Nossa Senhora Aparecida: Devoção a caminho dos 300 anos

 

“As contas do rosário são malhas preciosas como as da rede dos pecadores”

(Côn. Manuel)                                          nsapa

Os Santos Evangelhos são os primeiros a anunciar a presença real de Maria Santíssima na história da salvação (Lc 1, 28; Jo 2, 5). Por isso, em seus desígnios de paternal providência, Deus se compraz em fazer-nos conhecer sua mensagem através de pessoas e coisas que vêm ao nosso encontro. É a história da Salvação. Em Aparecida tudo começou com o encontro de uma simples imagem que surpreendeu e causou espanto. Maria se levanta no solo do Brasil como um foco de luz, na madrugada do dia 17 de Outubro de 1717, cuja claridade da devoção e culto vão acender nos corações estupendas maravilhas. A partir desse fato, toda uma esperança se celebra. Aos olhos da fé tal encontro se fez realidade aos simples homens indefesos e pobres, para que confiassem mais em Deus através de sua Mãe (Jo 2, 5). Do Rio Paraíba, surge aquela que não teve qualquer sombra do mal, Maria (RM 12). O fato miraculoso com os três felizes pescadores, João Alves, Domingos Garcia e Felipe Pedroso, realiza e revela atitudes e exemplos, que devemos perpetuar para a honra e glória de Maria Santíssima. Na verdade, seus prodígios se multiplicam copiosamente, fazendo com que a fama de seus portentos chegue a todos os corações. A caminho dos 300 anos, A Senhora Aparecida vem passando ininterruptamente, como as correntezas do Paraíba, ante seu devocional Santuário, depositando confiança a todos quantos a reconhecem como a serva do Senhor (Lc 1, 38). Da sua pequena e humilde imagem, Maria se faz presente “com todo o seu eu humano e feminino” (RM 13). A Virgem Aparecida é prova irrecusável de que a ela elegeu e santificou aquele lugar para ser o centro de piedade e devoção da Pátria Brasileira. Aparecida é o manancial de bênçãos e a fonte de consolações para todos quantos se aproximam dela. Ninguém sabe o que vai no coração de cada fiel. O que temos a certeza é que Maria atende a todos. Igual a Jesus diz: “Vinde a mim todos vós que estais cansados, e eu vos darei o descanso” (Mt 11, 28-30).

Os três pescadores, reais na sua história, lembram os personagens reais do Evangelho. Assim sendo, podemos dizer que João Alves nos lembra o discípulo que Jesus amava, o primeiro que reconheceu o Senhor Ressuscitado, por ocasião do caminhar sobre as águas: “É o Senhor!.” (Jo.21,7). Precisamente, este pescador do rio Paraíba, chamado João, é que recebe o legado da águas, a imagem por ele reconhecida: É a Senhora.! Domingos Garcia cujo nome recorda o pregador incansável do rosário, era o companheiro fiel à pratica desta devoção. Foi ele que invocou a Mãe de Deus para que os abençoasse naquela empresa. As contas do rosário são malhas mais preciosas que as pobres redes lançadas às águas. Enquanto as velhas malhas penetram nas mais fundas e insondáveis águas para colher o alimento temporário, as do rosário atraem o que os peixes simbolizam na arte cristã: O próprio Cristo, Filho de Deus, alimento da vida eterna, a Eucaristia (Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19-20). Felipe Pedroso nos traz à memória a figura daquele discípulo que ouvindo falar de Jesus, duvidara inicialmente e fizera, segundo as exigências da realidade, a pergunta, cuja resposta o faria com firmeza defensor do Divino Mestre: “De Nazaré, de donde é Jesus, é de lá que havemos de esperar o Messias” (Lc 7, 19-23) ?!… Diante do respeito e amor com que João e Domingos, seus honrados companheiros, olhavam a imagem de Maria, pescada nas águas, Felipe interroga-se a si mesmo: “Poderá ela valer-nos?”. E diante da súbita e espantosa pesca abundante, crê no poder de intercessão daquela que foi pescada nas águas, a Senhora Aparecida.

As águas do rio Paraíba tornaram-se como que as escolhidas para agraciar a “favorita de Deus” (Lc 1, 30), a fim de a identificar com a pátria brasileira. Se desde o início o Senhor está com ela (Lc 1,28), a Aparecida encontrou graça e encanto diante dos humildes pescadores. As circunstâncias que cercam o fato, com a pesca inesperada e abundante, os fatos que se seguiram deixam bem claro a ação do sobrenatural (Lc 5, 4). Assim como o Filho de Deus levantado no calvário (Mt 27,32-35) atraiu todos a Si, também a Imagem de sua Mãe, mal erguida das águas do Paraíba, arrebatou a multidão de fiéis. As romarias demonstram bem a fé do povo. Felipe, homem simples do povo, como os que vão lá hoje, torna-se o responsável pela devoção e o culto à Virgem Aparecida. Quer para si o precioso tesouro e edifica-lhe um oratório. A Igreja, ao ver os prodígios de Maria, responde: a “saída” das águas é a “Cheia de Graça”; e em alta voz proclama “em Maria tudo é graça”(Lc 1, 28). A grande dádiva, pescada no rio Paraíba, a simples imagem, trouxe nova força e identidade a todos, sobretudo, ao povo brasileiro. Senhora da Conceição Aparecida… Rogai por nós. Amém.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial de Aparecida – SP

 

 

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