A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

O Senhor nos ensinou vencer o Maligno

No 1º Domingo da Quaresma (Ano A), a Liturgia da Palavra nos convida à conversão, recolocando Deus no centro de nossa existência, aprofundando nossa comunhão com Ele, na acolhida e vivência de Sua Palavra, vencendo todas as tentações que possam nos afastar de Seu Projeto de Vida e Salvação.

Na passagem da primeira Leitura (Gn 2,7-9; 3-17) encontramos uma bela página catequética que, muito mais do que ensinar como o mundo e o homem apareceram, nos lembra que a origem da vida e da humanidade é obra divina. A vida do homem e da mulher procede de Deus diretamente.

Um texto escrito num tempo árduo, em que o povo sentia pesar constantemente sobre si a ameaça do deserto árido, o ideal de felicidade seria um lugar com muitas árvores e muita água.

Homens e mulheres como obra do Criador, colocados no centro da criação, ocupando lugar especial, pois para eles o mundo foi criado e deve ser preservado. Criados por Deus para a felicidade, alcançada tão somente na plena comunhão com Ele.

O grande pecado de nossos pais foi a renúncia desta comunhão, e o desejo de ser como deuses. A Árvore do fruto proibido, a serpente, a nudez, que aparecem na Leitura, são para expressar que Deus criou o homem para ser feliz e trilhar um caminho de imortalidade e vida plena, mas muitas vezes se escolhe o caminho do orgulho, da autossuficiência, vivendo-se à margem de Deus e de Suas Propostas. Aqui se encontra a gênese de todo mal que destrói a harmonia do mundo, a alegria e a paz.

Deus nos criou para o Paraíso e nos deu a liberdade. Somente quando aceitamos nossa condição de criaturas diante do Criador, que nos criou por amor, é que podemos construir uma existência fraterna e harmoniosa, um Paraíso onde se encontra a vida, a realização e a  felicidade.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 5,12-19), o Apóstolo Paulo nos apresenta sua clara mensagem, falando de Adão e de Jesus. Por meio de Adão entrou no mundo o pecado, que insere a pessoa no esquema que gera egoísmo, sofrimento e morte. De outro lado, por meio de Jesus, nos vem a Salvação, vida plena e definitiva. Somente através de Jesus Cristo, que Se faz oferta de Salvação para todos, a vida de Deus chega a nós.

Na antítese da mensagem do Apóstolo: Adão é a figura da humanidade que prescinde de Deus e das Suas Propostas, escolhendo um caminho de egoísmo, de orgulho e de autossuficiência.

De outro lado, Jesus vive em permanente escuta de Deus e, em total obediência realiza Seus Projetos.

É exatamente este caminho que Jesus veio propor à humanidade: a comunhão com Deus expressa acolhida, obediência e vivência do Seu Projeto, exclusivo caminho que levará a humanidade em direção à vida plena e definitiva, e à Salvação que se deseja.

A conclusão a que se chega: uma história construída sem Deus, e à margem de Suas propostas, conduz inevitavelmente ao egoísmo, à injustiça, à prepotência, ao sofrimento e à morte.

Quando deixamos de dar ouvidos a Deus, somos seduzidos a dar ouvidos ao que produz sofrimento e morte. Isto ocorre quando se dá ouvidos ao lucro fácil, com a destruição da natureza, exploração de outros homens, promoção e conivência com o tráfico de corpos e de órgãos, a destruição dos biomas, como nos alerta a Campanha da Fraternidade. Abre-se espaço para a injustiça e prepotência com o sacrifício em proveito próprio da vida do outro.

Como nos falou o Papa Francisco em uma de suas Mensagem para a Campanha da Fraternidade,  anos passados, quando se vende a dignidade do outro é porque antes se vendeu a própria.

Na passagem do Evangelho (Mt 4, 1-11) refletimos sobre as tentações do Maligno (tentações diabólicas), que Jesus enfrenta no deserto: ter, poder e ser.

Enfrentando as tentações matriciais no deserto, Jesus nos ensina a confiar na Palavra de Deus para vencermos as tentações que destroem e nos afastam do Verdadeiro e Deus e, consequentemente, do próximo.

Todo abandono e afastamento de Deus é abandono e afastamento de si mesmo e do outro, pois Deus habita no mais profundo de cada um de nós.

Ao contrário da primeira Leitura que nos falava do Paraíso para o qual Deus nos criou, o Evangelho nos apresenta o cenário do deserto, da privação e da provação.

Neste tempo quaresmal, é preciso que aprofundemos cada uma das tentações e como vencê-las. Não podemos esquecer o final do Evangelho – “O diabo se retirou para voltar no tempo oportuno”.

Tentação do ter (v.3-4): Vencendo a primeira tentação, Jesus nos ensina que não é a escolha de um caminho de realização e satisfação material que nos fará plenamente felizes. Não é o ter mais que nos faz felizes, tão pouco o acúmulo de coisas materiais. Não é a lógica da acumulação, mas da partilha – “Nem só de Pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus”, respondeu Jesus a Satanás.

Tentação do ser (v. 5-7): Vencendo a segunda tentação, Jesus nos ensina a não procurar um caminho de êxito fácil. Não é a lógica do prestígio, da glória, da fama e do sucesso, mas a lógica da humildade e da gratuidade – “Não tentarás o Senhor teu Deus”, foi a resposta de Jesus.

Tentação do poder (v.8-10): Vencendo a terceira tentação, Jesus nos ensina o caminho do poder serviço, doação, diferente da lógica do poder diabólico, que é a de domínio e exploração – “Adorarás somente ao Senhor teu Deus”, foi a Sua resposta.

Jesus nos ensina a não trilhar o caminho de uma vida sem Deus, que leva ao egoísmo, ao orgulho e autossuficiência. Somente a adesão e fidelidade incondicional à Proposta de Salvação que Deus tem para nós, é que nos levará ao encontro da felicidade, porque na plena e perfeita comunhão com a Fonte da Vida, da alegria e da paz.

Reflitamos:

– Somos conduzidos pela tentação dos bens materiais, do acúmulo, ou pela lógica de Jesus?

– Somos conduzidos pela tentação da procura do êxito pessoal, do prestígio, aplausos, ou pela lógica de Jesus?

– Somos conduzidos pela tentação do poder domínio, com prepotência, intolerância, autoritarismo, humilhando e magoando os pobres e humildes pelos quais Deus tem predileção, ou pela lógica de Jesus?

Entremos com o Senhor no deserto, e façamos também nós quarenta dias intensos de penitência, acompanhados de Oração, jejum e partilha.

Alimentados pela Palavra Divina e nutridos pelo Pão Eucarístico, podemos vencer as tentações do Maligno como Jesus nos ensinou. E, somente com Ele e n’Ele é que também poderemos vencê-las, e a liberdade tão sonhada e desejada viver.

Reconstruir o Paraíso ou viver para sempre no deserto da privação e do sofrimento depende de nós.

Somente suportando as agruras de um deserto é que o Paraíso se torna possível, jamais sem Deus e Sua Palavra.

Enfrentemos a travessia do deserto necessário para que o Projeto de Deus se torne uma grande realidade, sonho e compromisso com o Paraíso.

Enfrentemos a travessia do deserto necessário para que o Projeto de Deus se torne uma grande realidade, sonho e compromisso com o Paraíso, na construção de um mundo mais justo e fraterno.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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“O combate de santidade”

Sejamos enriquecidos pelo Sermão do Papa São Leão Magno (séc V), com vistas ao 1º Domingo da Quaresma (ano A), em que é Jesus enfrenta as tentações do Maligno.

“Entramos, amadíssimos, na Quaresma, isto é, em uma maior fidelidade ao serviço do Senhor. Vem a ser como se entrássemos em combate de santidade.

Portanto, preparemos nossas almas às investidas das tentações, sabendo que, quanto mais zelosos nos mostremos em nossa salvação, mais violentamente nos atacarão nossos adversários.

Porém, Aquele que habita no meio de nós é mais forte que aquele que luta contra nós. Nossa fortaleza vem d’Ele, em cujo poder temos posto nossa confiança. O Senhor permitiu que o tentador lhe visitasse, para que nós recebêssemos, além da força de Seu socorro, o ensinamento de Seu exemplo.

Acabais de ouvi-Lo: venceu o Seu adversário com as Palavras da Lei, não com o vigor de Seu braço. Sem dúvida, Sua humanidade obteve mais glória e foi maior o castigo do adversário ao triunfar do inimigo dos homens como mortal, em vez de como Deus.

Combateu para ensinar-nos a combater após Ele. Venceu para que nós, do mesmo modo, sejamos também vencedores. Pois não há, amadíssimos, atos de virtude sem a experiência das tentações, nem fé sem prova, nem combate sem inimigo, nem vitória sem batalha.

A vida transcorre em meio à emboscadas, em meio de sobressaltos. Se não queremos ver-nos surpreendidos, devemos vigiar. Se pretendermos vencer, temos de lutar. Por isso disse Salomão quando era sábio: ‘filho, se entras no serviço do Senhor, prepara tua alma para a tentação’.

Cheio de ciência de Deus, sabia que não há fervor sem esforço e combates. E prevendo os perigos, os adverte a fim de que estejamos preparados para repelir os ataques do tentador.

Instruídos pelo ensinamento divino, amadíssimos, entremos no estádio escutando o que o apóstolo nos disse sobre este combate: ‘nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas’.

Não nos enganemos: estes inimigos que desejam perder-nos compreendem muito bem que contra eles se encaminha todo o nosso esforço em favor de nossa salvação. Por isso, cada vez que desejamos algum bem, provocamos ao adversário. Entre eles e nós existe uma oposição entranhada, fomentada pelo diabo, porque, tendo eles sido despojados dos bens que nos advêm da graça de Deus, nossa justificação lhes tortura.

Quando nós nos levantamos, eles submergem. Quanto revitalizamos nossas forças, eles perdem a sua. Nossos remédios são as chagas de Cristo, pois a cura de nossas feridas os entristece: estejam, portanto, alertas, diz o apóstolo; ‘cingi vossos rins com a verdade, revestidos da couraça da justiça e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz. Embraçai a todo o momento o escudo da fé, com que possais apagar os dados inflamados do maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do espírito, que é a Palavra de Deus’.

Foi-nos dado o escudo da fé para proteger todo o corpo, colocou em nossa cabeça o capacete da salvação, colocou em nossas mãos a espada, ou seja, a Palavra da verdade. Assim, o herói da luta do espírito não somente está resguardado das feridas, mas também pode lesar a quem o ataca.

Confiando nestas armas, entremos sem preguiça e sem temor na luta que nos é proposta, e, neste estádio em que se combate pelo jejum, não nos contentemos apenas em abster-se da comida. De nada serve que se debilite a força do corpo, se não se alimenta o vigor da alma.

Mortifiquemos algo ao homem exterior, e restauremos ao interior. Privemos a carne de seu alimento corporal, e adquiramos forças na alma com as delícias espirituais.

Que todo cristão observe-se detidamente e, com um severo exame, esquadrinhe o fundo do seu coração” (1)

Trilhar o itinerário Quaresmal é, verdadeiramente, pôr-se num combate de santidade contra as forças do Maligno, confiante na Palavra de Deus para vencê-Lo.

Revigorados neste bom combate da fé, como discípulos missionários, sejamos curados de nossas fraquezas pelas “chagas de Cristo”, os nossos remédios, como bem falou o Papa.

Sejamos também mais que vencedores, com Jesus e Sua Palavra e como Ele assim o foi, lembrando as palavras do Sermão:

“Pois não há, amadíssimos, atos de virtude sem a experiência das tentações, nem fé sem prova, nem combate sem inimigo, nem vitória sem batalha”, portanto, cinjamos nossos rins com a verdade, revistamos a couraça da justiça e tenhamos os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.

Tenhamos como proteção constante, o escudo da fé, coloquemos o capacete da Salvação e com a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e tão somente assim, venceremos as propostas sedutoras do Maligno.

Não recuemos na vida de fé, empenhemo-nos corajosa e decididamente no combate de santidade, começando nossa caminhada quaresmal, e poderemos celebrar, exultantes, a alegria Pascal.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.55-58

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Com Jesus aprendemos a confiar em Deus

Dando os primeiros passos em nosso itinerário Quaresmal rumo à Páscoa do Senhor, sejamos enriquecidos pela reflexão apresentada pelo Missal Dominical.

“Cristo é conduzido pelo Espírito ao deserto para repetir a prova: nele se concentra a fidelidade de Deus a Seu plano e a fidelidade do homem que lhe responde.

Apoiando-se inteiramente na Palavra de Deus (“está escrito”). Cristo sai vitorioso da provação; é uma antecipação da obediência incondicional do Filho bem-amado que Se torna o Primogênito da nova humanidade, fiel a Deus e chamado à Sua intimidade (Evangelho).

Todo homem, como toda geração e toda comunidade, é chamado a reviver a mesma opção fundamental.

‘A mais temível tentação não é a que nasce da carne e do mundo, mas a que nasce de uma situação em que a bondade de Deus não entra no nosso campo de percepção.

O cristão pode então dizer: ‘Onde então está Deus? Só encontra indiferença e silêncio: Deus se mostra tão distante que ele sente o abandono de Cristo’. 

Vive naquela situação-limite em que viveram Abraão quando Deus lhe ordenou que sacrificasse Isaac, Jó durante a doença, e Cristo na agonia.

‘A confiança incondicional é o único meio de salvação, mas ela toca as raias da revolta contra Deus. Tais situações são a tentação suprema para o espírito. Atacam a fé em sua própria raiz, e se compreende por que Cristo pede aos cristãos que fujam em caso de perseguição: a não intervenção de Deus é sentida então de modo tão cruel que poderia destruir a fé.

Não é, pois, de admirar que a Igreja e os cristãos orem todos os dias para que Deus saia de Seu silêncio, que abrevia o tempo em que não manifesta Seu poder'” (C. Duquoc).

A Quaresma é o tempo do teste para nossa fidelidade na resposta ao Plano de Deus; pode acontecer que o tenhamos traído, mutilado ou enterrado, e isso por covardia, interesse, hipocrisia, fraqueza, porque não soubemos vencer as tentações que hoje se nos oferecem.

Toda civilização inclui elementos bons e elementos nocivos, expressão de sua ambiguidade, sua incapacidade para salvar-nos.

Hoje esses elementos nocivos são a apatia diante das realidades espirituais, seu sufocamento ‘mórbido”‘ para que não constituam mais problema e sejam relegados para os recantos da consciência e da vida; a total absorção no terrestre, nos valores e bens que nos são oferecidos em quantidade cada vez mais crescente e alienante: o ‘eficientismo’, gerado pelo ídolo do produzir-consumir e consumir-produzir, esse círculo vicioso implacável e destruidor de todo valor humano; o egoísmo e o espírito de opressão, a luta pela própria carreira, que reduz o próximo unicamente a mais um adversário a eliminar, um concorrente a superar, um degrau pelo qual subir” (1)

Sejamos revigorados, neste tempo intenso de penitência, silêncio orante, para que acompanhado do jejum nos leve à prática da caridade ativa, que nos faz mais configurados a Jesus.

Renovemos a total e incondicional confiança em Deus, como Jesus o fez, contando sempre com a presença, ação e força do Espírito que sobre Ele pairava, e sobre toda a Igreja paira, porque não nos deixou órfãos. Sua promessa se cumpriu!

Sejamos fortalecidos neste santo propósito de vencer as tentações do Maligno, pois a liberdade por Deus nos foi concedida, e é preciso saber usá-la, e assim também viveremos a Campanha da Fraternidade  com o tema: “FRATERNIDADE E VIDA: dom e compromisso”; e o lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Oremos:

“Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a Seu amor, por uma vida santa. Por N. S. J. C. Amém!”

(1) Missal Dominical, Editora Paulus, (pp. 147-148).

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O Senhor carregou sobre Si nossa humanidade ferida

Uma reflexão sobre a “A Doutrina Social da Igreja à luz da misericórdia divina”, e da passagem do Evangelho sobre o Bom Samaritano (Lc 10, 25-37).

Vejamos o que nos dizem os Padres da Igreja, e também o Papa Francisco, para melhor vivermos as obras de misericórdia corporais e espirituais:

Orígenes (séc. III):

“Para que entendas que este samaritano descia por disposição de Deus para cuidar do que foi atacado pelos ladrões, deves observar que já trazia consigo as faixas, o vinho e o azeite, isto me parece que ocorreu não somente em atenção a este homem meio-morto, mas por todos aqueles que, feridos, necessitam Suas faixas, de Seu vinho e Seu azeite.

Carregou o ferido sobre o jumento, sobre Seu próprio corpo, o que somente significa que Se dignou assumir a nossa humanidade. Este samaritano lavou os nossos pecados, sofreu por nós, carregou o homem meio-morto, levou-o para a pousada, isto é, a Igreja, que recebe a todos e que não nega o seu auxílio a ninguém, e à qual nos convoca Jesus, dizendo: Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei.

Tendo-o levado à pousada, não foi embora imediatamente, mas ficou com ele um dia inteiro, cuidando-o dia e noite… Quando chegou a manhã seguinte quer partir, dá de Seu bom dinheiro dois denários e encarrega ao posseiro, aos Anjos de Sua Igreja, que cuidem e levem ao céu aquele que ele tinha cuidado nas angústias deste tempo” (1)

Clemente Alexandrino (séc. III):

“Quem poderia ser este próximo senão o próprio Salvador? Quem mais do que Ele teve piedade de nós que estávamos para ser mortos pelos dominadores deste mundo de trevas com as muitas feridas, os medos, as paixões, as iras, as dores, os enganos, os prazeres?

De todas estas feridas o único médico é Jesus. É Ele que derrama sobre nossas almas feridas o vinho que é sangue da videira de Davi, é Ele que doa copiosamente o óleo que é a piedade do Pai” (2)

O Bispo e Doutor da Igreja, Santo Ambrósio (séc. IV):

“Enquanto descia, pois, este samaritano – quem é este que desceu do céu, senão o que sobe ao céu, o Filho de Deus que está no céu –, tendo visto a um homem semimorto, ao qual ninguém quis curar – o mesmo que aquela que padecia do fluxo de sangue e que tinha gastado em médicos toda a sua renda-, aproximou-Se dele, ou seja, compadecido de nossa miséria, tornou-Se nosso íntimo e nosso próximo para exercitar Sua misericórdia conosco.

E enfaixou suas feridas untando-as com óleo e vinho. Este médico tem uma infinidade de remédios, mediante os quais alcança, ordinariamente, suas curas. Medicamento é a Sua Palavra; esta, algumas vezes, enfaixa as feridas, outras, serve de óleo, e outras atua como vinho; enfaixa as feridas quando expressa uma ordem de dificuldade mais exigente; suaviza perdoando os pecados, e atua como o vinho anunciando o juízo” (3)

São Severo de Antioquia (séc. VI):

“Sobre as nossas chagas derramou vinho, o vinho da Palavra, e, como a gravidade dos ferimentos não suportava toda a Sua força, misturou-o com o óleo da Sua ternura e do Seu amor pelos homens. Em seguida, conduziu o homem à estalagem.

Chama estalagem à Igreja, que se tornou o lugar de morada e de refúgio de todos os povos. Chegados à estalagem, o Bom Samaritano teve para com aquele que tinha salvo uma solicitude ainda maior; o próprio Cristo ficou na Igreja, concedendo-lhe todas as graças… E, ao partir, isto é, ao subir ao céu, deixou ao dono da estalagem – símbolo dos apóstolos, dos pastores e dos doutores que lhe sucederam – duas moedas de prata, para que ele cuidasse do enfermo.

Estas duas moedas são os dois Testamentos, o Antigo e o Novo, o da Lei e dos Profetas, e aquele que nos foi dado pelos Evangelhos e pelos escritos dos Apóstolos… No último dia, os pastores das Igrejas santas dirão ao Senhor que há de vir: Senhor, confiastes-me dois talentos, aqui estão outros dois que ganhei, através dos quais fiz aumentar o rebanho. E o Senhor irá responder-lhes: Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel no pouco, muito te confiarei. Entra no gozo do teu Senhor”. (4)

Retomemos as reflexões acima, e sejamos fortalecidos em nossa fidelidade ao Senhor, para que edifiquemos uma Igreja mais samaritana, que se aproxime dos que mais precisam, porque são sinais visíveis e tangíveis da presença de Deus em nosso meio.

Finalizo com o parágrafo n.15 da Bula “Misericordiae Vultus”, escrita pelo Papa Francisco para o Ano Santo extraordinário da Misericórdia (8/12/2015 à 26/11/2016):

“Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática.

Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos.

Neste Jubileu, a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas.

Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói.

Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade.

Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo”.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – p.678-679

(2) O Verbo Se faz Carne – p. 676

(3) Lecionário Patrístico Dominical – pp.675-676

(4) Lecionário Patrístico Dominical – 677

Dom Otacilio F. Lacerd

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2020

A Mensagem para a Quaresma de 2020 do Papa Francisco, tem como motivação o versículo da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios: “Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20).

O Papa nos fala da Quaresma como um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da Morte e Ressurreição de Jesus, central na vida cristã pessoal e comunitária, e o fundamento da conversão.

Da escuta e acolhida deste anúncio nasce a alegria do cristão, de modo que quem crê  neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10).

Estende a todos os cristãos o que escreveu aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123).

Urge viver a Páscoa de Jesus não como um acontecimento do passado, pois pela força do Espírito Santo ela é sempre atual e nos permite contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem, e consequentemente há a urgência da conversão em todos os sentidos, experimentando a misericórdia de Deus, ficando “face a face” com o Senhor crucificado e ressuscitado “que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim” (Gl 2, 20).

Neste sentido é muito importante a oração no Tempo Quaresmal, que antes de ser um dever, deve ser a expressão da necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e nos sustenta.

Esta poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus, afirma o Papa – “é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade”.

Faz um convite para este tempo favorável: “…deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade…”.

Este tempo favorável de conversão deve ser marcado pelo “sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor”, ou seja, superar toda indiferença e apatia.

Deus quer, portanto, estabelecer um  diálogo conosco, mas não uma  conversa ditada por uma curiosidade vazia e superficial, que caracteriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, podendo ser manifestada também  no uso pervertido dos meios de comunicação.

Na parte final da Mensagem, exorta-nos para a prática da esmola, para a edificação de um mundo mais justo, acenando para a riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo, de modo que colocar o Mistério Pascal no centro da vida significa “… sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria”.

Afirma o Papa, portanto: “A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo”.

Lembra a convocação que fez para os jovens economistas, empreendedores e transformativos, par ao encontro em Assis, de 26 a 28 de março, para refletir sobre a contribuição na busca de uma economia mais justa e inclusiva do que a atual.

Assim como a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927), o mesmo se dá ao ocupar-se da Economia, com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-Aventuranças, afirma o Papa.

Finaliza pedindo a  intercessão de Maria Santíssima para a próxima Quaresma, reafirmando o apelo para que nos deixemos reconciliar com Deus, fixando o olhar e o coração no Mistério Pascal, acompanhando da conversão e de um diálogo aberto e sincero com Deus, a fim de que sejamos  “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5, 13.14).


Cair, levantar e caminhar

Por vezes, podemos experimentar a queda,

mas temos que nos levantar e continuar o caminho…

Ainda que não tenhamos forças para nos levantar,

Deus, em Sua bondade e providência, nos assiste.

Não nos deixa faltar mãos solidárias estendidas,

Que não apenas nos levantam, mas condividem os fardos.

Agradeçamos a Deus por estas mãos tantas,

Que nos foram estendidas para sermos o que somos.

Mãos que tocaram nossas feridas com o bálsamo da atenção,

E nos enfaixaram com as faixas da ternura e coragem.

Sejam nossas mãos também estendidas e solidárias,

A quantos caídos, feridos sem vontade de viver e caminhar.

Contemplemos a tríplice queda do Senhor,

E a solidariedade de Simão Cirineu no carregar da cruz.

O Senhor caiu pelo peso de nossos pecados e maldade.

Caiu porque expressão máxima da misericórdia divina.

Caiu pela misericórdia redentora por todos nós vivida.

Caímos, por vezes, por causa de nossos pecados e miséria.

Se cairmos, que não seja para sempre,

Pois há um longo deserto a atravessar…

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A Quarta- Feira de Cinzas no Mistério da fé

Com a Quarta-feira de Cinzas, a Igreja inicia a Quaresma, Tempo favorável da Salvação e os fiéis recebem as Cinzas como sinal que vem da tradição Bíblica, (2Sm 13,19; Est 4,1; Jó 42,6; 1 Mc 3,47 e Lm 2,10), e que se tem mantido até os nossos dias na tradição da igreja.

As Cinzas significam a condição da pessoa que é pecadora, confessando a sua culpa diante do Senhor. Exprimem a vontade de conversão, confiando na bondade do Senhor, paciente e cheio de misericórdia. Por este sinal começamos a percorrer o caminho da conversão, cujo ponto alto se dará na Celebração Penitencial, durante o Tempo Quaresmal.

A Cinza não é vacina nem mágica! Não cura doenças, não afasta os pecados do carnaval. Usar Cinzas na cabeça para significar que a pessoa está disposta a se comprometer com a Quaresma, que ela quer realizar sua própria transformação para a fraternidade, colaborando para a transformação da própria sociedade.

Deste modo, nos desafia a temática da Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e Vida: dom e compromisso”, iluminado pelo lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Na Quarta-feira de Cinzas, a Liturgia da Palavra (Mt 6,1-18) nos convoca para os exercícios Quaresmais de conversão e que envolvem as relações fundamentais do ser humano:

A Oração:

Trata-se do relacionamento da criatura com o Criador, através da oração, viver e intensificar a profunda relação filial com Deus;

A Esmola:

Trata-se do relacionamento da criatura com o seu próximo, através da partilha, sobretudo com os mais necessitados;

O Jejum:

Trata-se do relacionamento da criatura com a natureza, com os bens criados por Deus.

O homem e mulher são senhores de todos os bens. Através do jejum, sentem na pele a necessidade do outro. Sentem-se interpelados a fazer com que todos participem dos frutos da criação e do trabalho humano.

Quaresma, quarenta dias que nos lembrarão do Povo de Deus caminhando quarenta anos pelo deserto; também os quarenta dias que o Senhor Jesus ficou no deserto enfrentando as armações e tentações diabólicas do ser, ter, poder. Vencendo o maligno nos mostrou o caminho a percorrer.

Quaresma: um itinerário a ser percorrido em que nos configuramos mais perfeitamente a Jesus Cristo, no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Iniciemos com fé, esperança e caridade renovadas.

                                                                          Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

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Servidores da Paz e do Amor Pleno – Jesus (Homilia 7º Domingo Tempo Comum- ano A)

Servidores da Paz e do Amor Pleno – Jesus

…Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra… Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus…” (Mt 5,4.9)

A Liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos faz um grande convite: trilhar o caminho cristão, que é inacabado e exige compromisso sério e radical em contínua conversão, progredindo a cada dia na prática da Lei divina, que o Senhor deu pleno cumprimento, pois quem ama como Jesus ama, cumpre plenamente a Lei.

Com os olhos fitos no Senhor que nos espera ao final da “viagem”, continuamos a refletir sobre o Sermão da Montanha, e seus desdobramentos em nossos relacionamentos.

A passagem da primeira leitura (Lv 9, 1-2;17-18) é um apelo veemente à santidade que passa pelo amor ao próximo – “Sede Santos, porque Eu, o Vosso Deus sou Santo” (v.2).

As Leis de Deus e seus Preceitos existem para que nos ajudem a viver em comunhão com Deus, que passa necessariamente na comunhão com o outro; iluminam a vida cultual e a vida social.

Arrancando as raízes do mal, que podem crescer em cada um de nós, haveremos de multiplicar esforços para permanecer no caminho da santidade, que exige um processo contínuo de conversão. Ser santo, portanto, é permitir que o Amor de Deus seja derramado através de nossos gestos e palavras.

Reflitamos:

– Em que consiste e como testemunhar a santidade no mundo hoje?

– O que ainda me impede de viver e dar um testemunho de santidade?

O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura (1 Cor 3,16-23), continua nos ajudando a não viver pautados pela sabedoria humana, mas pela Sabedoria Divina, que passa inevitavelmente pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima expressão de Amor, doação, entrega e serviço, que gera vida plena e faz nascer como criaturas novas no Ressuscitado.

Como templos onde Deus habita, temos que superar todos os conflitos, divisões, ciúmes, confrontos, pois não nos pertencemos, e tão pouco ao outro, pertencemos ao Senhor, como o próprio Apóstolo diz: “tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (v.23).

O Apóstolo nos exorta ao testemunho que damos pessoalmente, fala de um Deus cheio de Amor e misericórdia que tem um Projeto de Salvação e Libertação para nos oferecer.

Viver a “loucura da cruz” com gestos de amor, partilha e doação, para que formemos e geremos Cristo em nós e no outro. Esforços sejam multiplicados para que se oriente a vida  pela Sabedoria de Deus ou viveremos a sabedoria do mundo, que muitas vezes se caracteriza pela luta sem regras pelo poder, pela influência, pelo reconhecimento social, pelo bem-estar econômico e pelos bens perecíveis e secundários.

Reflitamos:

– Nossa comunidade é uma comunidade fraterna e solidária, que dá o corajoso testemunho da “loucura da Cruz”?

– De que modo nosso viver revela que nossas palavras e ações são iluminadas e orientadas pela Sabedoria divina?

Com a passagem do Evangelho (Mt 5,38-48), continuamos a refletir sobre mais dois exemplos que nos desafiam para que, de fato, sejamos sal da terra e luz do mundo. Viver as Bem-Aventuranças implica em superar a Lei do talião”, conhecida pela fórmula “olho por olho, dente por dente” (Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21)  e o maior de todos os desafios, amor aos inimigos.

Viver como Deus ama, eis o nosso mais belo e maior desafio, acabando com a espiral da violência, como tão bem viveu e testemunhou Nosso Senhor: um Amor sem medida, um amor que se estende aos inimigos.

Jesus nos revela a face misericordiosa de Deus, um amor universal que faz brilhar o sol e envia a chuva sobre os bons e os maus. E nos exorta a sermos perfeitos como O Pai Celeste é perfeito, superando a lógica legalista, casuística e fria que não cria proximidade e comunhão.

Para que se viva em comunhão total com Deus é preciso deixar que a vida e o amor  de Deus preencha nosso coração, resplandecendo Sua Luz no quotidiano, e tão somente assim seremos também o sal da terra e nisto consiste o embarcar na aventura do Reino que O Senhor nos convida.

Reflitamos:

– Como sal da terra e luz do mundo de que modo vivo a força desarmada do amor para que se instaurem novos relacionamentos humanos e fraternos, quebrando a espiral da violência?

– Como amar os inimigos, como o Senhor nos exorta?

– O que falta em nossa vida para que vivamos a perfeição do Pai Celeste?

Oremos:

Que, com a presença e ação do Espírito Santo em nós, continuemos trilhando o caminho da santidade, em permanente conversão, envolvidos pelo amor de Deus, pleno em nosso coração, para que jamais, como sal, percamos o sabor, e jamais percamos o brilho e o esplendor da Verdade de Deus. 

Tão somente assim, iluminados por Deus, iluminadores em situações mais obscuras também sejamos.

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Com a Liturgia do 7º Domingo Comum (Ano A), aprofundamos sobre a vivência do Mandamento do Amor, inclusive aos inimigos.

Este Mandamento do Senhor é novo e revolucionário pela formulação, conteúdo e forte exigência.

Vejamos o que nos diz o Missal Dominical sobre o tema:

É novo pelo seu universalismo, por sua extensão em sentido horizontal: não conhece restrições de classe, não leva em conta exceções, limitações, raça, religião; dirige-se ao homem na unidade e na igualdade da sua natureza. É novo pela medida, pela intensidade, por sua dimensão vertical.

A medida é dada pelo próprio modelo que nos é apresentado: “Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei assim amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34). A medida do nosso amor para com o próximo é, pois, o amor que Cristo tem por nós; ou melhor, o mesmo amor que o Pai tem por Cristo: porque “Como o Pai me amou, também eu vos amei” (Jo 15,9. Deus é amor (1Jo 4,16) e nisto se manifestou o seu amor: Ele nos amou primeiro e enviou seu Filho para expiar nossos pecados (1Jo 4,10).

É novo pelo motivo que nos propõe: amar por amor de Deus, pelas mesmas finalidades de Deus; exclusivamente desinteressado; com amor puríssimo; sem sombra de compensação (Mt 4,46). Amar-nos como irmãos, com um amor que procura o bem daquele a quem amamos, não a nosso bem. Amar como Deus, que não busca o bem na pessoa a quem ama, mas cria nela o bem, amando-a.

É novo porque Cristo o eleva ao nível do próprio amor por Deus. Se a concepção judaica podia deixar crer que o amor fraterno se põe no mesmo plano dos outros mandamentos (Lv 19,18) a visão cristã lhe dá um lugar central, único. No Novo Testamento o amor do próximo está indissoluvelmente ligado ao preceito do amor de Deus.

A fé… lembra ao cristão os mandamentos de Deus e proclama o espírito das bem-aventuranças; convida a ser paciente e bondoso, a eliminar a inveja, o orgulho, a maledicência, a violência; ensina a tudo crer, tudo esperar, tudo sofrer, porque o amor nunca passará” (RdC47) 

Mas insiste ainda: “Ama teu inimigo… oferece a outra face… Não pagues o mal com o mal”. Quanto cristãos fizeram da palavra de Jesus a lei da sua vida! A história da Igreja está cheia de exemplos sublimes a este respeito: J. Gualberto, que perdoa, por amor de Cristo crucificado, o assassínio de seu irmão; pais que esquecem heroicamente ofensas recebidas dos filhos; esposos que superam as ofensas e culpas; homens políticos que não conservam rancor pelas calúnias, difamações, derrotas; operários que ajudam o companheiro de trabalho que tentou arruiná-los, etc…

Em nome da religião e de Cristo, os cristãos se dividiram, dilacerando assim o Corpo de Cristo. Viram no irmão um inimigo, se “excomungaram” reciprocamente, chamando-se hereges, queimando livros e imagens… Derramou-se sangue, explodiu ódio em guerras de religião. O orgulho, o desprezo e a falta de caridade caracterizaram as diatribes teológicas e os escritos apologéticos. Os inimigos de Deus, da Igreja, da religião foram combatidos com armas e com ódio. Travaram-se lutas, organizaram-se cruzadas.

Hoje, a Igreja superou, ou se encaminha par superar, muitas dessas limitações. Não há mais hereges, mas irmãos separados; não há mais adversários, mas interlocutores; não consideramos mais o que divide, mas antes de tudo o que une; não condenamos em bloco e a priori as grandes religiões não cristãs, mas nelas vemos autênticos valores humanos e pré-cristãos que nos permitem entrar em diálogo.

Mas a intolerância e a polêmica estão sempre de atalaia. Não estaremos acaso usando, dentro da própria Igreja, aquela agressividade e polêmica excessivas que outrora usávamos com os de fora da Igreja? Quantos cristãos engajados, uma vez faltando o alvo de fora, começaram a visar com “inimigos” aos próprios irmãos na fé, e os combatem obstinadamente, sem amor e sem perdão!” (1)

Viver o Amor do Senhor, em seu universalismo e novidade. Um amor que ama sem medida, e que se estende até os inimigos. É esta maturidade cristã que somos chamados a alcançar, não obstante qualquer dificuldade.

Configurados a Cristo temos que ter d’Ele mesmos sentimentos e pensamentos. Deste modo, “amar como Jesus ama” precisa estar impresso, como selo, em nossa alma, nas mais profundas entranhas de nosso ser.

Amar em nossa medida com cálculos e retornos, condições e reciprocidade, não é o que nos fará sal e luz, como nos propôs Jesus no Evangelho de São Mateus, e tão pouco o concretizar das Bem-Aventuranças, o único caminho da verdadeira felicidade.

Deste modo, podemos concluir que a felicidade que Deus tem a nos oferecer é diretamente proporcional a nossa capacidade de amar, a nossa intensidade de amor, que não apenas ama os bons, mas ama até os inimigos.

Deus não nos ama porque somos bons, mas para que sejamos todos bons.

Linhas novas da História precisam de novos conteúdos, que sejam escritos com a tinta do Amor que nos vem do Santo Espírito.

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.693-694.
PS: oportuna reflexão para o 7º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

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Os degraus que nos levam ao cume da virtude

Para aprofundamento da Liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum (ano A) em que Jesus nos exorta amar os inimigos (Mt 5,38-48), sejamos enriquecidos pelo Sermão do Doutor São João Crisóstomo (séc. V).

‘Ouvistes o que foi dito: amarás a teu próximo e odiarás o teu inimigo. Porém eu vos digo: amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos de vosso Pai que está nos céus, que faz se levantar o sol sobre bons e maus e faz chover sobre os justos e injustos’.

Observa como colocou a conclusão de todos os bens. Por isso ensinou a ter paciência com aqueles que nos esbofeteiam e até mesmo a apresentar-lhes a outra face; e não apenas juntar o manto à túnica, mas a caminhar por duas milhas mais com quem nos requisitou para uma, para que em seguida aceitasses com maior facilidade o que era superior a estes preceitos; ou seja, que quem cumprir tudo isso não tenha inimigos. Pois bem: existe algo ainda mais perfeito, porque Ele não diz: Não odeies, mas ama. Não disse: não prejudique, mas sim favoreça. Se alguém examina cuidadosamente, encontrará um acréscimo muito maior que este. Porque agora não só manda amá-los, mas a também rogar por eles.

Observas a que degraus subiu e como nos elevou até o próprio cume da virtude? Quero que o medites, enumerando-os desde o princípio: o primeiro grau é não injuriar; o segundo, quando injuriados, não nos vingarmos; o terceiro, não aplicar sobre o autor o mesmo castigo com o qual nos fere, mas sim ter mansidão; o quarto, oferecer-se voluntariamente a sofrer injúrias; o quinto, oferecer ao injuriador muito mais do que ele nos exige; o sexto, não odiar a quem nos faz semelhante injustiça; o sétimo, inclusive amá-lo; o oitavo, ainda favorecê-lo. Finalmente, o no: rogar a Deus por ele. […]” (1).

Somente subindo estes degraus, viveremos o Mandamento Novo do Amor que nos deu nosso Senhor, um amor que com dimensão universal, sem limites, e que nos permite chegar ao cume da virtude. E bem sabemos que Ele não somente nos deu o Mandamento, mas o viveu plenamente.

Nisto nos reconhecerão como discípulos d’Ele, e assim sal da terra e luz do mundo seremos, pois esta passagem do Evangelho é desdobramento para a prática do Sermão da Montanha, que Ele nos apresentou nos versículos anteriores (Mt 5,1-12).

Aceitemos a proposta do Bispo, meditemos sobre estes degraus que nos levam ao cume da virtude, que deve ser querida por todos aqueles que se põem a caminho, como discípulos missionários do Senhor.

(1) Lecionário Dominical Patrístico – Editora Vozes – 2013 – pp. 140-141

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Pertencemos ao Senhor

Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus”

Reflitamos sobre a passagem da segunda leitura proclamada no 7º Domingo do Tempo Comum (ano A), em que o Apóstolo Paulo conclui dizendo: “Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1 Cor 3,16-23).

Vejamos duas afirmações do Lecionário Comentado, sobre esta passagem:

– “O pregador que amarra as pessoas a si mesmo não constrói em Cristo; comportando-se deste modo destrói o Templo de Deus e atrai sobre si uma grande responsabilidade”;

– A fé não está e não pode estar apoiada no prestígio ou na autoridade do evangelizador. O cristão deve apoiar a sua fé só na pessoa de Cristo. A expressão ‘Vós sois de Cristo’ (v.23) não tem apenas um sentido afirmativo, mas também exclusivo, e significa: ‘Vós pertenceis somente a Cristo e a ninguém mais”. (1)

Aqui está o grande desafio da evangelização: quem evangeliza, não evangeliza para si, e tão pouco anuncia suas ideologias. Não reproduz nos fiéis a sua identidade.

Ao contrário, quem evangeliza, é alguém que se encontrou com o Senhor, e professa a fé, não como um conjunto de ideias, como tão bem expressou o Papa Bento de forma emblemática:

Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus Caritas Est 1).

Tendo encontrado o Senhor, levará aqueles a quem evangeliza ao mesmo encontro, não se apropriando nem da Palavra que anuncia, tão pouco daqueles que ouvem e acolhem esta mesma Palavra.

Urge evitar qualquer possibilidade de fazer da evangelização fonte de enriquecimento, ou mesmo do envaidecimento pessoal, marcado pela fama, prestígio, honras e glórias, que tão somente ao Senhor pertencem.

Também é necessário que os que ouvem e professam a fé, não fundamentem a existência e seus compromissos movidos pelos sentimentos subjetivos que possa despertar aquele que o evangelizou.

Não seguirá até o fim o Senhor, quem por Ele, e tão somente por Ele, tenha seu coração seduzido.

Deste modo, com a fé fundamentada na pessoa de Cristo e Sua Palavra, terá coragem para o seguimento e viverá fidelidade e disponibilidade plena no discipulado, e suportará o peso da cruz, acompanhado das renúncias que se fazem necessárias.

Evidentemente que isto não dispensa aos que evangelizam, o zelo pelo anúncio, a criação de laços afetivos de amizade e eternos, que possam no altar do Senhor ser celebrados, assim como Senhor soube e fez com todos que quiseram se por a caminho com Ele.

Evangelizamos verdadeiramente quando nos encontramos com o Senhor e permitimos que Ele nos transforme a todo momento, e esta transformação leva a outros a quererem o mesmo encontro fazer, e mesmo apaixonamento pelo Senhor viver, numa resposta inflamada e eterna de amor.

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – pp. 304-305

A graça de ser Padre

“Irmãos, cuidai cada vez mais de confirmar a vossa vocação e eleição. Procedendo assim, jamais tropeçareis. Desta maneira vos será largamente proporcionado o acesso ao reino eterno de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2Pd 1,10-11)

O Ministério Presbiteral, vivido em sua beleza e graça, é uma das expressões mais desejáveis da misericórdia divina, como podemos refletir à luz destas passagens bíblicas: Lv 13,1-2.44-46 e Mc 1,40-45.

Estas retratam a dramática situação de quem era acometido pela lepra, doença até então conhecida para caracterizar todo tipo de sofrimento relativo à pele, que deforma a aparência da pessoa. Era o que havia de mais grave sobre “impureza”.

Contemplamos o Amor de Deus que a todos acolhe sem excluir ninguém do Seu convívio, da Sua bondade. Deus não exclui, ao contrário integra a todos na comunhão mais que querida. Esta foi a ação de Deus no Antigo e no Novo Testamento, através da prática do Amor Encarnado, Jesus Cristo.

Jesus acolhe com Amor: toca, cura, liberta, renova, restaura, reintegra aquele homem acometido de terrível mal que o condenava como pecador, marginalizado, amaldiçoado, excluído, indigno, fora da Bênção de Deus, numa palavra, um pecador maldito.

A prática de Jesus, diferente da lógica humana, confirma a lógica de Deus que não marginaliza ninguém. Ele contrapõe àquilo que, em nome de Deus, cria mecanismos de rejeição, exclusão e marginalização. E esta é a manifestação da compaixão de um Deus cheio de Amor.

O gesto de Jesus revela Amor e solidariedade. Com a cura do leproso, e outros sinais, temos a certeza de que o tempo se completou, o Reino de Deus se faz presente no meio dos homens, sem racismos, exclusões.

A cura do leproso é a chegada de um novo tempo inaugurado por Jesus, que toma para Si as dores e sofrimentos de toda a humanidade.

Note-se que o leproso curado ao ser enviado ao templo para confirmar a sua cura, imediatamente se põe a anunciar as maravilhas alcançadas:

O Presbítero é por excelência o homem que experimentou o amor de Deus, ao ser escolhido, chamado e enviado para comunicar este amor, de múltiplas formas, através do Ministério pela Igreja confiado e agraciado.

O Padre é chamado, acolhido, escolhido, amado, curado, tocado, formado, ordenado, consagrado, enviado para comunicar este amor de Deus, sobretudo pela graça dos Sacramentos.

Portanto, por ter sido acolhido, deve acolher a cada irmão e irmã, sem nenhuma discriminação ou preferência.

Tendo sido escolhido, ajudar os membros do Povo de Deus a perceber o quanto também Deus os escolheu para produzir frutos saborosos nesta Vinha que é a própria Igreja, com podas necessárias, como bem nos fala o Evangelho de São João (Jo 15).

Por Deus amado, é o Ministro do Amor por excelência: se não comunicar e não testemunhar o amor está condenado a viver um Ministério sem vida, alegria, sabor, graça, luz e sentido.

Curado pelo Salutar Sacramento da Eucaristia, em cada Ceia Eucarística que Preside, é o Ministro da cura de tantos males que roubam a alegria e a vida do rebanho a ele confiado, restaurando todas as pessoas numa vida nova do Espírito Santo.

Assim como foi tocado um dia por um amor em forma de chama, deve a todos tocar, com palavras e gestos, a vida de cada membro da comunidade vivendo a caridade que é o pleno cumprimento da Lei, Portanto não poderá ser o gélido toque de quem não crê; nada espera e não ama de verdade, sem nenhum outro interesse.

Tendo sido formado pelos estudos necessários, deve formar os que lhe forem confiados para viverem uma vida marca pela ternura, dignidade, perdão, paz, fraternidade, comunhão.

O Sacramento da Ordem recebido não pode levá-lo a nenhuma tentação de prestígio, poder, sucesso, riqueza. Lembrará sempre que foi Ordenado para arrebanhar, conduzir, santificar, ensinar, governar. Conduzir o rebanho para verdes pastagens, como homem do Banquete Eucarístico e da Palavra que fortalece, orienta e ilumina.

Consagrado e enviado tem uma missão especial: enviado para comunicar a semente do verbo, espalhar Boa Nova do Evangelho em tantos corações; para ensinar e ajudar a humanidade a viver tudo o que Jesus nos ensinou (Mc 16, 19)

Deste modo, o Padre é para a comunidade um alegre testemunho de quem foi também por Deus amado e curado.

Que a comunidade vendo assim o presbítero, também se sinta amada e encorajada a fazer o mesmo caminho, celebrando devotamente a Eucaristia, crescendo cada vez mais a solidariedade para com o povo, em suas dores e sofrimentos.

Assim fez Jesus para com o leproso, assim haverá de fazer todo discípulo Seu, e de modo especial aquele a quem Ele chamou para ser Presbítero de Sua Igreja.

O Presbítero é alguém que se sente amado para amar muito mais do que para ser amado, ou seja, antes de querer ser amado tem que amar na mais bela e fecunda expressão do Mandamento que nosso Senhor nos deixou: amar a Deus e ao próximo como Ele nos amou.

http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/a-graca-de-ser-padre.html?m=1

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade ( Homilia 6º Domingo Tempo Comum – Ano A)

 

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade

“Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada” .

Com a Liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum (Ano A) refletimos um desdobramento do Sermão da Montanha, apresentado nos primeiros versículos no quinto capítulo do Evangelho de Mateus.

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Na passagem da primeira Leitura (Eclo 15, 16-21) encontramos uma mensagem clara e incontestável: Deus nos concede liberdade para escolhas. Se escolhermos Sua proposta, no cumprimento de Seus Mandamentos, teremos vida e felicidade. Porém, bem diferente será o que alcançaremos se d’Ele e de Sua Lei nos afastarmos, encontraremos o pecado e a morte.

O Povo de Deus, no século a. C, vivia um contexto de abandono da fé, com fortes influências da cultura helênica. O autor sagrado exorta a fidelidade a Deus e à Sua Palavra para que não perca a sua identidade, e com isto o afastamento da felicidade.

É explícito o tema: temos sempre que fazer escolhas: ou o caminho da vida e da felicidade, ou o caminho da morte, da desgraça (orgulho, egoísmo, autossuficiência, isolamento…).

