A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Ser batizado é ouvir a voz do Filho Amado

 

O Batismo do Senhor é apresentado de diferentes modos: os Evangelhos de São Marcos e São Lucas apenas fazem menção ao Batismo; São Mateus narra o Batismo de Jesus com mais pormenores, e São João, por sua vez, o evoca na ocasião em que Jesus chama os primeiros discípulos.

Cada um apresenta de modo próprio, mas são unânimes em reconhecer que, no momento do Batismo, Jesus é testemunha de uma manifestação divina, e assim é designado como “Filho muito Amado” enviado pelo Pai.

Esta teofania é o começo do Evangelho, uma vez que Jesus é investido solenemente na Sua Missão, pelo Pai e pelo Espírito Santo: Jesus tendo Se manifestado aos homens na realidade de nossa natureza, exteriormente semelhante a nós, para que sejamos renovados interiormente pela graça do Batismo, e, por Sua infinita misericórdia, através do perdão de nossos pecados.

Poderíamos falar de uma “ordenação messiânica”, ou seja, “Ele é Aquele que os Profetas, especialmente Isaías, anunciaram como o Servo que Deus constituiu como Aliança de um povo, Luz das nações, ‘o Soberano das nações’, ‘o Pastor que apascenta Seu rebanho’ e reúne as ovelhas dispersas.

Quem acredita n’Ele torna-se ‘filho de Deus, porque n’Ele ‘apareceu a graça de Deus que traz a salvação para todos os homens’. Consequentemente, não se pode separar o Batismo de Jesus do Batismo recebido pelos seus discípulos” (1).

Por isto, a Liturgia da Festa do Batismo do Senhor nos apresenta, na primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7), o primeiro Cântico do Servo Sofredor, que se refere a um excepcional enviado de Deus: manso e humilde de coração, infinitamente misericordioso com todos, com força interior invencível, e é constituído Luz das nações e Aliança de Deus com o Seu Povo.

Este Messias pacífico “estabelecerá a justiça sobre a Terra”, por isto os cristãos viram prefigurados neste Cântico a própria pessoa de Jesus Cristo, o ungido do Senhor, o “Filho Amado de Deus”, como ouviremos no Evangelho (Mt 3,13-17).

Quanto ao fato de ser batizado por João, evidentemente que o Filho Amado do Pai não tinha necessidade de sujeitar-Se a um rito de purificação; no entanto, Jesus procurou o Batismo e João O batizou, ouvindo as Palavras de Jesus – “Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça” (Mt 3, 14-15).

Recebendo o Batismo de João, Jesus Se fez solidário com os pecadores mostrando, assim, o caminho para a realização da vontade de Deus, que Ele cumprirá plenamente, e todos os que n’Ele forem batizados, o mesmo haverão de fazer.

Providencial retomar o Prefácio da Missa do Batismo do Senhor:

“Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o Mistério do novo Batismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o Vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo Vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a Boa-Nova aos pobres…”.

Concluamos com a Oração da Coleta da Missa do Batismo do Senhor:

“Deus eterno e onipotente, que proclamastes solenemente Cristo como Vosso Amado Filho quando era batizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos Vossos filhos adotivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém”

(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial – p. 224

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/ser-batizado-e-ouvir-voz-do-filho-amado_9.html?m=0

A Evangelização nos desafia: É tempo de sermos epifânicos!

 

A Evangelização nos desafia:

É tempo de sermos epifânicos!

Há de brilhar e brilhou…

Uma estrela há dois milênios,

Que conduziu os magos no oriente,

Anunciando ao mundo

O mais belo presente.

Há de brilhar e brilhou…

Anunciando que Deus em nosso meio Se fez presente,

Recebendo a adoração dos pagãos e de toda gente;

Que nos conduziu ao Deus Menino,

Mudando plenamente nosso destino.

Presenteado com incenso, mirra e ouro,

Porque é, do mundo, o mais belo tesouro.

Levou-nos Àquele que é Homem, Rei e Deus,

Vivendo na pobreza entre os Seus

E que os sábios, por novo caminho,

Conduziram a um novo horizonte.

A morte do inocente que era tão certa,

Evitada quando nova estrada se fez aberta.

Por caminhos de Herodes não mais hão de voltar;

Alternativas para a humanidade nunca hão de faltar,

Não só para conduzir a Jesus,

Mas, para que O anunciemos como Luz.

Anunciando que o Salvador de todos os povos Se Encarnou

E o coração de todos de Amor plenificou.

Realeza, Divindade, Humanidade revela-nos a frágil criança,

Mas, não tão frágil que possa fragilizar nossa esperança!

Há de brilhar e brilhou…

Não mais a estrela do oriente,

Mas, a própria Luz que é Jesus – Deus presente –

Aquele que maior brilho nenhuma estrela poderá conter,

Pois sem Ele nada haveria de ser.

Ele é a Estrela a nos conduzir

Ao bem, amor e verdade e o mundo seduzir,

Com as mais belas palavras que se possa ouvir.

Ele veio, vem e virá: Aquele que há de sempre vir.

Ele é a estrela a nos iluminar,

Para nos reeducar na arte de amar.

Estrela maior a nos acalentar

Nas veredas da alegria, beleza e novos caminhos reinventar.

Estrela que na família o brilho há de resplandecer,

Para novos relacionamentos aprender a tecer.

Que nela cresça a harmonia, o diálogo, a compreensão e o carinho.

Aprendamos com Aquele que Se fez Verdade, Vida e Caminho.

Há de brilhar e brilhou…

Estrela presente em toda comunidade,

Para que a verdade, justiça, amor e liberdade,

Sejam solidificados como os mais belos pilares,

Quer da Igreja, quer de nossos lares.

Estrela desejada por toda humanidade,

Que nos educa para a acolhida, convivência e cooperação,

Hospitalidade, tolerância, princípios fundamentais da evangelização.

Estrela que no mais profundo de nós brilha!

Cantos e hinos não podem expressar tão grandes maravilhas!

Brilho que não se pode ocultar,

Pois é celebrado e renovado no mais singelo Altar.

Há de brilhar e brilhou…

Estrela que habita sim no mais singelo Altar.

Ó! Tão belo e grande Hóspede que não nos pode faltar.

No altar do coração humano veio inaugurar

Um mundo mais sadio, menos insano.

Há de brilhar e brilhou…

A mais bela das estrelas: Jesus, que o mundo redimiu!

Para todos de boa vontade a porta do céu novamente se abriu.

A vida, uma grande Epifania há de ser,

Para quem a Onipresença divina perceber;

A Onipotência divina testemunhar

Com a Onisciência divina que há de nos acompanhar!

Epifania! Nada mais será como antes!

As trevas cederam à Luz,

Iluminaram-se vidas e caminhos.

Contemplemos Deus no Deus Menino!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/a-evangelizacao-nos-desafia-e-tempo-de.html?m=0

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos ( Homilia da Epifania do Senhor)

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos

Celebraremos com toda a Igreja, a Solenidade da Epifania do Senhor, que é a manifestação (revelação) de Jesus como a Luz e Salvação de todos os povos: Deus não limitou o Seu Amor apenas àqueles que pertenciam ao povo judaico, mas ilumina todos os povos da terra.

Na passagem da primeira Leitura (Is 60,1-6), ouvimos o anúncio da chegada da luz salvadora de Javé, que não somente trará alegria para Jerusalém como atrairá para esta cidade de Deus, todos os povos do mundo todo.

O contexto da primeira Leitura é de retorno do Exílio, logo, contexto de desolação, sofrimento e o desafio de reconstrução da história. Jerusalém será restaurada com o regresso de muitos, e todos os povos convergirão para ela, inundando-a de riquezas, com louvores e cantos.

O Profeta é portador da mensagem que revela a fidelidade incondicional de Deus que jamais abandona e desiste do Seu povo, e está sempre pronto para oferecer salvação e vida plena e feliz.

Como comunidade que professa a fé no Senhor, também precisamos ser sinal de esperança no mundo, não permitindo que desavenças, conflitos, falta de amor e rivalidades ofusquem e enfraqueçam a nossa missão.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6), o Apóstolo Paulo nos apresenta o Projeto Salvador de Deus, que abrange toda a humanidade, reunindo todos os povos, judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos.

Trata-se de uma síntese catequética Paulina sobre o Mistério do Projeto Salvador de Deus, que se destina a todos os povos. De fato, em Jesus, a Salvação chegará a todos os povos.

É um grande desafio que a comunidade se torne mais fraterna, onde o amor seja vivido, superando toda e qualquer forma de distinção de raça, cor, status social.

Deste modo, as diferenças existentes são legítimas e são complemento da riqueza comum e jamais motivo para manifestação de indiferença e afastamento mútuo.

Na passagem do Evangelho (Mt 2,1-12), vemos a realização desta promessa na pessoa de Jesus, contemplada e testemunhada pela presença dos magos que vêm a Belém para adorá-Lo e oferecer os seus presentes (ouro/realeza, incenso/divindade e mirra/humanidade).

Os magos são astrólogos mesopotâmicos, aqui representando os povos estrangeiros, segundo a catequese do Evangelista Mateus.

A atitude destes se contrapõe literalmente à atitude de Herodes. Os magos adoram, e sentem uma grande alegria e O reconhecem como Seu Senhor; Herodes, por sua vez, e Jerusalém “ficam perturbados” diante na notícia do nascimento de Jesus e planejam a Sua morte. Os sacerdotes e escribas são indiferentes, pois não foram ao encontro do Messias que eles bem conheciam pelas Escrituras.

A atitude dos magos é profundamente questionadora para nós: viram a estrela e deixaram tudo; arriscaram tudo e vieram à procura de Jesus, em atitude de desinstalação total.

Eles vieram do oriente, onde se levanta o sol, e uma estrela iluminou a noite deles para sempre, porque se prostraram diante do verdadeiro Sol nascente que jamais Se põe: Jesus Cristo.

Os magos representam todas as pessoas do mundo todo que vão ao encontro de Cristo e que se prostram diante d’Ele:“… para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e sob da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Fl 2, 10-11).

Esta é a imagem da Igreja, uma família de irmãos e irmãs, constituída de pessoas de todas as nações e raças, em adesão incondicional ao Senhor.

É preciso com os magos aprender, e o mesmo fazer.

É esta a grande e inesgotável riqueza da Solenidade da Epifania que celebramos: Jesus Se revela a nós como Salvador de todos os povos; é a estrela que guia e ilumina nossos caminhos.

Jesus vem realizar o Projeto de Salvação, que se destina a todos os povos: unidade com as diferenças e não a uniformidade.

Como os magos, é preciso que nos desinstalemos de nossas acomodações, seguranças; é preciso que nos coloquemos ao encontro da Luz. Jamais servir os “Herodes” que cruzarão em nossos caminhos; tão pouco sermos indiferentes ao melhor que Deus tem a nos oferecer.

Aprender com eles a ser como peregrinos na fé, atentos aos sinais de Deus e prontidão para seguir com generosidade e coragem; perseverantes, não obstante as dificuldades; fiéis à bondade de Deus contra toda maldade que possa surgir no caminho.

Ir ao encontro da Luz, o presente de Deus para a humanidade, Jesus, e também oferecer nosso presente, ou seja, o melhor de nós para Ele, jamais de mãos e coração vazios.

É preciso buscar novos caminhos para anunciá-Lo e testemunhá-Lo. Quantas vezes a estrela se manifesta a nós e optamos pela escuridão, luzes que se apagam tão rapidamente?

Reflitamos:

– Somos capazes de nos desinstalar e ir ao encontro do Senhor para adorá-Lo, anunciá-Lo e testemunhá-Lo, como convictos e alegres discípulos missionários Seus?

– Tanto se fala sobre uma “Igreja em saída” para anunciar o Evangelho. Neste sentido, o que os magos nos ensinam?

Somente Deus possui brilho incessante, porque o Amor é a Luz que resplandece eternamente no coração de quem busca e encontra, e que encontrando ainda falta tudo para encontrá-Lo, porque Deus é para nós um Mistério inesgotável de Amor.

A Solenidade da Epifania nos propicia um novo olhar para o ano que inicia: novos olhares, novos projetos, novos caminhos…
O ano está apenas começando.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

https://peotacilio.blogspot.com/2020/01/epifania-jesus-e-o-salvador-de-todos-os.html?m=0

Deus seja louvado!

Olhando para o ano que está terminando,
faltando apenas dois dias, vi que:

Amo o que faço!

Creio no que faço;

No bem que semeio;

Na luz que espalho;

Nas flores que entrego;

Nas dores dos espinhos que suporto.

Não quero dar coroa para ninguém,

Tampouco quero ser uma cruz a ser carregada,

Mas quero a minha cruz carregar,

Com renúncias necessárias

Para seguimento crível.

No mínimo corresponder ao Amor incrível:

O Amor de Deus pela humanidade,

O Amor de Deus por mim.

Olho para o ano que começará 
e renovo meu compromisso 
de a Deus amar e servir.

Se à tarde veio o sofrimento,

As dores, as lágrimas e o pranto, minhas forças absorver,

Vejo a alegria florescer mais que subitamente no amanhecer:

A Alegria Pascal que reluz em cada amanhecer.

Por tudo isto, Deus seja louvado!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/deus-seja-louvado.html?m=0

Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Celebrar a Festa da Sagrada Família (ano A), é para todos nós, uma ocasião favorável para refletirmos sobre o papel fundamental que tem a família no Plano de Salvação que Deus nos propõe.

A família é uma pequena Igreja, e nela devem estar presentes algumas características já encontradas nas famílias descritas em trechos do Antigo Testamento, sobre as quais se modelam as nossas famílias patriarcais: paz, abundância de bens materiais, concórdia e a descendência numerosa, como sinais da bênção do Senhor.

É o que vemos na passagem da Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a). A obediência e o amor eram imprescindíveis no cumprimento da Lei, de modo que esta obediência era sinal e garantia de bênção e prosperidade para os filhos, mas também um modo de honrar a Deus nos pais, como encontramos no Livro do Êxodo (20,12) – “honra teu pai e tua mãe”.

Os pais são instrumentos de Deus e fonte de vida, e como recompensa do “honrar pai e mãe”, os filhos obtêm o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

“Com razão se diz hoje que a família é o primeiro lugar da evangelização, provavelmente o mais decisivo.

Com efeito, é na família que a criança, mesmo muito pequenina, respira ao vivo a fé ou a indiferença.

Por aquilo que vê e vive, ela adverte se em sua casa – e na vida – há lugar para Deus ou não.

Nota se a vida se projeta pensando só em si mesmos, ou também nos outros.

Tudo isto para dizer que normalmente o modo de viver encontra as suas raízes na família.”  (1)

Na passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,12-21), o Apóstolo, depois de apresentar Jesus Cristo como Aquele que nos faz homens e mulheres renovados, porque ocupa lugar proeminente na criação e na redenção da humanidade, exorta sobre o novo modo de relacionamento na família, onde os esposos e aos filhos cristãos vivem a vida familiar como se já vivessem na família do Pai celeste.

Revestidos do “Homem novo”, as relações são marcadas pela misericórdia, bondade, humildade, doação, serviço, compreensão, respeito pelo outro, partilha, mansidão, paciência e perdão.

Quanto à passagem do Evangelho  de Mateus (Mt 2,13-15.19-23), retrata a fuga da Sagrada Família para o Egito,  conforme a mensagem do Anjo do Senhor – “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito”.

Vemos quão inserida se encontra a Sagrada Família na tragédia e dificuldades humanas. Dentre elas a condição de refugiados, fugindo de terrível ameaça de morte contra o Menino Jesus por Rei Herodes.

Vemos que a Sagrada Família viveu uma realidade de muitas outras famílias, de modo que o Filho de Deus, o recém-nascido vem partilhar o destino de toda a humanidade, com seus dramas e vicissitudes.

Afirma o Lecionário Comentado:

“O amor de Deus salva os homens, mas não os subtrai à história do homem, e nem sequer à história de violência. Deus acompanha-os e ajuda-os nas dificuldades. Assim fez com Jesus, não O subtraiu à morte, mas acompanhou-O na morte.” (2)

Sagrada Família, única e irrepetível, por sua composição e pela importância na história da Salvação da Humanidade, e é para todo o sempre, o mais perfeito modelo para nossas famílias.

Hoje, mais do que nunca, nossas famílias precisam ter a Sagrada Família como modelo no enfrentamento de tantos ventos contrários que teimam em destruí-la, desmoroná-la.

A família, como uma espécie de Igreja Doméstica, inspirada na Sagrada Família, vivendo a dimensão da memória, atualização e sacrifício da História da Salvação, será espaço para:

– enraizamento e solidificação da fé;

– aprendizado do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo;

– acolhida e amadurecimento nos princípios sagrados da beleza e sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural;

– aprendizado de criação e fortalecimento de laços fraternos de amor e solidariedade;

– aprendizado de coragem e fidelidade incondicional em Deus, não obstante as provações e dificuldades que se fizerem presentes.

Oremos:

“Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar às alegrias da vossa casa. Por N.S.J.C. Amem.” (3)

PS: Fontes de pesquisa: Missal Dominical, pp.100-101; www.dehonianos.org/portal

(1) Lecionário Comentado p.255

(2) Idem p. 249

(3) Oração do dia da Missa da Sagrada Família

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Na Liturgia da Palavra na Festa da Sagrada Família (ano A), refletimos sobre aquele momento inesquecível em que por três vezes há menção da comunicação do anjo a José. Permita-me citar para que possas continuar a reflexão:

A primeira comunicação é quando o Anjo diz em sonho a José: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe foge para o Egito” (Mt 2,13).

No Egito o anjo continua acompanhando e comunicando a José os desígnios divinos: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel: pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos” (Mt 2,20).

E por último: “… depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré” (Mt 2,22-23).

Como o próprio Missal Dominical afirma: “Nem tudo é idílio, paz e serenidade na família: ela passa pelos sofrimentos e dificuldades do exílio e da perseguição; pelas crises do trabalho, da separação, da emigração, do afastamento dos pais… como em todas as outras, há alegrias e sofrimentos, desde o nascimento até a infância e a idade adulta; ela amadurece através dos acontecimentos alegres e tristes para cada um de seus membros… Maria e José não se calam, não apresentam objeções sobre a opção de Jesus; inconsciente e intuitivamente percebem que é uma escolha que os exclui (ou parece excluí-los) da vida de seu único filho, uma opção semeada das lágrimas e sangue, mas a aceitam, porque essa é a vontade de Deus”.

Fixemo-nos por alguns instantes contemplando a Sagrada Família, lá no Egito, distante dos seus, em terra estranha, tudo tão diferente. Longe de suas raízes, como tantos hoje…

E, certamente não veremos nem ouviremos lamentações, posturas incrédulas e nem revolta contra Deus… Nem blasfêmias se elevaram contra Deus por tamanho infortúnio, por tamanha responsabilidade, por imensurável peso carregado sobre os ombros. Que peso tem aquela criança além dos quilos próprios de toda criança…

É impensável e impossível que José tenha dito, como talvez alguns de nós diríamos: “Por que estou nesta enroscada, se esta criança nem é minha?”, “Não basta tanta gozação, ironia que suportei dos amigos… (que amigos?)”, “que fria, que roubada eu entrei…”. “Ah se pudesse voltar atrás, não teria assumido esta missão”. “Não devia ter ouvido o anjo na primeira vez, devia ter ouvido meus instintos e ter abandonado Maria em segredo…”.

Da mesma forma, é impensável e impossível, sequer um momento, Maria ter percebido tais expressões borbulhando na mente e fervendo no coração de José. Jamais Maria teria assim pensado ou tão pouco dito: “deveria ter dito não ao anjo”, “Deus deveria ter escolhido outra…”, “Se não tivesse aceitado a ação do Espírito, se não tivesse acreditado nesta possibilidade, hoje estaria junto de meus pais, sem nenhum medo no coração, não teria ouvido tanta coisa como ouvi dos meus amigos e familiares…”

Na sua mente e coração apenas uma certeza: “O Senhor fez em mim maravilhas…”. No seu coração a “Cantora Divina” que entraria, alguns anos depois, nos céus, apenas cantava e se reencantava com o Magnificat…

Sabia que o seu sim dado, não inconsequentemente, mas dado com toda coragem, jamais poderia deixar de encontrar resposta de Deus, pois é próprio do Amor de Deus se fazer presente, não somente na hora que chama, mas em todos os momentos do envio, da missão.  É próprio do amor se manifestar ininterruptamente para que o êxito da missão do amado chegue a pleno termo…

Ah, quantas lições esta Santa Família, Sacra Família, Sagrada Família, Santíssima Família… Que ainda não expressei a grandiosidade desta Família.

Mais uma vez minha pobreza lexical é incapaz de exprimir as coisas divinas. Cada vez mais aprendo que o amor de Deus e as coisas divinas são mais do que inexprimíveis em palavras, mas contempladas no coração, como no coração daqueles da Sagrada Família…

Urge que nossas famílias aprendam mais esta lição para que sejam um reflexo desta, que é por todo o sempre a Família de todas as famílias, porque nela o Verbo encontrou aceitação, acolhida, espaço, proteção, cuidado, carinho, ternura, palavras de sabedoria, aprendizados primeiros que toda criança deve ter…

Aquela criança ali carregada, como já fora carregada no ventre, que um dia em forma de homem, coração pela lança trespassado, sem vida, na espera da Ressurreição também em seus braços receberá, e na Mesa do Altar, estremecida, extasiada, emocionada, ouvirá, quando os Apóstolos disserem – “Isto é meu Corpo dado por vós… Tomai todos e bebei, este é o Cálice do meu Sangue…”

Os primeiros choros consolados, as primeiras dores aliviadas, as primeiras feridas curadas, as primeiras gotas de sangue caídas, contempladas, os primeiros sorrisos partilhados, os primeiros sonhos plantados, e um dia, na Mesa da Eucaristia, eternizados em alegre e confiante certeza de que o Reino de Amor, Verdade, Justiça e Paz foi inaugurado.

Maria e José nos ensinem as mais belas lições do silêncio orante, contemplativo, do relacionamento familiar edificante e estruturante, do trabalho árduo e participativo na obra da criação divina…

Que tenhamos ouvidos e coração de José e de Maria, para acolher o Menino Deus, o Verbo, com mesmo amor, carinho, paixão e ternura…

Que tenhamos coragem de ouvir o Anjo de Deus que nos interpela, incansavelmente, no amor e na defesa da vida…

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/ah-se-nossas-familias-escutassem-o-anjo.html?m=0

O silêncio dos inocentes

O silêncio dos inocentes…

“Levante-se, pegue a Criança e a Sua mãe

e fuja para o Egito. Fiquem lá até eu avisar, pois

Herodes está procurando a Criança para matá-La.” (Mt 2, 14)

Celebramos no dia 28 de dezembro a Festa dos Santos Inocentes, Mártires do Senhor, como nos retrata a passagem do Evangelho (Mt 2, 13-18).

Há um Sermão do Bispo São Quodvultdeus (Séc. V) que é para ser lido, refletido, multiplicado, rezado e, no coração, compromissos multiplicados com a vida dos inocentes…

“Nasceu o grande Rei, como um menino pequeno. Os Magos são atraídos de longes terras; vêm para adorar Aquele que ainda está no presépio, mas já reina no Céu e na terra. 

Quando os Magos anunciam que nasceu o Rei, Herodes perturba-se e, para não perder o reino, decide matar o recém-nascido; e, no entanto, se tivesse acreditado n’Ele, poderia reinar tranquilo na terra e para sempre na outra vida.

Que temes, Herodes, ao ouvir dizer que nasceu o Rei? Ele não veio para te destronar, mas para vencer o demônio. Tu, porém, não o compreendes; e por isso te perturbas e te enfureces, e, para que não escape aquele único Menino que buscas, te convertes em cruel assassino de tantas crianças.

Nem as lágrimas das mães nem o lamento dos pais pela morte de seus filhos, nem os gritos e gemidos das crianças te comovem. Matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração; julgas que, se conseguires o teu propósito, poderás viver muito tempo, quando precisamente queres matar a própria Vida.

Aquele que é a fonte da graça, que é pequeno e grande ao mesmo tempo, e que jaz no presépio, aterroriza o teu trono; por meio de ti, e sem que tu o saibas, realiza os Seus desígnios e liberta as almas do cativeiro do demônio. Recebeu como filhos adotivos os filhos dos que eram seus inimigos. 

As crianças, sem o saberem, morrem por Cristo; os pais choram os mártires que morrem. Àqueles que ainda não podiam falar, Cristo os faz Suas dignas testemunhas. Eis como reina Aquele que veio para reinar. Eis como já começa a conceder a liberdade Aquele que veio para libertar, e a dar a salvação Aquele que veio para salvar.

Mas tu, Herodes, ignorando tudo isto, perturbas-te e enfureces-te; e enquanto te enfureces contra aquele Menino, já estás a prestar-Lhe, sem o saberes, a tua homenagem. 

Maravilhoso dom da graça! Que méritos tinham aquelas crianças para obterem tal triunfo? Ainda não falam e já confessam a Cristo. Ainda não podem mover os seus membros para travar batalha e já alcançam a palma da vitória”.

Como o próprio Bispo diz “Ainda não falam e já proclamam Cristo”, referindo-se ao infanticídio, ao crudelíssimo morticínio das crianças e de inocentes, por causa de uma criança que abalou as estruturas empoeiradas ou mais ainda: apodrecidas, de um poder que não promove a vida, mas teme diante da Fonte Genuína da Vida: Jesus!

Impossível não pensarmos no que, de modo igual ou disfarçado, os “Herodes” de hoje continuam fazendo com as crianças inocentes.

Este Sermão toca profundamente nosso coração, quer pela forma com que descreve a insanidade herodiana, quer como nos exorta à acolhida e defesa da vida, da concepção ao seu declínio natural!

Vejamos de que modo “Herodes”, hoje, continua tramando e matando inocentes aos milhões, com mentalidade e prática abortista.

Não podemos deixar que este tema fique reduzido a um tempo remoto, passado. Enquanto dormimos, a morte dos inocentes é planejada, acordos são firmados, atos “herodianos” teimam em se multiplicar:

– em extremos e abomináveis atos de pedofilia, ou de manipulação consumista das crianças como objeto e fonte de lucro.

– nas deploráveis agressões ocultadas e silenciadas nas famílias, onde sabemos muitas crianças são vítimas da violência doméstica.

– maculando a beleza e a inocência das crianças, com músicas, programas, modas etc., que em nada colaboram para que vivam um momento tão belo da vida.

– quando privamos milhões de crianças do pão, da moradia, do lazer, da cultura, da vida, da alegria…

O silêncio dos inocentes ou o silenciamento imperdoável dos inocentes?

Silêncio ou silenciados, seus clamores bradam aos céus e não permitem que nos omitamos e nada façamos.

Acolher o Verbo é por se a caminho no amor e na defesa da vida, sobretudo dos pequeninos, como Ele Se fez um dia, e com os quais Se identificou para sempre:

“Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18,3).

E ainda: “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos céus” (Mt 19,14).

Não mais Herodes e seus discípulos!

Fale o silêncio dos inocentes!

Falemos pelos inocentes!

Falemos com os inocentes…

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda    http://peotacilio.blogspot.com/?m=1

” O Verbo se fez carne”

“O Verbo Se fez Carne”

Na Missa do Dia de Natal, celebramos o Mistério da Encarnação numa atitude de serena alegria e de ação de graças por tão maravilhoso acontecimento:

– O Filho eterno do Pai fez-Se homem;

– O Verbo que tudo criou fez-Se carne da nossa carne;

– Aquele que habitava nos Céus pôs a Sua morada no meio de nós;

– A “verdadeira luz” que veio ao mundo, deu a conhecer a Deus “a quem nunca O tinha visto”.

