Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023

Esquema explicativo da Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023. (CNBB)

DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL 2019-2023 – (DGAEs) DOCUMENTO 109 – 57ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil.

EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”. Este é o objetivo geral destas Diretrizes do quadriênio 2019-2023. Na introdução , o Documento diz: Jesus Cristo – o missionário do Pai – veio anunciar a Nova do Reino: “Reino da verdade e da vida, Reino da Santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”. (Prefácio da Solenidade de Cristo Rei). Consiste na nossa missão: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Diretrizes: uma das expressões mais significativas de colegialidade e missionariedade da Igreja no Brasil. A comunidade eclesial autêntica é necessariamente missionária e gera novas comunidades. É preciso colocar a missão de Jesus no coração da Igreja. Quatro Pilares contemplam as urgências das Diretrizes anteriores:

– Palavra: Iniciação à vida cristã e animação bíblica;

– Pão: Liturgia e Espiritualidade;

– Caridade: serviço à vida plena;

– Ação Missionária: estado permanente de missão.

O Jornal Partilhando , amigo leitor, em cada edição , trará informações , pistas de ações e também ações concretas já executadas na paróquia São Miguel e Almas . Nesta edição, será contemplado o Pilar da Caridade. Sobre o Pilar da Caridade , o Documento apresenta:

Pilar da Caridade: serviço à vida plena

Eram perseverantes (…) na comunhão fraterna” (At 2,42).

Na fé cristã, a espiritualidade centra-se na capacidade de amar a Deus e ao próximo.

Uma “Igreja pobre para os pobres”: superar ambições, consumismo e insensibilidade diante do sofrimento (como nos lembra o Papa Francisco).

Comunidade cristã deve promover a cultura da vida: enfrentar a questão da violência em suas diversas faces; falta de moradia digna; as condições que levam e mantêm populações em situação de rua e encarcerada; a complexa realidade das migrações humanas; o abandono e a exploração das crianças e dos idosos; a falta de perspectiva para juventude e a crise familiar; o complexo mundo do trabalho, da educação, da saúde, do transporte; as provocações do ambiente acadêmico universitário, da ciência e da tecnologia; as problemáticas que envolvem os meios de comunicação social e as novas mídias e as questões sobre a ecologia integral (DGAE n.109.111).

Contemplar o Cristo sofredor na pessoa dos pobres é compromisso com todos os que sofrem: pessoas com crise de sentido, depressão, pânico, transtornos de personalidade e até o suicídio (DGAE n. 110).

Superação da xenofobia e tráfico humano (DGAE n.112).

Preocupação com povos indígenas, quilombolas e pescadores, nômades (DGAE n.113).

Podem-se ler no Documento alguns encaminhamentos práticos:

Pilar da Caridade: a serviço da vida

– Fundamentação na Palavra de Deus e na Doutrina Social da Igreja;

– defesa da vida desde a fecundação até o seu fim natural;

– promover a solidariedade com os sofredores nas cidades (Bom Samaritano);

– priorizar as ações com as famílias e com os jovens;

– aguçar a atenção às inúmeras e novas formas de sofrimento e exclusão, nem sempre acolhidas pela ação caritativa e sociotransformadora até então desenvolvida;

– ousar ainda mais e transformar o acolhimento e a fraternidade da vida de comunidade, em apoio à resiliência e encontro de novos rumos para a vida;

– integrar o contato com a Palavra de Deus levando à solidariedade com os que sofrem, nos quais encontramos a presença do Senhor;

– desenvolver grupos de apoio às vítimas da violência (de todas as formas);

– encorajar o laicato a continuar o empenho apostólico inspirado na DSI, na transformação da realidade, com engajamento consciente em todas as realidades temporais: política partidária, pastorais sociais, mundo da educação, conselhos de direitos, elaboração e acompanhamento de políticas públicas, o cuidado da natureza e todo o planeta (nossa Casa Comum);

– continuar apoiando a organização do conselho do laicato nos níveis nacional, regional e local;

– contribuir para o resgate do espaço público da cidade como ágora e foro: lugar do encontro, convivência, deliberação e inclusão dos “não citadino” ou “resíduos urbanos”, garantindo para todos o direito de ser cidade;

– cuidado com a Casa Comum – implantar a Pastoral da Ecologia – novo modo de estar e viver no mundo;

– apoiar e incentivar as pastorais da mobilidade humana;

– assumir a promoção da paz como prioridade;

– ser voz dos que clamam por vida digna (Terra, Trabalho e Teto);

– firmar e fortalecer as iniciativas de diálogo ecumênico e inter-religioso, a partir da identidade cristã, para a defesa dos direitos humanos e promoção da cultura da paz.

Para enriquecer um pouco mais sobre “ a caridade”, Dom Otacilio nos fala sobre “A verdadeira caridade”

Para aprofundarmos sobre a prática da caridade, sejamos enriquecidos pelo Tratado escrito pelo Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno (séc. VI):

A Lei de Deus, da qual se fala neste lugar, deve entender-se que é a caridade, pela qual podemos sempre ler em nosso interior quais são os preceitos de vida que temos que praticar.

A respeito desta Lei, diz Aquele que é a própria verdade: Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros. A respeito dela diz São Paulo: Amar é cumprir toda a Lei. E também: Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a Lei de Cristo.

