Michel Hoguinelle

Apresentação do Senhor: missal prevê bênção e procissão das velas no início da missa

Neste domingo, 2 de fevereiro, a Igreja celebra a festa litúrgica da Apresentação do Senhor. Também conhecida como Festa das luzes, tem em seu início a bênção e a procissão das velas que, segundo o Missal Romano, pode ser realizada de duas formas. Este rito inicial é popularmente conhecido como a “candelária”. Também neste dia se faz presente a devoção popular a Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora da Luz.

Nesse domingo todas as nossas celebrações iniciam com essa indicação do Missal Romano: a procissão com as velas, onde o sacerdote, a assembleia e o povo com as velas acesas recordam aquele dia em que Maria e José levaram a verdadeira luz, daí se fala tanto de luz nessa Festa da Apresentação do Senhor, porque Maria e José seguem a tradição do seu povo e vão justamente apresentar Jesus no templo”, explica o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Leonardo José Pinheiro.

A festa da Apresentação do Senhor ocorre quarenta dias após o Natal e é a ocasião, como ensina o Missal, quando Simeão e a profetisa Ana impulsionados pelo Espírito Santo também foram ao templo e “reconheceram o seu Senhor naquela criança e o anunciaram com júbilo”.

“Jesus é reconhecido por Simeão e pela profetisa Ana como a Luz que deve iluminar todas as nações, portanto, e trazendo presente a devoção popular de Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Luz, porque ela carrega a luz no colo, apresentando no templo”, situa padre Leonardo.

As orientações para esta celebração, bem como os passos da procissão e da bênção, estão no Missal Romano (p. 547 ss), no Diretório de Liturgia (p. 54-55) e no subsídio litúrgico “Igreja em Oração” (p. 28 ss).

Devoção a Nossa Senhora

Neste dia 2 de fevereiro, a diocese de Guarabira (PB) celebra a padroeira diocesana, Nossa Senhora da Luz. Alguns catedrais celebram o título de Nossa Senhora da Candelária, em Corumbá; Nossa Senhora da Luz, Guarabira e Luz; e Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava.

Resgate histórico

Em conformidade com a Lei de Moisés (cf. Ex 13, 1-2.11-16; Lv 12, 1-8), quarenta dias após o nascimento de Jesus, “Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresenta-lo ao Senhor” (Lc 2, 22).

Essa festa da apresentação teve origem no oriente e era celebrada no dia 15 de fevereiro, quarenta dias após o nascimento de Jesus, celebrado em 6 de janeiro. No século VI a festa se estendeu ao ocidente e passou a ser celebrada no dia 2 de fevereiro, quarenta dias após o natal, celebrado no ocidente em 25 de dezembro. Inicialmente, em Roma, a Apresentação foi unida a uma festa de caráter mais penitencial. No século X, na Gália, essa festa foi organizada com uma solene bênção das velas e procissão, que ficou conhecida popularmente como a “candelária”.

Fonte: subsídio Igreja em Oração

Especialista defende a necessidade de construir nas redes sociais a “casa comum digital”

Em artigo publicado na edição nº 30 da Revista Bote Fé, da Edições CNBB, o jornalista e doutor em Ciências da Comunicação, Moisés Sbardelotto, fala da convivência nas redes sociais. Ele lançou recentemente o livro “E o Verbo se Fez rede. Religiosidades em Reconstrução no Ambiente Digital”. Com o título, “Por uma casa comum digital”, Moisés inicia o artigo com uma provocação: “Diga-me o que curtes e te direi se vou te odiar”.

Para ele, nas redes sociais digitais e na internet em geral, o ódio vem ganhando cada vez mais espaço, alimentado por superficialismos, fundamentalismos, preconceitos, discriminação e intolerância. “E isso ocorre até mesmo nas relações dentro da própria Igreja”, escreveu destacando ainda que o próprio Papa Francisco já denunciou as “redes de violência verbal” compostas por cristãos e cristãs, que toleram até a difamação e a calúnia (Gaudete et exsultate, GE 115).

O especialista em comunicação lançou duas perguntas em seu artigo: O que fazer, então, diante de tantos haters, de tantos “odiadores” que poluem o ambiente digital? Como educar para a convivência em rede? Para ele, uma primeira resposta é educar para a mansidão humilde. “Felizes os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5,5). Diante da raiva e do ódio, um cristão “evita a violência verbal que destrói e maltrata”, afirma o papa (GE 116).

Para Moisés, nem todos estão realmente dispostos a ouvir e a dialogar, portanto, nem tudo merece resposta. “Às vezes é melhor recorrer a um silêncio ativo e consciente”, disse. O Papa Francisco reconhece que alguém poderia objetar: “Mas, se eu for manso assim, pensarão que sou insensato, estúpido ou frágil”. E ele mesmo responde: “Deixemos que os outros pensem isso. É melhor sermos sempre mansos (…). Reagir com humilde mansidão: isto é santidade” (GE 74).

Por outro lado, adverte o autor, para bem conviver no ambiente digital, é preciso educar para um alegre discernimento. “Não deixe que o joio sempre presente lhe roube a alegria do Reino”, disse o Papa Francisco em sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2018.

O “joio”, segundo o autor, é uma presença constante e inevitável em qualquer ambiente de comunicação. Ele cresce em todo e qualquer terreno (cf. Mt 13,24-30). Nem todo mundo vai concordar ou gostar de nós e dos nossos pontos de vista. “Por isso, não precisamos perder a paz e a alegria quando o ‘joio’ dos haters é semeado nas nossas timelines. Mas podemos, sim, separá-lo do ‘trigo’ da boa comunicação e depois ‘queimá-lo’ na boa e santa indiferença amorosa, como nos ensina Santo Inácio de Loyola (1491-1556)”, reforça.

O autor afirma ainda ser preciso educar para o amor social, que se expressa, segundo Francisco, em “pequenos gestos de cuidado mútuo (…) que procuram construir um mundo melhor” (Laudato si’, n. 231). “Isso se explicita também no estilo próprio de presença cristã no ambiente digital, caracterizado por quatro pilares, segundo o Papa Emérito Bento XVI. Trata-se de uma forma de comunicação honesta (pautada pela verdade e pela coerência); aberta (em diálogo com todas as pessoas, sem exclusões); responsável (com postura ética, assumindo as consequências daquilo que se comunica e do modo como é comunicado); e respeitadora do outro (acolhendo as diferenças e buscando juntos o bem comum)”, enumera.

Ele defende que conviver em rede é tentar construir uma verdadeira “casa comum digital”. “Para isso, é preciso reconhecer em toda e qualquer pessoa do outro lado da tela um irmão e uma irmã, com quem formamos uma única e mesma família humana”.

Fonte: CNBB – (https://bit.ly/2RGPgIW)

Estudo e resumo do texto-base da CF-2020

APRESENTAÇÃO

 Na Campanha da Fraternidade (CF) 2020, somos convidados a olhar com mais atenção para a vida. Constata-se que a vida das pessoas chegou a um ponto que esbarra em uma série de angustiantes indagações.

  1. O que aconteceu conosco?
  2. Por que vemos crescer tantas formas de violência, agressividade e destruição?
  3. Perdemos, de fato, o valor da fraternidade?

Em meio a tantas questões, a CF 2020 convoca à reflexão sobre o significado mais profundo da vida e a encontrar caminhos para que esse sentido seja fortalecido ou reencontrado. É por isso que a CF 2020 proclama: a vida é Dom e Compromisso! Seu sentido consiste em ver, solidarizar-se e cuidar. Significa não passar cego às dores das pessoas.

Diante de tanta indiferença se torna urgente testemunhar e estimular a solidariedade (Mateus 25,45). Não temamos se nos sentirmos pequenos diante dos problemas. Lembremo-nos de Santa Dulce dos Pobres, mulher frágil no corpo, mas uma fortaleza peregrinante pelas terras de São Salvador da Bahia de todos os Santos. Santa Dulce dos Pobres é testemunho irrefutável de que a vida é dom e compromisso. É Santa Dulce dos Pobres, que intercede por nós no céu.

BOM SAMARITANO: COMPAIXÃO E CUIDADO COM A VIDA

 

A CF 2020 toma como referência a Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10, 25-37). A Parábola do Bom Samaritano é composta por personagens anônimos. O Sacerdote e o Levita, desviam-se do homem ferido, pois não tinham tempo para ele. O Samaritano aproxima-se da vítima dos salteadores e, movido pela compaixão, gasta seu tempo, ficando com ele à noite na hospedaria. No dia seguinte paga as despesas da sua estadia e promete retribuir ao dono da hospedaria tudo o que por ventura gastasse a mais para cuidar daquele que sofreu o assalto.

A postura inesperada do Samaritano contém o centro do ensinamento de Jesus: o próximo não é apenas alguém com quem possuímos vínculos, mas todo aquele de quem nos aproximamos. Não é a Lei, vínculo sanguíneo ou ligação afetiva que estabelecem as prioridades, mas a compaixão, que impulsiona a fazer pelo outro aquilo que nos é possível, rompendo com toda indiferença. A lei é esta: todos devem ser amados, sem distinção.

Ser capaz de sentir compaixão é a chave da obediência à vontade de Deus, que ama toda a criação: Servir! Ver! Sentir, ter compaixão e cuidar é o autêntico Programa Quaresmal.

Quaresma é tempo de abertura ao mistério da dor, morte e a cruz do Crucificado, Vencedor da Morte. A Igreja recorda que esse caminho do calvário e vitória de Cristo, exige de nós jejum, oração e a esmola. No jejum somos conectados à dor dos que tanto sofrem pela falta de vida digna. A oração, diálogo de amor e amizade, é aproximação que nos possibilita sermos tocados pelo amor e ternura de Deus. A esmola é a partilha de vida, cuidado amoroso que nasce da liberdade da renúncia para a entrega amorosa. Jesus é o verdadeiro bom Samaritano que se aproxima dos homens e das mulheres que sofrem e, por compaixão, lhes restitui a dignidade perdida. A entrega de Jesus na cruz é apenas o culminar desse estilo que marcou toda a sua vida.