Na primeira Leitura, proclamamos o oráculo do Profeta Isaías (Is 52, 7-10). Um oráculo em forma de poema, com um lirismo surpreendente:

“Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a Boa Nova, que proclama a Salvação…” (Is 52.7).

Fomos convidados a contemplar a Pessoa do recém-nascido reclinado numa manjedoura, e assim contemplamos a imensurável humildade de um Deus, cuja força se manifesta na fraqueza.

Na segunda Leitura, ouvimos o início da Epístola aos Hebreus (Hb 1,1-6). Deus, ao contrário dos ídolos mudos, Ele falou conosco e por muito tempo, de modo especial pelos Profetas.

“Nestes tempos, que são os últimos”, enviou a Sua própria Palavra, “imagem do Seu ser divino”, do Seu desígnio, da Sua vontade. Ele mesmo Se faz Palavra e vem ao nosso encontro. Ele, Palavra viva e eficaz (Hb 4,12)

Na proclamação do Evangelho de São João, ouvimos os primeiros versículos (Jo 1,1-18). Com extrema beleza e estilo próprio, o Evangelista, ao mesmo tempo, sóbrio e solene, nos apresenta a Encarnação de Jesus através de um grande hino litúrgico, como que a abertura de uma “Sinfonia do Novo Mundo”.

Enuncia os temas que, logo a seguir, se desenvolverão em múltiplas variações com contrapontos sutis, de modo que o realismo da Encarnação do Filho de Deus constitui o centro desta vigorosa introdução do Evangelho.

A Palavra feita Carne é a revelação do Pai, do Seu amor. Receber, acolher e crer nesta Palavra é ter a vida eterna, como afirma nos capítulos posteriores.

Verdadeiramente assim cremos: Deus, movido por amor, desce misericordiosamente ao nosso encontro, porque havíamos caído miseravelmente, conforme nos falou o Bispo Santo Agostinho.

Agora que celebramos o Mistério desta Presença em nosso meio, urge que sejamos alegres mensageiros do Verbo, num mundo marcado por vezes por realidades sombrias, tristes e de morte.

A Encarnação do Verbo é, ao mesmo tempo, a nossa elevação, porque Ele Se faz hóspede de nossa alma e nos envia para sermos, no mundo, sinal de Sua presença, como alegres discípulos da misericórdia divina, dando razão de nossa esperança, no corajoso testemunho de nossa fé, inflamados pelo fogo do Seu indizível Amor.

Enfim, contemplar a Encarnação e ver a glória de Deus, é viver de modo a favorecer que vejam e sintam a presença de Deus em nós e em todas as pessoas.

PS: Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Ed Paulus – Lisboa – pp.178-180

Postado por Dom Otacilio F

É Natal!

É Natal!

Vou sair pela cidade…

A cidade tem seus cenários, ora sórdidos, ora inóspitos.
Também tem cenários de encanto e formosura.

Há manifestações de desencanto e da violação da vida,

mas também pequenos grandes sinais que nos renovam a confiança e a esperança no futuro.

Vou andar pela cidade.
Quero andar pelos becos e vilas,
cansar meus pés como mensageiro do Verbo que Se fez criança.

Quero contemplar a teimosia da vida surgindo e ressurgindo inexplicavelmente, ou pela fé explicável, ou ainda por outra força que vem de cada alma que não se entrega.

Quero ouvir o canto dos pássaros somando-se ao canto daqueles que cantam a esperança, a ousadia, o renascimento daquilo que nos move, nos faz dar passos: a tal da utopia.
Quero ouvir o canto daqueles que se contrapõem aos que anunciam a suas exéquias e morte há algum tempo.
É para isto que nos serve a utopia, para nos por sempre a caminho do bem e do melhor.

Vou sair anonimamente pelas ruas procurando identificar onde Deus faz a vida florescer, para que possa depois anunciar alegremente para quem diz que já não há nada mais para crer.

Vou sair e entrar nas salas dos encontros que se articulam
pela elevação e defesa da dignidade e sacralidade da vida,
desde a  sua concepção até o seu natural declínio.

Quero ver o Natal acontecendo…

Não mais no presépio de há dois mil anos,
mas nos presépios de nossos tempos;
nas manjedouras de nossos corações.

Quero ver o Deus Menino assumindo o lamaçal de nossos pecados, para dele nos remover, pois foi nossa condição vivendo em sua totalidade,
fazendo-se igual a nós menos no pecado,
que tão desejada redenção pôde fazer acontecer.

Quero ver o Natal acontecendo…

Sem holofotes, câmeras, luzes ou manchetes.

Quero ver o Natal acontecendo na mais perfeita e bela singeleza
de um Mistério imenso de Amor:

Nasceu o Amor, nasceu a Luz, nasceu a Diviníssima Ternura.

