Wanderlei Rodrigues

ANIVERSARIANTES DO MÊS DE JANEIRO

Dia Padres Nascimento/Ordenação
     
11 Pe. Manoel José de Godoy Vigário Paroquial de Santo Antônio do Norte/MG – Tapera Nascimento
13 Pe. Eduardo Dornelas da Cruz – Administrador Paroquial de Coluna/MG Nascimento
14 Pe. Adão Soares de Souza Administrador Paroquial de Senhora do Porto e Nossa Sra. Aparecida – Pito – Guanhães/MG Ordenação
14 Pe. Salomão Rafael Gomes Neto – Administrador Paroquial de Rio Vermelho/MG Nascimento
28 Pe. Hermes Firmiano Pedro Pároco de São Miguel e Almas – Guanhães/MG Ordenação
29 Pe. Adão Soares de Souza Administrador Paroquial de Senhora do Porto e Nossa Sra. Aparecida – Pito – Guanhães/MG Nascimento
31 Pe. Osmar Batista Siqueira Administrador Paroquial de Joanésia/MG Nascimento

 

Dia Consagradas  
06 Maria das Neves de Matos (Morro do Pilar/MG – Cooperadora da Família) Profissão Religiosa
10 Carmen Helena P. de Oliveira (Guanhães/MG – Cooperadora da Família) Profissão Religiosa
10 Maria Célia Aparecida Andrade (Santa Mª Suaçui/MG – Cooperadora da Família) Nascimento
22 Maria Otília Nave Tourais (Guanhães/MG – Cooperadora da Família) Nascimento

 

Dia Funcionários/Colaboradores  
27 Cristiane de Oliveira Ribeiro Secretária da paróquia de Materlândia/MG Nascimento
28 Bruno Lúcio da Silva Fonseca Zelador da paróquia São Miguel e Almas – Guanhães/MG Nascimento

Santuário Basílica da Piedade

O Papa Francisco presenteia Minas Gerais, de modo singular, com o título de basílica concedido ao Santuário Nossa Senhora da Piedade – Padroeira de Minas Gerais. Esse título conferido pelo Papa há de alegrar o coração de todos os mineiros. É também motivo de gratidão de toda a Igreja Católica no Brasil, pois coroa um tempo especial – 250 anos do povo peregrinando na fé ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, o coração de Minas Gerais. Uma admirável história: desde 1767, os pobres, os crentes, homens e mulheres de boa vontade, sobem até o alto da montanha sagrada atraídos, em primeiro lugar, pela força de uma densidade amorosa – a presença de Maria, Mãe da Piedade, que tem nos braços o Filho Amado, Jesus Cristo, o Salvador do mundo. A imagem da Padroeira de Minas está na Ermida, o lugar mais importante do Santuário, edificada onde ocorreu um milagre: conforme conta a tradição, uma menina surda e muda passa a ouvir e a falar após a aparição da Mãe de Deus.

Maria, no Santuário da Padroeira de Minas Gerais, a exemplo do que ocorre mundo afora, congrega peregrinos que se tornam devotos pela fé. Assim, esses fiéis conseguem abrir novos horizontes para suas vidas, aprendem lições, experimentam a força transformadora do Evangelho de Jesus. Pela fé, tornam-se destinatários de bênçãos e milagres. Alcançam graças que só Deus pode conceder. A veneranda imagem da Mãe da Piedade, com o Filho nos braços, revela a mais genuína raiz da religiosidade mineira, que sempre remete à paixão e morte do Salvador. É marca do discipulado autêntico, manifestado na vida de quem se dedica a promover o bem.

Os olhos da Mãe discípula voltados para Cristo ensinam: nenhuma dor é para sempre. Contribuem para que o olhar humano, embaçado pelas vicissitudes, contemplem a luz transformadora da fé, que possibilita enxergar o invisível, o caminho da vitória e a sua consolidação no amor. A imagem da Padroeira de todos os mineiros é obra de Aleijadinho, referência maior do barroco de Minas, nascido na grandeza da história deste “Estado Diamante”. No Santuário, essa arte colonial barroca, tocada pela fé, desdobra-se em riquezas e monumentos modernos, a exemplo da Igreja Nova das Romarias que, junto com a Ermida, agora também é basílica.

