A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Domingo de Ramos: Jesus elevado na Cruz para nos elevar – Homilia – Dom Otacilio F. de Lacerda

“Meu  Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”  (Mc 15,34)

No Domingo de Ramos (ano B), refletimos sobre o Amor de Deus que, na pessoa de Jesus, desceu ao nosso encontro assumindo a nossa condição humana, como servo doando a vida, na Cruz morrendo para destruir toda expressão de egoísmo e pecado.

Morrendo na Cruz, Jesus nos ensina a lição mais suprema: a doação da vida por amor puro e verdadeiro, como grão de trigo que morre para não ficar só. Elevado na Cruz para nos elevar.

A Cruz pode ter a aparência de fracasso, mas tem sabor de vitória. A morte e a Ressurreição de Jesus é a revelação do Filho de Deus, amado e não abandonado, que assume até o fim o Projeto de Vida e Salvação para toda a humanidade, em obediência e fidelidade ao Pai, por amor de Deus, com a força e presença do Espírito Santo.

Morrendo na Cruz, Jesus redime o mundo, numa atitude de confiança em Deus que jamais nos decepciona. É este o caminho que nos é proposto contemplando e imitando na vida a Paixão de Cristo: jamais fugir, mas aceitar a Sua Proposta.

Na primeira Leitura, ouvimos o Profeta Isaías, que nos apresenta o terceiro Cântico do Servo de Javé (Is 50,4-7). Este Profeta é o homem da Palavra, através do qual Deus fala e tem uma Proposta de redenção a todos que buscam salvação e libertação.

Para o êxito de sua missão, é totalmente modelado por Deus e não coloca nenhuma resistência ao Seu chamado para o anúncio de Sua Palavra.

O servo, em sua missão, assume com serenidade e confiança todo sofrimento, sem jamais desistir da missão por Deus confiada. A Paixão que tem pela Palavra se sobrepõe ao sofrimento, porque ele sabe em quem confia.

Mais tarde, os cristãos verão a própria Pessoa de Jesus nesta figura, porque como Servo fiel passa pela morte e alcança a glorificação; de modo que Sua morte na Cruz não é fracasso, pois, com a Sua Ressurreição, vence a morte e Se torna fonte de vida nova.

Também nós somos chamados a viver a mesma vocação profética: vida doada, oferecida, sacrificada. Às vezes, num aparente fracasso, mas com a certeza da vitória.

Somos a Palavra viva de Deus para o mundo, quando acompanhada de gestos, com salutar e corajoso testemunho da fé.

Reflitamos:

– Como vivemos nossa vocação profética?

– Confiamos e nos entregamos radicalmente ao Projeto de Deus?

– Como nos configuramos a figura do Servo Sofredor, que é o próprio Jesus?

Na passagem da segunda Leitura (Fl 2,6-11), o Apóstolo Paulo nos apresenta Jesus, exemplo de obediência incondicional ao Pai, na entrega da própria vida por amor de Deus.

O Apóstolo exorta a comunidade a fazer seu amadurecimento, embora seja uma comunidade entusiasta, generosa e comprometida, ainda precisa aprender o desprendimento, a humildade e a simplicidade, tendo de Jesus os mesmos pensamentos e sentimentos.

Como discípulos de Jesus, viver o despojamento (“kenosis”), por isto nos apresenta este belíssimo hino, em que Jesus Se esvazia de Sua condição divina, fazendo-Se servo, obediente, e na Cruz morrendo, mas exaltado por Deus, para que toda língua proclame que Ele é o Senhor, e que diante d’Ele todo joelho se dobre.

Jesus é verdadeiramente o “Kyrios”, o Senhor de nossa vida, por Sua condição divina, e uma vida marcada pelo serviço, amor radical e entrega total.

Reflitamos:

– O que nossa comunidade tem que melhorar para melhor testemunhar o Senhor presente em sua vida, em seu meio?

– Como vivemos o desprendimento, o despojamento em favor do Reino, como Jesus assim o fez?

– Como viver a lógica do Evangelho de Nosso Senhor (humildade, serviço, doação, amor) hoje?

Na passagem do Evangelho de Marcos (Mc 14,1-15,47), o Evangelista anuncia a Pessoa de Jesus, o Messias e o Filho de Deus que, morrendo na Cruz, revela o Amor total de Deus por nós, e com isto renovamos a certeza de que não trilhamos um caminho de perdedores e fracassados.

Sua morte foi consequência de Sua vida, Seu anúncio e testemunho: o desejo de Deus de um mundo novo com vida, justiça, amor e paz. Mas este Projeto entrou em choque com as autoridades que O condenaram à morte.

O Evangelista nos apresenta a serenidade, simplicidade e confiança de Jesus na realização deste Projeto.

Jesus é o homem que Se solidariza com a humanidade, que acompanha seus sofrimentos, experimentando seus dramas, fragilidades.

Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturados pelos soldados, Jesus percorre o Seu caminho de morte na solidão, no abandono e  na indiferença de todos.

Porém, na Cruz morrendo, aparece o Homem Novo, que marcou com Sangue o que falou, pregou, ensinou e testemunhou. Quem suportaria tudo isto por nós?

Celebremos a Semana Santa envolvidos pelo Amor de Deus, que nos leva à contemplação e renovação de nossa fidelidade ao Senhor: com Ele caminhar, morrer, para com Ele também  Ressuscitar.

Tudo isto já podemos experimentar ao celebrar a Sua Paixão, Morte e Ressurreição nesta Semana Maior do Amor de Deus pela humanidade.

Reflitamos:

– Como estamos trilhando o caminho da Paixão e Morte do Senhor?

– Em que consiste para nós o caminho da Cruz?

– Cremos que a Cruz de nosso Senhor tem aparência de derrota, mas sabor de vitória?

– Como permanecemos fiéis ao Senhor no carregar da Cruz, no morrer com Ele, para também com Ele ressuscitarmos?

Semana Santa, semana de retiro para todos nós. Tempo de silêncio, de recolhimento, de reflexão, de mergulho no indizível Amor de Deus por nós, revelado e vivido por Jesus. 

É tempo do silêncio fecundo que nos levará ao acolhimento do Mistério, o maior de todos os Mistérios, o Mistério do Amor de Deus por nós, desde sempre e para sempre.

PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

“Deus merece que sejamos melhores” – Homilia – Quarto Domingo do Tempo Quaresmal – Dom Otacilio – Ferreira de Lacerda

A Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (Ano B) é conhecida como Domingo “Laetare”, ou seja, Domingo da alegria, devido à proximidade da Páscoa, e tem como antífona inicial assim nos convida: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Is 66, 10s).

Na passagem da primeira Leitura (2Cr 36,14-16.19-23), contemplamos o Amor de Deus narrado pelo autor do Segundo Livro das Crônicas.

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história.

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 2,4-10), o Apóstolo Paulo nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom.

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores.

Nas mãos de Deus somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

Na passagem do Evangelho (Jo 3,14-21), O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho Único para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16).

A vontade de Deus é que todos sejam salvos. Que, sobretudo neste Tempo Quaresmal, abandonemos as obras das trevas e multipliquemos as obras de luz, pois somos filhos da luz, do dia, como nos diz o Apóstolo Paulo (1Ts 5,5).

Não mais a serpente erguida no deserto, mas o próprio Senhor erguido na Cruz para nos reerguer, porque caídos pelo pecado estávamos.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

– Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?

– De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

– Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e bem possamos celebrar a alegria da Páscoa?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade…”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

“Deus merece que sejamos melhores!”  

PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/03/deus-merece-que-sejamos-melhores.html

A cidade, seus clamores e a missão Presbiteral – Dom Otacilio F. de Lacerda

As grandes cidades enfrentam os inúmeros problemas de nosso tempo, principalmente porque vivemos em mudança de época, muito mais do que uma época de mudanças.

Diante disto, uma questão fundamental: qual a missão do presbítero na cidade, bem como das comunidades que lhes são confiadas?

Não é uma resposta simples de ser dada, porém não podemos ceder à falta de coragem de buscar e de nos abrirmos ao Espírito para novas e necessárias respostas.

Na realidade, por vezes, árida e sórdida da cidade é missão do Presbítero primeiramente construir comunidades verdadeiramente eucarísticas, que se nutram do Pão da Palavra e da Eucaristia, o que consequentemente possibilitará que ele e todos façam uma profunda experiência de comunhão e amizade com o Senhor, em intimidade e apaixonamento visível pela Palavra que anuncia e denuncia, pelos exemplos, sinais no mundo de vitalidade e profecia.

O encontro com o Senhor não é apenas o conhecimento d’Ele e de Suas ideias, mas a configuração da vida a Ele e ao conteúdo de Seu ensinamento e vivência, alcançando a maturidade paulina:

“Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20), e ainda: “Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo.” (Fl 2,5).

Em decorrência desta espiritualidade eucarística, o Presbítero ajudará a comunidade no processo de santificação e de solidificação da família, a fim de que esta seja como uma escola dos valores cristãos, dos valores humanos e universais, e nela se formem excelentes cristãos e também excelentes cidadãos.

Colocando-se solidariamente ao lado dos mais empobrecidos, em alegre acolhida do outro, em constante processo de conversão pessoal, comunitária e social, o presbítero não deve se restringir aos espaços internos da comunidade, pois a evangelização desconhece limites e fronteiras.

Neste sentido, não pode ele se omitir no anúncio do Verbo nos diversos meios de comunicação social, rádio TV, jornal, Internet, enfim, nos novos areópagos…

Numa cidade, muitas vezes marcada pelo sofrimento, com famintos, dependentes químicos, moradores de rua, prostituição infantil, vítimas do tráfico e da violência, falta de condição digna de moradia… Diante de tantos rostos empalidecidos, com rugas precoces pelo sofrimento, o Presbítero deve ser aquele que com a comunidade, em frutuosa pastoral de conjunto e em comunhão com toda a Igreja, faz resplandecer o rosto de Cristo.

O Presbítero deve contribuir para que a comunidade, uma vez saciada a sede pela água cristalina da Palavra, nutrida pelo Pão Eucarístico e inebriada pelo Vinho Novo da Eucaristia, viva a nova e eterna aliança sendo um “oásis no deserto da cidade”, não como refúgio do bom combate da fé (2Tm 4), mas como lugar de revigoramento, favorecendo atitudes de serviço, anúncio, diálogo e testemunho de que o Reino de Deus se encontra em nosso meio.

Sem a pretensão de esgotar as respostas, vejo o presbítero na cidade como aquele que realiza a missão pelo amor que é Cristo Jesus.

E, na estreita relação de amor com Ele, tornará a Igreja mais crível e um novo mundo, mais do que desejável, possível. Um mundo marcado pela verdade e abundância de vida, porque fundado em relações de amor e justiça que faz brotar a paz.

É missão do Presbítero não permitir que a sordidez da cidade devore o rebanho, colocando nossa vida totalmente a serviço dele, tornando mais bela a cidade, até que um dia possamos entrar na Cidade Celestial.

Uma religião agradável ao Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Tempo Comum – Ano B

Com o 3º Domingo da Quaresma (ano B), damos mais um passo no Itinerário rumo à Páscoa do Senhor. Podemos dizer que é o Domingo da purificação do Templo por Jesus.

A passagem da primeira Leitura (Ex 20,1-17) nos apresenta o Decálogo, que são como “balizas” para a nossa vida, nossa conduta e atitudes em relação a Deus e ao próximo. Como “sinais de trânsito”, assegura o percurso para a liberdade e vida verdadeira.

A Aliança do Povo com Deus implica em obrigações fundamentais diante d’Ele, e elas são sintetizadas nos Dez Mandamentos. Javé tem que ser a referência e o valor absoluto na vida do Povo de Deus para que não volte à velha escravidão e opressão da qual o Senhor os libertou, pois Deus quer ser adorado por um Povo livre e feliz.

A maior parte dos Mandamentos, de outro lado, assegura relações comunitárias e fraternas, sem egoísmo e cobiça.

Sendo o Senhor dono do templo, deveria receber toda adoração, e não se poderia adorar os ídolos que O substituiria e levaria o Povo de Deus, inevitavelmente, para nova escravidão marcada pelo egoísmo, autossuficiência, injustiça, comodismo, paixões, cobiça e exploração.

Curvar-se-ia diante de outros “deuses”: dinheiro, poder, afetos humanos, realização profissional, reconhecimento social, interesses egoístas, valores da moda e ideologias que se contrapõem a Lei do Senhor.

Reflitamos:

 –   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?

 –   Quais os que merecem maior atenção em nossa vida?

 –   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?

 –   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?

 –   Como é a nossa relação com Deus?

 –   Como é nossa relação com nosso próximo?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 1,22-25), refletimos sobre a lógica da Cruz de Nosso Senhor que é o dom da própria vida.

O Apóstolo Paulo se dirige a uma comunidade viva e fervorosa, mas com o eminente perigo de viver uma moral dissoluta, contrária ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus.

Insiste para que a Comunidade cresça na fidelidade e no testemunho do Ressuscitado vivendo a “loucura da Cruz”, pois nela se manifesta o Poder Salvador de Deus, sobretudo porque o caminho do cristão é a adesão ao Cristo Crucificado e Ressuscitado: O Cristo do Amor e do dom da Vida.

Reflitamos:

 –   A quem amamos e seguimos?

 –   A quem pregamos, e como testemunhamos?

–   Para nós o que significa “viver a loucura da Cruz”?

 –   Amamos até às últimas consequências, como Jesus o fez por nós?

Na passagem do Evangelho (Jo 2,13-25), Jesus Se apresenta e é o Novo Templo de Deus, oferecendo-nos uma nova proposta de vida e uma nova forma de conceber a presença e a relação com Deus.

O templo, no tempo de Jesus, era o lugar dos sacrifícios, da purificação, do comércio. Quarenta e seis anos foram necessários para a sua construção.

Nele se praticava um culto nefasto, com práticas de exploração, fomentando a injustiça e a miséria do povo. No templo se sacrificavam cerca de 18.000 cordeiros, e os habitantes, que eram por volta de 55.000, triplicavam nas grandes festas.

No templo está o Verdadeiro Templo, o Novo Templo de Deus, que o Senhor assegura que pode ser destruído e reconstruído em três dias, Ele próprio Jesus é o Messias esperado. Com Ele, temos a abolição do culto que não aproxima as pessoas entre si e com Deus.

A reconstrução do templo em três dias anuncia a Morte e Ressurreição de Jesus: Sua atuação tem o selo de Deus, a garantia de que Ele é o Messias e o Redentor esperado. Com a purificação do templo, Deus passa a ser encontrado no outro, no qual Ele fez morada e Se identificou.

Aceitar Jesus é aceitar Sua Pessoa e Sua proposta. Cristãos, portanto, são aqueles que aderiram ao Senhor, comeram Sua Carne, beberam Seu Sangue e se identificaram com Ele para sempre.

Deste modo, a Igreja se torna a casa de Deus, onde temos que encontrar e viver a Proposta de Salvação e libertação para todos. Nossos cultos, sacrifícios celebrados, devem reverter em vida para todos, como alegre sinal do Reino.

Quando comungamos, Jesus nos enche com a Sua presença e nos tornamos presença d’Ele junto aos nossos irmãos.

Reflitamos:

 –   De que modo nossa Comunidade torna presente a Boa Nova de Jesus no mundo?

 –   Qual a relação que existe entre o que celebramos e o que vivemos?

 –  Percebemos a presença de Jesus em nosso próximo?

 –  Ajudamos a edificar a Igreja, que somos membros, ou apenas cobramos e nada fazemos?

–   Ajudamos a Igreja a ser sinal do Cristo Ressuscitado no mundo?

–   Quais os compromissos que se renovam ao participarmos do Banquete da Eucaristia?

Oremos:

“Ó Deus, tendo recebido o penhor do Vosso Mistério Celeste, e saciados na terra com o Pão do Céu, nós Vos pedimos a graça de manifestar em nossa vida o que o Sacramento realizou em nós. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém”.

PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

A Glória é precedida pela Cruz – Homilia – Segundo Domingo do Tempo Quaresmal – Ano B

O segundo Domingo da Quaresma (ano B), identificado como “O Domingo da Transfiguração do Senhor”, é um convite a escutarmos a voz do Filho Amado, e maior obediência à vontade de Deus, na Força do Espírito.

A passagem da primeira Leitura (Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18), fala-nos de Abraão e do sacrifício de seu filho Isaac.

O autor Sagrado nos revela um Deus que ama com Amor intenso e eterno; que revigora nossa serenidade e esperança; um Deus que não quer sacrifícios de vidas humanas, mas que todos tenham vida e vida plena.

Muitas vezes, as provações acontecem em nossa vida; e são elas ocasião para testemunharmos nossa fidelidade e revelarmos o que se passa no mais profundo de nosso coração.

Assim nos fez aprender Abraão, que não pouparia seu filho único, amado e herdeiro. Parecia que Deus iria destruir os próprios sonhos que ajudou a criar, no entanto, não é esta a mensagem, pois se Deus algo nos tira, é para nos dar algo ainda melhor.

A prontidão da resposta de Abraão revela um homem que entrega, confia, obedece…

Sua obediência foi fonte de Bênção para todas as nações, e da mesma forma, será pelo nosso sim às coisas divinas, fazendo-nos  instrumentos da Bênção Divina para o outro.

Abraão nos ensina a confiar além da incompreensão. Com isto, é possível questionar qual a atitude que temos diante dos Mistérios de Deus em nossa vida.

Além da compreensão de tudo que somos incapazes, é preciso antes confiar e entregar-se, como Abraão, nas mãos da Divina Providência, que tudo sabe e tudo pode.

Tudo isto leva ao questionamento de nossa vida cristã, nossa fidelidade aos desígnios de Deus., de modo que a sua atitude nos convida rever nossas prioridades: fazer de Deus o valor máximo, a prioridade fundamental de nossa vida.

Não podemos servir a “deusinhos” e aos ídolos sedutores de tantos nomes, mas tão somente ao Deus Vivo e Verdadeiro, o Deus bíblico revelado por Jesus.

Deste modo, as qualidades de Abraão nos ajudam no Itinerário Quaresmal, na busca e prática da conversão necessária, para que possamos celebrar uma frutuosa e alegre Páscoa do Senhor.

