A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Ela veio trazendo vida

 

Com o Cântico de Daniel, louvemos o Senhor:

“Águas do alto céu, bendizei o Senhor!

Potências do Senhor, bendizei o Senhor!

Lua e sol, bendizei o Senhor!

Astros e estrelas bendizei o Senhor!

Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor!”  (Dan 3,60-64)

 

Foram, aproximadamente, cento e cinquenta pores do sol sem a sua presença.

Era por todos tão esperada, que parecia não vir mais.

No entanto, ela veio no meio do dia, timidamente, logo cessou.

E neste momento, como que para não afugentá-la,

Silêncio e Contemplação, atitudes que foram despertadas.

 

De repente, surpreendentemente, veio bem mais forte,

Ainda que por um tempo breve, bem mais densa,

Densa o bastante para arrancar um sorriso de contentamento,

Pois de tão esperada, parecia convidar a uma dança;

A todos convidava, e não houve quem ousasse reclamar.

 

Cessou novamente, bem mais rápido que o desejado.

Porém, ao virar das horas de um novo dia, ela volta suavemente.

Escutamos sobre nossos telhados, algo que há muito não ouvíamos,

No recolhimento do quarto, para as energias revigorar,

Um sono banhado com a tão esperada e necessária chuva.

 

Novo dia, o sol desponta, e numa manhã como há muito não se via

As ruas, guias e sarjetas escoavam a tão preciosa água da chuva:

Árvores, gramas, flores e toda a natureza, sendo agraciada,

Acompanhada pela alegre sinfonia dos pássaros,

Que, com canto e voos, celebram sua chegada.

 

Vinde, bendita chuva, regar campos, vales e cidades.

Represas e reservatórios, já ameaçam os últimos suspiros;

Torneiras secas, queimadas multiplicadas, insuportável umidade do ar.

Imunidades de todos nós no limite, agora tende a se recuperar.

Vinde, bendita chuva, como graça que vem do alto.

 

Vinde, bendita chuva, chorar no rosto dos muros.

Vinde correr mais ainda pelas guias e sarjetas,

Vinde, bendita chuva, para a fertilidade do campo;

Flores, frutos saborosos, em mesas fartas termos;

Fim de queimadas, o verde renascendo das cinzas.

 

Vinde, bendita chuva! Se escassa, não por culpa divina,

Mas devido à intervenção inconsequente,

Na Amazônia e em tantos outros lugares.

Pagamos o preço pelo absurdo abuso.

É tempo de novas posturas, necessária conversão.

Vinde, bendita chuva, que traz consigo um sinal para nós:

Repensar nossas atitudes de consumo da água,

Bem sagrado por Deus a nós confiado;

Reutilizá-la, reduzir o consumo, urge reaprender.

Páginas de ecologia integral, aprendamos a escrever.

                                                                          Vinde, bendita chuva!

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Quanto mais próximos do Altar, maior será a exigência de Deus para conosco! (Homilia – 30° Domingo do Tempo Comum)

Quanto mais próximos do Altar, maior será a exigência de Deus para conosco!

Com a Liturgia do 30º Domingo do Tempo Comum (Ano C), refletimos sobre a nossa proximidade com o Altar e as exigências próprias no quotidiano, e também a nossa responsabilidade diante de Deus e da Comunidade.

A vivência da verdadeira religião consiste na fidelidade aos preceitos divinos, na defesa da vida, preferencialmente a defesa dos empobrecidos.

Contemplamos na Sagrada Escritura que Deus está sempre pronto para escutar e intervir na defesa dos empobrecidos, e por isto, a oração destes chega sempre aos Seus ouvidos e não fica sem resposta (1ª leitura – Eclo 35,15b-17.20-22a).

A proximidade do Altar pede confiança, generosidade, gratuidade, simplicidade, coerência e entrega da própria vida no bom combate da fé, como fez o Apóstolo Paulo (2ª Leitura – 2Tm 4,6- 8.16-18).

Trilhando com coragem o caminho da fé e do discipulado, Paulo tornou-se para nós modelo de crente, que nos leva a duas atitudes: reconhecimento dos nossos próprios limites e a confiança na misericórdia divina contra toda autossuficiência.

Na Parábola, da passagem do evangelho (Lc 18,9-14), Jesus revela o rosto misericordioso de Deus, por aqueles que se reconhecem pecadores, de modo que a humildade acompanhada da confiança na misericórdia de Deus nos permite ser melhores – Deus não Se preocupa tanto com nossos pecados, mas com a autenticidade de nossa amizade com Ele. Quanto mais amigos de Deus formos, menos pecadores o seremos!

 “Tende compaixão de mim porque sou pecador” (Lc 18,9-14) há de ser nossa súplica diante de Deus. De modo poético, diz Santo Agostinho, referindo-se se ao pecador público nesta passagem mencionada: “… o remorso o afastava, mas a piedade o aproximava; o remorso o rebaixava; mas a esperança o elevava”.