O Santuário configura-se, pois, em inesgotável tesouro da religiosidade mineira, que se alimenta da cruz e experimenta a alegria vitoriosa da ressurreição. Esse tesouro deve ser sempre bem cuidado por todos, com estima e reverência, para ser alicerce perene da fé cristã católica no Brasil. Seu território sagrado contempla um sítio ambiental de mais de um milhão e duzentos mil metros quadrados, enriquecido, inexplicavelmente, pela Mata Atlântica e pelo Cerrado, dois dos cinco biomas brasileiros importantes, e pelos campos rupestres. O Santuário precisa ser, por isso mesmo, uma escola de preservação e defesa da vida, inspirando diálogos entre instâncias que têm o dever de assumir o enorme desafio do cuidado com o meio ambiente.

A indescritível generosidade da natureza, que parece sempre se manifestar diferente, de mil e uma formas, no território dedicado a Nossa Senhora da Piedade, permite afirmar: o Santuário é conjunto paisagístico e turístico mais importante, singular em beleza, de Minas Gerais. Merece o permanente empenho da Igreja, dos governos, de todos os segmentos da sociedade, em cuidados e investimentos adequados, para que possa ajudar o Estado a ocupar o lugar merecido no contexto internacional.

Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, de Caeté para o mundo. O presente do Papa Francisco ilumina ainda mais esse território sagrado, reforça a dimensão espiritual que é a mais importante e urgente quando se considera a necessidade de se alcançar novos rumos – na vida das pessoas e no contexto social. Basílica remete a rei, à realeza de Cristo, revelada na coragem de oferecer-se pelo bem de todos. Compreender o que ensina Cristo Rei, deixar que sua realeza toque inteligências e corações, produz a força para configurar um jeito novo de ser, que qualifica a vivência da cidadania civil e religiosa. Nesse sentido, peregrinar ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade é oportunidade inigualável para deixar-se tocar pela sublime e transformadora presença de Cristo, que oferece novo rumo à vida, a partir da lógica do amor. Seja na Ermida da Padroeira – a Basílica da Piedade, ou na Basílica Estadual das Romarias, o convite é para a vivência de momentos de oração, reconciliação e escuta da Palavra de Deus.

Todos são convocados a apoiar o caminho missionário do Santuário Nossa Senhora da Piedade na tarefa de fazer cada vez mais conhecido esse tesouro. O Santuário da Padroeira de Minas Gerais é dom para a Igreja no Brasil, especialmente para nós mineiros. Torne-se cada vez mais destino frequente de igrejas particulares, paróquias, comunidades, famílias, todos os apaixonados defensores do meio ambiente, governantes e construtores da sociedade, o território sagrado da Padroeira de Minas – Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

ANIVERSARIANTES DO MÊS DE DEZEMBRO

CLERO
04

 

Pe. Alípio José de Souza

 

Nascimento Ordenação
08 Pe. Itamar José Pereira Ordenação
10 Pe. João Evangelista dos Santos Ordenação
10 Pe. José de Brito Filho Ordenação
10 Dom Jeremias Antônio de Jesus Ordenação
11 Pe. Amarildo Dias da Silva Nascimento
12

 

 

Pe. Luiz Maurício Silva

 

 

Ordenações

Diaconal e

Presbiteral

13 Pe. Ismar Dias de Matos (Belo Horizonte) Nascimento
17 Dom Marcello Romano (Bispo de Araçuaí/MG) Ordenação
18

 

Frei Geraldo Monteiro – Fraternidade Santa Tereza (Santa Tereza/ES) Ordenação

 

20 Dom José Maria Pires (falecido neste ano) Ordenação
SEMINARITA
21 André Luiz Eleotério da Lomba (Água Boa) Nascimento
RELIGIOSAS

CONSAGRADAS

03

 

Irmã Neusa Alves dos Santos (Clarissa Franciscana – C.M.D.) Nascimento

 

03

 

Irmã Maria Inês de Almeida (Clarissa Franciscana – C.M.D.) Nascimento

 

08

 

Maria Raquel Mendes Soares (Cooperadora da Família – Guanhães) Profissão

Religiosa

FUNCIONÁRIOS

COLABORADORES

06 Bruno (Rádio Vida Nova FM) Nascimento
20 Marina de Carvalho Costa (Contadora) Nascimento
21
Cláudia Rocha (Rádio Vida Nova FM)
Nascimento

Avanços e retrocessos

A sociedade sofre com as consequências das mentalidades equivocadas de seus cidadãos, particularmente dos atores políticos, formadores de opinião e líderes diversos. Incontestavelmente, as percepções, interpretações e juízos definem dinâmicas e rumos, determinam avanços e retrocessos. E as perdas não são poucas, pesam sobre a vida de todos. Esse passivo relaciona-se com graves problemas na articulação entre conhecimentos, informações, interesses, sentido social e político, exercício da cidadania. Por subjugar-se a mentalidades questionáveis, a sociedade brasileira não aproveita todo o seu potencial, considerando o privilégio das riquezas naturais que integram o tesouro do Brasil. Perde-se a chance de edificar uma nação mais solidária, fraterna, com apreço à justiça e à cultura da paz.

Na contramão dessas possibilidades todas, a sociedade brasileira desconsidera suas riquezas naturais, culturais, artísticas e relacionadas à religiosidade, que poderiam qualificar sua identidade. Com isso, naufraga no lamaçal da corrupção, da indiferença com os mais pobres, dos interesses que favorecem oligarquias. As mentalidades oligárquicas – um sentido falso de cidadania – impedem o surgimento de novos cenários no contexto nacional. Não há compromisso com a igualdade e, desse modo, convive-se passivamente com situações de miséria. A doença da ganância limita entendimentos, impede que demandas urgentes sejam consideradas, gerando, assim, incompetência para que se dê um passo novo no caminho que leva ao bem de todos.

A falta de dinâmicas capazes de imprimir velocidade no desenvolvimento integral do conjunto da sociedade não se deve à carência de referências tecnológicas ou de recursos intelectuais. Um percurso acadêmico, a conquista de conhecimentos técnicos, pouco valem para promover avanços sociais se não houver também qualificada mentalidade, pois se torna inviável o lúcido entendimento do contexto atual, da cultura e das oportunidades para que o bem de todos seja alcançado. Se o conhecimento técnico não se alicerça em valores, princípios e inventividades que configurem o compromisso com o bem comum, os retrocessos são inevitáveis. Esse conhecimento permanece enjaulado nos interesses mesquinhos ou na leitura equivocada da realidade.

Fenômeno estarrecedor é a distorcida visão de indivíduos que não conseguem enxergar “para além de um palmo adiante do nariz”, conforme o dito popular. Essa cegueira causa impactos não apenas no âmbito pessoal, mas também no contexto familiar, na comunidade religiosa, nas dinâmicas de uma cidade – grande ou pequena.  Sem enxergar o que está para além dos próprios interesses, todos permanecem na mediocridade e sacrificam o bem comum. E diante dessa situação, a sociedade continua a conviver de forma apática com os retrocessos.

A falta de lucidez tem sérias consequências que requerem muito tempo e esforço para serem reparadas. Urge um tratamento sistêmico da mentalidade vigente, sobretudo no mundo da política e em todos os outros segmentos que deveriam ser construtores de uma sociedade pluralista. Trata-se de caminho que leva à clarividência necessária para compreender o verdadeiro sentido de desenvolvimento integral. Trilhá-lo permitirá conquistar práticas e legislações que poderão tirar o Brasil da obscuridade.

Muitas situações devem ser ponto de partida para romper com a mediocridade, que se manifesta, claramente, nas dificuldades que a representação política tem para elaborar as reformas, a exemplo da trabalhista, para que sejam vetores de avanços, e nunca de retrocessos, no respeito à dignidade humana. Entre muitos parâmetros e princípios, a mentalidade contemporânea precisa orientar-se pela busca do bem comum. Esse é o fundamento da ética social, que possibilita o respeito à vida humana, o reconhecimento de sua sacralidade. A ética social, quando assumida como princípio, resulta no desabrochar da competência para a criatividade e o discernimento, permitindo o aproveitamento das oportunidades que levam a novas e esperadas respostas. Por isso, desafiadora e muito necessária é a tarefa de retrabalhar mentalidades para que, em lugar de retrocessos, a sociedade deslize sobre os trilhos dos avanços.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Atenção aos pobres

