A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Advento: Tempo de fecundação – Homilia – Primeiro Domingo do Advento – Ano C

Tempo de vigiar e orar, tempo de a fé viver,
para solidificar a esperança na vivência de uma
autêntica caridade para com o próximo.
A Liturgia do 1º Domingo do Advento (Ano C) é um convite à preparação da vinda do Senhor, para mais uma luminosa e alegre Festa do Seu Natal.
Na passagem da primeira Leitura (Jr 33,14-16) contemplamos a promessa do Messias. É um período muito difícil da história do Povo de Deus (séc. VI A.C.), parece o princípio do fim, a derrocada de todas as esperanças e seguranças do Povo.
Neste contexto, o Profeta Jeremias, em nome de Javé, proclama a chegada de um novo tempo, em que Deus vai “pensar as feridas” do seu povo oferecendo a cura e favorecendo a abundância da paz e da segurança.
O Profeta anuncia a fidelidade a Javé e as promessas que foram feitas, há alguns séculos, a Davi (cf. 2Sm 7). A mensagem é uma recordação das promessas divinas, de modo que é preciso ser eliminada toda nostalgia de um passado nem tão distante; é preciso eliminar toda sombra de medo no presente, para que possa num futuro bem próximo acontecer a instauração de um novo tempo de alegria, esperança, vida e paz, que será a realização da promessa messiânica cultivada na mente e no coração, realizada pelo Messias, que será o próprio Jesus.
A mensagem é atual: é preciso superar o medo, a frustração, o negativismo, a insegurança, o pessimismo. Crer no Senhor, em Sua força, presença e ação, correspondendo sempre à Sua iniciativa, numa resposta autêntica de conversão, fidelidade e compromisso.
A passagem da segunda Leitura (1Ts 3,12-4,2) é um convite a ficarmos atentos, não nos instalando na mediocridade e comodismo. A vigilância é uma atitude ativa na espera do Senhor, pois Ele é o centro de nosso testemunho pessoal, comunitário e eclesial.
Trata-se do primeiro Livro escrito do Novo Testamento dirigido a uma comunidade que vive o contexto de perseguição e provação. Tendo recebido notícias animadoras da comunidade, o Apóstolo Paulo envia uma Carta para que não se acomodem na espera do Senhor que vem, mas vivam a espera do Senhor, aprofundando as relações de amor entre seus membros.
Ser cristão não é possuir a perfeição consumada, pois é preciso recomeçar em cada dia um novo instante da vida; saber que há um caminho novo a ser feito e não se conformar ao que já foi feito.
Nisto consiste esperar, saber amar, avançar em águas mais profundas da fidelidade e compromisso com o Reino do Senhor.
Deste modo, o cristão não se acomoda, mas vigilante, se incomoda e se compromete com alegria e coragem na participação da construção do Reino.
A passagem do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36) é uma mensagem de alegria, confiança, esperança e compromisso na acolhida do Filho do Homem, Jesus, que faz acontecer o Projeto de um mundo novo.
Retrata os últimos dias da vida terrena de Jesus e a iminente destruição de Jerusalém (anos 70 D.C.), como de fato aconteceu.
Jesus anuncia uma Palavra de ânimo, “é preciso levantar a cabeça porque a libertação está próxima” (Lc 21,28). A comunidade não pode se amedrontar, mas deve abrir o coração à esperança, em atitude de vigilância e confiança.
A salvação não pode ser esperada de braços cruzados. A salvação é oferecida a nós como dom: Jesus vem, mas é preciso reconhecê-Lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e buscam a libertação.

É preciso deixar que Ele nos transforme a mente e o coração para que Ele apareça em nossos gestos e palavras, em toda a nossa vida.

Celebrar o Tempo do Advento é celebrar a preparação para o Natal do Senhor. Celebrar a esperança de um mundo novo que há de vir e que depende de nosso testemunho.
O Reino vem e acontece como realidade escatológica, ou seja, não será uma realidade plena neste tempo em que vivemos, será plenitude somente depois que Cristo destruir definitivamente o mal que nos rouba a liberdade e ainda nos faz escravos.
Trabalhamos e nos empenhamos pelo Reino que é já e ainda não, pois ainda que muitas coisas tenhamos feito e o mundo tornado melhor, ainda não será o “tudo melhor” que Deus tem reservado para nós. O Reino de Deus é uma realidade inesgotável, imensurável e indescritível, e o vemos em sinais.
Por ora, é preciso vigiar e orar, numa esperança que nos leve a viver uma caridade ativa tornando fecunda a nossa fé.
Advento é tempo propício para ajudar o outro a se erguer de novo, é tempo de voltar a dar gosto à vida que germina silenciosamente.
Comecemos bem este Tempo maravilhoso e frutuoso que a Igreja nos oferece, preparando nosso coração para que nele Cristo possa nascer e renascer sempre.
Que em nós, em nossas famílias e no mundo, o Deus Menino encontre uma digna moradia.

Avaliar, planejar e perseverar na fé

No próximo Domingo, encerraremos mais um Ano Litúrgico, coroado com a Festa do Cristo Rei e Senhor do Universo.

É tempo de, como Igreja, nos encontrarmos para avaliar e planejar, na acolhida do Espírito de Deus, que não cessa de soprar sobre a Igreja, para que esta seja perseverante na fé, com vistas à missão evangelizadora do ano que se aproxima.

Evidentemente, houve muitas coisas boas, acertos, aprofundamentos, dedicação, busca corajosa de respostas aos inúmeros desafios que a pós-modernidade nos coloca.

As diversas atividades que realizamos precisam ser revistas: momentos orantes, formativos e celebrativos, e eventos em todos os âmbitos.

Na missão evangelizadora, com amor, zelo e alegria, fomos assistidos pelo Espírito Santo – “O Espírito do Senhor repousa sobre mim.” (Lc 4, 18).

Deste modo, é sempre inconcebível qualquer forma de acomodação ou recuo, pois há emergência na construção do Reino de Deus, para tornar viva no mundo a Palavra comunicada pelo Filho.

Perseverantes na fé, temos que avaliar e planejar o trabalho evangelizador, voltando-nos às primeiras comunidades cristãs, que “eram perseverantes na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão fraterna, na fração do Pão e na Oração” (At 2,42), e também entregarmos nossa vida ao Senhor, com renúncias quotidianas, para segui-Lo com gratuidade e amor no trabalho da messe.

Avaliar e planejar, de modo que tenhamos espaços, tempo e momentos mais fecundos de conhecimento e aprofundamento da doutrina, que deve guiar nosso pensamento, palavras e ações, para que nossa fé seja mais luminosa, em estreita relação com a esperança e a caridade.

E, também, para que nossas comunidades sejam mais fraternas, mais solidárias, onde os erros são corrigidos com caridade, e o perdão é a grande expressão do amor que nos deve fazer mais unidos, para que maior credibilidade tenha a nossa ação evangelizadora.

Somente assim, a Fração do Pão tornará inseparáveis as Mesas Sagradas, da Palavra e da Eucaristia, e as mesas do quotidiano: Eucaristias bem celebradas e na vida prolongadas.

Avaliemos e planejemos, para que a oração seja expressão de amizade e intimidade crescente com a Trindade Santa, fortalecendo os momentos que nos revigorem, com o recolhimento, o silêncio, sobretudo porque vivemos numa sociedade em que somos bombardeados por um infinito número de informações, e nossa alma pode facilmente se desviar para a escuridão, cedendo e se corrompendo com os ruídos que nos envolvem.

Perseverando na fé, abertos ao sopro do Espírito, com sinceridade e caridade para avaliações e planejamento, tornaremos nosso coração mais fértil à Palavra do Divino Semeador, Jesus, e muitos frutos, para a glória de Deus, produziremos.

Dom Otacilio F. de Lacerda

Vigilância ativa na espera do Senhor que vem- 33ª Semana do Tempo Comum – Ano B

Liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum (Ano B) nos convida a olhar o passado e o futuro para viver melhor o hoje de Deus.

É um grande convite à esperança: Deus vai intervir na noite do mundo e mudar a história numa alegre aurora de vida, amor e luz.

Esperar vigilante o Senhor que vem, reconhecendo no presente Sua ação constante, revendo nossa participação na construção do Reino.

A passagem da primeira Leitura (Dn 12,1-3) retrata um difícil momento da História do Povo de Deus (séc. IVa.C), vivido sob a dominação do reinado do selêucida Antíoco IV.

Este rei queria impor a cultura helênica em todo o seu império e praticou uma política de intolerância para a cultura e a religião judaica.

O autor sagrado exorta à constância e a fidelidade, certo que isto assegurará a recompensa divina em sua maior expressão: a vida eterna.

É preciso manter firme a fé sem ceder à imposição de culturas que violem a tradição e a fé judaica.

A preocupação do autor é restaurar a esperança num tempo marcado pela perseguição. A fidelidade a Javé deve ser vivida apesar de toda dificuldade, incompreensão, intolerância e perseguição. Javé recompensará quem se mantiver fiel à Lei e aos Seus Mandamentos.

Esboçam-se os primeiros fundamentos teológicos da Ressurreição: não somos condenados ao fracasso; a fidelidade vivida garante a Ressurreição, a recompensa da vida eterna para o justo.

A mensagem, portanto, é de esperança: a vitória será daqueles que se mantiverem fiéis às propostas de Deus; que não sucumbirem aos valores efêmeros, mas pautarem a existência pelos valores eternos.

Em meio às dificuldades, o cristão não é um “profeta da desgraça”. A certeza da presença de Deus no seu caminhar traz em si a convicção de que a vitória final será de Deus e de todos os que permanecerem fiéis.

Não faz sentido que o cristão seja um profeta da desgraça, com um olhar derrotado para a história e o mundo, curtindo dentro de si o azedume e o pessimismo. Ao contrário, deve ser uma pessoa alegre e confiante, pois olha para o mundo com serenidade e esperança, sabendo que Deus guia a história da humanidade e cuida de cada um com intenso Amor.

Como será diferente o mundo se cultivarmos este olhar!

– Como vemos o mundo e os desafios que nos cercam?

– Por vezes também não podemos ser “profetas da desgraça”, pessimistas, sem esperança de que o mundo possa ser mudado, que a violência seja banida, que a exclusão seja superada?

A passagem da segunda Leitura (Hb 10,11-14.18) é dirigida a uma comunidade em que há a perda do entusiasmo; um povo cansado, fragilizado e sem esperança.

É uma exortação para que se viva uma fé mais coerente e mais empenhada tendo Jesus Cristo como o Sumo e Eterno Sacerdote, que fez de Sua vida uma oferenda, sacrifício uma vez por todas, para que o mesmo façamos, dando a nossa vida em contínuo sacrifício de louvor, entrega e amor.

O autor tem um objetivo explícito: despertar no coração dos crentes uma resposta mais decidida e forte ao Amor de Deus revelado por Jesus que nos amou com Amor sem limites.

Ele é o Servo fiel, vida doada, sacrificada com amor e por amor a nós. Assim, o cristão está inserido na dinâmica do amor que Jesus testemunhou, fazendo da vida um dom de amor, não desanimar, lutando sempre.

O caminho percorrido por Jesus é o caminho do cristão, certos de que a última palavra é sempre a Palavra de Deus, que nos quer salvar e nunca nos abandona, pois é próprio do Amor de Deus nunca desistir de nós para que sejamos melhores. Ele venceu a morte, e com Ele também podemos vencer.

A passagem do Evangelho (Mc 13,24-32) nos apresenta um discurso escatológico, profético/apocalíptico sobre o fim dos tempos: a espera da vinda gloriosa do Senhor.

Exorta à fidelidade, coragem e vigilância. Apesar das vicissitudes do tempo presente, o cristão deve viver na vigilância ativa e com lucidez, na espera da vinda gloriosa do Filho do Homem.

A passagem é um claro anúncio do Triunfo de Cristo sobre toda e qualquer forma de dominação que se possa viver. É um texto não para incutir desespero na mente e no coração dos discípulos, mas para despertar a confiança e a esperança de um mundo novo que está sempre por vir.

As Palavras de Jesus não são uma bela teoria ou um piedoso desejo, ao contrário garantem que o mundo novo, a vida plena e de felicidade sem fim, irá surgir, e não dispensa nossa vigilância e compromisso, nosso testemunho de fé.

A Palavra de Deus abre a porta à esperança. Deus não abandona a humanidade e quer transformar o mundo velho do egoísmo e do pecado num mundo novo de vida e de felicidade para todos.

A humanidade não caminha tragicamente para o holocausto, para a destruição, para o sem sentido, para o nada.

Com Jesus, ela caminha ao encontro da vida plena, com o desenvolvimento das potencialidades que o Senhor cumulou a todos. Não podemos ser omissos.

A religião assim vivida não será ópio. O cristão não pode deixar-se dominar pelo medo, pessimismo, desespero, discursos negativos, angústias. Cristão não é alguém deprimido, assustado, derrotado, mas alguém que tem fé frutuosa, visão otimista da vida e da história, caminhando alegre e confiante ao encontro do mundo que Deus prometeu:

“Uma interpretação unilateral e injusta das realidades humanas (favorecida, aliás, por certa pregação também unilateral e míope) fez com que muitos homens de nosso tempo encarassem com desconfiança a religião cristã, como se fosse inimiga do mundo, da vida, do progresso, do esforço humano; uma religião de evasão, de descomprometimento, de renúncia passiva e covarde; o ópio que entorpece o homem e dele retira todo interesse pela cidade terrestre, seduzindo-o com a promessa de um além feliz e ilusório” (Missal Dominical – p.1076).

Vigilantes, não podemos cruzar nossos braços na espera que um mundo novo caia do céu, mas, com palavras e gestos, é preciso por-se a caminho, cada um dando o melhor de si para a construção do Projeto de vida que Deus tem para nós.

Não há possibilidade que o cristão se feche em seu canto ou mesmo ignore a intervenção e ação divina, com seus apelos e Projetos.

O cristão precisa ficar atento às necessidades, e procurar a resposta com sabedoria, exatamente como Deus assim espera de cada um de nós e de todos nós.

Enquanto Ele não vem, intensificamos nosso empenho, renovamos a alegria e o entusiasmo da fé com engajamento mais frutuoso.

Ser no mundo o que a alma é para o corpo, como nos dizem os primeiros ensinamentos da Igreja: testemunhar com confiança, esperança vivendo a solidariedade, fidelidade, pois não há melhor modo de ficar vigilante esperando a vinda gloriosa do Senhor.

Somente colaboraremos para humanizar o mundo e as relações entre as pessoas, vivendo a partilha, serviço, perdão, amor, fraternidade, solidariedade e paz.

Fortalecendo os vínculos fraternos como Profetas da esperança de um novo dia, mas sem nos alienarmos do compromisso no tempo presente, de modo que a religião não se traduza numa fuga dos desafios, mas enfrentamento e superação dos mesmos. A fé exige combate, inevitavelmente.

O cristão é um peregrino longe do Senhor, e vivendo na penumbra da fé, vai discernindo os valores que são válidos e os não válidos; o que é atual ou apenas um modismo; o que é eterno e o que é efêmero, transitório.

Caminha acreditando que, de fato, romperá na escuridão do mundo a aurora de um mundo novo, vive a transitoriedade do tempo rumo à eternidade.

Vive também o limite do transitório para abraçar a eternidade, pois a transitoriedade e a eternidade são elementos constitutivos de nossa existência.

Da Mesa da Palavra vem a Palavra do próprio Deus, que é para nós, luz e força nas perseguições, dificuldades; segurança para que não nos entreguemos ao desespero e nem mergulhemos nos mares das dúvidas que a história oferece.

Da Mesa da Eucaristia nos vem o Alimento salutar, para que revigorados sejamos testemunhas d’Aquele que veio, vem e virá.

Agora é o nosso tempo da vigilância ativa,

com lucidez, coragem e sabedoria,

renovada e revigorada nas Sagradas Mesas

da Palavra e da Santa Eucaristia.

Postado no blog: http://peotacilio.blogspot.com/2019/11/vigilancia-ativa-na-espera-do-senhor.html

Permaneçamos vigilantes – Homilia do 32º Domingo do Tempo Comum- Ano B

Com a Liturgia, do 32º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre a necessária vigilância ativa na espera do Senhor que virá gloriosamente, Ele que veio, vem e virá.

O discípulo missionário do Senhor aguarda vigilante a Sua segunda vinda, pois ela se encontra presente no horizonte final da história humana, e, portanto, a necessidade de estarmos com o coração preparado para acolhê-Lo e com Ele caminhar.

Não podemos nos instalar em nosso egoísmo e autossuficiência, fechando nossos ouvidos aos apelos que o Senhor nos faz, de vigilância e espera de Sua chegada.

Na primeira Leitura, ouvimos uma passagem do Livro da Sabedoria, o Livro mais recente do Antigo Testamento, que apresenta a sabedoria como dom gratuito e incondicional de Deus para a humanidade, para conduzi-la à realização e felicidade (Sb 6,12-16).

Dois objetivos do autor do Livro: primeiro, ao dirigir-se aos seus compatriotas judeus (mergulhados no paganismo, na idolatria, na imoralidade), faz um convite para a redescoberta da fé dos pais e os valores judaicos; o segundo, ao dirigir-se aos pagãos para constatar o absurdo da idolatria, exortando a adoração e a adesão a Iaweh, o verdadeiro e único Deus.