Se de um lado o remorso sincero dos pecados rebaixa, por outro nos aproxima e nos eleva. Lição tão difícil de aprendermos, porém indispensável…

Aprendemos que não podemos nos colocar em relação ao outro como melhor, superior, perfeito… A atitude de pequenez, para que se possa ser justificado e alcançar a misericórdia, o amor e a bondade de Deus é mais do que desejável.

No Missal Dominical, encontramos uma questionadora afirmação:

“Hoje a suficiência farisaica não é mais a observância de uma lei: toma outro nome. Em muitos ela é a convicção de que o homem pode salvar-se como homem, apelando unicamente para os seus recursos.

O homem salva o homem mediante a ciência, a política, a arte… é por isso mais do que nunca necessário que os cristãos anunciem ao mundo Cristo como Salvador. A Salvação que Ele traz não se opõe a salvação humana, mas a conduz à plenitude.

Com a celebração dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia, os cristãos dão testemunho da necessidade da intervenção divina na vida do homem, põem-se sob a ação do Deus presente, com Seu Espírito, e fazem a experiência privilegiada da justificação obtida mediante a fé em Jesus Cristo.

Devem, por isso, estar continuamente vigilantes para não participarem dos Sacramentos com espírito farisaico”.

A proximidade do Altar significa proximidade com Deus?

Não necessariamente, e aqui o perigo que a Parábola revela.

Uma boa dose dos sentimentos do publicano, nos levará a menor farisaísmo e orações mais autênticas que agradarão ao Senhor.

Firmemos os passos na caminhada de fé, no “bom combate da fé”, alimentados pela verdadeira atitude orante, na certeza de que Jesus caminha ao nosso lado e a glória de Deus é elevada sinceramente quando não separamos o culto da vida.

Concluindo:

Quanto mais próximos do Altar,

maior será a exigência de Deus para conosco!

+ Dom Otacilio Ferreira de Lacerda – Bispo da Diocese de Guanhães.

A oração não dispensa compromissos

As mãos que elevamos aos céus

são as mesmas que na terra estendemos ao outro…

A Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a refletir sobre a verdadeira Oração, que consiste uma relação estreita e íntima com Deus, num diálogo intenso e insistente.

A Oração, deste modo, leva-nos à compreensão do silêncio de Deus, respeito ao Seu ritmo, que não necessariamente é o nosso e, sobretudo, nos leva ao crescimento no Seu Amor.

Na primeira Leitura, ouvimos uma passagem do Livro do Êxodo (Ex 17, 8-13a) em que o autor nos apresenta uma belíssima catequese sobre a Oração como força em nossa luta quotidiana.

A Oração de Moisés é a grande intercessão em favor do povo hebreu contra os amalecitas. Enquanto Moisés mantém as mãos levantadas, há a vantagem sobre os inimigos, mas quando vencido pelo cansaço, suas mãos se abaixam, os inimigos dominam.

A Oração é importante, e deve ser perseverante, persistente. Por isto, Aarão e Hur, ao lado de Moisés, amparam-lhe as mãos e assim os hebreus vencem os inimigos.

De fato, a libertação pressupõe a Oração de Moisés e a intervenção de Deus, mas não dispensa a ação do povo. A mensagem catequética é explícita: a libertação se deve mais à ação de Deus do que aos esforços do Povo.

Deus não cruza os braços no processo de libertação do Seu Povo e a Oração se torna a grande força para o combate e a vitória:

“A conquista é dom de Deus. Se o Povo de Deus reza e confia no Senhor, o próprio Senhor combate e vence; se o Povo de Deus se apoia apenas suas forças é derrotado” (1)

Na passagem da segunda Leitura (2 Tm 3,14-4,2), aprofundamos sobre a importância da Palavra de Deus como fonte privilegiada de Oração.

O texto foi escrito para as comunidades que viviam um contexto de perseguição, da falta do entusiasmo. Era mais do que necessário a redescoberta deste entusiasmo pelo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Era preciso retomar a fidelidade à doutrina, como grande herança dos Apóstolos, que é acompanhada pela fidelidade às Escrituras, fonte de formação e educação cristã, tornando o discípulo mais configurado ao Senhor.

Paulo exorta a uma proclamação da Palavra sem medo, sem pudores e com entusiasmo. Palavra que é oportuna para ensinar, persuadir, corrigir e formar.

Reflitamos sobre o lugar da Palavra de Deus em nossa vida, como a valorizamos e que formação procuramos para melhor compreendê-la e melhor vivê-la.

–  Preparamo-nos para bem proclamá-la, acolhê-la e vivê-la?

Na passagem do Evangelho (Lc 18,1-8), Jesus, a caminho de Jerusalém, nos exorta à prática da verdadeira Oração, como diálogo contínuo e perseverante e que nos leva à abertura do coração ao Projeto de Salvação.

