A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Amor sem limites – Homilia VII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Amor sem limites

A Liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum (ano C) nos convida a crescer no amor ao próximo, ainda que este próximo seja nosso inimigo, alguém que nos magoou, ferindo-nos profundamente.

Somos vocacionados para viver um amor total, amor sem limites, vivendo a lógica do amor e não a lógica da violência.

Do alto da Cruz, Jesus Cristo nos ensina a perdoar – “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Na passagem da primeira Leitura, ouvimos o Primeiro Livro de Samuel (1Sm 26,2.7-9.12-13.22-23).

Davi é a experiência de quem viveu uma nova lógica do amor, da misericórdia e do perdão e encontrou correspondência/recompensa de Deus. Sendo um homem de coração magnânimo, tendo a possibilidade da eliminação de seu inimigo, escolhe a atitude de perdão.

Com a passagem da segunda Leitura (1 Cor 15,45-49), continuamos a refletir sobre a Ressurreição. Crer nela é viver um amor com radicalidade e sem limitações, crendo no anúncio do mundo novo que nos espera além da terra, da própria morte.

A Ressurreição é a passagem para uma nova vida, onde continuaremos a ser nós próprios, mas sem os limites da materialidade do nosso corpo.

“A morte é o fim da vida; mas fim entendido como meta alcançada, como plenitude atingida, como nascimento para um mundo infinito, como termo final do processo de hominização, como realização total da utopia da vida plena. Sendo assim, haverá alguma razão para temermos a morte ou para vermos nela o fim de tudo – uma espécie de barreira que põe definitivamente fim à comunhão com aqueles que amamos?” (1)

A fé na Ressurreição nos liberta do medo de agir, de denunciar as forças de morte que oprimem e desfiguram o mundo.

A nossa corporeidade é oportunidade para o amor sem limites até que possamos mergulhar no horizonte infinito do amor de Deus, com um corpo celestial que é impossível de ser descrito.

“Que temos a perder, quando nos espera a vida plena, o mergulho no horizonte infinito de Deus – onde nem o ódio, nem a injustiça, nem a morte podem pôr fim a essa vida total que Deus reserva aos que percorreram, neste mundo, os caminhos do amor e da paz?” (2).

Na passagem do Evangelho (Lc 6,27-38), Jesus exige de Seus seguidores, um coração sempre disponível para o perdão, para a acolhida, de modo que vejamos no outro, mesmo no inimigo, um irmão nosso; por isto Jesus é a expressão máxima do amor e do perdão:

“Jesus vai muito mais além do que a doutrina do Antigo Testamento. Para Ele é preciso amar o próximo; e o próximo é, sem exceção, o outro – mesmo o inimigo, mesmo o que nos odeia, mesmo aquele que nos calunia e amaldiçoa, mesmo aquele de quem a história ou os ódios ancestrais nos separam” (3).

Portanto, o amor é a única forma para desarmar o ódio e a violência, e assim, somos chamados ao amor e ao perdão, para alcançar a verdadeira felicidade: não viver o perdão é carregar a inutilidade de um peso que somente nos faz mal.

Nesta passagem, encontramos a “regra de ouro”: “o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também” – o amor não se limita a exclusão do mal, mas num compromisso sério e objetivo com o bem em favor do próximo.

Concluindo, os últimos séculos, que tem sido marcado pela violência (Guerras mundiais), desafiam-nos a inverter a lógica e a espiral da violência, num amor sem limites para recriarmos um mundo novo, mais justo e fraterno.

Cremos que a violência gera sempre mais violência e que somente o amor desarma a agressividade e transforma os corações dos maus e dos violentos.

Cremos na força desarmada do amor, que Jesus nos ensinou e até o fim viveu, e quer que o mesmo façamos.

Oremos:

“Ó Deus, que no Vosso Filho, despojado e humilhado na Cruz, revelastes a força do Amor, abri o nosso coração ao dom do Vosso Espírito e despedaçai as cadeias da violência e do ódio, para que, na vitória do bem sobre o mal, demos testemunho do Vosso Evangelho de paz. Amém”.

(1); (2); (3) – www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

A prática das Bem-Aventuranças na construção do Reino – Homilia – VI Domingo do Tempo Comum – Ano C

A prática das Bem-Aventuranças na construção do Reino

No 6º Domingo do Tempo comum (ano C), a Liturgia nos convida a refletir sobre o caminho para o alcance da verdadeira felicidade.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 17,5-8), o Profeta Jeremias nos alerta que viver prescindindo de Deus é percorrer um caminho de morte, renunciando à felicidade e à vida plena.

É preciso vencer toda atitude de autossuficiência e egoísmo, tendo em Deus total confiança e esperança, pois “Prescindir de Deus e não contar com Ele significa construir uma existência limitada, efêmera, raquítica, a que falta o essencial, como um arbusto plantado no deserto, condenado precocemente à morte” (1).

Reflitamos:

– Quais são as referências fundamentais para a construção de nossa vida?

– Onde estão a nossa segurança e esperança?

– De que modo vivemos nossa fidelidade a Deus?

Com a passagem da segunda Leitura (1 Cor 15,12.16-20), continuamos a refletir sobre o Mistério da Ressurreição, que é o fundamento de todo o nosso existir e de nossa fé, e a garantia de nossa própria Ressurreição.

O Apóstolo Paulo afirma que é feliz quem deposita a sua esperança no Cristo Ressuscitado: “A fé em Cristo Ressuscitado desemboca inexoravelmente na inquebrantável esperança de que também os cristãos ressuscitarão. O inverso também é verdadeiro: não esperar a ressurreição dos mortos equivale a não acreditar na ressurreição de Cristo. Não é possível desvincular uma coisa da outra” (2).

Reflitamos:

– Cremos na Ressurreição de Jesus e, por meio dela, a nossa?

– De que modo testemunhamos a fé na Ressurreição do Senhor?

Com a passagem do Evangelho (Lc 6,17.20-26), Jesus nos apresenta o “Sermão da planície”, de modo que a felicidade é alcançada por quem constrói a sua vida à luz dos valores sagrados com simplicidade e humildade, vencendo todo egoísmo, orgulho e autossuficiência, em total compromisso com os empobrecidos.

Deste modo compreendamos as Bem-Aventuranças não como lei, mas Evangelho, uma Boa-Nova que nos orienta e nos conduz para a construção do Reino de Deus.

Os pobres são, por sua vez, “os desprotegidos, os explorados, os pequenos e sem voz, as vítimas da injustiça, que com frequência são privados dos seus direitos e da sua dignidade pela arbitrariedade dos poderosos” (3).

