A Lição da Singularidade dos Filhos em Missão
Márcio nasceu em 1987, Lucas foi gerado em 1995, Maria Valentina em 2001 e o caçula, Enzo, chegou em 2004. O que eles têm em comum? São filhos dos mesmos pais: Ana e Carlos.
Durante toda a vida, o casal morou no mesmo bairro, na mesma rua, na mesma casa. Um bairro com a mesma vizinhança durante todo o período em que os filhos do casal viveram com eles.
Márcio, desde muito cedo, com uma curiosidade aguçada, buscou compreender o funcionamento das coisas: aparelhos elétricos, eletrônicos e mecânicos. Este último chamou mais a sua atenção. Pouco antes de completar a maioridade, já trabalhava consertando motores movidos a combustão.
Lucas também tinha uma curiosidade aguçada e, talvez pela influência do irmão, gostava de descobrir o funcionamento das coisas, em especial circuitos elétricos. Aos 14 anos, ajudava Márcio a consertar veículos, concentrando-se na parte elétrica.
Maria Valentina era mais estudiosa. Admirava o esforço dos irmãos, o trabalho duro que eles realizavam, mas tinha muito jeito para a liderança. Gostava de gerir e planejar as coisas. Não por acaso, formou-se em Administração.
Enzo estava sempre conectado às redes sociais, cercado por muita tecnologia, mas com grande consciência sobre sustentabilidade e proteção ambiental.
Entre gostos pessoais, um gostava de laranjas, outro de melancia, uma de peras, e outro não gostava de frutas.
Em suas atitudes, um era muito tradicional e queria que tudo acontecesse sempre da mesma forma — essa era a sintonia de seu coração. Outro era mais distante, desapegado das coisas, como se vivesse em um mundo próprio, mas apreciava o que era leve, engraçado e respeitoso — ali estava o tesouro de seu coração.
Na família, quem tinha sede de renovação e avivamento era a moça. Seu coração vibrava dessa forma. Já o irmão mais novo, desiludido com o materialismo do mundo, aprendeu, na internet, sobre as tradições da fé, e isso fez seu coração pulsar mais forte.
Todos eles, até mesmo Lucas, serviam e se engajavam na paróquia onde moravam com seus pais. Cada um à sua maneira, com seus gostos pessoais e com a sintonia de seus corações, estavam presentes e atuantes nas pastorais e movimentos. Mas, quando estavam reunidos em família…
Ana e Carlos não sabiam mais o que fazer diante de tantas brigas e discussões. Viviam um caos, em meio a acusações de “traição à fé católica”, de “farisaísmo moderno” e de “heresias”…
Até que, um dia, diante de toda aquela confusão, Carlos levou Ana para o quarto e colocou na TV o Salmo 23: “O Bom Pastor”, cantado por um coral que eles gostavam.
O cântico começou a ecoar pela casa: “Pelos prados e campinas verdejantes eu vou…” e atingiu os corações que estavam em conflito. Silenciaram-se as vozes, os gritos e os choros, e a calmaria chegou após a tempestade. Aos poucos, tímidos, eles foram cantando aquelas benditas palavras. Primeiro, Maria Valentina, depois Lucas, Enzo e, por fim, Márcio.
“Tu és, Senhor, o meu Pastor…” — eles entraram cantando no quarto dos pais, que os acolheram com abraços e muito carinho. Quando o cântico terminou, Ana iniciou a oração do Pai-Nosso, acompanhada por todos.
Ana e Carlos nem imaginavam que algumas pesquisas científicas sugerem que pessoas que rezam juntas podem alinhar suas ondas cerebrais e batimentos cardíacos; ou seja, quando rezamos juntos, estamos nos sincronizando uns com os outros.
Aquela cena virou rotina na casa daquela família. Rezavam juntos, rezavam uns pela transformação dos outros, mas suas diferenças ainda os incomodavam muito.
Ana os convidou para participarem de formações bíblicas e catequéticas… E, diante de tantas reflexões, um pensamento começou a surgir na mente de Enzo: “Se aqui, na nossa família, somos diferentes, cada um tem seus gostos, suas formas de servir e se sente bem assim, então Deus utiliza diversas formas para que nossos corações entrem em sintonia com Ele”.
Aquele pensamento não saiu de sua cabeça durante todo o dia e, quando chegou em casa para rezar com seus irmãos, ele pediu a palavra e compartilhou suas ideias com a família, que refletiu sobre aquele entendimento.
A partir daí, os irmãos não rezavam mais pela transformação dos outros, mas para que fossem fortalecidos em suas missões.
Cada um tem seu jeito de servir, de se sentir ligado ao Pai. Como sugestão para refletirmos: se estamos nos sentindo incomodados com a forma como nossos irmãos servem e se conectam ao Pai, será que estamos realmente conectados com Ele? E, se sentimos a mesma alegria do pai do filho pródigo ao revê-lo, quando vemos alguém buscando a Deus à sua maneira, isso não seria um sinal de que estamos ligados a Ele?
Irmãos, que São Miguel Arcanjo, padroeiro da nossa quarentenária Diocese de Guanhães, e Nossa Senhora Aparecida, padroeira da Pastoral da Comunicação, intercedam por nossas formações e missões!
Imagem gerada por IA – OpenAI.
Joel Fernandes
Coordenador Diocesano da PASCOM
Assessor de Comunicação da Diocese de Guanhães