Muitas são as inquietações que nos cercam em todos os âmbitos (pessoal, familiar, comunitário e social, mundial…). Por vezes não entendemos o “silêncio de Deus”. Mas aqui a grande notícia: Deus não é indiferente aos nossos sofrimentos. Porém, é preciso uma Oração feita com paciência e com perseverança, até que o Projeto de Deus se cumpra.

A Oração é sempre o momento em que nos colocamos diante de Deus, para reencontrarmos forças para perseverarmos no caminho do encontro de Seu Amor; é o abastecer para acolher e realizar, com coragem e entusiasmo, o Projeto de Salvação que Deus tem para nós.

Quando nos envolvemos pelo Amor de Deus, sabemos esperar em Sua aparente ausência, que é a mais verdadeira presença.

A Oração há de ser sempre uma atitude que brota da fé em Deus, na confiança e na perseverança. Rezarmos sempre, sem nos desencorajarmos, com a certeza de que Deus nos escuta depressa, sem tardar.

Se Deus não nos atende pode ser porque não pedimos o necessário, e nossa Oração não está devidamente sintonizada com o Seu Projeto de Vida e Salvação.

Na Parábola, vemos que “Não corresponde ao estilo de Jesus Cristo um ensinamento que induz o discípulo a forçar a vontade de Deus, para O fazer mudar de ideias e obrigá-Lo a fazer aquilo que o homem quer! Pelo contrário, a Parábola é provocatória e, para compreendermos bem, temos de entender a inversão de perspectiva”  (2)

Importante dizer que Oração não é transferência de responsabilidade para Deus. Deus fará o que a nós é impossível, e jamais nos dispensará de sinceros compromissos para que a graça seja alcançada.

“Como para Israel no deserto, também na nossa vida se trata de combater contra um adversário poderoso, que não pode ser vencido apenas com as nossas forças humanas.

A Oração constante e convicta, é sinal de quem confia na ajuda divina, ‘levanta as mãos’ (Ex 17,11) e clama continuamente (cf. Lc 18,7), tirando proveito da Palavra que escutou, convencido de que pode realizar-se.” (3)

Quando orarmos pela paz, nos empenhemos pela paz. Quando orarmos pelos pobres, multipliquemos gestos de solidariedade para com os mesmos. Quando orarmos pela paz na família, façamos sincera revisão de nossas atitudes que venham a ferir esta paz.

Toda Oração que elevamos aos céus, nos compromete, imediatamente com Deus, com o outro e conosco mesmos.

Reflitamos:

–    O que é Oração?

–    Como e para que a Oração?

–    Quais são as pessoas que nos ensinam a beleza da oração em nossa vida?

–    O que precisamos fazer para redescobrir o gosto, a beleza e a força da Oração?

–    Quais são os conteúdos de nossas Orações?

–    O que a Oração repercute em nossa vida?

Há ainda uma questão última fundamental, para nos ajudar na necessária conversão para que melhores discípulos missionários do Senhor sejamos:

“O problema, então, está na fé; temo-la, esta fé? Isto é, temos a atitude crente e confiante, para desejar fortemente aquilo que é conforme ao projeto de Deus?” (4)

(1) Lecionário Comentado – pág. 600

(2) Idem – pág. 602

(3) (4) Idem – pág. 603

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Graça, gratidão e gratuidade (Homilia 28º Domingo Tempo Comum – ano C)

Graça, gratidão e gratuidade  

“…Um deles, ao perceber que estava curado,

voltou glorificando a Deus em alta voz;

atirou-se aos pés de Jesus, com o

 rosto por terra, e lhe agradeceu.”

A Liturgia da Palavra do 28º Domingo do Tempo Comum (ano C) – (2 Reis 5,14-17; 2 Tm 2,8-13; Lc 17,11-19) –  retrata de modo especial a cura que Deus propicia a todos, além das fronteiras de um determinado povo. Não há limites geográficos para a ação curativa de Deus.

Não há dúvida que o Amor, a bondade e o Projeto de Salvação de Deus destinam-se a todos os povos.

O que Deus espera de nós é a acolhida, com alegria, abertura, confiança, amor e gratidão.

E este é o grande questionamento que a Liturgia nos propicia: rever nossa abertura à Graça Divina, acompanhada pela gratidão por tudo que Ele realiza em nosso favor.

Se de um lado a gratidão é uma virtude que enobrece, por outro nada é mais desagradável do que conviver com pessoas ingratas, nada é mais empobrecedor do que o cultivo da autossuficiência, sobretudo da relativização da presença divina.

Viver como se de Deus não precisássemos é mergulhar no vazio de si mesmo, com perda de sentido, e horizontes restritos; é condenar-se a não realização; é o sequestrar-se de si mesmo quase que sem preço de resgate…

Somente em Deus o resgate, logo, sem voltar-se para Ele, não há alternativa, não há caminho, somente dor, desolação, vazio, sofrimento – caos jamais superável!

Como configurados a Cristo que devemos ser (segunda Leitura), jamais nos faltará Sua graça, portanto a gratidão e a gratuidade serão maneiras de fazermos com que O vejam em nós.