I PARTE “VIU”

VIU, SENTIU COMPAIXÃO E CUIDOU DELE (LUCAS 10,33-34)

Na Parábola do Bom Samaritano, Jesus apresenta duas formas de olhar: uma que é indiferente: vê, mas passa adiante (sacerdote e levita); e outra que vê, permanece, envolve e se compromete (samaritano). Somente contemplando o mundo com os olhos de Deus (o olhar samaritano), é possível perceber e acolher o grito que emerge das várias faces da pobreza e da agonia da criação (DGAE 2019/2023 n. 102).

O olhar que vê e segue representa toda indiferença e desprezo pela vida do outro. Não se engane: mesmo os que estão próximos ou atuantes na Igreja, muitas vezes, podem ter o olhar maldoso, viciado e cansado. É preciso sempre exercitar a mesma perspectiva do olhar virtuoso que Cristo nos ensina. Muitos santos procuraram viver em suas vidas o olhar samaritano do nosso Salvador, que os levou a superar as dores, as injustiças e as violações de direitos, convencidos de que Deus criou o infinito para a vida ser sempre mais.

O OLHAR DA INDIFERENÇA GERA AMEAÇAS À VIDA

O aborto é realidade que ameaça a vida desde o ventre materno. Da mesma forma, o desprezo pela vida se manifesta por meio de projetos que querem regularizar a eutanásia e o suicídio assistido, garantindo o que chamam de direito de antecipação da morte. Também temos que citar a realidade de milhares de crianças órfãs que perderam suas famílias, sobretudo em tempos de violência e migração forçada.

Outros cenários que agridem a vida humana no Brasil são estes: 1- Desemprego: No 1º trimestre de 2019, a taxa de desemprego atingiu 12,7% da população. (840 mil novos empregos formais em 2019) 2- Desolação: Cresce igualmente o número de pessoas desoladas, que desistiram de procurar emprego. 3- Miséria: O número de pessoas vivendo a miséria extrema já somam 13,5 milhões. (Com falsas promessas de governos passados) 4- Ansiedade: Por todos estes problemas, o Brasil é considerado o país mais ansioso e estressado da América Latina. 5 – Suicídio: Em 2016, houve 11.433 mortes por suicídio, ou seja, 31 casos de suicídio por dia. Os jovens, entre 15 e 29 anos, estão entre as maiores vítimas do suicídio, a 4ª maior causa de morte nessa faixa etária.  6 – Violência no Trânsito: Nos primeiros seis meses de 2018, foram 19.398 mortes e 20 mil casos de invalidez permanente no país. 53,7% dos acidentes são causados pela negligência ou imprudência dos motoristas. 7 – Feminicídio: Em 2017, a cada dez feminicídios, registrados em 23 países, quatro ocorreram no Brasil. Naquele ano 2.795 mulheres foram assassinadas, das quais, 1.133 no Brasil. 8- Disputa pela água: Perto de um milhão de pessoas foram envolvidas nos conflitos pela água. Os ribeirinhos e pescadores foram vítimas preferenciais. As mineradoras são responsáveis por metade pelas disputas pela água. Em 2017, o conflito pela água provocou 71 assassinatos, sendo 31 em cinco massacres.

OUTRAS AMEAÇAS À VIDA

Uma série de ameaças à vida está batendo em nossas portas por intermédio dos meios de comunicação e das redes sociais, confundindo os cristãos, iludindo as famílias, atraindo jovens para uma mentalidade permissiva disfarçada de progresso científico. Na verdade, são propostas que excluem as pessoas e descartam vidas inocentes. Essas ameaças têm nome: aborto, eutanásia, suicídio assistido, eugenia (seleção de seres humanos pelas suas qualidades genéticas), tráfico de drogas, de pessoas e de órgãos, entre outros.

O individualismo marca de tal maneira as relações, que a vida corre o risco de ser vista não mais como Dom e Compromisso, mas como um peso ou como algo de que a pessoa possa dispor a seu bel prazer. O ser humano, e sua capacidade de ser “feliz” passam, nesta perspectiva, a ser avaliado pelo que produz e pelo que consome. Tudo isto indica a banalização da vida e a relativização da existência, o enfraquecimento do conceito de pessoa e até a justificativa legal de modalidades de homicídios e extermínios humanos, sob a alegação de conquistas de direitos.

AS OMISSÕES DO ESTADO

Em nossos dias, temos assistido uma transformação na concepção da ação Estatal, cujas preocupações parecem estar mais voltadas para o aspecto econômico do que para o cuidado das pessoas. A incapacidade do Estado de frear a violência (números caindo em 2019) contribui para a banalização do mal, na medida em que grupos de extermínio determinam os que devem viver e os que devem morrer, sempre tendo em vista o bem estar do mercado. (O que não implica em uma economia fraca)

O OLHAR QUE DESTRÓI A NATUREZA

Nos últimos anos, vem crescendo a consciência de que, articulada com o desrespeito ao ser humano, encontra-se a agressão à natureza. Precisamos ter consciência de que nós, seres humanos, estamos incluídos na natureza e somos parte dela. O mal feito ao ser humano interfere negativamente no meio ambiente. O mal feito ao meio ambiente interfere afeta o ser humano. Portanto, não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise em dois lados de uma mesma moeda: sócio / ambiental.

O domínio da economia que não olha para as pessoas, mas para outros interesses, é o motor da desigualdade social que agride a vida, não só do ser humano, mas de todo o planeta. Um alerta: Olhando somente o lucro e não para a saúde das pessoas, a agricultura no Brasil é campeã mundial no uso de pesticidas, (ver dados oficiais no Ministério da Agricultura) alternando a posição, dependendo da ocasião, apenas com os Estados Unidos. Como exemplo, tomemos o feijão, presente nos pratos dos brasileiros, que tem um nível do inseticida – malationa – 400 vezes maior daquele permitido pela União Europeia.

O OLHAR DA INDIFERENÇA EXCLUI A VIDA

O mercado que seduz ao consumismo desenfreado atropela a vida dos mais pobres sem escrúpulo nem constrangimento algum. Com isso cresce a indiferença com a situação dos mais frágeis e se desenvolve a cultura da invisibilidade e do descartável, que é como podemos melhor descrever a indiferença.

Junto à indiferença, há outro inimigo que tem crescido em nossos dias: o ódio. A indiferença e o ódio, em todas as suas formas, paralisam e impedem que se faça o que é justo até mesmo quando se sabe o que é justo. A indiferença é um vírus que contagia perigosamente a nossa época, que cada vez mais aglomera pessoas em conjuntos habitacionais ou condomínios verticais e horizontais, porém sempre menos atentos e distantes afetivamente do próximo. Por essa razão, a CF 2020 deseja fomentar uma cultura do cuidado, da responsabilidade e da proximidade, estabelecendo uma aliança contra todo tipo de indiferença e ódio.

O OLHAR DA SOLIDARIEDADE SOCIAL

O olhar da fé, ao mesmo tempo em que identifica sombras, deve, indispensavelmente, identificar luzes. Com esperança vemos surgirem e se consolidarem serviços da escuta nas comunidades, de ajuda e vitória sobre as drogas. Também há a experiência de visitas missionárias às famílias em situação de risco. Isso tudo deve nos trazer alegria.

É incontável o número de pessoas que, pública ou anonimamente, dedicam sua existência a promover e defender a vida. Por exemplo, destacamos os 74 mil voluntários da Pastoral da Criança que, em todo o Brasil, atendem mais de 800 mil crianças. Na nossa Paróquia temos a Pastoral da Saúde, os Anjos da Paz, a parceria com o os “Irmãos de Rua, nossos Irmãos”, o Terço dos Homens que se colocam a serviço de mutirões para ajudar famílias pobres, a equipe da cesta básica que atende às lares feridos na segurança alimentar, e tantas outras atividades realizadas no silêncio do amor.

Assumir o olhar solidário e ser capaz de cuidar, como modo de ser no mundo, nos permite ir além do egoísmo e da indiferença. O cuidado de um pelo outro reinstaura o espaço da graça diante do mundo e de todas as formas de vida, gerando um novo laço de amor entre nós.

2ª PARTE – “SENTIU COMPAIXÃO”

VIU, SENTIU COMPAIXÃO E CUIDOU DELE (LUCAS 10,33-34)

Compaixão de Jesus, romper com a indiferença:

Se, por um lado, o olhar da indiferença gera tanto mal, o olhar da compaixão pode fecundar o bem no coração humano e conferir verdadeiro sentido à vida. Não se trata apenas de um olhar de dó, mas de um olhar samaritano que reconhece a dignidade da pessoa e procura resgatar a imagem e semelhança no rosto de homens e mulheres desfigurados pelo pecado (Gênesis 1,26).É o olhar divino manifestado em Jesus.

Somos chamados a iluminar nosso olhar com o olhar do Cristo que, do alto do madeiro, viu e perdoou todos os pecados e nos salvou por sua misericórdia (Lucas 23,34). O Espírito Santo, Senhor que dá a vida, é o auxílio que garante a continuidade do olhar de Cristo no nosso olhar e nos impulsiona a ver a dignidade humana e de toda a obra da criação.

PERGUNTAS INTRIGANTES E NECESSÁRIAS

O que acontece com uma pessoa que só pensa em si mesma? O que acontece com uma sociedade em que o egoísmo, o individualismo, o consumismo, a indiferença e o ódio tendem a predominar? Peçamos ao bom Deus que nos ilumine e as respostas surjam nos momentos da oração pessoal ou comunitária.

Os discípulos e amigos do Ressuscitado estão a serviço da vida

A Páscoa nos ensina a, por, com e em Cristo, romper os túmulos da indiferença e do ódio e ressurgir para o zelo, o cuidado e a solidariedade. Com o olhar de Cristo (olhar samaritano), penetramos nas entranhas do sofrimento do próximo. Por isso, sentir a dor do outro é muito mais do que ter dó. Significa comprometer-se com o sofredor, sem medo de aproximar-se e identificar-se com o próprio amor de Deus para conosco (João 13,34). O que Cristo nos ensina é fazermo-nos próximos sem preconceitos, sem classificação, sem esperar nada em troca. Gratuitamente amar como Cristo nos amou (Filipenses 2,5).

Compaixão é ter mais coração nas mãos

Quem ama não julga, não acusa, não divide. Quem ama cuida, acolhe e integra. Quem ama dialoga, suporta e se compadece. Ao contrário, o egoísta e prepotente, com olhos só para si, julga o mundo a partir da sua prepotência, esquecendo-se de que seu olhar está embaçado pelo pecado e o coração entupido pela maldade. Diante da maldade, apesar dos problemas que temos, nossas mãos não podem ser fechadas para socar, mas têm que, abertas, apoiar (Mateus 8,20).

COMPAIXÃO É TER MAIS JUSTIÇA NO CORAÇÃO

Um dos grandes desafios para o nosso tempo é definir o que é justiça. Na concepção da maioria das pessoas, justiça trata-se daquilo que pode ser retribuído com dinheiro, trabalho, até mimos por conta do bom comportamento. Ou, ao contrário, punido devido ao mau comportamento. Uma pergunta para refletir: A retribuição e a punição, em nossa sociedade, são iguais para todos os seres humanos?

É preciso envolver o conceito da justiça com a graça da misericórdia. A misericórdia é a mais perfeita motivação da igualdade entre os seres humanos e, por conseguinte, também, a motivação mais perfeita da justiça, na medida em que ambas tem em vista o mesmo fim: a defesa da vida ou a recuperação da vida. A justiça misericordiosamente entendida se concretiza no perdão. Todas as vezes que Jesus encontra um pecador, o Filho de Deus proclama: “Vai, e de agora em diante não peques mais” (João 8, 1-11).

CONVITE DA CF 2020

A CF 2020, ao tratar da vida como Dom e Compromisso, nos convida a uma conversão pessoal, comunitária, social e conceitual em relação à justiça que nutrimos. A missão do discípulo missionário de Jesus Cristo é revelar ao mundo o rosto da misericórdia. Valorizar a vida e promover a justiça misericordiosa é um ato de fé. Mas que também é um exercício que passa pela organização comunitária e social, que não pode ser confundido com o “deixar que se faça o que quiser com a certeza de que o perdão exista” como uma forma hipócrita da impunidade. Não é isso que se propõe ao falarmos da justiça com misericórdia. E nem que se cederá qualquer coisa que se pede, agindo na ingenuidade assistencialista. É preciso redescobrir o valor e a beleza do conteúdo cristão da justiça. Diante de várias formas da compreensão da justiça, lançamos um olhar sobre as concepções da justiça baseada na retribuição e da justiça baseada na restauração, formas diferentes de agir diante da dor.

A Justiça baseada na retribuição é vista como merecimento à altura do delito cometido ou da premiação ao bem praticado. Deve ser destacado que Jesus não se limitou a retribuir, pois, na verdade, nada havia a retribuir, pois, “Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5,8).  Não houve retribuição – não a merecíamos. Houve, e isto sim, restauração. Por isso compreender a justiça no horizonte restaurativo é estabelecer uma nova compreensão sobre a pessoa que errou e sobre o conflito no qual ela se encontra envolvida.

Na parábola dos trabalhadores (Mateus 20,1-11) quando Jesus conta a história daqueles contratados na 1ª hora e outros, ao entardecer, temos a seguinte reação: aqueles que esperavam uma retribuição maior por terem trabalhado desde cedo, se revoltam quando sabem que os que chegaram por último receberam a mesma quantia. Os que reagem revoltosos são adeptos da justiça da retribuição. Aquele que contrata os operários olha o ser humano de forma integral, no desejo de contribuir para a restauração da dignidade corrompida pela falta de trabalho.

A CARIDADE: VERDADEIRO SENTIDO DA VIDA

É necessário redescobrir a caridade não só como inspiradora da ação individual, mas, também, como força capaz de suscitar novas vias de enfrentamento dos problemas do mundo de hoje, renovando as estruturas, organizações sociais e ordenamentos jurídicos. Nesta perspectiva, a caridade se torna social. A caridade social nos leva a amar o bem comum e a buscar efetivamente o bem das pessoas, consideradas não só individualmente, mas também na dimensão social que as une. Assim, na tradição cristã, a justiça jamais estará desvinculada da caridade.

A caridade deve animar a fé e a existência dos fiéis leigos e, consequentemente, também, a sua atividade política vivida com caridade social. A caridade, portanto, é o princípio não só das relações pessoais, mas também das relações sociais, econômicas e políticas. A verdadeira caridade é também ofertar um coração capaz de escutar o outro. A Igreja samaritana, sinal da caridade de Cristo vai além das aparências.

QUARESMA 2020:

TEMPO DE CONVERSÃO E DA DESCOBERTA DA TERNURA

O caminho da conversão quaresmal convida à promoção do diálogo entre irmãos que, fraternalmente, também é estabelecido pelo encontro. Tudo isso só se torna possível se abraçarmos a ternura que o Filho de Deus trouxe para a humanidade em sua encarnação. Cristo, verbo de Deus encarnado, nos convida a participar da revolução da ternura.

A ternura é, sem dúvida, o modo privilegiado de traduzir para os nossos tempos o afeto que Jesus sente por nós. A ternura revela o rosto paterno/materno do Deus apaixonado pelo ser humano. Quando a pessoa sente o amor/ternura divino é estimulado a também amar e cuidar.

Somente com a ternura é que os discípulos missionários de Jesus podem reacender a chama da vida. Portanto, não é possível falar de cuidado pastoral sem falar da ternura. Atenção: Não existe receita pronta para a ternura. Existe a surpresa divina que se dá através do coração aberto ao dom do Espírito, que impulsiona o anunciador da Boa Nova à loucura do amor pela Palavra. São Paulo traduz esta realidade dizendo: “Agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação” (1 Coríntios 1,21). E continua São Paulo refletindo sobre a loucura do amor divino que existe no coração dos que pregam com ternura a Palavra de Deus: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2,14).

Para as pessoas “carnais” – materialistas, com os olhos voltados só para si mesmas -, a atitude da ternura num mundo marcado pela violência e a indiferença diante do sofrimento alheio é visto como loucura. Mas é justamente esta louca e divina ternura que impulsiona a Igreja a sair, caminhar pelas periferias existenciais, não se importando em sujar os pés com as poeiras do mundo. Mesmo diante de tantos desafios jamais poderá perder a ternura. Em um mundo que despreza, passando adiante sem se importar com o sofrimento do próximo – o profetismo cristão se faz presente pelo cuidado envolvido pela ternura.

Quem viveu com intensidade a ternura foi Santa Dulce dos Pobres, que pulsava a ternura divina em seu coração e se compadecia com a dor do rosto de Deus no rosto humano. Ela não escolhia quem iria ajudar. A ternura faz isso: nos torna abertos a aceitar os outros. Para viver a dimensão da gratuidade da ternura, precisamos de Deus, que é a fonte de todo bem e de toda ternura.

ECOLOGIA INTEGRAL

A mesma ternura necessária na relação dos cristãos com as pessoas deve existir deles também para com a natureza. O compromisso para superar problemas como a fome, o desconforto social e econômico, degradação do ecossistema e cultura do desperdício, requer uma renovada visão ética, que saiba colocar no centro as pessoas, com o objetivo de não deixar ninguém à margem da vida. É somente o  olhar da ternura que pode enxergar as pessoas e a natureza.

A ecologia integral, pois, não visa somente preservar o meio ambiente e nem tampouco o bem estar das pessoas isoladas da natureza. A ecologia integral insere o ser humano na natureza e esta no mundo social dos humanos, despertando a consciência de que afetar um é também ferir o outro. Por isso a consciência para uma ecologia integral é tanto um chamado como um dever para toda a humanidade, independente da religião, pois todos os seres humanos dependem desta consciência da ecologia integral para continuar a viver na nossa Casa Comum, a terra. Este é o grande desafio da humanidade: ser mais solidários como irmãos e irmãs onde todos, fraternalmente, assumem a responsabilidade compartilhada pela Casa Comum.

É preciso observar a natureza e visualizar a beleza da criação. Quando assim agimos, podemos repetir as palavras de São Francisco, transcritas pelo Papa Francisco na Encíclica “Laudato Si”: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, mãe terra, que nos sustenta e nos governa e produz variados frutos com flores coloridas e verduras” (LS, n1).

O DESAFIO DO SENTIDO

Qual o sentido e a finalidade da vida, especialmente da vida humana? De onde provêm os inúmeros sofrimentos? Como alcançar a almejada felicidade? Como promover a paz de modo definitivo?

Responder a estas perguntas e conhecer/redescobrir o sentido da vida traduzindo esse conhecimento em atitudes mediadoras e adequadas ao nosso tempo é um dos maiores desafios dos dias atuais.

Cristo esclarece o enigma da vida humana e nos aponta respostas. Aprendemos com Cristo que a finalidade da vida humana é o serviço para a construção do Reino de Deus onde a justiça misericordiosa do amor torna plena a verdadeira felicidade. Chegamos a ser plenamente humanos quando permitimos que Cristo nos conduza para além de nós mesmos, a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro, que é sermos fazedores e distribuidores da Justiça do Reino. Ao anunciar Jesus Cristo, que é a justiça e a paz em pessoa (Efésios 2,14; 6,15) a nova evangelização incentiva todo batizado a ser instrumento de pacificação e testemunha de uma vida reconciliada, base de toda felicidade. O rompimento com as fontes do sofrimento exige romper com ideias que propõem projetos de poucos para poucos. É preciso despertar toda a sociedade para um verdadeiro pacto – um acordo para viver juntos – de forma que todo ser humano tenha vida e vida em abundância (João 10,10).

3ª PARTE  “E CUIDOU DELE”

VIU, SENTIU COMPAIXÃO E CUIDOU DELE (LUCAS 10,33-34)

CUIDAR DE JESUS: disposição em servir

O ser humano, que recebe o carinho divino e que é chamado ao cultivo da criação, é também convocado a cuidar com divino carinho da vida em todas as suas formas e expressões (Salmo 8,4s). A pessoa que recebe verdadeiramente o carinho divino sente que somos todos irmãos, independente da etnia, posição social ou nacionalidade. Por isso o agir de todo discípulo missionário tem por objetivo resgatar o sentido do viver no horizonte da fé cristã, proclamando a beleza da vida.

