel Mendes Soares (Guanhães – Coop. Família Profissão Religiosa

Dezembro Funcionários

06 Bruno (Rádio Vida Nova) Nascimento

07 Verônica Lúcio dos Reis (serv. Gerais São Pedro) Nascimento

12 Terezinha Rosa da Silva (serv. Gerais Sra do Porto) Nascimento

20 Marina de Carvalho Costa Nascimento

21 Claúdia Rocha (Rádio Vida Nova) Nascimento

26 Leone Souza da Silva (sec. Dom Joaquim) Nascimento

28 Laiz Maria Silva (sec. Cantagalo) Nascimen

Orientações de Dom Jeremias sobre a Semana Santa

A Semana Santa – Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo – que é para nós um grande retiro espiritual  como se nós estivéssemos lá, vivendo com Jesus o que Ele viveu. Ela é o coração do Ano Litúrgico.  O nosso desafio é sermos missionários para evangelizarmos o povo a fim de que entendam o sentido real da Semana Santa. Continue lendo

No coração da sociedade estão os cristãos leigos e leigas

Aonde você for, sem dúvida, encontrará um/a cristão/ã leigo/a testemunhando o Evangelho de Jesus Cristo. Nas ruas, no campo, nas periferias, nas empresas e indústrias, nas escolas e hospitais, em diversos postos de trabalho, enfim, estará um cristão/ã leigo/a cultivando os princípios éticos fundamentais para a vivência do amor, da solidariedade, da justiça.

Infelizmente, temos visto cristãos/ãs desviando-se do Caminho. Isso nos entristece a todos/as. Crescem os casos de pessoas batizadas envolvidas com corrupção, violência, discriminação, maus tratos a animais etc. Pessoas que celebram a Missa, que participam da mesa eucarística, comem do mesmo pão que sacia a nossa fome por liberdade, paz, amor, mas não entram em comunhão com o Senhor na vida diária. Eis o nosso maior desafio! Rezemos ao Pai a fim de que nos livre do mal!

Aproxima-se a celebração do Natal. Todos os anos, comemoramos o nascimento de Jesus. Esse evento muda radicalmente a nossa vida. A presença do Filho de Deus no mundo reacende a nossa esperança de dias melhores.  Mesmo diante de tantos obstáculos que nos inibem de promover o bem, a graça de Deus nos dá a possibilidade de nascer com Cristo cotidianamente. E é exatamente isso o que vemos quando encontramos um cristão/ã leigo/a cumprindo a missão de discípulo do Senhor.

Incansáveis, veem-se leigos/as em todos os espaços sociais, porque não se cansam de professar a fé de Jesus Cristo. Em nossa comunidade paroquial existem muitos/as. Eles/as são organismos vivos. (…) assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro (Romanos 12,5).A igreja respira por meio deles. A beleza que nos encanta a todos/as, nas celebrações, no serviço pastoral e missionário, na atenção com os mais necessitados de cuidado, no trabalho, em casa, nos espaços de convivência, você encontra nas mãos e no coração dos cristãos/ãs leigos/as.

Não estão assim à espera de uma novidade? Não são testemunhas fiéis da Boa Nova? Eu me pergunto enquanto escrevo este texto. Não resta dúvida de que a resposta é sim. Com ouvidos e olhos atentos, cristãos/ãs leigos/as anunciarão a eterna novidade do mundo. Quando, novamente, celebrarmos o Natal, você ouvirá homens e mulheres de fé cantando: Nasceu Jesus!

Luís Carlos Pinto

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