Alegres e convictos Servidores do Reino – Homilia e reflexões de Dom Otacilio para o XXXIII Domingo do Tempo Comum (Ano A)

 

Alegres e convictos Servidores do Reino (Homilia – XXXIIIDTCA)

A Liturgia do 33º Domingo do Tempo comum (Ano A), damos um passo fundamental em preparação para a grande Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo. Antes, porém, é preciso que façamos séria e frutuosa revisão de como testemunhamos e participamos da construção do Projeto Divino a fim de que sejamos conscientes, ativos e comprometidos, fazendo frutificar os talentos que Deus nos concede por Sua infinita bondade.

À luz da primeira Leitura (Prov 31,10-13.19-20.30-31), refletimos sobre a sabedoria necessária que deve nos acompanhar dia a dia na construção do Projeto de Deus.

Um poema alfabético, que retrata a mulher virtuosa; e quão belo é ver a Sabedoria comparada à imagem desta mulher.Trata-se de uma coleção de sentenças sobre a sabedoria, construída ao longo de vários séculos e atribuída a Salomão.

Ela sabe gerir a casa, é diligente, trabalhadora, possui um coração generoso, teme ao Senhor e não se preocupa com a aparência. Temos aqui o convite para refletirmos sobre os valores eternos que asseguram uma vida feliz e próspera: empenho, compromisso, generosidade e temor.

Outra boa nova que transparece nesta passagem: a dependência de Deus; que quando autêntica, amplia a nossa liberdade e nos realiza plenamente. A dependência autêntica de Deus não nos infantiliza, ao contrário, nos compromete e nos ajuda no amadurecimento necessário, ampliando e solidificando a verdadeira liberdade.

Reflitamos:

– Quais são os valores que nos movem e nos orientam no pensar, falar e agir, para que não nos percamos diante de valores efêmeros?

– Como vivemos a confiança em Deus e a solidariedade para com o próximo, no cumprimento da vontade de Deus?

Na passagem da segunda Leitura (1Ts 5,1-16), o Apóstolo Paulo nos exorta a esperar o Senhor atentos e vigilantes, com empenho ativo e incansável na construção do Reino, sem jamais cruzarmos os braços.

A volta de Jesus se dará no final dos tempos, na parusia, mas enquanto isto, na espera, os dias sejam passados na vigilância e não no esmorecimento, deserção, fuga, mas vivendo coerentemente as opções do Batismo.

Sendo assim, é preciso que os membros da comunidade vivam como filhos da luz: vigilantes, sóbrios, com os olhos no futuro, esperando a chegada da vinda verdadeira, numa vida marcada por uma esperança com corpo e conteúdo.

A vigilância consiste em não negligenciar as questões do mundo e os problemas do homem e da mulher, sem jamais fugir dos desafios que nos interpelam.

Ao contrário, é procurar caminhos e respostas para os mesmos, vivendo os ensinamentos de Jesus: os valores eternos para que o mundo seja transformado, no mais belo sentido da esperança, que é a serena expectativa.

Na passagem do Evangelho (Mt 25,14-30), refletimos sobre a Parábola dos talentos.

Num contexto do esquecimento e perda do entusiasmo inicial, a comunidade se instalara na mediocridade, rotina, comodismo, facilidades, desânimo, desinteresse e deserção.

O Evangelista acena para o horizonte final da história humana: a segunda vinda do Senhor, mas enquanto isto é preciso multiplicar os talentos que Ele nos confiou, pois Ele voltará e nos julgará conforme nosso comportamento em Sua ausência.

É o nosso tempo. Com nosso coração o Senhor continuará amando os últimos, os pecadores que estão a nossa volta. Com nossas palavras, acompanhadas de testemunho, é que Ele animará, consolará, fortalecerá os entristecidos e desanimados.

É preciso construir uma comunidade alerta e vigilante que não se acomode; que não caia numa mórbida e indesejável passividade; que não fique de mãos erguidas e olhos postos aos céus, sem compromissos concretos e solidários. É preciso envolver-se, comprometer-se.

Com nossos braços estendidos e mãos abertas o Senhor acolherá os que vivem na miséria, na busca do sentido, da acolhida, de um pedaço de pão, porque é com nossos pés que Ele continuará Se dirigindo ao encontro de cada pessoa que mais precisa.

Reflitamos:

– Há o tempo de Sua presença e comunicação dos dons; o tempo de Sua ausência e confiança em nós depositada e haverá o tempo de Sua volta. O que temos para apresentar?

– Não há lugar para cristãos apáticos e acomodados, é preciso ter coragem de arriscar. O que faço para que Cristo seja conhecido e amado?

– Quais são os talentos que Deus me confiou?

– Como desenvolvo estes talentos?