A VIDA CRISTÃ É ESSENCIALMENTE SAMARITANA

Temos que ter consciência que a vida é essencialmente samaritana: traz no seu sentido mais radical o cuidado pelo outro. Agir como bom samaritano supõe um novo aprendizado obtido pela conversão provocada por Jesus e sua Boa Nova. Só em e por Jesus Cristo aprendemos a cuidar e sermos cuidados. É a conversão que nos faz escolher a bacia de Jesus e não a de Pilatos. A bacia diante de Pilatos, ele a usou para lavar as mãos, ou seja, tornar-se indiferente à dor do outro. A bacia diante de Jesus, ele a usou para lavar os pés dos discípulos, sinal de cuidado e compromisso com o serviço. Redescobrindo as águas do batismo nas águas da bacia do lava-pés, todos os discípulos missionários – a Igreja toda – se colocam em saída para servir àqueles que necessitam da sua ação generosa, envolvida pela ternura, sempre amparada na justiça misericordiosa. Não podemos dizer que amamos a Deus se não vemos o outro que sofre. (1 João 4,19-20).

Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Naquele que é a vida, encontramos o caminho do sentido para o nosso viver. O caminho deve ser percorrido em comunhão com a comunidade, pois o próprio Cristo diz que onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome, ali ele estará (Mateus 8,20). A verdade é o amor gratuito experimentado neste caminho, amor que transforma a realidade da dor em paz plenificada pela ternura divina geradora da vida plena para todo ser humano.

Não há outro jeito de ser discípulo seguidor de Cristo sem que a pessoa se torne missionária do amor que promove a solidariedade com os sofredores, lembrando que, a ausência do sentido da vida, é fonte de grande sofrimento. Para viver organizadamente este amor repleto de ternura, a CNBB une todas as dioceses brasileiras em um caminho de dedicação e amor ao próximo através das propostas da CF 2020: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (João 10,10).

UM COMPROMISSO COM A VIDA

O amor às pessoas favorece o encontro da plenitude com Deus. Fechar os olhos diante do próximo nos torna cegos também diante de Deus. Por isso, o missionário só anuncia a Boa Nova se procura fazer o bem ao próximo, desejando a felicidade de todos: há mais felicidade em dar do que em receber (Atos dos Apóstolos 20,35);

UM COMPROMISSO PESSOAL

As mudanças que queremos para o mundo só serão reais se começarem em nós, a partir de nós, afetando positivamente o ambiente em que vivemos. Podemos sentir esta ação como algo difícil, às vezes até cansativa. Mas somos chamados sempre a sermos pessoas comparadas a jarras (cântaros) sempre dispostas a darem de beber a água da esperança pela vida através da fé. Às vezes o cântaro se transforma em uma pesada cruz. Mas foi precisamente na cruz que o Senhor Jesus, trespassado, se entregou a nós como fonte de água viva. Nada, nenhuma situação ou desafio pode roubar a nossa esperança. Jamais!

Santa Tereza de Calcutá nos indica o sentido e efeito do compromisso pessoal de cada cristão: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no oceano. Mas o oceano seria menor se lhe faltasse uma gota”. Um pequeno gesto é capaz de fazer diferença em uma existência toda. Quando tais gestos nascem do coração configurado ao coração do Senhor da Vida, tornam-se capazes de conferir sentido e plenitude à  existência.

UMA RENOVAÇÃO FAMILIAR

Para a renovação da vida familiar, é preciso realizar um itinerário catecumenal para a preparação do sacramento do matrimônio que contemple os temas da vida em família, Igualmente é importante criar programas de formação permanente nos grupos de reflexão em família voltados ao cuidado da vida em todas as suas etapas. É urgente dar suporte a casais recém-casados e motivar os cônjuges, com dificuldade para engravidar, para a graça da adoção.

Outra realidade necessitada da ação evangelizadora é a família que enfrenta problemas com filhos adolescentes ou aquelas que precisam de ajuda para cuidar de pessoas necessitadas de carinho especial. Também há famílias que passaram por algum tipo de violência ou que perderam familiares nessa situação e que precisam da palavra terna da Igreja. Os dependentes químicos trazem severos transtornos para o ambiente familiar. Como agir em todas estas situações? Com humildade a comunidade cristã pode pedir ajuda às pastorais já existentes na diocese e que podem orientar. Mas nenhuma orientação seria válida sem a profunda fé no Ressuscitado.

EM PEQUENAS COMUNIDADES MISSIONÁRIAS

Diante do olhar individualista e indiferente, o olhar samaritano se faz realidade nas famílias cristãs que se unem em pequenas comunidades missionárias, oásis da justiça misericordiosa. Inseridas num mundo onde ninguém tem tempo para ninguém, pequenas comunidades missionárias devem ser o lugar do afeto, da ternura e do abraço, do encontro fraterno em torno da Palavra e da Eucaristia.

A pequena comunidade missionária, desta forma, se torna o lugar da reconciliação, do perdão, lugar onde há pessoas que anunciam e constroem a sociedade envolvida na cultura da vida. A pequena comunidade missionária agindo em nome de Cristo, em comunhão plena com a Paróquia – Igreja que se faz plena na comunhão -, age guiada pela força do Espírito Santo. Por isso se envolve com os problemas da sua localidade, acompanha aqueles que necessitam do seu auxílio, frutificam o bem promovendo a cultura do amor, da ternura e da paz e por isso mesmo festeja – celebra – a sua ação como oferenda preciosa a Deus.

JORNADA MUNDIAL DOS POBRES

O Papa Francisco entre os dias 26 a 28 de março de 2020, na cidade de Assis (Itália), vai se reunir com jovens economistas e empresários de todo o mundo para refletir sobre uma nova economia baseada na fraternidade que garanta a justiça misericordiosa para os pobres. Depois deste encontro, serão iniciadas reflexões sobre as conclusões de Assis em todas as Dioceses. A Jornada Mundial dos Pobres acontecerá na semana que antecede a Festa de Cristo Rei de 2020. Por isso, a CF 2020 nos leva também a refletir sobre a vida, Dom e Compromisso com os olhos voltados para a Jornada Mundial dos Pobres. Em nosso tempo, esta reflexão também deverá destacar a triste e vergonhosa situação dos problemas que geram o fenômeno migratório composto de forma densa pelos refugiados.

CONCLUSÃO

Sem jamais perder a alegria do Evangelho, os cristãos são convidados a cultivar na oração e na fraternidade baseada no serviço misericordioso um olhar de esperança que irradie a luz da vitória da Ressurreição de Cristo. Com Jesus Ressuscitado a Igreja tem a certeza de que o amor terá a última palavra e vencerá todo tipo de mal.

O Papa Francisco nos dá palavras que aconselham a vida cristã envolvida pela esperança:

– Não podemos nos render à escuridão da desilusão, cansaço ou desesperança. O mundo caminha graças a homens e mulheres que abriram frestas nos muros, que construíram pontes, que sonharam e acreditaram, mesmo quando ao seu redor ouviam palavras desanimadoras ou críticas destrutivas. Onde quer que o cristão esteja, deve construir.

– O cristão deve promover a paz em meio aos homens e mulheres e não ouvir a voz de quem espalha ódio e divisão. O cristão deve amar as pessoas, uma a uma, respeitando o caminho de todos.

– O cristão deve sentir-se responsável pela vida de cada pessoa e por este mundo, a Terra, nossa Casa Comum. Que tenham sempre a coragem da verdade, porém, lembrando sempre que não são superiores a ninguém. Cristãos, cultivem ideais e nunca desanimem: se caiu, levante-se. Se a amargura tocar seu coração, procure na oração ser curado pela ternura de Deus.

Nesta Campanha da Fraternidade 2020 somos convocados a ver, solidarizar e cuidar da vida que sofre. Caminhamos confiantes para um novo céu e uma nova terra. Esta confiança se torna ainda mais consistente quando voltamos nosso olhar para Maria, a Santíssima Mãe do Verbo Encarnado e Mãe da Esperança. A ela confiamos tudo o que somos e toda a CF 2020.

ALGUMAS AÇÕES PROPOSTAS PELA CF 2020

MAIS OUSADIA NAS NOSSAS AÇÕES

  • Redescobrir a beleza das pequenas comunidades
  • Ir além das reuniões de planejamento e avaliação e favorecer momentos de partilha da vida e experiências
  • Valorizar o protagonismo dos leigos (as) na ação paroquial

ENVOLVER A VIDA NA TERNURA E NO CUIDADO

  • Valorizar datas importantes da sociedade na reflexão paroquial, tais como dia da mulher, do meio ambiente, etc
  • Favorecer parcerias com comunidades escolares para o resgate dos valores humanos
  • Promover rodas de conversas sobre problemas da realidade local

INICIAR PROCESSOS FUNDAMENTADOS NO EVANGELHO

  • Redescobrir a importância da liturgia como momento forte em que se experimenta o cuidado de Deus por nós
  • Promover a Iniciação à Vida Cristã (fundamentada na Bíblia)
  • Promover visitas missionárias em locais da paróquia desassistidas pastoralmente, expressando o cuidado da Igreja por todas as pessoas estejam onde estiverem

NÃO PERDER A PAZ POR CAUSA DO JOIO

  • Tornar a comunidade verdadeira casa da acolhida
  • Redescobrir a esperança como força agregadora do sentido da vida. Que os leigos (as) não se omitam da participação social e política

FESTEJAR A VIDA

  • Não descuidar dos momentos importantes das pessoas (datas de aniversário, conquistas (casa e outros bens)
  • Promover ações que favoreçam a amizade entre os membros da comunidade através de passeios, confraternizações, mutirões, ações comunitárias caritativas, prática de esportes, etc

COLABORAÇÃO SOCIAL – Acolher

  • Dar voz ativa aos pobres assistidos pela comunidade
  • Incentivar a Pastoral da Escuta

COLABORAÇÃO SOCIAL – Proteger

  • Acompanhar e dar suporte aos pais que esperam o nascimento dos filhos ou aqueles que os tem em situação de doenças específicas
  • Criar um grupo que valorize a vida e previna o suicídio
  • Assumir compromisso com a justiça e a solidariedade
  • Cultivar a espiritualidade da abertura, acolhida, convivência, diálogo e respeito frente ao crescimento do conflito, intolerância, ódio
  • Criar espaços de defesa dos pobres
  • Propagar iniciativas em favor da paz social
  • Favorecer a acolhida em nossas comunidades daquele que é diferente por pertencer a uma tradição religiosa e cultural diferente da nossa

Fonte: Padre Tarcísio Spirandio / Portal Kairós – https://portalkairos.org/estudo-e-resumo-do-texto-base-da-cf-2020/?fbclid=IwAR3glAkLu-J03AauVhv7ksM4_jluaXznWNSg8C34cJxsZF03WI6ValuI5-Y

Angelus – Domingo da Palavra

ANGELUS

Praça de São Pedro
Domingo, 26 de janeiro de 2020

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho de hoje (cf. Mt 4, 12-23) mostra o início da missão pública de Jesus, que aconteceu na Galileia, uma terra nos arredores de Jerusalém, e vista com suspeita por se misturar com os pagãos. Nada de bom e novo era esperado daquela região; ao contrário, ali mesmo Jesus, que havia crescido em Nazaré da Galileia, começa sua pregação.

