“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“A quem iremos, Senhor?”

Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre nossas opções, sobre o discernimento que devemos fazer entre os valores passageiros e os valores eternos.

A passagem  primeira Leitura do Livro de Josué (Js 24,1-2a.15-17.18b), por volta do século XII a. C, retrata sua fase final.

É uma catequese sobre o poder de Javé a serviço do povo. Este precisa aceitar os dons divinos e corresponder com fidelidade à Aliança com Deus e aos Mandamentos, de modo que o Povo de Deus não pode ser seduzido por outros deuses.

Renovar sempre os compromissos com Javé é certeza de vida e liberdade. Somente em Deus e com Ele se pode encontrar a vida em plenitude.

Jamais prescindir de Deus é a grande mensagem desta passagem para a História da Humanidade em todo o tempo.

Preciosa é a afirmação de Josué na escolha: “Nem que todos Te abandonem, eu e minha família, não abandonaremos”. Josué é o modelo de líder: vive o que fala, assume e testemunha…

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda leitura, Carta aos Efésios (Ef 5,21-32), fala das consequências daquele que faz sua adesão a Cristo, e apresenta a família como espaço do aprendizado dos valores do Reino: partilha, amor, união.

O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Uma relação de amor, doação, serviço e edificação do outro. Paulo estabelece um belíssimo paralelo: o amor dos esposos comparado com a relação do Amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo.

A vida conjugal, “ser uma só carne”, é o empenho quotidiano de viver neste amor e fidelidade, na partilha de toda a vida, com suas dores e alegrias, angústias e esperanças.

Viver o Batismo implica sempre em viver como Homens novos, e a família se torna o espaço privilegiado, e primeiro de aprendizado das normas e valores do Reino.

Na passagem do Evangelho (Jo 6,60-69), vemos a contraposição de duas lógicas: a humana e a divina.

Há uma lógica do poder, ambição e glória, e há a lógica da ação do Espírito que é caminho do amor e do dom da vida.

A preocupação do Evangelista é assegurar que o caminho da fidelidade é árduo, mas garante a vida plena. O contexto era de perseguição, afastamento, recusas, esmorecimentos, fragilização da fé.

A opção por Jesus é radical e exigente, deve ser feita com toda a liberdade, abrindo-se à ação do Pai com a força e luz do Espírito.

A comunidade deve amadurecer, pois não está livre de ver desertores. A proposta de Jesus é clara: ou se aceita, ou se rejeita. Há somente um caminho: amor, serviço, partilha e entrega da própria vida.

A resposta de Pedro deve ser sempre a nossa resposta na tomada de decisão diante do Senhor: “só Tu tens Palavras de vida eterna”.

O discípulo de Jesus não sabe o que é uma “vida morna”. Serve-se a Deus ou ao diabo; a Deus ou ao dinheiro.

Não se pode atenuar, amenizar, fragilizar a proposta de Jesus. Não existe uma visão “light” do cristianismo.

A opção por Ele deve ser sempre revisada, renovada. Não há lugar para preguiça, acomodação e instalação.

Não se pode suavizar as propostas de Jesus, nem desvirtuar o Evangelho para agradar o mundo, as pessoas, para que não haja perda de adeptos. Evangelho é a Boa Nova que não pode ser traída para agradar uns e outros.

Cristão, portanto é quem aceita o seguimento de Jesus Cristo e não impõe condições, mas aceita, acolhe e se empenha, na vigilância e na Oração, a viver esta Boa Nova até o fim, no bom combate da fé até que mereça a glória nos céus receber.

Participar da Missa, ouvir a Palavra e receber a Eucaristia são atitudes que devem marcar toda a nossa existência, e assim, aderirmos a Jesus Ressuscitado com todas as fibras do nosso ser.

Aprendamos com Josué e sua família, com o Apóstolo Paulo, o Apóstolo Pedro, como bem nos ilumina a Palavra proclamada.

Alimentar e testemunhar a fé é preciso, como também é preciso discernir e ser fiel até o fim.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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