Vivendo intensamente a missão por Deus a nós confiada, revelaremos ao mundo inteiro a Face de Cristo, gerando Cristo em nós, e tão somente assim os talentos serão multiplicados e não covardemente enterrados, e seremos alegres e convictos servidores do Reino por Jesus inaugurado.

 Dom Otacilio F. Lacerda

O Senhor colocou o futuro em nossas mãos (XXXIIIDTCA)

O Senhor colocou o futuro em nossas mãos

No 33º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o tema da vigilância, que consiste na espera do Senhor que vem, multiplicando os talentos que Ele nos confiou, com sabedoria, criatividade, enfrentando os riscos necessários, com indispensável esforço de nossa parte para que o Reino de Deus aconteça.

Na passagem da primeira Leitura (Pr 31,10-13.19-20.30-31), vemos a imagem da mulher perfeita, um modelo de sabedoria e comportamento, que deve estar presente em todos aqueles que esperam e participam da construção do Reino de Deus: felicidade conjugal, trabalho, autenticidade de valores.

Na passagem da segunda Leitura (1Ts 5,1-6), o Apóstolo Paulo nos exorta, como partícipes do plano de Deus, para que “não durmamos como os outros”, empenhados em multiplicar os próprios talentos, sem acumular uma fortuna para si, tão pouco usar as próprias capacidades unicamente para si, menos ainda com desperdício.

É através do trabalho que produzimos a criação divina, como prolongamento da obra da criação.

Nas atividades quotidianas, experimentamos nossas capacidades transformadoras, a necessária fantasia criativa, que não pode prescindir da verdadeira Sabedoria, para não promover e se deixar seduzir pela desordem do pecado, em dimensão pessoal, social e  estrutural.

Vejamos o que nos diz o Missal Dominical:

“A vida nos nossos dias é muito dura para a maior parte dos homens, a concorrência é desumana, não existe segurança profissional para ninguém, o relaxamento dos costumes cresce de maneira inquietadora, os homens confiam cada vez menos uns no outros.

Aumenta a delinquência, o sofrimento não poupa ninguém e a morte continua a ser o pavor de todos. Pesa sobre a humanidade o perigo de guerras: reina ainda na terra o estado da injustiça, que clama vingança, e no qual se encontra o Terceiro Mundo.

Todos experimentam, às próprias custas, quais as consequências, quando o pecado domina. Quem pode sentir-se em segurança?

Entretanto, Cristo age nesta humanidade como força de renovação, difundindo dons e talentos a homens livres que saibam fazê-los frutificar corajosamente.

Deus não tem o hábito de transformar as leis da natureza ou de agir em nosso lugar; não organiza nenhum sistema de segurança nem mesmo para os que creem n’Ele; mas o Espírito de Deus nos impele a tornarmo-nos homens novos, isto é, homens que, apesar dos contragolpes e oposições, continuam a edificar com amor um futuro mais sorridente”. (1)

Na Parábola proclamada na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,14-30), temos a figura do um terceiro servo, que jamais deve ser para nós um modelo, pois tem medo do Senhor, um medo que o cristão não deve ter, desde que no Batismo se tornou  filho de Deus.

Esperando vigilantes a segunda vinda do Senhor, abertos à Sabedoria divina, que é revelada aos pequeninos e escondida aos sábios e entendidos, é preciso que nos empenhemos em descobrir quais os talentos que o Senhor nos confiou para colocá-los a serviço do outro, por “um futuro mais sorridente”.

Sem preguiça, omissão e medo, mas, com maturidade, viver o risco da fé, a entrega, a confiança, a disponibilidade para o serviço e promoção do bem comum.

A genuína fé no Senhor tem pertinentes apelos e compromissos que dela emergem, e tão somente assim, daremos razão de nossa esperança, num contínuo esforço de tornar concreta, afetiva e efetiva a virtude da caridade.

De fato, o Senhor coloca sempre o futuro em nossas mãos: memória e esperança nos acompanham. Importa, também, o conteúdo do tempo presente, o que se fez e o que se faz para que tenhamos um futuro feliz, e assim, estaremos, de fato, preparando a segunda vinda gloriosa do Senhor, e poderemos aclamá-Lo como Senhor e Rei do Universo.

(1) Missal Dominical – Paulus, 1995 – p.860.

 Dom Otacilio F. Lacerda

O Senhor virá nos julgar com equidade e verdade (XXXIIIDTCA)

O Senhor virá nos julgar com equidade e verdade

A Liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum (ano A) nos convida à vigilância na espera do Senhor que vem, permanecendo firmes na fé, e com sabedoria multiplicar os dons que foram confiados por Deus.

A Igreja nos oferece um dos comentários sobre os Salmos do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), em que ele nos exorta a não oferecermos resistência à Sua primeira vinda para não termos de recear a segunda vinda gloriosa.

“Então todas as árvores das florestas exultarão diante da face do Senhor porque veio, veio julgar a terra (Sl 95,12-13). Veio primeiro e virá depois.

Esta Sua palavra ressoou pela primeira vez no Evangelho: Vereis sem demora o Filho do homem vir sobre as nuvens (Mt 26,64).

Que quer dizer: Sem demora? O Senhor não virá depois, quando os povos da terra se lamentarão? Veio primeiro em Seus pregadores e encheu o mundo inteiro. Não ofereçamos resistência à primeira vinda, para não termos de recear a segunda.

Que, então, devem fazer os cristãos? Usar do mundo; não servir ao mundo. Como é isto?

Possuindo, como quem não possui. O Apóstolo diz: De resto, irmãos, o tempo é breve; que os que têm esposa sejam como se não a tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; e os que usam do mundo, como se não usassem; pois passa a figura deste mundo. Eu vos quero sem inquietações (1Cor 7,29-32).

Quem não tem inquietações, aguarda com serenidade a vinda de Seu Senhor. Pois, que amor ao Cristo é esse que teme Sua chegada? Irmãos, não nos envergonhamos? Amamos e temos medo de Sua vinda. Será que amamos? Ou amamos muito mais nossos pecados?

Odiemos, portanto, estes mesmos pecados e amemos Aquele que virá castigar os pecados. Ele virá, quer queiramos, quer não. Se ainda não veio, não quer dizer que não virá. Virá em hora que não sabes; se te encontrar preparado, não haverá importância não saberes.

E exultarão todas as árvores das florestas. Veio primeiro; depois virá para julgar a terra; encontrará exultantes aqueles que creram em sua primeira vinda, porque veio.

Julgará com equidade o orbe da terra, e os povos em Sua verdade (Sl 95,13). Que significam equidade e verdade?

Reunirá junto a si Seus eleitos para o julgamento; aos outros separá-los-á dos primeiros; porá uns à direita, outros à esquerda.

Que de mais justo, de mais verdadeiro do que não esperarem misericórdia da parte do juiz, aqueles que não quiseram usar de misericórdia antes da vinda do juiz? Quem teve misericórdia, será julgado com misericórdia.

Os colocados à direita escutarão: Vinde, benditos de meu Pai, recebei o Reino que vos foi preparado desde a origem do mundo (Mt 25,34). E aponta-lhes as obras de misericórdia: Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber etc. (Mt 25,34-46).

Por sua vez, que se aponta aos da esquerda? Sua falta de misericórdia. Para onde irão? Ide para o fogo eterno (Mt 25,41). Esta Palavra suscita grande gemido.

Que diz outro salmo? Será eterna a lembrança do justo; não temerá escutar palavra má (Sl 111,6-7).

Que quer dizer: escutar palavra má? Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25,4). Quem se alegra com a palavra boa, não temerá escutar a má. É esta a equidade, a verdade.

Porque és injusto, não será justo o juiz? Ou porque és mentiroso, não será veraz a verdade? Se queres, porém, encontrar o Misericordioso, sê tu misericordioso antes de Sua chegada: perdoa, se algo foi feito contra ti, dá daquilo de que tens em abundância. Donde vem aquilo que dás, não é d’Ele? Se desses do que é teu, seria liberalidade; quando dás do que é d’Ele, é devolução.

Que tens que não recebeste? (1Cor 4,7). São estes os sacrifícios mais aceitos por Deus: misericórdia, humildade, louvor, paz, caridade.

Ofereçamo-los e com confiança esperaremos a vinda do Juiz que julgará o orbe da terra com equidade, e os povos em Sua verdade (Sl 95,13).”

Assim, aguardemos a vinda gloriosa do Senhor. Enquanto Ele não vem, é tempo de multiplicarmos os talentos que nos foram confiados, a cada um conforme a capacidade, como o Senhor nos falou em na Parábola dos talentos.

Não importa tanto a quantidade, porque nada nos falta. Antes, importa todo esforço para que eles sejam multiplicados, sem preguiça, medo, lentidão…

Um dia seremos julgados e haveremos de prestar contas dos bens que o Senhor nos confiou. Que possamos ouvir o que os dois primeiros ouviram da boca do patrão, que serão as próprias Palavras do Senhor aos que forem justos no tempo presente:

“Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração do tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria” (Mt 25, 21 e Mt 25, 23).

Agindo assim, seremos verdadeiramente filhos da luz, filhos do dia, na vigilante espera do Senhor que vem, e não sabemos nem o dia nem a hora, mas importa que estejamos vigilantes, atentos e os dons multiplicando até que mereçamos entrar na alegria celestial.

Oremos:

“Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em Vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a Vós, o Criador de todas as coisas. Por N. S. J. C. Amém”.

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

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