A Palavra do Bispo

Mensagens e publicações do bispo diocesano, Dom Otacilio Ferreira de Lacerda.

Deus seja louvado!

Olhando para o ano que está terminando,
faltando apenas dois dias, vi que:

Amo o que faço!

Creio no que faço;

No bem que semeio;

Na luz que espalho;

Nas flores que entrego;

Nas dores dos espinhos que suporto.

Não quero dar coroa para ninguém,

Tampouco quero ser uma cruz a ser carregada,

Mas quero a minha cruz carregar,

Com renúncias necessárias

Para seguimento crível.

No mínimo corresponder ao Amor incrível:

O Amor de Deus pela humanidade,

O Amor de Deus por mim.

Olho para o ano que começará 
e renovo meu compromisso 
de a Deus amar e servir.

Se à tarde veio o sofrimento,

As dores, as lágrimas e o pranto, minhas forças absorver,

Vejo a alegria florescer mais que subitamente no amanhecer:

A Alegria Pascal que reluz em cada amanhecer.

Por tudo isto, Deus seja louvado!

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Sagrada Família, modelo de fidelidade e coragem

Celebrar a Festa da Sagrada Família (ano A), é para todos nós, uma ocasião favorável para refletirmos sobre o papel fundamental que tem a família no Plano de Salvação que Deus nos propõe.

A família é uma pequena Igreja, e nela devem estar presentes algumas características já encontradas nas famílias descritas em trechos do Antigo Testamento, sobre as quais se modelam as nossas famílias patriarcais: paz, abundância de bens materiais, concórdia e a descendência numerosa, como sinais da bênção do Senhor.

É o que vemos na passagem da Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a). A obediência e o amor eram imprescindíveis no cumprimento da Lei, de modo que esta obediência era sinal e garantia de bênção e prosperidade para os filhos, mas também um modo de honrar a Deus nos pais, como encontramos no Livro do Êxodo (20,12) – “honra teu pai e tua mãe”.

Os pais são instrumentos de Deus e fonte de vida, e como recompensa do “honrar pai e mãe”, os filhos obtêm o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

“Com razão se diz hoje que a família é o primeiro lugar da evangelização, provavelmente o mais decisivo.

Com efeito, é na família que a criança, mesmo muito pequenina, respira ao vivo a fé ou a indiferença.

Por aquilo que vê e vive, ela adverte se em sua casa – e na vida – há lugar para Deus ou não.

Nota se a vida se projeta pensando só em si mesmos, ou também nos outros.

Tudo isto para dizer que normalmente o modo de viver encontra as suas raízes na família.”  (1)

Na passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,12-21), o Apóstolo, depois de apresentar Jesus Cristo como Aquele que nos faz homens e mulheres renovados, porque ocupa lugar proeminente na criação e na redenção da humanidade, exorta sobre o novo modo de relacionamento na família, onde os esposos e aos filhos cristãos vivem a vida familiar como se já vivessem na família do Pai celeste.

Revestidos do “Homem novo”, as relações são marcadas pela misericórdia, bondade, humildade, doação, serviço, compreensão, respeito pelo outro, partilha, mansidão, paciência e perdão.

Quanto à passagem do Evangelho  de Mateus (Mt 2,13-15.19-23), retrata a fuga da Sagrada Família para o Egito,  conforme a mensagem do Anjo do Senhor – “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito”.

Vemos quão inserida se encontra a Sagrada Família na tragédia e dificuldades humanas. Dentre elas a condição de refugiados, fugindo de terrível ameaça de morte contra o Menino Jesus por Rei Herodes.

Vemos que a Sagrada Família viveu uma realidade de muitas outras famílias, de modo que o Filho de Deus, o recém-nascido vem partilhar o destino de toda a humanidade, com seus dramas e vicissitudes.

Afirma o Lecionário Comentado:

“O amor de Deus salva os homens, mas não os subtrai à história do homem, e nem sequer à história de violência. Deus acompanha-os e ajuda-os nas dificuldades. Assim fez com Jesus, não O subtraiu à morte, mas acompanhou-O na morte.” (2)

Sagrada Família, única e irrepetível, por sua composição e pela importância na história da Salvação da Humanidade, e é para todo o sempre, o mais perfeito modelo para nossas famílias.

Hoje, mais do que nunca, nossas famílias precisam ter a Sagrada Família como modelo no enfrentamento de tantos ventos contrários que teimam em destruí-la, desmoroná-la.

A família, como uma espécie de Igreja Doméstica, inspirada na Sagrada Família, vivendo a dimensão da memória, atualização e sacrifício da História da Salvação, será espaço para:

– enraizamento e solidificação da fé;

– aprendizado do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo;

– acolhida e amadurecimento nos princípios sagrados da beleza e sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural;

– aprendizado de criação e fortalecimento de laços fraternos de amor e solidariedade;

– aprendizado de coragem e fidelidade incondicional em Deus, não obstante as provações e dificuldades que se fizerem presentes.

Oremos:

“Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar às alegrias da vossa casa. Por N.S.J.C. Amem.” (3)

PS: Fontes de pesquisa: Missal Dominical, pp.100-101; www.dehonianos.org/portal

(1) Lecionário Comentado p.255

(2) Idem p. 249

(3) Oração do dia da Missa da Sagrada Família

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Ah, se nossas famílias escutassem o Anjo do Senhor…

Na Liturgia da Palavra na Festa da Sagrada Família (ano A), refletimos sobre aquele momento inesquecível em que por três vezes há menção da comunicação do anjo a José. Permita-me citar para que possas continuar a reflexão:

A primeira comunicação é quando o Anjo diz em sonho a José: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe foge para o Egito” (Mt 2,13).

No Egito o anjo continua acompanhando e comunicando a José os desígnios divinos: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e volta para a terra de Israel: pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos” (Mt 2,20).

E por último: “… depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré” (Mt 2,22-23).

Como o próprio Missal Dominical afirma: “Nem tudo é idílio, paz e serenidade na família: ela passa pelos sofrimentos e dificuldades do exílio e da perseguição; pelas crises do trabalho, da separação, da emigração, do afastamento dos pais… como em todas as outras, há alegrias e sofrimentos, desde o nascimento até a infância e a idade adulta; ela amadurece através dos acontecimentos alegres e tristes para cada um de seus membros… Maria e José não se calam, não apresentam objeções sobre a opção de Jesus; inconsciente e intuitivamente percebem que é uma escolha que os exclui (ou parece excluí-los) da vida de seu único filho, uma opção semeada das lágrimas e sangue, mas a aceitam, porque essa é a vontade de Deus”.

Fixemo-nos por alguns instantes contemplando a Sagrada Família, lá no Egito, distante dos seus, em terra estranha, tudo tão diferente. Longe de suas raízes, como tantos hoje…

E, certamente não veremos nem ouviremos lamentações, posturas incrédulas e nem revolta contra Deus… Nem blasfêmias se elevaram contra Deus por tamanho infortúnio, por tamanha responsabilidade, por imensurável peso carregado sobre os ombros. Que peso tem aquela criança além dos quilos próprios de toda criança…

É impensável e impossível que José tenha dito, como talvez alguns de nós diríamos: “Por que estou nesta enroscada, se esta criança nem é minha?”, “Não basta tanta gozação, ironia que suportei dos amigos… (que amigos?)”, “que fria, que roubada eu entrei…”. “Ah se pudesse voltar atrás, não teria assumido esta missão”. “Não devia ter ouvido o anjo na primeira vez, devia ter ouvido meus instintos e ter abandonado Maria em segredo…”.

Da mesma forma, é impensável e impossível, sequer um momento, Maria ter percebido tais expressões borbulhando na mente e fervendo no coração de José. Jamais Maria teria assim pensado ou tão pouco dito: “deveria ter dito não ao anjo”, “Deus deveria ter escolhido outra…”, “Se não tivesse aceitado a ação do Espírito, se não tivesse acreditado nesta possibilidade, hoje estaria junto de meus pais, sem nenhum medo no coração, não teria ouvido tanta coisa como ouvi dos meus amigos e familiares…”

Na sua mente e coração apenas uma certeza: “O Senhor fez em mim maravilhas…”. No seu coração a “Cantora Divina” que entraria, alguns anos depois, nos céus, apenas cantava e se reencantava com o Magnificat…

Sabia que o seu sim dado, não inconsequentemente, mas dado com toda coragem, jamais poderia deixar de encontrar resposta de Deus, pois é próprio do Amor de Deus se fazer presente, não somente na hora que chama, mas em todos os momentos do envio, da missão.  É próprio do amor se manifestar ininterruptamente para que o êxito da missão do amado chegue a pleno termo…

Ah, quantas lições esta Santa Família, Sacra Família, Sagrada Família, Santíssima Família… Que ainda não expressei a grandiosidade desta Família.

Mais uma vez minha pobreza lexical é incapaz de exprimir as coisas divinas. Cada vez mais aprendo que o amor de Deus e as coisas divinas são mais do que inexprimíveis em palavras, mas contempladas no coração, como no coração daqueles da Sagrada Família…

Urge que nossas famílias aprendam mais esta lição para que sejam um reflexo desta, que é por todo o sempre a Família de todas as famílias, porque nela o Verbo encontrou aceitação, acolhida, espaço, proteção, cuidado, carinho, ternura, palavras de sabedoria, aprendizados primeiros que toda criança deve ter…

Aquela criança ali carregada, como já fora carregada no ventre, que um dia em forma de homem, coração pela lança trespassado, sem vida, na espera da Ressurreição também em seus braços receberá, e na Mesa do Altar, estremecida, extasiada, emocionada, ouvirá, quando os Apóstolos disserem – “Isto é meu Corpo dado por vós… Tomai todos e bebei, este é o Cálice do meu Sangue…”

Os primeiros choros consolados, as primeiras dores aliviadas, as primeiras feridas curadas, as primeiras gotas de sangue caídas, contempladas, os primeiros sorrisos partilhados, os primeiros sonhos plantados, e um dia, na Mesa da Eucaristia, eternizados em alegre e confiante certeza de que o Reino de Amor, Verdade, Justiça e Paz foi inaugurado.

Maria e José nos ensinem as mais belas lições do silêncio orante, contemplativo, do relacionamento familiar edificante e estruturante, do trabalho árduo e participativo na obra da criação divina…

Que tenhamos ouvidos e coração de José e de Maria, para acolher o Menino Deus, o Verbo, com mesmo amor, carinho, paixão e ternura…

Que tenhamos coragem de ouvir o Anjo de Deus que nos interpela, incansavelmente, no amor e na defesa da vida…

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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O silêncio dos inocentes

O silêncio dos inocentes…

“Levante-se, pegue a Criança e a Sua mãe

e fuja para o Egito. Fiquem lá até eu avisar, pois

Herodes está procurando a Criança para matá-La.” (Mt 2, 14)

Celebramos no dia 28 de dezembro a Festa dos Santos Inocentes, Mártires do Senhor, como nos retrata a passagem do Evangelho (Mt 2, 13-18).

Há um Sermão do Bispo São Quodvultdeus (Séc. V) que é para ser lido, refletido, multiplicado, rezado e, no coração, compromissos multiplicados com a vida dos inocentes…

“Nasceu o grande Rei, como um menino pequeno. Os Magos são atraídos de longes terras; vêm para adorar Aquele que ainda está no presépio, mas já reina no Céu e na terra. 

Quando os Magos anunciam que nasceu o Rei, Herodes perturba-se e, para não perder o reino, decide matar o recém-nascido; e, no entanto, se tivesse acreditado n’Ele, poderia reinar tranquilo na terra e para sempre na outra vida.

Que temes, Herodes, ao ouvir dizer que nasceu o Rei? Ele não veio para te destronar, mas para vencer o demônio. Tu, porém, não o compreendes; e por isso te perturbas e te enfureces, e, para que não escape aquele único Menino que buscas, te convertes em cruel assassino de tantas crianças.

Nem as lágrimas das mães nem o lamento dos pais pela morte de seus filhos, nem os gritos e gemidos das crianças te comovem. Matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração; julgas que, se conseguires o teu propósito, poderás viver muito tempo, quando precisamente queres matar a própria Vida.

Aquele que é a fonte da graça, que é pequeno e grande ao mesmo tempo, e que jaz no presépio, aterroriza o teu trono; por meio de ti, e sem que tu o saibas, realiza os Seus desígnios e liberta as almas do cativeiro do demônio. Recebeu como filhos adotivos os filhos dos que eram seus inimigos. 

As crianças, sem o saberem, morrem por Cristo; os pais choram os mártires que morrem. Àqueles que ainda não podiam falar, Cristo os faz Suas dignas testemunhas. Eis como reina Aquele que veio para reinar. Eis como já começa a conceder a liberdade Aquele que veio para libertar, e a dar a salvação Aquele que veio para salvar.

Mas tu, Herodes, ignorando tudo isto, perturbas-te e enfureces-te; e enquanto te enfureces contra aquele Menino, já estás a prestar-Lhe, sem o saberes, a tua homenagem. 

Maravilhoso dom da graça! Que méritos tinham aquelas crianças para obterem tal triunfo? Ainda não falam e já confessam a Cristo. Ainda não podem mover os seus membros para travar batalha e já alcançam a palma da vitória”.

Como o próprio Bispo diz “Ainda não falam e já proclamam Cristo”, referindo-se ao infanticídio, ao crudelíssimo morticínio das crianças e de inocentes, por causa de uma criança que abalou as estruturas empoeiradas ou mais ainda: apodrecidas, de um poder que não promove a vida, mas teme diante da Fonte Genuína da Vida: Jesus!

Impossível não pensarmos no que, de modo igual ou disfarçado, os “Herodes” de hoje continuam fazendo com as crianças inocentes.

Este Sermão toca profundamente nosso coração, quer pela forma com que descreve a insanidade herodiana, quer como nos exorta à acolhida e defesa da vida, da concepção ao seu declínio natural!

Vejamos de que modo “Herodes”, hoje, continua tramando e matando inocentes aos milhões, com mentalidade e prática abortista.

Não podemos deixar que este tema fique reduzido a um tempo remoto, passado. Enquanto dormimos, a morte dos inocentes é planejada, acordos são firmados, atos “herodianos” teimam em se multiplicar:

– em extremos e abomináveis atos de pedofilia, ou de manipulação consumista das crianças como objeto e fonte de lucro.

– nas deploráveis agressões ocultadas e silenciadas nas famílias, onde sabemos muitas crianças são vítimas da violência doméstica.

– maculando a beleza e a inocência das crianças, com músicas, programas, modas etc., que em nada colaboram para que vivam um momento tão belo da vida.

– quando privamos milhões de crianças do pão, da moradia, do lazer, da cultura, da vida, da alegria…

O silêncio dos inocentes ou o silenciamento imperdoável dos inocentes?

Silêncio ou silenciados, seus clamores bradam aos céus e não permitem que nos omitamos e nada façamos.

Acolher o Verbo é por se a caminho no amor e na defesa da vida, sobretudo dos pequeninos, como Ele Se fez um dia, e com os quais Se identificou para sempre:

“Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18,3).

E ainda: “Deixai vir a mim as crianças, porque delas é o Reino dos céus” (Mt 19,14).

Não mais Herodes e seus discípulos!

Fale o silêncio dos inocentes!

Falemos pelos inocentes!

Falemos com os inocentes…

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda    http://peotacilio.blogspot.com/?m=1

” O Verbo se fez carne”

“O Verbo Se fez Carne”

Na Missa do Dia de Natal, celebramos o Mistério da Encarnação numa atitude de serena alegria e de ação de graças por tão maravilhoso acontecimento:

– O Filho eterno do Pai fez-Se homem;

– O Verbo que tudo criou fez-Se carne da nossa carne;

– Aquele que habitava nos Céus pôs a Sua morada no meio de nós;

– A “verdadeira luz” que veio ao mundo, deu a conhecer a Deus “a quem nunca O tinha visto”.

Na primeira Leitura, proclamamos o oráculo do Profeta Isaías (Is 52, 7-10). Um oráculo em forma de poema, com um lirismo surpreendente:

“Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a Boa Nova, que proclama a Salvação…” (Is 52.7).

Fomos convidados a contemplar a Pessoa do recém-nascido reclinado numa manjedoura, e assim contemplamos a imensurável humildade de um Deus, cuja força se manifesta na fraqueza.

Na segunda Leitura, ouvimos o início da Epístola aos Hebreus (Hb 1,1-6). Deus, ao contrário dos ídolos mudos, Ele falou conosco e por muito tempo, de modo especial pelos Profetas.

