GESTAÇÃO SACERDOTAL, por Seminarista Gabriel

“Tempo de amadurecimento, de escuta e aprofundamento de nosso
chamado vocacional que não foi isento de algumas dificuldades”

Em fase conclusiva da etapa de formação sacerdotal, qual seja, o discipulado, ainda resta-nos muitas inquietações e, não raras vezes, emergem do próprio nome do curso: o que é filosofia?

O seminário é o ventre da Igreja cuja missão é gerar sacerdotes segundo o coração de Deus. Assim como uma mãe aguarda nove meses para gerar um filho, a Igreja também é uma gestante de vocações. Nesse sentido, Alisson Sandro Anacleto e eu, nos colocamos em estado permanente de oração durante esses quatro anos de gestação sacerdotal.

Principiamos nossa caminhada a partir dos encontros vocacionais promovidos pela Diocese de Guanhães e, em seguida ingressamos no Seminário Propedêutico São José, em Ubaporanga-Mg, mais precisamente, aos 31 de Janeiro de 2016. Terminada a etapa querigmática, iniciamos, no ano seguinte, o discipulado – período que compreende o estudo de filosofia – no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga-Mg, dando continuidade, até então, no Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina-Mg.

 

Tempo de amadurecimento, de escuta e aprofundamento de nosso chamado vocacional que não foi isento de algumas dificuldades; seja a saudade da família, as muitas incompreensões do cenário da Igreja, os relacionamentos conflitivos, o anseio de uma verdadeira mudança interior, as cobranças e provas, enfim, tudo contemplado e assimilado aos olhos da fé, como Maria que “guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2, 19). Não tenho dúvidas que as orações feitas e as recebidas dos fiéis, foram e são, o sustento que nos apoiam mediante aos desafios oriundos da própria caminhada vocacional.

Por outro lado, tem-se momentos marcantes vividos com intensidade: as confraternizações, as ordenações sacerdotais, as conquistas individuais, as amizades feitas, o aprendizado adquirido e tantas outras experiências que de muito servem para nutrir esta centelha do amor de Deus.

Além disso, a capacidade reflexiva adquirida pela dimensão intelectual, no tocante à filosofia, foi de suma importância para a compreensão de si e a do mundo que nos circunda. A tecla mais usada durante esse período é a que corresponde ao sinal de interrogação (?); expressa bem o que é filosofia.

Etimologicamente o termo traduz-se por amor à sabedoria. O Filósofo Aristóteles já dizia que por natureza tendemos ao saber. E, um pouco antes, Sócrates afirmava veementemente que uma vida irrefletida não merece ser vivida. Santo Agostinho afirmava que o intento de sua pesquisa filosófico-teológica era conhecer a si e a Deus. Thomas Hobbes e Rousseau divergiam no tocante à natureza humana; objetivavam saber quem somos e a influência, para bem ou para mal, dos aparatos sociais criados. Immanuel Kant refletia acerca de perguntas básicas: o que posso saber? O que devo fazer? E o que me é permitido esperar?

Toda filosofia se baseia numa certa inquietação existencial humana e na busca de uma resposta para aquietar o espírito. Disso compreendemos que o crucial não seja tanto saber o que foi pensado por muitos filósofos; isso é indispensável! Mas pensar filosoficamente acerca das principais questões a que é submetida a sociedade contemporânea. Não ter medo de fazer e se fazer perguntas é um bom começo do filosofar.

É nesse sentido que podemos afirmar que o próprio conteúdo do curso é de suma importância para também, contribuir na formação sacerdotal. Concomitantemente, é uma bagagem teórica fundamental para tratar de temáticas tão abstratas com as quais lida a teologia. Resta-nos diante desse processo formativo, permitirmo-nos ser gestados para assim sermos filhos sacerdotais cuja maneira de ser seja expressão de nosso parentesco a Deus Pai em cujo Filho, nos configuramos no horizonte da cruz, para, com a força do Espírito, exercer com fidelidade a missão para qual nos preparamos.

 

Gabriel Ferreira Oliveira,
seminarista

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