Sínodo da Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral

Após exatos dois anos de convocação pelo Papa Francisco, começou no Vaticano, dia 6 de outubro, com duração de três semanas, o Sínodo da Amazônia, ou seja, a 16ª Assembleia geral do Sínodo dos bispos, com o objetivo de refletir sobre o Instrumentum Laboris (IL) que traz temas eclesiais, sociais e ambientais dos nove países que formam a Amazônia: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. Tal “Instrumento de Trabalho” começou a ser preparado em 2017, sob a orientação de Dom Cláudio Hummes, cardeal emérito de São Paulo, que é o relator geral desse Sínodo.

Por falta de informações, ou desconhecimento do que seja de fato um sínodo de bispos, muita gente, mesmo das fileiras da Igreja Católica, achou-se no direito de criticar o Papa Francisco nas redes sociais, sobretudo, por causa do que chamam de “atitude política” do pontífice, pensando que tal Assembleia fora convocada tendo em vista o atual momento do governo brasileiro. Tais desinformados não gastariam suas energias se soubessem que, em 2017, na convocação e na elaboração do IL, ainda não se falava sequer em eleições nessas terras ameríndias. Outros, até mesmo cardeais de renome, tentaram boicotar o Sínodo dizendo que ele é herético e pode trazer ensinamentos nefastos à Igreja. O que percebemos é que não há unanimidade quanto à aceitação do conteúdo do IL. Não é de se estranhar, pois isso sempre aconteceu na Igreja.

O Sínodo dos Bispos foi instituído dentro do contexto do Concílio Vaticano II, pelo papa São Paulo VI, em 15/09/1965, através do Motu Proprio Apostolica sollicitudo. Depois o Sínodo foi amplamente atualizado, e seu objetivo, apontado na Constituição Lumen Gentium (21/11/1964), é o de envolver mais os bispos da Igreja inteira nas questões que envolvem todo o orbe terrestre, mesmo que o tema a ser analisado tenha uma abrangência maior neste ou naquele Continente. Os bispos, cum et sub Petro, formam o grande Colégio Apostólico que orienta e governa toda a Igreja, sob a orientação do Espírito Santo!

Com quase trezentos participantes, mais da metade deles composta de brasileiros, o Sínodo entregou ao Papa um relatório geral com as conclusões dos 21 dias de debates e reflexões. Como na encíclica Laudato Si, do Papa Francisco (24/05/2015), muitos verão nas conclusões sinodais algo que tenha cheiro de erro doutrinal. Eu quero acreditar no Sínodo, quero confiar no Papa, quero caminhar com ele. Os temas eclesiais, sociais e ambientais refletidos têm, sim, muita pertinência com a evangelização, pois estamos inseridos no mundo para cuidarmos dele e nos salvarmos por inteiro, não cuidando apenas de nossa alma.

O último Sínodo da Igreja foi sobre a temática: “os jovens, a fé, e o discernimento”, e realizou-se de 3 a 28 de outubro de 2018. Aguardemos, agora, a Exortação Apostólica do Papa com as conclusões dessa 16ª Assembleia Apostólica!

Pe. Ismar Dias de Matos, Professor,
Administrador da Paróquia S. Sebastião e S. Vicente, bairro Santa Amélia, BH.

 

Na foto: Dom Jacy Diniz Rocha, bispo de Cáceres/MT, natural de São João Evangelista, Diocese de Guanhães

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