O Tempo está passando rápido, mas o Relógio não é o mesmo?

tempo

É importante notar que o comentário mais postado e mais compartilhado entre as pessoas nos últimos anos é de que o tempo está passando.

rápido. Mas se as pessoas avaliarem a dinâmica do dia a dia, elas verão que o relógio com o qual demarcam o tempo, está na mais perfeita atividade. Porém, depois que essas mesmas pessoas em suas agendas, tiraram tempo para ficar mais no mundo virtual, em que tudo é feito em segundos, passaram a deixar o real para segundo plano.

O que se pode notar nas pessoas é um aceleramento do pensamento com relação as coisas da vida e a valorização cada vez mais do tempo num aparelho celular onde a um clique tudo fica perto e acessível sem precisar sair de onde se está. Porém, ao iniciar esse processo de inserção no mundo virtual, a existência real se constrange. Nos jornais, recentemente, casos de bebês esquecidos dentro dos carros elevou a atenção dos pais, que por sua vez, na correria do trabalho diário, mesmo saindo com uma criança não notavam sua existência real, a menos que esta se encontrasse em óbito.

O velho ditado de que tudo está rápido, é um alerta para quem sempre viveu na tranqüilidade de uma comunidade rural e agora se encontra na área urbana. As pessoas ao se relacionarem de forma não crítica com as tecnologias disponíveis, se tornam cada vez mais, prisioneiras de uma consciência globalizada que tende a tornar a vida realmente mais eletrizante e mais veloz. Mas não seria a própria pessoa que está correndo atrás de preenchimentos momentâneos através dos aplicativos virtuais, das conversas ideologicamente postadas para que outros possam aplaudir ou curtir e por fim compartilhar?

Tendo em vista ainda a questão do relógio, os ponteiros não foram modificados e a vida nunca foi tão limitada quanto nos dias correntes. Os pais não vêem seus filhos crescendo pela ocupação profissional que não pode esperar outro momento, é agora! Os filhos por sua vez, crescem sem ao menos saber quem são as pessoas com as quais tem intimidade dentro do lar. A escola já não vê mais o rosto dos responsáveis pelos alunos, mas vê somente o rosto da babá que por hora é a mãe, o pai, a irmã dos pequeninos.

De quem é a culpa? Do relógio que com seus ponteiros tic tac não dão paz aos ouvidos dos homens e mulheres apressados e sempre atrasados para o trabalho ou são os próprios homens e mulheres que se colocaram velozmente aptos a viver liquidamente aquilo que sua inteligência construiu e transformou? Seria o momento caro leitor, de reorganizar o tempo em sua agenda e perceber a partir do relógio, qual seria o momento exato de se expor e de se ocultar nessa realidade que tanto grita: Pare!

Percebe-se então que ao viver numa realidade veloz e líquida, o ser humano vai se esvaziando de sua essência primeira, vai se tornando máquina, como o velho Charles Chaplin, já dramatizava no filme “Tempos Modernos”. Mas cuidado! Ao contrário da vida virtual, que é garantido excluir, situações e pessoas do ciclo de amigos, a vida real exige um heroísmo constante de se adaptar ao outro e conviver mesmo na diferença. Então, é necessário se reorganizar, principalmente no que tange ao tempo, pois a vida é única e não há margem para retirar a última postagem e reeditá-la, muito menos fazer um script da sua última vivência. Afinal, o relógio não mudou, mas a forma com que as pessoas olham para ele, foi totalmente transformada, por isso a reclamação de que o tempo está curto para a realização da tantas tarefas.

                                                                             filipe    Seminarista Filipe Ferreira Coelho

 

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