A passagem da primeira Leitura nos apresenta o rosto e o ser de Deus: Ele é único, dá a vida, salva a todos, pois a salvação carrega em si a marca da universalidade, espera a gratidão e não se deixa manipular por ninguém…

A Espiritualidade genuinamente Eucarística leva-nos a dizer “obrigado a Deus” e ao nosso próximo por tantos bens e graças recebidas.

Pode ocorrer que a cegueira, o desejo desmedido do dinheiro, do poder, da fama, dos privilégios, nos levem a uma secura diante do Mistério do Amor Divino, que nos inebria com o mais Sublime dos Vinhos, com o mais precioso dos pães, o Pão da Imortalidade.

Pessoas eucarísticas sabem dar graças a Deus em todas as circunstâncias, como nos disse o Apóstolo Paulo:

“Em todas as circunstâncias dai graças…” (1Ts 5, 18).

E como o escritor romano Sêneca:

 “Só os espíritos bem formados são capazes de cultivar a gratidão!”

Palavras de William Shakespeare:

“A gratidão é o único tesouro dos humildes.”

O grande Bispo Santo Agostinho, sobre a gratidão, já nos dizia:

“Que coisa melhor podemos trazer no coração,

pronunciar com a boca, escrever com a pena,

do que estas palavras: ‘graças a Deus’?  

Não há nada que se possa dizer com maior brevidade,

nem ouvir com maior alegria, nem sentir com maior

elevação, nem realizar com maior utilidade.”

Agradecer sempre pelo que somos e pelo que temos sem nos tornarmos reféns de nossa ingratidão. Temos uma fertilidade de memória, para as nossas necessidades e carências, maior do que para os nossos bens de Deus recebidos.

Assim completa Santo Agostinho:

“Nada é nosso, a não ser o pecado que possuímos.

Pois que tens tu que não tenhas recebido? (1Cor 4, 7).”

Finalizando, agradeçamos a alguém pelo que significa em nossa vida. E, diante de Deus, também elevar nosso infinito “muito obrigado, Senhor!”.

A acolhida da graça, acompanhada da gratidão,

leva-nos a viver cada vez mais

intensamente na gratuidade:

De graça recebemos, de graça

devemos dar, disse-nos o Senhor!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda em

https://peotacilio.blogspot.com/2019/10/graca-gratidao-e-gratuidade-homilia-28.html

Anjos que não vejo e anjos que vejo!

A Igreja celebra, no dia 02 de outubro, a Memória dos Anjos de Guarda (Ex 23,21-23; Salmo 91; Mt 18,1-5.10).

São Anjos e Arcanjos que não vemos; que nos trouxeram e nos trazem sempre alegres notícias. Como pedagogos e mestres, nos acompanham e nos defendem. Por isto toda reverência, gratidão e confiança.

Há Anjos que não vemos, mas cremos! Nossos pais deles nos falaram desde o ventre materno. Sentimos sua presença; sua amável e indispensável companhia, pois quis Deus que de nós fossem intrépidos defensores.

Na Bíblia, incontáveis passagens sobre eles encontramos, quer no Antigo, quer no Novo Testamento.

Mas, há também anjos que vemos. Anjos com nome e sobrenome, endereço…

– Anjos que fazem parte de nossa história.

– Anjos que vejo são mães que educam, acalentam e a semente do Verbo plantam no coração de seus filhos.

– Anjos que vejo são pais (também mães) que acordam de madrugada, ao trabalho acorrem (quando empregados), na busca do pão de cada dia, que a fome dos seus filhos sacia. Para além de todo cansaço, distâncias, congestionamentos, estresses, tensões… Bem, a lista é interminável…

Anjos que nas comunidades espalhadas pelo campo e cidade evangelizam:

– Anjos que cantam, louvam e dançam;

– Anjos que cuidam das crianças para que nutridas sejam;

– Anjos que anunciam em tantos grupos de catequese;

– Anjos que nas Liturgias escrevem roteiros, criam, proclamam;

– Anjos que enfermos visitam, suas feridas tocam, lavam, curam, simplesmente por amor;

– Anjos que trabalham na prevenção, que acreditam na força e alegria da sobriedade, fruto da liberdade;

– Anjos que cestas enchem e partilham; que saciarão clementes barrigas vazias;

– Anjos que promovem festas; incentivam e cuidam do dízimo para que a Igreja evangelize;

– Anjos que acolhem, consolam; esperança plantam; sorrisos nos lábios colhem;

– Anjos que da vida cuidam, lutam contra a violação da vida, desde sua concepção até seu declínio natural – imortal teimosia e profecia;

Anjos…

Quantos anjos que vejo nos rostos de nossa Igreja! Talvez não tão “belos e televisivos”, mas sem eles, o mundo seria indiscutivelmente mais feio, gélido, sem brilho, vazio…

– Anjos que promovem a paz, que fazem da política o gesto sublime de caridade, exercício do poder que gera o bem comum.

