” O Dia em que a Terra parou” . Bela reflexão de Pe Dilton

Ano de 2020 cumpre-se a “profecia” de um dos maiores compositores do século XX, Raul Seixas que, no Ano de 1977, lança para o mundo musical a letra e música “ O Dia em que Terra Parou”(gravadora Warner Music Brasil – dezembro de 1977) que nos leva a uma reflexão tão triste neste século 21.

Neste momento em que o mundo vive os seus medos no enfrentamento a uma Pandemia que já ceifou inúmeras vidas, comecei a pensar na seriedade em que todos, sem distinção, devemos nos colocar como vigilantes uns dos outros e de nós mesmos, para que, em nossas famílias e entre os nossos amigos, não venhamos a sofrer com perdas irreparáveis como, infelizmente, já tem acontecido com tantos, mundo afora.

A Terra Parou”. Mas os nossos sonhos não. A terra parou, os nossos ideais não. A terra parou, a esperança não! Pois esta nos aponta para uma Luz que não se esgota, que nos faz levantar e retomar a nossa caminhada terrena.

Essa noite eu tive um sonho de sonhador

Foi mesmo um sonho? Uma visão? Um comunicado de um Ser superior que quis fazer uso desse gênio da música para despertar a humanidade para uma atenção maior à destruição do Planeta, da Casa Comum. Destruição que, naquele ano, já apontava um caminho sem volta frente à ganância, à arrogância, ao egoísmo, à exploração dos poderosos sobre os mais pobres? Foi mesmo um sonho ou um pesadelo da triste realidade que vive a humanidade com os mesmos medos, com buscas de respostas que a levam a vaguear sem saber aonde chegar?

Maluco que sou, eu sonhei

Maluco? Penso que não. Eu diria que um pensador capaz de revelar seus sonhos, de transformá-los em letra e música que levem crianças, jovens, adultos e anciãos a refletirem sobre a realidade de suas vidas.

Com o dia em que a Terra parou
Com o dia em que a Terra parou

Então chegou o dia, ou melhor: os dias, os meses, mas que não se complete um ano esta “profecia”: A TERRA REALMENTE PAROU. Que tão logo volte a se movimentar!

Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa

Assim se faz necessário. Decidiram que ninguém sairá de suas casas. Mas como? E o direito de ir e vir garantido pela Carta Magna desse País, a Constituição Federal? Se sou maior de idade, dono do “meu nariz”, responsável pelos meus atos, como não vou sair de casa? E quando se trata de grandes potências econômicas, bélicas, que têm os maiores e melhores cientistas, os maiores esquemas de seguranças do Planeta, como vão lidar com essa exigência do isolamento social? Como não sair de casa?

Como que se fosse combinado em todo o planeta

Não foi combinado em todo o planeta! Apareceu um novo coranavírus, que causa a doença COVID-19, que chegou pra dizer: “Vocês não me veem, não sabem quem eu sou, onde estou, mas sabem que, em contato comigo, já não terei o trabalho de contaminar outras cinco vítimas, dez… ou seja, vocês farão isso por mim se não ficarem em casa”.

Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém

Há dias, meses que o confinamento ou isolamento social está sendo a melhor arma para enfrentarmos esse ser invisível que amedronta a toda a humanidade.

O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não ‘tava lá’

De fato, o empregado não saiu pra trabalhar! Mas ele sabe que se sair e se contaminar, a sua chance de ter um tratamento digno é quase impossível, porque em muitas cidades nem Hospital tem e onde tem, pode lhe faltar o respirador mecânico e tantos outros procedimentos de saúde que podem salvar sua vida.. “O Patrão também não estava lá”…
Curiosamente eu, acompanhando os telejornais e outros meios de comunicação, vi que muitos patrões queriam que os seus empregados fossem trabalhar, mesmo ele, o patrão, não estando lá.” A ECONOMIA NÃO PODE PARAR…” A justificativa é plausível? o fato é que muitos desses empregados e patrões que saíram e não entenderam que a terra parou, pararam para sempre pois o “invisível” veio para igualar a todos.

Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não ‘tava lá’

As necessidades básicas à sobrevivência não esperam! É preciso alimentação, remédios…Daí as padarias, super e hiper mercados, postos de combustíveis, farmácias e drogarias mantêm atendimento aos seus clientes. Muitas vezes não vai a dona de casa comprar o pão, pois, por ser de mais idade, é mais vulnerável à contaminação, deve ir, então, um filho ou aproveita a boa vontade de um vizinho e evita aglomeração. Requisitos básicos são necessários: higienizar bem as mãos com água e sabão e uso constante de álcool em gel; Máscaras são imprescindíveis, mesmo com possibilidade de repressão ao não uso pelas autoridades constituídas. Mas, e o padeiro? Ele está lá! Como disse “alguns estão se sacrificando para preservar a vida a outros.”

E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão, também não ‘tava lá’
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar

O guarda não sai para prender, mas sai como que numa força-tarefa para colaborar na orientação e na assistência aos agentes de saúde no sentido de ajudar a todos na prevenção da Covid-19 que, para alguns, não passa de uma “gripezinha”, mas que ceifa vidas e mais vidas a cada dia. O ladrão, às vezes, até sai, mas também ele, muitas vezes vítima de um sistema discriminador e marginalizador perambula por aí, pois “a terra parou” e ele não se deu conta de que o vírus não faz discriminação.

No dia em que a Terra parou, eh eh
No dia em que a Terra parou, oh oh oh
No dia em que a Terra parou, oh oh
No dia em que a Terra parou

Realmente parou e continua parada! O que faço com os meus bens? E as pessoas que mais amo…não posso nem visitar? O que farei, já que não posso aumentar o meu patrimônio? De forma positiva e muito curiosa foi a terra parar e despertar em nós o sentimento de solidariedade. Ajudamos com cestas básicas, com produtos de limpeza e com outras coisas básicas para a sobrevivência de uma família…

“A terra parou”. E já não é hora de ela se movimentar novamente? A vida das pessoas já está segura para que a terra se movimente ou é preciso esperar mais um pouco? Se a preocupação primeira for a VIDA que se espere mais um pouco.

E nas Igrejas nem um sino a badalar
Pois sabiam que os fiéis também não ‘tavam lá’
E os fiéis não saíram pra rezar
Pois sabiam que o padre também não ‘tava lá’

Sabe-se que os sinos sempre foram um convite à oração, como também servem de cronômetro para os moradores de uma cidade, indicam até aquele que irá presidir uma celebração Litúrgica (Missa).

Expressam com os seus sons alegrias e até momentos tristes. E porque a terra parou os fiéis não vão à Igreja para rezar. Mas aí é que surge a oportunidade de retomarmos as pequenas comunidades cristãs já desejadas no início do cristianismo, como nos relata o Livro dos Atos dos Apóstolos “onde ali se constituía a Igreja Doméstica”.

Os fiéis não saem para rezar pois também os padres estão impedidos de estarem lá. A terra parou para todos, em pleno século 21. Ainda bem que as tecnologias, através dos meios de comunicação social, sobretudo a internet, oportunizam aos padres chegarem a essas pequenas comunidades cristãs, Igrejas Domésticas, alimentam a fé e a espiritualidade do povo cristão.

E o aluno não saiu para estudar
Pois sabia o professor também não ‘tava lá’
E o professor não saiu pra lecionar
Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar

O transporte parou, as instituições de ensino pararam… como expor centenas de milhares de alunos, professores, colaboradores da educação a um mal invisível e que ainda não se sabe como combatê-lo? No isolamento social, permanece o aluno, o professor…toda a comunidade escolar! Sempre há muito o que ensinar! E tanto conhecimento apenas aguarda e será histórico, porque quando a terra voltar a se movimentar trará a todos uma nova lição de vida. Esperamos, sobretudo, que o valor à vida seja a maior lição, o compromisso de todos os que sobreviverem a essa pandemia da Covid-19.

No dia em que a Terra parou, oh oh oh oh
No dia em que a Terra parou, oh oh oh
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou
O como parou…

O comandante não saiu para o quartel
Pois sabia que o soldado também não ‘tava lá
E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não ‘tava lá
E o paciente não saiu pra se tratar
Pois sabia que o doutor também não ‘tava lá
E o doutor não saiu pra medicar
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar

“A Terra parou!” Não tem comandante e nem comandado. A guerra é uma só: Lutar pela vida. Então nos descobrimos de fato como iguais. O “invisível” pegou o comandante, pegou o comandado, pegou o médico, pegou o paciente, pegou o padre, pegou o fiel, pegou o professor, pegou o aluno, pegou o rico e pegou o pobre, pegou o negro e pegou o branco…

Essa guerra é de todos! Mas “o que é o homem para dele vos lembrardes? (Salmo 8, 5). “A Terra parou”…, Raul Seixas, mas não vamos ficar aqui “…Com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar…” como você nos falou em sua canção “Ouro de Tolo”.

Vamos, sim, continuar lutando por um mundo mais igual, mais fraterno, menos desumano e sem mediocridade. Vamos lutar contra todo poder opressor e a favor da vida, pois somente com esse propósito é que a humanidade fará com que a terra volte a se movimentar dando às pessoas a oportunidade de serem melhores umas com as outras, de cuidarem do Planeta, da Casa Comum, enfim, de respeitarem a VIDA como dom de Deus. Se assim não o fosse o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo, não teria dito: “Eu vim para que todos tenham VIDA e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

No dia em que a Terra parou oh yeah
No dia em que a Terra parou, foi tudo
No dia em que a Terra parou, oh oh oh
No dia em que a Terra parou
Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, acordei
No dia em que a Terra parou, oh yeah
No dia em que a Terra parou, ohh
No dia em que a Terra parou, eu acordei
No dia em que a Terra parou, acordei
No dia em que a Terra parou, justamente
No dia em que a Terra parou (eu não sonhei acordado)
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou
No dia em que a Terra parou, oh yeah
No dia em que a terra parou

PAROU. MAS VAI VOLTAR AO SEU MOVIMENTO!
EU CREIO!
É QUESTÃO DE TEMPO…
Pe. Dilton Maria Pinto
Administrador Paroquial – Santa Maria do Suaçuí /MG.
18/06/2020

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