Dom Darci orienta sobre a importância do voto para governadores dos estados e do Distrito Federal

Dom Darci: a importância do voto para governadores dos estados e do Distrito Federal

O pleito deste domingo, 7 de outubro, inclui também a eleição para governadores dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. O cenário político para esta escolha está embaralhado em relação às coligações de forças em nível federal. Cada estado tem uma realidade própria que faz com que a escolha de nomes obedeça uma lógica particular na composição de forças eleitorais. O eleitor precisa estar atento: “a política é a forma mais alta de praticar a caridade, como nos recorda Papa Francisco. E a educação política, base necessária para o exercício da cidadania, deve conter uma formação especial que contemple uma sólida conscientização das realidades locais”, diz o presidente da Comissão Episcopal para Comunicação da CNBB, dom Darci José Nicioli.

“Nestas eleições, apesar de todo o enfoque dado ao cargo de presidência da República, é preciso que todo cidadão esteja muito atento ao voto dado ao governador. Trata-se de um cargo de grande importância para a administração de nosso País que é, na verdade, uma República Federativa”, esclarece dom Darci. “se dermos uma olhada em nossa Constituição, vamos perceber com maior clareza que o pacto entre as unidades do País estabelece a divisão do poder e a dinâmica das relações entre as unidades federadas”, continua.

Voto para governador

A CNBB, na última assembleia geral, ocorrida no primeiro semestre deste ano, apresentou uma reflexão sobre as eleições que se tornou uma referência para todos os católicos. Nesse documento, os bispos lembram que “É fundamental, portanto, conhecer e avaliar as propostas e a vida dos candidatos, procurando identificar com clareza os interesses subjacentes a cada candidatura”. E sublinham que “a campanha eleitoral se torna, assim, oportunidade para os candidatos revelarem seu pensamento sobre o Brasil que queremos construir”. Os bispos ainda advertem: “Não merecem ser eleitos ou reeleitos candidatos que se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta, nem os que propõem e defendem reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade. São igualmente reprováveis candidaturas motivadas pela busca do foro privilegiado e outras vantagens”.

“Cada eleitor, conhecendo bem a realidade de seu estado, levando em consideração o ensinamento do nosso episcopado precisa fazer um discernimento sério sobre qual candidato merece receber seu voto de confiança”, diz dom Darci. “E, claro, não deve se prender a simpatias meramente afetivas ou votar para ‘pagar’ algum favor recebido. É necessário que se conheça o programa de governo e, se possível, participar de uma discussão sobre as principais necessidades como saúde, educação, segurança, transporte, moradia e trabalho”, prossegue.

“Os bispos, no Brasil, batem sempre na mesma tecla: cuidar dos pobres. Esse tema não é fruto de ideologia ou de simpatia por certos candidatos, mas compromisso que nasce da escuta e da prática do Evangelho de Jesus Cristo”, assegura dom Darci. “Nesse sentido, os bispos pedem que cada eleitor, no seu processo de discernimento sobre o voto considere o lugar que o cuidado com os pobres tem em cada programa apresentado pelos candidatos”, diz dom Darci.

Posição da Igreja

Em cada Igreja Local, os bispos têm uma orientação clara sobre a participação dos leigos na política. A eles cabem uma tarefa muito especial e inclui a apresentação de candidaturas. A CNBB, segundo a Mensagem ao Povo de Deus divulgada na assembleia deste ano, “não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político” e o Direito Canônico não recomenda a participação de padres como candidatos nos pleitos, conforme o cânon 285, no terceiro parágrafo: “Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos, que importem a participação no exercício do poder civil”.

“Bispos e padres, apesar de serem cidadãos e terem também suas escolhas, conservam-se na legítima posição de homens de fé para orientar o rebanho sob a luz do Evangelho. Os leigos, no entanto, devem participar explicitamente do processo eleitoral com todo o compromisso que a consciência lhes impõe. E, nos estados, cada cidadão em particular ou em associações deve se apresentar para o debate político. A nossa fé nos impele a lutar por um mundo mais justo e mais fraterno, um mundo sem corrupção e sem desvios éticos na conduta dos seus governantes. Por isso, o cristão leigo católico pode ajudar muito na discussão pacífica e serena sobre quais candidatos a governadores servem de modo mais efetivo para o Brasil. Peço que todos exerçam o direito e o dever do voto com responsabilidade cidadã e compromisso cristão, afinal, o exercício da sadia política garante que haja escolas hospitais, emprego, segurança e vida digna para todos”, conclui dom Darci.

Fonte: cnbb.org.br

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