SÃO MIGUEL ARCANJO PADROEIRO DA DIOCESE DE GUANHÃES

Pode-se dizer que a história que levou São Miguel se tornar o Padroeiro da nossa Diocese inicia na cidade de Guanhães quando o proprietário da Fazenda Guanhães, o Guarda-Mor Antônio Feliciano, vendeu uma grande parcela de suas terras para o senhor José Coelho da Rocha, fiel devoto de São Miguel, que erigiu no alto do Bairro do Rosário a primeira Ermida de Guanhães que ficou pronta no ano de 1821.

No Decreto da criação da Diocese de Guanhães, datado em 01 de maio de 1986, assinado por São João Paulo II, então Sumo Pontífice, lê-se: “Ao mesmo tempo, mandamos que a nova sede da Diocese seja colocada na cidade chamada Guanhães; e a mesma Igreja paroquial ali existente dedicada a Deus em honra de São Miguel Arcanjo, elevamos a dignidade de Igreja Catedral…”

A imagem de São Miguel apresenta alguns símbolos tais como: Asas, Armadura, Espada, Balança e o demônio sob seus pés.

Podemos dizer que a Espada simboliza a nossa fé em Deus; com ela podemos vencer todo mal. A Balança, símbolo marcante que São Miguel também traz nas mãos nos remete ao significado do seu nome: “Quem como Deus?” Ela representa a Justiça de Deus, que nunca falha em seu combate contra o mal, representando e protegendo sempre o correto.

Nesses tempos difíceis onde a justiça parece minguar, principalmente para os pequenos do Reino, São Miguel vem nos apontar a justiça divina em favor de todos os seus filhos e filhas. A palavra Justiça aparece sete vezes no Evangelho de Mateus (Mt 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32). O ideal religioso dos judeus da época era “ser justo diante de Deus”. Os fariseus ensinavam: “A pessoa alcança a justiça diante de Deus quando chega a observar todas as normas da lei em todos os seus detalhes!”. Este ensinamento gerava uma opressão legalista e trazia muitas angústias para as pessoas de boa vontade, pois era muito difícil para o povo pobre observar todas as normas. Por isso, Mateus recolhe palavras de Jesus sobre a justiça mostrando que ela deve ultrapassar a justiça dos fariseus (Mt 5,20). “Para Jesus, a justiça não vem daquilo que eu faço para Deus observando a lei, mas sim vem do que Deus faz por mim, me acolhendo com amor como filho ou filha”.

O novo ideal que Jesus propõe é este: “Ser perfeito como o Pai do céu é perfeito!” (Mt 5,48). Isto quer dizer: eu serei justo diante de Deus, quando procuro acolher e perdoar as pessoas da mesma maneira como Deus me acolhe e me perdoa gratuitamente, apesar dos meus muitos defeitos e pecados.

Os anjos são “mensageiros” de Deus. Eles são enviados a terra trazendo uma mensagem de Deus às pessoas. Deus “desce” até nós por meio dos anjos (Rafael Tobias 5,4), (Gabriel Lucas 1, 26), (Miguel Daniel 10,13).

Um Deus que desce… No Primeiro Testamento, livro do Êxodo, a experiência que Moisés faz é muito bonita. Deus chama-o para “libertar o povo” que vivia oprimido pelo Faraó. E Deus revela a Moisés sua identidade: “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor e conheço os seus sofrimentos, por isso, desci para libertá-lo e fazê-lo subir dessa terra…” (Êxodo 3,7-8).

É um Deus presente na vida das pessoas e, para ajudar, Ele “desce”. De uma experiência “distante” para um Deus próximo, que “desce”.

O Evangelho de João destaca muito essa atitude de “descer”. Jesus “desce” e lava os pés dos discípulos. Eles não compreendem: “como pode Tu nos lavar os pés?”

Essa atitude da “descida” faz a gente rezar uma presença de Deus muito bonita. Deus nunca nos abandona. Nunca se esquece de nós. É aquele que transforma nosso “pranto em festa”.

Para os seguidores de Jesus, na espiritualidade do Deus revelado a Moisés, aprendemos uma atitude fundamental: se Deus desce, nós também precisamos descer. Quanto mais descemos, mais encontramos Deus!

Vamos nos desafiar cada vez mais a “descer” dos nossos egoísmos, dos nossos individualismos, ganâncias, soberbas, corrupções, mentiras… Descer do salto que nos faz “ser maior que os outros”. “Descer” também para encontrar os pobres, os sofredores, os doentes, os desempregados, as vítimas dos preconceitos, do machismo e algozes de tantas violências. Repito: quanto mais “descemos”, mais encontramos “um Deus que desce”.

Que São Miguel nos ajude a construir e viver a Igreja sonhada por “Francisco”!

Pe. Hermes F. Pedro/ Pároco da Paróquia São Miguel – Guanhães

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