Homilia do 23º Domingo Comum – Dom Otacilio

Amor e ardor na fidelidade ao Senhor! (Homilia 23º Domingo Tempo Comum – ano C)

A Liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum (ano C) nos convida a refletir sobre as exigências para seguir Jesus.

Constatamos que não se trata de um caminho marcado por facilidades. Ao contrário, o caminho da Cruz exige renúncia, coragem, desapegos, desprendimentos como veremos à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33).

Caminhemos com o Senhor rumo a Jerusalém. Seguir o Senhor, não é falta de opção, ao contrário, é a melhor e a mais decisiva opção que fazemos em nossa vida.

Trata-se da mais radical, pois deve ser feita na raiz de nosso coração, na raiz de nossa vida, de modo que nossa vida é redimensionada e deverá ser pautada pela Sabedoria Divina que nos é revelada, de modo especial na Sagrada Escritura.

Esta escolha implica fortalecimento do coração com o Amor Divino, e a nossa mente com sua mais bela e desejada Sabedoria (Sab. 9,13-18).

O amor é essencial para que se fortifique novo modo de se relacionar rompendo barreiras, superando preconceitos, numa relação de irmãos e irmãs em Cristo como nos fala o Apóstolo à Filemon ( Fm 9b-10.12-17).

A Sabedoria Divina possibilita-nos o conhecimento da vontade de Deus, acompanha-nos em nossos discernimentos para viver a Sua vontade com paciência, constância e prudência.

Assim conclui-se que só por amor e com Sabedoria Divina trilharemos o caminho da cruz que, por mais paradoxal que possa parecer, é o caminho da felicidade.

Neste caminho três exigências para que sejamos cristãos, de fato:

  •   O desapego afetivo em relação à família e até a própria vida;
  • A disponibilidade para carregar a cruz, na mais perfeita e completa imitação do Sublime Mestre e Divino Salvador;
  • A renúncia de tudo, deixando absoluto espaço para Aquele que é o Absoluto em nossa vida.

Deste modo, compreenderemos e veremos confirmada a Palavra do Senhor: “Quem perder sua vida por causa de mim, ganhá-la-á” (Lc 9,22-25).

Como vemos nas Parábolas do Evangelho, aquele que se coloca a caminho com o Senhor, precisa da “sabedoria do arquiteto” e a “prudência de um rei”, para um seguimento que não seja entusiasmo momentâneo.

Sejamos realistas como o arquiteto e prudentes como o rei evitando ilusões fáceis, não reduzindo o cristianismo apenas ao “cultivo de boa vontade”.

Sábios e criativos, saberemos enfrentar os riscos que o compromisso cristão nos apresenta a cada momento, contando com a Fonte da Sabedoria, a presença do Espírito.

Por isto, concluamos com compromisso de mais tempo dedicado à oração e leitura da Palavra Divina, pedindo ao Senhor, uma vez por Ele amados e seduzidos, que jamais O desapontemos no caminhar da fé.

Tenhamos a maturidade de suportar os riscos de nossa fé cristã, com a certeza de que na fidelidade vivida na construção do Reino, nutridos provisoriamente no Banquete da Vida, um dia no Banquete Eterno a Coroa da Glória nos será alcançada.

Se quisermos seguir Jesus… Por onde iremos?  
Pelo caminho da facilidade ou da felicidade?

O que é necessário para que sigamos o Senhor?

Sem cruz não há fidelidade no seguimento ao Senhor!

Sem despojamento, desprendimento e

renúncia não há discipulado!

Como discípulos missionários do Senhor,

amemos com o Amor do Amado.

Eis a fonte, princípio e meta de um autêntico,

frutuoso e desejado discipulado!

+ Dom Otacilio Ferreira de Lacerda 

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