Com ele, aprendemos a crer, contra toda falta de humana esperança, e também que a obediência a Deus não é sinônimo de escravidão, mas garantia de vida, prosperidade, felicidade e realização.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,31b-34), é fortalecida a nossa espiritualidade cristã, que consiste em percorrer o caminho do amor a Deus e aos irmãos: enfrentar os sofrimentos, fazer as renúncias necessárias, suportar as incompreensões e perseguições e, sobretudo, não perder a esperança no triunfo final.

O discípulo de Jesus sabe que sua esperança não é uma ilusão, pois se relaciona com um Deus que ama a todos com Amor intenso, imenso e eterno, e por isto, mantém a serenidade, a confiança e a esperança, marcando assim, todo o seu existir.

Na aparente orfandade, ouve no mais íntimo de si mesmo: “Não tenhais medo”, pois o Amor de Deus veio ao nosso encontro por meio de Jesus, que por nós viveu um Amor, profundo, radical e total: um Amor vitorioso que passou pela Cruz para ser vencedor.

Com a passagem do Evangelho (Mc 9,2-10),  refletimos sobre o Projeto Messiânico, que se realizará pela Cruz: com renúncias, o carregar da cruz no seguimento, escuta e obediência.

Poderiam indagar os próprios discípulos: “Vale a pena seguir alguém que nos oferece a morte na Cruz?”

O Evangelista, retratando a Transfiguração, nos assegura que sim, pois ela é um sinal antecipado da vitória, do triunfo glorioso da Ressurreição.

Assim compreendido, a Transfiguração no Monte é uma teofania – uma manifestação da força e onipotência divina que venceu a morte: não ficará morto para sempre o Filho Amado que nos amando, amou-nos até o fim.

Contemplemos algumas imagens que nos oferecem interessantes paralelos entre o Antigo e o Novo Testamento:

– O rosto transfigurado e as vestes brancas de Jesus lembram o resplendor de Moisés ao descer do Sinai, após o encontro com Deus em que receber as Tábuas da Lei;

– A nuvem na Bíblia sempre representa uma forma de falar da presença de Deus;

– Moisés e Elias, a Lei e a Profecia que se realizam;

– O temor mencionado revela a Onipotência Divina;

– As tendas lembram um novo Êxodo – passagem da escravidão à liberdade;

– Jesus é o novo Moisés, com Ele uma Nova e Eterna Aliança;

– A roupa branca também sinaliza a Ressurreição: a Cruz não terá e não será a palavra final.

O discípulo missionário do Senhor jamais poderá deixar se entorpecer por certo tipo de “anestesia espiritual”, que nos torna indiferentes diante dos outros.

No caminho de fidelidade a Jesus, não podemos esmorecer, fracassar, fugir ou abandonar a cruz que Ele nos ofereceu para ser carregada quotidianamente com renúncias necessárias.

Dando mais um passo em nosso itinerário quaresmal, ao ouvir a Palavra proclamada, seja acolhida no alto da montanha e na planície vivida.

Seja purificado o olhar de nossa fé, para que vejamos, além da transitoriedade da dor e do sofrimento, os sinais maravilhosos da Glória Celeste, e assim poderemos no final deste itinerário quaresmal, celebrar o transbordamento da alegria Pascal, a Ressurreição do Senhor.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda : http://peotacilio.blogspot.com/2020/03/a-gloria-e-precedida-pela-cruz.html

Evangelização e acolhida do sopro do Espírito

“Ai de mim se seu não evangelizar” (1 Cor 9,16).

A Evangelização na cidade tem inúmeros e grandes desafios, de modo que, tão somente abertos à acolhida do sopro do Espírito, se é capaz de dar respostas sólidas aos mesmos, enfrentando-os na planície do quotidiano, atentos à voz do Filho Amado que precisa ser escutado.

Abertos a este sopro, a Igreja precisa multiplicar ações diante da violação da dignidade da pessoa humana e na profética defesa da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.

Seremos assim uma Igreja mais viva, participativa, dinâmica, renovada e com fortalecimento dos ministérios e o surgimento de novos.

Permanece forte o apelo da Conferência de Aparecida (2007), para a conversão das estruturas paroquiais e serviços, bem como de todos que se encontram inseridos e comprometidos com a evangelização.

Abertos ao Sopro do Espírito, é mais do que emergente a multiplicação do trabalho e iniciativas diversas para a santificação e solidificação da família, que passa por sérios momentos de desestruturação por diversos motivos (inúmeros são os ventos e tempestades enfrentados pela mesma).

O Espírito Santo também conduz no fortalecimento da dimensão missionária da Igreja – urge ir ao encontro dos católicos afastados, mas sem se esquecer de enraizar e solidificar os que nela já estão participando, fortalecendo laços sinceros de amizade, comunhão e solidariedade, superando toda e qualquer forma de anonimato numa bela e alegre atitude de acolhida mútua, que vai muito além de um seja bem-vindo!

Este mesmo Sopro nos pede mais ousadia nos meios de comunicação social, para que possamos comunicar a todos a Boa-Nova do Evangelho em novos areópagos, chegando às escolas, às universidades, ao mundo do trabalho, às instâncias de decisões que afetam substancialmente a vida do Povo de Deus. A Comunicação não pode ficar restrita ao espaço de nossas salas e Igrejas.

Também nos inquieta e nos desinstala para que nos empenhemos na transformação da sociedade, com a superação da apatia e indiferença diante da política, não perdendo a esperança, não permitindo apagar a chama profética que todo batizado recebe no dia de seu Batismo, para ser sal da terra e luz do mundo.

Deste modo, não ficaremos indiferentes diante da necessária inclusão social em todas as suas formas e dimensões, como expressão da evangélica opção preferencial pelos pobres, que jamais pode ser esquecida pela Igreja, na fidelidade à prática de Jesus na realização do Reino de Deus.

E, assim, sempre atentos a estes sopros, edificaremos uma Igreja do anúncio, testemunho, serviço e diálogo, tendo em conta as urgências que as Diretrizes da Igreja do Brasil nos apresentam (Doc. 102 – 2015-2019).

Com a abertura e acolhida do sopro do Espírito, cresçamos na  fidelidade à Palavra do Senhor, com aquela inquietante preocupação do Apóstolo Paulo, que deve ser de todos nós: “Ai de mim se seu não evangelizar” (1 Cor 9,16).

“Não nos deixeis cair em tentação” – Homilia do Primeiro Domingo da Quaresma- Ano B

No 1º Domingo da Quaresma (Ano C), repensamos nossas opções de vida, tomando consciência das tentações que nos impedem de viver a vida nova que um dia recebemos em nosso Batismo.

A passagem da primeira Leitura (Dt 26,4-10) retrata a tentação do Povo de Israel de ceder à idolatria, adorando falsos deuses.  É preciso que eliminemos os falsos deuses que nos afastam do verdadeiro Deus, do contrário, as marcas do orgulho, da autossuficiência, do egoísmo, da desumanidade, da desgraça e da morte, deixarão suas marcas.

Essencialmente é um texto anti-idolátrico, em que anuncia a vida e felicidade somente encontrada em Deus. A tentação do abandono do Senhor para adoração das divindades das populações da nova terra, das divindades da Natureza, é um constante perigo.

Encontramos neste trecho uma solene profissão de fé, inserida numa Liturgia de Ação de Graças pelos dons da terra e a oferta das primícias dos frutos das colheitas; possibilitando-nos refletir quais são os falsos deuses que podem tomar o lugar do Deus vivo e verdadeiro: o dinheiro, o poder, o êxito social ou profissional, a ciência ou a técnica, os partidos, líderes e suas ideologias ou quaisquer outras coisas que se sobreponham a Deus e até mesmo que levem a d’Ele prescindir.

Reflitamos:

– Quando se prescinde de Deus que futuro é reservado para a humanidade?
– Quais são os deuses da pós-modernidade que seduzem e afastam a pessoa do encontro e relação com o Verdadeiro Deus da Vida, que a Sagrada Escritura nos  apresenta?

Na passagem da segunda Leitura, (Rm 10, 8-13), o Apóstolo Paulo nos fala da Salvação como dom de Deus e compromisso nosso.

A salvação não é uma conquista humana, mas dom gratuito de Deus que, na Sua bondade, quer salvar a todos. Também afirma que o Evangelho de Jesus é a força que congrega e salva aquele que crê (judeus e pagãos), pois Deus quer salvar a todos, indistintamente (v. 11-12);

Reflitamos:

– Quais são as divisões existentes em nossas famílias e comunidades? O que as provocam?

– Como tornar nossa comunidade mais fraterna, mais próxima do que Jesus quer para Sua Igreja?

– Como tornar, de fato, a comunidade um lugar da adesão à fé na pessoa de Jesus?

A passagem do Evangelho (Lc 4, 1-13) retrata de forma catequética, e não de forma jornalística, as tentações enfrentadas por Jesus no deserto (deserto como lugar da privação, dos desafios, da tentação): ter, poder e ser, que são as tentações fundamentais de toda pessoa.

A primeira tentação é um não à riqueza/acúmulo, a segunda um não ao poder/dominação e a terceira um não ao êxito fácil.

Jesus recusou terminantemente o caminho do materialismo (poder, domínio, êxito fácil), do contrário, trairia o Plano de Deus, que se realiza pela partilha, serviço e doação da própria vida com simplicidade e amor.

Os discípulos missionários de Jesus devem fazer o mesmo caminho por Ele vivido e proposto: o egoísmo cede lugar para a partilha; o autoritarismo para o serviço; o espetáculo/sucesso para a vida plena.

O discípulo missionário terá que decidir entre a obediência ao Pai e o serviço ao  próximo ou a sedução às tentações.

Aqui devem ser lembradas as palavras do Bispo Santo Agostinho: –“Como vencer se não combater, como combater se não formos tentados. Se n’Ele somos tentados, com Ele também venceremos” E ainda: “O Senhor poderia impedir o demônio de aproximar – se dele; mas, se não fosse tentado, não te daria o exemplo de como vencer na tentação”.

Com o Pão da Palavra e com o Pão da Eucaristia, podemos vencer quaisquer tentações que venham a nos afastar do Projeto de Vida que Deus tem para nós. Se alimentados por Deus, vencemos; do contrário, sucumbimos e perdemos a alegria e o sentido do próprio existir.

As tentações enfrentadas por Jesus não são uma página virada, mas um desafio a ser vivido e enfrentado por todo aquele que deseja segui-Lo, ontem, hoje e sempre.

Reflitamos:

– De que modo estas tentações se manifestam hoje nos espaços em que vivemos, dentro e fora da Igreja?

– Nesta Quaresma, como nos alimentarmos melhor da Palavra e da Eucaristia?

Dando os primeiros passos no itinerário Quaresmal, entremos com Jesus na travessia do deserto de nossa vida.

Acolhamos, pois, a Salvação como dom de Deus, dando nossa resposta com liberdade, responsabilidade e maturidade, pois nisto consiste a vida cristã: corresponder cada vez mais e melhor aos desígnios de Deus e ao Seu Projeto de Amor, dando a Deus e ao nosso próximo o melhor que podemos.

É preciso revitalizar a fé, quotidianamente, para que não sucumbamos às tentações que nos afastem do Projeto Divino. É preciso viver uma fidelidade límpida, superando toda infidelidade à Palavra de Deus, rompendo com o pecado, como criaturas novas pela graça batismal.

Jesus venceu as tentações para nos ensinar também a vencê-las. Com Ele, e somente com Ele, faremos a travessia do deserto, alcançando a outra margem, no encontro definitivo.

Vivendo a cada dia a configuração ao Senhor, em Sua Vida, Paixão e Morte, com renúncias necessárias, desapego de si mesmo, tomando a cruz de cada dia, com Ele também Ressuscitaremos.
Ao rezar o “Pai Nosso”, façamos com mais ardor esta súplica: “… O Pão nosso de cada dia nos dai hoje…” “… e não nos deixeis cair em tentação”.

Alimentados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, e somente assim, podemos vencer as tentações que impeçam o Reino de Deus acontecer, como também a verdadeira santificação do nome de Deus.

Oremos:

“Dai-nos força para resistir à tentação, paciência na tribulação,
e sentimentos de gratidão na prosperidade. Amém.”

Libertos pelo Senhor para amar e servir – VI Domingo do Tempo Comum Ano B – Homilia

“Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse:

 “Eu quero: fica curado!”. No mesmo instante 

a lepra desapareceu e ele ficou curado.”

(Mc 1, 41-42)

Com Liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum (ano B), vemos a ação de Deus, que Se revela pleno de Amor, bondade e ternura, através de Sua ação que acolhe, cura, liberta e integra a todos na vida da comunidade.

A vontade de Deus é que se supere toda forma de discriminação e marginalização, e a comunidade deve empenhar-se, com sabedoria e coragem, para que isto se torne uma realidade.

A passagem da primeira Leitura (Lv 13, 1-2.44-46) nos apresenta “a lei da pureza”, e uma visão deturpada de Deus que leva à invenção de mecanismos que discriminam, rejeitam e excluem em nome de Deus, numa total marginalização.

Dentre as impurezas, a lepra era considerada a mais grave, de modo que quem por ela fosse acometido, deveria ser segregado e afastado da convivência diária com outras pessoas, e tal medida tinha uma intenção higiênica e também para evitar o contágio.

Mais grave ainda, era considerado um pecador, amaldiçoado por Deus e indigno de pertencer à comunidade do Povo de Deus e não podia ser admitido nas assembleias em que Israel celebrava o culto na presença do Deus Santo.

Na passagem da segunda Leitura (1Cor 10,31-11,1), o Apóstolo Paulo, na fidelidade ao Senhor, nos apresenta Jesus Cristo, modelo de obediência, doação, Amor  e serviço em favor da libertação de todos, e o cristão deve o mesmo fazer.

Com o Apóstolo, aprendemos que o cristão é livre em tudo aquilo que não atenta contra a sua fé e contra os valores do Evangelho, mas pode prescindir de direitos para um bem maior, que é o amor aos irmãos.

A Lei do Amor se sobrepõe a tudo, inclusive aos direitos de cada um, e assim não nos tornamos obstáculo nem para a glória de Deus, nem para a salvação de nossos irmãos.

Ao amor tudo deve ser subordinado, fazendo de nossa própria vida um dom, uma oferenda agradável a Deus.

Na passagem do Evangelho (Mc 1,40-45) ao curar o leproso, Jesus inaugura um novo modo de relacionamento, destruindo o triste mecanismo de marginalização que exclui estes do convívio social e da própria comunidade.

Jesus, com palavras e ação, cura e integra a todos na comunidade do Reino, sem jamais compactuar com a discriminação, exclusão, racismo ou qualquer outra forma de marginalização.

Sua ação é expressão de um Deus cheio de Amor que vem ao encontro de nossa humanidade, de nossa condição pecadora e enferma, para nos curar e nos redimir. Jesus toma para Si nossas dores e sofrimentos.

Também revela, com Sua ação, que o Reino de Deus chegou, completou-se o tempo esperado, são tempos novos inaugurados pela presença e ação de Jesus: a cura do leproso revela o Amor de Deus que cura, liberta, integra e impulsiona para o testemunho.

O leproso curado começou a pregar e a divulgar sobre o acontecido, a sua cura. Com isto, o Evangelista sugere que aquele que experimentou o poder integrador e salvador de Jesus se converte, necessariamente, em profeta e testemunha do amor e bondade divina: um discípulo missionário do Reino.

Oportunas as palavras da Igreja, para refletirmos sobre a íntima união da Igreja com toda a família humana:

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. 

Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história”. (1)

Reflitamos:

– Quais são as enfermidades que ainda hoje levam à exclusão e à marginalização?

– Até que ponto nossa ação também acolhe, liberta e integra na comunidade e na sociedade?

– De que modo os marginalizados e excluídos se abrem para a acolhida e integração na comunidade e na sociedade?

– Como vivemos a fidelidade ao Senhor, tendo d’Ele mesmos pensamentos e sentimentos?

– Como expressamos em nossa vida o amor, a ternura e a bondade de Deus para com o nosso próximo?

– Sabemos renunciar a direitos pessoais por bem maiores em favor de outros?

Como Igreja missionária, na fidelidade ao Senhor, também saibamos acolher, perdoar, integrar a todos na vida da comunidade e, com alegria, participar da construção do Reino.

Acolhidos, amados e curados para acolher, amar e curar num círculo que não pode se fechar, interromper.

(1) Constituição Pastoral Gaudium Et Spes  sobre a Igreja no mundo atual  (n.1).

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em:

http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/libertos-pelo-senhor-para-amar-e-servir.html

O particípio e o infinitivo da vida do Presbítero – VI Domingo do Tempo Comum do Ano B

“Irmãos, cuidai cada vez mais de confirmar a vossa vocação e eleição. Procedendo assim, jamais tropeçareis. Desta maneira vos será largamente proporcionado o acesso ao reino eterno de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2Pd 1,10-11)

Na Liturgia do 6º Domingo do Tempo comum (ano B), a primeira Leitura (Lv 13,1-2.44-46) e o Evangelho (Mc 1,40-45) retratam a dramática situação de quem era acometido pela lepra, doença até então conhecida para caracterizar todo tipo de sofrimento relativo à pele, que deforma a aparência da pessoa. Era o que havia de mais grave sobre “impureza”.

À luz da Palavra proclamada, como conceber o Ministério Presbiteral, para que seja a expressão da misericórdia divina?

Refletindo, vi uma estreita relação, que agora começo a desenvolver:

Contemplamos o Amor de Deus que a todos acolhe sem excluir ninguém do Seu convívio, da Sua bondade. Deus não exclui, ao contrário integra a todos na comunhão mais que querida. Esta foi a ação de Deus no Antigo e no Novo Testamento através da prática do Amor Encarnado, Jesus Cristo.

Jesus acolhe com Amor: toca, cura, liberta, renova, restaura, reintegra aquele homem acometido de terrível mal que o condenava como pecador, marginalizado, amaldiçoado, excluído, indigno, fora da Bênção de Deus, numa palavra, um pecador maldito.

A prática de Jesus confirma a lógica de Deus que não marginaliza ninguém, e bem diferente é a lógica humana, que de modo geral vai noutro sentido.

Jesus com Sua prática Se contrapõe àquilo que em nome de Deus cria mecanismos de rejeição, exclusão e marginalização.  Ele é a manifestação da compaixão, do Deus cheio de Amor.

O gesto de Jesus revela Amor e solidariedade. Com a cura do leproso, e outros sinais é a certeza de que o tempo se completou, o Reino de Deus se faz presente no meio dos homens, sem racismos, exclusões.

A cura do leproso é a chegada de um novo tempo inaugurado por Jesus, que toma para Si as dores e sofrimentos de toda a humanidade.

Note-se que o leproso curado ao ser enviado ao templo para confirmar a sua cura, imediatamente se põe a anunciar as maravilhas alcançadas.

Também o Apóstolo Paulo fez o caminho de conversão. De ser escolhido amado e enviado por Deus. Sua vida nos ensina que Jesus é modelo de obediência e entrega, e o tem como fonte de vida. Assim deve fazer todo cristão. Para o Apóstolo o amor por Jesus torna tudo relativo e Ele é a fonte da mais madura liberdade.

Paulo, pelo amor que tudo subordina, faz da própria vida um dom. Assim deve ser a vida do discípulo missionário do Senhor. Assim deve acontecer com todo aquele que se sente acolhido, amado, tocado, curado, perdoado, liberto pela ação misericordiosa de Deus: tornar-se um alegre discípulo missionário do Reino.

Ofereço ao leitor uma pequena citação para aprofundamento:

“O texto do Evangelho nos diz que ‘no mesmo instante o deixou a lepra’, o poder curador de Deus passa através de um simples contato humano. Bastou um gesto corajoso do Filho de Deus para restituir a vida a um homem desesperado. Jesus sabe que isto servirá de testemunho (v.44) e o leproso curado não pode calar o amor que lhe restituiu a vida (cf. v. 45).”

Todo Presbítero, é por excelência o homem que experimentou o particípio do Amor de Deus e é chamado para prolongar tantas maravilhas em infinitivos infinitos.

O Padre é alguém que foi chamado por Deus; acolhido, escolhido, amado, curado, tocado, formado, ordenado, consagrado, enviado…

E quais são os infinitivos da vida de um Presbítero?

– Assim foi como acolhido, acolher cada irmão e irmã, sem nenhuma discriminação ou preferência.

– Assim como escolhido, ajudar o Povo de Deus a perceber o quanto também Deus os escolheu para produzir frutos saborosos nesta Vinha que é a própria Igreja, com podas necessárias, como bem nos fala o Evangelho de São João (Jo 15).

– Assim como foi por Deus amado, é o Ministro do Amor por excelência. Se não comunicar e não testemunhar o amor está condenado a viver um Ministério sem vida, alegria, sabor, graça e sentido.

– Assim como foi curado, e o é todos os dias, em cada Eucaristia é o Ministro da cura de tantos males que roubam a alegria e a vida do rebanho a ele confiado.  Ministro da cura por excelência, Ministro da cura porque comunicador da vida nova do Espírito.

– Assim como foi tocado um dia por um amor em forma de chama, deve a todos tocar, com sua palavra e gestos, a vida de cada membro da comunidade. Não poderá ser o gélido toque de quem não crê; nada espera e não ama de verdade, sem nenhum outro interesse a não ser o pleno cumprimento da Lei.

Teve a graça de ser formado, teve a graça de aprofundar a sabedoria como saber, soma de conhecimentos, mas tem que ser formado na sabedoria como sabor; sabor de vida, ternura, dignidade, perdão, paz, fraternidade, comunhão. Há a sabedoria do saber, mas há a sabedoria do sabor, na qual os pequenos são preciosos mestres.

Ordenado e com o Sacramento sem nenhuma tentação de prestígio, poder, sucesso, riqueza. Ordenado para arrebanhar, conduzir, santificar, ensinar, governar. Conduzir o rebanho para verdes pastagens, como homem do Banquete Eucarístico e da Palavra que fortalece, orienta e ilumina.

Consagrado e enviado. Tem uma missão especial. Enviado para comunicar a semente do verbo, espalhar Boa Nova do Evangelho em tantos corações. Enviado para que ensine e ajude a humanidade a viver tudo o que Jesus nos ensinou (Mc 16, 19)

O Padre é para a comunidade um alegre testemunho de quem foi também por Deus amado e curado.

Que a comunidade vendo assim o presbítero, também se sinta amada e encorajada a fazer o mesmo caminho, celebrando devotamente a Eucaristia, e numa autêntica devoção a Nossa Senhora, cresça cada vez mais a solidariedade para com o povo, em suas dores e sofrimentos.

Assim fez Jesus para com o leproso, assim haverá de fazer todo discípulo Seu, e de modo especial aquele a quem Ele chamou para ser Presbítero de Sua Igreja.

O Presbítero é alguém que se sente amado para amar muito mais do que para ser amado, ou seja, antes de querer ser amado tem que amar na mais bela e fecunda expressão do Mandamento que nosso Senhor nos deixou: amar a Deus e ao próximo como Ele nos amou.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/o-participio-e-o-infinitivo-da-vida-do.html

Jesus: Sua Palavra e ação nos libertam- Homilia para o Quarto Domingo do Tempo Comum (Ano B) – Dom Otacilio F de Lacerda


“O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade…

Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”

Com a Liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre o Projeto de liberdade e vida plena que Deus tem para a humanidade, que se contrapõe aos projetos marcados pelo egoísmo, escravidão de toda forma e morte.

Tendo iniciado um novo Ano Litúrgico, à luz do Evangelho de São Marcos, somos convidados a seguir, cada vez mais de perto e decididamente, o Senhor, que nos chamou e nos enviou a viver a vida nova que nos foi concedida pela graça do Batismo.

Na passagem da primeira Leitura (Dt 18,15-20), temos a experiência profética de Moisés, e, com isto, vemos que o Profeta é alguém escolhido por Deus, por Ele chamado e enviado para comunicar a Sua Palavra viva à humanidade e ser sinal da presença divina.

A missão do Profeta, um escolhido de Deus, consiste, portanto, em transmitir a mensagem de Deus, e se faz necessário ouvir os Profetas que verdadeiramente falam em nome de Deus, em todo o tempo, uma vez que haveremos de prestar contas se fecharmos os ouvidos e o coração ao Seu Projeto, comunicado por estas vozes que jamais se calaram, e jamais se calarão.