A mensagem é explícita: somente Deus garante a verdadeira sabedoria e a verdadeira felicidade, no entanto pressupõe disponibilidade para acolhê-la e vivê-la.

Ouvimos, na segunda Leitura, a passagem da Carta de Paulo aos Tessalonicenses (1 Ts 4,13-18), na qual o Apóstolo Paulo fortalece a esperança na vinda gloriosa do Senhor, Ele  que virá novamente para concluir a história humana, inaugurando a realidade do mundo definitivo.

Importa que a comunidade fique vigilante e plenamente unida e identificada com o Senhor, para ir ao Seu encontro e com Ele permanecer para sempre.

Embora a Comunidade fosse entusiasta, ainda precisava de um amadurecimento catequético, e um dos temas era a questão da parusia, ou seja, o regresso de Jesus, no final dos tempos.

Daí o motivo do Apóstolo escrever aos tessalonicenses (entre o ano 50 ou 51), encorajando-os na fé e respondendo às suas dúvidas.

O Apóstolo confirma o que, provavelmente, já antes havia ensinado: “que Cristo virá para concluir a história humana; e que todo aquele que tiver aderido a Cristo e se tiver identificado com Ele, esteja morto ou esteja vivo, encontrará a salvação (vers. 14). Se Cristo recebeu do Pai a vida que não acaba, quem se identifica com Cristo está destinado a uma vida semelhante; a morte não tem poder sobre Ele… Isto deve encher de esperança o cristão, mantendo-o alegre, sereno e cheio de ânimo”. (1)

Deste modo, a certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um Projeto de salvação e de vida para todos nós; e que este está se realizando continuamente em nós até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus.

A comunidade que crê na Ressurreição e na vinda gloriosa do Senhor deve eliminar todo o medo e acomodação; o anúncio da Ressurreição implica no compromisso pela justiça e paz; compromisso com o mundo novo; uma caminhada confiante, ainda que no sofrimento e na dor.

Na passagem do Evangelho (Mt 25,1-13), somos exortados a nos preparar para acolher o Senhor que vem, vivendo na fidelidade aos Seus ensinamentos, com renovados compromissos com os valores do Reino, para participarmos do grande Banquete.

Trata-se da parábola das dez virgens, sendo cinco jovens “insensatas”, que não levaram azeite suficiente para manter as suas lâmpadas acesas enquanto esperavam a chegada do noivo, e as cinco ”prudentes”: “O Reino de Deus é, aqui, comparado com uma das celebrações mais alegres e mais festivas que os israelitas conheciam: o banquete de casamento. As dez jovens, representam a totalidade do Povo de Deus, que espera ansiosamente a chegada do Messias (o noivo)… Uma parte desse Povo (as jovens previdentes) está preparada e, quando o Messias finalmente aparece, pode entrar a fazer parte da comunidade do Reino; outra parte (as jovens descuidadas) não está preparada e não pode entrar na comunidade do Reino” (2).

Lembremos o contexto em que Mateus escreveu: finais do séc. I (década de 80): já tinha passado a “febre escatológica” e os cristãos já não esperavam a vinda iminente de Jesus, e uma vez passado o entusiasmo inicial, “a vida de fé dos crentes tinha arrefecido e a comunidade tinha-se instalado na rotina, no comodismo, na facilidade… Era preciso algo que abanasse os discípulos e os despertasse de novo para o compromisso com o Evangelho”.   (3).

Vigilantes na espera do Senhor, enquanto Ele não vem,  a comunidade precisa viver a sua fé com coerência e entusiasmo, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a construção do Reino: escutar Suas Palavras, acolhê-las no coração e viver de forma coerente com os valores do Evangelho; viver na fidelidade aos projetos do Pai, amando os irmãos, até mesmo com o dom da vida, em todos os momentos.

A comunidade, portanto, não pode descuidar da vigilância, o que levaria ao enfraquecimento do compromisso com os valores do Reino, levando ao comodismo, instalação, adormecimento e o descuido, reduzindo a uma fé sem compromisso e pouco coerente.

Importa ser uma “Igreja em saída”, como tem insistido o Papa Francisco, uma Igreja em estado permanente de missão, que se alimenta da Palavra e da Eucaristia, e se coloca a serviço do Reino, com irrenunciáveis e sagrados compromissos.

Estejamos preparados para a chegada do Senhor, que vem ao nosso encontro todos os dias, e espera que nos empenhemos e nos comprometamos na construção de um mundo novo – o mundo do Reino:

“Ele faz ecoar o seu apelo na Palavra de Deus que nos questiona, na miséria de um pobre que nos interpela, no pedido de socorro de um homem escravizado, na solidão de um velho carente de amor e de afeto, no sofrimento de um doente terminal abandonado por todos, no grito aflito de quem sofre a injustiça e a violência, no olhar dolorido de um imigrante, no corpo esquelético de uma criança com fome, nas lágrimas do oprimido”

Reflitamos:

– Estamos vigilantes e preparados para a  vinda gloriosa do Senhor?

– Estamos preocupados com o imediato, o visível, o efêmero (o dinheiro, o poder, a influência, a imagem, o êxito, a beleza, os triunfos humanos…), negligenciando os valores autênticos do Reino?

– Estamos abertos à sabedoria divina, dom que nos é dado para bem conduzirmos nossa vida, em fecunda e ativa vigilância na espera do Senhor que vem?

Caminhando para o final de mais um ano Litúrgico, à luz da Liturgia da Palavra, é tempo favorável de revermos o caminho que fizemos; se, ao longo do ano, na espera do Senhor, vivemos uma caridade esforçada, uma fé atuante e uma firme esperança em ver o Reino de Deus acontecendo.

É tempo de avaliar de que modo conduzimos e orientamos a nossa vida, iluminados pela Sabedoria divina, que deve ser procurada desde a aurora e ir sempre à frente de nossas decisões, para que nossas “lâmpadas” estejam sempre acesas para quando o “noivo chegar”, o Senhor Jesus, que virá, gloriosamente, numa segunda vinda.

 

Quando? Não importa. Antes, importa que estejamos verdadeiramente vigilantes e ativos na ansiosa espera de Sua chegada.

Fonte: www.Dehonianos.org/portal

http://peotacilio.blogspot.com/2019/11/permanecamos-vigilantes.html

Dois Mandamentos inseparáveis: amor a Deus e ao próximo

No 31º Domingo do Tempo Comum (ano B), a Liturgia nos convida a refletir sobre o amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente.

Na passagem da primeira Leitura (Dt 6,2-6), temos a apresentação do “Shema’Israel”, que é a solene proclamação de fé que todo o israelita devia fazer diariamente, desde os finais do século I, pela manhã e tarde.

Esta proclamação afirma a unidade de Deus e ao mesmo tempo convida a amá-Lo com todo o coração, toda a alma e com todas as forças. Somente Deus é Nosso Senhor e o único, o verdadeiro caminho para a vida.

“Escuta Israel”: há que se “ouvir” com os ouvidos e “acolher” no coração”, para “transformar em ação concreta” aquilo que se ouviu e se acolheu.

Deste modo nosso amor a Deus deve ser manifestado em gestos concretos que expressem nossa obediência incondicional a Ele e Seus planos para nós, com total entrega em suas mãos, com a aceitação e vivência de seus mandamentos e preceitos.

Na passagem da segunda Leitura (Hb 7,23-28), o autor da Epístola nos apresenta Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote que veio ao mundo para realizar o plano salvador do Pai para toda a humanidade, na obediência e entrega de Sua vida por amor, amando-nos até o fim.

Jesus Cristo é o Sumo-Sacerdote, o santo, inocente, imaculado e separado dos pecadores, e elevado acima dos céus, porque pertence à esfera do Deus Santo.

Ele é o Sacerdote por excelência que o Pai enviou ao mundo, convidando-nos para que nos integremos à comunidade do Povo Sacerdotal.

O culto que Ele pede e espera de nós, gerador de vida nova, é a obediência aos Seus projetos e o amor ao próximo.

Na passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,28b-34), Jesus nos apresenta os inseparáveis mandamentos: amor a Deus e ao próximo, que devem ser expressos em relações de doação, partilha e solidariedade.

A passagem nos apresenta Jesus em Jerusalém, no centro da cidade, onde dará os últimos passos do caminho percorrido com os discípulos, desde a Galileia.

Mais uma vez, Jesus enfrenta os líderes religiosos de Seu tempo, após as questões polêmicas do tributo a César e da Ressurreição (não acreditada pelos Saduceus), Ele é interrogado sobre qual é o maior Mandamento.

Consideremos que os fariseus conservavam 613 mandamentos (sendo 365 proibições e 248 prescrições). Um verdadeiro emaranhado de preceitos e prescrições.

Evidentemente, os pobres estavam impossibilitados deste conhecimento, e por eles eram considerados impuros e distantes de Deus.

À pergunta feita pelo escriba sobre qual seria o primeiro de todos os Mandamentos, assim respondeu Jesus: 

“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12, 29-31).

 O Mandamento do Amor é o resumo de toda a Lei, pois a vida cristã consistirá em amar como Jesus ama ao Pai, com Seu Espírito – o Amor Trinitário.

Na verdade, os dois Mandamentos são o resumo de toda a Bíblia: que a vontade de Deus seja feita, numa entrega quotidiana de amor em favor do Reino, fazendo da vida um dom total de si mesmo, como Jesus o fez – o Missionário amado pelo Pai, na força do Espírito, o Amor que nos acompanha em todos os  momentos.

Amando a Deus, escutaremos Sua palavra e haveremos de nos empenhar no cumprir da vontade divina. No amor aos irmãos, haveremos de nos solidarizar com todos os que encontrarmos pelo caminho. O amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida em favor do outro nos fazem adoradores de Deus, em espírito e verdade.

Na vivência do amor a Deus e ao próximo, Jesus fez cair as máscaras da hipocrisia de Seus opositores, que conhecedores da Lei, do Mandamento divino, mas tão apenas conhecedores, pois não os colocavam em prática, como Ele o fez em relação aos pequeninos, aos pobres, aos enfermos, aos marginalizados.

Bem sabemos que este amor que ama até o fim incomodou aqueles bem estabelecidos, porque com os preferidos de Deus jamais comprometidos.

Tudo que Deus faz é simplesmente por amor, e esta é essencialmente a marca de Seu agir. Assim, tudo quanto fizermos, tanto os gestos mais grandiosos de fidelidade, quanto os menores, se ausente o amor, perdem a sua beleza e consistência.

Acrescentemos uma afirmação do Bispo Santo Agostinho: “Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.

Concluindo, o Papa Emérito Bento XVI, em sua Encíclica “Deus caritas est”, assim afirmou: “O amor ao próximo é também uma estrada que conduz a Deus. Não amar o próximo é tornar-se míope de Deus”.

Reflitamos:

 –   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?
–   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?

–   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?
–   Como é a nossa relação com Deus e com nosso próximo?

Oremos:

Ó Deus de Amor, suplicamos o Vosso Espírito Santo, Espírito de Amor, para que vivamos um amor verdadeiro, fiel, profundo e sofredor, para que mais configurados ao Vosso Filho sejamos e vivamos a fidelidade aos ensinamentos e Mandamento do Amor, curados de toda a miopia espiritual, e assim, a Trindade amar na primeira ordem dos preceitos e ao próximo em primeiro lugar na ordem da execução. Amém.

Fonte inspiradora: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2021/10/dois-mandamentos-inseparaveis-amar-deus.html

“Coragem, Ele te chama” Homilia para o 30º Domingo do Tempo Comum

 

Joguemos o manto e

saltemos ao encontro do Amor.

No 30º Domingo do Tempo Comum (Ano B) refletimos sobre a preocupação de Deus para que alcancemos a vida verdadeira e o caminho que Ele nos apresenta para alcançarmos esta meta.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 31,7-9), o Profeta Jeremias nos apresenta uma mensagem de conversão e fidelidade a Javé. É crítico das injustiças sociais, da infidelidade e do abandono que o povo faz em relação a Deus e à Sua Aliança, confiando em alianças passageiras e externas, em poderes que passam.

Jeremias tem também uma mensagem de esperança de um novo recomeço, que é iniciativa de Deus e resposta do Povo. Deus caminha conosco e nos conduz pela mão.

Não estamos sós. De modo que, nos momentos mais dramáticos da caminhada histórica de Israel, Deus está presente conduzindo à liberdade e à vida plena.

Deus mesmo, por amor,  reunirá, conduzirá e fará com que o povo volte à sua terra para recomeçar, após duro tempo de sofrimento e exílio. Deus é sensível, atento e cuida do Seu povo com Amor de pai.

Com Deus supera-se todo olhar de pessimismo. Há sempre um futuro melhor, pois Ele nos ama e caminha conosco, não Se faz indiferente a nossa história e está sempre pronto para perdoar, e nos reconciliar consigo, porque é um Deus de suprema e infinita misericórdia.

Terrorismo, crimes ambientais, dificuldades econômicas, doenças, fome, miséria, falta de princípios éticos, banalização da vida, violação de sua sacralidade, não é o último olhar. O último olhar é o de Deus, que nos pede superação e está conosco na reconstrução de novos caminhos.

Há olhares diferenciados: olhares pessimistas e derrotistas, olhares confiantes e esperançosos quando fundados em Deus, em Sua Palavra e presença.

A passagem da segunda leitura (Hb 5,1-6) apresenta, para uma comunidade fragilizada, cansada e desanimada, Jesus como o Sumo Sacerdote que intercede a Deus em nosso favor.

Jesus é o Sumo Sacerdote por excelência! Escolhido por Deus, saído do meio dos homens e mediador entre nós e Deus, entende perfeitamente, como Homem e Deus, nossas dificuldades reais da existência.

Com Jesus, a comunidade precisa revitalizar o seu compromisso, empenhando-se numa fé mais coerente e mais comprometida. Contemplar e corresponder ao Amor de Deus por nós que é imensurável, sem limites, indescritível, indefinível.

A passagem do Evangelho (Mc 10,46-52) nos apresenta a cura do cego Bartimeu (filho de Timeu). Com esta cura, podemos compreender o caminho que Deus trilha para nos libertar das trevas e nos fazer nascer para a luz, e assim passarmos da escravidão à liberdade, da morte à vida.

Esta passagem bíblica é mais do que a história da cura de um cego por Jesus, trata-se de uma catequese batismal com todas as suas etapas.

O cego Bartimeu está sentado, numa expressão real de desânimo e conformismo, está privado da luz e da liberdade e conformado com sua aparente irredutível situação, sem qualquer perspectiva.

Suplicando ao Senhor, tem que superar as resistências, mas até o seu grito tentam calar.

Diante da Palavra de Jesus – “Coragem, levanta-te que Ele te chama”, irrompe a novidade. O cego atira a capa, dá um salto e vai ao encontro com Jesus.

“É claro o significado simbólico do gesto: para seguir o Senhor é preciso saber libertar-se de tudo aquilo que serve de obstáculo a uma adesão pronta à Sua Palavra. Não se trata somente de nos libertarmos dos pecados, mas de saber antepor a riqueza espiritual da fé no Senhor aos recursos a que o nosso coração está demasiado apegado e que o tornam pesado” (1).

É preciso que joguemos fora nossa capa, com a coragem de desapegos, despojamentos, esvaziamentos.

De fato, diante do Senhor rompemos com o passado, simbolizado na capa, saltamos para o novo, para o encontro que transforma a nossa vida e pomo-nos com novo ardor a caminho: o caminho da luz, do amor, da verdade e da vida.

Bartimeu depois do encontro se torna modelo de verdadeiro discípulo para nós. Em nosso encontro com Jesus há quem nos conduz, como também há os que nos impedem, obstaculizam. Não podemos desanimar jamais de ir ao Seu encontro, pois somente com Ele nossa vida se torna plena de luz, paz, amor e alegria, e tudo mais quanto possamos desejar, conceber, dizer.

Pôr-se no caminho do amor, do serviço, da entrega, do dom da vida, a partir do encontro com Jesus é o caminho que todos devemos fazer.

Somente curados pelo Senhor a cada instante é que não desanimamos da caminhada de fé, sabendo, crendo, anunciando e testemunhando que somente Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Somente Ele nos introduz na luz no tempo presente e um dia na luz eterna, na plena claridade que é o céu. Claridade plena, porque assim é o amor. Onde houver amor, há luz. Onde houver a plenitude do amor haverá a plenitude da luz.

Jesus quer dos discípulos uma vida de luz, uma vida nova e para isto é preciso romper com o mundo da escuridão e acolhe-Lo como luz – “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

Precisamos que nosso olhar seja curado, para que se torne o olhar de Deus: olhar de ternura, de solidariedade, de confiança, de esperança, de compromisso, de amor sem limites, de horizonte do inédito, de alcance do aparentemente intangível…

Jesus é o Sumo Sacerdote do Pai e nos comunica pelo Seu Espírito a plenitude do Amor, da Vida e da Luz. Amém.

(1) Leccionário Comentado  – Editora Paulus – Lisboa –  pág. 647.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda – http://peotacilio.blogspot.com/2019/10/coragem-ele-te-chama-xxxdtcb.html

Presbítero: Homem da Palavra e de palavra

O sopro do Concílio nos desafiou a assumir as alegrias e tristezas, angústias e esperanças da humanidade, como Igreja de Cristo. Tudo o que há de humano, toca a vida da Igreja, consequentemente, o Ministério Presbiteral.

Deste modo, as comunidades esperam do presbítero uma palavra, não uma palavra qualquer, paliativa, provisória, mas uma palavra divina, inspiradora e fonte para a busca de novos horizontes, no embate quotidiano.

A cada instante, as mais diversas situações vividas pelo Povo de Deus pedem uma palavra. Diante de um nascimento, a gratidão a Deus pelo dom da vida; no processo educativo das crianças, compartilhamos a missão dos pais; na ausência da saúde, a palavra de bênção e encorajamento; na hora da agonia, uma palavra de carinho e esperança; quando tudo parece escuridão, uma palavra que se faz uma centelha de luz; na insegurança que nos acompanha, uma palavra de confiança d’Aquele que jamais nos decepciona: “provai e vede como o Senhor é bom, feliz quem n’Ele encontra o seu refúgio” (Sl 34,9); nas questões emergentes uma palavra ética, que assegure a sacralidade da vida; na hora derradeira, na hora da morte, a palavra que aponta à eternidade; à glória da Ressurreição.

Os presbíteros são por excelência ministros de um Deus vivo e Ressuscitado, que quer vida plena para todos, desde o tempo presente, culminando na luz da eternidade, manifestação da plenitude do Amor de Deus. O presbítero é testemunha de que o céu é possível, e começa agora, aqui, e completa-se na Jerusalém Celeste.

Lembremos sempre as palavras pronunciadas pelo bispo, no dia da Ordenação Diaconal, quando entrega ao candidato o Livro dos Santos Evangelhos e diz: “Recebe o Evangelho de Cristo do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”.

Desde então, e para sempre, o presbítero se torna o homem da Palavra e há de ser sempre um homem de palavra!

 Dom Otacilio F. de Lacerda.

peotacilio.blogspot.com.br

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerda/videos

Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice!

Todos os dias são dias de missão, e a Igreja que vive no tempo é missionária, por sua natureza, tendo sua origem no Espírito Santo, o grande protagonista da Evangelização, na realização do Plano de Deus, sendo sal e luz de um mundo novo.

Viver a missão de cada dia é fortalecer a relação entre culto e vida: a vida celebra-se, o culto vive-se.

Cada tempo nos apresenta desafios e espaços próprios; segredos a serem descortinados; fronteiras a serem alcançadas; horizontes a serem ampliados.

Santo Agostinho, refletindo sobre a vida dos mártires, fala-nos do Cálice do Senhor: Cálice da paixão, amargo e salutar.

Dele bebeu Jesus, para que todos também dele pudéssemos beber, sem medo.

Beber do Cálice é, ao mesmo tempo, assumir a cruz, carregando-a em todos os momentos da vida.

Cruz que é Paixão e Vitória: Paixão porque nos desafia à entrega da vida, voluntariamente, em favor da vida plena; Vitória porque o diabo foi ferido, o mal e a morte foram vencidos.

Missão, Cálice e Cruz, Palavra de Deus e testemunho quotidiano são inseparáveis: “É preciso viver missionariamente”, como expressou uma Religiosa em um encontro.

A Missão vivida na família, no trabalho, economia, política, cultura, escolas e universidades, novos espaços dos meios de comunicação, na rua, no lazer e em todo e qualquer lugar.

A Missão pode ser uma saída para terras distantes e, ao mesmo tempo, a encarnação da Palavra, fermento e luz no mais profundo de nós mesmos.

Cada coração é campo próprio da missão, como chão da acolhida da Palavra de Deus. Missão lá distante, aqui e em todo o lugar…

Culto agradável a Deus deve repercutir no dia a dia, em gestos de amor e solidariedade: essência da Missão, por uma vida mais salutar, ainda que passe pela cruz…

Missão é a perfeita comunhão do Cálice da Vida para a Missão, da Missão para o Cálice.

PS: Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,35-45)

Dom Otacilio F. de Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/03/do-calice-missao-da-missao-ao-calice.html

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerda

Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza – Homilia para o XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B.

No 28º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a refletir sobre o essencial e o efêmero em nossa vida; quais são as nossas verdadeiras riquezas, quais são as escolhas que fazemos. É preciso aprender a renunciar a certos valores perecíveis, a fim de adquirir os valores da vida verdadeira e eterna.

Na passagem da primeira Leitura (Sb 7,7-11), o Livro mais recente do Antigo Testamento tem uma mensagem clara: apresentando o jovem Salomão como modelo de homem sábio, nos mostra que a verdadeira sabedoria é mais valiosa que ouro, riqueza, saúde, e consiste em acolher as propostas de Deus com humildade e disponibilidade.

Há nesta passagem um ensinamento fundamental: somente Deus garante a verdadeira sabedoria e a verdadeira felicidade. A sabedoria consiste em escolher as coisas certas; tomar as corretas decisões para o alcance do êxito, da felicidade. É preciso ter ouvidos e coração abertos à sabedoria de Deus que é dom para todos.

A sabedoria é dom de Deus e garante o alcance da liberdade diante de todos os bens.

A passagem da segunda Leitura (Hb 4,12-13) nos exorta: é preciso acolher a sabedoria de Deus, revelada em Jesus Cristo, como nossa maior e mais valiosa riqueza, pois a vida de quem crê é marcada pelo sacrifício de louvor e entrega de amor.

 

Num contexto de monotonia e mediocridade, o autor tem a preocupação de levar a comunidade a viver uma fé comprometida, coerente, empenhada com a construção do Reino, numa acolhida frutuosa da Palavra de Deus. É preciso retomar, reavivar o entusiasmo inicial.

A Palavra de Deus quando acolhida com sinceridade transforma sentimentos, pensamentos e orienta nossos valores, opções e atitudes. Ela é força decisiva, dá conteúdo salutar à história e comunica a vida e a Salvação, portanto é preciso confrontar sempre a nossa vida diante das exigências da Palavra de Deus.

Ela questiona, transforma, indica os caminhos para a realização da vontade de Deus, para que possamos alcançar a vida eterna, dando passos em patamares sucessivos:

– Viver de acordo com as propostas de Deus – é preciso disponibilidade e abertura para escutar a Deus e por Ele ser desafiado;

– Integrar-se à comunidade do Reino que toca o coração de todos para a abertura à Comunidade do Reino;

– Viver as exigências de quem se coloca a serviço do Reino, não centrando sua vida nos bens que passam; viver a partilha e solidariedade; seguir Jesus Cristo no caminho de amor e entrega.

A passagem do Evangelho (Mc 10,17-30) tem como mensagem: escutar, acolher e viver a proposta de Jesus, numa autêntica resposta de amor marcada por uma vida de doação, partilha, solidariedade, entrega, fidelidade, para além de toda perseguição e incompreensão.

A opção por Jesus não nos empobrece, muito pelo contrário, nos enriquece e nos garante a verdadeira felicidade a caminho da eternidade. O Caminho do Reino é exigente e garante a vida eterna.

A opção de seguir Jesus tem seu preço, mas tem também seus ganhos/recompensas: uma vida plena e feliz e por fim a eternidade.

A vida eterna é, portanto, dom de Deus e compromisso nosso, e ela começa já, numa vida marcada, inevitavelmente, pelo amor, doação e serviço.

Ser cristão não é ser um pobre coitado condenado a passar ao lado da vida e da felicidade, mas é, sobretudo, ser alguém que renunciou a certas propostas falíveis, passageiras, parciais de felicidade, encontrando em Jesus e na Boa Nova do Reino a sua grande riqueza.

Deste modo, a Palavra de Deus é para nós fonte inesgotável de sabedoria e vida, sobretudo quando somos transformados por Ela.

Reflitamos:

– Com nossa vida e testemunho, provocamos o encantamento por Jesus diante daqueles com quem convivemos?
– Como correspondemos à proposta amorosa que Jesus conosco renova em cada Eucaristia?

– O que nos impede de viver a sabedoria de Deus, assumindo com coragem o Projeto Divino?
– Há algo que ainda nos escraviza e nos torna autossuficientes diante da proposta de Jesus?

– De que modo acolho a sabedoria divina e de que modo oriento minha existência por ela?

– Quais são os valores efêmeros e eternos de minha vida?

– Qual é a hierarquia de valores em minha vida?

– Qual é a eficácia da Palavra de Deus em minha vida?

Oremos:

Senhor, que tão amados por Vós,

Saibamos corresponder ao Vosso Amor.

Dai-nos a liberdade de coração para segui-Lo,

Ouvindo e acolhendo Vossa Palavra.

Libertai-nos de nossas aparentes riquezas,

para que Vós sejais nossa mais bela e imensurável riqueza,

que não se corrói, que não se estraga, que não se rouba,

que nos garante a felicidade no tempo presente

e a glória da imortalidade. Amém!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2019/10/somente-deus-nos-concede-verdadeira.html

 

Somos um povo peregrino e evangelizador .

“Nós vimos o Senhor” (Jo 20,25)

Na Exortação Evangelii Gaudium, o Papa afirma que “A Evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição hierárquica; é antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. Trata-se certamente de um mistério que mergulha as raízes na Trindade, mas tem a sua concretização histórica num povo peregrino e evangelizador, que sempre transcende toda a necessária expressão institucional” (EG 111).

Podemos e devemos usar, portanto, os meios possíveis, contribuindo na ação evangelizadora da Igreja, anunciando o Cristo Ressuscitado, Aquele que foi visto pelos apóstolos, e que continua se revelando à sua Igreja, para que esta O anuncie e O testemunhe até os confins da terra (Jo 19-28; Mt 28, 16-29; Mc 16, 9-20), e como Igreja, na alegria de servir, construamos um mundo mais humano, justo e fraterno.

A própria Igreja, pois a Igreja que não se evangeliza não evangeliza, nos advertia o Papa Paulo VI, em sua Exortação Evangelii Nuntiandi: “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma” (n.15).

Evangelizando a família, santuário da vida, espécie de Igreja doméstica, espaço privilegiado para se formar e educar para a beleza da vida, plantando no coração dos filhos, sementes da verdade, do amor, da justiça, da liberdade e da fraternidade.

Presença evangelizadora no bairro, e além de suas fronteiras, porque a Palavra de Deus não pode ser aprisionada e confinada a espaços geográficos, templos e tempo.

Evangelizando no vasto e complicado mundo da política, da mídia, da cultura, da economia e da saúde, despertando a consciência da cidadania, não nos omitindo na missão ser luz onde for preciso e para quem precisar, anunciando a Palavra que abrasa o coração.

Evangelizando e conscientizando para que cuidemos e preservemos nossa casa comum, o planeta em que habitamos, com a necessária conversão e nova consciência planetária, preocupados com a sustentabilidade, que nos propicia viver melhor, e assegura o futuro para aqueles que virão depois de nós.

Peregrinemos e evangelizemos, incansavelmente, sempre atentos aos acontecimentos e aos sinais que Deus vai manifestando ao longo da história, testemunhas das maravilhas que o Espírito que age e faz acontecer a evangelização.

Urge que mais pessoas participem desta peregrinação e evangelização, pois não fica indiferente nesta missão, quem se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus, como tão bem expressou o Papa Francisco também na “Evangelii Gaudium”:

“Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos ‘discípulos’ e missionários’, mas sempre que somos ‘discípulos missionários” (n.120).

 Dom Otacilio F. de Lacerda .

A Palavra do Pastor
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