Ele proclama o núcleo central de seu ensino resumido no apelo: “Converta-te, porque o reino dos céus está próximo” (v. 17). Este anúncio é como um poderoso raio de luz que atravessa as trevas e corta a neblina, e evoca a profecia de Isaías que é lida na noite de Natal: «As pessoas que andavam nas trevas viram uma grande luz; naqueles que andavam na terra escura brilhava uma luz “(9,1). Com a vinda de Jesus, luz do mundo, Deus Pai mostrou à humanidade sua proximidade e amizade. Eles nos são dados livremente além de nossos méritos. A proximidade de Deus e a amizade de Deus não são nosso mérito: elas são um presente gratuito de Deus, devemos guardá-lo.

O apelo à conversão, que Jesus dirige a todos os homens de boa vontade, é totalmente compreendido precisamente à luz do evento da manifestação do Filho de Deus, sobre o qual meditamos nos domingos passados. Muitas vezes é impossível mudar sua vida, abandonar o caminho do egoísmo, do mal, abandonar o caminho do pecado, porque o compromisso com a conversão se concentra apenas em si mesmo e na própria força, e não em Cristo e seu Espírito. Mas nossa adesão ao Senhor não pode ser reduzida a um esforço pessoal, não. Acreditar que isso também seria um pecado de orgulho. Nossa adesão ao Senhor não pode ser reduzida a um esforço pessoal, mas deve ser expressa em uma abertura confiante do coração e da mente para receber as Boas Novas de Jesus. É isso – a Palavra de Jesus, as Boas Novas de Jesus, o Evangelho – que muda o mundo e os corações! Somos, portanto, chamados a confiar na palavra de Cristo, a nos abrir à misericórdia do Pai e a deixar-nos transformar pela graça do Espírito Santo.

É daqui que o verdadeiro caminho da conversão começa. Assim como aconteceu com os primeiros discípulos: o encontro com o Mestre divino, com seu olhar, com sua palavra, deu-lhes o impulso de segui-lo, mudar sua vida, colocando-se concretamente a serviço do Reino de Deus.

O surpreendente e decisivo encontro com Jesus iniciou a jornada dos discípulos, transformando-os em anunciadores e testemunhas do amor de Deus pelo seu povo. Imitando esses primeiros arautos e mensageiros da Palavra de Deus, cada um de nós pode dar passos nos passos do Salvador, para oferecer esperança àqueles que têm sede dela.

Que a Virgem Maria, a quem nos dirigimos nesta oração do Ângelus, apoie esses propósitos e apoie-os com sua intercessão materna.

O Anjo do Senhor anunciou a Maria. E Ela concebeu do Espírito Santo. Ave Maria…

Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra. Ave Maria…

E o Verbo divino encarnou. E habitou no meio de nós. Ave Maria…

Rogai por nós Santa Mãe de Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.

Infundi, Senhor, como Vos pedimos, a Vossa graça nas nossas almas, para que nós, que pela Anunciação do Anjo conhecemos a Encarnação de Cristo, Vosso Filho, pela sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém.

Gloria ao Pai… (3 vezes)

Aos fiéis defuntos, dai-lhes Senhor o descanso eterno. E a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém…

Bênção Apostólica 

Papa: O Senhor esteja convosco.  Todos: Ele está no meio de nós.

Papa: Seja bendito o nome do Senhor. Todos: Agora e sempre.

Papa: A nossa proteção está no nome do Senhor. Todos: Que fez o céu e a terra.

Papa: Abençoe-vos o Deus Onipotente, Pai+, e Filho+ e Espírito + Santo. Todos: Amém

DEPOIS DE ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, pela primeira vez, estamos comemorando o Domingo da Palavra de Deus , instituído para celebrar e acolher cada vez melhor o presente que Deus fez e faz diariamente sua Palavra ao seu povo. Agradeço às dioceses, às comunidades que propuseram iniciativas para recordar a centralidade da Sagrada Escritura na vida da Igreja.

Amanhã marca o 75º aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Diante dessa enorme tragédia, dessa atrocidade, indiferença não é admissível e a memória é imprescindível. Amanhã somos todos convidados a fazer um momento de oração e lembrança, dizendo cada um em seu coração: nunca mais, nunca mais!

O Dia Mundial da Doença de Hansen é comemorado hoje. Estamos perto de todas as pessoas afetadas e de quem as cuida de maneiras diferentes.

Eu também quero estar perto e orar pelas pessoas que estão doentes por causa do vírus que se espalhou para a China. Que o Senhor acolha o falecido em sua paz, conforte as famílias e apoie o grande compromisso da comunidade chinesa, já estabelecida para combater a epidemia.

Saúdo todos vocês que vieram da Itália e de vários países, em particular os peregrinos de Valência, Salamanca, Burgos, Santander e Valladolid; estudantes e educadores de Múrcia, Cuenca, Badajoz e do Panamá.

Saúdo os fiéis de Tursi e o grupo UNITALSI da Lazio, que facilita a participação de pessoas com deficiência nas audiências gerais e no Angelus , e que hoje distribui o Messaline com a Palavra de Deus todos os dias.

Agora os camaradas chegaram [dois meninos da ACR ao lado do papa]. Saúdo calorosamente os meninos e meninas da Ação Católica, das paróquias e escolas católicas da Diocese de Roma! Também neste ano, acompanhado pelo bispo auxiliar Mons. Selvadagi, por seus pais e educadores e pelos padres assistentes, você veio em grande número ao final da “Caravana da Paz”. Agradeço por esta iniciativa. E agora vamos ouvir a mensagem que seus amigos, aqui ao meu lado, lerão para nós. Desejo a todos um bom domingo. E por favor, não esqueça de orar por mim. Tenha um bom almoço e adeus!

Oração para repelir as tempestades

O Missal Romano oferece Orações para várias necessidades, e retomo uma delas.

Oremos:

Ó Deus, a quem todos os elementos obedecem, aplacai as tempestades, para que o temor, inspirado pelo vosso poder, se transforme em louvor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Celebrei a Missa há pouco pedindo a Deus por Belo Horizonte-MG, uma vez que os noticiários estão alertando para a forte chuva que cairá hoje.

Bem sabemos dos graves problemas que enfrentam as cidades no que se refere à infraestrutura, conservação do córregos e rios, ausência de políticas públicas que previnam e evitem possíveis calamidades.

Sejam acompanhadas de nossas orações compromissos de todas as pessoas de boa vontade de criar melhores condições em nossas cidades, mais investimentos, preservação e melhor interação com o meio ambiente.

Neste momento, o que podemos fazer é intensificar nossas orações a Deus, sem jamais eximir de nossas responsabilidades, que desde o princípio da criação por Ele a nós foram confiadas, como lemos nas primeiras páginas do Livro do Gênesis, na Sagrada Escritura.

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Bispo Diocesano de Guanhães

Mensagem do Papa Francisco, para 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais

 “Para que possas contar e fixar na memória” (Ex 10, 2). A vida faz-se história”.

Desejo dedicar a Mensagem deste ano ao Tema de narração, pois, para não perdermos, acho que precisamos respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não como que destruam; histórias que ajudaram a reencontrar as raízes e a força de Prosseguirmos juntos. Na confusão das vozes e mensagens que rodeiam, temos necessidade de narração humana, que nos falam dos mesmos e da beleza que nos habita; uma narração que aprenda a olhar para o mundo e os acontecimentos com ternura, conte a nossa participação num tecido vivo, revele ou entrançado dos fios pelos quais estamos ligados ou outros.

  1. Tecer histórias

O homem é um ente narrador. Desde pequenos, temos fome de histórias, como temos comida. Sejam elas em forma de fábula, romance, filme, canção ou notícia simples, influenciam nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes, decidimos o que é justo ou errado com base nos personagens e histórias assimiladas. Como narrativas marcam-nos, plasmam como nossas convicções e comportamentos, podem ajudar-nos a compreender e dizer quem somos.

O homem não é apenas o único que precisa de vestuário para cobrir a própria vulnerabilidade (cf. Gn 3, 21), mas também o único que precisa de narrar-se a si mesmo, «revestir-se» de histórias para guardar a própria vida. Não tecemos apenas roupas, mas também histórias: de fato, serviços da capacidade humana de «tecer» para tecidos , para textos . As histórias de todos os tempos têm um «rasgo» comum: uma estrutura estimada «heróis» – mesmo dia-a-dia – que, para encalçar um sonho, enfrenta situações difíceis, combate ou mau movimento por uma força que vem corajosa , a força do amor. Mergulhando nas histórias, podemos voltar a encontrar razões heróicas para enfrentar os desafios da vida.

O homem é um narrador, porque em devir: descobre-se e enriquece-se com como tramas dos seus dias. Mas, desde o início, a nossa narração está ameaçada: na história, serpeja ou mal.