“Nestes tempos, que são os últimos”, enviou a Sua própria Palavra, “imagem do Seu ser divino”, do Seu desígnio, da Sua vontade. Ele mesmo Se faz Palavra e vem ao nosso encontro. Ele, Palavra viva e eficaz (Hb 4,12)

Na proclamação do Evangelho de São João, ouvimos os primeiros versículos (Jo 1,1-18). Com extrema beleza e estilo próprio, o Evangelista, ao mesmo tempo, sóbrio e solene, nos apresenta a Encarnação de Jesus através de um grande hino litúrgico, como que a abertura de uma “Sinfonia do Novo Mundo”.

Enuncia os temas que, logo a seguir, se desenvolverão em múltiplas variações com contrapontos sutis, de modo que o realismo da Encarnação do Filho de Deus constitui o centro desta vigorosa introdução do Evangelho.

A Palavra feita Carne é a revelação do Pai, do Seu amor. Receber, acolher e crer nesta Palavra é ter a vida eterna, como afirma nos capítulos posteriores.

Verdadeiramente assim cremos: Deus, movido por amor, desce misericordiosamente ao nosso encontro, porque havíamos caído miseravelmente, conforme nos falou o Bispo Santo Agostinho.

Agora que celebramos o Mistério desta Presença em nosso meio, urge que sejamos alegres mensageiros do Verbo, num mundo marcado por vezes por realidades sombrias, tristes e de morte.

A Encarnação do Verbo é, ao mesmo tempo, a nossa elevação, porque Ele Se faz hóspede de nossa alma e nos envia para sermos, no mundo, sinal de Sua presença, como alegres discípulos da misericórdia divina, dando razão de nossa esperança, no corajoso testemunho de nossa fé, inflamados pelo fogo do Seu indizível Amor.

Enfim, contemplar a Encarnação e ver a glória de Deus, é viver de modo a favorecer que vejam e sintam a presença de Deus em nós e em todas as pessoas.

PS: Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Ed Paulus – Lisboa – pp.178-180

Postado por Dom Otacilio F

É Natal!

É Natal!

Vou sair pela cidade…

A cidade tem seus cenários, ora sórdidos, ora inóspitos.
Também tem cenários de encanto e formosura.

Há manifestações de desencanto e da violação da vida,

mas também pequenos grandes sinais que nos renovam a confiança e a esperança no futuro.

Vou andar pela cidade.
Quero andar pelos becos e vilas,
cansar meus pés como mensageiro do Verbo que Se fez criança.

Quero contemplar a teimosia da vida surgindo e ressurgindo inexplicavelmente, ou pela fé explicável, ou ainda por outra força que vem de cada alma que não se entrega.

Quero ouvir o canto dos pássaros somando-se ao canto daqueles que cantam a esperança, a ousadia, o renascimento daquilo que nos move, nos faz dar passos: a tal da utopia.
Quero ouvir o canto daqueles que se contrapõem aos que anunciam a suas exéquias e morte há algum tempo.
É para isto que nos serve a utopia, para nos por sempre a caminho do bem e do melhor.

Vou sair anonimamente pelas ruas procurando identificar onde Deus faz a vida florescer, para que possa depois anunciar alegremente para quem diz que já não há nada mais para crer.

Vou sair e entrar nas salas dos encontros que se articulam
pela elevação e defesa da dignidade e sacralidade da vida,
desde a  sua concepção até o seu natural declínio.

Quero ver o Natal acontecendo…

Não mais no presépio de há dois mil anos,
mas nos presépios de nossos tempos;
nas manjedouras de nossos corações.

Quero ver o Deus Menino assumindo o lamaçal de nossos pecados, para dele nos remover, pois foi nossa condição vivendo em sua totalidade,
fazendo-se igual a nós menos no pecado,
que tão desejada redenção pôde fazer acontecer.

Quero ver o Natal acontecendo…

Sem holofotes, câmeras, luzes ou manchetes.

Quero ver o Natal acontecendo na mais perfeita e bela singeleza
de um Mistério imenso de Amor:

Nasceu o Amor, nasceu a Luz, nasceu a Diviníssima Ternura.

Nada mais será como antes.

Venha! Vamos sair pelas ruas e praças.
Vamos ver o Natal acontecendo.

Não deixemos estas tão belas verdades,
âncoras de minha alma,
se tornarem mentiras e ilusões.

Quando pessoas de boa vontade se somam e os dons partilham, 
o milagre, o impossível, que para Deus não existe, Ele faz acontecer…

É Natal!

Vou sair pela cidade…

Dom Otacilio F. Lacerda às 07:59

Nenhum

“Apressa-te em dizer sim, ó Maria!”

Esta Homilia de São Bernardo (séc. XII), em louvor à Virgem Mãe, nos convida a refletir sobre o sim de Maria na realização da vontade de Deus.

“Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo.

O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.

Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação, se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. 

Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.

E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e  concebe a Palavra  de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem Santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e Ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas Aquele que teu coração ama!

Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento.

Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra (Lc 1,38)”.

Urgiu que Maria se apressasse em dar seu Sim para que o Verbo Se fizesse Carne em nosso meio.

A mesma urgência o nosso sim aos Projetos Divinos quotidianamente se impõe, para que o Mistério da Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor não fiquem relegados a um fato do passado, mas seja um acontecimento que se irrompe em cada instante de nossa vida!

Apressemo-nos também em dizer sim para Deus e

Seus santos desígnios a nosso respeito.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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Mergulhemos com coragem nos Mistérios profundos de Deus! (Homilia do 4º Domingo do Advento – Ano A)

Mergulhemos com coragem nos Mistérios profundos de Deus!

A Liturgia do 4º Domingo do Advento (Ano A) nos exorta para que intensifiquemos a preparação desta Festa do Natal do Senhor, com conversão, renovação e fortalecimento de nossa fidelidade ao Senhor.

A Liturgia da Palavra nos convida à purificação de indesejáveis alianças com falsos deuses que não nos alcançam a verdadeira alegria, somente assim teremos a possibilidade de um Natal bem celebrado.

É imperativo a eliminação das alianças que não nos alcançam a verdadeira alegria, pois esta só pode vir da Fonte das fontes, a Fonte da plena alegria, Cristo Jesus. Não percamos tempo em renovar nossa aliança de amor e fidelidade com Deus. Ele toma a iniciativa e espera nossa resposta.

No Evangelho Deus gera Seu Filho, pelo orvalho do Espírito, no ventre de Maria. Uma vez gerado, acolhido, concebido, em vida doada no amor extremo de Cruz, e exaltado  por Sua gloriosa Ressurreição, nos reconciliará com Deus, fazendo-nos novas criaturas.

Assim  é o Amor de Deus: gera a Fonte de amor – Jesus, recria cada um de nós no Amor do Filho, por isto somos, d’Ele, amadas e preciosas criaturas… Em nós, faz morada pelo Espírito… Haverá Mistério mais belo e profundo a ser contemplado na Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus?

Como é belo o Natal quando não esvaziamos o seu conteúdo Pascal; quando não o reduzimos a um fato do passado, a imóveis imagens num presépio…

Contemplemos duas figuras exemplares do Evangelho: Maria e José. Por trás da aparente singeleza da narrativa do sim de ambos, evidencia-se a dramaticidade vivida, a angústia, o temor… Não marcados pela ausência divina, ao contrário, uma proximidade que arranca de Seus corações expressão de total confiança, um salto no escuro exigido pela fé para o reencontro com o esplendor da luz e da verdade. Entregam-se plenamente nas mãos de Deus, acolhem Seus desígnios que ultrapassam os limites humanos.

Maria e José levam-nos a refletir quantas vezes titubeamos, tememos, oscilamos… A tibieza nos acompanha e inquinamos o verdadeiro sentido do Natal, esvaziando-o de autêntico conteúdo, quando marcado pelo consumismo, ceias que nada expressam, presentes que não são acompanhados de verdadeiro amor e carinho; cartões grafados sem a tinta imprescindível do Espírito; a tinta do amor…

Maria e José, ainda que não compreendam os Mistérios e desígnios de Deus, confiam e não se contrapõem ao mesmo, exemplarmente mergulham na obscuridade do Mistério de Deus. E este é o grande convite de Deus para nós neste Natal: aceitar participar do Seu Plano de Salvação, não por nossos méritos, mas por Sua misericórdia.

A Salvação de Deus é possível, mas não dispensa nossa liberdade de resposta e participação. Na escola de Maria e José aprendemos, a Deus, entregar todo nosso ser, nossa corporeidade, mente, espírito, tempo, fragilidade e nossa força na acolhida no mais profundo de nós, no presépio, mais ainda, na manjedoura de nosso coração Aquele que veio, vem e virá!

Eis o que nos levará a uma autêntica devoção a Nossa Senhora e a seu justo e corajoso esposo José, aquele que tão bem soube cuidar da Fonte da Vida!

Que o Advento seja Tempo favorável de nos rejuvenescermos no amor de Deus, e assim no Natal saborearmos a alegria de nos doarmos aos irmãos, como tão bem fizeram Maria e José.

Deus vem ao nosso encontro… Abracemos com alegria esta proposta de Salvação. Fecharmo-nos a Deus, eclipsando-O de nossas vidas e negarmos Cristo, fará desaparecer o sentido e o valor da vida. A esperança dará lugar ao desespero, bem como a alegria sucumbirá dando lugar à depressão; afundaremos no lodaçal do pecado, da escuridão, do desamor, do rancor, da injustiça, da solidão… Desintegração pessoal, humano-afetiva, espacial e cósmica que trará funestas consequências, instaurando o caos indesejável, afastando-nos do sonho e desejo de Deus: o Reino, o reencontro do paraíso em passos firmes e certos para a plenitude do Seu amor – céu…

Diante do presépio, coloquemo-nos em adoração extática, e uma vez extasiados pela singeleza do mesmo, renovemos nossa fidelidade a Deus, revigoremo-nos no Banquete da Eucaristia; deixemo-nos iluminar pela Luz Divina que a Palavra resplandece…

Que, com Maria e José, aprendamos que a promessa da vinda do Salvador não foi uma promessa inócua, jamais realizada; aprendamos com eles que Deus promete, Deus cumpre, pois é próprio do amor de Deus cumprir Suas promessas. A Salvação destina-se a todos, não por imposição, mas acolhida com amor e liberdade, maturidade e fidelidade. Depende do quanto, a ela, nos abrimos na acolhida do Verbo que em nós mais uma vez quer fazer morada…

Ainda é tempo de preparar um lugar digno para a presença do Deus Menino, lá no mais profundo de nós, do que nós de nós mesmos. Afinal, é próprio do amor de Deus querer habitar no coração daqueles que Ele ama!

PS: IV Domingo do Advento -(ano A) –  Liturgia da Palavra: Is 7,10-14; Sl 23; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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Exultemos de alegria pelo Nascimento do Salvador

“O Verbo Se fez Carne

e nós vimos a Sua glória” (Jo 1,14)

A alguns dias do Natal, precisamos dar os últimos passos em sua preparação, para que exultemos de alegria diante do maior acontecimento conhecido pela humanidade: o nascimento de Jesus.

Através d’Ele, Deus vem armar a Sua tenda, vem morar em nosso meio, fazendo-se um de nós, exatamente igual a nós, exceto no pecado. Caminhando conosco, Ele, a luz do mundo, ilumina a nossa vida, os nossos caminhos.

Diversos fatos revelam o Natal do Senhor acontecendo em nossa vida, em todos os âmbitos e em todo o tempo; fatos marcantes que manifestam a glória de Deus.

A intensidade dos fatos vividos nos desafia a olhar para frente e comunicar uma palavra de ânimo, coragem e vigor para a continuidade da ação evangelizadora que é ininterrupta e jamais consumada.

Celebrar o Natal do Senhor com matizes pascais e manifestar a Sua glória, comunicando “a alegria do Evangelho”, como insistiu o Papa em sua primeira Exortação Apostólica, é sermos portadores de uma alegria que o mundo não pode oferecer e tão pouco nos tirar, porque somos discípulos missionários do Verbo que se fez Carne, presença divina em nosso meio e  nos enviou em missão.

Celebrar o Natal verdadeiramente nos faz intensamente comprometidos com uma Igreja que não se acomoda dentro de suas quatro paredes, mas vive com ardor a presença no mundo, comunicando o sabor de Deus e a vida, porque comunica a Luz que veio iluminar a humanidade e tão somente assim seremos fermento na massa, levedando um mundo novo que tanto sonhamos e buscamos.

Que a Noite de Natal não seja apenas de mesas fartas e troca de presentes, um tempo de alegria cronometrado. Mas, seja, antes de tudo, uma noite em que os corações se abrem para acolhida do Amor ao mundo comunicado e para sempre presente no coração dos homens e mulheres de boa vontade que cantam glória a Deus no mais alto dos céus, para que tão somente assim tenhamos uma fé luminosa, que tornará fecunda a esperança, porque de braços dados com a caridade.

Natal com matizes Pascais é preciso ser celebrado, e isto acontece no primeiro e indispensável espaço de nosso coração. Somente assim o Natal será todos os dias, comunicando ao mundo o que mais belo ele significa para nós: o nascimento do amor, o resplandecer da luz que brilha nas trevas, nas sombras da história.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/exultemos-de-alegria-pelo-nascimento-do.html?m=0

Natal: Seja feita a Vossa vontade, Senhor! ( Homilia 4º Domingo do Advento – Ano A)

 

Com a Liturgia do 4º Domingo do Advento (ano A), contemplamos e professamos a fé em Jesus Cristo, o Deus conosco que veio nos trazer a Salvação.

Na passagem da primeira Leitura (Is 7,10-14), a mensagem fundamental é que Deus nunca abandona o Seu povo e está sempre presente.

Com o Profeta, aprendemos que não se pode confiar em alianças efêmeras, passageiras, temporais (nações potentes, exércitos estrangeiros…). A confiança e a esperança devem ser tão apenas em Deus, do contrário, pode se incorrer em maior sofrimento e opressão.

É preciso que, como Povo de Deus, saibamos ler os sinais de Deus, para não confiarmos em falsas seguranças e ilusórias esperanças. Somente Deus, Sua presença e Palavra, devemos ter como nossa “rocha segura”.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 1, 1-7), vemos que o verdadeiro encontro com Jesus, assim como aconteceu com o Apóstolo Paulo, culmina com o anúncio e testemunho d’Ele, de Sua Pessoa, Palavra e Projeto de Vida e Salvação.

Paulo se apresenta como o servo de Jesus Cristo (descendente de Davi), Apóstolo por chamamento e eleito para anunciar o Evangelho a todos os povos. Nisto consiste sua missão, que levou até o fim, culminando com o martírio e derramamento de sangue.

Com ele, aprendemos que a missão evangelizadora deve ser realizada com amor e espírito de serviço, com palavras e gestos concretos.

Na passagem do Evangelho (Mt 1,18-24), temos um texto catequético, em que nos é apresentado Jesus, o Deus conosco, que, ao Se encarnar, traz à humanidade um Projeto de vida e salvação, e para tanto, Deus quis contar com a colaboração humana (Maria e José).

Temos a descrição cuidadosa da mensagem do Anjo, e da revelação de quem é Jesus:

– Ele vem de Deus, com origem divina, pois Maria está grávida por obra do Espírito Santo;

– Sua missão é a Salvação de toda a humanidade, como indica o Seu nome;

– Ele é o Messias de Deus, da descendência de Davi, como por séculos fora anunciado (aqui o papel preponderante de José, com a paternidade adotiva).

Vivamos o Tempo do Advento como a graça do encontro com Jesus e a acolhida de Sua Pessoa, Palavra e Projeto, que transforma a nossa vida.

Vivamos o verdadeiro Natal, não um natal do consumismo, dos presentes trocados, das refeições mais enriquecidas.

Mais que comemorar o Natal, celebremos o Natal do Senhor, aprendendo com Maria e José, que acolheram o Verbo e permitiram que Ele crescesse em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus.

Que o sim de Maria e de José leve-nos a refletir sobre os “sins” que Deus espera de todos nós para que o Seu Projeto de amor, vida, luz e paz, chegue a todas as pessoas.

O verdadeiro Natal ocorrerá em nossa vida quando formos totalmente sim para Deus e Sua vontade, e se preciso for, revendo nossos caminhos e projetos pessoais, colocando os Seus desígnios e vontade acima de nossas próprias vontades e caprichos.

Natal é a Luz de Deus que vem iluminar nossos caminhos obscuros, sobretudo quando vemos noticiários quotidianos em que a mentira, a maldade, o roubo, o desmando, a corrupção parecem prevalecer sobre as atitudes e pessoas de boa vontade.

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/natal-seja-feita-vossa-vontade-senhor.html?m=0

A Palavra do Pastor
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