Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano C)

 “Contemplemos e fiquemos abismados diante da mais bela História do Amor de Deus por nós:
Jesus Cristo, 0 Filho Amado do Pai.”

Com a Santa Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, iniciamos a Semana Santa, que culminará na Ressurreição do Senhor.

A Liturgia (Ano C) nos convida a contemplar a ação de Deus que veio ao encontro da humanidade, por meio de Jesus Cristo, que Se fez Servo, em doação total de Sua vida por amor, não fugindo do horizonte da Cruz sempre presente em Sua missão.

A passagem da primeira Leitura (Is 50,4-7) nos apresenta o terceiro Cântico de Javé, e a figura do Servo sofredor, que a fé cristã identifica perfeitamente com a Pessoa de Jesus Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte:

“A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e entrega da vida em favor de todos; e a Sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na Ressurreição que gera vida nova” (1)

O Servo sofredor escuta, sofre, resiste e confia na intervenção de Deus que jamais abandona aqueles a quem chama. O Profeta tem convicção de que não está só, e que a força de Deus é sempre mais forte do que a dor, o sofrimento e a perseguição, e que jamais ficará decepcionado.

Reflitamos:

– Temos coragem de fazer da nossa vida uma total entrega ao Projeto de Deus, no compromisso de libertação de tudo que seja sinal de morte e opressão?

– De que modo vivemos a vocação profética que Deus nos concedeu pela graça do Batismo?

– Temos confiança na força de Deus, como o Servo sofredor que é o próprio Senhor?

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda Leitura (Fl 2, 6-11), nos apresenta o exemplo de Jesus Cristo que viveu obediência, fidelidade e amor total ao Pai por amor à humanidade.

Embora a comunidade de Filipos, gozando de afeto especial do Apóstolo, seja entusiasta, generosa e comprometida, é exortada a aprofundar sua prática de desprendimento com maior humildade e simplicidade, como pode acontecer com toda comunidade que adere ao Senhor.

Paulo nos apresenta, portanto, numa breve e densa passagem, a missão de Jesus:

“Em traços precisos, o hino define o ‘despojamento’ (‘Kenosis’)  de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a Sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o Ser e o amor do Pai.

Não deixou de ser Deus, mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse ‘abaixamento’ assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma morte infamante – a Morte de Cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do Amor radical, da entrega total da vida” (2).

Em consequência disto, Deus o fez “Kyrios” (Senhor), para reinar sobre toda a terra e sobre toda a humanidade.

A comunidade dos seguidores de Jesus haverá de fazer sempre este mesmo caminho de despojamento, amor, doação e fidelidade total a Deus, para alcançar a glória da eternidade.

A passagem do Evangelho (Lc 22,14-23,56) nos apresenta a Paixão de Nosso Senhor Jesus. Com Lucas, o terceiro Evangelista, contemplamos a Paixão de Jesus: uma vida feita dom e serviço, culminando na morte de Cruz, em que revela o Amor de Deus que nada guarda para Si, que Se faz um dom total para que sejamos redimidos.

A mensagem central: a morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino, que provocou tensões, resistências pelos que detinham o poder religioso, econômico, político e social do Seu tempo.

A morte de Jesus é o culminar de Sua vida: “é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com Sangue), daquilo que Jesus pregou com Palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço” (3).

Sua morte deve ser entendida no contexto do que foi a Sua vida. Sendo assim, o Seu projeto libertador entrou em choque com as autoridades de Seu tempo: as autoridades políticas e religiosas se sentiram incomodadas com Sua denúncia, palavra e ação.

Em Sua morte na Cruz, aparece o Homem Novo, modelo para todo aquele que ama radicalmente e que faz de sua vida um dom de si para todos.

O Evangelista acentua alguns aspectos: a ceia como dom total de Jesus; a atitude de serviço (Lc 22,24-27); Deus não abandona Jesus, com a presença do anjo, quando Ele derrama “suor de sangue” (Lc 22, 42-44); Deus vem ao nosso encontro e manifesta Sua presença em gestos de bondade, revelando a misericórdia divina; somente Lucas menciona Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus atrás d’Ele (Lc 23,26), os demais mencionam a solicitação apenas de Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus (Mt 27,32; Mc 15,21).

Contemplemos a Paixão e Morte de Jesus como a concretização do amor de Deus, que veio ao nosso encontro, assumiu nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, venceu as tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai:

“…estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco até o fim dos tempos: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes. Por isto, Dante definiu São Lucas como o ‘escriba da misericórdia divina’”. (4)

Que a celebração da Semana Santa, rica em espiritualidade, repleta de ritos significativos, renove nosso apaixonamento por Jesus, assim como Ele foi um apaixonado de Deus Pai, com a força e presença do Espírito Santo, em todos os momentos.

Contemplemos a misericórdia de Deus, na ação e Pessoa de Jesus, e sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6,36).

(1) (2) (3) (4) www.dehonianos.org.br

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