 

  1. Nem todas as histórias são boas

«Se come, se torna como Deus» (cf. Gn 3, 4): esta tentativa de serpente introduzida, um enredo da história, um nó difícil de desfazer. “Se possuíres …, tornar-te-ás …, sussirás …”: sussurra ainda hoje a quem se utiliza do chamado storytellingpara fins instrumentais. Quantas histórias nos narcotizam, nos convencemos de que, para ser feliz, precisamos continuamente de ter, usar e consumir. Quase não nos damos conta com quantos ávidos nos tornamos de bisbilhotices e intrigas, de quanta violência e falsidade consumida. Freqüentemente, nas «lágrimas» de comunicação, em vez de narrações construtivas, que sólidos ou laços sociais e tecido cultural, produzem-se histórias devastadoras e provocativas, que corroem e rompem os fios frágeis da convivência. Quando a informação não é verificada, os discursos repetidos, banais e falsamente persuasivos, percorridos com proclamações de ódio, estão separados, não são tecer a história humana, mas despojar o homem da sua dignidade.

Mas, enquanto as histórias usadas para fornecer próprio ou ao serviço de vida útil curta, uma história boa é capaz de transportar os limites do espaço e do tempo: à distância de séculos, permanece atual, porque alimenta a vida.

Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (ou deepfake ), as necessidades de sapata para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas. Necessidades de coragem para rejeitar como falsas e depravadas. Precisamos de paciência e discernimento para descobrir histórias que nos ajudam a não perder o fio, no meio das inúmeras lacerações de hoje; histórias que tragam à luz a verdade do quilo que somos, a mesma heroicidade oculta do dia a dia.

 

  1. História das histórias

Na Sagrada Escritura, é uma História de histórias . Quantas vicissitudes, povos, pessoas nos apresenta! Desde o início, a exposição-nos um Deus que é simultaneamente criadora e narradora: de fato, pronunciada em sua Palavra e como coisas existem (cf. Gn 1). Deus, através deste narrador, chama a vida como coisas e, sem apogeu, cria o homem e a mulher como seus interlocutores livres, geradores de história relacionados com Ele. Temos um Salmo criatura que acena se contar para o Criador: «Você modela como entradas do meu ser e teceste-me no seio da minha mãe. Dou-Te graças por me teres feito uma maravilha estupenda (…). Quando meus ossos estavam em formados, e eu, em segredo, me desenvolvia, recamadonas profundezas do chão, nada disso Você era oculto “( Sl 139/138, 13-15). Não é perfeito, mas é necessário ser constantemente “tecidos” e “recamados”. A vida foi-nos dada como convite para continuar tecer a “maravilha estupenda” que somos.

Nesse sentido, na Bíblia é uma grande história de amor entre Deus e uma humanidade. No center, está Jesus: em sua história ele aproveita a perição ou amor de Deus pelo homem e, no final dos tempos, uma história de amor do homem por Deus. Assim, ou homem será chamado, de geração em geração, a contar e fixar na memória os episódios mais gravados desta história : os ouvidos podem comunicar o sentido do que aconteceu.

O título desta Mensagem é tirado do livro do Êxodo, narrativa bíblica fundamental que faz com que Deus intervenha na história do seu povo. Com efeito, quando os filhos de Israel, escravizados, clamam por Ele, Deus ouve e recorda-Se: «Deus recordou-Se da sua aliança com Abraão, Isaac e Jacob. Deus viu os filhos de Israel e registrou-os “( Ex 2, 24-25). A memória de Deus brota a liberação do opressão, que verifica através de sinais e produtos. Aqui o Senhor dos Moisés ou o sentido de todos estes sinais: « Para que possas contar e fixar na memória o teu filho e o teu filho (…) os meus sinais que eu percebo no meio deles. E você sabe que eu sou o Senhor “( Ex10, 2). A experiência do Êxodo ensina que o conhecimento de Deus se transmite principalmente contando, de geração em geração, enquanto Ele continua a retornar – Se presente. O Deus da vida se comunica – se, narrando a vida.

O próprio Jesus falava de Deus, não com discursos abstratos, mas com parábolas, narrações narrativas tiradas da vida de todos os dias. Aqui a vida faz história e depois, para o ouvinte, uma história causa vida: essa narração entra na vida de quem escuta e transforma.

Também os Evangelhos – não por acaso – são narrações. Enquanto informações sobre Jesus, «números de desempenho» [1] na imagem de Jesus, configuradas em Ele: o Evangelho pede ao leitor que participe da mesma fé para compartilhar a mesma vida. O Evangelho de João diz que Narrador por excelência – ou Verbo, a Palavra – fez-se narração: «O Filho unigénito, que é Deus e não é pai do pai, foi Ele quem O contou » (1, 18) . Use ou termo «relatado», porque ou original exeghésato tanto se pode traduzir «revelado» como «relatado». Deus criou-Se disponível com a nossa humanidade, dando-lhe uma nova maneira de tecer como nossas histórias.

  1. Uma história que se renova

A história de Cristo não é um patrimônio do passado; é uma nossa história, sempre atual. Mostra que Deus levou no peito ou no homem, na nossa carne, na nossa história, no ponto de fazer homem, na carne e na história. E diz-nos também que não existem histórias humanas insignificantes ou pequenas. Depois que Deus Se fez história, toda a história humana é, de certa forma, história divina. Na história de cada homem, o Pai revê a história do seu Filho descido à terra. Cada história humana tem uma dignidade incancelável. Por isso, uma humanidade merece narra aqueles que estão à sua altura, aquelas que são estonteantes e fascinantes para quem Jesus está acima.

Vós «é uma carta de Cristo – São Paulo aos Coríntios -, confiada ao nosso ministério, escrita, não com tinta, mas com ou Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne que são os corações vermelhos “( 2 Cor 3, 3). O Espírito Santo, o amor de Deus, escreve em nós. E, saindo de nós, fixe em nós ou bem, recorda-no-lo. De fato, re-cordar significa levar ao coração, “escrever” no coração. Por obra do Espírito Santo, cada história, mesmo que mais esquecida, que parece escrita nas linhas mais tortas, pode tornar-se inspirada, pode renascer como obra prima, retornando-se como um índice de Evangelho. Assim como Confissões de Agostinho, ou Relato de Peregrino de Inácio, em História de uma alma de Teresinha do Menino Jesus,Promoções prometidas ( posições promissoras ) de Alexandre Manzoni, ou irmãos Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoiévskij … e inúmeras outras histórias, que têm representação admirável ou encontro entre liberdade de Deus e homem. Cada um de nós conhece várias histórias sobre o evangelho: testemunham ou Amor que transforma a vida. Estas histórias pedem para ser compartilhadas, contadas, feitas viver em todos os tempos, com todas as linguagens, por todos os meios.

  1. Uma história que nos renova

Em cada grande história, insira em jogo a nossa história. Ao mesmo tempo que lemos uma Escritura, como histórias de Santos e outros textos que sabem ler uma alma de um homem e trazer uma luz de sua beleza, ou o Espírito Santo fica livre para escrever nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando executar a memória do amor que nos criou e salvar, quando aparecer o amor nas nossas histórias diárias, quando aparecermos a tristeza como traços dos nossos dias, nesse momento estamos mudando a página. Já não ficamos associados a lamentos e tristezas, vinculados a uma memória doente que aprisiona o coração, mas abrimos para outros, abrimos para a própria visão do Narrador. Nunca é inútil narrar a Deus a nossa história: ainda que permaneça inalterada em crônicas de fatos, mudam o sentido e perspetiva. Narrarmo-nos ao Senhor não entra no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros. A Ele pode narrar como histórias que vivemos, levar como pessoas, confiar situações. Com Ele, podemos recompor ou tecido da vida, cosendo como ruturas e os rasgões. Quanto nós, todos, precisamos disso!

Com o olhar do Narrador – o único que tem o ponto de vista final -, aproxima-se depois dos protagonistas, dos nossos irmãos e irmãs, atores relacionados à história de hoje. Sim, porque ninguém está simplesmente aparecendo no palco do mundo; a história de cada um está aberta a possibilidades de mudança. Mesmo quando narramos ou mal, podemos aprender a deixar ou espaço à redenção; podemos reconhecer, no meio do mal, também o dinamismo do bem e o espaço.

Por isso, não se trata de seguir como lógicas de contar histórias , nem fazer ou fazer publicidade, mas fazer memórias do quilo que somos os olhos de Deus, testemunhar aquilo que o Espírito lê nos olhos, revelar um cad que sua história contém maravilhas estupendas. Para fazer o acompanhamento, confiamos em uma Mulher que criou a humanidade de Deus no seio e – diz o Evangelho – fez tudo de forma conjunta para os acontecimentos. De fato, em Virgem Maria tudo guardou, meditando – ou no seu coração (cf. Lc 2, 19 ). Peçamos-A ajuda a Ela, que soube desatar os nós da vida com força suave do amor:

Ó Maria, mulher e mãe, Vós não se refere à Palavra divina, Vós narra com uma vida vossa como obras magníficas de Deus. Ouvir como nossas histórias, guardai-como vosso coração e faz vossas também como histórias que ninguém quer escutar. Ensinai-nos a reconhecer ou fio bom que guia a história. Olhai ou tumulo de nós em que semaranhou nossa vida, paralisando nossa memória. Pelas vossas mãos delicadas, todos os nós podem ser desatados. Mulher do Espírito, Mãe da confiança, inspira-nos também a nós. Ajudai-nos a construir histórias de paz, histórias de futuro. E indica-nos ou caminho para como percorrermos juntos.

Roma, em São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales,

24 de janeiro de 2020.

FRANCISCUS, PP

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[1] Cf. Bento XVI, Carta enc. Spe salvi (30 / XI / 2007), 2: «A mensagem cristã não era tão” informativa “, mas” performativa “. Isso significa que o Evangelho não é apenas uma comunicação de realidades que pode saber, mas uma comunicação que gera fatos e muda a vida ».

[00107-PO.01] [Texto original: italiano]

 

Convite para Ordenação Presbiteral

“Porque está escrito: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec.” (Hebreus 7,17);

A Diocese de Guanhães e os diáconos André, Daniel e Edmilson, convidam os diocesanos, fiéis e amigos, para Celebração Eucarística, na qual serão ordenados presbíteros.

A solene celebração será no dia 21 de fevereiro, às 19h, na Sé Catedral de São Miguel, em Guanhães.

Venham participar conosco!
Sua presença será motivo de grande alegria para todos nós.

 

 

 

Conheça os futuros padres de nossa diocese:

 

– O Diác. André Luiz Eleutério Lomba, nasceu em Rio Vermelho (MG), no dia 21/12/1987

Teve sua formação acadêmica de Licenciatura em Filosofia pelo Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga/MG, e pela Faculdade Católica de Anápolis/GO (2013). Bacharelou-se em Teologia pelo Seminário Diocesano de Caratinga e pelo Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA) de Belo Horizonte/MG (2016). Especializou-se em Catequética pelo Instituto Regional de Pastoral Catequética (IRPAC) e pela PUC Minas (2014-2017). No momento atual, de sua etapa formativa, vive o estágio diaconal na Paróquia São José, em Paulistas/ MG.

Dentre os estudos já mencionados, o diácono André, desempenhou várias funções na diocese; coordenador da Escola de Teologia para Leigos, membro da equipe de assessoria dos Roteiros (cartilhas/novena de natal/grupos de reflexão), e outros.

No dia 09 de fevereiro de 2018, recebeu a ordenação diaconal, pela Oração da Igreja e imposição das mãos do bispo diocesano na época, dom Jeremias Antônio de Jesus.

 

– O Diác. Daniel Bueno Borges, nasceu em São José dos Campos/SP, em 22 de junho de 1983.

Teve sua formação acadêmica de Licenciatura em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano. Formado em música, pela Faculdade de música (ULM) -São Paulo – SP, e realizou seus estudos de Teologia pela Faculdade Católica de São José dos Campos -SP.

Especializou-se no curso Técnico em restauro e conservador de imagens policromadas pela Faculdade SENAI Félix Guisard, (UNITAU) -Taubaté/SP e (FUNDJAC) Fundação Dom Jose Antônio do Couto Museu de arte sacra de Taubaté-SP.

Foi acolhido na Diocese de Guanhães pelo bispo dom Jeremias, e incardinou-se na mesma.

No atual momento, está desempenhando o estágio diaconal na Paróquia Sant’Ana, em Água Boa/ MG. E vem desempenhando outras funções, a nível diocesano, como membro da equipe de assessoria da Pastoral Litúrgica, Apostolado da Oração e Legião de Maria.

No dia 09 de fevereiro de 2018, recebeu a ordenação diaconal, pela Oração da Igreja e imposição das mãos do bispo diocesano na época, dom Jeremias Antônio de Jesus.

 

– O Diác.  Edmilson Henrique Cândido, nasceu na cidade de Monsenhor Paulo/ MG, no dia 26 de setembro de 1974.

Teve sua formação acadêmica, formando no Magistério na E. E. Presidente Kennedy; realizou seus estudos de Filosofia no Instituto São José de Três Corações; e sua formação em Teologia no ISTA (Instituto São Tomás de Aquino) em Belo Horizonte.

Foi acolhido na Diocese de Guanhães pelo bispo dom Jeremias, e incardinou-se na mesma.

No atual momento, está desempenhando o Estágio diaconal na Paróquia Nossa Senhora da Pena, em Rio Vermelho/ MG. E vem desempenhando, a nível diocesano, a função de assessor da Pastoral do Dízimo

No dia 09 de fevereiro de 2018, recebeu a ordenação diaconal, pela Oração da Igreja e imposição das mãos do bispo diocesano na época, dom Jeremias Antônio de Jesus.

Igreja celebrará pela primeira vez o “Domingo da Palavra de Deus”.

Isto acontecerá no próximo dia 26 de janeiro de 2020.

O Papa Francisco, atendendo a inúmeras solicitações chegadas de todo o mundo, instituiu, com a Carta Apostólica Aperuit illis, o Domingo da Palavra de Deus a ser celebrado todos os anos no 3º Domingo do Tempo Comum, para celebrar, refletir e divulgar a Palavra de Deus (Aperuit illis, 3).

A carta Aperuit illis foi assinada pelo Papa Francisco no dia 30 de setembro de 2019, memória de São Jerônimo, dia em que se começou a celebrar 1600º aniversário de morte do doutor das Escrituras. Foi ele quem afirmou: “Desconhecer as Escrituras é desconhecer Cristo”.

Ademais, os evangelhos deste domingo, nos três ciclos litúrgicos (A, B e C), relatam o início do ministério público daquele que ao mesmo tempo é o mediador e mensagem, Jesus, o Verbo feito carne (cf. Jo 1,4).

O Santo Padre já havia manifestado no fim do Ano Santo da Misericórdia o seu desejo de que “a Palavra de Deus seja cada vez mais conhecida, celebrada e difundida” (Misericordia et misera, 7). Nesta mesma Carta Apostólica, com a qua encerrou o Jubileu Extraordinário, Francisco desejava que “toda a comunidade, em um domingo do ano litúrgico, pudesse renovar o empenho pela difusão, pelo conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura, um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a inexaurível riqueza que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo” (Misericordia et misera, 7).

Cabe, portanto, a cada realidade local encontrar formas adequadas e eficazes para viver, da melhor forma possível, esse domingo, fazendo “crescer no povo de Deus uma religiosa e assídua familiaridade com as Sagradas Escrituras, tal como ensinava o autor sagrado já nos tempos antigos: ‘Esta palavra está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a praticares’ (Dt 30,14)” (Aperuit illis, 15).

Algumas pistas são oferecidas pelo Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização às quais somamos iniciativas próprias da nossa realidade:

– valorizar o lugar da Palavra na celebração litúrgica;

– familiarizar-se com os livros da Palavra na liturgia: o lecionário e o evangeliário;

– acolher a Palavra (evangeliário) na procissão de entrada, trazida por um diácono ou leitor e depositada sobre o altar até a sua proclamação ou deposta num pequeno trono que sublinhe a sua centralidade, como foi feito no Concílio Vaticano II;

– valorizar a proclamação da Palavra e capacitar os seus proclamadores;

– cantar o salmo, essa deveria ser a regra;

– nas celebrações presididas pelo bispo, valorizar a bênção com o evangeliário, dada depois da proclamação do Evangelho e acolhida num silencio orante, acompanhado pelo sinal da cruz;

– expressar veneração à Palavra após a sua proclamação, expondo o evangeliário à veneração dos fiéis, que pode ser expressa por um beijo, um toque, uma inclinação, um canto ou mesmo um aplauso;

– entregar ritualmente a Bíblia aos fiéis que não a possuem, estimulando-os a ler, a escutar nela a Palavra de Deus e a transmiti-la, ou ainda aos catequistas que neste ano exercerão este ministério da Palavra;

– promover um tempo de oração com a Leitura Orante da Bíblia;

– incentivar a escuta e a entronização da Bíblia nas famílias;

– realizar gincanas bíblicas com os coroinhas, acólitos e crianças, adolescentes e jovens da catequese e dos grupos de jovens;

– divulgar o projeto Lectionautas Brasil de leitura orante na web (www.lectionautas.com.br) e promover a capacitação de jovens lectionautas na comunidade/paróquia;

– convidar as comunidades cristãs separadas para partilhar uma celebração da Palavra;

– promover a leitura contínua do evangelho durante um período de tempo na Igreja ou na praça, com bons leitores, locutores locais, pessoas de renome etc;

– encontrar os grupos de círculo bíblico para motivação missionária, a partir da importância do encontro ao redor da Palavra;

– por fim, começar iniciativas que envolvam a Palavra de Deus e possam se prolongar ao longo do ano e da vida da comunidade. 

Nesta linha de proximidade prática da Palavra de Deus, vale a pena lembrar que com a Carta Apostólica Misericordia et misera, o Papa Francisco instituiu também o Dia mundial dos pobres, celebrado no 33º Domingo do Tempo Comum, domingo anterior à Solenidade de Cristo, Rei do universo. Este ano, o Dia mundial dos pobres ocorrerá no domingo, 15 de novembro, sendo precedido por uma Jornada mundial dos pobres, que ocorre na semana precedente.

 

Por, Pe. Jean Poul Hansen – Coordenador Diocesano de Pastoral da Diocese de Campanha/MG.

Solenidade de Maria, Mãe de Deus (Homilia do Papa)

Santa Missa na Solenidade de Maria, Mãe de Deus e 53° Dia Mundial da Paz, 1/1/2020

 

Às 10 horas desta manhã, na Basílica Vaticana, o Santo Padre Francis presidiu a celebração da Missa da Solenidade de Maria Mãe de Deus de Natal na oitava e a comemoração do 53° Dia Mundial da Paz sobre o tema da Paz como um caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica . Publicamos abaixo a homilia que o Papa Francisco fez durante a celebração eucarística, após a proclamação do Evangelho:

Homilia do Santo Padre 

“Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher” ( Gl 4: 4). Nascido de uma mulher: foi assim que Jesus veio. Ele não apareceu no mundo adulto, mas, como o Evangelho nos disse, ele foi “concebido no ventre” ( Lc 2:21): ali ele fez nossa humanidade sua, dia após dia, mês após mês. No ventre de uma mulher, Deus e a humanidade se uniram para nunca mais deixar um ao outro: mesmo agora, no céu, Jesus vive na carne que tomou no ventre da mãe. Em Deus existe a nossa carne humana!

No primeiro dia do ano, celebramos este casamento entre Deus e o homem, inaugurado no ventre de uma mulher. Em Deus, nossa humanidade será para sempre e Maria sempre será a Mãe de Deus. Ela é mulher e mãe, este é o essencial. Dela, mulher, a salvação surgiu e, portanto, não há salvação sem a mulher. Ali Deus se juntou a nós e, se queremos nos unir a ele, seguimos o mesmo caminho: para Maria, mulher e mãe. Então, vamos começar o ano com o sinal de Nossa Senhora, uma mulher que teceu a humanidade de Deus. Se queremos tecer os enredos de nossos dias de humanidade, devemos recomeçar a partir da mulher.

