O PERIGO PODE ESTAR AO LADO

 

Tenho refletido bastante sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2018 – Fraternidade e superação da violência. Tive algumas oportunidade, neste ano, de conversar com membros de pastorais e líderes comunitários sobre o assunto. O tema proposto pela Igreja, para a nossa reflexão-ação, nos tira da zona de conforto em que muitas vezes nos metemos. Acostumados com os noticiários na TV, não paramos para observar os casos de violência que ocorrem cotidianamente em nossas casas, locais de trabalhos, em ruas e bairros, nas comunidades rurais, enfim, em nossas cidades.

Em um dos encontros, disse aos participantes que temo por essa violência silenciosa que vai sendo disseminada em nosso meio sem que percebamos os ruídos de destruição. Ações de violência que mais parecem um vírus a corroer as estruturas sociais. Os principais alvos são as famílias, as escolas, os espaços de convivência e de construção de identidade onde se encontram os cidadãos. Os relacionamentos vão sendo deteriorados.

Precisamos estar atentos, por exemplo, ao crescente caso de crianças maltratadas em seus lares, oprimidas, desrespeitadas e ultrajadas. A violência sexual está destruindo infâncias, histórias, relações familiares. Violência silenciosa que quebra a unidade da pessoa e que a obriga a arrastar por anos e anos dores insuportáveis. Meninos e meninas que se não forem bem cuidados, orientados por profissionais especialistas em saúde mental, podem não resistir ao trauma, às feridas físicas e emocionais.

Em dados divulgados em 2016, o Sinam (Sistema de Informações do Ministério da Saúde) registrou 22,9 mil atendimentos a vítimas de estupro no Brasil. Segundo informações desse órgão governamental, em mais de 13 mil deles – 57% dos casos – as vítimas tinham entre 0 e 14 anos. Dessas, cerca de 6 mil vítimas tinham menos de 9 anos. Participam, infelizmente, desses números familiares ou pessoas conhecidas, isto é, em muitos casos a criança sofre violência sexual por pessoas com as quais mantêm algum tipo de vínculo.

Em nossas comunidades paroquiais precisamos conversar mais sobre o assunto, procurar informações nos órgãos competentes, formar parceria com instituições sociais e com profissionais que atuam na defesa dos direitos da criança e do adolescente, a fim de evitar que casos assim continuem proliferando. A CF 2018 nos convida a identificar esse mal e exterminá-lo. Crianças e adolescentes não podem seguir sofrendo abusos, violência sexual, sem que nada seja feito, sem que algum grito revele essa chaga social.

Luís Carlos Pinto

 

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