A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

A Quarta- Feira de Cinzas no Mistério da fé

Com a Quarta-feira de Cinzas, a Igreja inicia a Quaresma, Tempo favorável da Salvação e os fiéis recebem as Cinzas como sinal que vem da tradição Bíblica, (2Sm 13,19; Est 4,1; Jó 42,6; 1 Mc 3,47 e Lm 2,10), e que se tem mantido até os nossos dias na tradição da igreja.

As Cinzas significam a condição da pessoa que é pecadora, confessando a sua culpa diante do Senhor. Exprimem a vontade de conversão, confiando na bondade do Senhor, paciente e cheio de misericórdia. Por este sinal começamos a percorrer o caminho da conversão, cujo ponto alto se dará na Celebração Penitencial, durante o Tempo Quaresmal.

A Cinza não é vacina nem mágica! Não cura doenças, não afasta os pecados do carnaval. Usar Cinzas na cabeça para significar que a pessoa está disposta a se comprometer com a Quaresma, que ela quer realizar sua própria transformação para a fraternidade, colaborando para a transformação da própria sociedade.

Deste modo, nos desafia a temática da Campanha da Fraternidade com o tema: “Fraternidade e Vida: dom e compromisso”, iluminado pelo lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Na Quarta-feira de Cinzas, a Liturgia da Palavra (Mt 6,1-18) nos convoca para os exercícios Quaresmais de conversão e que envolvem as relações fundamentais do ser humano:

A Oração:

Trata-se do relacionamento da criatura com o Criador, através da oração, viver e intensificar a profunda relação filial com Deus;

A Esmola:

Trata-se do relacionamento da criatura com o seu próximo, através da partilha, sobretudo com os mais necessitados;

O Jejum:

Trata-se do relacionamento da criatura com a natureza, com os bens criados por Deus.

O homem e mulher são senhores de todos os bens. Através do jejum, sentem na pele a necessidade do outro. Sentem-se interpelados a fazer com que todos participem dos frutos da criação e do trabalho humano.

Quaresma, quarenta dias que nos lembrarão do Povo de Deus caminhando quarenta anos pelo deserto; também os quarenta dias que o Senhor Jesus ficou no deserto enfrentando as armações e tentações diabólicas do ser, ter, poder. Vencendo o maligno nos mostrou o caminho a percorrer.

Quaresma: um itinerário a ser percorrido em que nos configuramos mais perfeitamente a Jesus Cristo, no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Iniciemos com fé, esperança e caridade renovadas.

                                                                          Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

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Servidores da Paz e do Amor Pleno – Jesus (Homilia 7º Domingo Tempo Comum- ano A)

Servidores da Paz e do Amor Pleno – Jesus

…Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra… Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus…” (Mt 5,4.9)

A Liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos faz um grande convite: trilhar o caminho cristão, que é inacabado e exige compromisso sério e radical em contínua conversão, progredindo a cada dia na prática da Lei divina, que o Senhor deu pleno cumprimento, pois quem ama como Jesus ama, cumpre plenamente a Lei.

Com os olhos fitos no Senhor que nos espera ao final da “viagem”, continuamos a refletir sobre o Sermão da Montanha, e seus desdobramentos em nossos relacionamentos.

A passagem da primeira leitura (Lv 9, 1-2;17-18) é um apelo veemente à santidade que passa pelo amor ao próximo – “Sede Santos, porque Eu, o Vosso Deus sou Santo” (v.2).

As Leis de Deus e seus Preceitos existem para que nos ajudem a viver em comunhão com Deus, que passa necessariamente na comunhão com o outro; iluminam a vida cultual e a vida social.

Arrancando as raízes do mal, que podem crescer em cada um de nós, haveremos de multiplicar esforços para permanecer no caminho da santidade, que exige um processo contínuo de conversão. Ser santo, portanto, é permitir que o Amor de Deus seja derramado através de nossos gestos e palavras.

Reflitamos:

– Em que consiste e como testemunhar a santidade no mundo hoje?

– O que ainda me impede de viver e dar um testemunho de santidade?

O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura (1 Cor 3,16-23), continua nos ajudando a não viver pautados pela sabedoria humana, mas pela Sabedoria Divina, que passa inevitavelmente pela Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima expressão de Amor, doação, entrega e serviço, que gera vida plena e faz nascer como criaturas novas no Ressuscitado.

Como templos onde Deus habita, temos que superar todos os conflitos, divisões, ciúmes, confrontos, pois não nos pertencemos, e tão pouco ao outro, pertencemos ao Senhor, como o próprio Apóstolo diz: “tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (v.23).

O Apóstolo nos exorta ao testemunho que damos pessoalmente, fala de um Deus cheio de Amor e misericórdia que tem um Projeto de Salvação e Libertação para nos oferecer.

Viver a “loucura da cruz” com gestos de amor, partilha e doação, para que formemos e geremos Cristo em nós e no outro. Esforços sejam multiplicados para que se oriente a vida  pela Sabedoria de Deus ou viveremos a sabedoria do mundo, que muitas vezes se caracteriza pela luta sem regras pelo poder, pela influência, pelo reconhecimento social, pelo bem-estar econômico e pelos bens perecíveis e secundários.

Reflitamos:

– Nossa comunidade é uma comunidade fraterna e solidária, que dá o corajoso testemunho da “loucura da Cruz”?

– De que modo nosso viver revela que nossas palavras e ações são iluminadas e orientadas pela Sabedoria divina?

Com a passagem do Evangelho (Mt 5,38-48), continuamos a refletir sobre mais dois exemplos que nos desafiam para que, de fato, sejamos sal da terra e luz do mundo. Viver as Bem-Aventuranças implica em superar a Lei do talião”, conhecida pela fórmula “olho por olho, dente por dente” (Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21)  e o maior de todos os desafios, amor aos inimigos.

Viver como Deus ama, eis o nosso mais belo e maior desafio, acabando com a espiral da violência, como tão bem viveu e testemunhou Nosso Senhor: um Amor sem medida, um amor que se estende aos inimigos.

Jesus nos revela a face misericordiosa de Deus, um amor universal que faz brilhar o sol e envia a chuva sobre os bons e os maus. E nos exorta a sermos perfeitos como O Pai Celeste é perfeito, superando a lógica legalista, casuística e fria que não cria proximidade e comunhão.

Para que se viva em comunhão total com Deus é preciso deixar que a vida e o amor  de Deus preencha nosso coração, resplandecendo Sua Luz no quotidiano, e tão somente assim seremos também o sal da terra e nisto consiste o embarcar na aventura do Reino que O Senhor nos convida.

Reflitamos:

– Como sal da terra e luz do mundo de que modo vivo a força desarmada do amor para que se instaurem novos relacionamentos humanos e fraternos, quebrando a espiral da violência?

– Como amar os inimigos, como o Senhor nos exorta?

– O que falta em nossa vida para que vivamos a perfeição do Pai Celeste?

Oremos:

Que, com a presença e ação do Espírito Santo em nós, continuemos trilhando o caminho da santidade, em permanente conversão, envolvidos pelo amor de Deus, pleno em nosso coração, para que jamais, como sal, percamos o sabor, e jamais percamos o brilho e o esplendor da Verdade de Deus. 

Tão somente assim, iluminados por Deus, iluminadores em situações mais obscuras também sejamos.

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Com a Liturgia do 7º Domingo Comum (Ano A), aprofundamos sobre a vivência do Mandamento do Amor, inclusive aos inimigos.

Este Mandamento do Senhor é novo e revolucionário pela formulação, conteúdo e forte exigência.

Vejamos o que nos diz o Missal Dominical sobre o tema:

É novo pelo seu universalismo, por sua extensão em sentido horizontal: não conhece restrições de classe, não leva em conta exceções, limitações, raça, religião; dirige-se ao homem na unidade e na igualdade da sua natureza. É novo pela medida, pela intensidade, por sua dimensão vertical.

A medida é dada pelo próprio modelo que nos é apresentado: “Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei assim amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34). A medida do nosso amor para com o próximo é, pois, o amor que Cristo tem por nós; ou melhor, o mesmo amor que o Pai tem por Cristo: porque “Como o Pai me amou, também eu vos amei” (Jo 15,9. Deus é amor (1Jo 4,16) e nisto se manifestou o seu amor: Ele nos amou primeiro e enviou seu Filho para expiar nossos pecados (1Jo 4,10).

É novo pelo motivo que nos propõe: amar por amor de Deus, pelas mesmas finalidades de Deus; exclusivamente desinteressado; com amor puríssimo; sem sombra de compensação (Mt 4,46). Amar-nos como irmãos, com um amor que procura o bem daquele a quem amamos, não a nosso bem. Amar como Deus, que não busca o bem na pessoa a quem ama, mas cria nela o bem, amando-a.

É novo porque Cristo o eleva ao nível do próprio amor por Deus. Se a concepção judaica podia deixar crer que o amor fraterno se põe no mesmo plano dos outros mandamentos (Lv 19,18) a visão cristã lhe dá um lugar central, único. No Novo Testamento o amor do próximo está indissoluvelmente ligado ao preceito do amor de Deus.

A fé… lembra ao cristão os mandamentos de Deus e proclama o espírito das bem-aventuranças; convida a ser paciente e bondoso, a eliminar a inveja, o orgulho, a maledicência, a violência; ensina a tudo crer, tudo esperar, tudo sofrer, porque o amor nunca passará” (RdC47) 

Mas insiste ainda: “Ama teu inimigo… oferece a outra face… Não pagues o mal com o mal”. Quanto cristãos fizeram da palavra de Jesus a lei da sua vida! A história da Igreja está cheia de exemplos sublimes a este respeito: J. Gualberto, que perdoa, por amor de Cristo crucificado, o assassínio de seu irmão; pais que esquecem heroicamente ofensas recebidas dos filhos; esposos que superam as ofensas e culpas; homens políticos que não conservam rancor pelas calúnias, difamações, derrotas; operários que ajudam o companheiro de trabalho que tentou arruiná-los, etc…

Em nome da religião e de Cristo, os cristãos se dividiram, dilacerando assim o Corpo de Cristo. Viram no irmão um inimigo, se “excomungaram” reciprocamente, chamando-se hereges, queimando livros e imagens… Derramou-se sangue, explodiu ódio em guerras de religião. O orgulho, o desprezo e a falta de caridade caracterizaram as diatribes teológicas e os escritos apologéticos. Os inimigos de Deus, da Igreja, da religião foram combatidos com armas e com ódio. Travaram-se lutas, organizaram-se cruzadas.

Hoje, a Igreja superou, ou se encaminha par superar, muitas dessas limitações. Não há mais hereges, mas irmãos separados; não há mais adversários, mas interlocutores; não consideramos mais o que divide, mas antes de tudo o que une; não condenamos em bloco e a priori as grandes religiões não cristãs, mas nelas vemos autênticos valores humanos e pré-cristãos que nos permitem entrar em diálogo.