A Salvação de Deus dirige-se, prioritariamente, a estes pois na sua simplicidade, humildade, disponibilidade e despojamento, estão mais abertos para a acolhida da proposta que Deus tem a oferecer por meio de Jesus Cristo:

Jesus louva os pobres que vivem ao mesmo tempo em dois mundos, o presente e o escatológico; ameaça os ricos que vivem em um só mundo, o mundo que escraviza quase inevitavelmente aquele que leva uma vida cômoda. O rico já está satisfeito com o que possui, que não entra no mais íntimo do próprio ser. O pobre, entretanto, só possui a solidão, mas a vive com uma coragem que o leva ao íntimo do seu ser, onde é percebido um mundo novo” (4).

De um lado, as Bem-Aventuranças manifestam que Jesus é enviado pelo Pai ao mundo para a libertação dos oprimidos; de outro, as “maldições”, que são os quatro “ais” de Jesus, “denunciam a lógica dos opressores, dos instalados, dos poderosos, dos que pisam os outros, dos que têm o coração cheio de orgulho e autossuficiência e não estão disponíveis para acolher a novidade revolucionária do ‘Reino’’” (5).

O Sermão, portanto, nos inquieta e nos questiona, porque nos convida a uma mudança, a um regresso a Deus e fazer progressos maiores ainda na prática do Mandamento do Amor a Ele e ao próximo; amor oblativo, amor que é sair de si mesmo e ir de encontro, sobretudo, dos que mais precisam:

“Em uma civilização de consumo, em que o dinheiro é o ídolo ao qual se sacrificam o homem e todos os outros valores, em um mundo superindustrializado e superseguro, em que não há mais lugar para a liberdade autêntica, só ‘o homem das bem-aventuranças’, o homem livre das coisas, pode fazer redescobrir a verdadeira face do homem” (6).

Reflitamos:

– De que modo o “Sermão da planície” nos questiona?

– Como vivemos as Bem-Aventuranças?

– Quais “ais” de Jesus, precisamos acolher em atitude de conversão?

Na Celebração Eucarística que participamos, subimos à Montanha Sagrada, onde Deus Se revela e nos envolve com Seu sopro. Respirando o ar de Deus, e refeitos de nossos cansaços, sofrimentos, marginalização, é-nos apresentada a proposta, o programa de Jesus a ser vivido na planície de nossas vidas.

Celebrar a Eucaristia é experimentar a força do Ressuscitado e romper com o velho mundo dos “ais”, e inaugurar o novo mundo das Bem-Aventuranças; rompendo todo egoísmo, prepotência, injustiça, exploração, um mundo sem Deus, logo, um mundo sem amor.

As Bem-Aventuranças são encarnadas quando vivemos com humildade, multiplicando gestos de partilha, solidariedade, comunhão e amor que inauguram relações mais fraternas.

Elas são caminhos para se viver com Deus e chegar até Deus, pois Ele nos criou para a felicidade, e esta somente com Ele, pois “o próprio Deus colocou no coração do homem um desejo íntimo de felicidade” (7).

(1)         (3) (5) – www.dehonianos.org

(2)        (4) (6) Missal Dominical – Editora Paulus – p. 1117
(7) Catecismo da Igreja Católica – n. 1718

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em  http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/a-pratica-das-bem-aventurancas-na.html

Com Deus não há fracassos – Homilia – 5º Domingo Domingo do Tempo Comum – Ano C

“Avancemos para águas mais profundas”

No 5º Domingo do Tempo Comum (Ano C) somos convidados a refletir sobre a nossa vocação e rever a sua história.

Com a passagem da primeira Leitura (Is 6,1-2a.3-8), refletimos sobre a vocação de Isaías: primeiramente vemos que a vocação é obra de Deus; também temos a objeção e o reconhecimento da condição impura daquele que é chamado; finalmente, a aceitação da missão pelo Profeta.

Como vemos,  a vocação profética é, invitavelmente, um caminho de cruz, superando o egoísmo, o medo e a preguiça, enfrentando todas as dificuldades, sofrimentos, conflitos e confrontos. É preciso ter sensibilidade para ouvir o apelo e chamado de Deus, e coragem para viver uma resposta a Ele na missão confiada.

Enriquecedora a afirmação do Missal Dominical:

“O homem não tem poder sobre Deus. Ora, o Profeta

não anuncia uma doutrina abstrata, meramente humana,

mas o Deus vivo; ele é Profeta se Deus Se lhe revela,

se o chama, se o envia. Revelação, vocação

e missão estão estreitamente unidas.”

Com a passagem da segunda Leitura (1 Cor 15, 1-11) refletimos sobre a Ressurreição, que por sua vez trata-se de uma realidade que dá forma à vida do discípulo, levando-o a enfrentar sem medo as forças da injustiça e da morte.

É o mais antigo querigma (anúncio) da Morte e Ressurreição de Cristo, já com ligação à redenção dos pecados. Paulo reafirma com vigor e paixão esta verdade.

O Apóstolo Paulo escreve para uma comunidade cujo contexto cultural é de não aceitação da unidade do corpo e da alma, com influências das filosofias dualistas (viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre) e com isto a dificuldade de aceitação da ressurreição integral do homem.

O Apóstolo anuncia a Ressurreição, e sua argumentação é clara e explícita: ressuscitaremos da mesma forma um dia, porque Cristo Ressuscitou, do contrário vazia é a nossa fé.

A Ressurreição de Cristo é um fato real, mas ao mesmo tempo sobrenatural e meta-histórico, porque ultrapassa completamente quaisquer categorias humanas de espaço e de tempo, e nos insere necessariamente no contexto da fé.

A fé na Ressurreição foi testemunhada pela transformação ocorrida no coração dos discípulos, antes cheios de medo, frustrados e acovardados, tornando-se intrépidos mensageiros e testemunhas de Jesus Cristo, Vivo e Ressuscitado.

Com a fé e presença de Jesus Ressuscitado, o medo cede lugar para a coragem; a frieza para o ardor e a missão se realiza pelo testemunho.

A comunidade cristã é chamada a fazer, ao longo da história, este mesmo itinerário de descoberta, superação, conversão e testemunho da força que vem do Cristo Vivo e Ressuscitado.

Na passagem do Evangelho (Lc 5, 1-11) contemplamos a presença e ação de Jesus que assegura  a grande pesca milagrosa. Contemplamos a ação de Deus que vai sempre ao encontro da humanidade, de suas necessidades, manifesta Sua ação gloriosa nos momentos de aparente fracasso transformando-os em êxitos que revelam Sua magnificência e onipotência e amor incondicional por nós.

A passagem pode ser dividida em três partes:

– A descrição do lugar da pregação de Jesus (v. 1-3);

– A pesca milagrosa (v.4-10a);

– O chamamento de Simão (v. 10b-11).

