FORMAÇÃO PRESBITERAL E A BUSCA DA FELICIDADE

Encontrei a Felicidade e ela me encontrou: quando eu andava na escuridão. A VERDADE me amou para que eu pudesse amá-la e entender os seus mistérios. Tal VERDADE me conduz à felicidade e me move em meio às diversidades situacionais. (Anderson Alves).

Na caminhada de formação presbiteral deparamo-nos com várias pessoas e também, com diferentes ideologias. A partir do mandato de Jesus: “Ide!”, somos convidados a uma meditação que provocará em nós uma revisão de vida. Desta reflexão, brota a necessidade de seguir sempre, de palmilhar os tortuosos caminhos, de anunciar sempre, de bradar aos quatro cantos a Boa Nova de Cristo Jesus Nosso Senhor. Para que este ato missionário surta efeitos, dê bons frutos, é imprescindível que estejamos de acordo com os desígnios de Deus, que é princípio e autor da Felicidade.

Sendo assim, a Igreja nos orienta através do novo documento para a formação presbiteral Ratio Fundamentalis, que o seminarista deve ser formado nas seguintes dimensões: Humana, Intelectual, Espiritual e Pastoral. A formação presbiteral se distingue duas fases: Inicial e Permanente. A Fase inicial está articulada em quatro etapas: Propedêutico, Filosofia, Teologia e Pastoral.

Na etapa inicial da formação os estudos filosóficos e teológicos não são os únicos a serem avaliados no caminho já percorrido pelo vocacionado ao ministério ordenado. Pois, cada etapa contribui para o crescimento vocacional. O período formativo é um tempo de prova, amadurecimento e sobretudo de discernimento, para assim conseguir chegar ao ministério ordenado de maneira convicta e feliz.

Já a formação permanente é um longo caminho em que o presbítero vai se configurando a Cristo Jesus: acolher os pequeninos, dispensar os sacramentos, acolher e escutar a todos, zelar pela vida espiritual da porção do povo de Deus à ele confiado. A partir dessa configuração o presbítero é convidado a se entregar cotidianamente e ajustar o seu ser inteiramente ao ser do Bom Mestre de Nazaré que é Cabeça, Pastor, Servo e Esposo da Santa Igreja.

Na conversão de Santo Agostinho, modelo para todo presbítero, percebe-se que a perseverança e a inquietação sempre fizeram parte do seu percurso vocacional. Em nossa caminhada de discernimento não é diferente, buscamos sempre a felicidade e a realização pessoal, que nos provoca inquietações. Porém, esse inquietar-se não deve se restringir apenas ao tempo de Seminário, ao tempo de formação, deve se estender por todo o tempo, por toda a vida. A ordenação, imposição das mãos do Bispo, não é como um passe de mágica que transforma e apaga no neo-sacerdote as fraquezas, as dúvidas, as incertezas, os vícios, ela confere sim poder que homem nenhum tem sobre a terra, parafraseando Santo Ambrósio “a dignidade do padre sobreleva à dos reis como o ouro ao chumbo.” É preciso que o presbítero esteja sempre com o coração ardendo de amor por Cristo Jesus, nossa Felicidade. Para alcançar a Felicidade e a realização pessoal é necessário curvarmos, num ato de humilhação, sempre nos voltarmos para Deus, suplicar seu patrocínio, suplicar sua graça, implorar pelo seu perdão e é imprescindível, que diariamente o padre se digne a dar o seu SIM a Deus.

Tomemos novamente como exemplo Santo Agostinho, que nos desperta na caminhada vocacional com seu exemplo de vida, principalmente na etapa inicial de nossa formação, que exige de nós disciplina para crescermos na fortaleza, no ânimo e nas virtudes humanas, para assim atingirmos uma sólida maturidade e sermos felizes na vocação ao ministério ordenado.

Ao direcionar nossa atenção para a essência humana, nos deparamos com uma infindável carência, uma busca constante, uma infelicidade profunda, pois o homem só confia em si próprio, a sua esperança está depositada sobre si mesmo. O homem retirou Deus de sua vida e se colocou no lugar d’Ele. O homem é seu próprio deus. O antropocentrismo impera!

Sendo assim, o processo de conversão é de máxima importância. Pois somente no inclinar-se para Deus conseguiremos a realização completa, pelo qual não tem outro caminho que o ser humano possa encontrar a satisfação de suas aspirações mais profundas. Deus não se impõe, Ele deixa os homens livres para que vá ao Seu encontro. Se deixando encontrar por aqueles que o procuram de coração sincero. Em Santo Agostinho, Deus é o princípio de tudo, e em nossa caminhada vocacional também temos que ter Deus como princípio norteador. Em Confissões, exterioriza isso muito bem:

“Eu nada seria, meu Deus, nada seria em absoluto se não estivesses em mim; talvez seria melhor dizer que eu não existiria de modo algum se não estivesse em ti, de quem, por quem e em quem existem todas as coisas? Assim é, Senhor, assim é. Como, pois, posso chamar-te se já estou em ti, ou de onde hás de vir a mim, ou a que parte do céu ou da terra me hei de recolher, para que ali venha a mim o meu Deus, ele que disse: Eu encho o céu e a terra? (AGOSTINHO Hipona – Cf. PESSANHA, J. A. M. Vida e obra. In: AGOSTINHO, Santo. Confissões. Tradução de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1996. Coleção Os Pensadores, p.282)

Desta forma, a caminhada vocacional é um chamado, um chamado diário, um sim renovado a cada momento, nas pequenas circunstâncias da vida, em meio às turbulências da época. É neste mundo contemporâneo, marcado pelas instabilidades, que somos chamados e desafiados a mergulhar profundamente na contemplação da pessoa de Jesus Cristo, pastor e guia do povo de Deus.

Devemos, pois, voltar os nossos olhos, voltar a nossa vida, depositar a nossa fé e a nossa confiança no “Bom Mestre de Nazaré”, exteriorizar essa paixão cumprindo o Seu mandato de estar sempre em saída, sem moradia fixa, sempre disposto a sair na direção daqueles que mais precisam. Assim, Ruben Alves recorda: “O segredo é não correr atrás das borboletas. É cuidar do jardim para que elas venham até você”. No entanto, a realização vocacional é uma busca contínua, é um cuidar do interior, é cuidar deste jardim, é ser sujeito de sua formação. Sabendo que mesmo tendo ramos embaraçosos, a Felicidade plena e a realização encontram-se na identificação do Infinito – Deus. Pois o ser humano é um ser finito e encontra, em Deus, a Verdadeira Felicidade.

Anderson Alves Rocha, Seminarista do 3º ano de filosofia

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