Sendo escolhido por Deus, ninguém é Profeta por escolha própria, tornando-se apenas um instrumento nas mãos de Deus, vivendo em total fidelidade a Deus e absoluto empenho no cumprir desta missão.

Por isto, o Profeta precisa estar exclusivamente a serviço de Deus, e jamais conduzir sua vida por esquemas pessoais, interesseiros e egoístas.

Oportuna são as palavras do Missal:

“O profetismo, conhecido em todo o Oriente Antigo, apresenta na Bíblia aspectos originais de que Moisés e Elias continuam a ser modelos. Como dantes, também hoje continua a haver Profetas. O critério da sua autenticidade é a Palavra sempre viva de Deus e o seu vínculo a Jesus Cristo”. (1)

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 7, 32-35), o Apóstolo Paulo continua falando sobre as verdadeiras prioridades que devem marcar a vida daquele que abraçou a fé, não se deixando desviar pelas realidades transitórias, afinal, o tempo está abreviado e a figura deste mundo passa.

É nítida a pretensão do Apóstolo de apresentar, a quem professa a fé no Senhor, uma proposta de vida com equilíbrio, sabendo discernir entre as coisas que passam e as que são eternas, que consiste num aprendizado permanente na definição das escolhas, numa vida marcada pela generosidade, alegria e doação.

Seja qual for nossa vocação e condição de vida, devemos nos unir ao Senhor com um coração indiviso.

Na passagem do Evangelho (Mc 1,21-28), vemos a ação de Jesus, o Filho de Deus, que vem cumprir o Projeto de libertação.

Depois de apresentar o chamamento dos discípulos, o Evangelista apresenta uma jornada ministerial do Senhor, com Sua autoridade revelada no ensino e diante dos “espíritos impuros”.

Com Sua Palavra e ação, Jesus renova aqueles que O acolhem e acreditam em Sua Palavra, tornando-os verdadeiramente livres do egoísmo, do pecado e da própria morte.

A ação de Jesus faz suscitar a interrogação daqueles que O viram ensinar e expulsar os demônios: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina e com que autoridade!”. Também nós devemos nos perguntar “quem é Jesus para nós?”

Jesus veio nos libertar de tudo o que nos faça “prisioneiros” e nos roube a vida e a alegria de viver. Com Sua Palavra e ação, Jesus nos revela que Deus não desistiu da humanidade, e quer conduzi-la à vida plena e feliz.

Seus seguidores não poderão cruzar os braços, continuando a Sua missão na luta contra os “demônios” de tantos nomes, que roubam a vida e a liberdade das pessoas.

Ser discípulo consistirá em percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, lutando até o fim, em total doação da vida para que tenhamos um mundo mais humano, mais livre, mais solidário, mais justo e mais fraterno; sendo assim é inconcebível que os discípulos cruzem os braços, de olhos voltados para o céu.

Há um mundo a ser transformado e, como Igreja em saída (como tem insistido o Papa Francisco), não podemos ficar fechados em nossas sacristias, mas assumir corajosamente, com a força do Espírito, com sabedoria e criatividade, a dimensão missionária, elemento constitutivo da Igreja, presença nas mais diversas realidades, em incansável empenho para a transformação das realidades:  familiar, social, política, econômica, cultural, do trabalho e da comunicação.

O discípulo de Jesus, com Sua Palavra e presença, luta na libertação de todos os demônios que desfiguram as pessoas, para que estabeleçamos relações mais fraternas.

Nem sempre isto se dá de modo tranquilo, porque pode gerar conflitos, divisões, sofrimentos, incompreensões, perseguições, mas vale a pena, porque é fiel Aquele que prometeu jamais nos desamparar, jamais nos deixar órfãos na missão por Ele confiada, afinal nos comunicou o Seu Espírito, que nos assiste em todos os momentos.

O discípulo de Jesus é alguém que embarcou nesta aventura de amor que dá sentido à vida, o que nos torna cúmplices e instrumentos nas mãos de Deus, para que construamos um mundo novo, de homens e mulheres livres e felizes.

Com o coração seduzido e inflamado por Aquele que voltou para nós o Seu olhar de amor e nos chamou pelo nome, não há como voltar atrás.

Quem pelo Senhor sentiu-se amado, já não pode mais viver sem o Seu Amor, a Sua Palavra e presença.

(1) Missal Quotidiano, dominical e ferial – Paulus – Lisboa – p. 1177

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em :

http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/jesus-sua-palavra-e-acao-nos-libertam.html

A Palavra do Pastor
Presbítero: Homem da Palavra e de palavra

Presbítero: Homem da Palavra e de palavra

O sopro do Concílio nos desafiou a assumir as alegrias e tristezas, angústias e esperanças da humanidade, como Igreja de...
Read More
Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice!

Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice!

Todos os dias são dias de missão, e a Igreja que vive no tempo é missionária, por sua natureza, tendo...
Read More
Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza – Homilia para o XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B.

Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza – Homilia para o XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B.

No 28º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a refletir sobre o essencial e o efêmero em nossa...
Read More
Somos um povo peregrino e evangelizador .

Somos um povo peregrino e evangelizador .

“Nós vimos o Senhor” (Jo 20,25) Na Exortação Evangelii Gaudium, o Papa afirma que “A Evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da...
Read More
O Sacramento do Matrimônio no Plano de Deus – Homilia do XXVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

O Sacramento do Matrimônio no Plano de Deus – Homilia do XXVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

  No 27º Domingo do Tempo Comum (Ano B), refletimos sobre a aliança matrimonial que, no Projeto de Deus, consiste...
Read More
Graça e perseverança na missão

Graça e perseverança na missão

 “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fl 2,5) Retomo as iluminadoras palavras do Papa Francisco na...
Read More
Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

“Olhando para o céu, suspirou e disse:  “Effatha!”, que quer dizer “abre-te!” No 23º Domingo do Tempo Comum (ano B),...
Read More
Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Como Igreja que somos, precisamos testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade,...
Read More
Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom  Otacilio F. de Lacerda.

Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom Otacilio F. de Lacerda.

Com a Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano B), aprofundamos como deve ser uma verdadeira religião que agrade...
Read More
“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“A quem iremos, Senhor?” Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre nossas opções, sobre o discernimento que...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto:

Arquivo