Texto de Pe. Eduardo Dornelas recorda o amor de Dom Antônio Felippe pela Diocese de Guanhães
A Diocese de Guanhães vive um momento de profunda memória, fé e gratidão ao recordar a trajetória de seu primeiro bispo, Dom Antônio Felippe da Cunha, cuja história permanece marcada no coração do povo diocesano.
Em texto enviado à Diocese, Pe. Eduardo Dornelas da Cruz destaca a importância de Dom Antônio Felippe na consolidação da Igreja Particular de Guanhães, recordando sua chegada e sua entrega generosa à missão que lhe foi confiada. Segundo o sacerdote, Dom Antônio assumiu a Diocese “como sua pátria, sua casa, sua terra com raízes profundas”, trazendo consigo a experiência adquirida em outros lugares e colocando-a a serviço desta Igreja nascente.
Pe. Eduardo recorda ainda que, nos primeiros anos da Diocese, Dom Antônio Felippe, junto aos poucos padres que aqui atuavam, abraçou a grande tarefa de edificar uma autêntica Igreja diocesana, sob o patrocínio de São Miguel e Almas. Foram anos desafiadores, marcados por limitações, escassez e exigências próprias de uma Diocese ainda jovem, mas também por sabedoria, equilíbrio e espírito missionário.
Inspirando-se no pensamento do filósofo Karl Jaspers, o texto ressalta a dimensão afetiva e espiritual da pertença, afirmando que a pátria é o lugar onde se ama e se é amado, onde se compreende e se é compreendido. Nessa perspectiva, Pe. Eduardo sublinha que Dom Antônio Felippe viveu intensamente essa experiência em Guanhães: compreendeu a vida do povo, ensinou caminhos de fé e fez desta Diocese sua morada de corpo e alma.
Ao recordar o legado do primeiro bispo diocesano, o texto também ressalta que, depois de tantos anos longe desta terra que tanto amou, seus restos mortais farão morada bem perto de seu amado povo de Guanhães, num gesto carregado de significado, memória e comunhão eclesial.
A homenagem de Pe. Eduardo Dornelas soma-se ao sentimento de toda a Diocese, que se prepara para acolher com respeito, emoção e gratidão os restos mortais de Dom Antônio Felippe da Cunha, pastor que ajudou a lançar as bases desta Igreja Particular e cujo testemunho permanece vivo na história diocesana.
Confira, abaixo, a íntegra do texto enviado por Pe. Eduardo Dornelas da Cruz:
Paz e Bem!
Dom Antônio Felipe da Cunha, 1º Bispo da Diocese de Guanhães de 1986 a 1993. Ele assumiu a diocese como sua pátria, sua casa, sua terra com raízes profundas, trazendo em sua bagagem uma experiência de outros lugares de tantos desafios superados. Raízes se formaram nesta jovem diocese com seus poucos padres, a maioria longe de sua pátria. Juntos abraçaram uma grande tarefa: “Ser uma igreja diocesana sob o Patrocínio de São Miguel e Almas”.
Karl Jaspers dizia que: “Pátria que entendo e que sou entendido. Não apenas onde sou entendido, mas também onde eu entendo o que acontece ali onde estou, onde amo e sou amado. Tenho a sensação de que tudo ao meu redor me querem bem. Aqui sou amado por todos”. Nós somos por natureza “estrangeiros e peregrinos nesta terra”. Dom Antônio Felipe viveu neste lugar, compreendeu a vida das pessoas e as ensinou um bom caminho. Amou esta Diocese como ninguém e fez dela sua morada de corpo e alma. Muitos irmãos e alguns amigos tão próximos o ajudaram a conduzir e formaram as bases desta amada Diocese de Guanhães. A vida na pátria não pode ser descrita apenas com cores douradas. Com frequência, ela foi marcada por dureza e escassez, mesmo assim, como primeiro bispo viveu com equilíbrio e sabedoria a experiência dos primeiros anos que se vive numa determinada localidade e que marcaram mais intensamente que todos os outros anos aqui vividos por seus líderes.
Depois de tantos anos longe de sua amada Diocese, seus restos mortais vão fazer morada bem pertinho dos seus amados e queridos povo de Guanhães.
Padre Eduardo Dornelas da Cruz

