Homilia do 24º Domingo do Tempo Comum – ano C

“Entremos na Alegria do Pai”

Com a Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano C), somos convidados a contemplar a face misericordiosa de Deus, que se revela num Amor infinito e incondicional pela humanidade, de modo especial pelos pecadores e excluídos.

A primeira Leitura (Ex 32,7-11.13-14) retrata um momento fundamental na História do Povo de Deus. Moisés está no Monte Sinai, e lá Deus Se manifesta com Ele dialoga, mais ainda, ora e intercede pelo povo que, infringindo os termos da Aliança, faz um bezerro de ouro para ser adorado.

A mensagem fundamental é o retratar do compromisso de amor e comunhão de Israel com Deus, sem o que cairá em nova escravidão, da qual Javé os libertou. Sem fidelidade e adoração a Javé não há vida, liberdade e felicidade.

Ressalta-se a intercessão de Moisés e a ação misericordiosa de Deus, que se expressa em ternura e bondade. O Amor infinito de Deus pelo Seu Povo sempre fala mais alto que Sua vontade de castigar por causa dos desvios e infidelidades cometidas. A lealdade e o infinito Amor de Deus são notáveis e incontestáveis.

A atitude de Moisés é questionadora: face à indignação de Deus, intercede pelo Povo e não deixa que a ambição pessoal se sobreponha ao interesse do Povo – “deixa que a minha indignação se inflame contra eles e os destrua; de ti farei uma grande nação”. Moisés não aceitou a proposta, mas intercede em favor do povo. Moisés nada pede para si e questiona a tantos que sacrificam tudo pelo status, poder e acúmulo de bens…

Questionemo-nos:

– Quais são as infidelidades que cometemos contra Deus?

– Como corresponder melhor ao infinito e incondicional Amor de Deus por nós?

– Quais lições temos a aprender com Moisés nesta passagem bíblica?

A segunda Leitura é uma passagem da Carta de Paulo a Timóteo (1 Tm 1,12-17) que retrata o ministério do Apóstolo e os efeitos da misericórdia de Deus em sua vida.

A Carta aborda três temas:

– A organização da comunidade;

– Como viver a fé e combater as heresias;

– A vida cristã dos fiéis.

O Apóstolo vê seu ministério como ação da misericórdia e da magnanimidade divinas. Com isto, somos convidados a tomar consciência do Amor que Deus a todos oferece, sem exceção, sejam quais forem as faltas cometidas. É este Deus misericordioso que Paulo conheceu e testemunhou, e que também devemos conhecer e testemunhar.

Como o Apóstolo, viver a gratidão para com o Amor de Deus, que é irrestrito e incondicional, e questionar qual o amor que vivemos para com Deus e para com o nosso próximo.

A passagem do Evangelho (Lc 15, 1-32) é apresentada no contexto do caminho de Jerusalém, onde Jesus consumará a Sua missão, Paixão, morte e Ressurreição.

As três Parábolas comunicam ao Amor de Deus derramado sobre os pecadores, sendo a segunda e terceira exclusivas do Evangelista Lucas, e não por acaso, o Evangelho de Lucas é chamado de “Evangelho da ternura divina”, como bem cita o Missal Dominical:

“Lucas, o evangelista da ternura divina multiplica as narrativas que mostram Jesus em busca dos mais abandonados, dos pobres, dos pecadores, realçando assim o próprio fundamento da nossa religião, que é a atitude dos que são arrebatados pelo abismo do Amor de Deus”. (1)

As Parábolas são apresentadas num contexto muito concreto, em que Jesus é questionado pelos fariseus e escribas pelo fato de andar e comer com os pecadores.

Elas revelam a misericórdia divina, que tem uma lógica diferenciada dos fariseus e escribas (lógica da intolerância e exclusão), pois a misericórdia divina faz novas as criaturas.

Normalmente, são conhecidas como Parábolas da “ovelha perdida”, “moeda perdida” e “filho pródigo”, mas poderiam ser apresentadas de outra forma: a misericórdia e alegria de Deus pelos pecadores que se convertem.

Deus jamais rejeita e marginaliza, ama-nos com Amor de Pai, e esta há de ser a atitude dos discípulos para com os pecadores: amor que vai ao encontro, acolhe e perdoa:

“Não existe verdadeira experiência humana sem intercâmbio, diálogo, confidência, verdadeiro amor recíproco. Só o amor é capaz de transformar, mas com uma condição: que seja gratuito e livre” (2)

Um amor que reintegra e celebra com alegria a volta daquele que estava perdido, morto, e encontrado voltou a viver.

As Parábolas expressam a ação divina que abomina o pecado, mas ama o pecador. A comunidade é chamada a ser testemunha da misericórdia divina e jamais compactuar com o pecado.

Amar como Deus ama, um amor incompreendido e que nos dá vertigem.

Os seguidores de Jesus, que se põem a caminho com Ele, farão sempre uma caminhada de penitência e conversão, sem recriminar e excluir, mas acolhendo os pequenos, pecadores, e também se deixando ser acolhido pelo Amor de Deus.

Amados, acolhidos e perdoados por Deus tornamo-nos acolhedores e sinais do Seu Amor e do Seu perdão, que recria e faz novas todas as coisas. Verdadeiramente, a misericórdia divina vivida nos faz novas criaturas.

As Parábolas revelam que o Amor divino vai até o fim. Como não transbordar de alegria diante deste Amor que nos ama e nos ama até o fim?

Entremos na alegria de Deus, revelada a nós por Jesus, acolhendo e nos deixando conduzir pela ação do Espírito Santo.

Redimidos pelo Amor Trinitário, preenchidos deste Amor, seremos dele comunicadores, transbordando o mesmo Amor para com o outro, na alegria do perdão dado e recebido.

Reflitamos:

– Sinto este Amor incondicional, irrestrito e eterno de Deus?

– De que modo rejeitar o pecado e não o pecador?

– O que as Parábolas da misericórdia divina nos ensinam?

– Como vivemos a fidelidade e correspondência ao Amor divino?

– Entramos na alegria de Deus, na festa dos reconciliados, dos que estavam perdidos e foram encontrados, dos que estavam mortos e voltaram a viver?

– Em que nos assemelhamos aos fariseus e escribas e sua lógica de recriminação e exclusão?

– Sentimo-nos acolhidos, amados e perdoados por Deus?

– Somos instrumentos de acolhida, amor e perdão divinos?

Finalizando, “Cristo nos revelou um Deus como desejamos. Um Deus que é Amor e misericórdia.“ (3)

(1) (2) (3) – Missal Dominical pág. 1236.

+ Otacilio Ferreira de Lacerda,

Bispo Diocesano de Guanhães. 

A Palavra do Pastor
Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado -Ano A ( Homilia)

Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado -Ano A ( Homilia)

“Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo” Com a Solenidade de...
Read More
Síntese da mensagem para o  54º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Síntese da mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais

No dia 24 de maio de 2020, na Festa da Ascensão do Senhor, como de praxe, celebramos também o 54º...
Read More
Missão: graça divina, resposta nossa (Homilia – Ascensão do Senhor – Ano A)

Missão: graça divina, resposta nossa (Homilia – Ascensão do Senhor – Ano A)

Missão: graça divina, resposta nossa  “Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do...
Read More
Jesus prometeu e cumpriu: enviou-nos um Defensor (Homilia VI Domingo do Tempo Pascal)DTPA)

Jesus prometeu e cumpriu: enviou-nos um Defensor (Homilia VI Domingo do Tempo Pascal)DTPA)

 “O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece” No...
Read More
Jesus, o Caminho que nos conduz ao Pai – Quinto Domingo da Páscoa (Ano A)

Jesus, o Caminho que nos conduz ao Pai – Quinto Domingo da Páscoa (Ano A)

      Sejamos cristãos alegres, corajosos, convictos a caminho do céu, vivendo  no tempo presente a nossa fé em...
Read More
A fraqueza do rebanho e a fortaleza do Pastor – Homilia do IV Domingo de Páscoa (Ano A)

A fraqueza do rebanho e a fortaleza do Pastor – Homilia do IV Domingo de Páscoa (Ano A)

No IV Domingo da Páscoa (Ano A), o Dia do Bom Pastor, que é o próprio Jesus e também Dia...
Read More
Faça arder nosso coração, abra nossos olhos, Senhor! – Homilia para o 3º Domingo de Páscoa

Faça arder nosso coração, abra nossos olhos, Senhor! – Homilia para o 3º Domingo de Páscoa

Que a Boa Nova da Ressurreição de Jesus seja nossa força na missão: A Ressurreição de Jesus se descobre caminhando....
Read More
O Senhor nos comunicou o Seu Espírito _ Segundo Domingo de Páscoa

O Senhor nos comunicou o Seu Espírito _ Segundo Domingo de Páscoa

  “... Como o Pai me enviou, também eu vos envio. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles...
Read More
“A fé que se torna missão” (Homilia  do Segundo Domingo de Páscoa)

“A fé que se torna missão” (Homilia do Segundo Domingo de Páscoa)

A fé que se torna missão” Com a Liturgia do 2º Domingo da Páscoa (ano A), também chamado de “Domingo...
Read More
“Caminha conosco, Senhor”

“Caminha conosco, Senhor”

  Na Liturgia das Horas, encontramos esta oração nas Vésperas da Segunda-feira da Quarta Semana, que nos remete ao Evangelho...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto: