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Fé e Política

 

O título deste artigo nos remete a relação entre duas esferas da ação humana que sempre geraram muitas controvérsias ao longo da História. Na defesa da Fé e do poder Político muitas guerras já foram realizadas ao longo dos tempos, entre elas as Cruzadas Medievais, a Revolução Gloriosa, na Inglaterra, a Guerra entre Israel e Palestina, entre outras.

No Brasil dos dias atuais estamos longe de viver uma guerra em decorrência de questões religiosas, mas nem por isso o tema não tem causado debates acirrados. Isso porque temos vivenciado cada vez mais a presença de políticos eleitos a partir do apoio explícito de grupos ou Igrejas cristãs.

Tal situação nos leva a alguns questionamentos…

Como a Igreja e seus fiéis devem vivenciar a prática política? Quais os limites das instituições religiosas no que tange a participação na política partidária? O Cristão deve se envolver com a Política? Como fundamentar a partir da Bíblia a ação política nos dias de hoje?

Estas e muitas outras perguntas em algum momento da nossa caminhada de Fé inquietaram-nos e nos fizeram refletir sobre o caminho a seguir. Em tempos, nos quais diversos seguimentos religiosos financiam e cooptam seus fieis a votarem em candidatos indicados pela agremiação religiosa, sob a argumentação de que “Cristão vota em Cristão”, vale muito a pena a reflexão.

Será que é esta a prática política que Jesus Cristo disseminou ao longo de peregrinação entre nós?

Ao conhecermos a vida de Jesus percebemos claramente que sua ação política sempre foi pautada no bem comum. E é exatamente para este tipo de política que o cristão é chamado. A luta por um atendimento médico digno, por educação de qualidade, por espaços de lazer para a população, saneamento básico, entre outras demandas de serviços públicos devem, obrigatoriamente, fazer parte da ação política de um cidadão de fé. Luta esta que passa muito longe dos conchavos políticos, das manipulações de eleitores, da busca de promoção própria e das agremiações religiosas as quais pertencem determinado candidato. A atuação política de um cristão deve estar pautada na ética e na busca de um mundo com mais justiça social.

 

Flávio Puff

Professor de História

IFMG/Campus São João Evengelista

TEMPO DE REAFIRMAR O DISCURSO SOBRE O DIREITO DOS MAIS POBRES

As reformas propostas pelo governo federal formam um pacote que mostrará claramente uma “opção preferencial pelos ricos”.

A crise política no nosso país serviu de ocasião para desenterrar velhas pretensões da aristocracia brasileira. O atual governo com a justificativa de adotar medidas austeras para fazer o país voltar a crescer está tomando medidas impopulares. Porém, isso terá um preço muito alto para os menos favorecidos economicamente.

O congelamento dos gastos públicos por 20 anos (Emenda Constitucional 95/2016), a lei da terceirização (Lei 13.429/2017) e a reforma da previdência (PEC 287/2016) formam um pacote que mostrará claramente uma “opção preferencial pelos ricos”. Porém, na posição do governo tudo se resolve com discursos rotulativos como se a rejeição dessas reformas fosse meramente intrigas da oposição.

O que nos decepciona é saber que os valores humanos na história política não são acumulativos, eles estão à mercê da alternância de poder. É lamentável que o país não tenha um projeto político para o ser humano como um todo, mas tem um para os ricos e outro para os pobres. Basta mudar o grupo político no poder que tudo que foi conquistado é desmantelado.

A posição do atual presidente trata homens como “ferramentas” que têm de se encaixar em um sistema político e econômico a todo custo. Reduzir gastos públicos em serviços essenciais como saúde e educação vitimiza os mais pobres. A terceirização transforma o trabalhador em marionetes, peças manipuláveis e descartáveis. E a exigência de 49 anos de contribuição para uma aposentadoria aos 65 anos dá o golpe final! O trabalhador é entregue totalmente aos desmandos do capital. A regra é viver para trabalhar, simplesmente. Isso desumaniza as relações e as condições de trabalho!

Retomando a expressão “discursos rotulativos”. Com ela quero dizer que a defesa do direito do trabalhador, do pobre e das minorias se transformou para muitos cidadãos meramente em “ideologia de esquerda”. Além de sucatear os direitos do trabalhador em nome do capital, os donos do poder querem calar um discurso, minimizando-o. A reivindicação desses direitos tem uma história consolidada, começa pelo Iluminismo, passando pela organização dos movimentos operários, até a Declaração dos Direitos Humanos e leis diversas que humanizam as relações de trabalho.

O discurso minimizador é grave! Temos de ir adiante e reafirmar o discurso sobre o direito dos mais pobres.  Não podemos nos acovardar! Precisamos de uma nação para todos, que se desenvolva, cresça, sem deixar os menos favorecidos à margem. Um país sem justiça é um país sem esperança!

