Moralidade, peso de ouro

A sociedade brasileira precisa estar convicta de que a moralidade é o “ouro primeiro” de todos os processos. Nem mesmo inteligências estratégicas, procedimentos bem articulados e as soluções para os graves problemas são capazes de resistir à falta de tradição moral, fundamental para a construção do bem comum que precisa ser respeitado e promovido. Isso porque, o equilíbrio e a identidade de uma nação dependem fundamentalmente de um conjunto de normas, valores e costumes que constituem o tesouro de uma rica tradição moral. Assim, a sociedade deve se conduzir pelos princípios de sua carta maior, a Constituição Federal, que reúne referências normativas com o objetivo de garantir a justiça e fomentar a construção de uma cidadania solidária. A letra da norma, aquilo que está explícito na lei, resulta de processos interpretativos e de desdobramentos socioculturais e religiosos. Processos capazes de inspirar os seres humanos – congregados em povos e culturas – a leituras e entendimentos que possibilitem a configuração de uma tradição moral que ordene vivências, convivências, procedimentos e funcionamentos. Assim, uma sólida tradição moral não se configura a partir de simples recursos de subjetividades ou de ideologias. É fruto da interação dos seres humanos que se articulam na importante tarefa de edificá-la pela essencialidade do relacionamento entre pessoas e pela referência dos valores morais e princípios éticos, inegociáveis e intocáveis – cláusulas pétreas. Uma exemplar singularidade dentre essas cláusulas é a inviolabilidade do dom e do direito à vida, que tem de ser respeitada em todas as suas etapas – da fecundação ao declínio, com a morte natural. Toda legislação em contrário fere e desestabiliza o tecido da tradição moral, com graves prejuízos para todos. Mas preservar o bem comum não é tarefa fácil, exige cuidado e atenção, uma verdadeira luta no interno da sociedade. Não se pode desconsiderar a tendência de se buscar, simplesmente, o interesse pessoal. O egoísmo tem força para fazer passar o interesse de um ou de determinado grupo e segmento em prejuízo do outro ou do bem comum. A perda da tradição moral representa grave comprometimento da autoridade. Nesse horizonte, a prioridade deve ser o investimento na formação de condutas pautadas no respeito a valores ético-morais – não se fala aqui, absolutamente, de moralismos e conservadorismos, mas de rever conceitos e comportamentos. É preciso investir na recuperação da moralidade, em todos os setores, envolvendo o conjunto dos cidadãos, para alavancar projetos de desenvolvimento integral, de qualificação da cidadania. Esse percurso de formar, recompor e manter a tradição moral, indispensável a uma nação, não pode ser fruto de subjetivismo ou imposição ideológica. Os processos educativos, formais, familiares e nas diferentes circunstâncias e processos que compõem a vida cotidiana, têm séria responsabilidade por contribuir significativamente para que esse tecido erodido por muitas causas e razões se recomponha. O comprometimento do tecido moral, particularmente quando considerados os esquemas de corrupção e depredação do erário, o modo irresponsável com que é tratado o bem público, requer a ação de bons gestores, que representem o povo nas suas instituições, e cidadãos honestos nas relações do dia a dia, nas mais comuns circunstâncias. O atendimento a essa demanda urgente exige que se considere a importância do tesouro em que a moralidade está inscrita, especialmente neste ano eleitoral quando a credibilidade de candidatos está em questão. A tradição moral na política está sucateada e por isso o preço do descrédito é grande. O mesmo ocorre na esfera religiosa e não menos, de modo preocupante, no mundo do judiciário e em outros tantos segmentos da sociedade. Assusta muito ver decisões, frutos de interpretações de leis e normas, com favorecimentos por conivência, por poder ou até mesmo por mediocridade em razão da pouca competência, não só acadêmico-científica, mas sobretudo pelo distanciamento de sólidas tradições morais. É necessário assimilar a convicção de que a moralidade é a alavanca única que pode sustentar, dar consistência e empurrar na direção certa. A sociedade precisa, em todos os ambientes e segmentos, contar com cidadãos e cidadãs que, acima de tudo e prioritariamente, considerem, vivam e testemunhem a moralidade a peso de ouro .

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

A Palavra do Pastor
“Vós sois meus amigos” Homilia do VI Domingo da Páscoa – dom Otacilio F. de Lacerda

“Vós sois meus amigos” Homilia do VI Domingo da Páscoa – dom Otacilio F. de Lacerda

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 15,12-17), em que Jesus nos dá o Mandamento do amor: “Este...
Read More
Precisamos da Seiva do Amor do Senhor! Homilia – 5º Domingo do Tempo Pascal

Precisamos da Seiva do Amor do Senhor! Homilia – 5º Domingo do Tempo Pascal

“Eu sou a Videira e vós sois os ramos” A Liturgia do 5º Domingo da Páscoa (Ano B) é um...
Read More

A voz do Bom Pastor – Homilia – 4º Domingo da Páscoa

“Eu sou o Bom Pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem,  assim como o Pai me conhece e Eu...
Read More
A comunidade do Ressuscitado – Homilia – 2º Domingo da Páscoa Ano B

A comunidade do Ressuscitado – Homilia – 2º Domingo da Páscoa Ano B

Com a Liturgia do 2º Domingo da Páscoa (ano B), também chamado de “Domingo da Misericórdia”, à luz da Palavra...
Read More
O Cristo Ressuscitado caminha conosco! Aleluia!

O Cristo Ressuscitado caminha conosco! Aleluia!

O Ano Litúrgico (ano B), começa com a quarta-feira de cinzas, e com ela o início do itinerário quaresmal, e...
Read More
Domingo de Ramos:  Jesus elevado na Cruz para nos elevar – Homilia – Dom Otacilio F. de Lacerda

Domingo de Ramos: Jesus elevado na Cruz para nos elevar – Homilia – Dom Otacilio F. de Lacerda

"Meu  Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"  (Mc 15,34) No Domingo de Ramos (ano B), refletimos sobre o Amor de...
Read More
“Deus merece que sejamos melhores” – Homilia – Quarto Domingo do Tempo Quaresmal – Dom Otacilio – Ferreira de Lacerda

“Deus merece que sejamos melhores” – Homilia – Quarto Domingo do Tempo Quaresmal – Dom Otacilio – Ferreira de Lacerda

A Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (Ano B) é conhecida como Domingo “Laetare”, ou seja, Domingo da alegria, devido...
Read More
A cidade, seus clamores e a missão Presbiteral – Dom Otacilio F. de Lacerda

A cidade, seus clamores e a missão Presbiteral – Dom Otacilio F. de Lacerda

As grandes cidades enfrentam os inúmeros problemas de nosso tempo, principalmente porque vivemos em mudança de época, muito mais do...
Read More
Uma religião agradável ao Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Tempo Comum – Ano B

Uma religião agradável ao Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Tempo Comum – Ano B

Com o 3º Domingo da Quaresma (ano B), damos mais um passo no Itinerário rumo à Páscoa do Senhor. Podemos...
Read More
A Glória é precedida pela Cruz – Homilia – Segundo Domingo do Tempo Quaresmal – Ano B

A Glória é precedida pela Cruz – Homilia – Segundo Domingo do Tempo Quaresmal – Ano B

O segundo Domingo da Quaresma (ano B), identificado como “O Domingo da Transfiguração do Senhor”, é um convite a escutarmos...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto: