É Natal!

É Natal!

Vou sair pela cidade…

A cidade tem seus cenários, ora sórdidos, ora inóspitos.
Também tem cenários de encanto e formosura.

Há manifestações de desencanto e da violação da vida,

mas também pequenos grandes sinais que nos renovam a confiança e a esperança no futuro.

Vou andar pela cidade.
Quero andar pelos becos e vilas,
cansar meus pés como mensageiro do Verbo que Se fez criança.

Quero contemplar a teimosia da vida surgindo e ressurgindo inexplicavelmente, ou pela fé explicável, ou ainda por outra força que vem de cada alma que não se entrega.

Quero ouvir o canto dos pássaros somando-se ao canto daqueles que cantam a esperança, a ousadia, o renascimento daquilo que nos move, nos faz dar passos: a tal da utopia.
Quero ouvir o canto daqueles que se contrapõem aos que anunciam a suas exéquias e morte há algum tempo.
É para isto que nos serve a utopia, para nos por sempre a caminho do bem e do melhor.

Vou sair anonimamente pelas ruas procurando identificar onde Deus faz a vida florescer, para que possa depois anunciar alegremente para quem diz que já não há nada mais para crer.

Vou sair e entrar nas salas dos encontros que se articulam
pela elevação e defesa da dignidade e sacralidade da vida,
desde a  sua concepção até o seu natural declínio.

Quero ver o Natal acontecendo…

Não mais no presépio de há dois mil anos,
mas nos presépios de nossos tempos;
nas manjedouras de nossos corações.

Quero ver o Deus Menino assumindo o lamaçal de nossos pecados, para dele nos remover, pois foi nossa condição vivendo em sua totalidade,
fazendo-se igual a nós menos no pecado,
que tão desejada redenção pôde fazer acontecer.

Quero ver o Natal acontecendo…

Sem holofotes, câmeras, luzes ou manchetes.

Quero ver o Natal acontecendo na mais perfeita e bela singeleza
de um Mistério imenso de Amor:

Nasceu o Amor, nasceu a Luz, nasceu a Diviníssima Ternura.

Nada mais será como antes.

Venha! Vamos sair pelas ruas e praças.
Vamos ver o Natal acontecendo.

Não deixemos estas tão belas verdades,
âncoras de minha alma,
se tornarem mentiras e ilusões.

Quando pessoas de boa vontade se somam e os dons partilham, 
o milagre, o impossível, que para Deus não existe, Ele faz acontecer…

É Natal!

Vou sair pela cidade…

Dom Otacilio F. Lacerda às 07:59

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