Fomos criados por Deus e Ele nos concedeu o livre arbítrio, temos que saber escolher. Somos eternamente responsáveis pelas nossas escolhas, pela proximidade ou afastamento de Deus que elas trarão.

Reflitamos:

– De que modo usamos a liberdade que Deus nos concedeu?
Quais são nossas escolhas? Serão elas acertadas, conforme a vontade de Deus?

– Qual caminho trilhamos: da fidelidade ou indiferença à Proposta de Deus?

– Quais são as consequências de nossas escolhas? Somos capazes de assumi-las sem atribuir culpas a Deus, em caso de resultados adversos?

Na segunda Leitura (1 Cor 2,6-10), mais uma vez o Apóstolo nos exorta a viver nossa fidelidade ao Senhor que, por amor sem medida, não evitou a Cruz. Nela Jesus viveu a doação total, o Amor que ama até o fim.

É na Cruz de Nosso Senhor Jesus que se encontra a mais bela história de Amor, em que Ele, o Filho Amado, vai até o extremo de Sua doação e Amor por nós.

E, como discípulos missionários do Senhor, haveremos de fazer o mesmo caminho.

Abraçar a Cruz, por amor, consiste na verdadeira sabedoria divina, infinitamente superior à sabedoria humana.

A verdadeira sabedoria vem, paradoxalmente, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo é convicto de que Jesus Cristo é o único Mestre e que a verdadeira sabedoria não é aquela que nasce do brilho e elegância das palavras, nem mesmo pela coerência dos sistemas filosóficos.

Na identificação total com Cristo, é o Espírito que nos anima e nos conduz, para que jamais recuemos na vida de fé, mas avancemos sempre para as águas mais profundas, na travessia do mar da vida.

A prática de Jesus nos revela que Deus não força ninguém a esta identificação, não força ninguém a segui-Lo, mas se quisermos segui-Lo, é preciso renúncias quotidianas, tomando a cruz e pondo-nos a caminho, na fidelidade total aos Mandamentos Divinos que nos conduzem nesta opção, sempre enamorados e apaixonados por Ele, Jesus, Nosso Senhor.

O cristianismo não é um conjunto de ideias, mas o encontro pessoal que transforma a nossa vida para sempre. Quem se encontrou com o Senhor, de fato, nunca mais será a mesma pessoa, e se torna impossível viver sem Ele e o Seu Amor.

Na passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no quotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”. E com esta expressão sintetizamos a mensagem do Evangelho deste Domingo.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada” .

“O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado.”

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade…:

1 – As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;
3 – A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus.

4 – A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em resumo, a questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

– Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

– Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença…). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

– Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

– Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do quotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

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                                                                   O caminho da felicidade passa pela Cruz

Todos desejamos e buscamos a felicidade a cada instante de nossa vida, pois bem sabemos e cremos que Deus nos criou para a felicidade plena, que passa inevitavelmente pela Cruz.

Meditando sobre o tema felicidade, encontrei em um Livro de Oração algumas propostas para alcançá-la.

Embora simples, creio são pertinentes e podem mesmo favorecer para que tenhamos uma vida mais feliz, numa madura relação interpessoal mais fraterna, com notável crescimento humano e espiritual.

Vejamos como podemos percebê-las e vivê-las em nosso dia a dia.

– Elogie três pessoas por dia;

– Cumprimente as pessoas que encontrar pelo caminho;

– Sorria. Não custa nada e não tem preço;

– Saiba perdoar a si e aos outros;

– Trate a todos como gostaria de ser tratado;

– Pratique a caridade;

– Faça novos amigos;

– Reconheça seus erros e valorize seus acertos;

– Dê às pessoas uma segunda chance;

– Respeite a vida;

– Dê sempre o melhor de si, em todos os momentos;

– Reze não só para pedir coisas, mas principalmente para agradecer.

Observando atentamente, veremos que estas atitudes simples nos remetem à passagens do Evangelho, de modo muito especial, ao Sermão da Montanha, quando Jesus nos apresentou a proposta da autêntica felicidade (Mt 5, 1-12).

Um Sermão ouvido na montanha para ser vivido na planície do quotidiano. Pois se as Bem-Aventuranças forem encarnadas, inauguram-se relações de partilha, solidariedade, comunhão e amor, humildade, gratuidade, doação… Ganham vigor as relações fraternas.

Creio que o caminho da felicidade passa inevitavelmente pela Cruz assumida com maturidade e responsabilidade – “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua Cruz de cada dia e me siga” (Lc 9, 23).

Que as propostas apresentadas nos coloquem neste itinerário da fé, com coragem e confiança na ação divina, contando sempre com a força da Oração, que não nos permite desviar do Projeto de vida, alegria e paz que o Senhor tem para todos nós, sempre nos lembrando de Suas Palavras:

“Se vocês obedecerem aos meus Mandamentos, permanecerão

no meu Amor, assim como Eu obedeci aos Mandamentos

de meu Pai e permaneço no Seu Amor. Eu disse isto a vocês

para que a minha alegria esteja em vocês, e a

alegria de vocês seja completa.” (Jo 15, 10-11).


A santidade matrimonial

“Do divórcio do coração, livrai-nos Senhor”

Ouvimos, no 6º Domingo do Tempo Comum (ano A), a passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), em que Jesus ratifica a indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio (cf. também Mt 19, 1-9, Mc 10,1-12 ).

Para aprofundamento deste tema, apresento uma reflexão aos casais, e a quantos possa interessar, para acender uma fagulha de luz, iluminando a sagrada missão de santificar nossas famílias, e redescobrir caminhos para menos divórcios do coração, e assim, a família cumpra sua missão, não obstante todas as dificuldades e ventos contrários.

“Quantos casais, neste sentido, vivem há anos num divórcio prático, ratificado e consumado, isto é, querido e atuado? Quando, por exemplo, entre marido e mulher não se tem nem a vontade de se perdoar, de se reconciliar, quando reina a indiferença, é divórcio de fato, do coração. É o repúdio sem formulações legais! O mandamento de Deus está violado, não se é mais ‘uma só carne’.

Fala-se muito dos terríveis males do divórcio jurídico: mulheres condenadas à solidão, filhos destruídos psicologicamente pela escolha penosa que devem fazer entre a própria mãe e o próprio pai.

Conheço uma criança nesta situação; depois que vi seus olhos, não preciso mais ouvir conferências sobre os males do divórcio: os vi todos estampados naqueles olhos de passarinho ferido.

Mas os males deste outro divórcio são, talvez, muito menores para a sociedade e para os filhos? Há tantos meninos desnorteados, drogados, violentos que não são filhos de divorciados casados de novo; são filhos de pais que vivem no divórcio do coração, que brigam, se ofendem ou se calam obstinadamente, reduzindo assim a família a um tenebroso inferno.

‘O homem não separe’ significa sim: a lei humana não separe; mas significa também, e antes de tudo: o marido não separe a mulher de si, a mulher não separe de si o marido.

É bem pouco o que se pode fazer depois que este divórcio aconteceu há anos. Mas muito, porém, se pode fazer no início para impedir que o divórcio aconteça.

Jesus lembra a unidade: ‘não serão senão uma só carne’, isto é, quase uma só pessoa, com a concórdia nos mesmos projetos e sentimentos; implicitamente inculca a construir sobre a unidade e renová-la cada dia. Como?

Procurando resolver logo que surgem os problemas, as incompreensões, as friezas. ‘Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento’ (Ef 4,26); esta recomendação do apóstolo, aplicada para os cônjuges, soa assim: antes do sol se deitar fazei as pazes; significa que não se pode deitar sem ser perdoados, nem que seja só com um olhar.

Depois a confiança recíproca; esta é como um lubrificante: falar, comunicar as próprias dificuldades e também as próprias tentações. Se a gente dissesse ao próprio cônjuge aquilo ou parte daquilo que se diz ao confessor ou se escreve ao diretor de certas revistas, quantos problemas seriam resolvidos! Enquanto há confiança recíproca, o divórcio fica longe.

A expressão ‘uma só carne’ lembra veladamente e outro meio humano para evitar o divórcio do coração: fazer da união sexual um momento de autêntica doação, abandono, humildade, de modo que sirva para restabelecer a paz e a confiança recíproca.

Continuar a ver sempre na mulher, como sugere a Bíblia, também depois que passaram os anos ‘ a mulher da própria juventude’ e no marido o homem da própria juventude, isto é, o ser que te deu sua juventude (cf. Pr 5,18).

Devemos nos convencer de que tudo isto não basta e que são necessários os meios espirituais: sacrifício e oração. Se o matrimônio encontra tanta dificuldade de se manter unido, é porque enfraqueceu o espírito de sacrifício e se quer só receber do outro, antes de dar ao outro.

A Oração! A melhor é aquela feita juntos, marido e mulher. Mas a ela acrescentemos hoje também a oração comunitária: rezemos pelos casais e para aqueles que estão se encaminhando ao matrimônio; que o Senhor afaste deles o divórcio do coração”.

Sem dúvida, esta reflexão é de grande contributo, para que todos os lares sejam candelabros, onde a luminosidade divina não falte, ainda que a família passe por momentos difíceis, provações, inquietações.

Unamo-nos em oração e nos diversos trabalhos realizados pela Igreja em prol da Família, como tão bem nos exortou o Papa Francisco na Exortação – “Amoris Laetitia”, recentemente.

Tenhamos sempre a Sagrada Família como modelo, inspiração e a ela recorramos sempre, para santificar e solidificar nossas famílias na rocha da Palavra, que é o próprio Jesus, Nosso Senhor (Mt 7, 21-27).

O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa – pp.447-448 – Editora Ave Maria


Do Sopro do Espírito a família precisa!

Por isto, nossa família suplica:

Dá-nos o sopro do Teu Espírito!”

Como, com o que, e com quem a família enfrentará os ventos que, impiedosamente, contra ela atentam?

Como e quando acolher o revitalizante e santificador Sopro do Espírito?

Não poucos problemas enfrentam as famílias em nossos tempos.

Muitos são os ventos e tempestade contra a casa, como nos acena Jesus (Mt 7), nos convidando a construir nossa história e a história da família sobre a rocha, que é Ele mesmo.

A solidez e a estrutura da família passam pela escuta, acolhida e vivência de Sua Palavra. Mas contra ela sopram ventos avassaladores.

Quais são estes ventos?

A realidade da falta de diálogo, da compreensão, carinho e respeito nas relações pais e filhos e vice-versa; a invasão midiática e seu “evangelho” que muitas vezes se contrapõe ao autêntico Evangelho do amor, da solidariedade, da comunhão, do perdão.

Nela, a crise de valores anda de mãos dadas com a crise ética, colocando em risco a diversidade e originalidade como criaturas modeladas pelas mãos divinas, condenados à uniformidade, reprodução laboratorial pela clonagem, com resultados imprevisíveis…

Outros ventos que teimosamente persistem:

Dependência química (álcool, drogas…); desemprego ou eminente possibilidade; violência pelas armas ou de qualquer outra forma; o consumismo depredador, acompanhado da insaciabilidade, colocando em risco o planeta em que vivemos.

E ainda as antigas e novas doenças, o sentimento de angústia que toma o coração de muitos, culminando em degradante e desumanizante depressão.

Neste momento há tantos ventos que atentam contra a tua família, contra a minha! Dispensa mencioná-los. Nós os conhecemos, e como conhecemos!

Enfrentá-los é possível, quando buscamos o Sopro do Espírito, a manifestação de Deus na brisa suave. Há esperanças e horizontes a serem alcançados.

Acolher o Sopro do Espírito é preciso.

Não há fórmulas mágicas, há um caminho único:

Jesus Cristo e Seu Evangelho –

“Eu Sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,9).

A Sagrada Escritura apresenta inúmeros Sopros para a santificação de nossas famílias.

Do Sopro do Espírito, a família precisa!

Nossa família suplica:

“Dá-nos o Sopro do Teu Espírito!”

O Sopro do Espírito que acolhemos ao contemplar a Sagrada Família:

E, nesta grande escola, aprender as lições de José e Maria. Ó belas lições que nos vem da Sagrada Família!

Confiança em Deus, abertura e diálogo para compreender os Mistérios divinos e vivenciá-los: “eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim Tua Palavra”.