– Anjos que comunicam boas novas à humanidade; reencantam a vida; refazem sonhos; revigoram esperanças…

O mundo precisa de anjos:

– Anjos sem asas para voar, mas com asas no coração, para que o amor alce voos mais altos.

– Anjos visíveis em ternas feições humanas que encantados e enamorados pela vida, por Cristo apaixonados, nos assegurem que vale a pena lutar, viver, sonhar, dias melhores buscar, paraíso construir.

– Anjos com rostos inocentes de crianças; com brilho imortal, pois por Deus plantado.

– Anjos com rosto da beleza da juventude, que nos desafiam com sua garra e inquietude.

– Anjos com rostos enrugados, cabelos agrisalhados, experiências adquiridas;

Anjos: anjos humanos, humanos anjos. Que não pairem nas nuvens, mas que conosco caminhem.

Comigo há sempre anjos que não vejo e anjos que vejo!

Mas, serei eu anjo na vida de alguém? É bom ter anjos! Mas, também é preciso que sejamos anjos na vida de alguém.

Dom Otacilio F. Lacerda
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É missão das Paróquias resplandecer a luz divina

“Eles eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”
(At 2,42)

Em sintonia com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil (DGAE 2019-2023), documento 109 da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -, apresento algumas motivações que me parecem indispensáveis para nossas paróquias, de modo especial às duas presentes em nossa cidade: São Miguel e Almas e Nossa Senhora Aparecida.
Seguindo o exemplo das primeiras comunidades, que “eram perseverantes no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42), como discípulos missionários do Senhor, devem cuidar, com todo o carinho e empenho, com o máximo de todos os recursos possíveis, da formação dos agentes de pastoral, tendo como conteúdo fundamental a Palavra de Deus, os Ensinamentos da Tradição da Igreja, e a Doutrina Social da Igreja (DSI).
Quanto à comunhão fraterna, formar comunidades que criem e fortaleçam os vínculos dos relacionamentos, vivendo de modo profundo e intenso a caridade, que confere à comunidade a verdadeira identidade como seguidores de Jesus Cristo, como eram reconhecidas as primeiras comunidades, na expressão de Tertuliano (séc. II): – “Vede como eles se amam”.
Deste modo, precisam ter todo o cuidado com a Sagrada Liturgia e a celebração dos Sacramentos, a fim de que expressem a beleza e o esplendor do Mistério celebrado, de acordo com as sábias orientações da Igreja.
Finalmente, devem ser espaços de aprofundamento de uma Catequese Permanente, em que não faltem momentos fecundos e enriquecedores de uma espiritualidade verdadeiramente comprometida com a dignidade e a vida, sobretudo dos empobrecidos, nos quais reconhecemos a pessoa de Jesus Cristo.
Tendo estes quatro pilares bem cuidados, muito contribuirão as Paróquias para a Pastoral de Conjunto de toda a Diocese, e todos devemos dar o melhor de nós.
Com Maria, mãe da Igreja, sigamos em frente, firmando nossos passos nesta caminhada evangelizadora, contando com a ação e presença do protagonista da Evangelização, que anima, ilumina, fortalece e conduz a Igreja: o Espírito Santo de Deus.

Dom Otacilio F. Lacerda
Bispo de Guanhães

O Rico e o Pobre (homilia do 26° Domingo Comum)

A Parábola do rico e do pobre Lázaro

Quem são os “Lázaros” de nosso tempo?

A Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum (ano C) nos convida a refletir sobre nossa relação com os bens: bens que passam e que devem ser usados, e os bens eternos, que devem ser abraçados.

Na primeira Leitura (Am 6, 1a.4-7) Amós, o “Profeta da justiça social”, denuncia a exploração dos ricos sobre os pobres, um luxo vivido à custa da exploração dos pobres.

Sua voz é um grito profético sobre esta situação, e Deus não Se faz indiferente, e não compactua esta, porque não é o Seu Projeto pensado e querido para a humanidade.

O grito de Amós ultrapassa seu tempo e chega até nós, pois também vivemos situações de desigualdade, exploração e miséria que precisam ser superadas: gastos com supérfluos, contrastando com realidades abomináveis de fome, desnutrição, sede e muito mais a ser mencionado.

Na fidelidade a Deus, vivendo a vocação profética, não podemos nos furtar de sagrados compromissos para que todos tenhamos uma vida plena e feliz.

Na segunda Leitura (1 Tm 6,11-16), o Apóstolo Paulo traça o perfil de alguém que serve a Deus, com uma desejável vida santa: deve amar os irmãos, ter fé, ser paciente, perseverante, justo, piedoso, terno, vive totalmente voltado para o outro em doação e serviço; entusiasmado na vivência do ministério; fidelidade na transmissão e vivência da Doutrina que ensina.

Reflitamos:

– Quais das características citadas estão presentes em nós, como discípulos missionários do Senhor?

Na passagem do Evangelho (Lc 16, 19-31), ouvimos a Parábola do rico e do pobre Lázaro, que é uma catequese sobre como devemos possuir os bens e não sermos possuídos por eles, vivendo o amor, a partilha e a solidariedade, sobretudo com os mais pobres, com os “Lázaros” de cada tempo.

Com a Parábola, entre outros ensinamentos, aprendemos que enquanto a Palavra de Deus não for acolhida no mais profundo do coração, a ponto de determinar nossos pensamentos, escolhas e ações, permaneceremos mergulhados na escuridão, encalacrados no egoísmo, no orgulho, na autossuficiência, sem jamais entender e viver a graça do amor e da partilha.

Não podemos perpetuar situações em que um quarto da humanidade fica com oitenta por cento dos recursos disponíveis do planeta, enquanto três quartos ficam com o restante (vinte por cento).

Muito bem nos ensina a Igreja, perita em humanidade: “Deus destinou a terra com tudo o que ela contém par auso de todos os homens e povos; de modo que os bens criados devem chegar equitativamente às mãos de todos…” (Gaudium et Spes n. 69).

O rico da Parábola não tem nome, pois pode ser cada um de nós; representa a humanidade, mas o pobre tem nome, chama-se “Lázaro”, que tem apenas os cães para lhe lamberem a ferida, amenizando a dor, servindo-lhe de companhia na dor da solidão, da marginalização e do abandono.

Que nossos olhos, ouvidos, coração sejam abertos para contemplar a face de Deus e escutar Sua Palavra, para que vivamos o amor, a solidariedade e a partilha com os “Lázaros” de cada tempo.

Os “cães” e os “ais” do Profeta Amós devem ser interpelação constante para todos nós, no amor de compaixão, para a superação de relações pecaminosas de miséria e opressão.

Para tanto, as características dos discípulos mencionadas (segunda leitura) devem estar presentes em nós. Somente assim a eternidade será alcançada.

Reflitamos:

– Como usamos os bens que nos são confiados?

– Sabemos partilhar com os outros os bens que possuímos?

– Quais são nossas riquezas que precisamos colocar em comum em alegre sinal de amor, comunhão, partilha e solidariedade?

– Quem são os “Lázaros” que se encontram em nossas portas?

– O que fazemos concretamente em seu favor?

Continuemos em permanente vigília e conversão, para que nos empenhemos na superação desta brutal e pecaminosa realidade, que se manifesta em inúmeras formas de desigualdade e injustiça social, no bom combate da fé vivido, comprometidos com um novo céu e uma nova terra.

Cremos que, na vivência das Obras de Misericórdia, muito poderemos contribuir na transformação das estruturas sociais injustas.

Obras de Misericórdia Corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos. Obras de Misericórdia Espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos.

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda – Bispo Diocesano de Guanhães. 

“Enviados para anunciar a Boa Nova”

 

                                    “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!”

                                                                          (1Cor 9,16)

É sempre tempo favorável para o aprofundamento da vital missão da Igreja: evangelizar, proclamar a Boa Notícia do Evangelho a todos os povos: 

Todo o poder foi me dado no céu e sobre a terra. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto Vos ordenei. E, eis que Eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 18-20).

Como a Igreja nos ensina, a evangelização é tarefa de todos os fiéis, que são chamados, pelo batismo, a ser discípulos missionários de Jesus Cristo.

A missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, não se limitando a um programa ou projeto. É o compartilhar da experiência e do acontecimento do encontro pessoal com Jesus Cristo, por Ele se apaixonando, em corajoso e alegre testemunho a todas as pessoas, tornando visível o Amor misericordioso do Pai, especialmente com os pobres e pecadores. Fiéis à sã doutrina da Igreja, procurando respostas evangélicas para as questões sociais que nos inquietam, a fim de que a vida seja promovida em todos os níveis e em todos os seus momentos, desde a concepção até seu declínio natural, por uma autêntica e sadia cidadania. 

A cidade e seus desafios nos inquietam: superação da miséria, fome, violência, extinção dos escândalos inúmeros (dos quais somos vítimas todos os dias).

É tempo de renovarmos nosso ardor missionário, procurando novas expressões e métodos para que a Boa Notícia do Evangelho chegue a todos os povos e que continuem ressoando em nosso coração as palavras do Apóstolo Paulo: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!”

Enquanto caminhamos na penumbra da fé até a Cidade Celestial, plena de luz, vida, amor e paz, fiquemos vigilantes e em Oração, reavivando sempre a graça do batismo, em alegre anúncio, corajoso testemunho, fazendo da vida amor, doação e serviço, como assim o fez Nosso Senhor, assistidos pela força do Espírito Santo, em total fidelidade ao Plano de Deus e ao Seu Reino.

Dom Otacilio F. Lacerda

Bispo de Guanhães

0 0lhar do Amado…

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e
colocou-a como sinal sobre uma haste.Quando alguém
era mordido por uma serpente,
e olhando para a serpente de bronze, ficava curado”
(Nm 21,9)

Contemplo os olhares  cheios de confiança,

Olhares suplicantes, silenciosos,
Acompanhados de dor e esperança,
A Misericórdia Divina que não nos ignora.

Contemplo os mesmos olhares no Calvário,
Diante do Corpo mutilado, dilacerado
Da Divina Fonte, agora sem vida,
Pela maldade morto, Coração trespassado…

Contemplo Jesus erguido entre o céu e a terra,
Tendo como causa, incompreendida e última,
A salvação do mundo, a humanidade redimida.
Como suportar dor assim tão grande, na Cruz vivida?

Contemplo o próprio Olhar de Jesus,
Enquanto ainda vida tinha,
Antes de dizer: “tudo está consumado,
Pai, em Tuas mãos entrego meu Espírito”.

Aquele Olhar que se volta para cada um de nós
Em meio à dor, gemidos, prantos incontidos,
Como também incontida Sua manifestação
De Amor e tão grande ternura.

Um pouco antes, de Seus doces lábios
Aquelas palavras que atravessarão séculos,
Milênios, até o fim da humanidade:
“Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”.

Seu Olhar, enquanto pôde, cruzou amavelmente
Com nossos olhares, ainda que não o tenhamos feito,
Comunicou-nos a riqueza do Seu Amor,
Haverá quem nos ame tanto assim?

Que nosso olhar não se desvie de Seu olhar
Reconhecendo em Sua humanidade lapidada
A divindade, ainda que não possa ser vista,
Ali presente, para nossa humanidade redimida.

Ó Senhor, como não Te contemplar?
Como meu olhar de Ti desviar?
“Se trouxeste o Céu à terra,
E elevaste a terra ao céu”?

Ó Senhor, como não Te amar?
Como Teu Amor não testemunhar?
Quero ser Teu servo indigno, mas com ardor,
E minha vida consumir em chama eterna de amor. Amém!

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

A Cruz e o caminho da santidade     

A Cruz e o caminho da santidade                     

Celebramos dia 14 de setembro a Festa da Exaltação da Santa Cruz, que tem origem desde os primeiros séculos da Igreja, deixemos ressoar em nossos corações parte da bela reflexão sobre a Cruz feita por Santo André de Creta, bispo do século VII.

“ Se não procuras a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado  o documento do pecado, não teríamos  sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não teria aberto o paraíso.

Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado inferno… Preciosa também é a cruz porque ela é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão. É vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, rebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo mundo”.

Como criaturas amadas de Deus, vocacionados a santidade, a mais bela pretensão da humanidade, reflitamos sobre o  Mistério da cruz.

Somos  pelo Batismo, anunciadores e testemunhas, com a palavra e a vida que este é o melhor caminho a ser trilhado. Que a suntuosidade, sucesso, glória cedam lugar ao despojamento, fragilidade e serviço incansável.

Infelizmente a palavra santidade traz consigo falsos conceitos. Um dos sentidos mais profundos da palavra santidade é a absoluta correspondência à vontade de Deus, numa fidelidade de sua palavra, que ilumina e aponta caminhos novos para quem nela crê, e muitas vezes acompanhada da cruz, não como sinal de derrota mas com gosto de vitória, afinal é este caminho das bem aventuranças que Ele nos apresentou no alto da montanha e que deve ser vivido na planície de nosso  quotidiano.

Santidade como caminho da cruz é a necessária configuração a Cristo Jesus, completando em nossa carne o que falta a sua paixão por amor a Igreja. Ter os seus mesmos sentimentos, testemunhado em nossas pequenas e grandes atitudes ( Cl. 1,24, Fl. 2,1-11).

Na Cruz,  Jesus experimenta a realidade última da condição humana, a miséria da condição humana, o que aparentemente é fraqueza revelada a onipotência do amor de Deus: Loucura para os gregos e escândalo para os judeus.

Na Cruz contemplamos o mistério da presença de Deus Pai, o amante, Deus Filho, o amado e Deus Espírito o Amor que os une.

Contemplar a cruz não é afundar na dor pela dor, mas reconhecer e contemplar o Mistério da Trindade, que por amor, salva o mundo do desamor. Somos sempre convidados subir “ ao Alto da Montanha”, para participar do Mistério Eucaristia e dos demais sacramentos , anunciando a comunidade a Palavra que se fez carne, possibilitando a mesma momentos de profunda intimidade com Aquele que nos chamou.

Mas não é possível ficar o tempo todo na montanha, ainda que seja tentador. É preciso descer a montanha e testemunhar a fé na planície, sobretudo nos novos areópagos ( espaços) , como nos desafiou mais uma vez a Conferência de Aparecida( 2007) .

O mundo das comunicações, a construção da paz, o desenvolvimento e a libertação dos povos, sobretudo das minorias, a promoção da mulher e das crianças, a ecologia e a proteção da natureza, cultura, experimentação científica, a santificação da família e a criação de novas relações em que se superem toda e qualquer forma de exclusão e desigualdade social na fidelidade ao Cristo crucificado, compromisso inadiável com os Crucificados da História!”

