A proteção de menores

Em outubro, mês em que se celebra o dia das crianças, acompanhamos tristes notícias de violência e abuso contra crianças e vimos também calúnia, como no caso do auxiliar de educação física Hudson Nunes de Freitas, de 22 anos, que foi investigado por suspeita de estupro de vulnerável nas dependências de um colégio de BH. E ainda, os acusadores que inicialmente se declararam vítimas de abuso sexual de Antonio Molina, expulso do estado clerical pelo Vaticano, recentemente se retrataram perante os tribunais de El Salvador; outra vítima de calúnia.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) registrou que, a cada 24 horas, pelo menos oito ocorrências de abuso sexual contra crianças e adolescentes de até 14 anos e pessoas mentalmente ou fisicamente incapazes de oferecer resistência a esse tipo de violência são registradas em Minas Gerais. Isso sem mencionar as situações em que o silêncio da vítima, seja por ameaça ou vergonha, impede a polícia de agir.

Os estupros de vulneráveis, muitas vezes, são cometidos por pessoas próximas ou algum familiar, tanto homens como mulheres, ou alguém que trabalhe com esportes, educação ou até com religião de variados cultos. Apesar de alguns maliciosos associarem pedofilia à igreja (padres e celibato), a violência que crianças vêm sofrendo é uma realidade “extra murus” da Igreja Católica. Afeta a igreja, pois os membros dela estão inseridos no mundo e por isso expostos a todo mal. A igreja está inserida neste contexto social, contudo, é um mal da sociedade e não da Igreja. Os agressores são tanto homens como mulheres e as vítimas meninos ou meninas.

É dever da Igreja, ao defender a dignidade da Pessoa Humana, combater esse tipo de violência – a começar de dentro. Por isso mesmo foi realizado o Encontro sobre proteção de menores e adultos vulneráveis entre os dias 21 e 24 de fevereiro de 2019. Os padres têm acesso ao mais íntimo de nossos irmãos, não por suas qualidades, mas em virtude do sacramento da confissão e do zelo pastoral de orientar espiritual o povo confiado a nós e aqueles que nos procuram. Digo isso para que entenda que sabemos o quanto meninos e meninas sofrem por serem violentadas por algum familiar (pais, padrastos, madrasta, primos, tios, padrinhos entre outros), vizinho, amigo da família e outros.

A igreja não pode ser hipócrita e fechar os olhos a essa triste realidade que ceifa nossos pequeninos (Mt 18,6) e a sociedade também não pode ser hipócrita e estigmatizar a Igreja e o celibato dos padres – atribuindo-lhes a exclusividade de tal aberração -, fechando os olhos a homens e mulheres casados que destroem a infância e adolescência das vítimas apesar de serem desimpedidos do celibato.

É preciso conversar, mas não de forma pejorativa. Orientar, por exemplo, sobre a inadequação de ter os órgãos genitais tocados por outras pessoas. Explicar que criança não namora, nem de brincadeira. Alertar que existem áreas no corpo que ninguém pode tocar ou nelas encostar, mas é importante que seja dito na linguagem da criança.

Não se devem fechar os olhos para ninguém; deve-se exigir que todas as instituições façam o mesmo. Se bem que muitas famílias não tenham coragem de denunciar algum dos seus. O Papa Francisco já acionou a “tolerância zero” para padres e bispos que cometerem tal desvio – e outros – ou de alguma forma acobertarem conforme consta na Carta Apostólica Motu próprio “Como uma Mãe amorosa” você entenderá melhor.

Pe Bruno Costa Ribeiro,
assessor da Pastoral Familiar e PASCOM

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