Estar na barca de Jesus (símbolo da Igreja) exige que escutemos a Sua Palavra e O reconheçamos como a presença de Deus em nosso meio; aceitando a Sua proposta libertadora e deixando tudo por Ele, com a certeza de êxito numa “pesca milagrosa”.

“A pesca extraordinária é símbolo da atividade futura de Pedro: o seu barco, ou seja, a Igreja, tem em nome de Jesus, a tarefa de ‘pescar’ os homens para o Reino dos Céus. E Jesus está sempre junto dos Seus para os ajudar” (1)

Reflitamos:

– Estamos na barca de Jesus, de fato?

– Escutamos Sua voz, Sua Palavra?

– Reconhecemos Sua presença em nosso meio?

– Aceitamos Sua missão libertadora a nos confiada?

– Somos capazes de tudo deixar por causa de Sua Proposta?

Sigamos Jesus como Isaías, Pedro, Paulo e tantos outros, crendo na força, ação e presença do Ressuscitado. É necessário que façamos como eles, nos reconhecendo pecadores para o verdadeiro encontro com o Senhor.

(1) Leccionário Comentado Tempo Comum – pág. 215

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda  em http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/com-deus-nao-ha-fracassos.html

Não há profecia sem a chama do Amor Divino- IV Domingo do Tempo Comum- Ano C

  • Não há profecia sem a chama do Amor Divino

No 4º Domingo do Tempo Comum (Ano C), continuamos a reflexão sobre a Missão de Jesus que é a missão da Igreja, sob a ação do mesmo Espírito que pousou sobre Ele e O acompanhou em todos os momentos na fidelidade ao Pai.

Nesta missão, como discípulos missionários, vivendo a vocação profética pelo Batismo, podemos viver experiências difíceis como perseguições, incompreensões, obstáculos a serem transpostos, mas o amor “ágape” fala sempre mais alto.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 1,4-5.17-19), contemplamos a figura do Profeta Jeremias que foi escolhido, consagrado e constituído Profeta por Deus.

Como os demais Profetas, trilhou um árduo caminho de sofrimento, solidão, risco por possuir uma consciência crítica, ser defensor da verdadeira paz, nutrir a verdadeira esperança e confiança na defesa dos pobres, tudo fazendo por amor.

O Profeta é por excelência alguém que se encontrou com Deus e Sua Palavra e aceitou viver o desígnio divino. Ninguém é Profeta por iniciativa própria.

Enviado por Deus, vive o caminho profético, conjugando e vivendo os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, edificar e plantar, consumindo-se e vivendo intensamente a missão por Deus confiada.

Reflitamos:

 Ontem Jeremias, e hoje quem são os Profetas, aqueles que têm olhos voltados para Deus sem desviar o seu olhar para a realidade na qual estão inseridos?

 Onde e como vivemos a vocação profética recebida no dia de nosso Batismo?

 Como estamos conjugando e vivendo os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, edificar e plantar?

A passagem da segunda Leitura (1Cor 12,31-13,13) aparentemente desconectada da primeira e do Evangelho, mas apenas aparentemente, pois se a virtude do Amor divino não nos mover, não nos impulsionar, jamais viveremos a vocação profética, não suportaremos o peso da cruz a ser carregada, quotidianamente, com as renúncias necessárias.

Trata-se do “hino ao amor” que já inspirou poetas e Profetas. Há quem chame esta passagem de “o Cântico dos Cânticos da Nova Aliança”.

Paulo retrata o amor como o dom maior e eterno a ser vivido por todo aquele que segue Jesus, e que possui uma superioridade incontestável sobre qualquer outro carisma.

O caminho do amor é o caminho mais seguro, mais acessível a todos, e consiste no caminho insubstituível que conduz à Salvação.

Não se trata de um amor qualquer, trata-se do amor-‘ágape’, onde não há resquícios de egoísmo, mas é o amor gratuito, desinteressado, sincero, fraterno, que se preocupa com o outro, sofre pelo outro, que procura o bem do outro sem nada esperar em troca.

O Apóstolo enumera 15 características ou qualidades do verdadeiro amor, sendo sete apresentadas de forma positiva, e as outras de forma negativa.

Resumindo, a passagem pode ser dividida em três partes:

1 – O confronto entre a caridade e os carismas – (13,1-3);

2 – As características principais e operativas da caridade – (13,4-7);

3 – A perfeição da caridade e sua perenidade – (13,8-13).

Reflitamos:

– Qual é a qualidade do amor que vivemos na comunidade cristã?

 Vivemos o amor cristão, o amor “ágape”, o amor generoso, por pura gratuidade?

Na passagem do Evangelho (Lc 4,21-30) descreve a rejeição enfrentada por Jesus, quando desprezado pelos habitantes de Nazaré e pelos próprios parentes, por não compreenderem e não aceitarem a Sua missão.

A missão de Jesus frustra na medida em que não propicia espetáculos. O Deus a quem Jesus vive fidelidade até o fim tem uma séria proposta de salvação a ser concretizada na vida daquele que crê.

Assim como os Profetas, o próprio Senhor enfrentou a incompreensão, a incredulidade, a solidão, o risco, a doação e autoentrega de Sua vida.

Reflitamos:

 Quem é Jesus para mim? Qual Sua missão e como a vivo?

 Como vivo a minha fidelidade a Jesus, como discípulo missionário?

 Quais as incompreensões e rejeições que passo por causa do anúncio e testemunho da Boa-Nova?

 Sinto alegria em continuar, sob a ação do Espírito, como Igreja, a missão de Jesus?

Concluindo: O amor é o “motor” de nossa missão, o amor-“ágape”: Cristo que ama em nós. Somos vocacionados para o amor, para a profecia, sob a ação do Espírito Santo.

Se inflamados por este amor, continuaremos nosso caminho vivendo a vocação profética, sendo no mundo luz, da terra o sal, sem jamais perder o sabor.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/nao-ha-profecia-sem-chama-do-amor-divino.html

A eficácia da Palavra Divina em nossa vida – Homilia – 3º Domingo do Tempo Comum Ano C.


A Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a refletir sobre a centralidade da Palavra de Deus e sua importância em nossa vida, para que não sejamos apenas ouvintes, mas alegres e convictos proclamadores e testemunhas.
A passagem da primeira Leitura (Ne 8,2-4a.5-6.8-10) nos apresenta uma verdadeira celebração da Palavra de Deus e sua eficácia. Primeiro fala da importância, depois sobre os preparativos necessários, de sua centralidade, sua proclamação e, por fim, a resposta de conversão ao apelo que ela traz ao povo.
Na passagem da segunda Leitura (1Cor 12,12-30), o Apóstolo Paulo compara a comunidade a um corpo, onde todos os membros são importantes para que a missão evangelizadora aconteça.
Com a passagem do Evangelho (Lc 1,1-4; 4,14-21), aprofundamos sobre a missão de Jesus, uma missão divina, libertadora, inauguradora de um novo tempo, de uma nova realidade.
Com Ele, o Ano da graça é instaurado, a alegria, a paz, a vida em plenitude nos é alcançada por Sua presença e ação em nosso meio, pois Ele age sendo a própria presença da Palavra de Deus com a unção do Espírito Santo.
A missão de Jesus é a missão da Igreja, que ungida pelo Espírito Santo, alimenta-se e encarna a Palavra de Deus na vida.
Reflitamos:
– Quais as realidades que nos desafiam?
– De que modo comunicamos a Boa-Nova de Jesus?
– Sentimo-nos como um corpo em comunhão de carismas, diferentes ministérios empenhados em prol da vida e na edificação da comunidade?
– Quanto mais formos unidos, maior será a eficácia da Evangelização. Sendo assim, como vivemos a solidariedade, a responsabilidade e a coparticipação em nossa comunidade?
– Como acolhemos a Palavra de Deus?
– O que ela provoca em cada um de nós?
– Ela nos alegra, ilumina, alimenta?
– Esvaziamos a eficácia da Palavra de Deus, apenas ouvindo sem colocá-la em prática?
– Cremos que o anúncio não é apenas para o outro que está ao nosso lado?
Renovemos nossas motivações, para que sejamos autênticos discípulos missionários do Senhor, seguindo-O, decidida e apaixonadamente, pois somente Ele tem palavras de vida eterna, como bem disse o Apóstolo Pedro  (cf Jo 6,51-58).
Oremos:
“Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o Vosso Amor, para que possamos, em nome do Vosso Filho, frutificar em boas obras. Por N. S. J. C. Amém.”

Somente o Senhor pode nos dar o Vinho Novo – Homilia – II Domingo do Tempo Comum- Ano C

Somente o Senhor pode nos dar o Vinho Novo

Com a Liturgia do 2º Domingo do Tempo Comum (ano C), aprofundamos nossa reflexão sobre a Aliança de amor de Deus para com a humanidade: Deus é sempre fiel, pronto para nos amar e nos assegurar a alegria, a festa, a felicidade plena, o “vinho novo”.

Na primeira Leitura, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 62,1-5), que nos apresenta o amor inquebrável e eterno de Deus, que renova e transforma o povo, simbolizado, aqui, na relação de esposo e esposa.

O período é de pós-exílio, e os poucos habitantes da cidade vivem em condições de extrema pobreza, trazendo à memória a humilhação passada, destruição, na espera da restauração do Templo, acompanhados do sonho de uma nova Jerusalém, com vida, alegria e paz.

O profeta nos apresenta o amor de Deus pelo seu Povo, um amor que nada consegue quebrar ou destruir: nem o próprio afastamento d’Ele, ou nosso egoísmo, recusas. Espera-nos de forma gratuita, convidando-nos ao reencontro, a refazer nossa relação de amor, a fim de gerar vida nova, alegria, festa e felicidade.

Reflitamos:

– Somos sinais vivos de Deus, com o Seu amor transparecido em nossos gestos?

– Nossas famílias são um reflexo do amor de Deus?

– Nossas comunidades anunciam ao mundo, de forma concreta, o amor que Deus tem pela humanidade?

Na segunda Leitura, ouvimos a passagem da primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1 Cor 12,4-11), que nos apresenta a comunidade enriquecida dos carismas, de modo que os dons devem ser colocados a serviço de todos, com toda a humildade e simplicidade, e não para uso exclusivo de alguns, em benefício próprio.

A comunidade, assim vivendo, manifesta o amor Trinitário, que a une ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Na passagem do Evangelho (Jo 2,1-11), conhecida como as “Bodas de Caná”, num contexto de casamento, acontece o primeiro “sinal”, que nos apresenta a Pessoa de Jesus e o Seu Projeto de vida: apresentar à humanidade o Pai que a ama, e, com Seu amor, convoca a todos para a alegria e a felicidade plenas, prefigurados na água transformada em vinho novo, de melhor qualidade.

O sinal em que Jesus transforma a água em vinho novo, não é uma “mágica”, mas a manifestação do Seu poder em transformar nossa realidade humana pelo amor/confiança em Sua Palavra.

Há um rico simbolismo na passagem:

– vinho: símbolo do amor (relação esposo x esposa);

– seis talhas – a imperfeição, a incompletude;

– talha de pedra – lembra as tábuas da Lei do Sinai e os corações de pedra de que falava o profeta Ezequiel (Ez 36,26);

– a purificação – evoca o amor de Deus que renova o Seu Povo;

– talhas vazias – não proximidade com Deus: de nada adianta todo aparato, se não houver proximidade de Deus, ficamos vazios.

Se em Deus confiarmos e fizermos o que Ele nos diz, jamais teremos um coração de pedra, e jamais seremos como “talhas vazias”; ao contrário, seremos como “talhas” preenchidas do melhor vinho do amor, bondade, ternura, perdão…

Seremos eternos partícipes de uma festa que nunca se acaba, e os carismas colocados a serviço serão sua máxima expressão, pois os carismas e dons que recebemos são para serem colocados a serviço da comunidade.

Uma comunidade madura na fé celebra sempre a Nova e Eterna Aliança do amor de Deus derramado por nós, do Seu lado trespassado pela Cruz, de onde jorrou Água e Sangue, prefigurando nosso Batismo e a Eucaristia, nosso Nascimento e nosso Alimento, em doação total de sua vida por amor à humanidade, por todos nós, quando éramos pecadores e não merecedores de tamanho amor:

“A Morte e Ressurreição de Cristo dão início a uma nova comunidade dos homens com Deus. Celebrar a Eucaristia quer dizer ‘renovar’ um gesto que constitui esta comunidade em Povo de Deus, sua Igreja.

O vinho, sangue de Cristo, é o sinal de seu amor indefectível pela Igreja, vinho que antecipa a festa da nossa assembleia que se plenificará nas núpcias eternas” .(1)

A melhor maneira de corresponder ao amor de Deus é colocar-nos a serviço, a partir dos carismas que cada um recebeu. Deste modo, nunca acabará o Vinho Novo, que Jesus veio trazer e pode a todo instante nos oferecer.

Reflitamos:

– O que nossos olhos e lábios revelam na relação com Deus?

– revelamos a alegria que brota de um coração cheio de amor, ou o medo e a tristeza que brotam de uma religião de pesadelo, de leis e de medo?

– Como vivemos as palavras que Maria nos disse naquele primeiro sinal – “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5)?

O primeiro sinal realizado por Jesus, levou muitos a crerem n’Ele  em Sua Pessoa e Projeto.