A alegre disponibilidade, humildade, mansidão, ternura, temor divino, abertura para a manifestação da graça de Deus, pertença ao povo de Deus; acompanhados da vivência e prática religiosa.

A coragem para ter a alma transpassada, assumindo a dimensão pascal da fé, mistério de morte e Ressurreição.

O Sopro do Espírito que acolhemos ao contemplar o Mistério da Comunhão Trinitária:

Mistério de amor, comunhão, doação, plenitude de vida, unicidade que não leva a perda da identidade, garantia de plena felicidade…

O Sopro do Espírito que acolhemos que vem da Mesa da Eucaristia:

Banquete de amor e vida, comunhão e solidariedade com os empobrecidos. O sopro do Santo Espírito que vem como fogo que queima, arde, aquece, ilumina. Quando comungamos, alimentamo-nos, bem como, somos invadidos pelos raios revigorantes deste mesmo Espírito!

A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do céu que se abre sobre a terra, e os raios da Jerusalém Celeste invadem as sombras da história e vem iluminar nossos caminhos, como nos falou o Papa João Paulo II.

A família que se nutre da Eucaristia há de experimentar, a cada dia, um pedaço deste céu, que se prolonga na mesa de nossos irmãos.

O Sopro do Espírito que acolhemos no dia do Batismo:

Quando nos tornamos Igreja, pedras amadas e escolhidas de Deus.

Rompemos o limite de suas paredes; abrimo-nos para a vivência comunitária, na participação, com alegria, da construção do Reino de Deus.

Cada família é uma pequena Igreja Doméstica, inserida na Igreja de Cristo que é Seu Corpo, tendo-O como Cabeça.

A Boa Nova do Ressuscitado deve determinar pensamentos e atitudes de nossas famílias, de modo que, falar de divórcio, infidelidade, filhos distantes e estranhos aos próprios pais, aborto, será apenas uma lembrança indesejável dos ventos que um dia sopraram contra a família.

A verdadeira sabedoria consiste em enfrentar os ventos contra a família e acolher o Sopro do Espírito; certeza de plena alegria, de um lar verdadeiramente feliz!

Do Sopro do Espírito a família precisa!

Nossa família suplica:

“Dá-nos o Sopro do Teu Espírito!”


                                                                           Progredir na Lei do Senhor Deus

Retomemos o refrão do salmo (Sl 118, 1), da Missa do 6º Domingo do Tempo Comum (ano A), para reflexão:

“Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que Lei do Senhor Deus vai progredindo!”

A vida mais que uma sucessão de dias, é uma escrita que vai deixando a marca do caminho. De vez em quando, é preciso olhar retrospectivamente para ver o caminho feito, e para onde ele nos conduz; se marcado pelo pecado ou pela graça, por sábias escolhas, ou se nem tão sabias assim, porque nos fechamos à Sabedoria do Alto, onde Deus habita.

Não basta que vivamos, precisamos progredir em todos os aspectos, sobretudo “na Lei do Senhor”.

É preciso que progridamos, incessantemente, na fidelidade ao Senhor, por isto a felicidade é diretamente proporcional ao progresso que fizermos no conhecimento e na observância da Lei do Senhor, ou seja, em sua prática.

Deste modo, Deus, pacientemente, volta para nós Seu olhar e espera o melhor de nós, na correspondência ao seu Amor, pois é próprio de quem ama criar o bem no coração do amado.

Silenciemo-nos, e certamente Deus nos dirá:

“Seja feliz, e na minha Lei vai progredindo, sem jamais desistir, sem cansaços, sem resistências. Confie apenas e trilhe o caminho. Sim, vai progredindo em minha Lei, e seja feliz.

Vai progredindo na Lei do Senhor e não matarás…

Nem com armas, propriamente, atitudes de desprezo, preconceitos, indiferenças.

Não matarás com as palavras, que podem ser caladas, nem com a omissão que gere dor, morte e sofrimento.

Não matarás a esperança, a alegria, a paz, os valores sagrados que devem nortear a vida.

Não matarás os sonhos, a esperança e as mais belas utopias, que  impulsionam em incansáveis e eternas buscas.

Não matarás a semente da Palavra que cai no chão do teu coração, para que ela produza os frutos que tanto espero de ti,

Não matarás com o olhar o teu próximo, ou com o teu fechamento, como quem não quer ver desafios, compromissos, trabalhos a serem realizados, para que o mundo seja melhor.

Não matarás as pequenas atividades, fazendo-as sem amor, empenho e alegria. Sê fiel nas pequenas, para que também o sejas nas grandes.

Amarás a beleza da vida, o planeta em que habitas, e tudo farás para que vivam todos bem, dando aos que virão à mesma possibilidade.

Não matarás a ética, a sacralidade da vida, a terra, tua casa comum e tudo mais que se possa dizer, como que pulsando e gritando para não morrer, porque se assim o for, será a morte da humanidade, portanto, a tua própria também.

Vai progredindo na Lei do Senhor e amarás a Deus e ao teu próximo…

Amarás tua família, teus filhos e todos os que te rodeiam, e também amarás os da família maior, que se liga pelos laços da fé, ouvindo e pondo em prática a minha Palavra.

Amarás o outro sem olhares de cobiça, de instrumentalização e posse.

Amarás gerando o bem no coração de quem tu amas, ampliando teu horizonte e laços de amizades possíveis.

Amarás e não farás o outro objeto de prazer, e não compactuarás com uma sociedade que vê o outro como descartável.

Amarás na contramão do líquido mundo moderno, que anuncia a liquidez do amor, estabelecendo e mantendo relacionamentos duradouros, próximos, fraternos e eternos e não apenas midiáticos, em que se pode deletar, excluir sem crise de consciência ou constrangimento, porque não acompanhados de verdadeiros sentimentos.

Amarás a mim sobre todas as coisas e não se dobrarás diante da idolatria de mil nomes: poder, riqueza, dinheiro, sexo, fama, prestígio, sucesso a qualquer custo.

Amarás como meu Filho te mandou: amar como Ele, ao próximo e  toda a humanidade.

Amarás como o meu Apóstolo te ensina em sua Carta (1 Cor 13,1-13).

Vai na Lei do Senhor progredindo, não jurarás falso…

Farás progressos nos relacionamentos, porque serão marcados pela sinceridade e transparência.

Não precisarás longos discursos para provar nada, porque a verdade transparecerá, não apenas no falar, mas, sobretudo, no próprio agir, no caminho que se fez, nos legados que deixou.

Teu sim será sim, e o não será não, como disse o meu Filho, dispensando explicação de contradições, que devem ser evitadas, porque fragilizaria o testemunho do Evangelho que crês, anuncias e testemunhas.

Serás feliz em teu progresso espiritual e tuas amizades sobreviverão porque foram construídas em bases sólidas da confiança, da mútua ajuda, seja nos momentos em que o voo foi mais alto, ou na iminência do cair num abismo: amigos voam com os sonhos e projetos do amigo, e tudo fazem para que não vejam o limite profundo do abismo.

Progredirás na Lei do Senhor, e não usarás nenhum meio ou recurso ilícito para que não acumules riquezas pecaminosas, alcance prestígio ou fama, contrariando os princípios que crês e pregas, e te embriagues com néctar do poder, com atitudes autoritárias e tirânicas”.

Vamos, com a Sabedoria Divina, na Lei do Senhor progredindo, e que se cumpra a Palavra de Deus em nossa vida: “Mas, como está escrito, ‘o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu’. A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus” (1 Cor 2,9-10).

Vamos progredindo na fraternidade, no amor e na sinceridade.


 

Sejamos Sal e luz na planície do quotidiano ( Homilia do 5º Domingo do Tempo Comum- Ano A)

Sejamos Sal e luz na planície do quotidiano

… quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo.

A Liturgia do 5º Domingo do tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre o compromisso que abraçamos no dia de nosso Batismo, quando nos tornamos cristãos, discípulos missionários do Senhor.

Fazer brilhar a luz de Deus na noite do mundo, e como sal dar gosto e sentido de Deus a todo o existir, é a nossa grande missão.

Na primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 58, 7-10), em tempos difíceis do pós-exílio, mantém viva a chama da esperança de um tempo novo, expressando a reclamação de Deus contra aqueles que praticam um culto vazio e estéril: de nada adianta a prática de leis externas, que não saem do coração, sem a necessária correspondência na vida.

O Profeta faz, portanto, um convite ao Povo para que respeite a santidade da Lei, colocando-a em prática. De modo especial, retrata na passagem o jejum, que no contexto do capítulo aparece sete vezes.

A prática do jejum deve ser feita com humildade diante de Deus, como expressão da dependência, do abandono e amor para com Ele, a renúncia a si próprio, a eliminação do egoísmo e da autossuficiência.

Jejum é voltar-se para o Senhor, manifestando a entrega confiante em Suas mãos, em total disponibilidade de acolher a ação e o dom de Deus, em gestos concretos de amor e solidariedade.

Deste modo, o jejum jamais pode ser compreendido como uma tentativa de colocar Deus do nosso lado, captando Sua benevolência a fim de que realize prontamente nossos interesses e desejos egoístas.

Somente a prática do jejum autêntico é que levará a comunidade a ser e contemplar a luz de Deus no mundo.

Ø Somos levados a nos questionar sobre a relação entre os gestos cultuais e gestos reais de nossa vida. Expressam ambos em sintonia a misericórdia e o Amor de Deus?

Ø De que modo o que celebramos tem determinado a nossa vida?

Ø Que matiz o Amor Divino tem dado as nossas ações?

Ø Somos uma luz acesa na noite do mundo, em solidariedade expressiva?

Ø Somos como Isaías, Profetas do amor e servidores da reconciliação para um mundo novo justo e fraterno?

O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura (1Cor 2,1-5), nos exorta a identificação com Cristo, interiorizando a “loucura da Cruz”, que é dom e vida. Deus age através de nossa fragilidade e debilidade, como agiu através dele, um homem frágil e pouco brilhante.

Diante da comunidade de Corinto, o Apóstolo se apresentou consciente de sua fraqueza, assustado e cheio de temor.

O que levou os coríntios a abraçar a fé não foi a sedução de sua personalidade, nem suas brilhantes qualidades de pregador (que não possuía), e tão pouco a coerência de sua exposição, que ao contrário foi acolhida com ironia e indiferença.

O que levou os coríntios a aderirem à proposta de Jesus foi a força de Deus que se impõe, muito além dos limites de quem apresenta ou ouve a Sua proposta.

O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração daquele que crê, de forma que a sabedoria humana é suplantada e, assim, somos tocados e elevados pela sabedoria divina.

É preciso que nos coloquemos sempre como humildes instrumentos nas mãos de Deus, para que se realize Seu Projeto de Salvação para o mundo todo.

Com isto não quer dizer que Deus dispense nossa entrega, doação, técnicas, meios de comunicação, ao contrário, é o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.

A mensagem do Evangelho (Mt 5,13-16) é o desdobramento do Sermão da Montanha que, se verdadeiramente vivido na planície, nos faz sal da terra e luz do mundo.

Seguidores do Senhor não podem se instalar na mediocridade, jamais se acomodar, mas pôr-se sempre a caminho, sem nenhuma possibilidade para comodismo e facilidades.

Ser sal e luz implica em total fidelidade dos discípulos ao programa anunciado por Jesus nas Bem-Aventuranças: ser pobre em espírito, misericordioso, puro, sedento de justiça e paz e capaz de sofrer toda forma de incompreensão, calúnia e perseguição.

Ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente no testemunhar do Reino em ambientes adversos. Não se pode viver um cristianismo “morno” instalado, cômodo, reduzindo a algumas práticas de Oração e de culto (até mesmo de uma Missa apenas aos domingos, como simples expressão de preceito cumprido).

Somente quando o nosso agir revela a ação e o compromisso com o Projeto Divino é que somos sal da terra e luz do mundo, e apresentamos Jesus como a Luz de todos os Povos, de todas as nações.

Somente quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo.

Discípulos missionários do Senhor devem se preocupar permanentemente em não atrair sobre si o olhar de todos, mas deve, antes e sempre, se preocupar em conduzir o olhar e o coração de todos para Deus e à Proposta de Seu Reino de Amor, Vida e Paz.

