Sejamos curados pelo Senhor – Homilia – XXIII Domingo do Tempo Comum

“Olhando para o céu, suspirou e disse:

 “Effatha!”, que quer dizer “abre-te!”

No 23º Domingo do Tempo Comum (ano B), somos convidados a acolher a Palavra que nos apresenta Jesus, Aquele que, em comunhão com o Pai, cura, liberta, toca-nos com Seu ser e Sua Palavra.

Mais uma vez contemplamos o querer de Deus: a vida e a felicidade da humanidade.

A passagem da primeira Leitura do Livro do Profeta Isaías (Is 35,4-7a), retrata a fase final do exílio do Povo de Deus na Babilônia , é clara a intenção do Profeta de consolar os exilados, desanimados, frustrados e mergulhados no desespero, com a confiança indispensável na ação e força de Deus.

É missão do Profeta recuperar a esperança sem desanimar, mesmo quando há tudo para recomeçar.

O Profeta assegura que Deus não se esqueceu de Seu povo, e somente com Ele começará uma nova história. Deus realizará um novo êxodo, solene, grandioso e pleno de vida.

Transformando situações de desespero em confiança e alegria; situações de imobilismo dão espaço para a luta, o engajamento, o comprometimento.

Ontem como hoje, é preciso entregar-se e comprometer-se com Deus. No contexto de pós-modernidade em que vivemos se contrapõem dois olhares: o olhar de fé e esperança e o olhar de desespero.

Reflitamos:

– Estamos sendo Profetas da esperança, da experiência amorosa de Deus?

Com a passagem da segunda Leitura (Tg 2,1-5), aprendamos a acolher os mais necessitados, com quem Deus Se identifica, superando toda forma de exclusão.

A comunidade não pode perder os autênticos valores cristãos, evitando toda e qualquer forma de discriminação, multiplicando ações concretas e fortalecendo o compromisso social e comunitário. É viva a comunidade quando vive uma fé operativa.

Como toda comunidade, as tentações do poder, ter e ser devem ser enfrentadas, fortalecendo o compromisso com os empobrecidos, os preferidos de Deus, que biblicamente são os frágeis, pacíficos, simples, humildes, disponíveis, despojados e possuem ânsia de libertação.

O acolhimento dos pobres exige o despir-se do orgulho e da autossuficiência acolhendo com humildade, simplicidade e fidelidade os dons de Deus.

Reflitamos:

– Como é a acolhida dos pobres em nossas comunidades?

– Há acepção de pessoas em nossas comunidades?

– Nossa comunidade dá testemunho de amor, bondade, misericórdia e tolerância para com os irmãos?

– O que fazemos para a superação da discriminação e marginalização?

Na passagem do Evangelho (Mc 7,31-37),  Jesus com Sua Palavra e ação cura, liberta e integra a pessoa na vida da comunidade.

Contemplamos a Salvação de Deus que se destina a todos os povos. A pessoa do surdo, que falava com dificuldade, representa aquele que estava à margem da salvação no mundo judaico.

A cura deste é uma catequese sobre a missão de Jesus que faz nascer em nós o Homem novo.

O Encontro com Jesus transforma a vida da pessoa que O acolhe. Abre os ouvidos à Palavra, abre os lábios para o anúncio. Cura de toda “surdez” que possamos conceber.

Encontrar-se com o Senhor implica em acolher, acreditar, converter, anunciar e testemunhar a Sua Palavra de Vida Eterna.

O Encontro com Cristo tira-nos da mediocridade e nos desperta para o compromisso, empenho e testemunho. Saímos de nosso isolamento empobrecedor, estabelecemos laços íntimos e fortes com Deus e fraternos com todos os nossos irmãos e irmãs.

A Evangelização será autêntica quando a Igreja sentir-se tocada pela Palavra de Jesus, e d’Ele se tornar fiel comunicadora.

A Igreja é comunicadora do grande “Efathá” do Senhor, ou seja, tem a missão de levar cada pessoa a sair do seu comodismo, fechamento e egoísmo, abrindo os olhos, ouvidos, boca, coração e todo o ser aos desígnios divinos.

Acolhendo com fé a Palavra de Deus nossos olhos se abrirão e na planície do deserto do desespero, das provações, nascerá, com certeza, a fina flor da esperança no coração da humanidade.

Em cada Eucaristia que celebramos, Jesus vem ao nosso encontro, nos toca com Sua Palavra e Sua Presença. Cada Eucaristia é uma passagem do Cristo Ressuscitado que nos toca e nos cura.

Urge Profetas curados pela Palavra do Senhor e fortalecidos pelo Seu Pão, Seu Corpo e Sangue, a Eucaristia, para que, em tempo de desolação e desânimo, comuniquem a aurora de Deus.

Após o sol poente, cremos que há a escuridão da noite e que ao amanhecer a esperança se renovará.

Entre o sol poente e o sol nascente, entre o sol nascente e o sol poente, é o tempo contínuo, ininterrupto da acolhida e vivência da Palavra do Senhor, para que, como criaturas novas, construamos relações de amor, fraternidade, bondade.

Reflitamos:

– De que modo se dá o nosso encontro amoroso e libertador com Jesus?

– De qual surdez precisamos ser curados?

– Como temos levado a cura de Jesus ao outro?

– Somos comunicadores de Sua Palavra?

Curados pela Palavra do Senhor, possibilitemos como discípulos missionários, que outros também alcancem esta graça, pois a cura e a libertação, a felicidade e vida plena, pois nisto consiste o querer de Deus para todos nós.

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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