O caminho da santidade jamais será uma alienação do mundo e do tempo presente; pelo contrário, é o contato mais íntimo e perfeito com o absoluto revelado na comunhão Trinitária, para que o mundo possa irradiar a luz  que ilumina espaços obscuros sendo sal que dá o gosto de vida, amor e paz. Trilhar este caminho é carregar a Cruz , para que no mundo sejamos de fato, sal e luz ! O mundo precisa de santos ( as) . Eis a proposta de Deus.

A cruz sinal de vitória da vida sobre a morte do amor extremado que superou toda a lógica do ódio.

Na fidelidade a Jesus, partícipes do Mistério de Sua paixão e morte:

A exemplo do profeta Jeremias todos nós tenhamos o coração seduzido pelo  o amor de Deus – O amor fale mais alto em nós.

A exemplo dos salmistas, todos nós tenhamos absoluta confiança em Deus- no Senhor confio e nada temo;

A exemplo do evangelista João todos nós sejamos conduzidos pela verdade maior que nos liberta e nos confere o pleno sentido da vida.

A exemplo do papa Francisco todos tenhamos compromissos com o inadiável rejuvenescimento da Igreja, com ardor ousadia e teimosia.

Oremos:

Nós vos adoramos Senhor Jesus e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo!

“Se procuras…”

A Cruz, O Crucificado e os exemplos a serem aprendidos!

Na Festa da Santa Cruz, a ser celebrada dia 14 de setembro, sejamos enriquecidos pela Conferência de Santo Tomás de Aquino, Presbítero e Doutor da Igreja no século  XII.

“Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: Para ser remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na Paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males que nos sobrevêm por causa de nossos pecados. Mas não é menor a utilidade em relação ao exemplo.

Ne verdade a Paixão  de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais tem a fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na Cruz e desejar o que Ele desejou na Cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude. Se procuras um exemplo de caridade:

Ninguém tem amor maior do que Aquele que dá Sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na Cruz. E se Ele deu Sua vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa d’Ele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na Cruz o mais excelente! Podemos reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: Quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita.

Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos e com grande serenidade porque atormentado, não ameaçava ( 1Pd 2, 23); foi levado como ovelha ao matadouro e não abriu a boca ( cf., ls 53, 7; At 8, 32)  É grande, portanto, aparência de Cristo na cruz.

Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz; não se importando com a infâmia( Hb 12, 1-2).

Se procuras um exemplo de humildade contempla o crucificado: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até a morte:

Como pela desobediência de um só homem , de Adão, a humanidade toda foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça( cf. Rm 5,19)

Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da Terra segue aquele que é  Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da Sabedoria e da Ciência( cf. Cl 2,3) e que na cruz está despojado de suas vestes escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel para matar a sede.

Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes ( Jo 19, 24); nem com honras porque fui ultrajado e flagelado , nem com a dignidade porque tecendo uma coroa de espinho, puseram-na em minha cabeça ( cf. Mc 15,17); nem com os prazeres porque em minha sede ofereceram-me vinagre ( Sl 68,22);

A contemplação da cruz e do crucificado por si mesma nada adianta pois esta procura precisa configurar nossa vida, levando-nos a rever nossas atitudes e pensamentos transformando a nossa vida.

Para Sto Tomás, na Cruz, contemplando o crucificado, não nos falta nenhum exemplo de virtude. Dentre as quais ele destaca:

Caridade, paciência, humildade, obediência e o desprezo pelas coisas da Terra sinônimo de absoluto despojamento.

Contemplando a cruz encontramos o que tanto procuramos ou no mínimo o que tanto deveríamos desejar e viver, como se disse acima.

Há procuras insólitas e extenuantes; procuras que consistem em pedras sem retornos. Santo Tomás nos aponta verdadeiras e salutares procuras.

O que de melhor possamos desejar e procurar encontraremos na cruz e no crucificado;

Amor, ternura, bondade, perdão, carinho, solidariedade, mansidão, acolhida;  sabedoria com traços e aparência de loucura, onipotência na aparência da fragilidade; bondade suprema para além de toda maldade extrema!

“ Se procuras…”  E como procuramos!

E, às vezes, como procuramos mal, quer pelo seu conteúdo, quer pelo seu lugar.

                     Eis o caminho que tanto procuramos: a cruz. Inevitavelmente a cruz. A cruz redentora, cruz salvadora, pois, do crucificado ao mundo foram abertas as entranhas de misericórdia, de fidelidade, de eternidade…

Quem por Ele procurar, será encontrado,

Quem por Ele chamar não será decepcionado:

“ Batei e vos será aberto, pedi e vos será concedido”.

Coloquemo-nos em atitude de verdadeira e santa procura, carregando nossa cruz de cada dia, com as renúncias que se fizeram necessárias.

                                                                              Dom Otacilio F. Lacerda.

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