Sendo sal, que jamais percamos o gosto, do contrário para nada serviremos. Sendo luz, que jamais permitamos que ela se apague, não obstante as dificuldades próprias da existência.

Que tenhamos a coragem de comunicar a luz de Deus na escuridão do quotidiano, sem jamais perder o gosto do sal de Deus: gosto da partilha, do acolhimento, da misericórdia, da caridade.  Tão somente assim a luz de Deus, que em nós habita pelo Seu Espírito, comunicará luz aos que se encontram ao nosso redor.

Sal e luz, sejamos sempre! Sermão da Montanha ouvido e acolhido, na planície da vida anunciado, testemunhado e corajosamente vivido. Amém!

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                                                                                              Sal e luz

Na missão de ser sal da terra e luz do mundo, à luz da passagem do Evangelho proclamado no 5º Domingo do Tempo Comum (ano A) – (Mt 5,13-16), destacam-se quatro características do testemunho cristão:

1 – A publicidade: a luz, por sua natureza, existe para iluminar, para se mostrar visível e pública, e não para ficar escondida. Não se pode ficar no anonimato.

2 – A universalidade: sal da terra e luz do mundo. No entanto, esta universalidade que Jesus anuncia deve começar pelos últimos, a fim de que os primeiros também sejam incluídos: os últimos devem ser os primeiros, e assim não haverá nenhuma possibilidade de exclusão.

3 – A consistência: o testemunho se dá pelas obras e não pelas palavras ou teorias. Não se pode incorrer na tentação das palavras em excesso. É preciso as obras de misericórdia (Mt 25,31), pela partilha realizada, pela Palavra de Deus colocada em prática (Mt 7,21).

4 – Transparência: o discípulo, na prática das boas obras, não concentra a atenção sobre ele próprio, mas leva os outros a dirigirem o olhar para Deus, que é nosso Pai – “Vendo as vossas boas obras, glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus” (M 5,16). De fato, Jesus foi a verdadeira transparência do Pai pelas palavras, obras e na Sua própria Pessoa – “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9). (1)

Somente com as obras de misericórdia (corporais e espirituais), seremos, de fato, sal e luz.  Não seremos também pelas obras do poder, da riqueza ou do sucesso, mas do amor vivido concretamente em solidariedade concreta com os empobrecidos.

Este é o caminho que todo o discípulo de Jesus deve fazer, assim como o Apóstolo Paulo e tantos outros, o caminho da fraqueza da Cruz e não o caminho do poder ou da glória.

Supliquemos a Deus que estas características: publicidade, universalidade, consistência e transparência, estejam presentes em nosso agir, assim como em todas as nossas atividades pastorais. E assim, na fidelidade ao Senhor, confiando em Sua Palavra, Pessoa e presença, seremos da terra o sal e do mundo a luz.

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                                                                          Sejam nossas palavras temperadas com sal

“Que a palavra de vocês seja sempre agradável, temperada com sal, de tal modo que saibam responder a cada um como convém” (Cl 4,6)

O Apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Colossenses (Cl 4, 2-6), nos exorta a viver na vigilância e na oração.

Vejamos o que nos diz a Nota da Bíblia Edição Pastoral:

“O texto é perpassado por um clima de oração. Os motivos para rezar são diversos: para permanecer vigilantes com relação às doutrinas estranhas, para render graças pela salvação alcançada, para que a Palavra continue seu caminho missionário, para que o Projeto de Cristo seja conhecido (Rm 6,12-14; Ef 6,18-20). Por causa desse Projeto, Paulo está preso (Cl 4,3.10.18). Palavra ‘temperada com sal’ é o modo como os antigos se referiam à palavra sábia e oportuna”.

Deste modo, reflitamos sobre a necessária vigilância, acompanhada de oração, para que nossas palavras sejam agradáveis, temperadas com sal, ou seja, sábias e oportunas, em todos os momentos e em todas as situações.

Na Carta aos Efésios (Ef 4,29), o Apóstolo também nos diz:

“Que da boca de vocês não saia nenhuma palavra que prejudique, mas palavras boas para a edificação no momento oportuno, a fim de que façam bem para aqueles que as ouvem”.

Roguemos a Deus para que a Sua Palavra esteja sempre em nossos lábios e coração, pois a boca fala do que o coração está cheio, nos disse o Senhor Jesus (Lc 6,45).

Sejamos iluminados pelo Espírito do Senhor, para que não nos faltem palavras sábias e oportunas para corrigir, exortar, edificar, na vida familiar, eclesial e social.

Sejam nossas palavras acompanhadas de conteúdo necessário para que se tornem credíveis, com o sal necessário para “temperar” novos e saborosos relacionamentos fraternos.

Sejam nossas palavras “temperadas com sal” na exata medida, para que venhamos a dar sabor a vida de tantos quantos convivemos: palavras sábias, equilibradas e que retratam o desejo e o compromisso de um mundo melhor.

Urge que aqueles que conduzem o “rebanho” tenham sempre palavras temperadas com o sal na exata medida, para que sejam revigorados em sua fé, renovados na esperança e inflamados na caridade.

Oremos, finalmente, por todos os que nos governam para que também não faltem a estes palavras temperadas com sal, para que sejam credíveis em suas palavras e atitudes na promoção do bem comum, na promoção de uma sociedade justa e fraterna.

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                                                                                            Resplandeçamos a luz divina

No 5º Domingo do Tempo Comum, ao ouvirmos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,13-16), sejamos enriquecidos com esta Catequese batismal escrita por São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja (séc. V).

“Realmente, assim como aqueles que ao mostrarem sobre as vestes na altura do peito as insígnias imperiais destacam-se diante de todos, da mesma forma nós, que de uma vez por todas fomos revestidos de Cristo e considerados dignos de tê-Lo morando em nós, se verdadeiramente O queremos, mediante uma vida perfeita, até mesmo silenciando, poderemos mostrar a força d’Aquele que reside em nós.

E da mesma forma que agora a desenvoltura de vosso vestuário e o brilho das vestimentas atrai todos os olhares, assim também, e para sempre – contanto que o queirais e conserveis o resplendor de vossa régia vestimenta –, podereis com muito mais rigor que agora, por meio de uma conduta perfeita segundo Deus, atrair a todos os que observam um mesmo zelo e para a glorificação do Senhor.

Por essa razão, Cristo dizia de forma incontestável: brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. Observa como Ele exorta a que brilhe a luz que existe em nós, não através das vestes, mas mediante as obras?

De fato, ao dizer: brilhe vossa luz, acrescentou: para que vejam as vossas boas obras. Esta luz não se detém nos limites dos sentidos corporais, mas sim ilumina as almas e as mentes dos que observam, e, após dissipar a treva da maldade, persuade aos que a recebem para que iluminem com luz própria e imitem a virtude.

Brilhe, diz, a vossa luz diante dos homens. E disse bem: diante dos homens. ‘Vossa luz seja tão grande que não somente ilumine a vós, mas que ilumine também diante dos homens que necessitam da sua abundância’.

Portanto, como esta luz sensível afugenta a obscuridade e faz que caminhem corretamente os que tomaram este caminho sensível, assim também a luz espiritual que provém da conduta louvável ilumina aos que têm a vista da mente enturvada pela obscuridade do erro, e são incapazes de ver com precisão o caminho da virtude, limpa a remela dos olhos de suas mentes, os guia para o bom caminho e faz que de agora em diante caminhem pelo caminho da virtude.

Para que vejam vossas obras e glorifiquem ao vosso Pai que está nos céus. ‘Vossa virtude, diz, vossa perfeição na conduta e o êxito de vossas boas obras desperte aos que observam a glorificar ao comum Senhor de todos’.

Assim, cada um de vós, vo-lo suplico, coloque todo o seu empenho em viver com tal perfeição que eleve para o Senhor o louvor de todos os que vos contemplam.” (1)

Somos exortados a fazer resplandecer a luz divina que em nós habita, através de nossa conduta, expressa em boas obras, para a honra e glória de Deus.

Como discípulos missionários do Senhor, urge que façamos progressos contínuos na perfeição de conduta, deixando-nos iluminar e guiar pela Palavra de Deus, tendo-a na mente e no coração, de tal modo que também poderá ser vista em nossas obras.

Fazemos a luz de Deus brilhar, quando não dissociamos a Palavra de Deus do Pão da Eucaristia, e movidos pela chama da Caridade, pomo-nos a caminho, em atitude missionária, em todos os âmbitos da existência.

Eis a missão da Igreja, portanto, eis a missão de todos nós.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – pp.129-130

Festa da Apresentação do Senhor: Jesus Cristo é a nossa Luz e Salvação ( Homilia- Domingo 02 de fevereiro)

“Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” ( Lc 2,35)

No dia 2 de fevereiro, celebramos a Festa da apresentação do Senhor no Templo de Jerusalém: aquela criança é o Menino Deus, é o Messias Libertador tão esperado pelo Povo de Deus, no pleno cumprimento da Lei de Moisés.

Ele veio trazer a Salvação e a luz para todos os povos, na entrega de Sua vida, por amor, totalmente nas mãos do Pai, culminando no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

De fato, Jesus Cristo viveu em entrega total, desde os primeiros momentos de Sua existência terrena, e nos convida, como discípulos missionários, ao mesmo fazer: uma total entrega de nossa vida nas mãos do Pai, fazendo de nossa existência um dom de amor, um testemunho de compromisso e participação na construção do Reino de Deus.

Na primeira Leitura, a Liturgia nos apresenta a passagem do Livro do Profeta Malaquias (Ml 3,1-4), que nos fala do dia do Senhor, o dia de Sua vinda, em que Deus vai descer ao encontro do Seu Povo para a criação de uma nova realidade.

Malaquias, que significa “o meu mensageiro”, tem um anúncio sobre o Dia do Senhor, uma mensagem de confiança e esperança. Virá o Sol da Justiça. Este Sol é o próprio Jesus que brilha no mundo e insere a humanidade na dinâmica de um mundo novo, que consiste na dinâmica do Reino.

Trata-se do período pós-exílio da Babilônia, uma realidade marcada pelo desânimo, apatia e falta de confiança. O Profeta Malaquias convoca o Povo de Deus à conversão e à reforma da vida cultual, pois vivendo a fidelidade aos Mandamentos da Lei Divina reencontrará a vida e a felicidade.

Numa situação difícil vivida pelo povo, é preciso viver a espera vigilante e ativa, reconhecendo a presença de Deus que intervém e comunica Sua força e poder. É preciso fortalecer a esperança, vencendo todo medo que paralisa.

De fato, não há nada pior do que situações como esta: o perigo da perda do sentido da vida e o sentimento de que Deus tenha nos abandonado.

O Profeta Malaquias, porém, traz uma mensagem de confiança e esperança: Deus vem sempre ao encontro da humanidade. O Senhor que veio, vem e virá sempre ao nosso encontro, como expressão do Amor de Deus por nós, amor que não nos abandona, que nos reconcilia e quer criar em nós o bem, porque criaturas amadas Suas somos, desde sempre, obra de Suas mãos.

Também nós somos chamados a viver a dimensão profética de nossa fé, denunciando tudo o que impeça a vida verdadeira, através de uma mensagem de confiança e esperança em Deus que jamais nos abandona.

Na fidelidade ao Senhor, urge testemunhar um Deus cheio de amor e sem limites por nós, atento aos dramas que marcam a caminhada humana, e que não permite que mergulhemos na apatia, imobilismo ou comodismo, mas que sejamos compromissados com o novo céu e a nova terra, onde habitam a verdade, a justiça e a paz.

Como profetas, é preciso intensificar nosso diálogo permanente com Deus, meditando Sua Palavra, na oração e, de modo especialíssimo, na Eucaristia.

Na segunda Leitura, ouvimos a passagem da Carta aos Hebreus (Hb 2,14-18), escrita por um autor anônimo.

Ele nos apresenta Jesus Cristo, o Sacerdote por excelência, que oferece ao Pai o sacrifício de Sua vida, no serviço do plano Salvador de Deus, através do qual nasce o Homem Novo, livre de toda e qualquer forma de escravidão.

Trata-se, portanto, de uma Carta escrita a destinatários que vivem em situação difícil, expostos a perseguições, e que vivem em ambiente hostil à fé.

Uma situação de desalento e desesperança tomava conta da comunidade a que pertenciam. Daí o eminente perigo da perda do fervor inicial e o ceder às seduções de doutrinas que não são coerentes com a fé transmitida pelos apóstolos.

A Mensagem Catequética: os discípulos devem olhar para a Cruz de Jesus Cristo, interiorizar o seu significado, e a Ele seguir no dom total da própria vida, numa entrega radical e serviço simples aos mais humildes, assim como Ele o fez.

O autor estimula a vivência do compromisso cristão, levando os crentes a crescerem na fé, reavivando o fervor inicial.

Sendo o Cristo o Sumo Sacerdote que nasceu no meio de nós, vestiu a carne mortal, solidarizou-Se com a nossa humanidade, conheceu nossas limitações e fragilidades e Se oferece por nós, todos os que n’Ele creem, assim  deve o Seu discípulo o mesmo fazer: entregar sua vida num contínuo sacrifício de louvor, de ação de graças e de amor.

O discípulo missionário do Senhor é testemunha do amor de Deus, um amor total, ilimitado e incondicional.

Deste modo, carrega sua cruz quotidiana na mesma atitude de Jesus: solidariedade com os crucificados deste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são privados de sua dignidade:

“Olhar a Cruz de Jesus e o seu exemplo significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a sua vida por amor…”. (1)

Crer no Senhor e testemunhar o amor, pois somente o amor vivido gera a vida nova e nos introduz no dinamismo da vida nova dos Ressuscitados, na comunhão solidária, na alegria e na esperança.

Na passagem do Evangelho (Lc 2,22-40), contemplamos Maria e José que levam o Menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo, e o testemunho dado por Simeão e Ana.

Normalmente, contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios dolorosos, assim como os gloriosos e luminosos.

Simeão, homem justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma. Referindo-se a missão d’Aquela criança, luz das nações, salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos.

Simeão e Ana são figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e acolher o Messias de Deus: reconhecem n’Aquela criança o Messias Libertador que todos esperavam e O apresentam formalmente ao mundo.

Os Santos Padres da Igreja dizem que, nesta apresentação, Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção, com a qual Ele estava comprometido desde o princípio.

Iluminadoras as palavras de São Bernardo  (séc. XII):

“Oferece teu Filho, Santa Virgem, e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece, para reconciliação de todos nós, A Santa Vítima que é agradável a Deus”.

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo. E Maria é a Mãe da humanidade. O dom da vida vem através de Maria.

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo e a  Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada, porque veio habitar no meio da humanidade a Luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Urge que façamos de nossa vida uma agradável oferenda ao Senhor, lembrando que oferta há de ser um agradável sacrifício, celebrado no altar do Sacrifício do Senhor.

Ofertar nossa vida quotidianamente implica em sacrifícios, constantes renúncias, tomando nossa cruz, e, com serenidade e fidelidade, segui-Lo, até que um dia, possamos fazer da cruz instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.

Hoje, ao acolher Jesus como nossa Luz e Salvação, renovamos a alegria e o compromisso de anunciá-Lo e testemunhá-Lo ao mundo.

Concluindo, é tempo de viver a graça do Batismo e testemunhar Jesus Cristo, a nossa Luz e Salvação. É tempo de sermos sal, fermento e luz no coração do mundo.

Deus jamais nos deixará sozinhos na escuridão da noite.

Não há noite eterna para a Fonte de Luz eterna!

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/festa-da-apresentacao-do-senhor-jesus.html?m=0

Fonte inspiradora – www.dehonianos.org

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“Festa da Apresentação do Senhor” 

Anunciar Aquele que foi apresentado!

A Festa Litúrgica da Apresentação do Senhor, que celebramos dia 02 de fevereiro, teve sua origem no séc. IV, inicialmente no oriente.

No pleno cumprimento da Lei de Moisés, Maria e José levam o menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo.

Normalmente contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos, que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios dolorosos:

Quando Simeão, o justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma, referia-se a missão Daquela criança, luz das nações, Salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos…

A apresentação do Senhor no templo não era apenas cumprimento de um ritual prescrito, de modo que os Santos Padres dizem que é muito mais:

Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção com a que Ele estava comprometido desde o princípio…

Vejamos o que nos diz São Bernardo (séc. XII), sobre a Apresentação do Senhor:

“Oferece teu filho, Santa Virgem,

e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre.

Oferece, para reconciliação de todos nós,

A Santa Vítima que é agradável a Deus” .

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo…

Maria é assim a Mãe da humanidade…

O dom da vida vem através de Maria…

Festa da Apresentação do Senhor:

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo.

A Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada.

Ele é a luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Acender as velas nesta celebração, e caminhar com elas nas mãos, é acolher Jesus como nossa luz e nossa salvação e, ao mesmo tempo, o compromisso de anunciá-Lo ao mundo.

Aquele que foi apresentado no templo, uma vez acolhido, também ao mundo deve ser apresentado, e isto acontece quando vivemos a graça do Batismo e somos sal da terra e luz do mundo, fazendo de nossa vida, uma agradável oferenda ao Senhor.

Ofertemos nossa vida quotidianamente com sacrifícios, constantes renúncias, lembrando que toda oferta é sacrifício, mas há de ser agradável sacrifício celebrado no Altar do Sacrifício do Senhor.

Assim, tomando nossa cruz com

serenidade e fidelidade segui-Lo,

Até que um dia possamos fazer da Cruz

instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.

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Criança, um dom precioso de Deus

“E Jesus crescia em tamanho, sabedoria

e graça diante de Deus”  (Lc 2,52)

Naquele dia, aquela Criança era o próprio Deus apresentado no templo:

Jesus, Aquele que salva, o Messias, o esperado, o Cristo, o ungido de Deus.

Tão frágil, tão meigo, ali, com Maria e sob a proteção de José,

Esposo de Maria, guardião do Salvador, cumprindo o prescrito na Lei do Senhor.

Simeão, tendo Jesus em seus braços, bendisse a Deus e exclamou:

“Agora, Senhor, segundo a Vossa Palavra, deixareis ir em paz o Vosso servo,

Porque os meus olhos viram a Vossa Salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos;

Luz para Se revelar às nações e glória de Israel, Vosso povo” (Lc 2,29-32).

De Ana, que do templo não se afastava, de idade avançada,

Servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações, com alegria transbordante,

Louvava a Deus, e falava d’Aquele Menino com o coração pleno de alegria,

A todos que esperavam a muito a libertação de Jerusalém.

Maria e José, voltando com o Menino para a cidade de Nazaré,

Edificavam a Sagrada Família com laços indestrutíveis e eternos de amor,

trabalho, Silêncio e oração, fidelidade…

Possibilitavam que o Menino Deus

Crescesse e Se tornasse robusto e cheio da sabedoria,

porque a graça estava com Ele.

Hoje, diante da comunidade reunida para a Ceia Eucarística,

Também apresentamos esta criança, dom precioso de Deus.

Que, com a proteção de Maria, Mãe de Deus e nossa,

Esta criança tenha todas as possibilidades de crescer e ser feliz.

Que não falte a ela, a semente da Palavra no coração plantada,

Em primeiro lugar, pelos seus pais, primeiros catequistas de seus filhos.

Que não lhe falte o pão de cada dia, para que também cresça

Com saúde, vida, fortaleza de corpo e espírito.

Hoje apresentada na celebração do Banquete da Eucaristia,

Amanhã, não apenas apresentada, mas, pelo Pão de Eternidade,

Participando da Eucaristia, seus pecados serão destruídos,

As virtudes crescerão e a alma será plenamente saciada de todos os dons espirituais.

Amém.

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“Festa da Apresentação do Senhor”:
“Salve, mãe da alegria celeste”
                                                             Rezemos com o Hino do Bispo São Sofrônio à Santíssima Virgem:
“Salve, mãe da alegria celeste;
Salve, tu que alimentas em nós um gozo sublime;

Salve, sede da alegria que salva;
Salve, tu que nos ofereces a alegria perene;

Salve, místico lugar da alegria inefável;
Salve, campo digníssimo da alegria inexprimível.

Salve, manancial bendito da alegria infinita;
Salve, tesouro divino da alegria sem fim;

Salve, árvore frondosa da alegria que dá vida;
Salve, mãe de Deus, não desposada;

Salve, Virgem íntegra depois do parto;
Salve, espetáculo admirável, mais alto que qualquer prodígio.

Quem poderá descrever o seu esplendor?
Quem poderá contar o seu mistério?
Quem será capaz de proclamar a sua grandeza?
Você adornou a natureza humana.
Você superou as legiões angélicas,
Você superou toda criatura, 
Nós a aclamamos: Salve, cheia de graça!”
Salve Rainha mãe de misericórdia…
 Dom Otacilio Ferreira de Lacerda
                                                                                           http://peotacilio.blogspot.com/?m=1

Ser Padre: missão de resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja

“O Concílio deseja ardentemente iluminar todos os homens com a claridade de Cristo, luz dos povos, que brilha na Igreja, para que o Evangelho seja anunciado a todas as criaturas (cf. Mc 16,15)”. (1)

De modo especial, através do Ministério Presbiteral verdadeiramente, a luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja, bem como na vida de todo cristão.

Quando foram ordenados presbíteros, foi dito pelo bispo: “Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem do Rei Melquisedec”, para fazer resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja.

Renovem dia pós dia esta imensa graça, com uma vida em que o anúncio da Palavra seja acompanhado do indispensável testemunho.

Procurem viver o que celebram, em perfeita sintonia, levando muitos a contemplarem o resplandecer da luz de Cristo no rosto da Igreja, a que devem estar sempre a serviço.

Sejam instrumentos da publicidade da luz, numa vida simples, coerente, pois a luz não existe para ser escondida, como nos falou o Senhor no Evangelho. Quando se possui a luz de Deus, quando ela foi acesa no coração é impossível guardá-la para si.

Jamais escondam ou permitam apagar a chama do amor de Deus acesa, comunicando a universalidade da luz do amor pelos últimos, sem se esquecer dos primeiros; a luz do amor pelos pobres, pelos pequeninos, pelos humildes, enfermos, e outros tantos rostos com quem Ele Se identificou (Mt 25).

Comuniquem a consistência da luz da Palavra Divina, que não se reduz às palavras, teorias, discursos, discussões, mas em obras concretas de amor, justiça, perdão, fraternidade, humildade, compaixão e solidariedade.

Nesta comunicação da transparência da luz divina, façam de tal modo que não atraiam ninguém para si, mas para Aquele que nos chama e envia: Jesus, o Bom Pastor.

Seja a transparência de suas vidas, como Presbíteros, por causa de suas obras, motivação para que muitos glorifiquem o Pai que está nos céus (Mt 5, 16).

Sejam instrumentos da perfeita comunhão, na fidelidade a Jesus, Divino Mestre da unidade e da paz, fortalecendo a família do Senhor, que se une pelo laço da fé e da prática da Palavra Divina.

Sejam alegres servidores numa Igreja ministerial, misericordiosa e missionária, como nos exorta o Papa Francisco, levando a Boa-Nova e luz do Senhor ao mundo todo.

Comuniquem esta luz, na noite sombria de um mundo marcado por tantos sinais de morte e exclusão.

Vivam o Ministério numa crescente devoção a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus, que os tornará cada vez mais compadecidos e solidários com a dor dos pobres, verdadeiramente Sacerdotes conforme o Coração de Jesus.

Padre Hermes e Padre Adão, que a luz de Cristo resplandeça no rosto da Igreja pelas suas vidas e Ministério Presbiteral, em comunhão com todos os cristãos leigos e leigas da Igreja.

Sejam, portanto, sal da terra e luz do mundo, contando sempre com a força indispensável que nos vem da oração sincera, pura e confiante, com a proteção do Arcanjo Miguel, Padroeiro de nossa Diocese. Amém.

Dom Otacilio F. Lacerda
Bispo de Guanhães

Fonte inspiradora: Primeiros parágrafos da Constituição “Lumen Gentium” – Luz dos Povos – sobre a Igreja (1)

 

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