A Espiritualidade da conexão!

«Somos membros uns dos outros» (Ef 4, 25). Este é o tema da Mensagem do Papa Francisco para o dia Mundial das Comunicações Sociais para 2019.

Diz o Papa: “É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou econômico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos”.

No evangelho de João (Jo 15,1-8) Jesus se revela como Videira Verdadeira. Por 7 vezes  no Evangelho  aparece a palavra “permanecer” – que pode também significar demorar-se, habitar, ficar, continuar… A expressão revela a intimidade de Deus com a humanidade. Quando estamos conectados a essa Videira, vivemos a comunicação íntima com Deus e com a humanidade através da seiva do Espírito que nos une.

A era tecnológica e virtual despertou para a permanente conexão. Somos um todo conectado. A humanidade vive sua integralidade e vai descobrindo nas conexões que faz o sentido da vida. Lentamente vamos crescendo nas pontes que construímos entre culturas, fronteiras, raças, ideologias, religiões, sexos… Ao mesmo tempo, como ponto de reação, vemos crescer aspectos de fundamentalismo travestidos em muros que nos separam e buscam cortar os fios que nos conectam.

A conexão mantém-se como espiritualidade, horizonte e caminho. Pela fé, estamos conectados a Jesus, o Crucificado-Ressuscitado, que nos provoca a vida de comunidade de irmãos e irmãs.

Já no Evangelho de Marcos (Mc 16,15-20), apresenta Jesus Ressuscitado dando recomendações para a missão dos 11 discípulos. Uma delas chama mais atenção: “falarão novas línguas”. É curso linguístico que Jesus quer? É saber falar  várias línguas? Talvez sim, no sentido de que a missão ultrapassa fronteiras geográficas, mas pode ser mais que isso.

Penso que “falar novas línguas” está mais para aproximação do que para distanciamento. Por isto, não se trata de linguagens “incompreensíveis”. Certos “blá- blá-blás”, travestidos de gritos da fé, que geram mais falta de comunicação. Falar novas línguas é abrir-se para a realidade tangível, que pode ser tocada.

Fico pensando nas linguagens novas desse tempo: a tecnologia, por exemplo. Não tenho dúvidas que Jesus falaria dessa “nova língua” das redes sociais, do whatsapp, das imagens…

É injusto e imoral julgar códigos linguísticos que não conhecemos apenas porque não correspondem ao nosso padrão. Há linguagens criadas por grupos afins, por tribos juvenis, por moradores de determinada região, que nada têm a ver com expressões iguais de outros locais.

“Falar novas línguas” é adentrar nesse universo com a “linguagem do amor”, com a “linguagem do silêncio”, com a “linguagem da escuta”, com a “linguagem da acolhida”. Estas linguagens sempre nos aproximam e nos unem porque quebram barreiras.

É nossa missão “falar novas línguas”. Abrir-nos à novidade dos sinais dos tempos, sempre cheios da presença de Deus que quer ser descoberto na novidade do cotidiano. Isso é ir do “like” ao “amém”.

                  Pe. Hermes F. Pedro

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