Nascido de mulher. O renascimento da humanidade começou com a mulher. As mulheres são fontes de vida. No entanto, são continuamente ofendidos, espancados, violados, induzidos a se prostituir e a suprimir a vida que carregam em seu ventre. Qualquer violência infligida às mulheres é uma profanação de Deus, nascida de uma mulher. A salvação para a humanidade veio do corpo de uma mulher: pela maneira como tratamos o corpo da mulher, entendemos nosso nível de humanidade. Quantas vezes o corpo da mulher é sacrificado nos altares profanos da publicidade, renda, pornografia, explorados como uma superfície a ser usada. Deve ser libertado do consumismo, deve ser respeitado e honrado; é a carne mais nobre do mundo, concebeu e deu à luz o amor que nos salvou! Hoje, a maternidade também é humilhada, porque o único crescimento que nos interessa é o crescimento econômico. Tem mães

Nascido de mulher . De acordo com a história da Bíblia, a mulher atinge o clímax da criação, como o resumo de toda a criação. De fato, ela encarna o objetivo da própria criação: a geração e a custódia da vida, a comunhão com tudo, cuidando de tudo. É o que Nossa Senhora faz no evangelho hoje. “Maria – diz o texto – guardava todas essas coisas, meditando nelas em seu coração” (v. 19). Ele guardava tudo: a alegria pelo nascimento de Jesus e a tristeza pela hospitalidade negada em Belém; o amor de José e o espanto dos pastores; promessas e incertezas para o futuro. Tudo tomou conta do coração e em seu coração tudo pôs em prática, até a adversidade. Porque em seu coração ele organizou tudo com amor e confiou tudo a Deus.

No Evangelho, essa ação de Maria volta uma segunda vez: no fim da vida oculta de Jesus, é dito que “sua mãe guardava todas essas coisas em seu coração” (v. 51). Essa repetição nos faz entender que guardar no coração não é um gesto agradável que Nossa Senhora fazia de vez em quando, mas seu hábito. É apropriado que as mulheres levem a vida ao coração. A mulher mostra que o significado de viver não é continuar produzindo coisas, mas levar as coisas que estão aí para o coração. Somente quem olha com o coração vê bem, porque sabe “ver por dentro”: a pessoa além de seus erros, o irmão além de suas fragilidades, a esperança nas dificuldades; vê Deus em tudo.

Quando começamos o novo ano, nos perguntamos: “Posso olhar com meu coração? Posso olhar para as pessoas com meu coração? Preocupo-me com as pessoas com quem vivo ou as destruo com conversa fiada? E acima de tudo, tenho o Senhor no coração? Ou outros valores, outros interesses, minha promoção, riquezas, poder? “. Somente se a vida é perto do nosso coração sabemos prendercene cuidadose superar a indiferença que nos rodeia. Pedimos esta graça: viver o ano com o desejo de levar os outros a sério, de cuidar dos outros. E se queremos um mundo melhor, que é uma casa de paz e não um pátio de guerra, temos a dignidade de toda mulher no coração. O príncipe da paz nasceu da mulher. A mulher é doadora e mediadora da paz e deve estar totalmente associada aos processos de tomada de decisão. Porque quando as mulheres podem transmitir seus dons, o mundo se vê mais unido e mais pacífico. Portanto, uma conquista para as mulheres é uma conquista para toda a humanidade.

Nascido de mulher . Assim que Jesus nasceu, ele se refletiu nos olhos de uma mulher, no rosto de sua mãe. Dela ele recebeu as primeiras carícias, com ela trocou os primeiros sorrisos. Com ela, ele inaugurou a revolução da ternura. A Igreja, olhando para o bebê Jesus, é chamada a continuar. De fato, ela também, como Maria, é uma mulher e uma mãe, a Igreja é uma mulher e uma mãe, e na Madonna ela encontra seus traços distintivos. Ela a vê imaculada e se sente chamada a dizer “não” ao pecado e ao mundanismo. Ela a vê, frutuosa, e se sente chamada a anunciar o Senhor, a gerá-lo em vidas. Ela a vê, mãe, e se sente chamada a acolher todos os homens como um filho.

Ao se aproximar de Maria, a Igreja se encontra, redescobre seu centro, redescobre sua unidade. Em vez disso, o inimigo da natureza humana, o diabo, tenta dividi-lo, colocando diferenças, ideologias, pensamentos partidários e partidos em primeiro plano. Mas não entendemos a Igreja se olharmos para ela a partir de estruturas, a partir de programas e tendências, de ideologias, da funcionalidade: compreenderemos algo, mas não o coração da Igreja. Porque a Igreja tem um coração de mãe. E nós, filhos hoje, invocamos a Mãe de Deus, que nos une como povo crente. Ó Mãe, gera esperança em nós, traz unidade para nós. Mulher de salvação, confiamos a você este ano, guarde em seu coração. Nós te aclamamos: Santa Mãe de Deus Todos juntos, três vezes, nós aclamamos a Senhora, de pé, Nossa Senhora Santa Mãe de Deus: [com a assembléia] Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus!

[00001-IT.02] [Texto original: italiano]

[B0001-XX.02]

Mensagem e Benção Urbi et Orbi

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

NATAL 2019

Balcão central da Basílica Vaticana
Quarta-feira, 25 de dezembro de 2019.

 

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9,1).

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Nesta noite, do ventre da mãe Igreja, nasceu de novo o Filho de Deus feito homem. O seu nome é Jesus, que significa Deus salva. O Pai, Amor eterno e infinito, enviou-O ao mundo, não para condenar o mundo, mas para o salvar (cf. Jo 3, 17). O Pai no-Lo deu, com imensa misericórdia; deu-O para todos; deu-O para sempre. E Ele nasceu como uma chamazinha acesa na escuridão e no frio da noite.

Aquele Menino, nascido da Virgem Maria, é a Palavra de Deus que Se fez carne; a Palavra que guiou o coração e os passos de Abraão rumo à terra prometida, e continua a atrair aqueles que confiam nas promessas de Deus; a Palavra que guiou os judeus no caminho desde a escravidão à liberdade, e continua a chamar os escravos de todos os tempos, incluindo os de hoje, para sairem das suas prisões. É Palavra mais luminosa do que o sol, encarnada num pequenino filho de homem, Jesus, luz do mundo.

Por isso, o profeta exclama: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9,1). É verdade que há trevas nos corações humanos, mas é maior a luz de Cristo; há trevas nas relações pessoais, familiares, sociais, mas é maior a luz de Cristo; há trevas nos conflitos económicos, geopolíticos e ecológicos, mas é maior a luz de Cristo.

Que Jesus Cristo seja luz para tantas crianças que padecem a guerra e os conflitos no Médio Oriente e em vários países do mundo; seja conforto para o amado povo sírio, ainda sem o fim à vista das hostilidades que dilaceraram o país nesta década; sacuda as consciências dos homens de boa vontade; inspire hoje os governantes e a comunidade internacional, para encontrar soluções que garantam a segurança e a convivência pacífica dos povos da Região e ponham termo aos seus sofrimentos indescritíveis; seja sustentáculo para o povo libanês, para poder sair da crise atual e redescobrir a sua vocação de ser mensagem de liberdade e coexistência harmoniosa para todos.

Que o Senhor Jesus seja luz para a Terra Santa, onde Ele nasceu, Salvador do homem, e onde continua a expectativa de tantos que, apesar de cansados mas sem se perder de ânimo, aguardam dias de paz, segurança e prosperidade; seja consolação para o Iraque, atravessado por tensões sociais, e para o Iémen, provado por uma grave crise humanitária.

Que o Menino pequerrucho de Belém seja esperança para todo o continente americano, onde várias nações estão a atravessar um período de convulsões sociais e políticas; revigore o querido povo venezuelano, longamente provado por tensões políticas e sociais, e não lhe deixe faltar a ajuda de que precisa; abençoe os esforços de quantos se empenham em favorecer a justiça e a reconciliação e trabalham para superar as várias crises e as inúmeras formas de pobreza que ofendem a dignidade de cada pessoa.

Que o Redentor do mundo seja luz para a querida Ucrânia, que aspira por soluções concretas para uma paz duradoura.

Que o Senhor recém-nascido seja luz para os povos da África, onde perduram situações sociais e políticas que, frequentemente, obrigam as pessoas a emigrar, privando-as duma casa e duma família; haja paz para a população que vive nas regiões orientais da República Democrática do Congo, martirizada por conflitos persistentes; seja conforto para quantos padecem por causa das violências, calamidades naturais ou emergências sanitárias; dê consolação a todos os perseguidos por causa da sua fé religiosa, especialmente os missionários e os fiéis sequestrados, e para quantos são vítimas de ataques de grupos extremistas, sobretudo no Burkina Faso, Mali, Níger e Nigéria.

Que o Filho de Deus, descido do Céu à terra, seja defesa e amparo para todos aqueles que, por causa destas e outras injustiças, devem emigrar na esperança duma vida segura. É a injustiça que os obriga a atravessar desertos e mares, transformados em cemitérios; é a injustiça que os obriga a suportar abusos indescritíveis, escravidões de todo o género e torturas em campos de detenção desumanos; é a injustiça que os repele de lugares onde poderiam ter a esperança duma vida digna e lhes faz encontrar muros de indiferença.

Que o Emmanuel seja luz para toda a humanidade ferida. Enterneça o nosso coração frequentemente endurecido e egoísta e nos torne instrumentos do seu amor. Através dos nossos pobres rostos, dê o seu sorriso às crianças de todo o mundo: às crianças abandonadas e a quantas sofreram violências. Através das nossas frágeis mãos, vista os pobres que não têm nada para se cobrir, dê o pão aos famintos, cuide dos enfermos. Pela nossa frágil companhia, esteja próximo das pessoas idosas e de quantas vivem sozinhas, dos migrantes e dos marginalizados. Neste dia de festa, dê a todos a sua ternura e ilumine as trevas deste mundo.

Queridos irmãos e irmãs!

Renovo os meus votos dum Natal feliz para todos vós que, vindos dos quatro cantos da Terra, vos encontrais nesta Praça [de São Pedro] e para quantos nos acompanham pela rádio, televisão e restantes meios de comunicação. Obrigado pela vossa presença, neste dia de alegria.

Todos somos chamados a dar esperança ao mundo anunciando, por palavras e sobretudo com o testemunho da nossa vida, que nasceu Jesus, nossa paz.

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Bom almoço de Natal! Até à vista.

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