O imperativo da conversão no trabalho da Vinha do Senhor- Homilia para o XXVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

 

Com a Liturgia do 26.º Domingo do Tempo Comum (ano A), contemplamos um Deus que chama a todos para participarem, com empenho concreto, da construção do Mundo Novo de justiça e paz que Ele sonhou e propõe insistentemente.

Diante deste convite, podemos nos acomodar, isolar ou colaborar. Portanto, não basta dizer sim, mas realizar este sim dado com todo ardor, como Jesus o fez no anúncio e realização de Sua missão redentora e concretização do Reino. Sua vida foi marcada pelo amor, serviço, doação até a entrega total na Cruz.

Vivendo um amor que ama até o fim, esvaziando-Se, empobrecendo-Se, despojando-Se para nos enriquecer, nos cumular de todas as bênçãos, graças e riquezas. Fazendo-Se pobre, enriqueceu-nos copiosamente.

Na primeira Leitura (Ez 18,25-28) vemos a missão do Profeta Ezequiel, tido como o “Profeta da esperança”, num período que marca a volta do exílio e o recomeço de uma nova história.

O Profeta tem que destruir as falsas esperanças, provocar atitudes de conversão e responsabilidade pela própria história de cada um diante de Deus. Ele deve ressuscitar a confiança e a esperança do povo em Deus. De nada ajudará o povo ficar culpando os antepassados, ou atribuir a Deus a culpa de seus pecados e infidelidades. O presente está em nossas mãos para que correspondamos à vontade divina, assegurando um futuro novo e melhor.

O Profeta chama à responsabilidade a cada um, pois de nada adianta procurar culpados se antes não nos revermos diante de Deus e de Sua proposta. Revermos como realizamos o que a nós é próprio; como, com que intensidade e fidelidade aos preceitos de Deus, a Sua adoração em Espírito e verdade se realizou.

O Profeta Ezequiel assegura-nos que Deus está sempre presente no meio de Seu povo, nunca o abandona, sendo que o contrário pode acontecer, e se isto ocorre as consequências são extremamente danosas. Toda infidelidade a Deus traz frutos amargos: sofrimentos, desolação, enfraquecimento. De outro lado, a fidelidade a Deus é fonte de bênçãos. Deus está sempre pronto a selar aliança de amor conosco, e não nos é permitido ficar com rodeios, desculpas evasivas e subterfúgios que nos afastam d’Ele e de nossa felicidade.

É preciso que o povo tenha consciência de seus limites e não acuse Deus como o responsável pelos erros que comete. Deste modo, novo horizonte de vida e liberdade se abrirá diante dele.

Deus em Sua fidelidade não se alegra com nossa flutuabilidade, incoerência e contradição.

Reflitamos:

– Diante d’Ele qual é a nossa resposta?

– Quais são os nossos compromissos?

– Qual é a nossa parcela de culpa diante dos sinais de morte?
– Qual é a nossa participação na construção da cultura da vida, em total fidelidade ao Senhor?

– O que preciso fazer para me converter?

A segunda Leitura (Fl 2,1-11) traz o maravilhoso Hino Cristológico Paulino. Uma carta dirigida a uma comunidade viva, piedosa, generosa, mas não perfeita (haverá comunidade perfeita?).

Ela precisa aprender o desprendimento, a humildade, a simplicidade, dizendo não ao orgulho, à autossuficiência, à vaidade e à ambição. Para isto precisará comportar-se como Cristo, em atitude “kenótica”, ou seja, despojamento, esvaziamento, aniquilamento. Assumir a Cruz de Nosso Senhor, vivendo em total entrega, obediência, amor e serviço.

A Carta nos provoca: num mundo competitivo, como viver esta lógica de Jesus, que é o caminho da glorificação, o caminho da vida plena, da glória que não prescinde da Cruz.

O Evangelho (Mt 21,28-32), além de outras duas, traz a Parábola dos dois filhos, mais uma vez leva-nos a refletir sobre a alegria e graça de trabalhar na Vinha do Senhor. Para além da aparente singeleza da Parábola, há um conflito muito forte que deve ser percebido.

Jesus está em Jerusalém, onde culminará Sua missão, cenário de Sua Paixão e Morte. Mais precisamente está no Templo, que é o centro do poder político, econômico e ideológico daquela época e Se dirige ao chefe dos sacerdotes (poder religioso-ideológico) e aos anciãos do povo (poder econômico), ou seja, os líderes religiosos judaicos que se constituirão nos opositores e principais sujeitos de Sua morte.

A Parábola fala de um filho que disse sim ao pai e não foi para a vinha (que são os próprios acima descritos). De outro lado o filho que disse não e foi para a vinha são os pecadores, as prostitutas, os marginalizados, os publicanos que se abriram à Boa Nova de Jesus.  Trata-se de Parábolas de confronto e de conflito entre o Mestre da Justiça e os promotores da sociedade injusta.

Mais tarde Mateus aplicará a Parábola na recusa dos Judeus e no acolhimento por parte dos pagãos à Boa Nova de Jesus.

Com a Parábola, Jesus nos ensina que todos somos chamados para trabalhar na Vinha. Não há lugar para o imobilismo, a preguiça, o comodismo, a autossuficiência, o egoísmo.

Reflitamos:

– O que significa dizer “sim” a Deus? Somente a procura dos Sacramentos não basta.

– Como vivo os Sacramentos que celebro e qual o conteúdo vivencial da Palavra que escuto?

Não basta assentar-se nos bancos das Igrejas e pregar em seus púlpitos. É preciso testemunhar a Palavra que se anuncia, que se proclama. Testemunhá-la com toda nossa fragilidade, imperfeição, dando o melhor de nós onde quer que estejamos.

É preciso por em prática a Fé, a Esperança e a Caridade que temos. Dar, incansavelmente, provas concretas de nosso amor. Como uma mãe que diz ao filho: “Pára de me dizer que gosta de mim. Prova-me!” Fácil é dizer, é preciso viver, dar o melhor de nós, simplesmente por amor.

Concluindo, acolhamos a Palavra do Profeta Ezequiel que nos chama à conversão, confiança, responsabilidade, esperança encarnada, em total fidelidade a Deus.

Abramo-nos ao questionamento de Nosso Senhor, para que nosso “sim” a Deus seja um “sim” vivo e verdadeiro, denso de conteúdo e compromissos.

Tenhamos Jesus como modelo de vida, tenhamos a coragem de imitá-Lo, pois Ele chegou à glória, passando pela Cruz; desceu ao poço mais profundo da miséria e solidão humana para ser exaltado, glorificado e “diante d’Ele todo joelho se dobre e toda língua proclame que Ele é o Senhor”.

Embora sem méritos, o Senhor nos chamou para trabalhar em Sua vinha.

Reflitamos:

– Qual é a nossa resposta?

– Quais as conversões que devemos realizar em nossa vida para melhor correspondermos aos desígnios de Deus e caminharmos rumo aos horizontes de uma sociedade justa e fraterna?

Procuremos a mais perfeita coerência entre o que cremos e o que vivemos, para que o mundo veja Cristo em nós, e como Paulo, digamos:

“E já não sou eu que vivo: é Cristo que vive em mim. E a vida que vivo agora na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.” (Gl 2,20)

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em:

http://peotacilio.blogspot.com/2020/09/o-imperativo-da-conversao-no-trabalho.html

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