A solidão online

O universo da internet e suas consequências ainda são uma novidade para o mundo e, sobretudo, para a Igreja. Sendo a internet fruto da inteligência humana criada por Deus, ela está também no plano do Criador.
Talvez a internet seja a mais revolucionária das atuais invenções humanas. Os desdobramentos na vida prática e na mentalidade das pessoas são inimagináveis. Provavelmente, quase tudo irá funcionar através dela.
A meu ver, um dos principais efeitos positivos da internet é nos tornar mais humildes. O nosso orgulho intelectual desaparece e ficamos humilhados diante da simples página de busca do Google. Desapareceu a pessoa considerada uma “intelectual-enciclopédia”. Daqui para frente o homem vai ter que começar a pensar profundamente sobre aquelas coisas que o Google não consegue responder. Creio que a internet fará o homem voltar-se para a busca do essencial, cansado da enxurrada de informações úteis e inúteis que, na maioria das vezes, só o leva à curiosidade ou mesmo à perda de tempo. Daí o tempo parecer passar velozmente, a velhice chegar mais rápida, a morte mais próxima; e o ser humano cada vez mais ansioso e deprimido.
Outra virtude da internet é acabar com a hipocrisia dos relacionamentos sociais. A internet está purificando as amizades reais que, de fato, são poucas. Um pesquisador afirmou que nos interessam somente três ou quatro contatos (“amigos”) que estão nas redes sociais. Os contatos on-line são semelhantes às pessoas conhecidas que cruzamos na calçada e fazem de conta que não nos viram.
A internet será cada vez mais um instrumento maravilhoso do ser humano e provocará na Igreja constante conversão pastoral. Contudo, alguns valores como a fé em Deus, a família, o amor, são tão infinitos, que jamais caberão nas pequenas telas digitais. Para a Igreja o mais importante será sempre o ser humano e não os maravilhosos aparelhos com inúmeras utilidades, que são simplesmente instrumentos que devem ajudar a humanidade a ser cada dia melhor. Enfim, estar conectados é uma coisa, mas estar unidos em fraternidade é outra coisa.
Paradoxalmente, alguns pesquisadores estão afirmando que as redes sociais acentuam a depressão nos seus usuários. A falsa sensação de estar conectado mascara o exacerbado individualismo e egoísmo. O problema da ser humano não é a solidão, o problema é o vazio da alma. Muitos confundem solidão com vazio interior. A solidão é inerente à condição humana. Todos temos no profundo da alma uma região que nada, nem ninguém consegue entrar, nem nós mesmos, somente Deus. Experimentamos a solidão, pelo menos em duas ocasiões, na dor profunda (diante da realidade da morte, por exemplo), e quando temos que tomar uma decisão muito importante que somente nós podemos tomá-la.
Quem tem fé sabe que não está jamais sozinho, mas será sempre habitado por uma “Presença”, misteriosa sim, mas, tremendamente real e envolvente. Quem tem fé sente-se envolvido por uma inexplicável presença amorosa e, portanto, não sentirá solidão. Quem não tem fé, mesmo estando rodeado de muitas pessoas, sente-se sozinha e, geralmente, vive cobrando das pessoas ao seu redor mais atenção e mais afeto.
Muitos querem ilusoriamente preencher o vazio da alma com bens materiais: são as pessoas consumistas; os carreiristas e orgulhosos querem se preencher de poder e cargos ondem possam exibir seu Ego inflado; outros buscam o prazer desenfreado do álcool, drogas, sexo; alguns tentam se preencher com coisas mais nobres: matam-se de trabalhar (workaholics = viciados em trabalho!), outros com malucas filosofias, seitas, ideologias.
Enfim, o resultado de tudo isso será mais vazio e mais tristeza na alma. Meu irmão e minha irmã, tudo isso tem solução: basta deixar de ser egoísta e preguiçoso e começar a ajudar e dar mais atenção às pessoas que estão ao seu redor. Assim fazendo, milagrosamente a paz, a alegria e a serenidade vão jorrar de dentro do seu coração. Simples assim. Faça o teste.

Dom Frei Rubens Sevilha, OCD
Bispo Diocesano de Bauru

Fonte: http://www.bispadobauru.org.br/dom-rubens-a-solidao-on-line_pb_257

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