O mais belo amanhecer

Quantos amanheceres já pudemos contemplar, e quantos ainda poderemos? Mas não há amanhecer como aquele que Maria Madalena viveu, quando ainda era escuro, na madrugada da Ressurreição do Senhor.

A partir daquele amanhecer, iniciou-se o novo tempo, o tempo do anúncio e do testemunho da mais bela Notícia que o mundo possa ouvir, a Ressurreição de Jesus: vive para sempre Aquele que fora morto (Jo 20, 11-18).

Como seria o diálogo de um discípulo (um entre tantos seguidores de Jesus da época), sedento da Vida Nova que o Cristo Ressuscitado nos alcançou, e que desejasse descobrir, de Maria Madalena, a mais bela Notícia, uma vez que ela foi a primeira a testemunhá-la?

Discípulo: Maria o que foste fazer no túmulo de Jesus?

Maria Madalena: fui apenas para estar com Ele, ainda que estivesse morto, mesmo que tivesse que buscá-lo, onde quer que O tivessem colocado. Chorei, inicialmente, porque não havia encontrado o Seu Corpo.

Discípulo: O que faria para encontrá-Lo?

Maria Madalena: Estaria disposta a qualquer sacrifício para realizar o meu desejo, mas se as pessoas corresponderem ao Amor de Deus, tanto mais Deus corresponde e corresponderá ao amor da humanidade.

Discípulo: Não entendi. Então você O encontrou?

Maria Madalena: Sim. Recebi a grande recompensa por tê-Lo amado. Fiz a grande experiência do encontro pessoal com o Ressuscitado, e anunciei a quantos pude esta experiência que me trouxe uma alegria imensurável e indescritível, e que o mundo inteiro não poderia me oferecer e tão pouco conter.

Discípulo: Como os discípulos reagiram ao seu anúncio?

Maria Madalena: A Notícia da Ressurreição do Senhor foi uma surpresa para os discípulos. Embora Ele os houvesse alertado, a Notícia os pegou desprevenidos, por isto a sensação desencontrada de temor e alegria.

Discípulo: Por que temor e alegria?

Maria Madalena: Temor, porque se tratava de avizinhar-se do mundo dos mortos, e as Escrituras proibiam, terminantemente, qualquer prática deste tipo. Alegria, porque renascia a esperança de se reencontrarem com o Amigo querido, que havia sido crucificado, crudelíssima e injustamente. Quanto sofrimento! Que dor indescritível Ele sofreu e nós com Ele.

Discípulo: E o que aconteceu após comunicar aos discípulos o fato acontecido?

Maria Madalena: Foram ao túmulo, Pedro e o discípulo que Jesus amava, e confirmaram o que eu havia dito. O último, embora chegando primeiro, entrou depois, “Viu e Acreditou”. E, assim, foi o início de uma missão que haveria de varar os séculos e se espalhar pelo mundo inteiro.

Discípulo: Então, em que consiste a Ressurreição de Jesus para você e para a Igreja?

Maria Madalena: Constitui o âmago do anúncio evangélico, confiado como missão aos discípulos, quando Ele mesmo comunicou com a Sua presença, colocando-Se no meio deles (reunidos com medo dos judeus), dando o Sopro do Espírito e os enviando a perdoar ou os pecadores reter, como bem descreveu o Evangelista (Jo 20,19-31).

Discípulo: Então, não foi nada fácil para os discípulos e para você o início da Missão?

Maria Madalena: De fato, não. Tivemos que superar todo medo, e só foi possível porque não se consegue conservar apenas para si esta experiência que vivemos. Ela provocou uma reviravolta em nossa existência.

Discípulo: A Ressurreição do Senhor deu a você e aos discípulos uma nova perspectiva de vida?

Maria Madalena: Sem dúvida, porque Jesus Ressuscitou, vale a pena viver, apesar das derrotas e dos fracassos, uma vez que Ele Se tornou penhor de vida e esperança. É preciso sempre anunciar isto ao mundo!

Saindo do diálogo imaginário…

É missão de todos nós, batizados, ser um sinal vivo do Ressuscitado no mundo. Alegres e convictas testemunhas com a mais bela missão de ser sal da terra, luz do mundo, fermento na massa.

Oportuna são as palavras extraídas da “Carta a Diogneto” (escrita no séc. III): “Quando entregues à morte, são vivificados. Na pobreza enriquecem a muitos… São desprezados, mas, no meio de desonras, sentem-se glorificados”. E finalmente: “Para resumir numa palavra: o que é a alma no corpo, são os cristãos no mundo”.

Como Pascais que somos, cremos que cada dia, em cada amanhecer, nasce a Vida, a Força, a Graça e a Luz do Ressuscitado que nos acompanha, iluminando a “noite escura de nossa alma”.   Aleluia! 

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

em http://peotacilio.blogspot.com/2020/04/o-mais-belo-amanhecer.html?m=0


 Santa Maria Madalena: “Apóstola dos Apóstolos”

Na Carta da Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, escrita pelo Papa São João Paulo II (15/08/1988), na Solenidade da Assunção de Maria Santíssima, há uma menção à Santa Maria Madalena que ora retomamos, quando ouvimos a passagem do Evangelho em que ela tem papel fundamental como testemunha da Ressurreição do Senhor.

De fato, as mulheres são as primeiras testemunhas da Ressurreição, como vemos nas passagens dos Evangelhos: Mt 28,1-10; Lc 24,8-11; Jo 20,16-18.

Maria Madalena, é chamada de a “Apóstola dos Apóstolos”, segundo Santo Tomás de Aquino (séc XIII)

“Por isso ela é chamada também ‘a apóstola dos apóstolos’ Maria Madalena foi a testemunha ocular do Cristo ressuscitado antes dos Apóstolos e, por essa razão, foi também a primeira a dar-lhe testemunho diante dos apóstolos.

Este acontecimento, em certo sentido, coroa tudo o que foi dito em precedência sobre o ato de Cristo de confiar as verdades divinas às mulheres, de igual maneira que aos homens” (1).

A exemplo de Maria Madalena, que se pôs a caminho para comunicar a mais bela notícia, a Ressurreição do Senhor, assim também o façamos, sem demora.

Glorifiquemos a Deus, também, pelo protagonismos feminino na missão evangelizadora da Igreja, acompanhado de nossas orações pelas mesmas:

Oremos:

“Ó Deus, o Vosso filho confiou a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria Pascal; dai-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que o Cristo vive e contemplá-Lo na glória de Seu Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

(1) Carta da Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, n. 16 – Papa São João Paulo II (15/08/1988),

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/04/santa-maria-madalena-apostola-dos.html?m=0


                                                           Procura, reconhecimento e Missão

Ele Vive! Aleluia!

No Evangelho, da Terça-feira da Oitava de Páscoa, é proclamada a passagem que Maria Madalena vai ao túmulo onde Jesus Se encontrava morto, para chorar a Sua ausência (Jo 20,11-18).

Neste relato, encontramos uma tríplice dimensão das narrativas de aparições: iniciativa, reconhecimento e missão.

Madalena procura um morto. Entretanto, o conhecimento do Ressuscitado não se dá no mero encontro com Jesus, que ainda permanece desconhecido, o encontro acontece quando Sua presença se torna apelo “pessoal”: Maria!

Iluminadora a citação do Lecionário comentado:

Nesta página evangélica Maria Madalena passa da condição inicial de imobilidade e de choro junto do sepulcro, para jubiloso movimento conclusivo com o qual anuncia aos discípulos a sua experiência do Ressuscitado…

A estada de Maria junto do sepulcro é o sinal do seu apego a Jesus, e o seu pranto é determinado pela ausência do corpo do Mestre no túmulo” (1)

Somente quando ela faz o gesto de deter Jesus, temos a revelação do pleno sentido do acontecimento: a volta de Jesus ao Pai e a investidura para a missão do anúncio aos irmãos. Da iniciativa ao reconhecimento, do reconhecimento à missão!

O propósito do Evangelista é levar-nos a compreender o novo modo de presença do Senhor, bem como um o novo modo de entrar em contato com Ele.

Também tem o claro propósito de nos indicar que o novo modo de presença do Senhor entre nós, funda-se a Seu novo modo de “estar com o Pai”, glorioso, ainda que não tenha subido para junto do Pai (v. 17):

“Maria não deve deter Jesus, como se Ele tivesse regressado à vida terrena. O Filho, pelo contrário, entrara na comunhão com o Pai, e ela é enviada a anunciar que esta comunhão é oferecida também aos discípulos.

A estes Maria proclama agora a sua fé: ‘Vi o Senhor’ e leva-lhes a mensagem Pascal” (2)

Sendo nossa fé Pascal, é tempo de exultarmos de alegria, porque a tristeza, o desânimo e o medo cederam lugar à alegria, à esperança e à coragem.

É tempo de, renovadas as forças no Mistério Pascal celebrado, nos tornarmos alegres testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado, renovando compromissos com uma humanidade nova, pacificadora e justa.

É Páscoa! Ele caminha conosco, vivo e vitorioso. Prantos e lamentos haverão de dar lugar, em nosso coração, à alegria, à exultação, e palavras trocadas de mútua ajuda, para que jamais recuemos na fé.

De fato, a Páscoa do Senhor não dispensa nossos compromissos batismais, antes, são renovados e fortalecidos.

Aprendamos com Maria Madalena a passar da procura ao reconhecimento, e deste à Missão de testemunhar que Ele Vive, Ele Reina. Eis a nossa Missão! Aleluia! Aleluia!

PS: Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano – pp. 338-339

(1)          Lecionário Comentado – p. 378.

(2)         Lecionário Comentado – p. 379.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/04/procura-reconhecimento-e-missao.html?m=0


Santa Maria Madalena:

Que amor, que amizade invejável!

Na terça-feira da oitava da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho (Jo 20,11-18), proclamado dia 22 de julho, quando celebramos a Memória de Santa Maria Madalena.

Maria Madalena foi mencionada entre os discípulos de Cristo, esteve presente ao pé da Cruz e mereceu ser a primeira a ver o Redentor Ressuscitado, na madrugada da Ressurreição (Mc 16,9).
Através da Homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), revemos como Maria Madalena sentia o desejo de encontrar a Cristo, que julgava ter sido roubado, e assim renovemos mesmo amor pelo Cristo Ressuscitado.
“Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera.
Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo chorando (Jo 20,11).
Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora.
Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia ardente saudade d’Aquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela O viu então, porque só ela O ficou procurando.
Na verdade, a eficácia das obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).
Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar.
Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos.
Quem experimentou este amor ardente, pode alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: Estou ferida de amor (Ct 5,8). E ainda: Minha alma desfalece (Ct 5,6).
Mulher, por que choras? A quem procuras? (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por Ele.
Então Jesus disse: Maria (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido abertamente: Reconhece Aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti.
Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: Rabuni, que quer dizer Mestre (Jo 20,16).
Era Ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era Ele que a impelia interiormente a procurá-Lo.” (1)
Santa Maria Madalena: que amor, que amizade!
Imitemo-la!
Procuremo-Lo!
Que nosso amor e amizade pelo Senhor
seja de tamanha intensidade e profundidade,
que O testemunhemos Vivo e Ressuscitado,
com renúncias quotidianas necessárias,
na fidelidade plena no carregar de nossa cruz!
Eis o verdadeiro amor que haveremos de
testemunhar por Cristo Jesus!
Aleluia! Aleluia!
 (1) Lit. Horas – Vol. III – pág. 1435-143
Dom Otacilio Ferreira de Lacerda
http://peotacilio.blogspot.com/2020/04/santa-maria-madalena-que-amor-que.html?m=0
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