O Dia Mundial dos Pobres, 19 de novembro, instituído pelo Papa Francisco, deve soar como denúncia profética, diante da inexistência de prioridade nos cuidados dedicados aos que sofrem. O descaso com o sofrimento dos pobres é a origem da multiplicação de vergonhosos cenários na sociedade contemporânea. O desafio para mudar esta cruel realidade é de todos, principalmente de quem professa a fé em Jesus Cristo.  O Papa Francisco lembra a forte palavra da Primeira Carta de São João quando destaca a recomendação fundamental: “Não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade”. Crer é amar, e o amor não admite álibis, diz o Papa Francisco. Só há um caminho para viver, de modo autêntico, a fé cristã: assumir o exemplo de Jesus e amar os pobres. Algo bem diferente do que fazem muitos daqueles que se dizem cristãos, mas deixam para segundo plano as necessidades de quem precisa de ajuda.

O amor cristão nada tem a ver com a demagogia de atos eleitoreiros, com a busca de visibilidade e reconhecimento pessoal. Menos ainda se relaciona com a tendência antiquada e antipática de tratar os pobres como reféns, buscando atender, “a conta gotas”, a suas necessidades. É preciso ter vergonha de tratar os pobres simplesmente como destinatários de algo, sem reconhecer a dignidade e o valor da vida de cada pessoa. Incontestavelmente, o amor aos pobres é mais que dever, constitui remédio para o coração: vivenciá-lo leva à cura das indiferenças que comprometem a paz. O amor aos pobres gera equilíbrio, possibilita reconhecer o sentido e o valor do outro. Esse sentido, com frequência, é obscurecido pela mesquinhez, por confortos e interesses egoístas, obstáculos que impedem compreender o próximo como irmão ou irmã.

Sábia e revolucionária é a recomendação do Papa Francisco: não se pode considerar os pobres simplesmente como alvos de um trabalho voluntário, praticado uma vez ou outra, improvisadamente. É preciso muito mais, pois a consciência social e moral da humanidade parece estar anestesiada, insensível diante dos que sofrem. Tem gente que cresce, avança nas conquistas, adquire conhecimento acadêmico, elaborando entendimentos sobre o mundo e a vida, mas permanece distante da dura realidade dos mais pobres. Consequentemente toda a humanidade perde, pois a sacralidade da dignidade humana é desconsiderada. E os desdobramentos dessa situação ficam cada vez mais evidentes, entre outros aspectos, no crescimento das muitas formas de violência que devastam, avassaladoramente, a sociedade.

A caridade, pela experiência da fé, e o sentido de partilha, pelo qualificado exercício da cidadania, têm força corretiva e formativa do caráter de cada pessoa. Contribuem ainda para que todos se percebam integrantes de uma coletividade, superando o individualismo egoísta.  A caridade e a partilha são, assim, o caminho para superar tantos desrespeitos, inclusive a falta de indignação diante das desigualdades que desfiguram a sociedade. Por isso, sublinha o Papa Francisco, é preciso estender a mão aos pobres, encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. Eis o remédio que cura a indiferença, esse mal que adoece e mata. A caridade e a partilha podem devolver ao coração uma sabedoria cuja especialidade vem do encantamento pelo outro.

A pobreza convida cada pessoa a sair de certezas e comodidades que alimentam a mesquinhez e desgastam o valor essencial de ser altruísta. Por isso, mesmo com o passar dos séculos, continua exemplar a trajetória de São Francisco de Assis, testemunha da pobreza genuína. A fé deste Santo, ao fixar o seu olhar em Cristo, aponta o caminho de uma contribuição que pode ter força para mudar a história da humanidade, em meio a tantas contradições, abrindo caminhos para o verdadeiro e integral desenvolvimento humano. Sem a coragem audaciosa para erguer os pobres de seu estado de marginalização, com uma escuta amorosa e humilde do grito de quem sofre, não se dará rumo novo à sociedade, que continuará imersa nos esquemas de corrupção, nas manipulações e descalabros.

