O silêncio dos inocentes

O silêncio dos inocentes…

“Levante-se, pegue a Criança e a Sua mãe

e fuja para o Egito. Fiquem lá até eu avisar, pois

Herodes está procurando a Criança para matá-La.” (Mt 2, 14)

Celebramos no dia 28 de dezembro a Festa dos Santos Inocentes, Mártires do Senhor, como nos retrata a passagem do Evangelho (Mt 2, 13-18).

Há um Sermão do Bispo São Quodvultdeus (Séc. V) que é para ser lido, refletido, multiplicado, rezado e, no coração, compromissos multiplicados com a vida dos inocentes…

“Nasceu o grande Rei, como um menino pequeno. Os Magos são atraídos de longes terras; vêm para adorar Aquele que ainda está no presépio, mas já reina no Céu e na terra. 

Quando os Magos anunciam que nasceu o Rei, Herodes perturba-se e, para não perder o reino, decide matar o recém-nascido; e, no entanto, se tivesse acreditado n’Ele, poderia reinar tranquilo na terra e para sempre na outra vida.

Que temes, Herodes, ao ouvir dizer que nasceu o Rei? Ele não veio para te destronar, mas para vencer o demônio. Tu, porém, não o compreendes; e por isso te perturbas e te enfureces, e, para que não escape aquele único Menino que buscas, te convertes em cruel assassino de tantas crianças.

Nem as lágrimas das mães nem o lamento dos pais pela morte de seus filhos, nem os gritos e gemidos das crianças te comovem. Matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração; julgas que, se conseguires o teu propósito, poderás viver muito tempo, quando precisamente queres matar a própria Vida.

Aquele que é a fonte da graça, que é pequeno e grande ao mesmo tempo, e que jaz no presépio, aterroriza o teu trono; por meio de ti, e sem que tu o saibas, realiza os Seus desígnios e liberta as almas do cativeiro do demônio. Recebeu como filhos adotivos os filhos dos que eram seus inimigos. 

As crianças, sem o saberem, morrem por Cristo; os pais choram os mártires que morrem. Àqueles que ainda não podiam falar, Cristo os faz Suas dignas testemunhas. Eis como reina Aquele que veio para reinar. Eis como já começa a conceder a liberdade Aquele que veio para libertar, e a dar a salvação Aquele que veio para salvar.

Mas tu, Herodes, ignorando tudo isto, perturbas-te e enfureces-te; e enquanto te enfureces contra aquele Menino, já estás a prestar-Lhe, sem o saberes, a tua homenagem. 

Maravilhoso dom da graça! Que méritos tinham aquelas crianças para obterem tal triunfo? Ainda não falam e já confessam a Cristo. Ainda não podem mover os seus membros para travar batalha e já alcançam a palma da vitória”.

Como o próprio Bispo diz “Ainda não falam e já proclamam Cristo”, referindo-se ao infanticídio, ao crudelíssimo morticínio das crianças e de inocentes, por causa de uma criança que abalou as estruturas empoeiradas ou mais ainda: apodrecidas, de um poder que não promove a vida, mas teme diante da Fonte Genuína da Vida: Jesus!

Impossível não pensarmos no que, de modo igual ou disfarçado, os “Herodes” de hoje continuam fazendo com as crianças inocentes.

Este Sermão toca profundamente nosso coração, quer pela forma com que descreve a insanidade herodiana, quer como nos exorta à acolhida e defesa da vida, da concepção ao seu declínio natural!

Vejamos de que modo “Herodes”, hoje, continua tramando e matando inocentes aos milhões, com mentalidade e prática abortista.

Não podemos deixar que este tema fique reduzido a um tempo remoto, passado. Enquanto dormimos, a morte dos inocentes é planejada, acordos são firmados, atos “herodianos” teimam em se multiplicar:

– em extremos e abomináveis atos de pedofilia, ou de manipulação consumista das crianças como objeto e fonte de lucro.

– nas deploráveis agressões ocultadas e silenciadas nas famílias, onde sabemos muitas crianças são vítimas da violência doméstica.

– maculando a beleza e a inocência das crianças, com músicas, programas, modas etc., que em nada colaboram para que vivam um momento tão belo da vida.

– quando privamos milhões de crianças do pão, da moradia, do lazer, da cultura, da vida, da alegria…

O silêncio dos inocentes ou o silenciamento imperdoável dos inocentes?

Silêncio ou silenciados, seus clamores bradam aos céus e não permitem que nos omitamos e nada façamos.

Acolher o Verbo é por se a caminho no amor e na defesa da vida, sobretudo dos pequeninos, como Ele Se fez um dia, e com os quais Se identificou para sempre:

“Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18,3).

E ainda: “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos céus” (Mt 19,14).

Não mais Herodes e seus discípulos!

Fale o silêncio dos inocentes!

Falemos pelos inocentes!

Falemos com os inocentes…

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda    http://peotacilio.blogspot.com/?m=1

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