A esperança em Deus jamais nos decepciona

Em tempos difíceis por que passamos, são iluminadoras e providenciais as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos:

“Gloriamo-nos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 3-5).

Urge caminharmos com o Senhor, contando com o Seu Espírito, a fim de edificar uma Igreja misericordiosa e missionária, confessando o Seu nome.

Há um longo caminho a percorrer, e em cada Eucaristia, renovamos nossas forças para superar as tribulações, inerentes ao caminho daqueles que se põem a seguir o Senhor com fidelidade, coragem, firmeza e generosidade.

Sejam derramadas no coração de todos de nossas comunidades eclesiais missionárias torrentes de graças que nos vêm do Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, em virtude provada, não deixando morrer a esperança, porque sabem e confirmam as palavras do Apóstolo, “a esperança não decepciona”.

Porém, a solidificação da fé e a renovação da esperança exigem que cresçamos cada vez na caridade, pois amamos a Deus nos irmãos e irmãs, e amamos os irmãos e irmãs em Deus, vivendo um amor de compaixão, sobretudo para com os que mais precisam – “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

O Apóstolo também disse aos Romanos: “Não fiqueis devendo nada um aos outros a não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei” (Rm 13, 8).

Deste modo, quanto mais nos abrirmos à ação do Espírito Santo, muito mais o amor de Deus será derramado sobre nós, e também, que eventuais prantos vespertinos se tornarão alegrias matutinas, porque a madrugada da Ressurreição foi precedida pelas tardes da escuridão e do vazio sepulcral, mas a vida venceu, de fato, a morte.

Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/03/a-esperanca-em-deus-jamais-nos.html?m=0


“A esperança não decepciona”

Num mundo marcado por desorientações generalizadas, intolerância religiosa, angústias quotidianas, pandemias, diante de pequenos e grandes problemas ou desafios; o sentido da precariedade e da provisoriedade; da liquidez do tempo e da própria vida (modernidade líquida, segundo Zigmunt Bauman), e tantos outros fatos, que poderiam ser mencionados, como falar da esperança, ou mais ainda, como manter viva a esperança?

Nas páginas da Sagrada Escritura, encontramos o anúncio de um Deus que salva e liberta Seu povo, mantendo viva a Sua esperança, como vemos na passagem do Evangelho de Lucas (Lc 21,20-28).

É exatamente nos momentos difíceis, em que a perturbação e a angústia parecem querer nos apoderar, mantendo-nos prisioneiros de suas cadeias, é que temos que manter a coragem, firmados na esperança de que a libertação está próxima:

Quando estas coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, pois a libertação de vocês está próxima”, nos disse Jesus, nosso Senhor” (Lc 21,28).

Manter viva a esperança contra toda a esperança, como nos falou o Apóstolo Paulo aos romanos (Rm 4,18), referindo-se a Abraão: “Esperando contra toda esperança, ele acreditou. E assim ele se tornou pai de muitas nações, como lhe fora dito”.

Portanto, não se trata de uma esperança ingênua e inconsequente, mas uma esperança que se apoia na constância e na perseverança, com seu fundamento em Cristo:

“Portanto, tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por meio d’Ele, através da fé, tivemos acesso a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Mas não apenas isso. Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança produz a experiência comprovada, a experiência comprovada produz a esperança. E a esperança não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,1-5).

Deste modo, cremos que somente por meio d’Ele a nossa esperança se torna atuação da libertação e a nossa vida se torna vida em liberdade (libertação de nós mesmos para a abertura necessária ao próximo e suas necessidades).

É possível falar e manter viva a esperança, porque sabemos em quem confiamos, e tudo podemos n’Aquele que nos fortalece (Fl 4,13).

Cremos que Deus é o nosso refúgio na tribulação, assim como é a nossa força em nossa fraqueza, e nos conforta no sofrimento, concedendo-nos o perdão de nossas culpas, reencontramos a alegria na experiência viva e contínua de Sua misericórdia, que nos renova, redime e nos recoloca no caminho, sem que nos curvemos diante das dificuldades e aparentes derrotas.

Crer na vida nova do Ressuscitado, é fazer da vida constantes passagens, até que façamos a mais importante de todas: a passagem definitiva da morte para a vida eterna.

 Dom Otacilio F. Lacerda


Nas asas da Esperança…

A esperança nos permite ora voar,

Ora caminhar lentamente,

E, se preciso, passos mais largos,

Sem dispensar também os mergulhos

Nos Mistérios Divinos mais profundos.

Ela nos inquieta, nos desinstala,

Nos impele, para não sedimentarmos

Nas ideias mesquinhas e empobrecedoras,

Na falsa segurança do já conhecido.

A esperança nos serve como âncora,

Para que não percamos o foco do principal:

O Mandamento Novo do Amor que o Senhor nos deu,

Amar como Ele ama, eis a medida sem medida.

Amor vivido, esperança que nos impulsiona,

Fé que se testemunha e que a vida ilumina.

Creio nestas verdades que me acompanham.

Renovo, Senhor, em Ti, todos os dias,

A fragilidade e a pequenez de minha fé,

A indispensável e vital esperança,

Para que não se apague a chama

Que o Teu Amor, um dia,

Em mim, para sempre acendeu.

                                                                                                                                    Dom Otacilio F. Lacerda

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