A exigência primeira para sair desse cenário desolador é criar proximidade com os inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, opressão, violências, torturas e marginalização. Os cidadãos e cidadãs precisam de uma nova visão de vida, para vencer a miséria moral e a passiva conivência com todo tipo de injustiça. Será um verdadeiro Dia dos Pobres, passo adiante da sociedade em direção ao bem e à justiça, se esta data – 19 de novembro – for oportunidade para incomodar-se com a acumulação de riquezas nas mãos de poucos privilegiados, com a exploração humana e com as ilegalidades que acentuam a pobreza. A celebração do Dia Mundial dos Pobres contribua, assim, para efetivar o sonho de um mundo marcado por qualificado e amoroso voluntariado – todos unidos na luta terapêutica pela edificação de uma sociedade solidária, de equilíbrio, justiça e paz.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

Resgatar a civilidade

No passado era muito comum ouvir elogios destinados às pessoas reconhecidamente civilizadas, qualidade que define homens e mulheres comprometidos com a conduta ilibada e honesta, dedicados ao exercício da cidadania de forma admirável. Importante sublinhar: ser civilizado não é apenas dominar o conjunto de formalidades e etiquetas exigidas em certos ambientes. Trata-se de orientar a própria conduta a partir de parâmetros humanitários cultivados na consciência humana. E é exatamente esse sentido de civilidade que está faltando na sociedade contemporânea. Assim, a cidadania fica comprometida, pois há carência de um sólido embasamento antropológico para o exercício da civilidade. Falta clareza a respeito da origem, destino e missão de todo ser humano, da responsabilidade de cada um na construção de uma sociedade justa e fraterna.

Os acelerados avanços tecnológicos não são acompanhados pelo cultivo da civilidade. As muitas oportunidades para intercâmbios, partilhas de informações e a beleza de poder se comunicar com pessoas diferentes, em todo o mundo, coabitam com equivocados modos de agir do ser humano, que se mostra descomprometido com a tarefa de compor e integrar equipes, de formar laços para trilhar um itinerário em busca do bem comum.

A perda de civilidade alimenta a delinquência que toma conta das muitas dinâmicas da sociedade contemporânea, manifestando-se de diferentes maneiras e intensidades. Contempla a loucura dos atiradores que avançam sobre multidões, os atentados terroristas, a incontrolável violência dos contextos urbanos e, também, os diferentes “assaltos” ao erário, praticados por quem busca a satisfação doentia de aumentar o patrimônio com aquilo que pertence ao povo. Um tipo de conduta que torna ainda mais distante o sonho de alcançar a civilização do amor. Aspiração que, para se tornar realidade, depende da eficácia de processos educativos fundamentados em princípios  antropológicos capazes de possibilitar o reconhecimento do verdadeiro sentido da vida no contexto contemporâneo.

Se a vida perde sentido, a liberdade é exercida para alimentar delinquências. Prevalece o “vale tudo”, com as conveniências egoístas que desconsideram a existência das outras pessoas, particularmente dos mais pobres, indefesos e inocentes. Nesse cenário, perde-se a noção de pátria e de pertencimento. Muitos passam a considerar retrógrados os princípios e valores que sustentam a civilidade. Acham-se no direito de passar por cima de tudo para alcançar, mesquinhamente, certos interesses. Uma postura que gera incompetência para a vida em coletividade, perdendo-se muitas oportunidades para a qualificação da cidadania. A própria liberdade torna-se ameaçada, pois no “vale tudo”, a premissa do respeito mútuo é desconsiderada.  Perde-se a segurança de ir e vir, a capacidade para se relacionar harmonicamente com o semelhante e, particularmente, o compromisso de dedicar-se à solidariedade.

Esse fenômeno preocupante da perda do sentido de civilidade gera ainda a incapacidade para ouvir críticas, ou mesmo elaborá-las com o objetivo de promover mudanças que signifiquem aprimoramento. Aos poucos, convive-se com a superficialidade de uma sociedade que ocupa território de riquezas extraordinárias, mas não sabe o que fazer para promover o bem de todos. A incivilidade na sociedade brasileira atrasa novos passos, a saída das crises. Mata alegrias e esperanças.

Por isso, é preciso recuperar a civilidade aprendida nos lares e cultivada nas muitas escolas da vida. Sem civilidade, não há valorização do amor como norma suprema na vida social, nos âmbitos político, econômico e cultural e nem os gestos que levam em consideração o respeito às diferenças, às pessoas, aos momentos e aos ritos. O esquecimento da civilidade permite as discriminações e a confirmação de elitismos que envenenam a sociedade. É preciso resgatar a civilidade, seu conjunto de normas e práticas, que contribui para modular consciências, o caminho para qualificar as relações humanas, viver como autodoação em benefício da sociedade, autênticos servidores e cidadãos comprometidos. É preciso trabalhar muito, dos pequenos gestos à nobreza de grandes atos, para se resgatar a civilidade.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Fragilidade no Poder

As reflexões sobre o poder são permeadas de argumentos e contestações, em um amplo percurso histórico-filosófico. Muitas disciplinas tratam desse tema, que reúne abrangente campo semântico. E osdiferentes estudos sobre poder partilham a convicção de seu caráter determinante na dimensão existencial do ser humano – daconfiguração da cultura à forma como a sociedade lida com seus problemas. Por isso mesmo, a partir das importantes contribuições dos diferentes campos do saber, é preciso compreender melhor o poder, com seus desdobramentos políticos na história, e os interesses envolvidos no seu exercício. Perceber o modo como o poder é exercido pelo indivíduo e no âmbito institucional permite enxergar soluções para os desafios. Além das pertinentes análisesteóricas,torna-se fundamental reconhecer uma inegávelsituação: a configuraçãodo poder revela fragilidade em seu exercício.

O campo político restringiu toda essa realidade a um pífio desempenho na dinâmica partidária, o que compromete resultados e não gera a força necessária para as conquistas. Com frequência, pessoas “caem de paraquedas nas cadeiras do poder”. Os que se tornam “autoridade” não se dedicam a exercer adequadamente o papel de representantes do povo. Ao se definir nomes para as instâncias de decisão, invariavelmente os requisitos de caráter pessoal são desconsiderados. Na ocupação de cadeiras, lugares, distribuição de títulos, têm mais influência os interesses cartoriais. Consequentemente, torna-se difícil transformar sistemas organizacionais – de instituições, segmentos civis ou religiosos – e romper dinâmicas interesseiras, que não almejam o bem coletivo.

Há, pois, um vácuo entre o poder e a real atuação das autoridades, que se revela nos desempenhos medíocres. Essa mediocridade incide no exercício dos poderes constituídos e também no cotidiano de cidadãos comuns. Percebe-se que o poder aparece incontestavelmente fragilizado. Tudo em decorrência da falta de preparo profissional e humanístico, espiritual e cultural para o exercício da autoridade.

Prova dessa triste realidade é a corrupção que se mostra de diferentes modos no contexto social. Há uma dificuldade para tratar, de forma adequada, o bem comum. Faltaenvergadura para evitar assaltos aos cofres públicos e, ao mesmo tempo, convive-se com a incapacidade para inovar. Todos sofrem com as mais diversas consequências – déficits estruturais, equívocos na definição de prioridades e ausência de respostas capazes de alargar horizontes. Perdem as pessoas e as instituições que, deliberadamente, ou pela força dos medos e preconceitos, permanecem na rigidez, temendo o que é novo e diferente.

O exercício daautoridadedeve incluirsobretudoo compromisso com a verdade, a competência e a disposição para promover os avanços culturais eas conquistas. Fundamental é vencer a incompetência, o autoritarismo, a rigidez, as obscuridades e tudo o que reveste o poder de fragilidades.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Aniversariantes Mês de Novembro

CLERO
04 Pe. Valter Guedes de Oliveira Nascimento
11 Pe. Josemar Inácio da Rocha Ordenação Diaconal
15 Pe. Manoel Godoy Ordenação
20 Pe. José Aparecido de Pinho Nascimento
22 Pe. Mário Gomes dos Santos Nascimento
25 Pe. Elair Sales Diniz Ordenação
27 Pe. José Aparecido dos Santos Nascimento
SEMINARISTA
03 Thiago Dione Vileforte Nascimento
FUNCIONÁRIOS
01 Vagner Júnior (Rádio Vida Nova FM) Nascimento
04 Tamires Vasconcelos – sec. Coluna Nascimento
10 Tamara Gonçalves – sec. São José do Jacuri Nascimento
11 Fernando Araújo (Rádio Vida Nova FM) Nascimento

 

Na Família e na Escola

As dinâmicas que configuram a interioridade de cada pessoa, fundamentais para a vivência transformadora da fé, dependem de dois âmbitos muito especiais: a família e a escola, determinantes para a formação humana. Por isso mesmo, uma sociedade que busca novas configurações e funcionamentos institucionais deve investir fortemente na família e na escola.

Esse investimento deve considerar uma definição de escola que não se restrinja ao ensino formal, o que significa contemplar as escolas formais e as muitas outras “escolas da vida”, lugares onde as pessoas também desenvolvem modos de ser e de agir. É preciso ainda conceituar família de um modo mais amplo. Obviamente preservar a família dentro do sentido incontestável do matrimônio, mas também considerar grupos sociais que se formam a partir de propósitos comuns – desde os que torcem apaixonadamente por um time de futebol aos que se reúnem em torno de projetos sociais e culturais, por exemplo.

A família e a escola, pensadas no seu sentido genuíno e essencial, mas também de forma mais abrangente, merecem atenção especial.  Somente assim podem ser alicerçadas as urgentes mudanças na sociedade brasileira, fazendo surgir uma nova cultura, de vida e da paz.  Essa cultura pressupõe o irrestrito respeito ao bem comum e à justiça. Por isso mesmo, depende de transformações no interior de cada pessoa que refletirão em suas escolhas. E nessas mudanças, é preciso que o amor seja vetor de desenvolvimento. Cultivam-se, assim, sentimentos humanitários e espirituais, que comprometem consciências e corações com o respeito ao outro, que é irmão.

Por tudo isso, reconhecendo a importância de transformações nos funcionamentos governamentais e de diferentes segmentos da sociedade, é fundamental reconhecer esta urgência: dedicar atenção especial à família e à escola. Vale, então, considerar analiticamente o que está acontecendo no contexto atual da sociedade contemporânea – atos de violência como o de um jovem que atirou contra colegas em uma escola, ou o desatino de atear fogo em si e nos outros, suicidamente. E ainda o domínio ilegal de territórios e seus habitantes motivado por propósitos que dizimam vidas. Tão destrutivamente forte quanto esses males todos são as práticas de corrupção, em pequena e larga escala.

A vitória sobre o que ameaça a vida só será possível se as famílias e as escolas forem cuidadas, urgentemente, de um modo melhor. Pois nas famílias e nas escolas é que podem ser barradas as delinquências que geram graves danos à cultura e a diferentes áreas, prejudicando a humanidade inclusive no desenvolvimento econômico. O caminho, assim, é investir para que se aprenda, na família e na escola, o exercício da solidariedade e da bondade.

A família e a escola despertam sentimentos que permitem a compreensão humanística sobre o que é viver. Edificam, com envergadura, o caráter de cada pessoa, que fica livre, inclusive, de graves quadros patológicos, a exemplo da perda do apreço pela própria vida, do hábito de se guardar e alimentar rancores, ressentimentos, ciúmes e disputas. Sem o adequado investimento na família e na escola, a sociedade permanecerá a conviver com o medo e a desconfiança, e ainda com o egoísmo que se manifesta na defesa mesquinha dos próprios interesses, sempre em prejuízo do bem comum.

Há muito que modificar, quando se consideram os hábitos e práticas aprendidos e cultivados na família e na escola. É preciso coragem, humildade, disponibilidade para ouvir, seriedade e dedicação, na tarefa de compreender melhor e reconfigurar as práticas cotidianas. Diferentes complexidades surgem como desafios para o mundo atual, a exemplo do uso das novas tecnologias, que em algumas situações compromete laços familiares, a harmonia entre as pessoas. Não menos desafiador é o contexto urbano, tão ferido com a falta de civilidade e respeito.  Essas realidades e tantas outras que precisam ser mudadas requerem dinâmicas com força para conduzir a sociedade no caminho do bem e da verdade, e os passos para trilhar esse trajeto são aprendidos na família e na escola.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Cuidados com a cultura

A vida é dom especial que não pode ser compreendida como um simples contar dos dias. Um frágil dom de valor inestimável. Bem diz o apóstolo Paulo: a vida é um tesouro carregado em vaso de barro. Por muito pouco, esse dom pode ser atingido em sua sacralidade, gerando prejuízos irreversíveis comumente causados pelas perigosas relativizações. Relativizar valores e princípios, de forma inadequada, significa desconsiderar muitos aspectos do cotidiano que requerem atenção especial. A vida merece ser reconhecida como um tesouro. Assim, é preciso cuidar da cultura que sustenta a vida – todo um conjunto de valores, práticas, hábitos e costumes que definem o jeito de ser da pessoa e de uma sociedade.