Jesus “toma a nossa vida, com as nossas alegrias, os nossos amores, as nossas conquistas humanas, importantes, mas tantas vezes efêmeras, com os nossos tédios, os nossos dias sem gosto e sem cor, os nossos fracassos e mesmo os nossos pecados, também eles ordinários.

E aí, Ele ‘trabalha-nos’ pelo Seu amor, no segredo para fazer brotar em nós a vida que tem o sabor do vinho do Reino. Isto, Ele cumpre-O em particular cada vez que participamos na Eucaristia. Façamos do ‘tempo ordinário’ o tempo do acolhimento do trabalho em nós do vinhateiro divino!” (2)

(1)         Missal Dominical – Editora Paulus – pp.1092-1093

Citação (2) e fonte de pesquisa da Homilia: www.dehonianos.org

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/somente-o-senhor-pode-nos-dar-o-vinho_19.html

Batizar-se e se tornar discípulo do Filho amado (Batismo Ano C)

Batizar-se e se tornar discípulo do Filho amado

“Tu és o meu Filho amado,

em Ti ponho o meu benquerer” (Lc 3,22)

Com a Liturgia da Festa do Batismo do Senhor (ano C), refletimos sobre a revelação de Jesus Cristo, o Filho Amado de Deus que veio ao mundo para salvar a humanidade, vivendo a nossa condição humana, igual a nós, exceto no pecado, assumindo nossa fragilidade e humanidade, para que, assim, nos libertasse do egoísmo e do próprio pecado, concedendo-nos vida em plenitude.

Temos, também, a graça de refletir e renovar os compromissos batismais, para que sejamos, verdadeiramente, sacerdotes, profetas e reis.

O Batismo do Senhor é apresentado de diferentes modos pelos Evangelistas São Marcos e São Lucas, que apenas fazem menção ao Batismo; São Mateus narra o Batismo de Jesus com mais pormenores, e São João, por sua vez, o evoca na ocasião em que Jesus chama os primeiros discípulos.

Cada um apresenta de modo próprio, mas são unânimes em reconhecer que, no momento do Batismo, Jesus é testemunha de uma manifestação divina, e assim é designado como “Filho muito Amado” enviado pelo Pai.

Esta teofania é o começo do Evangelho, uma vez que Jesus é investido solenemente na Sua Missão, pelo Pai e pelo Espírito Santo: Jesus tendo Se manifestado aos homens na realidade de nossa natureza, exteriormente semelhante a nós, para que sejamos renovados interiormente pela graça do Batismo, e, por Sua infinita misericórdia, através do perdão de nossos pecados.

Poderíamos falar de uma “ordenação messiânica”, ou seja, “Ele é Aquele que os Profetas, especialmente Isaías, anunciaram como o Servo que Deus constituiu como Aliança de um povo, Luz das nações, ‘o Soberano das nações’, ‘o Pastor que apascenta Seu rebanho’ e reúne as ovelhas dispersas.

Quem acredita n’Ele torna-se ‘filho de Deus, porque n’Ele ‘apareceu a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens’. Consequentemente, não se pode separar o Batismo de Jesus do Batismo recebido pelos seus discípulos” (1).

A primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7), trata-se de uma pequena passagem do “Livro da Consolação”, nome dado convencionalmente pelos biblistas, e refletimos sobre o primeiro Cântico do Servo Sofredor, que se refere a um excepcional enviado de Deus: manso e humilde de coração, infinitamente misericordioso com todos, com força interior invencível, e é constituído Luz das nações e Aliança de Deus com o Seu Povo.

Retrata a fase final do Exílio, um período muito difícil vivido pelo Povo de Deus, e o Profeta anuncia a reconstrução de Jerusalém, uma cidade que a guerra reduziu às cinzas, mas Deus, na Sua infinita bondade, vai fazer voltar a reinar a alegria e a paz sem fim.

Na figura do Servo mencionado pelo Profeta, vemos um instrumento através do qual Deus age no mundo para comunicar a salvação à humanidade:

“É alguém que Deus escolheu entre muitos, a quem chamou e a quem confiou uma missão – trazer a justiça, propor a todas as nações uma nova ordem social da qual desaparecerão as trevas que alienam e impedem de caminhar e oferecer a todos os homens a liberdade e a paz… O Servo contará com a ajuda do Espírito de Deus, que lhe dará a força de assumir a missão e de concretizá-la” (2).

Este Messias pacífico “estabelecerá a justiça sobre a Terra”, por isto os cristãos viram prefigurados neste Cântico a própria Pessoa de Jesus Cristo, o ungido do Senhor, o “Filho Amado de Deus”, como ouviremos no Evangelho, em Ti ponho o meu benquerer” (Lc 3,22).

Ele, Jesus, veio realizar esta missão, e os Seus discípulos darão continuidade a esta, não por iniciativa pessoal, mas certos de que a vocação profética é dom de Deus, e não uma iniciativa humana. É Deus quem escolhe, chama, capacita e envia para a missão e nos comunica o Seu  Espírito que nos fortalece, anima, ilumina…

A passagem da segunda Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38); a parte inicial do Querigma, em que nos é apresentado Jesus, Aquele que “passou pelo mundo fazendo o bem”, trazendo a libertação aos oprimidos, curando todos os que se encontravam oprimidos pelo demônio e através de Seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade e de amor, podemos ver o Projeto libertador de Deus se realizando.

Na segunda parte, nos fala da Salvação que se destina a todos os povos da terra, com o Batismo de Cornélio, pois se trata do primeiro pagão admitido ao cristianismo por um dos Doze Apóstolos, revelando, assim, que Deus não faz acepção de pessoas, de modo que não há como disseminar discriminações por qualquer motivo.

Comprometidos com Jesus e com Sua missão, desde o nosso Batismo, também somos chamados o mesmo fazer, como discípulos missionários Seus.

Na passagem do Evangelho (Lc 3,15-16.21-22)temos a realização da promessa profética, e Jesus é apresentado como o Filho de Deus, o Servo de Javé, enviado pelo Pai, sobre o qual repousa o Espírito Santo, com uma missão muito concreta a ser realizada.

Temos o encontro de Jesus com João Batista, às margens do rio Jordão, e Jesus recebe o Batismo de João (de purificação, arrependimento e perdão dos pecados), não porque necessitasse do mesmo, mas para revelar a Sua missão específica e a Sua verdadeira identidade: Jesus é o Messias anunciado pelos Profetas que Deus enviou para libertar o Seu Povo, comunicando vida plena e definitiva.

Jesus, ao receber o Batismo de João, Se solidarizou com o homem limitado e pecador, assumindo a sua condição e colocando-Se ao seu lado para sair desta situação. E neste sentido, Jesus cumpriu plenamente o Projeto do Pai.

O Que Deus espera de nós é que correspondamos ao Seu Amor, acolhendo e assumindo a Salvação que Jesus veio trazer, e este compromisso tem início com o nosso Batismo.

Inaugura-se um novo tempo para nós, para caminharmos com Jesus “que vai seguir, com toda a liberdade, o caminho de Jerusalém e nós iremos acompanhar, ao longo Ano Litúrgico, os Seus ensinamentos e redescobrir os sinais que Ele realiza.”

Deste modo, o Batismo de Jesus revela o início de Sua missão, e o nosso Batismo é a continuidade desta missão.

Vivamos o Batismo seguindo os passos de Jesus, vivendo em comunhão entre nós, tendo d’Ele mesmos sentimentos, como disse Paulo (Fl 2,5), vivendo na humildade, despojamento e obediência incondicional a Deus, com a força do Espírito.

Retomemos o Prefácio da Missa do Batismo do Senhor:

“Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o Mistério do novo Batismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o Vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo Vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a Boa-Nova aos pobres…”.

Oremos:

“Deus eterno e onipotente, que proclamastes solenemente Cristo como Vosso Amado Filho quando era batizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos Vossos filhos adotivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém

(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial – p. 224

(2) www.Dehonianos.org/portal

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos – Homilia

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos

Celebramos com toda a Igreja, a Solenidade da Epifania do Senhor, que é a manifestação (revelação) de Jesus como a Luz e Salvação de todos os povos: Deus não limitou o Seu Amor apenas àqueles que pertenciam ao povo judaico, mas ilumina todos os povos da terra.

Na passagem da primeira Leitura (Is 60,1-6), ouvimos o anúncio da chegada da luz salvadora de Javé, que não somente trará alegria para Jerusalém como atrairá para esta cidade de Deus, todos os povos do mundo todo.

O contexto da primeira Leitura é de retorno do Exílio, logo, contexto de desolação, sofrimento e o desafio de reconstrução da história. Jerusalém será restaurada com o regresso de muitos, e todos os povos convergirão para ela, inundando-a de riquezas, com louvores e cantos.

O Profeta é portador da mensagem que revela a fidelidade incondicional de Deus que jamais abandona e desiste do Seu povo, e está sempre pronto para oferecer salvação e vida plena e feliz.

Como comunidade que professa a fé no Senhor, também precisamos ser sinal de esperança no mundo, não permitindo que desavenças, conflitos, falta de amor e rivalidades ofusquem e enfraqueçam a nossa missão.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6), o Apóstolo Paulo nos apresenta o Projeto Salvador de Deus, que abrange toda a humanidade, reunindo todos os povos, judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos.

Trata-se de uma síntese catequética Paulina sobre o Mistério do Projeto Salvador de Deus, que se destina a todos os povos. De fato, em Jesus, a Salvação chegará a todos os povos.

É um grande desafio que a comunidade se torne mais fraterna, onde o amor seja vivido, superando toda e qualquer forma de distinção de raça, cor, status social.

Deste modo, as diferenças existentes são legítimas e são complemento da riqueza comum e jamais motivo para manifestação de indiferença e afastamento mútuo.

Na passagem do Evangelho (Mt 2,1-12), vemos a realização desta promessa na pessoa de Jesus, contemplada e testemunhada pela presença dos magos que vêm a Belém para adorá-Lo e oferecer os seus presentes (ouro/realeza, incenso/divindade e mirra/humanidade).

Os magos são astrólogos mesopotâmicos, aqui representando os povos estrangeiros, segundo a catequese do Evangelista Mateus.

A atitude destes se contrapõe literalmente à atitude de Herodes. Os magos adoram, e sentem uma grande alegria e O reconhecem como Seu Senhor; Herodes, por sua vez, e Jerusalém “ficam perturbados” diante na notícia do nascimento de Jesus e planejam a Sua morte. Os sacerdotes e escribas são indiferentes, pois não foram ao encontro do Messias que eles bem conheciam pelas Escrituras.

A atitude dos magos é profundamente questionadora para nós: viram a estrela e deixaram tudo; arriscaram tudo e vieram à procura de Jesus, em atitude de desinstalação total.

Eles vieram do oriente, onde se levanta o sol, e uma estrela iluminou a noite deles para sempre, porque se prostraram diante do verdadeiro Sol nascente que jamais Se põe: Jesus Cristo.

Os magos representam todas as pessoas do mundo todo que vão ao encontro de Cristo e que se prostram diante d’Ele:“… para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e sob a terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Fl 2, 10-11).

Esta é a imagem da Igreja, uma família de irmãos e irmãs, constituída de pessoas de todas as nações e raças, em adesão incondicional ao Senhor.

É preciso com os magos aprender, e o mesmo fazer.

É esta a grande e inesgotável riqueza da Solenidade da Epifania que celebramos: Jesus Se revela a nós como Salvador de todos os povos; é a estrela que guia e ilumina nossos caminhos.

Jesus vem realizar o Projeto de Salvação, que se destina a todos os povos: unidade com as diferenças e não a uniformidade.

Como os magos, é preciso que nos desinstalemos de nossas acomodações, seguranças; é preciso que nos coloquemos ao encontro da Luz. Jamais servir os “Herodes” que cruzarão em nossos caminhos; tão pouco sermos indiferentes ao melhor que Deus tem a nos oferecer.

Aprender com eles a ser como peregrinos na fé, atentos aos sinais de Deus e prontidão para seguir com generosidade e coragem; perseverantes, não obstante as dificuldades; fiéis à bondade de Deus contra toda maldade que possa surgir no caminho.

Ir ao encontro da Luz, o presente de Deus para a humanidade, Jesus, e também oferecer nosso presente, ou seja, o melhor de nós para Ele, jamais de mãos e coração vazios.

É preciso buscar novos caminhos para anunciá-Lo e testemunhá-Lo. Quantas vezes a estrela se manifesta a nós e optamos pela escuridão, luzes que se apagam tão rapidamente!

Reflitamos:

– Somos capazes de nos desinstalar e ir ao encontro do Senhor para adorá-Lo, anunciá-Lo e testemunhá-Lo, como convictos e alegres discípulos missionários Seus?

– Tanto se fala sobre uma “Igreja em saída” para anunciar o Evangelho. Neste sentido, o que os magos nos ensinam?

Somente Deus possui brilho incessante, porque o Amor é a Luz que resplandece eternamente no coração de quem busca e encontra, e que encontrando ainda falta tudo para encontrá-Lo, porque Deus é para nós um Mistério inesgotável de Amor.

A Solenidade da Epifania nos propicia um novo olhar para o ano que inicia: novos olhares, novos projetos, novos caminhos…

O ano está apenas começando.

 Solenidade de Maria, Mãe de Deus – Homilia

“Maria, a totalmente santa, toda consagrada

ao amor de Deus e ao amor dos homens.”