O que melhor define a Lei de Cristo é a caridade, e esta caridade a praticamos de verdade quando toleramos por amor as cargas dos irmãos.

Porém, esta Lei abrange muitos aspectos, porque a caridade zelosa e solícita inclui os atos de todas as virtudes. O que começa somente por dois preceitos se estende a inumeráveis facetas.

Esta multiplicidade de aspectos da Lei é enumerada adequadamente por Paulo, quando diz: O amor é paciente, afável; não tem inveja; não é presunçoso nem é vaidoso; não é ambicioso nem egoísta; não se irrita, não guarda rancor; não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

O amor é paciente, porque tolera com serenidade os males que lhe são infligidos. É afável, porque devolve generosamente o bem pelo mal. Não tem inveja, porque, ao não desejar nada deste mundo, ignora o que é a inveja pelos êxitos terrenos. Não é presunçoso, porque deseja ansiosamente o prêmio da retribuição espiritual, e por isto não se vangloria dos bens exteriores. Nem é vaidoso, porque tem por único objetivo o amor de Deus e do próximo, e por isto ignora tudo o que se afasta do reto caminho. Não é ambicioso, porque, dedicado com ardor ao seu proveito interior, não sente desejo algum das coisas alheias e exteriores. Nem é egoísta, porque considera como alheias todas as coisas que possui aqui de modo transitório, já que só reconhece como próprio aquilo que perdurará juntamente com ele. Não se irrita, porque, ainda que sofra injúrias, não se deixa levar por desejos de vingança, pois espera um prêmio muito superior aos seus sofrimentos. Não guarda rancor, porque sua alma está livre de toda maquinação doentia. Não se alegra com a injustiça, porque, desejoso unicamente do amor para com todos, não se alegra nem da ruína de seus próprios adversários. Alegra-se com a verdade, porque, amando aos outros como a si mesmo, ao observar nos outros a retidão, alegra-se como se fosse de seu próprio progresso. Vemos, portanto, como esta Lei de Deus abrange muitos aspectos.” (1)

O Tratado do Papa São Gregório em muito nos ajuda à compreensão do Mandamento dos inseparáveis amores, o amor a Deus e ao próximo.

Ainda mais, nos ajuda à compreensão do que consiste a verdadeira caridade, que o Apóstolo Paulo tão bem expressou em sua Carta (1 Cor 13).

No seguimento de Jesus Cristo, como discípulos missionários d’Ele, somos eternos aprendizes destes Mandamentos, para que cresçamos na prática esforçada da caridade, e assim seremos atuantes na fé e firmes na esperança, nas mais diversas realidades e âmbitos da existência.

  1. Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.238-239

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

Bispo Diocesano de Guanhães/MG

 

A Palavra do Pastor
O Senhor e o milagre do amor

O Senhor e o milagre do amor

  A Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum (ano A) nos convida a refletir sobre a grandiosidade do amor...
Read More
O Reino de Deus é a nossa maior riqueza – Homilia para o XVII Domingo do Tempo Comum do Ano A

O Reino de Deus é a nossa maior riqueza – Homilia para o XVII Domingo do Tempo Comum do Ano A

  Com a Liturgia da Palavra do 17º Domingo do Tempo Comum (ano A) refletiremos à luz das Parábolas da...
Read More
Deus é paciente, misericordioso e espera a nossa conversão – Homilia para o XVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

Deus é paciente, misericordioso e espera a nossa conversão – Homilia para o XVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

A Liturgia da Palavra do 16º Domingo do Tempo Comum – (ano A) nos leva a refletir, à luz das...
Read More
A Divina Paciência – Homilia XVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

A Divina Paciência – Homilia XVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

O Missal Dominical nos oferece uma reflexão enriquecedora para a Liturgia do 16º Domingo do Tempo comum (Ano A). Algumas...
Read More
Que o nosso coração seja fecundo – Homilia do XV do Tempo Comum do Ano A

Que o nosso coração seja fecundo – Homilia do XV do Tempo Comum do Ano A

“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são...
Read More
Como é maravilhoso ser Presbítero!

Como é maravilhoso ser Presbítero!

O que a Palavra de Deus nos diz e a Igreja nos ensina, sobre o ser Presbítero? O Presbítero é:...
Read More
Humildade e pequenez diante de Deus – Homilia – 14º Domingo do Tempo Comum

Humildade e pequenez diante de Deus – Homilia – 14º Domingo do Tempo Comum

                                       ...
Read More
Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu (Homilia)

Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu (Homilia)

Pedro e Paulo, Apóstolos tão exemplares, exemplos de fidelidade e testemunho de Jesus Vivo e Ressuscitado. O primeiro com Jesus conviveu,...
Read More
” Não tenhais medo”. Homilia do 12º Domingo do Tempo Comum ( Ano A)

” Não tenhais medo”. Homilia do 12º Domingo do Tempo Comum ( Ano A)

  “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” A Liturgia do 12º Domingo...
Read More
Fidelidade à missão que o Senhor nos confia  – Homilia para o XI Domingo do Tempo Comum do Ano A

Fidelidade à missão que o Senhor nos confia – Homilia para o XI Domingo do Tempo Comum do Ano A

  Com a Liturgia do 11º Domingo do tempo Comum (ano A), somos convidados a refletir sobre a missão que...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto: