A metodologia do eu de Jesus: Uma reflexão.“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”(Jo 14,6)

Por diversas vezes Jesus usa a expressão eu, nos evangelhos. Solenemente, diz: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30); “eu estarei convosco todos os dias” (Mt, 28, 20) e “…agora, porém, eu vou para junto daquele que me enviou” (Jo 16, 5). Assim, vamos percebendo que a enunciação eu, demonstra uma segurança na consciência, coração e sentimentos de Jesus. O eu vai identificando a personalidade, o caráter e a maneira de ser do Mestre. Essa individualidade metafísica da pessoa, oferece uma confiança, na medida que expõe a qualidade do que é, e determina ao mesmo tempo, a particularidade, pessoal, social, moral, ética, sobretudo, o habitual do ser, que o distingue das outras pessoas.

Já imaginou a situação do eu de Jesus diante daqueles que queriam apedrejar a mulher adultera, (Jo 8, 3-5), ao responder: “Quem não tem pecado atire a primeira pedra” (Jo 8, 7). O Senhor, no eu, nos brinda com suas características cognitivas, ou seja, de autoconhecimento; efetivas, de levar a efeito o ‘caminho, verdade e vida’ (Jo 14,6); volitivas, que determinam “eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10) e físicas, demonstrando o conteúdo doutrinal, responsabilizando os acusadores para a “misericórdia e não sacrifício” (Mt 9, 13).

Se a fé é o fundamento da Igreja, o eu é da pessoa. A fé outorga confiança e coragem a quem crê. O eu percebe que precisa avançar na maturidade. Essa característica é uma espécie de testamento espiritual, vislumbrando a realidade desta individualidade. O eu não se determina pela maioria de respostas ou de razões convincentes. Ao eu não pertence a maioria de aplausos ou acertos, como diz o Papa Bento XVI: “A verdade (no eu), não é determinada por maioria de votos”. Jesus testemunhou isso quando disse: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e oprimidos” (Mt 11, 28-30). Em sua condição, Jesus foi além do ser e agir. O Papa Bento XVI acrescenta: “Amor é dar ao outro o que é meu”. Assim, compreendemos o Nazareno dizendo: “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10, 10). “Deus não pertence a nenhum povo em particular”, afirma o Papa Francisco. Ninguém se arrogue em dizer que o eu é algo reservado ou intocável.

Com esta exposição, queremos contribuir com a ideia de que o eu precisa servir e não ser servido. A ele não compete um governo absoluto. Na vida o eu é convidado a ser caminho, erigindo pontes e alargando estradas. O eu que dialoga não pertence a nenhum povo, mas herança de quem o leva a sério. Pergunte-se com frequência. Como vai o eu? Santa Tereza D’Ávila diz-nos”: “O Senhor sempre dá oportunidade para oração quando a queremos ter.” Por isso, alarguemos a oportunidade do eu ser em nós de verdade. Nunca uses mascaras. Jamais serás aplaudido pela personalidade e caráter. Seja você de verdade. Pense nisso.

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo
Professor do Seminário Arquidiocesano de Diamantina e da PUC-MG
Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina

imagem: recorte do vitral do Santuário em Conceição do M Dentro

A Palavra do Pastor
Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice!

Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice!

Todos os dias são dias de missão, e a Igreja que vive no tempo é missionária, por sua natureza, tendo...
Read More
Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza – Homilia para o XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B.

Somente Deus nos concede a verdadeira riqueza – Homilia para o XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano B.

No 28º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a refletir sobre o essencial e o efêmero em nossa...
Read More
Somos um povo peregrino e evangelizador .

Somos um povo peregrino e evangelizador .

“Nós vimos o Senhor” (Jo 20,25) Na Exortação Evangelii Gaudium, o Papa afirma que “A Evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da...
Read More
O Sacramento do Matrimônio no Plano de Deus – Homilia do XXVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

O Sacramento do Matrimônio no Plano de Deus – Homilia do XXVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

  No 27º Domingo do Tempo Comum (Ano B), refletimos sobre a aliança matrimonial que, no Projeto de Deus, consiste...
Read More
Graça e perseverança na missão

Graça e perseverança na missão

 “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fl 2,5) Retomo as iluminadoras palavras do Papa Francisco na...
Read More
Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

“Olhando para o céu, suspirou e disse:  “Effatha!”, que quer dizer “abre-te!” No 23º Domingo do Tempo Comum (ano B),...
Read More
Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Como Igreja que somos, precisamos testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade,...
Read More
Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom  Otacilio F. de Lacerda.

Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom Otacilio F. de Lacerda.

Com a Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano B), aprofundamos como deve ser uma verdadeira religião que agrade...
Read More
“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“A quem iremos, Senhor?” Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre nossas opções, sobre o discernimento que...
Read More
A missão e o Alimento indispensável – Homilia 19º Domingo Comum – Ano B

A missão e o Alimento indispensável – Homilia 19º Domingo Comum – Ano B

A Liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum (ano B), continuamos a refletir sobre um tema de extrema importância: Jesus...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto: