Uma memória agradecida: 40 anos de caminhada

Querida Diocese de Guanhães,
Ao celebrar seus 40 anos de história, não consigo deixar de fazer memória – não apenas dos fatos, mas das experiências que marcaram minha vida de fé.
Lembro-me de quando comecei a compreender, ainda que de forma simples, o sentido da missão da Igreja. Eu morava em Braúnas, MG, e, na comunidade rural de Araras, recebíamos mensalmente o padre Dilton Maria Pinto. Ele presidia a Missa, anunciava o Evangelho e, com gestos simples, nos ensinava a importância da Palavra. Incentivava-nos a ler a Bíblia e a viver a fé no cotidiano. Naquele tempo, aprendíamos a olhar o mundo a partir da solidariedade, do direito e da justiça. Guardo essa memória com carinho. Era o final da década de 1990 – e eram, de fato, bons tempos.
Com o passar dos anos, a Diocese foi crescendo, se organizando e construindo sua identidade. Hoje, ao olhar para trás, percebo como essa história não está apenas nos registros, mas vive na memória e nos afetos de tantos cristãos. Sob o cuidado de bispos, presbíteros, diáconos, leigas e leigos, religiosas e religiosos, foi se formando uma Igreja marcada pela missão. Um território amplo, composto por tantas comunidades, mas unido pela comunhão e pela fé de Jesus Cristo.
Falo também a partir da minha própria história. Com convicção, reconheço o quanto devo à Diocese de Guanhães na minha formação pessoal e profissional. Foi no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, em Caratinga, MG, que tive a oportunidade de estudar Filosofia. Ali, em meio à formação presbiteral, fui também construindo caminhos que me levariam à docência. Hoje, após 15 anos de atuação profissional, olho para essa trajetória com gratidão e reconheço a presença da Igreja em cada etapa.
São muitas as pessoas que marcaram esse caminho. Recordo, de modo especial, dos presbíteros que se tornaram referência de fé e esperança. Entre eles, o querido Padre Saint-Clair Ferreira Filho, cuja dedicação à Diocese foi uma expressão concreta de amor à Igreja. Sua vida, assim como a de tantos outros ministros, foi inteiramente doada ao serviço pastoral e missionário.
Celebrar 40 anos é reconhecer uma caminhada de maturidade. Do seguimento de Jesus, colhemos frutos de fraternidade, amor e comunhão. Fazer memória dessa história é também reconhecer que nossa fé se constrói no tempo, nas relações, nas experiências partilhadas neste Vale do Rio Doce. A história da Igreja se confunde com a nossa própria história.
Hoje, mais do que recordar o passado, somos convidados a renovar a missão. A Diocese continua seu caminho: evangelizando, formando discípulos missionários e promovendo a comunhão. E nós, que fazemos parte dessa história, seguimos juntos, sustentados pela esperança.
Receba, Diocese de Guanhães, minha gratidão por tudo o que ajudou a construir em minha vida e na vida de tantos.
Com estima e fé,
Luís Carlos Pinto
Professor

