Confiança, esperança e alegria no Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Advento – Ano B

“João é a voz no tempo;

Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.”

Ao celebrar o 3º Domingo do Advento (ano B), chamado de “Domingo da alegria”, refletimos sobre o Projeto de salvação e vida plena que Deus tem a nos oferecer.

Cremos que as trevas cederão lugar à luz, novos tempos viveremos com a vinda do Verbo que Se fez Carne em nosso meio, fez morada entre nós.

Na passagem da primeira Leitura (Is 61, 1-2a.10-11), vemos que o Profeta é ungido pelo Senhor e sobre ele repousa o Espírito Santo, sem o que sua missão seria um fracasso.

Num período muito difícil (pós-exílio), o Profeta tem a missão, ungido pelo Espírito, de anunciar um tempo novo para o Povo de Deus, suscitando a confiança e a esperança adormecidas.

São tempos muito difíceis e incertos; o povo está desanimado e sem esperança, não obstante, é preciso reconstruir Jerusalém.

O Profeta se dirige aos pobres, pacíficos, humildes, simples, piedosos, os que temem a Deus, porque é através destes que Deus reescreverá a história de amor e vida plena.

Estes, ontem e hoje, se entregam nas mãos de Deus, com fé, humildade e confiança para participarem da obra de Deus, superando toda forma de racismo, exclusão, violência, exploração, terrorismo, imperialismos, prepotências…

Também nós, pelo Batismo, precisamos viver a vocação profética e ser uma voz de Deus, um sinal vivo do Amor de Deus pelos pobres, com renovado empenho e com coragem para construirmos um mundo melhor.

É preciso corresponder à presença amorosa de Deus em nossa vida, em sérios e inadiáveis compromissos, com confiança e esperança de um novo céu e uma nova terra.

Na passagem da segunda Leitura, o Apóstolo Paulo se dirige à comunidade de Tessalônica (1 Ts 5,16-24) para que ela seja uma comunidade vigilante na espera do Senhor que virá gloriosamente, pela segunda vez.

É preciso que a comunidade seja viva, santa, seus membros irrepreensíveis, alegres, serenos, em constante atitude de louvor e adoração a Deus, porque esta é enriquecida pelos dons do Espírito Santo para enfrentar quaisquer desafios próprios da comunidade que professa a fé no Senhor.

Era uma comunidade viva, mas a formação ainda deixava algo a desejar, porque insuficientemente catequizada, devido ao contexto na qual se encontrava inserida (perseguição e provação).

Daí a mensagem de encorajamento e exortação para que a comunidade viva bem o tempo da espera, alegres na Oração, em ação de graças, de coração aberto ao Espírito sem desprezo pelos Seus dons, abrindo-se à novidade do Reino e afastando-se do mal.

A comunidade que professa a fé no Senhor é chamada a viver uma constante vigilância, a fim de que viva coerentemente os compromissos batismais. Percorrendo o caminho vigilante, confiante e mantendo viva a alegria, encontrará no final os braços amorosos de Deus.

Ela precisa orar sem cessar, dando graças a Deus em todas as circunstâncias, inclusive nas adversas, contando com a presença e ação do Espírito Santo que jamais a desampara.

Na passagem do Evangelho (Jo 1,6-8.19-28), temos mais uma vez a pessoa de João Batista, que tem a missão de preparar a humanidade para acolhida da Verdadeira Luz, Jesus, que vem trazer vida definitiva e liberdade para todos.

É o prólogo do Evangelho de João, no qual João Batista é “o apresentador” oficial de Jesus, num ambiente social muito difícil em todos os aspectos (político, religioso, econômico, social, ideológico).

Vive-se a espera do Messias libertador, e a mensagem de João incomoda as autoridades, e sua missão consiste em dar testemunho da Luz, Jesus. Não apenas o anúncio, mas o testemunho de João Batista é inquietante para os líderes religiosos judeus.

João é a voz, e é preciso que se dê atenção ao conteúdo da mensagem. João é a voz que comunica a Palavra eterna, que existiu desde sempre e por toda a eternidade, como afirmou Santo Agostinho.

Ontem e hoje, a voz de João ressoa em nosso coração:

– o que precisa ser endireitado em nossa vida?

– quais as mudanças que precisamos fazer em nível pessoal, familiar, comunitário e social para que celebremos o verdadeiro e santo Natal do Senhor?

– como vivemos a vocação profética que o Senhor nos concedeu no dia de nosso Batismo?

– Celebraremos o natal como o nascimento do Salvador, acolhendo também Sua Palavra de vida e salvação?

– Como faremos a luz de Deus brilhar mais fortemente através de nossa vida (pensamentos, palavras e obras, sem omissões)?

– Com João o que temos que rever e aprender para não nos anunciarmos, mas anunciarmos a Divina Fonte de Luz, Jesus?

Seja o Tempo do Advento para nós o tempo da “desinstalação”, o tempo de ir ao Encontro do Senhor que vem, renovando a confiança, a esperança e a alegria, para que se fortaleçam os vínculos fraternos de amor, e a vida plena, a felicidade, por Deus prometida e possível, alcançadas sejam.

Não seja o Natal uma mera lembrança de um acontecimento, mas a celebração de um fato que aconteceu, e mudou o rumo da história, porque Ele veio morar entre nós para que não caminhemos nas trevas, mas na luz, e na luz eterna vivamos.

Ontem Ele foi colocado em seu primeiro altar, lá no humilde presépio e na desconfortável manjedoura. Que Ele seja celebrado e acolhido em nossos Altares, nas Ceias Eucarísticas que celebramos, e também no altar indispensável do coração humano, em cada pessoa, onde Ele quis também fazer Sua morada.

Fonte: www.Dehonianos.org/portal

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

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