Muitos consideram que o sistema político é o campo determinante para que uma nação conquiste avanços. Também se fala da decisiva influência das relações econômicas e de tantos outros campos na vida de um povo.  Entretanto, de modo particular, vale prestar atenção, analisar e compreender as características culturais que definem o contexto social. A cultura tem força para influenciar todas as áreas da sociedade. O tecido cultural, com sua incidência nas muitas ações que integram o cotidiano, é decisivo para alcançar avanços, ou mesmo sofrer com atrasos. Por isso, nos processos educativos, vale estudar, analisar e compreender as singularidades da cultura. Isso permite conhecer com mais profundidade a realidade, gerenciar melhor as dinâmicas da vida.

Nesse sentido, para se alcançar o desenvolvimento integral não bastam os êxitos políticos ou as conquistas da área econômica. É preciso investir na qualificação do tecido cultural, torná-lo base consistente para avanços sociais. Analisar criticamente esse tecido permite selecionar e promover tudo o que faz um povo progredir. Possibilita também eliminar ou substituir características e jeitos de ser que alimentam atrasos. Traços culturais determinam jeitos de enxergar, sentir e elaborar a autoconsciência, indispensáveis para a participação cidadã. Por isso mesmo, é sempre preocupante quando os indivíduos aprendem que as coisas, os jeitos e os lugares dos outros, sobretudo dos que são de fora, são melhores.

A consequência é o comprometimento da autoestima, as perdas do sentido de pertencimento e do reconhecimento do próprio valor como povo e cultura. Convive-se com a falta de determinação, de objetividade, de lucidez e de produtividade. Nasce, assim, uma generalizada incapacidade para promover avanços, mesmo tendo à disposição as riquezas singulares do lugar onde se habita. As condições favoráveis, até privilegiadas, do próprio território são desconsideradas por descompassos na dinâmica cultural e se desdobram na incompetência humana para agir com transparência e coragem, principalmente no tratamento de assuntos que exigem objetividade para gerar avanços.

Diante da necessidade de se buscar o desenvolvimento integral, há uma demanda óbvia em toda sociedade: investir cuidadosamente no tecido da cultura para se alcançar transformações sociais mais profundas. Isso exige que todos os cidadãos sejam reverentes à própria história e aos seus antepassados. Assumam com coragem a tarefa de criar melhores condições de vida nos dias atuais, considerando, também, o bem-estar das gerações futuras. Particularmente, investir no tecido da cultura é agir com prudência para não se equivocar diante das relativizações que vão cobrar um alto preço. Aqui, vale recordar-se do campo da arte, em discussão neste momento.  Quando a arte abandona o bom gosto, faz valer os absurdos das apelações e comparações inadmissíveis. Tudo em nome de liberdades que permitem a qualquer pessoa desconsiderar que a cultura é um processo de assimilação e vivência, substrato sustentador de um jeito de ser, da vida, que é dom. Essa é uma tendência perigosa, principalmente quando se reconhece que é preciso cuidar da cultura.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

  

 

A Palavra do Pastor
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Graça e perseverança na missão

Graça e perseverança na missão

 “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fl 2,5) Retomo as iluminadoras palavras do Papa Francisco na...
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Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

“Olhando para o céu, suspirou e disse:  “Effatha!”, que quer dizer “abre-te!” No 23º Domingo do Tempo Comum (ano B),...
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Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Paróquia: Escola de Comunhão e de Amor

Como Igreja que somos, precisamos testemunhar a nossa Fé, dando solidez à Esperança, na vivência concreta e eficaz da Caridade,...
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Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom  Otacilio F. de Lacerda.

Nossa prática religiosa é agradável a Deus? Homilia – 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B – Dom Otacilio F. de Lacerda.

Com a Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano B), aprofundamos como deve ser uma verdadeira religião que agrade...
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“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“Só Tu tens Palavras de vida eterna” – Homilia 21º Domingo do Tempo Comum

“A quem iremos, Senhor?” Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre nossas opções, sobre o discernimento que...
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