Mas a intolerância e a polêmica estão sempre de atalaia. Não estaremos acaso usando, dentro da própria Igreja, aquela agressividade e polêmica excessivas que outrora usávamos com os de fora da Igreja? Quantos cristãos engajados, uma vez faltando o alvo de fora, começaram a visar com “inimigos” aos próprios irmãos na fé, e os combatem obstinadamente, sem amor e sem perdão!” (1)

Viver o Amor do Senhor, em seu universalismo e novidade. Um amor que ama sem medida, e que se estende até os inimigos. É esta maturidade cristã que somos chamados a alcançar, não obstante qualquer dificuldade.

Configurados a Cristo temos que ter d’Ele mesmos sentimentos e pensamentos. Deste modo, “amar como Jesus ama” precisa estar impresso, como selo, em nossa alma, nas mais profundas entranhas de nosso ser.

Amar em nossa medida com cálculos e retornos, condições e reciprocidade, não é o que nos fará sal e luz, como nos propôs Jesus no Evangelho de São Mateus, e tão pouco o concretizar das Bem-Aventuranças, o único caminho da verdadeira felicidade.

Deste modo, podemos concluir que a felicidade que Deus tem a nos oferecer é diretamente proporcional a nossa capacidade de amar, a nossa intensidade de amor, que não apenas ama os bons, mas ama até os inimigos.

Deus não nos ama porque somos bons, mas para que sejamos todos bons.

Linhas novas da História precisam de novos conteúdos, que sejam escritos com a tinta do Amor que nos vem do Santo Espírito.

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.693-694.
PS: oportuna reflexão para o 7º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

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Os degraus que nos levam ao cume da virtude

Para aprofundamento da Liturgia do 7º Domingo do Tempo Comum (ano A) em que Jesus nos exorta amar os inimigos (Mt 5,38-48), sejamos enriquecidos pelo Sermão do Doutor São João Crisóstomo (séc. V).

‘Ouvistes o que foi dito: amarás a teu próximo e odiarás o teu inimigo. Porém eu vos digo: amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos de vosso Pai que está nos céus, que faz se levantar o sol sobre bons e maus e faz chover sobre os justos e injustos’.

Observa como colocou a conclusão de todos os bens. Por isso ensinou a ter paciência com aqueles que nos esbofeteiam e até mesmo a apresentar-lhes a outra face; e não apenas juntar o manto à túnica, mas a caminhar por duas milhas mais com quem nos requisitou para uma, para que em seguida aceitasses com maior facilidade o que era superior a estes preceitos; ou seja, que quem cumprir tudo isso não tenha inimigos. Pois bem: existe algo ainda mais perfeito, porque Ele não diz: Não odeies, mas ama. Não disse: não prejudique, mas sim favoreça. Se alguém examina cuidadosamente, encontrará um acréscimo muito maior que este. Porque agora não só manda amá-los, mas a também rogar por eles.

Observas a que degraus subiu e como nos elevou até o próprio cume da virtude? Quero que o medites, enumerando-os desde o princípio: o primeiro grau é não injuriar; o segundo, quando injuriados, não nos vingarmos; o terceiro, não aplicar sobre o autor o mesmo castigo com o qual nos fere, mas sim ter mansidão; o quarto, oferecer-se voluntariamente a sofrer injúrias; o quinto, oferecer ao injuriador muito mais do que ele nos exige; o sexto, não odiar a quem nos faz semelhante injustiça; o sétimo, inclusive amá-lo; o oitavo, ainda favorecê-lo. Finalmente, o no: rogar a Deus por ele. […]” (1).

Somente subindo estes degraus, viveremos o Mandamento Novo do Amor que nos deu nosso Senhor, um amor que com dimensão universal, sem limites, e que nos permite chegar ao cume da virtude. E bem sabemos que Ele não somente nos deu o Mandamento, mas o viveu plenamente.

Nisto nos reconhecerão como discípulos d’Ele, e assim sal da terra e luz do mundo seremos, pois esta passagem do Evangelho é desdobramento para a prática do Sermão da Montanha, que Ele nos apresentou nos versículos anteriores (Mt 5,1-12).

Aceitemos a proposta do Bispo, meditemos sobre estes degraus que nos levam ao cume da virtude, que deve ser querida por todos aqueles que se põem a caminho, como discípulos missionários do Senhor.

(1) Lecionário Dominical Patrístico – Editora Vozes – 2013 – pp. 140-141

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Pertencemos ao Senhor

Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus”

Reflitamos sobre a passagem da segunda leitura proclamada no 7º Domingo do Tempo Comum (ano A), em que o Apóstolo Paulo conclui dizendo: “Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1 Cor 3,16-23).

Vejamos duas afirmações do Lecionário Comentado, sobre esta passagem:

– “O pregador que amarra as pessoas a si mesmo não constrói em Cristo; comportando-se deste modo destrói o Templo de Deus e atrai sobre si uma grande responsabilidade”;

– A fé não está e não pode estar apoiada no prestígio ou na autoridade do evangelizador. O cristão deve apoiar a sua fé só na pessoa de Cristo. A expressão ‘Vós sois de Cristo’ (v.23) não tem apenas um sentido afirmativo, mas também exclusivo, e significa: ‘Vós pertenceis somente a Cristo e a ninguém mais”. (1)

Aqui está o grande desafio da evangelização: quem evangeliza, não evangeliza para si, e tão pouco anuncia suas ideologias. Não reproduz nos fiéis a sua identidade.

Ao contrário, quem evangeliza, é alguém que se encontrou com o Senhor, e professa a fé, não como um conjunto de ideias, como tão bem expressou o Papa Bento de forma emblemática:

Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus Caritas Est 1).

Tendo encontrado o Senhor, levará aqueles a quem evangeliza ao mesmo encontro, não se apropriando nem da Palavra que anuncia, tão pouco daqueles que ouvem e acolhem esta mesma Palavra.

Urge evitar qualquer possibilidade de fazer da evangelização fonte de enriquecimento, ou mesmo do envaidecimento pessoal, marcado pela fama, prestígio, honras e glórias, que tão somente ao Senhor pertencem.

Também é necessário que os que ouvem e professam a fé, não fundamentem a existência e seus compromissos movidos pelos sentimentos subjetivos que possa despertar aquele que o evangelizou.

Não seguirá até o fim o Senhor, quem por Ele, e tão somente por Ele, tenha seu coração seduzido.

Deste modo, com a fé fundamentada na pessoa de Cristo e Sua Palavra, terá coragem para o seguimento e viverá fidelidade e disponibilidade plena no discipulado, e suportará o peso da cruz, acompanhado das renúncias que se fazem necessárias.

Evidentemente que isto não dispensa aos que evangelizam, o zelo pelo anúncio, a criação de laços afetivos de amizade e eternos, que possam no altar do Senhor ser celebrados, assim como Senhor soube e fez com todos que quiseram se por a caminho com Ele.

Evangelizamos verdadeiramente quando nos encontramos com o Senhor e permitimos que Ele nos transforme a todo momento, e esta transformação leva a outros a quererem o mesmo encontro fazer, e mesmo apaixonamento pelo Senhor viver, numa resposta inflamada e eterna de amor.

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – pp. 304-305

A graça de ser Padre

“Irmãos, cuidai cada vez mais de confirmar a vossa vocação e eleição. Procedendo assim, jamais tropeçareis. Desta maneira vos será largamente proporcionado o acesso ao reino eterno de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2Pd 1,10-11)

O Ministério Presbiteral, vivido em sua beleza e graça, é uma das expressões mais desejáveis da misericórdia divina, como podemos refletir à luz destas passagens bíblicas: Lv 13,1-2.44-46 e Mc 1,40-45.

Estas retratam a dramática situação de quem era acometido pela lepra, doença até então conhecida para caracterizar todo tipo de sofrimento relativo à pele, que deforma a aparência da pessoa. Era o que havia de mais grave sobre “impureza”.

Contemplamos o Amor de Deus que a todos acolhe sem excluir ninguém do Seu convívio, da Sua bondade. Deus não exclui, ao contrário integra a todos na comunhão mais que querida. Esta foi a ação de Deus no Antigo e no Novo Testamento, através da prática do Amor Encarnado, Jesus Cristo.

Jesus acolhe com Amor: toca, cura, liberta, renova, restaura, reintegra aquele homem acometido de terrível mal que o condenava como pecador, marginalizado, amaldiçoado, excluído, indigno, fora da Bênção de Deus, numa palavra, um pecador maldito.

A prática de Jesus, diferente da lógica humana, confirma a lógica de Deus que não marginaliza ninguém. Ele contrapõe àquilo que, em nome de Deus, cria mecanismos de rejeição, exclusão e marginalização. E esta é a manifestação da compaixão de um Deus cheio de Amor.

O gesto de Jesus revela Amor e solidariedade. Com a cura do leproso, e outros sinais, temos a certeza de que o tempo se completou, o Reino de Deus se faz presente no meio dos homens, sem racismos, exclusões.

A cura do leproso é a chegada de um novo tempo inaugurado por Jesus, que toma para Si as dores e sofrimentos de toda a humanidade.

Note-se que o leproso curado ao ser enviado ao templo para confirmar a sua cura, imediatamente se põe a anunciar as maravilhas alcançadas:

O Presbítero é por excelência o homem que experimentou o amor de Deus, ao ser escolhido, chamado e enviado para comunicar este amor, de múltiplas formas, através do Ministério pela Igreja confiado e agraciado.

O Padre é chamado, acolhido, escolhido, amado, curado, tocado, formado, ordenado, consagrado, enviado para comunicar este amor de Deus, sobretudo pela graça dos Sacramentos.

Portanto, por ter sido acolhido, deve acolher a cada irmão e irmã, sem nenhuma discriminação ou preferência.

Tendo sido escolhido, ajudar os membros do Povo de Deus a perceber o quanto também Deus os escolheu para produzir frutos saborosos nesta Vinha que é a própria Igreja, com podas necessárias, como bem nos fala o Evangelho de São João (Jo 15).

Por Deus amado, é o Ministro do Amor por excelência: se não comunicar e não testemunhar o amor está condenado a viver um Ministério sem vida, alegria, sabor, graça, luz e sentido.

Curado pelo Salutar Sacramento da Eucaristia, em cada Ceia Eucarística que Preside, é o Ministro da cura de tantos males que roubam a alegria e a vida do rebanho a ele confiado, restaurando todas as pessoas numa vida nova do Espírito Santo.

Assim como foi tocado um dia por um amor em forma de chama, deve a todos tocar, com palavras e gestos, a vida de cada membro da comunidade vivendo a caridade que é o pleno cumprimento da Lei, Portanto não poderá ser o gélido toque de quem não crê; nada espera e não ama de verdade, sem nenhum outro interesse.

Tendo sido formado pelos estudos necessários, deve formar os que lhe forem confiados para viverem uma vida marca pela ternura, dignidade, perdão, paz, fraternidade, comunhão.

O Sacramento da Ordem recebido não pode levá-lo a nenhuma tentação de prestígio, poder, sucesso, riqueza. Lembrará sempre que foi Ordenado para arrebanhar, conduzir, santificar, ensinar, governar. Conduzir o rebanho para verdes pastagens, como homem do Banquete Eucarístico e da Palavra que fortalece, orienta e ilumina.

Consagrado e enviado tem uma missão especial: enviado para comunicar a semente do verbo, espalhar Boa Nova do Evangelho em tantos corações; para ensinar e ajudar a humanidade a viver tudo o que Jesus nos ensinou (Mc 16, 19)

Deste modo, o Padre é para a comunidade um alegre testemunho de quem foi também por Deus amado e curado.

Que a comunidade vendo assim o presbítero, também se sinta amada e encorajada a fazer o mesmo caminho, celebrando devotamente a Eucaristia, crescendo cada vez mais a solidariedade para com o povo, em suas dores e sofrimentos.

Assim fez Jesus para com o leproso, assim haverá de fazer todo discípulo Seu, e de modo especial aquele a quem Ele chamou para ser Presbítero de Sua Igreja.

O Presbítero é alguém que se sente amado para amar muito mais do que para ser amado, ou seja, antes de querer ser amado tem que amar na mais bela e fecunda expressão do Mandamento que nosso Senhor nos deixou: amar a Deus e ao próximo como Ele nos amou.

http://peotacilio.blogspot.com/2020/02/a-graca-de-ser-padre.html?m=1

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade ( Homilia 6º Domingo Tempo Comum – Ano A)

 

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade

“Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada” .

Com a Liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum (Ano A) refletimos um desdobramento do Sermão da Montanha, apresentado nos primeiros versículos no quinto capítulo do Evangelho de Mateus.

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Na passagem da primeira Leitura (Eclo 15, 16-21) encontramos uma mensagem clara e incontestável: Deus nos concede liberdade para escolhas. Se escolhermos Sua proposta, no cumprimento de Seus Mandamentos, teremos vida e felicidade. Porém, bem diferente será o que alcançaremos se d’Ele e de Sua Lei nos afastarmos, encontraremos o pecado e a morte.

O Povo de Deus, no século a. C, vivia um contexto de abandono da fé, com fortes influências da cultura helênica. O autor sagrado exorta a fidelidade a Deus e à Sua Palavra para que não perca a sua identidade, e com isto o afastamento da felicidade.

É explícito o tema: temos sempre que fazer escolhas: ou o caminho da vida e da felicidade, ou o caminho da morte, da desgraça (orgulho, egoísmo, autossuficiência, isolamento…).

Fomos criados por Deus e Ele nos concedeu o livre arbítrio, temos que saber escolher. Somos eternamente responsáveis pelas nossas escolhas, pela proximidade ou afastamento de Deus que elas trarão.

Reflitamos:

– De que modo usamos a liberdade que Deus nos concedeu?
Quais são nossas escolhas? Serão elas acertadas, conforme a vontade de Deus?

– Qual caminho trilhamos: da fidelidade ou indiferença à Proposta de Deus?

– Quais são as consequências de nossas escolhas? Somos capazes de assumi-las sem atribuir culpas a Deus, em caso de resultados adversos?

Na segunda Leitura (1 Cor 2,6-10), mais uma vez o Apóstolo nos exorta a viver nossa fidelidade ao Senhor que, por amor sem medida, não evitou a Cruz. Nela Jesus viveu a doação total, o Amor que ama até o fim.

É na Cruz de Nosso Senhor Jesus que se encontra a mais bela história de Amor, em que Ele, o Filho Amado, vai até o extremo de Sua doação e Amor por nós.

E, como discípulos missionários do Senhor, haveremos de fazer o mesmo caminho.

Abraçar a Cruz, por amor, consiste na verdadeira sabedoria divina, infinitamente superior à sabedoria humana.

A verdadeira sabedoria vem, paradoxalmente, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo é convicto de que Jesus Cristo é o único Mestre e que a verdadeira sabedoria não é aquela que nasce do brilho e elegância das palavras, nem mesmo pela coerência dos sistemas filosóficos.

Na identificação total com Cristo, é o Espírito que nos anima e nos conduz, para que jamais recuemos na vida de fé, mas avancemos sempre para as águas mais profundas, na travessia do mar da vida.

A prática de Jesus nos revela que Deus não força ninguém a esta identificação, não força ninguém a segui-Lo, mas se quisermos segui-Lo, é preciso renúncias quotidianas, tomando a cruz e pondo-nos a caminho, na fidelidade total aos Mandamentos Divinos que nos conduzem nesta opção, sempre enamorados e apaixonados por Ele, Jesus, Nosso Senhor.

O cristianismo não é um conjunto de ideias, mas o encontro pessoal que transforma a nossa vida para sempre. Quem se encontrou com o Senhor, de fato, nunca mais será a mesma pessoa, e se torna impossível viver sem Ele e o Seu Amor.

Na passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no quotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”. E com esta expressão sintetizamos a mensagem do Evangelho deste Domingo.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada” .

“O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado.”

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade…:

1 – As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;
3 – A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus.

4 – A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em resumo, a questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

– Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

– Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença…). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

– Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

– Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do quotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

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                                                                   O caminho da felicidade passa pela Cruz

Todos desejamos e buscamos a felicidade a cada instante de nossa vida, pois bem sabemos e cremos que Deus nos criou para a felicidade plena, que passa inevitavelmente pela Cruz.

Meditando sobre o tema felicidade, encontrei em um Livro de Oração algumas propostas para alcançá-la.

Embora simples, creio são pertinentes e podem mesmo favorecer para que tenhamos uma vida mais feliz, numa madura relação interpessoal mais fraterna, com notável crescimento humano e espiritual.

Vejamos como podemos percebê-las e vivê-las em nosso dia a dia.

– Elogie três pessoas por dia;

– Cumprimente as pessoas que encontrar pelo caminho;

– Sorria. Não custa nada e não tem preço;

– Saiba perdoar a si e aos outros;

– Trate a todos como gostaria de ser tratado;

– Pratique a caridade;

– Faça novos amigos;

– Reconheça seus erros e valorize seus acertos;

– Dê às pessoas uma segunda chance;

– Respeite a vida;

– Dê sempre o melhor de si, em todos os momentos;

– Reze não só para pedir coisas, mas principalmente para agradecer.

Observando atentamente, veremos que estas atitudes simples nos remetem à passagens do Evangelho, de modo muito especial, ao Sermão da Montanha, quando Jesus nos apresentou a proposta da autêntica felicidade (Mt 5, 1-12).

Um Sermão ouvido na montanha para ser vivido na planície do quotidiano. Pois se as Bem-Aventuranças forem encarnadas, inauguram-se relações de partilha, solidariedade, comunhão e amor, humildade, gratuidade, doação… Ganham vigor as relações fraternas.

Creio que o caminho da felicidade passa inevitavelmente pela Cruz assumida com maturidade e responsabilidade – “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua Cruz de cada dia e me siga” (Lc 9, 23).

Que as propostas apresentadas nos coloquem neste itinerário da fé, com coragem e confiança na ação divina, contando sempre com a força da Oração, que não nos permite desviar do Projeto de vida, alegria e paz que o Senhor tem para todos nós, sempre nos lembrando de Suas Palavras:

“Se vocês obedecerem aos meus Mandamentos, permanecerão

no meu Amor, assim como Eu obedeci aos Mandamentos

de meu Pai e permaneço no Seu Amor. Eu disse isto a vocês

para que a minha alegria esteja em vocês, e a

alegria de vocês seja completa.” (Jo 15, 10-11).


A santidade matrimonial

“Do divórcio do coração, livrai-nos Senhor”

Ouvimos, no 6º Domingo do Tempo Comum (ano A), a passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), em que Jesus ratifica a indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio (cf. também Mt 19, 1-9, Mc 10,1-12 ).

Para aprofundamento deste tema, apresento uma reflexão aos casais, e a quantos possa interessar, para acender uma fagulha de luz, iluminando a sagrada missão de santificar nossas famílias, e redescobrir caminhos para menos divórcios do coração, e assim, a família cumpra sua missão, não obstante todas as dificuldades e ventos contrários.

“Quantos casais, neste sentido, vivem há anos num divórcio prático, ratificado e consumado, isto é, querido e atuado? Quando, por exemplo, entre marido e mulher não se tem nem a vontade de se perdoar, de se reconciliar, quando reina a indiferença, é divórcio de fato, do coração. É o repúdio sem formulações legais! O mandamento de Deus está violado, não se é mais ‘uma só carne’.

Fala-se muito dos terríveis males do divórcio jurídico: mulheres condenadas à solidão, filhos destruídos psicologicamente pela escolha penosa que devem fazer entre a própria mãe e o próprio pai.

Conheço uma criança nesta situação; depois que vi seus olhos, não preciso mais ouvir conferências sobre os males do divórcio: os vi todos estampados naqueles olhos de passarinho ferido.

Mas os males deste outro divórcio são, talvez, muito menores para a sociedade e para os filhos? Há tantos meninos desnorteados, drogados, violentos que não são filhos de divorciados casados de novo; são filhos de pais que vivem no divórcio do coração, que brigam, se ofendem ou se calam obstinadamente, reduzindo assim a família a um tenebroso inferno.

‘O homem não separe’ significa sim: a lei humana não separe; mas significa também, e antes de tudo: o marido não separe a mulher de si, a mulher não separe de si o marido.

É bem pouco o que se pode fazer depois que este divórcio aconteceu há anos. Mas muito, porém, se pode fazer no início para impedir que o divórcio aconteça.

Jesus lembra a unidade: ‘não serão senão uma só carne’, isto é, quase uma só pessoa, com a concórdia nos mesmos projetos e sentimentos; implicitamente inculca a construir sobre a unidade e renová-la cada dia. Como?

Procurando resolver logo que surgem os problemas, as incompreensões, as friezas. ‘Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento’ (Ef 4,26); esta recomendação do apóstolo, aplicada para os cônjuges, soa assim: antes do sol se deitar fazei as pazes; significa que não se pode deitar sem ser perdoados, nem que seja só com um olhar.

Depois a confiança recíproca; esta é como um lubrificante: falar, comunicar as próprias dificuldades e também as próprias tentações. Se a gente dissesse ao próprio cônjuge aquilo ou parte daquilo que se diz ao confessor ou se escreve ao diretor de certas revistas, quantos problemas seriam resolvidos! Enquanto há confiança recíproca, o divórcio fica longe.

A expressão ‘uma só carne’ lembra veladamente e outro meio humano para evitar o divórcio do coração: fazer da união sexual um momento de autêntica doação, abandono, humildade, de modo que sirva para restabelecer a paz e a confiança recíproca.

Continuar a ver sempre na mulher, como sugere a Bíblia, também depois que passaram os anos ‘ a mulher da própria juventude’ e no marido o homem da própria juventude, isto é, o ser que te deu sua juventude (cf. Pr 5,18).

Devemos nos convencer de que tudo isto não basta e que são necessários os meios espirituais: sacrifício e oração. Se o matrimônio encontra tanta dificuldade de se manter unido, é porque enfraqueceu o espírito de sacrifício e se quer só receber do outro, antes de dar ao outro.

A Oração! A melhor é aquela feita juntos, marido e mulher. Mas a ela acrescentemos hoje também a oração comunitária: rezemos pelos casais e para aqueles que estão se encaminhando ao matrimônio; que o Senhor afaste deles o divórcio do coração”.

Sem dúvida, esta reflexão é de grande contributo, para que todos os lares sejam candelabros, onde a luminosidade divina não falte, ainda que a família passe por momentos difíceis, provações, inquietações.

Unamo-nos em oração e nos diversos trabalhos realizados pela Igreja em prol da Família, como tão bem nos exortou o Papa Francisco na Exortação – “Amoris Laetitia”, recentemente.

Tenhamos sempre a Sagrada Família como modelo, inspiração e a ela recorramos sempre, para santificar e solidificar nossas famílias na rocha da Palavra, que é o próprio Jesus, Nosso Senhor (Mt 7, 21-27).

O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa – pp.447-448 – Editora Ave Maria


Do Sopro do Espírito a família precisa!

Por isto, nossa família suplica:

Dá-nos o sopro do Teu Espírito!”

Como, com o que, e com quem a família enfrentará os ventos que, impiedosamente, contra ela atentam?

Como e quando acolher o revitalizante e santificador Sopro do Espírito?

Não poucos problemas enfrentam as famílias em nossos tempos.

Muitos são os ventos e tempestade contra a casa, como nos acena Jesus (Mt 7), nos convidando a construir nossa história e a história da família sobre a rocha, que é Ele mesmo.

A solidez e a estrutura da família passam pela escuta, acolhida e vivência de Sua Palavra. Mas contra ela sopram ventos avassaladores.

Quais são estes ventos?

A realidade da falta de diálogo, da compreensão, carinho e respeito nas relações pais e filhos e vice-versa; a invasão midiática e seu “evangelho” que muitas vezes se contrapõe ao autêntico Evangelho do amor, da solidariedade, da comunhão, do perdão.

Nela, a crise de valores anda de mãos dadas com a crise ética, colocando em risco a diversidade e originalidade como criaturas modeladas pelas mãos divinas, condenados à uniformidade, reprodução laboratorial pela clonagem, com resultados imprevisíveis…

Outros ventos que teimosamente persistem:

Dependência química (álcool, drogas…); desemprego ou eminente possibilidade; violência pelas armas ou de qualquer outra forma; o consumismo depredador, acompanhado da insaciabilidade, colocando em risco o planeta em que vivemos.

E ainda as antigas e novas doenças, o sentimento de angústia que toma o coração de muitos, culminando em degradante e desumanizante depressão.

Neste momento há tantos ventos que atentam contra a tua família, contra a minha! Dispensa mencioná-los. Nós os conhecemos, e como conhecemos!

Enfrentá-los é possível, quando buscamos o Sopro do Espírito, a manifestação de Deus na brisa suave. Há esperanças e horizontes a serem alcançados.

Acolher o Sopro do Espírito é preciso.

Não há fórmulas mágicas, há um caminho único:

Jesus Cristo e Seu Evangelho –

“Eu Sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,9).

A Sagrada Escritura apresenta inúmeros Sopros para a santificação de nossas famílias.

Do Sopro do Espírito, a família precisa!

Nossa família suplica:

“Dá-nos o Sopro do Teu Espírito!”

O Sopro do Espírito que acolhemos ao contemplar a Sagrada Família:

E, nesta grande escola, aprender as lições de José e Maria. Ó belas lições que nos vem da Sagrada Família!

Confiança em Deus, abertura e diálogo para compreender os Mistérios divinos e vivenciá-los: “eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim Tua Palavra”.

A alegre disponibilidade, humildade, mansidão, ternura, temor divino, abertura para a manifestação da graça de Deus, pertença ao povo de Deus; acompanhados da vivência e prática religiosa.

A coragem para ter a alma transpassada, assumindo a dimensão pascal da fé, mistério de morte e Ressurreição.

O Sopro do Espírito que acolhemos ao contemplar o Mistério da Comunhão Trinitária:

Mistério de amor, comunhão, doação, plenitude de vida, unicidade que não leva a perda da identidade, garantia de plena felicidade…

O Sopro do Espírito que acolhemos que vem da Mesa da Eucaristia:

Banquete de amor e vida, comunhão e solidariedade com os empobrecidos. O sopro do Santo Espírito que vem como fogo que queima, arde, aquece, ilumina. Quando comungamos, alimentamo-nos, bem como, somos invadidos pelos raios revigorantes deste mesmo Espírito!

A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do céu que se abre sobre a terra, e os raios da Jerusalém Celeste invadem as sombras da história e vem iluminar nossos caminhos, como nos falou o Papa João Paulo II.

A família que se nutre da Eucaristia há de experimentar, a cada dia, um pedaço deste céu, que se prolonga na mesa de nossos irmãos.

O Sopro do Espírito que acolhemos no dia do Batismo:

Quando nos tornamos Igreja, pedras amadas e escolhidas de Deus.

Rompemos o limite de suas paredes; abrimo-nos para a vivência comunitária, na participação, com alegria, da construção do Reino de Deus.

Cada família é uma pequena Igreja Doméstica, inserida na Igreja de Cristo que é Seu Corpo, tendo-O como Cabeça.

A Boa Nova do Ressuscitado deve determinar pensamentos e atitudes de nossas famílias, de modo que, falar de divórcio, infidelidade, filhos distantes e estranhos aos próprios pais, aborto, será apenas uma lembrança indesejável dos ventos que um dia sopraram contra a família.

A verdadeira sabedoria consiste em enfrentar os ventos contra a família e acolher o Sopro do Espírito; certeza de plena alegria, de um lar verdadeiramente feliz!

Do Sopro do Espírito a família precisa!

Nossa família suplica:

“Dá-nos o Sopro do Teu Espírito!”


                                                                           Progredir na Lei do Senhor Deus

Retomemos o refrão do salmo (Sl 118, 1), da Missa do 6º Domingo do Tempo Comum (ano A), para reflexão:

“Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que Lei do Senhor Deus vai progredindo!”

A vida mais que uma sucessão de dias, é uma escrita que vai deixando a marca do caminho. De vez em quando, é preciso olhar retrospectivamente para ver o caminho feito, e para onde ele nos conduz; se marcado pelo pecado ou pela graça, por sábias escolhas, ou se nem tão sabias assim, porque nos fechamos à Sabedoria do Alto, onde Deus habita.

Não basta que vivamos, precisamos progredir em todos os aspectos, sobretudo “na Lei do Senhor”.

É preciso que progridamos, incessantemente, na fidelidade ao Senhor, por isto a felicidade é diretamente proporcional ao progresso que fizermos no conhecimento e na observância da Lei do Senhor, ou seja, em sua prática.

Deste modo, Deus, pacientemente, volta para nós Seu olhar e espera o melhor de nós, na correspondência ao seu Amor, pois é próprio de quem ama criar o bem no coração do amado.

Silenciemo-nos, e certamente Deus nos dirá:

“Seja feliz, e na minha Lei vai progredindo, sem jamais desistir, sem cansaços, sem resistências. Confie apenas e trilhe o caminho. Sim, vai progredindo em minha Lei, e seja feliz.

Vai progredindo na Lei do Senhor e não matarás…

Nem com armas, propriamente, atitudes de desprezo, preconceitos, indiferenças.

Não matarás com as palavras, que podem ser caladas, nem com a omissão que gere dor, morte e sofrimento.

Não matarás a esperança, a alegria, a paz, os valores sagrados que devem nortear a vida.

Não matarás os sonhos, a esperança e as mais belas utopias, que  impulsionam em incansáveis e eternas buscas.

Não matarás a semente da Palavra que cai no chão do teu coração, para que ela produza os frutos que tanto espero de ti,

Não matarás com o olhar o teu próximo, ou com o teu fechamento, como quem não quer ver desafios, compromissos, trabalhos a serem realizados, para que o mundo seja melhor.

Não matarás as pequenas atividades, fazendo-as sem amor, empenho e alegria. Sê fiel nas pequenas, para que também o sejas nas grandes.

Amarás a beleza da vida, o planeta em que habitas, e tudo farás para que vivam todos bem, dando aos que virão à mesma possibilidade.

Não matarás a ética, a sacralidade da vida, a terra, tua casa comum e tudo mais que se possa dizer, como que pulsando e gritando para não morrer, porque se assim o for, será a morte da humanidade, portanto, a tua própria também.

Vai progredindo na Lei do Senhor e amarás a Deus e ao teu próximo…

Amarás tua família, teus filhos e todos os que te rodeiam, e também amarás os da família maior, que se liga pelos laços da fé, ouvindo e pondo em prática a minha Palavra.

Amarás o outro sem olhares de cobiça, de instrumentalização e posse.

Amarás gerando o bem no coração de quem tu amas, ampliando teu horizonte e laços de amizades possíveis.

Amarás e não farás o outro objeto de prazer, e não compactuarás com uma sociedade que vê o outro como descartável.

Amarás na contramão do líquido mundo moderno, que anuncia a liquidez do amor, estabelecendo e mantendo relacionamentos duradouros, próximos, fraternos e eternos e não apenas midiáticos, em que se pode deletar, excluir sem crise de consciência ou constrangimento, porque não acompanhados de verdadeiros sentimentos.

Amarás a mim sobre todas as coisas e não se dobrarás diante da idolatria de mil nomes: poder, riqueza, dinheiro, sexo, fama, prestígio, sucesso a qualquer custo.

Amarás como meu Filho te mandou: amar como Ele, ao próximo e  toda a humanidade.

Amarás como o meu Apóstolo te ensina em sua Carta (1 Cor 13,1-13).

Vai na Lei do Senhor progredindo, não jurarás falso…

Farás progressos nos relacionamentos, porque serão marcados pela sinceridade e transparência.

Não precisarás longos discursos para provar nada, porque a verdade transparecerá, não apenas no falar, mas, sobretudo, no próprio agir, no caminho que se fez, nos legados que deixou.

Teu sim será sim, e o não será não, como disse o meu Filho, dispensando explicação de contradições, que devem ser evitadas, porque fragilizaria o testemunho do Evangelho que crês, anuncias e testemunhas.

Serás feliz em teu progresso espiritual e tuas amizades sobreviverão porque foram construídas em bases sólidas da confiança, da mútua ajuda, seja nos momentos em que o voo foi mais alto, ou na iminência do cair num abismo: amigos voam com os sonhos e projetos do amigo, e tudo fazem para que não vejam o limite profundo do abismo.

Progredirás na Lei do Senhor, e não usarás nenhum meio ou recurso ilícito para que não acumules riquezas pecaminosas, alcance prestígio ou fama, contrariando os princípios que crês e pregas, e te embriagues com néctar do poder, com atitudes autoritárias e tirânicas”.

Vamos, com a Sabedoria Divina, na Lei do Senhor progredindo, e que se cumpra a Palavra de Deus em nossa vida: “Mas, como está escrito, ‘o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu’. A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus” (1 Cor 2,9-10).

Vamos progredindo na fraternidade, no amor e na sinceridade.


 

Sejamos Sal e luz na planície do quotidiano ( Homilia do 5º Domingo do Tempo Comum- Ano A)

Sejamos Sal e luz na planície do quotidiano

… quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo.

A Liturgia do 5º Domingo do tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre o compromisso que abraçamos no dia de nosso Batismo, quando nos tornamos cristãos, discípulos missionários do Senhor.

Fazer brilhar a luz de Deus na noite do mundo, e como sal dar gosto e sentido de Deus a todo o existir, é a nossa grande missão.

Na primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 58, 7-10), em tempos difíceis do pós-exílio, mantém viva a chama da esperança de um tempo novo, expressando a reclamação de Deus contra aqueles que praticam um culto vazio e estéril: de nada adianta a prática de leis externas, que não saem do coração, sem a necessária correspondência na vida.

O Profeta faz, portanto, um convite ao Povo para que respeite a santidade da Lei, colocando-a em prática. De modo especial, retrata na passagem o jejum, que no contexto do capítulo aparece sete vezes.

A prática do jejum deve ser feita com humildade diante de Deus, como expressão da dependência, do abandono e amor para com Ele, a renúncia a si próprio, a eliminação do egoísmo e da autossuficiência.

Jejum é voltar-se para o Senhor, manifestando a entrega confiante em Suas mãos, em total disponibilidade de acolher a ação e o dom de Deus, em gestos concretos de amor e solidariedade.

Deste modo, o jejum jamais pode ser compreendido como uma tentativa de colocar Deus do nosso lado, captando Sua benevolência a fim de que realize prontamente nossos interesses e desejos egoístas.

Somente a prática do jejum autêntico é que levará a comunidade a ser e contemplar a luz de Deus no mundo.

Ø Somos levados a nos questionar sobre a relação entre os gestos cultuais e gestos reais de nossa vida. Expressam ambos em sintonia a misericórdia e o Amor de Deus?

Ø De que modo o que celebramos tem determinado a nossa vida?

Ø Que matiz o Amor Divino tem dado as nossas ações?

Ø Somos uma luz acesa na noite do mundo, em solidariedade expressiva?

Ø Somos como Isaías, Profetas do amor e servidores da reconciliação para um mundo novo justo e fraterno?

O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura (1Cor 2,1-5), nos exorta a identificação com Cristo, interiorizando a “loucura da Cruz”, que é dom e vida. Deus age através de nossa fragilidade e debilidade, como agiu através dele, um homem frágil e pouco brilhante.

Diante da comunidade de Corinto, o Apóstolo se apresentou consciente de sua fraqueza, assustado e cheio de temor.

O que levou os coríntios a abraçar a fé não foi a sedução de sua personalidade, nem suas brilhantes qualidades de pregador (que não possuía), e tão pouco a coerência de sua exposição, que ao contrário foi acolhida com ironia e indiferença.

O que levou os coríntios a aderirem à proposta de Jesus foi a força de Deus que se impõe, muito além dos limites de quem apresenta ou ouve a Sua proposta.

O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração daquele que crê, de forma que a sabedoria humana é suplantada e, assim, somos tocados e elevados pela sabedoria divina.

É preciso que nos coloquemos sempre como humildes instrumentos nas mãos de Deus, para que se realize Seu Projeto de Salvação para o mundo todo.

Com isto não quer dizer que Deus dispense nossa entrega, doação, técnicas, meios de comunicação, ao contrário, é o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.

A mensagem do Evangelho (Mt 5,13-16) é o desdobramento do Sermão da Montanha que, se verdadeiramente vivido na planície, nos faz sal da terra e luz do mundo.

Seguidores do Senhor não podem se instalar na mediocridade, jamais se acomodar, mas pôr-se sempre a caminho, sem nenhuma possibilidade para comodismo e facilidades.

Ser sal e luz implica em total fidelidade dos discípulos ao programa anunciado por Jesus nas Bem-Aventuranças: ser pobre em espírito, misericordioso, puro, sedento de justiça e paz e capaz de sofrer toda forma de incompreensão, calúnia e perseguição.

Ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente no testemunhar do Reino em ambientes adversos. Não se pode viver um cristianismo “morno” instalado, cômodo, reduzindo a algumas práticas de Oração e de culto (até mesmo de uma Missa apenas aos domingos, como simples expressão de preceito cumprido).

Somente quando o nosso agir revela a ação e o compromisso com o Projeto Divino é que somos sal da terra e luz do mundo, e apresentamos Jesus como a Luz de todos os Povos, de todas as nações.

Somente quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo.

Discípulos missionários do Senhor devem se preocupar permanentemente em não atrair sobre si o olhar de todos, mas deve, antes e sempre, se preocupar em conduzir o olhar e o coração de todos para Deus e à Proposta de Seu Reino de Amor, Vida e Paz.

Sendo sal, que jamais percamos o gosto, do contrário para nada serviremos. Sendo luz, que jamais permitamos que ela se apague, não obstante as dificuldades próprias da existência.

Que tenhamos a coragem de comunicar a luz de Deus na escuridão do quotidiano, sem jamais perder o gosto do sal de Deus: gosto da partilha, do acolhimento, da misericórdia, da caridade.  Tão somente assim a luz de Deus, que em nós habita pelo Seu Espírito, comunicará luz aos que se encontram ao nosso redor.

Sal e luz, sejamos sempre! Sermão da Montanha ouvido e acolhido, na planície da vida anunciado, testemunhado e corajosamente vivido. Amém!

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                                                                                              Sal e luz

Na missão de ser sal da terra e luz do mundo, à luz da passagem do Evangelho proclamado no 5º Domingo do Tempo Comum (ano A) – (Mt 5,13-16), destacam-se quatro características do testemunho cristão:

1 – A publicidade: a luz, por sua natureza, existe para iluminar, para se mostrar visível e pública, e não para ficar escondida. Não se pode ficar no anonimato.

2 – A universalidade: sal da terra e luz do mundo. No entanto, esta universalidade que Jesus anuncia deve começar pelos últimos, a fim de que os primeiros também sejam incluídos: os últimos devem ser os primeiros, e assim não haverá nenhuma possibilidade de exclusão.

3 – A consistência: o testemunho se dá pelas obras e não pelas palavras ou teorias. Não se pode incorrer na tentação das palavras em excesso. É preciso as obras de misericórdia (Mt 25,31), pela partilha realizada, pela Palavra de Deus colocada em prática (Mt 7,21).

4 – Transparência: o discípulo, na prática das boas obras, não concentra a atenção sobre ele próprio, mas leva os outros a dirigirem o olhar para Deus, que é nosso Pai – “Vendo as vossas boas obras, glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus” (M 5,16). De fato, Jesus foi a verdadeira transparência do Pai pelas palavras, obras e na Sua própria Pessoa – “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9). (1)

Somente com as obras de misericórdia (corporais e espirituais), seremos, de fato, sal e luz.  Não seremos também pelas obras do poder, da riqueza ou do sucesso, mas do amor vivido concretamente em solidariedade concreta com os empobrecidos.

Este é o caminho que todo o discípulo de Jesus deve fazer, assim como o Apóstolo Paulo e tantos outros, o caminho da fraqueza da Cruz e não o caminho do poder ou da glória.

Supliquemos a Deus que estas características: publicidade, universalidade, consistência e transparência, estejam presentes em nosso agir, assim como em todas as nossas atividades pastorais. E assim, na fidelidade ao Senhor, confiando em Sua Palavra, Pessoa e presença, seremos da terra o sal e do mundo a luz.

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                                                                          Sejam nossas palavras temperadas com sal

“Que a palavra de vocês seja sempre agradável, temperada com sal, de tal modo que saibam responder a cada um como convém” (Cl 4,6)

O Apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Colossenses (Cl 4, 2-6), nos exorta a viver na vigilância e na oração.

Vejamos o que nos diz a Nota da Bíblia Edição Pastoral:

“O texto é perpassado por um clima de oração. Os motivos para rezar são diversos: para permanecer vigilantes com relação às doutrinas estranhas, para render graças pela salvação alcançada, para que a Palavra continue seu caminho missionário, para que o Projeto de Cristo seja conhecido (Rm 6,12-14; Ef 6,18-20). Por causa desse Projeto, Paulo está preso (Cl 4,3.10.18). Palavra ‘temperada com sal’ é o modo como os antigos se referiam à palavra sábia e oportuna”.

Deste modo, reflitamos sobre a necessária vigilância, acompanhada de oração, para que nossas palavras sejam agradáveis, temperadas com sal, ou seja, sábias e oportunas, em todos os momentos e em todas as situações.

Na Carta aos Efésios (Ef 4,29), o Apóstolo também nos diz:

“Que da boca de vocês não saia nenhuma palavra que prejudique, mas palavras boas para a edificação no momento oportuno, a fim de que façam bem para aqueles que as ouvem”.

Roguemos a Deus para que a Sua Palavra esteja sempre em nossos lábios e coração, pois a boca fala do que o coração está cheio, nos disse o Senhor Jesus (Lc 6,45).

Sejamos iluminados pelo Espírito do Senhor, para que não nos faltem palavras sábias e oportunas para corrigir, exortar, edificar, na vida familiar, eclesial e social.

Sejam nossas palavras acompanhadas de conteúdo necessário para que se tornem credíveis, com o sal necessário para “temperar” novos e saborosos relacionamentos fraternos.

Sejam nossas palavras “temperadas com sal” na exata medida, para que venhamos a dar sabor a vida de tantos quantos convivemos: palavras sábias, equilibradas e que retratam o desejo e o compromisso de um mundo melhor.

Urge que aqueles que conduzem o “rebanho” tenham sempre palavras temperadas com o sal na exata medida, para que sejam revigorados em sua fé, renovados na esperança e inflamados na caridade.

Oremos, finalmente, por todos os que nos governam para que também não faltem a estes palavras temperadas com sal, para que sejam credíveis em suas palavras e atitudes na promoção do bem comum, na promoção de uma sociedade justa e fraterna.

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                                                                                            Resplandeçamos a luz divina

No 5º Domingo do Tempo Comum, ao ouvirmos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,13-16), sejamos enriquecidos com esta Catequese batismal escrita por São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja (séc. V).

“Realmente, assim como aqueles que ao mostrarem sobre as vestes na altura do peito as insígnias imperiais destacam-se diante de todos, da mesma forma nós, que de uma vez por todas fomos revestidos de Cristo e considerados dignos de tê-Lo morando em nós, se verdadeiramente O queremos, mediante uma vida perfeita, até mesmo silenciando, poderemos mostrar a força d’Aquele que reside em nós.

E da mesma forma que agora a desenvoltura de vosso vestuário e o brilho das vestimentas atrai todos os olhares, assim também, e para sempre – contanto que o queirais e conserveis o resplendor de vossa régia vestimenta –, podereis com muito mais rigor que agora, por meio de uma conduta perfeita segundo Deus, atrair a todos os que observam um mesmo zelo e para a glorificação do Senhor.

Por essa razão, Cristo dizia de forma incontestável: brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. Observa como Ele exorta a que brilhe a luz que existe em nós, não através das vestes, mas mediante as obras?

De fato, ao dizer: brilhe vossa luz, acrescentou: para que vejam as vossas boas obras. Esta luz não se detém nos limites dos sentidos corporais, mas sim ilumina as almas e as mentes dos que observam, e, após dissipar a treva da maldade, persuade aos que a recebem para que iluminem com luz própria e imitem a virtude.

Brilhe, diz, a vossa luz diante dos homens. E disse bem: diante dos homens. ‘Vossa luz seja tão grande que não somente ilumine a vós, mas que ilumine também diante dos homens que necessitam da sua abundância’.

Portanto, como esta luz sensível afugenta a obscuridade e faz que caminhem corretamente os que tomaram este caminho sensível, assim também a luz espiritual que provém da conduta louvável ilumina aos que têm a vista da mente enturvada pela obscuridade do erro, e são incapazes de ver com precisão o caminho da virtude, limpa a remela dos olhos de suas mentes, os guia para o bom caminho e faz que de agora em diante caminhem pelo caminho da virtude.

Para que vejam vossas obras e glorifiquem ao vosso Pai que está nos céus. ‘Vossa virtude, diz, vossa perfeição na conduta e o êxito de vossas boas obras desperte aos que observam a glorificar ao comum Senhor de todos’.

Assim, cada um de vós, vo-lo suplico, coloque todo o seu empenho em viver com tal perfeição que eleve para o Senhor o louvor de todos os que vos contemplam.” (1)

Somos exortados a fazer resplandecer a luz divina que em nós habita, através de nossa conduta, expressa em boas obras, para a honra e glória de Deus.

Como discípulos missionários do Senhor, urge que façamos progressos contínuos na perfeição de conduta, deixando-nos iluminar e guiar pela Palavra de Deus, tendo-a na mente e no coração, de tal modo que também poderá ser vista em nossas obras.

Fazemos a luz de Deus brilhar, quando não dissociamos a Palavra de Deus do Pão da Eucaristia, e movidos pela chama da Caridade, pomo-nos a caminho, em atitude missionária, em todos os âmbitos da existência.

Eis a missão da Igreja, portanto, eis a missão de todos nós.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – pp.129-130

Festa da Apresentação do Senhor: Jesus Cristo é a nossa Luz e Salvação ( Homilia- Domingo 02 de fevereiro)

“Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” ( Lc 2,35)

No dia 2 de fevereiro, celebramos a Festa da apresentação do Senhor no Templo de Jerusalém: aquela criança é o Menino Deus, é o Messias Libertador tão esperado pelo Povo de Deus, no pleno cumprimento da Lei de Moisés.

Ele veio trazer a Salvação e a luz para todos os povos, na entrega de Sua vida, por amor, totalmente nas mãos do Pai, culminando no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

De fato, Jesus Cristo viveu em entrega total, desde os primeiros momentos de Sua existência terrena, e nos convida, como discípulos missionários, ao mesmo fazer: uma total entrega de nossa vida nas mãos do Pai, fazendo de nossa existência um dom de amor, um testemunho de compromisso e participação na construção do Reino de Deus.

Na primeira Leitura, a Liturgia nos apresenta a passagem do Livro do Profeta Malaquias (Ml 3,1-4), que nos fala do dia do Senhor, o dia de Sua vinda, em que Deus vai descer ao encontro do Seu Povo para a criação de uma nova realidade.

Malaquias, que significa “o meu mensageiro”, tem um anúncio sobre o Dia do Senhor, uma mensagem de confiança e esperança. Virá o Sol da Justiça. Este Sol é o próprio Jesus que brilha no mundo e insere a humanidade na dinâmica de um mundo novo, que consiste na dinâmica do Reino.

Trata-se do período pós-exílio da Babilônia, uma realidade marcada pelo desânimo, apatia e falta de confiança. O Profeta Malaquias convoca o Povo de Deus à conversão e à reforma da vida cultual, pois vivendo a fidelidade aos Mandamentos da Lei Divina reencontrará a vida e a felicidade.

Numa situação difícil vivida pelo povo, é preciso viver a espera vigilante e ativa, reconhecendo a presença de Deus que intervém e comunica Sua força e poder. É preciso fortalecer a esperança, vencendo todo medo que paralisa.

De fato, não há nada pior do que situações como esta: o perigo da perda do sentido da vida e o sentimento de que Deus tenha nos abandonado.

O Profeta Malaquias, porém, traz uma mensagem de confiança e esperança: Deus vem sempre ao encontro da humanidade. O Senhor que veio, vem e virá sempre ao nosso encontro, como expressão do Amor de Deus por nós, amor que não nos abandona, que nos reconcilia e quer criar em nós o bem, porque criaturas amadas Suas somos, desde sempre, obra de Suas mãos.

Também nós somos chamados a viver a dimensão profética de nossa fé, denunciando tudo o que impeça a vida verdadeira, através de uma mensagem de confiança e esperança em Deus que jamais nos abandona.

Na fidelidade ao Senhor, urge testemunhar um Deus cheio de amor e sem limites por nós, atento aos dramas que marcam a caminhada humana, e que não permite que mergulhemos na apatia, imobilismo ou comodismo, mas que sejamos compromissados com o novo céu e a nova terra, onde habitam a verdade, a justiça e a paz.

Como profetas, é preciso intensificar nosso diálogo permanente com Deus, meditando Sua Palavra, na oração e, de modo especialíssimo, na Eucaristia.

Na segunda Leitura, ouvimos a passagem da Carta aos Hebreus (Hb 2,14-18), escrita por um autor anônimo.

Ele nos apresenta Jesus Cristo, o Sacerdote por excelência, que oferece ao Pai o sacrifício de Sua vida, no serviço do plano Salvador de Deus, através do qual nasce o Homem Novo, livre de toda e qualquer forma de escravidão.

Trata-se, portanto, de uma Carta escrita a destinatários que vivem em situação difícil, expostos a perseguições, e que vivem em ambiente hostil à fé.

Uma situação de desalento e desesperança tomava conta da comunidade a que pertenciam. Daí o eminente perigo da perda do fervor inicial e o ceder às seduções de doutrinas que não são coerentes com a fé transmitida pelos apóstolos.

A Mensagem Catequética: os discípulos devem olhar para a Cruz de Jesus Cristo, interiorizar o seu significado, e a Ele seguir no dom total da própria vida, numa entrega radical e serviço simples aos mais humildes, assim como Ele o fez.

O autor estimula a vivência do compromisso cristão, levando os crentes a crescerem na fé, reavivando o fervor inicial.

Sendo o Cristo o Sumo Sacerdote que nasceu no meio de nós, vestiu a carne mortal, solidarizou-Se com a nossa humanidade, conheceu nossas limitações e fragilidades e Se oferece por nós, todos os que n’Ele creem, assim  deve o Seu discípulo o mesmo fazer: entregar sua vida num contínuo sacrifício de louvor, de ação de graças e de amor.

O discípulo missionário do Senhor é testemunha do amor de Deus, um amor total, ilimitado e incondicional.

Deste modo, carrega sua cruz quotidiana na mesma atitude de Jesus: solidariedade com os crucificados deste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são privados de sua dignidade:

“Olhar a Cruz de Jesus e o seu exemplo significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a sua vida por amor…”. (1)

Crer no Senhor e testemunhar o amor, pois somente o amor vivido gera a vida nova e nos introduz no dinamismo da vida nova dos Ressuscitados, na comunhão solidária, na alegria e na esperança.

Na passagem do Evangelho (Lc 2,22-40), contemplamos Maria e José que levam o Menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo, e o testemunho dado por Simeão e Ana.

Normalmente, contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios dolorosos, assim como os gloriosos e luminosos.

Simeão, homem justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma. Referindo-se a missão d’Aquela criança, luz das nações, salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos.

Simeão e Ana são figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e acolher o Messias de Deus: reconhecem n’Aquela criança o Messias Libertador que todos esperavam e O apresentam formalmente ao mundo.

Os Santos Padres da Igreja dizem que, nesta apresentação, Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção, com a qual Ele estava comprometido desde o princípio.

Iluminadoras as palavras de São Bernardo  (séc. XII):

“Oferece teu Filho, Santa Virgem, e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece, para reconciliação de todos nós, A Santa Vítima que é agradável a Deus”.

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo. E Maria é a Mãe da humanidade. O dom da vida vem através de Maria.

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo e a  Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada, porque veio habitar no meio da humanidade a Luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Urge que façamos de nossa vida uma agradável oferenda ao Senhor, lembrando que oferta há de ser um agradável sacrifício, celebrado no altar do Sacrifício do Senhor.

Ofertar nossa vida quotidianamente implica em sacrifícios, constantes renúncias, tomando nossa cruz, e, com serenidade e fidelidade, segui-Lo, até que um dia, possamos fazer da cruz instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.

Hoje, ao acolher Jesus como nossa Luz e Salvação, renovamos a alegria e o compromisso de anunciá-Lo e testemunhá-Lo ao mundo.

Concluindo, é tempo de viver a graça do Batismo e testemunhar Jesus Cristo, a nossa Luz e Salvação. É tempo de sermos sal, fermento e luz no coração do mundo.

Deus jamais nos deixará sozinhos na escuridão da noite.

Não há noite eterna para a Fonte de Luz eterna!

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda em

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/festa-da-apresentacao-do-senhor-jesus.html?m=0

Fonte inspiradora – www.dehonianos.org

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“Festa da Apresentação do Senhor” 

Anunciar Aquele que foi apresentado!

A Festa Litúrgica da Apresentação do Senhor, que celebramos dia 02 de fevereiro, teve sua origem no séc. IV, inicialmente no oriente.

No pleno cumprimento da Lei de Moisés, Maria e José levam o menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo.

Normalmente contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos, que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios dolorosos:

Quando Simeão, o justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma, referia-se a missão Daquela criança, luz das nações, Salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos…

A apresentação do Senhor no templo não era apenas cumprimento de um ritual prescrito, de modo que os Santos Padres dizem que é muito mais:

Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção com a que Ele estava comprometido desde o princípio…

Vejamos o que nos diz São Bernardo (séc. XII), sobre a Apresentação do Senhor:

“Oferece teu filho, Santa Virgem,

e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre.

Oferece, para reconciliação de todos nós,

A Santa Vítima que é agradável a Deus” .

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo…

Maria é assim a Mãe da humanidade…

O dom da vida vem através de Maria…

Festa da Apresentação do Senhor:

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo.

A Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada.

Ele é a luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Acender as velas nesta celebração, e caminhar com elas nas mãos, é acolher Jesus como nossa luz e nossa salvação e, ao mesmo tempo, o compromisso de anunciá-Lo ao mundo.

Aquele que foi apresentado no templo, uma vez acolhido, também ao mundo deve ser apresentado, e isto acontece quando vivemos a graça do Batismo e somos sal da terra e luz do mundo, fazendo de nossa vida, uma agradável oferenda ao Senhor.

Ofertemos nossa vida quotidianamente com sacrifícios, constantes renúncias, lembrando que toda oferta é sacrifício, mas há de ser agradável sacrifício celebrado no Altar do Sacrifício do Senhor.

Assim, tomando nossa cruz com

serenidade e fidelidade segui-Lo,

Até que um dia possamos fazer da Cruz

instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.

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Criança, um dom precioso de Deus

“E Jesus crescia em tamanho, sabedoria

e graça diante de Deus”  (Lc 2,52)

Naquele dia, aquela Criança era o próprio Deus apresentado no templo:

Jesus, Aquele que salva, o Messias, o esperado, o Cristo, o ungido de Deus.

Tão frágil, tão meigo, ali, com Maria e sob a proteção de José,

Esposo de Maria, guardião do Salvador, cumprindo o prescrito na Lei do Senhor.

Simeão, tendo Jesus em seus braços, bendisse a Deus e exclamou:

“Agora, Senhor, segundo a Vossa Palavra, deixareis ir em paz o Vosso servo,

Porque os meus olhos viram a Vossa Salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos;

Luz para Se revelar às nações e glória de Israel, Vosso povo” (Lc 2,29-32).

De Ana, que do templo não se afastava, de idade avançada,

Servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações, com alegria transbordante,

Louvava a Deus, e falava d’Aquele Menino com o coração pleno de alegria,

A todos que esperavam a muito a libertação de Jerusalém.

Maria e José, voltando com o Menino para a cidade de Nazaré,

Edificavam a Sagrada Família com laços indestrutíveis e eternos de amor,

trabalho, Silêncio e oração, fidelidade…

Possibilitavam que o Menino Deus

Crescesse e Se tornasse robusto e cheio da sabedoria,

porque a graça estava com Ele.

Hoje, diante da comunidade reunida para a Ceia Eucarística,

Também apresentamos esta criança, dom precioso de Deus.

Que, com a proteção de Maria, Mãe de Deus e nossa,

Esta criança tenha todas as possibilidades de crescer e ser feliz.

Que não falte a ela, a semente da Palavra no coração plantada,

Em primeiro lugar, pelos seus pais, primeiros catequistas de seus filhos.

Que não lhe falte o pão de cada dia, para que também cresça

Com saúde, vida, fortaleza de corpo e espírito.

Hoje apresentada na celebração do Banquete da Eucaristia,

Amanhã, não apenas apresentada, mas, pelo Pão de Eternidade,

Participando da Eucaristia, seus pecados serão destruídos,

As virtudes crescerão e a alma será plenamente saciada de todos os dons espirituais.

Amém.

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“Festa da Apresentação do Senhor”:
“Salve, mãe da alegria celeste”
                                                             Rezemos com o Hino do Bispo São Sofrônio à Santíssima Virgem:
“Salve, mãe da alegria celeste;
Salve, tu que alimentas em nós um gozo sublime;

Salve, sede da alegria que salva;
Salve, tu que nos ofereces a alegria perene;

Salve, místico lugar da alegria inefável;
Salve, campo digníssimo da alegria inexprimível.

Salve, manancial bendito da alegria infinita;
Salve, tesouro divino da alegria sem fim;

Salve, árvore frondosa da alegria que dá vida;
Salve, mãe de Deus, não desposada;

Salve, Virgem íntegra depois do parto;
Salve, espetáculo admirável, mais alto que qualquer prodígio.

Quem poderá descrever o seu esplendor?
Quem poderá contar o seu mistério?
Quem será capaz de proclamar a sua grandeza?
Você adornou a natureza humana.
Você superou as legiões angélicas,
Você superou toda criatura, 
Nós a aclamamos: Salve, cheia de graça!”
Salve Rainha mãe de misericórdia…
 Dom Otacilio Ferreira de Lacerda
                                                                                           http://peotacilio.blogspot.com/?m=1

Ser Padre: missão de resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja

“O Concílio deseja ardentemente iluminar todos os homens com a claridade de Cristo, luz dos povos, que brilha na Igreja, para que o Evangelho seja anunciado a todas as criaturas (cf. Mc 16,15)”. (1)

De modo especial, através do Ministério Presbiteral verdadeiramente, a luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja, bem como na vida de todo cristão.

Quando foram ordenados presbíteros, foi dito pelo bispo: “Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem do Rei Melquisedec”, para fazer resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja.

Renovem dia pós dia esta imensa graça, com uma vida em que o anúncio da Palavra seja acompanhado do indispensável testemunho.

Procurem viver o que celebram, em perfeita sintonia, levando muitos a contemplarem o resplandecer da luz de Cristo no rosto da Igreja, a que devem estar sempre a serviço.

Sejam instrumentos da publicidade da luz, numa vida simples, coerente, pois a luz não existe para ser escondida, como nos falou o Senhor no Evangelho. Quando se possui a luz de Deus, quando ela foi acesa no coração é impossível guardá-la para si.

Jamais escondam ou permitam apagar a chama do amor de Deus acesa, comunicando a universalidade da luz do amor pelos últimos, sem se esquecer dos primeiros; a luz do amor pelos pobres, pelos pequeninos, pelos humildes, enfermos, e outros tantos rostos com quem Ele Se identificou (Mt 25).

Comuniquem a consistência da luz da Palavra Divina, que não se reduz às palavras, teorias, discursos, discussões, mas em obras concretas de amor, justiça, perdão, fraternidade, humildade, compaixão e solidariedade.

Nesta comunicação da transparência da luz divina, façam de tal modo que não atraiam ninguém para si, mas para Aquele que nos chama e envia: Jesus, o Bom Pastor.

Seja a transparência de suas vidas, como Presbíteros, por causa de suas obras, motivação para que muitos glorifiquem o Pai que está nos céus (Mt 5, 16).

Sejam instrumentos da perfeita comunhão, na fidelidade a Jesus, Divino Mestre da unidade e da paz, fortalecendo a família do Senhor, que se une pelo laço da fé e da prática da Palavra Divina.

Sejam alegres servidores numa Igreja ministerial, misericordiosa e missionária, como nos exorta o Papa Francisco, levando a Boa-Nova e luz do Senhor ao mundo todo.

Comuniquem esta luz, na noite sombria de um mundo marcado por tantos sinais de morte e exclusão.

Vivam o Ministério numa crescente devoção a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus, que os tornará cada vez mais compadecidos e solidários com a dor dos pobres, verdadeiramente Sacerdotes conforme o Coração de Jesus.

Padre Hermes e Padre Adão, que a luz de Cristo resplandeça no rosto da Igreja pelas suas vidas e Ministério Presbiteral, em comunhão com todos os cristãos leigos e leigas da Igreja.

Sejam, portanto, sal da terra e luz do mundo, contando sempre com a força indispensável que nos vem da oração sincera, pura e confiante, com a proteção do Arcanjo Miguel, Padroeiro de nossa Diocese. Amém.

Dom Otacilio F. Lacerda
Bispo de Guanhães

Fonte inspiradora: Primeiros parágrafos da Constituição “Lumen Gentium” – Luz dos Povos – sobre a Igreja (1)

 

Sejamos instrumentos nas mãos de Deus (Homilia do 3º Domingo do Ano A)

No 3º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o Projeto de Salvação e de Vida plena que Deus tem a oferecer à humanidade em todo o tempo.
Na passagem da primeira Leitura (Is 8, 23b – 9,3 ), encontramos o anúncio, pelo Profeta Isaías, de que a luz de Deus brilhará por cima das montanhas da Galileia, eliminando toda a injustiça, sofrimento e desespero. É um anúncio que comunica confiança, esperança e alegria.
O povo está oprimido pelos inimigos, mas o Profeta exorta à total confiança e fidelidade em Deus.
O Profeta fala de uma promessa, descortinando os sinais de liberdade no horizonte. Deus cumprirá esta promessa.
O Apóstolo Paulo na segunda Leitura (1 Cor 1,10-13.17), convida-nos a reassumir os compromissos batismais, tendo em Jesus a verdadeira centralidade de nossa vida de fé, superando toda e qualquer forma de divisão, grupos dentro da comunidade, tudo fazendo para a promoção da concórdia e da unidade:
“A lembrança do seu Batismo deve levar os Coríntios a compreender que eles são de Cristo e somente de Cristo. A unidade da Igreja apoia-se na pessoa de Cristo e na Sua ação salvífica na Cruz.
Este reconhecimento requer de todos os crentes unanimidade de pensamento e de ação (cf. v. 10). A unidade apoia-se na confissão de fé em Cristo: sem esta base, a unidade da comunidade dos crentes fica comprometida nos seus fundamentos. Unidade, no entanto, não significa nivelamento do pensamento e uniformidade de opinião”. (1)
A vida cristã consiste em um encontro pessoal com Jesus Cristo, e em crer que somente n’Ele e com Ele e d’Ele nos vem a Salvação. Tendo Jesus como centro, evitaremos tantos perigos que machucam e fragilizam a comunidade cristã.
A comunidade deve ficar sempre atenta a um dos maiores perigos, as divisões. Portanto, deve empenhar-se para viver como família, e todos devemos ter consciência de que somos simples instrumentos nas mãos de Deus.
A nossa adesão deve ser incondicional a Jesus, o único e verdadeiro Mestre. Ninguém é imprescindível, insubstituível e inamovível.
Deve ser banido da comunidade toda forma de culto da personalidade. Nela não há espaço para incensados ou endeusados. Adoração e incenso devem ser somente para Deus.
Se trabalhamos numa Pastoral, vamos à Missa, fazemos um serviço na Igreja ou fora dela, o façamos em nome do Senhor Jesus e para o Senhor Jesus.
Tudo o que fizermos não seja por alguém, tão pouco por causa de um padre, pois se assim o fizermos, há o perigo de estabelecermos um ponto final e abandono na primeira dificuldade encontrada.
Reflitamos:
– Qual a centralidade de Jesus em minha vida?
– Como nossa comunidade enfrenta e supera o perigo das divisões?