Nada mais será como antes.

Venha! Vamos sair pelas ruas e praças.
Vamos ver o Natal acontecendo.

Não deixemos estas tão belas verdades,
âncoras de minha alma,
se tornarem mentiras e ilusões.

Quando pessoas de boa vontade se somam e os dons partilham, 
o milagre, o impossível, que para Deus não existe, Ele faz acontecer…

É Natal!

Vou sair pela cidade…

Dom Otacilio F. Lacerda às 07:59

Nenhum

“Apressa-te em dizer sim, ó Maria!”

Esta Homilia de São Bernardo (séc. XII), em louvor à Virgem Mãe, nos convida a refletir sobre o sim de Maria na realização da vontade de Deus.

“Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo.

O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.

Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação, se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. 

Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.

E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e  concebe a Palavra  de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem Santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e Ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas Aquele que teu coração ama!

Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento.

Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra (Lc 1,38)”.

Urgiu que Maria se apressasse em dar seu Sim para que o Verbo Se fizesse Carne em nosso meio.

A mesma urgência o nosso sim aos Projetos Divinos quotidianamente se impõe, para que o Mistério da Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor não fiquem relegados a um fato do passado, mas seja um acontecimento que se irrompe em cada instante de nossa vida!

Apressemo-nos também em dizer sim para Deus e

Seus santos desígnios a nosso respeito.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/apressa-te-em-dizer-sim-o-maria.html?m=0

A Palavra do Pastor
O chamado divino e a nossa resposta – Homilia – Segundo Momingo do Tempo Comum ( Ano B)

O chamado divino e a nossa resposta – Homilia – Segundo Momingo do Tempo Comum ( Ano B)

Deus nos chama para que anunciemos a Sua Palavra e não a nós mesmos, porque nisto consiste a vocação do...
Read More
Viver o Batismo é seguir os passos de Jesus- Homilia para o Domingo do Batismo do Senhor-Ano B- Dom Otacilio 

Viver o Batismo é seguir os passos de Jesus- Homilia para o Domingo do Batismo do Senhor-Ano B- Dom Otacilio 

Com a Liturgia da Festa do Batismo do Senhor (ano B), refletimos sobre a revelação de Jesus Cristo, o Filho...
Read More
Sejamos um sim a Deus e ao Seu Projeto de Salvação! Homilia – 4º Domingo do Advento do Ano B

Sejamos um sim a Deus e ao Seu Projeto de Salvação! Homilia – 4º Domingo do Advento do Ano B

Com a Liturgia do 4º Domingo do Advento (ano B), damos mais um passo fundamental nesta caminhada de preparação para...
Read More
Confiança, esperança e alegria no Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Advento – Ano B

Confiança, esperança e alegria no Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Advento – Ano B

“João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.” Ao celebrar o 3º Domingo do...
Read More
Advento: vigilância ativa e efetiva – Homilia de Dom Otacilio – Primeiro Domingo do tempo do Avento Ano B

Advento: vigilância ativa e efetiva – Homilia de Dom Otacilio – Primeiro Domingo do tempo do Avento Ano B

Com o primeiro Domingo do Tempo do Advento (ano B), seremos convidados à vigilância, numa frutuosa preparação para o Natal...
Read More
Alegres e convictos Servidores do Reino – Homilia e reflexões de Dom Otacilio para o XXXIII Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Alegres e convictos Servidores do Reino – Homilia e reflexões de Dom Otacilio para o XXXIII Domingo do Tempo Comum (Ano A)

  Alegres e convictos Servidores do Reino (Homilia - XXXIIIDTCA) A Liturgia do 33º Domingo do Tempo comum (Ano A),...
Read More
Permaneçamos vigilantes – XXXII do Tempo Comum do Ano A.

Permaneçamos vigilantes – XXXII do Tempo Comum do Ano A.

Com a Liturgia, do 32º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre a necessária vigilância ativa na espera do...
Read More
O Ministério do padre na hora mais difícil: a morte.

O Ministério do padre na hora mais difícil: a morte.

Finados: dia de recolhimento, oração e contemplação de nossa realidade penúltima, a morte; fortalecimento na fé sobre nossa realidade última,...
Read More
Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada (Homilia Festa de todos os santos e santas)

Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada (Homilia Festa de todos os santos e santas)

  A Solenidade de todos os Santos abre nosso espírito e coração às consequências da Ressurreição. Para Jesus, ela foi...
Read More
Amor a Deus e ao próximo, dois amores inseparáveis – 30º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Amor a Deus e ao próximo, dois amores inseparáveis – 30º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Amor a Deus e ao próximo, dois Amores inseparáveis O Mandamento do Amor é a essência da vida cristã Com...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto:

Arquivo