No dia 1º de janeiro, iniciaremos um Novo Ano, celebrando a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e o dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa São Paulo VI em 1968.

Contemplamos a figura de Maria que, com o sim dado ao Projeto de Deus, oferece ao mundo, Jesus, o Salvador da humanidade:

“A Solenidade da Mãe de Deus, no coração das celebrações do Natal, é um renovado momento de graça oferecido a todos nós para nos ajudar a aprofundar a contemplação do Mistério da Encarnação, para nos dizer uma vez mais que o Filho de Deus veio verdadeiramente na nossa carne humana, no tempo, através do corpo de uma mulher: Maria, a totalmente santa, toda consagrada ao amor de Deus e ao amor dos homens.” (1)

Na passagem da primeira Leitura (Nm 6,22-27), ouvimos a Bênção Sacerdotal, que nos revela a presença de Deus que caminha sempre conosco e nos derrama Sua bênção, comunicando vida em plenitude, uma comunicação de vida real e eficaz, agraciando àquele que foi abençoado com vigor, força, êxito, felicidade, prosperidade.

Com a bênção, Javé, além de conceder vida e proteção, faz brilhar Sua face, revela um rosto sorridente e favorável, concedendo a necessária graça, olhando-nos com benevolência e nos concedendo a paz, que consiste na plenitude dos bens e na felicidade plena.

Tudo recebemos de Deus: vida, saúde, força, amor e incontáveis sinais de Sua bondade, entretanto, é evidente que a bênção não é sinônimo de mágica, pois a bênção de Deus, derramada sobre nós continuamente, precisa ser acolhida com amor e gratidão e depois transformada concretamente em gestos de amor e paz. É preciso que nosso coração se abra à ação divina, para que esta nos atinja e nos transforme totalmente.

Na segunda Leitura (Gl 4,  4-7), mais uma vez, contemplamos o amor de Deus, que vem ao nosso encontro nascido de uma “mulher”, Maria, e por meio deste Filho nos tornamos livres e amados e podemos nos dirigir a Deus chamando de “abbá” (“papai”), consequentemente, filhos de Deus.

E fazendo esta experiência de filhos amados de Deus, a comunidade é vocacionada a criar e fortalecer os laços fraternos, sem marginalização ou exclusão, ou escravidão, como tão bem acenou o Papa Francisco em sua Mensagem para o dia Mundial da paz (2015): – “Já não escravos, mas irmãos”.

Na passagem do Evangelho (Lc 2,16-21), refletimos sobre a alegria e felicidade daqueles que acolhem o Menino Deus, que veio fazer morada entre nós e em nós, realizando assim o desígnio libertador de Deus no meio da humanidade.

Trata-se de um texto profundamente catequético, sem pretensões de “noticiário jornalístico”; tem o intuito de comunicar uma Boa-Nova e uma nova atitude:

– Jesus veio trazer a libertação. Qual é a nossa resposta?

Os pastores (pobres e marginalizados de todos os tempos) vão apressadamente ver o Menino, expressando o desejo de liberdade e a disponibilidade de coração; glorificam a Deus e dão testemunho do Menino.

Ressalte-se também a atitude de Maria, que “conservava todas estas Palavras, meditando-as no seu coração”, comunicando uma atitude de quem é capaz de abismar-se, encantar-se com a ação do Deus libertador; tem a sensibilidade para entender os sinais de Deus e a sabedoria da fé para compreendê-los à luz do Plano de Deus.

Tanto a atitude meditativa e contemplativa de Maria, como a atitude missionária dos pastores, devem ser atitudes que marquem a vida daquele que se torna discípulo missionário do Senhor: meditação, contemplação, missão, que deve ser realizada com alegria, como alegres mensageiros do Verbo que Se fez Carne e habitou entre nós.

“Fortalecidos com esta certeza de fé, somos impelidos, como os pastores do Evangelho, a anunciar aos irmãos a alegre Notícia de que Deus fez homem para tornar o homem participante da vida divina. O Salvador – nascido de uma mulher, como nós – assumiu a nossa humanidade para nos dar a Sua glória. Somos filhos no Filho bendito, que é também a nossa paz.” (2)

Finalizando, contemplemos a ação de Deus que agiu em nosso favor neste ano que termina, e peçamos Sua bênção e proteção para mais um ano, com a certeza de que também podemos contar com a presença e a ternura de nossa Mãe, Maria, Mãe de Deus e nossa em todos os momentos.

Feliz Ano Novo!

(1) Lecionário Comentado pp.293/294

(2) Idem p.294

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/a-solenidade-de-maria-mae-de-deus.html

A sagrada missão da família (Homilia Sagrada Família – ano C)

A sagrada missão da família

Celebrar a Festa da Sagrada Família (ano C) é ocasião favorável, para refletirmos sobre o papel fundamental que tem a família no Plano de Salvação que Deus nos propõe.

A família é uma pequena Igreja e deve ter algumas características já encontradas nas famílias descritas em trechos do Antigo Testamento: paz, abundância de bens materiais, concórdia e a descendência numerosa, como sinais da bênção do Senhor.

Assim vemos na passagem da primeira Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a): a obediência e o amor eram imprescindíveis no cumprimento da Lei; sinal e garantia de bênção e prosperidade para os filhos, mas também um modo de honrar a Deus nos pais, como encontramos no Livro do Êxodo (Ex 20,12) – “Honra teu pai e tua mãe”.

Os pais são instrumentos de Deus e fonte de vida, e como recompensa da prática deste Mandamento, os filhos obtêm o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

“Com razão se diz hoje que a família é o primeiro lugar da evangelização, provavelmente o mais decisivo.

Com efeito, é na família que a criança, mesmo muito pequenina, respira ao vivo a fé ou a indiferença.

Por aquilo que vê e vive, ela adverte se em sua casa – e na vida – há lugar para Deus ou não.

Nota se a vida se projeta pensando só em si mesmos, ou também nos outros.

Tudo isto para dizer que normalmente o modo de viver encontra as suas raízes na família.”  (1)

Na passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,12-21), o Apóstolo, depois de apresentar Jesus Cristo como Aquele que nos faz homens e mulheres renovados, porque ocupa lugar proeminente na criação e redenção da humanidade, exorta sobre o novo modo de relacionamento na família, onde os esposos e os filhos cristãos vivem a vida familiar como se já vivessem na família do Pai Celeste.

Revestidos do “Homem novo”, as relações são marcadas pela misericórdia, bondade, humildade, doação, serviço, compreensão, respeito pelo outro, partilha, mansidão, paciência e perdão.

Com a passagem do Evangelho (Lc 2,41-52), refletimos sobre a Sagrada Família, a fim que sejamos fortalecidos na multiplicação de esforços pela santificação de nossas famílias.

