Festa da Exaltação da Santa Cruz e Primeiro aniversário da presença de Dom Otacilio F. de Lacerda na Diocese de Guanhães – Dia 14 de setembro de 2020

 

A Celebração, às 19h, na catedral São Miguel em Guanhães, contou com a presença de quase todo o Clero e cristãos leigos das paróquias (30% da capacidade da ocupação da Catedral, mantendo-se o distanciamento e as regras das orientações municipais por causa da pandemia).

 

 

 

A seguir, a homilia proferida por Dom Otacilio:

“Graças a Deus, podemos chegar a muitos lugares e muitos estão celebrando através do Facebook e do Youtube esta Festa da Exaltação da Santa Cruz que, diferente da Sexta-feira santa, agora é celebrada com festa, com júbilo exatamente 40 dias passados da Transfiguração do Senhor  preanunciando o Mistério da morte de Cruz e dando gosto da sua glória  aos discípulos  para que não se escandalizassem diante do fracasso da morte na cruz ).

 A Liturgia da Igreja tem estas belezas. Hoje celebramos a vitória como o povo canta tão piedosamente: ‘Vitória , tu reinarás, ó cruz, tu nos salvarás’. Celebramos a Redenção de todos nós,  por Nosso Senhor no alto da Cruz. Como vimos na Primeira Leitura, já no AT, Deus que não se afasta de nós, falou para Moisés erguer a serpente de bronze para serem curados todos que eram picados por conta da infidelidade.

Mas nós não olhamos mais para a serpente, nós olhamos para o próprio Cristo Jesus no ápice de Seu amor.

Jesus disse a Nicodemos hoje, neste diálogo, que é preciso nascer de novo; e em João, nós escutamos um versículo mais bonito da Sagrada Escritura: ‘Deus nos deu seu filho por amor’.

Quero chamar sua atenção para o versículo 16 que fala deste amor de Deus manifestado no ápice da cruz da morte de Jesus. É preciso que o Filho do Homem seja levantado, não mais a serpente no deserto, para que todos que n’Ele crerem tenham a vida eterna (versículo 15 do cap. 3.)

Ouvimos um dos versículos mais belos da Bíblia João 3, 16.

Costumam dizer que, às vezes, os católicos não guardam muito versículo bíblico, mas este é preciso: ‘Pois Deus amou tanto o mundo que deu Seu Filho Unigênito para que não morra todo que Nele crer, mas tenha a vida eterna’.

Enfatizei este ‘tanto’ propositalmente: Deus não nos ama pela metade, nem mais ou menos, Ele nos ama tanto, tanto que nem o Filho poupou. Abraão não precisou sacrificar Isaac, mas Deus não poupou seu próprio Filho. Tamanho amor de Deus por nós, contemplado no AT e vivenciado, testemunhado por Jesus na Nova Aliança.

Como estamos vendo neste mês da Bíblia, no livro do Deuteronômio, que é a história do amor de Deus por nós.

Celebrar a Festa da Santa Cruz é uma oportunidade de celebrar  o imenso amor de Deus por nós, mas ao mesmo tempo oportunidade para renovar no meu coração e no coração de todos o mesmo amor para com Deus .

Celebrar o imenso amor de Deus e a nossa resposta mais sincera,  mais profunda, mais comprometida de amor a Deus.

Celebrar a Festa da Exaltação da Cruz, como disse Paulo, para que nos gloriemos na cruz de Nosso Senhor,  para que vivamos a loucura da cruz , a cura da cruz. 

Ser discípulo de Jesus é viver a loucura da cruz, escândalo para os judeus, loucura para os gregos ( Primeira Carta de Paulo aos Coríntios); ‘ E todos devemos nos gloriar na Cruz de Nosso Senhor Jesus’ ( Gálatas 6,14).

 Se há algo que nós devemos gloriar sempre é da cruz de Nosso Senhor. Ele é razão do nosso viver e do nosso existir.

Celebremos a Festa da Exaltação da Nossa Cruz, predispondo-nos a carregar com fidelidade a nossa cruz… sem reclamar, sem lamentar. É muito importante celebrarmos agradecendo a Deus os momentos difíceis que passamos; sobretudo, neste tempo de pandemia, a cruz pesou em nossos ombros, mas nós renovamos nossas forças na cruz de Nosso Senhor.

Como bispo, exorto aos sacerdotes que aqui estão e que não puderam, inclusive, estar presencialmente à Missa da Renovação do Sacramento da Ordem, faça no seu coração hoje –  ainda que não esteja previsto no Ritual da Missa de hoje -, renova no seu coração agora, padre, o seu sim a Jesus, aquele dia de sua ordenação, aquelas sagradas promessas que você fez, mas acima de tudo, como bispo, eu exorto: ame a nossa Igreja,  de modo especial esta Igreja particular de Guanhães deem o melhor de vocês, como vocês já o fazem, mas ainda é pouco.

Eu, como bispo, em um ano me doei, mas eu não tenho dúvida de que poderia ser mais. E eu quero renovar aqui o compromisso de amar mais ainda esta Diocese.

Ame mais ainda,  você, padre, a sua paróquia;  ame mais ainda os cristãos leigos de sua paróquia; ame os diversos Conselhos que estão se solidificando.

Entregue sua vida por amor, carregando com paciência, humildade, confiança e perseverança a sua cruz.

Evidentemente,  que esta renovação eu estendo aos cristãos leigos que não puderam  celebrar a Vigília Pascal para a renovação das promessas batismais…

Queridos cristãos leigos, também vocês, nos silêncio de seu coração, diga sim: eu quero carregar minha cruz com fidelidade, quero amar mais a minha Diocese e ainda mais a minha Paróquia, me doar mais ainda na Pastoral  para a qual fui chamado ou  participar ainda mais e intensamente das Missas, quando possível, seja presencial, seja  pelos meios de comunicação.

Ah, amados irmãos, amadas irmãs! Trago dois pensamentos de dois santos da Igreja para nossa Missa de hoje. Meditando, me preparando, pensando em cada um de vocês, eu falei: o que eu levo de especial, de presente para o povo de Deus, neste meu primeiro ano, nesta Diocese?

Eu quero que fiquem gravadas aquelas preciosas palavras de Santo André de Creta – bispo do Século VIII, que nós rezamos hoje na Liturgia das Horas –  apenas um trecho sobre a maravilha da cruz de Nosso Senhor. Toda vez que eu leio este trecho, eu me emociono. Ali, nós temos uma cruz. Fixe seu olhar nela:

‘Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado; se não houvesse a cruz, a vida não seria cravada ao lenho com cravos; se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado, as fontes da imortalidade, o sangue e a água que lavam o mundo; não teria sido rasgado o documento do pecado; não teríamos sido declarados livres; não teríamos provado da árvore da vida; não teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno. Preciosa também é a cruz, porque ela é  Paixão e Vitória de Deus;  paixão pela morte voluntária nesta mesma paixão e vitória porque o diabo é ferido e com Ele a morte é vencida. Arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou comum à salvação de todo mundo’.  

Belíssimo texto de Santo André de Creta que mereceria ser mais conhecido e rezado por nossas comunidades, mas eu não ficaria feliz se nesta noite eu não trouxesse a palavra de uma mulher, de uma doutora da Igreja. 

Como esta mulher é importante na minha vida!  Como eu amo esta santa!  Como as mulheres nos dizem coisas preciosas! E o papa Francisco tem ressaltado de modo muito especial o protagonismo feminino. Estou falando daquelas mulheres sábias que Deus coloca  em nossas comunidades, sem as quais , pobres de nós, padres, frente às nossas paróquias… Esta mulher se chama: Santa Tereza de Jesus, Santa Tereza de Ávila, século XVI, está lá nos Santos caminhos da perfeição! Livro que, como bispo, eu recomendo a todos os padres, porque o padre  que não cultiva a espiritualidade se cansa mais fácil e para no meio do caminho, como todo cristão. E Santa Tereza é extraordinária! Ela fala agora, 2020, 14 de setembro!

‘Estou convencida de que a medida da capacidade de levar a cruz, grande ou pequena, é a do amor.  Cumpra-se em mim, Senhor, Vossa vontade de todos os modos e maneiras que Vós, Senhor meu, quiserdes;  se me quiserdes enviar sofrimentos, dai-me forças  para suportá-los e venham sem perseguições, enfermidades, desonras e mínguas, aqui estou; não afastarei o rosto ao meu Pai, nem há motivos para virar as costas. Não quero que haja falha da minha parte, depois que o vosso Filho, em meu nome, deu esta minha vontade, oferecendo a vontade de todos os homens’. 

O que me toca primeiramente são as primeiras palavras: a medida da capacidade de levar a cruz grande ou pequena é do amor. Esta (aludindo a cruz peitoral) é fácil de se levar, é até muito bonita, mas aquela cruz que não se vê, leve ou melhor, aquela cruz que não se vê, grande ou pequena, é a do amor. Quem ama não reclama.

Padre, recentemente, ouvimos sobre o suicídio de um padre;  os números apresentam 2017 e 2018 quase 20 padres se suicidaram. Querido Padre, não viva sozinho, não queira carregar sua cruz  na solidão, mas na comunhão,  junto com seus colegas padres, compartilhando, abrindo o coração.  Não se tranquem!  Não se isolem porque senão o peso da cruz se torna insuportável. Isto vale também para os fiéis leigos e leigas.

Quando nos isolamos, a cruz se torna insuportável, juntos ela fica mais leve, mais suportável e se lembrem sempre: se a cruz estiver pesada, vier sofrimento, não blasfemem, não reclamem, não desanimem, não desistam.

Como disse Santa Tereza:  peça forças, para suportar. Glorifico a Deus pelo ano que passou. Graças a Deus, nos momentos que a cruz pesou sobre meu ombro de bispo, não me faltou uma Igreja orante, na Comunhão, no trabalho.

Sozinho eu não dou conta, mas com a Igreja, com todos, a cruz ficou bem mais suportável e olhemos para a frente: temos Conselhos a solidificar, Estatutos a aprovar, muito a melhorar, muito, com certeza, formações e tantas outras coisas, mas nada vai dar certo se o amor não crescer em nosso coração.

Muito, muito temos pela frente. Escrevi apenas o primeiro capítulo com vocês. Continuemos a escrever uma bonita e memorável história de amor. 

É preciso evangelizar, fortalecer os Pilares da Evangelização. Que venha a Assembleia Diocesana no Tempo de Deus, para que o Pilar da Palavra, para que o Pilar do Pão da Eucaristia, para que o Pilar da Caridade, para que o Pilar da Ação Missionário não fiquem só no Documento azul da CNBB, mas que esteja no coração de cada um, no sangue que corre em nossas veias.

Palavra, Pão, Caridade e Missão! Eis a razão da nossa caminhada, as luzes que nos iluminam em meio a esta escuridão.

A pandemia está aí e nos desafiou. Vamos devagarzinho e vencendo para dias melhores, juntos, sempre juntos e jamais sozinhos, carregando solidariamente a cruz de cada dia que aponta para o alto, para o Pai e para baixo,  desceu à mansão dos mortos, que aponta a horizontalidade, o Espírito Santo que conduz a história: Pai, Filho e o Espírito Santo.

Quando você fizer o sinal da cruz, na próxima vez, lembre-se: Pai Nosso que estais no céu, lembre-se do despojamento da ‘kenosis’, do movimento ‘kenótico’ de Jesus, desceu à mansão dos mortos, mas não se esqueça de que é o Espírito Santo que conduz a história e que conduz a Igreja! Amém! Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!”

Ao final da Celebração, Pe José Geraldo proferiu uma mensagem a Dom Otacilio:

Dom Otacilio, em nome da Pastoral Presbiteral e com alegria, que queremos homenageá-lo e rendermos graças ao nosso bom Deus, pelo um ano do seu Ministério em nossa Diocese de Guanhães.

Há mais de um ano rezávamos pedindo a Deus que nos ajudasse a continuar a nossa história rumo a novos horizontes.

Aos poucos, com o seu jeito , o senhor vem nos cativando. Homem de fé, com profunda espiritualidade; faz poemas com os momentos difíceis da vida. Este é o nosso pastor!

Conte conosco, seus colaboradores na missão em que foi confiada nesta Igreja particular que necessita muito do senhor e do zelo de pastor.

Que Maria Santíssima, Mãe das Vocações e São Miguel Arcanjo intercedam junto ao Deus Pai copiosas bênçãos  sobre o seu Ministério! Parabéns!

Dom Otacilio encerrou dizendo : 

Agradeço as palavras carinhosas de Pe José Geraldo e quero retribuir virtualmente, abraçando quem está em casa e quero que cada  padre se sinta abraçado, que pelo protocolo não podemos fazê-lo, mas o desejo do abraço é mais forte  que o próprio abraço!

Padres, fiéis cristãos leigos e leigas, religiosas, seminaristas ; todo povo de Deus presente ou em suas casas, na Diocese ou em outros lugares sintam-se abraçados e, carreguemos as nossas cruzes! Se vierem os sofrimentos, peçamos coragem e forças! Sigamos em frente!

     

Revisão: Mariza Pimenta 

Fotos: Eliana Alvarenga.

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