– O que faço para que a concórdia, unidade, comunhão seja um fato, – um testemunho da presença de jesus presente na comunidade?
Na passagem do Evangelho (Mt 4,12-23), vemos que Jesus é a plena realização desta promessa de Salvação para todos os povos.
Sobre a ação de Jesus, a luz começa a brilhar na Galileia, da periferia para o centro. Jesus propõe a Boa Nova e começa a formar o Seu grupo de Apóstolos para que sejam enviados nesta alegre missão do anúncio da chegada do  Reino.
O anúncio da Salvação parte de uma região periférica, geralmente desprezada pelo paganismo, expressão da universalidade da Salvação de Deus para todos os povos.
O Evangelista Mateus, antes dos milagres, descreve o chamamento dos primeiros discípulos: Pedro e André, Tiago e João. Estes acolheram o chamamento e responderam com toda prontidão, sem hesitação, antes mesmo de compreenderem o real significado em termos de humilhação e grandeza, provação e alegria, Cruz e Ressurreição…
Há três ideias fundamentais nesta passagem em que somos chamados a contemplar o anúncio de Jesus e abismarmos nesta incrível história de Amor de Deus por nós: a salvação é universal;  a conversão é uma exigência indispensável (metanoia); o chamado para o seguimento, para o discipulado, é iniciativa divina e a resposta é livre e pessoal.
De fato, o Senhor chama a cada um de nós pelo nome, como chamou os primeiros discípulos e espera a nossa resposta. É preciso que deixemos em  segundo plano os afetos, as seguranças, os valores que consideramos para colocar a vontade e o Projeto de Deus acima de tudo e de todos.
No entanto, para que isto aconteça, é necessária a conversão, que nos possibilita maior liberdade e fidelidade na resposta que um dia demos ao Senhor.
Reflitamos:
 Quando foi o nosso encontro pessoal com Jesus?
–  Como este encontro tem determinado a nossa vida pessoal?
– Como discípulos missionários de Jesus irradiamos a Sua luz e alegria?
– Por que muitos cristãos não são alegres mesmo professando a fé em Jesus que é a divina fonte de alegria? Talvez por que o anúncio da alegria do Evangelho não tenha ainda descido na profundidade do coração?
Oremos:
“Ó Deus, que fundastes a vossa Igreja sobre a fé dos Apóstolos, fazei que as nossas comunidades, Iluminadas pela Vossa Palavra e unidas no vínculo do Vosso Amor, se tornem sinal da Salvação e de esperança para todos os que nas trevas desejam a luz. Amém!” (2)
(1)        Lecionário Comentado – Editora Paulus – p.108
(2)     Idem – p.111

FORTALEÇAMOS O PILAR DA PALAVRA DE DEUS

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (2019-2023), Documento nº. 107 da Conferência Nacional do Brasil  (CNBB), nos apresentam como Objetivo Geral:

“EVANGELIZAR no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”

Utiliza-se a imagem da Casa para falar da Igreja e de sua missão – “A Casa é a imagem do que as Diretrizes chamam de comunidades eclesiais missionárias”, pois na casa de entra e sai, e é por excelência lugar do acolhimento  e do envio, de modo que “Comunidades que não geram missionários são tristes expressões da esterilidade de quem perdeu seu rumo na vivência do Evangelho”.

Tem, portanto, dois eixos inspiradores: comunidade e missão, e esta casa tem quatro pilares:

– Palavra

– Pão

– Caridade

– Ação Missionária.

Aprofundemos sobre o primeiro pilar: a Palavra de Deus, pois é sempre  oportuno refletir sua importância e centralidade em nosso viver, pensar e agir.

A Palavra de Deus por excelência possui a força e a eficácia de Deus, pois, permanentemente, nos interpela, provoca, consola, cria comunhão e salva, das mais diversas maneiras, e em todos os momentos.

Como discípulos missionários do Senhor, assistidos pelo Seu Espírito, temos uma missão libertadora, inauguradora de um novo tempo, de uma nova realidade: o Tempo da Graça, o Ano da Graça instaurado sempre e para sempre!

A missão de Jesus é também a missão da Igreja que somos. Ungida pelo Espírito Santo, ela se alimenta da Palavra e da Eucaristia, encarnando a Palavra no mundo.

Jesus age atualizando a Palavra de Deus, que fora anunciada desde o tempo dos profetas. Ele é a Palavra que estava e está junto de Deus (Jo 1,1).

Como Igreja-comunidade, corpo formado por diversos membros, dons e carismas, diferentes ministérios, estamos empenhados em prol da vida, a serviço do Reino.

Somos mais que ouvintes e proclamadores da Palavra de Deus, somos testemunhas. E neste sentido, afirmou o Bispo Santo Inácio (séc. I):

“Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois, só um é o Mestre que disse e tudo foi feito; mas também, tudo quanto Ele fez em silêncio é digno do Pai. Quem possui a Palavra de Jesus pode, em verdade, ouvir o Seu silêncio a fim de ser perfeito, agir como fala e ser conhecido quando silencia. Ao Senhor nada se esconde, até nossos segredos mais íntimos que lhe estão próximos. Façamos, então, todas as coisas, em Sua presença, visto que somos os Seus templos…”.

Urge que nos questionemos quanto à forma com que acolhemos a Palavra de Deus, e o que ela provoca em nós; de modo que não esvaziemos sua eficácia, apenas ouvindo e não a colocando em prática.

Urge que, como Igreja missionária, uma Igreja em saída, levemos a Boa-Nova da Palavra de Deus a quem precisa, pois há inúmeras realidades que precisam ser restauradas e iluminadas neste mundo, que muitas vezes mergulha em trevas.

Renovemos a coragem na busca de respostas mais ousadas e criativas, para amadurecermos na fidelidade à Palavra que é o próprio Jesus. Pois, quanto maior nossa união, maior a eficácia e verdade de nossa evangelização!

Convocados insistentemente pela Palavra Divina, nos preparemos para sua acolhida, escuta e vivência; de modo que, mais do que aclamar com palmas, acompanhemos com pequenos grandiosos gestos de amor, em permanente atitude de conversão e amadurecimento espiritual.

Fortalecendo o pilar da Palavra divina, supliquemos a Deus para que Sua Palavra faça em nós um frutuoso itinerário: vinda de Deus, acolhida no coração, vivida nas vicissitudes quotidianas, nos capacite para a entrada nos céus, quando contemplaremos a face de Deus, o convívio com o Verbo, na comunhão e no amor do Espírito.

                              Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/fortalecamos-o-pilar-da-palavra-de-deus.html?m=0

 

Apresentar e testemunhar Jesus, a luz das Nações ( Homilia para o 2º Domingo do Tempo Comum-ano A)

Apresentar e testemunhar Jesus, a Luz das Nações

“Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser.

Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica.”

A Liturgia do 2º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos apresenta: Is 49,3.5-6; Sl 39, 2.4.7-10-11ab; 1 Cor 1,1-3; Jo 1,29-34.

Na primeira Leitura, uma passagem do Antigo Testamento, o Profeta Isaías anuncia a ação divina, que fará do Servo Sofredor a luz das nações, para que seja a Salvação de Deus oferecida a toda a humanidade. Trata-se do segundo cântico do Servo Sofredor.

A Tradição cristã viu sempre nesta página o anúncio profético do Messias, que veio ao mundo como luz e Salvação para a Humanidade.

O Salmo traz um refrão que deve iluminar toda a nossa vida, sobretudo nossa prática pastoral como discípulos missionários do Senhor – “Eu disse: ‘Eis que venho, Senhor, com prazer faço a Vossa vontade!’”.

Servir a Deus com alegria, exultação, sinceridade, doação… Sem reclamar, sem sentir-se obrigado a qualquer coisa. Impulsionados pelo amor, quando algo fazemos, o prazer e a alegria são mais que alcançados, notados e partilhados.

Não encontramos nenhum gosto saboroso naquilo que não fazemos por amor e com prazer, sobretudo quando se refere à vontade divina, que pode exigir de nós algo mais: renúncia, sacrifício.

A passagem da segunda Leitura é a introdução da Carta que Paulo dirige à comunidade de Corinto, convidando todos a trilhar o caminho de santidade e a viver a única vocação que Deus tem para nós: sermos santos.

Finaliza a Carta com uma preciosa saudação que devemos trocar mutuamente, sobretudo quando estivermos esmorecidos, não enxergando a mão e a intervenção amorosa de Deus, que nos concede toda graça e toda paz: “A graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco”.

Na passagem do Evangelho, vemos a presença de João que nos apresenta Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo.

João batizou Jesus, não porque este fosse pecador, mas para santificar a água na qual todos seríamos batizados. João viu e dá  testemunho sobre Jesus:  Ele,  João, viu, no dia do Batismo, descer do céu sobre Jesus o Espírito como uma pomba. É Jesus, batizado por João, o Messias esperado, o enviado de Deus para com o Batismo no Espírito comunicar Luz e salvação para toda a humanidade.

Oportuna a citação do Lecionário Comentado: “Hoje a Palavra de Deus qualifica João como o ‘apresentador do Messias.

Estamos habituados a assistir às entrevistas na televisão, em que o apresentador se serve de personagens famosas para ganhar audiência: os outros são para ele um pretexto para aumentar sua popularidade.

João, não! Não se serve de Jesus para aumentar a sua fama, ao invés convida os seus discípulos a seguirem Jesus” (p. 62).

A propósito, João dirá em outra passagem: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

Iniciando o ano, somos todos convidados a renovar a alegria da graça do Batismo e também sermos no mundo sinal da Luz que é o Cristo Senhor.

É nossa missão sermos também apresentadores do Senhor, com o anúncio do Evangelho em todos os espaços e por todos os meios.

Mas não basta apresentar Jesus, falar de Jesus. É preciso que nossa vida corresponda ao que anunciamos, ou seja, é necessário o testemunho permanente e incansável, até que um dia possamos contemplar a face d’Aquele que nos foi apresentado, e também ao mundo apresentamos, na glória da eternidade.

Finalizo com as palavras de Santo Inácio de Antioquia (século I):

Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois só um é o Mestre que disse e tudo foi feito, mas também, tudo quanto Ele fez em silêncio é digno do Pai”.

Peçamos a Deus a graça de continuarmos apresentando o Senhor ao mundo, sempre acompanhado do necessário testemunho, em constante atitude de amor, diálogo, comunhão e serviço.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2020/01/apresentar-e-testemunhar-jesus-luz-das.html?m=0

 

 

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