A fim de aprofundarmos sobre a missão da família retomemos a Exortação – “A Missão da família cristã no mundo de hoje”:

“… Os esposos são, portanto, para a Igreja o chamamento permanente daquilo que aconteceu sobre a Cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação da qual o Sacramento os faz participar.

Deste acontecimento de salvação, o matrimônio como cada Sacramento, é memorial, atualização e profecia:

«Enquanto memorial, o Sacramento dá-lhes a graça e o dever de recordar as grandes obras de Deus e de as testemunhar aos filhos;

enquanto atualização, dá-lhes a graça e o dever de realizar no presente, um para com o outro e para com os filhos, as exigências de um amor que perdoa e que redime;

enquanto profecia, dá-lhes a graça e o dever de viver e de testemunhar a esperança do futuro encontro com Cristo…»” .(2)

Enquanto memorial, o Sacramento do Matrimônio dá a graça e o dever aos pais de transmitirem a fé aos filhos, como primeiros catequistas que são.

Iniciá-los na caminhada de fé, buscando na Igreja os Sacramentos próprios. Tornar viva a memória da História da Salvação no coração dos filhos, de modo que seja perpetuada pelos filhos dos filhos, numa Catequese Permanente, da qual os pais também se inserem.

A família precisa ter no seu centro a Sagrada Escritura, e para ajudar a vivê-la, é preciso que tenha, conheça, aprofunde o Catecismo da Igreja Católica.

Enquanto atualização, tem a graça e o dever de ensinar e viver:
– O Mandamento do Amor a Deus e ao próximo;

– A supremacia da Eucaristia na mais bela comunhão das Mesas (da Palavra, da Eucaristia e do quotidiano);

– os mesmos sentimentos e pensamentos de Cristo Jesus, numa configuração total ao Senhor;

– as virtudes da Sagrada Família: acolhida, relacionamento, amor, doação, perdão, solidariedade, obediência e fidelidade ao Projeto Divino.

Enquanto profecia, a graça e o dever de serem testemunhas vivas de um mundo novo possível, que se consuma na eternidade, fazendo da família uma espécie de Igreja doméstica, em grande comunhão com a Igreja do Senhor.

Também empenhar-se para que a família seja uma experiência antecipada do céu, não obstante todas as dificuldades que possa viver.
Bem se sabe que não há família perfeita ou sem problemas, porém vencendo as dificuldades e construindo relações sólidas de amor mútuo, é uma sinalização do céu que começa no tempo presente.

Reflitamos:

– De que modo nossa família vive o Sacramento do Matrimônio, enquanto memorial, atualização e profecia?
– Como santificamos e solidificamos nossas famílias em sua sagrada missão?

Oremos:

“Ó Deus, que nos deixastes um modelo perfeito de vida familiar,
vivida na fé e na obediência à Vossa vontade na Sagrada Família,
damo-vos graças pela nossa família.
Concedei-nos a força para permanecermos unidos no amor,
na generosidade e na alegria de vivermos juntos.

Ajudai-nos na nossa missão de transmitir a fé
que recebemos de nossos pais.

Abri o coração dos nossos filhos
para que cresça neles a semente da fé
que receberam no Batismo.

Fortalecei a fé dos nossos jovens,
para que cresçam no conhecimento de Jesus.

Aumentai o amor e a fidelidade em todos os casais,
especialmente naqueles que atravessam sofrimentos
ou dificuldades.

Derramai a Vossa graça e a Vossa Bênção
sobre todas as famílias do mundo.

Unidos a José e a Maria,
nós Vo-lo pedimos por Jesus Cristo
Vosso Filho, Nosso Senhor. Amém” (3)

Fontes de pesquisa:
Missal Dominical, pp.100-101 e  www.dehonianos.org/portal

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – Volume Advento Natal – 2011 – p.255
(2) Exortação a Missão da família cristã no mundo de hoje – Papa São João Paulo II – 1981 –  parágrafo n.13
(3) Oração do V Encontro Internacional das Famílias, Valência, julho de 2006 – citada no Leccionário Comentado – pág. 262 – Advento/Natal.

A Palavra do Pastor
Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu – Homilia

Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu – Homilia

Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu Celebramos a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, que viveram total...
Read More
Livres para seguir o Senhor – XIII Domingo do Tempo Comum Ano C

Livres para seguir o Senhor – XIII Domingo do Tempo Comum Ano C

A Liturgia do 13º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a refletir sobre o discipulado na fidelidade ao...
Read More
Assumir a Cruz quotidiana com a força da Oração – 12º Domingo do Tempo Comum

Assumir a Cruz quotidiana com a força da Oração – 12º Domingo do Tempo Comum

A Liturgia do 12º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos interroga a respeito de Jesus: Quem é Ele para...
Read More
Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado 

Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado 

“Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo” Com a Solenidade de...
Read More
Ascensão: irradiar amor, vida e alegria – Homilia – Solenidade da Ascensão do Senhor

Ascensão: irradiar amor, vida e alegria – Homilia – Solenidade da Ascensão do Senhor

“Ali ergueu as mãos e abençoou-os” (Lc 24,50) A Solenidade da Ascensão aponta para o fim último de todos nós,...
Read More
A promessa do Paráclito- Homilia VI Domingo da Páscoa – Ano C

A promessa do Paráclito- Homilia VI Domingo da Páscoa – Ano C

A promessa do Paráclito A Liturgia do 6º Domingo da Páscoa (Ano C) tem como mensagem a promessa de Deus...
Read More
Amar como Jesus Ama: desafio e missão – Homilia – V Domingo da Páscoa – Ano C

Amar como Jesus Ama: desafio e missão – Homilia – V Domingo da Páscoa – Ano C

Amar como Jesus Ama: desafio e missão “Vede como eles se amam” (Tertuliano) A Liturgia do 5º domingo da Páscoa...
Read More
A voz do Bom Pastor – Homilia 4º Domingo da Páscoa – Ano C

A voz do Bom Pastor – Homilia 4º Domingo da Páscoa – Ano C

“Eu sou o Bom Pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem,  assim como o Pai me conhece e Eu...
Read More

“Ele está no meio de nós!” Aleluia! – Homila III Domingo de Páscoa Ano C

“Ele está no meio de nós!” Aleluia! Com a Liturgia do terceiro Domingo da Páscoa (Ano B), refletimos sobre o modo de...
Read More
A Fé no Ressuscitado é missão de paz! Segundo Domingo Tempo pascal – Ano C

A Fé no Ressuscitado é missão de paz! Segundo Domingo Tempo pascal – Ano C

A Liturgia do 2º Domingo da Páscoa (ano C), também chamado de Domingo da Misericórdia, nos convida a refletir sobre...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto:

Arquivo