 

José Aristides da Silva Gamito

Professor de Filosofia no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga, MG

Imagem: reprodução/ Internet

REFORMAR OU DESTRUIR DIREITOS?

Em Rio Vermelho, manifestantes ocuparam as ruas da cidade contra a Reforma da Previdência.

Você já ouviu falar sobre a PEC 287, que tramita no Congresso Nacional? A PEC 287 propõe REFORMAR ou DESTRUIR DIREITOS?

A Proposta de Emenda Constitucional 287̸2016, intitulada PEC da Reforma da Previdência, foi proposta pelo Governo Michel Temer e tramita no Congresso Nacional, tornando-se preocupação para a população brasileira.

Ao analisar criticamente o conteúdo do texto da Reforma Proposta, percebe-se claramente tratar-se de uma Reforma pautada na DESTRUIÇÃO da Previdência. Uma reforma que não atende aos interesses da classe trabalhadora brasileira e desvaloriza as mulheres e os trabalhadores e trabalhadoras rurais. Ao falar da DESTRUIÇAO da Previdência Social Brasileira, merecem atenção os seguintes pontos:

  • A PEC 287 propõe a idade mínima de aposentadoria para homens e mulheres aos 65 anos de idade, desconsiderando a necessidade de uma atenção especial às mulheres que, na maioria das vezes, possuem uma jornada dupla de trabalho;
  • A aposentadoria integral será garantida aos 65, somente a homens e mulheres que comprovem 49 anos de contribuição;
  • A aposentadoria por idade será garantida aos homens e mulheres que completarem 65 anos mediante a comprovação de 25 anos de contribuição;
  • Os trabalhadores e trabalhadoras rurais somente aposentaram aos 65 anos de idade, o que representa um retrocesso aos direitos da população rural;
  • Extingue-se a aposentadoria especial para professor do ensino fundamental e médio e de policiais civis;
  • A aposentadoria por invalidez seguirá as regras da aposentadoria por idade ou por tempo de contribuição;
  • O Beneficio de Prestação Continuada – BPC, destinado à pessoa idosa e à pessoa com deficiência que não possuem renda e cujo grupo familiar possui uma renda inferior ou igual a 1/4, será desvinculado do salário mínimo e a idade da pessoa idosa passa de 65 para 70 anos. Ceifando assim mais um dos diretos previstos na Constituição Federal de 1988.

Mediante ao que está proposto pela PEC 287, percebe-se claramente o objetivo de ceifar direitos da classe trabalhadora, penalizando os setores mais vulneráveis da sociedade, coloca-se em risco direitos conquistas por luta de anos.

Com a Reforma da Previdência, votada como está proposta, podemos colher frutos amargos. Prever-se o aumento da pobreza, o aumento das desigualdades sociais, milhões de brasileiros terão benefícios inferiores ao salário mínimo.

Para refletir o momento em que vivemos, ouso usar as palavras da escritora Marilda Vilela Iamamoto:

O momento que vivemos é um momento pleno de desafios. Mais do que nunca é preciso ter coragem, é preciso ter esperança para enfrentar o presente. É preciso resistir e sonhar. É necessário alimentar os sonhos e concretizá-los dia-a-dia no horizonte de novos tempos mais humanos mais justos, mais solidários.

E não podemos desistir, temos que resistir, sonhar e lutar. Mais uma vez o população brasileira tem se organizado e saído às ruas. Devido aos diversos movimentos sociais a votação da tal PEC, prevista para 28/03/2017, foi adiada. Atualmente, a sociedade brasileira tem sido obrigada a sair às ruas, por motivos que jamais poderíamos imaginar em pleno século XXI. A população brasileira tem saído às ruas para não perder seus direitos adquiridos ao longo dos anos. Sendo um desses, o direito a Previdência Social. Não podemos desistir, temos que seguir em frente. Não podemos aceitar o desmonte da Previdência Social. É tempo de luta e resistência. Não permitiremos nenhum direito a menos.

Iara Santos

Assistente Social

É TEMPO DE AGIR, (RE)AGIR E RESISTIR

Para se aposentar, o trabalhador rural precisa comprovar que atingiu a idade de aposentadoria realizando atividades no campo.

A sociedade brasileira vive atualmente um momento crucial em sua história. Isso porque vem sofrendo os impactos do sistema capitalista avassalador responsável por expropriar não apenas os direitos, mas a própria vida dos trabalhadores e trabalhadoras que constituem as classes mais afetadas. Situação que pode ser observada a partir da principal estratégia adotada pelo governo Temer, que tem por objetivo quebrar a espinha dorsal da classe trabalhadora. Eis que nos deparamos com a continuidade do golpe!

Não há limites ao livre desenvolvimento do capital e é exatamente na ausência desses limites que consiste o cerne das crises econômica, social, política, hídrica, do sistema penitenciário e tantas outras que vivemos na atualidade.

Nesse cenário, quando o atual governo traz à tona pautas como a reforma da previdenciária e a trabalhista, se verifica como principal objetivo o desmonte da previdência e o fim da CLT, com terceirização das atividades fins, seja no setor público ou privado.

Diante de tais circunstancias, somos todos chamados a grande desafio que diz respeito a consolidação de um movimento de resistência, em que conste a presença maciça dos trabalhadores, dos assentados, dos atingidos por barragens, dos desempregados, dos diversos sujeitos oprimidos, que são os principais afetados por todas essas reformas, mas que ainda não fazem resistência. Afinal, como bem nos lembra Paulo Freire (1977), “quem melhor que os oprimidos, se encontrará preparado para entender o significado terrível de uma sociedade opressora?”[1]

Por tudo isso, é tempo de agir, (re)agir e resistir. Tempo de resgatar o trabalho de base e alcançar os oprimidos que ainda não se somaram ao movimento de resistência, para que juntos possamos resistir! Tempo de levantar bandeiras de luta em defesa da manutenção de direitos e contra tamanhos retrocessos que brutalmente ameaçam os direito historicamente conquistados pela classe trabalhadora. É tempo de resistir!

Dalva Eliá da Silva

Mestre em Política Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF)

 

 

[1]Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido (1977)

 

Imagem: Reprodução/ Internet

MANIFESTO CONTRA A REFORMA PREVIDENCIÁRIA

Professoras da rede pública de ensino durante assembleia estadual, em Belo Horizonte.

Aos 28 de março, no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, realizou-se uma assembleia estadual promovida pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/ MG). O evento contou com mais de 10 mil manifestantes, motivados pela mesma luta: impedir a aprovação da reforma previdenciária e exigir o cumprimento dos acordos assinados pelo governo de Minas gerais com os profissionais da educação básica.

Os trabalhadores, durante a assembleia, decidiram pela continuação da greve. O movimento grevista faz parte de uma série de manifestações, agendadas pelos profissionais da educação em todo o país, contra a Proposta da Emenda Constitucional nº 287/2016 (PEC da Previdência). Este documento estabelece novas regras para a aposentadoria, como a exigência de idade mínima de 65 anos para o recebimento integral do benefício, além de 49 anos de contribuição com a Previdência Social.

Esta foi a maior assembleia, desde 2011, de acordo com a coordenadora geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, realizada por profissionais da educação no Estado.  No evento ficou claro que a luta é coletiva e não haverá retrocessos ou recuos da parte dos grevistas. O ato contou com a participação de vários movimentos sociais, sindicatos do setor privado e, em especial, de muitos jovens e de cidadãos que já se aposentaram. Estes, em especial, afirmaram que continuarão a luta em nome de seus filhos e netos.

Neste mesmo dia, 28/04, estava marcada para ocorrer na Câmara Federal a votação, em 1º turno, para aprovação da Emenda Constitucional 287/16 (PEC da Previdência). No entanto, os movimentos grevistas pelo país impediram essa ação parlamentar. Os movimentos sociais devem seguir firmes, as atividades devem ser permanentes. Acredita-se que somente através de muita luta e persistência derrubar-se-á esta Reforma que visa tirar os direitos do trabalhador.

É necessário que a comunidade entenda e apoie. O movimento é sério. Não podemos permitir que direitos, até aqui conquistados, se percam. O brasileiro está a escrever sua história. Que este seja um movimento de vitória para ser contado às futuras gerações!

“A classe trabalhadora não aceita nenhum direito a menos”!

 

Enilza Santos Miranda

Professora de Língua Portuguesa

NENHUM DIREITO A MENOS

Há consenso de que a PEC/287 retira direitos dos trabalhadores brasileiros.

No dia 15 de março, teve início um movimento da sociedade civil, articulado pelos professores da rede estadual de Minas Gerais, contra a Reforma da Previdência Social. Conscientes da sua importância no contexto social, os professores tem reunido forças no sentido de despertar a população guanhanense para a luta de direitos adquiridos ao longo de anos e contestar através de manifestações diversas a proposta de Reforma da Previdência encaminhada pelo Presidente da República à Câmara Federal.

As mobilizações tiveram início aos 8/3, quando mulheres foram às ruas de Guanhães chamar a atenção da população para a causa feminina, e ganharam força, aos 15/3, quando representantes de diferentes classes trabalhadoras foram às ruas em passeata, dizendo não à PEC 287/2016. Em seguida, professores se organizaram em reuniões diárias para debaterem sobre o tema e articulação de ações concretas para promover, na sociedade local, o entendimento da situação social e política do Brasil nesse contexto obscuro forjado pelos grandes veículos de comunicação.

Professores distribuíram-se em diferentes grupos para mobilização das instituições e das suas lideranças. Foi proposto, aos 24/3, um Seminário sobre o tema para ajudar a esclarecer à população sobre o aspecto técnico e a conjuntura política diante da proposta de Reforma da Previdência. Na terça-feira, 28, uma caravana de professores sairá rumo à capital mineira, juntando-se a outros trabalhadores, para protestar na Assembleia Legislativa.

O momento é de luta! A conjuntura sociopolítica é delicada e nós, cidadãos trabalhadores, temos de unir forças para garantirmos que as batalhas, enfrentadas por tantos cidadãos que nos antecederam em busca de direitos sociais, não sejam vencidas pela nossa inércia. Cada um no seu lugar, onde se encontra, tem muito a fazer. Venha para a luta!

Dalila Duarte

Professora de História

“Entre São José e Deus não vemos e não devemos ver senão Maria, por sua divina Maternidade”. “São José, depois de Maria, é o maior de todos os Santos”

     “Eu gostaria de dizer a vocês também uma coisa muito pessoal. Eu gosto muito de São José porque é um homem forte e de silêncio. No meu escritório, eu tenho uma imagem de São José dormindo, e dormindo, ele cuida da Igreja. Quando eu tenho um problema ou uma dificuldade, eu o escrevo em um papelzinho e o coloco em baixo de São José, para que ele sonhe sobre isso. Isso significa: para que ele reze por este problema” – Papa Francisco.

O Papa Pio XI, em 08 de dezembro de 1870, proclamou São José Patrono Universal da Igreja, disse: “Entre São José e Deus não vemos e não devemos ver senão Maria, por sua divina Maternidade”. “São José, depois de Maria, é o maior de todos os Santos”.

Em 1956, o Papa Pio XII (1939-1958) instituiu a festa de São José Operário, a ser celebrada em rito duplo de primeira classe no dia 1º de maio, Dia Universal do Trabalho.

São Mateus afirma em seu Evangelho que São José “era um homem justo” (Mt 1,19). Isto, na linguagem bíblica, significa um homem repleto de todas as virtudes, de santidade completa, perfeito. Jesus quis ter um pai na terra: O anjo do Senhor, aparecendo-lhe em sonho, diz-lhe: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo” (Mt. 1,20).

Coube a São José a grande honra de dar o nome ao Filho de Deus humanado. O Anjo lhe disse: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta” (Mt 1, 21-22).

Em uma aparição a Santa Margarida de Cortona, disse Jesus: “Filha, se desejas fazer-me algo agradável, rogo-te não deixeis passar um dia sem render algum tributo de louvor e de bênção ao meu Pai adotivo São José, porque me é caríssimo”.

Santo Afonso de Ligório (†1787), doutor da Igreja, garantia que todo dom ou privilégio que Deus concedeu a outro Santo também o concedeu a São José.

São Francisco de Sales (†1655), doutor da Igreja, diz que “São José ultrapassou, na pureza, os Anjos da mais alta hierarquia”.

São Jerônimo (†420), doutor da Igreja, diz que: “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía de modo perfeito todas as virtudes”.

São Bernardo (†1153), doutor da Igreja: “De sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus”.

Se São José foi escolhido para Esposo de Maria, a mais santa de todas as mulheres, é porque ele era o mais santo de todos os homens. Se houvesse alguém mais santo que José, certamente seria este escolhido por Jesus para Esposo de Sua Mãe Maria. Nós não pudemos escolher nosso pai e nossa mãe, mas Jesus pôde, então, escolheu os melhores que existiam.

São Francisco de Sales disse ainda: “Oh! que divina união entre Nossa Senhora e o glorioso São José; união que tornava José participante de todos os bens de sua cara Esposa e o fazia crescer maravilhosamente na perfeição, pela contínua comunicação com Ela, que possuía todas as virtudes em grau tão alto, que nenhuma criatura o pode atingir”.

Testemunho de Santa Teresa de Ávila (†1582), doutora da Igreja, devotíssima de São José. No “Livro da Vida”, sua autobiografia, ela escreveu:

“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma. A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade.”

“Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre em todas. O Senhor quer dar a entender com isso como lhe foi submisso na terra, onde São José, como pai adotivo, o podia mandar, assim no céu atende a todos os seus pedidos. Por experiência, o mesmo viram outras pessoas a quem eu aconselhava encomendar-se a ele. A todos quisera persuadir que fossem devotos desse glorioso santo, pela experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus…De alguns anos para cá, no dia de sua festa, sempre lhe peço algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida”.

No Evangelho consta que São José era carpinteiro: “Não é este o filho do carpinteiro?”(Mt 13, 55). Mas a expressão é mais genérica, pois diz “filius fabri”, quer dizer, filho de artesão.

A vocação de São José foi a de representante do Pai Eterno junto a seu Filho Unigênito na terra. Por isso os autores místicos o chamam de “Sombra do Pai Celeste”; um privilégio especial só a ele concedido. Isto nos faz lembrar a palavra que diz: “Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra” (Is 42,8).

São Basílio Magno (330-369), doutor da Igreja, diz: “Ainda que José tratasse sua mulher com todo afeto e amor e com todo o cuidado próprio dos cônjuges, entretanto se abstiveram dos atos conjugais” (Tratado da Virgem Santíssima, BAC, Madri, 1952, p. 36).

Papa Leão XIII disse na Encíclica Quam quam pluries: “Muitos Padres da Igreja, de acordo com a Sagrada Liturgia, acreditam que o antigo José, filho do Patriarca Jacó, tenha figurado a pessoa e o ministério do nosso São José, e simbolizado, com o seu esplendor, a grandeza e a glória do futuro Custódio da Sagrada Família.”

Eis o que diz a respeito São Bernardo, doutor a Igreja: “Lembra-te do grande Patriarca vendido para o Egito, e sabe que ele não só lhe herdou o nome, mas imitou-lhe também a castidade, mereceu-lhe a inocência e a graça. E se aquele José, vendido por inveja dos irmãos e conduzido ao Egito, prefigurou a venda de Cristo, o nosso José, fugindo da inveja de Herodes, levou Cristo para o Egito”.

Papa João Paulo II: “Precisamente em vista da sua contribuição para o mistério da Encarnação do Verbo, José e Maria receberam a graça de viverem juntos o carisma da virgindade e o dom do matrimônio. A comunhão de amor virginal de Maria e José, embora constitua um caso muito especial, ligado à realização concreta do mistério da Encarnação, foi todavia um verdadeiro matrimônio” (cf Exort. Apost. Redemptoris custos, 7).

São José é o patrono da boa morte: Santa Teresa, narrando a morte de suas filhas, devotas do Santo, dizia:

“Tenho observado que, no momento de exalar o último suspiro, gozavam inefável paz e tranqüilidade; sua morte assemelhava-se ao doce repouso da oração. Nada indicava que estivessem interiormente agitadas por tentações. Essas divinas luzes me libertaram o coração do temor da morte. Morrer parece-me agora o que há de mais fácil para uma alma fiel”.

 Enviado pelo seminarista Daniel Bueno.

                                                                     Com José – pensar novas masculinidades

Confesso que a figura de José me deixa inquieto. Uma mistura de encanto e angústia. Olho para o padroeiro aqui da nossa Catedral de Erechim, de tantas comunidades e da Igreja universal e sinto que, talvez, a imagem que é passada é de um homem cabisbaixo e triste. Tem a letra de uma música cantada pela Rita Lee chamada “José” que fala um pouco sobre isso. Num dos trechos diz:

Me lembro as vezes de você

Meu bom José, meu pobre amigo

Que desta vida só queria

Ser feliz com sua Maria!

Parece que faltou algo a José. Por outro lado, parece que ele teve tudo. Teve Maria. Teve Jesus. Teve fé. Teve trabalho. Teve silêncio. Não é minha vontade aprofundar as características de José, até porque, sobre ele se sabe muito pouco. Sabe-se mais do seu silêncio do que de sua palavra. Sabe-se mais da sua inquietude do que da sua vida. Sabe-se mais da sua sensibilidade do que do seu trabalho.

Talvez, algo que mereça destaque, é como São José nos ajuda a pensarmos novas masculinidades. Imaginemos: numa época machista, patriarcal em que sequer mulheres e crianças eram contadas, José se apresenta como um homem da escuta, do diálogo, da paciência e sensível a Maria e a situação da época. Maria aparecera grávida. Antes de apontar o dedo, antes de julgar, mesmo inquieto, José silencia e busca discernimento. Poderia, como era costume, julgar, condenar, “fazer o diabo” se quisesse… não o fez! Discerniu e “sonhou”. Deus ajudou nesse discernimento. O resultado foi acolhida, foi companheirismo, escuta e fidelidade.

Ainda vivemos marcas profundas do patriarcado. As instituições, de maneira geral, preservam grandes marcas machistas. As mulheres não tem acesso a muitos espaços ainda. Damos passos. José, com isso, nos ajuda sermos homens “novos” para reconhecermos o espaço da mulher. Necessariamente isso é critério: homens “velhos”, ou, noutras palavras, consciência velha, não vai ajudar dar passos. A postura de José ajuda. É, contudo, contraditória e provoca a pensar. Homem mesmo quem é? É o “pegador de todas”? É o dominador? É o “chefão”? É o julgador? É o dono da casa? José vai em outra direção: sensibilidade, inquietude, diálogo, harmonia, silêncio. Talvez o verdadeiro homem.

Valei-nos José! Ajude-nos a sermos “homens de verdade” e a repensarmos nossa postura masculina numa cultura que ainda mantém características bastante machistas e transforma isso em sutil consciência de grandiosidade. Que o 19 de março nos ajude a celebrar sua memória, mas, sobretudo, repensar nossa postura.

                                                                                                                                                    Pe Maicon A Malacarne

Dom Mol: a guinada conservadora ameaça os pobres

 

Os brasileiros precisamos ter a consciência da gravidade do momento político, social, econômico e moral que vivemos nos últimos meses. No difícil ano de 2016, o país viu-se diante de projetos e decisões congressuais – alguns já implementados – que claramente trarão em curto e médio prazos consequências graves para os trabalhadores e os pobres. O rotundo silêncio do presente contrasta, inexplicavelmente, com o rotundo barulho do ontem.

A conscientização e mobilização contra a chamada PEC 241 na Câmara Federal e PEC 55 no Senado, que mereceu nossa atenção e apoio, não lograram resultado. Como compreender a lógica do corte no social e na educação e ao mesmo tempo o aumento nos ministérios, nos salários de algumas categorias já bem enriquecidas em relação à grande massa de assalariados e desempregados no país? Assuntos outros como a polêmica reforma do ensino médio, a redução da maioridade penal, a reforma da Previdência Social, a transferência da responsabilidade pela demarcação das terras indígenas do Poder Executivo para o Legislativo, como inapetência do Estado frente ao contínuo agravamento das condições de vida das populações indígenas, as mudanças no estatuto do desarmamento, as alterações em leis trabalhistas, o preenchimento de inúmeros cargos importantes com políticos, empresários e juristas sob suspeita ou em adiantado processo de investigação apontam, infelizmente, para sérios retrocessos em diversas conquistas que resultaram da mobilização de milhões de brasileiros desde tempos antigos como o da Constituinte, por exemplo.

É inegável que são propostas que, a despeito das fartas justificativas e explicações de natureza econômica e financeira, significarão ainda mais riscos, perdas e sacrifícios para os pobres. Mas não apenas estes. Famílias da chamada classe média veem rapidamente diminuir seu poder de compra, tendo que adiar sonhos como o de possuir o imóvel próprio, aumentar a família, formar os filhos na universidade ou que seja viajar e descansar da rotina de trabalho, cada vez mais massacrante e, com a pretendida reforma da previdência, com perspectivas muito longínquas de aposentadoria. A mortalidade precoce ronda cada vez mais as micro e pequenas empresas, que mal conseguem pagar os salários de seus poucos funcionários.

Mas a reação governamental a isso tem sido, por um lado, a defesa dos interesses do grande capital e, por outro, a exigência de sacrifícios dos mais pobres e a agudização das condições de sobrevivência da microeconomia e da própria economia doméstica. Mais do que poupado, o sistema financeiro é novamente privilegiado. Como no mundo todo, os bancos vão bem melhor que o país. Aliás, difícil lembrar no Brasil algum momento em que banqueiros tenham reclamado de decisões econômicas. A mais terrível síndrome brasileira da Casa Grande & Senzala arraigada no modus operandi, faciendi e vivendi sociopolítico, governamental, empresarial e, assombremo-nos todos, também do Judiciário.

Se a economia é que, em geral, mais impacta as pessoas, não devemos nos distrair em relação aos outros setores da vida social. Um fenômeno que parece, ao mesmo tempo, se dar também em vários países do mundo, o Brasil testemunha neste momento uma triste desaceleração e recuo em iniciativas de resgate da dignidade popular. Somada à crise econômica que, como sempre, atinge de modo mais draconiano e covarde os empobrecidos, observamos, claramente, no país, na política e nos direitos sociais, uma guinada conservadora e neoliberal.

Importantes conquistas em termos dos dispositivos e dinâmicas de participação democráticas nas políticas públicas e diretamente nos governos dos municípios e estados via associações de bairros, de categorias profissionais, grupos sociais e redes de apoio comunitário vão se fragilizando e desmaterializando. É lamentável observar como a cidadania no Brasil, mantida historicamente em situação anêmica e emudecida, volta a ser constrangida, na exata hora em que se reanimava e reunia forças para erguer a cabeça e caminhar.

Pode-se mencionar aqui as paradoxais medidas de imputar penalmente os adolescentes – pessoa adulta em formação – e permitir que os recém-adultos possam portar armas de fogo, o que certamente não significará a diminuição ou maior controle da violência. Pelo contrário, tudo sugere que aumentará a verdadeira guerra civil que, anualmente, dizima dezenas de milhares de brasileiros em mortes por arma de fogo, especialmente os mais jovens e negros, muitos pelas forças que deviam proteger a população. Tragédia sobre a qual a sociedade simplesmente silencia.

Assim como também a mídia e a maior parte da sociedade não se pronunciam sobre o gravíssimo momento enfrentado pelas populações indígenas brasileiras. Nesses quase 30 anos de vigência da Constituição, que estabeleceu avanços importantes de proteção aos direitos indígenas e das populações tradicionais, essas comunidades estejam enfrentando hoje, talvez, os riscos mais graves do que em qualquer outro momento dessas três décadas. É a conclusão de um relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. O relatório chama a atenção para um aspecto que parece bem sintomático do Brasil atual, em que o Estado insiste em viver divorciado da sociedade civil. O país dispõe de uma série de disposições constitucionais exemplares em relação aos povos indígenas, mas não as aplica, e o que se percebe é a deterioração intensa das condições de vida desses povos.

Nenhuma nação pode realizar-se em meio a tanta desigualdade. É papel precípuo da Universidade não só expressar sua solidariedade às massas de pobres, trabalhadores empregados ou não, homens e mulheres de boa vontade e de todas as idades, como também contribuir para a formação da consciência crítica, cidadã, ecológica integral, progressista, ética, arejada, humanizada, inclusiva, justa e livre.

Professor Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Reitor da PUC Minas e Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte

Fonte: Canal Aberto – Newsletter da Reitoria – Março/Abril de 2017, n. 27.

 

Ética civil soberana

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

A sociedade convive com a lamentável perda da soberania da ética que, gradativamente, deixa de presidir a conduta cidadã e os funcionamentos institucionais diversos. E quando se desconsidera a soberania da ética, perde-se a credibilidade e a possibilidade de corrigir rumos. As consequências são as derrocadas que vão corroendo o tecido social e político. Não se confia mais no que deveria ser inquestionável: a palavra das pessoas, inclusive de líderes. Tornam-se escassos os que são merecedores de reconhecimento. E cada vez mais raras são as práticas alicerçadas em princípios que convençam os indivíduos, no mais recôndito de suas consciências, a agir conforme os valores que refletem o respeito incondicional à soberania da ética.

Hoje, infelizmente, vale tudo, conforme conveniências e interesses. Perde-se o rumo, pois quando se abandona a soberania da ética, a sociedade tende a descompassar-se violentamente. São produzidos cenários abomináveis que danificam a identidade social e política de uma nação. Tudo em consequência do desrespeito de governos e de segmentos variados que pautam seus funcionamentos nos interesses cartoriais e partidários. Por isso mesmo, o noticiário está repleto de referências aos esquemas de corrupção, às muitas formas de violência, às abomináveis ações que revelam a perda do sentido de respeito e de sacralidade da dignidade humana.

Considerações subjetivas, com a força arbitrária de relativização negativa, impactam no sistema de valores que deveriam ser capitaneados pela ética. Isso provoca uma deterioração do núcleo da consciência e escancara as portas para atos ilícitos. Assim, constata-se a falta de ética nas escolhas, nas decisões e nas atitudes. Uma situação ainda mais preocupante quando se considera que a formação da consciência cidadã requer longo percurso, com práticas cotidianas e a exemplaridade de testemunhos. Já a deterioração dessa consciência cidadã ocorre “da noite para o dia”, desencadeada pela hegemonia que se confere aos interesses relacionados à patológica ganância por dinheiro, às condutas que revelam mesquinhez e indiferença com o que é digno. Por isso, urgente é promover a recuperação da ética civil, com investimentos na dimensão moral da sociedade.

Sem esses investimentos, as reformas da sociedade ficam enfraquecidas. A racionalidade que poderia produzir avanços e garantir conquistas torna-se ineficaz pela ausência da ética civil.  Há, pois, urgência em priorizar a moralidade na sociedade contemporânea.  O pluralismo não pode jamais dispensar o compromisso e a responsabilidade de todos, particularmente de dirigentes, líderes e formadores de opinião, em colaborar com um projeto legítimo e unificador: o resgaste do gosto de ser honesto. Envergonhar-se das dinâmicas prejudiciais ao bem comum, com atentados à dignidade humana.  Se esse projeto unificador não for assumido, os segmentos sociais e políticos continuarão a gastar suas maiores e mais importantes forças na tentativa de recuperar os prejuízos da corrupção.

Toda a sociedade está desafiada a redesenhar ou retomar o horizonte ético e moral, que deve orientar desde as práticas mais simples do cotidiano até o respeito incondicional a leis e normas. Trata-se de caminho para garantir a justiça e a paz. Nesse sentido, é importante pautar a ética civil como prioridade e razão dos investimentos. É hora de assumir os valores próprios de uma ética civil soberana.

 

 

Quaresma: Consciência e conversão para os Biomas brasileiros – Uma reflexão

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

(Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e o Pampa, nossa casa comum)

(CF – 2017)

A Sagrada Escritura nos diz: “No princípio, criou Deus o céu e a terra” (Gn 1, 1), e para continuar a aprofundar e cuidar de sua obra Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semalhança” (Gn 1, 26). Por isso, entre muitos atributos que diferenciam o ser humano dos demais, como por exemplo, a razão, moral, honestidade, respeito, entre outros, certamente, a fraqueza humana não o deixa fora de todas estas características qualitativas . Assim, o tempo da quaresma com suas orientações pedagógicas, presenteia o cristão convidando-o a viver as mais ricas reflexões de fidelidade à Deus, de obediência à sua palavra e a jogar-se na sua misericórdia. É a grande oportunidade que nos é oferecida. Para engrandecer este tempo tão propício aos cristãos temos a Camapanha da Fraternidade que este ano nos orienta para uma de nossas grandes riquezas, a ecologia. Assim temos: “Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida”. O lema, fundamentado na Sagrada Escritura, nos orientando para a ordem do Criador: “Cultivar e guardar a criação.” (Gn 2,15). No Brasil, nossa grande casa comum, é notório que este grande  jardim que Deus criou por amor, o homem está degradando por ganância. Há uma velocidade acentuada na destruição da natureza e uma lentidão na sua recuperação. Biomas, para quem na sabe, são regiões que no seu todo formam um conjunto de vida vegetal, animal, climática e bacias hidrográficas. Tudo está interligado. No Brasil temos seis regiões-biomas, a saber: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e o Pampa. Todas as regiões estão sendo depredadas. O homem que devia ser cuidador da nossa casa comum tornou-se destruidor. O Meio Ambiente está cheio de chagas causadas pelo sistema econômico mundial e os modelos de crescimento. Eis, pois, a urgência da conversão ecológica que consiste em passar do consumo ao sacrifício, da avidez à generosidade, do desperdício à partilha. Precisamos cultivar o sentimento de casa comum e de família.

O lançamento da Campanha da Fraternidade no tempo da Quresma é muito oportuno. Neste tempo forte ouvimos palavras como penitência, arrependimento, jejum, conversão, que ao serem ouvidas por nós, quer nas liturgias eucarísticas, textos bíblicos, via sacras, pregações, palestras e nos meios de comunicação de caráter religioso, querem também nos interligar, ou seja, Igreja e sociedade, a começar pela comunidade onde estamos inseridos. Tudo isso são fontes maravilhosas que nos levam a um encontro com Deus e nós mesmos. Santo Antônio nos seus dizeres atesta: “a caridade é a alma da fé”. O grande taumaturgo assevera: “Quem não possui a caridade, mesmo que faça tudo muito bem feito, sempre trabalha em vão”. Quem pratica a caridade sempre está orando sem cessar. Por isso, o tempo da Quaresma é especial em sua metodologia espiritual. Neste tempo litúrgico encontramos à nossa disposição a misericórdia de Deus que no dizer do Papa Francisco “jamais se cansa de perdoar; nós é que nos cansamos de pedir perdão”. A Campanha da Fraternidade leva-nos a pedir perdão. Ela nos conscientiza do perigo e das conseqüências maléficas do “pecado cósmico”. Já nos diz São Paulo Apóstolo que “a criação geme e sofre dores de parto” (Rm 8,22). Que o texto base da Campanha da Fraternidade nos oriente. Todo nosso cuidado com a natureza tem seu fundamento no amor do Criador. Ele está presente em todo o Universo desde as pequeninas criaturas. Tudo o que existe é sinal da providência, sabedoria, beleza e amor de Deus.

O Papa Francisco, profeta de nossos tempos ao se dirigir a nós que habitamos o Planeta Terra, nos convida a uma “conversão ecológica, uma cultura ambiental e uma espiritualidade defensora da natureza”. A terra transformou-se num “depósito de lixo”, diz o Papa, e lamenta que muita gente ainda  tenha atitude  de indiferença, desinteresse, resignação, diante de tanta destruição. Na sua mensagem para a Campanha da fraternidade de 2017 na Igreja do Brasil o Pontífice nos diz: “O objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, inspirado na passagem do Livro do Gênesis (cf. Gn 2,15), é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Como “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43). Este, precisamente, é um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais”. Vamos juntos nesta quaresma buscar o melhor para nossa santificação pessoal e social, não esquecendo nosso ecossistema, vale dizer: Cuidar do meio ambiente a flora, fauna os microrganismos que nele habitam, e que incluem os fatores de equilíbrio geológico, atmosférico, meteorológico e biológico. Onde há luta, há coroa”. São João de Cruz conclui: “Não fujas dos sofrimentos, porque neles está a tua saúde”. Quaresma é isso. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – Aparecida – SP

 

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